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Cafeína

 

A cafeína é uma droga socialmente aceita e amplamente consumida mundialmente. Pertence a um grupo de compostos lipídicos solúveis denominados de purinas, quimicamente conhecida como 1,3,7,-trimetilxantina (C8H60N4O2).

É considerada, juntamente com as anfetaminas e a cocaína, uma droga estimulante psicomotora, possuindo um efeito acentuado sobre a função mental e comportamental que produz excitação e euforia, redução da sensação de fadiga e aumento da atividade motora. Encontrada naturalmente em grãos de café, em chás, chocolates, grãos de cacau, e nozes da planta cola que está presente em refrigerantes a base de cola. Cerca de 95% da cafeína ingerida é metabolisada pelo fígado, e só cerca de 3% a 5% é recuperada na sua forma original na urina.

Aproximadamente 63 espécies de plantas contém cafeína em suas folhas, sementes, ou frutos, sendo que o Brasil parece ser o segundo maior consumidor de bebidas contendo cafeína, mais precisamente fornecida pelo café, perdendo apenas para os EUA. Nos EUA 75% da cafeína ingerida é proveniente do consumo do café, 15% do consumo de chás e o restante proveniente de refrigerantes, chocolates e outros. A concentração de cafeína presente em bebidas depende muito da origem da planta de café e do processamento dos grãos, assim como, da concentração da preparação. Geralmente, o café instantâneo ou solúvel contém menos cafeína que o café torrado e moído, se for ingerido o mesmo volume.

Cafeína

Para se ter uma idéia, em uma xícara(150 ml) de infusão de café pode conter em média 60 a 150 mg de cafeína, já de café instantâneo 100 mg. Uma xícara de chá pode conter em média 20 a 50 mg de cafeína, e 360ml de refrigerante a base de cola por volta de 50 mg. Em 2,5 xícaras de café expresso (100ml) contém por volta de 250 a 400mg de cafeína, sendo que, a ingestão média de cafeína pode variar entre 100 a 300 mg/dia.

A cafeína, até pouco tempo atrás, era considerada doping pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), se fosse encontrada uma concentração maior do que 12mg/ml na urina do atleta. Esse valore pode ser alcançados com a ingestão de 4 a 7 xícaras de café (600 a 800 mg) consumidos num período de 30 minutos.

Ainda, indivíduos os quais degradam a cafeína lentamente ou excretam grandes quantidades de cafeína não metabolisada na urina, tinham elevado risco de atingir os valores considerados doping. Além disso, a ingestão de tabletes de cafeína, que parecem aumentar a absorção da droga quando comparados à ingestão no próprio café, ou o uso de supositórios de cafeína ou de injeções, atingiam facilmente os valores considerados doping.

As metilxantinas têm duas ações celulares bem caracterizadas que são a grande habilidade em inibir as fosforilases do ciclo dos nucleotídios, aumentando desse modo o AMPc intracelular; e antagonizar a ação de receptores mediados pela adenosina.

As propriedades farmacológicas dessas metilxantinas são: relaxamento da musculatura lisa (notadamente dos brônquios); estimulam o sistema nervoso central e o músculo cardíaco; e atuam como um diurético aumentando a produção de urina. Essa última parece ser devido ao aumento da filtração glomerular e do fluxo renal, especialmente na medula, no entanto, os mecanismos envolvidos permanecem ainda controversos.

Dentre as metilxantinas a absorção de cafeína pelo trato gastrointestinal é mais rápida e tem seu pico plasmático atingido dentro de uma hora. No entanto, o clearance renal é muito rápido, e sua meia vida plasmática está por volta de 3 a 7 horas, sendo prolongada em duas vezes em mulheres que se encontram nos últimos estágios de gravidez, ou com o uso prolongado de anticoncepcionais esteroidais. As metilxantinas estão distribuídas em todos os tecidos corporais em volumes similares (0,4-0,6 l/kg), atravessam facilmente a placenta e se difundem, também, para o leite materno. O primeiro passo do metabolismo da cafeína acontece no fígado por um processo conhecido como desmetilação e oxidação na posição 8, portanto envolve o citocromo P450.

Seus efeitos ergogênicos sobre a performance aparecem em doses da ordem de 3 a 5mg/kg, 1 hora antes do exercício, e foram observados, notadamente, em exercícios de endurance (longa duração), força e potência. Esses efeitos se embasam na capacidade que a cafeína tem em facilitar a liberação de epinefrina, estimular a vasodilatação, a lipólise, a glicogenólise, e funciona como um broncodilatador. O aumento da lipólise pode resultar em "glicogen sparing", ou seja, um efeito poupador do glicogênio levando o atleta a resistir maior tempo ao exercício prolongado. Como inibidor da enzima fosfodiesterase, a cafeína pode pontecializar a ação do AMPc, elemento importante para conversão das fosforilases e da lipase hormônio sensível em suas formas ativas. Facilita a mobilização do cálcio do retículo sarcoplasmático e aumenta a sensibilidade das miofibrilas e das subunidades da troponina C a esse íon. Atua como antagonista competitivo dos receptores para adenosina, um depressor do SNC. Pesquisas recentes tem se voltado para seus efeitos no SNC e sobre o desenvolvimento da força muscular como mecanismos ergogênicos promissores.

Um estudo realizado com corredores de endurance que consumiram aproximadamente 10 mg de cafeína por kg de peso corporal mostrou aumento significante de 1,9% no tempo de esforço até a exaustão, demonstrando que grande dose de cafeína aumenta a performance de endurance. Outros mostram, ainda, que não existe uma relação direta dose-resposta sobre a performance de endurance, não havendo nenhum benefício quando ciclistas ingeriram doses de cafeína acima de 5mg/kg do seu peso corporal, e que nenhum dos sujeitos do estudo ultrapassou o limite urinário que era estipulado pelo COI. A cafeína parece ter, ainda, um efeito benéfico sobre a performance durante eventos de curta duração (até 25 minutos). No entanto, a performance em tais eventos não parece ser limitada pelo esgotamento do glicogênio, mas possivelmente por outros fatores, incluindo a estimulação neural e muscular.

Existem inúmeras controvérsias sobre o consumo de cafeína e problemas relacionados à saúde, porém, alguns pequenos problemas são relatados quanto ao excesso do consumo dessa droga como: agitação, ansiedade, irritabilidade, tremor das mãos, insônia, dor de cabeça, irritação gástrica, aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial. Alguns estudos isolados sugeriram que o consumo de cafeína aumentava o risco de câncer, doença cardíaca coronariana, câncer de mama, osteoporose, e outras. Pesquisas mais recentes descartam essas possibilidades visto que o consumo moderado (média de 200 mg/dia), ou seja, 2 a 3 xícaras de café, não irá colocar a maioria dos indivíduos saudáveis sobre risco de saúde. Quanto aos efeitos do consumo excessivo de cafeína, geralmente não ocorre risco significante à saúde ou lesão permanente, porém, a overdose pode ocorrer, sendo que a LD-50 (dose oral letal necessária para matar 50% da população) para cafeína está estimada em 10g (150-170mg/kg de peso corporal), quando se alcançam valores plasmáticos acima de 30mg/ml.

Reinaldo A. Bassit

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Fonte: www.totalnutrition.com.br

Cafeína

O que é cafeína?

A cafeína é encontrada nas folhas, sementes ou frutas de mais de 60 plantas.

É amplamente encontrada em bebidas e alimentos, como café, chá, refrigerantes cola e chocolate.

Segurança

A cafeína é um dos ingredientes mais amplamente estudados no suprimento de alimentos.

Em 1958, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA designou a cafeína nas bebidas do tipo cola como "geralmente considerada como segura".

A FDA considera a cafeína segura para todos os consumidores, inclusive crianças.

O consumo moderado da cafeína por adultos, considerado como sendo cerca de 300 mg por dia (ou uma quantidade contida em 2 a 3 xícaras de café ou 5 a 6 latas de refrigerantes cafeinados) não foi associado a efeitos adversos para a saúde.

Embora não definido, espera-se que o consumo moderado de cafeína seja menor para as crianças. Mulheres grávidas ou amamentando ou mulheres tentando engravidar devem consultar o médico sobre o consumo de cafeína.

VOCÊ SABIA?

Uma xícara dos refrigerantes que mais contêm cafeína contém somente cerca de um terço da quantidade de cafeína encontrada em uma xícara de café.

Uma porção de 240 ml de refrigerante contém cerca de 23 a 31 miligramas de cafeína.

Uma porção de 240 ml de café contém entre 104 e 192 miligramas, dependendo da infusão. O chocolate normal contém cerca de 35 miligramas por 29,6 mililitros.

Cafeína

As bebidas cafeinadas me deixam desidratado?

Apesar da cafeína poder ter um efeito diurético suave e de curto prazo em pessoas que não consomem cafeína normalmente, estudos demonstraram que isto não é o que ocorre em pessoas que consomem cafeína regularmente. Como conseqüência, um relatório sobre as necessidades de água publicado em 2004 pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências concluiu que todas as bebidas, inclusive as que apresentam cafeína, contribuem para a hidratação.

Tomar bebidas cafeinadas diariamente causa problemas de saúde?

A cafeína é um dos ingredientes mais estudados na oferta de alimentos atualmente e as autoridades de alimentos e saúde em todo o mundo, inclusive a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), aprovaram a cafeína como ingrediente em refrigerantes e em outros produtos, como remédios para a dor de cabeça.

A maioria dos especialistas considera o consumo moderado como sendo de até 300 mg por dia – a quantidade contida em 2 a 3 xícaras de café ou 5 a 6 latas de refrigerantes cafeinados.

Claro que o consumo de cafeína moderado deve ser menor para crianças. Mulheres grávidas ou amamentando ou mulheres tentando engravidar devem consultar o médico sobre o consumo de cafeína.

Por que se adiciona cafeína aos refrigerantes?

A cafeína é parte integrante do sabor complexo e do perfil geral de alguns refrigerantes, que os consumidores apreciam por sua refrescância, sabor e hidratação.

Por mais de 100 anos, em alguns casos, as fórmulas destas bebidas têm sido uma mistura cuidadosamente equilibrada de ingredientes, incluindo adoçantes, carbonatação, cafeína e outros aromatizantes, para produzir o sabor refrescante e a qualidade divertida que os consumidores preferem, especialmente quando servidos gelados ou com gelo. O gosto amargo da cafeína é parte do perfil de sabor complexo dessas bebidas.

A quantidade de cafeína na maioria dos refrigerantes que a contêm é relativamente pequena – cerca de 30 miligramas de cafeína por porção de 240 ml, ou menos de um terço da quantidade presente em uma xícara de 240 ml de café comum (104 a 192 mg por 240 ml). Entretanto, como algumas pessoas preferem bebidas sem cafeína, muitos refrigerantes também estão disponíveis em versões sem cafeína.

A cafeína vicia?

Vício é uma palavra usada de forma vaga e, às vezes, capciosa, que significa coisas diferentes para pessoas diferentes e, freqüentemente, é definida de forma diferente pelos membros do público em geral. As pessoas que se dizem "viciadas" em cafeína tendem a usar o termo de forma vaga, como se dissessem que são "viciados" em chocolate, correr, fazer compras, trabalhar ou assistir à televisão.

Entretanto, a cafeína não vicia da forma como os especialistas da comunidade científica definem o termo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde "Não há nenhuma evidência de que o uso da cafeína tenha conseqüências sociais e físicas remotamente comparáveis às associadas ao abuso de drogas".

Na versão mais recente do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Distúrbios Mentais, o texto oficial da Associação Americana de Psiquiatria, a cafeína não é classificada como causadora de "dependência".

Ao contrário das drogas que viciam, as pessoas podem controlar ou moderar sua ingestão de alimentos e bebidas que contêm cafeína. A maioria das pessoas que consomem cafeína mantém um nível relativamente consistente de ingestão.

A cafeína é considerada um estimulante leve. Estudos científicos confirmam que, embora muitas pessoas gostem de produtos descafeinados, aquelas que escolhem parar de consumir ou reduzir a cafeína de suas dietas podem fazê-lo sem intervenção médica séria ou sem efeitos físicos ou psicológicos sérios. Os efeitos colaterais que algumas pessoas sentem, como dores de cabeça, tendem a ser suaves e passam dentro de alguns dias.

Fonte: www.thebeverageinstitute.com

Cafeína

CAFEÍNA - SAÚDE E PERFORMANCE

Como há ainda uma grande desinformação sobre a cafeína e devido às perguntas enviadas para a FitFazio - Saúde & Fitness questionando sua eficiência e possíveis malefícios para a saúde, venho trazer uma luz a respeito desta substância existente nas plantas mais consumidas na atualidade. Contrariando a crença popular, cada vez mais as pesquisas apontam que o uso moderado e regular de bebidas que contenham cafeína pode ser benéfico à saúde

Vamos então explorar ao máximo do que se tem na atualidade sobre esta substância que após ser avidamente absorvida pelo trato intestinal entrar na corrente sangüínea, é distribuída a todas as células do organismo, onde penetra livremente. Atravessa ainda a placenta em gestantes e está presente no leite materno em lactantes que fazem uso de bebidas que a contém.

A meia-vida (tempo de ação no organismo) da cafeína apresenta uma grande variação individual, oscilando entre 3 e 7,5 horas em indivíduos normais e alcança concentrações plasmáticas máximas cerca de 1 hora após a ingestão.

Sua ação sobre os sistemas nervoso, cardiovascular e muscular, além de sua ação lipolítica (uso da gordura corporal) e poupadora de carboidratos será colocada no texto a seguir.

Cafeína

CAFEÍNA X DEPENDÊNCIA

Uma das primeiras perguntas que vem a cabeça é: a cafeína causa dependência? Então vamos definir o que vem a ser dependência - segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), "é um estado psíquico, e às vezes físico, causado pela ação recíproca de um organismo vivo e uma substância química, que se caracteriza por modificações no comportamento e por outras reações que compreendem sempre um impulso irresistível para tomar o fármaco (ou tóxico), contínua e periodicamente, de maneira a experimentar seus efeitos psíquicos e, às vezes, para evitar o mal-estar produzido pela privação da substância. Uma mesma pessoa pode ser dependente de uma ou mais substâncias".

Então, conhecendo a definição devemos saber que a cafeína causa um hábito onde é possível a sua parada lenta e gradual, sem qualquer problema. A parada brusca da ingesta de cafeína por uma pessoa acostumada e tolerante a grande quantidades pode causar manifestações tais como dor de cabeça, apatia ou irritabilidade, dificuldade de concentração e ansiedade. A tolerância é um estado de adaptação caracterizado por uma diminuição da resposta e dos efeitos a uma mesma quantidade do fármaco ou tóxico, o que gera a necessidade de uma dose maior para provocar o mesmo grau de efeito.

Onde encontro a cafeína?

A cafeína pode ser encontrada em bebidas, plantas e remédios diversos, coloco aqui a quantidade existente em alguns compostos.

Níveis de cafeína por volume de 150 ml

Café (280 ml) 230 mg
Café descafeinado 1 - 5 mg
Café preparado por percolação 40 - 170 mg
Café preparado por gotejamento 60 - 180 mg
Café solúvel 30 - 120 mg
Chá preparado 20 - 110 mg
Chá instantâneo 25 - 50 mg
Chocolate 2 - 20 mg
Coca Cola 45 mg
Diet Coke 45 mg
Pepsi Cola 40 mg
Refrigerantes diversos (cola e graraná - 330ml) 2 - 20 mg
Medicamentos analgésicos, diuréticos 30 - 200 mg
Remédios para resfriados e alergias 30 - 100 mg

 

Química da cafeína

A cafeína, juntamente com a teofilina e a teobromina, é uma substância química derivada da xantina, que se encontra na natureza nas plantas consumidas pelo homem.

Enquanto a teofilina e a teobromina apresentam duas metilas, a cafeína possui três: 1,3,7-trimetil-xantina.

A xantina por sua vez é uma substância química derivada da purina: é uma dioxipurina, estruturalmente relacionada com o ácido úrico. As purinas do organismo são a adenina e a guanina, que juntamente com as pirimidinas (uracil, timina e citosina), formam compostos heterocíclicos que fazem parte dos nucleotídeos, elementos estruturais do ADN e ARN. É possível imaginar-se que a cafeína possa servir como substrato para a formação de um metabólito - as purinas - para a síntese das nucleoproteínas, tendo a cafeína um papel semelhante a uma vitamina. Esta hipótese, caso confirmada, justificaria a predileção da espécie humana por bebidas que contém cafeína, pois estaria ingerindo uma vitamina fundamental para o funcionamento e crescimento celular normal.

EFEITOS DA CAFEÍNA NO NOSSO ORGANISMO

SISTEMA CARDIOVASCULAR

A ingesta de 250 mg de cafeína, equivalente a duas a três xícaras de um café forte, por uma pessoa que não faz uso regular da bebida, causa aumento da freqüência cardíaca (FC), podendo haver palpitações devido a extra-sístoles e aumento da pressão sangüínea arterial. Ao mesmo tempo, a cafeína causa vasodilatação e aumento do fluxo sangüíneo tecidual, incluindo as coronárias e o fluxo sangüíneo coronariano. Os vasos sangüíneos cerebrais, por sua vez, apresentam diminuição do calibre, com aumento de sua resistência à passagem do sangue. Essa propriedade de contrair os vasos cerebrais justifica o emprego da cafeína no tratamento de crises de enxaqueca, onde a vasodilatação existente é responsável pelo quadro, e é combatida pela cafeína.

O uso regular da bebida, por um período curto de dois a quatro dias, já muda a resposta do organismo aos efeitos da cafeína. Desenvolve-se uma tolerância, e o uso prolongado não causa mais qualquer tipo de alteração na pressão sanguínea, FC, níveis de renina o adrenalina ou fluxo de sangue nos tecidos.

Então, pessoas portadoras de hipertensão arterial, ou que estejam em tratamento devido a cardiopatia isquêmica com crises de angina, devem Ter cautela na ingesta de altas doses de cafeína, pois a taquicardia que uma dose aguda causa pode ser prejudicial para esse grupo de pacientes.

SISTEMA RESPIRATÓRIO

A cafeína possui dois efeitos importantes no sistema respiratório: estimula os neurônios do centro respiratório, aumentando, embora discretamente, a freqüência e a intensidade da respiração, e possui um poderoso efeito broncodilatador. Essas propriedades evidenciam a utilidade do consumo regular de bebidas que contém cafeína, particularmente o café, por pacientes asmáticos.

SISTEMA GENITOURINÁRIO

A ingesta aguda de cafeína produz um moderado aumento no volume de urina e na excreção urinária de sódio no ser humano, atuando nos túbulos renais, onde causa uma diminuição da reabsorção de sódio e água.

É possível imaginar a utilidade da cafeína para se obter uma diurese (aumento da excreção urinária) no organismo humano de forma transitória, como no período pré-menstrual, ou mesmo em situações onde ocorre retenção lenta e gradativa de líquidos, como a insuficiência cardíaca discreta e moderada. Esta hipótese precisa ser confirmada através de pesquisas clínicas.

SISTEMA NERVOSO CENTRAL ( SNC )

Todos os nossos órgão estão sob o comando do SNC e a cafeína é um poderoso estimulante do mesmo. A quantidade de 250 mg de cafeína, o conteúdo de duas a três xícaras de um café forte estimula a vigília, bem como os reflexos mais simples, enquanto que tarefas que envolvam uma coordenação motora mais delicada podem permanecer inalteradas ou serem levemente prejudicadas. É possível detectar-se o efeito estimulante da cafeína através de eletroencefalograma.

Estudos recentes descobriram que a cafeína age diretamente em células ligadas ao estado de ânimo das pessoas. Quando um indivíduo fica aborrecido, algumas substâncias químicas neurotransmissoras, como a adenosina, são liberadas e estimulam receptores das células do humor. A cafeína bloqueia estes receptores no cérebro, impedindo-as de agir, deixando a pessoa bem-humorada.

Grandes doses de cafeína produzem ansiedade e sintomas idênticos aos de uma neurose de ansiedade, incluindo insônia, cefaléia, irritabilidade, tremores, náuseas e diarréia. Pessoas com alterações psiquiátricas tipo reações de pânico, esquizofrenia e sintomas maníaco-depressivos são mais sensíveis aos efeitos da cafeína.

Existe entretanto uma grande variação individual na resposta do sistema nervoso central aos efeitos da cafeína. Pessoas que tomam café ocasionalmente podem apresentar efeitos diferentes daquelas que o tomam diariamente.

SISTEMA MÚSCULO-ESQUELÉTICO

Em pesquisas com seres humanos, é possível observar que a cafeína aumenta a força desenvolvida por grupos musculares após a estimulação nervosa. Esta maior capacidade de contratilidade muscular parece ser devido ao aumento da quantidade de cálcio disponível para o processo contrátil na fibra muscular.

SISTEMA DIGESTIVO

A cafeína estimula a secreção gástrica de ácido clorídrico e da enzima pepsina no ser humano, em doses a partir de 250 mg (duas xícaras de café forte). Logo, em pacientes com úlcera péptica, não apenas a cafeína, mas todo e qualquer tipo de bebida oriunda destes grãos (cola, coffea arábica, etc.) devem ser evitados.

Deve ser enfatizado entretanto, que esta associação direta entre a ingesta de bebidas com ou sem cafeína e um possível maior risco de úlcera péptica ainda não foi difinitivamente investigada e esclarecida, através de pesquisas clínicas convincentes.

SITEMA ENDÓCRINO

A cafeína estimula a produção de calor pelo organismo humano - efeito termogênico - havendo evidências de que possa ter algum efeito benéfico para o emagrecimento de pessoas obesas, quando ingerida junto com as refeições.

A cafeína causa um aumento nos níveis de ácidos graxos livres no sangue, tanto em pessoas que não bebem regularmente estas bebidas, como nos usuários crônicos. Este efeito ocorre devido a uma liberação das gorduras de seus depósitos (lipólise), muito provavelmente em conseqüência de sua ação antagonizando os efeitos da adenosina no tecido adiposo, assim causa também um efeito de poupar as reservas corporais de carboidratos.

A ingesta de bebidas com cafeína por uma pessoa que não faz uso regular da mesma pode causar um aumento dos níveis de alguns hormônios, como a renina, as catecolaminas e mesmo insulina e o hormônio da paratireóide. Estes efeitos entretanto não ocorrem na pessoa que faz uso regular da substância, pois ocorre uma adaptação do organismo, não mais havendo estes aumentos.

EFEITOS COLATERAIS E INTOXICAÇÃO

Há poucos casos de intoxicação retratados pela cafeína.

As principais manifestações ocorrem no sistema nervoso central e cardiovascular. Insônia, agitação e hiperexcitabilidade são manifestações iniciais.

Na hipersensibilidade à cafeína a pessoa sente-se inquieta, agitada, com um distreto mal-estar e ansiedade. A seguir ocorrem taquicardia, sensação de zumbido no ouvido e distúrbios visuais parecendo faíscas no ar. A musculatura torna-se tensa e trêmula, podem ocorrer palpitações, devido ao surgimento de extra sístoles (coração).

É possível afirmar que o uso de doses moderadas e regulares de café na gestação não traz qualquer tipo de prejuízo para a saúde da mãe ou do feto.

O papel da cafeína na produção de arritmias cardíacas e úlcera gástrica ou duodenal permanece incerto, necessitando de maiores investigações; já existem algumas evidências médicas de que a cafeína não causa problemas para pacientes com doenças cardíacas.

CAFEÍNA NO EXERCÍCIO

O Comitê Olímpico Internacional (COI) proíbe altas doses de cafeína no organismo. Atletas olímpicos com mais de 12mg de cafeína por mililitro de urina podem ser desqualificados da competição.

Isto equivaleria a: 4 canecas de 280ml de café; 16 colas; 25 Anacim; 4 vivarin... isto é, altíssimas doses.

A cafeína ingerida antes do exercício tem um efeito diurético, principalmente se a pessoa está desacostumada a beber café mas pesquisas recentes mostram que quando ingerida durante o exercício, ao invés de antes, não promove maior perda de urina.

Corredores que tiveram a cafeína equivalente a 2 xícaras de café (330 mg cafeína) uma hora antes de um trabalho exaustivo correram 15 minutos mais do que quando eles se exercitaram até o esgotamento sem a cafeína. (Costill, Dalsky e Fink, 1978). Em um estudo mais recente, ciclistas que usaram 2,5 gramas de cafeína por quilo de peso corporal, exercitaram-se 29% mais em ciclismo de alta intensidade (Trice & Haymes, 1995).

Pesquisas não mostram, entretanto, qualquer efeito da cafeína sobre a força muscular máxima durante contrações musculares voluntárias como quanto estimuladas eletricamente. Mas em esforços submáximos de força, parece a cafeína poder retardar a fadiga ( talvez pela influência sobre a sensibilidade das miofibrilas ao íon cálcio ).

CURIOSIDADES

Evidências recentes das propriedades broncodilatadoras da cafeína, é tentador formular-se a hipótese de que seja possível o uso de um xarope de cafeína para o tratamento de asmáticos ou mesmo o desenvolvimento de bebidas cujo uso crônico, com um teor adequado de cafeína, possa prevenir a obstrução crônica ao fluxo aéreo observada nos fumantes inveterados.

Fonte: www.fitfazio.hpg.com.br

Cafeína

Aspectos históricos e culturais

A forma pura da cafeína foi extraída das plantas em 1820, mas atualmente pode ser produzida em laboratório. Em nosso dia-a-dia a encontramos em pequenas quantidades por meio do café, do chá preto, chá mate, guaraná, coca-cola ou da noz de cola.

Café

Infusão feita das sementes do cafeeiro, o café é a bebida que contém cafeína mais consumida no mundo.

O cafeeiro é originário da Etiópia, tendo chegado à Arábia no século XIII e à Turquia no século XVI. Mas é somente com sua chegada à Itália, no princípio do século XVII, que se dá sua grande expansão, pois começaram a surgir, desde então, casas de café por toda Europa, servindo de local de encontro e discussões sérias. Na segunda metade do século XVII, o café chegou à América.

Antes de ser consumido da maneira que conhecemos, o café, há cerca de 700 anos, foi uma comida, depois vinho e também remédio.

Cafeína

No século XVII, em vários condados da Alemanha e na Rússia Czarista, consumidores de café foram condenados à morte.

Tendo se popularizado com sua chegada à Europa, foram os Estados Unidos, após sua independência, que se tornaram o principal consumidor mundial, respondendo hoje pelo consumo de cerca de 1/3 (um terço) do café cultivado no mundo. O Brasil entra, por sua vez, na estatística do café com o primeiro lugar entre os produtores, vindo acompanhado da Colômbia, detentora do segundo.

É também cultivado em Java, Sumatra, Índia, Arábia, África Equatorial, Hawaí, México, Antilhas, América Central e outros países da América do Sul.

Chá ou chá preto

A primeira referência ao chá na literatura chinesa data de 350 d.C.. De origem chinesa, a lenda remete sua descoberta ao imperador Chen Nung, no ano 2737 a.C.. Tendo se difundido no Japão e outros países orientais, chegou à Europa por volta de 1600, através de mercadores vindos do Oriente.

No século XVII, o chá consolidou-se como a bebida nacional da Grã-Bretanha. Na segunda metade desse mesmo século, chegou às colônias americanas. Em 1767, o governo britânico passou a cobrar uma taxa pelo chá ali consumido. Esta taxa foi um dos temas explorados pela resistência anticolonialista na guerra de independência dos Estados Unidos.

Atualmente, o principal consumidor mundial é a Grã-Bretanha, vindo logo em seguida os Estados Unidos. Na produção, o primeiro lugar é da Índia, com a China em segundo. O chá também é produzido no Japão, Sri Lanka, ex União Soviética, Indonésia, Turquia, Bangladesh, Irã, Taiwan, vários países da África e América do Sul, inclusive Brasil.

Erva mate

Nativa da América do Sul, contém relativamente, uma grande quantidade de cafeína. É consumida principalmente como chá ou chá mate, ou chimarrão, bebida popular dos pampas, ou tererê este aqui popular no Paraguai.

A cultura da erva mate é uma grande indústria no sul do Brasil, no Uruguai e Argentina, sendo deles exportada em grande quantidade para toda a América do Sul.

Guaraná

Fruto do guaranazeiro, arbusto trepador originário do estado do Amazonas, seu cultivo foi iniciado pelos índios Maues. Esses objetivavam com o seu consumo realizar trabalhos físicos mais cansativos. O consumo era feito através de dissolução do pó do guaraná em água.

O homem branco teve o primeiro contato com o guaraná por volta do século XVI. É comum encontrarmos hoje refrigerantes com nome guaraná, mas esses são normalmente feitos com sabor artificial. Outra forma comum de consumo, que se assemelha à dos índios Maues, vincula o guaraná à idéia de um produto natural, sendo um produto, nesse caso, pouco popular.

Efeitos físicos e psíquicos

A cafeína é uma droga estimulante consumida por via oral, que em pequenas quantidades aumenta a circulação por provocar dilatação dos vasos sangüíneos.

Pode, em dose excessiva, produzir excitação, insônia, dores de cabeça, taquicardia, problemas digestivos e nervosismo.

Alguns a usam para resolver problemas cardíacos, auxiliar pessoas com depressão nervosa decorrente do uso do álcool, ópio e outras drogas. Porém alguns estudiosos não observam nenhum uso terapêutico na cafeína, alertando para o perigo da dependência psíquica e da síndrome de abstinência.

Fonte: www.imesc.sp.gov.br

Cafeína

Cafeína e a saúde

Muitas culturas concederam uma importância especial aos alimentos e bebidas que contêm cafeína.

A cafeína é dos ingredientes alimentares mais bem estudados; no entanto, a investigação científica ainda não esgotou todas as questões que deveríamos conhecer.

Neste artigo, serão discutidos os efeitos fisiológicos imediatos, do consumo desta substância, tão comum. Além disto também se irá determinar se a cafeína influencia o risco de certas doenças, como as cardiovasculares e cancro, como o seu impacto em determinados grupos específicos, nomeadamente nas pessoas que abusam do seu consumo.

A cafeína é uma xantina alcalóide, encontrada em várias plantas como nos grãos de café e cacau, folhas do chá, frutos do guaraná e noz de cola, e é adicionada a refrigerantes e diversos medicamentos.

Atua também como um pesticida natural, protegendo as plantas dos insetos que se alimentam destas. O teor médio de cafeína por 150 ml (uma taça) de café tostado moído é cerca de 85 mg, de café instantâneo é 60 mg, café descafeínado é 3 mg, o chá em folhas ou saco apresenta 30 mg, o chá instantâneo 20 mg e o cacau ou chocolate quente é 4 mg. Um copo (200 ml) de refrigerante com cafeína tem entre 20 a 60 mg desta.

Na Europa, a população adulta consome em média 200 mg por dia de cafeína (entre 100 a 400 mg), principalmente através do café e chá, mas também dos refrigerantes, incluindo as bebidas energéticas. Contudo, a dose depende essencialmente dos hábitos culturais; os países nórdicos têm o hábito de beber muito café (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia), onde o consumo médio de cafeína é de 400 mg diários. As crianças, adolescentes e indivíduos que não consomem café ingerem cafeína principalmente através dos chás e refrigerantes.

Cafeína

De acordo com a Diretiva Europeia 2002/67/CE, a presença de cafeína deve constar de forma visível nos rótulos das bebidas com teor de cafeína superior a 150 mg/l. Esta norma aplica-se em alguns refrigerantes e bebidas energéticas que contenham cafeína, não incluindo o chá, café e seus derivados, uma vez que o consumidor deve saber que estes se tratam das principais fontes de cafeína e o seu teor varia de acordo com a técnica de preparação (tempo de infusão maior ou extração). Os estados membros dispõem de uma legislação nacional para cumprir esta diretiva.

Metabolismo da cafeína

A cafeína atinge a corrente sanguínea passados 30 a 45 minutos do seu consumo. De seguida, distribui-se pelos líquidos corporais, para depois ser metabolizada e expulsa da pela urina. A média de semi-vida da cafeína no organismo é de 4 horas (as estimativas variam entre 2 a 10h). Durante a gravidez, esta reduz a sua velocidade de metabolização e os seus níveis mantêm-se durante mais tempo.

A capacidade da cafeína para potenciar o estado de alerta e a atenção prolongada está muito bem documentada, devendo-se a sua função primária de estimulante do sistema nervoso central, à sua ação como antagonista da adenosina. A adenosina é uma substância química, produzida de modo natural pelo organismo, que atua como mensageiro, regulando a atividade cerebral e modulando o estado de vigília e sono (é um sinal de cansaço). A cafeína bloqueia os receptores de adenosina presentes no tecido nervoso, particularmente no cérebro, mantendo o estado de excitação. Através deste mecanismo, a cafeína melhora a capacidade de se fazer esforço físico e mental, antes do aparecimento da fadiga. O bloqueio dos receptores de adenosina contribuem para a constrição dos vasos sanguíneos, aliviando a pressão das enxaquecas e dores de cabeça, o que explica o fato de muitos analgésicos conterem cafeína1,2.

Sensibilidade à cafeína

A sensibilidade à cafeína varia muito de indivíduo para indivíduo. Investigadores descobriram recentemente um “gene que reduz a velocidade do metabolismo”, sendo que os indivíduos que apresentam este gene eliminam a cafeína mais lentamente. Um estudo recente mostrou que, nos indivíduos com esta característica, o consumo de café está associado ao aumento do risco de enfarte do miocárdio não mortal, sugerindo que a cafeína pode desempenhar um papel nesta associação.

Estes dados necessitam de ser confirmados em pesquisas futuras.

As mulheres grávidas, ou as pessoas que sofrem de determinadas condições médicas ou que são sensíveis à cafeína, devem ter cuidado e moderar o consumo deste ingrediente. A maioria da informação epidemiológica disponível indica que um consumo total por dia, inferior a 300 mg, não apresenta qualquer problema. A questão referente a possíveis efeitos na gravidez e no bebé, quando o consumo é superior a estes valores, continua em aberto.

Por esta razão, e devido à metabolização ser mais lenta durante a gravidez, recomenda-se uma moderação no consumo desta substância, durante o tempo de gestação, independentemente da sua origem. No caso das crianças, que não consomem café ou chá, os refrigerantes de cola e outros que contenham cafeína devem representar um consumo equivalente a 3,5 mg por kg de peso corporal por dia (por exemplo, 160 mg de cafeína para uma criança de 10 anos, pesando 30 kg). Valores superiores poderão causar mudanças temporárias no comportamento, como um maior estado de alerta, irritabilidade, ansiedade e nervosismo.

Efeitos imediatos da cafeína

Doses entre os 100 e os 600 mg permitem um pensamento mais rápido e mais claro, tal como uma melhor coordenação corporal. O lado negativo da questão é que a cafeína pode causar agitação e uma perda de controlo do motor fino. Quantidades superiores a 2000 mg podem causar insónias, tremores e respiração agitada, no entanto estes sintomas podem ser notados mesmo em doses inferiores. Contudo, o consumo habitual pode minimizar muitos destes efeitos, uma vez que as propriedades estimulantes da cafeína afetam menos os consumidores habituais de café, do que os ocasionais.

A cafeína apresenta outros efeitos imediatos: estimula a libertação de cortisol e adrenalina, o que faz com que aumente a pressão arterial e o coração bata mais rápido. Além disto, tem um efeito diurético, relaxa os brônquios, aumenta a produção de ácido gástrico e aumenta a taxa metabólica.

Cafeína e a saúde

A maioria dos estudos que relata a relação da saúde com a cafeína são baseados no café. Isto torna difícil de distinguir os efeitos da cafeína no café e numa bebida em geral.

O consumo moderado de cafeína por dia, até 300 mg, ou seja o equivalente a 3 chávenas de café, geralmente não representa um risco para a saúde, desde que se disponha de alguns hábitos de vida saudáveis (dieta, consumo de álcool, tabaco e exercício).

Doença cardiovascular

Durante décadas, a cafeína tem despertado interesse no estudo das doenças cardiovasculares, pois está relacionada com alterações nos lípidos sanguíneos, pressão arterial, arritmias e outros transtornos das funções cardíacas. Embora o consumo moderado da cafeína não esteja frequentemente relacionada a um aumento do risco de doença cardíaca, sem nenhuma condição médica associada, não se pode excluir totalmente em casos de elevado consumo. Um elevado consumo deste ingrediente alimentar está estritamente vinculado a um excessivo consumo de café, que está muitas vezes associado a outros fatores que influenciam o desenvolvimento destas doenças – por exemplo, o tabaco, a inatividade física, o consumo de gorduras saturadas e de álcool.

Pressão arterial

Embora se tenha acreditado, durante décadas, que o consumo de cafeína aumentava a pressão arterial, estudos clínicos e laboratoriais recentes têm demonstrado que o consumo normal não apresenta este efeito. Apesar dos resultados contraditórios, tem-se observado o aumento da pressão arterial com mais frequência em indivíduos não habituados à cafeína, indivíduos jovens e logo após a ingestão desta. Na ausência de dados científicos definitivos, recomenda-se um consumo moderado às pessoas que já sofrem de hipertensão arterial3.

Colesterol sanguíneo

Vários estudos, realizados principalmente nos países escandinavos, sugerem que o café pode aumentar os níveis de colesterol total e colesterol LDL (mau colesterol), os quais são um conhecido fator de risco para a doença cardíaca.

Aparentemente, este efeito é limitado ao café fervido não filtrado (café de filtro, café expresso ou italiano e solúvel não aumentam o colesterol sanguíneo). Este efeito deve-se a certos componentes do café, a que chamamos de diterpenos, que abundam em algumas variedades de café em grão, e que são eliminados através do filtro.

Doenças coronárias

Quando se estabelece a ligação entre o consumo habitual de café a longo prazo e o risco de doenças coronárias, as evidência não demonstram um aumento do risco de doença com um consumo moderado de café. Um amplo estudo de coorte prospectivo, publicado em 2004, em que se seguiu de perto mais de 120 000 americanos, ao longo de um período que variou entre 14 e 20 anos, não conseguiu apresentar qualquer prova de que o café, ou o consumo geral de cafeína, aumenta o risco de doenças coronárias (mesmo entre aqueles que bebem muito café, cerca de 6 chávenas por dia).

No entanto, duas pesquisas recentes indicaram que a ingestão de café pode causar enfarte do miocárdio, não fatal, em alguns indivíduos: os consumidores ocasionais de café (até 1 chávena por dia), os indivíduos com três ou mais fatores de risco para a doença coronária e as pessoas que metabolizam a cafeína lentamente. Vários estudos demonstram que os consumidores habituais de café, em doses moderadas, têm um risco menor de sofrer de doenças coronárias, possivelmente devido aos antioxidantes presentes no café5. Não foi mostrada uma relação entre a cafeína e a arritmia, afecção em que os batimentos cardíacos são de forma irregular e, algumas vezes, demasiado rápidos.

Cancro

Não existem referências de que o consumo de cafeína pode ser um risco para o desenvolvimento de cancro. Esta visão é apoiada pelo Fundo Mundial de Investigadores sobre o Cancro, que em um extenso estudo afirma que “a maioria das evidências científicas sugerem que o consumo habitual de café ou chá não tem uma relação significativa com o risco de sofrer qualquer tipo de cancro”. De fato, algumas investigações recentes indicam que a ingestão de café pode proteger contra o desenvolvimento de certos tipos de cancro, como o colo-retal e hepático. No entanto, esta matéria continua a ser investigada.

Outros possíveis benefícios para a saúde

O café, provavelmente, tem um efeito protetor contra a diabetes tipo II, doença de Parkinson e doença hepática, como a cirrose e o carcinoma hepático.

Existem cada vez mais evidências que sugerem que o consumo de café pode proteger contra o desenvolvimento de diabetes tipo II. Como em muitas áreas da investigação, o mecanismo exato deste efeito protetor não é claro; provavelmente, outras substâncias presentes no café são as responsáveis por este efeito, uma vez que tanto se observou em produtos com cafeína como em descafeinados. Também tem aumentado a evidência quanto ao consumo de café e a manutenção das funções cognitivas durante o envelhecimento. Estes benefícios, observados a longo prazo, podem estar ligados aos flavonóides e cafeína do café, ambos antioxidantes, mas esta relação ainda não foi confirmada.

Referências

1.Higdon J. et al (2006). Coffee and health: a review of recent human research. Critical Reviews in Food Science and Nutrition 46(2):101-23
2.Fredholm B. et al (1999). Actions of caffeine in the brain with special reference to factors that contribute to its widespread use. Pharmalogical Review 51,1:83-133
3.Myers M.G. (2004). Effect of Caffeine on Blood Pressure Beyond the Laboratory. Hypertension 43:724-5
4.López-García L. et al (2006). Coffee Consumption and Coronary Heart Disease in Men and Women: A Prospective Cohort Study. Circulation 113:2045-53
5.Cornelis M.C. and El-Sohemy A. (2007). Coffee, caffeine and coronary heart disease. Current Opinion in Lipidology 18(1):13-9

Fonte: www.eufic.org

Cafeína

1. Histórico do uso de café e outras plantas que contém cafeína

A cafeína também chamada metil-xantina, derivada das xantinas, está presente em plantas amplamente distribuídas nas várias regiões geográficas.

Ela é encontrada nos grãos de café, folhas de chá e de mate, nas sementes de cacau e em várias partes do guaraná. Devido ao consumo generalizado dessa substância, conclui-se que ela é a droga mais utilizada no mundo.

Um copo de café contém aproximadamente 85mg de cafeína.

Cafeína

2. O que a cafeína faz no organismo ?

A cafeína possui efeitos terapêuticos importantes como dilatação dos brônquios, estimulação do coração e aumento da excreção urinária. No cérebro, ela alivia dores de cabeça.

Ela possui também efeitos prejudiciais, provoca aumento da secreção gástrica, agravando sintomas de gastrite e úlcera.

A droga também possui efeitos psicoestimulantes. Em doses moderadas (85 a 250mg), os usuários relatam uma sensação de bem estar, melhora de atenção e pensamento.

Porém em doses elevadas (acima de 250mg), surgem efeitos de nervosismo, inquietação, insônia e tremores. Doses muito altas podem produzir convulsões, delírios e aumento da frequência cardíaca.

3. Como a cafeína é eliminada do organismo ?

A cafeína é metabolizada pelo fígado e eliminada pela urina.

4. Tolerância e dependência à cafeína

O uso crônico dessa substância (350mg ao dia) provoca dependência física e tolerância à droga. Na retirada da droga pode aparecer uma síndrome de abstinência caracterizada por dores de cabeça, nervosismo, irritação, ansiedade e insônia.

Fonte: www.unifesp.br

Cafeína

É o estimulante legal mais usado no mundo.

A cafeína é mais comumente associada ao café e às bebidas à base de cola que contém cafeína e flavorizantes extraídos de fontes naturais (grãos de café e nozes de cola, respectivamente). O chá contém quantidade significativa de cafeína e teofilina, enquanto que o chocolate (cacau) contém quantidades relativamente baixas de cafeína e teobromina. Teofilina e teobromina são parentes químicos da cafeína. O café foi inicialmente usado para ajudar a manter as pessoas acordadas nas noites frias, durante longos eventos religiosos.

A cafeína não produz uma verdadeira euforia, mas causa dependência psicológica, aumenta a vivacidade, a performance mental e a motora, especialmente nos fadigados. Estes sintomas, junto com alguns dos efeitos de doses altas - por exemplo, agitação e até convulsões - acontecem principalmente pelo bloqueio dos receptores de adenosina. A adenosina é um hormônio local auto-regulável que modula (normalmente inibe) a função da maioria das células no corpo. A quantidade de cafeína em 2 ou 3 xícaras de café bloqueia 50% dos receptores de adenosina.

Cafeína

Entre os efeitos conhecidos da cafeína estão a estimulação do coração (aumento do ritmo e potência, e às vezes, ritmo acelerado) e a diurese (aumento do volume de urina). A dilatação das vias respiratórias é um efeito menos conhecido que ocorre com um grau ainda mais elevado de teofilina, usado no tratamento da asma. O consumo muito grande de cafeína pode causar o cafeinismo, um complexo de ansiedade, irritabilidade e depressão e um aumento do nível de vários hormônios no sangue associados ao estresse.

As adaptações celulares ocorrem com o uso crônico, causando tolerância aos efeitos que a cafeína produz. Uma retirada suave pode provocar letargia, irritabilidade e dores de cabeça, em um indivíduo com ingestão prolongada de 600 miligramas (6 xícaras de café) ou mais por dia.

A adenosina comprovadamente acentua os efeitos cardiovasculares causados pela nicotina. Fumantes podem ser capazes de compensar isto com o alto consumo de café, porque a maior ingestão de cafeína bloqueia mais receptores de adenosina e limita estes efeitos.

Fonte: Como agem as drogas, Gesina L. Longenecker,PH.D. Quark books. Ilustrações de Nelson W.Hee

Cafeína

Na tentativa de tornar os seus medicamentos para a tosse mais saborosos, Dr. John Pemberton, inventou em 1886 em Atlanta, aquela que viria a ser a bebida mais popular em todo o mundo, a Coca-cola. Dos ingredientes constavam um xarope doce, água, uma folha da planta da cocaína e cafeína.

A cafeína pertence ao grupo das metil-xantinas e encontra-se presente em cerca de 60 espécies de plantas no mundo e numa grande quantidade de alimentos, como o café, o guaraná, cola, cacau ou chocolate, chás e também em medicamentos como a aspirina e em inibidores do apetite.

A cafeína é desprovida de valor nutricional mas é rapidamente absorvida e distribuída no organismo, possuindo a capacidade de estimular o sistema nervoso central. Embora o seu consumo moderado não se encontre associado a nenhum risco para a saúde, existem excepções, como é o caso de mulheres grávidas, crianças e de indivíduos com problemas cardíacos ou com úlceras gástricas.

Exceptuando estes últimos casos, e no âmbito de um consumo moderado, foram associados à cafeína alguns benefícios que serão de seguida abordados.

Cafeína

Aumento da mobilização de ácido gordos (gorduras). Um benefício atribuído ao consumo de cafeína encontra-se associado à sua capacidade de estimular a lipólise (quebra de moléculas de gordura no organismo), o que poderá favorecer o emagrecimento.

No entanto, esta ação representa um custo elevado ao organismo: com a mobilização dos depósitos de gordura, aumentam os níveis das mesmas no sangue, podendo haver elevação dos níveis de colesterol sanguíneo e consequente aumento do risco de enfarte.

Acréscimo do uso de triacilgliceróis musculares. A mobilização dos depósitos de gordura no organismo permite que, por exemplo em atletas com atividade física intensiva, o organismo utilize a gordura como fonte de energia, em vez do glicogénio muscular.

Diminuição da fadiga (cansaço no exercício) e retardamento do seu início. O fato do organismo utilizar a gordura como fonte de energia, conduz a uma maior resistência à fadiga. Contudo, trata-se de um resultado que deve ser rigorosamente controlado, quer devido aos efeitos colaterais, quer pelo fato de a cafeína estar incluída nos regulamentos de dopping de todas as federações desportivas (exemplo, Comité Olímpico Internacional) Produção de um estado de alerta de curta duração, aumento da atenção e concentração mentais. Alguns estudos associam ao consumo de cafeína uma melhoria de algumas funções cognitivas (não ao nível da precisão, mas de rapidez), parecendo esta ser útil no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção. Contudo, poderá ter como resultado negativo o desencadear de sintomas semelhantes aos da ansiedade. Em doentes com Transtorno de Pânico, a administração de cafeína equivalente a quatro a seis chávenas de café leva a que elevada proporção desenvolva ataques de pânico, quando comparados com os indivíduos que não sofrem deste transtorno.

Melhoramento do humor

Os efeitos da cafeína podem variar de indivíduo para indivíduo (depende das condições em que se encontra o organismo que a consome, do tipo e quantidade do produto consumido, entre outras), podendo ser igualmente distintos para o mesmo indivíduo em diferentes ocasiões (altura do dia a que é consumida, por exemplo). Contudo, o consumo frequente desta substância provoca dependência moderada, sendo que a sua interrupção brusca pode mesmo causar dores de cabeça, sonolência, irritabilidade, náuseas e vómitos.

O consumo excessivo de cafeína acarreta consequências negativas para a saúde, que não devem ser desprezadas. A cafeína foi uma das primeiras substâncias a ser usada como diurético (que aumenta a excreção urinária). Não havendo reposição da água perdida, pode iniciar-se um processo de desidratação, que não for revertido, poderá ter consequências graves para o organismo.

Consumos superiores a 250mg de cafeína por dia parecem estar associados a perturbações do sono, taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e um maior risco de úlceras (por estimulação da secreção de ácido clorídrico no estômago). Este último aspecto é controverso, na medida em que alguns estudos associam ao aumento da estimulação gástrica, não à cafeína em si, mas a outros componentes do café. A ingestão excessiva de produtos que contêm cafeína, pode ainda interferir na absorção de nutrientes necessários ao organismo, como é o caso do ferro. Em crianças, consumos não controlados, podem mesmo desencadear redução no apetite.

Sendo uma das substâncias farmacológicas mais usadas em todo o Mundo, a cafeína merece assim especial atenção. Estudos recentes associam-na a novos benefícios para a saúde humana (por exemplo, possíveis efeitos na doença de Parkinson), mas os riscos que advém de consumos crónicos e excessivos deverão estar sempre presentes.

Teor em cafeína de algumas bebidas

  Volume (ml) Cafeína (mg)
Café 225 100-120
Chá 225 60
Cacau, chocolate 225 5
Bebidas com cola 330 35

Bibliografia

Osswald W., Guimarães S.. "Terapêutica medicamentosa e suas bases farmacológicas". Porto Editora (2001):140-146.
Stahl S.M. "Psicofarmacologia esencial - Bases neurocientificas y aplicaciones". Ariel Neurociencia (2002): 384-385.

Fonte: empe.fe.up.pt

Cafeína

Introdução

A Cafeína é um alcalóide que se encontra,na natureza, em mais de 63 espécies de plantas. Entre os vários alcalóides existentes na natureza, encontram-se as metilxantinas.

Existem 3 metilxantinas particularmente importantes: a 1,3,7-trimetilxantina (cafeína), a 1,3-dimetilxantina (teofilina) e a 3,7-dimetilxantina (teobromina). Todos são derivados da purina (o grupo xantina é a 2,6-dioxopurina) e inibem a cAMP fosfodiesterase. Teobromina e teofilina são duas dimetilxantinas, com dois grupos metilas somentes, em contraste à cafeína, que possui três. Ambas têm efeitos similares à cafeína, porém bem menos acentuados.

A teobromina é encontrada no chocolate, no chá, na noz moscada, mas não no café. No cacau, a concentração de teobromina é 7 vezes maior do que de cafeína! A teofilina possui mais efeitos no coração e na respiração, sendo, por isso, mais empregada em medicamento para asma, bronquite e efisemas do que a cafeína. É encontrada, também, no café. No organismo, estes compostos são facilmente oxidados para o ácido úrico e outros derivados.

A cafeína pura é inodora e possui sabor amargo; é estável a variações de temperatura e pH e possui alta solubilidade em água e determinados solventes orgânicos.

È considerada como a substância psicoativa mais consumida do mundo, 120 000 toneladas ano. Dados estatísticos referem que 81% das pessoas consomem refrigerante, 75% café, 65% produtos de chocolate (56% em barra e 38% em pó) e 37% chá.

Os efeitos fisiológicos dependem da sensibilidade de cada pessoa, como também do tempo de permanência da cafeína no plasma sanguíneo, o que por sua vez depende de muitos outros fatores. Normalmente são mais sensíveis as pessoas que não costumam ingerir cafeína.

Cafeína

Depois de ingerida, a cafeína é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, e distribuída para todos os tecidos do corpo, sendo quase totalmente metabolizada pelo fígado e seus metabólitos eliminados pelos rins. No homem 70% da cafeína é convertida em paraxantina, sendo o ácido 1-metilúrico o principal produto de excreção.

A ingestão de altas doses diárias de cafeína, como por exemplo, 1,8 g ou mais, 50 chávenas ou 3 litros de café forte, pode produzir efeitos psicóticos, incluindo mania, desorinteção, histeria, doença do pânico e agressividade.

A overdose, ou dose letal é tida como sendo de 10 g, 285 chávenas ou 17 litros de café forte, ou 270 latas de refrigerante, ou 4 kg de chocolate preto em barra.

Estudos mostram que a cafeína atua tanto aumentando a vigilância quanto a capacidade de raciocínio, ao mesmo tempo que diminui a resposta visual e auditiva; doses ao redor de 300 mg podem levar ao estado de hiperatividade e como consequência a queda de atenção. Mostram ainda que a cafeína prejudica o sono marcantemente, tanto na qualidade quanto na redução do tempo de sono, atuando de modo a retardar o início, quando ingerida de 30 a 60 minutos antes do repouso.

Ao contrário da opinião popular, a cafeína não o tem efeito de deixar sóbria uma pessoa alcoolizada. O café diminui a sonolência causada pela ressaca, porem não recupera a atividade psicomotora e o raciocínio perdido. Alguns estudos incluem, a potencialização dos efeitos do álcool e outros a ausência de efeitos associados.

Propriedades Físicas

Aspeto
Cristais ou pó cristalino branco
Textura
Macia
Fórmula Química
C8H60N4O2
Peso Molecular
194.19 g/mol
Ponto de Fusão
234-239 ºC
Solubilidade em água
1-5 g/100 mL
Nome Químico
1,3,7-Trimetilxantina

Método de Isolamento da Cafeína do Chá por Extração Sólido-Líquido

Colocar 15 g de chá em pó, 150 cc de água, 7 g de carbonato de cálcio e alguns regularizadores de ebulição num copo de 250 cc.

Deixar ferver a mistura suavemente, agitando de vez em quando, durante 15 a 20 minutos. Deixar arrefecer À temperatura ambiente.

Enquanto a mistura arrefece, preparar um funil de Büchner e um kitasato de 500 cc, colocar o papel de filtro no funil e humedecer para melhor aderência. Fazer então uma mistura de 10 a 15 g de celite com 50 a 100 cc de água e deitar no funil com sucção.

Filtrar a solução de chá, lavar o copo com alguns milimetros de água e juntar ao funil com sucção.

Colocar o filtrado numa ampola de decantação de 250 cc e extrair com 2 porções de 50 cc de diclorometano (CH2Cl2). Secar o extrato de CH2Cl2 sobre 1 g de sulfato de sódio.

Remover o sulfato de sódio filtrando através de um filtro de pregas. Lavar o erlenmeyer onde estava a solução e o funil com CH2Cl2. Evaporar o filtrado à secura, ficando com o resíduo de cafeína.

Pesar a cafeína extraída e purificá-la por sublimação num "cold-finger" a vácuo e com aquecimento em banho de óleo de silicone a 180 ºC.

Aspectos Positivos e negativos do consumo de Cafeína

Positivos

A cafeína pode ajudar a mantê-lo desperto e num estado de alerta;

Pode aumentar a boa disposição e reduzir a fadiga;

Um pouco de cafeína (uma simples chávena de café) pode ajudá-lo a respirar um pouco melhor se sofrer de asma. A cafeína é um parente próximo da teofilina, medicamento usado para tratar a asma;

Uma pequena dose de cafeína pode representar um alívio para as dores de cabeça. Por isso, a cafeína está presente na maioria dos medicamentos para aliviar dores;

A cafeína é relativamente segura. Embora possa aumentar um pouco a tensão arterial e o ritmo cardíaco, a grande maioria da população consome cafeína regularmente todos os dias e muito poucas pessoas apresentam consequências incómodas ou preocupantes.

Negativos

Pode ficar-se dependente da cafeína após um período de uso intensivo;

Se deixar subitamente de ingerir cafeína pode sofrer uma ressaca: dores de cabeça severas e um estado de depressão;

Desde que o organismo se habitue à cafeína, a quantidade usada torna-se menos eficiente cada dia que passa. Cada vez é necessário um maior consumo para obter um efeito idêntico;

A cafeína, em especial em excesso, pode provocar nervosismo, irritabilidade e estados de ansiedade. O excesso de ingestão de cafeína pode provocar também tremuras das mãos;

Pode aumentar a tensão arterial e o ritmo cardíaco;

A cafeína pode interferir com o sono e provocar insónias;

A cafeína não deve ser consumida juntamente com certos medicamentos.

Conteúdo médio em cafeína

Café coado

    150 mg/chávena

Café expresso

    350 mg/chávena

Café instantâneo

    100 mg/chávena

    Descafeinado

    4 mg/chávena

Chá

    70 mg/chávena

Coca-cola

    45.6 mg/lata

Coca-cola Diet

    45.6 mg/lata

Pepsi Cola

    37.2 mg/lata

Pepsi Diet

   35.4 mg/lata

    Chocolate

    7 mg/tablete (200 g)

Ação Biológica

A molécula é parecida à das drogas ilegais, atua mediante os mesmos mecanismos químicos do cérebro que operam quando se consomem algumas delas.

Obviamente, os seus efeito são menos intensos.

Em geral , estes mecanismos químicos podem resumir-se em dois: o dos receptores de adenosina e dopamina.

Ao longo do dia e, em especial, após a realização de atividades físicas consideráveis, o cérebro começa a produzir moléculas de adenosina que, com o tempo, vão saturando os neurónios. Quantos mais receptores forem ocupados, maior o cansaço que se fará sentir. A adenosina produz um ligeiro alívio, diminui a atividade do neurónio e a pressão sanguínea no cérebro, preparando para dormir. Por outro lado, a perda de concentração torna-se evidente e o rendimento nas atividades desempenhadas é inferior se se tiverem muitas moléculas deste neurotransmissor localizadas nos seus respectivos receptores.

E aqui surge a cafeína. Os neurónios não podem distinguir entre uma molécula de adenosina e uma de cafeína. Assim, as moléculas de cafeína podem ocupar os mesmos receptores, enganando o cérebro. A diferença é que a cafeína não produz cansanço, o único que faz é "ocupar espaço” impedindo que mais adenosina se una ao seu receptor. Como resultado teremos muitos neurónios que não diminuem a sua atividade, mantendo a mente mais clara e ativa.

A atividade cerebral incrementada, em um momento que normalmente deveria ser baixa, é registrada pelos centros reguladores glandulares do corpo e é interpretada como uma emergência. Então, liberta-se a hormona adrenalina na corrente sanguínea. A situação agrava-se.

A Adrenalina, foi desenhada para a sobrevivência, permite ao indivíduo escolher entre duas alternativas perante uma emergência. A primeira é escapar; a hormona (entre outras coisas) incrementa o pulso, aumenta a pressão arterial e redistribui o fluxo sanguíneo nos músculos que lhe permitirão agir rapidamente, além disto, aumenta a eficácia da respiração e induz o fígado a libertar energia sob a forma de açúcar para o sangue. A segunda opção é lutar e para esta atividade o corpo aproveita os câmbios fisiológicos já mencionados e mais o fato de que, em grandes doses, a adrenalina diminui o pensamento racional tornando o indivíduo menos propenso a tomar em conta as consequências dos atos.

Farmacologia

A cafeína é uma metilxantina, rapidamente absorvida por via oral. Atinge o pico plasmático cerca de uma hora após sua ingestão, e tem meia vida plasmática de 3 a 7 horas. É metabolizada no fígado, por desmetilação no sistema P450, e tem como metabólitos a paraxantina, a teofilina e a teobromina. A cafeína é excretada na urina. A nicotina aumenta a eliminação da cafeína, e antibióticos, notadamente as quinolonas, aumentam sua concentração sérica. A dose letal de cafeína para o ser humano é de cerca de dez gramas, lembrando-se que uma xícara de café contém cerca de 125 mg de cafeína.

Fonte: www.dq.fct.unl.pt

Cafeína

Dos estudos publicados sobre a cafeína, não se pode extrair de forma incontestável, dados que comprovem que essa substância apresenta perigos ao organismo.

Muito provavelmente a cafeína vem sendo utilizada, por seus efeitos sobre o Sistema Nervoso Central, desde o período paleolítico (Barone e Roberts, 1984). Os relatos mais confiáveis, entretanto, referem que ela tem sido consumida há milênios. Os chineses já a consumiam no século IV a.C.

Nossa cultura atual reconhece que o café, tal como se conhece hoje, seja originário da Etiópia (antiga Abissínia), difundindo-se na península arábica através do Iêmen e, dos árabes, para o resto do mundo. Na Europa o café foi mais fortemente introduzido a partir do século XVI pelos espanhóis e holandeses, no período das conquistas ultramarinas (James, 1997). Antes disso o café era consumido de maneira restrita e a bebida nobre era o chá.

Cafeína

A inclinação periódica de desqualificar o café, muitas vezes em favor do chá, é igualmente antiga. Um fato curioso ocorreu com o rei sueco Gustavo II. O monarca considerava o café uma bebida revolucionária e uma ameaça a civilização.

Por causa disso idealizou uma experiência para mostrar as conseqüências do uso do produto: um prisioneiro condenado à morte seria forçado a beber café diariamente até morrer, enquanto outro condenado beberia chá. Por ironia, os médicos responsáveis pelo estudo morreram primeiro, seguidos pelo assassinato do rei. Quanto aos prisioneiros, o primeiro a falecer foi o bebedor de chá, aos 83 anos (Messias,...2001).

A cafeína, quimicamente conhecida por 1,3,7-trimetilxantina, é o ingrediente ativo do café, mas pode estar presente em muitas comidas e bebidas. Essa substância pertence ao grupo de compostos das metilxantinas, onde se inclui também o chá. As xantinas são substâncias capazes de estimular o sistema nervoso, produzindo certo estado de alerta de curta duração.

Além do café, a cafeína também é encontrada em outras bebidas, em proporções menores, tais como naquelas bebidas contendo cacau, cola, chocolate, além do chá e de alguns remédios do tipo analgésico ou contra gripes. Devido à diversidade de produtos que contém cafeína, presente em mais de 60 espécies de plantas do mundo, ela é, seguramente, a droga psicoativa mais popular no mundo (Glass,...1994; Palfai e Jankiewiez, 1991).

A cafeína é mesmo a substância estimulante de maior consumo em todo mundo. Só nos Estados Unidos, calcula-se que a média de ingestão diária por pessoa seja superior a 150mg, o equivalente a 3,5 kg de café por ano por pessoa.

Considerando que a cafeína está presente no café, chá, chocolates, refrigerantes à base de cafeína ou medicamentos, pode-se dizer que cerca de 80% da população geral faz uso dessa substância diariamente, embora seja muito difícil quantificar seu consumo (Strain & Griffiths, 2000). Nas últimas décadas, devido ao aumento do consumo de refrigerantes do tipo cola, tem crescido o consumo de cafeína, sobretudo entre os adolescentes.

De todos os estudos publicados até agora sobre a cafeína, não se pode extrair de forma incontestável, dados que comprovem que essa substância apresenta perigos ao organismo (Boa Saúde). Ao lado de muitas recomendações médicas, técnicas e científicas na direção de se evitar consumir a cafeína em excesso, a substância pode até atuar de forma terapêutica e ser consumida com a devida prescrição médica.

Níveis de cafeína por volume

Café Expresso (2 xícaras)

250 a 330 mg

Café descafeinado

1 - 5 mg

Café preparado por decantação

40 - 170 mg

Café preparado por gotejamento

60 - 180 mg

Café solúvel

30 - 120 mg

Chá preparado

20 - 110 mg

Chá instantâneo

25 - 50 mg

Chocolate

2 - 20 mg

Coca Cola

45 mg

Diet Coke

45 mg

Pepsi Cola

40 mg

Refrigerantes diversos

2 - 20 mg

Medicamentos analgésicos

30 - 200 mg

Remédios para resfriados

30 - 100 mg

A Cafeína no Mundo

Erick Messias cita que, na Inglaterra, em 1676, o rei Charles II não teve sucesso em tentar proibir as casas que serviam café, enquanto que, na França, os cafés se tornariam locais de reunião dos intelectuais. Consta que os cafés franceses contavam com freqüentadores famosos, como Robespierre, Victor Hugo, Voltaire, Napoleão e Rousseau.

Hoje a cafeína é consumida regularmente por bilhões de pessoas no mundo, configurando diversas e variadas práticas culturais, sendo até vital para algumas economias. Os países latinos têm, tradicionalmente, o hábito de tomar café mais concentrado, com maior teor de cafeína, enquanto os americanos preferem o café bem mais diluído, de preferência descafeinado. De modo geral, fora o Brasil e Cuba, os maiores produtores de café, a Grã-Bretanha, a Itália, a Escandinávia e os EUA são os maiores consumidores de cafeína do mundo (Strain & Griffiths, 2000; James,...1997).

Efeitos da Cafeína

Sistema Nervoso Central

A cafeína é um estimulante do Sistema Nervoso Central. Penetrando na corrente sanguínea atinge o córtex cerebral exercendo aí seus efeitos. O que se percebe, inicialmente, é uma espécie de revigoramento e diminuição do sono e da fadiga.

No Sistema Nervoso Central, mais precisamente, no Sistema Nervoso Autônomo, o sistema de neurotransmissão baseado no neurotransmissor adenosina age como redutor da freqüência cardíaca, da pressão sanguínea e da temperatura corporal. Normalmente é o que acontece quando somos acometidos pela sensação de cansaço, torpor e sono. A cafeína exerce uma ação inibidora sobre esses receptores do neurotransmissor adenosina, situados nas células nervosas. Por isso dá-nos uma sensação de revigoramento, diminuição do sono e da fadiga.

Por outro lado, a cafeína exerce um efeito sobre a descarga das células nervosas e a liberação de alguns outros neurotransmissores e hormônios, tais como a adrenalina. Ela age também sobre aumento da secreção da enzima lipase, uma lipoproteína que mobiliza os depósitos de gordura para utilizá-los como fonte de energia no lugar do glicogênio muscular. Esse efeito de poupar o glicogênio, torna o corpo mais resistente à fadiga.

Uma xícara de café forte costuma produzir em poucos minutos, um aumento da acuidade mental e sensorial, além de elevar o nível de energia, tornando a pessoa mais alerta e proporcionando bem-estar.

Uma xícara comum de café contém cerca de 50 a 150 miligramas de cafeína, enquanto uma xícara de chá ou de refrigerantes a base de cola tem entre 35 a 50 miligramas. O café coado tem menos teor de cafeína que o café sírio, por exemplo, que não se filtra, ficando o pó assentado no fundo do recipiente e muito menos que o café expresso (sob pressão de vapor). Este último tem maior proporção de cafeína, conseqüentemente produz um maior estado energético. Assim consumido e, freqüentemente, e em altas doses, a cafeína pode vir a provocar uma dependência moderada em certas pessoas.

Em doses muito elevadas a cafeína pode provocar a liberação espontânea de íons cálcio dentro do músculo, desencadeando pequenos tremores involuntários, aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca.

Em medicina, a cafeína tem sido usada para reativar padrões deprimidos de respiração, como terapêutica auxiliar no tratamento de dores, principalmente de cabeça e enxaqueca. Mais recentemente a cafeína tem sido usada como coadjuvante em muitos remédios para o dor, controle do peso, alívio de alergias e para melhorar o estado de alerta (Barone e Roberts, 1984).

Sistema Cardiovascular

Duas a três xícaras de café forte (aproximadamente 250 mg de cafeína), numa pessoa que não faz uso regular da bebida, pode causar aumento da freqüência cardíaca (taquicardia). Em alguns casos pode haver sensação de palpitação produzida pela ocorrência de extra-sístoles.

Há também maior probabilidade de haver um aumento da pressão sangüínea desencadeada pela cafeína, juntamente com vasodilatação e aumento do fluxo sangüíneo para os tecidos em geral, incluindo as coronárias.

Os vasos sangüíneos cerebrais, por sua vez, apresentam diminuição do calibre. Essa vasoconstricção cerebral é a propriedade que justifica o emprego da cafeína no tratamento de crises de enxaqueca, onde a vasodilatação existente é responsável pelo quadro, e é combatida pela cafeína.

Entretanto, tudo isso pode ser modificado com o uso regular da cafeína. Essa mudança de resposta do organismo aos efeitos da cafeína dá-se pelo desenvolvimento de uma tolerância à substância, a partir da qual ela não causa mais qualquer tipo de alteração na pressão sanguínea, na freqüência cardíaca e no fluxo de sangue aos tecidos.

Sistema Respiratório

A cafeína possui dois efeitos importantesro sistema respiratório. Ela estimula os neurônios do centro respiratório do cérebro proporcionando um aumento discreto da freqüência e a intensidade da respiração, juntamente com um efeito local nos brônquios, produzindo um satisfatório efeito broncodilatador. Essas propriedades sugerem benefícios no consumo regular de cafeína por pacientes asmáticos.

Sistema Genitourinário

A ingesta aguda de cafeína produz um moderado aumento no volume de urina e na excreção urinária de sódio, diminuindo a reabsorção de sódio e de água nos túbulos renais. Assim sendo ela tem algum efeito diurético que pode ser útil no alívio de cólicas menstruais (dismenorréia) produzidas pela retenção de líquidos. Esse efeito de alívio na dismenorréia e realçado pelos efeitos analgésicos da substância.

Sistema Digestivo

A cafeína estimula a secreção gástrica de ácido clorídrico e da enzima pepsina no ser humano, em doses a partir de 250 mg (duas xícaras de café forte). Essa característica da cafeína a contra-indica em pacientes com úlcera digestiva. Entretanto, em pessoas sem nenhuma patologia digestiva a cafeína não tem sido associada a um maior risco de úlcera péptica. Essa associação ainda não foi difinitivamente investigada e esclarecida através de pesquisas clínicas convincentes.

Sitema Endócrino

A cafeína tem sido associada à um aumento nos níveis de ácidos graxos livres no sangue, portanto, funcionaria como uma substância capaz de mobilizar gorduras.

Esse efeito não teria influência da tolerância, ou seja, ele se observaria tanto em pessoas que usam cafeína esporadicamente, como nos usuários crônicos.

O efeito termogênico, de aumento dos níveis de ácidos graxos, ocorre devido a uma mobilização das gorduras de seus depósitos (lipólise), muito provavelmente em conseqüência da ação da cafeína como antagonista dos efeitos da adenosina no tecido adiposo. Atualmente já existem evidências de que possa ter algum efeito da cafeína no emagrecimento de pessoas obesas, principalmente quando ingerida junto com as refeições.

Ainda em relação ao Sistema Endócrino, a ingestão de cafeína por uma pessoa que não faça uso regular da mesma, pode causar um aumento dos níveis de alguns hormônios, como a renina, as catecolaminas, a insulina e o hormônio da paratireóide. Estes efeitos, entretanto, como acontece no fenômeno da tolerância, não ocorrem na pessoa que faz uso regular da substância devido à adaptação do organismo à mesma.

Muitos usos terapêuticos para a cafeína têm sido propostos, como para a inseminação artificial no caso de espermatozóides hipocinéticos, dores de cabeça, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, Doença de Parkinson, Dermatite Atópica e Apnéia Neonatal.

A possível ação antineoplásica da cafeína necessita de pesquisas adicionais, pois a cafeína poderia ter um importante papel protegendo fumantes contra o câncer de pulmão. A cafeína pode ser de algum benefício no tratamento da dermatite atópica. Uma das aplicações terapêuticas para a qual a cafeína possui seu maior potencial é no tratamento da Apnéia Respiratória Neonatal.

Efeitos Benéficos

Mal de Parkinson

O café (ou a cafeína) pode ajudar a deter a Doença de Parkinson ou mesmo prevení-la. Mas, tendo em vista o ainda reduzido número de trabalhos sobre esse tema (43 trabalhos referidos pela Medline), não se sabe o suficiente para poder recomendar com bastante segurança, o aumento do consumo de café como medida preventiva para a Doença de Parkinson.

A Doença de Parkinson causa tremores musculares e fraqueza, afeta cerca de uma pessoa em cada 200, em todo o mundo, mais comumente idosos. Entre as vítimas mais famosas encontram-se, atualmente, o papa João Paulo II, o ex-boxeador Muhammad Ali e o ator Michael J. Fox.

Alguns estudos atuais têm sugerido, fortemente, que a cafeína pode estar relacionada à prevenção da Doença de Parkinson. Entre esses estudos destacamos três, um de Ross e colaboradores, de 2000, mostrando um efeito protetor da cafeína sobre o desenvolvimento da Doença de Parkinson, e dois trabalhos, de 2001, corroborando esses resultados.

O estudo de Ross (2000) enfocou dados colhidos durante 30 anos de 8.004 homens participantes de um programa cardíaco e descobriu que, quem não bebia café tinha um risco de desenvolver a Doença de Parkinson cinco vezes maior do que as pessoas que consumiam cinco ou mais xícaras de café por dia.

Ascherio e colaboradores (2001), estudaram uma população de 47.351 homens e 88.565 mulheres sem Doença de Parkinson, mediante a aplicação de um detalhado questionário dietético sobre o estilo de vida, atualizando-os a cada dois ou quatro anos. Os resultados apontaram para um possível efeito protetor de doses moderadas da cafeína no desenvolvimento da Doença de Parkinson.

Também em 2001, Chen e colaboradores elaboraram estudos epidemiológicos associando o consumo de cafeína e Doença de Parkinson. Os dados de Chen estabelecem uma base neurológica potencial para a associação inversa da cafeína com o desenvolvimento da Doença de Parkinson, ou seja, quanto mais presente estava a cafeína na vida da pessoa, menores eram as possibilidades dessa doença. A cafeína atuaria impedindo os deficits dopaminérgicos característicos da Doença de Parkinson.

Dores de Cabeça

A cafeína, por ter a propriedade de contrair os vasos sangüíneos, compensa a dilatação dos vasos sangüíneos do crânio que normalmente causa a dor de cabeça, aliviando esse desagradável sintoma. Além disso, a cafeína parece potencializar os efeitos de outros analgésicos além de melhorar as dores de cabeça por razões emocionais.

Seymour Diamond (2001), realizou estudo com 301 pessoas que sofrem de dor de cabeça (cefaléia) freqüente, mostrou que uma dose de cafeína também pode ajudar a tratar a cefaléia comum associada à tensão e atingir resultados ainda melhores se combinada com ibuprofeno.

Da população pesquisada, 80% dos que tomaram a combinação de ibuprofeno com cafeína verificaram que as dores melhoraram significativamente em seis horas, comparadas a 67% que tomaram somente ibuprofeno.

Os pacientes que receberam ibuprofeno associado à cafeína tiveram um alívio da dor quase uma hora antes dos pacientes que tomaram apenas ibuprofeno. Esses pacientes pesquisados por Diamond apresentavam dores de cabeça associadas à tensão, conhecidas como cefaléias por tensão, de 3 a 15 vezes por mês.

Feldman (1994), recomenda que pacientes portadores de cefaléia tipo enxaqueca, crônica, pararem de tomar café por um algum tempo, com o objetivo de "limpar o organismo" para, quando estiverem sofrendo uma crise de enxaqueca e não quiserem tomar algum outro tipo de remédio, possam servir-se de duas xícaras de café bem forte para obter alívio.

Melhora da Atenção

Sabe-se, há tempos, que substâncias estimulantes podem melhorar a atenção. Warburton (1995) pesquisou o efeito de alguns estimulantes, entre eles a cafeína, sobre os níveis de atenção, com resultados bastante positivos.

Em pacientes portadores de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (veja) o uso de estimulantes, notadamente a cafeína, tem desempenhado um efeito próximo de brilhante (Riccio, 2001). Nesse transtorno estaria prejudicada a atenção voluntária (e seletiva) por um excesso de atenção expontânea (aumento da vigilância e prejuízo da tenacidade). A cafeína teria um possível efeito nos mecanismos frontais do controle, isto é, melhorando a atenção focalizada (expontânea) e favorecendo uma maisor seletividade do objeto a dedicar atenção (Ruijter, 2000).

Alguns trabalhos estudaram os efeitos da cafeína na melhora da atenção para dirigir veículos em pessoas que haviam ingerido álcool. Os resultados, embora apontem alguma melhora da atenção, não diminuem satisfatoriamente os efeitos danosos do álcool em relação aos reflexos (Liguori, 2001).

A área cerebral envolvida com atenção e alerta é o tálamo. Experiências com Ressonância Magnética Funcional mostram alterações na função do tálamo depois do estímulo que solicita atenção e alerta seletivo (atenção voluntária). Também se percebem alterações na função dessa área do cérebro depois da administração de cafeína (Portas, 1998).

Um dos trabalhos expressivos sobre a relação da cafeína com a atenção é o de Bernstein e colaboradores (1998). Nesse estudo, os autores avaliam a qualidade do rendimento escolar em crianças escolares após uma dieta livre de cafeína, em comparação com o rendimento antes da retirada.

Houve uma deterioração significativa no tempo de resposta de um teste contínuo de desempenho e atenção com a retirada da cafeína. Essa deterioração no tempo de resposta parece ter persistido por 1 semana. A conclusão de Bernstein foi de que, 24 horas depois das crianças interromperem o uso da cafeína, houve uma importante diminuição no desempenho e no tempo de reação de uma tarefa que requer a atenção expontânea.

Para a desatyenção típica do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade o metilfenidato (Ritalina) tem sido bastante eficaz. Como opção ao metilfenidato são usados também os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, por exemplo). A ação da cafeína para tratamento desse transtorno, não tem merecido crédito atualmente mas, a despeito da literatura, na prática clínica se observa um efeito muitíssimo gratificante que algumas crianças.

Apnéia do Recém Nascido

A apnéia é o distúrbio respiratório mais freqüente no período neonatal. Define-se Apnéia como a parada de respiração com duração superior a 5 segundos. A apnéia será patológica se for seguida de diminuição dos batimentos cardíacos (bradicardia) e palidez da pele (cianose).

Na maioria das vezes, a apnéia é uma ocorrência isolada, mas que pode colocar o recém-nascido em risco de vida, quando não é prontamente reconhecida e adequadamente tratada. Freqüentemente a Apnéia Neonatal ocorre em crianças com baixo peso (inferior a 2.500g) e prematuros mas, excepcionalmente, a apnéia grave também pode ocorrer no recém-nascido de tempo normal e com peso normal (Andrade e cols, 2001).

Embora o tratamento oficialmente reconhecido da Apnéia Neonatal seja com Teofilina, em alguns centros do mundo a cafeína tem sido a droga de escolha (Henderson-Smart, 2000). A cafeína tem como vantagens, sobre a teofilina, uma meia vida maior, podendo ser administrada a cada 24h e com menos efeitos colaterais. No Brasil existe a solução ou pó de cafeína para uso via oral. Alguns autores recomendam a administração de cafeína naqueles recém-nascidos que, mesmo em uso de teofilina, ainda estão apresentando apnéias.

Rendimento Físico

O Comitê Olímpico Internacional (COI) proíbe altas doses de cafeína no organismo. Atletas olímpicos com mais de 12mg de cafeína por mililitro de urina podem ser desqualificados da competição. Isto equivaleria a 4 canecas de 280ml de café fraco; 16 refrigerantes a base de colas; 25 antigripais, etc, de qualquer forma, esses padrões correspondem a altíssimas doses (FitFazio, 2000).

Corredores que tiveram a cafeína equivalente a 2 xícaras de café (330 mg cafeína) uma hora antes do exercício, correram 15 minutos mais do que quando eles se exercitavam sem a cafeína.

O efeito da cafeína na performance dos exercícios deve-se, provavelmente, à diferença na percepção do cansaço, ou seja, ela teria um papel ergogênico no desempenho do exercício alterando a percepção neural do esforço e da disponibilidade física (Costill, 1978, Cole, 1996).

Outro estudo em ciclistas que usaram 2,5 gramas de cafeína por quilo de peso corporal, mostrou que eles se exercitaram 29% a mais que o grupo controle sem cafeína (Trice, 1995).

Pesquisas não mostram, entretanto, qualquer efeito da cafeína sobre a força muscular máxima ou sobre as contrações musculares voluntárias. Seu efeito, entretanto, estaria na capacidade de retardar a fadiga, possivelmente devido à sua influência sobre a sensibilidade das miofibrilas ao íon cálcio (FitFazio, 2000).

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Fonte: www.psiqweb.med.br

Cafeína

A cafeína e o desempenho físico

A cafeína talvez seja o estimulante mais usado no mundo. Ela é encontrada em uma variedade de plantas, em fontes da dieta diária (incluindo café, chá, chocolate, cacau e colas), e em medicamentos não prescritos. A média de consumo de cafeína nos Estados Unidos da América é de aproximadamente 2 xícaras de café por dia (200 mg); 10% da população ingere mais de 1000 mg por dia. A cafeína é uma droga legal, socialmente aceita, e consumida por quase todos os grupos na sociedade.

A cafeína é tida como um suplemento ergogênico nutricional, mas ela não possui nenhum valor nutricional. A cafeína ingerida é rapidamente absorvida pelo estômago e atinge seu ponto máximo no sangue entre 1 e 2 horas. A cafeína tem o potencial de afetar todos os sistemas do corpo, já que é absorvida pela maioria dos tecidos. A cafeína remanescente é decomposta no fígado e os subprodutos são eliminados pela urina.

Cafeína

A cafeína e o desempenho na prática de exercícios de endurance

Estudos laboratoriais dos anos 70 sugeriam que a cafeína melhorava o desempenho na prática de exercícios de endurance, pois aumentava a liberação de adrenalina no sangue, estimulando assim, a liberação de ácidos graxos pelos tecidos de gordura e/ou pelos músculos esqueléticos. Os músculos exercitados utilizam essa gordura previamente na atividade física, reduzindo a necessidade de usar o carboidrato (glicogênio) do músculo. A "escassez" do glicogênio muscular acarreta uma fatiga atrasada.

Em 1980, muitos estudos apontaram que a cafeína não altera o metabolismo, e implicava que isso não tinha efeito ergogênico, sem necessariamente medir o desempenho. Alguns relatos de fato examinaram a cafeína e a performance durante exercícios de endurance, e, no geral, não encontraram efeito ergogênico. No fim da década de 80, especulou-se que a cafeína não altera o metabolismo durante a prática de exercícios de endurance e pode não ser ergogênica.

Pesquisas recentes relataram que a ingestão de 3 a 9 miligramas de cafeína por quilo, uma hora antes de se exercitar aumentou a performance de corrida e ciclismo de endurance em laboratório. Para exemplificar, 3 mg por quilo equivale a aproximadamente uma caneca ou dois copos de tamanho regular de café coado; e 9 mg/kg = aproximadamente 3 canecas de 5-6 xícaras de café de tamanho regular. Esses estudos avaliaram atletas bem treinados, de elite ou sérios, e recreacionais. Estudos com indivíduos não treinados não puderam ser desempenhados devido à incapacidade deles de confiadamente exercitarem-se até a exaustão.

O mecanismo usado para explicar essa melhoria de endurance ainda não está claro.O glicogênio do músculo é espalhado durante exercícios submáximos seguidos por ingestão de cafeína (5-9 mg/kg). É desconhecido se o glicogênio espalhado ocorre como um resultado da capacidade da cafeína de aumentar a gordura disponível para o uso do músculo esquelético.

Além do mais, não há evidências de um apoio de um componente metabólico por estender o desempenho a uma baixa dose de cafeína (3mg/kg). Portanto, parece que as alterações no metabolismo do músculo não podem explicar completamente o efeito ergogênico da cafeína durante exercícios de endurance.

A cafeína e a performance dos exercícios de curta duração

As pesquisas sugerem que a ingestão de cafeína melhora o desempenho durante um exercício de curta duração que dure aproximadamente 5 minutos em 90-100 por cento de oxigênio máximo de percepção no laboratório. Essa intensidade do exercício exige o máximo de provisão de energia de fontes aeróbicas (com oxigênio) e anaeróbicas (sem oxigênio). É desconhecido se essa descoberta é aplicada a situações de corrida.

As causas da melhoria de desempenho pode ser um efeito positivo direto da cafeína no músculo, provisão de energia anaeróbica e contração ou um componente do sistema nervoso central relacionado à sensação de esforço. A ingestão de cafeína não parece melhorar o desempenho em corridas, mas um laboratório extra e bem controlado é necessário para confirmar essa conclusão.

A corrida é definida como um exercício que pode ser mantido de alguns segundos iniciais até 90 segundos, em que a maioria da energia exigida é derivada de um metabolismo anaeróbico.

Dosagem de Cafeína

A cafeína é uma "substância controlada ou restrita', como definida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Os atletas são permitidos até 12 ug de cafeína por mililitro de urina antes de ser considerada ilegal.

O limite aceito nos esportes sancionados pelo National Collegiate Athletic Association (NCAA) nos Estados Unidos é de 15 ug/ml de urina. Esse alto limite na urina permite que os atletas consumam quantidades normais de cafeína antes da competição. Uma grande quantidade de cafeína pode ser ingerida antes de se alcançar o limite "ilegal'.

Por exemplo, se uma pessoa de 70 quilos beber rapidamente cerca de 3 a 4 canecas ou de 5 a 6 xícaras de tamanho regular de café filtrado (~9 mg/kg bw) uma hora antes do exercício, exercitado durante uma ou uma hora e meia, e somente depois de dar uma amostra do nível de cafeína na urina, alcançaria o limite (12 ug/ml). A probabilidade de se alcançar o limite através da ingestão normal de cafeína é baixa, com exceção de volumes menores de café com altas doses concentradas de cafeína.

Portanto, um nível ilegal de cafeína na urina talvez seja resultado de que o atleta tenha recorrido a comprimidos ou supositórios de cafeína em uma tentativa de melhorar o desempenho.

A dose adequada para potencializar a chance de que o desempenho do exercício aumente é de aproximadamente 3-6 mg /kg, onde efeitos colaterais são minimizados e os níveis de urina são legais.

Os efeitos da ingestão de cafeína incluem ansiedade, nervosismo, dificuldade de concentração, mal-estar gastrintestinal, insônia, irritabilidade, e , com altas doses, o risco de arritmias cardíacas e leves alucinações.

Enquanto os efeitos colaterais associados com doses de até 9mg /kg não parecem ser perigosos, eles podem ser desconcertantes se presentes anteriormente em uma competição, e podem prejudicar a performance. A ingestão de doses maiores de cafeína (10-15 mg/kg) não é recomendada já que os efeitos colaterais são ainda piores.

Deve-se também ser notado que a maioria dos estudos usaram cafeína pura, em vez de alguma bebida ou comida cafeinada. Portanto, não é certo que consumir a "dose equivalente de cafeína" como café, por exemplo, terá o mesmo resultado.

Efeitos Diuréticos da Cafeína. Café e /ou cafeína são freqüentemente tidos como diuréticos, sugerindo que a ingestão de grandes quantidades pudesse levar à uma condição pobre de hidratação antes e durante o exercício. No entanto, a literatura disponível não suporta efeitos diuréticos imediatos como a temperatura central do corpo, perda de suor, volume do plasma e o volume da urina não sofreram mudanças durante os exercícios seguidos de ingestão de cafeína.

Considerações Éticas

É fácil para atletas que praticam exercícios de endurance melhorar sua performance "legalmente" com a cafeína, já que efeitos ergogênicos têm sido relatados com a quantia de 3mg /kg. Até mesmo a ingestão de uma dose moderada de cafeína (5-6 mg/kg) é permitida. Sugeriu-se que a cafeína deveria ser banida antes de competições de endurance, exigindo que o atleta se abstivesse da cafeína aproximadamente 48-72 horas antes da competição.

Essa limitação asseguraria que nenhum atleta tivesse vantagem no dia da competição, mas a cafeína durante os treinos não seria proibida. No entanto, mesmo se a cafeína fosse banida no futuro, que prática os atletas deveriam seguir no presente? Para os atletas de elite é atualmente aceitável e razoável ter sua dieta normal de café.

No entanto, se eles tomarem deliberadamente a cafeína pura para obter vantagens na competição, está claramente provada a falta de ética e isso é considerado doping. Um assunto igualmente importante é o uso da cafeína pelos adolescentes ou adultos.

A expansão do uso cafeína foi demonstrada em uma pesquisa recente pelo Canadian Centre for Drug Free Sport (Centro Canadense por Esportes Livres de Drogas). A pesquisa constatou que 27% dos jovens canadenses (entre 11-18 anos), já usara alguma substância contendo cafeína nos anos anteriores com o único objetivo de aumentar o desempenho atlético.

A cafeína atua como uma droga de "escape" para os jovens que usam substâncias perigosas? Para a média, o adolescente ativo ou adulto que está exercendo com o objetivo de divertimento e melhoria de performance, usar a cafeína destrói esse propósito. O treinamento e hábitos nutricionais adequados estão com alcance mais sensíveis e produtivos.

Sumário

A ingestão de cafeína (3-9 mg/kg) antes de uma atividade física aumenta o desempenho durante exercícios de endurance prolongados e exercícios de pouca intensidade que dura aproximadamente cinco minutos no laboratório.

Esses resultados são geralmente relatados em uma elite bem treinada ou atletas recreacionais, mas estudos mais específicos são necessários para testar a potência ergogênica da cafeína no mundo dos atletas.

A cafeína não parece aumentar o desempenho durante uma corrida que dure menos de 90 segundos, embora pesquisas nessa área estejam faltando. O mecanismo para um endurance melhorado ainda não foi claramente estabelecido.

A escassez de glicogênio do músculo ocorre logo no início da prática do exercício de endurance seguida pela ingestão de cafeína, mas ainda não está claro se isso é devido a mobilização e ao uso da gordura aumentada pelo músculo. O efeito positivo da cafeína durante exercícios que durem aproximadamente 5 minutos não está relacionado à falta de glicogênio muscular.

Os efeitos ergogênicos da cafeína estão presentes com níveis de cafeína na urina que estão bem abaixo do limite IOC permitido (12 ug / ml). Isso levanta questões éticas a respeito do uso de cafeína pelos atletas. A prática deveria ser perdoada, já que é legal, ou deveria ser desencorajada, já que promove uma mentalidade "doping" e pode levar a abusos mais sérios?

Uma solução deveria ser adicionar a cafeína à lista de substâncias banidas, portanto, é preciso que os atletas se abstenham da cafeína 48-72 horas antes da competição e desencorajar seu uso como um agente de doping para aumentar o desempenho na média da população.

Fonte: www.cdof.com.br

Cafeína

CAFÉ E COMPOSIÇÃO QUÍMICA

O café não é só cafeína

A maioria das pessoas que toma café diariamente ignora quais são as substâncias que estão presentes no café e pensa que o café contém apenas ou principalmente cafeína. Grande engano. O café possui apenas 1 a 2,5 % de cafeína e diversas outras substâncias em maior quantidade.

E estas outras substâncias podem até ser mais importantes do que a cafeína para o organismo humano.

O grão de café (café verde) possui além de uma grande variedade de minerais como potássio (K), magnésio (Mg), cálcio (Ca), sódio (Na), ferro (Fe), manganês (Mn), rubídio (Rb), zinco (Zn), Cobre (Cu), estrôncio (Sr), cromo (Cr), vanádio (V), bário (Ba), níquel (Ni), cobalto (Co), chumbo (Pb), molibdênio (Mo), titânio (Ti) e cádmio (Cd); aminoácidos como alanina, arginina, asparagina, cisteína, ácido glutâmico, glicina, histidina, isoleucina, lisina,metionina, fenilalanina, prolina, serina, treonina, tirosina, valina; lipídeos como triglicerídeos e ácidos graxos livres , açúcares como sucrose, glicose, frutose, arabinose, galactose, maltose e polissacarídeos.

Cafeína

Adicionalmente o café também possui uma vitamina do complexo B, a niacina (vitamina B3 , PP ou "Pelagra Preventing" do inglês) e, em maior quantidade que todos os demais componentes, os ácidos clorogênicos, na proporção de 7 a 10 %, isto é, 3 a 5 vezes mais que a cafeína.

Mas apenas a cafeína é termo-estável, isto é, não é destruída com a torrefação excessiva. As demais substâncias, como aminoácidos, açúcares, lipídeos, niacina e os ácidos clorogênicos, são preservadas, formadas ou mesmo destruídas durante o processo de torra.

A cafeína atua antagonizando os efeitos da adenosina, uma substância química do cérebro (neurotransmissor) que causa o sono e da microcirculação, onde melhora o fluxo sangüíneo.

Os ácidos clorogênicos (7 -10 %) são polifenóis com ação antioxidante que no processo de torra forma quinídeos, os quais possuem um potente efeito antagonista opióide. Isto é bloqueiam no sistema límbico o desejo excessivo de auto-gratificação que leva o indivíduo insatisfeito a se deprimir e a consumir drogas como nicotina, álcool e mesmo as ilegais.

Adicionalmente o quinídeos inibem a recaptação da adenosina (a qual atua por mais tempo), agindo assim de forma protetora contra os efeitos da cafeína nas células nervosas e melhorando a microcirculação. Por isto o consumo regular de uma planta como o café, na dose de 4 xícaras diárias, pode ajudar a prevenir a depressão e suas conseqüências, como o consumo de drogas, conforme dados de diversos estudos científicos modernos no Brasil e no exterior.

Estes resultados inéditos caracterizam porque a humanidade escolheu esta planta como bebida matinal para consumo logo ao acordar e para se manter desperta, ativa e de bom humor durante o dia: a cafeína estimula a vigília, a atenção, a concentração e a capacidade intelectual e os ácidos clorogênicos modulam o estado de humor, impedindo a depressão que leva ao consumo de drogas legais, como o álcool ou ilegais, como cocaína, maconha e outras.

Por isto o consumo diário de café com ou sem leite em doses moderadas de até quatro xícaras diárias é recomendado para jovens e adultos de todo o mundo.

A bebida, uma solução aquosa, não contém gorduras e proteínas, sendo destituída de valor calórico (ver Quadros 1, 2 e 3).

Quadro 1 - Composição Química do Café Verde

Componente
% em base seca
Café Arábica
Café Robusta
Cafeína
1,2
2,2
Trigonelina
1,0
0,7
Cinzas (41%=K)
4,2
4,4
Ácidos:    
Ácido clorogênico total
6,5
10,0
Alifáticos
1,0
1,0
Quínico
0,4
0,4
Açucares:
Sacarose
8,0
4,0
Redutores
0,1
0,4
Polissacarídeos
44,0
48,0
Lignina
3,0
3,0
Pectina
2,0
2,0
Proteína
11,0
11,0
Aminoácidos livres
0,5
0,8
Lipídeos
16,0
10,0

Fonte: Encyclopedia of Food Science, Technology and Nutrition - Academic Press, 1993

 

Quadro 2 - Substâncias Presentes no Grão de Café (conforme torra) e na Bebida

Substância
Presente no grão na seguinte condição
Presente na Bebida
Cafeína (1 a 25%)
termo-estável
x
Niacina (0,5%)
depende da torra ideal
x
Ácidos Clorogênicos (7 a 10%)
torra ideal
x
Aminoácidos
torra ideal
x
Sais Minerais
torra ideal
Açúcares
torra ideal
Lipídeos
torra ideal
Diversos (pigmentos, cinzas, etc...)
depende da torra
x

Quadro 3 - Café é Rico em Minerais

Teor Mineral por litro

Composto
Café
Água Mineral
Gatorade(*)
K
100-500 mg
1,50 mg
120 mg
Ca
100-300 mg
60 mg
0 mg
Mg
120-2500 mg
13 mg
0 mg
Na
20 a 70 mg
1 mg
450 mg
Cl
0,01 mg
0,01 mg
420 mg
Fe
2 a 5 mg
0 mg
0 mg
Zn
5 a 30 mg
0 mg
0 mg
Sr
5 a 20 mg
0 mg
0 mg
Outros
1 a 2mg
Traços
H 60g/240 Kcal

(*) Bebidas isotônicas são quase iguais a solução caseira de Reidratação Oral (SRO), obtida com uma pitada de açúcar e outra de sal em um copo de água, acrescida de potássio.

Darcy Roberto Lima

REFERÊNCIAS

1 - Trugo, L.: High Performance Liquid Chromatography in coffee analysis. Ph.D. Thesis, University of Reading, England, 1984.
2 - Trugo, L. Coffee . Em : Caballero, B., Trugo, L. Finglas, P. (Editores): Encyclopedia of Food Sciences and Nutrition (10 volumes), Academic Press, England, 2003, 2nd ed.
3 - Lima, D.R. (Editor): Café e Saúde: Manual de Farmacologia Clinica, Terapeutica e Toxicologia, Medsi Editora (3 volumes), RJ, 2003, págs 141-149.
4 - Lima, D.R.: Isotônicos, Água Mineral e Café Mineral. Jornal da Abic , VIII, 96, 26, 2000.

Fonte: www.abic.com.br

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