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Efeito El Niño

 

Zebiak e Mark Cane, cientistas e pesquisadores do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade de Colúmbia, haviam criado modelo computadorizado de previsão de tempo que indicou corretamente as ocorrências do El Niño em 1982, 1986 e 1991, e havia previsto reaparecimento em 1998.

Mas os dados na tela de Zebiak enviados por monitores de satélite e de superfície marinha espalhados pelo Pacífico eram inequívocos: o El Niño já se iniciava. Imensa lagoa de água morna - maior do que os Estados Unidos, com profundidade de cerca de 180 metros - arrastava-se para o leste, em direção à América do Sul.

Em junho, a direção dos ventos alísios equatorias inverteu-se de oeste para leste. Segundo os Centros Nacionais de Prognósticos para o Meio Ambiente, a última vez ocorreu no inverno de 1982-1983. Foi o El Niño mais devastador dos últimos tempos.

Em setembro de 1996, as águas ao largo da costa da região norte da Califórnia estavam oito graus mais quentes, e ao largo da costa de Washington pescadores atônitos capturavam um marlim, alvo de pesca esportiva que raramente se desvia tanto para o norte. Tempestades inundavam a região do Chile, e nevascas de força incomum nos Andes isolaram centenas de pessoas em meio ao frio cortante.

Zebiak e Cane acompanharam a evolução dos acontecimentos. Se o El Niño deste ano continuar a crescer, poderá ser o mais forte dos últimos 150 anos.

O que é o El Niño?

O fenômeno El Niño é uma mudança no sistema oceano-atemosfera do Pacífico-Leste provocada pelo aumento anormal da temperatura da superfície da água do mar nessa região, seguindo mais ou menos a linha do Equador(área central do oceano Pacífico).

O nome El Niño (significa "menino" em espanhol) foi dado séculos atrás por pescadores peruanos que observavam, em alguns anos, considerável diminuição da quantidade de peixes na costa peruana e morte de pássaros que se alimentavam dos mesmos. A diminuição da quantidade de peixes é devida ao aumento da temperatura da água, dificultando sua sobrevivência. Como tal fato sempre ocorria próximo ao Natal foi denominada "El Niño" em homenagem ao nascimento do menino Jesus.

O que ocorre normalmente sobre as águas da faixa tropical do Pacífico é o vento soprando de leste para oeste(em direção à Ásia) acumulando a água mais quentes(água de toda a superfíce da faixa tropical que foi aquecidas pelo Sol) no setor oeste do mesmo, deixando o nível do oceano na Indonésia meio metro acima do nível da costa oeste da América do Sul. Assim, na costa sul-americana a temperatura da água é cerca de 8°C mais fria e rica em nutrientes para o ecossistema marinho.

Efeito El Niño
Condições normais

Em anos de El Niño, os ventos leste-oeste enfraquecem chegando, em algumas áreas na faixa tropical, a inverterem o sentido soprando de oeste para leste.

Logo, a água mais quente do oeste é "empurrada" para o leste, deixando a água da costa oeste da América do Sul com temperaturas acima da média, e abaixo da média a água da região da Indonésia e norte/nordeste da Austrália.

Efeito El Niño
Condições de El Niño

A anomalia da temperatura dessa parte do oceano provoca mudanças climáticas regionais e globais. Na própria faixa tropical há um deslocamento do ar deixando as áreas menos chuvosas com índices de chuva mais elevado(Indonésia e Austrália) e as áreas mais chuvosas com índices de chuva menos elevados(oeste da América do Sul). Como na atmosfera não há barreiras, tais mudanças na faixa tropical passam a afetar todo o globo terrestre. A figura abaixo mostra os efeitos do El Niño para diversas partes do globo no período de dezembro/97 e fevereiro/98.

O que ele provoca??? (Impactos)

Os Impactos globais provocados pelo El Niño foram ilustrados na Figura 1(tópico: "O que é o El Niño) de maneira geral. Como podemos perceber nos últimos dias, o verão do Hemisfério Sul está c/ índices de chuva acima da média no nordeste africano, sudeste americano e região costeira do Peru, e abaixo no sudeste africano, norte da Austrália, Filipinas e Indonésia. Já o inverno do Hemisfério Norte está com o clima mais seco no Paquistão e nordeste da Índia(as monções tem sido iregulares em partes do território indiano), mais frio e úmido no sudeste dos Estados Unidos e mais quente no nordeste.

No Brasil, o El Niño está provocando:

Região Norte: diminução das chuvas no nordeste e leste da Amazônia.
Região Nordeste:
itensificação na seca nordestina que irá agravar-se no período de fevereiro/98 a junho/98(período no qual seria a estação chuvosa do semi-árido nordestino).
Região Cento-Oeste:
temperaturas mais altas e menos chuvas.
Região Sudeste:
na maior parte da região há elevação da temperatura e secura do ar, e em algumas área aumento de chuvas.
Região Sul:
aumento de chuvas principalmente na faixa do Rio Grande do Sul ao Paraná.

Algumas previsões dizem que os impactos do El Niño no Brasil serão consideráveis neste verão, ainda piores do que os registrados em 1982 e 1983.

É muito provável que no sul do país haja inundações, e no nordeste, seca. O El Niño deverá formar um bloqueio das frentes frias vindas do sul, na altura de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Com isso, a formação de nuvens sobre o Estado do Rio de Janeiro será prejudicada, resultando na inibição das chuvas típicas das tardes de verão. O fenômeno atinge proporções gigantescas que poderá até causar uma temperatura de 42ºC no Rio de Janeiro em pleno inverno.

As chuvas de monção asiáticas talves falhem, resultando em escassez de alimentos no subcontinente indiano. Na Austrália, onde o El Niño tipicamente significa seca, já está em andamento um programa rigoroso de conservação de água.

Tudo isso, é claro, poderia afetar a economia global. Secas no Brasil e inundações na Colômbia podem resultar em alta nos preços do café e de outros produtos agrícolas. E a pesca comercial, desde o Equador até a Califórnia, já está sofrendo prejuízos.

El Niños Passados

A maioria ds pessoas pensam que o El Niño é um fenômeno recente devido à sua divulgação maciça pela mídia que está acontecendo no momento. Mas o que poucos sabem é que o El Niño é um fenômeno que persiste há milhares de anos e só agora os cientistas estão conseguindo montar esse grande quebra-cabeça.

Nós só podemos imaginar o que as civilizações anteriores pensavam sobre essas mudanças do clima em alguns anos e quais deuses culpavam pelas secas, falta de peixes, muita chuva.

La Niña

Quando há anos de El Niño, quase sempre há logo após anos de La Niña(significa "menina" em espanhol). O fenômeno La Niña caracteriza-se por um resfriamento da água na faixa equatorial do Oceano Pacífico, em particular no centro-oeste da bacia. Mas a magnitude de tal resfriamento é bem menor que a magnitude do aquecimento da água no El Niño, não afetando tanto no clima global.

Sabemos que, normalmente, a água do Oceano Pacífico é mais aquecida na região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália(centro-oeste da bacia) e mais fria na região da América do Sul(centro-leste da bacia). Isso caracteriza o vento da região equatorial do Pacífico soprando de leste para oeste, "empilhando" a água mais aquecida no setor oeste.

Quando ocorre o fenômeno La Niña, as temperaturas do oceano ficam acima da média no setor centro oeste da bacia e abaixo no setor centro-leste, fazendo com que os ventos que sopram de leste para oeste intensifiquem-se ou mantem-se na média. Assim, fortalece-se a formação de nuvens e consequente chuvas no setor centro oeste, principalmente na região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália, provocando um ar seco e frio na parte centro leste da bacia principalmente na costa oeste da América do Sul.

Não existem, cientificamente, resultados de estudo sobre a influência do fenômeno La Niña com anomalias climáticas sobre o Brasil. Mas o que se tem observado é que em anos de La Niña as chuvas tendem a ser menos abundantes no Sul e, em geral, mais abundantes no Nordeste(vale comentar que nem sempre em anos de La Niña as chuvas foram acima da média, principalmente no setor norte do Nordeste, que tem seu período chuvoso de fevereiro a maio).

Sensacionalismo...

O El Niño é um fenômeno de estudo recente por cientistas, não podendo, assim, ser afirmado que todas as mudanças climáticas são provocadas por ele.

Mas, a mídia muitas vezes taxa o El Niño como um vilão e até mesmo um demônio.

Por exemplo:

Na Indonésia, houve incêndios florestais fora de controle nos meses de setembro e outubro de 97 que encobriu de fumaça parte do sudeste asiático. Quem colocou fogo nas florestas foram fazendeiros, que para preparar o solo para o plantio iniciaram queimadas, mas culparam o El Niño. O El Niño apenas agravou a situação por deixar a região mais seca do que o normal, mas não colocou fogo nas florestas!!!!

Você se lembra da queda de um avião Airbus A300-B4 que matou 234 pessoas na própria Indonésia??? A culpa foi do El Niño segundo a mídia. Há rumores de que a queda tenha sido causada pela fumaça dos mesmos incêndios "que o El Niño provocou".

O El Niño também trouxe impactos positivos para o planeta. Há estudos que constataram que de forma indireta sempre que há um aquecimento no clima do planeta inicialmente há um aumento na quantidade de dióxido de carbono, mas nos dois anos que se seguem ocorre um processo de redução de dióxido de carbono na atmosfera, atenuando o Efeito Estufa.

Além disso observou-se que durante o El Niño o número de furacões tropicais no Atlântico se reduz durante o ano, isto acontece pois os ventos de altitudes elevadas criados pelo fenômeno cortam os cimos dos furacões no Atlântico, abortando-os antes que alcancem força total.

No Instituto Weizmann de Israel, a equipe de cientistas que estudou fotos das nuvens por satélite concluiu que o El Niño pode trazer preciosa umidade para o seco Oriente Médio.

Não devemos esquecer que o fenômeno El Niño é de recente estudo e não de recente acontecimento. Há dados de anos de El Niño ocorridos por volta de 1500!!!

Fonte: www.geocities.com

Efeito El Niño

El Niño é o nome dado a um fenômeno que ocorre nas águas do pacífico e que altera as condições climáticas em diversas partes do mundo. Este nome foi dado por pescadores do Peru em razão de a costa do país ser muito atingida pelo fenômeno e causar graves danos aos pescadores, principalmente.

O El Niño dura de 12 a 18 meses em média em intervalos de 2 a 7 anos com diferentes intensidades. Quando ocorre o fenômeno as mudanças do clima são diferentes em cada parte afetada do mundo como por exemplo secas no sudeste asiático, invernos mais quentes na América do norte e temperaturas elevadas na costa oeste da América do sul, que faz com que os pescadores do Peru sejam prejudicados.

Todas estas mudanças ocorrem devido ao aumento da temperatura na superfície do mar nas águas do pacífico equatorial, principalmente na região oriental. Isto faz com que a pressão na região diminua, a temperatura do ar aumente e fique mais úmido, no pacifico oriental. Esta mudança nesta parte do mundo causa uma mudança drástica de direção e velocidade dos ventos a nível global fazendo com que as massas de ar mudem de comportamento em varias regiões do planeta.

Efeitos do El Niño no Brasil

Os efeitos do El Niño no Brasil causam prejuízos e benefícios.

Mas os danos causados são muito maiores que os benefícios, então para o Brasil o fenômeno é muito temido, principalmente por agricultores. A região sul é, talvez, a mais afetada. Em cada episódio do El Niño é observado na região sul um grande aumento de chuvas e o índice pluviométrico, principalmente nos meses de primavera, fim do outono e começo de inverno, pode sofrer um acréscimo de até 150% de precipitação em relação ao seu índice normal. Isto faz com que nos meses da safra a chuva atrapalhe a colheita e haja graves prejuízos aos agricultores, principalmente de grãos.

Estas chuvas também podem atingir o estado de São Paulo.

As temperaturas também mudam na região sul e sudeste e é observado invernos mais amenos na região sul e no sudeste as temperaturas ficam ainda mais altas em relação ao seu valor normal.

Este aumento de temperatura no inverno trás benefícios para os agricultores da região sul e do estado de São Paulo por não sofrerem os prejuízos da geada.

No estado de São Paulo na maioria dos episódios não é registrada geadas com intensidade o suficiente para matar as plantações. No leste da Amazônia e no nordeste ocorre uma diminuição no índice de chuvas.

Algumas áreas do sertão nordestino podem ficar sem registrar nenhum índice de chuva nos meses de seca e nos meses em que pode chover não chove, sendo assim as secas duram até 2 anos em períodos de El Niño. Mas os períodos de seca não se limitam apenas ao sertão e até mesmo no litoral há um grande déficit de chuva.

Os agricultores do nordeste também são prejudicados pela falta de chuva e sofrem graves perdas para a agricultura.

Fonte: www.climabrasileiro.hpg.ig.com.br

Efeito El Niño

O que é

Denomina-se «El Niño» ao aumento anormal na temperatura da superfície do mar na costa oeste da América do Sul, durante o verão no hemisfério sul. Esta ocorrência de águas quentes foi identificada séculos atrás por pescadores peruanos, que deram o nome de El Niño (menino, em espanhol) ao observarem anos em que ocorria uma enorme diminuição na quantidade de peixes, sempre próxima ao Natal (nascimento do menino Jesus).

Este fenômeno, que se apresenta normalmente em intervalos de dois a sete anos, caracteriza-se com a temperatura da superfície do mar e a atmosfera sobre ele apresentando uma condição anormal durante um período de doze a dezoito meses. Entretanto, com as alterações climáticas que vêm ocorrendo no planeta, tanto a periodicidade quanto a duração ou mesmo a época têm variado.

O que ocorre com El Niño

Quando ocorre o fenômeno El Niño, as temperaturas das águas superficiais ficam acima da média no setor leste da bacia (costa oeste da América do Sul) e em torno ou até abaixo no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália) desta bacia. Os ventos relaxam chegando, em algumas áreas na faixa tropical, a inverterem o sentido soprando de oeste para leste. Esta condição, associada ao enfraquecimento de um sistema de alta pressão em superfície (que gira no sentido anti-horário) atuante no sudeste do Pacífico preferencialmente junto à costa do Chile, favorece ao aquecimento das águas no setor leste da bacia.

O que ocorre normalmente

Normalmente os ventos tropicais sopram em direção à Ásia (de leste para oeste) nesta área do oceano Pacífico, "empilhando" as águas mais aquecidas no setor oeste do mesmo, fazendo com que o nível do oceano na Indonésia fique cerca de meio metro acima do nível da costa oeste da América do Sul.

A temperatura na superfície do mar é cerca de 8°C mais elevada no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália), sendo que a temperatura menor na costa oeste da América do Sul deve-se as águas frias que sobem de níveis mais profundos do oceano.

Estas águas frias são ricas em nutrientes, permitindo a manutenção de diversos ecosistemas marinhos e atraindo cardumes.

Em anos sem El Niño há forte movimento ascendente (formação de nuvens e consequente chuvas) no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália) e movimento subsidente (de cima para baixo, de ar seco e frio) na parte leste, em particular na costa oeste da América do Sul. Este fato inibe a formação de nuvens acarretando a ocorrência de pouca chuva nessa última região.

EFEITOS DO EL NIÑO NO ESTADO DE SANTA CATARINA

As conclusões sobre as relações entre El Niño e o aumento da precipitação em Santa Catarina são feitas pela observação que ocorre normalmente nesses anos no Estado. Essas observações, indicam que existe um aumento na precipitação média e no número de cheias no Estado nos anos de El Niño. Nota-se, também, que o efeito do El Niño no Estado depende da intensidade do mesmo, sendo que nos anos El Niños de forte intensidade o efeito em Santa Catarina é mais pronunciado.

Estudos estatísticos mostram que, normalmente, durante o final do inverno e primavera, inicia o período de maior influência do El Niño em Santa Catarina, devendo manter essa influência durante todo o ano seguinte.

O El Niño faz com que os ventos em altos níveis (12 Km de altura), chamados de Jato Subtropical, (fig. 6) sejam mais intensos que o normal e, assim, as frentes frias ficam estacionárias sobre o Sul do país. Dessa forma, a precipitação e temperatura média do inverno observadas em anos de anomalias positiva (El Niño), sejam acima da média climatológica.

Apesar de fases positivas (El Niño) estarem associadas à grande probabilidade de ocorrência de um número de cheias acima da média no Estado, isso não significa necessariamente que em anos de El Niño ocorram enchentes em uma bacia hidrográfica em particular. A ocorrência de cheias dependem do tamanho da bacia e da posição e período de tempo que a frente fria ficar estacionária, além da intensidade da chuva.

Além do El Niño, existem outros fatores que influenciam na climatologia de chuvas e enchentes no Estado. As temperaturas do Oceano Atlântico, na costa catarinense, por exemplo, podem ser responsáveis pelo aumento da precipitação no Litoral. Apesar da meteorologia ter compreendido, ainda falta muito por ser estudado sobre outros mecanismos como Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM) e a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), etc.

CONCLUSÕES

O El Niño não é o único causador de enchentes no Estado
Anos de El Niño chove acima da média em Santa Catarina
Anomalias positivas na TSM (Temperatura da Superfície do Mar) do Atlântico podem influenciar nas precipitação no Litoral.
Nos invernos de anos de El Niño as temperaturas médias são maiores que a média
Anos de El Niño ocorrem mais cheias que a média em Santa Catarina
As maiores enchentes desse século (1911 e 1983) foram nos El Niño de maior intensidade
O El Nino de 1983 foi o mais intenso deste século
O presente El Niño tem intensidade igual ao de 1983, sendo que a sua formação é a mais rápida de todos

Fonte: www.angelfire.com

Efeito El Niño

El Niño é o maior fenômeno climático global: de tempos em tempos, uma enorme quantidade de água do Oceano Pacífico Equatorial se aquece, mudando o regime dos ventos alísios.

Esta onda de calor no mar chama-se El Niño — O Menino — porque aparece normalmente na época do Natal. O El Niño de 1982 foi um dos piores e coincidiu com vastas mudanças na circulação global da atmosfera. Formaram-se tempestades torrenciais em zonas do Equador, do Brasil e do Peru. Nos EUA, houve enormes tempestades e chuvas ao longo da costa da Califórnia, causando enormes prejuízos.

Por outro lado, El Niño também trouxe secas e fome na Indonésia, Índia, Austrália e outros.

El Niño aparece a intervalos irregulares, às vezes de dois em dois anos, às vezes de dez em dez anos. Vários cientistas acreditam que a interferência humana na atmosfera tem culpa nessa alteração. Outra teoria, recentemente anunciada, afirma que o aquecimento das águas do Pacífico é causado pelo calor do magma vulcânico liberado no fundo desse oceano.

O Peru, tradicional país pesqueiro, sofre com a ação de El Niño. Junto ao Peru, a água do mar é normalmente fria e cheia de fitoplâncton, o que favorece a concentração de cardumes. Mas a presença de El Niño afasta os cardumes, provocando grandes problemas para a indústria pesqueira. A temperatura da água eleva-se, tendo alcançado 8°C acima do normal na década de 80. El Niño vem ocorrendo todos os anos desde 1990, o que é inédito, pelo menos neste século.

As principais conseqüências de El Niño hoje são: a alteração da vida marinha na costa oeste dos EUA e do Canadá e no litoral do Peru; o aumento de chuvas no sul da América do Sul e sudeste dos EUA; secas no Nordeste brasileiro, centro da África, Sudeste Asiático e América Central e tempestades tropicais no centro do Pacífico.

Fonte: www.curso-objetivo.br

Efeito El Niño

O FENÔMENO EL NINO

O que é o El Nino?

É o aquecimento anômalo das águas superficiais na porção leste e central do oceano Pacífico equatorial, ou seja, desde a costa da América do Sul até a Linha Internacional de Data (longitude de 180o). O “El Niño” é um fenômeno oceânico-atmosférico que afeta o clima regional e global, mudando a circulação geral da atmosfera, também é um dos responsáveis por anos considerados secos ou muito secos.

Histórico do fenômeno El Nino

Os pescadores peruanos já conviviam com esse fenômeno que causava uma diminuição na quantidade de peixes na Costa do Peru, sempre na época do Natal, e por isso lhe deram o nome de “El Niño” (que quer dizer “menino-Jesus”, em espanhol). O “El Niño” dura, em média, de 12 a 18 meses com intervalos cíclicos de 2 a 7 anos. No geral, quando ocorre o fenômeno há mudanças no clima, os impactos são diferentes em diversas partes do globo terrestre como, por exemplo, secas no sudeste asiático e Nordeste do Brasil, invernos mais quentes na América do norte e temperaturas elevadas na costa oeste da América do sul.

Todas essas mudanças ocorrem devido ao aumento da temperatura na superfície do mar nas águas do Pacífico equatorial, principalmente, na região oriental. Por outro lado, observa-se diminuição da pressão atmosférica e aumento na temperatura do ar sobre o Pacifico oriental. Estas mudanças provocam alterações na direção e velocidade dos ventos em nível global fazendo com que as massas de ar modifiquem seu comportamento em várias regiões do planeta.

Desenvolvimento do fenômeno El Nino

Para que o leitor possa entender um pouco sobre o fenômeno, propõe-se um "modelinho simples", extraído do livro El Niño e Você, de Gilvan Sampaio de Oliveira (Figura 1).

Efeito El Niño
Figura 1. Esquema representativo de uma piscina

1.Imagine uma piscina (obviamente com água dentro), num dia ensolarado
2.
Coloque numa das bordas da piscina um grande ventilador, de modo que este seja da largura da piscina
3
.Ligue o ventilador
4.
O vento irá gerar turbulência na água da piscina
5.
Com o passar do tempo, você observará um represamento da água no lado da piscina oposto ao ventilador e até um desnível, ou seja, o nível da água próximo ao ventilador será menor que do lado oposto a ele, e isto ocorre pois o vento está "empurrando" as águas quentes superficiais para o outro lado, expondo águas mais frias das partes mais profundas da piscina.

É exatamente isso que ocorre no Oceano Pacífico sem a presença do El Niño, ou seja, é esse o padrão de circulação que é observado. O ventilador faz o papel dos ventos alísios e a piscina, é claro, do Oceano Pacífico Equatorial.

Águas mais quentes são observadas no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Junto à costa oeste da América do Sul as águas do Pacífico são um pouco mais frias.

Com isso, no Pacífico Oeste, devido às águas do Oceano serem mais quentes, há mais evaporação. Havendo evaporação, há a formação de nuvens numa grande área. Para que haja a formação de nuvens o ar teve que subir.

O contrário, em regiões com o ar vindo dos altos níveis da troposfera (região da atmosfera entre a superfície e cerca de 15 km de altura) para os baixos níveis raramente há a formação de nuvens de chuva. Mas até onde e para onde vai este ar? Um modo simplista de entender isso é imaginar que a atmosfera é compensatória, ou seja, se o ar sobe numa determinada região, deverá descer em outra. Se em baixos níveis da atmosfera (próximo à superfície) os ventos são de oeste para leste, em altos níveis ocorre o contrário, ou seja, os ventos são de leste para oeste.

Com isso, o ar que sobe no Pacífico Equatorial Central e Oeste e desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul), juntamente com os ventos alísios em baixos níveis da atmosfera (de leste para oeste) e os ventos de oeste para leste em altos níveis da atmosfera, forma o que os Meteorologistas chamam de célula de circulação de Walker, nome dado ao Sir Gilbert Walker. A abaixo mostra a célula de circulação de Walker, bem como o padrão de circulação em todo o Pacífico Equatorial em anos normais, ou seja, sem a presença do fenômeno El Niño.

Outro ponto importante é que os ventos alísios, junto à costa da América do Sul, favorecem um mecanismo chamado pelos oceanógrafos de ressurgência, que seria o afloramento de águas mais profundas do oceano. Estas águas mais frias têm mais oxigênio dissolvido e vêm carregadas de nutrientes e micro-organismos vindos de maiores profundidades do mar, que vão servir de alimento para os peixes daquela região. Não é por acaso que a costa oeste da América do Sul é uma das regiões mais piscosas do mundo.

O que surge também é uma cadeia alimentar, pois os pássaros que vivem naquela região se alimentam dos peixes, que por sua vez se alimentam dos microorganismos e nutrientes daquela região. Observe as Figuras 2 e 3.

Condições Normais

Efeito El Niño
Figura 2. A circulação observada no oceano Pacífico equatorial em anos normais. A célula de circulação com movimentos ascendentes no Pacífico central/ocidental e movimentos descendentes no oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste próximo à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste para leste em altos níveis da troposfera é a chamada célula de Walker.

No oceano Pacífico, pode-se ver a região com águas mais quentes representadas pelas cores avermelhadas e mais frias pelas cores azuladas. Pode-se ver também a inclinação da termoclima, mais rasa junto à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico ocidental.

Condições El Niño

Efeito El Niño
Figura 3. Padrão de circulação observada em anos de “El Niño” na região equatorial do oceano Pacífico. Nota-se que os ventos em superfície, em alguns casos, chegam até a mudar de sentido, ou seja, ficam de oeste para leste. Há um deslocamento da região com maior formação de nuvens e a célula de Walker fica bipartida.

No oceano Pacífico equatorial podem ser observadas águas quentes em, praticamente, toda a sua extensão. A termoclina fica mais aprofundada junto à costa oeste da América do Sul, principalmente, devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.

As principais características oceânicas e atmosféricas associadas ao fenômeno “El Nino” são:

Sobre o Pacífico leste, onde há normalmente águas frias, aparecem águas mais quentes do que o normal
Os ventos alísios diminuem sensivelmente sua intensidade
A pressão no setor leste do oceano Pacífico fica abaixo do normal, enquanto que na parte oeste fica com valores acima do normal
A presença de águas quentes e convergência de umidade do ar favorecem a formação de nuvens convectivas profundas sobre o setor centro-leste do Pacífico
A célula de Walker (circulação atmosférica sentido oeste-leste) modifica-se totalmente ocasionando ar descendente sobre a Amazônia e Nordeste do Brasil
Sobre o Atlântico equatorial, incluindo o leste da Amazônia e Semi-Árido Nordestino nota-se predominância de um ramo de ar descendente inibindo a formação de nuvens.

Impactos regionais e globais do fenômenos El Nino

Os impactos regionais do fenômeno El Nino são mostrados no Quadro 1.

Quadro 1. Impactos regionais do fenômeno El Nino.

Impacto em clima/hidrologia

Regiões e país

Secas Severas México
Secas Severas Nordeste do Brasil
Diminuição da precipitação América Central-Bacia do Pacífico
Aumento da precipitação América Central-Bacia do Atlântico
Diminuição da precipitação e vazões de rios Colômbia
Aumento da precipitação e vazões de rios Noroeste de Peru, Equador
Diminuição da precipitação e secas, aumento do risco de incêndios florestais Norte da Amazonia
Aumento da precipitação (Nov-Jan) Região dos Pampas - Argentina
Aumento da precipitação (Nov-Jan) Uruguai

Os efeitos do “El Niño” no Brasil podem causar prejuízos e benefícios. Mas, os danos causados são superiores aos benefícios, por isso, o fenômeno é temido, principalmente, pelos agricultores. Em cada episódio do “El Niño” é observado na região sul um grande aumento no volume de chuvas, principalmente, nos meses de primavera, fim do outono e começo de inverno. Pode-se observar acréscimo de até 150% na precipitação em relação ao seu índice médio.

Isto pode acarretar nos meses em que acontece a colheita prejuízos aos agricultores, principalmente, nos setores de produção grãos. As temperaturas também mudam nas regiões Sul e Sudeste, onde é observado inverno mais ameno na região Sul e no Sudeste as temperaturas ficam mais altas em relação ao seu valor normal. Este aumento de temperatura no inverno pode trazer benefícios aos agricultores das regiões Sul e Sudeste, pois diminui significativamente a incidência de geadas.

No setor leste da Amazônia e na região Nordeste ocorre uma diminuição nas chuvas. Algumas áreas do Sertão (semi-árido) nordestino, essa diminuição pode alcançar até 80% do total médio do período chuvoso (que na maior parte da Região ocorre de fevereiro a maio). Ressalta-se que, a seca não se limita apenas ao Sertão, ela também pode atingir o setor leste do Nordeste (Agreste, Zona da Mata e Litoral), caso aconteça conjuntamente com o Dipolo do Atlântico Sul negativo (Dipolo Negativo ou desfavorável, isto é, quando o Atlântico Sul se encontra com águas mais frias que a média histórica e águas mais quentes no Atlântico Norte). No Nordeste brasileiro, os prejuízos observados em anos de “El Niño” envolvem setores da economia (perdas na agricultura de sequeiro, na pecuária, etc.), oferta de energia elétrica, bem como, comprometimento do abastecimento de água para a sociedade e os animais.

As Figuras 4 e 5 mostram os efeitos conhecidos no globo para diferentes meses do ano.

Efeito El Niño
Figura 4. Efeitos conhecidos no globo para Junho, Julho e Agosto

Efeito El Niño
Figura 5. Efeitos conhecidos no globo para Dezembro, Janeiro e Fevereiro

O Quadro 2 mostra os eventos anteriores do fenômeno El Nino:

Ano
Intensidade
1877 - 1878 Forte
1888 - 1889 Moderado
1896 - 1897 Forte
1899 Forte
1902 - 1903 Forte
1905 - 1906 Forte
1911 - 1912 Forte
1913 - 1914 Moderada
1918 - 1919 Forte
1923 Moderada
1925 - 1926 Forte
1932 Moderada
1939 - 1941 Forte
1946 - 1947 Moderada
1951 Fraco
1953 Fraco
1957 - 1959 Forte
1963 Fraco
1965 - 1966 Moderada
1968 - 1970 Moderada
1972 - 1973 Forte
1976 - 1977 Fraco
1977 - 1978 Fraco
1979 - 1980 Fraco
1982 - 1983 Forte
1986 - 1988 Moderado
1990 - 1993 Forte
1994 - 1995 Moderada
1997 - 1998 Forte

Situação atual do fenômeno El Nino

Durante o mês de Novembro/02 (Figura 6) a Temperatura da Superfície do Mar (TSM) ao longo do Pacífico equatorial mostrou uma continuidade do fenômeno “El Niño”, com águas superficiais de até 3ºC mais quentes que o normal na parte central e leste (veja a indicação das setas na Figura 6).

Além dessas condições foram observados enfraquecimentos nos ventos alísios ao longo da linha do Equador e no sistema de alta pressão do Pacífico sul.

Tais condições evidenciam o fenômeno “El Niño” com intensidade moderada, os efeitos decorrentes desse “El Niño” estão sendo observados no Brasil como, por exemplo, o excesso de chuvas na região Sul e escassez em grande parte das regiões Norte e Nordeste.

Efeito El Niño
Figura 6. Anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (0C) em Novembro/2002.

Fonte: www.mundogeomatica.com.br

Efeito El Niño

Situação de Normalidade

Os ventos alísios de NE e SE sopram dos Trópicos para a ZCIT - zona de convergência intertropical - um anel de ar úmido que envolve a Terra próximo à linha do equador. A ZCIT oscila entre as latitudes 10º N e 5º S, região onde os ventos alísios se encontram. Esse fenômeno ( alísios / contra alísios ) é chamado “célula de HADLEY”. Os alísios são responsáveis pela renovação das águas superficiais do oceano. Encarregam-se de deslocar as águas, normalmente mais quentes, do Pacífico Central em direção ao Sul do Continente Asiático, abrindo caminho para que a corrente marítima fria e profunda que chega do Polo Sul, a Humboldt, venha à tona. Nos anos em que a situação está dentro dos padrões normais, os ventos alísios ajudam a manter essas águas quentes superficiais do Pacífico presas na região da Austrália e Indonésia. Nestas circunstâncias, o mar aquece o ar. Bombeando vapor para a atmosfera, o ar sobe, a umidade forma densas nuvens e fortes chuvas se precipitam sobre essa região, nas chamadas áreas de baixa pressão.

Livre dessa umidade o ar segue seu trajeto em direção às altas camadas da atmosfera, se resfria e desce sobre o oceano, nas proximidades das costas sul-americanas, criando uma área de altas pressões, onde as chuvas são raras. Dali ele é carregado próximo a superfície de volta à Indonésia, onde tudo começa de novo. Este deslocamento do ar das áreas de alta pressão para as de baixa pressão atmosférica sobre o Pacífico Equatorial é denominado “Célula de Walker”.

Situação de “EL NIÑO”

Sabe-se que o “EL NIÑO” é um fenômeno climático que provoca modificações nos padrões climáticos de quase toda a Terra e se manifesta em ciclos de 2 a 7 anos, a partir do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, na altura da linha do equador terrestre.

Seu nome é uma referência ao “menino” Jesus porque a lâmina superficial da água aquecida, em geral, chega às costas do Peru na época do Natal.

O “EL NIÑO” começa a adquirir força em novembro ou dezembro e, geralmente, conclui sua atividade no meio do ano seguinte.

Com a manifestação do EL NIÑO muda todo o mecanismo de funcionamento do clima na região do Pacífico, com reflexos no resto do planeta. Os ventos alísios diminuem a sua intensidade. Sem a força desses ventos, a “bolsa” de água aquecida acumulada na superfície do Pacífico no SE da Ásia consegue se libertar, esparramando-se pelo Pacífico, ao longo da linha do Equador, até as costas do Peru. A água quente toma conta da superfície do oceano enquanto a corrente marítima fria (Humboldt) fica presa nas profundezas.

No seu deslocamento rumo à América do Sul, as águas quentes levam com elas o sistema climático da sua região de origem. As formações chuvosas da Indonésia são deslocadas para o meio do Pacífico, dando início a uma espécie de reação em cadeia que empurra todos os sistemas climáticos dos trópicos para leste.

Na Austrália, as áreas onde havia fartura de chuvas passam a ser castigadas pela seca, enquanto que as águas que deveriam estar caindo lá são despejadas no oceano, nas proximidades da Polinésia. Ao mesmo tempo, as chuvas que caiam próximo às costas Sul-americanas, invadem o continente e passam a cair no interior do Peru. O ar que sobe provocando as precipitações no Peru, vai descer seco justamente na região costeira do Nordeste Brasileiro, banindo as chuvas dali. Segundo hipótese que vem sendo estudada por cientistas de uma Universidade independente no Japão, os ventos carregados de umidade do Pacífico só conseguiram atravessar a Cordilheira dos Andes depois que a França realizou experiências nucleares na Oceania.

A explosão teria causado desmoronamento de uma montanha de gelo, permitindo assim a passagem desses ventos que, antes, eram barrados e dissipados pelos contrafortes dos Andes.

Outra influência provocada pelo “EL NIÑO”: o bloqueio das frentes frias no sul do continente sul-americano pelas “correntes-de-jato”.

Durante o “EL NIÑO”, com as águas quentes tomando conta de toda a extensão do oceano Pacífico, na altura da linha do Equador e produzindo gigantescas massas de ar aquecido, o excesso de ar quente aumenta sua força. Além disso, as “correntes-de-jato” passam a funcionar como verdadeiras barreiras de ar, que também impedem que as frentes frias, carregadas de chuvas, sigam seu trajeto normal em direção ao norte. As chuvas que deveriam ser distribuídas ao longo da costa leste da América do Sul acabam caindo todas num só lugar, já que as frentes frias são barradas e estacionam sobre a região entre o Norte da Argentina e o Sul do Brasil.

Fonte: www.rainhadapaz.g12.br

Efeito El Niño

El Niño: Um susto com data marcada

Cheias, secas e até fomes. Por trás de boa parte dessas catástrofes, que no Brasil costumam chegar com o verão, se encontra o fenômeno meteorológico mais estudado neste fim de século e que aos poucos vai sendo desvendado pelos cientistas.

Nos últimos anos, os brasileiros se habituaram a conviver com um fenômeno sobre o qual recai boa parte da culpa pelas desgraças naturais que, de tempos em tempos, assolam os mais variados cantos da Terra . No Brasil, o susto chega sempre com data marcada. Vem com as águas de março, uma época que, para os habitantes do Sul do país, deixou há muito tempo de ser o período de sonho das férias, da praia e das festas para se tornar um pesadelo de enchentes. Para os nordestinos, já tão castigados pela seca, sobra a certeza de que nem um pingo d’água da chuva deverá visitá-los nos próximos meses. Graças a esse fenômeno, também, associações extravagantes como relacionar o desaparecimento das enchovas na costa peruana com invernos amenos na América do Norte ou as secas na Austrália com enchentes devastadoras no Sul dos Estados Unidos hoje em dia soam perfeitamente normais.

Apesar da aparência de um quebra-cabeça incompreensível, todos esses desastres e alterações no clima global repousam sobre uma única explicação: o El Niño.

Conhecido há mais de duzentos anos, inicialmente ele não mereceu muita atenção da ciência. Associado a um aquecimento anormal das águas do Pacífico na costa do Peru, durante muito tempo o El Niño foi considerado como um fenômeno estritamente local.

Um tipo de patrimônio folclórico da região, batizado pelos próprios pescadores peruanos: em espanhol, El Niño significa “o menino”, numa referência ao Menino Jesus, já que o fenômeno se manifestava sempre em dezembro, pouco depois do Natal.

A partir do final da década de 50, porém, viria a conclusão espantosa: aquele aquecimento das águas era apenas uma pequena parte de um distúrbio planetário, cujos efeitos dramáticos não têm endereço nem nacionalidade.

Na época, os cientistas descobriram que uma estranha coincidência acontecia durante o El Niño. De um lado, os oceanógrafos perceberam que as águas aquecidas não apareciam somente nas costas do Peru e do Equador, mas se estendiam por todo o Pacífico. De outro, os meteorologistas descobriram que os ventos alísios que sopram sobre o oceano pareciam se tornar mais fracos justamente na época em que essa massa de mar quente aparecia. Ou seja, enquanto, na maioria dos anos, os ventos sobre o Pacífico sopravam com força e constância em direção à Indonésia, quando as águas aquecidas tomavam conta do oceano ao longo da linha do Equador, essas rajadas de ar diminuíam de forma substancial.

Para os estudiosos do clima, estas constatações foram extremamente significativas: elas não só mudaram radicalmente a face do Pacífico central, como se tornaram a chave para ligar o fenômeno às catástrofes que costumam se encadear pelo mundo afora quando o El Niño se manifesta. O que conjuga a mudança dos ventos e do mar é um segredo que os cientistas ainda não desvendaram, mas é certo que o vento é um dos principais vilões dessa história. “Hoje, ninguém mais duvida de que a diminuição dos ventos é uma das causas do El Niño”, conta o meteorologista Carlos Nobre, chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). “O que não se descobriu é por que isso acontece.”

Este ano, tudo indica que ele não vai dar muito que falar. A despeito das chuvas que já caíram e das que não, o El Niño está fraco e promete não causar pânico.

Depois de cobrir a superfície do Pacífico ao longo de 1992, a camada de água quente que caracteriza o fenômeno está recuando de volta à região da Indonésia.

Em princípio, portanto, a estiagem no Nordeste brasileiro não poderá mais ser posta na sua conta e, no Sul, as chuvas talvez não se tornem sinônimo de inundações. Em compensação, na Amazônia o Rio Negro está ameaçando provocar uma das maiores cheias do século, e mais uma vez o nome do culpado de plantão está de volta às manchetes. Entre os técnicos em meteorologia, imagina-se que, como o El Niño reteve as nuvens chuvosas durante o ano passado — em junho, a falta de água baixou tanto o nível dos rios que a represa de Balbina, no Pará, foi obrigada a desligar quatro de suas cinco turbinas —, elas agora vão despencar sem cerimônia sobre a região.

Apesar de suas causas serem obscuras, o mecanismo de funcionamento do El Niño já deixou de ser um mistério para os pesquisadores.

Sabe-se, por exemplo, que o fenômeno costuma se manifestar com regularidade, geralmente em intervalos de três a sete anos, e que a influência dos ventos alísios está na importância que têm na renovação das águas superficiais do oceano: vindos do nordeste e do sudeste, eles se encarregam de deslocar as águas, normalmente mais quentes, do Pacífico central em direção ao sul do continente asiático, abrindo caminho para que a corrente fria e profunda que chega do Pólo Sul, a Humboldt, venha à tona.

Além disso, nos anos em que a situação está dentro dos padrões normais, eles ajudam a manter essas águas quentes literalmente presas na região da Austrália e da Indonésia. A tal ponto que, lá, o nível do mar chega a ser até 40 centímetros mais alto do que na costa da América do Sul.

Enquanto esse bolsão de água quente está em seu devido lugar, na Indonésia e na Austrália, o clima da região costuma funcionar com a precisão de um relógio suíço: o mar aquece o ar, bombeando vapor para a atmosfera, o ar sobe, a umidade forma densas nuvens e fortes chuvas se precipitam sobre a região. É o que se chama de áreas de baixa pressão, aquelas em que há chuvas abundantes. Livre da umidade, o ar segue então seu trajeto em direção às altas camadas da atmosfera, se resfria e desce sobre o oceano, nas proximidades da costa sul-americana, criando uma área de alta pressão, onde as chuvas são raras.

Dali, ele é carregado pelos ventos de volta à Indonésia, onde tudo começa de novo. Esse movimento circular é o que se chama de Célula de Walker, homenagem ao meteorologista inglês sir Gilbert Walker, que no início do século desvendou o jogo das pressões nessa região.

Com o El Niño, tudo isso muda. A começar pelos ventos, que diminuem sua intensidade.

Por que não se sabe, mas o fato é que, sem a força dos ventos, a bolsa de água aquecida acumulada no sul da Ásia consegue se libertar, esparramando-se ao longo da linha do Equador até a costa do Peru: a água quente aos poucos toma conta da superfície do oceano e as correntes frias ficam retidas nas profundezas.

É isso, aliás, o que torna a chegada do El Niño tão incômoda para os pescadores peruanos: como são as correntes frias que transportam os nutrientes do fundo do mar para a superfície, quando a água quente impede que elas cheguem à to-na, acabam provocando a escassez de pescado, já que os peixes morrem de fome e praticamente desaparecem. Para os meteorologistas, porém, mais interessante do que as conseqüências ecológicas do El Niño é o fato de que o “mar quente” nunca viaja sozinho.

No seu deslocamento rumo à América do Sul, as águas quentes sempre levam com elas o sistema climático da sua região de origem.

Isto é, as formações chuvosas da Indonésia também fogem para o meio do Pacífico, dando início a uma espécie de reação em cadeia que empurra todos os sistemas climáticos dos trópicos para leste: a Austrália, onde antes havia fartura de chuvas, passa a ser castigada pela seca, enquanto as águas que deveriam estar caindo lá são despejadas no oceano, nas proximidades da Polinésia. Ao mesmo tempo, as chuvas que antes caíam sobre o mar, perto da costa americana, invadem o continente e passam a abençoar as lavouras peruanas, enquanto o ar, que sobe com as precipitações no Peru, vai descer justamente na região costeira do Nordeste brasileiro, banindo as chuvas dali.

No que diz respeito ao Brasil, as catástrofes de 1982 e 1983, quando ocorreu a maior manifestação , do El Niño neste século, se encarregaram de confirmar essas teorias. A área de alta pressão que se formou junto ao Nordeste, por causa das chuvas no Peru, trouxe uma das mais fortes estiagens já registradas na região. Em 1983, 85% da área do Nordeste ficaram secos e 89% de seus municípios em estado de emergência.

Simultaneamente, o Sul do Brasil também foi castigado de forma impiedosa por chuvas torrenciais, chamando a atenção para outro problema ligado à mudança nas águas do Pacífico: o bloqueio de frentes frias no sul do continente pelas correntes-de-jato.

Formadas pelo encontro das massas de ar quente dos trópicos com o ar gelado do Pólo Sul, essas correntes, localizadas no topo da atmosfera (entre 10 e 12 quilômetros de altura), são extremamente velozes e até úteis em certas viagens aéreas. Durante o El Niño, porém, com as águas quentes tomando conta de toda a extensão do oceano e produzindo gigantescas massas de ar aquecido, o excesso de ar quente aumenta sua força. Com isso, as correntes-de-jato passam a funcionar como verdadeiras barreiras de ar, que impedem que as frentes frias, carregadas de chuvas, sigam seu trajeto normal em direção ao norte. “A chuva que deveria ser distribuída ao longo da costa leste da América do Sul acaba caindo toda num só lugar”, conta a meteorologista Cíntia Uvo, do INPE, já que as frentes estacionam sobre a região entre o Norte da Argentina e o Sul do Brasil. Uma boa idéia do que isso significa em termos de água pode ser dada pelos números das enchentes de 1983 em Santa Catarina. Só nos dias 11 e 12 de julho, o índice de chuvas alcançou nada menos do que 300 milímetros — o que corresponde a 300 litros de água por metro quadrado —, três vezes e meia mais que a média de todo o mês anterior, de 90 milímetros, que já tinha sido extremamente alta.

Hoje os cientistas já conhecem com uma certa segurança o modo de funcionamento, mas as causas do El Niño estão distantes de serem decifradas, apesar de não faltarem teses que tentem explicá-las. Uma das mais recentes delas, elaborada pelo físico americano Paul Handler, da Universidade de Illinois, defende que o fenômeno seria provocado pela erupção de vulcões tropicais.

Em sua controvertida teoria, Handler, que se baseou em comparações estatísticas, defende a idéia de que tudo começa com o bloqueio da luz do Sol pelas nuvens de partículas lançadas na atmosfera pelos vulcões: como elas provocam o esfriamento dos trópicos, isso afetaria o funcionamento normal dos ventos na região, dando início então ao El Niño. Até hoje ele não conseguiu demonstrar o mecanismo dessa influência.

Até que se encontre uma explicação satisfatória, capaz de aumentar a capacidade dos cientistas para se anteciparem ao fenômeno, o El Niño continuará a ser uma grande incógnita. Embora já se tenha uma noção de sua periodicidade, a intensidade do fenômeno continua sendo uma fonte de surpresas. Para os brasileiros, normalmente desagradáveis. Para outros, nem tanto. E, apesar de ser sempre motivo de preocupação, dependendo do ponto de vista e da localização de quem olha, ela pode ser bem menor.

Se para os pescadores peruanos o El Niño significa escassez de peixe e dificuldades, não muito longe dali ele chega como uma dádiva dos céus para os agricultores do Peru, trazendo chuvas e abundância para as lavouras. Correntes-de-jato iguais àquelas que são responsáveis pelas trágicas inundações do Sul têm uma função extremamente benéfica na região do Golfo do México, onde se encarregam de dissolver a formação dos furacões que vivem provocando estragos naquela região.

Mesmo as estiagens que ressecam a Austrália e o Nordeste brasileiro têm uma contrapartida agradável: para os habitantes do Norte dos Estados Unidos, durante o El Niño seus invernos serão mais amenos.

Fonte: super.abril.com.br

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