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Teoria de Gaia

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Teoria de Gaia

O que é

Teoria de Gaia, também conhecida como Hipótese de Gaia, é uma tese que afirma que o planeta Terra é um ser vivo.

De acordo com esta teoria, nosso planeta possui a capacidade de auto-sustentação, ou seja é capaz de gerar, manter e alterar suas condições ambientais.

A Teoria de Gaia foi criada pelo cientista e ambientalista inglês James Ephraim Lovelock, no ano de 1969.

Contou com os estudos da bióloga norte-americana Lynn Margulis. O nome da teoria é uma homenagem a deusa Gaia, divindade que representava a Terra na mitologia grega.

Quando foi lançada, esta teoria não conseguiu agradar a comunidade de cientistas tradicionais.

Foi, primeiramente, aceita por ambientalistas e defensores da ecologia. Porém, atualmente, com o problema do aquecimento global, esta teoria está sendo revista e muitos cientistas tradicionais já aceitam algumas idéias da Teoria de Gaia.

HIPÓTESE DE GAIA

Teoria de Gaia

A Hipótese de Gaia, proposta primeiramente por James Lovelock como hipótese da resposta da Terra, propõe que a Terra pode e deve ser considerado um organismo e que cria condições para sua existência. Gaia, na mitologia grega, é a deusa que personifica a Terra, por isso o nome sugerido para a hipótese. Se aceitar-mos essa teoria poderia-mos dizer que os oceanos, por exemplo, são os pulmões do planeta vivo ou que os rios são os vasos sanguíneos.

Mas para que serve essa teoria? Simples, serve para olhar-mos o nosso planeta de outra perspectiva e ainda mais, olhar para nós mesmos, os seres viventes, de outra forma.

Daqui para frente escolha o que você quer ser: um parasita ou uma célula de defesa do organismo Terra.

Fonte: www.correiodafronteira.com.br

Teoria de Gaia

Gaia – O PLANETA VIVO

Entenda melhor a hipótese de James Lovelock

“O que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra”, declarou, em 1855, o chefe indígena Seattle ao presidente norte-americano Franklin Pierce, numa carta que respondia à proposta da compra da terra dos índios pelos brancos. Nesse texto, que acabou se tornando um manifesto ambientalista, Seattle, líder dos Duwamish, nativos do atual Estado de Washington, dá a entender que a Terra é uma entidade viva, onde todos os seus componentes – os seres vivos, as rochas, as águas e a atmosfera – interagem em harmonia, conferindo vida ao planeta. “O Homem não tece a teia da vida”, afirma Seattle, “ele é apenas um fio dessa teia”. Essa percepção, embora adquirida apenas por meio da sensibilidade do chefe duwamish, está incrivelmente imbuída de uma noção que a ciência começa a adotar apenas agora. Quase cem anos depois, um cientista propõe uma visão do planeta que comprova as palavras do chefe indígena.

James Lovelock, um dos mais prestigiados cientistas britânicos da atualidade, sugere uma abordagem bastante abrangente para entender nosso planeta e as alterações pelas quais ele está passando. Lovelock, que trabalhou na NASA e é autor de diversas invenções, entre elas o ECD, sigla inglesa para “detector de captura de elétrons”, (um aparelho que permite mensurar o acúmulo global de pesticidas e a poluição pelos fluocarbonos, produtos químicos responsáveis pelo bu­raco na camada de ozônio), entende a Terra como um sistema fisiológico único, uma entidade viva. E como todo ser vivo, a Terra seria capaz de auto-regular seus processos químicos e sua temperatura.

Lovelock lançou sua idéia pela primeira vez no final da década de 1960 num artigo publicado no periódico Ícaro, editado pelo lendário Carl Sagan. “A vida, ou a biosfera, re­gula ou mantém o clima e a composição atmosférica em um nível ótimo para si mesma”, propôs ele na revista.

Essa visão analítica da Terra como um sistema único, que Lovelock batizou de “Gaia”, o nome que os antigos gregos da­vam à deusa Terra, é essencialmente fisiológica, considerando o planeta como um organismo onde seus componentes intera­gem de forma a sustentar a vida. A Terra funcionaria como um sistema interligado — e jamais separado em biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera, como os cientistas fazem. “Essas divisões não são divisões reais da Terra, mas esferas de influência habi­tadas por cientistas e acadêmicos”, diz Lovelock.

De fato, na medida em que desenvolveu a Hipótese Gaia, Lovelock percebeu que não é apenas a vida, ou seja, a biosfera, que regula o sistema Gaia, mas todos os seus com­ponentes. A evolução dos organismos está intimamente ligada à evolução do ambiente físico e químico. Sua ação conjunta constitui um processo auto-regulador. Da mesma forma como o clima, a composição das rochas, que formam a litosfera, o ar, os rios e os oceanos são determinantes na evolução dos seres vivos de um ambiente. As espécies animais e vegetais também transformam e recriam os ambientes ao seu redor. Mais que isso, além de se modificar mutuamente, o conjunto dessas re­lações confere uma outra percepção do conceito de vida, em âmbito planetário.

A definição mais adequada de “vida” ainda é debatida intensamente no meio científico. Há diferentes formas de se entender o significado dessa palavra. A definição mais tradi­cional a coloca como a propriedade das plantas e dos animais que lhes permite ingerir alimentos, extrair energia, crescer de acordo com suas instruções genéticas e se reproduzir. Uma outra definição considera que todos os sistemas vivos têm fronteiras — as paredes das células, as membranas, ou a pele —, têm capacidade de manter um meio interno constante, precisam de um fluxo constante de energia para preservar sua integridade e excretam produtos residuais.

Lovelock observa que Gaia apresenta muitas dessas características. A Terra é, por exemplo, limitada no exterior pelo espaço, com o qual troca irradiação de energia — a luz solar entrando, e a radiação térmica saindo. O planeta utiliza energia solar e rege uma espécie de metabolismo em escala planetária. A Terra absorve energia de alta qualidade, como a luz solar, e excreta energia de baixa qualidade, como raios infravermelhos, para o espaço. É também um sistema que se auto-regula. O clima permaneceu satisfatório para a vida duran­te 3,8 bilhões de anos, mesmo tendo havido um aumento de 25% de produção solar. “O clima certamente não foi mantido por uma casualidade feliz”, argumenta Lovelock.

As mais fortes objeções à Hipótese Gaia atacam o fato de a Terra não poder se reproduzir. Se ela não se reproduz, não pode estar viva. Na verdade, Gaia pertenceria a uma ca­tegoria distinta de vida, a mesma a qual pertencem os recifes de coral e as colméias, ou seja, sistemas auto-reguladores que sustentam vida, crescem e evoluem com ela.

A visão proposta pela Hipótese Gaia é importante porque traz uma perspectiva nova na maneira de entender o planeta e a vida, da qual somos parte. Há, porém, uma implicação maior no fato de o planeta ser um organismo vivo, capaz de se auto-regular e de resolver problemas que ameacem seus processos. “Qualquer espécie que afete adversamente o meio ambiente, tornando-o menos favorável para a progênie de Gaia, acabará sendo banida, exatamente como acontece com os membros mais fracos de uma espécie que não conseguem passar pelo teste de aptidão evolutiva”, sustenta Lovelock. Dessa forma, Gaia tenderia a buscar sua sobrevivência, mesmo que para isso tivesse de eliminar a espécie mais inteligente que produziu. A julgar pelas mudanças climáticas e por suas drásticas conseqüências que estamos começando a testemunhar, Lovelock está com a razão.

Os órgãos de Gaia

James Lovelock sustenta que, como todo organismo vivo, o planeta possui órgãos, que seriam os ecossistemas.

Os ecossistemas se espalham por toda a superfície da Terra: desde o Ártico até os desertos, das Florestas temperadas e tropicais aos campos e pântanos, do litoral ao Fundo dos oceanos. Esses ecossistemas são sustentados por outros, invisíveis. Trata-se dos ecossistemas bacterianos fotossintetizadores e consumidores, que ficam na superfície do solo e do mar, e os fermentadores e anaeróbicos, que vivem no subterrâneo. Lovelock diz que os ecossistemas podem ser vistos como superorganismos que possuem algumas carac­terísticas das entidades vivas, isto é, auto-regulação, homeostase (tendência que o organismo tem de se estabilizar) e metabolismo. “São também os órgãos de Gaia”, propõe o cientista britânico. “Embora estejam ligados a todos os outros ecossistemas, cada um deles tem uma identidade distinta e desempenha um papel de importância vital em todo o orga­nismo”, aponta Lovelock.

Uma nova Ciência

A geofisiologia é uma nova ciência proposta por James Lovelock que estuda a vida a partir de uma pers­pectiva mais abrangente. A geofisiologia é “a ciência dos grandes sistemas vivos, como a Terra”, explica o cientista britânico. “Ela se ocupa da maneira como a Terra viva fun­ciona”. A geofisiologia ignora as divisões tradicionais entre as ciências da Terra, como geologia, por exemplo, e as da vida, como a biologia, que concebem a evolução das ro­chas e a da vida como duas áreas científicas separadas. Em lugar disso, a geofisiologia trata os dois processos como uma única ciência evolutiva que pode explicar detalhadamente a história do planeta.

JAMES LOVELOCK ENTENDE A TERRA COMO UM SISTEMA FISIOLÓGICO ÚNICO, UMA ENTIDADE VIVA. E COMO TODO SER VIVO A TERRA SERIA CAPAZ DE AUTO-REGULAR SEUS PROCESSOS QUÍMICOS E SUA TEMPERATURA.

Fonte: www.wiltonoliveira.com

Teoria de Gaia

HIPÓTESE DE GAIA

A melhor maneira de compreender a fragilidade da biosfera talvez seja através da Hipótese de Gaia e do texto elaborado pelo Greenpeace que nos faz pensar sobre o comportamento da espécie Homo sapiens.

O termo Gaia foi usado pela primeira vez no século XVII pelo médico inglês William Gilbert referindo-se a ‘Mãe Terra’ e popularizado pelo norte-americano James Lovelock quando formulou a hipótese de Gaia: “a Terra seria um superorganismo, de certa forma frágil, mas com capacidade de auto-recuperação”.

Na Terra, como no metabolismo de um organismo vivo, cada parte influencia e depende de outras partes, ao perturbar uma só dessas partes da vida pode afetar o todo. Mais recentemente, essa hipótese foi comungada por Jonathan Weiner, mas com uma certa preocupação. Segundo Weiner “os agentes destrutivos hoje são artificiais e provocam desgaste em quase todo o planeta, ao mesmo tempo.

A constituição de Gaia seria tão vigorosa a ponto de reparar naturalmente o desgaste e manter o planeta saudável? Poderá Gaia nos salvar?”

“A Terra tem 4,6 bilhões de anos, se condensarmos esse espaço de tempo num conceito compreensível, poderíamos comparar a Terra a uma pessoa que neste momento estaria completando 46 anos. Nada sabemos dos 7 primeiros anos de vida dessa pessoa e mínimas são as informações sobre o longo período de sua juventude e maturação.

Sabemos, no entanto, que foi aos 42 anos que a terra começou a florescer. Os dinossauros e os grandes répteis surgiram há um ano, quando o planeta tinha 45 anos. Os mamíferos apareceram há apenas oito meses e na semana passada os primeiros hominídeos aprenderam a caminhar eretos.

No fim dessa semana a Terra ficou coberta com uma camada de gelo, mas abrigou em seu seio as sementes da vida. O homem moderno tem apenas quatro horas de existência e faz uma hora que descobriu a agricultura. A Revolução Industrial iniciou há um minuto. Durante esses sessenta segundos da imensidão do tempo geológico, o homem fez do paraíso um depósito de lixo.

Multiplicou-se como praga, causou a extinção de inúmeras espécies, saqueou o planeta para obter combustíveis; armou-se até os dentes para travar, com suas armas nucleares inteligentes, a última de todas as guerras, que destruirá definitivamente o único oásis da vida no sistema solar.

A evolução natural de 4,6 bilhões de anos seria anulada num segundo pela ação do animal inteligente que inventou o conhecer. Será esse o nosso destino ?” Texto do Greenpeace.

Fonte: www.hidro.ufcg.edu.br

Teoria de Gaia

Antes de mais, é importante saber que o Ge (Guê) é o prefixo que designa as ciências que estudam o planeta, como a Geografia e a Geologia.

Mas o G é também utilizado em palavras como Gênese, Geometria, Gnose, Grande, Glória, etc. Perante este fato, e sendo esta a letra que inicia o nome que designa Deus nas mais variadas línguas, constatamos que o G tem uma enorme conotação com a divindade, que é una e engloba tudo.

Porém, a Sua manifestação Gera a dualidade, uma parte constituída pela Tríade superior Espiritual – simbolicamente representada pelo círculo – a outra parte constituída pela restante matéria densa, o quaternário inferior, – também simbolicamente representada, pelo quadrado. Esta dualidade, a Tríade Imortal com o Quaternário perecível, resulta na constituição Septenária do Homem.

Esta representação corresponde também à existência e manifestação dos diversos veículos do Homem, nos respectivos Planos existenciais. Consequentemente, não é por acaso que o G é a sétima letra do alfabeto e que a sua forma geométrica é composta por um semicírculo e um esquadro. Também não será certamente uma contingência a escolha, feita pelos antigos gregos, do G para iniciar a palavra Mitológica, que designa a Mãe Terra, Gaia.

Nem mesmo uma irreflexão a utilização desta mesma palavra, Gaia, para batizar a hipótese de James Lovelock, que vislumbra o planeta Terra como uma unidade viva composta pelos inúmeros sistemas físico-quimico-biológicos, um modelo surpreendente de auto-organização, não linear, global, holístico e ecologicamente sublime, onde todo o planeta Terra surge como um sistema vivo e auto-organizador. Tal fato demonstra a Sabedoria perene, ao identificar a Terra como um organismo vivo, e a unidade de toda a Vida.

1. MITOLOGIA

Gaia, Geia, Gæa, Gea são nomes que correspondem à personificação da Terra como Deusa. É a primeira divindade logo a seguir ao Caos que é a origem e a unidade. Ainda pura, tal como a Virgem Maria, Gera Urano, o Céu e Pontus, o Mar. Desta Geração forma-se uma Tríade, que representa a tripla manifestação Divina. De seguida, Gaia casa com Urano, a atmosfera, dando origem a muitos filhos; 12 Titãs, o Zodíaco; três Ciclopes Gigantes de um só olho frontal, possivelmente as primeiras Raças Raízes Humanas; e os Hecatonquiros que eram gigantes de 50 cabeças e 100 braços. Como Urano detestava os seus filhos e os tinha aprisionados, Gaia, aqui também representada pelo amor que nutria pelos seus filhos, decidiu armar um deles com uma foice, a representação da morte e da transformação.

Cronos, o tempo, ofereceu-se para o difícil trabalho. Na noite seguinte, enquanto Urano se unia a Gaia, Cronos atacou-o e castrou-o; separou assim o Céu da Terra, dando origem à organização da matéria terrestre. Cronos lançou, ainda, os testículos de Urano ao Mar, fecundando-o, e deu origem à vida física no planeta. Tal como se sabe, foi a partir do mar que a vida surgiu na Terra. Esta mitologia narra ainda que algumas das gotas dos mesmos testículos caíram também sobre Gaia. E, em conseqüência, nasceram os descendentes que reinaram no Olimpo.

Fez-se assim ORDO AB CHAO.

2. HIPOTESE GAIA

James Hutton é conhecido como o pai da Geologia. Numa palestra realizada para a Real Sociedade de Edimburgo, na década de 1790, disse que considerava a Terra como um super organismo, dando, como exemplos análogos, a circulação do sangue e a circulação dos elementos nutrientes da Terra. Hutton realçava, ainda, a forma como o Sol destila a água dos oceanos, para que esta torne a cair sob a forma de chuva e refresque a Terra.

Na década de 60 do Século passado, o médico bioquímico James Lovelock foi contratado pela NASA, no intuito de projetar instrumentos de análise da atmosfera e, consequentemente, para a detecção de vida em Marte.

Daí surgiu a pergunta capital: “Como podemos estar certos de que o tipo de vida marciano, qualquer que ele seja, se revelará nos testes de vida baseados no tipo terrestre, que é o nosso referencial?” Esta questão, levou-o a pensar sobre a natureza da Vida e como ela poderia ser reconhecida nas suas várias possibilidades. Daí concluiu que todos os seres vivos têm de extrair matéria e energia de seu meio ambiente e descartar produtos residuais em troca. Assim, a vida deveria utilizar a atmosfera ou os oceanos, caso existam, como meio fluido de movimentação de matérias-primas e produtos residuais; pelo menos ao nível e dimensão do que se reconhece por vida (Vida), dentro de nosso atual grau de conhecimento.

Estas hipóteses foram confirmadas quando Lovelock e Dion Hitchcock começaram a realizar análises na atmosfera marciana e verificaram que todas as reações químicas possíveis já tinham ocorrido há muito tempo, seguindo a 2ª lei da termodinâmica, a entropia, que estabelece que todos os sistemas físico-químicos fechados, tendem ao equilíbrio termoquímico ou à parada total das reações.

Ou seja, ao contrário do que ocorre na Terra, onde existem gases com forte tendência para reagirem uns com os outros, como o oxigênio e o metano; e estes existem em altas proporções em conjunto com outros gases, afastados do equilíbrio químico. Apesar de uma contínua reação entre eles, continuam a existir em proporções constantes na atmosfera. Tal fato só será possível se existir algo que garanta o equilíbrio, um motor que movimente constantemente a circulação desses elementos. Lovelock descobriu que esse motor era a própria vida que existe na Terra, já que as plantas verdes produzem constantemente o oxigênio, e os restantes organismos formam outros gases, que vão repor as quantidades normais dos que sofrem reações químicas.

Noutras palavras, Lovelock provou que a atmosfera terrestre é um sistema aberto, afastado do equilíbrio químico, caracterizado por um fluxo constante de matéria e energia, influenciando e sendo influenciado pela vida, em perfeito bio-feedback.

Perante estes fatos, surgiu subitamente um insight, um lampejo, na sua mente, que o permitiu vislumbrar Gaia: “Um pensamento assustador veio a mim. A atmosfera da Terra era uma mistura extraordinária e instável de gases e, não obstante, eu sabia que a sua composição se mantinha constante ao longo de períodos de tempo muito longos.

Será que a Terra não somente criou a atmosfera, mas também a regula – mantendo-a com uma composição constante, num nível que é favorável aos organismos vivos?”.

Para demonstrar esta hipótese juntou-se a Lovelock a bióloga Lynn Margulis que, juntamente com o geoquímico Lars Sillen, tinha já idéias muito interessantes acerca desta temática.

O seu trabalho começou a dar frutos e constataram os seguintes fatos, todos eles interligados:

Construção da hipótese Gaia

Ao relacionarem os desequilíbrios na atmosfera com o surgimento dos vegetais superiores e da vida animal, detectaram que, durante milhões de anos, o planeta foi habitado apenas por microrganismos anaeróbicos simples, que consumiam compostos orgânicos existentes nos oceanos, decompondo-os em substâncias inorgânicas simples. A proliferação destes organismos e o conseqüente aumento do consumo deveria criar uma situação de desequilíbrio, traduzida pela redução das quantidades dos compostos orgânicos disponíveis, ameaçando a sobrevivência dessas primeiras formas de vida.

Na tentativa de se adaptarem às novas condições ambientais, alguns desses organismos evoluíram para dar origem às plantas verdes. Estas transformam substâncias inorgânicas em matéria orgânica, por meio da fotossíntese, e dão início à primeira cadeia alimentar. Mas estes seres acabam por produzir uma nova situação de desequilíbrio com o oxigênio, um veneno para todos os seres anaeróbicos. Para controlar a presença deste gás na atmosfera surgem, então, os seres que respiram oxigênio.

Hoje está cada vez mais clara a idéia de que os sistemas complexos, que formam um organismo vivo, possuem características próprias, homeostáticas e dinâmicas, enquanto conjunto. Mas essas características escapam às qualidades e atributos de cada parte constituinte separada. Ou seja, um organismo, como um todo, é algo diferente e com atributos próprios, estando para além da soma das partes fundamentais que o compõem.

Como simples exemplo, no âmbito dos compostos, temos a existência de dois gases, o oxigênio e o hidrogênio, que são muito utilizados na combustão. Por conseguinte, estes gases são propícios ao elemento fogo. Quando estão unidos formam a água, um novo elemento, que possui uma característica muito peculiar, a de permitir combater o elemento que lhe deu origem, o próprio fogo.

Nos sistemas orgânicos vivos, a homeostase é a capacidade que o organismo tem de controlar a sua composição química e o seu estado físico, de forma a manter-se sempre em boas condições, mesmo quando o ambiente externo se altera. Esta é uma qualidade que apresenta características dinâmicas que superam o normal comportamento das máquinas construídas pelo homem. Nomeadamente quanto ao grau de entropia, do crescimento e do equilíbrio térmico, que leva ao desgaste constante do equipamento nas máquinas e, por conseqüência, ao fim da sua vida útil; mas que, ao contrário, nos seres vivos é mantido num nível mais ou menos constante.

É do conhecimento dos cientistas que o calor emitido pelo sol aumentou em cerca de vinte e cinco por cento, desde que a vida surgiu na Terra. Mas, apesar disso, a temperatura na nossa superfície tem permanecido praticamente constante, num clima favorável à vida e ao seu desenvolvimento, durante quatro bilhões de anos.

Perante este fato, uma questão aparece: será que a Terra é capaz de se auto-regular, de manter a temperatura estável e a salinidade dos seus oceanos, tal como ocorre nos organismos vivos?

Lovelock responde a esta questão da seguinte maneira: Considere a teoria de Gaia como uma alternativa viável ao conhecimento convencional, que vê a Terra como um planeta morto, constituído por rochas, oceanos e atmosferas inanimadas e meramente, casualmente, habitado pela vida. Considere-a como um verdadeiro sistema, abrangendo toda a vida e todo o seu meio ambiente, estritamente acoplados de modo a formar uma entidade auto-reguladora”.

A sua primeira colaboradora, Lynn Margulis transcreve ainda: “A hipótese Gaia afirma que a superfície da Terra, que sempre temos considerado como o meio ambiente da vida, é ,na verdade, parte da vida….Efetivamente, a vida fabrica, modela e muda o meio ambiente ao qual se adapta. De seguida, esse mesmo meio ambiente, realimenta a vida que está a mudar, a atuar e a crescer sobre ele. Existem, portanto, interações cíclicas, não lineares e não deterministas”.

Outro exemplo aprofundado por Lynn Margulis é sobre o dióxido de carbono. Os vulcões, os animais e plantas expelem continuamente doses maciças de dióxido de carbono, que, pelas suas características, provocam um efeito de estufa, com o conseqüente aquecimento do nosso planeta. Desta forma, deve haver também um mecanismo para eliminá-lo. De fato, a água da chuva e o dióxido de carbono combinam-se com as rochas para formar carbonatos. Este processo tem algumas bactérias como catalisadores. Seguidamente as partículas de carbonatos são levadas até ao mar, onde as algas microscópicas vão utilizá-las para construir as suas conchas. As algas vão para o fundo, formando assim sedimentos calcários. Estes, por sua vez, continuam a submergir para o centro da terra, onde serão derretidos. Eventualmente, este ciclo pode voltar a acontecer, através da atividade vulcânica….

Outro fato, não menos curioso, é o aumento do trabalho das bactérias, quando detectam um aquecimento do planeta, retirando, desta forma, maiores quantidades de dióxido de carbono, o que provoca um menor efeito de estufa e, consequentemente, um arrefecimento do planeta. O contrário também se verifica.

As florestas tropicais úmidas também servem para refrescar o planeta, com a capacidade de evaporação/transpiração de enormes volumes de vapor de água, dando origem à formação de nuvens brancas refletoras, que propiciam proteção às radiações solares.

3. CONCLUSÃO

Esta magnífica hipótese, Gaia, pode ser simultaneamente discernida a dois níveis. Um, o científico, centrado nas operações físicas, biológicas e químicas do seu corpo, envolvendo organismos e reciclagem de elementos na biosfera, de que encontramos acima alguns pequenos exemplos; o outro é ter consciência dos aspectos da Vida misteriosa e Espiritual de Gaia. Lovelock e outros seres com senso intuitivo, perceberam, perfeitamente, que a vida tem origem num nível superior, com a consciência de um denominador comum.

Uma ligação direta aos mistérios de Gaia só será possível se tentarmos percepcionar a realidade e vivenciá-la ao mais alto nível; de outra forma não seria possível porque estamos inseridos em corpo e consciência nesse grande Ser. Tal fato reduz significativamente a percepção dos Seus propósitos, através de simples ou complexas análises cartesianas.

Mas estas análises são úteis para desbravar a sua verdadeira natureza, pois elas fornecem-nos um suporte credível, capaz de nos levar, progressivamente, em determinadas ocasiões propícias, a termos a felicidade de vislumbrar a sua magnificência, num simples fato da vida ou da vida como um todo. Isto traduz-se pela união de Manas com Buddhi. Só assim poderemos superar toda a separatividade, de forma a que a nossa consciência possa expandir-se até à Consciência do grande Ser, que tudo abarca.

A humanidade atual tem a capacidade de ser um veículo da manifestação de Gaia, mas, como está munida de livre-arbítrio, essa mesma capacidade pode ser manipulada pelo egoísmo e pela ignorância, de forma a transformar o homem num parasita destruidor.

Tal fato tem-se vindo a verificar especialmente nos dois últimos séculos, com o desenvolvimento da tecnologia que transformou abruptamente o mundo, de tal forma que os normais mecanismos de reciclagem de Gaia já não conseguem funcionar de forma a restabelecer o equilíbrio, pelo menos de forma harmoniosa. Isto deve-se ao fato de que a evolução espiritual não tem acompanhado o desenvolvimento tecnológico. Se a humanidade continuar neste caminho, a catástrofe pode aproximar-se. Cabe a cada um de nós ter consciência deste fato, dos nossos atos, bem como do magnífico trabalho que Gaia desempenhou até chegar a nós.

Mas o homem não será certamente a última razão de Gaia. E, como tal, só um convívio harmonioso com os outros Reinos da Natureza permitirá que o processo evolutivo possa continuar. Só assim conseguiremos sobreviver e evoluir, inseridos na diversidade, como o demonstram os novos modelos ecológicos. À medida que aumenta a diversidade, aumenta também a estabilidade e a resiliência.

O Teósofo deve escolher ser um veículo da Manifestação de Gaia. Por conseguinte, só com o exemplo pessoal, alicerçado no discernimento, na espiritualidade e na ética é que cada um de nós poderá contribuir para um mundo melhor e perfilhar os propósitos de Gaia

Fonte: desconstruindo.com.br

Teoria de Gaia

Exemplo de Desinformação – Humanidade não pode salvar o planeta, afirma criador da Teoria de Gaia

Teoria de Gaia

Mudar os hábitos para tentar salvar o planeta é “uma bobagem”, na opinião de um dos mais conceituados especialistas em meio ambiente no mundo, o britânico James Lovelock, para quem a Terra, se for salva, será salva por ela mesma.

“Tentar salvar o planeta é bobagem, porque não podemos fazer isso. Se for salva, a Terra vai se salvar sozinha, que é o que sempre fez. A coisa mais sensível a se fazer é aproveitar a vida enquanto podemos”, afirmou Lovelock em entrevista à BBC.

O cientista de 90 anos é autor da Teoria de Gaia, que considera o planeta como um superorganismo, no qual todas as reações químicas, físicas e biológicas estão interligadas e não podem ser analisadas separadamente.

Considerado um dos “mentores” do movimento ambientalista em todo o mundo a partir dos anos 1970, Lovelock é também autor de ideias polêmicas como a defesa do uso da energia nuclear como forma de restringir as emissões de carbono na atmosfera e combater as mudanças climáticas.

Gatilho

Para Lovelock, a humanidade não “decidiu aquecer o mundo deliberadamente”, mas “puxou o gatilho”, inadvertidamente, ao desenvolver sua civilização da maneira como conhecemos hoje.

“Com isso, colocamos as coisas em movimento”, diz ele, acrescentando que as reações que ocorrem na Terra em consequência do aquecimento, entre elas a liberação de gases como dióxido de carbono e metano, são mais poderosas para produzir ainda mais aquecimento do que as próprias ações humanas.

Segundo ele, no entanto, o comportamento do clima é mais imprevisível do que pensamos e não segue necessariamente os modelos de previsão formulados pelos cientistas.

“O mundo não muda seu clima convenientemente de acordo com os modelos de previsões. Ele muda em saltos, como vemos. Não houve aumento das temperaturas em nenhum momento neste século. E tivemos agora um dos invernos mais frios em muito tempo em todo o hemisfério norte”, diz Lovelock.

Energias renováveis

Durante a entrevista à BBC, o cientista britânico afirmou ainda não ver sentido na busca de alguns hábitos de consumo diferentes ou no desenvolvimento de energias renováveis como forma de conter as mudanças climáticas.

“Comprar um carro que consome muita gasolina não é bom porque custa muito dinheiro para manter, mas essa motivação é provavelmente mais sensata do que a de tentar salvar o planeta, que é uma bobagem”, diz.

Para Lovelock, a busca por formas de energia renováveis é “uma mistura de ideologia e negócios”, mas sem “uma boa engenharia prática por trás”.

“A Europa tem essas enormes exigências sobre energias renováveis e subsídios para energia renovável. É um bom negócio, e não vai ser fácil parar com isso, mas não funciona de verdade”, afirma.

O que devemos considerar, que Lovecock não considera:

Mudanças climáticas não são causadas pelo carbono na atmosfera
Lovecock é um dos pioneiros do ambientalismo manipulado
Lovecock já trabalhou para a NASA
Lovecock é membro da Royal Society – sociedade essa que é a conselheira científica para o governo britânico – e é controlada pelos Rothschilds.

Referências

Artigo da BBC
The Rothschild Report

Fonte: www.ecocidio.com.br

Teoria de Gaia

Teoria de Gaia

Em nosso século, a partir do trabalho de inúmeros pesquisadores de várias áreas da ciência – especialmente em biologia e em neurologia, bem como em física e em cibernética, dentre inúmeras outras ciências que estao a contribuir enormemente para a maturaçao do conhecimento humano -, vemos surgir (ou ressurgir) uma nova ( ou será antiga? ) forma de compreender o mundo, forma que vai muito além da já antiquada (e ainda muito presente) concepçao/entendimento/idéia de mundo como sendo um sistema mecânico morto e determinista, bem análogo ás criaçoes mecânicas humanas – ou seja, bem concorde com o entendimento humano no seu atual estágio cultural – e que constitui a metáfora essencial do paradigma cartesiano, estritamente adotado pela ciencia moderna nos últimos três séculos.

Hoje , porém, está cada vez mais clara a idéia de que os sistemas complexos que formam um todo orgânico, vivo, possui características próprias, homeostáticas e dinâmicas enquanto conjunto, apresentando características próprias que escapam ás qualidades e atributos de cada uma de suas partes constituintes, linearmente conectadas…

Ou seja, um organismo, como um todo é algo mais diferenciado e com atributos próprios bem acima da soma de suas partes componentes fundamentais. É assim, num exemplo simples, que dois gases que sao muito utilizados na combustao, como o oxigênio e o hidrogênio, quando unidos possuem uma nova característica bem própria que nos permite usa-los para o combate ao fogo, ao formarem a água.

Além do mais, nos sistemas orgânicos vivos, a homeostase apresenta-se com características dinâmicas tais que superam o comportamento normal das “máquinas” feitas pelo homem, notadamente quanto ao grau de entropia, ou do crescimento do equilíbrio térmico, que nas máquinas convencionais é percebido pelo desgasta sempre crescente do equipamento, o que leva ao fim de sua vida útil, mas que é mantido, ao contrário, em um nível mais ou menos constante nos seres vivos.

Da mesma forma, sistemas vivos sao estruturas complexas que exibem características muito próprias que “emergem” do conjunto formado por elementos possíveis de serem diferenciados. Por exemplo, pessoas e animais sao formados por órgaos que sao formados por células que, por sua vez, sao formadas por vários elementos moleculares, alguns deles extremamente complexos, e estes, por fim, formados de átomos perfeitamente comuns e, em grande medida (senao na sua totalidade) igualmente presentes em todas as espécies de seres vivos.

Ora, embora tenhamos a mesmíssima base atômica, ninguém vai dizer que existe uma igualdade funcional entre, por exemplo, uma rosa e um gato, ou entre um carvalho e um homem, muito embora, em essencia, a estrutura do código da vida seja basicamente a mesma entre todos eles (o código genético, por exemplo, é escrito com as mesmas “letras” e com a mesma “sintaxe” em todos os seres vivos).

Ora, embora tenhamos um modo de manifestaçao física bem visível, onde os elementos estao em constante troca – nosso corpo está sempre se renovando – é o padrao que advém ou que emerge das estruturas mais elementares, enfim, as características do todo, mais do que seus elementos constituintes, que nos farao reconhecer um homem de outro homem, ou um homem de um chimpanzé, uma sinfonia ou um poema das letras impressas numa folha de papel, etc.

As idéias-chaves que possibilitaram levar-se a sério a dinâmica da organizaçao em si, do padrao como estando muito além das características das partes físicas constituintes, foi um dos maiores marcos da ciencia do século XX, similar ao que ocorreu com a idéia de campo de energia, em Física na segunda metade do século XIX.

Dentre os vários pais desta nova visao sistemica de mundo, citam-se Ilya Prigogine, na Bélgica, que realizou a ligaçao fundamental entre sistemas em nao-equilíbrio e nao-linearidade, como os que constituem as “estruturas dissipativas”; Heinz von Foerster, nos EUA, que montou um grupo de pesquisa multidisciplinar, o que possibilitou inúmeros insights sobre o papel da complexidade na auto-organizaçao dos seres vivos e nao vivos; Herman Haken, na Alemanha, com sua teoria nao-linear do laser; Ludwig von Bertallanfy, na Áustria, com o seu trabalho pioneiro e seminal sobre a Teoria Sistemica dos seres vivos e das sociedades, etc.; Humberto Maturana, no Chile, que se debruçou sobre as características fundamentais dos sistemas vivos. Tudo isso sem falarmos do grande desenvolvimento e importância cada vez maior da ciencia da Ecologia nos últimos 50 anos e dos saltos conceituais nas ciencias humanas, especialmente na Sociologia, com Michel Maffesoli, e em Psicologia, a partir de Jung.

Foi neste contexto, mais ou menos visível, mais ou menos presente (e em constante atrito com a concepçao linear e estritamente mecanicista do paradigma cartesiano entao – e ainda – vigente, muito útil r ideologia do capitalismo) que o químico norte-americano James Lovelock fez uma descoberta magnífca, talvez a mais bela do século na área das ciencias biológicas, que lhe permitiu formular um modelo surpreendente de auto-organizaçao nao-linear, global e ecologicamente sublime, onde todo o planeta Terra surge como sistema vivo, auto-organizador.

As orígens da modernaTeoria de Gaia (nome da antiga deusa grega pré-helenica que simbolizava a Terra viva) se encontram nos primeiros dias do programa espacial da NASA (Capra, 1997, p. 90). Os vôos espaciais que começaram na década de 60 permitiram aos homens modernos perceberem o nosso planeta, visto do espaço exterior, como um todo integrado, um Holos extremamente belo….

Daí as primeiras palavras dos astronautas serem de deslumbramento e emoçao, muito longe do linear e frio linguajar técnico-científico presente nas operaçoes de pesquisa e de lançamento dos veículos espaciais. Todos nós lembramos das poéticas palavras de Yuri Gagarin: “A Terra é azul”… Pois bem, esta percepçao da Terra em toda a sua poética beleza, foi uma profunda experencia espiritual, como muitos dos primeiros astronáutas nao se cansaram de dizer, mudando profundamente as suas concepçoes e seu modo de relacionamento com a Terra. De certa forma, este deslumbre foi o passo inical do resgate da ideia muito antiga da Terra como um organismo vivo, presente em todos as culturas e em todos os tempos (Capra, obra cit., p. 90; Campbell, 1990; Eliade, 1997).

Posteriormente, a NASA convidaria James Lovelock para ajudá-la a projetar instrumentos para a análise da atmosfera e, consequentemente, para a detecçao de vida em Marte, para onde seria enviada uma sonda Viking.

A pergunta capital para Lovelcok, dentro deste contexto, era: “Como podemos estar certos de que o tipo de vida marciano, qualquer que seja ele, se revelará aos testes de vida baseados no tipo de vida terrestre, que é o nosso referencial?”. Este questionamento o levou a pensar sobre a natureza da vida e como ela poderia ser reconhecida nas suas várias possibilidades.

A conclusao mais óbvia que Lovelock poderia chegar era a de que todos os seres vivos tem de extrair matéria e energia de seu meio e descartar produtos residuais em troca. Assim, pensando no meio terrestre, Lovelock supôs que a vida em qualquer planeta utilizaria a atmosfera ou, no caso de os haver, os oceanos como o meio fluido para a movimentaçao de matérias-primas e produtos residuais. Portanto, poder-se-ia ser capaz de, em linhas gerais, detectar-se a possibilidade da existencia de vida analisando-se a composiçao química da atmosfera de um planeta. Assim, se houvesse realmente vida em Marte (por menor que fosse sua chance) a atmosfera marciana teria de revelar algumas combinaçoes de gases características e propícias r vida que poderiam ser detectadas, em princípio, a partir da Terra. Ou, em outras palavras, qualquer planeta, para possibilitar a vida, necessita de um veículo fluido – líquido ou gasoso – para o transporte ou movimentaçao de componentes orgânicos e inorgânicos necessários r troca de materiais e resíduos resultantes da vida, pelo menos no nível e na dimensao do que se reconhece por vida dentro de nosso atual grau de conhecimento. Este meio fluido deve, portanto, aparesentar uma somatória de características básicas.

Estas hipóteses foram confirmadas quando Lovelock e Dian Hitchcock começaram a realizar uma série de análises da atmosfera marciana, utilizando-se de observaçoes feitas na Terra, comparando os resultados com estudos semelhantes feitos na nossa atmosfera.

Eles decobriram algumas semelhanças e uma série de diferenças capitais entre as duas atmosferas: Há muito pouco oxigenio em Marte, uma boa parcela é constituida de Dióxio de Carbono e praticamente nao há metano na atmosfera do planeta vermelho, ao contrário do que ocorre aqui. Lovelock postulou que a razao para tal retrato da atmosfera de Marte é que, em um planeta sem vida, todas as reaçoes químicas possíveis já ocorreram há muito tempo, seguindo a segunda lei da termodinâmica – a da entropia que já foi exposta acima – e que estabelece que todos os sistemas físico-químicos fechados tendem ao equilíbrio termo-químico, ou de parada total de reaçoes. Ou seja, ao contrário do que ocorre na Terra, há um total equilíbrio químico na atmosfera marciana, nao ocorrendo reaçoes químicas consideráveis hoje em dia.

Já na Terra, a situaçao é totalmente oposta. A atmosfera terrestre contém gases com uma tendencia muito forte de reagirem uns com os outros, como o oxigenio e o metano, mas que, mesmo assim, existem em altas proporçoes, num amálgama de gases afastados do equilíbrio químico. Ou seja, a pesar da contínua reaçao entre os gases, seus compoentes continuam presentes em proporçoes constantes em nossa atmosfera.Tal estado de coisas deve ser causado pela presença de vida na Terra, já que as plantas (terrestres e aquáticas) produzem constantemente oxigenio, e os outros organismos formam os outros gases, de modo a sempre se repor os gases que sofrem reaçoes químicas.

Em outras palvras, Lovelock provou que a atmosfera da Terra é um sistema aberto, afastado do equilóbrio químico, caracterizado por um fluxo constante de matéria e energia, influenciando e sendo influenciada pela vida, em perfeito biofeedback!

Eis as palvras de Lovelock do exato momento de sua descoberta:

“Para mim, a revelaçao pessoal de Gaia veio subitamente – como um flash ou lampejo de iluminaçao. Eu estava numa pequena sala do pavimento superior do edifício do Jet Propulsion Labortatory, em Pasadena, na Califórnia. Era outono de 1965, e estava conversando com Dian Hitchcock sobre um artigo que estávamos preparando… Foi nesse momento que, num lampejo, vislumbrei Gaia. Um pensamento assustador veio a mim.

A atmosfera da Terra era uma mistura extraordinária e instável de gases, e, nao obstante, eu sabia que sua composiçao se mantinha constante ao longo de períodos de tempo muito longos. Será que a Terra nao somente criou a atmosfera, mas também a regula – mantendo-a com uma composiçao constante, num nível que é favorável aos organismos vivos?”

A auto-organizaçao típica dos sistemas vivos, que sao sistemas abertos e tao longe do equilíbrio químico postulado pela segunda lei da termodinâmica tao cara aos físicos clássicos como uma lei universal (que, de fato, parece ser para os sistemas fício-químicos fechados), é a base da teoria de Lovelock. É conhecido dos cientistas que o calor do sol aumentou em cerca de 25 por cento desde que a vida surgiu na Terra mas, mesmo assim, a temperatura na nossa superfície tem permanecido praticamente constante, num clima favorável r vida e ao seu desenvovimento, durante 4 bilhoes de anos.

A próxima pergunta é: e se a Terra, tal como ocorre com os organismos vivos, fosse capaz de se auto-regular, fosse capaz de manter sua temperatura assim como o grau de salinidade dos seus oceanos, etc?

Vejamos o que Lovelock nos diz:

“Considere a teoria de Gaia como uma alternativa viável r ‘sabedoria’ convencional que ve a Terra como um planeta morto, feito de rochas, oceanos e atmosferas inanimadas, e meramente, casualmente, habitado pela vida. Considere-a como um verdadeiro sistema, abrangendo toda a vida e todo o seu meio ambiente, estritamente acoplados de modo a formar uma entidade auto-reguladora”.

Nas palavras de Lynn Margulis:

Em outras palvras, a hipótese de Gaia afirma que a superfície da Terra, que sempre temos considerado o meio ambiente da vida, é na verdade parte da vida. A manta de ar – a troposfera – deveria ser considerada um sistema circulatório, produzido e sustentando pela vida…. Quando os cientistas nos dizem que a vida se adapta a um meio ambiente essencialmente passivo de química, física e rochas, eles perpetuam uma visao mecanicista seriamente distorcida, própria de uma visao de mundo falha. A vida, efetivamente, fabrica, modela e muda o meio ambiente ao qual se adapta. Em seguida este ‘meio ambiente’ realimenta a vida que está mudando e atuando e crescendo sobre ele. Há interaçoes cíclicas, portanto, nao-linerares e nao estritmamente determinísticas”.

Bibliografia Sugerida

Lovelock, James. As Eras de Gaia, Editora Campus, Sao Paulo, 1994.
Capra, Fritjof. O Ponto de Mutaçao, Editora Cultrix, Sao Paulo, 1986.
Capra, Fritjof. A Teia da Vida, Editora Cultrix, Sao Paulo, 1997.
Jung, Carl Gustav. O Homem e Seus Símbolos, Editora Nova Fronteira, 1991.
Campbell. Joseph. O Poder do Mito, Editora Palas Athena, Sao Paulo, 1990.
Eliade, Mircea. História das Idéias e Crenças Religiosas, Editora Rés, Porto, Portugal.

Fonte: www.vanessagaia.com

Teoria de Gaia

GAIA – O PLANETA VIVO

Novas evidências científicas mostram, a cada dia, que de fato a Terra é um superorganismo, dotado de auto-regulação. Como partes desses sistemas, porém, temos responsabilidade individual em mantê-la viva e saudável para as futuras gerações.

A idéia de que a Terra é viva pode ser tão velha quanto a humanidade. Os antigos gregos deram-lhe o poderoso nome de Gaia e tinham-na por deusa. Antes do século 19, até mesmo os cientistas sentiam-se confortáveis com a noção de uma Terra viva. Segundo o historiador D. B. McIntyre (1963), James Hutton, normalmente conhecido como o pai da geologia, disse numa palestra para a Sociedade Real de Edimburgo na década de 1790 que considerava a Terra um superorganismo e que seu estudo apropriado seria através da fisiologia. Hutton foi mais adiante e fez a analogia entre a circulação do sangue, descoberta por Harvey, e a circulação dos elementos nutrientes da Terra, e a forma como o sol destila água dos oceanos para que torne a cair como chuva e refresque a terra.

Essa visão holística de nosso planeta não persistiu no século seguinte. A ciência estava se desenvolvendo rapidamente e logo se fragmentou numa coletânea de profissões quase independentes. Tornou-se província do especialista, e pouco de bom se podia dizer acerca do raciocínio interdisciplinar. Não se podia fugir de tal introspecção. Havia tanta informação a ser coletada e selecionada! Compreender o mundo era tarefa tão difícil quanto montar um quebra-cabeça do tamanho do planeta. Era difícil demais perder a noção da figura enquanto se procurava e separava as peças.

Quando, há alguns anos, vimos as fotografias da Terra tiradas do espaço, tivemos um vislumbre do que estávamos tentando modelar. Aquela visão de estonteante beleza; aquela esfera salpicada de azul e branco mexeu com todos nós, não importa que agora seja apenas um clichê visual. A noção de realidade de compararmos a imagem mental que temos do mundo com aquela que percebemos através de nossos sentidos. É por isso que a visão que os astronautas tiveram da Terra foi tão perturbadora. Mostrou-nos a que distância estávamos afastados da realidade.

A Terra também foi vista do espaço pelos olhos mais discernentes dos instrumentos, e foi esta ótica que confirmou a visão que James Hutton teve de um planeta vivo. Vista à luz infravermelha, a Terra é uma anomalia estranha e maravilhosa entre os outros planetas do Sistema Solar. Nossa atmosfera, o ar que respiramos mostrou-se escandalosamente fora de equilíbrio, quimicamente falando. É como a mistura de gases que penetra no coletor de um motor de combustão interna, ou seja, hidrocarbonetos e oxigênio misturados, enquanto nossos parceiros mortos Marte e Vênus têm atmosferas de gases exauridos por combustão.

A composição inortodoxa da atmosfera emite um sinal tão forte na faixa infravermelha que poderá ser reconhecido por uma espaçonave a grande distância do Sistema Solar. As informações que ele transporta são evidência à primeira vista da presença da vida. Porém, mais do que isso, se a atmosfera instável da Terra foi capaz de persistir e não se tratava de um evento casual, então isto significaria que o planeta está vivo – pelo menos até o ponto em que compartilha com outros organismos vivos a maravilhosa propriedade da homeostase, a capacidade de controlar sua composição química e se manter bem quando o ambiente externo está mudando.

Quando, baseado nessa evidência, eu trouxe novamente à baila a visão de que nos encontrávamos sobre um superorganismo – e não uma mera bola de pedra -, o argumento não foi bem recebido. Muitos cientistas o ignoraram ou criticaram sobre a base de que não era necessário explicar os fatos da Terra.

Conforme disse o geólogo H. D. Holland: “Vivemos numa Terra que é o melhor dos mundos somente para aqueles que estão bem adaptados ao seu estado vigente”. O biólogo Ford Doolittle (1981) disse que para manter a Terra em estado constante favorável à vida precisaríamos prever e planejar, e que nenhum estado desse tipo conseguiria evoluir através da seleção natural. Em suma, disseram os cientistas, a idéia era teleológica e intestável. Dois cientistas, entretanto, pensaram de forma diferente; um deles foi a eminente bióloga Lynn Margulis e o outro o geoquímico Lars Sillen. Lynn Margulis foi minha primeira colaboradora (Margulis e Lovelock, 1974). Lars Sillen morreu antes que houvesse uma oportunidade. Foi o romancista William Golding (comunicação pessoal, 1970) quem sugeriu usar o poderoso nome Gaia para a hipótese que supunha estar viva a Terra.

Nos últimos 10 anos, tais críticas foram rebatidas – por um lado devido a novas evidências e por outro devido a um simples modelo matemático chamado Daisy World. Nele, o crescimento competitivo de plantas de coloração clara e outras de coloração escura em um mundo mágico mostra-se mantenedor do clima planetário constante e confortável face à grande mudança na emissão de calor da estrela do planeta. O modelo é bastante homeostático e pode resistir a grandes perturbações não apenas na emissão de calor como também na população vegetal. Ele se comporta como um organismo vivo, mas não são necessárias previsões ou planejamentos para sua operação.

As teorias científicas não são julgadas tanto por estarem certas ou erradas quanto o são pelo valor de suas previsões. A teoria de Gaia já se mostrou tão frutífera nestes termos que por ora pouco importaria se estivesse errada. Um exemplo, tirado dentre tantas previsões, foi a sugestão de que o composto sulfeto de dimetilo seria sintetizado por organismos marinhos em larga escala para servir de portador natural de enxofre do oceano para a terra. Sabia-se na época que alguns elementos essenciais à vida, como o enxofre, eram abundantes nos oceanos, mas encontravam-se em processo de exaustão em pontos da superfície da Terra. Segundo a teoria de Gaia, seria necessário um portador natural, e foi previsto o sulfeto de dimetilo. Agora sabemos que este composto é de fato o portador natural do enxofre, mas, na ocasião em que a previsão foi feita, buscar um composto tão incomum assim no ar e no mar teria ido de encontro à sabedoria convencional. É improvável que tivessem ido buscar sua presença não fosse pelo estímulo da teoria de Gaia.

A teoria de Gaia vê a biota e as rochas, o ar e os oceanos como existência de uma entidade fortemente conjugada. Sua evolução é um processo único, e não vários processos separados estudados em diferentes prédios de universidades. Ela tem um significado profundo para a biologia. Afeta até a grande visão de Darwin, pois talvez não seja mais suficiente dizer que os indivíduos que deixarem a maior prole terão êxito. Será necessário acrescentar a cláusula de que podem conseguir contanto que não afetam adversamente o meio ambiente.

A teoria de Gaia também amplia a ecologia teórica. Colocando-se as espécies e o meio ambiente juntos, algo que nenhum ecologista teórico fez, a instabilidade matemática clássica de modelos de biologia populacional está curada.

Pela primeira vez temos, a partir desses modelos novos, modelos geofisiológicos, uma justificativa teórica para a diversidade, para a riqueza rousseauniana de uma floresta tropical úmida, para o emaranhado banco darwiniano. Esses novos modelos ecológicos demonstram que, à medida que aumenta a diversidade, também aumentam a estabilidade e a resiliência. Agora podemos racionalizar a repugnância que sentimos pelos excessos dos negócios agrícolas. Finalmente temos uma razão para nossa ira contra a eliminação insensata de espécies e uma resposta para aqueles que dizem tratar-se de um mero sentimentalismo.

Não precisamos mais justificar a existência de florestas tropicais úmidas sobre as bases precárias de que elas podem conter plantas com drogas capazes de curar doenças humanas. A teoria de Gaia nos força a ver que elas oferecem muito mais que isso. Dada sua capacidade de evapotranspirar enormes volumes de vapor d’água, elas servem para refrescar o planeta propiciando-lhe a proteção solar de nuvens brancas refletoras. Sua substituição por lavoura poderia precipitar um desastre em escala global.

Um sistema geofisiológico sempre começa com a ação de um organismo individual. Se esta ação for localmente benéfica para o meio ambiente, ela então poderá se difundir até que acabe resultando um altruísmo global. Gaia sempre opera assim para atingir seu altruísmo. Não há previsão ou planejamento envolvido. O inverso também é verdadeiro, e qualquer espécie que afete o meio ambiente desfavoravelmente está sentenciada, mas a vida continua. Será que isto se aplica aos seres humanos agora? Estaremos fadados a precipitar uma mudança do atual estado confortável da Terra para um quase certamente desfavorável para nós porém confortável para a biosfera de nossos sucessores? Por sermos conscientes, há alternativas, tanto boas quanto más. Por certos caminhos, o pior destino que nos aguarda é sermos alistados como os médicos e as enfermeiras de um planeta geriátrico com a infindável e intangível tarefa de buscar eternamente tecnologias capazes de mantê-lo adequado ao nosso tipo de vida – algo que até bem pouco tempo atrás recebíamos gratuitamente por sermos uma parte de Gaia.

A filosofia de Gaia não é humanista. Mas, sendo avô de oito netos, eu preciso ser otimista. Vejo o mundo como um organismo vivo do qual somos parte; não os donos, não os inquilinos, sequer os passageiros. Explorar esse mundo na escala que fazemos seria tão tolo quanto considerar supremo o cérebro e dispensáveis as células de minerar nosso fígado em busca de nutrientes para algum benefício de curta duração?

Por sermos habitantes de cidades, ficamos obcecados pelos problemas humanos. Até mesmo os ambientalistas parecem mais preocupados com a perda de um ano de expectativa de vida devido ao câncer do que com a degradação do mundo natural através do desmatamento ou dos gases do efeito estufa – algo que poderia causar a morte de nossos netos. Estamos tão alienados do mundo da natureza que poucos somos os que conhecemos os nomes das flores e dos insetos selvagens das localidades onde vivemos ou percebemos a rapidez de sua extinção.

Gaia funciona a partir do ato de um organismo individual que se desenvolve até o altruísmo global. Envolve ação em nível pessoal.

Você bem pode perguntar: “E o que posso fazer?”

Quando procuro agir pessoalmente em favor de Gaia através da moderação, acho útil pensar em três elementos mortais: combustão, gado e motoserra. Devem existir muitos outros.

Uma coisa que você pode fazer, e isto não passa de um exemplo, é comer menos carne de boi. Agindo assim, e se os médicos estiverem certos, você poderá estar fazendo um bem a si próprio; ao mesmo tempo, poderá estar reduzindo as pressões sobre as florestas dos trópicos úmidos. Ser egoísta é humano e natural.

Mas se preferirmos ser egoístas no caminho correto, então a vida pode ser rica e ainda assim consistente com um mundo adequado para os nossos netos, bem como para os netos de nossos parceiros em Gaia.

James E. Lovelock

Fonte: www.ufpa.br

Teoria de Gaia

A TERRA VIVA – A Teoria de Gaia

Teoria de Gaia

De acordo com a Teoria de Gaia, a Terra é um organismo vivo assim como eu ou você. Além de ser residência de diversas formas de vida, ela mesma se comporta como um grande ser vivo, com mecanismos que ajudam a preservar os outros seres vivos que abriga.

Tudo começou em 1969, quando a Nasa pediu ao químico inglês James Lovelock que investigasse Vênus e Marte para saber se eles possuíam alguma forma de vida. Após analisar nossos vizinhos do sistema solar, Lovelock disse que não existia nada que pudesse ser considerado vivo por lá. Mas, ao olhar para a própria Terra, ele concluiu que, a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio ambiente, como um grande organismo vivo.

E batizou esse ser de Gaia, em homenagem à deusa grega da Terra.

Inicialmente, a teoria foi rejeitada pela comunidade científica, que achou a ideia com poucos fundamentos que a comprovassem.

Mas a partir dos anos 70 o lançamento de satélites trouxe dados sobre o planeta que ajudaram a reforçar a tese central da Teoria de Gaia: o planeta tem uma capacidade de controlar sua temperatura, atmosfera, salinidade e outras características que mantêm o nosso lar, confortável e com condições ideais para a existência da vida.

Teoria de Gaia

A metáfora do planeta vivo, apresentado por Lovelock, é importante para visualizarmos Gaia como algo frágil e que tem sofrido profundas agressões do ser humano, o qual quebrou o equilíbrio do planeta.

Para ele “o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver”.

Imagine uma jovem policial que se sente totalmente realizada na sua vocação. Então, imagine-a tendo de dizer a uma família cujo filho estava desaparecido que ele foi encontrado morto, assassinado, num bosque vizinho. Ou pense num jovem médico que tem de lhe dizer que a sua biópsia revelou um tumor agressivo em metástase.

Médicos e policiais sabem que muitos aceitam a verdade simples e horrenda com dignidade, mas muitos tentam em vão negá-la. Nós livramos os juízes da terrível responsabilidade de aplicar a pena de morte, mas ao menos eles tinham algum conforto em suas freqüentes justificativas morais. Médicos e policiais não têm como escapar de seu dever.

Este artigo é o mais difícil que eu já escrevi, e pelas mesmas razões. Minha teoria de Gaia diz que Terra se comporta como se estivesse viva, e qualquer coisa viva pode gozar de boa saúde ou adoecer. Gaia me tornou um médico planetário e eu levo minha profissão a sério. Agora, também devo trazer as más notícias.

Os centros de climatologia espalhados pelo mundo, que são os equivalentes aos laboratórios de patologia dos hospitais, têm relatado as condições físicas da Terra, e os climatologistas acham que ela está gravemente doente, prestes a passar a um estado de febre mórbida que pode durar até 100 mil anos. E eu preciso dizer a vocês, como familiares da Terra e parte integrante dela, que vocês e a civilização em especial estão em grave perigo.

Nosso planeta tem se mantido saudável e apto à vida, assim como um animal, por mais de 3 bilhões de anos de sua existência. Foi má sorte que nós tivéssemos começado a poluí-lo numa época em que o Sol está quente demais. Nós causamos febre a Gaia e logo seu estado irá piorar para algo parecido com um coma.

Ela já esteve assim antes e se recuperou, mas levou mais de 100 mil anos.

Nós somos os responsáveis e nós vamos sofrer as conseqüências: no decorrer deste século, a temperatura subirá 8C nas regiões temperadas e 5C nos trópicos.

Boa parte das terras tropicais se tornará caatinga e deserto, e não servirá mais para regulação do clima; isso se soma aos 40% da superfície terrestre que nós já devastamos para produzir nosso alimento.

Curiosamente, a poluição por aerossóis no hemisfério Norte reduz o aquecimento global ao refletir a radiação solar de volta ao espaço. Esse “apagamento global” é transitório e pode desaparecer em poucos dias junto com a fumaça que o carrega, deixando-nos expostos ao calor da estufa global. Estamos num clima de loucos, resfriado acidentalmente pela fumaça, e antes do fim deste século bilhões de nós morreremos e os poucos casais férteis que sobreviverão estarão no Ártico, onde o clima continuará tolerável.

Tarefa impossível

Ao não perceber que a Terra regula seu clima e sua composição, nós cometemos a trapalhada de tentar fazê-lo nós mesmos, agindo como se estivéssemos no comando. Ao fazer isso, condenamos a nós mesmos ao pior estado de escravidão. Se escolhermos ser os guardiões da Terra, somos os responsáveis por manter a atmosfera, os oceanos e a superfície terrestre aptos para a vida. Uma tarefa que logo acharíamos impossível -e algo que, antes de termos tratado Gaia tão mal, ela fazia para nós.

Para entender o quão impossível é a tarefa, pense sobre como você regularia a sua temperatura e a composição do seu próprio sangue. Quem tem problemas renais conhece a dificuldade diária inesgotável de de ajustar sua ingestão de água, sal e proteínas. A muleta tecnológica da diálise ajuda, mas não é substituto para rins saudáveis.

Meu novo livro, “A Vingança de Gaia”, expande essas idéias, mas você ainda pode perguntar por que a ciência demorou tanto para reconhecer a verdadeira natureza da Terra. Eu acho que é porque a visão de Darwin foi tão boa e tão clara que demorou até agora para que ela fosse digerida. No tempo dele, pouco se sabia sobre a química da atmosfera e dos oceanos, e teria havido pouca razão para que ele imaginasse que os organismos modificavam seu ambiente além de se adaptarem a ele. Se fosse sabido à época que a vida e o ambiente estão tão conjugados, Darwin teria visto que a evolução não envolve apenas os organismos, mas toda a superfície do planeta.

Nós então poderíamos ter enxergado a Terra como um sistema vivo, teríamos sabido que não podemos poluir o ar ou usar a pele da Terra -seus oceanos e sistemas florestais- como uma mera fonte de produtos para nos alimentar e mobiliar nossas casas. Teríamos sentido instintivamente que esses ecossistemas devem ser deixados intocados porque eles são parte da Terra viva.

Então, o que fazer? Primeiro, precisamos ter em mente a velocidade espantosa da mudança e nos dar conta do quão pouco tempo resta para agir. Então, cada comunidade e nação precisará usar da melhor forma os recursos que tem para sustentar a civilização o máximo que puderem. A civilização usa energia intensamente, e não podemos desligá-la de forma abrupta; é preciso ter a segurança de um pouso motorizado.

Aqui, nas ilhas britânicas, nós estamos acostumados a pensar em toda a humanidade e não apenas em nós; a mudança ambiental é global, mas precisamos lidar com as conseqüências dela aqui. Infelizmente nossa nação é tão urbanizada que se parece mais com uma grande cidade, e temos apenas uma área pequena de agricultura e florestas. Dependemos do mundo do comércio para o nosso sustento; e a mudança climática nos negará suprimentos constantes de comida e combustível do exterior.

Nós poderíamos produzir comida o bastante para nos alimentar na dieta da 2ª Guerra, mas a noção de que há terras sobrando para plantar biocombustíveis ou para abrigar usinas eólicas é ridícula. Nós faremos o possível para sobreviver, mas infelizmente eu não consigo ver os EUA ou as economias emergentes da China e da Índia voltando no tempo -e eles são as maiores fontes de emissões. O pior vai acontecer, e os sobreviventes terão de se adaptar a um clima infernal.

Talvez o mais triste seja que Gaia perderá tanto quanto ou mais do que nós. Não só a vida selvagem e ecossistemas inteiros serão extintos, mas na civilização humana o planeta tem um recurso precioso. Não somos meramente uma doença; somos, por meio da nossa inteligência e comunicação, o sistema nervoso do planeta. Através de nós, Gaia se viu do espaço, e começa a descobrir seu lugar no Universo.

Nós deveríamos ser o coração e a mente da Terra, não sua moléstia. Então, sejamos corajosos e paremos de pensar somente nos direitos e necessidades da humanidade, e enxerguemos que nós ferimos a Terra e precisamos fazer as pazes com Gaia. Precisamos fazer isso enquanto somos fortes o bastante para negociar, e não uma turba esfacelada liderada por senhores da guerra brutais. Acima de tudo, precisamos lembrar que somos parte dela, e que ela é de fato nosso lar.

Fonte: planetasustentavel.abril.com.br

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