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Palmito

 

Palmito Jussara

Euterpe Edulis

Palmito
Palmito Jussara

Taxonomia

De acordo com o Sistema de classificação de Cronquist, a taxonomia de Euterpe edulis obedece à seguinte hierarquia:

Divisão: Magnoliophyta (Angiospermae)
Classe: Liliopsida (Monocotiledoneae)
Sub-classe: Arecidae
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae (Palmae)
Espécie: Euterpe edulis Martius; Hist. Nat. Palm. 2:33, 1824.

Sinonímia botânica: Euterpe equsquizae Bertoni ex Hauman; Euterpe globosa Gaertn

Nomes vulgares no Brasil: Açaí-do-sul, no Rio de Janeiro; ensarova, inçara e palmiteira, em Santa Catarina; içara, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; iuçara; jaçara, no Rio Grande do Sul; jiçara, no Paraná; juçara, na Bahia, na Paraíba, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em São Paulo; palmeiro-doce; palmiteiro-doce; palmito, em todo o Brasil; palmito-branco, em São Paulo; palmito-doce, no Espírito Santo, no Rio de Janeiro e em São Paulo; palmito-juçara, no Rio de Janeiro e em São Paulo; palmito-da-mata, no Distrito Federal; palmito-vermelho; ripa, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; e ripeira.

Nomes vulgares no exterior: Palmito, na Argentina e no Paraguai.

Etimologia: Euterpe, é a musa da música; de euterpés (deleitando), em relação ao magnífico aspecto destas palmeiras; edulis, do latim edulis (comestível). Fornece palmito de ótimo sabor.

Descrição

Forma: palmeira com 5 a 10 m de altura e 5 a 15 cm de DAP. Atinge até 20 m de altura e 30 cm de DAP, na idade adulta.

Tronco: reto, cilíndrico, não-estolonífero (não brota na base); seu estipe (caule) não é considerado fuste. Entre o término do tronco e a parte onde nascem as folhas, há uma seção verde, mais grossa que o tronco, formada pela base do conjunto de folhas. Dentro desta seção encontra-se a parte comestível da palmeira.

Ramificação monopodial: Copa formada por um tufo de folhas, quinze a 20 folhas grandes no ápice.

Folhas: Alternas, pinadas, com até 3 m de comprimento.

Flores: Unissexuais, sendo as masculinas em maior número, de coloração amareladas, numerosas, com 3 a 6 mm de comprimento, distribuídas em grupo de três, uma feminina entre duas masculinas. A inflorescência é um espádice de 50 a 80 cm de comprimento, composto de várias espigas, inseridas abaixo das folhas. Na antese, a inflorescência está envolta por uma grande bráctea que a protege até o seu desenvolvimento.

Fruto: Drupa subglobosa composta por um epicarpo (casca) pouco espesso, lisa, violáceo-escura, com polpa escassa encerrando uma semente.

Semente: Quase esférica, parda-grisácea a parda-amarelada, envolta por uma cobertura fibrosa, com até 10 mm de diâmetro. As sementes desta espécie possuem endosperma muito abundante, com alto teor de reservas, as quais constituem-se de carboidratos (cerca de 88%), proteínas (10%) e lípides (2%) (Reis, 1995).

Aspectos Ecológicos

Grupo sucessional: Espécie clímax (Durigan & Nogueira, 1990).

Características sociológicas: O palmiteiro apresenta grande freqüência e densidade mesmo nas formações secundárias. Nos locais onde a presença de água superficial é acentuada, a concentração de palmiteiros é maior. A regeneração natural da espécie é intensa, sendo caracterizada pela estratégia de banco de plântulas. Numa área de Floresta Ombrófila Densa em sucessão secundária localizada em Ibirama ? SC, foram encontrados uma média de 609 indivíduos adultos/ha, sendo 131 indivíduos reprodutivos, e regeneração natural de 20.500 plantas por hectare (Conte et al., 1999).

Regiões fitoecológicas: Euterpe edulis é espécie característica da Floresta Ombrófila Densa (Floresta Atlântica), nas formações Aluvial, Baixo-Montana, Montana e Submontana (Bigarella, 1978; Klein, 1979/1980; Roderjan & Kuniyoshi, 1988; Silva, 1989; Siqueira, 1994; Oliveira et al., 2000), onde aparece no estrato médio como espécie dominante (Reis et al., 1992a), na Floresta de Tabuleiro, no norte do Espírito Santo (Peixoto et al., 1995; Rizzini et al., 1997), e na restinga (Henriques et al., 1986). Pode, também, ocorrer em outras tipologias florestais: na Floresta Estacional Semidecídual ocorre apenas em matas ciliares ou em pequenas manchas onde o lençol freático é pouco profundo, principalmente no Brasil Central, até os vales dos rios Paraná e Iguaçu (Maack, 1968; Klein, 1985); na Bacia do Rio Jacuí e Uruguai, na Floresta Estacional Decidual Baixo Montana (Rambo, 1980; Reitz et al., 1983), e na região dos Campos e do Cerrado, onde ocorre somente nas matas ciliares.

Densidade: Reis et al. (1992a) observaram, em média, 543 indivíduos/há, em Santa Catarina.

Biologia Reprodutiva e Fenologia

Sistema sexual: Planta monóica.

Vetor de polinização: principalmente os insetos (Morellato, 1991).

Floração: De setembro a dezembro, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e de setembro a janeiro, no Estado de São Paulo.

Frutificação: Os frutos amadurecem de abril a novembro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul; de maio a outubro, no Paraná e, de maio a novembro, no Estado de São Paulo. O processo reprodutivo inicia ao redor dos seis anos de idade, em plantio. A frutificação é, em geral abundante, podendo uma planta em condições favoráveis, produzir 216 a 528 cachos/ha (Fisch & Nogueira Junior, 1997) e de 6 a 8 kg de frutos por ano, o que eqüivale entre 8.000 e 10.000 sementes (Guerra et al., 1984) ou média de 5 kg (Souza Cruz, 1992). Em Candelária ? RS, Charão & Vaca (2000), observaram que cada indivíduo adulto, produz em média dois a três cachos por ano, cada cacho contendo de 750 até 2.000 frutos.

Dispersão de frutos e sementes:

Autocórica: ocorrendo predominantemente em um raio de 5 m da planta mãe, ocasionando um acúmulo de sementes em pequenas áreas (Charão & Vaca, 2000). Como conseqüência, a regeneração natural ocorre em "manchas de alta densidade" com até 400 plântulas por m2; sendo a taxa de sobrevivência de plântulas baixa, em torno de 0,3%.
Zoocórica:
Vários mamíferos, entre os quais, morcegos, porcos-do-mato, serelepes; e aves: sabiás (Turdus spp.), jacus, tucanos (Família Ramphastidae), macucos, jacutingas (Kuhkmann & Kuhn, 1947; Reis, 1995; Zimmermann, 1999). Os dispersores, principalmente vertebrados, apresentam um papel importante, pois ao removerem a polpa que envolve a semente, podem estar aumentando a probabilidade de germinação das sementes (Lopes et al., 1998b).

Características da Madeira

Não há estudos tecnológicos sobre as propriedades físicas e mecânicas do palmiteiro.

Características Silviculturais

O palmiteiro é uma espécie esciófila. Não tolera insolação direta quando jovem, necessitando de sombreamento temporário de intensidade média. Espécie suscetível a geadas. Apresenta adaptação ao frio, em microclimas.

Hábito: Apresenta crescimento monopodial.

Métodos de regeneração: O plantio do palmiteiro, a pleno sol, não é viável. O lento retorno financeiro é um dos principais fatores de desestímulo ao seu cultivo. A espécie é adequada para plantio de enriquecimento em vegetação secundária, podendo o sombreamento ser definitivo ou temporário. A distribuição de frutos/sementes na superfície do solo é o sistema recomendado para a implantação do palmiteiro em floresta secundária, pela sua eficiência e baixo custo. Contudo, plantio por mudas apresentaram índices de sobrevivência acima de 90%, quando plantados sob reflorestamento de Araucária angustifolia e mata secundária densa (capoeirão) e índices abaixo de 70%, quando plantados em mata secundária aberta, capoeira e capoeirinha (Moura Netto, 1986; Yamazoe et al., 1990b). Mudas de até três anos não suportam sombreamento excessivo nem sol direto. Em plantio sob mata nativa raleada nas condições do Vale do Ribeira ? SP, Bovi et al. (1986, 1990), recomendam espaçamentos de 1,5 x 1,0 m e 1,0 x 1,0 m, para a obtenção da maior produção de palmito por área. Zelazowsky & Lopes (1993), conseguiram bons resultados plantando o palmiteiro em faixas abertas em povoamentos densos espontâneos de leucena, em Santa Helena ? PR. Há plantios mistos bem-sucedidos com o palmiteiro, em São Paulo, sob Pinus pinaster (Yamazoe et al., 1990a) bem como com pinus tropicais; sob canafístula (Peltophorum dubium) em Engenheiro Beltrão, centro-oeste do Paraná, com grevílea (Grevillea robusta) em Jussara ? PR (Embrapa, 1986), e com Eucalyptus sp., em Santa Catarina (Souza Cruz, 1992). Segundo Macedo et al. (1975), com o manejo sustentado, numa mesma área, pode-se anualmente proceder-se a uma semeadura de palmiteiros proporcionando no local um povoamento dissetâneo. O palmiteiro é uma planta não estolonífera, não rebrota da base, como o açaí (Euterpe oleraceae). A coleta de cada palmito implica necessariamente na morte da planta.

Sistemas agroflorestais: Espécie usada em sistema silviagrícola, com espécies perenes, como cafeeiro (Coffea arabica) no norte do Paraná, Erythrina fusca no sul da Bahia, plantada no espaçamento 15 m x 15 m, e com o cacau (Theobroma cacao). Segundo Mageste et al. (2000), o sistema onde o cacaueiro é circundado pelo palmiteiro (plantado a 4 m da cova de cacau), apresenta excelente produtividade para o cacau, após seis anos de implantação. No entanto, as árvores do palmiteiro precisam ser podadas, retirando-se os rebentos que se direcionam para o lado do cacau, para evitar o abafamento por estes. Plantios do palmiteiro associado com bananeiras, plantadas a um espaçamento de 2 m x 2 m, não surtiram bons resultados, pois as bananeiras fazem apenas sombreamento temporário e a pequena altura do bananal retarda o crescimento do palmital. No entanto, Maixner & Ferreira (1976), propõem a transformação de bananais antieconômicos, utilizando-se a bananeira como sombreamento inicial, em palmitais viçosos. A introdução do palmiteiro em sistemas agroflorestais em Lavras MG, deve ser realizada preferencialmente em consórcio com plantios homogêneos de Pinus caribaea Morelet var. hondurensis Barr. Et Golf. (Tsukamoto Filho, 1999).

Clima

Precipitação pluvial média anual: Desde 1.100 mm (Rio de Janeiro) a 2.700 mm (Rio de Janeiro / São Paulo), podendo alcançar até 3.200 mm na encosta da Serra de Paranapiacaba, no Estado de São Paulo (Mattos, 1977). Para o seu melhor desenvolvimento, a espécie requer índices pluviométricos superiores a 1.500 mm (Guerra et al., 1984).

Regime de precipitações: Chuvas uniformemente distribuídas, na Região Sul (excluindo o norte e o noroeste do Paraná), o litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e sul da Bahia, e periódicas, com chuvas concentradas no verão, nas demais regiões.

Deficiência hídrica: Pequena, com estação seca até três meses, em São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul.

Temperatura média anual: 18,1ºC (Nova Friburgo, RJ) a 24,5ºC (Camaçari, BA / Caravelas, BA).

Temperatura média do mês mais frio: 13,8ºC (Nova Friburgo, RJ) a 22,4ºC (Camaçari, BA).

Temperatura média do mês mais quente: 22,5ºC (Brasília, DF) a 26,5ºC (Caravelas, BA / Rio de Janeiro, RJ).

Temperatura mínima absoluta: 5,8ºC (Orleães, SC).

Número de geadas por ano: Médio de zero a três; máximo absoluto de dez geadas, na Região Sul, mas predominantemnte sem geadas ou pouco freqüentes.

Tipos climáticos (Koeppen): Tropical (Af, Am e Aw) e subtropical úmido (Cfa) e subtropical de altitude (Cwa e Cwb).

Crescimento e Produção

Os poucos dados disponíveis sobre o crescimento do palmiteiro indicam um incremento anual máximo em altura de até 0,75 m e médio de 0,45 m. Demora aproximadamente de oito a doze anos para alcançar tamanho comercial no Brasil, e de dez a quinze anos, no Paraguai (Lopez et al., 1987). Posteriormente, o palmital permite cortes a cada três ou quatro anos, para possibilitar a regeneração natural da espécie. A produtividade dos palmitais nativos é variável, estando muito relacionada ao tipo e estágio da floresta. Numa Floresta Ombrófila Densa Montana (Blumenau ? SC) estimou-se o volume de palmiteiro disponível em 160 m3/ha com área basal de 1,3 m2/ha. No entanto, já foram encontradas florestas com área basal de até 3,5 m2/ha de palmiteiro (Reis et al., 1989). Nesta mesma floresta, para se alcançar uma produção sustentada, com um ciclo de corte previsto para seis anos, estimativas indicam que a espécie é capaz de produzir até 102 kg de produto comercial (palmito) por hectare (Reis et al., 1992), sendo o diâmetro limite de corte de 9 cm (Reis et al., 1988). Numa outra floresta em Ibirama – SC, considerando que a permanência de 50 árvores reprodutivas/ha garantem a manutenção da estrutura genética e demográfica da espécie, com a exploração dos indivíduos acima de 8,3 cm, Conte et al. (1999) obtiveram um rendimento estimado de 152 kg de palmito/ha.

Através de análise de regressão, Conte et al. (1999), obtiveram um modelo de incremento em DAP (ICADAP = 0,078289DAP - 0,004736DAP2, para uma área manejada em Ibirama ? SC, sendo considerado como limite de corte 8,3cm. Em áreas que denotam que as influências antrópicas, outrora, deixaram seqüelas, Mello & Ferreira (1998) sugerem para esses fragmentos florestais priorizar a manutenção do banco de plântulas, e a conservação ao invés do manejo sustentado. Para Fantini (2000), a programação linear mostra-se uma eficiente ferramenta para otimizar sistemas de manejo do palmiteiro, permitindo simular qualquer cenário de manejo, e estimar o impacto da variação e da interação de parâmetros biológicos, econômicos, e mesmo legais sobre o resultado da atividade. Aspectos relativos à regeneração artificial são pouco conhecidos e também pouco divulgados.

Espécies afins

Há três variedades popularmente conhecidas: palmiteiro-branco, palmiteiro-vermelho e palmiteiro-macho ou encapado. A principal diferença entre os dois primeiros é a bainha. O estipe também poderá servir para diferenciá-los. O vermelho possui estipe mais alto e fino. Todavia, o branco oferece o melhor palmito.

O macho ou encapado é aquele cujas folhas velhas não se desprendem, deixando sempre o palmito encoberto pelas folhas secas. Outra característica desta variedade é a ausência de inflorescência.

Euterpe C. Martius é um gênero com 28 espécies distribuídas nas Antilhas, na América Central, até o Brasil e Bolívia; em bosques pluviais de terras baixas, montanhas e pântanos.

Destas espécies, além de E. edulis mais outras quatro espécies ocorrem, no Brasil: E. catingae Wallace, conhecida por açaí-chumbinho, espécie típica das bacias dos rios Negro, Orinoco e Branco, sendo comum na Campinarana Florestada e na Campinarana Arborizada (Velozo et al., 1991); E. espiritosantensis Fernandes, conhecido por palmito-vermelho, espécie endêmica ao Espírito Santo, no Município de Santa Teresa, entre 700 e 1.000 m de altitude, sobre as rochas (Lorenzi et al., 1996); E. oleraceae Martius, conhecida por açaí, na Amazônia e com expressão comercial, eE. precatoria Martius, também explorado na Amazônia em nível comercial, por seu palmito.

Ocorrência Natural

Latitude: É comum de 14º45´ S (Bahia) a 29º45' S (Rio Grande do Sul). Veloso et al.(1991) consideram o limite Norte do palmiteiro em 08º S (Pernambuco).

Variação altitudinal: De 5 m, no litoral das Regiões Sul, Sudeste e Nordeste a 1.200 m de altitude, no Distrito Federal.

Distribuição geográfica

Euterpe edulis é encontrado de forma natural no nordeste da Argentina (Martinez-Crovetto, 1963; Celulosa Argentina, 1973), no leste do Paraguai (Lopez et al., 1987) e no Brasil (Mapa 40), na Bahia (Pinto & Bautista, 1990; Sant´ana et al., 1998; Oliveira et al., 2000), no Espírito Santo (Ruschi, 1950; Fernandes, 1987; Jesus, 1988; Thomaz, 2000), em Goiás (Munhoz & Proença, 1998), em Mato Grosso do Sul (Jankauskis & Rios, 1968; Leite et al., 1986), em Minas Gerais (Azevedo, 1962; Brandão et al., 1989; Pedralli & Teixeira, 1997), no Paraná (Mattos, 1977; Inoue et al., 1984; Klein, 1985; Instituto, 1987; Roderjan & Kuniyoshi, 1988; Silva, 1989; Silva, 1990; Soares-Silva et al., 1992; Nakajima et al., 1996), em Pernambuco (Veloso et al., 1991), no Rio de Janeiro (Mattos & Mattos, 1976; Henriques et al., 1986; Carauta & Rocha, 1988; Guedes, 1988; Guimarães et al., 1988; Costa et al., 1992; Leite & Andreata, 1999; Silva Neto et al., 1999), no Rio Grande do Sul (Lindeman et al., 1975; Maixner & Ferreira 1976; Oliveira, 1979; Reitz et al., 1983; Longhi et al., 1986; Jarenkow, 1994; Mello & Ferreira, 1998; Nunes & Baptista, 1999), em Santa Catarina (Reitz, 1974; Reitz et al., 1978; Negrelle, 1995; Citadini-Zanette & Soares, 1996; Fleig & Rigo, 1998; Maas et al., 1998), no Estado de São Paulo (Kuhkmann & Kuhn, 1947; Nogueira, 1976, 1977; Silva & Leitão Filho, 1982; Mendonça, 1984; Kageyama, 1986; Demattê et al., 1987; Silva & Martins, 1990; Kageyama et al., 1991; Custódio Filho et al., 1992; Toledo Filho et al., 1993; Melo & Mantovani, 1994; Durigan & Leitão Filho, 1995; Morellato & Leitão Filho, 1995; Torezan, 1995; Fisch & Nogueira Junior, 1997; Ivanauskas et al., 1997; Jovchelevich & Canelada, 1997; Ivanauskas et al., 1998; Fantini & Guries, 2000) e no Distrito Federal (Filgueiras & Pereira, 1990; Walter & Sampaio, 1998; Scariot et al., 1999; Martins & Filgueiras, 1999; Sampaio et al., 2000).

Produção de Mudas

Semeadura: Recomenda-se semear duas a três sementes em recipiente ou semeadura direta no campo, em covas de 5 cm de profundidade. Em sementeira, deve-se usar areia de rio como substrato e mantê-la sempre úmida. A repicagem, quando necessária, pode ser feita uma a três semanas após a germinação, ou após o aparecimento das folhas.

Germinação: Hipógea, com início entre 30 e 170 dias após a semeadura, extremamente variável, em função do tratamento pré-germinativo adotado: até 95% (estratificação em areia úmida); até 75% em água fria e até 50% sem tratamento. Todavia, para Lopes et al. (1998b), o fator mais importante na germinação é a remoção da polpa que aumenta significativamente a taxa de germinação comparada com sementes com polpa. As mudas atingem tamanho adequado, cerca de nove meses após a semeadura.

Associação simbiótica: As raízes do palmiteiro apresentam micorrizas arbusculares.

Propagação vegetativa: Peixoto & Guerra (1999) recomendam a embriogênese somática do palmiteiro a partir de explantes juvenis, como método não convecional de propagação massal de genótipos de interesse e para conservação de germoplasma.

Cuidados especiais

Mudas de regeneração natural transplantadas da mata para sacos de polietileno, apresentaram após seis meses de viveiro, apenas 19% de sobrevivência (Ramos & Monteiro, 1998).
O pegamento de mudas de raiz nua é muito ruim, a não ser quando a semente ainda está agregada à plântula, pois o sistema radicial é fasciculado, profundo, com várias ramificações secundárias. Não somente em viveiro, mas também sobre condições naturais, o palmiteiro é uma espécie com alta mortalidade de plântulas (Mendonça, 1984).
Nogueira Junior et al. (1996), conseguiram bons resultados, em solo saturado de água, com 30% de sombreamento, com mortalidade de apenas 6%, indicando uma interação positiva entre a umidade do substrato e o sombreamento. Illenseer & Paulilo (1998) estudaram a interação entre os efeitos da luz e da nutrição mineral sobre o crescimento inicial das plântulas de palmiteiro.
A utilização da adubação mineral suplementada com o emprego de matéria orgânico e doses de N e P, mostraram efeitos significativos sobre o crescimento de mudas desta espécie na fase de viveiro (Lopes et al., 1991).

Produtos e Utilizações

Madeira serrada e roliça: O palmiteiro não produz madeira para desdobro. O estipe serve como madeira, sendo esta usada principalmente na construção civil, em taipas, paióis, ranchos, tulhas; como caibro, ripa e mourões. Para estes fins, a tradição popular recomenda, enfaticamente, a utilização de estipes de árvores abatidas na lua minguante.
Celulose e papel:
Espécie adequada para produção de celulose.
Ração:
suas folhas são usadas em cobertura, servem para ração animal e as sementes podem ser utilizadas em ração ou adubo.

Outros Usos

Alimentação humana: Embora diversas palmeiras forneçam o palmito comestível, apenas duas espécies dominam o mercardo: Euterpe. edulis e E. oleracea, nativa da Região Norte, que responde, hoje, por cerca de 90% da produção brasileira. O valor comercial do palmiteiro consiste, principalmente, na utilização do palmito no preparo de conservas, produto alimentício com larga aceitação no mercado nacional e internacional. O palmito, parte comestível, é a parte compreendida entre o ápice da palmeira e o lugar de inserção da inflorescência, correspondendo a 50% do broto (Mattos & Mattos, 1976). Também são usados as bainhas, principalmente as mais internas (em pastas, sopas e molhos), e os botões florais (em doces e para enfeitar e dar gosto a saladas finas).

Apícola: As flores do palmiteiro são melíferas, produzindo pólen abundante (Reis et al., 1992; Steinbach & Longo, 1992).

Artesanato: As folhas são usadas em artesanato para a confecção de cadeiras de palha.

Paisagístico: Apresenta grande potencial ornamental, ainda pouco explorado.

Reflorestamento para recuperação ambiental: Em virtude da copiosa produção de frutos e da forte atração que exerce sobre a fauna (aves, roedores e mamíferos), o palmiteiro atrai e mantém polinizadores, dispersores e predadores de sementes, sendo importante para a fixação de animais e para a dispersão das espécies da floresta. A espécie é recomendada para mata ciliar, em locais com inundações de média a longa duração (Salvador, 1987). O palmiteiro também é indicado para plantio em áreas com o solo permanentemente encharcado (Torres et al., 1992). Estudando a estrutura de populações desta espécie em áreas com diferentes graus de impactação na Floresta da Tijuca ? RJ, Marcos & Matos (2000), assinalaram a presença do palmiteiro nas áreas mais impactadas, mostrando que a população estudada se encontra em fase de recuperação já que está conseguindo se regenerar e estabelecer. Esses autores concluem que a provável presença desta espécie em áreas degradadas não esteja relacionada com a cobertura de dossel mas com a quantidade de serrapilheira queajuda a manter a umidade do solo.

Sementes

Colheita e beneficiamento: A coleta do palmiteiro deve ser feita no solo, quando os frutos apresentam o pericarpo preto, roxo e rosado. Frutos maiores apresentam maior porcentual de germinação quando comparados aos frutos menores, apresentando ainda maior vigor (Macedo et al., 1974; Lin, 1986; Fleig & Rigo, 1998). A extração das sementes é feita pela imersão dos frutos em água por doze a 24 horas e maceração sobre peneiras para retirar a polpa (caroços). As sementes devem ser postas em peneiras e secas em ambiente ventilado.

Número de sementes por quilograma: 1.000 (Embrapa, 1988) a 3.000 (Pásztor, 1962/1963). Um quilo de frutos contém aproximadamente 770 unidades (Lorenzi, 1992).

Tratamento para superação da dormência: é discutível a necessidade de tratamentos para superar a dormência dos frutos. Entretanto, são recomendados para acelerar a germinação: imersão em água fria por 48 horas para embebição; estratificação em areia úmida por 30 dias, ou escarificação mecânica (Alcalay et al., 1988). Experimentos realizados em laboratório demonstraram que sementes escarificadas (retirada do tegumento) apresentaram uma germinação uniforme num período de 45 dias, enquanto as sementes não escarificadas continuaram o processo de germinação por um período superior a quatro meses (Amaral & Araldi, 1979).

Longevidade e armazenamento: E. edulis possui sementes de comportamento recalcitrante, portanto, não podem ser conservadas em bancos convencionais de germoplasma, a ? 20ºC (Eibl et al., 1994; Lopes et al., 1998a). As sementes do palmiteiro apresentam, em seu estágio de maturidade fisiológica, um elevado grau de umidade (50 a 55%), que dificulta o armazenamento (Queiroz & Cavalcante, 1986). A perda do poder germinativo dessas sementes é muito rápida. Sementes desta espécie mantêm a viabilidade parcial por seis meses, em ambiente de sala, ou por onze meses, em câmara fria (5 a 10ºC e alta UR), em saco de polietileno bem fechado (Figliolia et al., 1987). Armazenadas a frio (5ºC), as sementes conservam-se viáveis por dois anos (Durigan et al., 1997). Entretanto, Lopes et al. (2000), concluíram que a temperatura de 5ºC não é favorável para a manutenção da viabilidade das sementes desta espécie e que as temperaturas de 10 e 15ºC mostraram-se promissoras para o armazenamento das sementes com e sem polpa e acondicionadas com vermiculita. Para Bovi & Cardoso (1978), a melhor conservação de sementes de palmiteiro foi obtida quando do uso de recipientes com água, semifechados e hermeticamente fechados e mantidos à temperatura de 5 a 10ºC. Outro lote de sementes com germinação e grau de umidade iniciais de 98 e 45%, respectivamente, foram submetidas a desidratação parcial. De acordo com a análise dos resultados, verificou-se que nos lotes de sementes armazenadas com 44 e 40% de umidade, a temperatura de 5ºC causou decréscimos nos valores de germinação, aos nove e aos doze meses de armazenamento (Andrade, 1996). Para o autor, os resultados obtidos reforçam a proposta da técnica de desidratação parcial para a melhor conservação de sementes de palmiteiro. Andrade et al. (1996), recomendam a desidratação parcial das sementes desta espécie a 40% de umidade, pois além de manter a viabilidade ao final de oito meses de armazenamento, evitou a ocorrência de sementes germinadas no interior das embalagens. Segundo Yamazoe et al. (1985), sementes conservadas em ambiente natural mostraram-se superiores às conservadas em geladeira doméstica. Nodari et al. (1998), comprovaram que é possível preservar frutos e sementes viáveis de palmiteiro, em diferentes condições de armazenamento, pelo período de até quinze meses.

Germinação em laboratório: As diferenças no tamanho da semente não influenciaram a germinação ou a taxa de embebição de água pelas sementes, porém, sementes maiores produziram plântulas com maior peso seco e área foliar (Andrade et al., 1996). Para os autores, a maior parte das reservas da semente é passada para o eixo embrionário até o segundo mês, esgotando-se em aproximadamente seis meses igualmente nos diferentes níveis de luz, mas sob menor intensidade de luz, as plântulas mostraram-se muito mais vigorosas.

Solos

Euterpe edulis não é uma planta exigente, desenvolve-se em solo pobre em fósforo, cálcio, potássio e magnésio, com alto índice de acidez (pH entre 4,1 e 5,6) e elevado teor de matéria orgânica (Aguiar, 1986), e drenagem de boa a regular. A espécie não se desenvolve bem em solos arenosos e secos, nem em solos argilosos e encharcados.

Principais Pragas e Doenças

Pragas: o inseto que mais ataca o palmiteiro é o coleóptero Rhyncochorus sp. O adulto deposita os ovos na base da folha mais nova e a larva desenvolve-se alimentando-se das folhas internas, até chegar ao meristema apical, matando a planta. Ademais, o palmiteiro é infestado por besouros da família Scolytidae, com danos leves (Macedo, 1985).

Doenças: Os fungos Diplodia sp. e Triclariopsis paradoxa (queima-preta) causam pequenas lesões, mas são facilmente controlados com fungicidas.

Melhoramento e Conservação de Recursos Genéticos

A exploração industrial do palmiteiro começou na década de 60, e sempre se caracterizou pela forma extrativista com que é realizada (Fantini & Guries, 2000).

Segundo esses autores, a forma extrativista da sua exploração levou à degradação da estrutura populacional desta espécie em grande parte da Floresta Atlântica.

Euterpe edulis está na lista das espécies raras ou ameaçadas de extinção para o Estado de Santa Catarina (Klein, 1993) e na mata ciliar da Região Centro-Oeste, devido a exploração extrativista em grande escala, sem a mínima preocupação de repor as árvores cortadas (Paula & Alves, 1997). No Rio de Janeiro, devido a exploração predatória, com base exclusiva na coleta, a espécie vem aos poucos escasseando, sendo a sua restauração iniciada na Floresta da Tijuca desde 1972 (Mattos & Mattos, 1976).

Na região de Mangaratiba ? RJ a extração do palmito coloca em risco a sobrevivência da espécie (Leite & Andreata, 1999).

O coração de palmito é extraído antes que a planta frutifique, interrompendo o ciclo natural de propagação por sementes (Peixoto & Guerra, 1999).

O Instituto Agronômico de Campinas - IAC, desenvolveu cruzamentos entre Euterpe edulis e Euterpe oleracea que resultaram em híbrido de produção mais rápida (de quatro a seis anos), com troncos múltiplos, palmito superior em tamanho, textura e sabor, podendo ser cultivado em condições de maior insolação (Cultivo ... , 1993). A reprodução deste híbrido está sendo feita por sementes ou cultura de tecido. Ensaios de procedência têm indicado que deve-se evitar o plantio com sementes provenientes de árvores isoladas (Embrapa, 1988). Ruschel et al. (1997) encontraram diferenças genéticas entre duas populações em Santa Catarina, evidenciando a possibilidade da seleção de tipos geneticamente diferentes entre e dentro de famílias para diferentes condições ambientais.

Fonte: www.ckagricola.com

Palmito

PALMITO JUÇARA

Euterpe edulis

Ocorrência: Da Bahia ao Rio Grande do Sul

Outros nomes: Jiçara, juçara, palmito doce, içara, ripeira, ensarova, palmiteiro, ripa, palmiteiro, inçara, iiçara, palmito branco, palmito vermelho, açaí do sul

Características

Espécie com estipe simples, reto, com 10 a 20 m de altura e 10 a 20 cm de diâmetro.

Folhas de 1 a 1,5 m de comprimento, em número de 20 contemporâneas, pinadas, com bainhas de coloração acastanhada e folíolos longos, estreitos e geralmente pendentes, com a base das folhas formando o palmito.

Esta palmeira monóica possui uma inflorescência infrafoliar muito ramificada, de 60 cm de comprimento, e espata acanoada que se desprende da planta com a inflorescência ainda jovem. Depois de maduros, os frutos esféricos são de coloração preta. Raízes bem visíveis na base do tronco. Sua dispersão natural é feita por vários mamíferos (morcegos, porcos-do-mato, serelepes) e aves (sabiás, jacus, tucanos, macucos, jacutingas).

Habitat: Locais úmidos e sombreados da Mata Atlântica exceto em áreas de manguezais

Propagação: Sementes

Utilidade

O estipe pode ser usado em construções rústicas e suas fibras na fabricação de vassouras. As folhas podem servir de alimentação para o gado e coberturas.

O principal produto é o palmito, alimento requintado, saboroso e valioso, preparado em conserva e consumido no mercado interno e externo. A palmeira é esbelta com ótimo potencial para paisagismo. Seus frutos são muito apreciados pela fauna silvestres.

Florescimento: Setembro a dezembro

Frutificação: Abril a agosto

Cuidados: Para que não haja nenhum prejuízo à regeneração natural dessa espécie, deve ser mantido, no mínimo, 1 palmiteiro, em fase de frutificação, a cada 200 m 2 de mata.

Ameaças: Extração indiscriminada e destruição do habitat apesar da proteção da legislação ambiental.

A extração do palmito, que resulta na morte da planta, é feita, na maioria das vezes, de maneira predatória, eliminando-se inclusive plantas muito jovens.

Palmito
Palmito Juçara

PALMITO PUPUNHA

Bactris gasipaes

Palmito
Palmito Pupunha

Ocorrência: Região amazônica

Outros nomes: Pupunheira, pirajá pupunha, pupunha marajá

Características

Espécie monóica com troncos múltiplos (touceira) com 10 a 20 m de altura, de 15 a 25 cm de diâmetro, cilíndricos, divididos por anéis com espinhos (os entrenós) e anéis sem espinhos (os nós), que são cicatrizes deixadas pela queda das folhas. Os espinhos, geralmente largos, pretos e fortes. Há grande variação quanto à presença de espinhos, existindo plantas completamente desprovidas dos mesmos.

Folhas pinadas, em número de 20 a 30 contemporâneas, de 3 a 4 m de comprimento e de coloração verde-clara, os folíolos apresentam o terço final pendente, podendo ou não apresentar espinhos menores, em ambos os lados. A inflorescência é infrafoliar, com cerca de 50 cm de comprimento, podendo ter espata espinhosa ou não, e flores de coloração creme. Frutos ovóides, amarelo-avermelhados, nutritivos e muito procurados por várias espécies de animais.

Habitat: Mata de terra firme

Propagação: Sementes

Utilidade

Palmeira elegante de grande valor paisagístico, tem sido muito cultivada para extração de palmito.

Seu estipe pode ser empregado na confecção de bengalas e os frutos são usados na fabricação de farinhas ou consumidos após o cozimento.

Florescimento: Agosto a dezembro

Frutificação: Dezembro a julho

Fonte: www.vivaterra.org.br

Palmito

O Palmito é um alimento extraído do broto de palmáceas.

Palmito

Na Mata Atlântica, as palmeiras das quais se extrai o palmito desempenham um papel essencial para a manutenção do ecossistema. A mais famosa delas é a juçara (Euterpe edulis), devido à sua qualidade superior, ainda é intensamente explorada de forma ilegal e predatória do Rio Grande do Sul ao Espírito Santo e está ameaçada de extinção.

A mata atlântica era bastante rica nessa espécie. Entretanto, com a degradação desta floresta nas últimas décadas, tivemos uma escassez bastante grande de palmito. A partir dos anos 90, as leis ambientais, tornaram a exploração desta espécie restrita a um manejo florestal.

A palmeira juçara é uma das espécies-chave para o funcionamento do ecossistema. Muito mais abundantes durante o ano e também muito mais saborosos e ricos em nutrientes do que os de outras espécies, os frutos e sementes são importantes para a sobrevivência de várias espécies de aves, roedores e até de macacos.

Esses animais, por sua vez, participam da dispersão das sementes de várias espécies de plantas e árvores por toda a floresta. Desse modo, a derrubada das palmeiras juçara afeta em vários níveis os processos ecológicos, fragilizando ainda mais os escassos remanescentes da Mata Atlântica.

Intensamente derrubadas a partir do século 20 para delas ser aproveitado somente um vigésimo de sua imponente estrutura. Hoje, a grande floresta que se estendia ao longo do litoral tem menos de 8% da área que tinha em 1500. A devastação do palmito acarretará o final da única área de reserva ambiental da região do Vale do Paraíba, com conseqüências desastrosas para o meio ambiente.

Palmito
Palmito

Palmito

A exploração predatória desse produto também traz graves riscos à saúde do consumidor e, além disso, é uma atividade criminosa, que já causou mortes de palmiteiros e de vigias. Hoje, bandos armados invadem reservas florestais, roubam palmito e o embalam sem cuidados de higiene, ameaçam de morte familiares dos vigias, impõem um código de silêncio às comunidades locais e resolvem conflitos com muita violência.

Para evitar serem surpreendidos pela polícia ou pela fiscalização com as longas hastes recém-cortadas, os palmiteiros processam o palmito na própria floresta. O produto é colocado em uma solução de água de córregos – muitas vezes contaminada por processos naturais, como apodrecimento de folhas – com sal e conservantes. Depois, ele é fervido em latões, na maioria das vezes enferrujados, colocado em vidros, que podem, na própria floresta, receber rótulos obtidos ilegalmente. O risco para o consumidor é o de contrair graves infecções, como o botulismo.

Uma das reservas atingidas pela exploração predatória da palmeira juçara é o Parque Nacional do Itatiaia

A palmeira juçara não é a única a produzir o palmito, que também pode ser extraído da palmeira real da Austrália, pupunha e açaí.

Fonte: www.geocities.com

Palmito

Palmito
Palmito

É uma espécie mesófita, higrófita ou seja, que vive em ambiente úmido. É encontrado em florestas Fluviais- Atlântica, gosta de clima quente e úmido, principalmente em matas ciliares

O Palmito Juçara tem nome científico euterpe edulis, pertence à família das palmae. Sua maior incidência ocorre do Sul da Bahia ao Rio Grande do Sul em toda a Mata Atlântica.

Seu maior interesse está na exploração de palmito.

É também usado em paisagismo, mas sua aplicação principal se dá em áreas de plantio de monocultura visando a exploração comercial.

Esta palmeira mede de 10 a 15 metros de altura, com estirpe de 10 a 20cm de diâmetro, regularmente anelado na fase adulta. Floresce nos meses de setembro a dezembro e seus frutos amadurecem de abril a agosto.

Ela tem sido explorada de forma predatória desde a década de 70, o qual encontra-se hoje sob o risco de extinção, retirando sem a realização e a aprovação de um plano de manejo sustentado.

Ela possui um palmito de altíssima qualidade, mas um ciclo de produção longo, tendo uma exploração predominantemente extrativista.

O palmito demora de oito a doze anos para crescer e atingir o tamanho comercial de corte. A noite os palmiteiros entram na mata, cortam e carregam feixes de até 50 palmitos .

Um palmiteiro pode cortar até 200 palmeiras por dia. Estas plantas não rebrotam na base, como é o caso do açaí e pupunha, implicando na morte da planta e sua extinção.

A maioria do palmito-juçara encontrado nos supermercados e restaurantes vem de corte ilegal, feito geralmente dentro das Unidades de Conservações (Parques Estaduais, nacionais, Estações Ecológicas); cortados dentro da mata e cozidos na hora sob péssimas condições de higiene, podendo trazer graves riscos à saúde do consumidor (botulismo).

Várias espécies de aves e mamíferos dependem dos frutos do palmito para sobreviver. Sabemos que arapongas, sabiás, tucanos, jacus, catetos, queixadas, veados, esquilos, cutias, antas, e outros animais da floresta consomem os frutos e dispersam as sementes pela mata, repovoando novamente a floresta, as quais para germinarem, precisam de sombra e umidade, não germinando a pleno sol, mas com a extinção da mesma podemos perceber a ausência da fauna.

Para uma maior conscientização e preservação das espécies que são exploradas para palmito merece algumas considerações a saber:

a) Elaboração e divulgação de campanhas de educação ambiental.
b)
Criar sistema de fiscalização efetiva nas Unidades de Conservação da Floresta Atlântica
c)
Incentivar planos de manejo sustentável do palmito em áreas particulares.
d)
Fornecer alternativas de renda para a população tradicional e do entorno das Unidades de Conservações.
e)
Guia de autorização fornecida por órgão competente, acompanhada de um plano de corte, um mapa do terreno e a quantidade a ser cortada.
f)
Estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais, observando-se o ciclo de corte das espécies manejadas.
g)
Manutenção de níveis populacionais do recurso florestal de forma a assegurar a função protetora da flora e fauna ameaçadas de extinção.
h)
Identificação,análise e controle dos impactos ambientais, atendendo a legislação pertinente, etc....

A euterpe edulis por ser uma planta que é nativa da Mata Atlântica, sua exploração está amparada em várias leis, como:

Decreto lei 750 – previne a exploração sustentada das espécies da Mata Atlântica.
A resolução SMA 16 de 16/05/94 – prevê a exploração da palmeira juçara (Euterpe Edulis) com base no PMS (Plano de Manejo Sustentado).
Lei Federal Nº 4771/65 – alterada pela lei 7803/89 – código florestal
Lei Nº 9605 de 12/02/99 – Lei dos Crimes Ambientais.

Fonte: www.jornalimpacto.inf.br

Palmito

Palmito
Palmito

Nome popular: Palmito juçara

Nome científico: Euterpe edulis Mart.

Família: Palmae

O palmito é um alimento obtido da região próxima ao meristema apical, do interior do pecíolos das folhas de determinadas espécies de palmeiras (ou popularmente, o "miolo" da palmeira). Trata-se de um cilindro branco contendo os primórdios foliares e vasculares, ainda macios e pouco fibrosos.

Os palmitos são conservados em salmoura e consumidos frios acompanhando saladas ou cozidos em diversas receitas.

A extração do palmito implica na morte da palmeira, uma vez que seu meristema apical é eliminado.

Por isso, mesmo com sua introdução ao cultivo, a extração de palmito na natureza tem colocado em risco as espécies das quais é obtido, sobretudo a espécie Euterpe edulis, a espécie mais procurada.

Os palmitos de pupunha e açaí tem sido aplicados como alternativas para diminuir a pressão sobre o palmiteiro tradicional.

Onde é encontrada

Encontrada com freqüência na região, tanto em estado nativo como em paisagismo e jardinagem. Em estado nativo é comum no meio da mata, em locais úmidos e sombreados. Nasce e cresce à sombra, e acaba se sobressaindo sobre a mata.

Características

Palmeira de médio porte, 8 a 15 metros, tronco fino e alto. Floração branca em cacho, frutos pretos quando maduros, 1 cm, semente única envolta por polpa fibrosa comestível, porem de sabor não muito bom in natura.

Ocorrência

Sul da Bahia e Minas Gerais até o Rio Grande do Sul na floresta pluvial da encosta atlântica e, em Minas gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná na floresta latifoliada semidecídua da bacia do Paraná. O principal produto dessa planta é sem duvida a cabeça do estipe ou popularmente conhecido como "palmito". A árvore é palmeira esbelta com ótimas características para o paisagismo.

Utilidade

Essa palmeira, além do palmito, podem ser aproveitadas a parte restante do estipe e as folhas em construções rústicas e fabricação de vassouras. Por sua reconhecida beleza e elegância, essa palmeira pode ser empregada, também, para fins paisagísticos e ornamentais.

Os frutos maduros servem para fazer sucos e mingaus, exatamente como o Assaí.

É muito procurada para extração do palmito, que é o de melhor qualidade entre as palmeiras.

Entretanto esta extração é muito combatida como anti-ecológica, pois esta palmeira não se reproduz por brotação, apenas por sementes, e demora até 10 anos para maturação. Em compensação é extremamente atrativa para a fauna. Vários pássaros procuram por seus frutos.

Floração

A partir do final de setembro até dezembro.

Frutificação

Ocorre durante os meses de abrl a agosto.

A exploração predatória para fins alimentícios e a redução da Mata Atlântica ameaçam o Palmito juçara de extinção

Fonte: www.ibot.sp.gov.br

Palmito

Palmito-juçara (Euterpe edulis)

No Brasil, várias palmeiras produzem palmito comestível. Entre elas, a espécie mais conhecida e apreciada é a Euterpe edulis Mart., comumente chamada de palmiteiro juçara ou jiçara, produtora do palmito branco. É encontrada na Região Centro-Sul do País e no Estado de São Paulo (LIN,1988).

A espécie é amplamente distribuída geograficamente, apresenta grande abundância na área de ocorrência, curto ciclo de vida, posicionamento no estrato médio da floresta, forte interação com a fauna e comercialização garantida (REIS e GUERRA,1999).

Atualmente a espécie Euterpe edulis é um dos produtos mais explorados na Floresta Atlântica (REIS e GUERRA,1999). Segundo Reis et al. (1996) apud Illenseer e Paulilo (2002), como tem alto valor econômico como alimento, sofre, em virtude disto, intenso extrativismo. Essa exploração contribui para a degradação do meio ambiente e tornou-se um fator de preocupação para a preservação da espécie, uma vez que não há rebrota após o corte para a extração do palmito (MORTARA e VALERIANO,2001).

Para que o palmito continue a existir e seja fonte renovável de riqueza, deve-se conhecer as orientações legais voltadas à preservação, extração e industrialização do produto. Ao lado disso, torna-se necessário intensificar a preocupação com a reposição da espécie por meio do replantio (AMBIENTE BRASIL,s/d).

O processo mais adequado para a exploração do palmiteiro é o manejo sustentado (FLORIANO et al.,1988), tornando-se uma nova fonte de renda das áreas florestadas e desempenhando um papel ecológico fundamental no ecossistema (REIS et al.,1993). Dessa forma, além de evitar-se o risco de extinção da espécie, em seu estado natural, protege-se a fonte de renda de famílias inteiras que se dedicam a extração de produtos da floresta (PEREIRA, 2000).

Família: Arecaceae (Palmae)

Espécie: Euterpe edulis Martius

Sinonímia botânica: Euterpe equsquizae Bertoni ex Hauman, Euterpe globosa Gaertn

Outros nomes (vulgares): ensarova, içara, inçara, iiçara, juçara, palmito, palmiteiro-doce, palmito-branco, palmito-juçara, palmito-vermelho, ripa, ripeira, açaí do sul, ensarova

Aspectos Ecológicos

Euterpe edulis é uma espécie perenifólia, ombrófila, mesófila ou levemente higrófila (LORENZI, 1992), que apresenta estipe único, sendo incapaz de produzir perfilhos, o que acarreta na morte da planta após corte do palmito (TSUKAMOTO FILHO et al.,2001).

O palmito-juçara é uma palmeira caracterizada como espécie climácica e com estratégia de regeneração do tipo banco de plântulas, com distribuição espacial agrupado próximo das plantas parentais (FANTINI et al.,2000), encontrando-se no estrato médio da floresta, sendo característica da Floresta Estacional Semidecídual, Floresta Ombrófila Densa e Cerrado.

Informações Botânicas

Morfologia

A árvore chega a atingir até 20 m de altura e 30 cm de DAP, na idade adulta.

Seu tronco reto, cilíndrico, não-estolonífero (não brota na base); seu estipe (caule) não é considerado fuste. Entre o término do tronco e a parte onde nascem as folhas, há uma seção verde, mais grossa que o tronco, formada pela base do conjunto de folhas. Dentro desta seção encontra-se a parte comestível da palmeira (CK AGRÍCOLA,s/d).

As folhas são alternas, pinadas, com até 3 m de comprimento. As pinas são longas e estreitas; as bainhas são bem desenvolvidas formando um coroamento verde muito característico no ápice do caule (CK AGRÍCOLA,s/d).

As flores são unissexuais, sendo as masculinas em maior número, de coloração amareladas, numerosas, com 3 a 6 mm de comprimento, distribuídas em grupo de três, uma feminina entre duas masculinas. A inflorescência é um espádice de 50 a 80 cm de comprimento, composto de várias espigas, inseridas abaixo das folhas. Na antese, a inflorescência está envolta por uma grande bráctea que a protege até o seu desenvolvimento (CK AGRÍCOLA,s/d).

Os frutos são carnoso, fibrosos, com endosperma muito abundante e não ruminado (QUEIROZ, 2000).

A semente é quase esférica, parda-grisácea a parda-amarelada, envolta por uma cobertura fibrosa, com até 10 mm de diâmetro. As sementes desta espécie possuem endosperma muito abundante, com alto teor de reservas, as quais constituem-se de carboidratos (cerca de 88%), proteínas (10%) e lipídeos (2%) (REIS,1995).

Reprodução

Planta monóica, sua dispersão é feita por vários mamíferos (morcegos, porcos-do-mato, serelepes) e aves (sabiás, jacus, tucanos, macucos, jacutingas).

A floração ocorre de setembro a dezembro, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, e de setembro a janeiro, em São Paulo (CK AGRÍCOLA,s/d).

Os frutos amadurecem de abril a novembro, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul; de maio a outubro, no Paraná e, de maio a novembro, em São Paulo. O processo reprodutivo inicia ao redor dos seis anos de idade, em plantio. A frutificação é, em geral abundante, podendo uma planta em condições favoráveis, produzir 216 a 528 cachos/ha e de 6 a 8 kg de frutos por ano, o que equivale entre 8.000 e 10.000 sementes ou média de 5 kg (CK AGRÍCOLA,s/d).

Os padrões de floração e frutificação do palmiteiro Euterpe edulis Mart foram estudados por 4 anos (1994 a 1997) por Fisch el al. (2000). Como resultado, a floração desta espécie apresentou-se como um episódio singular, que se iniciou no final da estação seca (agosto) e se concentrou nos meses de outubro e novembro. A maturação dos frutos ocorreu nos meses de maio e junho e se estendeu até novembro (97).

Ocorrência

O palmito ocorre no estrato médio da Floresta Ombrófila Densa, desde o sul da Bahia (15ºS) até o norte do Rio Grande do Sul (30ºS), com distribuição preferencial ao longo do litoral brasileiro, no domínio Florestal Tropical Atlântica, ocorrendo também na maior parte das formações Estacional Decidual e Semidecidual (REIS et al.,2000)

Clima

Segundo Carvalho (1993), a temperatura média anual das áreas onde ocorrem os palmitos varia entre 17ºC a 26ºC, sendo a média do mês mais frio de 13º a 24º, tolerando regiões com até sete geadas anuais e temperatura média do mês mais quente de 20º a 27º. Ainda, de acordo com o autor, a espécie ocorre em regiões com precipitação média anual entre 1000mm a 2200mm, apresentando melhor crescimento com índices pluviométricos superiores a 1500mm, distribuídos de maneira uniforme. A espécie ocorre também em regiões com estacionalidade (Florestas Estacionais), tolerando uma estação seca de até três meses, com déficit hídrico leve como no sul da Bahia e sul do Mato Grosso do Sul.

Solo

Os solos em que a planta melhor se adapta são argissolo, latossolo, neossolo quartzarênico e nitossolo.

Em pesquisa realizada por Nogueira Jr. et al. (2003) para verificar a influência da umidade do solo no desenvolvimento inicial de plantas do palmiteiro, concluiu-se que os parâmetros altura e diâmetro do colo foram mais influenciados pelos microssítios e que o número de folhas e segmentos foliares não apresentaram diferenças nos ambientes estudados.

O crescimento de plântulas foi favorecido pelo microssítio saturado (grota com umidade do solo durante o estudo variando entre 61 a 75%) e o de jovens foi favorecido pela Meia-encosta, cuja umidade do solo durante o estudo variou entre 40 e 46%. Esses resultados sugerem que para E. edulis há diferenças na exigência dos fatores ambientais requeridos para o crescimento em função da mudança de estádio ontogenético.

Pragas e Doenças

O palmiteiro é suscetível ao ataque dos fungos Diplodia sp. e Triclariopsis paradoxa (queima preta). Ambos causam pequenas lesões na planta e são facilmente controlado com fungicidas (AMBIENTE BRASIL, s/d).

O inseto mais nocivo é o coleóptero Rhyncochorus sp. O adulto deposita os ovos na base da folha do palmiteiro e a larva desenvolve-se alimentando-se das folhas internas, até chegar ao meristema apical, matando a planta (AMBIENTE BRASIL,s/d).

O palmiteiro também pode ser infestado por besouro da família Scolytidae, com danos leves.

A Madeira

Usos da Madeira

A madeira do Euterpe edulis pode ser utilizada para construção civil e rural como como ripas, caibros, escoras de andaimes e calhas para condução de água. Também pode ser usada na produção de celulose e papel (UFSC,s/d).

Nunes et al. (1999) estudaram a utilização do material vegetal desprezado por ocasião da colheita do palmito para a produção de chapas de partículas que mostrou-se apto, uma vez que, para alguns tratamentos, foram obtidos bons resultados em relação à ligação interna e ao inchamento. No geral, as melhores respostas foram observadas quando da utilização das partículas com a menor granulometria e aplicando-se a maior porcentagem de adesivo.

Produtos Não-Madeireiros

Os frutos exercem forte atração sobre pássaros, roedores e mamíferos e as sementes podem ser utilizadas em ração animal. Quanto a casaca do fruto, esta fornece tinta para tingimento de tecidos.

A cabeça do estipe, o popular palmito, é mantido em conserva e largamente consumido na alimentação em todo o Brasil.

Como a palmeira produz pólen abundante, também pode-ser utilizada para produção apícola.

As folhas são usadas no artesanato e também como ração animal.

Segundo Nogueira (1982) apud Fisch (1998), o estipe novo pode ter suas fibras utilizadas na fabricação de vassouras; o estipe maduro para caibros e ripas para construção; as folhas usadas para coberturas temporárias e forragio e os frutos fornecem um ‘vinho’ semelhante ao do açaí.

Outros Usos

A espécie é ornamental desde pequena e pode ser cultivada em vaso; quando adulta, em jardim. Além disso é recomendada para recomposição de mata ciliar, para locais com inundações de média a longa duração.

Sementes

A propagação do palmiteiro é feita através de sementes. O amadurecimento dos frutos no cacho é heterogêneo, podendo ser distinguidos pela sua coloração.

De acordo com Leão e Cardoso (1974) apud Lin (1988), para a finalidade de propagação da espécie, os frutos do palmiteiro devem ser colhidos quando atingem o ponto ótimo de maturação, apresentando-se pretos e luzidios.

A extração da sementes dá-se por lavagem e maceração do fruto sobre peneira, para retirar a polpa que envolve as sementes.

O palmiteiro Euterpe edulis Mart. apresenta grande variação no peso de seus frutos e sementes, variando de 1000 a 2000 sementes por kg (FLEIG e RIGO, 1998).

As sementes devem ser postas em peneiras e secas em ambiente sombreado e ventilado por dois ou três dias, para retirada do excesso de umidade.

É discutível a necessidade de tratamentos pré-germinativos.

Entretanto, são recomendados para acelerar a germinação:

a) imersão em água fria por 48 horas
b) estratificação em areia úmida por 30 dias ou
c) escarificação mecânica

Experimentos realizados em laboratório demonstram que sementes escarificadas (retirada do tegumento) apresentam uma germinação uniforme em um período de 45 dias, enquanto não escarificadas continuam o processo de germinação por um período superior a quatro meses (AMBIENTE BRASIL,s/d).

As sementes do palmiteiro apresentam, em seu estágio de maturidade fisiológica, um elevado teor de umidade (50 a 55%), dificultando por diferentes razões seu armazenamento. As sementes mantêm a viabilidade parcial por seis meses em ambiente de sala ou por onze meses em câmara fria (T= 5 a 10º C e UR = alta), em saco plástico bem fechado (AMBIENTE BRASIL,s/d).

Produção de Mudas

Atualmente, o palmiteiro encontra-se confinado as unidades de conservação estatais e, raramente, em remanescentes da Mata Atlântica. Por suas características ecológicas e econômicas o Euterpe edulis Mart. é uma espécie chave para o manejo sustentável das formações florestais nativas da área de domínio da Floresta Atlântica.

Nos remanescentes destas formações florestais o palmiteiro é raro, exigindo portanto, intervenções silviculturais para o estabelecimento desta espécie.

O palmiteiro pode ser estabelecido pela semeadura direta de frutos com polpa, despolpados ou pelo plantio mudas. Para a implantação do palmital é recomendado a utilização de frutos maduros (FLEIG e RIGO, 1998).

Segundo Cardoso e Leão (1974) apud Lin (1988), pelo fato de os frutos do palmiteiro possuírem um certo período de dormência, a sua germinação é geralmente lenta e desuniforme.

A desuniformidade da germinação dos frutos de palmiteiro e sua distribuição no tempo constituem-se nos principais problemas para teste de germinação padrão no laboratório. A germinação dos frutos pode, no entanto, ser acelerada através do seu despolpamento.

Ao determinar o efeito do tamanho e do amadurecimento sobre a viabilidade, germinação e vigor do fruto de palmiteiro LIN (1988) concluiu que os frutos de maior diâmetro têm maior peso de matéria seca, os frutos com maior tamanho apresentaram melhor germinação, os frutos bem maduros, com pericarpos pretos, tiveram maior germinação e vigor do que os frutos verdes.

Para produção de mudas, recomenda-se semear duas a três sementes do palmiteiro em recipiente ou a semeadura direta no campo, utilizando-se três sementes ou mais, previamente despolpadas, semeadas em covas de 5cm de profundidade. Em sementeira, deve-se utilizar areia de rio como substrato e mantê-la sempre úmida. A germinação inicia-se entre 30 e 170 dias.

A repicagem é realizada de uma a três semanas após a germinação, ou após o aparecimento das folhas. O tempo total de viveiro é de no mínimo 9 meses (AMBIENTE BRASIL,s/d).

Aspectos Silviculturais

O plantio a pleno sol do palmiteiro não é viável. A espécie é adequada para plantio de enriquecimento em vegetação secundária, podendo o sombreamento ser definitivo ou temporário. Mudas com até 3 anos não suportam sombreamento excessivo nem sol direto. Após o plantio de enriquecimento em florestas secundárias, o controle das ervas competitivas é feito através de roçadas periódicas em torno da planta, tomando-se o cuidado de não danificar suas raízes superficiais (AMBIENTE BRASIL,s/d).

O palmiteiro demora de oito a doze anos para alcançar o tamanho comercial no Brasil. Posteriormente, o palmital permite cortes de três ou quatro anos, para possibilitar a regeneração natural da espécie. O corte é recomendado somente após a primeira florada, pois, se houver corte prematuro da árvore, não haverá sementes para regeneração natural da espécie (AMBIENTE BRASIL,s/d).

Crescimento e Produção

Os poucos dados disponíveis sobre o crescimento do palmiteiro indicam um incremento anual máximo em altura de até 0,75 m e médio de 0,45 m. Demora aproximadamente 10 anos para alcançar tamanho comercial no Brasil. A produtividade dos palmitais nativos é variável, estando relacionada ao tipo de estádio da floresta (IPEF,s/d).

Fonte: www.ipef.br

Palmito

Nas décadas de 40 e 50 o Estado de São Paulo foi um dos maiores produtores nacional de palmito juçara atingindo praticamente 50% da produção nacional.

Atualmente o Estado contribui com cerca de 2% do palmito consumido, evidenciando-se que nos últimos 30 anos o palmito nativo paulista foi praticamente extinto.

Por ser um alimento nobre e muito apreciado, o grande consumo de palmito transformou o Brasil no maior exportador, responsável por cerca de 95% do palmito consumido em todo o mundo.

No entanto, devido ao extrativismo desenfreado das espécies nativas de palmito juçara (Euterpe edulis) e açaí (Euterpe oleraceae), que são muitas vezes retiradas das florestas de forma clandestina, foi criada uma legislação no sentido de coibir tal prática. A ação dos palmiteiros clandestinos (com o significado de ladrão de palmito) provoca sérios prejuízos ao equilíbrio da floresta, com danos notadamente para a fauna que se alimenta daquelas espécies. Além disso, coloca em risco também a saúde dos consumidores, no momento em que estes adquirem produtos que muitas vezes foram "industrializados" sem condições mínimas de higiene, no interior das matas, de forma clandestina e sem os cuidados higiênicos necessários.

Em função da quase extinção do palmito juçara, originário da Mata Atlântica e ecosistemas associados, atualmente cerca de 97% do palmito brasileiro comercializado, o açaí, é proveniente da Floresta Amazônica, originário do Estado do Pará, o que tem levado a indústria palmiteira ao deslocamento para a Região Norte, para extrair e industrializar o palmito açaí, podendo ocorrer também lá a extinção econômica da espécie, caso a extração continue no mesmo ritmo atual. Diante desta situação de escassez e rigor, o próprio mercado obrigou-se a buscar uma alternativa ambientalmente correta e economicamente viável que atendesse este filão que cresce continuamente.

História da Pupunha

Desde o evento mundial denominado "RIO 92", quando os países participantes foram signatários de um acordo no sentido de que a partir do ano 2000, a importação e/ou exportação do palmito a ser consumido deverá ser proveniente de florestas plantadas e não simplesmente extraído da mata nativa, o Brasil começou a estudar a viabilidade do plantio do palmito pupunha.

Através de pesquisas ficou comprovado que o solo argilo-arenoso, clima quente e chuvas freqüentes, são requisitos ideais e correspondem as condições da região do Vale do Ribeira.

Uma variedade do palmito que ao ser cultivada tem garantido o selo de qualidade de origem, uma espécie de passaporte que assegura a sua livre comercialização.

No ano de 1993 aconteceu um dos primeiros encontros regionais para discutir a viabilidade, de se plantar com finalidade econômica espécies de palmito. Dentre as quais, foi apresentada a espécie pupunha, cuja origem é a Floresta Amazônica, e a variedade utilizada (sem espinhos) provém da Amazônia peruana.

Benefícios gerais decorrentes

Diversificação dos sistemas de produção introduzindo uma nova alternativa de cultura agroflorestal da região:

Geração de empregos na cidade e no campo
Instalação de uma ou mais unidades industriais para o processamento do produto
Obtenção do volume de matéria prima suficiente para sustentar a produção em escala
Abastecimento do mercado interno e externo
Oferta de um produto que esteja apto à livre comercialização nacional e internacional
Aumento da cobertura florestal da propriedade, com uma espécie protetora do solo, diminuindo a contaminação dos rios e nascentes
Diminuição da pressão extrativista sobre os remanescentes naturais
Benefícios sociais com ênfase à geração de empregos

O plantio ecológico de palmito Pupunha tem por finalidade gerar empregos diretos na indústria e no campo, beneficiando os trabalhadores rurais e urbanos e suas famílias. Possibilita a diminuição do êxodo rural, com conseqüente fixação do homem no campo, oferecendo uma nova alternativa econômica ao proprietário e trabalhador rural de maneira precoce, permanente e não perecível. Também oferece uma fonte extra de renda ao produtor, que pode vender o produto "palmito in natura" direto ao consumidor.

Benefícios econômicos com ênfase à geração de renda:

Tem por objetivo criar uma nova alternativa de renda aos produtores rurais, permitindo a diversificação da propriedade e diminuindo a monocultura. A estimativa de receita líquida a partir do segundo ano de implantação é atualmente de R$4.000,00/ha. Os Municípios serão beneficiados com o aumento na arrecadação de impostos e em contrapartida o comércio, através do aumento do consumo interno decorrente da circulação de moeda na comunidade local.

Benefícios ambientais

O aumento da oferta de palmito de pupunha, com preços acessíveis, desestimula o consumo extrativista do palmito nativo, notadamente do palmito extraído e industrializado de forma clandestina e ilegal. Esta cultura possibilita o reaproveitamento de áreas degradadas e/ou de baixa fertilidade. A mesma, caracteriza-se ainda pela proteção do solo através da densa cobertura vegetal, melhorando suas condições químicas, físicas e biológicas, regenerando o solo com a incorporação do excedente de partes da planta que não se aproveita comercialmente. Os resíduos servem ainda como complemento para alimentação animal.

A cultura permite a formação de "barreiras florestais", colaborando para que não haja contaminação dos mananciais pelas águas de enxurradas e formando quebra-ventos de proteção. Outro fator importantíssimo consiste na não utilização de produtos considerados tóxicos ao homem e ao meio ambiente. Além do mais, proporciona a formação ou recuperação de reservas florestais de forma sustentada, sendo indicada devido às suas qualidades ecológicas.

O cultivo sustentado permite a preservação de outras espécies nativas como o juçara e o açaí, possibilitando às indústrias o cultivo e a industrialização de uma espécie alternativa, evitando extração clandestina das reservas ecológicas.

Benefícios indiretos com ênfase ao desenvolvimento regional

A introdução da cultura do palmito pupunha na Região do Vale do Ribeira vem proporcionar uma nova alternativa de produção rural, com rentabilidade comprovada e ainda com a vantagem de ter um mercado consumidor habituado ao produto.

A cadeia produtiva do palmito de pupunha, desde a produção de mudas até o consumidor final irá proporcionar o desenvolvimento sócio-econômico regional.

Os municípios, através do fomento e incentivo à implantação da cultura do palmito e política de incentivo para atração de unidades processadoras de matéria prima promovem a geração de trabalho e renda para a comunidade local.

Resultados decorrentes

O plantio do Palmito Ecológico que se desenvolve, busca na primeira etapa a produção e fornecimento de mudas aos produtores a um custo reduzido. Na segunda ocorre a implantação e assistência técnica necessária aos produtores rurais, através da Secretaria Estadual de Agricultura e Meio Ambiente (que desenvolve o Programa Florestas Municipais do Governo do Estado) em conjunto com CATI-SP. (Projeto Alternativas Agroflorestais). Na terceira etapa, ocorre a colheita e a comercialização da matéria prima, com a implantação de uma ou mais unidades para o processamento industrial e comercialização do produto.

Em apoio aos produtores rurais do município de Pariquera-Açú, a prefeitura municipal mantém programas de subsídio na aquisição de mudas e utilização de máquinas para o preparo e conservação do solo.

O Projeto Palmito Ecológico está diretamente ligado aos objetivos do Programa Florestas Municipais (Governo de São Paulo/CATI), no qual a Prefeitura Municipal de Pariquera-Açu está integrada.

Aspectos de mercado e comercialização

O palmito é um produto nobre e com mercado garantido, sendo o Brasil o maior produtor mundial com aproximadamente 95% do total. De todas as exportações de hortaliças no ano de 1987 que foi de US$/FOB 41.253.110,00, o palmito representou US$/FOB 35.539.417,00 sendo os maiores importadores a França e os Estados Unidos. O Brasil, somente para atender o consumo interno, necessita de uma área cultivada de 130.000 hectares atualmente.

No mercado interno o palmito é muito apreciado, sendo uma das conservas mais consumidas pelos brasileiros. Entretanto, dado o grande volume de palmito colhido e processado clandestinamente, o produto consumido no Brasil apresenta com frequência relativamente alta, má qualidade, muita fibra e acidez elevada.

A cultura da pupunha permite um cultivo racional e um processamento industrial dentro de parâmetros técnicos adequados à qualidade e higiene.

No contexto regional, o município de Pariquera-Açú conta com sua localização privilegiada, pois é "vizinha" da Capital de São Paulo, cidade importante tanto em relação ao consumo, quanto à revenda da mercadoria.

A cultura da pupunha é lucrativa e ambientalmente correta.

Da aparência ao paladar a pupunha é hoje uma das substitutas naturais do palmito obtido das espécies juçara ou açaí. Por todas as qualidades que apresenta, vem a ser a planta economicamente viável e ambientalmente correta.

Na verdade o palmito nativo que se consome normalmente é uma porção muito pequena de uma palmeira, ou coqueiro. São plantas que demoram em média oito anos para que o seu meristema apical se transforme em palmito na extremidade superior do seu caule e, uma vez cortadas, não originam outra porque seu sistema de reprodução é por sementes. Por outro lado, o palmito de pupunha é de rápido desenvolvimento.

É uma cultura precoce e permanente. A partir do segundo ano de cultivo proporciona o retorno do capital investido com certa margem de lucro na primeira colheita. Seu sistema de reprodução por brotação (perfilhamento) possibilita nova colheita a cada oito meses, garantindo rendimento por 18 a 20 anos se a lavoura for bem conduzida.

O agricultor corta a planta adulta escolhendo entre 2 a 4 brotos que a cada safra serão as novas plantas para o consumo. Com seu desenvolvimento desuniforme o agricultor faz a colheita sem o acúmulo de trabalho, podendo optar por efetuar a colheita quando mais lhe convir ou quando o mercado ofertar melhor preço, visto não possuir riscos de perdas das plantas a serem colhidas.

Como rendimento, oito meses após a colheita inicial, é possível obter 1,5 plantas/cova em média. Exemplificando, o agricultor que plantou 5.000 mudas em uma área de um hectare, ao longo da colheita a mesma quantia plantada irá aumentar para 7.500 plantas aptas para o consumo. Ou seja, cada cova rende 1,5 pé de palmito de pupunha, a média da lavoura.

No segundo ano de cultivo a planta está apta para o consumo e até o estágio atual de estudos práticos existentes em torno da cultura, o uso de agrotóxicos continua descartado.

Sendo uma cultura permanente já existe projeto em andamento para que o agricultor possa acrescentá-la em sua propriedade, como uma das espécies visando recuperar a cobertura florestal mínima necessária.

É possível utilizar a planta por completo. As folhas podem alimentar o gado, servir de cobertura para galpões ou como adubo orgânico. É utilizada ainda para a confecção artesanal de cestarias e outros.

Com o palmito de pupunha no mercado com preço acessível e de qualidade, o produto extraído e processado clandestinamente será preterido pelo consumidor em função da diferença na qualidade.

Dessa forma, a pressão sobre os remanescentes de palmito nativo, notadamente do palmito juçara (Euterpe edulis) proveniente da Mata Atlântica será diminuída.

A pupunha pode ser cultivada em pequenas propriedades, garantindo a permanência do homem no campo, pois transforma-se em uma fonte de renda extra. Sua colheita não exige investimento em máquinas e equipamentos, proporcionando trabalho ao homem do campo.

Fonte: www.rosolenalimentos.com.br

Palmito

Difícil encontrar quem não goste de palmito. Mas, difícil também, quem o consuma sem preocupação ou mesmo uma certa dose de culpa. A origem desses dissabores está no caráter extrativista predatório e a conseqüente "industrialização" clandestina que a coleta do palmito tradicionalmente teve.

Seus apreciadores viviam o dilema de consumi-lo e colaborarem com a destruição das reservas naturais e/ou, tornarem-se vítimas da toxina botulínica. Tentando minimizar o mal, passavam horas na frente das prateleiras lendo todos os rótulos, buscando um palmito digno de confiança - ou um restaurante, cuja seriedade do chef garantisse o prazer sem riscos.

Era essa a realidade, até que apareceu no mercado o pupunha, logo chamado de ecológico por ser um palmito cultivado, processado sob rígidos padrões de higiene, e cuja comercialização não devasta o meio ambiente.

Não exatamente a mesma coisa, mas quase igual, o palmito pupunha difere do tradicional em relação ao sabor - mais doce, à coloração - mais amarelada, e à consistência - mais firme, que permite que não se desmanche com o cozimento. A inexistência da enzima peroxidase em sua composição faz com que não escureça rapidamente após o corte, possibilitando uma conserva sem aditivos químicos e tornando viável o seu consumo "in natura".

E assim, para felicidade geral dos "palmitólatras", o pupunha resgatou o prazer (sem culpa) de desfrutar dessa iguaria única, deliciosa, que traz em si o exotismo das florestas tropicais de onde se origina, e que inflama a criatividade de chefs e aficionados do bem comer.

A planta e o palmito pupunha

Palmeira nativa dos trópicos úmidos americanos, a pupunha (Bactris gasipaes) é uma palmeira perene. Também já era conhecida e cultivada pelos indígenas pré-colombianos da região, não para obtenção do palmito, mas por seus frutos, ricos em proteínas e carboidratos e com alto teor de vitamina A, que, até hoje, constituem a base da alimentação de boa parte dos habitantes dessa zona do mundo.

A pupunha é uma palmeira multicaule da família das palmáceas, a mesma da carnaúba, do babaçu e do açaí. Atinge vinte metros de altura e, na fase adulta, erguem-se do solo de 10 a 15 caules secundários, os quais formam imponente touceira ao redor do espinhoso caule central e garantem a renovação da planta.

Nem todos esses filhotes chegam a frutificar e os estéreis podem ser aproveitados para a obtenção de palmitos, sucedâneos perfeitos dos palmitos de açaí e juçara, espécies já por demais submetidas à devastação extrativa.

Por se tratar de uma espécie domesticada, a pupunheira é mais resistente que a maioria das outras espécies e caracteriza-se pela precocidade (produz a partir do 18°/20° mês do plantio, sem que haja necessidade de “matar” a palmeira), rusticidade (vai bem em solos arenosos) e perfilhamento (permite sua exploração contínua). Além disso, novos cortes podem ser feitos na mesma planta, o que dispensa o replantio da área. O cultivo é indicado para áreas agrícolas tradicionais, pois não oferece dano às matas nativas, sendo esta a principal vantagem ecológica.

O palmito pupunha difere do tradicional em relação ao sabor (mais doce) e à coloração (mais amarelada). Seu caráter mais firme permite que não se desmanche com o cozimento e a inexistência da enzima peroxidase em sua composição faz com que não escureça rapidamente após o corte, o que possibilita uma conserva sem aditivos químicos e torna viável o seu consumo "in natura".

Estimulados pela boa aceitação do mercado e também pelo acordo assinado no Fórum Global da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento "RIO 92" que, desde o ano 2000, limitou a importação e/ou exportação aos palmitos provenientes de florestas plantadas, os produtores brasileiros vêm ampliando as áreas de cultivo o que, além de desestimular o consumo extrativista do palmito nativo, garante, nas mesas de todo o mundo, o consumo permanente dessa iguaria deliciosa.

O palmito é preparado de três modos: picado, rodela e o nobre. 70% da produção do palmito in natura, é vendida diretamente para as feiras livres. O excedente vai para duas indústrias de Jaboticabal e Cajobi. Como a demanda é sempre maior que a oferta, os produtores da cidade já fizeram o pedido de registro no Ministério da Agricultura para a produção em conserva.

O fruto da Pupunha

Muitas frutas nativas da Amazônia, malgrado seu valor nutritivo, como a pupunha, tiveram seu consumo por longo tempo restrito à região, como parte de hábitos herdados dos índios. Entre essas frutas destaca-se a pupunha, que despertou interesse por suas propriedades e subprodutos que fornece.

Em condições naturais, a pupunha começa a frutificar em grandes cachos aos cinco anos, tempo que se reduz à metade em condições especiais de cultivo. Atinge uma produtividade em torno de 20t/ha/ano. Quando os frutos alcançam o ponto de maturação, faz-se a colheita para tanto se usa varas com podão preso na extremidade.

As flores masculinas caem após liberar o pólen e as femininas desenvolvem-se em pequenos frutos vermelhos, amarelos ou alaranjados, com cerca de cinco centímetros de diâmetro. Muito ricos em vitamina A e com expressivo teor de proteínas e amidos, podem ser comidos cozidos em água e sal e se prestam também à extração de óleo e à produção de farinha. Dos resíduos, faz-se ração para animais. A partir da década de 1970, a pupunha tornou-se alvo de pesquisas para o cultivo intensivo em outras áreas. Na Bahia, primeiro Estado extra-amazônico a cultivar a espécie, a colheita da pupunha vai de novembro a março.

Variedades

De forma geral, as variedades ou tipos de pupunheira são agrupadas segundo a coloração da casca dos frutos (do vermelho intenso ao alaranjado e do amarelo ao rajado e do verde-amarelo), o teor de óleo na polpa e a existência ou não de sementes nos frutos. Recentemente, as pupunheiras foram classificadas, também, em raças com base na espessura da polpa, isto é microcarpa, mesocarpa e macrocarpa.

O peso do fruto vaia de 20g a 100g ou mais, de acordo com a consistência seca, feculenta ou muito oleosa da polpa.

Fonte: correiogourmand.com.br

Palmito

Palmito
Palmito

Valores Nutricionais

Porção: 100 g
Kcal: 18
HC: 3.7
PTN: 1.6
LIP: 0.1
Colesterol: 0
Fibras: 0.4

O palmito é a parte interna e superior do palmiteiro, um tipo de palmeira. Sua textura macia e seu sabor inconfundível o torna um ingrediente muito apreciado em saladas ou como recheio em tortas e salgados.

Cem gramas de palmito fresco fornecem aproximadamente 26 calorias. Cerca de 90% de sua composição é água.

O palmito possui também 5% de carboidratos e 2% de proteínas, além de ser uma fonte razoável de minerais com cálcio, fósforo e ferro. Ele ainda fornece pequenas quantidades de vitaminas C e do complexo B.

Palmito é um nome que se dá a uma parte comestível de uma planta chamada Euterpe edulis, comumente conhecida pôr juçara. Só o miolo da planta, cilindro de 30cm de comprimento pôr 8cm de diâmetro, se utiliza para o consumo.

Este miolo é formado pôr camadas sucessivas, que variam de cor e espessura, Para se obter o palmito, a palmeira é derrubada, embora se aproveite só a ponta da planta.

Destaque Nutricional

O palmito tem poucas calorias e gorduras. Porém é rico em sais minerais, como cálcio, fósforo e ferro. Também é um boa fonte de vitamina C e , em menores quantidades, de vitaminas do complexo B.

Fonte: www.rgnutri.com.br

Palmito

O palmito-juçara (Euterpe edulis), que possui palmito de altíssima qualidade, mas um ciclo de produção longo, tem uma exploração predominantemente extrativista, sendo que muitas vezes as árvores são cortadas antes mesmo de frutificarem.

Explorado intensamente a partir da década de 70, esta espécie de palmito já é considerada ameaçada de extinção em alguns estados brasileiros, e se o mesmo ritmo de extração continuar, logo será uma espécie ameaçada em todo o país.

Apesar da retirada sem a realização e a aprovação de um plano de manejo sustentado ser proibida por lei, a exploração predatória tem avançado no país, e boa parte do palmito-juçara comercializado e exportado pelo Brasil atualmente é ilegal.

Um dos últimos refúgios para essa espécie de palmeira no interior do estado do Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu vem sendo alvo da extração ilegal de palmito-juçara a qual vem acontecendo em grande escala.

Além da diminuição do “estoque” populacional dessa espécie no parque, a intensa retirada das árvores de palmito ocasiona a formação de clareiras na mata, o que provoca um conjunto de processos conhecidos como “efeito de borda”. Este efeito é caracterizado por uma série de alterações microclimáticas, iniciando com a elevação da temperatura do solo e conseqüente aquecimento do ar no interior da floresta, incorrendo na perda de umidade por evaporação e tornando o ar mais seco, facilitando a propagação de incêndios florestais. Outra alteração decorrente deste processo é o aumento da exposição de árvores à ação do vento, o que se torna desastroso em épocas de ventanias, ocasionando a queda de muitas árvores.

As modificações do microclima e a queda das árvores desencadeiam também outros efeitos. Com o aumento da insolação e o ressecamento, as plantas heliófitas começam a aumentar, impedindo o crescimento das plântulas das grandes árvores (em geral adaptadas a germinar na sombra) e transformando a área em uma densa macega de vegetação arbustiva baixa e com dossel aberto.

Além das alterações paisagísticas, a retirada de palmito interfere na dinâmica populacional da floresta, já que a interrupção na produção de sementes provoca prejuízos diretos para a avifauna e a mastofauna. Por se tratar de uma fonte alimentar importante para diversas espécies animais, sua escassez repercute ao longo da cadeia trófica, interferindo no equilíbrio das populações de animais consumidores, como o macuco (Tinamus solitarius), a jacutinga (Pipile jacutinga), guariba (Alouatta fusca) e anta (Tapirus terrestris). Além das espécies citadas, todas inclusas na lista oficial de animais ameaçados de extinção no território brasileiro, outras 36 espécies encontradas na área se utilizam deste alimento (Urban, 2002).

Outro aspecto importante a se considerar, é que as conservas preparadas pelos palmiteiros ilegais são produzidas em condições completamente inadequadas, geralmente, são fabricadas no próprio lugar de extração e os cuidados de higiene são, quase sempre, inexistentes e o cozimento do palmito bem como a esterilização é feita a céu aberto. Essa falta de cuidados facilita a contaminação do alimento pela bactéria Clostridium botulinum, que produz uma toxina que quando ingerida pelo ser humano, provoca um comprometimento severo do sistema nervoso e que, se não tratado a tempo, é fatal.

Fonte: www.ibama.gov.br

Palmito

Palmiteiro Juçara

O palmiteiro, nativo do Brasil, ocorre principalmente no complexo atlântico, com exceção do mangue, e com menor intensidade nas formações florestais interioranas, desde a Bahia até o Rio Grande do Sul. Também conhecido como JUÇARA, PALMITO-DOCE e IÇARA, é típico de locais úmidos e sombreados. O termo edulis significa comestível e se refere, nesta espécie, ao palmito. Seu estipe é reto, com 10 a 20 m de altura e 10 a 20 cm de diâmetro (DAP).

As folhas, de 1 a 1,5 m de comprimento, são pinadas, com bainhas de coloração acastanhada e folíolos longos, estreitos e geralmente pendentes. Esta palmeira monóica possui uma inflorescência infrafoliar muito ramificada, de 60 cm de comprimento, e espata acanoada que se desprende da planta com a inflorescência ainda jovem. Depois de maduros, os frutos esféricos são de coloração preta.

Floresce na primavera e a maturação dos frutos ocorre no outono e inverno.O estipe pode ser usado em construções rústicas e suas fibras na fabricação de vassouras.

As folhas podem servir de alimentação para o gado. A extração do palmito, que resulta na morte da planta, é feita, na maioria das vezes, de maneira predatória, eliminando-se inclusive plantas muito jovens. Para que não haja nenhum prejuízo à regeneração natural dessa espécie, deve ser mantido, no mínimo, 1 palmiteiro, em fase de frutificação, a cada 200 m2 de mata.

Fonte: www.esalq.usp.br

Palmito

Palmito Juçara ( Euterpe edulis )

Palmito
Palmito Jussara

Características

O palmito juçara é uma planta nativa da Mata Atlântica pertencente à família das palmeiras e ao gênero Euterpe, do qual fazem parte 28 espécies encontradas entre as Antilhas e a América do Sul.

Espécie de sombra, principalmente em sua fase jovem, necessita de cobertura florestal para o seu desenvolvimento, elevado teor de umidade do solo e extensa camada orgânica em decomposição. Depois de crescida, precisa de sol. Enfim, um ambiente típico de mata nativa.

Área de Ocorrência

Com distribuição natural entre o sul da Bahia e o norte do Rio Grande do Sul, o palmito juçara é encontrado em abundância na Floresta Ombrófila Densa e na maior parte das Florestas Estacional Decidual e Semidecidual. Na Floresta Ombrófila Mista, sua ocorrência está restrita às áreas ciliares.

Comum em regiões com altitudes entre 700 e 900 metros e com precipitação anual entre 1 mil e 2,2 mil milímetros, ocorre também em áreas de estacionalidade, com déficit hídrico de até três meses, freqüentes no sul da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Apresenta melhor desenvolvimento, entretanto, em áreas com precipitações médias de 1,5 mil milímetros/ano.

Desenvolve-se bem em temperaturas médias de 17ºC a 26ºC, tolerando até sete geadas durante o ano. É encontrado geralmente em solo fértil, com textura arenosa e argilosa e drenagem de boa a regular, mas deve ser evitado em solos secos, pois a ausência de água e o solo arenoso são prejudiciais à espécie. Solos encharcados e de argila pesada também não são recomendados.

Importância

A preservação do palmito juçara está diretamente ligada à manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica, uma vez que sua semente e seu fruto servem de alimento para diversos animais, como tucanos, sabiás, macucos, periquitos, maritacas, jacus, jacutingas, porcos do mato, antas, marsupiais, ratos-de-espinho, esquilos, tatus e capivaras.

A importância da conservação da espécie também está relacionada ao período de sua frutificação. Por ocorrer no inverno, quando a maioria das outras árvores está sob estresse hídrico devido ao período seco, é um alimento fundamental na mata.

Além disso, o palmito juçara serve de alimento para o homem e suas palmeiras fornecem frutos, açúcar, óleo, cera, fibras, material para construções rústicas, matéria-prima para a produção de celulose, entre outros.

Plantio

Devido às características ecológicas do palmito juçara, é inviável plantá-lo como uma cultura agrícola convencional. As formas de cultivo indicadas são o sombreamento definitivo (mata nativa), o sombreamento temporário e o consórcio com outras plantas.

Recomenda-se o plantio em áreas onde já ocorram o Euterpe edulis, com a utilização do sistema de semeadura direta e o remanejamento de mudas formadas em viveiros. Normalmente, o sombreamento temporário é feito com bananeiras, leguminosas arbustivas ou cultivares de porte baixo, pois a partir do seu terceiro ano a palmeira deve ser exposta ao sol.

Do cultivo consorciado, até hoje só foi estudada a combinação do açaizeiro com seringueiras (Hevia brasiliensis), onde apresentaram viabilidade em regiões com baixa deficiência hídrica.

O espaçamento médio utilizado entre os palmiteiros é de 2m x 1m. Os maiores rendimentos por planta são obtidos nos maiores espaçamentos e os maiores rendimentos por área, nos menores espaçamentos.

Reprodução

O período de produção de sementes acontece entre 8 e 15 anos após o plantio, com florescimento durante a primavera e amadurecimento dos frutos entre abril e novembro. Apesar da frutificação abundante, com a produção de aproximadamente três mil sementes por ano, apenas 20% desse total transforma-se em árvores.

Sementes

As sementes estão perfeitamente maduras quando apresentam uma coloração roxa-escura e a planta é considerada adulta quando atinge entre 12 e 15 metros de altura e cerca de 15 centímetros de diâmetro.

Fonte: www.sosribeira.org.br

Palmito

Melhores variedades

Palmito
Palmito

Apesar do grande número de plantas que podem fornecer palmito pai consumo, somente o gênero Euterpe , com as espécies edulis e oleracea, vem sendo explorado comercialmente e, mesmo assim em caráter de extrativismo.

Embora não se conheçam normas definitivas; para a exploração racional dessas espécies, podem ser adotadas as seguintes práticas:

Época de plantio (Transplante): Oito a dez meses após a repicagem.
Espaçamento:
Utilizar espaçamento apertado (2 x 2m), em triângulo equilátero.
Semeadura:
Maio - junho, em canteiros sombreados.
Repicagem:
Mudas com 10-15cm de altura podem ser repicadas para laminados (30 x 10cm) ou saquinhos plásticos.
Tratos culturais:
É necessário sombreamento durante os primeiros estádios de desenvolvimento das plantas.
Época de colheita:
Seis a sete, anos após o plantio no lugar definitivo.

Observações

No caso de culturas em terras despidas e mata, usar, para o sombreamento temporário. bananeira - prata, e, para o definitivo, Erythirina glauca.

A espécie Euterpe edudis, vulgarmente conhecida como palmito - branco ou juçara, tem por habitat natural as zonas litorâneas do Sul, principalmente os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

A Euterpe olerácea, vulgarmente conhecida como açaí, tem por habitat naturaI o Norte.

PALMITO JUÇARA

Palmito
Palmito Juçara

Palmito
Palmito Juçara

Espécie nativa da Floresta Atlântica, dela é retirado o palmito - produto muito apreciado pela culinária mundial. Para esta finalidade, o palmito juçara foi explorado intensamente a partir da década de 70, tornando-se a principal fonte de renda para muitas comunidades da Floresta Atlântica.

Desde então, nenhum plano de manejo da espécie foi efetivamente realizado, levando atividade de corte do palmito ao colapso e ao atual risco de extinção da espécie. Tal situação levou à proibição da atividade de corte do palmito por lei estadual, permitido apenas sua extração em áreas de manejo sustentável.

Entretanto, o excesso de exigências impostas pelos órgãos governamentais para a implantação de reservas de exploração sustentável, tornou a atividade legalizada, impraticável - existem hoje apenas duas reservas de manejo sustentável de Palmito Juçara no Brasil.

Sem alternativas econômicas, as comunidades existentes no Vale do Ribeira que tinham a coleta de palmito como principal fonte de renda, foram empurradas para a marginalidade, roubando o produto de Unidades de Conservação (UCs) e propriedades particulares.

Infelizmente, a exploração predatória e ilegal da espécie continua avançando no país e quase todo o palmito juçara comercializado e exportado pelo Brasil atualmente é proveniente dessas atividades.

Predatória do ponto de vista social, econômico e ecológico, a exploração clandestina de palmito não encontra muitas barreiras no país.

Nome científico: Euterpe edulis Marte

Família: Palmae

Origem: Mata Atlântica

Características da planta

O juçara é uma palmeira esbelta, de estipe reto e cilíndrico, podendo atingir até 15 a 20 cm de comprimento, que não produz perfilhos. Possui folhas pinadas, com pecíolo curto, geralmente pendente, que se encontram inseridas no ápice da estipe. O fruto é uma drupa esférica, com aproximadamente 1,0 a 1,5 cm de diâmetro, de coloração inicialmente verde e, após o amadurecimento, violácea. Uma planta é capaz de produzir até 8 kg de frutos, o que correspondem a quase 6500 sementes/planta.

Características da flor

Flores unissexuadas e reunidas em inflorescências do tipo espádice. Cada espádice é composta por várias espigas ao longo das quais estão inseridas duas flores masculinas e uma feminina.

Atinge 20 m de altura. Tem tronco liso e fino, num tom acinzentado. Entre maio e junho, dá flores miúdas e amarelas. O que se usa como alimento é uma porção de aproximadamente 50 cm da parte terminal do caule - ali, junto às folhas, concentra-se o "creme", o palmito saboroso. Considerado em extinção como produto de extração comercial, ainda se encontra em toda a Mata Atlântica, desde a Bahia até o Rio Grande do Sul, e em planaltos no interior das regiões Sul e Sudeste.

O palmito (Euterpes edulis), também conhecido como palmito-doce e juçara, prefere solos pobres e ácidos em áreas úmidas e sombreadas.

Fonte: www.agrov.com/www.amainan.org

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