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Pinhão

 

Pinhão
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Fruto Soberano

Nos campos do planalto Sul, ela é soberana. Nada chama mais a atenção do que a araucária com sua altura de até 50 metros e grande copa em forma de taça.

Árvore de longa vida e muitos nomes, a Araucaria angustifolia fornece madeira de excelente qualidade, mas também se tornou famosa pelo pinhão, semente produzida com fartura a cada dois anos.

Esse mesmo pinhão que garante a alimentação de muitas espécies animais, principalmente roedores e pássaros, se tornou item obrigatório no cardápio de outono e inverno em milhares de residências do Sul.

O apetite humano por esse fruto pode, inclusive, funcionar como o principal aval para a perpetuação da araucária, que, derrubada sem piedade para a extração de madeira, já esteve ameaçada de extinção. Caso lamentável é o de São Carlos do Pinhal, interior do Estado de São Paulo... Não que, de repente, as pessoas tenham sido contaminadas por um surto preservacionista. A motivação é puramente econômica.

"Para o serrano, o pinheiro hoje está valendo mais de pé, produzindo pinhas, do que cortado, vendido como madeira", explica o fazendeiro catarinense Laélio Bianchini, em cuja propriedade, em Lages, existem 15 mil araucárias. "Muitas famílias tiram o sustento da venda do pinhão e até grandes proprietários conseguem bom capital de giro com seu comércio, já que se trata de iguaria cada vez mais procurada aqui no Estado", acrescenta.

No início de junho, a Fundação de Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) baixaram portaria autorizando o manejo florestal no Estado, incluindo espécies nativas, entre elas a araucária, que em terras catarinenses tinha o corte proibido desde 1992. Mas a procura pela pinha, aliada às dificuldades para colocar madeiras de lei no mercado internacional e sua baixa cotação no mercado nacional, pode tornar o plano de manejo inútil para o pinheiro brasileiro.

"Ele já cobriu grande parte do território catarinense e por isso sofreu a maior pressão de corte", revela Márcia Batista, técnica em controle ambiental da Fatma.

Do final da 2ª Guerra Mundial até a década de 60, a prosperidade dos fazendeiros do Sul e centro do Planalto Catarinense era medida em pinheiros.

Durante o Ciclo do Pinheiro, como ficou conhecida esta época em Santa Catarina, Lages, no Planalto Sul, tinha tanta araucária, que se tornou a cidade mais rica do Estado. Até o pagamento dos funcionários públicos só era possível quando o município remetia sua parte na arrecadação estadual para a capital. No Meio-Oeste, onde os pinheirais também eram abundantes, a extração igualmente movimentou e gerou fortunas.

O mapa de cobertura vegetal elaborado recentemente pela Fatma mostra uma realidade muito diferente: a floresta ombrófila (úmida) mista, onde está incluída a espécie, cobre apenas 13,8% dos 95 mil quilômetros quadrados do território catarinense.

Esgotada sua exploração, as áreas em que as araucárias dominavam estão cobertas por espécies exóticas, principalmente pelos Pinus elliottii e Pinus taeda, para a produção de celulose. Em outras, sequer houve reposição da cobertura original, predominando os campos limpos. Mas quem manteve áreas de preservação está lucrando com a venda do pinhão.

Colhido em três épocas do ano, o consumo desta semente no Planalto Catarinense é tão tradicional que gerou inclusive um dos principais eventos culturais do Estado - a Festa do Pinhão, em Lages, que numa semana, no início de junho último, teve 315 mil visitantes e consumo ou comercialização de 25 toneladas do produto.

"Descobrimos e estimulamos um grande mercado consumidor de pinhão, com muitas variações gastronômicas", afirma Flávio Agustini, diretor da Serratur, órgão de turismo da prefeitura de Lages. Nas rodovias da região, centenas de barraquinhas vendem o produto, cru ou cozido, entre fevereiro e agosto.

"É a época que mais reforço meu sustento, porque o pessoal quer comprar pinhão e acaba levando também feijão, queijo e outros produtos que vendo", diz Eleonora Santos, que tem uma barraca de lona na BR 282, próximo à entrada de Lages. Os frutos que vende vêm de seus 140 hectares, "com uns 500 pinheiros", além do que é colhido nas propriedades vizinhas.

Apesar de sua importância regional como fonte de renda, o pinhão não mereceu estudos de impacto econômico ou social e grande parte de sua comercialização ainda é clandestina, sem emissão de notas fiscais e transportada à noite, evitando as fiscalizações".

DE GALHO EM GALHO

"Há 20 anos, de março a julho, Adelmo Miguel, o Juruna, tem uma obrigação: escalar árvores entre 10 e 35 metros de altura, pisar em galhos de resistência duvidosa e, com longas varas, derrubar as frutas das pontas desses galhos. Natural de Urupema, SC, ele colhe pinhas desde os 6 anos, habilidade herdada do pai, que chegou a ficar dois anos em cadeira de rodas, recupernado-se de uma queda do topo de uma araucária de 20 metros. "Um pinheiro bom rende 300 pinhas, que dão cerca de cinco sacas de 50 quilos de pinhão", explica.

Ele recolhe as pinhas jogadas em torno da árvore, carrega as broacas (bolsas de couro penduradas numa mula) e segue atrás de outras araucárias apinhadas.

Juruna testemunhou muitas vezes o apetite dos animais pelo pinhão. "O ouriço, por exemplo, sobe até a grinfa (copa) da árvores e rói a pinha, sem derrubá-la", conta. "Há 30 anos, os bandos de papagaios que migravam para o planalto na época de pinhas chegavam a escurecer o céu", lembra o fazendeiro Bianchini. A lista de animais, entretanto, é muito grande, começando com o veado branco, passando pelas capivaras, pacas, macacos, preás, esquilos, perdizes e cutias, além de papagaios e gralhas.

E são as cutias, e não a gralha-azul, ao contrário do que diz o folclore, as principais responsáveis pela disseminação de pinheiros.

"A cutia é grande apreciadora de pinhão e comumente enterra-o, para comê-lo depois. Dessa prática nascem milhares de novas araucárias", explica Paulo Ernani Carvalho, engenheiro florestal da Embrapa de Colombo, PR. Os macacos justificam, inclusive, o nome das últimas pinhas que amadurecem, entre o fim de julho e meados de agosto.

Como não debulham e nem caem das árvores, só estes animais conseguem chegar até elas. Por isso, seu fruto é chamado pinhão de macaco.

Os animais domésticos também foram sustentados com a semente de pinha. "Antes das granjas de suínos, os porcos viviam soltos para engordar à base do pinhão", lembra Bianchini. Também os bovinos alimentam-se de pinhões caídos sob os pinheiros".

A PIONEIRA SOBREVIVEU

"Presente no planeta desde a última glaciação - que começou há mais de um milhão e quinhentos mil anos, a araucária, segundo o engenheiro florestal Paulo Carvalho, da Embrapa de Colombo, PR, já ocupou área equivalente a 200 mil quilômetros quadrados no Brasil, predominando nos territórios do Paraná (80.000 km²), Santa Catarina (62.000 km²) e Rio Grande do Sul (50.000 km²), com manchas esparsas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntas, não ultrapassam 4% da área originalmente ocupada pela Araucaria angustifolia no país. É uma espécie resistente, tolerando incêndios rasos, devido à casca grossa, que faz papel de isolante térmico. A capacidade de germinação é alta e chega a 90% em pinhões recém-colhidos. Espécie pioneira, dissemina-se facilmente em campo aberto.

Apesar do desmatamento, o que motivou a proibição do corte em Santa Catarina, a araucária não corre mais o risco de extinção. "O corte persistia clandestino e sem garantias de recomposição da floresta. Com o plantio de manejo sustentável, garante-se a biodiversidade e a renda das propriedades", resume o superintendente da Fundação de Meio Ambiente de Santa Catarina, Vladimir Ortiz.

O corte, entretanto, não é estimulante. Apesar da vocação para a fabricação de móveis, o preço pago pelas serrarias não justifica a derrubada. "No mato, não vai além de 50 reais pela dúzia de tábuas, ou 100 reais entregues nas serrarias", compara o fazendeiro Laélio Bianchini. Já o pinhão, no atacado, custa 1 real o quilo e, uma só árvore produz, em média, 250 quilos.

"Além disso", reforça Bianchini, "a madeira é negociada uma só vez, enquanto que com o pinhão a renda perpetua-se".

O plano de manejo liberado em Santa Catarina, que também inclui imbuia, palmito e canela, é similar ao do Paraná, onde o corte nunca foi proibido. Pela portaria, é liberada a derrubada de até 40% das árvores com mais de 40 centímetros de diâmetro. "Muitos fazendeiros arrancavam os exemplares ainda pequenos, pois sabiam que não poderiam cortá-los quando crescidos e preferiam deixar o campo limpo", explica André Boclin, engenheiro florestal do Ibama catarinense. "O manejo é necessário, pois a própria natureza equilibra o número de indivíduos por espécie. No caso da araucária, a variação vai de 5 a 25 exemplares por hectare", observa Paulo Ernani Carvalho".

Fonte: www.marcelosilva.com.br

Pinhão

O pinhão é característico das festas juninas do interior do Paraná, São Paulo e Minas. Por ser produto do Pinheiro do Paraná, a Araucária, que apenas vegeta em serras e zonas de inverno, guarda algum sabor regionalista, porém pela sua abundância e pela época de sua colheita (maio, junho e julho), o pinhão é fundamental nas festas juninas.

A presença do pinhão remonta a importância que tem como alimento para as primeiras populações das serras. Os bandeirantes do Vale do Paraíba, por exemplo, marcavam a saída das incursões em datas que fizessem coincidir com a passagem pela Serra da Mantiqueira, com a safra de pinhão. Assim, garantiam uma alimentação farta e de alto poder alimentício e energético. Cozido em grandes panelas ou assados na brasa, o pinhão é uma festa e a sua degustação coletiva se transforma em uma verdadeira comunhão.

Fortaleza do Pinhão da Serra Catarinense

A Serra Catarinense é um território montanhoso do estado de Santa Catarina, cuja economia é tradicionalmente baseada no uso dos recursos florestais, agricultura e pecuária.

A Araucária (Araucaria angustifolia), árvore nativa e símbolo da região meridional do Brasil, a ponto de ser chamada comumente de Pinheiro do Brasil, sempre esteve na base do sistema alimentar dos habitantes desta área, tanto os humanos como os animais. Se trata de uma árvore secular que pode chegar a 40 metros de altura e vive em média 200 a 300 anos, podendo chegar até os 500 anos de vida.

Se nos séculos passados Santa Catarina era completamente coberta de Araucária, nos últimos dez anos se está verificando na zona uma substituição sistemática das araucárias pelo pinheiro canadense (Pinus eucariotis), muito mais rentável por causa da alta demanda por sua madeira.

Assim, onde antigamente se encontrava a Floresta de Araucária, hoje se observam vastas áreas de cultivo do pinheiro canadense: estima-se que das áreas brasileiras de Floresta com Araucária originais, hoje em dia reste apenas 1%. Quem compra uma área e corta as árvores de araucária recebe uma sanção mínima, que pode ser facilmente paga com os lucros do comércio de pinheiros canadenses.

Os Parques Nacionais "Aparados da Serra" e "Iguaçu" têm áreas destinadas à preservação da araucária, mas sua extensão não chega a 3.000 hectares.

O pinhão

O pinhão é a semente da Araucária Angustifolia. Se trata de uma semente de cerca de 4 centímetros, de forma alongada e de cor de marfim, envolto em uma casca grossa e colhido em pinhas de grande dimensão, que podem conter de 10 a 120 pinhões.

Pesquisas históricas e achados arqueológicos mostram que os indígenas Kaingang e Xokleng, antigos habitantes desta área, viviam da caça e da coleta do pinhão.

O pinhão representou um alimento fundamental, no passar dos séculos, também para outros povos indígenas e para os descendentes de italianos e alemães que colonizaram esta área.

No passado os coletores de pinhão, na época da safra, destinavam um cômodo inteiro da própria casa para estocar o pinhão que seria consumido nos meses seguintes. Sempre foi considerado um "alimento de pobre", para matar a fome, mas na culinária tradicional é utilizado em muitas receitas, e seu valor nunca foi oficialmente reconhecido em nível nacional.

Usualmente, o pinhão é cozido em água para a utilização em inúmeras preparações, ou assado diretamente na chapa do fogão de lenha nas casas dos coletores.

As duas receitas mais tradicionais na qual se utiliza o pinhão são: paçoca de pinhão (pinhão cozido e moído, misturado com carne seca em um pilão) e entrevero (um cozido de verduras e carnes acompanhados de pinhão).

O povo indígena consumia o pinhão na sapecada: o pinhão era coberto com as folhas (grimpas) da araucária e se colocava fogo, assando o pinhão que depois era descascado e consumido na floresta.

Esta forma de consumo é muito tradicional atualmente dentre os coletores, que consomem o pinhão durante o trabalho.

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Fonte: lproweb.procempa.com.br/www.slowfoodbrasil.com

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Pinhão-do-Paraná ( Araucaria angustifolia )

A árvore do pinhão

Araucaria angustifolia

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Sendo um mês tipicamente frio, a culinária das festas do mês de junho - as festas juninas - não poderia deixar de conter bebidas e alimentos energéticos e quentes: pinhão, quentão, batata assada, mandioca frita, pipoca, amendoim, canjica e bolo de fubá são alguns exemplos dessa "quentíssima" culinária.

Mas aqui nós vamos falar sobre o pinhão - a semente de uma árvore bem brasileira: o pinheiro brasileiro (Araucaria angustifolia).

Esta semente apresenta um valioso teor nutricional. Tanto que era a principal fonte de alimentação de algumas tribos indígenas do sul do Brasil. Sua polpa é formada basicamente de amido, sendo muito rica em vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas, ele é excelente para revigorar as energias. Adocicado, gostoso, é fonte de ferro, potássio e proteína, além de conter açúcar, fécula e tanino.

E antes de falarmos desta semente e sua bela árvore, vale lembrar que a melhor maneira de aproveitar todas as deliciosas potencialidades do pinhão é saber prepará-lo.

Pelo menos um ingrediente é indispensável: a paciência. Deixe-o cozinhar lentamente, para que a casca se abra e libere todas as suas qualidades de aroma e sabor.

Comida de índio?

Os índios paranaenses, coletores de alimentos, tinham o pinhão como um alimento por excelência e acabavam atuando como propagadores das florestas de pinheiros. Para a colheita, os índios botucudos tinham flechas especialmente adaptadas para derrubar as pinhas ainda presas. A tal flecha chamava-se "virola".

O inglês Thomas Bigg-Wither que, no século retrasado, passou pelos campos do Paraná, registrou: "0 pinhão fruta oblonga, de cerca de uma polegada e meia de comprimento, com um diâmetro de meia a três quartos de polegada na parte mais grossa, tem uma casca coriácea, como a da castanha espanhola. 0 paladar é, entretanto, superior ao desta última e, como produto alimentício, basta dizer que os índios muitas vezes só se alimentavam dele, durante muitas semanas. Pode ser comido cru, mas os índios habitualmente os assam na brasa até partir, quando fica em condições. 0 sabor ainda melhora quando cozido, mas este é um sistema que os índios não praticam.

0 estágio mais delicado do pinhão é quando ele começa a germinar, fazendo aparecer um pequenino grelo verde numa extremidade. Nada excede a guloseima desse fruto em tal estado.

Os coroados costumam guardar esse fruto para comê-lo mais tarde: Isto eles fazem enchendo diversos cestos de pinhão, colocados dentro da água corrente durante quarenta e oito horas. No fim desse tempo os cestos são tirados fora e o conteúdo é espalhado para secar ao sol. Assim conservados, os frutos ficam secos e sem gosto, perdendo sem dúvida grande parte de suas propriedades nutritivas''.

Ficha da Planta

Nome científico: Araucaria angustifolia
Nomes populares: Pinho, pinheiro-do-paraná, pinheiro-brasileiro, pinheiro-caiová, pinheiro-das-missões, pinheiro-são-josé e brazilian pine (inglês)
Família: Araucariáceas
Origem: América do Sul, Brasil

Descrição e característica da planta

Árvore com tronco reto, quase cilíndrico, casca grossa de até 10 centímetros de espessura, 10 a 35 metros de altura e 0,50 a 1,20 metro de diâmetro. A copa da árvore tem formato piramidal, em plantas jovens, e de taça, nas adultas. As acículas (folhas) são simples, alternas, espiraladas, lineares e lanceoladas, coriáceas, com 6 centímetros de comprimento por1 centímetro de largura e perenes.

Plantas dióicas, isto é, têm plantas que produzem flores masculinas e plantas com flores femininas.

As flores masculinas são cilíndricas, alongadas, contêm escamas coriáceas e são produzidas nas extremidades dos ramos mais jovens.

As flores femininas, conhecidas popularmente como pinha, têm 10 a 20 centímetros de comprimento por 2 a 5 centímetros de diâmetro e são produzidas diretamente nos ramos primários que saem do tronco da árvore..

O vento é o principal responsável pela polinização das flores e, até o amadurecimento da pinha contendo sementes, pode demorar 2 anos.

O período da produção de sementes varia um pouco em função das regiões: de março a setembro, no estado do Paraná; de abril a julho, nos estados de São Paulo e Santa Catarina e de abril a agosto, no Rio Grande do Sul. As plantas crescem e produzem bem em condições de temperatura amena a fria, tolera até -5º C, com boa disponibilidade de água no solo e boa fertilidade do solo.

A propagação é feita por sementes. As sementes devem ser plantadas logo após a colheita, porque a sua capacidade de germinação diminui e pode perder completamente em torno de 120 dias depois. Para quebrar a dormência e melhorar a germinação das sementes, recomenda-se colocá-las imersas na água em temperatura ambiente por 24 horas e depois plantá-las. O plantio no campo pode ser por sementes e por mudas, obtidas em viveiros.

Produção e produtividade

Presente no planeta desde a última glaciação - que começou há mais de um milhão e quinhentos mil anos, a araucária, segundo o engenheiro florestal Paulo Carvalho, da Embrapa de Colombo, PR, já ocupou área equivalente a 200.000 Km² no Brasil, distribuídos nos estados: do Paraná, 80.000 Km², de Santa Catarina, 62.000 Km², do Rio Grande do Sul, 50.000 Km², em manchas esparsas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que, juntas, não ultrapassavam 4% dessa área originalmente ocupada. Hoje, restam cerca de 4% das florestas originais. As plantas femininas produzem em média 40 pinhas por ano e cada pinha madura pode pesar até 5 quilos e conter, em média, 80 a 120 sementes. A produção de sementes ocorre 10 a 20 anos após a semeadura e depois continua por mais de 200 anos. Quando maduras, as sementes caem no chão.

Utilidade

As sementes contêm aminoácidos e 57% de amido. São consumidos como alimento, pelos animais e pelo homem.

Entre os animais destacam-se: cutias, pacas, ouriços, camundongos, esquilos, papagaio-de-peito-roxo, gralha-picaça, gralha-azul e tucanos.

A madeira é branco-amarelada, com textura fina, macia e de fácil trabalho em construções civis.

A madeira tem múltiplos usos: caixotaria, moveleira, laminados, tábuas para forro, ripas, caibros, lápis, carpintaria, palitos de fósforo, marcenaria, compensados, pranchas, postes e artesanatos. As cascas e os nós (porção do cerne) são usados como lenha e no artesanato. Hoje, existe uma lei que proíbe o corte do pinheiro-do-paraná, por se uma planta nativa do Brasil, a menos que tenham sido plantadas e documentadas junto aos órgãos competentes na época do seu plantio. A planta pode ser usada nos reflorestamentos comerciais e na arborização de parques, pois a arquitetura da planta é bonita e diferente de todas outras plantas. O seu plantio não é recomendado em jardins, praças e vias públicas, porque os ramos primários (galhos laterais que saem do tronco) crescem muito e podem causar danos nos veículos e acidentes nos transeuntes.

Trata-se de uma árvore alta com copa de formato de cálice. A araucária ou pinheiro brasileiro se destaca das outras espécies brasileiras principalmente por sua forma original que dá às paisagens do sul uma característica toda especial. No passado, antes que a lavoura de café e cereais cobrisse as terras paranaenses e antes que os trigais cobrissem os campos gaúchos, sua presença era tão comum que os índios chamaram de "curitiba" (que quer dizer "imensidão de pinheiros") toda uma extensa região onde esta árvores predominava. E a palavra acabou imortalizada, denominando a capital do Paraná.

É uma espécie resistente, tolera até incêndios rasos em razão de sua casca grossa que faz papel de isolante térmico. A capacidade de germinação é alta e chega a 90% em pinhões recém-colhidos.

Espécie pioneira, dissemina-se facilmente em campo aberto. Esta gimnosperma é uma árvore de grande porte: atinge cerca de 50 m de altura e seu tronco pode medir até 8,5 m de circunferência. Seu fruto, a pinha, contém de 10 a 150 sementes - os famosos pinhões - que são muito nutritivas, servindo de alimento a aves, animais selvagens e ao homem.

A árvore cresce em solo fértil, em altitudes superiores a 500 m e atinge bom desenvolvimento em 50 anos.

Seu formato é bem peculiar: o tronco ergue-se reto, sem nenhum desvio e se ramifica apenas no topo, formando a interessante copa, com os ramos desenvolvendo-se horizontalmente, as pontas curvadas para cima; superpostos uns aos outros, formando vários andares. Logo abaixo da copa, nos pinheiros mais antigos, aparecem às vezes alguns tocos de ramo, quebrando a simetria característica. É planta dióica, isto é, suas flores - masculinas e femininas - nascem separadas, em árvores diferentes. Assim, um pé de Araucária angustifolia possui inflorescências (chamadas estróbilos) somente masculinas ou somente femininas.

Ao contrário do que geralmente se pensa, as famosas pinhas usadas nos enfeites de Natal não provém das matas nativas de araucária, mas de espécies de introdução relativamente recente, pertencentes ao gênero Pinus. A pinha da araucária, ou estróbilo feminino, na maturidade, se desmancha soltando os pinhões e as escamas murchas. Quando chega a época da reprodução, o vento transporta o pólen das inflorescências masculinas para as femininas. É o tipo de polinização que os botânicos denominam anemófila.

A araucária é, como já foi dito, uma gimnosperma (gymnos - nú; sperma - semente): suas sementes não estão encerradas em ovários. O óvulo nasce na axila de um megasporófilo, que é protegido por uma folha modificada - a escama de cobertura. Esta acaba envolvendo e protegendo o óvulo fecundado, constituindo o que se conhece como "pinhão". Uma árvore feminina produz uma média anual de 80 inflorescências, cada uma com cerca de 90 pinhões.

A Araucária angustifolia é uma árvore útil: pode-se dizer que tudo nela é aproveitável, desde a amêndoa, no interior dos pinhões, até a resina que, destilada fornece alcatrão, óleos diversos, terebintina e breu, para variadas aplicações industriais. As sementes são ricas em amido, proteínas e gorduras, constituindo um alimento bastante nutritivo. É comum ver bandos de pássaros, principalmente periquitos e papagaios, pousados nos galhos das araucárias, bicando as amêndoas.

É também costume alimentar os porcos com pinhões, hábito bem comum no sul do País. Mas é a madeira que reúne maior variedade de aplicações. Em construção, já foi usada para forros, assoalhos, e vigas. Vastas áreas de pinheirais foram cultivadas exclusivamente para a confecção de caixas e palitos de fósforos. E a madeira serviu até como mastros em embarcações. Em aplicações rústicas, os galhos eram apenas descascados e polidos, transformando-se em cabos de ferramentas agrícolas.

A aplicação do pinheiro-do-paraná ou pinheiro brasileiro estende-se ao importante campo da fabricação de papel. Da sua madeira obtém-se a pasta de celulose que, após uma série de operações industriais, fornece o papel.

Curiosidades:

A semente da araucária, o pinhão, é realmente muito nutritiva. Pesquisas históricas e arqueológicas sobre as populações indígenas que viveram no planalto sul-brasileiro, de 6000 anos até os nossos dias, registram a importância do pinhão no cotidiano desses grupos.

Restos de cascas de pinhões aparecem em meio aos carvões das fogueiras acesas pelos antigos habitantes das matas com araucária.

Um depósito de restos de pinhões em meio a uma espessa camada de argila evidencia não apenas a existência do pinhão na dieta diária dos grupos, mas também uma engenhosa solução para conservá-lo durante longos períodos, evitando o risco de deterioração pelas ações do clima ou do ataque de animais.

Sabe-se também que o pinhão servia de alimento para inúmeras espécies animais, inclusive caititus selvagens (espécie de porco), atraindo-os durante a época de amadurecimento das pinhas. Assim, ao lado da coleta anual do pinhão, os indígenas igualmente caçavam esses animais. Uma enorme diversidade de animais, desde grandes mamíferos até os menores invertebrados, vive na floresta de araucárias - e depende dela.

Quando os pinhões amadurecem, a fartura de alimento altera toda a vida na mata. A gralha-azul, por exemplo, que utiliza a araucária para fazer seu ninho, esconde seu alimento no oco dessas árvores.

Já o macaco bugio e o ouriço são dotados de uma curiosa habilidade: são capazes de debulhar cuidadosamente as pinhas que guardam os pinhões. O que sobra é aproveitado por besouros, formigas e uma infinidade de insetos.

Partes utilizadas: Amêndoa.

Ajuda a tratar de:

Afecções pulmonares

Bronquites tanto asmáticas como catarrais
Asma
Traqueítes
Tosses

Debilidade orgânica

Darréias
Disenterias
Fraqueza generalizada

Fonte: www.frutas.radar-rs.com.br

Pinhão

Pinhão
Pinhão

O pinhão, ao contrário do que muitos pensam não é o fruto da Araucária, e sim sua semente. Ele se desenvolve no interior da pinha que é a flor do pinheiro.

O pinhão é um excelente alimento e possui um valioso teor nutricional. Sua polpa é formada basicamente de amido e é rico em vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas.

A semente é muito apreciada e muito usada na gastronomia da região além de fazer parte da dieta de pequenos animais da fauna local e no passado de índios que habitavam a região.

Os muitos animais que se alimentam do pinhão são os principais responsáveis pela disseminação dos pinheirais, entre eles estão antas, queixadas, capivaras, sabiás, pombas rolas, periquitos, papagaios, gralha azul, entre outros.

O pinhão

O pinhão é a semente da árvore "Araucaria angustifolia", que já cobriu boa parte do território de Minas Gerais, Espirito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O pinhão é um excelente alimento.

Os pequenos animais que se alimentam do pinhão são responsáveis pela plantação dos pinherais. Da anta ao sabiá, da queixada à impressionante gralha azul, da vaca ao cavalo, todos gostam do pinhão. A gralha azul é capaz de "plantar" 3.000 pinheiros por hectare. Nos campos de vegetação rasteira formam-se capões de pinheiros graças a esta ave, que enterra os pinhões em lugares húmidos.

O pinhão tem cerca de 5 cm de comprimento, recoberto por uma casca lisa de cor castanha. A polpa é a parte comestível, muito dura se estiver crua, e deliciosa quando cozida. É formada basicamente de amido.

Fonte: www.festadopinhao.com

Pinhão

Pinhão
Pinhão

Cerca de 5 cm de comprimento, recoberta por uma casca lisa de cor castanha.

A pinha, fruto onde estão aglomerados os pinhões, leva dois anos para amadurecer.

A polpa é a parte comestível, muito dura crua, e deliciosa quando cozida.

Formada basicamente de amido que também é encontrado na mandioca, batata, arroz, feijão, milho e trigo, todos alimentos ricos neste carboidrato.

Valor Nutricional

Pinhão cozido

100g de pinhão correspondem a:

Calorias 195,5
Proteínas 3,94g
Cálcio 35 mg
Ferro 70 mg
Vitamina B1 1350 mg
Vitamina B5 4700 mg
Glicídios 41,92 g
Lipídios 1,34 g
Fósforo 136 mg
Vitamina A 3 mg
Vitamina B2 240 mg
Vitamina C 13,9 mg

Pinhão sem casca

Pinhão
Pinhão

Quantidade 100 gramas
Água (%) 6
Calorias 571,43
Proteína (g) 10,71
Gordura (g) 60,71
Ácido Graxo Saturado (g) 9,64
Ácido Graxo Monoinsaturado (g) 23,21
Ácido Graxo Poliinsaturado (g) 26,07
Colesterol (mg) 0
Carboidrato (g) 17,86
Cálcio (mg) 7,14
Fósforo (mg) 35,71
Ferro (mg) 3,21
Potássio (mg) 635,71
Sódio (mg) 71,43
Vitamina A (UI) 35,71
Vitamina A (Retinol Equivalente) 3,57
Tiamina (mg) 1,25
Riboflavina (mg) 0,21
Niacina (mg) 4,29
Ácido Ascórbico (mg) 3,58

O pinhão pode ser cozido ou assado na brasa, onde o fogo deve agir lentamente para que a casca se abra e libere todas as qualidades de aroma e sabor.

Na panela de pressão o tempo de cozimento diminui.

A farinha de pinhão, produzida apenas artesanalmente devido à pouca expressão comercial, permite a confecção de broas, tortas e pães.

Nas regiões onde ainda restam araucárias é comum o preparo do pinhão cozido em conserva de salmoura e vinagre.

O pinhão pode ser também misturado à saladas ou molhos para carnes.

Da araucária ainda aproveitam-se os galhos e refugos, especialmente o nó, que servem de lenha para combustível de caldeira.

A resina serve de base para a fabricação de vernizes, terebentina, acetona, ácido pirolenhoso e outros produtos químicos.

Fonte: www2.uol.com.br

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