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Economia Verde

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Economia Verde e Comércio

A Unidade de Comércio, Política e Planejamento da UNEP busca identificar oportunidades no cruzamento da economia verde e do Comércio.

Se quisermos reverter o declínio global da biodiversidade, reduzir a liberação de gases de efeito estufa, deter a degradação dos ecossistemas terrestres e proteger os nossos oceanos, em seguida, o comércio internacional deve tornar-se sustentável e responsável. Além disso, se quisermos ter sucesso na erradicação da pobreza, teremos de garantir que o comércio beneficia os pobres.

Na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (“Rio +20”) em Junho de 2012, os líderes mundiais reafirmaram o papel do comércio internacional como um “motor de desenvolvimento e crescimento econômico sustentado”.

Embora consciente das preocupações de muitos países em desenvolvimento, o debate relacionado com o comércio na Rio +20 iniciou uma mudança de foco dos riscos do uso de políticas de economia verde para fins protecionistas, às oportunidades que a transição para uma economia mais verde pode apresentar para a melhoria econômica e desenvolvimento social por meio do comércio sustentável.

Os países em desenvolvimento são particularmente susceptíveis de beneficiar de ampliação do comércio sustentável, o aproveitamento de novas oportunidades comerciais, incluindo, por exemplo, a exportação de matérias-primas certificadas no setor das pescas, florestas ou setores da agricultura, o aumento dos investimentos na produção sustentável e cadeias de fornecimento, ou a expansão do eco -turismo.

UNEP está enfrentando o desafio de fazer o trabalho do comércio para o desenvolvimento sustentável através da identificação de oportunidades comerciais que surgem a partir de uma transição para economias mais verdes e ajudar os países no aproveitamento do seu potencial de comércio verde.

Fonte: www.unep.org

Economia Verde

A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza

O desenvolvimento sustentável tem sido o objetivo primordial da comunidade internacional desde a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED), em 1992. Entre os inúmeros compromissos, a Conferência pediu aos governos que desenvolvam estratégias nacionais de desenvolvimento sustentável, incorporando medidas políticas apresentadas na Declaração do Rio ea Agenda 21. Apesar dos esforços de muitos governos em todo o mundo para implementar essas estratégias, bem como a cooperação internacional para apoiar os governos nacionais, há preocupações contínuas sobre os desenvolvimentos econômicos e ambientais globais em muitos países. Estes têm sido intensificadas pela energia, alimentos e crises financeiras globais prolongados mais recentes, e sublinhada por avisos contínuos de cientistas mundiais que a sociedade está em perigo de transgredir uma série de limites planetários ou limites ecológicos.

Com os governos de hoje buscando meios eficazes para conduzir suas nações fora destas crises relacionadas ao mesmo tempo, tendo em conta estes limites planetários, a economia verde (em suas várias formas) tem sido proposta como um meio para catalisar renovada política de desenvolvimento nacional e da cooperação internacional e apoio para desenvolvimento sustentável. O conceito tem recebido atenção internacional significativa ao longo dos últimos anos como uma ferramenta para enfrentar a crise financeira de 2008, bem como um dos dois temas para a Conferência de 2012 das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20). Isso resultou em uma literatura em rápida expansão, incluindo novas publicações sobre economia verde a partir de uma variedade de organizações influentes internacionais, governos nacionais, grupos de reflexão, especialistas, organizações não-governamentais e outros.

A Economia Verde é definida pelo PNUMA como uma que resulte em melhoria do bem-estar humano e da equidade social ao mesmo tempo em que reduz de forma significativa os riscos ambientais e a escassez ecológica. Na sua expressão mais simples, uma economia verde pode ser entendida como uma economia de baixo carbono, uso eficiente dos recursos e inclusão social.

Apesar do crescente interesse internacional na economia verde, as negociações entre os Estados-Membros sobre o conceito na liderança até a Rio +20 foi um desafio. Isto foi em parte devido à falta de uma definição internacionalmente acordada ou princípios universais para a economia verde, o surgimento de terminologia e conceitos inter-relacionados, mas diferentes nos últimos anos (como crescimento verde, o desenvolvimento de baixo carbono, economia sustentável, a economia de estado estacionário, etc ), a falta de clareza sobre que medidas políticas de economia verde abranger e como eles se integram com as prioridades e os objetivos nacionais em matéria de crescimento econômico ea erradicação da pobreza, bem como a percepção de falta de experiência na concepção, implementação e revisão dos custos e benefícios do verde políticas de economia.

Publicações recentes sobre a economia verde ou crescimento verde pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (UNEP), o Departamento da ONU de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA), a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Global Green Growth Institute (GGGI), a Coalizão Economia Verde, Stakeholder Forum, os líderes crescimento verde e muitos outros começaram a responder a estas lacunas de conhecimento e desmistificar esses conceitos . Importante, também é uma prática emergente na concepção e implementação de estratégias nacionais de economia verde por ambos os países desenvolvidos e em desenvolvimento na maioria das regiões, incluindo a África, América Latina, Ásia-Pacífico e Europa. Esta prática emergente pode ajudar a fornecer alguns insights importantes e muito necessária clareza quanto aos tipos de medidas de economia verde políticas, seu alcance no que diz respeito a vários setores e prioridades nacionais, e suas barreiras institucionais, os riscos e os custos de implementação. Esta experiência internacional pode servir para aliviar as preocupações sobre a integração efetiva das políticas de economia verde com as prioridades econômicas e sociais nacionais e objetivos, incluindo a realização dos objetivos de desenvolvimento acordados internacionalmente.

Fonte: www.uncsd2012.org

Economia Verde

O capital humano da economia verde

A reflexão sobre a transição para uma economia verde traz à tona a seguinte questão: quem é o profissional desse novo cenário?

Economia Verde
Consumidores verdes

O relatório Rumo a uma Economia Verde, divulgado em fevereiro de 2011 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), define economia verde como aquela que “resulta na melhoria das condições de vida e maior equidade social, e ao mesmo tempo reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica”. Dito de outra forma, a economia verde é baixa em carbono, usa os recursos de forma eficiente e é socialmente inclusiva.

A economia – verdadeiramente – verde se constrói a partir do aprimoramento da concepção vigente sobre a relação entre a sociedade e a natureza.

A lógica dominante é a de que o ambiente natural é um subsistema do econômico e cumpre a função de disponibilizar os recursos materiais, energéticos e bióticos necessários à produção e à absorção dos resíduos gerados.

É necessário um avanço nesse raciocínio. Trata-se de inverter a relação e assumir que a economia simplesmente não existe na ausência de um meio ambiente saudável e estável – ou seja, a primeira está inserida no segundo. Esse reposicionamento abre janelas importantes para que surjam as inovações necessárias à transição para a economia verde.

Não se trata de aperfeiçoar o modo como produzimos, consumimos e descartamos, tornando-os mais limpos, verdes ou ecofriendly, mas sim criar soluções concebidas a partir desse novo referencial entre o ambiente e a sociedade.

Para que a transição aconteça, determinadas condições serão necessárias. Entre elas alterações na regulamentação dos Estados, criação de políticas e incentivos, e mecanismos específicos de mercado, comércio e ajuda internacional.

Ainda segundo o relatório do Pnuma, um ponto marcante da economia verde é o potencial de criação de novos empregos, que no longo prazo podem superar os da economia “atual”.

Uma noção mais precisa do potencial de geração de empregos verdes pode ser verificada no relatório do Pnuma. O estudo mostra que, em setores como agricultura, construção, florestal e transporte, os cenários de geração de empregos da economia verde indicam um potencial maior que os da economia tradicional, no curto, médio e longo prazos.

O capital humano da economia verde

A reflexão sobre a transição para uma economia verde traz à tona a seguinte questão: quem é o profissional desse novo cenário?

Segundo o relatório, ao longo da próxima década, o emprego total na agricultura irá crescer em até 4%. Os investimentos em conservação de florestas e reflorestamento podem aumentar a oferta de emprego nesses setores em até 20% até 2050.

No setor de transporte, melhorias na eficiência energética em todos os modais e o aumento do transporte público em comparação ao individual podem aumentar o emprego em 10% em relação ao cenário “business as usual” (negócios como de costume).

Na construção civil, investimentos em eficiência energética e construção verde podem gerar entre 2 milhões e 3 milhões de novos empregos apenas nos Estados Unidos e na Europa. Dado o nosso déficit por moradias, esse número tende a ser ainda maior no Brasil.

No setor de gerenciamento de resíduos sólidos, uma área importante para o país em função da nova legislação, o emprego irá crescer por conta do aumento do lixo gerado pelo crescimento populacional e da renda.

Nesse cenário, destaca-se a atividade de reciclagem, visto que a separação e o reprocessamento do lixo geram até 10 vezes mais empregos por metro cúbico do que sua destinação a aterros sanitários ou à incineração.

Para o Brasil, essa transição é relevante. O crescimento da economia nos últimos anos tornou flagrante a defasagem de capital humano qualificado no país.

Se o fenômeno do “apagão da mão de obra” nos lembra de quão mal preparado o país está para aproveitar as oportunidades advindas do aquecimento econômico, o que dizer sobre as da economia verde.

Há, entretanto, um potencial concreto para que o Brasil se torne um líder global da economia verde em função do enorme capital natural de que dispõe.

Aproveitar as oportunidades que poderão nos colocar nessa liderança – em vez de permanecer como o provedor mundial de recursos naturais e commodities – passa pelo investimento na formação de profissionais que pensem, criem e inovem a partir dos pressupostos dessa nova economia.

O profissional da economia verde

Não se trata, portanto, de apenas dominar o aparato e as tecnologias verdes que surgem em ritmo cada vez mais veloz. Mais do que isso, o profissional da economia verde tem uma nova forma de pensar, interagir e operar.

O capital humano da economia verde

A reflexão sobre a transição para uma economia verde traz à tona a seguinte questão: quem é o profissional desse novo cenário?

Algumas organizações já reconhecem a necessidade crítica de desenvolver um quadro de profissionais com visão de mundo e habilidades interpessoais necessárias para responder aos desafios e às oportunidades que a economia verde apresenta.

Isso exige um perfil de profissional que compreenda e responda aos desafios locais e globais, que opere em ambientes multiculturais, que construa relações entre diversos stakeholders e que use informações para inspirar e inovar.

Ainda que incipientes, existem exemplos práticos sobre como as empresas estão implementando processos para a formação desse tipo de profissional. Entre elas estão as Plataformas de Educação para Sustentabilidade.

Essas plataformas são um conjunto de práticas e atividades de formação pessoal e profissional orientadas ao desenvolvimento de habilidades, conhecimentos e comportamentos dos profissionais sobre sustentabilidade, e elaboradas de acordo com as necessidades de aprendizagem específicas de cada cargo, departamento ou área de atuação.

Essas plataformas reúnem um conjunto de ações de treinamento, engajamento e comunicação que permitem o desenvolvimento integral do profissional.

Quando concebidas a partir dos referenciais da economia verde, podem potencializar a formação do capital humano necessário para que as empresas aproveitem as oportunidades que surgem nesse novo ambiente de negócio.

As demandas colocadas pela economia verde passam necessariamente por uma revisão nos conceitos e valores que moldam a cultura das organizações. Esse avanço se cristaliza na imagem de empresas que criam valor e geram resultados sustentáveis.

O novo ambiente de negócios exigirá profissionais responsáveis e capazes de entender seu papel e lugar, de conectar as pessoas com seus valores.

A economia verde está fundamentada na ideia de que mudanças pessoais profundas são a chave para promover mudanças nos negócios e no planeta.

Quem é o profissional da economia verde?

Entende de sustentabilidade: Identifica os principais temas ambientais, sociais e econômicos e os riscos e as oportunidades que eles trazem aos negócios.

Cria e comunica uma visão compartilhada: Explora possíveis formas de construir uma visão compartilhada a partir de diferentes pontos de vista e comunica essa visão de forma inspiradora.

É empreendedor: Tem foco no cliente e busca atingir os objetivos do cliente, coordena ações com outros para além das estruturas e hierarquias tradicionais.

Busca soluções efetivas: Compreende o contexto no qual opera, “enxerga o futuro” e chega a soluções lucrativas para o negócio que levem em consideração vários pontos de vista.

Tem autoconsciência: Desenvolve a capacidade de reflexão sobre o sentido pessoal e as motivações, e compreende os limites das ideias e crenças pessoais como base para mudança.

Articula diversos pontos de vista: Ouve atentamente outros pontos de vista e opiniões, gerando ideias e situações de “ganha-ganha”. Vê o mundo a partir de outros pontos de vista e interesses de diversos stakeholders.

Desenvolvimento pessoal e dos outros: Oferece e recebe feedback, reflexão e ação.

Gera confiança: Estabelece relações de confiança entre as diversas partes interessadas nas diferentes áreas de negócio, do grupo, e externas.

Fernando Monteiro

Fonte: exame.abril.com.br

Economia Verde

Rio+20: florestas e “economia verde”

Rumo à Rio+20, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece, sigla em inglês), a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, sigla em inglês) e organizações da sociedade civil têm conduzido extensas pesquisas sobre o papel das florestas na transição para uma “economia verde”. Os estudos concluem que, se os planos de ação forem implementados com base em uma estrutura de governança cuidadosamente planejada, as florestas podem constituir uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento econômico sustentável, bem como para uma transição global de sucesso para a “economia verde”.

As florestas naturalmente incorporam as características ideais de uma “economia verde”, qualificada esta como uma economia pautada em: baixo carbono, abundância de recursos e inclusão social.  A florestas também oferecem oportunidades excepcionais para o chamado “emprego verde”, que considera a redução de consumo de energia e matérias-primas, de emissões de gases-estufa e do desperdício e da poluição, ao mesmo tempo em que protegem e restauram ecossistemas. Contudo, o usufruto dessas características naturais das florestas está condicionado a uma governança adequada.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (conhecida como “Rio +20”) será um momento oportuno para a elaboração de uma convenção-quadro para a governança florestal no contexto da iniciativa global rumo à transição para uma “economia verde”. Produtos e serviços florestais não somente constituem uma parcela significativa da economia global, mas são também ferramentas de incentivo ao desenvolvimento sustentável no contexto de uma “economia verde”. O manejo florestal, por sua vez, contribui para o aumento da produção e dos serviços, reforçando o mercado de “emprego verde”.

Aumentam as pressões sobre florestas

A cobertura florestal do planeta continua a diminuir em 13 milhões de hectares por ano. Com o consumo per capita em ascensão e a expectativa de que a população mundial atinja 9 bilhões em 2050, indubitavelmente a pressão para o desmatamento de florestas para construção urbana e uso agrícola se intensificará. A competição que ocorre sobretudo nos países em desenvolvimento (PEDs) pelo uso de terras agrícolas para a produção de alimentos ou para o cultivo de biocombustíveis contribuirá para a situação de risco das florestas. Adicionalmente, a crise econômica global, os efeitos destrutivos das mudanças climáticas e a concorrência sobre o uso de recursos naturais escassos constituem fatores relevantes, que contribuem para acelerar o desmatamento.

O fato de  as florestas estarem sob a influência de diversos fatores – que se estendem desde níveis populacionais e desenvolvimento a mudanças climáticas e economia – evidencia a interconexão entre florestas e a teia da sociedade global. Portanto, se as florestas podem ser afetadas por diversos fatores mundiais, pode-se dizer que o inverso também é verdadeiro.

Com efeito, estudos indicam que as florestas têm grande poder para influenciar positivamente a redução da pobreza, saúde humana, comércio internacional, desenvolvimento econômico, segurança, biodiversidade e mudanças climáticas. De acordo com análise recentemente publicada pelo Pnuma, ”ecossistemas florestais biologicamente ricos fornecem abrigo, alimento, emprego, água, medicamentos e segurança para mais de 1 bilhão de pessoas, além de regularem o nosso clima”. O setor florestal – que inclui o manejo florestal e produtos e serviços florestais – emprega de 119 milhões a 1,42 bilhão de pessoas em todo o mundo por meio de uma vasta gama de produtos e serviços.

Ao mesmo tempo em que madeira, celulose e papel se destacam como os principais produtos florestais comercializados internacionalmente, as florestas constituem igualmente uma importante fonte de energia, de alimentos e de lenha para as economias locais, respondendo por 1% do produto interno bruto (PIB) mundial. Adicionalmente, florestas nativas fornecem serviços cruciais para as comunidades que habitam florestas, tais como armazenamento de água, sumidouros de carbono e incentivo ao turismo.

Embora os produtos e serviços originários de florestas possuam valor monetário significativo na economia atual, o sistema não é capaz de reconhecer os valores intrínsecos das florestas como protetoras da biodiversidade e recursos valiosos. Sob uma “economia verde” – que significa um sistema de interações entre os mercados, as forças ambientais e as políticas sociais sustentáveis?? no longo prazo –, as florestas podem ser concebidas sob a ótica de seu valor intrínseco. Portanto, em uma “economia verde”, florestas virgens e manejadas de maneira sustentável serão mais valiosas do que se forem devastadas para ganhos financeiros no curto prazo.

Mecanismos mistos para a governança florestal

Uma questão importante a ser tratada na Rio+20 pela comunidade internacional refere-se a meios pelos quais a governança florestal pode atribuir números reais ao capital natural do setor para que a “economia verde” atinja o seu potencial. A fim de garantir uma avaliação adequada do valor intrínseco das florestas, um grande número de grupos de interesse de todo o mundo (tais como organizações locais e internacionais de caráter não-governamental, governos, organizações internacionais, organismos de manejo de florestas, especialistas em biodiversidade e grupos indígenas) está sendo incluído no processo. Tendo em mente a vasta gama de questões envolvidas na temática florestal – que  inclui commodities, biodiversidade, desenvolvimento sustentável e questões de direitos humanos –, a existência de uma grande variedade de interessados é essencial para uma avaliação política adequada.

No entanto, as contribuições de grupos de interesse envolvidos no processo consultivo da Rio+20 têm revelado uma preocupante divisão Norte/Sul quanto às abordagens sobre governança florestal, cujo sintoma se materializa na complexidade das estruturas da governança florestal. Em geral, as economias desenvolvidas do Norte acreditam que suas florestas boreais possuem maior valor como ecossistemas em pé, enquanto os PEDs do Sul tendem a atribuir maior potencial de desenvolvimento econômico aos produtos extraídos de suas florestas, como a madeira.

“A multiplicidade de questões, usuários, usos e concepções sobre florestas tem resultado em uma miríade de mecanismos de governança, instrumentos e diversas abordagens para a implementação e execução do manejo florestal sustentável”, destaca um estudo realizado pelo Centro Pardee. Nesse sentido, ao invés de almejar uma concentração de mecanismos de governança florestal, o Centro Pardee recomenda em seu relatório que a elaboração de leis florestais seja feita país a país, sob o argumento de que esse formato permite compreender e implementar melhor as questões florestais.

Em seu Relatório Economia Verde, o Pnuma defende que a comunidade internacional assuma um papel com vistas ao fortalecimento da governança florestal por meio da criação, da implementação e de apoio a mecanismos de transparência. Segundo o relatório, a melhor oportunidade disponível à comunidade internacional para a discussão sobre modos inadequados de manejo florestal e arrecadação de fundos para proteção de florestas consiste na aprovação de um mecanismo mais robusto de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) da Organização das Nações Unidas (ONU). O mecanismo REDD+ ofereceria incentivos monetários e de competitividade aos atores do setor florestal para que estes se comprometessem com uma mudança de paradigma em direção a uma cadeia de valor florestal mais sustentável.

Por sua vez, o Projeto de Plano de Ação da Unece-FAO propõe uma estrutura para o desenvolvimento de indicadores de manejo florestal sustentável e instrumentos de avaliação de governança. A estrutura sugerida foca no estudo detalhado dos sistemas atualmente em vigor e na avaliação dessas políticas por meio da comunicação e da divulgação de informações em todo o mundo.

Consideradas em sua totalidade, as abordagens defendidas descrevem um sistema dinâmico e diferenciado de governança para o setor florestal, a fim de permitir implementação específica em cada país, com monitoramento e apoio internacionais. Caso a Rio+20 objetive aprovar e implementar com sucesso uma estrutura como a descrita acima, o Pnuma destaca a necessidade de que questões relativas a transparência e construção do conhecimento sobre florestas ocupem uma posição central na estrutura proposta. Consequentemente, políticas de manejo florestal construídas sobre uma estrutura de governança forte auxiliariam na transição do setor para a “economia verde”.

Investimentos

Alguns críticos argumentam que a “ecologização” do setor florestal é impossível em sua essência, dado que os bens produzidos a partir de recursos florestais automaticamente implicam danos ecológicos à floresta em si. Esse argumento respalda-se na concepção de que as florestas em pé nunca poderiam ter o seu valor para a sociedade devidamente avaliado. Porém, o Pnuma afirma que consultas realizadas junto a determinados grupos de interesse resultaram em melhor compreensão dos benefícios privados e sociais advindos de florestas.

Atualmente, são investidos US$60 milhões anualmente no setor florestal. Com o aumento do investimento público e privado em serviços, produtos, gestão e emprego verdes, o Pnuma afirma que haverá uma redução nas emissões de carbono, aprimoramento da eficiência dos recursos e menor perda de biodiversidade florestal em escala global. A instituição estima que, com 0,034% do PIB mundial (US$ 40 bilhões) investidos anualmente no setor florestal, o desmatamento poderia ser reduzido pela metade e o valor acrescentado à silvicultura poderia ser elevado a US$ 600 bilhões em 2050. Esse investimento inicial criaria os meios para o setor – já poderoso no desenvolvimento econômico e social – ser manejado de forma mais sustentável.

Com apoio internacional, o setor florestal será capaz de realizar uma mudança de paradigma na gestão e produção. Na trajetória rumo à Rio+20, esse setor ocupa uma posição vantajosa para se tornar uma ferramenta poderosa na transição global para a “economia verde”. No entanto, isso apenas ocorrerá se as estratégias de governança souberem aproveitar essa oportunidade corretamente.

Fonte: ictsd.org

Economia Verde

Economia verde: uma aposta para a crise global

Mas o que é, exatamente, a economia verde?

A economia verde ainda não possui definição consensual, nem diretrizes claras, mas já se tornou suficientemente importante para ser o tema principal da maior conferência ambiental das últimas duas décadas, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que reúne representantes de 180 países entre 13 e 22 de junho, no Rio de Janeiro.

A definição mais largamente utilizada para a economia verde foi cunhada pelo Pnuma, sendo considerada aquela que promove a melhoria do bem-estar humano e da igualdade, e, ao mesmo tempo, reduz significativamente os riscos ambientais.

As três características principais das atividades dessa economia são: reduzir a emissão de carbono, ser eficiente no uso de recursos naturais e ser socialmente inclusiva.

Os setores ligados à economia verde estimam um crescimento de grandes proporções. Para esverdear a economia global é necessário, de acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o investimento de 2% do PIB mundial por ano, o que corresponde a aproximadamente 1,3 trilhão de dólares, nos patamares atuais. O Brasil já concentra 2,65 milhões de pessoas empregadas nos ramos ligados à área, sendo possível, segundo a OIT, a geração de 60 milhões de vagas verdes nos próximos 20 anos.

Corporações

O protagonismo das corporações é essencial à transição para a economia verde, embora seja este muito mais do que um modelo de gestão coorporativo. O conceito, na verdade, vai além ao evocar mudanças estruturais no próprio modelo econômico vigente.

Além disso, a escassez das matérias-primas e as mudanças climáticas estão forçando diversos setores a adaptar-se às condições adversas de produção.

E as corporações não estão olhando para o lado vazio do copo: o relatório “Adapting for a Green Economy: Companies, Communities, and Climate Change” indica que 86% das empresas consideram que enfrentar o risco climático representa uma oportunidade de negócios.

“A sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para ser a condição necessária ao sucesso do negócio”, Érica Rush

Ex-presidente da Petrobras, o secretário de Planejamento do Estado da Bahia (Seplan) José Sérgio Gabrielli ressalta que as empresas não podem mais ignorar a responsabilidade social corporativa ou as pressões regulatórias. “É impossível uma empresa sobreviver sem ter uma relação adequada com o ambiente em que ela está colocada e sem ter uma boa relação com seus trabalhadores, seus fornecedores e seus clientes. A nova realidade econômica social exige das empresas uma nova postura”, afirma.

O professor titular da Faculdade de Economia da Universidade São Paulo (FEA/USP), Ricardo Abramovay, reitera a necessidade da adoção de uma atitude diferenciada das corporações. “A noção de necessidades (da sociedade) deixou de ser um tema filosófico abstrato, um assunto de governo ou de organizações de consumidores. Tem que integrar o âmago das decisões empresariais”, ressalta Abramovay, explicando a importância do mundo empresarial levar em conta todos os custos e os stakeholders.

Deste modo, as empresas inseridas na economia verde já estão um passo a frente no novo contexto social. “As organizações com esse perfil precisam compartilhar práticas e soluções, e mostrar que a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial competitivo para ser uma condição necessária ao sucesso do negócio”, afirma Érica Rusch, especialista em direito ambiental e presidente do Instituto Sustenta.

Segundo ela, as empresas necessitam adotar práticas responsáveis e sustentáveis, tais como: evitar custos ambientais, minimizar o uso de matérias-primas, utilizar eficientemente a água e energia.

“Ou seja, encontrar soluções viáveis e econômicas que controlem e melhorem o desempenho de uma organização”, explica Érica, acrescentando: “A transição para uma economia verde trará benefícios a longo prazo que compensarão possíveis perdas de curto prazo”.

Críticas

Se ainda não há consenso sobre a definição, a própria economia verde, como modo de reformular a base econômica global, é vista com desconfiança por diversos setores. A principal crítica é que o modelo é demasiado economicista, servindo apenas como uma roupagem ambiental para o sistema vigente, sem reestruturar profundamente o modelo de desenvolvimento global.

“Economicamente, todos ganham… menos o clima e o meio ambiente” – cartilha o lado B da Economia Verde

O grupo articulador do Comitê Facilitador da Sociedade dos Povos para a Rio+20 é um dos que criticam a decisão da Organização das Nações Unidas (Onu) de ter assumido a economia verde como a grande solução para a crise ambiental atual.

De acordo com a representante do Comitê Facilitador da Sociedade Civil para a Rio+20 e diretora da organização não governamental Fase-Solidariedade e Educação, Fátima Mello, a meta da Cúpula dos Povos é, “de um lado, desconstruir essas ilusões e as teses da agenda oficial e, de outro, transmitir a mensagem de que o mundo passa por uma crise global sem precedentes. Essa crise será enfrentada por meio de soluções, cujo caminho é o fortalecimento dos direitos, a recuperação dos bens comuns, ao contrário da mercantilização da natureza, que a agenda oficial propõe”.

Lançada na véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente, a cartilha “O lado B da Economia Verde”, produzida em parceria da Fundação Heinrich Boell com a Repórter Brasil, também demonstra ceticismo em relação ao conceito.

Logo na introdução, a publicação argumenta que “a adoção de mecanismos de produção menos poluidores deve ser compensada financeiramente, é um contrasenso se a ideia é combater as mudanças climáticas.

Porque, em muitos casos, é tudo uma questão de compensação: quem polui demais, em vez de reduzir os danos (o que sai muito caro), paga (mais barato) para que outrem polua ou desmate menos e as contas se equilibrem no zero a zero. Economicamente, todos ganham… menos o clima e o meio ambiente”.

De acordo com o documento, a valoração econômica dos serviços sistêmicos da natureza cria um choque com o direito humano ao meio ambiente. “A premissa de que a proteção do meio ambiente só ocorrerá se for lucrativa, ou que só podemos preservar pagando por isso, enfraquece o Estado de Direito e o cumprimento da lei, assim como deixa de fora os aspectos científicos e biológicos inerentes à saúde do planeta, sociais, culturais e espirituais inerentes à sobrevivência das populações rurais e tradicionais que dependem e convivem com a natureza e seus recursos – e que cumpriram até hoje o papel histórico de preservação dos ecossistemas. Acima de tudo, nega o fato de que as crises climáticas e ambientais são decorrência direta de um modelo de desenvolvimento intrinsecamente predador e depredador”, enfatiza.

EcoD Básico: Economia Verde

“Uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz, significativamente, riscos ambientais e escassez ecológica”. É assim que o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) define o conceito de Economia Verde.

O tema ganha cada vez mais força uma vez que o mundo sente, a cada dia que passa, as consequências negativas das mudanças climáticas e da escassez de recursos naturais, levando-se em conta que a população do planeta já chega a marca de 7 bilhões de pessoas.

A Economia Verde é baseada em uma transição para uma sociedade global de baixo carbono, “eficiente em seu uso de recursos e socialmente inclusiva”.

Segundo o Pnuma, em uma Economia Verde, o crescimento de renda e de emprego deve ser impulsionado por investimentos públicos e privados que reduzam as emissões de carbono e poluição, aumentam a eficiência energética e o uso de recursos, e previnem perdas de biodiversidade e serviços ecossistêmicos.

Esses investimentos precisam ser gerados e apoiados por gastos públicos específicos, reformas políticas e mudanças na regulamentação.

O caminho do desenvolvimento deve manter, aprimorar e, quando possível, reconstruir capital natural como um bem econômico crítico e como uma fonte de benefícios públicos, principalmente para a população de baixa renda, cujo sustento e segurança dependem da natureza.

O conceito de uma “economia verde” não substitui desenvolvimento sustentável, mas hoje em dia existe um crescente reconhecimento de que a realização da sustentabilidade se baseia quase que inteiramente na obtenção do modelo certo de economia.

A sustentabilidade continua sendo um objetivo vital em longo prazo, mas é preciso tornar a economia mais verde para atingirmos tal finalidade. Para se fazer a transição para uma economia verde são necessárias algumas condições facilitadoras específicas, que consistem em um pano de fundo de regulamentos nacionais, políticas, subsídios e incentivos, mercado internacional e infraestrutura legal e protocolos comerciais e de apoio.

No momento, as condições facilitadoras incentivam e têm um peso grande na predominante economia convencional que, entre outros fatores, depende excessivamente da energia proveniente dos combustíveis fósseis.

Em nível nacional, os exemplos de tais condições favoráveis são:

Mudanças na política fiscal, reforma e redução de subsídios prejudiciais ao meio ambiente;

Emprego de novos instrumentos de base de mercado;

Procura de investimentos públicos para setores-chave “verdes”;

Tornar mais verdes os contratos públicos; e a melhoria das regras e regulamentos ambientais, bem como sua execução.

Em nível internacional, também há oportunidades para complementar a infraestrutura de mercado, melhorar o fluxo de comércio e de apoio e promover maior cooperação internacional.

A base dessas informações foi extraída do relatório de economia verde do Pnuma, intitulado Rumo a uma Economia Verde, que tem como objetivo desfazer vários mitos e equívocos sobre a ciência econômica por trás do “esverdeamento” da economia global, e fornece orientações oportunas e práticas a tomadores de decisão sobre quais reformas eles precisam para desbloquear o potencial produtivo.

O relatório apresenta argumentos econômicos e sociais convincentes sobre o investimento de 2% do PIB mundial para tornar verde os 10 setores estratégicos da economia, de forma a redirecionar o desenvolvimento e desencadear um fluxo público e privado rumo à baixa emissão de carbono e a um caminho de uso eficiente de recursos.

Tal transição pode catalisar uma atividade econômica de tamanho comparável pelo menos às práticas atuais, mas com um risco reduzido de crises e choques cada vez mais inerentes ao modelo existente.

Em junho de 2012, o tema Economia Verde será destaque na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada no Rio de Janeiro, duas décadas depois da ECO-92.

Fonte: www.ecodesenvolvimento.org

Economia Verde

O que é economia verde e qual o papel do governo para sua implementação?

De acordo com a ONU, a Economia Verde pode ser definida como aquela que resulta em melhoria do bem-estar das pessoas devido a uma maior preocupação com a equidade social, com os riscos ambientais e com a escassez dos recursos naturais. Muito se discute sobre essa nova economia, e muitos pesquisadores acreditam que a economia verde requer um novo marco teórico. Como iremos mostrar neste texto, não é necessário um novo paradigma para se implementar políticas sociais que tornem a economia mais verde. Os instrumentos da economia neoclássica tradicional podem – e devem – ser utilizados para orientar os formuladores de políticas públicas com vistas ao desenvolvimento da economia verde.

Nesta reconciliação entre a economia e o meio ambiente, a proposta é usar as ferramentas analíticas da ciência econômica para buscar soluções que promovam qualidade ambiental. Ao se introduzir uma abordagem microeconômica à questão ambiental, o debate passa a focar quais são os corretos incentivos que levarão os agentes naturalmente a procurar práticas de conservação ou estratégias para reduzir a poluição.

A preservação do meio ambiente é um típico problema em que ocorre falha de mercado e que requer intervenção do Estado. Poluição e desmatamento são atividades em que tipicamente o custo social supera o custo privado. Por isso, se as atividades poluidoras ou desmatadoras não sofrerem nenhum tipo de interferência governamental, o resultado final será um nível de poluição acima (ou um grau de preservação do meio ambiente abaixo) daquilo que seria considerado socialmente ótimo. A utilização de instrumentos econômicos que induzem os agentes ao comportamento social desejado deve contar com a participação efetiva do Estado, pois as medidas de política fiscal (como impostos mais pesados para firmas poluidoras ou subsídios para implantação de tecnologias ambientalmente corretas) juntamente com a regulação (como limites quantitativos para emissão de gases ou consumo máximo de energia permitido para determinados aparelhos) constituem, talvez, os meios mais efetivos de garantir uma transição da economia marrom para a economia verde.

Do lado da receita pública, é fato que a estrutura de tributação do Estado tem um efeito fundamental sobre os incentivos que enfrentam empresas e famílias, tanto no consumo quanto nas decisões de investimento. Quanto às despesas públicas, a distribuição dos gastos, tanto na manutenção da máquina administrativa (despesas correntes), quanto os que aumentam a capacidade produtiva do país (despesas de capital, principalmente investimentos em infraestrutura), dão o tom de como será o caminho trilhado para o desenvolvimento econômico.

Por exemplo, um passo para a implantação da economia verde seria uma tributação mais pesada sobre combustíveis fósseis, de forma que outras formas de energia renovável ficassem relativamente mais atraentes do ponto de vista do preço de consumo. Outra possibilidade é a diminuição de subsídios concedidos a atividades prejudiciais ao meio ambiente.

Pelo lado da despesa pública, a promoção do crescimento econômico mais sustentável passa pela provisão de infraestrutura energética mais limpa, suporte para pesquisa e desenvolvimento em novas tecnologias não poluentes e mais produtivas, além da concessão de subsídios que alavanquem investimentos verdes pelas famílias e empresas.

Uma melhor distribuição de riqueza ao redor do mundo também é afetada pela política fiscal. Conforme relatório da ONU, estima-se que se as nações desenvolvidas retirassem o subsídio dado à produção de algodão em seus países, a renda real das nações integrantes da região da África subsaariana aumentaria em US$150 milhões por ano.

Sabe-se, contudo, que não é simples administrar as distorções causadas pelo sistema tributário. Um “imposto verde” será mais eficiente quando incidir sobre o bem mais diretamente ligado ao dano ambiental. Isto é, os “impostos ambientais” devem ser aplicados diretamente sobre os poluentes, que muitas vezes não são facilmente observáveis. Ao tributar combustíveis fósseis para diminuir as emissões de carbono, por exemplo, provavelmente se está utilizando uma base eficiente, porque as emissões estão diretamente relacionadas ao volume de combustível consumido. Por outro lado, a tributação de fertilizantes para controlar a poluição da água talvez não seja tão eficiente, pois essa poluição depende dos métodos empregados na agricultura, que podem impedir o escoamento dos agentes poluentes.

Nesse caso, seria mais eficiente multar o agricultor que poluir as águas. Dessa forma ele teria incentivo para continuar utilizando o fertilizante, mas adotando as prevenções necessárias para não poluir o meio ambiente.

Do ponto de vista da regulação, uma medida que vários governos ao redor do mundo vêm criando é o sistema cap and trade, sistema de comércio de licenças de emissão, onde as emissões totais são fixadas ou limitadas. O Protocolo de Quioto estabelece um sistema cap and trade no sentido de que as emissões dos países desenvolvidos são fixadas e quem poluir acima do limite pode adquirir direitos de emissão de países que poluem abaixo da meta acordada.

Nos Estados Unidos (EUA), há um debate no Congresso Norte-Americano sobre a instituição de sistemas cap and trade para determinados processos produtivos, produtos ou serviços, de forma que as empresas que não atingirem sua quota de emissão de poluentes possam vender o excedente a outras. A lógica desse mecanismo é que a aferição de um valor econômico às licenças para as emissões irá estimular as empresas a poluírem menos, pois lucrariam com a venda dos excedentes. Isso também terá impacto nos países que exportam tais bens para os EUA.

Claro que também existem aspectos negativos relacionados com a mitigação da poluição. A Austrália apresentou recentemente um projeto (“Securing a clean energy future”), cujo objetivo é diminuir as emissões de carbono pelo país. A principal medida sugerida é a taxação das empresas por tonelada de dióxido de carbono jogada na atmosfera. No entanto, há várias críticas no sentido de que tal taxação apenará toda a sociedade, aumentando o nível de preços, prejudicando a produção e reduzindo os empregos. Esse impacto adverso sobre a economia é consequência, principalmente, do alto custo que o projeto implicará para a geração de energia elétrica, que na Austrália é extremamente poluente por se basear na queima de carvão.

O governo australiano defende-se argumentando que os recursos arrecadados com a tributação do carbono serão devolvidos às famílias por meio de algum tipo de abatimento em outros impostos ou por aumento nas transferências de renda, como pensões.

De qualquer forma, dadas as ações indutoras por menos poluição em vários países, percebe-se uma mudança de comportamento no meio empresarial, inclusive no brasileiro. Em recente publicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os empresários são advertidos sobre como é importante entender os múltiplos impactos e riscos que podem influenciar o ambiente de negócios em uma transição para a economia de baixo carbono. Segundo a CNI, há riscos regulatórios, como os custos devidos ao pagamento de taxas e impostos sobre produtos e serviços carbono intensivos e pagamento de multas, caso as metas mandatórias de redução de emissões não sejam alcançadas. Há ainda custos reputacionais e competitivos, como gastos relacionados à perda de fatia de mercado, menor acesso a fontes de capital, bem como perda do valor da marca, caso haja discriminação das empresas não aderentes à economia verde.

Em suma, a política fiscal e a administração das finanças públicas são fatores-chave na transição de um país para uma economia mais verde. O Congresso Nacional, ao votar o orçamento, ao discutir a legislação tributária, tem papel fundamental na definição do caminho que o país adotará.

FERNANDOB.MENEGUIN

Fonte: www.brasil-economia-governo.org.br

Economia Verde

A economia verde e suas possibilidades

Encerrada a conferência Rio+20, vários assuntos, até então esquecidos, voltaram a ser questionados e por vezes tem se tornado tema de debates. No documento oficial daConferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, denominado “O Futuro Que Queremos”, a utilização da economia verde aparece como alternativa para retirar milhões de pessoas do nível da pobreza e mudar o sustento de cerca de 1,3 bilhões, que ganham apenas R$ 2,58 por dia.

Diante disso se faz necessário entender, em primeiro lugar, o que seria a economia verde e seus benefícios.  Economia verde, como já comentamos em texto anterior, é uma expressão de significados e implicações ainda controversos, relacionada ao conceito mais abrangente de desenvolvimento sustentável. Constitui, ainda, um organismo para a aplicação de políticas e programas com objetivo de fortalecer os compromissos de desenvolvimento sustentável em todos os países da ONU.

O conceito base da Economia Verde é que os processos produtivos da sociedade e as transações que resultam deles, devem contribuir, cada vez mais, para um desenvolvimento sustentável, tanto do ponto de vista social quanto ambiental. Em virtude disto, torna-se indispensável a redução das desigualdades, sendo este, o principal princípio resultante da teoria.

Junto com inovação, a redução de desigualdades foi a resposta mais apontadas no caminho para atingir uma economia verde satisfatória. Porém, a discussão da redução das desigualdades esbarra em como as atividades e programas com este propósito devem ser adequados para atender as diferentes realidades de países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Como pensar em economia verde no Brasil, se grande parte da população ainda vive sem saneamento básico e sem qualidade de vida?

Para que haja, de fato, uma economia verde, investimentos públicos e privados devem ser estimulados através do aumento da renda e das vagas de trabalho, visto que ao diminuir a poluição, aumentar a eficiência energética e prevenir perdas de biodiversidade, estamos mantendo, aprimorando e reconstruindo bens naturais como um bem econômico e, também, como fonte de benefícios, principalmente para a população de baixa renda, que, ainda hoje, retira o sustento familiar da natureza.

A utilização da economia verde deve promover a geração de empregos, a inovação tecnológica, a ciência, a inclusão social e a conservação dos recursos naturais.

Jargões como ecodesenvolvimento, sustentabilidade, economia sustentável, inclusiva e solidária possuem definições variadas, muitas vezes ambíguas e imprecisas.

Assim, mais importante que a definição de cada termo individualmente, é saber de que todos eles resumem ideias para chamar a atenção da opinião pública e dos especialistas para a necessidade de tornar os processos de desenvolvimento e os instrumentos econômicos em ferramentas de promoção da igualdade social e da erradicação da pobreza. Prezando pelo respeito aos direitos humanos e sociais, além da conservação e uso sustentável dos recursos naturais, por inúmeras vezes já comprovados como finitos.

Janguiê Diniz

Fonte: www.joaquimnabuco.edu.br

Economia Verde

O crescimento da importância da “economia verde” é oportunidade estratégica ao desenvolvimento regional no Brasil

O crescimento da importância da “economia verde” é outra oportunidade estratégica para o desenvolvimento regional no Brasil. As possibilidades no campo das energias renováveis, exploração da biodiversidade, das soluções sustentáveis no atendimento das enormes demandas brasileiras por moradia, transporte coletivo, saúde e outras, devem ser objeto de grande empenho da política regional.

É importante que os olhares não mirem somente as oportunidades já reveladas, mas também oportunidades e potencialidades implícitas e não reveladas. Neste caso, é pertinente que se pense em atividades e setores não existentes e que podem mudar o futuro das regiões.

Por fim, é preciso destacar dois componentes fundamentais da estratégia propugnada pela nova PNDR para o avanço do desenvolvimento produtivo em suas regiões elegíveis. O primeiro é que o sentido geral deve ser comprometido com atividades portadoras de futuro. Como este documento já afirmou, o mundo vive um longo processo em direção a um novo paradigma tecno-produtivo e, portanto, não se pode apostar no velho paradigma. O segundo é a opção por uma abordagem sistêmica na formulação e implementação das políticas de desenvolvimento produtivo. A estruturação e o fortalecimento de arranjos e sistemas produtivos e inovativos, com base local, mas articulados aos seus correspondentes nas demais escalas e orientado por um projeto nacional, constitui elemento essencial desta proposta.

Diretrizes Sugeridas:

Avançar na regionalização do Plano Brasil Maior

Explorar a diversidade como ativo para o desenvolvimento territorial e regional

Combinar os princípios de equidade e competitividade nas estratégias de desenvolvimento produtivo

Promover o desenvolvimento produtivo a partir da identificação e exploração das oportunidades e potencialidades locais e regionais

Buscar não somente as oportunidades já reveladas, mas também oportunidades e potencialidades implícitas e não reveladas que possam contribuir para mudar o futuro das regiões

Apostar principalmente nas atividades e tecnologias inovadoras e portadoras de futuro

Estimular a “economia verde” aproveitando amplamente suas possibilidades como mobilizadora e catalizadora de processos de desenvolvimento local e regional

Estruturar redes de Arranjos Produtivos Locais (APLs) para o fortalecimento e o adensamento de cadeias produtivas regionais selecionadas

Promover o adensamento e o enraizamento de empreendimentos industriais e agroindustriais, articulando-os às economias de base local

Implantar projetos de identificação, adensamento e incremento competitivo de APLs no entorno dos grandes projetos de infraestrutura

Implantar programas de fortalecimento e desenvolvimento de fornecedores locais e regionais.”

Fábio Biolcati

Fonte: www.revistareciclarja.com

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