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Aquífero Guarani

O Brasil possui a maior cisterna do mundo.

Além de possuir o rio mais caudaloso do mundo, o Amazonas, entre outros os grandes rios, o Brasil está assentado sobre a maior cisterna de água doce do mundo, o Aquífero Guarani.

O aquífero tem 1,2 milhão de km² de área linear, o equivalente à soma dos territórios da Inglaterra, França e Espanha. A espessura dessa manta de água varia 100 metros a 130 metros em algumas regiões.

Ele foi batizado com esse nome por um geólogo do Uruguai, Danilo Anton, em memória do povo indígena da região. Antes do novo nome, ele era chamado no Brasil de Aquífero Botucatu.

Dois terços do aquífero (840 mil km²) estão em território brasileiro e o restante dividido entre o Paraguai e Uruguai (com 58.500 km 2 cada um) e Argentina (255.000 km²). No Brasil, ele está sob os estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Aquífero do Guarani
Aquífero Guarani

Iconografia Moderna

O Aquífero Guarani, a maior cisterna natural de água doce do mundo, localiza-se sob os territórios do Brasil, Paraguai e Uruguai. Acredita-se que o volume de sua água seria capaz de abastecer o dobro da população brasileira atual, cerca de 360 milhões de pessoas.

O aquífero é uma manta de rocha porosa, que se encharca de água da superfície e a filtra, o que permite que ela seja puxada pela força da gravidade. Em algumas áreas, essa camada de rocha aflora na superfície, como uma espécie de filtro captador exposto.

A área de reposição (captação), pela qual a água entra no aquífero, é de apenas 150 mil km². A recarga natural do aquífero ao longo de um ano é de 160 km3 de água e, desse total, calcula-se que 40 km3 (40 bilhões de litros) podem ser usados a cada ano, sem comprometer o aquífero.

Na área em que se estende para o sul do Brasil, uma outra camada de rocha, esta de origem basáltica (vulcânica), muita dura e pesada, cobre a manta porosa e funciona como uma tampa.

Puxada pela gravidade, essa rocha basáltica faz tanta pressão sobre a água que, às vezes, ao se perfurar um poço nessas regiões, não é preciso utilizar bombas para puxar a água, que sobe ou esguicha sozinha.

O lençol de água nesses pontos pode chegar a 1,5 km de profundidade e, para furar a rocha com brocas de aço, é necessário um ano de trabalho. O resultado, apesar de tudo, é impressionante, pois nessas áreas a vazão de água chega a 700 mil litros de água por hora.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente paulista, há mil poços apenas no estado de São Paulo. Para governo paulista, a água subterrânea tem importante papel no abastecimento público de muitas cidades do estado.

Em 1997, cerca de 72% dos municípios paulistas era total ou parcialmente abastecidos por esse recurso hídrico; 47% deles eram inteiramente abastecidos por águas subterrâneas. Entre eles estavam os municípios de Catanduva, Caçapava, Ribeirão Preto, Tupã, Jales e Lins.

A maioria dos poços que explora o Aquífero Guarani foi feita justamente onde ele é protegido apenas pela rocha porosa de arenito. Por isso, esses poços necessitam de proteção permanente na sua entrada, para evitar a contaminação por água com dejetos de animais ou com esgoto doméstico. Para evitar contaminação futura, os poços têm de ser lacrados quando o cano se estraga, o que ocorre ao redor de 30 anos de uso.

Nas regiões agrícolas, há a preocupação com relação aos adubos químicos, herbicidas e pesticidas, que podem entrar pela rocha porosa e contaminar a água subterrânea.

Para monitorar e regulamentar a retirada da água, os países onde se localiza o aquífero iniciaram conversações sobre o assunto na década de 1990. Em fevereiro de 2000, um primeiro documento foi assinado pelos presidentes dos quatro países envolvido, em Foz do Iguaçu (PR). Em 22 de maio de 2003, foi assinado em Montevidéu, no Uruguai, o Projeto Aquífero Guarani. No Brasil, o órgão de acompanhamento do aquífero é a Agência Nacional de Águas.

Fonte: www.moderna.com.br

Aquífero Guarani

Aquífero Guarani: um panorama social, político, econômico e ambiental

A água tem se tornado uma preocupação cada vez mais frequente no Cenário Internacional. A percepção de que se trata apenas de um objeto de consumo necessário ao homem vem sendo modificada ao longo dos anos. Atualmente, água é, em última análise, elemento do desenvolvimento econômico e social. Ela está presente nos processos industriais e agroindustriais, e é meio de transporte de diversos vetores de doenças que atingem principalmente os paises mais pobres. Também objeto de tratados internacionais, fundamentalmente acordos sobre o uso de águas transfronteiriças, hoje atinge uma dimensão no Cone Sul que transcende e engloba todas essas questões.

O presente trabalho visa apresentar um panorama geral acerca dessas questões de natureza econômica, social, ambiental e política que permeiam a utilização das águas subterrâneas do Aquífero Guarani. Através de sua análise e a partir do marco teórico do Institucionalismo Neo-Liberal, pretende-se apontar a dinâmica das relações a nível global e regional e como a interação dos atores pode ser capaz de gerar processos que estreitem suas relações e promova o uso sustentável dos recursos hídricos. Para tanto, recorre-se à pesquisa bibliográfica e à pesquisa na internet em sítios especializados, bem como à análise dos documentos constitutivos do projeto, relatórios de execução e outros documentos concernentes elaborados pelos atores envolvidos.

O Aquífero Guarani, localizado em parte sobre a Bacia Hidrogeológica do Paraná, é possivelmente a maior reserva transfronteiriça de água doce do planeta. Subjacente aos territórios de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai ocupa, segundo o Documento de Avaliação do Projeto, uma área total aproximada de 1,2 milhões de km², perfazendo cerca de 6% do território argentino, 10% do brasileiro, 18% do paraguaio e 25.3% do território uruguaio. Na Argentina, sua extensão aproximada é de 225.500 km², cerca de 19.1% de sua extensão total. No Brasil, Paraguai e Uruguai esses números correspondem respectivamente a 839.800 km² (71% de sua extensão total), 71.700 km² (6,1% da extensão total), 45.000 km² (3,8% da extensão total). De acordo com Rubens Caldeira Monteiro, existem referências de que o Aquífero Guarani seja ainda maior do que a princípio esperado, ocorrendo na Bolívia, em uma área de 205 mil km².

Estendendo-se pelos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina e congregando uma população de cerca de 22.662.463 habitantes, sendo aproximadamente 8.444.620 seus usuários efetivos, a agropecuária é a atividade econômica predominante nessa região, com exceção dos Estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul que apresentam maior desenvolvimento do setor secundário.

Nestes Estados, a atividade industrial concentra-se principalmente nos grandes municípios: Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Bauru e Piracicaba em São Paulo; Londrina no Paraná e Caxias do Sul no Rio Grande do Sul.

Os principais Estados consumidores são: São Paulo que consome mais de 50% de todo volume atualmente extraído, seguido por Rio Grande do Sul (13,9%), Paraná (13,7%) e Mato Grosso do Sul (11,6%). Os demais Estados apresentam consumo inferior a 5%.

Na Argentina, sua área de ocorrência é a região situada entre os rios Paraná, Uruguai, Iaguazú, San Antonio e Pepirí Guazú, conhecida como mesopotâmia argentina. Ela compreende as províncias de Corrientes, Entre Rios e Misiones sendo que ele pode estender-se pelo restante do litoral. Atualmente o uso recreativo de suas águas em centros termais é preponderante e em algumas áreas das províncias de Misiones e Corrientes há o uso corrente para abastecimento da população.

No Paraguai, sua ocorrência se dá na porção oriental do país, na qual se concentra aproximadamente 97% da população. As águas são utilizadas fundamentalmente para abastecimento populacional. Na região, a possibilidade de contaminação em função da densidade demográfica e a expansão do consumo, tendo em vista que a extração é muito semelhante à recarga estimada, são os fatores de maior pressão e preocupação sobre o aquífero.

Ocupando a porção norte do território uruguaio, seus usos são fundamentalmente os mesmos que nos outros países: abastecimento populacional e recreação. Há um enorme interesse no desenvolvimento de atividades turísticas, que já garantem uma receita de 90 milhões de dólares anualmente nas estâncias térmicas de Paysandu e Salto , e uma preocupação muito grande com a possível poluição causada por capitais como Artigas e Rivera.

De acordo com uma primeira avaliação realizada por Aldo da Cunha Rebouças, somente as reservas permanentes na porção brasileira do aquífero seriam da ordem de 48.000 Km3 (ou 48 trilhões de metros cúbicos), enquanto as recargas naturais seriam da ordem de 166 Km3 / ano , sendo que cerca de 40 Km3 / ano acredita-se que possam ser explorados sem danos ambientais, volume suficiente para abastecer uma população de cerca de 545 milhões de pessoas anualmente, tomando como referência o consumo diário de 200 litros de água por habitante. Em geral, as águas são de boa qualidade e raramente apresentam anomalias quanto à concentração de sais e flúor, entretanto, traços de poluição de nitrato e defensivos agrícolas já foram encontrados nas cidades de Sorocaba e Ribeirão Preto, que juntamente à cidade de Bauru já enfrenta graves problemas com a excessiva exploração.

O Sistema Aquífero Guarani é de natureza interdependente, ou seja, ações danosas em um de seus pontos têm a capacidade de se propagar pelo sistema afetando a qualidade e quantidade de água disponível, como demonstra um conflito transfronteiriço identificado entre as estâncias termais de Salto (Uruguai) e Concórdia (Argentina) no qual o aumento da demanda de um lado da fronteira influencia a capacidade de extração do outro, chegando mesmo a limitá-la.

As vantagens agregadas em função do uso sustentável de mananciais subterrâneos extrapolam a dimensão do abastecimento urbano e rural. Os prazos de realização de obras e o investimento para captação e distribuição são comparativamente mais baratos do que aqueles realizados em rios, lagos e barragens. Os mananciais subterrâneos também não sofrem dos processos de degradação a que os mananciais superficiais estão submetidos, além de não perderem grandes volumes de água por evaporação. A ampliação da captação da água pode ser feita de acordo com o aumento da demanda efetiva, desonerando a população em benefício de futuros usuários.

A produção de energia é outro aspecto funcional que merece destaque. Nos Estados Unidos, China, Japão, Rússia, a utilização das águas subterrâneas naturalmente aquecidas como fonte de energia térmica tem sido eficazmente empregada. Apesar do Sistema Aquífero Guarani ser considerado de baixa entalpia, ou seja, as temperaturas máximas atingidas (70ºC) não são suficientes para gerar processos rentáveis de produção de energia elétrica, uma possível aplicação seria a produção de metano a partir de resíduos líquidos e sólidos. Neste processo, intermediado por bactérias, a manutenção da temperatura na faixa de 30ºC a 50ºC é fundamental. Regiões nas quais a criação de animais produza grande quantidade de rejeitos orgânicos, como o oeste catarinense, são áreas potenciais para implementação deste aproveitamento.

Além de todas essas funções já mencionadas, os aquíferos também podem ser utilizados para incremento de competitividade em processos industriais, principalmente na agroindústria, cujos principais usos são a secagem e armazenamento de grãos, a secagem de madeiras e evisceração e limpeza de aves, e atividades turísticas.

Em 1977, na Primeira Conferência Mundial da Água, realizada em Mar Del Plata, acreditava-se que ao menos 70% das comunidades carentes de abastecimento de água potável poderiam ser atendidas através da extração subterrânea. A Organização das Nações Unidas inaugurou a década de 1980-90 como sendo a Década Internacional da Água Potável e Saneamento, na qual os governos deveriam investir maciçamente nestes projetos de forma a sanar a grande deficiência de fornecimento desses serviços básicos à população mais carente, entretanto, muito pouco neste sentido foi realizado.

Em 1992, no Rio de Janeiro, desenvolveu-se mais um capítulo a respeito da problemática da água no cenário internacional. Todo o capítulo 18 da Agenda 21 foi dedicado ao tema, evidenciando a necessidade de se implementar um gerenciamento integrado dos recursos subterrâneos e superficiais ao nível das bacias hidrográficas.

Atualmente na cena global, as discussões em torno da água vinculam-se às questões da globalização e do Consenso de Washington: mercantilização, primazia do investimento privado, passagem da cultura do direito para a lógica da necessidade, privatização e liberalização de mercados.

Estimado em 2003 em 400 bilhões de dólares , o mercado da água, segundo as críticas, envolve não só a sede de lucros das transnacionais, mas a conivência de organismos internacionais, entre eles o Banco Mundial e a Organização das Nações Unidas, no progressivo processo de privatização das águas em um possível cenário de escassez - até 2025 de 2 a 7 milhões de pessoas em pelo menos 48 países podem sofrer com a falta de água - de acordo com relatório divulgado pela Unesco, órgão da ONU responsável pelo Programa Hidrológico Internacional.

Em âmbito regional, a questão da água demonstra um avanço político - dos conflitos em função da disputa pela primazia no Cone Sul para uma estratégia compartilhada de avanço - que melhorou sensivelmente o relacionamento entre os países, como demonstra a construção do Mercosul, apesar de avançar a passos mais lentos do que o desejável.

Apesar de aflorarem as divergências diárias, na maior parte das vezes concentradas em questões econômicas e políticas, em 2001 os Governos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, reunidos em Foz do Iguaçu, iniciaram um processo de negociação que em 2003 culminou com a execução do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, que tem o Banco Mundial como agência implementadora dos recursos, a Organização dos Estados Americanos como agência executora internacional e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente como principal agente financiador do projeto. Além dos organismos já citados, a Agência Internacional de Energia Atômica, e o Serviço Geológico da Alemanha participam como co-financiadores.

O objetivo é apoiar os quatro países envolvidos na elaboração e implementação de um modelo institucional, legal e técnico comum para a preservação e o gerenciamento sustentável do Sistema Aquífero Guarani. O projeto está organizado em sete componentes que compreendem desde sua coordenação e gestão até a estruturação do marco de gestão integrada, passando pela expansão e consolidação do conhecimento científico e técnico; pelo fomento à participação pública, comunicação social e educação ambiental; pela avaliação, seguimento e disseminação dos resultados do projeto; pelo desenvolvimento de medidas de mitigação de danos causados por usos insustentáveis; e finalmente pela avaliação do potencial para utilização da energia geotérmica.

Todos os componentes estão organizados de forma a fornecer os elementos necessários para a construção do marco comum de gestão, que se estrutura especificamente em mais cinco elementos que envolvem o aperfeiçoamento e a instrumentação de uma rede integrada de monitoramento e informação do Sistema Aquífero Guarani, a formulação de um programa de ações estratégicas, o fortalecimento institucional e uma análise diagnóstica transfronteiriça.

A articulação entre os quatros governos se dá, em instância máxima, através de um Conselho Superior de Direção do Projeto composto obrigatoriamente por representantes das Unidades Nacionais de Execução do Projeto, Ministérios de Relações Exteriores e outro representante de livre escolha dos países, preferencialmente vinculado à área ambiental. Há também uma Coordenação Colegiada formada pelos coordenadores técnicos nacionais que atua em apoio ao Conselho e à Secretaria Geral, que é administrada pela Organização dos Estados Americanos através de sua Unidade de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente. Por fim, cada país tem uma Unidade Nacional de Execução do Projeto responsável por sua implementação.

Enquanto as questões de natureza ambiental concernentes ao Aquífero Guarani são claramente interdependentes, somente parcialmente as questões econômicas, políticas e sociais apresentam essa mesma característica, entretanto, determinados elementos não escapam da condição natural e ampliam a agenda do projeto.

Dessa forma, é interessante distinguir algumas categorias analíticas propostas por Robert O. Keohane e Joseph Nye. “A interdependência refere-se a situações caracterizadas por efeitos recíprocos entre países ou atores em diferentes países”. Ela implica necessariamente na noção de custos e de restrição da autonomia, não implica em ausência de conflitos distributivos ou mesmo em benefícios mútuos, ou seja, envolve competição e assimetrias.

Há evidentemente na discussão sobre a água uma dimensão global e uma regional. O reconhecimento de sua importância é fatídico e provoca uma série de controvérsias desde aqueles que sustentam a universalidade do direito humano ao seu acesso, até os que defendem a sua privatização e mercantilização irrestrita.

Nos países em desenvolvimento, qualquer projeto que envolva gasto público além do estritamente necessário para o abastecimento da população e da indústria, geralmente envolve expectativas de ganhos econômicos com entrada de divisas ou aumento de competitividade.

No Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani, essas duas dimensões têm a potencialidade de fundir-se e os choques e conflitos em torno do tema, de se ampliarem.

Nesta direção, observa-se que, apesar da discrepância dos marcos jurídicos nos quatro países, o Brasil já adota um modelo no qual se permite a participação da iniciativa privada. Um marco de gestão conjunta deve universalizar essa diretriz. A princípio, pode-se esperar que o enfoque seja o gerenciamento dos sistemas de captação, distribuição, e tratamento de águas e esgotos, entretanto, nada impede que se avance até a agroindústria e o turismo em uma perspectiva capaz de colocar os Estados em uma situação de franca competição pelos investimentos.

Por outro lado, as características intrínsecas do Sistema Aquífero Guarani convergem para uma situação caracterizada por negociações reiteradas e de longo prazo, nas quais a agenda tende a se modificar na medida em que surjam os conflitos. Com a redução dos custos de verificação das obrigações dos governos e, ao mesmo tempo, aumento dos custos de transgressões acerca-se de um cenário estável no qual a estratégia dominante é a cooperação, mesmo que eventualmente os preceitos acordados sejam transgredidos.

Ainda acerca da interdependência, Keohane e Nye distinguem duas dimensões: a sensibilidade e a vulnerabilidade. Ambas referem-se a mudanças nas políticas locais em função de algum fator externo, entretanto o último conceito agrega a noção de custos sócio-políticos ou econômicos.

Em certa medida, a questão da água tem transitado de uma situação de sensibilidade para vulnerabilidade que aponta em duas direções: o fortalecimento de um sistema regional pautado no interesse dos Estados ou um sistema híbrido refém fundamentalmente do capital estrangeiro.

Essa última não é uma perspectiva interessante para os países envolvidos no projeto, mas para aqueles cuja disponibilidade hídrica é muito restrita. De acordo com Lester Brown em artigo para o Lê Monde Diplomatique, 70% de toda água disponível para o consumo no planeta é utilizada na produção de alimentos, 20% em processos industriais e somente 10% para abastecimento populacional. A partir desses dados, o cruzamento do cenário de crescimento populacional com o de escassez hídrica indica que os países nos quais a disponibilidade de água é restrita tenderão a trocar a produção de alimentos pelo abastecimento populacional, o que sugere um aumento de pressão sobre as áreas agricultáveis com disponibilidade hídrica. Na prática, utiliza-se o alimento, que a cada tonelada equivale a mil toneladas de água, como intermediador da troca.

A ampliação das relações de interdependência em torno do tema faz com que o projeto ultrapasse os limites de uma experiência de construção conjunta de marcos supranacionais de gestão. A confirmação dos cenários de crescimento populacional e restrição hídrica tendem a trazer a tona temáticas como segurança alimentar e soberania nacional.

A médio-longo prazo, o relaxamento das barreiras não tarifárias no âmbito da Organização Mundial do Comércio parece inevitável.

Neste sentido é interessante observar o comportamento das grandes transnacionais no que parece ser uma concessão silenciosa de mercados: alimentos por água.

Daniel Rocha de Abreu Salomé

Citações

WORLD BANK. Project Appraisal Document on a Proposed Global Environment Facility Trust Fund Grant in The Amount of SDR 10.8 Million (US$ 13.40 Million Equivalent) To Argentina, Brazil, Paraguay, and Uruguay For The Environmental Proctection And Sustainable Development Of The Guarani Aquifer System Project. 2002. P. 10.
MONTEIRO, Rubens Caldeira. Estimativa Espaço-Temporal da Superfície Potenciométrica do Sistema Aquífero Guarani na Cidade de Ribeirão Preto (SP), Brasil, 2003. Rio Claro: Instituto de Geociências e Ciências Exatas, 2003. P. 31(Tese de Doutorado)
SECRETARIA GERAL DO PROJETO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DO SISTEMA AQUIFERO GUARANI. Atividade 3b: Uso atual e potencial do Aquifero Guarani – Brasil (Relatório Final). 2001. Pp. 8 – 17.
SECRETARIA GERAL DO PROJETO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DO SISTEMA AQUIFERO GUARANI. Informe de Consultoria. P. 02.
SECRETARIA GERAL DO PROJETO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DO SISTEMA AQUIFERO GUARANI. Atividade 3b: Uso atual e potencial do Aquifero Guarani – Brasil (Relatório Final). 2001. P. 07.
O Consumo médio do Estado de São Paulo é tomado como referência em função da relação diretamente proporcional existente entre o consumo e a renda per capita. Disponível em <http://www.sabesp.com.br/pura/noticias_dados/dados_consumo_per_capta.htm>. Acessado em 11/07/06.
MORELLI, Leonardo. Água: nas mãos de quem? Cadernos Dipló - Le Monde Diplomatique, nº 3, pp. 19 – 21, 2003.
Relatório da UNESCO publicado em março de 2003 e entitulado "Água para as Pessoas, Água para a Vida".
KEOHANE, Robert. NYE, Joseph. Power and Interdependence. New York, Longman, 1977. P. 07.
KEOHANE, Robert. NYE, Joseph. Realism and Complex Interdependence. IN: International Relations Theory: Realism, Pluralism, Globalism and Beyond. Nova York, MacMillan, 1993. P. 309.
CASTRO, Marcos F de. De Westphalia a Seattle: A Teoria das Relações Internacionais em Transição. Cadernos do REL, nº 20, p. 24, 2001.
BROWN, Lester. Um deserto cheio de gente. Cadernos Dipló - Le Monde Diplomatique, nº 3, pp. 36 – 37, 2003.

Referências

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SECRETARIA GERAL DO PROJETO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DO SISTEMA AQUIFERO GUARANI. Atividade 3b: Uso atual e potencial do Aquifero Guarani – Brasil (Relatório Final). 2001. Disponível em <http://www.sg-guarani.org/index/pdf/proyecto/infotec/prepa/act03.zip>. Acesso em 22/05/2006.
SECRETARIA GERAL DO PROJETO DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL DO SISTEMA AQUIFERO GUARANI. Informe de Consultoria. Disponível em <http://www.sg-guarani.org/index/pdf/proyecto/infotec/prepa/geotermal.zip> Acesso em 15/06/2006.
WORLD BANK. Project Appraisal Document on a Proposed Global Environment Facility Trust Fund Grant in The Amount of SDR 10.8 Million (US$ 13.40 Million Equivalent) To Argentina, Brazil, Paraguay, and Uruguay For The Environmental Protection And Sustainable Development Of The Guarani Aquifer System Project. 2002. Disponível em <http://www.sg-guarani.org/index/pdf/proyecto/docbas/prepa/PAD.pdf>. Acesso em 03/06/2006.

Fonte: www.cori.unicamp.br

Aquífero Guarani

O que é o Aquífero Guarani?

Localização e características gerais

O Aquífero Guarani é a maior reserva subterrânea de água da América do Sul e uma das maiores do mundo. Ocupa uma área total de aproximadamente 1,2 milhão de km² e está localizado na região centro-leste da América do Sul, na bacia do Rio Paraná e parte da bacia do Chaco-Paraná. Estende-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

O nome “Aquífero Guarani” foi sugerido pelo geólogo uruguaio Danilo Anton, em 1994, “e aprovado com o respaldo dos quatro países em uma reunião em Curitiba (Paraná), em maio de 1996. O objetivo era unificar a nomenclatura das formações geológicas que formam o aquífero, e que recebem nomes diferentes nos quatro países do Mercosul (Pirambóia/ Botucatu no Brasil; Misiones no Paraguai; Tacuarembó na Argentina e Buena Vista/Tacuarembó no Uruguai)”1, e, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem à memória do povo indígena da região.

Sobre a área do Aquífero Guarani vive uma população de aproximadamente 29,9 milhões de pessoas. Nos quatro países, a região tem uma intensa atividade agropecuária.

Argentina: Neste país a área do Aquífero é de cerca de 255 mil km², com os limites geográficos ainda não definidos. Está localizado nas Províncias de Misiones, Corrientes, e Entre Rios.
Brasil:
A maior ocorrência do Aquífero Guarani se dá em território brasileiro, com 840 mil km² (2/3 da área total). Abrange os Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Paraguai:
O Aquífero Guarani ocupa cerca de 71,7 mil km² no Paraguai. Localiza- se nos departamentos de Amambay, Concepción, San Pedro, Canindeyú, Alto Paraná, Caaguazú, Caazapá, Guairá, Itapúa, Misiones e Ñeembucú.
Uruguai:
O Aquífero ocupa 58,5 mil km² e abrange os departamentos de Artigas, Paysandú, Salto, Rivera, Tacuarembó, Rio Negro e Durazno.

Recarga, descarga e afloramento

O Aquífero tem zonas de recarga (locais onde a água ingressa no mesmo) e de descarga (onde a água sai). “Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 km³/ano, sendo que, desta, 40 km³/ano constitui o potencial explotável (que pode ter uso econômico) sem riscos para o sistema aquífero”2.

As principais zonas de recarga direta encontram-se nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina (Brasil). No Paraguai, encontram-se no Departamento de Alto Paraná e Caaguazú3.

As principais zonas de descarga do aquífero são “as regiões próximas ao nível de base do Rio Paraná ou dentro da área de influência à jusante de sua bacia hidrográfica, bem como, no Chaco Argentino4”.

Sobre a área de afloramento do Aquífero (onde há exposição natural da rocha armazenadora de água) vivem cerca de 3,7 milhões de pessoas. As maiores ocupações ocorrem nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul (Brasil), nos departamentos de Caaguazu (Paraguai), Rivera e Tacuarembó (Uruguai)5.

Eis a importância da identificação de tais áreas, principalmente de afloramento e recarga: são os locais mais susceptíveis à contaminação química e biológica (esta última, a possibilidade mais remota).

O Aquífero Guarani constitui-se, por sua localização geográfica e pelo tamanho de seu manancial, em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento econômico e social e para atividades de lazer da região.

Por essa importância estratégica, é necessária uma atuação conjunta dos países do Mercosul para evitar a sua contaminação.

Características gerais

No ‘senso comum’, predomina a idéia de que a água do Aquífero é doce e própria para o consumo humano, sem necessidade de tratamento. Esta noção vale para uma parte da água. Nem toda ela é doce.

Evidências demonstram a “existência de pelo menos três tipos de água dentro do sistema Guarani: tipicamente água doce, água salobra e água alcalina”6.

Essas águas podem ser usadas para consumo humano, agricultura e, por atingirem temperaturas elevadas, também como águas termais (lazer e indústria). “Uma estimativa da área do Guarani, com potencial de produção de águas termais superiores a 38ºC, atinge aproximadamente 380 mil km²” e um pouco mais de 30 mil km² apresenta temperaturas mais elevadas, superiores a 60ºC.7

Atividades e exploração do Aquífero

A região onde está localizado o Aquífero Guarani é caracterizada por intensa atividade agropecuária: culturas de soja, milho, arroz, trigo, feijão, frutas, tabaco, batata, cevada, sucro-alcooleira e pecuária de corte. Todas com uso intensivo de venenos (agrotóxicos).

Argentina: A maior exploração do Guarani neste país se dá nas cidades de Concórdia, Cólon e Villa Elisa (Província de Entre Rios), com o objetivo hidrotermal (turismo).
Brasil:
Dos quatro países do Mercosul, o Brasil é o que mais tem feito uso do Aquífero. Segundo relatório da Cetesb de 1997, 72% dos 645 municípios do Estado de São Paulo “são total ou parcialmente abastecidos por água subterrânea e 47% deles são inteiramente abastecidos por água subterrânea”8. Naquele Estado, “o Guarani é explorado por mais de 1000 poços”9, muitos deles perfurados sem nenhuma preocupação ou controle.
O uso principal da água do Guarani no Brasil é para o consumo humano (70%). Em seguida, para o setor industrial (25%) e para o “hidrotermalismo recreativo e terapêutico” (5%)”.10
Paraguai:
O uso principal do Aquífero Guarani é para o consumo humano. Cerca de 80% do Paraguai é abastecido por água subterrânea. Estima-se em 1,4 mil a quantidade de poços só no Paraguai Oriental11.
Uruguai:
O uso principal das águas do Aquífero Guarani no Uruguai é para o hidrotermalismo, principalmente nos departamentos de Salto e Paysandú.

A área sob a qual se encontra o Aquífero Guarani é vulnerável e vem sendo explorada, desde o início, sem planejamento, sem uma devida gestão ambiental que possa evitar a contaminação e a sobrexploração do aquífero.

Sabe-se que a exploração excessiva leva ao rebaixamento do lençol freático, coisa que já vem ocorrendo na região de Ribeirão Preto, com impacto nas águas subterrâneas e superficiais.

Vulnerabilidade

Por ora, as água do Aquífero Guarani não estão contaminadas. Mas, pela densidade populacional, assoreamento dos cursos d’águas, erosão e uso de venenos, o risco está bastante presente.

Esse risco é favorecido pela constituição geológica (arenito) do terreno e as áreas de afloramento que não têm saneamento. Outro fator de risco de contaminação são os poços rasos e profundos “construídos, operados e abandonados sem tecnologia adequada”12, sem planejamento, gestão e fiscalização.

Outra vulnerabilidade é a ausência de marcos legais que regulamentem as atividades desenvolvidas na área do Aquífero Guarani, para que o mesmo não seja agredido por contaminantes ou que não venha a sofrer uma superexploração.

Preocupações

Sem nenhum planejamento e gestão, a água do Aquífero Guarani começou a ser explorada já na década de 1930. Hoje, em “13 bacias hidrográficas do Estado de São Paulo a água subterrânea é fonte prioritária de abastecimento. Em função da qualidade dessas águas, a participação das mesmas tende a crescer”13, tanto para uso industrial, como agropecuário e termal (terapêutico e turismo).

Tal demanda, até o momento, não tem um foro representativo e adequado de debate ao nível do Mercosul. Há alguns fóruns regionais ou nacionais, mas com pouca integração no contexto do bloco.

O primeiro conceito, ainda que “informal de um projeto sobre o Aquífero Guarani que envolvesse os quatro países, ocorreu por ocasião do Congresso da Associação Latino-Americana de Hidrologia Subterrânea para o Desenvolvimento (ALHSUD), em 1992. [...] Esse conceito informal foi a base para transformar-se no atual projeto denominado Proteção Ambiental e Gerenciamento Sustentável Integrado do sistema Aquífero Guarani, com recursos doados pelo Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) por meio do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e com administração da Organização dos Estados Americanos”14.

Desse projeto (GEF) surge também a preocupação: sabemos que são muitos os estudos efetuados, mas por quem são acumulados os resultados desses estudos?É uma atividade importante, mas sem nenhuma transparência. Não são tornados públicos os estudos e análises efetuadas.

Há um crescimento desordenado das cidades, com uma demanda crescente de água. As águas de superfície estão cada vez mais contaminadas. As fontes, degradadas. Com isso, o uso das águas subterrâneas vai se transformando na melhor opção, principalmente sabendo que sua exploração é mais econômica.

Energia e água são as principais demandas da humanidade, e ambas estão presentes no Aquífero Guarani. Sua água, de maneira geral, é de boa qualidade e parte dela com temperaturas elevadas com possibilidade de uso em termal (terapêutico e de lazer) e na indústria.

Destes dois últimos pontos surge uma outra preocupação: a exploração tem aumentado nos quatro países do Mercosul. No entanto, não há um plano de gestão do uso do Aquífero. Enquanto isso, empresários estão comprando grandes áreas de terra sobre o Aquífero com o objetivo de, no futuro, vir a explorá-lo.

Ausência de isonomia legal:

“O Brasil é o único país que tem legislação prevendo o uso sustentável de água, incluindo a água subterrânea. Todavia, a base jurídica é ainda relativamente frágil e necessita ser mais desenvolvida”.

“O Uruguai está operando por meio de seu Código de Águas de 1979 que não prevê um valor econômico para água”.

“Na Argentina a Constituição confere ao Estado o status de proprietário de todos recursos naturais em seus territórios. A principal característica da estrutura institucional da Argentina é a dispersão de responsabilidades e decisão”.

“No Paraguai a situação é similar, apesar de alguns esforços feitos pelo Ministério de Planejamento para melhorar a estrutura de coordenação e regulação para gerenciamento dos recursos hídricos”.15

Não há, ainda entre os países do Mercosul, um mecanismo legal (acordo em vigor) que possibilite disciplinar a exploração e uso do Aquífero Guarani. Por essa razão, também não existem meios de efetuar uma fiscalização conjunta. É necessário compatibilizar as legislações ambientais.

A agricultura é intensiva na região, como também é intensivo o uso de veneno (agrotóxico), e, por “desempenhar papel fundamental como atividade econômica da região, é preponderante para o aumento da produtividade das áreas agricultáveis a utilização da irrigação, assim como também faz-se necessária a implementação continuada de agroindústrias, concomitantemente com a instalação de silos adequados para o armazenamento de grãos”.16

É sabido que há uma inter-relação das águas superficiais, já contaminadas, com as profundas. No entanto, não são realizados estudos de impacto ambiental para que possa ser prevenida qualquer contaminação do Aquífero.

O uso intensivo de venenos (agrotóxicos) predispõe o Aquífero à contaminação química.

Mercosul

Projeto

A Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente do Brasil, em maio de 1999, apresentou à Organização dos Estados Americanos a intenção de “desenvolver um projeto para o gerenciamento e desenvolvimento sustentáveis do Aquífero Guarani, considerando os aspectos institucionais, ambientais, energéticos, técnicos, sociais e econômicos de sua exploração”.

Para tanto, solicitou à OEA que intercedesse junto ao Global Environment Facility (GEF) a favor da obtenção de recursos para a elaboração e execução do projeto. Em 28 de setembro de 2001, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão formalizou o endosso do governo brasileiro ao projeto, que recebeu aprovação do GEF em 3 de maio de 2002, e, em seguida, do Banco Mundial.

Em 20 dezembro de 2002, foi firmado o “Ajuste Complementar ao Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Secretaria Geral da OEA para a Execução do Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Gua rani”. O projeto está sendo realizado desde 2003, e deverá ser encerrado em 2007.17

O projeto está em fase de execução e é composto por sete componentes:

a) expansão e consolidação do atual conhecimento relativo ao Sistema Aquífero Guarani (SAG)
b)
desenvolvimento e implementação de um marco de gestão coordenada baseado em um plano estratégico de ação
c)
promoção e participação pública, comunicação social e educação ambiental
d)
avaliação e monitoramento do projeto e disseminação de resultados
e)
desenvolvimento e implementação local de medidas de gestão de água subterrânea em áreas consideradas críticas
f)
consideração do potencial geotermal do Projeto
g)
coordenação e gerenciamento do projeto.18

“O Ministério das Relações Exteriores, por meio da DAM I, juntamente com a Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e a Agência Nacional de Águas (ANA) são os integrantes brasileiros do Conselho Superior de Direção do Projeto (CSDP).”19

O objetivo do mesmo é prestar [sic] “apoio à Argentina, ao Brasil, Paraguai e Uruguai na elaboração e implementação em forma conjunta de um modelo técnico, legal e institucional para diligenciar e preservar o Aquífero Guarani, levando em consideração as gerações presentes e futuras”.20

Também entendem os técnicos que elaboraram o projeto que o Aquífero Guarani “é um claro exemplo de um corpo de água internacional ameaçado pela degradação ambiental através da poluição. [...] Na ausência de uma estratégia apoiada pelo GEF, a probabilidade é que a vertente comercial dominará nos quatro países. Para as taxas atuais de uso de água do aquífero e considerando o crescente uso de água subterrânea para consumo humano, é fácil prever o aumento da ameaça de poluição num futuro não muito distante”.21

Ao analisar o projeto, constata-se que há realmente esta preocupação, mas dá-se a impressão que o interesse vai além dos especificados no projeto. Afinal, são muitas as instituições e agências internacionais com interesse em financiar os estudos sobre o Aquífero Guarani.

Este interesse vem desde o início, e atualmente são os seguintes os financiadores22:

Global Environment Facility (Fundo para o Meio Ambiente Mundial - GEF)
Banco Mundial
OEA (Organização dos Estados Americanos)
BGR/PY (Bundesnatalf fur Geowissenschaften und Rohstoffe – Programa de Cooperação do Governo do Paraguai e o Serviço Geológico da Alemanha)
IAEA (International Atomic Energy Agency)
BNWPP – Programa de Recursos Hídricos do Banco Mundial e o Governo do Reino dos Países Baixos

Acordo do Mercosul sobre o Aquífero

“Em 2004, o Conselho Mercado Comum, por meio da decisão 25/04, criou o “Grupo Ad Hoc de Alto Nível Aquífero Guarani”, com a missão de “elaborar um projeto de Acordo dos Estados Partes do Mercosul relativo ao Aquífero Guarani que consagre os princípios e critérios que melhor garantam seus direitos sobre o recurso águas subterrâneas, como Estados e na sub-região.”

Esse projeto tem sido discutido em várias reuniões. Até o momento, porém, não houve acordo sobre o mecanismo de solução de controvérsias”. 23

Para elaborar o Acordo sobre o Aquífero Guarani foi nomeada uma Comissão ad hoc que ainda não concluiu seu trabalho.

A comissão trabalha levando em conta, entre outros, os seguintes parâmetros:

a) princípios de proteção aos recursos naturais estabelecidos na Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano de Estocolmo de 1972
b)
o princípio da soberania dos Estados
c)
respeito à Declaração do Rio de Janeiro sobre o meio Ambiente e Desenvolvimento, 1992
d)
que os países do Mercosul são os únicos titulares do Aquífero
e)
o direito soberano de cada Estado Parte promover a gestão, monitoramento e aproveitamento sustentável dos recursos hídricos renováveis do Aquífero Guarani
f)
promover o intercâmbio de informações para aprofundar o conhecimento técnico do Aquífero
g)
promoção, conservação e proteção ambiental do Sistema Aquífero Guarani para assegurar o uso múltiplo, racional e sustentável
h)
cooperação dos Estados Partes do Mercosul para a identificação de áreas críticas, especialmente em zonas fronteiriças que demandem medidas de tratamento específico

A proposta deste acordo já vem sendo debatida há mais de dois anos, sem consenso.

Na “XXIX Reunión Ordinaria del Consejo del Mercado Comum”, realizada nos dias 7 e 8 de dezembro de 2005 em Montevidéu, o tema retornou à pauta e sofreu somente um registro: “O Conselho do Mercado Comum tomou nota dos avanços das negociações do Acordo sobre o Aquífero Guarani e intercambiou idéias a respeito do ponto pendente de definição”.

Não sei se nos traz mais preocupações a ausência de acordo ou um acordo propriamente dito. Afinal, não temos conhecimentos do conteúdo do acordo e, caso seja um desfavorável, teremos problemas para enfrentá-lo.

O acordo deve garantir:

1) O acesso à água como um “direito humano fundamental, direito cultural, direito social inalienável, e como tal, deve ser objeto de políticas públicas24”, e que tais políticas garantam a água como um bem público e um direito natural à vida.
2)
Que a água seja considerada “um bem ambiental e social dos povos dos países onde ocorre, cuja utilização deve ser regulada com critérios que ultrapassem requisitos de apropriação comercial”. 25
3)
Que as águas de melhor qualidade devem ser reservadas apenas para abastecimento público, destinando as de menor qualidade para o uso de outras atividades como industrial e agropecuário.
4)
Que os países membros do Mercosul estabeleçam amplas políticas de intercâmbio de informações técnicas sobre o Sistema Aquífero Guarani, com integração de ação de pesquisa, orientação e fiscalização, com a obrigatoriedade de divulgá-las livremente nas línguas dos países membros, garantindo o acesso a todos os interessados;
5)
A existência obrigatória de mecanismos de gestão pública e controle social com a participação da sociedade civil. Para tanto, criar um “Comitê Gestor do Guarani”, para “fiscalizar e orientar as empresas e os governos na implantação de ações voltadas à utilização racional dos recursos hídricos e do Aquífero Guarani”. Este comitê seria composto por representantes do governo, empresários e trabalhadores, e teria sob sua responsabilidade a organização do “Plano de Utilização Racional dos Recursos Hídricos do Aquífero Guarani” 26.
6)
Um monitoramento, com a participação popular, dos países do Mercosul. Este monitoramento deve ser amplo com a integração do banco de dados, identificação das áreas problemáticas, proteção do sistema, etc
7)
A proibição de instalação de atividades potencialmente contaminantes em áreas de recarga para não por em risco a qualidade desta água
8)
Diretrizes de isonomia entre as legislações ambientais dos países do Mercosul, visando preservar a qualidade e a quantidade da água do Aquífero
9)
“A reserva de água subterrânea estocada no Aquífero Guarani, comprovadamente um dos maiores sistemas aquíferos do mundo, estendendo- se pelos territórios do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai, indiscutivelmente uma das maiores riquezas naturais da Região do Cone Sul, seja declarado bem público do povo de cada Estado soberano onde a reserva se localiza, e que seja protegido pelos governos e populações para que possam, estratégica e racionalmente, auferir os benefícios comuns, indispensáveis para a sobrevivência futura.”27

Citações

1. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. “Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
2. “Gestão Ambiental do Aquífero Guarani”, acessado em 28/01/2006.
3. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. “Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
4. Idem.
5. Ibid. Idem.
6. Ibid. Idem
7. Ibid. Idem.
8. “Gestão Ambiental do Aquífero Guarani” <http://www.ambiente.sp.gov.br/aquifero /principal>, acessado em 28/01/2006.
9. Idem. Sabe-se atualmente que são mais de 2.000 poços.
10. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. “Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
11. F.A. Larroza; J.L. Paredes; F. Villar & H. Villalba. “Diagnóstico do Aquífero Guarani no Paraguai” <http://www.ambiente.sp.gov.br/aqúifero/seminário>. Acessado em 28/01/2006.
12. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
13. “Gestão Ambiental do Aquífero Guarani” <http://www.ambiente.sp.gov.br/aquifero /principal>, acessado em 28/01/2006.
14. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. “Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
15. “Gestão Ambiental do Aquífero Guarani”, http://www.ambiente.sp.gov.br/aquifero /principal, acessado em 28/01/2006.
16. Rosa Filho, E. F. & Hindi, E. C. “Estágio de conhecimento Regional do Sistema Aquífero Guarani e o Aproveitamento do seu Potencial Energético”. <http://www.ambiente.sp.gov.br/aqúifero/seminário>. Acessado em 28/01/2006.
17. DAM – I, Ministério das Relações Exteriores, fevereiro de 2006
18. Idem
19. Ibid. Idem.
20. <www.sg-guarani.org>, acessado em 30/01/2006.
21. <http://www.ambiente.sp.gov.br/aquifero/principal>. Acessado em 30/01/2006
22. <www.sg-guarani.org>, acessado em 30/01/2006
23. DAM – I, Ministério das Relações Exteriores, fevereiro de 2006.
24. “Carta de Foz do Iguaçu” aprovada no Seminário Internacional Aquífero Guarani, gestão e controle social”, em 15 de outubro de 2004.
25. Idem.
26. Borghetti, N.R.B., Borghetti, J.R. & Rosa Filho, E.F. “Aquífero Guarani – A verdadeira Integração dos Países do Mercosul”, Curitiba, 2004.
27. “Carta de Foz do Iguaçu” aprovada no Seminário Internacional Aquífero Guarani, gestão e controle social”, em 15 de outubro de 2004.

Fonte: drrosinha.com.br

Aquífero Guarani

Águas Subterrâneas e o Aquífero Guarani

Introdução

Para a maioria da população mundial, o problema fundamental é a escassez de água. No Brasil os recursos hídricos disponíveis são abundantes, ainda que nem sempre bem distribuídos ou bem utilizados.

As águas subterrâneas no país são bastante utilizadas e corresponde a uma abundante riqueza (uma das maiores do mundo).

Disponibilidade da Água

A vida não pode existir sem água líquida. Reciprocamente, nos lugares onde ela está presente, se dão as condições para o desenvolvimento dos processos vitais. A capacidade de renovação das águas durante o ciclo hidrológico e sua agilidade de auto-purificação, permite a relativa conservação, por um longo período, da quantidade e qualidade das águas doces.

Este fato dá a falsa ilusão de inalterabilidade e inexauribilidade dos recursos hídricos que são considerados como um bem gratuito do meio ambiente.

Cerca de 70% da superfície da Terra encontra-se coberta pelas águas num volume de aproximadamente 1.385.984.610 km³. Deste total, 97,5% constitui-se de água salgada e apenas 2,5% em água doce, ou seja: 1,351 bilhões km3 e 34,6 milhões km³, respectivamente.

Do total do volume de água doce (34,6 milhões km³) do planeta, cerca de 30,2% (10,5 milhões de km³) pode ser utilizada para a vida vegetal e animal nas terras emersas, pois 69,8% encontram-se nas calotas polares, geleiras e solos gelados.

Do total do volume de água doce (34,6 milhões km³) do planeta, cerca de 30,2% (10,5 milhões de km³) pode ser utilizada para a vida vegetal e animal nas terras emersas, pois 69,8% encontram-se nas calotas polares, geleiras e solos gelados.

CICLO HIDROLÓGICO

O calor do sol aquece a água dos oceanos e da superfície terrestre, que se evapora, passando a formar parte da atmosfera, por onde circula até que se condensa e precipita sobre os oceanos e continentes (alimentando rios, lagos, aquíferos, glaciários) Anualmente o ciclo hidrológico envolve um volume total de água de 577.000 km³, sendo que o volume envolvido na evaporação é igual ao envolvido na precipitação.

Em termos gerais, esse volume de água que intervém no ciclo hidrológico é praticamente constante; sem dúvida, espacialmente está modificando-se a nível continental, regional e local toda vez que a hidrologia de uma região está condicionada, entre outros, por fatores climáticos, topográficos, geológicos, de vegetação e da atividade humana (poluição e degradação).

POTENCIAL E DISPONIBILIDADE HÍDRICA NO MUNDO

A América do Sul e a Ásia concentram os maiores potenciais de recursos hídricos do mundo, com 12.379 e 11.727 km³/ano, respectivamente, seguidas pela América do Norte com 7.480 km³/ano e a Europa com 6.631 km³/ano (FAO, 2002a). Os menores potenciais encontram-se na África, Oceania e América Central (3.950, 1.711 e 781 km³/ano, respectivamente).

Contudo, os maiores volumes de recursos hídricos renováveis do mundo estão concentrados em seis países do mundo: Brasil, Rússia, USA, Canadá, China e Indonésia (SHIKLOMANOV, 1999).

A disponibilidade de água em todos os continentes tende a diminuir cada vez mais, demonstrando a real necessidade de se rever o sistema de consumo e a solução do problema de disponibilidade em curto prazo (GONÇALVES et al., 2001).

A conscientização da sociedade e a sua participação na preservação dos recursos hídricos, associada ao controle do crescimento populacional, poderiam representar, em curto prazo, medidas prioritárias para evitar a escassez de água nos próximos anos.

ÁGUAS SUBTERRÂNEAS

Água subterrânea é toda a água que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas e, cumprem uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água precipitda.

A água subterrânea apresenta algumas propriedades que tornam o seu uso mais vantajoso em relação às águas dos rios: são filtradas e purificadas naturalmente através da percolação, determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos prévios; não ocupa espaço em superfície; sofre menor influencia nas variações climáticas, entre outras.

As águas subterrâneas (10.360.230 km³) são aproximadamente 100 vezes mais abundantes que as águas superficiais dos rios e lagos (92.168 km³), (SHIKLOMANOV, 1998), constituindo-se em importantes reservas de água doce.

AQÜÍFEROS

Aquífero do Guarani

A água subterrânea corresponde à parcela mais lenta do ciclo hidrológico e constitui nossa principal reserva de água, ocorrendo em volumes muito superiores ao disponível na superfície.

Ocorrem preenchendo espaços formados entre os grânulos minerais e nas fissuras das rochas, que se denominam aquíferos.

A rocha permeável que apresenta a propriedade de armazenar e transmitir as águas subterrâneas entre seus poros ou fraturas é chamada de aquífero.

Calcula-se que a extração anual dos aquíferos é de 160 bilhões de metros cúbicos ou 160 trilhões de litros no mundo mostrando-se excessiva na China, ndia, Arábia Saudita, África do Norte e Estados Unidos (POSTEL, 1999 citado por LESTER, 2003).

O Aquífero Guarani

1) Origem e Denominação

As regiões do aquífero compunham um deserto préhistórico. Com o passar do tempo, os ventos acumularam grandes depósitos arenosos (na Bacia Sedimentar do Paraná), representando um extenso campo de dunas que foi recoberto por um dos mais volumosos episódios de vulcanismo intracontinental do planeta, cuja lava solidificada originou a Formação Serra Geral, que vem a ser uma capa protetora do Aquífero Guarani.

Esses mecanismos geológicos é que originaram as rochas (formações geológicas), em cujos poros armazenam-se as águas do Aquífero Guarani

O termo Guarani foi sugerido pelo geólogo Danilo Antón em uma conversa informal com os colegas Jorge Montaño Xavier e Ernani Francisco da Rosa Filho, geólogos da Universidad de la Republica do Uruguai e Universidade Federal do Paraná, respectivamente, em 1994, e aprovado com o respaldo dos quatro países em uma reunião em Curitiba, em maio de 1996.

O objetivo era unificar a nomenclatura das formações geológicas que formam o aquífero, e que recebem nomes diferentes nos quatro países e, simultaneamente, prestar uma homenagem aos índios guaranis que habitavam a área de sua ocorrência, na época do descobrimento da América.

2) Geografia

O Guarani é um dos maiores aquíferos do mundo, cobrindo uma superfície de quase 1,2 milhões de km².

Está inserido na Bacia Geológica Sedimentar do Paraná, localizada no Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, e constitui a principal reserva de água subterrânea da América do Sul, com um volume estimado em 46 mil km³.

A população atual na área de ocorrência do Aquífero Guarani está estimada em aproximadamente 29,9 milhões de habitantes. Nas áreas de afloramento a população é de cerca de 3,7 milhões de pessoas (12,5 % do total).

Do total de sua área (1.195.500 km²), 12,8% estão representados pelas zonas de afloramento, ou seja, 153 mil km² (ANA, 2001), sendo que 67,8% (104 mil km³) localizam-se no Brasil; 30,1%, no Paraguai e 2,1%, no Uruguai. Até o presente momento não foram identificadas áreas de afloramento na Argentina.

A área do Guarani, na Argentina, é de 225.500 km²; no Paraguai é de 71.700 km²,; no Uruguai é de 58.500 km² , e no Brasil é de 840 mil km² (ARAÚJO et al., 1995), espalhando-se pelo subsolo de oito estados (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) num total de 70,2% da área total do aquífero.

A área de ocorrência do Guarani caracteriza-se por concentrar as zonas agropecuárias mais importantes de cada país. Além disso, a região caracteriza-se por terras férteis e solos com altos índices de produtividade onde são desenvolvidas as culturas de soja, milho, trigo, cevada, sucro-alcooleira, etc., e com excelente potencial de desenvolvimento da pecuária de corte de grande diversidade de raças, além de uma indústria bastante diversificada, destacando-se a automobilística e a de beneficiamento de produtos agropecuários (agroindústria - frigoríficos, laticínios).

Características Gerais

O Guarani é um aquífero do tipo poroso e confinado por cerca de 90% da sua área total. Ele encontra-se recoberto pelas espessas camadas de rochas basálticas da Formação Serra Geral.

De acordo com Araújo et al. (1995), a espessura total do Aquífero Guarani varia de valores superiores a 800 metros (Alegrete, RS) até a ausência completa em áreas internas da bacia (Muitos Capões, RS).

O confinamento do aquífero impõe condições de surgência natural (artesianismo) a partir de algumas dezenas de quilômetros de distância das áreas de afloramento. A explotação da água através de poços profundos permite a extração por unidade de captação de até 1.000.000 L/h (1.000 m³/h), como por exemplo, em um no município de Pereira Barreto (SP), (GUALDI, 1999).

Nas áreas de maior confinamento, as águas do Guarani não são, sem tratamento, adequadas para o consumo humano devido ao elevado teor de sólidos totais dissolvidos, bem como por causa de uma concentração elevada de sulfatos e presença de flúor acima dos limites recomendáveis.

Segundo Araújo et al. (1995), a temperatura média da água do manancial é de 25ºC a 30oC, podendo alcançar temperatauras mais elevadas que variam de 30 e 68ºC.

O Aquífero Guarani sendo constituído por arenitos relativamente permeáveis, devido à sua origem fundamentalmente eólica, apresenta na sua zona de recarga a maior vulnerabilidade à contaminação.

A vulnerabilidade do Guarani diminui à medida que a formação se aprofunda e adquire condições de confinamento, subjacente aos basaltos da Formação Serra Geral. Um dos principais problemas existentes com relação à exploração das águas do Guarani é o risco de deterioração do aquífero, em decorrência do aumento dos volumes explotados e do crescimento das fontes de poluição pontuais e difusas (ARAÚJO et al., 1995).

Aquífero do Guarani

1 - Além do Guarani, sob a superfície de São Paulo, há outro reservatório, chamado Aquífero Bauru, que se formou mais tarde. Ele é muito menor, mas tem capacidade suficiente para suprir as necessidades de fazendas e pequenas cidades.
2 -
O líquido escorre muito devagar pelos poros da pedra e leva décadas para caminhar algumas centenas de metros. Enquanto desce, ele é filtrado. Quando chega aqui está limpinho.
3 -
Nas margens do aquífero, a erosão expõe pedaços do arenito. São os chamados afloramentos. É por aqui que a chuva entra e também por onde a contaminação pode acontecer.
4 -
A cada 100 metros de profundidade, a temperatura do solo sobe 3 graus Celsius. Assim, a água lá do fundo fica aquecida. Neste ponto ela está a 50 graus.

Fonte: www1.univap.br

Aquífero Guarani

O Aquífero Guarani, antigamente chamado de Aquífero Gigante do Mercosul, é talvez o maior manancial de água doce subterrânea trans-fronteiriço do mundo que engloba quatro países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Suas águas ocorrem preenchendo espaços (poros e fissuras de rochas que se convencionaram denominar guarani).

Histórico

O termo Aquífero Guarani foi dado pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em homenagem à nação Guarani que habitava essa região nos primórdios do período colonial.

Este aquífero é, na verdade, formado por um conjunto de sedimentos fluviais e eólicos de períodos Jurássico e Triássico:

AQÜÍFERO BAURU

1) Além do aquífero Guarani, sob a superfície do Estado de São Paulo, há um outro reservatório, chamado AQÜÍFERO BAURU, que se formou mais tarde em termos de era geológica.
2)
Ele é muito menor, mas tem capacidade suficiente para suprir as a demanda de consumo das pequenas cidades e consumo rural.
3)
O líquido escorre muito devagar pelos poros das rochas e levando décadas para fluir pelo arcabouço do subsolo. Conforme este processo de fluxo vai se estabelecendo, a água vai se filtrando e infiltrando, chegando no aquífero efetivamente filtrado, dando as condições de potabilidade.
4)
Nestas condições e efeito físico, em termos de proteção e preservação, na atual conjuntura do uso e ocupação do solo, há que se estabelecer de forma mais racional, um planejamento geral, para que esta capa de solo superficial não seja contaminado quimicamente, principalmente por metais pesados.
5)
Nas margens deste aquífero, as erosões de forma geral, tem a força suficiente de expor parte deste arenito, denominados técnicamente como afloramentos rochosos.
6)
Estas ROCHAS são denominadas como ARENITO, são classificados geológicamente como rochas metamórficas.
7)
A ROCHA denominada de ARENITO, são classificados geológicamente como rochas metamórficas, há que se saber e compreender que o sufixo ¨ ito ¨ em latin, significa petrificado, então, o ARENITO, significa AREIA PETRIFICADA , e melhores, e para melhor entendimento, vejam formações rochosas no curso de Geologia.
8)
Podemos afirmar que é por aqui que a chuva entra em ação, fluindo, lixiviando e depositando não só os materiais orgânicos, que é a nata na agricultura, mas também materiais químicos considerados nocivos, promovendo o início da contaminação do lençol freático.

Curiosidades

9) A cada 100 metros de profundidade, a temperatura do solo sobe 3 graus Celsius. Assim, a água lá do fundo fica aquecida.

Exploração

As reservas explotáveis do Aquífero correspondem à recarga natural (média plurianual) e representa o potencial renovável de água que circula no Aquífero.

A recarga natural ocorre segundo dois mecanismos:

1 - Através da infiltração direta das águas de chuva na área de afloramento.
2 -
Em forma retardada, em parte da área de confinamento, por filtração vertical ao longo de descontinuidades das rochas do pacote confinante.

O Consumo

Aliada à qualidade da água importante para consumo humano, pelo fato do aquífero apresentar uma boa proteção contra os agentes poluidores, que afetam as águas dos rios e outros mananciais superficiais, e aliado à possibilidade de captação nos locais onde ocorrem as demandas maiores e pelas suas reservas de água, faz com que o AQÜÍFERO GUARANI seja um manancial muito econômico, para suprir o abastecimento do consumo humano na área em que se encontra.

Porém, há que se preservar de forma controlada.

A população atual na área de ocorrência do AQÜÍFERO GUARANI é estimada em 15 milhões de habitantes. Um importante alcance social e econômico das águas subterrâneas da Bacia Sedimentar do Paraná e do Aquífero Guarani em particular, resulta do fato de estas poderem ser consumidas, em geral, sem necessidade de serem previamente tratadas, tendo em vista os mecanismos de filtração e que ocorrem no subsolo. Aspectos relativos ao desenvolvimento e uso das funções do aquífero são ainda inscipientes. Dentre estes usos destaca-se o uso energético em balneários e indústrias agropecuárias. O uso da energia termal de suas águas poderá resultar em economia de kilowatts ou na cogeração de energia elétrica.

Vale ressaltar, que o principal fator de risco da utilização das águas subtarrâneas resulta do grande número de poços rasos e profundos que são construídos, operados e abandonados sem tecnologia adequada, devido à falta de controle e fiscalização nas esferas federal, estaduais e municipais. Nesse quadro, a poluição dos aquíferos superiores que ocorrem no Brasil, Paraguai, Uruguai ou Argentina, assim, poderá contaminar a água que é extraída dos poços profundos que captam do Aquífero Guarani, até mesmo quando estão localizados nos seus setores confinados.

PROJETO AQÜÍFERO GUARANI

O Projeto Aquífero Guarani objetiva a formulação de um marco legal e institucional para a gestão dos recursos do aquífero. Desta forma, deverá contribuir significativamente para o avanço dos conhecimentos técnicos e científicos que embasarão o modelo de gestão conjunta a ser desenvolvido pelos países.

CONTAMINAÇÃO

Na atual conjuntura, do consumo indiscriminado da água, principalmente com captações através de poços profundos, vem trazendo um problema muito sério no que diz respeito a drenagens profundas, que nada mais é do que um rebaixamento do lençol freático técnicamente falando. Há que se ressaltar da falta de acompanhamento técnico nesta prospecção. Em áreas com solos muito porosos (arenoso) , qualquer contaminação na superfície, pela concentração e por lixiviação, há um carreamento destes produtos (efluentes) contaminados, ao longo do horizonte do solo.

Portanto, não é só reter ou reservar este líquido sobre a superfície, é necessário sim, uma neutralização do produto efluente com uma destinação mais adequada, prevendo sempre além do tratamento, um reúso da água. Há também a necessidade de uma ficalização atuante (CETESB), e outros órgãos.

ESQUEMA DE UM AQÜÍFERO

Aquífero do Guarani

Legenda

A – SOLO NÃO SATURADO
B– LIMITE SUPERIOR DA ZONA SATURADA (superfície piezométrica)
C – AQUÍFERO
D – NÍVEL IMPERMEÁVEL
E – DIREÇÃO E SENTIDO DO FLUXO DE ÁGUA NO AQUÍFERO

Tipos de Aquíferos

AQUÍFEROS LIVRES OU FREÁTICOS

A pressão da  água na superfície da zona saturada está em equilíbrio com a pressão atmosférica, com a qual se comunica livremente.

São os aquíferos mais comuns e mais explorados.São também os que apresentam maiores tendências de contaminação.

AQÜÍFERO CONFINADO

Aquíferos  Artesianos

Nestes aquíferos a camada saturada está confinada entre duas camadas impermeáveis ou semipermeáveis, de forma que a pressão da água no topo da zona saturada é maior do que a pressão atmosférica naquele ponto, o que faz com que a água suba no poço para além da zona aquífera. Se a pressão for suficientemente forte a água poderá jorrar espontaneamente pela boca do poço. Neste caso diz-se que temos um poço jorrante.

AQÜÍFEROS POROSOS

Ocorrem em rochas sedimentares consolidadas, sedimentos inconsolidados e solos arenosos, decompostos in situ. Constituem os mais importantes aquíferos, pelo grande volume de água que armazenam, e por sua ocorrência em grandes áreas. Estes aquíferos ocorrem nas Bacias Sedimentares e em todas as várzeas onde se acumularam sedimentos arenosos. Uma particularidade deste tipo de aquífero é que tem  sua porosidade quase sempre homogeneamente distribuída, permitindo que a água flua para qualquer direção em função tão somente dos diferenciais de pressão hidrostática ali existentes. Esta propriedade é conhecida como isotropia.   Poços perfurados nestes aquíferos podem fornecer até 500 metros cúbicos de água de boa qualidade por hora.

A possibilidade de se ter um poço produtivo dependerá tão somente do mesmo interceptar fraturas capazes de conduzir a água. Há caso em que  de dois poços situados a pouca distância um do outro, somente um venha a fornecer água, sendo o outro seco. Para minimizar o fracasso da perfuração nestes terrenos, faz-se necessário que a locação do poço seja bem estudada por profissional competente. Nestes aquíferos a água só pode fluir onde houver fraturas, que quase sempre tendem a ter orientações preferenciais, e por isto dizemos que são meios aquíferos anisotrópicos, ou que possuem anisotropia.

AQÜÍFEROS CÁRSTICOS

São os aquiferos formados em rochas carbonáticas. Constituem um tipo peculiar de aquífero fraturado, onde as fraturas, devido á dissolução do carbonato pela água, podem atingir aberturas muito grandes, criando verdadeiros rios subterrâneos.

É comum em regiões com grutas calcáreas, ocorrendo em várias partes do Brasil.---VOCÊ SABIA QUE...? 97% de toda água doce disponível existente no planeta é composta por águas subterrâneas.

O Brasil detém um quinto de toda a água doce disponível no planeta.

Somente um dos reservatórios subterrâneos existentes no Nordeste do Brasil possui um volume de 18 trilhões de metros cúbicos de água disponível para o consumo humano, volume este suficiente para abastecer toda a atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos.

O domínio das rochas cristalinas, por sua vez, esta dividida em dois sistemas aquíferos distintos, pelo fato de que, em algumas áreas, principalmente na região entre as cidades de Capim Grosso e Ponto Novo, são encontradas extensas coberturas Tércio-Quaternarias, que conferem localmente a este sistema melhores condições de recarga e qualidade.

A delimitação dos sistemas aquíferos teve por base a extensão geográfica dos afloramentos, definindo áreas de características litológicas e comportamento hidrogeológico semelhantes. A análise e a descrição destas unidades aquíferas são apresentadas a seguir.

Hiroshi Paulo Yoshizane

Fonte: www.ceset.unicamp.br

Aquífero Guarani

O termo Aquífero Guarani foi proposto há alguns anos, numa reunião de pesquisadores de várias universidades de países do cone sul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), como uma forma de unificar a nomenclatura de um sistema aquífero comum a todos eles, e em homenagem à nação dos índios guaranis, que habitavam a área de sua abrangência. Anteriormente, este aquífero era conhecido aqui no Brasil pelo nome de Botucatu, pelo fato de que a principal camada de rocha que o compõe ser um arenito de origem eólica, reconhecido e descrito pela primeira vez no município de Botucatu, estado de São Paulo.

Área de Ocorrência

O Aquífero Guarani ocorre nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do sul; atingindo também os países Argentina, Paraguai e Uruguai. É portanto um sistema transnacional. A área total de ocorrência chega a 1.400.000 quilômetros quadrados, dos quais cerca de 1 milhão está em território brasileiro. Sua dimensão norte-sul no Brasil chega a 2000 quilômetros.

Panorama geológico

Este aquífero é constituído de várias rochas sedimentares pertencentes à Bacia Sedimentar do Paraná. Das rochas que compõem o aquífero, a mais importante é o arenito Botucatu, de idade triássico superior a jurássico inferior (190 milhões de anos atrás).

Este arenito foi depositado em ambiente desértico, o que explica as características que faz dele um ótimo reservatório de água: Os grãos sedimentares que o constituem são de uma grande homogeneidade, havendo pouco material fino (matriz) entre os mesmos. Isto confere a este arenito alta porosidade e alta permeabilidade.

Sua espessura média é de cerca de 100 metros, havendo locais onde chega a 130 metros. O arenito Botucatu está exposto à superfície nas regiões marginais da Bacia Sedimentar do Paraná. À medida que caminhamos para as partes centrais desta Bacia, isto é para o interior dos estados do sul, este arenito vai ficando cada vez mais profundo, tendo a lhe recobrir espessas camadas de rochas vulcânicas basálticas, e outros camadas de arenitos mais recentes.

A região onde o arenito Botucatu aflora constitui os locais de recarga do aquífero. Nas regiões onde o mesmo está recoberto pelas rochas vulcânicas não há recarga e o sistema está confinado, ou seja, é artesiano, chegando a profundidades de até 1500 metros. Apesar desta profundidade,como é um sistema confinado, nos poços que o alcançam nesta profundidade á água sobe chegando a pouco menos de 100 metros da superfície, havendo locais onde a pressão é suficiente para que a água jorre espontaneamente pela boca do poço.

Potencial Hidrogeológico do Aquífero Guarani

Este aquífero é responsável por cerca de 80 % do total da água acumulada na Bacia sedimentar do Paraná. Calcula-se que constitua a maior reserva de água doce do mundo. Como é muito permeável os poços ali perfurados apresentam vazão que podem ultrapassar os 500 m³/h, com um rebaixamento de somente 150 metros do nível d'água no poço antes do bombeamento.

Obs: Esta relação entre vazão e rebaixamento do nível estático do poço chamamos de capacidade específica do aquífero.

Em regiões onde o aquífero está a mais de 1000 metros de profundidade a água pode atingir temperaturas de até 50 graus Celsius, sendo muito útil em alguns processos industriais, hospitais, no combate à geada e para fins de recreação e lazer.

O teor médio de sólidos totais dissolvidos está ao redor de 200 mg/L, sendo uma ótima água para consumo humano. Contudo alguns poços perfurados no Estado do Paraná forneceram água com teor elevado de flúor (12 mg/L) o que a torna inviável para uso humano, mas tudo indica que esta não é a química predominante da água do aquífero. (veja capítulo sobre química das águas)

Poluição

Estudos têm revelado que as águas do Aquífero Guarani ainda estão livres de contaminação. Contudo, considerando que a área de recarga coincide com importantes áreas agrícolas brasileiras, onde se tem usado intensamente herbicidas, é de se esperar que são necessárias medidas urgentes de controle, monitoramento e redução da carga de agrotóxicos, sob pena de se vir a ter sérios problemas de poluição.

Outros perigos são:

a) Uso descontrolado e excessivo, principalmente nos locais que apresentam artesianismo jorrante, sendo necessário um rígido controle para se evitar o desperdício de água e consequente diminuição da pressão interna do sistema, o que viria a prejudicar os outros usuários das redondezas do poço jorrante. Um exemplo deste desperdício se encontra no município de Pereira Barreto, interior de São Paulo, onde se joga no rio Tietê, cerca de 4 milhões de litros de água potável por dia. (Aldo Rebouças, in ABAS INFORMA, 101/2000)
b) Poços abandonados:
todo poço, que atinja ou não o Aquífero Guarani, e deixe de ser usado, deve ser convenientemente selado para evitar a entrada direta de águas poluídas,
c)Vedação:
todo poço deve ser bem vedado para evitar a entrada de água poluída no espaço anelar existente entre o revestimento do mesmo e as paredes da perfuração.

Fonte: www.meioambiente.pro.br

Aquífero Guarani

Aquífero Guarani é a principal reserva subterrânea de água doce da América do Sul e um dos maiores sistemas aquïferos do mundo, ocupando uma área total de 1,2 milhões de km² na Bacia do Paraná e parte da Bacia do Chaco-Paraná. Estende-se pelo Brasil (840.000 Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina, (255.000 Km²), área equivalente aos territórios de Inglaterra, França e Espanha juntas.Sua maior ocorrência se dá em território brasileiro (2/3 da área total) abrangendo os Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O Aquífero Guarani, denominação do geólogo uruguaio Danilo Anton em memória do povo indígena da região, tem uma área de recarga de 150.000 Km² e é constituído pelos sedimentos arenosos da Formação Pirambóia na Base (Formação Buena Vista na Argentina e Uruguai) e arenitos Botucatu no topo (Missiones no Paraguai,Tacuarembó no Uruguai e na Argentina).

O Aquífero Guarani constitui-se em uma importante reserva estratégica para o abastecimento da população, para o desenvolvimento das atividades econômicas e do lazer. Sua recarga natural anual (principalmente pelas chuvas) é de 160 Km³/ano, sendo que desta, 40 Km³/ano constitui o potencial explotável sem riscos para o sistema aquífero. As águas em geral são de boa qualidade para o abastecimento público e outros usos, sendo que em sua porção confinada, os poços tem cerca de 1.500 m de profundidade e podem produzir vazões superiores a 700 m³/h.

No Estado de São Paulo, o Guarani é explorado por mais de 1000 poços e ocorre numa faixa no sentido sudoeste-nordeste. Sua área de recarga ocupa cerca de 17.000 Km² onde se encontram a maior parte dos poços. Esta área é a mais vulnerável e deve ser objeto de programas de planejamento e gestão ambiental permanentes para se evitar a contaminação da água subterrânea e sobrexplotação do aquífero com o consequente rebaixamento do lençol freático e o impacto nos corpos d'água superficiais.

Por ser um aquífero de extensão continental com característica confinada, muitas vezes jorrante, sua dinâmica ainda é pouco conhecida, necessitando maiores estudos para seu entendimento, de forma a possibilitar uma utilização mais racional e o estabelecimento de estratégias de preservação mais eficientes.

Até hoje, muitos poços (figura ao lado) foram perfurados para a exploração da água subterrânea, sem a devida preocupação com sua proteção, sendo cada caso ou problema tratado isoladamente. Diante da demanda por água doce, faz-se necessário o entendimento amplo deste sistema hídrico de forma a gerenciar e proteger este recurso.

Para tanto, é necessário organizar os dados e sistemas existentes, de forma que seja possível integrar a utilização dos bancos de dados dos diversos países abrangidos pelo Aquífero Guarani e modelar a hidrodinâmica do sistema, permitindo identificar as áreas mais frágeis que deverão ser protegidas.

Fonte: www.revisaovirtual.com

Aquífero Guarani

O Aquífero Guarani representa um megareservatório hídrico de 1,2 milhão de quilômetros quadrados (área essa igual aos territórios da França, Espanha e Reino Unido juntos).

Abrange terras do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil, suas águas se estendem por oito estados: os estados do Centro-Oeste, do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Este aquífero representa um conjunto heterogêneo de “unidades hidroestratigráficas” que podem ou não conter água. Essas unidadessão formações geológicas que podem armazenar grandes quantidades de água.

O fato do Aquífero ser composto de unidades hidroestratigráficas mostra que ele não é um “mar subterrâneo de água doce”, como muitas pessoas imaginam. Há uma descontinuidade entre essas formações geológicas, e a maioria deslas são independentes e limitadas. Por exemplo, o fluxo de água do Aquífero Guarani no estado de São Paulo se limita apenas a seus limites territoriais. A água está contida em camadas e não na forma de um grande lago.

As bacias geológicas que compõe o complexo do Aquífero foram formadas a partir da criação de Gondwana, o supercontinente. Desde então, a evolução geológica tem moldado suas estruturas, formando, inclusive as unidades hidroestratigráficas.

Apesar da grande quantidade de água que o Aquífero armazena — quantidade essa que pdoeria abastecer toda a população da Terra por um período de 10 anos — nem toda essa água tem o mesmo potencial para ser explorado, nem a mesma qualidade.

Águas em camadas mais profundas absorvem mais íons enquanto percorrem o subsolo. Absorvendo mais íons, essas águas se tornam sódicas ou sulfatadas, ou cloretadas, piorando sua qualidade. As fontes mais profundas (e portanto, de pior qualidade) são as que tem melhor potencial para serem exploradas. Nas camadas mais inferiores, a água fica sob maior pressão e sua descarga é ascendente. A porção de águas do Aquífero de melhor qualidade é a mais próxima do solo, justamente a mais dicíl de explorar.

Fica claro que as diferentes camadas hidroestratigráficas do Aquífero Guarani não têm a mesma qualidade nem a mesma potencialidade de exploração. Essa visão da realidade do Aquífero se contrapõe à visão simplista de recurso natural inesgotável, fácil obtenção e integralmente de água doce potável.

A importância dessa reserva de água abriu os olhos dos países do Aquífero que firmaram um acordo chamado Grupo de Universidades de Montevidéu. Esse projeto tem como base dar elementos para uma gestão conjunta e uso sustentável do aquífero pelos países. O Banco Mundial está ajudando à financiar o projeto.

Leonardo Biral dos Santos

Fonte: www.ibb.unesp.br

Aquífero Guarani

A falta de água em muitos lugares do mundo já é uma constante (por inúmeros motivos), talvez o mais preocupante sejam as fontes não renováveis de água ou o tempo necessário para tal. Dentro desta perspectiva nada animadora, constata-se que mesmo tendo isso como um fato, determinados países continuam a retirar indiscriminadamente de seus reservatórios subterrâneos a fonte geradora da vida a “água”.

O Brasil tem em seu subsolo um reservatório de água com proporções grandiosas se comparáveis às reservas de água no mundo.

O Aquífero Guarani alcança em sua extensão quatro países da América do Sul são eles; Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, atingindo uma “área que se estende por 1,15 milhão de quilômetros quadrados, sendo a maior parte (71%) localizada sob território brasileiro” (Luiza Gockel, Marcelo Medeiros).

Dentro deste contexto é extremamente necessário que se faça o quanto antes uma ampla discussão sobre o assunto, já que a prioridade e responsabilidade sobre esse bem natural é dos países onde encontra-se o aquífero.

Paulatinamente o diálogo com os demais países envolvidos se inicia, mesmo que muitas vezes em passos lentos. Sendo que, o Brasil é o único dos quatro países que tem uma legislação voltada para a questão das águas e seu uso sustentável.

O grande problema é o repentino interesse por conta de empresas estrangeiras em se instalarem nessa região, sendo que muitas dessas empresas já fazem uso do reservatório sem que aja quanto a isso nenhum controle, além da incomoda presença de tropas militares norte americanas, na região de tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai).

O que demonstra mais uma vez, que mesmo quando o assunto é de extrema importância para a soberania nacional, fecha-se os olhos...

Outra grave constatação salientada pelo professor Christian Caubet (UFSC), é com relação à prioridade do uso do manancial para fins de consumo humano e animal, descartando de imediato a possibilidade de comercialização da água contida no aquífero e garantindo a soberania sobre um bem que é territorial, ou seja, pertencente às nações as quais esta situada o reservatório.

Devemo-nos manter alerta para as políticas voltadas para o Aquífero Guarani, pois o futuro dos cidadãos brasileiros depende das nossas ações hoje.

Higor Marcelo L. Vieira

Fonte: www.pulsar.org.br

Aquífero Guarani

Aquífero Guarani: reserva de preocupação

Menos de 1% da água doce disponível no mundo provém de fontes renováveis. Uma parte considerável dessa porcentagem está sob os pés de brasileiros, argentinos, uruguaios e paraguaios. Na região que engloba o centro-sul do Brasil, o nordeste argentino, o Uruguai e o Paraguai localiza-se o Aquífero Guarani, um gigantesco manancial de bilhões de litros de águas subterrâneas ainda pouco aproveitado. Ainda não se sabe com exatidão quanto desses recursos pode ser explorado e de que forma, mas já há polêmica em relação ao assunto. Ambientalistas preocupam-se com a sustentabilidade do aquífero e com a soberania em relação a ele, enquanto os recursos já estão sendo utilizados nos quatro países.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Ambiental e Agropecuária (Embrapa), a água ali contida é de excelente qualidade e suficiente para abastecer a atual população brasileira por 2.500 anos. É a maior reserva de água doce subterrânea do mundo. Sua área se estende por 1,15 milhão de quilômetros quadrados, sendo a maior parte (71%) localizada sob território brasileiro. Em seguida vem a Argentina, com 19%. Paraguai tem 6% das águas do manancial e Uruguai, 4%. No Brasil, ele atinge os estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás.

O assunto está em alta. No último dia 15, participantes do seminário internacional “Aquífero Guarani: gestão e controle social”, que reuniu representantes de organizações não-governamentais, de centros de pesquisa e dos quatro governos, assinaram uma carta sobre o reservatório. A “Carta de Foz do Iguaçu sobre o Aquífero Guarani” conclui que o aproveitamento da água deve ser feito exclusivamente para o abastecimento humano e consumo animal. Além disso, exige o controle público desses recursos e a soberania dos quatro países em relação a eles. Também afirma a necessidade de implementação de políticas de proteção ambiental. Uma semana depois, um dos principais assuntos do Congresso da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, que terminou no dia 22 de outubro, foi o aproveitamento do aquífero.

“Não podemos fazer desse bem uma mercadoria”, afirma Christian Caubet, coordenador do programa de pós-graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e presidente da Fundação Água Viva. O professor se mostra preocupado com a possibilidade de obtenção de lucro com a venda de água prevalecer em relação ao abastecimento da população dos quatro países. Segundo ele, o Acordo Geral Sobre Comércio e Serviços, assinado pelo Brasil na Conferência de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), é um perigo. O documento afirma a necessidade de abertura de serviços públicos a agentes privados. “Isso é muito preocupante”, analisa. Para o professor, a interferência da iniciativa privada nas políticas públicas é um risco para a sustentabilidade da reserva. Por isso pediu uma declaração formal dos governos de que esses recursos, que ele prefere chamar de “bens”, não serão exportados ou cobrados antes que as populações dos países sejam completamente abastecidas. Algumas multinacionais, no entanto, já exploram e comercializam água mineral proveniente do manancial.

O secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, que esteve presente ao seminário, afirma que a declaração será feita em breve. “Os países do Mercosul estão discutindo o texto. Ele vai assegurar que os quatro países terão soberania sobre o uso da água. Ela não poderá ser considerada internacional”.

Importância da água

A preocupação de Caubet é justificada pelo aumento do número de empresas na região e pela importância estratégica da água na atualidade. O relatório mundial “Living Planet 2004”, publicado no dia 21 de outubro pela ONG WWF, mostra que o consumo de água está aumentando no planeta enquanto as fontes estão secando. De acordo com o documento, o consumo de água no mundo dobrou nos 40 anos compreendidos entre 1961 a 2001. Por causa disso, alguns rios estão se deteriorando, com o nível fluvial diminuindo. Esse é o caso do Nilo, no Egito, e do Colorado, nos EUA. Ambos são fonte de abastecimento humano e de irrigação de agricultura.

Dados da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) mostram que os maiores consumidores – quando englobados os usos industrial, humano e agrícola – são Índia (552 bilhões de metros cúbicos de água por ano), China (500 bilhões de metros cúbicos por ano) e EUA (467 bilhões de metros cúbicos por ano).

O Brasil possui o maior volume de água doce renovável do mundo, com 6.220 bilhões de metros cúbicos capazes de serem aproveitados. Ainda segundo a Unesco, embaixo do solo encontra-se 97% da água doce em estado líquido do mundo. O restante está em rios e geleiras. Esses reservatórios são importantes, pois geralmente possuem água de boa qualidade devido ao processo de filtragem feito pelas rochas e a reações biológicas e químicas naturais. Além disso, por não ficarem na superfície, estão menos expostas a agentes poluentes.

O Aquífero Guarani, de acordo com a Embrapa, tem recarga de 140 bilhões de metros cúbicos por ano, mas apenas 40 bilhões de metros cúbicos poderiam ser utilizados, para que a sustentabilidade do lençol freático fosse mantida. Não há dados de quanto já é consumido. Apesar dos números grandiosos, há quem diga ser necessário cuidado ao analisá-los. O coordenador do Laboratório de Recursos Hídricos da Coppe-UFRJ Paulo Canedo é um deles. “O Aquífero tem uma grande quantidade de água, mas não é essa maravilha toda. Números não significam muito. Ele não é um mar subterrâneo. Apesar de conexo, possui diferentes profundidades. É preciso analisar a viabilidade de uso e a capacidade de proteção do solo”, diz. Entre os estudos a serem feitos estão o custo de bombeamento, o impacto dessa ação no subsolo e a possibilidade de poluir a área. “Ao contrário de um rio, no Aquífero, se poluir uma vez, os detritos ficarão lá para sempre”.

Já há empresas explorando a área para retirar água mineral, o que preocupa ambientalistas, assim como a falta de informações precisas sobre a região. A dor de cabeça aumenta ainda mais com a presença estrangeira. “Existe um batalhão do exército dos EUA na tríplice fronteira (entre Brasil, Argentina e Paraguai) que oferece fotos de satélite do Aquífero atualizadas a cada minuto. Eles sabem mais do Aquífero do que a gente”, alerta João Manoel Bicca, coordenador do movimento Pró-Rio Uruguai - Aquífero Guarani.

Poluição e uso controlado

Para ele, a situação do Aquífero, hoje, é delicada. “Não sou alarmista, mas existe uma relação entre as áreas da superfície e as subterrâneas”. Bicca se refere ao mau planejamento do uso dos recursos e à poluição nas áreas de recarga, que também correm o risco de serem ocupadas. As áreas de recarga são onde a água da chuva se infiltra para chegar ao subterrâneo. Entre as ameaças a elas estão o uso de agrotóxicos na agricultura, a presença de lixões e a extração de minérios.

“Existe um descontrole destes fatores”, lamenta o ativista.

A Embrapa Meio Ambiente já está desenvolvendo pesquisas sobre o impacto da agricultura no Aquífero, mas até agora não conseguiu apontar nada de grave.

“O cenário é preocupante, mas ainda não há nada de concreto em relação à poluição”, afirma Marco Gomes, técnico da estatal. Segundo ele, estudos já feitos não mostraram nenhum indício de poluição. Ele, porém, acredita que equipamentos mais precisos possam indicar algo. De qualquer forma, defende o reordenamento da produção agrícola das áreas próximas à recarga do Aquífero.

A empresa defende a adoção de um “ordenamento agroambiental”. As atividades menos danosas, como apicultura e plantas nativas, ficariam mais perto do leito do rio e as mais agressivas, como produções que demandam agrotóxicos, mais distantes.

Outra ameaça é a perfuração de poços artesianos para consumo e irrigação. “É necessário vigiar e protegê-los. Cada poço é uma porta de problemas”, diz Gomes. No Brasil, São Paulo é o estado que mais explora as águas subterrâneas. De acordo com a Sabesp, 65% da zona urbana do estado depende de alguma forma desse tipo de extração.

Ribeirão Preto

Ribeirão Preto é um exemplo dessa dependência. Ela é a única cidade de porte médio a ter todo seu consumo suprido pelo Aquífero Guarani.

Seu uso, no entanto, é questionado por Christian Caubet: “A cidade possui um consumo muito alto, que demanda muito do Aquífero. É preciso rever esse padrão”.

O Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), por meio da assessoria de comunicação, concorda que o consumo da cidade é alto, mas aponta razões para isso. A cidade produz 13.400 m3 por hora, sem contar poços particulares legais e clandestinos. O órgão informa que a alta se deve ao clima quente e seco da cidade. Para agravar, a época de seca coincide com a de colheita da cana, principal produto agrícola da região. Pouco antes de ser colhida, queima-se a plantação, o que leva fuligem à área urbana. Além disso, por ser uma cidade rica, o consumo é maior. “Quanto mais rica uma região, maior a demanda por qualquer serviço. Mas isso não significa que quem está ao redor poderá fazer o mesmo”, alerta Canedo.

Como saída para esse problema, o pesquisador propõe a racionalização do uso da água por meio de campanhas educativas e o aumento do controle de emissão de poluentes da agricultura e de esgotos, mesmas soluções apontadas pelo professor da UFSC. “A hora é essa. São Paulo não planejou o uso e agora passa por racionamentos constantemente”, lembra o hidrólogo.

O Daerp afirma que 90% do esgoto de Ribeirão Preto é coletado e 60% desse volume é tratado. A prefeitura já estaria fazendo obras para aumentar o percentual de tratamento. Além disso, está desenvolvendo programas de conscientização.

Projeto Internacional

Por ser uma cidade de médio porte (aproximadamente 500 mil habitantes) e praticar agricultura com grande uso de agrotóxicos, Ribeirão foi escolhida para ser uma das quatro regiões de estudo de um projeto internacional de estudo do Aquífero Guarani. Ele pretende levantar todas as possibilidades de uso desses recursos e obter dados precisos sobre a quantidade de água disponível e custos de aproveitamento. “O objetivo é produzir conhecimento”, resume o secretário-geral, Luiz Amore.

Além da cidade paulista, serão estudadas a paraguaia Itapúa, devido à alta exploração agrícola e pecuária, e a dupla Rivera (Uruguai)-Santana do Livramento (Rio Grande do Sul), por causa da pequena população e do histórico de poluição. Em 2002, alguns poços foram fechados na cidade uruguaia por causa da contaminação por nitrato. Há também problemas de saneamento nas duas áreas. Enquanto 30% das casas de Rivera possuem esgoto, no lado brasileiro o percentual é de 40%.

A cidade brasileira é totalmente abastecida pelo Aquífero, enquanto sua vizinha tem abastecimento dependente do reservatório, variando entre 60% e 80%, de acordo com a época do ano. O quarto objeto de estudo será outra dupla de cidades. Concórdia, em Santa Catarina e Salto, na Argentina, somam apenas 200 mil habitantes e utilizam as águas do Aquífero em áreas de lazer. Naquela localidade, o líquido atinge altas temperaturas.

Por isso é considerada a área de maior potencial turístico do Aquífero. “No Brasil, quase não temos isso. Em Gramado e Canela (ambas no Rio Grande do Sul), por exemplo, não existe exploração termal e são cidades essencialmente turísticas”, lembra Bicca. Cada campo de análise foi escolhido após debates com governos e representantes da sociedade civil. No Brasil, por exemplo, houve cinco reuniões nacionais com 176 entidades.

A pesquisa está sendo financiada por um consórcio formado pelo Banco Mundial, pelo Global Environment Fund (GEF), por governos locais e pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Ela começou em março de 2003 e terminará em 2007. Sua intenção é elaborar uma proposta de modelo institucional, técnico e legal para aproveitamento do Aquífero.

O estudo é importante, dada a fragilidade legal dos quatro países. Apenas o Brasil tem legislação prevendo o uso sustentável de recursos hídricos. “Porém sua base legal ainda é frágil e necessita ser mais desenvolvida”, ressalta o documento introdutório do GEF. O Uruguai opera com um código de águas de 1979 e não determina valor econômico para a água. A Argentina prevê a posse de todos os recursos naturais pelas províncias (estados), assim como o Paraguai. Nem os organismos internacionais adotam mecanismos para regular a posse de recursos hídricos subterrâneos.

A entidade internacional prevê ainda que, caso medidas não sejam tomadas com rapidez, pode haver conflitos na área pelo uso da água. “O uso descontrolado do Aquífero, sem regras ou regulação, pode mudar seu status atual de uma reserva estratégica de água potável para a população do Cone Sul para um foco de degradação generalizada e conflitos entre países”. O secretário-geral do projeto, no entanto, afasta qualquer hipótese de intervenção nas legislações nacionais ou nas políticas públicas. “A dicussão sobre a posse da água não está encerrada, mas há um entendimento de que os recursos hídricos não são um bem da humanidade e sim de cada país”.

Todos os entrevistados desta reportagem descartam a possibilidade de uma guerra entre os países do Mercosul, mas alguns reclamam da falta de participação da sociedade civil nas políticas internas. João Bicca vai além e se queixa da falta de diálogo com o governo brasileiro. “O secretário Senra até tem boa vontade e tem se mostrado interessado, mas nunca fomos procurados pelo Ministério do Meio Ambiente. Há um silêncio constrangedor.

Não queremos brigar ideologicamente, pelo contrário: estamos abertos ao diálogo pela causa nobre de preservar a água”.

A Secretaria de Recursos Hídricos afirma estar discutindo todos esses problemas internamente ou por meio do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, onde há espaço para ONGs. “A legislação existente precisa de alguns ajustes”, admite João Bosco Senra. Amore concorda e explica que a maioria das leis sobre recursos hídricos foi pensada somente em relação à superfície. “Está na hora de mudar isso. Mas cada país fará à sua maneira”.

Algo com o que todos concordam é a necessidade de conscientização da população sobre a importância da preservação do Aquífero Guarani. O governo afirma estar elaborando cartilhas educativas sobre o assunto, assim como as entidades da sociedade civil.

Luísa Gockel e Marcelo Medeiros

Fonte: arruda.rits.org.br

Aquífero Guarani

ÁGUA PURA PARA O MUNDO

O mapa hidrogeológico da maior reserva subterrânea de água da América do Sul e uma das maiores do mundo, o Aquífero Guarani, está pronto. O trabalho consumiu sete anos de pesquisa do professor da Unisinos Heraldo Campos, 46 anos, doutor em Hidrogeologia pela Universidade da Catalunha (Espanha).

Financiado pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), o mapa digitalizado foi lançado no final do ano passado pela revista Ata Geologica Leopoldensia, editada pela Unisinos. O trabalho será utilizado pelo Unesco como ferramenta de gestão do recurso no projeto internacional para proteçao ambiental do aquífero.

AQÜÍFERO GUARANI

A Área ocupada pelo aquífero é equivalente aos territórios da Inglaterra, França e Espanha juntos. Dois terço ficam em território brasileiro.

A extensão da reserva:

Brasil: 840 mil km²
Paraguai:
58,5 mil km²
Uruguai: 58,5 mil km²
Argentina: 255 mil km²

O NOME

Homenagem à população indígena que dominava a Bacia Platina na época do descobrimento da América.

O VOLUME DE ÁGUA ARMAZENADA

Calcula-se que a reserva contenha 50 quatrilhões de litros de água. É mais do que a água que corre em todos os rios do planeta em um ano, ou seja, 43 quatrilhões de litros. Poderia abastecer a atual população brasileira por 2 mil anos.

A VAZÃO

Chega a 800 metros cúbicos por hora (ou 800 mil litros) em profundidades de mil a 1,2 mil metros. Nas bordas é de cerca 3 litros/hora.

A PROFUNDIDADE

A água do manancial está situada a uma profundidade que oscila de 50 metros a 1,5 mil metros. 10% da área total está rente a superfície.

A TEMPERATURA DA ÁGUA

A cada cem metros de profundidade, a temperatura da água aumenta 3ºC. Nos pontos mais profundos, pode chegar a 60ºC. A água tem uma temperatura média de 25ºC a 30ºC .

A ESPONJA

A água está embebida em um manto de arenito poroso. Trata-se de água da chuva que escorreu lentamente para o subsolo durante 100 milhões de anos, depurando-se.

A Água no Mundo

Rios, lagos e represas: 5%
Aquíferos subterrâneos: 95%

O eixo do Rio Paraná é uma referência geográfica. Próximo ao rio, o aquífero está em grandes profundidades, a mais de mil metros.

A água do Guarani é suficiente para abstecer a população do mundo inteiro por uma década.

Nas margens do Aquífero Guarani, a erosão expõe afloramentos.

Além do Guarani, um reservatório bem menor, o Bauru, se formou sob o solo da região de São Paulo.

Fonte: www.portalprudente.com.br

Aquífero Guarani

O chamado “Aquífero Guarani” é a maior reserva de água subterrânea que existe no mundo. Parte da água da chuva escorre pelos rios e a outra infiltra-se no subsolo constituindo as águas subterrâneas, também denominadas aquíferos. Há milhões de anos, a região era um imenso deserto. Lavras vulcânicas (basalto) se espalharam sobre a área e prensaram a areia, formando a rocha arenito (guarani), que armazenou água entre os poros. Assim é que foi formado o Aquífero Guarani.

A sua extensão territorial total é muito grande, com cerca de 119.460.000 hectares, abrangendo 4 países e 8 estados no Brasil, conforme se pode constatar nos quadros a seguir:

PAISES DE ABRANGÊNCIA NO AQUIFERO GUARANI

Países Área ( hectares) (%)
1- Brasil 83.900.000 70,3
2- Argentina 22.550.000 18,9
3- Paraguai 7.170.000 6,0
4- Uruguai 5.840.000 4,8
Total 119.460.000 100,0

ABRANGÊNCIAS NOS ESTADOS BRASILEIROS

Estados Área ( hectares) (%)
1- Mato Grosso 21.394.500 25,5
2- Rio Grande do Sul 15.773.200 18,8
3- São Paulo 15.521.500 18,5
4- Paraná 13.088.400 15,6
5- Goiás 5.453.500 6,5
6- Minas 5.117.900 6,1
7- Santa Catarina 4.950.100 5,9
8- Mato Grosso 2.600.900 3,1
Total 83.900.000 100,0

Como se observa, a maior área encontra-se no Brasil, com 83.900.000 hectares, o que representa 70,3 %. O Estado brasileiro de maior abrangência do Aquífero é Mato Grosso do Sul, com 21.394.500 hectares, representando 25,5 %. Santa Catarina, por sua vez, é contemplada com 4.950.100 hectares (5,9 %), localizados principalmente no planalto catarinense. O volume de água, consequentemente, é muito grande, estimado em torno de 50 trilhões de metros cúbicos, e 90 % desta água toda ainda é potável. A profundidade da água subterrânea vai até 1.500 metros, e a temperatura varia de 33 a 65ºC.

Para se ter uma idéia do potencial de abastecimento, considerando o consumo de 100 litros /habitante/dia, numa população estimada de 5,5 milhões de pessoas (população aproximada do Estado de Santa Catarina), daria para abastecer durante 200 anos. Contudo, o Aquífero Guarani vem sendo contaminado, principalmente por agrotóxicos, nas áreas em que aflora na superfície terrestre. É o que apontam pesquisadores da EMBRAPA. O estudo mostra 4 áreas no país onde a situação é precária. Uma delas é o planalto serrano catarinense, em razão da grande quantidade de agrotóxicos utilizada na cultura da maçã e de outras frutíferas de clima temperado. Sabe-se também que são abertos por ano cerca de 700 poços artesianos no Estado, representando sérios riscos de contaminação, uma vez que o trabalho é executado indiscriminadamente, sem critérios e sem tecnologia adequada.

Tipos de Aquíferos

Aquífero do Guarani

Fonte: www.jvanguarda.com.br

Aquífero Guarani

Águas subterrâneas também estão em risco

A contaminação da água doce que circula pelo planeta é cada vez maior, seja causada por agrotóxicos e fertilizantes químicos usados na agricultura, por resíduos de processos industriais, por esgotos domésticos e por lixões, sem esquecer dos dejetos químicos de produtos empregados na mineração.

Com a poluição das águas de superfície, a humanidade passou a se abastecer em grande parte das águas subterrâneas. Um bilhão e meio de habitantes de centros urbanos do mundo dependem totalmente delas para sobreviver. No Brasil, 80% das cidades do Centro-Sul já são abastecidas pelas águas tiradas das profundezas subterrâneas.

Mas essas as reservas estão diminuindo em todo o planeta de forma impressionante, em especial no Oriente Médio e na África. Elas não se renovam com a velocidade da extração feita pelo ser humano. Na Europa, 50% das cidades convivem com a ameaça, num futuro próximo, de falta de água. Elas precisam dos depósitos sob a terra e os exploram acima da capacidade de reposição natural que eles têm.

O que são os aquíferos

Por esse cenário, crescem em importância os aquíferos. Eles são grandes depósitos subterrâneos de água alimentados pelas chuvas que se infiltram no subsolo.

Por sua vez, alimentam mananciais de água na superfície e formam lagoas, rios ou pântanos.

Não custa recapitular: só cerca de 3% de toda a água do planeta é doce. Mais ou menos a terça parte disso (30,1%) existe em reservatórios no subsolo.

Muitas pessoas pensam que os aquíferos são grandes bolsões subterrâneos encapados em rocha e cheios de água. Não é assim na maioria das vezes. A água costuma preencher os espaços entre os sedimentos arenosos, como se fosse em uma tigela com com areia e água misturados, ou se infiltra pelas fraturas, ou rachaduras, das rochas - pense em uma imensa esponja que absorve a água e você vai ter a idéia mais próxima do que é um aquífero. Apenas em alguns casos a água fica armazenada em bolsões, quando ela dissolve as rochas.

O Guarani

O Aquífero Guarani é o principal manancial de água doce da América do Sul, formado entre 200 milhões e 132 milhões de anos atrás, nos períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo Inferior.

Imagine só: oito estados brasileiros, mais o Norte da Argentina e do Uruguai, e parte do Paraguai se assentam sobre esse oceano de água doce, numa área de 1,2 milhão de quilômetros quadrados - o que faz dele o maior reservatório de água subterrânea transnacional do mundo.

E a maior parte dele fica em território brasileiro - são dois terços da área total, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Só em um desses estados, São Paulo, o Guarani é explorado em mais de mil poços - e a maioria deles fica numa área de recarga do aquífero, isto é, na região de 17 mil quilômetros quadrados em que ele se recarrega com a infiltração das águas das chuvas.

Prevenção e cuidados

Especialistas alertam que essa área é a mais vulnerável e precisa ter sua exploração supervisionada por programas ambientais que previnam a poluição da água subterrânea e também seu esgotamento.

Outro cuidado necessário por parte de uma política governamental é evitar que fertilizantes químicos e pesticidas utilizados na agricultura dessa região contaminem os lençóis freáticos.

Só para recordar: lençol freático é a parte superior de um depósito subterrâneo de água.

De acordo com estudos da Universidade da Água, a poluição dos aquíferos superiores que ocorre, no Brasil, Paraguai, Uruguai ou Argentina, poderá contaminar a água que é extraída dos poços profundos, "até mesmo quando estão localizados nos seus setores confinados".

Mas nem só de subsolo vive um aquífero: embora tenha camadas com profundidades que variam entre 50 metros e 1.800 metros, ele também surge na superfície, em afloramentos - e nesses locais o risco de contaminação com agrotóxicos é muito maior.

Uma das propostas apresentadas no Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Aquífero Guarani - organizado pelas nações em que ele está presente - proíbe a agricultura que usa fertilizantes e pesticidas, como a da cana-de-açúcar, nos locais de afloramentos, como na região de Botucatu, em São Paulo. Podem ainda ser criadas áreas de restrição para novas perfurações.

Homenagem à nação indígena

Batizado primeiramente de aquífero Botucatu (hoje o nome de um reservatório menor, em São Paulo), o Guarani foi totalmente mapeado nos anos 1970, quando companhias petrolíferas fizeram prospeção dos terrenos em que ele se encontra e definiram sua extensão.

O nome definitivo, Guarani, foi dado pelo geólogo uruguaio Danilo Anton em homenagem à nação indígena que habitava a região desde antes da chegada dos europeus ao continente sul americano.

Diamantes não são vitais

O canadense Marq Villiers, autor de "Água: Como o Uso do Precioso Recurso Natural Poderá Acarretar a Mais Séria Crise do Século 21 (Ediouro, 2002), calcula que - se todos os recursos hídricos disponíveis para consumo fossem espalhados sobre o globo - formariam uma piscina em que uma pessoa com 1,82 m de altura poderia caminhar sem se afogar.

"O esgotamento dos lençóis freáticos é uma das grandes crises invisíveis mas ameaçadoras que o planeta enfrenta, com todas as suas implicações de queda na oferta de alimentos, miséria humana, fome, conflitos e guerra", alerta.

Adam Smith, economista escocês autor de "Riqueza das Nações" (1776) e considerado pai do liberalismo econômico, criticava o fato de diamantes valerem tanto e a água - tão essencial para a vida no planeta como o ar que respiramos - não valer coisa alguma.

Quase três séculos depois, algo está mudando: os diamantes ainda custam fortunas, mas a água de qualidade - ou o acesso a ela - já está em vias de valer muito mais.

Exploração irresponsável

Entre outros exemplos da irresponsabilidade humana em relação aos cada vez mais escassos recursos hídricos, podem ser citados os que seguem:

O aquífero de Ogallala, no Arizona, nos Estados Unidos, pode desaparecer: já perdeu o equivalente a 18 vezes o volume do rio Colorado por causa da irrigação de áreas extensas na agricultura da região das Grandes Planícies;

Na Líbia, a exploração dos lençóis subterrâneos para irrigar as plantações já secou muitos dos poços de onde se extrai a água;

Na Tailândia, a retirada da água subterrânea faz algumas áreas da capital, Bangcoc, afundarem cerca de 14 centímetros por ano. É que as rochas do subsolo que servem de sustentação diminuem de tamanho quando ficam secas, e o solo cede. Para piorar, como a região é de litoral, o espaço deixado pela água doce retirada é preenchido por água salgada, inutilizando os lençóis subterrâneos para o consumo;

Na Indonésia, a exploração desenfreada dos aquíferos fez o mar avançar cerca de 15 quilômetros para o interior.

Jurema Aprile

Fonte: educacao.uol.com.br

Aquífero Guarani

Água pura para o Mercosul

As águas superficiais presentes nos rios e lagos estão cada vez mais poluídas e escassas, situação esta agravada pelo descontrole dos desmatamentos e uso abusivo de agrotóxicos na agricultura, o que torna a importância das águas subterrâneas maior ainda.

As águas subterrâneas acumulam-se no subsolo nos poros (vazios) e fraturas das rochas. Algumas rochas são mais porosas do que as outras e funcionam como gigantesca esponja, onde as águas ficam armazenadas, com a grande vantagem de poderem ser consumidas diretamente, sem a necessidade de tratamento prévio.

Ultimamente vem sendo muito discutida a importância do Aquífero Guarani, o qual tem uma área de influência muito extensa, estando disponível para captação nos estados do centro oeste, sudeste e sul do Brasil e parte do Paraguai, Uruguai e Argentina, motivo pelo qual foi inicialmente denominado Aquífero MERCOSUL.

Para compreender a origem deste aquífero, deve-se voltar ao passado, ao início da Era Mesozóica, conhecida por ser a Era dos Dinossauros. No início deste intervalo de tempo, existia um imenso deserto cobrindo grande parte da América do Sul, muito semelhante ao que é hoje o Deserto do Saara. Nos ambientes desérticos, predomina o transporte e sedimentação de grande quantidade de areia através dos ventos, formando gigantescas dunas. Uma característica marcante das areias eólicas (depositadas pelo vento), é a de apresentarem grãos bem arredondados e esféricos, o que faz com que o pacote sedimentar fique muito poroso, cheio de vazios intercomunicados entre si, o que confere à rocha sedimentar, assim formada, excelentes condições de armazenamento de água subterrânea.

Após a sedimentação destas areias, as quais deram origem aos arenitos da Formação Botucatu, ocorreu intenso vulcânismo fissural, com a saída de grande quantidade de lavas através de fendas quilométricas, resultantes do início do processo de separação entre a América do Sul e a África, o qual deu origem ao Oceano Atlântico. Estas lavas cobriram os arenitos tornando-os parcialmente confinados e protegidos, posicionando-os a profundidades de até 2000 m.

Com o passar dos anos, os vazios entre os grãos do arenito foram sendo preenchidos por água, tornando-o um dos maiores reservatórios de água subterrânea que se conhece no mundo, com um volume estimado de 48 000 km3, quantidade suficiente para fornecer água para toda a população atual do Brasil por 3 500 anos.

Este aquífero recebe uma recarga natural, a partir das águas das chuvas, de tal forma que uma exploração racional possibilita abastecer continuamente uma população de 20 milhões de pessoa sem comprometer suas reservas.

Outra característica deste aquífero é o fato de fornecer, em determinadas regiões, água quente, com temperaturas de 33 a 45 oC, o que possibilita o seu uso para o turismo, em balneários termais, como fonte alternativa de energia e até para a minimizar os efeitos de geadas.

No entanto este reservatório não se encontra totalmente protegido, necessitando medidas urgentes no sentido de evitar sua contaminação e seu uso descontrolado. Para isso é necessário identificar regiões mais vulneráveis, onde deve ser proibida qualquer atividade potencialmente poluente, como instalação de postos de gasolina, cemitérios e uso de agrotóxicos, entre outros.

Paulo César Boggiani

Fonte: www.diaadiaeducacao.pr.gov.br

Aquífero Guarani

Vídeos Sobre Aquífero Guarani

Veja abaixo uma sequência de 3 vídeos falando sobre o Aquífero Guarani

 

Formação do Aquífero Guarani

 

Localização do Aquífero Guarani

 

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