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Alface

Lactuca sativa L.

Nome em inglês

lettuce.

Origem

Ásia.

Valor alimentício

Vitaminas A e C, cálcio, fósforo e ferro.

Clima

Ameno ( existem cultivares de inverno e verão). pH do solo: 5,8 a 6,7.

Cultivares

Alface

Popularmente, podem ser divididos em 3 grupos:

a) alface tipo americana: Salinas, Tainá, Great Lakes, etc.
b) alface tipo crespa: Brisa, Grand Rapids, Vanessa, Verônica,etc.
c) alface tipo lisa: Elisa, Áurea, Aurora, Floresta, Regina, etc.

Época de plantio

De fevereiro a agosto (cultivares de inverno) e ano todo (cultivares e verão).

Semeadura

Pode-se utilizar a semeadura direta em canteiro definitivo, porém o mais indicado é em sementeira, para transplante posterior.

Principais pragas e doenças

Lagarta-rosca, pulgão, trips, podridão-de-esclerotínia e septoriose.

Colheita

De 50 a 80 dias.

Fonte: www2.petrobras.com.br

Alface

ALFACE: A HORTALIÇA DA GLOBALIZAÇÃO

Vivemos a era da globalização. E há, certamente, entre os alimentos, alguns entre os quais têm um maior destaque na esfera mundial, sendo por isso mesmo passíveis de identificação como sendo os alimentos mais característicos desse fenômeno de mundialização. O alface é, nesse sentido, um desses alimentos e responde, enquanto hortaliça, como o gênero alimentício dessa natureza específica que apresenta mais características relacionadas a globalização. Historicamente consumido desde as civilizações da Antiguidade, o alface em suas mais populares variedades é o tema desse artigo que tem como objetivo desvendar o seu uso, a sua história, o seu consumo e as razões de seu sucesso em todo o mundo.

Entre as variedades mais comuns dessa hortaliça mundialmente conhecida e consumida encontram-se a romana e a americana, as quais descreveremos mais atentamente nas próximas linhas ao lado de outras variedades. Chamo a atenção para a nomenclatura desses dois tipos de alface no intuito de revelar que, até mesmo a história e a geografia referendam a presença desse alimento mundialmente. O que quero dizer com isso? Que ao assumir variedades que são denominadas a partir de dois diferentes continentes, já podemos perceber tratar-se de um alimento globalizado. As matrizes geográficas associadas aos nomes dessas variedades as colocam em voga na Europa e na América e nos induzem a pensar em trocas mercantis e culturais que permitiram seu deslocamento para as outras regiões do mundo.

Ao mesmo tempo, há também a consideração de caráter histórico a partir dos paralelos que podemos traçar entre os impérios romano e norte-americano e os processos de imposição cultural desenvolvidos pelos mesmos que levaram seus hábitos, artes, vestuários, línguas, habitações, veículos, estruturas de trabalho, gastronomias (e alimentos, evidentemente) para muito além de suas fronteiras originais.

A presença da alface no cardápio de povos de todos os cantos do mundo aproxima esse alimento da idéia de imperialismo exercido pelos romanos na Antiguidade e pelos norte-americanos no mundo contemporâneo. Não queremos com essa comparação desvalorizar ou antipatizar aos olhos do grande público essa tão popular base de saladas consumidas mundialmente. Pretendemos apenas destacar que, independentemente da ação desses povos, a alface realmente ganhou o mundo e conquistou os povos e locais por onde passou, tornando-se soberana em cardápios e culturas tão díspares quanto as orientais e as ocidentais.

Diga-se de passagem, que a alface não é originária da Itália ou dos Estados Unidos e que a comparação com os impérios oriundos dessas localidades é apenas uma consideração quanto ao alcance e “submissão” de novos povos e paladares ao charme dessa hortaliça. Vale ressaltar que, diferentemente dos impérios mencionados, a alface não se estabeleceu através da força ou da aculturação, e sim a partir de suas propriedades naturais que a fizeram reconhecidamente valorosa para a dietética e nutrição.

Como estava dizendo, de acordo com os estudiosos da história da alimentação, as origens da alface remontam à Índia e ao Egito, de onde se deslocaram para outras partes do mundo, como as civilizações da Antiguidade Clássica, Grécia e Roma. Foram justamente esses povos, a partir de suas ações comerciais, culturais e bélicas, que levaram essa cultura agrícola a expandir suas áreas de fomento e produção e estabelecer-se como alimento globalizado.

No Egito, todas as hortas produziam cebola, alho-poró e alho; a alface, s vezes muito grande, era consagrada, devido à sua forma, ao deus Min, protetor da agricultura e da fertilidade. (BRESCIANI, 1998)

Herança romana repassada ao mundo medieval a partir de suas práticas imperialistas, a alface faz parte de uma prática regular entre os camponeses do medievo que lhes garantia a complementação fundamental de sua dieta alimentar, a produção de leguminosas e verduras em hortas. Garantida em sua produtividade pela utilização de esterco humano e animal e salvaguardada das tributações dos senhores feudais, a produção nas hortas dava aos servos medievais a alface, os nabos, o alho, as couves, a acelga, o repolho,...

Essa prática de horticultura não se deteve nem mesmo diante de ferrenhas oposições religiosas, como as que deram origem ao cristianismo ortodoxo baseado em Bizâncio após a partição do império romano em ocidental e oriental. As regras que pautavam a organização e o funcionamento de Bizâncio previam listas de plantas que deveriam ser produzidas regularmente nos arredores da cidade e que incluíam desde a cenoura, o feijão, o brócolis, a beterraba ou a menta até a alface, a chicória e o agrião. Os árabes igualmente aderiram ao consumo da alface, que acompanhava a carne em algumas produções locais e era comida em guisados. Para os judeus, por sua vez, esse alimento simboliza a alegria e compunha, juntamente com o aipo, uma salada temperada a base de vinagre no que eles celebravam como ágape pascal.

A Idade Média relegou a alface, porém, ao status de alimento de populações pobres. Durante a “grande noite” de mil anos que se abateu sobre a Europa após a queda do Império Romano do Ocidente, segundo alguns historiadores, as hortaliças foram sendo extirpadas dos cardápios dos senhores e, com o Renascimento Comercial e Urbano, também os citadinos fizeram pouco caso desses recursos alimentares.

A Modernidade que traz de além-mar uma série de novos produtos para o contexto mercantil europeu (e que, em contrapartida, também leva para os outros continentes as produções caracteristicamente européias) também resgata do ostracismo ou do anonimato esses alimentos da terra, extraídos das pequenas hortas domésticas, dando-lhes novamente reconhecimento, valor e dignidade entre os consumidores do velho mundo e permitindo-lhes a viagem de transposição das distâncias que os separavam dos demais mundos então identificados. A alface entra nessa história e cruza os sete mares para sua consagração definitiva, ganhando os espaços que ainda não havia conquistado.

Consumida em larga escala em praticamente todo o mundo, no Brasil não poderia ser diferente. Calcula-se que aproximadamente 40% do total investido pelos brasileiros na compra de verduras destinem-se a aquisição da alface, tornando-a a hortaliça mais consumida em nosso país. Somente no estado de São Paulo são produzidas mais de 130 mil toneladas de alface por ano. E a produção tem se realizado de diferentes formas (hidroponia, produção em estufa e cultivo orgânico), o que aumenta a produtividade e oferece resultados mais satisfatórios e saudáveis aos consumidores finais.

A Lactuca Sativa (nome científico) é um vegetal composto de 95% de água, vitaminas A e E, complexo B e também de minerais (cálcio, fósforo, potássio e ferro). Pode ser encontrada nas variedades americana (verde-clara, com folhas mais fechadas, firmes e rijas), romana (verde-clara, com folhas estreitas e lisas, com o miolo macio), crespa (verde-clara ou marrom esverdeada, com folhas abertas e frisadas nas pontas) e repolhuda (verde-escurecidas, com miolo firme e amarelado).

A alface também pode ser utilizada para a produção de cosméticos, em tratamentos de rejuvenescimento da pele e possui qualidades hipnóticas e sedativas que a fazem ser usada como calmante e no combate à insônia.

Seu aproveitamento na alimentação humana está normalmente associado às saladas, mas também podem ser consumidas refogadas, em sanduíches, caldos e sopas ou ainda em cozidos. Quando consumidas in natura, as folhas da alface devem antes ficar de molho, para sua purificação e limpeza, numa solução composta por vinagre e água.


Referências

ALGRANTI, Márcia. Pequeno Dicionário da Gula. Rio de Janeiro: Record, 2000.

BRESCIANI, Edda. Alimentos e Bebidas do Antigo Egito. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 2ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

CEASA Campinas. Disponível em www.ceasacampinas.com.br/padronizacao_alface.htm. Acesso em 21 Ago 2006.

CONNERY, Clare; HILL, Christopher. The Salad Book. New York: Random House, 1994.

DOLADER, Miguel Angel Motis. A alimentação judia na Idade Média. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 2ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

FLANDRIN, Jean-Louis. Os tempos modernos. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 2ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

GOMENSORO, Maria Lúcia. Pequeno Dicionário de Gastronomia. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.

GONSALVES, Paulo Eiró. Livro dos Alimentos. São Paulo: Summus, 2001.

KISLINGER, Ewald. Os cristão do Oriente: regras e realidades alimentares do mundo bizantino. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 2ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

LANG, Jennifer Harvey. The Larrouse Gastronomique. Nova Iorque, EUA: Crown Publishers Inc, 1998.

ROSENBERGER, Bernard. A cozinha árabe e sua contribuição à cozinha européia. In: FLANDRIN, Jean-Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 2ª ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998.

SPENCER, Colin. Vegetable book. Londres: Conran Octopus, 1995.

João Luís de Almeida Machado

Fonte: www.artigocientifico.com.br

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