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Chorume

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lixo sofre transformações químicas

Todos os materiais que vão para o lixo sofrem transformações químicas.

Os restos de alimentos são decompostos rapidamente por fungos e bactérias, liberando gases malcheirosos e transformando-se num caldo negro denominado chorume.

chorume também contém produtos tóxicos, como o mercúrio e o chumbo provenientes de lâmpadas fluorescentes, baterias, pilhas, tintas etc.

Se o chorume for carregado pela água da chuva pode vir a contaminar o solo, a água e os aquíferos.

Os materiais como plásticos, vidros, latas de alumínio e tantos outros, também sofrem transformações químicas, porém elas são muito lentas quando comparadas com aquelas sofridas por outros materiais como, por exemplo, os restos de alimentos. Essas transformações são tão lentas que, geralmente, não são percebidas durante toda a vida de uma pessoa.

Assim, devemos reduzir o consumo e evitar jogar no lixo restos de alimentos junto com o lixo seco (vidro, plástico, papel e metal). O lixo seco deve ser reciclado, no intuito de preservar o meio ambiente.

Chorume – Aterro Sanitário

Os aterros sanitários são uma das formas mais populares de disposição de resíduos, principalmente porque são a forma menos dispendiosa de disposição de resíduos.

Mais de quatro quintos dos resíduos sólidos urbanos são descartados em aterros sanitários. Os aterros sanitários estão se enchendo rapidamente em todo o país, no entanto, a maioria deles fechará em 2010.

Além disso, muitos têm problemas de resíduos que são sérias ameaças à saúde. Em 1983, havia 184 aterros listados, ou propostos para serem listados, na Lista de Prioridades Nacionais do Superfund.

Um aterro sanitário é um meio projetado de disposição de resíduos. Em um aterro sanitário, os resíduos são espalhados em camadas em uma propriedade, geralmente em terrenos marginais ou submarginais.

O objetivo é espalhar as camadas e depois compactá-las bem, reduzindo bastante o volume dos resíduos. Os resíduos são então cobertos pelo solo.

Os problemas encontrados no despejo a céu aberto, incluindo insetos, roedores, riscos à segurança e riscos de incêndio, podem ser evitados com o aterro.

Um aterro não deve ser localizado em áreas com lençóis freáticos altos. Os padrões de controle de migração de lixiviados devem ser seguidos no projeto, construção e operação de aterros sanitários durante o uso da instalação e durante o período pós-fechamento.

Grande parte dos resíduos em um aterro sanitário se decompõe por meio de processos biológicos e químicos que produzem produtos sólidos, líquidos e gasosos. Os resíduos de alimentos se degradam rapidamente, enquanto os plásticos, vidro e resíduos de construção não. Os tipos mais comuns de gás produzidos pela decomposição dos resíduos são o metano e o dióxido de carbono. O metano, que é produzido pela decomposição anaeróbica de materiais depositados em aterros, é perigoso porque é explosivo. Dependendo da composição do aterro, os gases podem ser recuperados e utilizados na geração de energia ou calor. A ciência da recuperação de aterros sanitários é uma nova tecnologia que é utilizada em muitos países. Infelizmente, em muitos lugares, pântanos e outros terrenos considerados marginais foram usados para aterros. Só agora as pessoas estão se conscientizando do valor das zonas úmidas e outras áreas que foram usadas – especialmente no que diz respeito a habitats sensíveis, biodiversidade e impactos nas águas subterrâneas.

Depois que um aterro atinge sua capacidade, ele é fechado para deposição de resíduos e coberto. Em alguns casos, pode ser usado como pasto, como terra de cultivo ou para fins recreativos.

A manutenção do aterro fechado é importante para evitar a erosão do solo e o excesso de escoamento em áreas desejáveis.

Chorume – O Que é

chorume é um líquido escuro contendo alta carga poluidora, o que pode ocasionar diversos efeitos sobre o meio ambiente.

O potencial de impacto deste efluente está relacionado com a alta concentração de matéria orgânica, reduzida biodegradabilidade, presença de metais pesados e de substâncias recalcitrantes.

A decomposição dos resíduos sólidos, depositados em aterros sanitários, é um processo dinâmico comandado por organismos decompositores de matéria orgânica, sendo em sua maioria bactérias heterotróficas, aeróbias e facultativas. Esta decomposição pode ser descrita pelas fases aeróbia e anaeróbia.

A fase aeróbia ocorre durante o primeiro mês de deposição e recobrimento do lixo na vala. A ação de decomposição é realizada pelas bactérias aeróbias que utilizam o oxigênio presente no interior do aterro.

É mais intensa no início e a medida que o oxigênio vai ficando escasso a decomposição torna-se mais lenta. A presença de águas pluviais exerce grande influência sobre esta fase, pois facilita a redistribuição de nutrientes e microorganismos ao longo do aterro sanitário.

Quando todo o oxigênio é consumido, inicia-se a fase anaeróbia, onde a decomposição ocorre através dos organismos anaeróbios e/ou facultativos que hidrolisam e fermentam celulose e outros materiais presentes no resíduo.

Esta fase é caracterizada pela redução da concentração de carbono orgânico, altos níveis de amônia e largo espectro de metais, representando considerável potencial de risco para o meio ambiente.

A fase anaeróbia pode demorar vários anos para estar completa.

Diversos fatores contribuem para que o resíduo da decomposição do lixo (chorume) seja complexo e apresente significativas variações em sua composição.

Dentre as mais importantes contam-se: dinâmica de decomposição ao longo do tempo, variações na forma de operação do aterro sanitário, na composição dos resíduos depositados, no volume de chuvas e outras alterações climáticas.

Estudos realizados, com amostras de chorume provenientes de diferentes aterros sanitários, demonstraram diferenças significativas em suas composições.

Chorume

chorume era inicialmente apenas a substância gordurosa expelida pelo tecido adiposo da banha de um animal. Posteriormente, o significado da palavra foi ampliada e passou a significar o líquido poluente, de cor escura e odor nauseante, originado de processos biológicos, químicos e físicos da decomposição de resíduos orgânicos. Esses processos, somados com a ação da água das chuvas, se encarregam de lixiviar compostos orgânicos presentes nos aterros sanitários para o meio ambiente.

Esse líquido pode atingir os lençóis freáticos, de águas subterrâneas, poluindo esse recurso natural.

A elevada carga orgânica presente no chorume faz com que ele seja extremamente poluente e danoso às regiões por ele atingidas.

Dá-se o nome de necrochorume ao líquido produzido pela decomposição dos cadáveres nos cemitérios, composto sobretudo pela cadaverina, uma amina (C5H64N2) de odor repulsivo subproduto da putrefação.

A matéria orgânica presente no chorume tem importância na complexação e transporte de metais pesados e na retenção de alguns contaminantes orgânicos.

Aliado a que a matéria orgânica natural presente no solo, além de participar desses processos pode aumentar a concentração de constituintes do chorume na solução do solo e, consequentemente, nas águas.

Desta forma, tanto a matéria orgânica do chorume quanto a do solo e a associação das duas, podem limitar ou tornar inviável o uso dos recursos naturais solo e água.

A matéria orgânica natural do solo apresenta maiores concentrações nas camadas superficiais (< 1,0 m) e diminui com o aumento da profundidade. Ante a sua distribuição no solo, análises da matéria orgânica em amostras de solos contaminados por chorume de resíduos sólidos domésticos podem ser utilizadas para identificar a pluma de contaminação.

Caso sejam encontrados teores de matéria orgânica em áreas sujeitas à influência do chorume (em média profundidade) superiores aos teores da composição química natural dos solos, ou seja, nas áreas não-afetadas, pode ser indicativo de que a pluma de contaminação do chorume já tenha migrado e afetado o solo, até determinada profundidade.

Contudo, apesar da sua importância, a matéria orgânica tem sido muito pouco analisada em solos sujeitos à contaminação devido à disposição inadequada de resíduos sólidos domésticos.

No aterro sanitário, o chorume é captado através de drenos e conduzido ao tanque de equalização que têm a função de reter os metais pesados e homogenizar os afluentes.

Em seguida é conduzido à lagoa anaeróbica onde bactérias vão atacar a parte orgânica, provocando a biodegradação. Para complementar a biodegradação, o chorume é conduzido para a lagoa facultativa, que irá trata-lo por processo aeróbico e anaeróbico. Os efluentes após passarem por este sistema de tratamento e com a redução de sua carga orgânica em torno de 89 a 92% são lançados nos rios, neste momento não causarão mais danos ao meio ambiente.

Chorume – Considerações ambientais

Em todo mundo a disposição final do lixo urbano tem se tornado um sério problema ambiental.

O crescimento rápido da população e as mudanças nos hábitos de consumo têm levado ao aumento considerável na produção de rejeitos sólidos.

lixo descartado pela sociedade urbana é uma mistura complexa e de natureza muito diversa. Como principais constituintes tem-se o material orgânico (resto de alimentos e de material vegetal), papel, vidro, metais e plásticos. A percentagem de cada um desses constituintes é variável e depende do nível de desenvolvimento da sociedade local. Muito do material que é descartado no lixo, tem valor em termos de conteúdo de nutrientes, conteúdo energético ou como recurso a ser reciclado e reutilizado. Por isso, nos últimos anos, vários estudos têm enfatizado a importância e o potencial associado à reciclagem do lixo doméstico e destacado o impacto que isso pode exercer na redução da quantidade do rejeito para disposição final, além de reduzir o impacto no meio ambiente.

O principal método usado para armazenar o lixo domestico é a sua colocação em aterros sanitários, que de um modo bem simplificado pode ser descrito como uma grande escavação no solo, revestida por uma camada de argila e/ou membrana de material plástico, onde o lixo é compactado em camadas e coberto com solo ao final das operações diária. Deste modo, o aterro é formado por muitas pilhas adjacentes, cada uma correspondente ao lixo de um dia.

Após completar uma camada de pilhas, uma outra é iniciada até o total preenchimento da cavidade. No final, o aterro é coberto com um metro ou mais de solo, mas preferivelmente com um material impermeável a chuva, do tipo argila, podendo ainda ser colocado sobre a argila uma geomembrana fabricada de material plástico.

A descarga de resíduos sólidos em locais inadequados, pode causar os seguintes problemas ambientais:

Alterar a qualidade do ar em função das emanações de gases e poeiras;
Poluir as águas superficiais e do subsolo pelos líquidos percolados (chorume) e pela migração de gases;
Agredir esteticamente o solo devido ao espalhamento do lixo;
Atrair diversos vetores causadores de enfermidades, como por exemplo ratos, moscas, baratas, etc.

Se na sua cidade existe um lixão exija do governo providências imediatas para a solução do problema. Os lixões ferem as normas de Saúde Pública e poluem o meio ambiente.

Lembre-se que nós contribuímos com impostos e que é nosso direito ter a nossa saúde assegurada.

O que acontece com o lixo dentro do aterro?

Inicialmente é decomposto (degradado) aerobicamente (na presença de oxigênio) e depois via anaeróbia (sem oxigênio) e após meses ou ano, a água das chuvas mais o líquido do próprio lixo e as águas subterrâneas que se infiltram no aterro, produzem um líquido chamado de chorume. O chorume em geral contem ácidos orgânicos, bactérias, metais pesados e alguns constituintes inorgânicos comuns, como cálcio e magnésio.

Uma fração gasosa também é formada no processo de degradação, inicialmente contendo ácidos carboxílicos e ésteres voláteis, responsáveis pelo cheiro doce e enjoativo que emana do aterro. Depois, forma-se o gás metano que é liberado para atmosfera ou que é queimado em respiros a medida que é liberado, podendo também ser aproveitado como fonte energética.

A sua simples liberação na atmosfera não é desejável pois ele é um dos contribuintes para o efeito estufa.

chorume precisa ser contido, não pode vazar pelas paredes e fundo do aterro nem transbordar para não contaminar o solo, águas subterrâneas e superficiais.

Em resumo, precisa ser coletado com freqüência e tratado para posterior descarte. Em alguns aterros o chorume coletado volta para o aterro para sofrer um segunda degradação biológica, mas esta prática é desaconselhável nos Estados Unidos.

Nos últimos dias, temos assistido pela mídia algumas discussões em relação ao projeto do Aterro Sanitário de Aracaju e da proposta de sua localização na Imbura.

Em termos ambientais achamos que dois itens principais devem ser considerados: a fração gasosa e a fração liquida (chorume) formadas no processo de degradação.

Pelas especificidades do local proposto para receber o aterro centrarei as minhas considerações na fração líquida – chorume.

chorume sem duvida nenhuma é o maior problema ambiental associado a operação e gerenciamento de aterros sanitários, por causa da considerável poluição que pode causar em contato com o solo, águas superficiais e subterrâneas.

O problema surge quando o aterro opera sem uma adequada impermeabilização das paredes e fundo e sem um eficiente sistema de coleta e tratamento do chorume antes da sua destinação final.

Tradicionalmente, para impermeabilização de aterros usa-se argila natural compactada. Este tipo de revestimento, algumas vezes, não se mostrou eficiente, apresentando vazamentos em consequência da existência de fraturas naturais e macro poros. A literatura especializada tem mostrado que argilas naturais retêm menos que 95% do líquido e isso é insuficiente para garantir a qualidade da água dos aquíferos da região é necessário conter pelo menos 99% do chorume.

Os revestimentos sintéticos, que também são usados, tanto a base de polímeros lineares (ex. polietileno de alta densidade) como de argilas artificiais têm apresentado uma retenção entre 70 e 95%.

Recentemente foram desenvolvidos revestimentos de argilas terciárias de elevada elasticidade plástica (Engineering Geology, 1999) e os resultados até agora obtidos são promissores.

Considero que antes de se bater o martelo em relação a viabilidade ou não da localização do aterro sanitário na Imbura, duas questões precisam ser respondidas:

O processo de impermeabilização a ser utilizado garante 100% de retenção do chorume?

Não vale aqui respostas do tipo, o material previsto para revestimento é o mesmo que foi usados nos locais tais e tais e deu certo. É preciso que se demonstre que este revestimento que está sendo proposto, funciona num local com as características geológicas e hidrogeológicas da Imbura e com eficiência maior que 99%.

Assumindo que a primeira questão está resolvida, qual o sistema de coleta, tratamento e destinação final previsto para o chorume que será produzido no aterro?

Se o sistema não for eficiente, corre-se o risco de trasbordamento para o ambiente, principalmente no período chuvoso.

É preciso também definir todo os procedimentos de monitoramento das emanações atmosféricas e das águas subterrâneas e superficiais adjacentes ao aterro, e as ações de controle e correção a serem adotadas no caso de um possível vazamento.

Sabemos da urgência da solução para o problema do lixo de Aracaju, mas não podemos correr o risco de criar no futuro, um problema maior e de muito mais difícil solução.

Chorume – Solo Natural

Tanque de chorume – Aterro Sanitário

A compactação do solo natural nas bases de aterros para resíduos, mesmo que arenoso, constitui uma forma pouco custosa de preparação, resultando na redução da permeabilidade e garantindo um confinamento maior da fase líquida.

Para tanto, necessita-se de um conhecimento adequado dos processos envolvidos no escoamento do chorume, principalmente nas primeiras camadas da base para aterros sanitários, seja sob condições naturais ou compactadas.

O objetivo principal do trabalho foi avaliar e comparar os efeitos do escoamentos do chorume > de um aterro sanitário com idade de oito anos e de água potável, sobre as camadas iniciais de um solo arenoso fino, através do acompanhamento das características do escoamento em meio não saturado, considerando-se:

1) uma base natural, sem compactação e
2)
 outras bases compactadas com diferentes níveis de energia, baseadas no Proctor Normal.

Em relação ao escoamento de chorume não foram observadas alterações significativas para as duas colunas com menor grau de compactação (70% e 80% do Proctor Normal), assemelhando-se ao comportamento das primeiras colunas submetidas à alimentação com água. Por outro lado, os solos compactados com graus de 85 e 90%, apresentaram entre si comportamentos semelhantes, com redução crescente do fluxo para valores inferiores a 100 ml mensais ou o equivalente a 6,1 x 10-7 cm/s.

Tal fato demonstra suscetibilidade à colmatação do solo compactado estudado com graus maiores ou iguais a 85%, promovida pelas partículas em suspensão e pelo desenvolvimento provável de flocos e películas biológicas, reduzindo a permeabilidade a valores extremamente baixos, compatíveis com um solo argiloso.

A disposição direta dos resíduos domésticos no solo é a forma corrente de disposição para a maioria dos municípios brasileiros. Sendo uma prática comum de destinação de lixo ao longo de muitos anos, até momento poucos estudos têm sido conduzidos para avaliar os efeitos provocados principalmente pelo lixiviado ou chorume, que se infiltra no solo.

Além disso, a maioria dos estudos não fornece subsídios para determinar qualitativamente os efeitos sobre o solo e sobre o próprio líquido que escoa por meio poroso. Em função das indefinições encontradas, verifica-se que as condutas adotadas pelos técnicos e aquela estabelecida pela legislação impõem a adoção de sistemas totalmente confinantes.

A adoção de tais critérios, na realidade, acaba inviabilizando os pequenos municípios geradores do lixo doméstico, principalmente pela obrigatoriedade do emprego de mantas geossintéticas para impermeabilização dos respectivos aterros sanitários. Alia-se a esta alternativa, a necessidade de uma operação mais custosa.

Por outro lado, quanto maiores são as exigências técnicas, menores serão as possibilidades para que um pequeno município atenda-as integralmente, transformando o que poderia ser um aterro viável em um sistema desordenado de disposição de resíduos.

Uma solução intermediária para restringir o escoamento do chorume para os aquíferos subterrâneos, é a compactação do solo da base, reduzindo sua permeabilidade. Desta forma, o conhecimento dos processos envolvidos nesse escoamento, através das condições de permeabilidade natural e do solo compactado, diante do escoamento de chorume, permitiria estabelecer quais parâmetros deveriam ser avaliados para viabilizar ambientalmente as instalações, e também definir potencialmente sua capacidade de confinar e atenuar os eventuais impactos sobre o solo.

O conhecimento adequado dos processos envolvidos no escoamento do chorume em solos arenosos, ao longo das primeiras camadas do subsolo, sob condições naturais ou compactadas de permeabilidade, permite observar as condições transitórias mais importantes do processo de transporte de contaminantes.

A compactação de um solo arenoso nas bases de aterros constitui uma forma pouco custosa de preparação, resultando na redução da permeabilidade e garantindo um confinamento maior do chorume, sem, contudo atingir os valores exigidos pelos órgãos ambientais.

Neste caso, torna-se fundamental conhecer os mecanismos envolvidos, que permitam avaliar e quantificar eventuais impactos, assim como estabelecer critérios específicos para execução e operação do sistema de disposição de resíduos.

Como descrito por Daniel (1993), o procedimento de compactação visa a criação de uma barreira protetora, denominada de liner, considerada como revestimento de base e laterais em aterros e obras similares, ou como cobertura final dos aterros.

Como revestimento de base são indicadas quando se deseja retardar ao máximo a migração de contaminantes no solo, saturados ou não, de forma a atenuar a concentração dos contaminantes quando atingirem águas subterrâneas.

McBean et al (1995) e Qasin et al (1994) descrevem que os solos naturais apresentam um sistema complexo e dinâmico em que interagem continuamente os processos físicos, químicos e biológicos.

O solo é um sistema heterogêneo e polidisperso de componentes sólidos, líquidos e gasosos, em diversas proporções, e são também bastante porosos e constituem corpos quimicamente solventes pela presença de água em seus interstícios. Os solos consistem de compostos quimicamente inertes, de substâncias de alta ou baixa solubilidade, de uma grande variedade de compostos orgânicos e de organismos vivos e ainda apresentam um meio favorável no qual ocorrem atividades biológicas complexas de forma simultânea.

A força de interação e a predominância de uma reação sobre outra é controlada pelos constituintes específicos do solo.

As interações solo-chorume e as reações físico-químicas envolvidas durante a percolação, resultam na atenuação da carga de contaminantes do chorume.

Esse processo de atenuação resulta na redução da concentração de contaminantes durante o respectivo transporte através do solo.

As principais formas de atenuação estão incluídas nos seguintes mecanismos básicos: físico (filtração, difusão e dispersão, diluição e absorção); químico (precipitação/dissolução, adsorção/desorção, complexação, troca iônica e reações de redox); e microbiológico (biodegradação aeróbia e anaeróbia).

Chorume – Características

chorume, também conhecido como sumeiro, chumeiro, lixiviado ou percolado, apresenta altos teores de matéria orgânica e de substâncias inorgânicas (metais pesados), além de uma grande variedade de compostos orgânicos tóxicos. Segundo Sisinno e Oliveira (2002) podem ser encontradas mais de cem substâncias tóxicas em amostras de chorume proveniente da decomposição do lixo urbano, dentre elas o arsênio, chumbo, cádmio, mercúrio, etc.

De acordo com estes autores, a fração orgânica encontrada no chorume é composta tanto por proteínas, carboidratos e lipídios quanto por poluentes orgânicos persistentes benzeno, tolueno, acetona, fenol e outros.

Quanto à fração inorgânica (metais pesados), as concentrações variam de acordo com o tipo de resíduo depositado no aterro, aumentando quando há despejo inadequado de resíduos industriais.

Impactos do chorume no Meio Ambiente

chorume é, sem dúvida, um dos grandes problemas ambientais e de saúde pública relacionados à operação e gerenciamento de aterros sanitários. Quando operados inadequadamente, podem causar poluição do solo, das águas superficiais e subterrâneas, além da proliferação de vetores de doenças, tais como ratos, baratas, moscas, vermes, vírus e etc.

Apesar da grande variabilidade no tocante à sua composição química, o chorume é comumente despejado nos ecossistemas aquáticos.

Uma das primeiras alterações observadas é a redução do teor de oxigênio dissolvido (OD), elevando a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). Quando o OD desaparece ou é reduzido significativamente, os organismos aeróbios podem ser extinguidos da biota aquática cedendo lugar aos anaeróbios, responsáveis pela liberação de gases como CH4 e NH3, sendo este último tóxico para a maioria das formas de vida superiores.

A contaminação do solo ocorre através da infiltração do chorume, de modo que os poluentes presentes no líquido penetram no solo, modificando drasticamente as suas características físicas, químicas e biológicas, podendo ainda, inviabilizar o uso deste recurso, bem como o das águas subterrâneas, caso consiga alcançá-las.

O teor de matéria orgânica do chorume pode aumentar a solubilidade em água de metais e outros compostos facilitando sua lixiviação e percolação, elevando o risco de contaminação de lençóis freáticos, aqüíferos, lagos e rios.

O chorume pode permanecer por muitos anos após o encerramento das operações do aterro, fazendo-se necessário o monitoramento do líquido durante décadas.

Quando em contato com as águas superficiais e/ou subterrâneas, o chorume tende a alterar significativamente as características naturais dos corpos hídricos, tornando-os impróprios para o consumo e até mesmo para a sobrevivência dos organismos aquáticos. De acordo com Souza (s.a), as águas subterrâneas sofrem um impacto não visível envolvendo geralmente longos períodos de tempo, pois dependendo da composição litológica do aqüífero, os contaminantes podem migrar a velocidades muito lentas.

Em virtude da carga de matéria orgânica e da presença de poluentes tóxicos, o chorume pode causar um grande número de alterações na fauna e flora dos ecossistemas, afetando todos os seres que compõem a cadeia alimentar. Através da ingestão de peixes e alimentos contaminados pelo alcance d chorume à biota aquática, podem ocorrer inúmeras alterações no organismo humano, o qual encontra-se no topo da cadeia trófica.

Assim, pelo que foi exposto fica evidente que devem ser feitos esforços para minimizar a formação do chorume, controlar o seu percurso no meio ambiente, tratando-o antes do seu descarte, evitando assim, a contaminação do solo e das águas superficiais e subterrâneas.

PARÂMETROS UTILIZADOS PARA AVALIAR AS CARACTERÍSTICAS DO chorume

Para avaliar a toxicidade e a presença de compostos tóxicos no chorume têm sido utilizados vários parâmetros.

Oliveira & Pasqual (2002), avaliando a qualidade da água subterrânea próxima a um depósito de resíduos sólidos em Botucatu SP, utilizaram como parâmetros analíticos: pH, DQO (Demanda Química de Oxigênio) e metais pesados (Cd, Pb, Cr,Ni e Zn).

Para avaliar a composição dos líquidos percolados do aterro sanitário de São Giácomo (Caxias do Sul RS), Pessin et al. (1997) analisaram os mesmos parâmetros citados, além da alcalinidade, condutividade, DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), teor de sólidos (totais, suspensos e dissolvidos), nitrogênio (total e amoniacal), fosfato, prata (Ag), arsênico(Ar), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn), selênio (Se), estanho (Sn) e mercúrio (Hg).

Segundo Macêdo (2002), a Demanda Química de Oxigênio (DQO) expressa a quantidade de oxigênio consumido em meio ácido para degradar a matéria orgânica.

A condutividade é a capacidade da água transmitir a corrente elétrica e o teor de sólidos representa as impurezas presentes na água e são classificados de acordo com o seu tamanho.

Os parâmetros mais utilizados para avaliar as características do chorume são pH,metais pesados e DBO. Porém, apenas as análises físico-químicas do chorume não permitem avaliar eventuais impactos em organismos de ecossistemas aquáticos. Para esta avaliação é fundamental o uso de bioindicadores ou testes ecotoxicológicos.

Estes testes constituem uma importante ferramenta para fornecer resposta adicional no que se refere às conseqüências para o meio ambiente.

Testes Ecotoxicológicos

Considerando que efluentes como o chorume podem impactar de forma severa em ecossistemas aquáticos, exigindo uma avaliação criteriosa dos contaminantes presentes de forma qualitativa e quantitativa, e em função da grande complexidade desta matriz com uma infinidade de compostos químicos e possíveis interações entre os mesmos, os testes ecotoxicológicos podem ser adequados para este tipo de avaliação.

O uso de bioindicadores assume que uma determinada espécie, representante de um certo nível trófico, ao perceber a toxicidade existente em uma matriz ambiental, pode sugerir que o ecossistema ao qual faz parte também será afetado pela toxicidade daquela matriz. Neste contexto um dos organismos mais utilizados como bioindicador, é a Daphnia magna (MENEZES et al., 2004).

FUNDAMENTOS DA ECOTOXICIDADE

O emprego dos testes de toxicidade permite avaliar os possíveis impactos que a simples caracterização física e química da água não revela.

Sabe-se que apenas a análise físico-química não é suficiente para se definir a toxicidade das substâncias, uma vez que pode haver processos sinérgicos e antagônicos sobre os organismos.

Como complemento aos testes convencionais, têm-se utilizado organismos como bioindicadores. Estes testes são conhecidos como testes ecotoxicológicos uma das ferramentas de um novo campo da ciência (Ecotoxicologia ou Toxicologia Ambiental) que estuda os efeitos adversos das substâncias tóxicas, principalmente, sobre os ecossistemas aquáticos. Pois, a presença de substâncias tóxicas no meio ambiente pode causar inúmeras alterações nos organismos que entram em contato com estas substâncias, incluindo efeitos carcinogênicos,mutagênicos e teratogênicos.

Quando expostos à contaminantes ambientais, os bioindicadores reagem de forma a modificar as suas funções vitais normais, fornecendo assim, respostas acerca das condições ambientais do corpo hídrico.

As reações comumente observadas são redução do crescimento de uma população, perda da capacidade reprodutiva, mudanças fisiológicas e morfológicas, redução de tamanho, morte, entre outras.

De acordo com Azevedo (2003), muitas vezes, um determinado xenobiótico por si só não causa efeitos adversos na biota, porém, quando interage com outras substâncias, pode produzir derivados mais tóxicos, acarretando graves danos em todo o ecossistema. Assim, a aplicação dos testes ecotoxicológicos faz-se necessário para auxiliar o monitoramento de lançamento de efluentes nos corpos receptores (geralmente recursos hídricos), de modo que não haja alteração na biota aquática decorrente da toxicidade de determinados compostos.

Fonte: dspace.comiteitajai.org.br/www.vivaterra.org.br/www.encyclopedia.com/www.rnufs.ufs.br/www.quimica.ufpr.br

 

 

 

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