DKW-Vemag Fissore Clique para ampliar
Com um sedã, uma perua e um jipe no portfólio, o que mais a Vemag poderia querer naquele início dos anos 1960? Resposta: um carro mais luxuoso, que sensibilizasse o público mais sofisticado - e que se encaixasse no chassi já existente. O desafio foi passado à Carrozzeria Fissore, estúdio fundado em 1920 em Savigliano, cidade próxima de Turim. A plataforma DKW foi enviada à Itália para que fosse "vestida" em estilo de alta-costura.
Em 1962, o carro já rodava nos arredores de São Paulo e de São Miguel Arcanjo (SP). Nessa localidade foi montada uma base secreta da Vemag. No fim daquele ano, o Fissore foi apresentado no Salão. Mas somente quase dois anos após a mostra ele seria lançado ao público. O DKW de luxo chegou às lojas em 28 de junho de 1964, ao preço de quase 7 milhões de cruzeiros, quase 25% a mais que um sedã Belcar.
Esse longo intervalo se deveu à complexidade no processo de fabricação do novo carro. Com ênfase no design, o projeto requeria horas de trabalho manual e uma boa quantidade de estanho na carroceria, com significativo aumento de peso. Aliás, esse fator comprometeu o desempenho dos Fissore.
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Segundo o jornalista Bob Sharp, colunista de QUATRO RODAS que nos anos 60 era funcionário da área técnica da Vemag, "o velocímetro do Fissore era envenenado". Seu motor dois tempos, adequado para os 940 quilos do Belcar, sofria de insuficiência cardíaca na hora de tracionar os 1035 quilos do Fissore. Por isso, a fábrica deu um jeito de "adiantar" o ponteiro em alguns km/h no mostrador. Bob também confirma o que é voz corrente no meio dos "decavemaníacos". Os motores "S" - que teriam 10 cavalos a mais que os 50 do Belcar e que equipariam o Fissore - seriam obra do departamento de marketing e não da engenharia. "O fato é que todos os motores Vemag passavam por dinamômetro antes de serem montados nos carros. Os que se saíam melhor eram destinados ao Fissore", afirma Bob. Na briga contra a balança, até a espessura dos vidros foi diminuída.
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Na edição de agosto de 1964 foi publicado o primeiro teste com o carro. Expedito Marazzi qualificou-o como "carro nervoso, com motor extraordinariamente elástico". O senão ficava por conta da falta de torque nas rotações mais baixas. A estabilidade foi classificada como nada menos que "excepcional", com vivas para a suspensão macia e segura. A velocidade máxima bateu em 124 km/h e a aceleração de 0 a 100 km/h foi de 23 segundos, marcas bem razoáveis para o motor de 1000 cm3. Em compensação, o Fissore freou como gente grande. De 80 km/h a 0 foram necessários apenas 27,1 metros. Nada mau para os freios a tambor nas quatro rodas. Como comparação, 30 anos depois, um Golf 1.6 gastou os mesmos 27,1 metros (comparativo entre Golf e Brava, publicado em agosto de 2001). O Brava precisou de meio metro a mais...
Bem que o jornalista Flavio Gomes, proprietário do carro, havia me adiantado. "O que esse Fissore freia é brincadeira." Outra característica do carro é a leveza da direção. Embora motor e tração sejam dianteiros, as manobras são fáceis, mesmo sem assistência. A alavanca do câmbio na coluna exige alguma atenção na hora das trocas, devido à posição das marchas, com a primeira embaixo. O modelo que você vê é do ano 1967. Foi um dos últimos a sair da linha de montagem, dentre as 2489 unidades produzidas. E apresenta algumas diferenças em relação aos primeiros Fissore que deixaram a Vemag.
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