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Cajá

Cajazeira

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Cajá

A cajazeira (Spondias luta L.), planta da família das Anacardiáceas originária da América Tropical, encontra-se amplamente disseminada em quase todos os quadrantes do Brasil.

Na Amazônia, é vulgarmente conhecida por Taperebá, em São Paulo, Minas Gerais, por cajazeira miúda e cajá pequeno, nos Estados do Sul, por cajazeira ou cajá mirim e na maioria dos Estados do Nordeste, onde ocorre espontaneamente em condições silvestre competindo com outras espécies vegetais, ou em quintais, sítios e, até mesmo, na proteção e sombreamento do cacaueiro, é simplesmente conhecido por cajá.

Árvore portadora de caule ereto, com até 25 m de altura, portadora de ramos esparsos e extensos; sementes de formato claviforme ou remiforme, com números de lóculos e de embriões variáveis; flores hermafroditas, dispostas em panículas terminais; fruto do tipo drupa, de coloração amarelo-laranja, cilindriforme, polpa ácida, aromática, saborosa, comestível e saudável, com excelente aceitação de mercado.

O processo de exploração dessa frutífera ainda é feita de modo extrativista.

Condições Edafoclimáticas

Na Paraíba, essa frutífera ocorre com maior freqüência na Messoregião Mata Paraibana e nas microrregiões do Brejo e de Itabaiana. Na Mata Paraibana, os solos são predominantemente Podzólico Vermelho Amarelo com fragipan e Podzólico Vermelho-Amarelo Latossólico, textura média.

Nas microrregiões do Brejo e de Itabaiana, os solos são Podzólicos Vermelho Equivalente Eutrófico com horizonte A, textura proeminente argilosa, apresentando condições fisico-químicas melhores que os da Mata Paraibana.

O clima é caracterizando por apresentar temperatura média anual variando entre 25 e 28 C, umidade relativa do ar oscilando de 60 a 80% e precipitação pluvial entre 700 e 1.600 mm, distribuída com certa regularidade nos meses de abril e agosto.

Propagação

A propagação da cajazeira pode ser feita pelo processo sexuado, através da semente ou pelo processo assexuado mediante o uso de parte do vegetal.

Semente é o método usado na propagação da cajazeira pelo fato da germinação ocorrer de maneira muito desuniforme, em decorrência da manifestação da sua dormência. Por outro lado, a planta resultante de semente (pé franco) demanda maior tempo para iniciar a frutificação.

Estaquia é o método mais comum para a propagação vegetativa da cajazeira, usando-se a parte lenhosa de ramos de plantas adultas, com mais de um ano de idade, diâmetro igual ou superior a 3 cm e comprimento igual ou superior a 60 cm. Após coleta, as estacas devem ser colocadas em local de boa aeração e sombreamento, mantendo-se o chão úmido até que ocorra a formação do calo, para que sejam submetidas ao plantio no local definitivo.

A coleta de estaca deve ser feita no período compreendido entre os meses de agosto a outubro, oportunidade em que as plantas acham-se destituídas de folhas, conseqüentemente, com maior acúmulo de reserva, por se tratar do momento em que a planta se prepara para a rebrotagem e a conseqüente frutificação.

As estacas destinadas ao plantio deverão ser tratadas com fungicidas para evitar a ocorrência de fungos ou de outro tipo de patógeno que possa vir a comprometer o desenvolvimento vegetativo ou, até mesmo, a morte da estaca.

Enxertia é outra técnica adotada na propagação vegetativa, através de borbulhia, garfagem e encostia. No caso da cajazeira, tem-se desenvolvido testes preliminares tentando identificar qual o tipo mais apropriado à propagação. Todavia, o baixo percentual de germinação de sementes destinadas à formação do porta enxerto tem limitado esse tipo de avaliação embora se verifique uma tendência de que borbulhia por janela ou placa assegure maior índice de pegamento e brotação do enxerto, usando-se a própria cajazeira com porta-enxerto.

Tanto no caso da multiplicação por estaquia quanto por enxertia, tem-se a vantagem de reduzir o período inicial de frutificação pelo fato de estar utilizando estacas ou gemas de plantas adultas em plena frutificação, além de assegurar às novas plantas a transferência de todas as características da planta-mãe. Outro aspecto importante reside no fato das plantas provenientes de processos vegetativos tenderem a apresentar menor porte durante uma boa parte da vida útil, notadamente, naquelas provenientes de enxertia.

Instalação do Pomar

O preparo do solo destinado ao cultivo da cajazeira depende do tipo de vegetação existente na área. Para aquelas cobertas por mata, capoeira grossa e rala, essa prática consiste no desmatamento, destoca, encoivaramento e queima dos restos vegetais, enquanto para aquelas em pousio, restringe-se a um roço. Posteriormente, realizar aração e gradagem.

Os conetivos do solo (calcário) devem ser aplicados 60 dias antes do plantio. O plantio devem ser realizado no início da estação chuvosa.

Para cultivos sistematizados mediante o uso de estacas ou de mudas enxertadas, sugere-se espaçamento de 8 m x 8 m (156 plantas/ha) ou de 8 m x 6 m (208 plantas /ha). Para terrenos de topografia plana ou ligeiramente ondulada, recomenda-se o plantio em cova. Entretanto, para áreas mais declivosas, deve-se fazer o plantio em curva de nível, usando-se banquetas individuais ou em faixas para reduzir o efeito da erosão. As covas devem ter dimensões de 40 cm x 40 cm x 40 cm, abertas através de enxadas ou implemento agrícola similar.

A adubação mineral para a condução deve ser realizada em condições favoráveis de umidade no solo. Sugestões são indicadas a seguir (g/planta):

Aplicar 20 litros de estercos de curral na área correspondente a projeção da copa, juntamente com 560 g/planta de superfosfato triplo, no plantio; repetir a aplicação de esterco anualmente.

As adubações nitrogenadas e potássica recomendadas para o 1º ano (140 g de sulfato de amônio e 90 g de cloreto de potássio)/planta, devem ser divididas em três parcelas iguais, a primeira realizada após 30 dias do plantio, oportunidade em que o sistema radicular já oferece condições de absorver os nutrientes; as demais aos 90 e 150 dias.

As adubações anuais de nitrogênio e potássio recomendadas a partir do 2º ano devem ser divididas em três parcelas iguais e distribuídas no decorrer do período chuvoso.

A adubação anual de fósforo recomendada deve ser distribuída totalmente com a primeira parcela de nitrogênio e potássio.

As adubações anuais devem ser realizadas em faixa circular, na projeção da copa, tendo o cuidado de incorporar levemente os fertilizantes ao solo.

Manejo e Tratos Culturais

Poda de formação

A eliminação do broto apical quando a planta atinge 60 cm de altura proporciona uma distribuição mais ordenada dos ramos, dotando a copa de melhor arquitetura.

A partir da eliminação da gema apical, surgirão os ramos primários responsáveis pela formação da copa. Como os ramos são bastante extensos, torna-se necessário o controle do desenvolvimento vegetativo à medida que alcançarem 1,00 m. Essa prática deve ser adotada durante os dois primeiros anos de implantação da cultura, para propiciar condições adequadas de cultivo facilitando as práticas relacionadas ao controle de pragas e à colheita.

Poda de limpeza

Deve ser realizada logo após a colheita, visando eliminar os ramos secos, mal formados, rasteiros, atacados por pragas, bem como, aqueles que estejam comprometendo a arquitetura da planta ou dificultando o manejo da cultura.

É importante que o porte da planta não exceda 4,00 m devendo-se manter o controle efetivo na condução da copa, com o propósito de torná-la facilmente manejável.

Como o ciclo reprodutivo da cajazeira só ocorre a partir do terceiro ano, nos primeiros, pode-se cultivá-la em consorciação, com culturas temporárias, como: feijão vigna, amendoim, mandioca, milho e curcubitáceas, mantendo-se uma distância mínima de 1,50 m entre a planta do cajá e a cultura suplementar.

Realizar capina manual e mecanizada ou coroamento à medida que for verificada a ocorrência de plantas daninhas.

A cajazeira pode ser infestada por pragas durante as diferentes fases de crescimento e desenvolvimento. Na fase juvenil da planta é muito freqüente a presença de pulgão e de percevejos classificados como sugadores que se alimentam, preferencialmente, da seiva elaborada contida nos brotos terminais. Durante a fase de frutificação é comum a presença de inseto picador sugador, na sua maioria coleóptero que ataca o fruto provocando deformações que o descaracteriza para fins de comercialização.

Floração e Frutificação

Como a cajazeira é uma planta que sempre ocorreu de forma natural, concorrendo com a vegetação nativa, a sua exploração tem sido feita, ao longo do tempo, com base no extrativismo.

Plantas resultantes do processo de propagação por enxertia, normalmente, florescem a partir do segundo ano do plantio dependendo evidentemente do favorecimento das condições climáticas. A floração inicia-se em outubro podendo prolonga-se até novembro ou dezembro, oportunidade em que a planta, caducifólia, após o período de repouso, reinicia a brotação e a recomposição da folhagem.

A inflorescência do tipo panícula, origina-se da diferenciação da gema apical, cujas flores hermafroditas fecundam-se num intervalo de 32 a 35 dias após a diferenciação do primórdio do botão floral.

O fruto tipo drupa, possui formato cilindriforme, peso variável entre 10 e 25 g e coloração amarelo-laranja na maturação. O período compreendido entre a diferenciação e a maturação do fruto situa-se em torno de 120 dias. Para as plantas que florescem em outubro, a colheita ocorre no final de fevereiro, enquanto as que florescem em dezembro, a colheita ocorre entre abril e maio.

Produção, Colheita e Armazenamento

Plantas resultantes do processo de propagação por estaquia, geralmente, manifestam a aptidão produtiva no segundo ano pós-plantio.

Nessa idade, a copa ainda encontra-se em fase de formação, com pequena área foliar e poucos ramos, justificando, por conseguinte, o baixo rendimento por planta. Todavia, dependendo do manejo, a planta pode atingir o estágio adulto no quarto ano, oportunidade em que a produtividade pode atingir 50 kg/planta (5 t/ha) para plantio em espaçamento de 10 m x 10 m.

O atingimento do estádio adulto não significa que a planta tenha estabilizado a produção,todavia, é um indicativo seguro de que, a partir desse momento, a cultura alcance a sua viabilidade econômica. Como é comum a toda frutífera perene, espera-se que a estabilização da produção da cajazeira ocorra no oitavo ano, com rendimento médio de 100 kg/planta (10 t/ha), para plantio em que seja adotado espaçamento de 10 m x 10 m.

A colheita, ainda, vem sendo realizada através da coleta manual dos frutos caídos ao chão, pela abscisão natural. Esse método não é recomendado porque o fruto resultante dessa operação deixa muito a desejar, devido às transformações ou modificações ocorridas nas suas qualidades organolépticas causadas pelo impacto da queda.

A obtenção de frutos de qualidade desejável pressupõe a adoção de técnica que permita a coleta do fruto ainda na planta, quando apresentar coloração amarela- alaranjada.

Após a colheita, os frutos destinados à comercialização sob a forma " in natura" são acondicionados em balaio, caixas de madeira ou de plástico forradas, internamente, com jornal ou palha de bananeira, e mantidos sob condições naturais de umidade e temperatura, por período de um dia. Entretanto, quando se destinam ao armazenamento em câmara frigorífica, os frutos devem ser submetidos ao processamento para transformação da polpa em pasta a ser estocada por período variável, dependendo da demanda do produto.

A polpa do fruto da cajazeira é constituinte que assume posição de destaque no tocante ao aspecto comercial, em função do aroma, sabor e palatabilidade que oferece ao ser degustado nas mais variadas formas. Frutos comercializados em feiras livres ou destinados ao abastecimento da indústria processadora apresentam rendimento médio de polpa em torno de 45-50%, geralmente, com algumas restrições no tocante à qualidade, em virtude da desuniformidade de maturação existente entre frutos.

Avaliações feitas com frutos provenientes de plantas de cajazeira existentes em quatro municípios paraibanos revelaram que o maior rendimento em polpa (57,51%) foi obtido naqueles oriundos de Areia-PB. Por outro lado, verifica-se que os frutos procedentes de Cruz do Espírito Santo-PB, apresentaram o menor rendimento deste componente (48,30%). Em média os rendimentos de polpa, casca e sementes foram 51,63%, 16,70% e 31,67%, respectivamente.

Nas regiões produtoras do Nordeste, a comercialização do cajá se realiza de duas maneiras: aquela em que o fruto é comercializado na forma in natura, em feiras livres ou supermercados, por período nunca superior a 48 horas após colheita.

A outra, consiste na comercialização da polpa frigorificada sob a forma de pasta, em embalagens que variam entre 100 e 1000 g. Em virtude da produção ainda ser insignificante em relação à demanda, geralmente, não há excedente para atender o mercado externo que demonstra interesse na aquisição do produto.

Essa perspectiva é promissora à expansão do cultivo do cajá, em escala comercial, desde que, a exploração seja feita mediante o uso de material propagativo detentor de elevado potencial produtivo e de características qualitativas desejáveis.

João Bosco
Kenard Tôrres Soares
Severino Pessoa de Aguiar Filho
Roberto Vieira Barros

Fonte: www.emepa.org.br

Cajá

Nome Popular: cajá, taperebá, cajá-mirim.
Nome Científico: Spondias mombin L.
Família Botânica: Anacardiaceae
Origem: África.
Frutificação: durante o ano todo.

Cajá

Características Gerais

Árvore maravilhosa, que ultrapassa os 20 metros de altura, com folhas de até 30 centímetros de comprimento. Suas flores são esbranquiçadas, ocorrendo normalmente à autopolinização.

O fruto alcança até 6 centímetros de comprimento, casca fina e lisa, amarela quando madura. A polpa é mole e com sabor agridoce, pode ser utilizada como doces, sorvetes, em reflorestamentos, entre outros.

Observe pela foto, a beleza da planta, que pode e deve ser utilizada em programas de reflorestamento e Paisagismo.

A planta da foto tem 20 anos, na coleção da FCAV/UNESP.

O cultivo é feito em todo o Brasil em pequenas áreas, desde os tempos coloniais.

Essa espécie encontra-se dispersa nas regiões tropicais da América, África e Ásia, sendo no Brasil encontrada principalmente nas regiões Norte e Nordeste (Sacramento &Souza, 2000).

Fruto, assim como a ceriguela, pertencente à família Anacardiaceae, o cajá é também chamado cajá-mirim ou taperebá no Brasil; prunier mombin na Guiana Francesa; ciruela de monte e jocote na Guatemala; ciruela amarilla no México e Equador; jobo na América Central; hogplum ou yellow mombin na América do Norte.

Uma grande inconveniente dessa espécie é a altura da planta, que pode atingir 30 m. Os frutos possuem uma coloração amarelo-brilhante, contendo uma pequena camada polpa ao redor de caroço volumoso.

Os frutos da cajazeira possuem excelente sabor e aroma, além de rendimentos acima de 60% em polpa, e por isso são amplamente utilizados na confecção de suco, néctares, sorvetes, geléias, vinhos, licores.

Devido a sua acidez, normalmente, não é consumido ao natural. Na região Sul da Bahia, a polpa de cajá é a que possui maior demanda entre as polpas de frutas comercializadas, entretanto, a sua industrialização é totalmente dependentes das variações das safras, considerando a forma de exploração extrativa da cajazeira e a grande perda de frutos devido a problemas de colheita e de transporte.

Desse modo, apesar da polpa do cajá despertar interesse em outras regiões do país, a atual produção industrializada não é suficiente para atender nem o mercado consumidor do Norte e Nordeste.

Na medicina popular e industria farmacêutica é crescente a utilização da cajazeira. Pio Corrêa (1926) relata que a casca da cajazeira é aromática, adstringente e emética, constituindo um bom vomitório nos casos de febres biliosas e palustres, gozando da reputação de antidiarréica, antidesintérica, antiblenorrágica e anti-hemorroidária, sendo esta última propriedade também atribuída à raiz. As folhas são alimentos prediletos do bicho da seda e utilizadas interna e externamente, conforme os casos; são também úteis contra febres biliosas, constipações do ventre, dores do estomago, complicações consecutivas ao parto e certas e certas enfermidades dos olhos e da laringe, posto que para estas ultimas seja mais recomendável o decocto das flores.

Nos últimos anos, descobriu-se que o extrato das folhas e dos ramos da cajazeira continham taninos elágicos com propriedades medicinais para o controle de bactérias gram negativas e positivas (Ajao et al., 1984). A cajazeira é utilizada também para extração de madeira, a qual é amarelada, quase branca, mole, leve, de qualidade inferior, sendo muito susceptível ao ataque de insetos e por isso é muito usada para caixões e, mais raramente, para construções internas (Hueck, 1972).

Atualmente, a polpa congelada de cajá é uma das mais apreciadas em nível nacional, e a demanda a cada dia aumente apesar da inexistência de plantios comerciais.

COLHEITA

A altura das cajazeiras dificulta a colheita dos frutos na planta, desse modo, os cajás maduros desprendem-se da planta e caem. Na queda, muitos frutos danificam-se.

Os frutos danificados perdem líquido e entram em processo de fermentação, além de ficarem expostos ao ataque de patógenos, formigas, insetos e roedores. Desse modo a colheita deve ser feita pelo menos duas vezes ao dia, para preservar a qualidade.

Devido a problemas de colheita, condições de acesso e transporte dos frutos, estima-se que menos de 30% da produção de cajá, na região Sul da Bahia e em outras regiões produtoras, seja aproveitada atualmente para consumo humano.

Fonte: www.paty.posto7.com.br

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