Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Magnoliopdida (Dicotiledonae)
Ordem: Gentianales
Família: Apocynaceae
Nome Científico: Hancornia speciosa
Nomes Populares: Mangaba, mangabeira, mangabiba, mangaíba,
mangaiba-uva, mangabeira-de-minas.
Ocorrência: Cerrado e caatinga, tabuleiros arenosos e chapadas.
Distribuição: Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Distrito Federal,
Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,
Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, São Paulo, Tocantins (Almeida et al., 1998).
A mangabeira é abundante em todos os tabuleiros e nas baixadas
litorâneas da região Nordeste, onde se obtém de forma extrativista
a quase totalidade dos frutos colhidos (www.seagri.ba.gov.br/mangaba).
Acha-se as frutas também nos cerrados do Centro-oeste, no norte de Minas e
em parte da Amazônia.
Floração: de agosto a novembro com pico em outubro.
Frutificação: pode ocorrer em qualquer época do ano mas principalmente de
julho a outubro ou de janeiro a abril (Almeida et al., 1998).
Árvore hermafrodita de porte médio (entre 4 a 7 metros de altura), dotada
de copa arredondada (4 a 6 metros de diâmetro); tronco tortuoso, bastante
ramificado, áspero; ramos lisos, avermelhados; látex branco abundante. Folhas
opostas, lanceoladas, simples, pecioladas, glabras nas duas faces, brilhantes,
coriáceas, de 7 10 cm de comprimento por 3 4 cm de largura,
coloração avermelhada quando novas e ao caírem. Inflorescência com cerca de
1 a 7 flores perfumadas de cor branca. Fruto baga globosa, glabra, com polpa
carnosa e comestível, contendo muitas sementes; pode pesar de 30 a 260 g (Figuras
03 e 04).
Conhecendo o fruto e fazendo dele uso, os indígenas chamavam-no de mangaba
coisa boa de comer. O fruto tem forma de pêra, muito viscoso
quando verde, contém suco leitoso que quase embriaga e pode matar; a polpa
é branca, fibrosa e recobre sementes circulares. Maduro, o fruto tem casca
amarelada com manchas vermelhas, é aromático, delicado, tem ótimo sabor mesmo
sendo ainda um pouco viscoso.
A mangaba só deve ser consumida quando madura pois, antes disso, pode até
mesmo causar problemas de saúde para quem a consumir. Os frutos não devem
ser retirados da árvore, mesmo que, aparentemente estejam maduros. Devemos
aguardar que, após amadurecerem, caiam no chão para que possam ser colhidos.
Para que possamos consumí-los, entretanto, devemos aguardar 24 horas. Nesta
fase, a fruta está amarelada e apresenta manchas vermelhas (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/mangaba).
Atualmente, a sua exploração ainda é feita de modo extrativista devido ao
fato da cultura continuar sendo mantida no seu habitat natural. A planta produz
frutos aromáticos, saborosos e nutritivos, com ampla aceitação de mercado,
tanto para o consumo in natura quanto para a indústria de doce, sorvete, suco,
licor, vinho e vinagre.

Detalhe árvore, ramos e folhas

Ramos e fruto
O potencial para o aproveitamento da mangabeira inteira
é muito bom, apesar de que apenas os frutos apresentam um valor comercial
significativo. Do tronco, podemos extrair o látex, substituto do látex da
seringueira, mas com qualidade um pouco inferior (www.ruralnews.com.br/agricultura/frutas/mangaba).
A madeira é empregada apenas para caixotaria e para lenha e carvão (www.clubedasemente.org.br).
Na medicina popular, o chá da folha é usado para cólica menstrual (Rizzo et
al., 1990 apud Almeida et al., 1998) e o decocto da raiz é usado junto com
o quiabinho (Manihot tripartita) para tratar luxações e hipertensão (Hirschmann
e Arias, 1990 apud Almeida et al., 1998). A árvore é melífera e ornamental.
A mangaba é uma fruta rica em diversos elementos e em sua composição encontramos
as vitaminas A, B1, B2 e C, além de ferro, fósforo, cálcio e proteínas. O
valor energético, em cada 100g de fruta, é de 43 calorias (www.ruralnews.com.br).
No quadro abaixo as propriedades nutritivas da mangaba.
Propriedades Nutritivas por 100 gramas da fruta (polpa):
Vitamina
A |
Vitamina
B1 |
Vitamina
B2 |
Vitamina
C |
Niacina |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
(mg) |
30,00 |
40,00 |
40,00 |
33,00 |
0,50 |
|
|
|
|
|
Glicídios |
Proteínas |
Lipídios |
Cálcio |
Fósforo |
(g) |
(g) |
(g) |
(mg) |
(mg) |
10,50 |
0,70 |
0,30 |
41,00 |
18,00 |
Borges et al., (2000), desenvolveram um estudo de caracterização
dos frutos da mangabeira. Os resultados (Tabela 05) mostraram que os altos
conteúdos de sólidos solúveis totais associados com a alta acidez, além do
sabor exótico, conferem à mangaba um sabor muito apreciado. A quantidade de
açúcar em relação aos sólidos solúveis totais corresponde a, aproximadamente,
77%, e a de açúcares redutores em relação aos totais, 59%. O teor de compostos
fenólicos, em média de 0,31%, é comparável ao encontrado no pedúnculo do cajueiro-anão
precoce, um fruto bastante adstringente, se ingerido in natura.
Uma característica de fundamental importância para o consumo da mangaba é
o elevado teor de ácido ascórbico presente na polpa, que a coloca entre as
frutas consideradas como ricas fontes de vitamina C, mais que os cítricos,
citados como referência com relação a essa vitamina.
Os conteúdos de amido (0,52%) e de pectina total (0,54%) sugerem que o uso
de enzimas pode aumentar o rendimento na extração de suco dessa fruta.
Características* |
Médias |
Peso Total
(g) |
19,82 |
Sementes
(%) |
13,23 |
Casca +
Polpa (%) |
86,54 |
Comprimento
(mm) |
33,37 |
Diâmetro
(mm) |
30,12 |
Sólidos
Solúveis Totais (ºBrix) |
16,72 |
Acidez
Total Titulável (%) |
1,77 |
Sólidos
Solúveis/Acidez |
9,51 |
pH |
3,29 |
Açúcares
Solúveis Totais (%) |
12,98 |
Açúcares
Redutores (%) |
7,72 |
Amido (%) |
0,52 |
Pectina
Total (%) |
0,54 |
Pectina
Solúvel (%) |
0,24 |
Pectina
Fracionada (% - em relação aos SAI) |
A.M.
- 10,35 ï
B.M.- 1,10 ï
Prot. 0,29 |
Pectinametilesterase
(UAE) |
498,39 |
Poligalacturonase
(UAE) |
17,33 |
Vitamina
C Total (mg/100g) |
139,64 |
Fenólicos
Solúveis em Água (%) |
0,29 |
Fenólicos
Solúveis em Metanol (%) |
0,33 |
Fenólicos
Solúveis em Metanol 50% (%) |
0,31 |
* SIA = sólidos insolúveis em álcool; A.M. = alta metoxilação; B.M. = baixametoxilação; Prot.= protopectina; UAE = unidades de atividade enzimática.
A mangabeira é uma das mais importantes produtoras de matéria-prima para a agroindústria de sucos e sorvetes do Nordeste e Centro Oeste.
Hoje, o volume de frutas que chega no mercado é menor que a procura.
Nas regiões de maior ocorrência, muitas pessoas ganham o sustento informalmente
com a coleta das mangabas e venda no mercado.
Atualmente, já ocorre a comercialização, em supermercados, de mangaba em bandejas
de isopor revestidas com filme de PVC com capacidade para 500 g (Lederman
et al., 2000 apud Borges et al., 2000).
Alguns cultivos comerciais estão começando a se estabelecer, mas as poucas
informações sobre técnicas de cultivo ainda limitam a expansão dos pomares
comerciais.
A mangabeira é uma planta de clima tropical, vegeta bem em áreas com temperatura
média anual em torno de 25ºC e chuvas entre 750 mm a 1500 mm anuais bem distribuídas.
A planta tolera períodos secos e se desenvolve melhor em períodos quentes.
Apesar de ser encontrada vegetando em solos arenosos, ácidos, pobres em nutrientes
e em matéria orgânica, e de fácil drenagem, a mangabeira apresenta melhor
desenvolvimento em solos areno-argilosos profundos e com bom teor de matéria
orgânica.
A mangabeira multiplica-se por sementes; estas são obtidas de frutos somente
maduros colhidos ainda de vez. Estes frutos devem ser sadios,
com quantidade de polpa de bom aspecto e colhidos de plantas precoces, vigorosas,
isentas de pragas e doenças, e produtivas. Imediatamente após retiradas dos
frutos as sementes devem ser lavadas para eliminação total da polpa e secadas
à sombra sobre jornal por 24 horas. Devem ser semeadas até o quarto dia após
a lavagem. O semeio pode ser feito em canteiros de terra ou em sacos de polietileno
preto com dimensões 14 cm x 16 cm ou 15 cm x 25 cm enchidos com terra preta
e areia lavada proporção 1:1 (www.seagri.ba.gov.br/mangaba). O uso
de calcário e o excesso de irrigação e/ou matéria orgânica no substrato, para
a formação de mudas, prejudica o desenvolvimento delas, além de favorecer
o ataque de doenças do sistema radicular (Avidos e Ferreira, 2003). A germinação
ocorre a partir de 21 dias após o semeio, estendendo-se por 30 dias.
O plantio definitivo é feito cerca de 120 dias após o semeio, no início das
chuvas, quando as mudas tiverem cerca de 20 centímetros de altura. O crescimento
é lento. O espaçamento recomendado em plantio solteiro é de 6 x 4 metros ou
6 x 5 metros. O plantio definitivo deve ser feito em terreno previamente adubado
(um mês antes), com esterco de curral. Adubação orgânica, em geral, é muito
bem aceita. As mudas devem ser colocadas em covas de 50 x 50 x 50 cm.
A mangabeira costuma crescer pendida devido à ação do vento e emitir grande
quantidade de ramos laterais, muitos deles junto ao solo. Portanto, é necessário
escorar a planta no lado oposto à incidência dos ventos, e realizar podas
regulares, eliminando-se os ramos que crescem até a altura de 30 ou 40 cm
do solo quando a planta alcançar 80 cm de altura. Galhos secos e doentes são
podados ao longo da vida da planta. Regularmente, efetuar capina em coroamento
em torno da planta e manter o resto da área roçada.
A colheita inicia-se quando a mangabeira chega aos 5 ou 6 anos de idade, embora
já se tenha identificado plantas que frutificam com 3 anos e meio de idade.
Apresenta 2 safras de fruto/ano no início e meados do ano -. Quando
a mangaba está no ponto máximo de desenvolvimento, desprende-se da árvore
e completa o amadurecimento no chão, o que demora entre 12 e 24 horas. Quando
maduros, os frutos tornam-se muito perecíveis e devem ser consumidos rapidamente,
o que é um empecilho à comercialização. Por isso, a maior parte da colheita
é feita no pé, e o fruto fica pronto para o consumo em dois a quatro dias.
Nesse caso, deve-se ter experiência para saber a hora exata da colheita. Os
frutos colhidos no chão, chamados de caída, são mais valorizados.
A produção de frutos da mangabeira é estimada em quatro toneladas/hectare/ano.
As principais pragas que podem atacar a mangabeira são:
Pulgão verde ataca principalmente a parte terminal da planta notadamente nos viveiros causando o enrolamento das folhas; o controle químico pode ser feito por pulverizações quinzenais de produtos comerciais à base de pirimicarb, acefato, malation, paratiom.
Lagartas ocasionalmente atacam desfolhando totalmente a planta jovem; o controle pode ser efetuado pela pulverização de produtos comerciais à base de bacillus thuringiensis, triclofon, carbaryl
Segundo Silva et al., (2001), podem ocorrer algumas doenças, entre elas:
Podridão de raízes de mudas Causada pelo fungo Cylindrocladium clavatum, é a mais grave doença da mangabeira, podendo provocar até 100% de moralidade das mudas em viveiro.
Mancha-Foliar Causada pelo fungo Pseudocercospora sp., a Mancha-Foliar ataca folhas de mudas e plantas adultas de mangabeira.
Antracnose Causada pelo fungo Colletotrichum gloeosporioides, ataca as flores, provocando secamento e abortamento dos frutos. Quando os frutos jovens são atacados, ficam escuros, murcham e secam.
Fonte: www.fruticultura.iciag.ufu.br

a Vegetando esponteamente em regiões diversas do Brasil, a mangabeira é abundante
em todos os tabuleiros e nas baixadas litorâneas da região Nordeste, onde
se obtém a quase totalidade dos frutos colhidos no país; os estados da Paraíba,
Bahia e Sergipe ressaltam-se como os maiores produtores.
Mangaba é palavra tupi guarani e significa coisa boa de comer. Em francês:
caoutchouc de Pernambouc
A mangabeira é uma árvore muito rústica. A árvore, de copa larga e arredondada, pode chegar a 5, 6 metros de altura, sua copa 4 a 5 metros de diâmetro, tronco tortuoso, bastante ramificado, com casca rugosa e áspera.
Folhas verdes com manchas que lembram ferrugem, de coloração avermelhada quando novas e ao caírem.
Flores brancas, aromáticas. As flores brancas e perfurmadas com suas cinco pétalas, lembram um cata-vento.
O fruto tipo baga, tem forma de pêra, muito viscoso quando verde, contém suco leitoso que quase embriaga e pode matar. A polpa é branca, viscosa e ácida, fibrosa e recobre numerosas sementes circulares. Maduro, o fruto tem casca amarelada estriada de vermelho, é aromático, delicado, tem ótimo sabor mesmo sendo ainda um pouco viscoso.
Frutificação de primavera a verão.
A polpa é consumida diretamente ao natural ou é matéria-prima para o preparo
de geléias, doces em calda, compotas, sorvetes, sucos, refrescos, picolés,
licores, vinho e xaropes.O suco leitoso é medicamento caseiro para tratamento
de tuberculose e úlceras.
Do tronco e folhas retira-se látex. De qualidade inferior, a madeira do tronco
- de pouco valor econômico - é usada na fabricação de móveis e também para
lenha.

Flor da Mangaba

Árvore da Mangaba
Fonte: www.arara.fr