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Ecologia Urbana

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Ecologia urbana, um campo da ecologia, é uma nova área de estudos ambientais que procura entender os sistemas naturais dentro das áreas urbanas.

Ela lida com as interações de plantas, animais e de seres humanos em áreas urbanas.

Ecologistas urbanos estudam árvores, rios, vida selvagem e áreas livres encontrados nas cidades para entender até que ponto esses recursos são afetados pela poluição, urbanização e outras formas de pressão.

Estudos em ecologia urbana podem ajudar as pessoas a verem as cidades como parte de um ecossistema vivo.

O Desafio das Cidades

Ecologia Urbana

  1. A ecologia urbana é o grande desafio desse século pois cerca de 80% da população brasileira se concentra nas cidades. As cidades estão inseridas no ecossistema que constituiu seu berço, elas são construções humanas sobre um território geográfico, geológico e condições climáticas que interagem incessantemente e condicionam sua vida, para o bem ou para o mal. A crise urbana é cada vez mais intensa e só poderá ser enfrentada com sucesso dentro de uma concepção que se proponha a integrar sabiamente a cidade ao seu ambiente natural e não divorciá-la. A gestão urbana deve receber um tratamento de âmbito nacional em apoio ao poder local.
  2. ÁGUAS: o fornecimento de água limpa em quantidade suficiente sem desperdícios e perdas; a construção de redes de esgoto; o tratamento de efluentes domésticos e industriais e a drenagem e disposição adequada das águas pluviais devem ser uma prioridade absoluta na ecologia urbana. Ela deve ser encaminhada através de empresas capacitadas tecnicamente, com uma relação transparente e democrática com a população.

Cabe:

  1. a) a municipalização, descentralização e democratização dos serviços de distribuição de águas, o esgotamento sanitário e a despoluição hídrica, através da criação de conselhos das águas com a participação da sociedade civil;
    b)
    o controle do poder local, sob fiscalização da população organizada sobre a qualidade de prestação de serviços, podendo concedê-los ao setor privado desde que possa assegurar efetivamente esse controle de qualidade dos serviços e das taxas e das tarifas;
    c)
    o tratamento de efluentes domésticos e industriais deve ser implementado e controlado e o uso das águas taxado de acordo com sua utilização e grau de comprometimento.
  2. LIXO: o acumulo de lixo em áreas urbanas é um dos grandes fatores responsáveis por inundações e desabamentos, além de constituir ameaça à saúde pública e fator de depreciação da autoestima e da imagem das cidades que não conseguem lidar adequadamente com a sua coleta e destinação final. A má disposição de resíduos industriais, alguns altamente poluentes, contamina o solo, o lençol freático e causa danos gravíssimos à saúde das populações afetadas.

É necessário:

  1. a) diminuir o volume de lixo mudando uma mentalidade de embalagem baseada no desperdício, reduzindo e simplificando ao máximo os invólucros, desestimulando o uso intensivo dos plásticos e obrigando as empresas de bebidas e outras a assumirem sua parte de responsabilidade pela na reciclagem de latas e garrafas plásticas, acabando com a cultura dos descartáveis;
    b)
    assumir o lixo também como um problema cultural com um intenso trabalho de conscientização para obter mudanças comportamentais que tornem cada cidadão co-responsável;
    c)
    implementar projetos de coleta comunitária, compra do lixo nas comunidades carentes, onde ele constitui fator de risco, cooperativas de catadores e programas de separação e coleta seletiva para a reciclagem;
    d)
    considerar a reciclagem de componentes do lixo e do entulho um imperativo ambiental e um investimento cultural na sustentabilidade futura, mesmo quando constitua, no imediato, uma atividade economicamente deficitária;
    e)
    acabar com os vazadouros a céu aberto para a disposição final do lixo substituindo-os por aterros sanitários ambientalmente administrados com reflorestamento, disposição adequada do chorume e captação de gás metano.
    d)
    utilizar usinas de reciclagem e compostagem como soluções adaptadas às nossas condições climáticas e de mão de obra. Já a introdução de incineradores é questionável pelos custos diretos e indiretos, riscos de poluição com dioxinas e outros relativos às soluções de alta tecnologia transpostas fora do contexto climático, técnico e cultural onde foram concebidas, embora isso não deva ser tratado como um dogma para todas as situações.
  2. TRANSPORTE: o modelo rodoviarista e o primado absoluto do automóvel como paradigma de deslocamento e de status moldou cidades perversas nas quais o trânsito se transforma num dos principais componentes da violência urbana e onde a população paga caro por um transporte poluente e ineficaz.

É preciso:

  1. a) racionalizar o sistema de ônibus para obter a oferta de um serviço socialmente mais equilibrado e ambientalmente menos poluente. Criar faixas exclusivas, canaletas, estações de rápido embarque, estimular e regulamentar o uso de veículos de maior capacidade, mais silenciosos, com emissões controladas com uma parte da frota movida a gás natural. Integrar, disciplinar e regularizar, o uso de peruas “vans” e outras modalidades de transporte coletivo de pequeno porte, coibindo as atividades “piratas”.
    b) priorizar o transporte de massas nas suas alternativas mais eficientes e não poluentes, de acordo com as condições específicas da cada cidade:
    trens de superfície, metrô, Veículo Leve sobre Trilhos – VLT – bonde, trolei, bem como as formas de integração intermodais;
    c)
    implantar sistemas cicloviários com ciclovias, ciclofaixas, bicicletários e educação para sua correta utilização e integrar os sistemas cicloviários com o transporte de massa sobre trilhos, barcas e terminais de ônibus;
    d)
    criar outras facilidades de transporte não motorizado libertando e alargando as calçadas para os pedestres, promovendo a patinação e a caminhada. Proteger o pedestre e fazer valer sua prioridade frente aos veículos;
    e)
    estimular o transporte hidroviário. Aumentar o controle público e comunitário sobre o transporte urbano;
    f)
    estimular a reconversão para o gás natural dos ônibus, caminhões e táxis;
    g)
    desestimular progressivamente o uso intensivo do automóvel, que deve ser tratado como transporte apropriado para deslocamentos de longa distância, e não como transporte para o dia a dia. Para tanto é conveniente multiplicar gradualmente zonas de estacionamento pago.
    h)
    amenizar o tráfego em áreas residenciais, através do desenho urbano que obrigue a uma redução de velocidade e a um comportamento mais prudente do automobilista;
    i)
    adotar estratégias de zoneamento estimulando o desenvolvimento local, os usos múltiplos dos bairros, com geração de emprego mais próximo do local de moradia.
    j)
    investir na diminuição da demanda de transporte pelo desenvolvimento tecnológico e pelo estímulo ao trabalho doméstico com a supressão de viagens, portanto menos desperdícios energéticos, emissões de poluentes, congestionamentos e neurose urbana.
  2. AR: A poluição atmosférica é uma das principais causas de degradação da saúde nos centros urbanos e periferias industriais.

Cabe:

  1. a) aperfeiçoar seu monitoramento e elaborar novas leis e metas que acompanhem uma tendência internacional cada vez mais exigente;
    b)
    reduzir as emissões automotivas, industriais e domésticas de gases de efeito local (particulado em suspensão, SO2, CO, NOx, hidrocarbonetos, ozônio etc.) de forma articulada com medidas de redução das emissões de dióxido de carbono(CO2) e de metano que contribuem para o chamado efeito estufa(ou aquecimento global) dentro da meta de redução das emissões em 20% até o ano 2005, conforme prevê a Convenção sobre o Clima, adotada na Conferência Rio 92;
    c)
    instituir a inspeção ambiental anual de todos os veículos retirando de circulação os irrecuperavelmente poluentes e obrigando os demais a cumprirem padrões progressivamente mais rígidos de emissão.
    d)
    estabelecer parâmetros urbanísticos que permitam diminuir emissões, garantir corredores de ventilação e evitar ilhas de calor;
  2. O VERDE URBANO: As áreas verdes de florestas urbanas ou periféricas, parques, jardins e arborização de rua são indispensáveis para um ambiente urbano minimamente sadio. A preservação do verde urbano não passa pela tentativa de mantê-lo intocável mas pelo seu uso e aproveitamento bem organizado e compatível. O verde “selvagem” no espaço urbano é de extrema vulnerabilidade e sua não utilização, como unidade de conservação aberta a um uso regulado e disciplinado pela população, o expõe à ocupação irregular ou transforma em vazadouro de lixo e entulho. A existência de um sistema integrado de parques, corredores verdes, bacias de acumulação de águas pluviais, dotadas de vegetação compatível, bem como áreas livres de impermeabilização são importantes para uma qualidade de vida aceitável e para a prevenção de inundações. A arborização de rua – parte mais vulnerável do ecossistema urbano – tem um papel indispensável na mitigação do calor, da poluição do ar e sonora. A proteção e o manejo superavitário da arborização pública é um dos grandes desafios de ecologia urbana.

É preciso:

  1. a) reflorestar as áreas desmatadas e/ou degradadas em encostas, faixas marginais de proteção de lagoas, rios e canais, áreas de mangue e restinga, sempre que possível, através de mecanismos que mobilizem as comunidades como, por exemplo, o mutirão remunerado;
    b)
    tirar do papel e implantar efetivamente as unidades de conservação urbanas que devem ser demarcadas, sinalizadas, protegidas e dotadas de infra-estrutura, buscando-se parcerias com ONGs e empresas privadas para sua implantação prática e conservação;
    c)
    proteger e manejar adequadamente a arborização de rua assegurando que a sobrevivência e desenvolvimento das espécies plantadas ultrapassem amplamente as perdas inevitáveis dentro de um cronograma gradualista e cuidadoso. Instituir rotinas de tratamento das espécies doentes e uma política de podas cuidadosa e apropriada;
  2. URBANISMO VERDE: urbanismo vigente é condicionado pelo rodoviarismo, pelo primado absoluto do transporte individual e dominado pelo modernismo, concepções que promovem a desintegração social e um virtual “apartheid” urbano opondo dois universos: de um lado a classe rica e média, motorizada, em bairros residências e condomínios fechados e do outro os pobres e excluídos em favelas ou periferias miseráveis. Um urbanismo verde que conceba a cidade como parte da natureza que a cerca e como espaço democrático de integração social e solidariedade que considera a rua como local privilegiado de convívio e questiona as propostas que tendam a segregar ou isolar.

O urbanismo verde defende:

  1. a) o conceito de usos múltiplos compatíveis com ruas onde se combine harmoniosamente o residencial com o comercial, espaços culturais e de lazer etc. quebrando-se as segregações rígidas que condicionam horários vazios (portanto de insegurança) e induzem a deslocamentos automobilísticos mais freqüentes e longos;
    b)
    O estímulo ao comércio lojista de rua como forma de manutenção do multiuso dos bairros e a construção de shoppings condicionados ao planejamento urbano sustentável. Uma tipologia urbana mais densa e tradicional, que permita a redução dos desperdícios energéticos e dos investimentos em infra-estrutura;
    c)
    as calçadas livres para a circulação e o convívio coibindo sua ocupação abusiva e desordenada, disciplinando o comercio informal em áreas compatíveis;
    d)
    a municipalização das políticas habitacionais com utilização dos recursos do sistema financeiro de habitação na construção de habitações para os setores mais carentes, privilegiando soluções comunitárias, baratas e em dimensões sustentáveis, em sistema de compras coletivas e mutirão;
    e)
    a urbanização de favelas, sua integração à cidade formal com titulação dos moradores e uma legislação urbanística e ambiental específica;
    f)
    limitação do crescimento das favelas já existentes, sobre áreas verdes contíguas, criando limites físicos, procedendo à educação ambiental e a pactos de auto-regulação do crescimento em contrapartida de benfeitorias e programas de mutirão remunerado;
    g)
    fornecimento de lotes urbanizados e de material de construção para a população carente, em áreas adequadas, preferencialmente em escala pequena e média;
    h)
    desestímulo à criação de grandes conjuntos em áreas distantes de periferia, onde não existe infra-estrutura e os custos de transporte em tempo e dinheiro são exorbitantes para os moradores;
    i)
    enfrentamento da ocupação irregular em áreas de risco, de proteção ambiental e de mananciais, combate à industria das invasões e da construção e comércio de habitações precárias nestas áreas. Criminalização efetiva da grilagem urbana e do parcelamento ilegal;
    j)
    o combate à poluição sonora mediante regulamentação industrial para a fabricação de equipamentos menos ruidosos, medidas de operação de trânsito, aplicação local da legislação vigente e educação ambiental para o conforto acústico;
    k)
    defesa do patrimônio paisagístico e arquitetônico com medidas contra a poluição visual. Combate à pichação;
    l)
    implementação da Agenda 21 no plano local.

Fonte: www.pv.org.br

Ecologia Urbana

Mais da metade da população mundial (aproximadamente 6,4 bilhões de pessoas) vive hoje em áreas urbanas, boa parte concentrada em grandes cidades. Pelo menos 300 grandes cidades em todo o mundo abrigam mais de 1 milhão de habitantes, 14 das quais são megacidades, cada uma com mais de 10 milhões de habitantes [1]. A maioria dessas metrópoles está em países do Terceiro Mundo, onde o descontrole, a falta de planejamento e as taxas elevadas de crescimento populacional tendem a ser ainda mais problemáticos, transformando muitos aglomerados urbanos em lugares verdadeiramente caóticos.

Cerca de 80 por cento da população brasileira vive hoje em cidades. O país, que na primeira metade do século 20 era uma sociedade essencialmente rural, chegou ao final do século passado como um dos países mais urbanizados do mundo. Foi uma transformação profunda e acelerada. Para se ter uma idéia, em 1950, a cidade de São Paulo contava com 2,4 milhões de habitantes. (A maior cidade do país era a capital federal de então, o Rio de Janeiro, com 2,9 milhões.).

Naquele ano, as cinco maiores cidades do mundo eram Nova York (12,3 milhões de habitantes), Londres (8,7), Tóquio (6,9), Paris (5,4) e Moscou (5,4). Em 1975, São Paulo já aparecia como uma das cinco maiores cidades do mundo, com pouco mais de 10 milhões de habitantes; as outras eram Tóquio (19,8 milhões de habitantes), New York (15,9), Xangai (11,4) e Cidade do México (11,2). Outros 25 anos se passaram e então, em 2000, as cinco maiores cidades do mundo passaram a ser Tóquio (26,4 milhões de habitantes), Cidade do México (18,1), Bombaim (18,1), São Paulo (17,8 milhões) e New York (16,6 milhões).

É possível notar que, entre 1950 e 2000, algumas cidades cresceram mais depressa do que outras, pois o ritmo de crescimento mudou. Entre 1950 e 1975, por exemplo, a taxa de crescimento anual da cidade de São Paulo foi de cerca de 5,8 por cento, o que implica em uma duplicação do efetivo populacional em um intervalo de apenas 12 anos. Algo, obviamente, muito acelerado; significa, por exemplo, que uma criança nascida em 1950 teria, ao completar seus 12 anos de idade, duas vezes mais vizinhos do que tinha quando nasceu; nesse mesmo ritmo, aos 24 anos de idade, o número de vizinhos teria duplicado de novo. Quer dizer, quando chegasse aos 24 anos, nosso personagem hipotético teria quatro vezes mais vizinhos do que tinha quando nasceu. Entre 1975 e 2000, a taxa de crescimento anual da cidade de São Paulo caiu para cerca de 2,3 por cento, elevando o tempo de duplicação do efetivo populacional de 12 para 30 anos [3]. As previsões dos estudiosos são de que essa taxa continue caindo. (Mesmo em cidades do Terceiro Mundo, a taxa de crescimento anual tende a cair à medida que a cidade se torna maior.)

A urbanização acelerada e massiva do país não esteve, claro, restrita à cidade de São Paulo.

Mesmo na região Norte, tida ainda hoje como um lugar “remoto e selvagem”, a população é essencialmente urbana: nos sete estados que integram a região (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), os índices de urbanização variam de 52 (Pará) a cerca 81 por cento (Amapá) [2]. Em outras palavras, a noção de que a Amazônia brasileira é povoada principalmente pelos chamados “povos da floresta” (índios, caboclos, extrativistas etc.) é em linhas gerais um grande equívoco.

Com a desvalorização da vida no campo e a continuidade do êxodo rural, os percentuais referidos acima só tendem a crescer, não só na região Norte, mas em todo o país. Nesse sentido, vale notar que, graças ao êxodo rural, os aglomerados urbanos podem continuar crescendo, mesmo quando a taxa de crescimento populacional do país está, digamos, equilibrada. Não há nada de bom no êxodo rural; ao contrário, enquanto alguns camponeses são criminosamente expulsos de suas terras, outros simplesmente abandonam o lugar onde nasceram em busca de uma vida mais “fácil e glamourosa” na cidade grande. A ilusão destes últimos não dura muito tempo, mas a maioria prefere permanecer na cidade, levando uma vida de privações e necessidades, ao invés de regressar para a zona rural.

Generalistas versus especialistas

“Cidades” e “áreas urbanas” são termos comumente definidos de acordo com a densidade populacional (número de habitantes por unidade de área). Além do adensamento populacional, no entanto, também se caracterizam pela acentuada divisão de trabalho. Nesse sentido, as cidades bem poderiam ser definidas como lugares onde há um bocado de pessoas morando juntas (sem serem necessariamente parentes, como é próprio da zona rural) ou mesmo apinhadas, em prédios de apartamentos.

E mais: para sobreviver, boa parte do estrato adulto da população que vive nas cidades exerce uma atividade profissional bastante especializada.

Já na zona rural predominam os generalistas.

E não é muito difícil entender o motivo: para sobreviver em lugares remotos, o sujeito precisa saber fazer um pouco de tudo; caso contrário, suas chances de persistência prolongada são diminutas. (Na luta pela sobrevivência, em uma ilha remota, Robinson Crusoé transformou-se em um famoso generalista!)

Algo assim também deveria ocorrer no mundo de nossos ancestrais, quando cada indivíduo eventualmente precisaria ser capaz de executar as funções do grupo.

Na verdade, a especialização é uma tendência relativamente recente na história de nossa espécie, algo que se acentuou depois da invenção da agricultura, há cerca de 10 mil anos. No fim das contas, não deixa de ser irônico que os grandes aglomerados urbanos do mundo moderno, povoados por um número crescente de especialistas, sejam tão dependentes de um número cada vez mais reduzido de camponeses generalistas. De uma perspectiva ecológica, as cidades se comportam como verdadeiros parasitas da zona rural – afinal, é de lá que retiram os recursos vitais que consomem, como alimentos e energia, sem os quais logo entrariam em colapso e pereceriam.

Felipe A. P. L. Costa

Notas

  1. A fonte de muitas estatísticas populacionais citadas neste artigo foi o sítio eletrônico da Organização das Nações Unidas http://www.un.org, em especial o documento “World Urbanization Prospects: The 1999 Revision”, que pode ser consultado no endereço http://www.un.org/esa/population/publications/wup1999/wup99.htm. Uma expectativa contida nesse documento era a de que, em 2000, o número de megacidades chegasse a 19 e, juntas, abrigassem cerca de 4,3 por cento de toda a população mundial. Em 1995, as 14 megacidades eram (em ordem decrescente de tamanho): Tóquio, Cidade do México, São Paulo, Nova York, Bombaim, Xangai, Los Angeles, Calcutá, Buenos Aires, Osaka, Pequim, Lagos, Seul e Rio de Janeiro.
    2. Para detalhes, ver IBGE. 1997. Anuário estatístico do Brasil. RJ, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
    3. Para os padrões dos países desenvolvidos, no entanto, a taxa de crescimento de São Paulo permanece elevada. Por exemplo, no período entre 1950 e 2000, a população de Paris (França) se comportou de modo, digamos, bem mais equilibrado, aumentando de 5,4 milhões (1950) para 8,9 (1975) e, daí, para 9,6 (2000). Entre 1950 e 1975, a taxa de crescimento anual foi de aproximadamente 2 por cento; já entre 1975 e 2000, essa taxa caiu para 0,3 por cento (menos de um terço de 1 por cento). Neste último caso, a população está quase que apenas se recompondo

Fonte: www.lainsignia.org

Ecologia Urbana

O SISTEMA URBANO É UM ECOSSISTEMA?

Alguns consideram as cidades como ecossistemas por estarem sujeitas aos mesmos processos que operam em sistemas silvestres. Outros argumentam que a despeito de as cidades possuírem algumas características encontradas em ecossistemas naturais, não podem ser consideradas ecossistemas verdadeiros, devido à influência do homem. O fato é que se definirmos ecossistema como um conjunto de espécies interagindo de forma integrada entre si e com o seu ambiente, as cidades certamente se encaixam nesta definição.

As grandes cidades e outras áreas povoadas estão repletas de organismos. O construtor destes hábitats artificiais é o homem, mas uma infinidade de outras criaturas aproveitam e se adaptam a esses novos hábitats recém criados. Os organismos urbanos, incluindo o homem, também se relacionam com os outros organismos e estas interações podem ser estudadas, sob o ponto de vista conceitual, da mesma forma que relações ecológicas de ecossistemas naturais. Por outro lado, os centros urbanos se desenvolvem de forma diferente dos ecossistemas naturais. Alguns processos e relações ecológicas são mais intensos nas cidades. Um exemplo é a invasão de espécies. Outros são de menor importância, como poderia ser o caso da competição, enquanto que os mutualismos aparecem em porcentagem alta. Em outros casos, como o da sucessão ecológica, os processos são mascarados pela constante interferência humana.

CARACTERÍSTICAS ENERGÉTICAS DOS ECOSSISTEMAS URBANOS

A produtividade, e conseqüentemente a diversidade e complexidade dos ecossistemas, depende da obtenção de energia. A principal fonte de energia na maioria dos ambientes naturais é a solar.

O sol atinge as áreas urbanas, mas a produção é baixa, pois estas dependem diretamente da quantidade de áreas verdes, que é comparativamente pequena, e do estágio de sucessão das comunidades vegetais. A sobrevivência das cidades, portanto, depende da importação de outros tipos de energia. Enquanto a grande maioria dos ecossistemas naturais tem seus próprios produtores de energia (plantas verdes) os quais sustentam uma certa biomassa de consumidores, as cidades possuem pouca área verde e, mesmo nesses casos, as plantas não são utilizadas para consumo humano, com exceção das hortaliças.

Estas áreas verdes, no entanto, cumprem funções importantes como a de produzir oxigênio, esfriar o ar por meio da sua transpiração, absorver poluentes, servir como barreiras acústicas e satisfazer necessidades estéticas. As cidades tampouco têm um contingente suficiente de animais para consumo humano. Desta forma, sobrevivem da importação de alimento de outras regiões, muitas delas do outro lado do mundo. Cidades também precisam importar uma série de outros recursos para sobreviver. Entre eles contam-se água e outras matérias primas.

Em troca pelos produtos necessários à sua sobrevivência, as cidades fornecem bens manufaturados, serviços, informação, tecnologia e formas de recreação. Ao mesmo tempo precisam se desfazer dos resíduos e do calor gerados por estas atividades. A entrada constante e maciça de matéria para o sustento da cidade muitas vezes supera a sua capacidade de eliminar resíduos, o que traz como conseqüência o aumento dos níveis de determinadas substâncias até o ponto em que passam a ser considerados poluentes. O problema do lixo e a sua degradação é um dos mais sérios nas grandes cidades. Os resíduos sólidos são geralmente depositados em áreas adjacentes aos centros urbanos, em aterros com diversos graus de segurança para evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos. O problema do grande volume de resíduos gerados tem sido resolvido de forma parcial mediante programas de reciclagem de materiais como plástico, vidro, papel, metais, programas de compostagem, ou uso de material biodegradável. Trata-se, no entanto, de processos industriais caros e portanto economicamente inviáveis para muitos centros urbanos.

BIODIVERSIDADE E RELAÇÕES INTERESPECÍFICAS

Qualquer área urbana é formada por uma variedade de hábitats, desde os semi-naturais até os que surgem como conseqüência direta da ocupação humana.

A interferência do homem impõe um mosaico de pequenas paisagens adjacentes em uma área relativamente reduzida.

Assim, o espectro de hábitats nos centros urbanos é amplo: de parques municipais e florestas urbanas até grandes áreas de construção civil, industrial e aterros.

Estas características de mosaico fazem com que a biodiversidade urbana possa ser mais alta do que as áreas rurais adjacentes. Alguns centros urbanos constituem ilhas de diversidade por servirem como refúgio de muitos animais que fogem de regiões devastadas.

O complexo urbano oferece a estas espécies lugares apropriados para a sua sobrevivência, alimento e, não raramente, um local livre dos seus predadores e competidores naturais. No entanto, para que a espécie recém-chegada tenha sucesso como colonizadora é necessário que o ambiente urbano contenha as condições adequadas para a sua sobrevivência, como alimento e locais para reprodução. Naturalmente a abundância de muitas espécies está correlacionada negativamente com o grau de urbanização. Plantas, por exemplo, precisam de solos especiais ou de um certo tipo de polinizador para produzir sementes.

Em outros casos a espécie pode se desenvolver somente em estágios avançados de sucessão ecológica, que em geral não ocorrem nas cidades. Entre as plantas melhor adaptadas às cidades encontram-se aquelas de pequeno porte, resistentes à poluição e pouco exigentes em termos de nutrientes, como são em geral as compostas e gramíneas.

Um exemplo de grupo de vertebrados que se adapta bem às cidades é o das aves, pela sua grande capacidade de deslocamento e também pela plasticidade comportamental. As aves podem utilizar qualquer fragmento de área com vegetação disponível.

Em muitos casos adaptaram-se ao convívio com o homem de forma estreita, utilizando o alimento que obtêm do mesmo e sobrevivendo em construções.

Naturalmente, nem toda espécie de ave consegue se adaptar a áreas densamente povoadas, mas aquelas que conseguem atingem altos níveis populacionais.

Exemplos típicos de aves extremamente adaptadas aos ambientes urbanizados são pardais e pombos, que utilizam até pedaços de arame para construir seus ninhos.

Outros vertebrados altamente dependentes da presença humana são os domesticados. Já um bom exemplo de animais dependentes das atividades humanas mas que não foram introduzidos para domesticação são os ratos.

Estes têm as características de espécies invasoras: plasticidade comportamental, alta capacidade de dispersão e alta capacidade reprodutiva, que é ampliada pela ausência de inimigos naturais.

As cidades também oferecem maiores chances de hibridização ao quebrarem barreiras geográficas mediante a introdução de espécies de forma acidental ou para uso do homem. Estas podem entrar em contato com espécies aparentadas, e resultar em híbridos. O caso de híbridos de cão e coiote nos EUA é bem conhecido.

Os coiotes aproximaram-se dos povoados devido à destruição do seu hábitat natural. Entre os invertebrados típicos de cidades têm lugar destacado as baratas, formigas, barbeiros, cupins, traças, piolhos e mosquitos. Trata-se de espécies oportunistas ou diretamente vinculadas ao homem, muito bem adaptadas às cidades e de difícil controle. Todos os animais citados acima vivem em estreita associação com o homem, o que não significa que sejam controlados por este. Quando o crescimento populacional de uma espécie introduzida ou a sua atividade afeta alguma atividade humana, esta passa a ser considerada uma praga. A definição de praga depende de cada ponto de vista. Pragas são organismos considerados indesejáveis, e esta classificação varia com o tempo, local, circunstâncias e atitude individual. Plantas que na natureza são parte do ambiente podem ser vistas como ervas daninhas se danificam propriedades ou tornam-se competidoras de plantas ornamentais, o que freqüentemente ocorre em áreas urbanizadas. A introdução de espécies de outras regiões biogeográficas é um fenômeno universal, mas a proporção de espécies introduzidas que se estabelecem com sucesso é maior nas cidades do que em áreas rurais ou de florestas.

Isto torna-se possível por vários motivos:

1) alimento disponível,
2)
refúgio de inimigos naturais,
3)
reintrodução constante feita pelo homem, intencional ou acidental,
4)
hibridização entre espécies exóticas e nativas,
5)
exploração de novos nichos.

A taxa de imigração costuma ser mais alta do que a de extinção pelas constantes reintroduções, mas uma sucessão ecológica, em que as espécies dentro de uma comunidade vão sendo substituídas ao longo do tempo, raramente se verifica, pois as perturbações induzidas pelo homem são grandes e freqüentes. Os processos vinculados à sucessão ecológica estão altamente comprometidos, pois o homem age sobre estes continuamente, podendo interrompê-los ou moldá-los de acordo com a sua conveniência. Devido a esta interferência, o desequilíbrio ecológico dos ecossistemas urbanos é constante.

As perturbações podem ser diretas, pela mudança da paisagem mediante construções, pavimentação, passagem de veículos, diversos tipos de controle sobre a vegetação como plantios, podas, uso de herbicidas, ou uma conseqüência destas, como deslizamentos de terra e inundações, erosão e diversas formas de poluição. Um dos principais componentes estruturadores de comunidades são as interações biológicas.

Com relação às interações entre espécies, a competição costuma ser pouco importante na maioria das áreas urbanas. Isto se deve a que a quantidade de nichos é grande, as espécies que conseguem se adaptar encontram recursos suficientes e as cidades passam constantemente por transformações que são prejudiciais para muitas das espécies, fazendo regredir ou mudar estas interações dependendo das mudanças efetuadas. Mutualismos, no entanto, verificam-se em proporção mais alta do que em muitos ambientes naturais. Na maioria destes trata-se de uma dependência recíproca entre o homem e outras espécies domesticadas para seu proveito. Quanto à pressão de predação como força estruturadora da comunidade, esta não se verifica na sua totalidade pois a maior parte da biomassa para alimentar os diversos componentes vem de fora do sistema, mostrando uma alta dependência das áreas rurais, notadamente outro tipo de sistema antropogênico (gerado pelo homem), que são os agroecossistemas. A importação de alimento e a falta de ligação entre as comunidades dos diversos micro-hábitats fazem com que seja difícil elaborar cadeias tróficas abrangentes dos sistemas urbanos.

O MICROCLIMA URBANO

As estruturas urbanas e a densidade e atividade dos seus ocupantes criam microclimas especiais. A pedra, o asfalto e outras superfícies impermeáveis que substituem a vegetação têm uma alta capacidade de absorver e re-irradiar calor. A chuva é rapidamente escoada antes que a evaporação consiga esfriar o ar. O calor produzido pelo metabolismo dos habitantes e aquele gerado pelas indústrias e veículos ajudam a aquecer a massa de ar. Estas atividades também liberam na atmosfera vapor, gases e partículas em grandes quantidades.

Estes processos geram uma região de calor sobre as cidades onde a temperatura pode ser até 6oC mais alta do que no ambiente circundante. Este fenômeno é mais marcante no verão em áreas temperadas, quando os prédios irradiam o calor absorvido. As cidades recebem menos radiação solar que áreas rurais adjacentes pois parte desta é refletida por uma camada de vapor, dióxido de carbono e matéria particulada.

Esta mesma camada faz com que a radiação emitida pelo solo seja refletida de volta para a terra. As partículas no ar agem também como núcleos de condensação de umidade, produzindo um nevoeiro conhecido como ‘smog’ (do inglês ‘smoke’ + ‘fog’= fumaça + nevoeiro), a principal forma de poluição do ar.

Normalmente o acúmulo de poluentes é carregado para o alto através das massas de ar, que sobre as cidades apresentam um gradiente de temperatura em que o chão é mais quente que as camadas superiores. No entanto, pode ocorrer que uma massa de ar mais quente que aquela sobre a cidade se instale imediatamente sobre esta, interrompendo o fluxo normal de ar para acima e impedindo que os poluentes e o calor se dissipem. Este fenômeno, mais freqüente no inverno e em cidades localizadas em vales, é conhecido com inversão térmica. Grandes cidades geralmente sofrem diariamente as conseqüências do smog. Aquelas sujeitas a smog industrial são chamadas de cidades de ar cinza e caracterizadas por um clima temperado, com invernos frios e úmidos.

As atividades industriais e de aquecimento das residências produzem dois tipos principais de poluentes: partículas e óxidos de enxofre (impurezas contidas nos combustíveis). Estes óxidos reagem com o vapor atmosférico formando ácido sulfúrico, que corrói metais e outros materiais, além de ser perigoso para a saúde humana. As cidades sujeitas a smog fotoquímico (de ar marrom) geralmente têm clima mais quente e seco, e a maior fonte de poluição é a combustão incompleta de derivados de petróleo, o que favorece a formação de dióxido de nitrogênio, um gás amarelado.

Na presença de raios ultravioletas este gás reage com hidrocarbonetos, formando uma série de poluentes gasosos conhecidos como oxidantes fotoquímicos. A maioria das grandes cidades sofrem de ambos os tipos de smog. As emissões de dióxido de enxofre e de nitrogênio em contato com o vapor do ar convertem-se rapidamente nos ácidos sulfúrico e nítrico, que podem ser carregados pelos ventos e precipitar em lugares distantes do onde foram gerados na forma de chuva ácida.

Alguns métodos para controlar a emissão de óxidos de enxofre e de partículas que têm sido sugeridos são: economizar no consumo de energia, mudar as fontes de energia de combustíveis fósseis para energia solar, eólica ou geotérmica, retirar o enxofre do combustível antes ou depois da combustão e estabelecer impostos “ecológicos” sobre a emissão de poluentes.

Entre os métodos sugeridos para reduzir a poluição por veículos destacam-se: otimizar o uso de veículos particulares, melhorar o transporte coletivo, utilizar motores elétricos e outros combustíveis como gás natural, hidrogênio e álcool, aumentar a eficiência do combustível, controlar a emissão de gases e de formação do smog.

PROBLEMAS ECOLÓGICOS DAS GRANDES ÁREAS URBANAS

Alguns dos aspectos mencionados anteriormente, como a importação de alimento e energia, são comuns a qualquer centro urbano, independentemente do seu tamanho. Outros, no entanto, acontecem de forma problemática somente nas grandes cidades. Entre estes últimos, foram mencionados a poluição do ar e o destino dos resíduos sólidos. A construção desordenada em áreas de risco e as deficiências no saneamento básico também afetam de modo mais drástico as grandes cidades. Um aspecto importante que deriva diretamente da alta densidade populacional é o da transmissão de doenças. Antes que os humanos se tornassem sedentários com o advento da agricultura, as condições para a transmissão e persistência de doenças virais e bacterianas eram pouco adequadas, principalmente devido ao pequeno número de hospedeiros e seu isolamento.

À medida em que os núcleos urbanos foram crescendo, os seus habitantes viraram reservatórios das doenças e a erradicação destas foi ficando mais complicada.

O comércio e posteriormente as viagens intercontinentais propiciaram a introdução de doenças contra as quais as populações não eram imunes. Atualmente, apesar dos avanços da medicina, características como superpopulação, mudanças ambientais e intercâmbio intenso de mercadorias são fatores de risco que beneficiam o espalhamento de novas doenças ou novas formas de doenças conhecidas, principalmente aquelas como a gripe, cujos vírus têm uma alta taxa de mutação. Da forma em que existem atualmente, os sistemas urbanos são artificiais, imaturos e ineficientes em termos energéticos. Precisam da importação de grandes volumes de energia e alimento para a sua manutenção, e por isso não se auto-sustentam. Por outro lado, cidades têm caracteristicamente uma alta heterogeneidade espacial, o que proporciona uma alta diversidade.

Embora isto pareça um contra-senso, casos de maior diversidade em cidades do que no ambiente natural em que estão inseridas são comuns. Como exemplo podemos citar povoamentos estabelecidos em regiões desertas ou áridas, em que água e outros recursos são importados e concentrados na urbe. A manutenção da biodiversidade urbana é importante não só para a própria sobrevivência do homem, mas também pelo seu valor intrínseco. Devido à forte ligação dos organismos urbanos com o homem, é necessário um envolvimento mais efetivo das ciências naturais com as sociais para integrar os conceitos ecológicos ao processo de planejamento urbano. Para haver esta integração, são necessárias mais pesquisas sobre quais são e como se organizam os processos ecológicos que agem nos ecossistemas urbanos.

Fonte: www.icb.ufmg.br

Ecologia Urbana

Ecologia urbana, você sabe o que é?

Ecologia Urbana

Hoje existem diversos estudos e experimentos que contribuem para o meio ambiente. Métodos de preservação, ideias sustentáveis, dicas de reciclagem, alternativas inovadoras, redução de energia… e por aí vai.  Já ouviu falar da ecologia urbana? O que é, seus benefícios e estudos? Entenda mais sobre o assunto em uma entrevista com a bióloga Paula Meerholz, Consultora de Sistemas de Gestão da empresa Ambienta Urbanismo e Meio Ambiente Ltda.

O que é a ecologia urbana?

A ecologia urbana é o estudo das relações do homem com o meio ambiente, sob o ponto de vista ambiental, econômico e social. Nesta visão, a cidade é compreendida como um ecossistema criado e adaptado pelo homem. O homem, por sua vez, ao interagir com o meio, provoca impactos ambientais, extraindo energia e recursos de outros ecossistemas, transformando-os em outros materiais, utilizando-os e descartando os resíduos gerados. Os impactos desta interação do homem com o meio urbano são estudados e avaliados pelos ecologistas urbanos.

Que estudos são feitos através da ecologia urbana?

Os estudos da ecologia urbana de uma cidade dependem do tamanho, estrutura e das características da própria cidade. Por exemplo, as cidades grandes possuem grande quantidade de pessoas habitando nelas e, portanto, os estudos ecológicos são voltados à obtenção de energia e de recursos suficientes para a demanda da população, bem como para a destinação de grandes volumes de resíduos sólidos e até mesmo para prevenir a proliferação de pragas e vetores, além de epidemias. Já em cidades que possuem tráfego intenso de veículos, onde o transporte público ainda é carente, a poluição do ar é um problema a ser considerado. Em cidades que possuem pouco espaço verde em seus ambientes, buscam-se alternativas para a criação de áreas verdes. Os estudos ecológicos de cidades mais organizadas, que possuem planejamento urbano mais ordenado e população economicamente mais ativa, são voltados a alternativas mais sustentáveis de obtenção de energia, meios de transporte menos poluidores, construção de edificações comerciais e habitações sustentáveis e melhoria na tecnologia para o tratamento de resíduos. De forma geral, estes estudos consideram as características sociais, econômicas e ambientais particulares da cidade em questão.

Quais os benefícios dos estudos realizados pela ecologia urbana e quem se beneficia?

Os estudos procuram alternativas para diminuir os impactos ambientais do homem no ambiente urbano, considerando a necessidade do desenvolvimento econômico e os aspectos sociais desta relação. Portanto, o objetivo dos estudos não é fazer com que as cidades voltem ao modo de vida pré-histórico, quando o homem extraía da natureza apenas o necessário para a sua sobrevivência. O objetivo principal é garantir qualidade de vida das pessoas através da estruturação e do desenvolvimento sustentável dos centros urbanos, assegurando que as próximas gerações também possam usufruir dos recursos que nós temos hoje. Portanto, todos se beneficiam – inclusive aqueles que ainda virão!

Qual a importância desses estudos?

O desenvolvimento das cidades hoje é insustentável – isso quer dizer que, caso o crescimento urbano continue neste ritmo acelerado, em breve enfrentaremos sérios problemas com a escassez de alimentos, água e outros recursos naturais. Para se ter uma ideia, a população mundial já consome o equivalente a capacidade de dois planetas Terra! Estamos esgotando os recursos sem que haja tempo suficiente para que eles sejam repostos na natureza. A ecologia urbana quer justamente reverter ou desacelerar este ritmo.

Que áreas estão ligadas à ecologia urbana?

Profissionais de diversas áreas atuam nestes estudos – ecólogos, biólogos, engenheiros ambientais, arquitetos, geógrafos, químicos, gestores ambientais… Os estudos devem ser feitos por equipes multidisciplinares, possibilitando uma visão ampla dos problemas e a busca por soluções. Portanto, o estudo da ecologia urbana não está restrito a profissionais da área ambiental.

Fonte: www.acervir.com.br

Ecologia Urbana

Ecologia urbana: a mudança indispensável…

Uma das questões mais comuns que enfrentamos, face à crescente importância da questão ambiental, diz respeito à necessidade de mudarmos hábitos e padrões de consumo profundamente arraigados. Somos educados, há quase um século, em uma cultura do desperdício, dentro de uma lógica de consumo irresponsável, de industrialização predatória, baseada no pressuposto suicida de que os recursos naturais são ilimitados, da mesma forma que a energia barata.

Porém, é cada vez mais evidente que precisamos combater a crise ecológica e transitar para outro padrão de economia, de atividade industrial e de consumo.

Como fazer isso?

Apresenta-se, por vezes, uma disjuntiva: ou mudanças de consciência e de hábitos práticos do consumidor (quer dizer, reeducação das pessoas e educação das crianças) ou imposição, pelos poderes públicos, de normas e regulamentos aos fabricantes, comerciantes e governos, que seriam obrigados a produzir e tratar de forma sustentável suas mercadorias e serviços. Trata-se de um falso dilema.

É evidente que de nada adianta, por exemplo, separar o lixo para reciclagem se a coleta despejar todos os detritos misturados em um lixão! Também são inúteis legislações que, por falta de respaldo na vida prática das pessoas, não se materializem em novos hábitos e comportamentos, impactando também as atividades produtivas e comerciais. Porém, cidadãos conscientes, atuando politicamente (e não apenas numa perspectiva individual), podem respaldar e impor mudanças na legislação, normas de controle, processos de fabricação e comercializaçã o, procedimentos de fiscalização, etc. Sem isso, as leis ficam no papel.

Tomemos um caso, destacado pelo ambientalista Washington Novaes. “No Brasil, para pilhas e baterias já existe uma resolução (nº 257) do Conselho Nacional do Meio Ambiente, que determina a entrega de pilhas e baterias que contenham cádmio, chumbo, mercúrio e seus compostos, bem como produtos eletroeletrônicos que as incluam, aos estabelecimentos que os comercializam ou à rede de assistência técnica das respectivas indústrias, para que repassem aos fabricantes ou importadores, que deverão reutilizá-los, reciclá-los ou lhes dar destinação final adequada. Mas o cumprimento ainda é escasso, mesmo com o crescimento acelerado da produção de lixo tecnológico” [1]. Esta norma continuará sendo uma legislação “pra inglês ver”, com se dizia no Segundo Império, enquanto não for amplamente publicizada pelos governantes e se tornar um hábito do consumidor.

Para evitar esse tipo de situação e também para politizar de forma cidadã as questões ecológicas urbanas, propomos o lançamento de quatro campanhas. Campanhas em que muito pode ser feito em relativamente pouco tempo, particularmente se as iniciativas dos movimentos organizados e da sociedade civil forem capazes de construir ações de grande exemplaridade.

O decisivo é conduzir as quatro campanhas como uma ação encadeada. Isso permitirá gerar sinergia e induzir uma reflexão sobre a o consumo e o descarte dos produtos:

  1. a) Muitos países têm substituído o uso de sacos plásticos por sacolas e mochilas ou, no limite, por sacos de papel. Campanhas em torno desse tema já vêm sendo desenvolvidas, assim como propostas de restrição ao uso dos sacos plásticos. Mas as iniciativas só prosperarão com uma ampla difusão de informações sobre o caráter nocivo deste tipo de produto – o que exige a participação ativa do comércio, a começar pelas grandes redes varejistas. Precisamos consolidar as campanhas fazendo com que saiam do âmbito individual e sejam assumidas pelos governos, regulamentando e limitando legalmente a utilização das sacolas.
    b)
    O mesmo se passa com a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas frias, muito mais eficientes na relação entre o consumo de energia e a iluminação obtida. Foi um processo iniciado no Brasil no período do “apagão”, mas depois abandonado pelo desleixo governamental. Esta é uma campanha central de conscientizaçã o da sustentabilidade em países como Cuba e Venezuela. Os governos dos países centrais também estão adotando legislações que banem a fabricação de lâmpadas incandescentes. São propostas que deveriam ser seguidas também pelos governos federal, estaduais e municipais, além de empresas.
    c)
    Um terceiro desafio é reverter a tendência ao aumento do consumo da água engarrafada. Este costume arraigou-se profundamente por todo o mundo, já que a água destas garrafas passou a ser vista como segura contra contaminação. Isso até pode ter sentido em países onde os sistemas de tratamento de água são precários, mas não é o caso dos países centrais nem na maior parte do Brasil, onde filtros ou bebedouros são igualmente seguros. Valorizar a água encanada é o primeiro passo de uma mudança que terá que afetar todas as embalagens de plástico, as de maior impacto ambiental.
    d)
    É igualmente indispensável recolher todo material descartado que seja tóxico ou nocivo ao meio ambiente – o que inclui produtos inertes, mas com alto impacto ecológico. É o caso do óleo de cozinha (cuja coleta já é objeto de campanha de uma ONG), de pneus, mas também garrafas de pet, sandálias de plástico e materiais similares. Deve-se, para tanto, fazer valer o que a legislação já estabelece para pilha e baterias, estendendo estes procedimentos para computadores, celulares, eletrônicos, televisores e eletrodomésticos em geral. Isso pode ser agilizado pelos governos municipais e estaduais, com o estabelecimento de postos ou centros de coleta destes materiais, em colaboração com os fabricantes e grandes varejistas. O seu sentido não é somente técnico, mas político, de conscientização da população e mudança de hábitos de consumo e relações com os processos produtivos e o meio ambiente.

Ecologia Urbana

Estas quatro questões devem ser objeto de campanhas cidadãs, com o apoio de empresas (que, em geral, se envolvem nestas atividades como relações públicas) e governos, difundindo a consciência da relação entre padrões de consumo e defesa do meio-ambiente. O mais decisivo, porém, é conduzirmos estas campanhas particulares como uma ação encadeada. Isso permitiria gerar sinergia entre os vários movimentos e induzir uma reflexão sobre a necessidade do consumo e do descarte dos produtos. Tudo isso deve ser trabalhado com uma meta política geral e culminar no desestímulo e proibição da produção e uso de bens de alto impacto ambiental e na generalização da reciclagem dos bens e resíduos descartados como lixo.

Fonte: www.thekey.com.br

Ecologia Urbana

Ecologia urbana!

Termo novo que, ao que tudo indica, assim como sustentabilidade, estará em alta nos próximos tempos. Mas o que vem a ser isso? Tão acostumados que estamos a ter questões ambientais ligadas a campo, florestas, pantanal, geleiras… tudo tão distante do cotidiano das cidades, que nos esquecemos que qualquer lugar do planeta é passível de agressões ambientais, e que a vida urbana, as indústrias e a população que vive nas cidades também convive com essas questões, muitas delas, fazem parte de nosso cotidiano e nem nos damos conta, deixando para os outros a responsabilidade pelo cuidado do planeta.

A ideia de estudar e buscar soluções para os complexos sistemas naturais que existem dentro das áreas urbanas é algo recente que engloba fatores e seres que necessariamente precisam conviver nestas áreas. Mesmo que originalmente não fosse assim, é como se um novo ecossistema tivesse se formado, com particularidades que precisam ser analisadas e problemas que dependem de soluções específicas.

As cidades comumente foram urbanizadas de forma desordenada, o que acarreta problemas sociais e ambientais em proporções cada vez maiores, mas como o termo “ecologia urbana” é ainda pouco usado e muito abrangente, isso dificulta uma ação específica para que se busquem soluções ou se tomem atitudes.

Tudo fica disperso e quando as questões são eventualmente tratadas, isso é feito de forma pontual e esporádica, não chegando nem perto sequer de uma discussão sobre o tema, que dirá da busca de soluções.

Ecologia Urbana

O que se discute hoje são os direitos, ou a falta deles, diante do caos urbano, em que em nome do desenvolvimento econômico, regras básicas são simplesmente ignoradas. Elas vão desde ocupação desordenada e falta de saneamento, até coisas consideradas mais “simples”, mas também de fundamental importância, como os hábitos diários de cada um, que deveriam ser atitudes básicas, como jogar lixo no lixo, economizar água e energia, diminuir emissão de poluentes e respeitar os animais, passam despercebidos e ganham volume maior a cada vez que, em nome do crescimento econômico, a urbanização avança.

Os ecologistas urbanos estudam as relações entre ocupantes de áreas urbanas e os impactos que causam ao ambiente que ocupam, desde grandes áreas invadidas, até pequenos espaços que sobrevivem à ocupação, seja ela de forma regular ou não. Estudam de que maneira e com que intensidade os animais, o solo, a vegetação, o ar, e tudo o mais relacionado à natureza, são agredidos por esta convivência com os humanos e toda a estrutura necessária para a sobrevivência urbana. Mas pesquisas e estudos são ainda muito raros e estes ecologistas encontram sérias dificuldades na tabulação de dados, comunicação e coordenação do trabalho realizado.

Num conceito mais amplo, é possível também responsabilizar de alguma forma a população urbana pelo desmatamento em florestas e regiões mais afastadas, uma vez que os produtores rurais legais, ou os invasores e desmatadores ilegais, têm como principal argumento, que a população do planeta precisa se alimentar, por isso devastam, dizem que o fazem para suprir as necessidades urbanas de consumo, seja ele de alimento, vestuários, couro para calçados e afins, e madeira para móveis e indústrias.

Ou seja, numa grande cadeia produtiva / consumista, o consumo urbano acaba também sendo responsabilizado, devendo arcar com sua parcela de culpa nesta elipse que degrada a natureza.

Ecologia Urbana

Em tese e numa análise simplista seria uma equação fácil, “menos consumo = menos devastação”, mas entre uma coisa e outra encontram-se questões de crescimento econômico, abastecimento, sobrevivência, cidadania, soberania, emprego e questões sociais. Equacionar tudo isso de forma a que todos fiquem satisfeitos não é tarefa fácil, se é que ela seja possível.

Dentro do amplo conceito de ecologia urbana, alguns pontos são preocupantes e de maior relevância, sendo bons indicadores dos efeitos da urbanização e seus impactos destrutivos.

POLUIÇÃO – do ar, a emissão de gases poluentes das mais diversas origens – indústrias, veículos, desmatamento, consumo.

Há de se considerar também poluição visual e sonora.

NASCENTES E LENÇÓIS DE ÁGUA – contaminados ou extintos.

URBANIZAÇÃO – normalmente feita de forma desordenada, não leva em consideração as questões relacionadas a solo, locomoção, habitabilidade, preservação de ecossistemas pré-existentes. Raramente se contemplam áreas verdes nos planos de urbanização de cidades.

DESMATAMENTO URBANO – Pequenas ações simbolizam esse desmatamento, cimentar um jardim, cortar a árvores do quintal ou matar aquela árvore da rua, por exemplo.

RESÍDUOS – A imensa quantidade de resíduos não é adequadamente descartada, e se recicla muito menos do que seria possível.

OCUPAÇÃO DESORDENADA – Invasão de áreas naturais, preservadas ou não, mananciais, encostas e outros espaços sem qualquer planejamento, pode ocasionar desastres em grandes proporções, ceifando vidas e impactanto a natureza.

ENCHENTES – Ocupação desordenada, entulhos e lixos descartados nas ruas, falta de manutenção de vias e galerias, e outros fatores característicos da vida urbana acabam colaborando ou sendo até causador principal de enchentes.

SAÚDE – A saúde é afetada e como reação direta à poluição e ao ritmo de vida frenético, as pessoas ficam mais suscetíveis a infecções, doenças respiratórias, estresse, entre outras.

TRANSPORTE – Veículos individuais e familiares ainda são maioria, o transporte público é precário, e meios alternativos e menos poluentes como, por exemplo, a bicicleta, não encontram infraestrutura para se viabilizarem como transporte de massa.

C O N S U M O – O c o n s u m o desnecessário e o desperdício aparecem de várias formas, desde a compra de inutilidades e para suprir carências emocionais, até o descarte de bens em perfeitas condições de uso, apenas para que se possa ter um modelo mais recente, uma marca melhor ou outro motivo não relacionado à real necessidade.

ALIMENTAÇÃO – Para produzir mais e atender à d ema n d a , h á ma i s desmatamento, uso de agrotóxicos, emissão de gases de efeito estufa nas etapas de produção e transporte, além de imenso desperdício de alimentos na cadeira produtiva e também pelo consumidor final.

INDUSTRIALIZAÇÃO – É praticamente inexistente a preocupação em fazer plantas verdes, buscar uma produção mais limpa ou tratar os resíduos.

SANEAMENTO – Os altos custos do saneamento e o desinteresse em ampliar a rede de tratamento resultam em descarte direto na natureza sem qualquer cerimônia.

ENERGIA – As energias mais usadas causam impacto ambiental, e as energias limpas ou renováveis são praticamente ignoradas na quase totalidade das cidades brasileiras.

CONSCIENTIZAÇÃO / EDUCAÇÃO – É muito recente a discussão sobre o tema, a população em geral é arredia ao assunto, acha que é assunto chato e que não tem qualquer responsabilidade e segue com seus hábitos sem preocupar-se com o futuro. As novas gerações acenam com uma esperança, mas muito há a ser feito.

Desequilíbrio talvez seja a palavra-chave dentro deste conceito. Onde há desequilíbrio entre população, espaço, necessidades da comunidade, necessidades econômicas, necessidades do indivíduo e necessidades da natureza, dificilmente haverá condições de sobrevivência e convívio sem agressões ao meio ambiente.

Não se pode abrir mão da vida urbana, mas é perfeitamente possível diminuir impactos e procurar caminhos que busquem reverter impactos já causados, e assim, evitar danos maiores no futuro.

De acordo com a geógrafa Ruth DeFries da Columbia University, que ao lado de sua equipe analisa o desmatamento nos países vizinhos aos trópicos, utilizando-se de imagens de satélite do Landsat, junto com o instrumento Modis (Espectrorradiômetro de Resolução Moderada de Imagens, em inglês), a forma de desmatar, vem mudando, o que antes aparecia nas imagens como uma “espinha de peixe”, formada por “estradinhas” de desmatamento rumo a uma coluna central, agora aparece em grandes blocos de terra desmatada, supostamente para atender à necessidade de grandes empresas compradoras principalmente de grãos para consumo humano ou rações animais.

Com base em pesquisas em 41 países de alguma forma ligados a desmatamentos, analistas de todo o mundo estão pesquisando e preparando novas estatísticas que ligam desmatamento a crescimento da população urbana, e comércio agrícola interno e externo. O que antes era desmatamento para agricultura e pecuária de subsistência e comércio de pequeno porte, hoje atende a uma crescente demanda de indústrias de grande porte, com o intuito de atender ao consumidor de áreas urbanas.

A população mundial cada vez mais migra para as cidades. A média de ocupação urbana mundial é de 50%, e no Brasil supera os 70%.

Susi Guedes

Fonte: www.rvambiental.com.br

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