Como uma tempestade magnética intensa pode causar sérios prejuizos e até levar perigo a astronautas, é desejável tentar prevê-las com boa antecedência. Só que isso não é fácil. Hoje, existem várias técnicas para fazer essas previsões, mas nenhuma consegue antecedência segura além de poucas horas.
Recentemente, surgiu a idéia de tentar observar erupções solares no lado de trás do Sol, que fica oculto de nós por algum tempo. Como o Sol gira com período de, mais ou menos, 27 dias, essa detecção daria uma boa margem de tempo antes da erupção virar em nossa direção cuspindo fogo.
A técnica foi proposta pelo francês Jean-Loup Bertaux e seus colaboradores. Sabe-se que o espaço interestelar, inclusive o sistema solar, está envolto em uma imensa nuvem de gás hidrogênio. É uma nuvem extremamente tênue mas, assim mesmo, é suficiente para bloquear toda a radiação ultravioleta, que é facilmente absorvida pelos átomos de hidrogênio. Em outras palavras, o espaço interestelar é praticamente opaco aos raios ultavioleta.

No entanto, a radiação do Sol "sopra" essa nuvem de gás, formando uma espécie de gigantesca "bolha", onde a quantidade de átomos de hidrogênio fica muito mais reduzida. A "parede" interna dessa bolha pode atuar como uma espécie de "espelho".
A luz (visível ou não) de uma erupção que ocorre na parte de trás do Sol, ao atingir esse "espelho" excita os átomos de hidrogênio e cria regiões luminosas, chamadas de "pontos quentes de UV". Esses pontos quentes, em princípio, podem ser observados pelo satélite SOHO ("Solar and Heliospheric Observatory"), da NASA, que está a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.
Pelas imagens desses pontos quentes os cientistas esperam poder localizar a posição das erupções no lado oculto do Sol, antecipando seu surgimento no lado virado para nós, alguns dias depois.
Entenda, porém, que isso tudo ainda é pesquisa em progresso e levará alguns anos até se tornar um método seguro de prever erupções solares com boa antecedência.
As tempestades magnéticas que, de vez em quando, perturbam as telecomunicações, estavam chateando os dirigentes da Bell Telephone, nos Estados Unidos dos anos 20. Para obter maiores informações sobre esses desagradáveis fenômenos, eles contrataram o jovem físico Karl Jansky, com a missão de construir grandes antenas e estudar os sinais vindos do Sol.

No final de 1930, Jansky já tinha construido sua primeira antena e com ela começou a "escutar" as ondas de rádio que vinham do espaço exterior. Em 1933, ele já descobriu que a maior fonte de sinais era a nossa própria galáxia, a Via Láctea.
Em torno da Terra existe uma camada, entre 50 e 500 km de altitude, chamada "ionosfera", onde o gás rarefeito da atmosfera terrestre é ionizado pela luz do Sol. Um átomo ionizado, como você sabe, é um átomo do qual são arrancados um ou mais elétrons. No caso, quem arranca esses elétrons é a radiação solar. Essa tal ionosfera reflete ondas de rádio, principalmente as chamadas "ondas curtas". É isso que possibilita a gente captar um emissora de rádio do Japão, mesmo sem usar satélites.
Durante períodos de grande atividade solar, a radiação do Sol ioniza uma quantidade anormal de átomos e a ionosfera fica tão cheia de íons que se torna uma verdadeira barreira. Sinais de rádio vindo de fora não entram e sinais originados na própria Terra não saem. Nesses períodos os radioastrônomos ficam praticamente ilhados, impossibilitados de receber sinais de rádio do espaço exterior, principalmente durante o dia, quando a ionosfera fica ainda mais densa.

Foi aí que Jansky deu a maior sorte. Ele começou a observar os sinais da Via Láctea de 1932 a 1934, durante um mínimo de atividade solar. Se ele tivesse começado alguns anos antes ou depois, o início da radioastronomia teria sido adiado por algum tempo. Hoje, os radiotelescópios são bem mais sensíveis que a antena primitiva de Jansky. Além disso, satélites como o SOHO estão livres dessas limitações.
Há quem pense que um astrônomo amador só pode fazer suas observações à noite e longe das luzes da cidade. Isso não é verdade. Com uma modesta luneta você pode observar as manchas solares, principalmente quando elas estão bem sapecas. Esse, aliás, é um excelente projeto para Feira de Ciências, candidato a ganhar medalha. Comece logo a fazer suas observações, anotações e gráficos. Quando chegar a época da Feira você já terá farto material para apresentar em seu estande.
Você só precisa de uma pequena luneta ou telescópio de amador e de uma cartolina onde projetará a imagem do Sol. Nunca olhe o Sol através do telescópio! Se você fizer essa besteira, corre o risco de danificar sua retina e ficar cego. Galileu, coitado, cometeu esse erro e morreu na cegueira.

Veja a figura. Quanto maior a distância entre a luneta e a tela, maior será a imagem do Sol, mas, em compensação, menor será sua luminosidade. Algumas lunetas usam um filtro solar, mas isso não é essencial. Procure diminuir a claridade em redor da tela para que a imagem do Sol fique bem visível. Ajuste bem o foco para obter uma imagem tão nítida quanto possível.
Se conseguir ver algumas manchas, faça uma figura mostrando a posição delas no disco solar para poder acompanhar seus movimentos. Fazendo observações por vários dias, de preferência sempre às mesmas horas, você poderá achar o período de rotação do Sol.
Existe um chamado "número de manchas", N, que é calculado do seguinte modo. Primeiro, conta-se o número de grupos de manchas, Ng, e depois, o número de manchas individuais, Nm. O número de manchas é dado pela soma do número de manchas individuais com o número de grupos multiplicado por 10. Isto é:
N = Nm + 10 x Ng .
A razão para isso é que o número médio de manchas por grupo é 10. Desse modo, mesmo se as manchas individuais de um grupo não forem distintas na imagem vista com uma luneta de amador, o número obtido não ficará muito longe do real.
Como estamos bem dentro do ciclo 23 o número de manchas atualmente é alto. Por sinal, recentemente ocorreu um súbito aumento no número de manchas acompanhando a inusitada atividade registrada nesses últimos dias. O gráfico abaixo, adaptado de um boletim da NASA, mostra como está esse número atualmente.

Fonte: seara.ufc.br