Esses alfinetes vão (1595)

Redondilhas de Luís Vaz de Camões

Trovas

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que mandou com um papel
d’alfinetes a üa Dama

Esses alfinetes vão

a vos picarem, não mais,

só porque julgueis então,

o como me picarão

os com que vós me picais.

Mas os que dessas estrelas

vêm, têm pontas tão agudas

que, em que estoutros vão co elas,

podem-vos dar picadelas,

mas os vossos dão feridas.

Assi que, se bem notais,

no como ambos debatem,

nunca podem ser iguais,

que, inda que esses lá maltratem,

estes cá maltratam mais.

Porém, já que Amor consente

em piques tão desiguais,

onde vós sois mais valente,

eu, Senhora, sou contente

do que vos contentar mais.

Venham os alfinetes cá

desses olhos, porque acertem

donde acerto já não há;

porém os meus que vão lá,

só quero que vos apertem.

E deixando o mais passado,

fazei que este papel seja

pregado, digo, empregado,

porque do seu gasalhado

eu mesmo lhe tenho enveja.

E se eles em vós se pregam,

por força os hei-de envejar,

não só porque bem se empregam,

mas porque, Senhora, chegam

onde eu não posso chegar.

Lá vão e lá ficarão

adonde continuamente

a par de si vos terão; e

enfim, lá vos picarão,

eu cá picarei no dente

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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