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Cacau

Cacau

INTRODUÇÃO

O cacau é conhecido por ser o fruto que da origem ao chocolate, mas ninguém tem idéia de como é dificil produzi cacau para fabricar o chocolate, mas nesse trabalho vamos contar como que este fruto é produzido.

O cacau também possui uma historia e esta bastante ligado a uma cultura desenvolvida no interior da Bahia, o principal ponto onde ele é produzido no Brasil. Nós também vamos tratar sobre como o cacau é cultivado e tratado, alem de mostrar a respeito da doença que o cacaueiro sofre, chamada vassoura de bruxa.

Cacau

Fruto do cacaueiro, árvore da família das esterculiáceas, nativa da América Central e do Sul, principal matéria-prima na indústria do chocolate.

O cacau tem a forma de uma amêndoa que contém de 20 a 40 sementes.

A semente do cacau é amarga, aromática e oleosa.

Com o cacau prepara-se o chocolate, de uso comum como bebida, os bombons, bolos, doces e sorvetes.

Além do seu efeito estimulante causado pela teobromina (2,2%) e a cafeína (0,1%), o cacau é um alimento concentrado contendo aproximadamente 43,3% de carboidratos, 22% manteiga, 18% de proteínas, 6,3% de cinzas e pequena quantidade de água e substâncias fibrosas. Altamente energético, possui aproximadamente 4.877 cal/kg.

O cacaueiro é nativo das regiões tropicais da América central e do Sul. Antes do descobrimento, ele existia em estado selvagem no Brasil (Amazonas e Pará).

Distribuição geográfica

Embora muitas regiões o cultivem, o grosso da produção de cacau procede atualmente de áreas situadas na Costa da Guiné (África) e no Brasil, particularmente no sul da Bahia. Gana (antiga Costa do Ouro), onde o cultivo se iniciou em 1879, é o maior produtor mundial. As terras aí utilizadas para a cultura são baixas e bem drenadas, e o clima é prevalentemente úmido e quente. As chuvas distribuem-se regularmente durante o ano, atingindo índices da ordem de 2.000mm; enquanto o curto período de estiagem favorece a colheita e a preparação dos frutos. Devido à intensidade da insolação, pratica-se o sombreamento

.As lavouras de cacau de Gana, assim como as da Nigéria, são em grande parte de caráter familiar, realizadas em superfícies que variam de 1/2 a 10ha. Quase todas as plantações pertencem aos indígenas e como não possuem instrução e desconfiam do homem branco, a qualidade da produção é prejudicaria Essa situação tem sido atenuada graças aos esforços (respondidos pelos Cocoa Marketing Boards e pelo West African Cocoa Research Institute, que mantêm uma estação experimental em Tafe. As variedades aí cultivadas são predominantemente híbridas, destacando-se o cacau roxo-rugoso, denominado estrangeiro, resultante do cruzamento entre o venezuela roxo superior e o São Tomé de origem brasileira, e o cacau roxo-liso, denominado trinidad liso que é um híbrido do calabacillo (Theobroma cacao). O rendimento, consideravelmente elevado no início da produção (chega a atingir 350kg por hectare) cai com relativa rapidez devido à falta de cuidados com a planta e com o solo. Há propriedades que depois de alguns anos não conseguem obter mais de 15kg por hectare. Há duas colheitas por ano. A mais importante realiza-se durante o período seco, isto é, de setembro a fevereiro. A outra, denominada 'meia colheita', é realizada entre maio e junho.

As atividades da colheita são (desempenhadas por homens, mulheres e crianças.

O transporte do cacau da propriedade até a aldeia é feito pelo próprio homem, devido a impossibilidade da criação de animais por causa da mosca tsé-tsé que infesta a região. Da aldeia, o cacau é transportado em caminhões para as estações ferroviárias.

Cultura no Brasil

O Brasil já foi o maior produtor do mundo e a sua produção encontra-se em decadência.

A maioria das lavouras situada no Estado da Bahia que pro(luz 94% do cacau brasileiro; os 6% restantes são oriundos dos Estados do Amazonas, Pará, Maranhão, Pernambuco, Minas Gerais e Espirito Santo, e do Território do Amapá. A zona cacaueira estende-se ao longo de uma estreita faixa paralela ao litoral, desde as imdeiações de Ilhéus, na Bahia, até Linhares, no Espírito Santo. A principal zona de produção corresponde à região de Ilhéus-Itabuna, caracterizada por um clima quente e úmido com chuvas abundantes e regularmente distribuídas. Nos vales dos rios Mucuri, Jequitinhonha, Pardo e Contas existem grandes manchas de solos aluviais, anualmente refertilizados pelas inundações.

A expansão da lavoura cacaueira no sul da Bahia efetuou-se através de lutas violentas. Essas lutas prolongaram-se da Segunda metade do séc. XIX até as primeiras décadas do século XX. Formaram-se, por meio da conquista da terra, litifúndios imensos, nos quais se desenrolaram dramas que passaram a interessar romancistas e ensaístas, pelo seu significado de escândalo social. Foi a época em que floresceu o caxixe, nome com que se designaram as invasões de terras ou as várias aquisições ilícitas. Com o desaparecimento da maior parte das oligarquias, os latifúndios se dividiram por motivos de herança ou simplesmente econômicos, em fazendas organizadas, com nova ordem, a partir da revolução brasileira de 1930. Criou-se, em junho de 1931, o Instituto do Cacau da Bahia, em moldes de cooperativa, sendo, em março de 1941, transformado em autarquia.

A Planta e as suas Exigências

Caracterizada por um porte que chega a 4 metros de altura em seu ambiente natural e primitivo. Nativo das regiões tropicais da América Central e do Sul, inclusive o Brasil (Amazonas e Pará), o cacaueiro (Theobroma cacao) é uma árvore da família das esterculiáceas. O nome da planta é de origem asteca: cacahuatl (cacau) ou cacahuaquahuitl (cacaueiro); o da bebida, chocoatl (chocolate), de origem maia. Cacau

Em cultivo, para facilitar a colheita, é costume podá-lo quando ultrapassa os quatro metros. Tem tronco liso, de casca escura. Os ramos se esgalham, formando grande copa. As folhas são grandes, coriáceas e de cor verde-clara nas duas faces, chegando a trinta centímetros de comprimento por quinze de largura.

As flores, pequenas, avermelhadas, inodoras e pouco atraentes, nascem unidas ao tronco. Delas se originam as bagas ou frutos, que medem até 25cm de comprimento e adquirem, quando maduras, tonalidade esverdeada, amarela ou roxa ( à depender da variedade). Contêm cinqüenta ou mais sementes envoltas numa polpa viscosa.

O cacaueiro pode viver mais de cem anos, começa a frutificar com três, produz abundantemente a partir dos oito e em geral até os trinta mantém uma produção satisfatória.

As regiões com temperaturas médias anuais entre 24 e 28º C são as que apresentam melhores condições para o cultivo do cacaueiro. Temperaturas inferiores a 12º C impedem ou reduzem a frutificação. A planta requer solos profundos, bem drenados e ricos em potássio e nitrogênio, desenvolvendo-se bem em regiões com chuvas regularmente distribuídas durante o ano, de índice acima de 1.500mm.

Nas áreas de plantio são abertos canais para o escoamento do excesso de águas pluviais. Criadas à parte em sementeiras, as mudas são transplantadas para o local definitivo entre o sexto e o oitavo mês. O sucesso do cultivo depende da proteção contra os ventos e de um bom sombreamento, fornecido ora por bananeiras, ora por árvores de porte superior ao do cacaueiro; isto porque o cacaueiro é uma planta umbrófila.

O Cultivo Perfeito

Ao lado da indiscutível importância econômica, o cacau tem um grande valor ecológico. Cultivado racionalmente, em condições que se assemelham às do seu "habitat" natural, a floresta, com um sombreamento permanente de árvores de maior porte, o cacaueiro protege o solo dos efeitos da erosão e da lixiviação (carreamento pelas águas, de elementos nutritivos). As suas plantações substituem a floresta original sem destruir o ambiente ecológico existente, preservando a heterogeneidade e com ela o micro-clima e a vida das espécies vegetais e animais das áreas cultivadas. Sob este aspecto o cacaueiro difere e muito de outros cultivos brasileiros que, por suas próprias características, se transformaram em lavouras itinerantes, deixando ao longo de sua passagem vastas áreas de terras esgotadas e improdutivas. Na paisagem rural brasileira, vários são os exemplos de cultivos que empobrecem e degradam o ambiente.

O cacaueiro, ao contrário, embora se mostre mais exigente quanto às condições de clima e solo, é uma árvore extremamente generosa. Restitui à terra grande parte daquilo que dela retira, mantém o equilíbrio ecológico e se constitui num cultivo perene, renovável e permanente. Este caráter de lavoura eminentemente estável confere ao cacau uma significativa importância social.

A permanência das plantas de porte superior, usadas como sombreamento do cacaueiro somente foram aceitas agronomicamente após muitos argumentos dos técnicos extensionistas da CEPLAC em relação aos agentes financeiros que financiavam, na década de 70, o PROCACAU – programa do Governo Federal que ansiava ter o Brasil como o 1º produtor de cacau do mundo. Tal fato figura como um dos fatores da preservação do remanescente da Mata Atlântica do sul da Bahia.

As lavouras de cacau não dão origem a paisagens contínuas e homogêneas, como as de café ou cana-de-açúcar. Em atenção aos seus hábitos nativos, o cacaueiro é normalmente plantado no interior de nesgas de mata ou, pelo menos, entre árvores deixadas de pé durante a preparação das áreas de plantio. A limpeza dos terrenos resume-se ao que os lavradores do sul da Bahia chamam de cabruca, ou seja, remoção dos arbustos e vegetação rasteira. Para a vegetação natural, os efeitos do plantio de cacau, por isso, são bem menos danosos que o das espécies que exigem derrubadas de árvores.

Há estudiosos em conservação de solo que atribuem ao cacaueiro o título de planta conservacionista e ecológica. Além de permitir a permanência das plantas nativas da mata, visto que necessita das suas copas para o proteger do excesso de sol. Com as constantes quedas e renovação de folhas durante o ano, proporciona a formação de um verdadeiro "tapete" constituído de matéria orgânica, abrigando uma infinidade de micro flora e fauna, enriquecendo e umidificando o seu substrato.

Produtos

Os frutos do cacaueiro são colhidos bem maduros, para que os elementos presentes em sua composição já estejam plenamente elaborados. Após a colheita, os frutos ficam em repouso de dois a três dias. São a seguir partidos, e as sementes, depois de extraídas e selecionadas, vão para cochos de fermentação (caixas de madeira em local abrigado), onde permanecem de quatro a sete dias, durante os quais são revolvidos diariamente para a homogeneização das sementes . Nessa fase, perdem o gosto amargo e desprendem um agradável aroma de chocolate. A secagem pode durar até dez dias, se feita ao natural (utilizando a luz solar nas barcaças), ou apenas 24 horas, se realizada por secadores artificiais.

Graças à intervenção do homem, que procurou tornar mais produtivas e resistentes as espécies silvestres, surgiram inúmeros híbridos que apresentam características mais apuradas. Entre os cultivares mais comuns destacam-se os cacaueiros Crioulo, Calabacillo, Soconusco, Esmeralda, Trinatarios e Forastero.

O produto final do cacau, à nível da grande maioria das fazendas, é a semente seca com um teor de umidade em torno de 7%. Daí para frente ocorrem as transformações para a separação dos sub-produtos que enriquecem sobremaneira os grandes industriais, geralmente multinacionais. São os famosos chocolateiros.

O processo de transformação sofrido pelo fruto e sementes de cacau, segue o processo seguinte:

Nas diversas fases de industrialização do cacau, as sementes, depois de limpas, são tostadas a uma temperatura entre 135 e 176º C, para se apurar sua cor, sabor e aroma, e a seguir partidas e descascadas. As cascas correspondem a até 14% do peso das sementes e em geral são transformadas em fertilizantes. Tais processos, assim como o que permite a extração da gordura natural ou manteiga de cacau, depois do cacau moído por meio de prensas, são partes da fase de semi-industrialização.

Nas etapas seguintes, a pasta de cacau é transformada em massa de chocolate. Os diversos tipos de chocolate dependem da quantidade de manteiga de cacau que entra em sua composição, ou da essência aromática adicionada, como também da dosagem de açúcar.

O chocolate amargo é simplesmente o cacau torrado, moído e depois fundido em barras. O chocolate doce é a massa de chocolate com açúcar granulado ou fino. A pasta resultante é passada em máquinas refinadoras. Como o acréscimo de açúcar reduz o teor da gordura natural, adiciona-se mais manteiga de cacau.

O tipo padrão de chocolate doce contém 42% de massa de chocolate, 42% de açúcar e 16% de manteiga de cacau. Depois de resfriado, é moldado em barras. O chocolate de leite é o chocolate doce com o sabor modificado pela adição de leite solidificado, numa proporção mínima de 12%.

De início, só se atribuía importância ao cacau por sua transformação em chocolate, popularizado como um estimulante contra o frio. Mais tarde descobriram-se as propriedades alimentícias e terapêuticas que fizeram do cacau matéria-prima das indústrias alimentícia e farmacêutica. Esta utiliza sobretudo a manteiga de cacau, empregada para combater as rachaduras que o frio causa nos lábios, e a teobromina, alcalóide básico na elaboração de diuréticos.

O cacau é um produto agrícola com um larga faixa de utilidade e de aproveitamento em benefício do homem. Com ele pode-se fabricar não apenas o chocolate, mas também geléia, vinho, vinagre, licores, aguardente, além de sabonetes, cosméticos, e produtos farmacêuticos. Basicamente, entretanto, destina-se à fabricação de chocolate, nas suas diversas formas. Diferindo de outros produtos como o café, o açúcar e o milho, que podem ser consumidos isoladamente, o chocolate resulta, principalmente, de uma mistura de massa e manteiga de cacau com açúcar e leite. Constitui-se, assim, num alimento compacto, de excelente paladar e alto valor nutritivo e energético. Um tablete de 100 gramas de chocolate ao leite, contém: Glucídios 56 grs, Lipídios 34 grs, Protídeos 6 grs, Celulose 0,5 gr, Água 1,1 gr, Calorias 550, Potássio 418 mg, Magnésio 58 mg, Cálcio 216 mg, Ferro 4 mg, Vitamina B1 0,10 mg, Vitamina B2 0,38 mg, Vitamina PP 0,80 mg. Cem gramas de chocolate equivalem, em valor alimentício, a 6 ovos, ou 3 copos de leite, ou 220 gramas de pão branco, ou 750 gramas de peixe ou 450 gramas de carne bovina. Embora seja um alimento sofisticado, que exige uma alta tecnologia para a sua fabricação, o chocolate é amplamente consumido em inúmeros países, especialmente de clima frio e de poder aquisitivo mais alto. Os maiores consumidores per capita são: Suiça - Inglaterra - Alemanha - Bélgica - Noruega - Áustria - Suécia e Holanda, todos com mais de 5 kgs.

Um pouco da história do cacau no mundo

Com as sementes de cacau, os astecas preparavam uma pasta comestível, a que adicionavam farinha de milho e pimenta vermelha; com a polpa, faziam uma bebida refrigerante. No Brasil amazônico os índios utilizavam apenas a polpa, de cuja fermentação obtinham uma bebida alcoólica.

Os conquistadores espanhóis interessaram-se pela bebida dos astecas e foram os primeiros a adicionar-lhe mel (na ausência do açúcar) e, mais tarde, baunilha e canela. Hernán Cortés, logo que a conheceu no México, no começo do século XVI, percebeu-lhe o valor nutritivo, dando ciência do fato ao rei da Espanha. No México, o chocolate tornou-se tão popular a ponto de ser servido até nas igrejas. Mas era uma bebida bem diferente do chocolate que se bebe hoje.

Afirma-se que o primeiro carregamento de cacau enviado da América à Espanha data de 1585. A partir daí o produto foi se tornando conhecido em outros países da Europa. Em 1657, instalou-se em Londres um estabelecimento onde se servia chocolate. A bebida entrara também na corte francesa, com Maria Teresa, que, casando-se com Luís XIV, levou consigo uma criada hábil em seu preparo. Madame de Sévigné, em uma de suas cartas, refere-se ao chocolate que, após o jantar, ela tomava com agrado.

À medida que seu consumo aumentou na Europa, o cultivo do cacau generalizou-se em várias regiões da América Central e do Sul. Em 1728, foi criada a companhia Guipúzcoa, especializada na produção de cacau. Do continente, o cacaueiro foi introduzido nas ilhas da Jamaica, Trinidad, São Domingos e Martinica. Mais tarde, chegou às Filipinas e outras regiões da Ásia, tendo conhecido sucessivos e notáveis êxitos desde que passou a ser plantado na África. Na América, é cultivado atualmente sobretudo no Brasil, Equador, México, Colômbia, Venezuela e República Dominicana.

No Brasil, o cultivo de cacau foi ordenado por carta régia de 1678. Admite-se que na Bahia, que chegaria a ser uma das mais importantes regiões de produção no mundo, tenha ocorrido uma primeira tentativa de plantio em 1665. Outra versão afirma que em 1746 mal se iniciava ali a cultura cacaueira. As sementes levadas do Pará, onde já em 1689 um francês fabricava pela primeira vez chocolate em Belém, foram plantadas no atual município de Canavieiras, à margem do rio Pardo. No sul da Bahia o cacau encontrou um habitat perfeito. Em 1783, a lavoura cacaueira já era importante na região de Ilhéus. Em meio a lutas violentas pela posse das terras, que se prolongaram até as primeiras décadas do século XX, a produção na Bahia firmou-se no século XIX, constituindo fator poderoso para o desenvolvimento regional e originando uma importante fase econômica -- o ciclo do cacau.

Levado do Pará, o cacau chegou à Bahia na segunda metade do século XVIII, dando origem a um ciclo econômico que acarretou profundas mutações sociais. E tão violentas foram as disputas de terras para plantio do cacau que já se disse que as fazendas do sul da Bahia foram adubadas com sangue humano.

Na floresta amazônica, os cacauais nativos são parte da mata virgem. Desenvolvendo-se ao acaso, sem os cuidados necessários e de mistura com árvores as mais variadas, sua produção era pequena, não chegando a pesar na produção mundial e pouco se fazendo sentir na brasileira. No sul da Bahia, onde até então alguns engenhos de açúcar e inexpressivas roças de café sustentavam os habitantes, o cacau encontrou um habitat perfeito, graças aos ricos solos de massapê e à umidade ambiental resultante de chuvas muito freqüentes. As facilidades de transporte, por via fluvial, e a alta cotação do cacau no mercado externo foram fatores que pesaram para o incremento do cultivo dessa nova fonte de lucro.

Coronéis, jagunços e grapiúnas. A conquista das terras no sul da Bahia motivou lutas sanguinárias que se alastraram por toda a região -- em lugares como Itabuna, Belmonte, Coaraci, Itajuípe, Una e o porto de Ilhéus, escoadouro das grandes safras. Essas disputas entre os grandes proprietários de terras ou coronéis do cacau, travadas por verdadeiros exércitos de jagunços a soldo, prolongaram-se até as duas primeiras décadas do século XX e levaram ao estabelecimento de imensos latifúndios. Em seus limites, o poder dos coronéis era total, permitindo-lhes decidir desde a comercialização do cacau até as eventuais tocaias que seus capangas executariam contra os adversários molestos.

Além de resolverem pela força as questões de terras e as pendências políticas, os jagunços geralmente também trabalhavam nas fazendas, sob condições apenas ligeiramente melhores que as dos lavradores ditos "alugados". Estes, quase sempre flagelados da seca que desciam para o sul da Bahia em busca das promessas da zona cacaueira, incumbiam-se da derrubada das matas e do plantio das mudas, sendo vítimas de um sistema feudal de exploração. Obrigados a comprar nos armazéns das fazendas suas roupas, víveres e as ferramentas que usavam, os trabalhadores recém-chegados submetiam-se a pesadas dívidas que só faziam crescer com o tempo. Somente a partir da revolução de 1930, cujas repercussões motivaram sérias lutas dos assalariados, a exploração da mão-de-obra servil começou a tornar-se menos abusiva.

Apesar da rudeza das condições de trabalho, o ciclo do cacau, com suas possibilidades de ganhos, atraiu gente de toda parte. Aos brasileiros, sobretudo sergipanos, que migravam para o sul da Bahia juntaram-se estrangeiros de procedências diversas -- como árabes, sírios e libaneses, todos tratados indistintamente de "turcos" ou "gringos" -- que desembarcavam em Ilhéus ávidos de fortuna. A atividade comercial, implantada pelos mascates estrangeiros, que a princípio percorriam as plantações em lombo de burro para ofertar suas mercadorias, solidificou-se pouco a pouco e floresceu em toda a região.

A época da conquista das terras e da disseminação do cacau, com o conseqüente surgimento de povoados e pequenas cidades, deixou marcas bem definidas na psicologia e nos hábitos do povo, dando ao sul da Bahia um caráter próprio, bem diferente do que prevalece, por exemplo, na capital do estado e no Recôncavo. O amor à coragem, a entrega à aventura e a crença no progresso são considerados traços típicos dos grapiúnas, termo pelo qual são desde então designados os habitantes do sul da Bahia. Não raro, tais habilidades originaram-se, em face do significativo afluxo de estrangeiros, de gamas variadas de miscigenação racial.

Os reflexos da crise econômica mundial de 1929, assim como, no plano interno, os da revolução de 1930, influíram nos destinos da lavoura cacaueira, traduzindo-se com mais clareza, nos primeiros momentos, por sucessivas baixas nos preços do produto. Com o desaparecimento da maior parte das oligarquias, os latifúndios fragmentaram-se, por motivos de herança ou simplesmente econômicos, em fazendas de menor porte e organização menos arcaica. Passada a era do caxixe, nome pelo qual eram designadas as invasões de terras ou as muitas aquisições ilícitas, desapareceram de igual modo os jagunços. A criação do Instituto do Cacau da Bahia, em moldes de cooperativa, em 1931, e a fundação do primeiro sindicato de trabalhadores rurais reconhecido pelo governo, que data da mesma época, foram fatos relevantes para a transformação das relações de trabalho na zona de produção cacaueira.

A doença Vassoura-de-Bruxa

A vassoura-de-bruxa é considerada uma das mais sérias doenças para a economia dos países produtores de cacau, porque é capaz de reduzir drasticamente a produção dos cacauais ou levá-los a total debilitação se medidas de controle fitossanitárias não forem tomadas com persistência. Um exemplo típico do que este infortúnio pode fazer é o caso do Equador, que apesar de ter ocupado a primeira posição no mercado internacional de cacau no século passado, chegando a produzir mais amêndoas do que todo o continente africano, até 1905, reduziu a sua participação para apenas 38% do mercado mundial, no início deste século. No Brasil nos estados da Amazônia e Pará onde a enfermidade existe há muito, visto que o cacau é originário daquela região, e é bastante disseminada, as perdas de frutos pela doença chegam a 40 %. Em Rondônia, a situação ainda é pior e as perdas já foram verificadas em até 90 % dos frutos que poderiam geram riquezas e rendas para os agricultores.

A doença é causada pelo fungo Crinipellis perniciosa que infecta tecidos vegetativos em crescimento (almofadas florais, brotos, lançamentos de folhas novas, flores e frutos); quando ocorre a infecção nestas partes da planta, verifica-se um superbrotamento de tecidos e um "inchaço", vulgarmente conhecido como "vassoura-de-bruxa".

Anteriormente restrita a Região Amazônica de onde nunca deveria ter escapado, a doença foi detectada no sul da Bahia no ano de 1989, exatamente no município de Uruçuca, distante 40 km da cidade de Ilhéus. Inicialmente de forma tímida e rara, mas que causou um verdadeiro alvoroço entre os técnicos-cientistas, produtores, e a população de maneira geral; a partir desta data a CEPLAC formou um grupo de trabalho composto por fitopatologistas do Centro de Pesquisas do Cacau e também da Amazônia, onde o órgão mantém atividades e possuía maior intimidade com o problema, visando dimensionar a área afetada e estabelecer estratégias imediatas para tentar conter a doença.

O maior desastre para a cacauicultura baiana foi o fato de que o comportamento da moléstia na Bahia, ter sido diferente do que se verificava na região norte do Brasil. Atribui-se esse fato a diversos fatores: o relevo acidentado predominante na propriedades baianas, a contigüidade das plantações de cacau formando verdadeiros lençóis da cultura, favorecendo a disseminação, o índice pluviométrico caracterizado por uma constância de chuvas durante todo ano, e a descapitalização dos produtores pelos baixos preços internacionais. Por isso a "vassoura-de-bruxa", doença de convivência viável na região amazônica através de podas e remoções das partes afetadas, encontrou aqui o seu ambiente ideal, tal como o próprio cacaueiro encontrou as melhores condições para vicejar, no final do século passado às margens do Rio Pardo.

A "vassoura-de-bruxa" foi a responsável pelo abandono do cultivo do cacau no Suriname e na Guiana. O fungo é nativo da Bacia Amazônica de onde propagou-se para a Bolívia, Amazônia brasileira, Colômbia, Guiana, Equador, Peru, Suriname, Venezuela e as ilhas indo-ocidentais de Grenada e Trinidad. Era de esperar-se que a grande distância entre a região norte e o sul da Bahia limitasse a propagação natural da doença; temendo a possibilidade desse contágio, a CEPLAC estabeleceu barreiras contra o transporte de material botânico e cacau em amêndoas da Amazônia para a Bahia e o Espírito Santo; era a CAVAB que foi logicamente desativada quando ocorreu o contágio. A doença ainda não foi detectada na Jamaica e nem no continente africano o que explica a posição elevada no mercado mundial dos países da África Ocidental.

A queda de produção em todos os países infectados varia de ano à ano, a depender das condições climáticas de cada safra. Isto porque, uma vez instalada, não é possível livrar-se da enfermidade. Assim as perdas são acentuadas, porém variáveis. Em Trinidad, por exemplo, em 1944, no auge da infecção, houve um ataque de 68% do total da colheita. Em 1959, no Equador, 80% dos frutos estavam quase ou totalmente danificados e imprestáveis para o aproveitamento.

CONCLUSÃO

O cacau é importante na produção de muitos produtos, alem do mais conhecido que é o chocolate. Apesar de sua produção ser difícil, são produzidos outros tipos de produtos derivados do cacau, que são a manteiga de cacau, vinagre, cosméticos, geleias e muitos outros.

O Brasil já foi o maio produtor de cacau do mundo, mas infelizmente perdeu esse status para outros países que conseguem produzir mais e que não enfrentam o problema da vassoura de bruxa, que ataca a planta e o fruto, causando uma grande perda na produção.

Fonte: www.geocities.com

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