
Consta que o abacaxi ou ananás foi descoberto, para o velho mundo, em 4 de novembro de 1493, quando Cristóvão Colombo descobriu a ilha de Guadalupe, onde encontrou e experimentou o fruto, que era amplamente disseminado na América Tropical, desempenhando parte importante na alimentação das populações indígenas. Acredita-se que no final do século XVII, a planta já era conhecida na maioria das áreas do globo.
Hoje, o abacaxi é um autentico fruto símbolo das regiões tropicais e subtropicais.
O abacaxi, Ananas comosus (L.) Mernil, pertence à família Bromeliaceae, que apresenta cerca de 46 gêneros e 1700 espécies, ocorrendo principalmente em zonas tropicais. Sendo chamado por sua forma em espanhol "piña" e no inglês "pineapple", mas o nome "ananás" usado por franceses, italianos, holandeses e alemães, também se usa no inglês e no português (ananás é o fruto, naturalmente; a planta é ananaseiro).
O vocábulo ananás é originário de nana, da língua tupi, falado pelos nativos que habitavam o litoral do Brasil.
Atualmente, ananás é usado para indicar os frutos selvagens ou pertencentes a variedades desconhecidas pelo povo, pois as variedades conhecidas são vulgarmente chamadas de abacaxi, vocábulo proveniente de ibacati (iba= fruto, cati= que exala cheiro) da língua guarani.
O abacaxizeiro é uma planta perene, que pode durar muitos anos, a inflorescência terminal que originará o fruto. Após a produção do primeiro fruto há seqüência de crescimento por meio de uma ou mais gemas auxiliares, que também produzirão frutos.
O sistema radicular da planta adulta é superficial, concentrando-se, principalmente, nos primeiro 15cm do solo.
O caule principal, do comprimento de 20 a 30cm, e diâmetro de 20 -25mm em sua base, aumentando até 55-65mm na parte mais alta, fica completamente circundado e coberto por numerosíssimas folhas. Plantas originarias de coroa apresentam o caule totalmente reto.
Na época de formação do fruto, algumas gemas localizadas nas axilas foliares se desenvolvem, formando ramos laterais que poderão servir de mudas (rebentão) se removidos na época apropriadas, se deixados na planta, também produzirão frutos.
O pedúnculo, que se desenvolve a partir do meristema apical, é o portador da inflorescência e, posteriormente, do fruto. Sobre o pedúnculo, abaixo da inflorescência, há folhas modificadas, com gemas axilares, que podem se desenvolver, dando as mudas denominadas filhotes.
O abacaxizeiro adulto apresenta de 70-80 folhas, com comprimento de 60-120 cm ou mais, aumentando o comprimento à medida que as folhas ficam em posição mais elevada, ou seja, mais perto do centro; aí se agrupam as folhas mais novas, de crescimento decrescente, que acabam formando uma depressão na parte central mais alta do denso grupo cespitoso de folhas; ou rosetas, que recolhe facilmente água, conservando-a A densa "roseta" está determinada pelos internódios reduzidos, as folhas estão dispostas em espiral, em volta do caule.
A inflorescência do abacaxi é uma espiga cerrada, com numerosas brácteas verdes ou vermelhas, que cobrem as flores brancas ou branco-roxas. O fruto é constituído na realidade de 100-200 pequenas unidades, de forma e tamanho variável, as maiores na base, as menores na ponta, num conjunto de forma cônica. O fruto, cônico tem tamanho variável, podendo-se aceitar a média de 205mm de comprimento, 145mm de diâmetro e 2200 gramas de peso; a parte comestível da fruta resulta da ráquis engrossada que se junta com a polpa do ovário das flores.
O ciclo do abacaxi até a floração e a frutificação, identificado por Kerns et. al. é o seguinte:
Tempo requerido, em dias para chegar a diferentes fases de floração e de frutificação do abacaxi
| Do plantio até o inicio da inflorescência | 427 |
| Do inicio ao fim da formação da inflorescência | 37 |
| Do fim da formação da inflorescência até a 1º abertura das flores | 43 |
| Período de floração | 26 |
| Do inicio até o fim da floração | 106 |
| Período desde a ultima flor aberta até | 109 |
| Desde o plantio até o fruto maduro | 642 |
O fruto apresenta em seu ápice uma típica "coroa" de folhas, nascidas de gemas axilares da parte terminal do caule.
A coroa, que se desenvolve durante a formação do fruto, entra em estado de repouso quando ele está maduro e só, continuará a se desenvolver, quando plantada.
As frutas destinadas à industrialização devem ser colhidas maduras, durando as qualidades organolépticas tenham atingido o ponto ótimo. Já para consumo "in natura", deve colhê-las suficientemente cedo para que cheguem em boas condições ao consumidor.
O abacaxi deve ser colhido no estágio de "virada", ou seja, com a casca metade verde e metade amarela, no qual poderá amadurecer com melhor qualidade.
Em geral, a maturação, o abacaxi passa de cor verde para bronzeada, os olhos mudam de sua forma pontiaguda para achatada, os espaços entre os olhos se estendem e adquirem uma cor clara.
Sendo a maturação aparente de pouca eficiência, um vez que depende de muitas variáveis, torna-se necessário considerar a polpa da fruta para se ter dados de maturação real. Portanto, recomenda-se a análise da composição da polpa do fruto.
Os produtores devem procurar manter um padrão de qualidade da fruta, a fim de garantir sua comercialização.
Para isso, é necessário que sejam observados as seguintes características:
Cor
Revela o seu grau de maturação, deve-ser uniforme sem estar muito maduro, o que é indesejável, tanto para industria como para o mercado consumidor;
Tamanho
Principalmente para industria, onde os diferentes comprimentos e diâmetros afetam a regulagem das máquinas;
Forma
Afeta o deslocamento mecânico e portanto o rendimento.
É importante conhecer a relação Brix/acidez total titulavel da variedade que vai ser comercializada.
O abacaxizeiro frutifica dentro de 24 meses após o plantio quando as mudas são do tipo coroa; 15-18 meses, quando as mudas são do tipo rebentão; e 20 e 22 meses, quando as mudas são do tipo filhote. De modo geral, pode-se obter de 15 - 20 mil frutas/ha por safra, servindo este valor como média para as variedades.
A época da colheita está intimamente relacionada à época de plantio e ao tipo e idade da muda. O plantio no Estado de São Paulo é feito de dezembro a fevereiro, no período que coincide com a colheita das frutas, e consequentemente, com as épocas favorável à obtenção de mudas.
O abacaxizeiro plantado durante a primavera ou inicio do verão tem um ciclo de 18-24 meses, segundo os tipos de mudas, com o florescimento ocorrendo em fins de inverno ou início da primavera.
Plantas de porte médio , com folhas largas e curtas , cor verde escuro com manchas roxas , de bordos lisos, com excepção de alguns acúleos na extremidade da folha; fruto em forma cilíndrica , peso de 2,0 a 2,5 kg ; cor externa alaranjado-roxo , cor interna amarelo pálido ; olhos plano-hexagonais , pouco profundos, em número de 140 a 160 orientados em três (03) espirais. Sabor adocicado e ácido.
Principais cultivares : Pernambuco,Paulista, Boituva-amarelo, Pérola , Jupi(fruto mais cilíndrico que o pérola ). Planta média vigorosa , de folhas mediana a curtas , cor verde escuro, providas de acúleos grandes em suas margens. Fruto oblongo, de 0,9 a 1,8 kg de peso , de cor externa amarela , cor interna amarela , olhos arredondados na parte superior e retangulares na base , profundos com brácteas cobrindo 1/3 a ½ do olho , orientador em dois espirais. Sabor menos ácido que Cayena.
Plantas grandes , folhas curtas a medianas , de cor verde escura com manchas roxas , de bordos lisos , com bordos recurvados com um espinho na ponta. Fruto em forma de cilindro . Peso de 1,5 a 3,5 kg ; cor externa amarela , cor interna amarela ; olhos proeminentes com brácteas sem espilhos , profundos , em número de 130 a 140 , orientados em três espirais.
O nome deve-se ao fato de os frutilhos "olhos" serem soldados menos fortemente entre si, ao contrário do que ocorre em outros cultivares e introduções, podendo ser facilmente destacáveis, no fruto maduro. Introduzido na China em 1991, juntamente com outros tipos de material genético. Está nova variedade vem sendo avaliada pelo IAC de Campinas quanto a caracteres de planta e fruto, em comparação com cultivares comerciais.
O novo cultivar de abacaxi (IAC Gomo-de-mel ou abacaxi-de-gomo), provavelmente resultante de cruzamento natural, foi incorporado, ao banco de germoplasma de abacaxizeiros do Instituto Agronômico, em Campinas.
Fonte: www.ufrgs.br
Nome popular: ananás; abacaxizeiro
Nome científico: Ananas comosus (L.) Merril.
Família botânica: Bromeliaceze
Origem: América Central e México.

Planta de pequeno porte, podendo atingir 80cm de altura. Folhas longas e duras, dispostas espiraladamente, partindo da base, formando uma roseta. Flores pequenas, de coloração rósea a roxo-purpúrea, surgem aglomeradas em uma haste, formando uma espiga que se desenvolverá originando a fruta do abacaxi.
O conjunto dos pequenos frutos formam a estrutura de forma ovóide do abacaxi.
Na sua porção superior forma-se uma "coroa" de folhas duras, de coloração verde intensa denominadas brácteas.
A haste interna do abacaxi é envolta pela suculenta polpa que é comestível.
Prefere solo rico em nutrientes, não suportando os encharcados. O plantio é feito no início das chuvas desenvolvendo-se bem em locais de temperaturas de 16° a 20° C e livres de geadas. Produz 20 kg por planta ao ano. Frutifica o ano todo.
Quando Cristóvão Colombo chegou à ilha de Guadalupe, no Novo Mundo, o abacaxi foi oferecido aos invasores europeus num gesto de hospitalidade e boas-vindas. Por sua semelhança, um tanto forçada e bastante apressada, com o fruto do pinheiro europeu, a fruta foi então chamada de pina, como é até hoje conhecida nos p\ de língua espanhola.
Para os indígenas de língua guarani, seu nome significava "fruta saborosa", de onde derivou a palavra ananás, como são ainda conhecidas algumas de suas espécies silvestres. Mas foi "iuaka'ti" ou "fruta cheirosa", outra de suas denominações indígenas, que deu origem à palavra abacaxi em português.
Provavelmente nativo do sul da América do Sul, da região onde hoje fica o Paraguai, o abacaxi foi carregado por toda a América pelos índios guaranis, tornando-se espécie cultivada pelas populações autóctones até a região da América Central e Caribe muito antes da chegada dos europeus.
O abacaxi, com o nome de pina, foi levado para a Europa como testemunho da exuberância exótica das terras existentes a oeste do Atlântico.
Espécie de fruto de fácil dispersão e cultivo, o abacaxi cruzou os mares do mundo a bordo de galeões e caravelas, chegando para ficar na África, na China, em Java, na Índia e nas Filipinas.
Nesses locais o abacaxi se propagou com facilidade e rapidez, tendo sido muito bem aproveitado nos últimos cinco séculos, e não apenas como saboroso fruto.
Na Inglaterra, verdadeira paixão, a partir do século XVII iniciou-se o cultivo do abacaxi em estufas especialmente preparadas para manter a temperatura equivalente à temperatura tropical de que a planta necessita para crescer.
Com sua coroa espinheinta, passou a ser chamado, no feminino, de "a rainha das frutas". Transformado em iguaria de reis e rainhas, o abacaxi foi oferecido como símbolo de hospitalidade a convidados especiais da nobreza, também nas cortes européias.
Em seu transporte do Novo para o Velho Mundo, o abacaxi deixou de ser apenas uma fruta e passou a ser um verdadeiro modelo de beleza e exotismo, representado incansavelmente pelas belas artes, estudado e admirado pelas ciências da natureza. Uma imagem que permaneceu misteriosa por muito tempo, até que pudesse ser completamente desvendada pela botânica.
Soube-se, depois de muito tempo, que aquilo que costumava ser considerado como uma frota inteira, única, não passava de uma ou duas centenas de pequenos frutos aglomerados em torno de um mesmo eixo central: cada "olho" ou 'escama" da casca do abacaxi é um fruto que cresceu a partir de uma flor, fundindo-se todos os frutos em um grande corpo, chamado infrutescência, no topo do qual se forma a coroa.
De perfume forte e sabor variado, ora dulcíssimo, ora bastante ácido, esse conjunto de frutos do abacaxi possui uma polpa refrescante e cheia de caldo. Tais virtudes o recomendam como fruta que se presta à produção de compotas, doces cristalizados, geléias, sucos, sorvetes, cromes, gelatinas e pudins.
No Brasil faz-se também uma bebida, chamada alua, bastante conhecida e apreciada no nordeste: deixam-se as cascas do abacaxi imersas em água por alguns dias, até que se processe a sua fermentação.
O abacaxi é, seguramente, uma das frutas tropicais mais populares do mundo, sendo muito utilizada no preparo de coquetéis de espírito festivo, tais como a mundialmente famosa pina colada, feita com suco de abacaxi e rum.
O abacaxi não é fruta calórica, mas seu conjunto contém altas porcentagens de vitaminas A, B e C, assim como carboidratos, sais minerais e fibras.
Além disso, dos restos do abacaxizeiro pode-se extrair a bromelina, uma enzima nobre que ajuda a decompor proteínas, resultando dessa extração um bagaço consistente que pode ser utilizado como ração animal.
O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de abacaxi, com mais de 700 mil toneladas anuais, perdendo, no início dos anos 90, apenas para a Tailândia, para as Filipinas e para a China.
As principais plantações brasileiras estão concentradas na região Nordeste do país, em especial no Estado da Paraíba; no Triângulo Mineiro; e nos Estados da Bahia e de São Paulo, onde os municípios de Araçatuba e Bauru são os líderes.
Apesar de manter uma área de cultivo muito maior que os outros países produtores, o Brasil ainda não detém completamente as técnicas que permitem a alta produtividade obtida nos abacaxizais asiáticos. Basicamente, no Brasil, cultivam-se as variedades Pérola, a preferida pelo mercado in natura, e Smooth Cayenne ou Havaiana, que produz um fruto maior, mais ácido e resistente e que, por isso mesmo, é normalmente destinada à exportação e às indústrias de compotas e de sucos.
Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br