Açaí (Página 4)
Açaí

Nome popular: açaizeiro; açaí-do-pará
Nome científico: Euterpeoleracea Mart.
Família botânica: Palmae
Origem: Brasil - Várzeas e margens dos rios da região amazônica.

Açaí

Características da planta

Palmeira de estipe delgado e elegante, podendo atingir até 25 m de altura. Folhas grandes, finamente recortadas em tiras, de coloração verde-escura atingindo frequentemente 2 m de comprimento. Flores pequenas, agrupadas em grandes cachos pendentes, de coloração amarelada, surgem predominantemente de setembro a janeiro, podendo aparecer quase o ano todo. Espécie muito semelhante ao palmito-doce (Euterpe ed ulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se desta por crescer em tonceiras de 3 a 25 palmeiras.

Fruto

Os frutos que aparecem em cachos são de coloração violáceo, quase negra quando maduros. De forma arredondada ou ovóide, apresentam rica polpa comestível e um caniço duro. Produzidos durante boa parte do ano, porém com maior intensidade nos meses de julho a dezembro.

Cultivo

Pode ser propagada por meio de sementes ou pela retirada de brotos da base. Desenvolve-se bem em vários tipos de solo e clima, preferencialmente em regiões quentes. Cada palmeira produz de 3 a 4 cachos por ano; cada cacho 3 a 6 kg de fruto.

O açaizeiro, planta típica do trópico brasileiro, juntamente com o buriti, é parte indissociável da paisagem florestal amazônica.

O açaí se desenvolve bem tanto em terras firmes como em várzeas sujeitas a inundações periódicas, desde que haja renovação constante das águas. Cultura perene e ribeirinha, o açaizeiro torna-se importante, também, na proteção do solo em condições tropicais de grande pluviosidade.

Do açaizeiro tudo se aproveita. Frutos, folhas, raízes, palmito, tronco e cachos frutíferos.

As populações ribeirinhas do baixo Amazonas, desde Santarém até a Ilha de Marajó, sabem que podem contar com essa palmeira alta e esguia para o sustento e a nutrição de suas famílias praticamente ao longo de todo o ano.

As folhas do açaizeiro são usadas na cobertura das casas; suas fibras, na arte de tecer chapéus, esteiras, sacolas e rasas - cestas usadas como medida padrão na atividade extrativista em praticamente toda a Amazônia.

A madeira de seu estipe - nome que se dá ao tronco das palmeiras - quando seca, transforma-se em toras bastante duráveis e super - resistentes às pragas e aos insetos, sendo muito utilizada na construção de casas, pontes e trapiches. Até mesmo os cachos secos, após a extração dos frutos, são aproveitados como vassouras.

O açaizeiro é também fonte generosa na medicina popular: os frutos novos são utilizados no combate aos distúrbios intestinais; as raízes, empregadas como vermífugos; o palmito, em forma de pasta, atua como anti-hemorrágico, quando aplicado após extrações dentárias.

Mas, especialmente, o açaizeiro da o açaí, uma frutinha arroxeada, quase negra quando madura.

Trata-se de um pequeno coco de onde é extraído, por maceração, o tradicional e bastante apreciado "vinho ou suco de açaí".

O açaí, transformado em suco, possui um grande mercado em toda a região amazônica, alcançando uma cifra de consumo fabulosa, estimada entre 100 mil a 180 mil litros por dia apenas na cidade de Belém.

Apesar de frutificar praticamente o ano inteiro, sabe o nativo que, quando a cigarra -"a mãe do Sol" - canta na boca do verão anunciando a estação seca, começa a melhor safra do açaí.

E é ele quem vai subir no alto das palmeiras, que chegam a 20 metros de altura, para extrair a fruta.

Com muita destreza, força e equilíbrio, o apanhador escala a palmeira até atingir seus cachos carregados auxiliado apenas pela peconha - espécie de alça feita com as folhas verdes do próprio açaizeiro - que lhe prende os pés e serve-lhe de apoio na subida.

Lá em cima, após cortar apenas os cachos maduros, no ponto ideal - fala-se tuirá, quando as frutas estão pretinhas com a casca esbranquiçada - o homem nativo começa a balançar o fino estipe em pêndulo, para ser lançado aos ares e alcançar outra palmeira próxima. Ali mesmo ou na embarcação à espera na beira do igarapé, os cachos são esbagoados e os frutos armazenados.

O açaí, no entanto, tem de ser processado diariamente em virtude de sua rápida fermentação, não resistindo mais do que 24 horas mesmo quando bem refrigerado. Assim, todos os dias, sete dias por semana, antes de clarear completamente a manhã, os calçadões próximos ao Mercado Ver-o-Peso, na capital paraense, ficam tomados por cestos, sacos e latas repletos da frutinha arroxeada que chega em caminhões e barcos vindos das regiões interioranas.

Depois de vendido no mercado, o açaí vai ser transformado em suco. Postos em água morna para amolecer e desgrudar a polpa dos caroços, os frutos são amassados a mão ou em máquinas apropriadas. Então, como bem descreve Camara Cascudo, "da massa sangüíneo-arroxeada, passada em peneira, se amassada a mão, dissolvida em várias águas, forma-se o vinho - a bebida acaí" Além do processamento comercial, é costume de inúmeras famílias do Pará produzir o "vinho de acaí" para seu consumo diário, vendendo o excedente na própria residência, que é identificada por uma pequena bandeirola vermelha colocada à porta de entrada.

Tradição provavelmente herdada dos grupos indígenas amazônicos, o açaí ocupa, atualmente, um papel básico na alimentação da população regional. É consumido a qualquer hora, sob a forma de refrescos e sorvetes, com ou sem açúcar; pela manhã, em substituição ao leite, sendo inclusive oferecido às crianças pequenas; em todas as refeições, engrossado com farinha d'água ou de tapioca, acompanhando peixes e camarão seco, carnes e arroz com feijão, ou ainda puro, quando não há outra mistura.

De fato, sabe-se que o açaí é um alimento essencialmente energético, com elevado valor calórico, apresentando 2,37% de teor de proteína e 5,96% de gordura.

Além de sua inegável importância no comércio, na dieta alimentar e na vida locais, o açaizeiro é hoje a principal fonte de extração do palmito no Brasil. Cerca de 95% de toda a produção nacional vêm dos açaizais amazônicos, uma vez que praticamente esgotaram-se as reservas nativas da Mata Atlântica cujos palmitais foram devastados sem preocupação preservacionista.

No sistema extrativo que atualmente vigora na exploração do açaizeiro, seus frutos destinam-se ao consumo local, e o palmito, à exportação.

Os plantios racionais ainda são raros, prosseguindo a destruição dos açaizais de forma sistemática, ilegal, desordenada e clandestina. Poucos têm se preocupado com a sua preservação.

Mas os resultados obtidos a partir de experiências realizadas por técnicos do Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Oriental da EMBRAPA de Belém do Pará começam a despertar o interesse de agricultores e grupos empresariais, especialmente entusiasmados pelas perspectivas promissores do produto no mercado interno e externo.

Uma das características principais da palmeira açaí é o fato de seu crescimento ocorrer em touceiras "reboladas" na linguagem popular - que, quando não desbastadas, podem chegar a agrupar em uma mesma moita uma média de 20 palmeiras de idades e vigor diversos. E é justamente o bom manejo e o desbaste racional das touceiras e brotações, bem como a seleção das plantas mais adequadas para a produção de frutos, para a extração do palmito e para o preparo de sementes, que permite o seu aproveitamento comercial e lucrativo.

Em relação ao açaí, este é o maior desafio para os próximos anos: explorar seus frutos de maneira racional, para preservá-lo para o futuro.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Açaí

Açaí

Tudo começou com os malhadores profissionais em academias de ginástica no Rio de Janeiro e São Paulo... Opa, não foi bem assim.

O açaí se tornou mesmo uma febre em meados dos anos 90 nesse ambiente, mas esse foi apenas seu lançamento na moda entre os viciados em esporte.

A verdade, porém, é que a fruta remota há séculos antes disso, entre os indígenas da Amazônia, desde o período pré-colombiano.

Muito bem guardado pela selva, o açaí ganhou fama – e uma fama justificada, pois seus nutrientes superam quase todas as demais frutas em termos de trazer energia.

História

Espécie nativa da Amazônia, nascida especialmente em países como Venezuela, Colômbia, Equador e Brasil, o açaizeiro é uma árvore importantíssima para os habitantes da região desde o período pré-colombiano.

Logo descoberto como uma fruta rica e que rendia muita energia para o trabalho, o açaí permaneceu como um segredo da floresta por centenas de anos. Mas somente até a chegada dos anos 1990, quando se tornou uma febre urbana.

Hoje, o açaí ultrapassou os limites da região amazônica e ganhou cultivo e manufatura em muitos estados brasileiros.

O modo de consumo já não é o tradicional, baseado na própria fruta: hoje é muito comum encontrar o açaí já processado, moído, pronto para consumir com aditivos como granola ou outras frutas, como maracujá ou morango.

Características

O açaí (ou juçara, como é conhecido em algumas regiões amazônicas) é o fruto de uma palmeira, o açaizeiro.

Tendo como nome científico Euterpe oleracea, a planta pode atingir 25 metros de altura – e se faz aproveitar inteirinha, com folhas e madeira que viram telhados e paredes para casas na floresta e frutos que rendem geleia, sorvete, compotas e o famoso “açaí na tigela”.

Nutrição

Além de ser rico em ferro, o açaí também é muito rico em fibras, sendo bastante indicado para pessoas com mau funcionamento do aparelho digestivo.

Apesar do alto teor calórico (100 g de açaí representam 247 kcal), a gordura presente na fruta é, em grande parte, do tipo monoinsaturada (60%) e poliinsaturada (13%) – também presentes no abacate, por exemplo.

Essas gorduras, na verdade, auxiliam na redução do colesterol ruim e melhoram o bom colesterol, contribuindo inclusive na prevenção de doenças cardiovasculares.

Como comprar

O mais comum nos grandes centros urbanos é já comprar o açaí em polpa, em porções separadas em saquinhos que dão para uma ou duas pessoas. Em fruta, só é fácil encontrá-lo no Norte e Centro-Oeste do país.

Como guardar

Comprando a polpa, é crucial mantê-la gelada, abaixo dos 18ºC, para que não perca suas características nutricionais.

Como congelar

A polpa de açaí pode e deve ser mantida em congeladores ou mesmo no freezer, para que se preservem seus nutrientes. Por volta de uma hora antes do preparo, deve-se retirar a polpa do freezer e deixar degelar à temperatura ambiente.

Para preparar o tradicional açaí na tigela, basta esperar essa polpa amolecer um pouco e, então, colocá-la (esmigalhada) no liquidificador, batendo por alguns minutos.

Pode-se adicionar xarope de guaraná ao açaí moído, para ganhar mais sabor.

Fonte: gourmet.ig.com.br