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Porsche 917

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O Porsche 917 é um carro de corrida que deu para a Porsche suas primeiras vitórias gerais nas 24 Horas de Le Mans em 1970 e 1971.

Um dos carros de corrida mais famosos e velozes da história do automobilismo mundial, o Porsche 917 terá um espaço especial no tradicional festival de velocidade de Goodwood (Inglaterra), que começa hoje e vai até o próximo dia 10. Apenas para citar algumas referências, o carro vem equipado com motor de 12 cilindros de 1580 cavalos, potência para atingir 390 km/h. Com toda essa disposição, o 917 foi um dos maiores vencedores em Le Mans.

Além de pilotos que venceram ao volante do modelo alemão, entre eles Richard Attwood, campeão em Le Mans em 1970 e Brian Redman, uma das lendas do automobilismo, o 917 terá exposta a irreverente versão conhecida como “Pink Pig”, com aerodinâmica vem avançada para o início dos anos 70, quando participou de algumas provas.

Porsche 917
Porsche 917 “Pink Pig”, uma das versões do modelo de competição mais irreverentes e com aerodinâmica avançada para o início dos anos 70

Em 13 de março de 1969, a Porsche apresentou no Salão de Genebra um carro que, mesmo para os padrões atuais, fica muito além da simples classificação “supercarro esporte”: o Porsche 917, que se transformou em uma lenda por ser um dos carros de corrida mais rápidos e vitoriosos de todos os tempos.

Porsche 917
Porsche 917 no Museu Porsche

A Porsche lançou o Projeto 917 em junho de 1968, depois que a FIA, autoridade máxima do automobilismo esportivo, anunciou a criação de uma classe de “carros esporte aprovados” com capacidade de até 5 litros e peso mínimo de 800 kg.

Porsche 917
Porsche 917 em exposição no Salão de Genebra

Com a supervisão de Ferdinand Piëch, as 25 unidades planejadas (número mínimo exigido pela FIA para homologação) foram apresentadas em abril de 1969 para que o 917 pudesse começar sua carreira desportiva nesse mesmo ano.

Ainda que o 917 tenha abandonado suas três primeiras corridas devido a problemas técnicos, a história de êxito começou em agosto de 1969, quando a dupla formada pelo suíço Jo Siffert e pelo alemão Kurt Ahrens venceu os 1000 Km da Áustria, em Österreichring.

Porsche 917
25 Porsche 917, número mínimo para homologação

A configuração do motor do 917 era tão incomum quanto as distintas versões de sua carroceria. Atrás do assento do piloto, ficava um motor de 12 cilindros horizontais refrigerado a ar, cujo virabrequim lhe outorgava um desenho em V de 180 graus.

O motor de 520 cv tinha capacidade cúbica inicial de 4,5 litros.

A estrutura tubular era de alumínio e a carroceria, de fibra de vidro sintética reforçada.

Porsche 917
Chassi de aço-molibdênio pesava somente 47 quilos

Os engenheiros da Porsche desenvolveram distintos modelos de carroceria para satisfazer às distintas exigências das diversas pistas.

O modelo denominado “cauda curta” (917K) foi desenhado para circuitos sinuosos, em que se exige maior pressão aerodinâmica para fazer as curvas à maior velocidade possível. O modelo de “cauda longa” (917 LH) foi desenhado para pistas de alta velocidade.

Em seguida, chegaram os 917 com cabine aberta, como os 917/10 e 917/30 utilizados nos campeonatos Can-Am e Intersérie.

Ao término da temporada de 1970, a Porsche confirmou sua superioridade com os modelos 917 e 908/3 e ganhou o Campeonato Mundial de Marcas (na época, tão importante quanto o de Fórmula 1) vencendo nove das dez corridas válidas para pontuação. Esta série de vitórias começou na 24 Horas de Daytona e prosseguiu em Brands Hatch, Monza, Spa, Nürburgring (todas corridas de 1.000 Km), Targa Florio, 24 Horas de Le Mans, 6 Horas de Watkins Glen e 1.000 Km de Österreichring. O ponto culminante da temporada foi a 24 Horas de Le Mans, disputada em 13 e 14 de junho de 1970 – a primeira vitória da Porsche na classificação geral dessa corrida. Ao volante de um 917K número 23, pintado nas cores vermelho e branco da equipe Porsche Salzburg, Hans Herrmann/Richard Attwood superaram não apenas seus fortes concorrentes, mas também as fortes chuvas que caíram durante toda a prova.

Como no ano anterior, a temporada de 1971 foi dominada pelo modelo 917 e a Porsche venceu novamente o Campeonato Mundial de Marcas com oito vitórias em dez corridas.

Novamente, um Porsche 917 saiu vitorioso na 24 Horas de Le Mans, desta vez com Gijs van Lennep/Helmut Marko.

Eles estabeleceram dois recordes que permanecem até hoje: média horária da prova (222 km/h) e distância percorrida (5.335 km).

Uma característica especial do 917 de cauda curta destes pilotos, que visualmente se caracteriza pela “aleta de tubarão” na traseira, era a estrutura tubular de magnésio.

Um 917 de cauda longa estabeleceu outro recorde em 1971: o carro de Vic Elford/Gerard Larrousse registrou a velocidade máxima de 387 km/h no trecho reto de Mulsanne, que integra o traçado usado na 24 Horas de Le Mans.

Outro carro dessa corrida obteve um reconhecimento inusitado: o 917/20, uma combinação dos modelos de “cauda curta” e “cauda longa”, notável por seu grande tamanho. Pilotado pelos alemães Willy Kauhsen/Reinhold Joest, abandonou na metade da corrida, mas a pouco habitual decoração cor-de-rosa valeu-lhe o apelido “Pig” (porco) e transformou-o em um dos carros de competição mais famosos da Porsche.

O regulamento do Mundial de Marcas foi alterado no final de 1971: os motores acima de 3 litros foram banidos. A Porsche decidiu então inscrever-se no Canadian American Challenge (Can-Am), outra categoria de grande repercussão no cenário automobilístico internacional da época. Em junho de 1972, a equipe privada Penske utilizou pela primeira vez o Porsche 917/10 com turbocompressor. Com redimento de até 1.000 cv, o 917/10 dominou o campeonato e obteve o título com vitórias nos circuitos de Road Atlanta, Mid Ohio, Elkhart Lake, Laguna Seca e Riverside. No ano seguinte, estreou o 917/30, ainda mais evoluído, com motor de 1.200 cv. A superioridade do carro pilotado por Mark Donohue era tão evidente que o regulamento técnico da Can-Am, até então praticamente sem limites para a criatividade dos engenheiros, foram modificados para impedir o 917/30 de competir na temporada de 1974. Como é característico da Porsche, as tecnologias desenvolvidas para conseguir um rendimento cada vez maior nestas corridas foram utilizadas com êxito nos carros esportivos de rua. Foi assim com o 911 Turbo e seu turbocompressor com escapamento lateral, lançado no mercado no final de 1974 e, desde esse momento, sinônimo de capacidade de rendimento dos carros esporte da Porsche.

A reputação do 917 é lendária. Cinquenta experts internacionais em automobilismo esportivo ouvidos pela revista britânica “Motor Sport” escolheram o 917 como “melhor carro de corrida da história”. No total, a Porsche fabricou 65 unidades, do 917: 44 com carroceria cupê com cauda curta e cauda longa, dois PA Spyder e 19 modelos de cabine aberta para os campeonatos Can-Am e Intersérie, com motores turbo de até 1.500 cv. Sete dos 917 mais importantes, entre eles os carros vitoriosos em Le Mans (1970 e 1971) e o 917/30, estão atualmente expostos no novo Museu Porsche em Stuttgart-Zuffenhausen.

História

Porsche 917
Porsche 917

No mês de Abril de 1969 vinte e cinco automóveis de aspecto agressivo eram alinhados no pátio da fábrica Porsche em Stuttgart. Na parte da frente da carroçaria e nos flancos a inscrição 917 substituía os números de corrida.

Era o começo da temporada automobilística desse ano e também o começo de uma aventura inesperada de um protótipo de excepção que iria ditar a sua lei em todos os circuitos do mundo e que afirmou definitivamente a marca alemã nas provas de resistência: o Porsche 917, o último dos monstros.

A génese do 917 só foi possível face às assustadoras prestações dos protótipos de 7000 cc na temporada de 1967 que deram origem a um novo regulamento que limitava as cilindradas a 3000 cc. Paralelamente, com o intuito de não desencorajar a participação dos americanos, amantes de grandes e possantes motores, foi criada uma categoria especial denominada sport, vigorando até 1971, que admitia cilindradas até 5000 cc. Porém era necessário que fossem produzidos e homologados 50 exemplares desses protótipos, número que posteriormente foi reduzido para 25. A Porsche viu a brecha e jogou tudo ou nada. De forma brilhante, acrescentou meio motor a um motor de 8 cilindros e 3000 cc já existente obtendo um novo bloco de 12 cilindros e 4500 cc que quase redobrou a potência!

Os primeiros modelos do 917 revelaram-se extremamente difíceis de conduzir e até perigosos devido à sua grande potência e falta de aderência. Somente pilotos muito hábeis estavam aptos a conduzi-los e a tirar partido das suas enormes potencialidades. Após diversas afinações chegou-se a uma configuração estável, o 917 K ou versão curta, responsável pela maioria das vitórias do bólide. A versão longa, o 917 L, era apenas usado em circuitos muito rápidos, com era o caso de Le Mans. Chegou a ser cronometrado a 380 Km/hora na grande reta…

Porsche 917
Porsche 917 “Pink Pig”, o Porco Rosa

Uma versão denominada 917/20 foi também apresentada reunindo o melhor de cada uma das outras. Teve uma aparição fugaz na edição de 1971 das 24 horas de Le Mans e ficou mais conhecida devido à sua decoração original – que lhe valeu o baptismo de Pink Pig – do que devido ao seu desempenho em pista…

Terminado o período de transição do novo regulamento o monstro foi proscrito das provas do Campeonato do Mundo de Resistência, reservado apenas aos protótipos de 3000 cc.

Encontrou refúgio e um novo alento nas provas de CanAm graças a motores sobrealimentados pela pressão dos gases de escape: os primeiros turbo.

Na sua versão mais potente, que correu durante a temporada de 1973, chegou a atingir a potência fabulosa de… 1200 cv! Definitivamente o último dos monstros…

Porsche 917
Posche 917

Fonte: www.porsche.com.br/www.interney.net

 

 

 

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