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Julga-me a gente toda por perdido (1616)

Sonetos de Luís Vaz de Camões

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Julga-me a gente toda por perdido,

vendo-me, tão entregue a meu cuidado,

andar sempre dos homens apartado,

e dos tratos humanos esquecido.

Mas eu, que tenho o mundo conhecido,

e quase que sobre ele ando dobrado,

tenho por baixo, rústico, enganado,

quem não é com meu mal engrandecido.

Vão revolvendo a terra, o mar e o vento,

busquem riquezas, honras a outra gente,

vencendo ferro, fogo, frio e calma;

que eu só em humilde estado me contento,

de trazer esculpido eternamente

vosso fermoso gesto dentro n’alma

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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