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Controle Biológico

 

O controle biológico é uma técnica utilizada para combater espécies que nos são nocivas, reduzindo os prejuízos causados por elas. Comumente, esse método consiste em introduzir no ecossistema um inimigo natural (predador ou parasita) da espécie nociva, para manter a densidade populacional dessa espécie em níveis compatíveis com os recursos do meio ambiente. Quando bem planejado, o controle biológico acarreta evidentes vantagens em relação ao uso de agentes químicos, uma vez que não polui o ambiente e não causa desequilíbrios ecológicos.

À medida que o homem toma consciência de que os inseticidas também prejudicam, procura recursos menos nocivos que possam ser igualmente eficientes no combate às pragas vegetais. É o caso do uso de inimigos naturais de pragas que possam controlar as populações, principalmente dos insetos que competem com o homem. Os canaviais, por exemplo, podem ser protegidos de certas espécies de insetos comedores das folhas da cana-de-açúcar através do uso de fungos parasitas desses insetos. É método não-poluente, específico e acarreta prejuízos praticamente desprezíveis para o equilíbrio do ambiente.

A irradiação, com raios-gama, de machos de insetos-praga em laboratório é outra medida útil que leva à sua esterilização. Soltos na lavoura, encontram-se com muitas fêmeas, não conseguindo, porém, fecundar os óvulos. A população reduz e a praga fica sobre controle.

Abaixo, listamos alguns "controladores biológicos":

Trichogramma

A utilização de agentes biológicos vem alcançando, nos últimos anos, grande sucesso na preservação dos agro-ecossistemas.

Como alternativa à aplicação indiscriminada de agrotóxicos, o Centro Nacional de Pesquisa de Algodão da Embrapa, Campina Grande, PB, vem pesquisando, para a cultura do algodão, o uso do trichogramma no controle biológico e detém a tecnologia de criação massal, através do hospedeiro de substituição Sitotroga cerealella.

Explicando melhor, o trichogramma é um inseto diminuto, com menos de 1mm, parasitóide exclusivo de ovos. Prefere ovos de lepidópteros (borboletas) - a praga do algodão -, sendo, entretanto, parasitóide de cerca de 200 espécies de insetos. O controle de lepidópteros implica significativa redução no custo de produção, previne contra danos à cultura algodoeira, ao meio ambiente e ao homem e é inteiramente adequado ao manejo integrado de pragas. Trata-se de tecnologia de grande potencial, já praticada nos Estados Unidos, exigindo recomendações de uso em pacotes tecnológicos que devam incluir outros pesticidas seletivos.

Bacillus thuringensis

É uma bactéria que produz cristais protéicos insolúveis em água ou em soluções levemente ácidas. Ao serem ingeridos por larvas de certos insetos, como lagartas de Lepidoptera (borboletas), alcançam o intestino desses animais, dissolvendo-se no conteúdo intestinal, geralmente alcalino. A proteína dissolvida provoca a ruptura da parede do intestino e a morte do inseto, em conseqüência da invasão bacteriana dos tecidos.

Gambusia affinis

Peixe larvófago utilizado no combate às larvas de Anopheles (mosquito transmissor da malária).

Metagonistylum minense e Paratheresia claripalpis

Moscas (dípteros) que parasitam a broca-da-cana

Metarrhizium anisopliae

Fungo cinza que parasita insetos diversos, como lagartas, besouros, cigarrinhas etc. O micélio do fungo envolve o inseto, mumificando-o.

Beauveria sp

Fungo branco que parasita insetos diversos (lagartas, besouros, cigarrinhas etc)

Apanteles flavipes

Pequena vespa que injeta ovos em lagartas diversas (parasitas da cana-de-açúcar, do milho etc). Dos ovos eclodem larvas que destroem o inseto parasitado.

Calosoma

Besouro predador de lagartas desfolhadoras

Coccinella septempunctala

Inseto conhecido como joaninha, que atua como predador de diversas espécies de pulgões.

Baculovirus anticarsia

Vírus utilizado no combate à largata-da-soja

O controle biológico aplicado sem um estudo prévio do comportamento biológico das espécies envolvidas pode acarretar sérios distúrbios no equilíbrio natural de um ecossistema. Na Jamaica, por exemplo, em 1872, introduziu-se o mangusto (mamífero carnívoro) para combater ratos que causavam grandes prejuízos às plantações de cana-de-açúcar. O mangusto, entretanto, cumpriu bem demais o seu papel de predador de rato. Praticamente dizimou não os ratos, como também populações diversas de outros mamíferos, além de aves terrícolas, répteis e crustáceos, alterando a harmonia do ecossistema em questão. Para completar, os poucos ratos que conseguiram sobreviver adaptaram-se à vida arborícola e acabaram constituindo uma população que voltou a causar danos significativos à cultura canavieira. Outro exemplo célebre de controle biológico malsucedido ocorreu na Austrália em 1859. Foram introduzidos nesse continente alguns casais de coelhos, com o propósito de se combater ervas daninhas que infestavam certas regiões. Os coelhos, porém, não encontraram predadores e parasitas capazes de promover a regulamentação de sua população; proliferaram intensamente, devastaram as ervas daninhas e também as pastagens que serviam de alimento ao gado, grande fonte de riqueza do continente. Os coelhos, aparentemente inofensivos, tornaram-se o maior flagelo que a Austrália havia conhecido até então. Em 1950, a Austrália importou vírus causadores da mixomatose, uma doença que se manifesta apenas em coelhos e algumas lebres. Graças a esse vírus, a população de coelhos da Austrália acha-se atualmente em equilíbrio, sendo, portanto, mantida dentro de uma densidade considerada tolerável em relação aos recursos da região.

"O crescimento na produção de trigo está sendo acompanhado por uma maior utilização do controle biológico do pulgão, uma das principais pragas que atacam essa cultura. Os agricultores que decidiram investir mais na lavoura descobriram nessa tecnologia uma forma de cortar despesas e aumentar a produtividade. O controle biológico do pulgão é feito por meio do uso de vespas, que colocam seus ovos dentro do pulgão. Dos ovos eclodem larvas que em dez dias tomam conta do corpo da praga, provocando sua morte. Durante seu período de vida (uma semana) uma vespa coloca em média trezentos ovos em pulgões, multiplicando-se rapidamente e seguindo a praga pelas plantações. Assim, sem gastar nada, os agricultores podem controlar os pulgões e reduzir sensivelmente seus gastos com inseticidas. No Rio Grande do Sul, onde em toda a área plantada com trigo (1 milhão de hectares) essa técnica está sendo utilizada, os triticultores conseguiram diminuir em 95% as pulverizações."

(Folha Agropecuária. Folha de S. Paulo, 10 de agosto de 1985).

Fonte: www.geocities.com

Controle Biológico

Na natureza, toda espécie de planta ou de animal possui algum organismo que dela se alimenta em algum estágio de seu desenvolvimento. Esses organismos são chamados de inimigos naturais, os quais são agentes de controle populacional. Esse fenômeno é conhecido como controle biológico e ocorre naturalmente nos ecossistemas.

Os inimigos naturais já eram conhecidos desde o século III a.C., quando os chineses utilizavam formigas predadoras para controle de pragas em citros. No entanto, o primeiro caso de sucesso em controle biológico foi a introdução, em 1888, na Califórnia (USA), de uma joaninha vinda da Austrália, para controlar uma praga conhecida como pulgão-branco-dos-citros. Após 2 anos da liberação dos insetos predadores a praga estava controlada. Houve então um grande avanço nos estudos de controle biológico. Contudo, a partir de 1939, com a síntese do inseticida clorado DDT e dos pesticidas organofosforados, as pesquisas com os inseticidas químicos sintéticos e a sua utilização cresceram grandemente, e o inverso ocorreu com o controle biológico.

Com o uso indiscriminado desses produtos químicos, logo começaram a aparecer problemas relacionados à resistência de pragas aos inseticidas; destruição de inimigos naturais, com ressurgência de pragas e aparecimento de outras pragas até então de importância secundária; intoxicação de homens e animais e poluição do meio ambiente.

Posteriormente, a comunidade científica retornou aos estudos sobre o controle biológico como alternativa aos inseticidas químicos, agora como uma das principais táticas dentro de um novo conceito conhecido como Manejo Integrado de Pragas (MIP). Esse sistema procura integrar harmoniosamente diversas formas de controle, com ênfase para o controle biológico, visando a melhorias econômicas, sociais e ambientais.

O controle biológico de insetos e ácaros na agricultura pode ser realizado por pequenas vespas ou moscas conhecidas como parasitóides que parasitam ovos, pequenas lagartas e até adultos. Também pode se dar por meio de predadores como as joaninhas, percevejos, ácaros predadores e as aranhas, além do parasitismo por microorganismos a exemplo de fungos, bactérias e vírus, denominados entomopatógenos.

Existem três tipos de controle biológico: clássico, natural e aplicado. No controle biológico clássico há a introdução (importação) de um inimigo natural de outro país e a liberação do mesmo em pequena escala para controle de uma praga, geralmente exótica. É um controle de longo prazo, aplicado principalmente em culturas semiperenes e perenes.

O controle biológico natural se baseia na atuação dos inimigos que ocorrem naturalmente. Para que seja mais efetivo é necessário realizar ações para conservar e até aumentar a população dos inimigos naturais, como evitar práticas culturais inadequadas, usar inseticidas mais seletivos aos inimigos naturais, utilizar inseticidas químicos somente quando necessário e na época correta e propiciar fontes suplementares de alimentação para os inimigos naturais.

No controle biológico aplicado existe a liberação de inimigos naturais ou de um produto biológico no agroecossistema de forma inundativa, visando reduzir a população da praga rapidamente. O inimigo natural funciona como um inseticida, pois tem ação rápida, com a vantagem de ser biológico. Para que haja a liberação desses organismos em larga escala, é necessário multiplicá-los em grande quantidade em laboratório.

No Brasil existem vários casos de sucesso usando o controle biológico de pragas, tais como a utilização de vírus para controle da lagarta-da-soja e do mandarová-da-mandioca; fungos em cigarrinhas-das-pastagens, cigarrinha-da-cana, percevejo-de-renda-da-seringueira, cupins, lagartas; bactérias para lagartas; vespinhas para broca-da-cana, pulgões-do-trigo, percevejos-da-soja, traça-do-tomateiro, minador-dos-citros, cochonilha-da-mandioca; nematóide no controle da vespa-da-madeira em pinus, predadores para controle de lagartas desfolhadoras em florestas plantadas.

A Embrapa Acre trabalha para identificar os principais inimigos naturais de pragas em sistemas agrícolas, florestais e agroflorestais no estado e determinar seu potencial para realizar o controle biológico. Definir estratégias para preservar e aumentar a população desses organismos, utilizar o controle biológico aplicado, esclarecer técnicos e produtores sobre a importância do controle biológico, do Manejo Integrado de Pragas, da agroecologia e das técnicas alternativas de controle de pragas, além do uso correto de agrotóxicos são algumas ações da Empresa.

No Estado do Acre e em grande parte da Região Amazônica, diversas pragas atacam as principais culturas agrícolas, como o mandarová-da-mandioca, moleque-da-bananeira, broca-dos-frutos-do-cupuaçu, vaquinha-do-feijoeiro, percevejo-do-arroz, broca-do-abacaxi, cigarrinhas-das-pastagens, ácaros e cochonilhas em citros, moscas-das-frutas e moscas-brancas. O uso indiscriminado de inseticidas e acaricidas sintéticos para o controle dessas pragas pode ocasionar vários problemas como os já citados anteriormente. Muitas dessas pragas possuem diversos inimigos naturais que devem ser conhecidos, preservados e sua população aumentada, visando reduzir a incidência das pragas, preservar o meio ambiente e a saúde humana.

Marcílio José Thomazini

Fonte: www.agrosoft.org.br

Controle Biológico

Controle biológico é um fenômeno que acontece espontaneamente na natureza e consiste na regulação do número de plantas e animais por inimigos naturais. É uma estratégia que o homem vem utilizando há muito tempo para o controle de patógenos, pragas e ervas daninhas.

O termo Controle Biológico foi empregado pela primeira vez em 1919, por H.S. Smith, para designar o uso de inimigos naturais para o controle de insetos-praga.

Posteriormente essa expressão foi usada para designar todas as formas de controle, alternativas aos produtos químicos, que envolvessem métodos biológicos.

Assim, o Controle Biológico denominava técnicas tão diversas como o uso de variedades resistentes, rotação de culturas, antecipar ou retardar as épocas de plantio e colheita, queima de restos de culturas, destruição de ramos e frutos atacados, uso de atraentes e repelentes, de feromônios e de armadilhas.

O controle biológico é um componente fundamental do equilíbrio da Natureza, cuja essência está baseada no mecanismo da densidade recíproca, isto é, com o aumento da densidade populacional da presa, ou do hospedeiro, os predadores, ou parasitos, tendo maior quantidade de alimento disponível, também aumentam em número. Desta maneira, os inimigos naturais causam um declínio na população da praga. Posteriormente, a população do inimigo natural diminui com a queda no número de presas, ou hospedeiros, permitindo que a população da praga se recupere e volte a crescer. Neste caso, os parasitos e predadores são agentes de mortalidade dependentes da densidade populacional da praga. Por outro lado, os fatores físicos de mortalidade, como a temperatura e a umidade, podem impedir, temporariamente, o aumento no numero de indivíduos da praga, independente do tamanho da população desta. Estes são os fatores de mortalidade independentes da densidade. Portanto, é possível detectar o efeito da mudança de diferentes fatores ambientais, dependentes e independentes da densidade populacional, na densidade de uma população, em diferentes tipos de ambientes.

Em comparação ao controle químico o controle biológico apresenta vantagens e desvantagens. Entre as vantagens pode-se citar que é uma medida atóxica, não provoca desequilíbrio, não possui contra-indicações, propicia um controle mais extenso e é eficiente quando não existe maneira de se utilizar o controle químico.

Em compensação requer mais tecnologia, possui um efeito mais lento, não é de tão fácil aquisição, nem sempre pode ser aplicado em qualquer época do ano e, geralmente, é mais caro.

Para alcançar resultados, todo programa de controle biológico deve começar com o reconhecimento dos inimigos naturais da "praga-chave da cultura" (principal organismo que causa danos econômicos à lavouras). Uma vez identificada a espécie e o comportamento da "praga" em questão, o principal desafio dos centros de pesquisa diz respeito a reprodução desse inimigo natural em grandes quantidades e com custos reduzidos.

Dentro do controle biológico podemos constatar duas fases distintas: o controle biológico sem a interferência (ou seja, na forma como é encontrado na natureza) e aquele que é feito mediante introdução, manipulação e aplicação de organismos capazes de agir de forma contrária a pragas.

Tipos de Controle Biológico

Controle biológico artificial é quando o homem interfere de modo a proporcionar um aumento de seres predadores, parasitos ou patógenos, podendo esses serem: insetos (mais atuantes no controle biológico natural), fungos , vírus, bactérias , nematóides e ácaros.
Controle biológico clássico . Importação e colonização de parasitóides ou predadores, visando ao controle de pragas exóticas (eventualmente nativas). De maneira geral, as liberações são realizadas com um pequeno número de insetos por uma ou mais vezes em um mesmo local. Neste caso o controle biológico é visto como uma medida de controle em longo prazo, pois a população dos inimigos naturais tende a aumentar com o passar do tempo e, portanto, somente se aplica a culturas semiperenes ou perenes.
Controle biológico natural . Refere-se a população de inimigos que ocorrem naturalmente.São muito importantes em programas de manejo de pragas, pois são responsáveis pela mortalidade natural no agroecossistema e, conseqüentemente, pela manutenção de um nível de equilíbrio das pragas.
Controle biológico aplicado. Trata-se de liberações inundativas de parasitóides ou predadores, após criação massal em laboratório. Esse tipo de controle biológico é bem aceito pelo usuário, pois tem um tipo de ação rápida, muito semelhante à de inseticidas convencionais. O CBA refere-se ao preceito básico de controle biológico atualmente chamado de multiplicação (criações massais), que evoluiu muito com o desenvolvimento das dietas artificiais para insetos, especialmente a partir da década de 70.

DEFINIÇÕES

Parasita. É um organismo usualmente menor que o hospedeiro. Os parasitas podem completar seu ciclo de vida em um único hospedeiro e na maioria das vezes não matam o hospedeiro. Ex. piolho.

Parasitóide. Inicialmente parasitam o hospedeiro causando sua morte até o final do seu ciclo evolutivo.É muitas vezes do mesmo tamanho do hospedeiro, mata este e exige somente um indivíduo para completar o desenvolvimento; o adulto tem vida livre.

Segundo a forma como se desenvolvem no corpo do hospedeiro podem ser:

Endoparasitóides - quando se desenvolvem dentro do corpo do hospedeiro,
Ectoparasitóides
- quando se desenvolvem fora do corpo do hospedeiro,
Hiperparasitóides
- quando se desenvolve em outro parasitóide.
Superparasitismo -
fenômeno pelo qual vários indivíduos de uma espécie de parasitóide podem se desenvolver em um hospedeiro.
Parasitismo múltiplo
- situação na qual mais de uma espécie de parasitóide ocorre dentro ou sobre um hospedeiro.
Adelfoparasitismo – Fenômeno no qual uma espécies de parasitóide é parasito de si mesma.
Cleptoparasitismo
– Fenômeno no qual um parasitóide ataca preferencialmente hospedeiros que já estejam parasitados por outras espécies. O cleptoparasitóide não é hiperparasitóide, mas no caso existe um multiparasitismo , no qual há competição das duas espécies, com a espécie cleptoparasitóide usualmente dominando.
Heterônomos.
O macho e a fêmea do parasitóide têm hospedeiros diferentes.
Poliembrionia.
O adulto coloca um único ovo por hospedeiro, o qual, posteriormente, divide-se em muitas células, cada uma desenvolvendo-se independentemente . Formam-se diversos embriões a partir de um ovo parasitado.

Predador. Sempre atacam e matam sua presa. È um organismo de vida livre durante todo o ciclo de vida. Usualmente é maior do que a presa e requer mais do que uma para completar o seu desenvolvimento. Ex. leão

Os predadores podem ser classificados em:

Monófagos. Comem apenas uma espécie de presa.
Estenófagos . Comem um número restrito de espécies.
Oligófagos. Comem um número moderado de espécies.
Polífagos . Comem um grande número de espécies.
Insaciáveis . Matam indiscriminadamente. Ex. Aranhas

Em relação aos hábitos alimentares, durante o seu desenvolvimento, os predadores podem ser:

Completos. Possuem hábitos predatórios durante todas as fases de seu desenvolvimento.
Incompletos.
Possuem hábitos predatórios apenas em uma fase do seu desenvolvimento.

Os entomologistas geralmente usam o termo parasito para designar insetos que parasitam e patógeno para organismos que causam doenças em insetos. Por outro lado, os parasitologistas empregam “parasitos” para qualquer organismo que viva em um hospedeiro, incluindo microorganismso e organismos multicelulares.

Estratégias de liberação

Liberação inoculativa . Liberação de um pequeno número de insetos.É para sistemas abertos com baixa variabiliade temporal. Aplica-se a culturas perenes ou semiperenes e florestas. É, portanto, típica do controle biológico clássico.
Liberação inundativa
. É para sistemas com alta variabilidade temporal (culturas anuais).
Liberação inoculativa estacional
. É normalmente feita em casas-de-vegetação no período de ocorrência da praga.é uma mistura do método inundativo e inoculativo, pois é liberado uma grande quantidade de insetos para se obter um controle imediata e espera-se o crescimento das populações para controle das gerações tardias.

Formas de exploração do hospedeiro

Coinobiontes . Parasitóides que permitem que o hospedeiro cresça (e continue a se alimentar) em tamanho após o parasitismo.
Idiobiontes
. Ecto ou endoparasitóides de ovos e pupas, os quais matam seus hospedeiros antes da emergências e se desenvolvem em hospedeiros mortos ou paralisados. São os parasitóides de ovos, pupas e adultos, alem dos parasitóides larvais que, por meio de “picadas”, paralisam permanentemente a presa.
Arrenotoquia
. Ovos não fertilizados produzem machos e os fertilizados, fêmeas.Conseqüentemente, fêmeas virgens podem dar descendentes, mas eles serão todos machos. Espécies que seguem esse modo de reprodução são chamadas biparentais. Em algumas espécies biparentais, a fêmea copuladas pode produzir macho ou fêmeas por meio de um controle externo ou interno de fertilização.
Deuterotoquia
. Maneira pela qual fêmeas não copuladas produzem machos e fêmeas. Essas espécies são chamadas uniparentais. Os machos haplóides produzidos não são funcionais (ecológica e biologicamente). As fêmeas produzem em sua progênie de fêmeas uma condição diplóide pro meio de vários mecanismos genéticos.
Telitoquia
. As fêmeas virgens produzem somente fêmeas, e os machos são desconhecidos. Em alguns casos, espécies telítocas, sob determinadas condições de temperatura, mudam para deuterotoquia e produzem machos haplóides e fêmeas diplóides.
Pró-ovigenia
. Caso em que, quando ocorre a emergência, todos os ovos estão maduros, prontos para serem colocados, sem necessidade de seu desenvolvimento.
Sinovigenia
. Caso em que poucos ovos estão maduros quando ocorre a emergência, havendo um amadurecimento gradual. Com isso os adultos necessitam de proteínas em sua dieta. Muitas vezes, essa proteíona é obtida em uma ação predatória, matando o hospedeiro pela introdução do ovipositor para se alimentar da hemolinfa exudada.

Voláteis químicos envolvidos na comunicação interespecifica predador (parasitóide )- presa

Alomônios . Substâncias que favorecem aquele que emite o sinal – por exemplo, venenos e secreções defensivas.
Cairomônios . Químicos que favorecem o receptor – ppor exemplo, Trichograma é favorecido pelas substancias químicas prsentes nas escamas das asas de lepidópteros, deixadas por ocasião da postura e que irão atraí-lo.
Sinomônios
. Voláteis químicos que favorecem tanto o emissor como o receptor, como o caso de plantas que, ao serem atacadas por herbívoros, liberam substâncias que atraem os parasitóides.
Apneumônios.
Substâncias liberadas por organismos não vivos que atraem parasitóides.

Agentes de controle

O controle biológico envolve o reconhecimento de que todas as espécies de plantas e animais têm inimigos naturais atacando seus vários estágios de vida.

Dentre tais inimigos naturais existem grupos bastante diversificados, como insetos, vírus, fungos, bactérias, aranhas, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A forma mais conhecida de controle biológico é o controle de insetos por outros insetos.

Isto acontece o tempo todo nos sistemas agrícolas de forma natural, independentemente da ação do homem: por exemplo, muitos insetos se alimentam naturalmente de outros insetos, ou populações de insetos são às vezes sujeitas a epidemias as que acabam matando. No entanto, em alguns casos, a interferência do homem passa a ser necessária e são introduzidos ou manipulados insetos ou outros organismos para controlar quaisquer outras espécies que prejudicam os cultivos.

Os mais utilizados no controle biológico artificial são fungos , bactérias e vírus, para os quais há inclusive formulações comerciais a venda em lojas de produtos agrícolas (como o Dipel, entre outros). Os animais insetívoros (peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos), por serem inespecíficos, apesar de destruírem um grande número de insetos, não são usados em controle biológico pelo homem. Neste grupo incluem-se, por exemplo, lagartixas, sapos, rãs, tamanduás, tatus, etc.

Entre os agentes de controle microbiano de insetos que estão sendo utilizados no País destacam-se os fungos Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana e Sporothrix insectorum , os agentes de natureza viral Baculovirus anticarsia , Baculovirus erinnys e Baculovirus spodoptera e os produtos à base das bactérioas Bacillus thurigiensis e Bacillus sphaericus .

Vírus

Embora muitas viroses ocorram em insetos, é na família Baculoriridae que se concentram os mais importantes vírus empregados no controle biológico. Esses vírus tem sido usados efetivamente há mais de 50 anos. É nessa família de vírus que estão aqueles que possuem corpos de inclusão visíveis ao microscópio ótico ou aqueles que são observáveis apenas por meio de microscópio eletrônico.

Os vírus contaminam os insetos por via oral sendo ingeridos junto com órgãos e tecidos foliares, principalmente folhas e caules.

Os sintomas do contágio são:

Paralisação da alimentação.
Movimentação lenta do inseto;
Perda de coloração do corpo;
Perda do brilho natural;
Busca pela parte mais alta da planta;
Morte de cabeça para baixo, pendurados.

Os vírus podem ser isolados de insetos contaminados. Neste caso, estes indivíduos devem ser macerados em uma solução tampão (para eliminar gorduras e regular o pH) e, em seguida, o material deve ser filtrado e centrifugado.

Vantagens

São bastante específicos;
Condições de armazenamento não são tão rigorosas;
Podem ser usados com risco mínimo de contágio de seres humanos (temperatura ótima de ação difere da temperatura do corpo humano).

Desvantagens

Falta de formulações adequadas;
Grande custo de produção;
Ação lenta;
Pequena atividade residual.

Bactérias

Bactérias que produzem esporos e mesmo bactérias não-esporulantes podem causar doenças em insetos. As pertencentes ao gênero Bacillus são as mais importantes para o controle biológico, sendo o Bacillus popillae utilizado desde a década de 30 no controle de coleópteros. Outras espécies do mesmo gênero produzem cristais protéicos que são tóxicos quando ingeridos por insetos. É o caso do B. thuringiensis , mais conhecido como Bt, largamente empregado contra dípteros, ortópteros, himenópteros e principalmente lepidópteros.

As bactérias contaminam os insetos por via oral, multiplicam-se no interior dos mesmos, e no caso de certos Bacillus produzem protoxinas na forma de cristais. Os cristais atacados por proteases liberam toxinas que afetam os insetos com paralisia intestinal e suspensão da alimentação.

Alguns sintomas de contágio são:

Paralisação da alimentação;
Aumento da cápsula encefálica

Geralmente as bactérias entomopatogenicas podem ser agrupadas em 3 categorias:

Obrigatórias . Causam enfermidades especificas para os insetos, não crescem em meio artificial, e atingem um número muito limitado de espécies hospedeiras.
Facultativas
. Invadem e lesionam tecidos suscetíveis e crescem facilmente em meio artificial. São as mais utilizadas em programas de controle biológico.
Potenciais
. Multiplicam-se em meio artificial, e não possuem especificidade para o hóspede.

Fungos

Os fungos são os microrganismos mais freqüentemente encontrados atacando insetos. Estima-se que os fungos sejam responsáveis por cerca de 80% das doenças de insetos. São conhecidas atualmente mais de 700 espécies de fungos que atacam insetos.

Assim como os fungos podem eventualmente causar doenças em plantas e mamíferos, também os insetos podem ser atacados por certos fungos . Se usados convenientemente, eles podem ser empregados no controle de insetos-pragas de plantas cultivadas ou mesmo de insetos vetores de doenças.

A principal forma de ação dos fungos é por contato, porém, este ocorre de forma lenta. Os insetos também podem ser contaminados por fungos por via oral, entretanto, este modo de ação não é significativo.

Alguns sintomas de ataque são:

Manchas escuras na pernas, segmentos e todo tegumento;
Paralisação da alimentação, o inseto tem aspecto débil e desorientado;
Aparecimento de coloração branquicenta, devido ao desenvolvimento do micélio, no inicio da contaminação;
Após o desenvolvimento da contaminação o corpo do inseto contaminado adquire a coloração característica do fungo que o atacou;
Em alguns casos os insetos que estão para morrer buscam a parte alta da planta.

Os fungos também podem ser isolados de insetos contaminados, com a utilização de técnicas microbiológicas utilizados no isolamento de fungos e outros microrganismos.

Desvantagens

Não são específicos.
Problemas de armazenamento (temperatura e umidade).

Protozoários

Apesar da grande importância dos protozoários como controladores de algumas populações de insetos, este grupo de patógenos não tem desenvolvimento satisfatório como inseticida microbiano.

Nematóides

Já os nematóides, como agentes de controle biológico apresentam a vantagem de serem mais eficientes, principalmente em nível de espécie. Esta vantagem esta associada com a habilidade de busca do hóspede e a segurança que representam para os mamíferos.

Vantagens

Resistem a um grande número de defensivos agrícolas;
Efeito sinergistico como outros patógenos (ex. Bt);
Boa capacidade de adaptação a novos ambientes;
Não causam danos às plantas cultivadas por serem específicos aos insetos;
Muitas vezes se reproduzem sem a presença dos machos (partenogênese);
Não são nocivos aos animais domésticos.

Desvantagens

Dificuldade de obtenção e realização de grandes criações em meio artificial a um custo economicamente viável;
Dependência de fatores ambientais em sua aplicação;
Dificuldades de armazenamento por grandes períodos;
Dificuldades para obtenção de embalagens adequadas para o envio das doses produzidas;
Existência de mecanismos de defesa em alguns insetos.

Exemplos de sucesso

O primeiro relato de controle natural no Brasil foi feito em 1924, quando apareceu a chamada broca do café nas lavouras paulistas. O Instituto Biológico identificou a praga e trouxe o primeiro método de controle biológico para o Brasil

Vários exemplos de programas bem sucedidos se seguiram (Tabela 1). Um de deles é o caso do vírus que ataca a lagarta da soja, desenvolvido pela Embrapa a partir de 1978. Este trabalho mostrou aos agricultores que um determinado tipo de vírus que ataca lagartas em plantações de soja podia controlar grandes populações da praga sem efeitos negativos ao ambiente. Hoje, esse vírus é utilizado em mais de um milhão de hectares, com economia anual de 1,2 milhão de litros de inseticidas químicos, no que é o maior programa mundial em área tratada com um único agente de controle biológico.

O caso da cigarrinha da cana-de açúcar

Bons resultados têm sido obtidos com o controle de cigarrinha da cana-de-açúcar com o fungo Metharizium anisopliae , em especial no nordeste do Brasil, onde o inseto ataca as folhas.

Com a mudança radical na cultura por meio da eliminação de queimada da cana e da adoção do corte mecanizado ocorre o aumento significativo da matéria orgânica depositada no solo, influenciando diretamente a ocorrência de pragas e doenças, tais como: Migdolus spp ., cupins, formigas cortadeiras, cigarrinhas, fungos, bactérias, nematóides e plantas daninhas infestantes. O ataque das ninfas e adultos da cigarrinha provoca danos visíveis à lavoura, com colmos de cana mais finos e até mortos, causando redução de até 60% de peso e, principalmente, do teor de sacarose, devido à contaminação por toxinas e microrganismos, provocando perdas na produção de açúcar e de álcool. O trabalho desenvolvido pelo Instituto Biológico permitiu a utilização de novas cepas do fungo, mais efetivas no controle do inseto e hoje é difundida para produtores, empresas interessadas na produção de formulações comerciais.

O Instituto Biológico tem transferido, com apoio da FundAg, a tecnologia de multiplicação do fungo Metarhizum, utilizado no controle da cigarrinha em cana-de-açúcar, para o setor privado, viabilizando o estabelecimento de novos laboratórios de produção do fungo, além de acompanhar e monitorar a qualidade do produto final. Em, pelo menos, 160 mil hectares de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, já está sendo utilizado o controle de cigarrinhas, representando economia e redução de aplicação de defensivos químicos. A implantação do projeto reduziu em 3.238 toneladas o uso de produtos químicos no período de 2002/2003.

A queda nos custos também foi bastante sensível: o custo médio de tratamento utilizando defensivos químicos é de R$160,00/ha. O gasto com controle biológico cai para, apenas, R$40,00/ha, em média. Redução de R$ 120,00/ha.

O caso da vespa da madeira

A vespa-da-madeira foi localizada em 1988 no Rio Grande do Sul e logo chegou a Santa Catarina e Paraná, atingindo cerca de 250 mil hectares. Altamente nociva, por danificar e matar árvores colocou em risco os quase dois milhões de hectares de Pinus existentes no Brasil. Os pesquisadores da Embrapa estão utilizando, para controle, um sistema que inclui principalmente um nematóide e mais três vespas parasitóides, reduzindo 70% da população da praga. Com isso, o país obtém uma economia anual de 6,6 milhões de dólares. Esta tecnologia ganhou, em 2001, o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica - Região Sul.

São utilizadas diversas técnicas, integrando o monitoramento constante nas áreas de cultivo, com vista a detectar precocemente a vespa e eliminar as árvores infestadas, o uso do nematóide entopatogênico da família Neothlenchidade, Delamus siricidicola, e a liberação das vespas parasitóides.

O nematóide ocorre na natureza, infestando as larvas da vespa e causando infertilidade. Sua aplicação é feita após a detecção da vespa na área, usando-se árvores-armadilha. Estas são árvores estressadas pelas retirada da casca e pela aplicação de herbicidas no corte, que assim tornam-se atrativas para a vespa.

Dentro da árvore, os nematóides movimentam-se pela madeira até encontrarem as larvas do inseto, infectando-as.

O caso das formigas

De forma geral, as pessoas acreditam que todas as formigas são pragas, lembrando principalmente das formigas cortadeiras (saúvas e quenquéns). Ou senão, fazem referência às formigas que vivem nas casas. No entanto, salvo dois ou três casos particulares, nem 5% das espécies de formigas são prejudiciais ao ser humano ou à sua agricultura. Excluindo as espécies cortadeiras, a "pixixica" e a "formiga de enxerto" nos cacauais da Bahia, as formigas em geral têm papel benéfico nos agroecossistemas. Por serem predadoras generalistas, ou seja, se alimentarem de diversos outros organismos, as formigas constituem uma fonte permanente de controle de outros insetos. Um dos motivos é que nos sistemas agrícolas tropicais existe um grande número de formigas de muitas espécies diferentes.

Diversas espécies de formigas receberam atenção especial dos pesquisadores e da população em geral por seu papel no controle biológico de insetos que danificam plantas cultivadas no sudeste da Bahia, no cacaueiro em particular. A caçarema, por exemplo, é um excelente predador de tripes e de percevejos do cacaueiro, enquanto a formiga Ectatomma tuberculatum ataca vaquinhas, formigas cortadeiras e lagartas. A grande vantagem das formigas é que elas caçam em permanência na vegetação e não precisam de "reaplicação". De forma tradicional, numerosos fazendeiros espalham as "caçaremas" nas suas plantações há décadas, apesar de campanhas de erradicação intensivas organizadas contra esta espécie entre os anos 1950 e 1970, na época onde se considerava que "um inseto bom é um inseto morto".

Além destes, os percevejos-da-soja, a lagarta do cartucho-do-milho, a cigarrinha-das-pastagens, a vespa-da-madeira, a mosca-de-renda da seringueira e o pulgão-do-trigo são algumas das dezenas de pragas no Brasil que podem ser controladas sem uso de produtos químicos .

A seguir é apresentada uma tabela com alguns agentes de controle biológico que vem sendo utilizados no Brasil com sucesso e a forma de aplicação:

Agente Biológico

O que ele ataca

Como se aplica

Fungo Metarhizium anisopliae

Cigarrinha da folha da cana-de-açúcar

O fungo é pulverizado e, em contato com o corpo do inseto, causa doença.

Fungo Metarhizium anisopliae

Broca dos citrus

O fungo é polvilhado nos buracos da planta contaminando a praga.

Fungo Beauveria bassiana

Besouro "moleque-da-bananeira"

O fungo é aplicado em forma de pasta em pedaços de bananeira que são colocados ao redor das árvores servindo de isca.

Fungo Insectonrum sporothrix

Percevejo "mosca-de-renda"

O fungo é pulverizado e, em contato com o corpo do inseto, causa doença.

Vírus Baculovírus anticarsia

Lagarta da soja

Pulverizado sobre a planta o vírus adoece a lagarta que se alimenta das folhas.

Vírus Baculovírus spodoptera

Lagarta do cartucho do milho

Pulverizado sobre a planta, o vírus adoece a lagarta que se alimenta da espiga em formação.

Vírus Granulose

Mandorová da mandioca

Pulverizado sobre a mandioca o víris é nocivo à praga.

Nematóide Deladendus siridicola

Vespa-da-madeira

Em forma de gelatina, o produto é injetado no tronco da árvore esterelizando a vespa.

Bactéria Bacillus thuringiensis (Dipel)

Lagartas desfolhadoras

Pulverizado sobre a planta o Dipel é nocivo às lagartas.

Tabela 1: Exemplos de agentes de controle biológico utilizados no Brasil

O mercado

O interesse pelos programas de controle biológico de pragas tem crescido consideravelmente no mundo em função do novo direcionamento internacional da produção agrícola de favorecer a conservação e o uso sustentável dos recursos biológicos, requisitos básicos da Convenção da Biodiversidade. Políticas internacionais demandam fortemente alternativas para os agrotóxicos, e a utilização de inimigos naturais de pragas é uma alternativa promissora. Em um país como o Brasil, que despeja, por ano, cerca de 260 mil toneladas de agroquímicos nas lavouras e onde o consumo de praguicidas cresceu 60% nos últimos quinze anos o controle biológico parece ser uma alternativa não apenas ecologicamente correta, mas também economicamente justificável. Em 2002, a venda de agrotóxicos atingiu US$ 2,5 bilhões por ano.

Atualmente, existem disponíveis no mercado cerca de 200 produtos de controladores biológicos registrados, os chamados bioinseticidas, com faturamento anual de 300 milhões de colares, o que corresponde apenas a 1% do faturamento conseguido pelos compostos químicos empregados com a mesma finalidade.

Do ponto de vista do mercado consumidor é importante notar que os consumidores estão cada vez mais exigentes e preferindo alimentos cuja produção não agrida o meio ambiente. Uma pesquisa do IBOPE, realizada em 2001, revelou que para 73% da população a decisão de compra e consumo sofre influência positiva com a informação de que o alimento foi produzido sem insumos químicos .

Para os produtores ainda há a vantagem no preço: os produtos orgânicos obtêm preços médios de 30% a 40% acima do valor do produto convencional e está conquistando o mundo. Na Europa, a agricultura orgânica cresce 25% ao ano, e na Áustria a produção agrícola orgânica atinge 40% da produção total. No Brasil, décimo produtor mundial, o crescimento anual está numa média de 10%, e no ano passado movimentou cerca de 150 milhões de dólares, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO). No mundo, o movimento chega a US$ 24 bilhões, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.

Considerando as vantagens da produção com custos mais baixos, da diminuição dos impactos ambientais, do aumento da segurança alimentar e da menor exposição dos trabalhadores rurais a substâncias tóxicas, o controle biológico de doenças, insetos e plantas daninhas se torna, cada vez mais, uma prática comum em nosso meio rural, tornando a agricultura e os alimentos mais saudáveis. É possível reduzir em até 60% a aplicação de agrotóxicos realizando-se o manejo ecológico adequado. Práticas como as do controle biológico, além de ser ecologicamente recomendáveis e moralmente satisfatórias, diminuem o custo de produção ao agricultor e permite uma produção desprovida de agentes químicos, tão valorizada hoje em dia no mercado internacional.

O Brasil é um dos poucos países do mundo detentores da chamada megadiversidade biológica, ou seja, de ecossistemas importantes ainda íntegros.

Essa biodiversidade pode oferecer uma oportunidade ímpar para o controle biológico de pragas no país, como também, em outros países do mundo, com a identificação de novos organismos vivos com potencial de serem utilizados no controlebiológico.

Os inimigos naturais são de grande importância para agricultura sustentável, e podem, freqüentemente, substituir ou reduzir a necessidade de utilização dos agrotóxicos, sendo um importante componente no manejo ecológico de pragas. A tendência do uso do controle biológico de pragas é aumentar consideravelmente no âmbito global, atendendo às demandas internacionais na utilização de práticas agrícolas menos agressivas ao meio ambiente.

Referências bibliográficas

www.cenargen.embrapa.br/conbio/conbio.html
www.planetaorganico.com.br/controle.htm
Jornal "A Folha de São Paulo", caderno "Agrofolha", 1998.
Livro: “Controle Biológico” – Editores Itamar Soares de Melo e João Lúcio de Azevedo.
Notas de aula: Disciplina de Controle Biológico, Profº Nilton José Sousa – UFPR, Mestrado em Engenharia Florestal
Livro: Cap.1: Controle Biológico – Terminologia – José Roberto Parra, Paulo Sérgio Botelho e outros.

Fonte: www.floresta.ufpr.br

Controle Biológico

O controle biológico consiste no emprego de um organismo (predador, parasita ou patógeno) que ataca outro que esteja causando danos econômicos às lavouras.

Trata-se de uma estratégia muito utilizada em sistemas agroecológicos, assim como na agricultura convencional que se vale do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

No que diz respeito às iniciativas políticas de redução no uso de agrotóxicos, atualmente, o exemplo cubano é o mais contundente. Desde 1982, Cuba tem-se voltado para o MIP, com ênfase no controle biológico. Em dencorrência do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos que impossibilita a compra de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, os agricultores cubanos aprenderam a substituir o uso de agrotóxicos por um programa maçico de controle biológico. O Programa cubano envolve cerca de 14 laboratórios regionais, 60 estações territoriais de defesa vegetal espalhadas pelo país, 27 postos de fronteira equipados com laboratórios de diagnósticos e 218 Unidades do Centro para Reprodução de Entomófagos e Entomopatógenos, responsáveis pelo controle biológico de 56% da área agrícola do país.Um dos aspectos importantes da estratégia cubana é a desencentralização da produção dos agentes de controle biológico, graças a técnicas simples e de baixo custo que foram desenvolvidas nas duas últimas décadas, possibilitando, simultaneamente, uma produção artesanal e de alto padrão de qualidade. Essa produção é feita pelos próprios filhos de agricultores associados às cooperativas que trabalham na elaboração de modernos produtos biotecnológicos em escala local.

No Brasil, embora o uso do controle biológico não seja uma prática generalizada entre os agricultores, há avanços significativos em alguns cultivos, devido aos esforços de órgãos estaduais de pesquisa e da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Um exemplo de sucesso é o controle da lagarta da soja ( Anticarsia gemmatallis) por meio do Baculovirus anticarsia. Essa prática foi lançada pelo Centro Nacional de Pesquisa da Soja em 1983 e, desde então, o produto foi utilizado em mais de dez milhões de hectares, proporcionando ao país uma economia estimada em cem milhões de dólares em agrotóxicos, sem considerar os benefícios ambientais resultantes da não-aplicação de mais de onze milhões de litros desses produtos.

Para alcançar esses resultados, todo programa de controle biológico deve começar com o reconhecimento dos inimigos naturais da "praga-chave da cultura" (principal organismo que causa danos econômicos à lavouras). Uma vez identificada a espécie e o comportamento da "praga" em questão, o principal desafio dos centros de pesquisa diz respeito a reprodução desse inimigo natural em grandes quantidades e com custos reduzidos. Outras estratégia, consiste no desenvolvimento dentro da propriedade de práticas culturais ( consórcio e rotação de culturas, uso de plantas como "quebra-vento", cultivos em faixas, entre outros) que aumentem a diversidade de espécies e a estabilidade ecológica do sistema, dificultando a reprodução do organismo com potencial para se tornar uma "praga".

Atualmente, nos programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP), existe uma tendência de caracterizá-lo não apenas como uma prática que propõe um manejo racional de agrotóxicos, mas também como um conjunto de práticas que inclua, além do próprio controle biológico, a rotação de culturas e o uso de variedades resistentes.

A seguir, são apresentados alguns dos organismos utilizados no Brasil para o o controle biológico de pragas:

Microorganismos utilizados no controle biológico de pragas

Agente Biológico

O que ele ataca

Como se aplica

Fungo Metarhizium anisopliae

Cigarrinha da folha da cana-de-açúcar

O fungo é pulverizado e, em contato com o corpo do inseto, causa doença.

Fungo Metarhizium anisopliae

Broca dos citrus

O fungo é polvilhado nos buracos da planta contaminando a praga.

Fungo Beauveria bassiana

Besouro "moleque-da-bananeira"

O fungo é aplicado em forma de pasta em pedaços de bananeira que são colocados ao redor das árvores servindo de isca.

Fungo Insectonrum sporothrix

Percevejo "mosca-de-renda"

O fungo é pulverizado e, em contato com o corpo do inseto, causa doença.

Vírus Baculovírus anticarsia

Lagarta da soja

Pulverizado sobre a planta o vírus adoece a lagarta que se alimenta das folhas.

Vírus Baculovírus spodoptera

Lagarta do cartucho do milho

Pulverizado sobre a planta, o vírus adoece a lagarta que se alimenta da espiga em formação.

Vírus Granulose

Mandorová da mandioca

Pulverizado sobre a mandioca o víris é nocivo à praga.

Nematóide Deladendus siridicola

Vespa-da-madeira

Em forma de gelatina, o produto é injetado no tronco da árvore esterelizando a vespa.

Bactéria Bacillus thuringiensis (Dipel)

Lagartas desfolhadoras

Pulverizado sobre a planta o Dipel é nocivo às lagartas.

Embora o controle biológico traga respostas positivas na redução ou abandono do uso de agrotóxicos e na melhoria de renda dos agricultores, analisando o conjunto de experiências realizadas mundialmente, verifica-se que os resultados ainda estão concentrados em apenas alguns cultivos e, principalmente, no controle de insetos. Em outras palavras, ainda existe muito o que desenvolver nas áreas de controle de pragas e doenças.

Vale ressaltar que, segundo os princípios da Agroecologia a superação do problema do ataque de pragas e doenças só será alcançada por meio de uma abordagem mais integrada dos sistemas de produção. Isso significa intervir sobre as causas do surgimento de pragas e doenças e aplicar o princípio da prevenção, buscando a relação do problema com a estrutura e fertilidade do solo, e com o desequilíbrio nutricional e metabólico das plantas. O controle biológico, assim como qualquer estratégia dentro de um sistema agroecológico de produção jamais poderá ser um "fim em si mesmo", deve ser apenas o veículo para que o conhecimento e a experiência acumulados se manifestem na busca de soluções específicas para cada propriedade. Em outras palavras, nas propriedades agroecológicas em vez dos microorganismos é o ser humano que deve atuar como o principal agente de controle biológico.

Fontes:

Jornal "A Folha de São Paulo", caderno "Agrofolha", 1998.
Livro "Crise Socioambiental e Conversão Ecológica da Agricultura Brasileira", Silvio Gomes de Almeida e outros, Rio de Janeiro: AS-PTA, 2001.

Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos Agroecológicos

O que é melhor curar?

A febre ou a doença que a provoca?

Responder a essa pergunta significa optar pelo tratamento do efeito (a febre) ou da causa (doença) de um determinado problema. Assim como no corpo humano habita uma série de microorganismos que coexistem pacificamente conosco, na lavoura esses organismos também se encontram no solo, nas plantas e nos organismos dos animais.

Só quando o corpo e a agricultura se tornam fracos e desequilibrados em seu metabolismo, é que esses organismos oportunistas atacam, tornando-se um problema. Isso significa que a origem do problema não é a existência desses organismos, mas o desequilíbrio presente ou no corpo humano ou no ambiente agrícola.

Na agricultura convencional, as práticas de campo se direcionam para o efeito do desequilíbrio ecológico existente. Este desequilíbrio gera a reprodução exagerada de insetos, fungos, ácaros e bactérias, que acabam se tornando "pragas e doenças" das lavouras e das criações de animais. Aplicam-se agrotóxicos nas culturas, injetam-se antibióticos e outros remédios nos animais buscando exterminar esses organismos. Contudo, o desequilíbrio quer seja no metabolismo de plantas e animais, quer seja na constituição físico-química e biológica do solo permanece. E permanecendo a causa, os efeitos (pragas e doenças) cedo ou tarde reaparecerão, exigindo maiores frequências de aplicação ou maiores doses de agrotóxicos num verdadeiro "círculo vicioso".

Na agricultura orgânica, por sua vez, trabalha-se no sentido de estabelecer o equilíbrio ecológico em todo o sistema. Parte-se da melhoria das condições do solo, que é a base da boa nutrição das plantas que, bem nutridas, não adoecerão com facilidade, podendo resistir melhor a algum ataque eventual de um organismo prejudicial. Cabe destacar o termo "eventual" porque num sistema equilibrado, não é comum a reprodução exagerada de organismos prejudiciais, visto que existem no ambiente inimigos naturais, que naturalmente irão controlar a população de pragas e doenças.

Desta forma, partindo da prevenção e do ataque às causas geradoras de desequilíbrio metabólico em plantas e animais, os métodos agroecológicos de manejo de tais organismos se tornam bem sucedidos à medida em que encaram uma propriedade do mesmo modo que um médico deveria olhar para uma pessoa: como um "organismo", uma individualidade única e repleta de interações dinâmicas e em constante mudança.

Diferença entre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos Agroecológicos

O Manejo Integrado de Pragas (conhecido como MIP), constitui um plano de medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na produção convencional, buscando otimizar o uso desses produtos no sistema. O princípio da agricultura convencional de atacar apenas os efeitos, permanece à medida em que todas as práticas se voltam para o controle de pragas e doenças e não para o equilíbrio ecológico do sistema. Contudo, existe uma preocupação em se utilizar agrotóxicos apenas quando a população desses organismos atingir um nível de dano econômico (em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos significativos), diminuindo a contaminação do ambiente com tais produtos.

Já os métodos agroecológicos buscam aplicar o princípio da prevenção, fortalecendo o solo e as plantas através da promoção do equilíbrio ecológico em todo o ambiente.Seguindo essa lógica, o controle agroecológico de insetos, fungos, ácaros, bactérias e viroses é realizado com medidas preventivas tais como:

Plantio em épocas corretas e com variedades adaptadas ao clima e ao solo da região.

Fazer uso da adubação orgânica.
Rotação de culturas e adubação verde.
Cobertura morta e plantio direto.
Plantio de variedades e espécies resistentes às pragas e doenças.
Consorciação de culturas e manejo seletivo do mato.
Evitar erosão do solo.
Fazer uso de adubos minerais pouco solúveis admitidos pela Instrução Normativa.
Uso de plantas que atuem como "quebra ventos" ou como "faixas protetoras".
Nutrição equilibrada das plantas com macronutrientes e micronutrientes.
Conservação dos fragmentos florestais existentes na região.

Entretanto, cabe ressaltar que algumas das estratégias usadas no Manejo Integrado de Pragas, que visa a diminuição do uso de agrotóxicos nas lavouras, podem ser adotadas pelos produtores orgânicos.

Vejamos, a seguir, tais estratégias com mais detalhes:

Estratégias para o Manejo Agroecológico de Pragas e Doenças

1 - Reconhecimento das pragas-chave da cultura

Consiste em identificar qual o organismo que causa maior dano à cultura. Por exemplo, no caso do algodão, o bicudo constitui o inseto mais importante no elenco de organismos que prejudicam a cultura. Na cultura da banana os principais organismos são fungos, responsáveis pelo "Mal de Sigatoka" e pelo "Mal do Panamá"

Conhecer a praga-chave de cada cultura ajudará o agricultor a adotar práticas que incentivem a reprodução de seus principais inimigos naturais, ou que criem condições ambientais desfavoráveis à multiplicação do organismo indesejável

2 - Reconhecimento dos inimigos naturais da cultura

Diversos insetos, fungos e bactérias podem atuar beneficamente como agentes de controle biológico das principais pragas e doenças e, o que é melhor, de forma gratuita na medida em que ocorrem naturalmente no ambiente. Conhecer as principais espécies e favorecê-las através de diversas práticas (manejo do mato nativo, adubação orgânica, preservação de fragmentos florestais, entre outros), é uma estratégia fundamental para o sucesso do controle de pragas e doenças na agricultura agroecológica.

3 - Amostragem da população dos organismos prejudiciais

Monitorar a presença das pragas através da contagem de ovos, largas e organismos adultos (no caso de insetos), ou da vistoria das plantas (% de dano em caso de doenças fúngicas ou bacterianas), é uma atividade obrigatória para que o produtor saiba quando agir e o faça de modo a promover o equilíbrio ecológico de todo o sistema de produção.

4 - Escolher e utilizar as táticas de controle

Mesmo promovendo o equilíbrio do sistema, a persistência de determinadas pragas e doenças no ambiente é comum e nem sempre basta a adoção apenas de medidas preventivas. A traça do tomateiro (Tuta absoluta ), a requeima da batata (Phytophora infestans) são exemplos desse caso.Assim, quando existem ameaças destes organismos promoverem um dano econômico às culturas agroecológicas, será necessário ao agricultor adotar práticas "curativas". Tais práticas atuam como "remédios" para as plantas, como o uso das caldas bordalesa ou sulfocálcica, por exemplo.

Literatura Consultada

"Introdução à Agricultura Orgânica: Normas e Técnicas de Cultivo", Sílvio Roberto Penteado, Campinas: Editora Grafilmagem, 2000.
"Manual de Alternativas Ecológicas para Prevenção e Controle da Pragas e Doenças", Ines Claudete Burg & Paulo Henrique Mayer (organizadores), Paraná: Assessoar, 1999. 7a edição.
"Cultivo Orgânico de Hortaliças: Sistema de Produção", Luiz Jacimar de Sousa, Viçosa: Centro de Produções Técnicas, 1999.

Fonte: www.planetaorganico.com.br

Controle Biológico

Atualmente, o progresso nas ciências agronômicas tem sido grande e constante, assim como a especialização de seus profissionais. Como em outras áreas, estão surgindo os super especialistas, os quais se tornam profissionais com sérias dificuldades na análise de problemas como um todo. O que sugere, principalmente em termos de problemas no meio agrícola, a inserção da preocupação com o meio ambiente. O uso indiscriminado de fungicidas, inseticidas e adubações desequilibradas está causando desvios metabólicos nas plantas e, conseqüentemente, reduzindo a biodiversidade dos ecossistemas.

Assim, os desequilíbrios nutricionais tornam as plantas susceptíveis às doenças e pragas, as quais estão intimamente relacionadas com o desconhecimento dos efeitos colaterais dos agrotóxicos, corretivos e fertilizantes, que, por sua vez, estão gerando a necessidade do uso cada vez maior de agrotóxicos nas culturas.

Com esta visão, o controle biológico surge como uma alternativa racional, extremamente necessária e essencial à agricultura na atualidade. Sabe-se que as plantas coevoluíram com os microrganismos, onde, vários produtos são excretados pelas plantas, como aminoácidos, ácidos orgânicos, açúcares, etc., os quais favorecem o crescimento dos mais variados seres vivos. Esta associação constante gerou a interdependência entre microrganismos e as plantas superiores.

A ocorrência de doenças e pragas é resultado do desequilíbrio ecológico, microbiológico e nutricional da planta, torna-se evidente que, nos centros de origem das plantas, as doenças e pragas não são devastadoras, pois o equilíbrio é mantido. Quando a planta é domesticada e cultivada em condições diferentes, em monocultura, adubação química e agrotóxicos, ocorre a destruição do ecossistema original, isto é, da microflora e fauna benéficas à planta. Assim, criam-se condições ideais para o surgimento de grandes epidemias de doenças e pragas da atualidade.

Doença é mais do que uma íntima interação entre patógeno e hospedeiro influenciada pelo ambiente. Doença é o resultado da interação entre hospedeiro, patógeno e diversos não patógenos que também habitam o sítio de infecção e que apresentam potencial para limitar a atividade do patógeno ou aumentar a resistência do hospedeiro. Portanto, o patógeno, o hospedeiro e os antagonistas são componentes do controle biológico, que estão sob a influência do ambiente, interagindo num sistema biológico.

O controle biológico de fitopatógenos veiculados pelo solo pode ser obtido através da manipulação do ambiente e da introdução de antagonistas, tanto no solo quanto nos órgãos de propagação das plantas. Este tipo de controle raramente erradica os patógenos, pois depende da manipulação do equilíbrio biológico existente no solo, sendo que as chances de sucesso são aumentadas quanto maior e mais variada for a população microbiana do solo.

Pesquisas recentes têm mostrado que fitopatógenos e doenças em culturas, geralmente podem ser controlados por agentes microbianos específicos ou pela manipulação de comunidades naturais de organismos nas raízes e na parte aérea das plantas.

Agentes microbianos introduzidos dentro de culturas interagem ecologicamente com muitos fatores associados ao sistema da cultura, como: a própria cultura vegetal, o ambiente físico, o ambiente químico e as comunidades naturais de organismos. Além disso, deve-se considerar fatores específicos, como por exemplo, relação entre meio físico do solo e temperatura, potencial de água, pH, e biologia do solo, que inclui diversos tipos de organismos micro e macroscópicos, bactérias, fungos e algas.

A promoção da ação dos agentes microbianos é baseada na interação entre fatores que afetam a doença e biocontrole em culturas. Assim, é fundamental o conhecimento sobre epidemiologia da doença-alvo, relações ecológicas e densidade dos agentes microbianos na cultura e interações entre antagonistas e patógenos, incluindo seus mecanismos de ação. Tais informações podem contribuir para prevenir uma futura infecção, para suprimir o patógeno nos tecidos, ou para destruir o patógeno no solo. Ainda, podem indicar a aplicação dos agentes de biocontrole, se em sementes, raízes, folhagens, flores, frutos, resíduos culturais, solo, culturas hidropônicas, soluções nutritivas, etc.

Josiane Pacheco Menezes

Referências bibliográficas

BERGAMIM FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. Manual de Fitopatologia. V. 1. 3. ed. São Paulo : Agronômica Ceres, 1995.
SUTTON, J. C. Strategies for biological control of necrotrophic pathogens in perennial crops. Fitopatologia Brasileira, v. 25 (suplemento), p. 235-238, 2000.
TOKESHI, H. Doenças e pragas agrícolas geradas e multiplicadas pelos agrotóxicos. Fitopatologia Brasileira, v. 25 (suplemento), p. 264-271, 2000.

Fonte: www.agronline.com.br

Controle Biológico

A utilização constante dos agrotóxicos promove redução não só das pragas mas também dos organismos benéficos, fazendo com que cada vez mais o agricultor seja dependente dos produtos químicos.

Com isto a própria praga pode adquirir resistência, ficando muito difícil de ser controlada, obrigando o agricultor a mudar de produto, aumentar a dose ou até mesmo misturar ou usar produtos ainda mais tóxicos.

Esses químicos não só são tóxicos para a praga, mas são também perigosos para o homem, os animais domésticos e silvestres e, para a natureza como um todo, podendo deixar resíduos tóxicos nos alimentos ou na água.

Para evitar todos esses problemas acarretados pelos agrotóxicos, serão necessárias novas medidas de controle que, dependendo do grau de uso dos produtos químicos, só terão efeito eficaz a médio ou longo prazo.

A alternativa mais eficiente de controle das pragas ao alcance de todo produtor é o Controle Biológico que, em sua essência, pode ser considerado como o uso de organismos vivos para manter a população de determinada praga em equilíbrio no agrossistema, de modo a não ocasionar danos econômicos.

Controle Biológico
Predadores eficientes: crisopídeos e joaninhas

Existem na natureza vários organismos benéficos, também chamados de inimigos naturais, que utilizam para sua sobrevivência os insetos-pragas. Pássaros, aves, aranhas, insetos, fungos, bactérias e vírus tem papel importante no controle de pragas. É o que denominamos de Controle Biológico Natural.

Outro tipo de controle é o Controle Biológico Aplicado (CBA) que consiste na introdução e manipulação de inimigos naturais pelo homem para controlar a praga. O Controle Biológico Aplicado só é possível graças às técnicas de criação destes inimigos naturais em laboratórios. A vespa Trichogramma parasita os ovos de inúmeras espécies de praga da ordem Lepidoptera (Ex.: Mariposas). Os parasitóides de ovos apresentam como principal vantagem a possibilidade de controlar a praga antes que sejam causados danos à cultura.

A vespa Cotesia flavipes parasita a lagarta da broca da cana-de-açúcar. Como é parasitóide da fase larval da praga, é vantajosa na aplicação em áreas onde a lagarta já está presente e causando danos à cultura.

Controle Biológico
Trichogramma e Cotesia são os parasitóides mais utilizados em programas de Controle Biológico

Fonte: www.megabio.com.br

Controle Biológico

Controle Biológico de Pragas Agrícolas

O controle biológico de pragas agrícolas visa a redução de prejuízos econômicos através de ações selecionadas após os sistemas vitais tanto dos predadores como das pragas terem sido compreendidos e as conseqüências ecológicas, bem como as econômicas, destas ações tenham sido previstas o mais rigorosamente possível, para o melhor interesse da sociedade.

O controle biológico pode ser definido como quaisquer atividades envolvendo a manipulação de inimigos naturais tais como predadores, parasitas ou patógenos para reduzir ou suprimir uma população animal ou vegetal que represente uma praga. Um programa completo de controle biológico cobre uma ampla gama de atividades, desde a simples conservação de inimigos naturais através de criteriosa seleção de um pesticida que lhes seja menos tóxico até a liberação deliberada ou introdução de inimigos naturais.

O controle biológico é o uso de um organismo especialmente escolhido para controlar um outro que represente uma praga. É uma forma de manipular a natureza para obtenção de um efeito desejado. O controle biológico pode reduzir o uso de pesticidas por efetiva e economicamente suprimir pragas agrícolas.

Vantagens do controle biológico

A incorporação do controle biológico como parte de um programa integrado de controle de pragas reduz os riscos legais, ambientais e públicos do uso de produtos químicos. Métodos de controle biológico podem ser usados em plantações para evitar que populações de pragas atinjam níveis danosos.

O controle biológico pode representar uma alternativa mais econômica ao uso de alguns inseticidas. Algumas medidas de controle biológico podem evitar danos econômicos a produtos agrícolas. A maioria dos inseticidas apresenta amplo espectro de atuação e matam de modo não específico outros animais ecologicamente importantes e potencialmente úteis. Os inimigos naturais usualmente têm preferências muito específicas para certos tipos de pragas e podem não causar dano algum a outros animais benéficos e a pessoas, havendo menos perigo de impacto sobre o ambiente e qualidade da água. Quando usados adequadamente, vários produtos comerciais para controle biológico podem ser bastante eficazes.

Desvantagens do controle biológico

O controle biológico requer planejamento e gerenciamento intensivos. Pode demandar mais tempo, mais controle, mais paciência, mais educação e treinamento. O uso bem sucedido do controle biológico requer um grande entendimento da biologia da praga e a de seus inimigos. Muitos inimigos naturais de pragas são sensíveis a pesticidas e seu uso em um programa de controle biológico requer muito cuidado. Em alguns casos, o controle biológico pode ser até mais caro que o de pesticidas. Freqüentemente, os resultados do uso de práticas de controle biológico não são tão dramáticas ou tão rápidas como aqueles do uso de pesticidas. A maioria dos inimigos naturais atacam somente tipos específicos de animais, ao contrário dos pesticidas de amplo espectro.

As três principais abordagens do controle biológico

O controle biológico faz uso de predadores de ocorrência natural, parasitas e patógenos para controlar pragas. Há três abordagens principais para usar inimigos naturais contra populações indesejadas de animais ou plantas.

1. Controle biológico clássico (importação)

Envolve a coleta de inimigos naturais de uma praga na região onde esta se originou e que aí a atacam e impedem-na de tornar-se daninha. Novas pragas estão constantemente se originando acidental ou intencionalmente e a introdução de alguns de seus inimigos naturais poder ser um meio importante para reduzir o nível de dano que podem provocar.

2. Propagação

Forma de se aumentar a população de um inimigo natural que ataque uma praga. Isto pode ser feito pela massiva produção de um predador em laboratório e liberá-lo no campo na época apropriada. Um outro método é o melhoramento genético de um inimigo natural que possa atacar ou encontrar sua presa mais eficientemente. Esses predadores podem ser liberados em períodos especiais quando a praga está mais susceptível e inimigos naturais não estejam ainda presentes ou, então, podem ser liberados em grandes quantidades. Os métodos de propagação requerem contínuo controle e não representam uma solução permanente como podem os métodos da importação e da conservação.

Conservação de inimigos naturais

Parte importante de qualquer prática de controle biológico. Isto envolve a identificação de quaisquer fatores que limitam a efetividade de um inimigo natural particular e alterá-los para auxiliar a espécie benéfica. Esta abordagem envolve ou a redução de fatores que interferem com os inimigos naturais ou o fornecimento dos recursos requeridos que auxiliem os predadores naturais.

Desenvolvimento de um plano de controle biológico

O controle biológico é um instrumento a ser considerado na montagem de um esquema integrado de controle de pragas para a proteção da produção agrícola. Em um programa completo de gerenciamento de pragas, doenças, ervas-daninhas e o crescimento de outras plantas deve ser considerado bem como insetos e ácaros. No controle biológico, cada espécie que se quer proteger deve ser considerada individualmente.

Antes de se tentar o uso de predadores naturais em um programa de controle biológico, deve-se ter um grande conhecimento a cerca da praga em questão e do sistema de gerenciamento da produção agrícola que se quer proteger. Deve-se incluir uma identificação positiva das pragas. Uma vez que muitas decisões administrativas devem ser tomadas ao se usar inimigos naturais, as chances de fracasso são grandes quando estas são usados incorretamente. Um planejamento cuidadoso é crítico para assegurar que o produto selecionado para uso seja o correto para uma dada situação e uma praga específica, que a qualidade seja adequada e que o tempo e a quantidade de aplicações sejam corretos.

Microrganismos utilizados no controle biológico

Bactérias, fungos e vírus podem ser utilizados como forma de controle biológico. As tabelas 1, 2 e 3 mostram alguns dos microrganismos utilizados.

Tabela 1. Bactérias

Bactéria utilizada

Inseto controlado

Bacillus thuringiensis

lepidópteros, larvas aquáticas de mosquitos (Aedes spp., Anopheles spp, Culex spp.), borrachudos

Bacillus popilliae

larvas dAe besouros da família Scarabaeidae

 

Tabela 2. Fungos

Fungo utilizado

Inseto controlado

Aspergillus flavus larvas de Culex sp.
Beauveria bassiana larvas de mosquitos e moscas
Beauveria brongniartii baratas
Metarhizium anisopliae cigarrinha da cana-de-açúcar: Mahanarva posticata

cigarrinha das pastagens: Deois zulia

broca da cana: Diatraea saccharalis

percevejos da soja: Nezara sp e Piezodorus sp.

reduvídeos: insetos da família Reduviidae

Nomuraea rileyi membros das ordens Coleoptera, Lepidoptera e Orthoptera
Paecelomyces fumoroseus larvas de mosquitos e moscas

 

Tabela 3. Vírus

Vírus utilizado

Inseto controladoA

Baculovirus anticarsia (NPV) Anticarsia gemmatalis (lagarta da soja)

No programa de utilização do Baculovirus anticarsia deve-se considerar a contribuição natural do fungo Nomuraea rileyi (doença branca) que em condições de alta umidade é fator fundamental para suprimir populações de lagartas de Anticarsia gemmatalis em lavouras de soja. Nos anos de seca prolongada, durante a safra, quando o fungo não é eficiente, o vírus seria utilizado em pulverização.

Uso de plantas transgênicas no controle biológico

Em 1996, pela primeira vez, variedades de batata, algodão e milho contendo genes modificados da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis foram vendidas a plantadores. Vários benefícios podem advir da produção da toxina inseticida de Bacillus thuringiensis por plantas de interesse econômico. A toxina é produzida continuamente nos tecidos vegetais e parece persistir por algum tempo e, portanto, são precisas poucas aplicações de outros inseticidas, reduzindo custos operacionais. Os biopesticidas transgênicos são menos danosos ao ambiente que os pesticidas químicos e não afetam insetos benéficos.

Bibliografia

Alves SB. Controle Microbiano de Insetos (cood.), Editora Manole, SP
Schnepf E, Crickmore N, Van Rie J, Lereclus D, Baum J, Feitelson J, Zeigler DR & Dean DH 1998. Bacillus thuringiensis and its pesticidal crystal proteins. Microbiology and Molecular Biology Reviews 62: 775-806.

Fonte: www.fam.br

Controle Biológico

Controle biológico do gafanhoto

Controle Biológico

O Brasil é reconhecido internacionalmente como o maior exportador de tecnologia em controle biológico de pragas. O caso dos gafanhotos, que atacam lavouras no mundo todo, é exemplar. Pesquisadores da Embrapa descobriram um fungo que é inimigo natural dos gafanhotos e o reproduziram em laboratório.Pronta para ser lançada no mercado, a nova arma contra a praga é um fungo, reproduzido no laboratório do centro, que penetra pela "pele" do inseto quando ocorre o contato. Em poucos dias, esse fungo germina, ramifica e solta toxinas, destruindo os órgãos vitais do inseto e amadurecendo até lançar esporos (sementes) interna ou externamente. A morte do gafanhoto contaminado ocorre em nove dias, e a eficiência desse tipo de controle biológico é de 80% a 90%, comemoram os pesquisadores.

A conta compensa: "Por dia, os gafanhotos podem comer 80 toneladas de plantação", diz Bonifácio Magalhães, chefe-adjunto de pesquisa. A tecnologia hoje é exportada para dezenas de países.

Em 1993, o "Controle Biológico de Gafanhotos" foi encomendado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), que o financiou por um ano. A preocupação da entidade era a de encontrar um método natural para dizimar a praga, já que o controle químico, também financiado por ela em vários estados brasileiros, fatalmente trazia conseqüências ambientais negativas, alem de contar com resistências de organizações ambientalistas. Quando grupos ecológicos do Rio Grande do Sul entraram com mandado de segurança contra o programa da FAO, tornou-se necessário buscar uma alternativa à aplicação dos agrotóxicos. O inseticida mais comumente utilizado nas lavouras até hoje é o Fenitrotion, que provoca a morte de animais, como pássaros, e intoxicação de mananciais de água, alem de matar inimigos naturais do gafanhoto. Ao detectar a importância da continuidade dos estudos com o fim do contrato, a Embrapa decidiu mantê-lo. Hoje, é a própria empresa quem banca o projeto.

O gafanhoto é considerado uma das piores pragas da agricultura brasileira. E também não é para menos, visto que pode chegar a causar danos em áreas de até dois milhões de hectares, como aconteceu no Mato Grosso, um de seus habitats favoritos. Além de gregário, já que só anda em bandos, esse inseto é bastante guloso (chegando a comer o correspondente a seu peso por dia) e tem uma dieta alimentar muito variada, que inclui desde gramíneas e pastagens - seus pratos prediletos - até roupas e móveis. E, por isso, não é à toa que o governo brasileiro gasta anualmente cerca de um milhão de dólares em inseticidas químicos para controlar o gafanhoto.

Diante dessa situação, a Embrapa - Recursos Genéticos e Bitecnologia, situada em Brasília-DF, com o apoio da Empresa Agropecuária do Rio Grande do Norte - EMPARN, da Universidade Federal do Mato Grosso - UFMT e da Delegacia Federal de Agricultura do Mato Grosso, vem desenvolvendo um projeto de pesquisa. O objetivo é controlar biologicamente o gafanhoto, através do uso de inimigos naturais da praga, principalmente fungos e protozoários. Esses são capazes de controlar o gafanhoto, sem causar danos ao meio ambiente e à saúde das populações. Além disso, é possível reduzir drasticamente os gastos necessários ao uso de produtos químicos.

O projeto desenvolvido pela Embrapa consiste basicamente no seguinte: os pesquisadores coletam os microrganismos na natureza, isolando-os e caracterizando-os em laboratório, para depois testar a sua capacidade de patogenicidade sobre os insetos. Atualmente, a equipe da Área de Controle Biológico da Embrapa - Recursos Genéticos liderada pelo pesquisador Bonifácio Magalhães, mantém três espécies de gafanhotos. Elas foram coletadas no Distrito Federal, Mato Grosso e Rio Grande do Norte (Rhammatocerus schistocercoides, Stiphra robusta e Schistocerca pallens,), locais onde há maior incidência dessa praga, apesar de ocorrer também em Minas Gerais, Tocantins e Rio Grande do Sul. Segundo Bonifácio, fungos de várias espécies têm sido testados para controlar o gafanhoto, como Metarhizium anisopliae, Metarhizium flavoviride e Beauveria bassiana. Entre esses, o que vem apresentando melhores resultados é o Metarhizium flavoviride, não só por sua virulência elevada e pela resistência a altas temperaturas, como também pelo fato de ser facilmente produzido em condições de laboratório.

O primeiro indício da existência de um agente biológico letal para os gafanhotos no Brasil foi descoberto pelo pesquisador Bonifácio Magalhães, chefe do projeto do Cenargen. Ao percorrer uma área atingida pela praga no Rio Grande do Norte, Magalhães achou alguns exemplares do inseto no solo, recobertos por uma espécie de mofo. As análises laboratoriais mostraram que a morte dos gafanhotos havia sido causada pelo ataque de um fungo do gênero Metarhizium, e a partir daí iniciou-se a pesquisa sobre a sua reprodução em laboratório, bem como a utilização e a eficiência na formulação de um inseticida biológico.

Apesar de dar preferência ao corpo dos gafanhotos para a sua reprodução, o fungo também se desenvolve bem em um substrato feito de arroz branco cozido assepticamente, explica o pesquisador Marcos Faria, membro da equipe de Magalhães. Inoculado no arroz, protegido de contaminação externa e sob temperatura controlada, o Metarhizium amadurece em cerca de 12 dias. Separados do substrato, os esporos, uma poeira fina de coloração verde-escura, são dissolvidos em uma mistura de óleo de soja e querosene, e, grosso modo, está pronto o inseticida biológico. "Num primeiro momento, tentamos fazer o inseticida à base de água, mas tanto as plantas quanto os gafanhotos têm uma substância hidrofóbica que repelia o produto, fazendo com que a contaminação dos insetos, que ocorre através do contato direto com o fungo, acabasse sendo baixa", conta Faria. Já o óleo apresentou várias vantagens. Além de grudar nos animais e nas folhas da lavoura – os gafanhotos também se contaminam ao andar sobre as plantas, a sobrevida do fungo aumentou (no campo, a validade do produto é de 72 horas) e ele consegue germinar em condições de baixa umidade do ar. "Também aplicamos um método para desidratar os esporos do fungo, o que dá uma vida de prateleira de cerca de um ano ao produto. Isso é muito importante, já que o consumo desse tipo de inseticida não é grande. Para uma indústria, manter a validade do produto por mais tempo é uma questão de sobrevivência econômica", diz Faria.

O Metarhizium não elimina os insetos imediatamente, como o pesticida. A morte ocorre apenas nove dias depois da contaminação pelo fungo, mas no terceiro os gafanhotos já param de comer. Mais caro que o uso dos produtos químicos, o controle biológico tem a grande vantagem de livrar o meio ambiente, os produtores e os consumidores dos efeitos dos agrotóxicos. "No mercado internacional isso está se tornando cada vez mais importante. A Austrália, por exemplo, já adotou o controle biológico como bandeira nacional, e o Brasil não pode ficar para trás", diz Magalhães. Segundo os pesquisadores do Cenargen, o inseticida biológico para controle de gafanhotos está pronto para ser produzido comercialmente, e a Embrapa já está negociando a fabricação com indústrias interessadas. O controle dos gafanhotos através do fungo Metarhizium deve ocorrer na fase em que os insetos acabaram de eclodir dos ovos. A aplicação do inseticida biológico é igual ao do produto químico – com pulverizadores manuais –, e deve ser feita tanto sobre os insetos quanto nas áreas suscetíveis ao ataque, nesse caso quando for detectado algum bando nas proximidades.

Fonte

http://globorural.globo.com/barra.asp?d=/edic/185/rep_nova_tec1a.htm
http://www.snagricultura.org.br/artigos/artitec-gafanhotos.htm
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/205/negocios/205_brasil_hi_tech.htm
http://www.radiobras.gov.br/abrn/c&t/1996/materia_050496_1.htm
Patentes: Onde o Brasil perde, Sindicato da indústria de Artefatos de papel, Papelão e Cortiça no Estado de São Paulo, dez/93, pg 9 acesso em abril de 2002
http://www.biotecnologia.com.br/bio/bio22/22_3.htm acesso em janeiro de 2003

Fonte: www.inova.unicamp.br

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