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Por cousa tão pouca (1595)

Redondilhas de Luís Vaz de Camões

Cantiga

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a este cantar velho:
Coifa de beira me namorou Joane.

VOLTAS

por cousa tão pouca

andas namorado?

Amas a toucado

e não quem o touca?

Ando cega e louca

por ti, meu Joane;

tu, pelo beirame.

Amas o vestido?

És falso amador.

Tu não vês que Amor

se pinta despido?

Cego e perdido

andas por beirame,

e eu por ti, Joane.

Se alguém te vir,

que dirá de ti?

Que deixas a mi

por cousa tão vil!

Terá bem que rir,

pois amas beirame,

e a mim não, Joane.

Quem ama assi

há-de ser amada;

ando maltratada

de amores, por ti.

Ama-me a mi,

e deixa o beirame,

que é razão, Joane!

A todos encanta

tua parvoíce;

de tua doudice

Gonçalo se espanta

e zombando canta:

-Coifa de beirame

namorou Joane!

Eu não sei que viste

neste meu toucado,

que tão namorado

dele te sentiste.

Não te veja triste:

ama-me, Joane,

e deixa o beirame!

(Joane gemia,

Maria chorava,

assi lamentava

o mal que sentia;

os olhos feria,

e não o beirame

que matou Joane.)

Não sei de que vem

Amares vestido;

que o mesmo Cupido

vestido não tem.

Sabes de que vem

amares beirame?

Vem de ser Joane

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

 

 

 

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