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Poluição Ambiental

 

O homem tem transformado profundamente a natureza, destruindo espécies animais e vegetais, desviando cursos de rios, cortando montanhas, drenando pântanos e amontoando toneladas de detritos no ar, na água e no solo.

A saúde e o bem-estar do homem estão diretamente relacionados com a qualidade do meio ambiente, isto é, com suas condições física, química e biológicas.

Entende-se por poluição a deterioração das condições ambientais, que pode alcançar o ar, a água e o solo.

A relação homem Ambiente e a degradação da natureza

A relação homem ambiente é muito desfavorável para o meio ambiente. Desde o surgimento da espécie humana, o homem está degradando, primeiro através de queimadas, depois com a evolução, surgem novas maneiras de agredir a natureza.

Com o advento da revolução industrial e do capitalismo a máquina que isso se tornou destrói a natureza, apesar do homem depender da natureza para tudo. Ele a destrói.

A indústria é a maior responsável pela degradação ambiental, não respeita as florestas e as derrubam para utilizar-se de seu local e construir seus parques industriais ou para usar a madeira. Lança poluentes como enxofre que gera a chamada chuva ácida, chuva essa que causa danos às plantações, as florestas e indiretamente ao homem, que consome alimentos envenenados, devido à esse tipo de chuva. A indústria produz também o "CFC", um gás capaz de subir a grandes altitudes e impedir o processo de renovação da camada de ozônio, que é responsável pela retenção dos raios ultravioletas do sol. A destruição dessa camada produz o aumento da temperatura ambiente da Terra, provocando o descongelamento das geleiras polares e o aumento do nível das marés. A indústria cria ainda veneno como o "DDT", um produto químico capaz de matar os insetos que atacam as lavouras, mas que mata os que são benéficos à elas, e como não é biodegradável, penetra nos alimentos envenenados e causando doenças até aos homens que os ingerem. As indústrias a partir da queima de combustíveis fósseis, junto com os automóveis bens criados por elas mesmas, e com a respiração humana, produzem "CO2", um gás que é renovado pelas plantas, só que as queimadas e o desmatamento diminuem essa plantas e esse "CO2" restante não passando pela renovação contribui para outro efeito danoso ao meio ambiente.

A inversão térmica que também contribui para o aumento da temperatura e descongelamento das geleiras. Outro bem nocivo gerado pelas indústrias, é o plástico, substância não degradável que se acumula pelas ruas e lixeiras das cidades.

Como esses poucos exemplos, existem muitos outros e por trás de todos eles a mão do homem, não se importando com os seus semelhantes ou com o meio ambiente.

A alguns anos surgiu na Europa e nos países desenvolvidos uma consciência de preservação ao meio ambiente, como o "greenpeace", também surgiu entre as indústrias essa consciência através de selo de qualidade Iso 14000 que é a prova de produtos de alta qualidade e biodegradáveis, é imprescindível que os países subdesenvolvidos tomem também essa consciência antes que seja tarde demais.

A poluição atmosférica

A poluição atmosférica caracteriza-se basicamente pela presença de gases tóxicos e partículas só1idas no ar. As principais causas desse fenômeno são a eliminação de resíduos por certos tipos de indústrias (siderúrgicas, petroquímicas, de cimento, etc.) e a queima de carvão e petróleo em usinas, automóveis e sistemas de aquecimento doméstico.

O ar poluído penetra nos pulmões, ocasionando o aparecimento de várias doenças, em especial do aparelho respiratório, como a bronquite crônica, a asma e até o câncer pulmonar. Esses efeitos são reformados ainda pelo consumo de cigarros.

Nos grandes centros urbanos, tornam-se freqüentes os dias em que a poluição do ar atinge níveis críticos, seja pela ausência de ventos, seja pelas inversões térmicas, que são períodos nos quais cessam as correntes ascendentes do ar, importantes para a limpeza dos: poluentes acumulados nas camadas próximas à superfície. Existem exemplos famosos de casos em que os níveis críticos foram ultrapassados.

Em 1948, na cidade de Donora, perto de Pittsburg, Estados Unidos, a poluição atmosférica acarretou centenas de mortes e obrigou algumas fábricas a ficarem vários dias paralisadas. Em 1952, Londres conheceu seu pior smog. Em conseqüência desse fenômeno morreram cerca de 4 000 pessoas.

A maioria dos países capitalistas desenvolvidos já possui uma rigorosa legislação antipoluição, que obriga certas fábricas a terem equipamentos especiais (filtros, tratamento de resíduos, etc.) ou a usarem processos menos poluidores. Nesses países também é intenso o controle sobre o aquecimento doméstico a carvão, o escarpamento dos automóveis, etc. Tais procedimentos alcançam resultados consideráveis, embora não eliminem completamente o problema da poluição do ar.

Por exemplo, pesquisas realizadas há alguns anos mostraram que chapas de ferro se corroem muito mais rapidamente em São Paulo do que em Chicago, apesar de esta metrópole norte-americana possuir maior quantidade de indústrias e automóveis em circulação.

Calcula-se que a poluição do ar tenha provocado um crescimento do teor de gás carbônico na atmosfera, que teria sofrido um aumento de 14% entre 1830 e 1930. Hoje em dia esse aumento é de aproximadamente de 0,3% ao ano. Os desmatamentos contribuem bastante para isso, pois a queima das florestas produz grande quantidade de gás carbônico. Como o gás carbônico tem a propriedade de absorver calor, pelo chamado "efeito estufa", um aumento da proporção desse gás na atmosfera pode ocasionar um aquecimento da superfície terrestre.

Baseados nesse fato, alguns cientistas estabeleceram a seguinte hipótese: com a elevação da temperatura média na superfície terrestre, que no início do século XXI será 2ºC mais alta do que hoje, o gelo existente nas zonas polares (calotas polares) irá se derreter. Conseqüentemente, o nível do mar subirá cerca de 60m, inundando a maioria das cidades litorâneas de todo o mundo. Alguns pesquisadores pensam inclusive que esse processo já começou a ocorrer a partir do final da década de 80. Os verões da Europa e até da América têm sido a cada ano mais quentes e algumas medições constatara um aumento pequeno, de centímetros, do nível do mar em algumas áreas litorâneas. Todavia, esse fato não é ainda admitido por grande parte dos estudiosos do assunto. Outra importante conseqüência da poluição atmosférica é o surgimento e a expansão de um buraco na camada de ozônio, que se localiza na estratosfera — camada atmosférica situada entre 20 e 80km de altitude.

O ozônio é um gás que filtra os raios ultravioletas do Sol. Se esses raios chegassem à superfície terrestre com mais intensidade provocariam queimaduras na pele, que poderiam até causar câncer, e destruiriam as folhas das árvores. O gás CFC — clorofluorcarbono —, contido em "sprays" de desodorante ou inseticidas, parece ser o grande responsável destruição da camada de ozônio. Por sorte, esses danos foram causados na parte da atmosfera situada acima da Antártida. Nos últimos anos esse buraco na camada de ozônio tem se expandido constantemente.

Chuvas ácidas

As chuvas ácidas, isto é, precipitações de água atmosférica carregada de ácido sulfúrico e de ácido nítrico. Esses ácidos, que corroem rapidamente a lataria dos automóveis, os metais de pontes e outras construções, além de afetarem as plantas e ocasionarem doenças respiratórias de pele nas pessoas, são formados pela emissão de dióxido de enxofre e óxidos de nitrogênio por parte de certas indústrias. Esses gases, em contato com a água da atmosfera, desencadeiam reações químicas que originam aqueles ácidos. Muitas vezes essas chuvas ácidas vão ocorrer em locais distantes da região poluidora, inclusive em países vizinhos, devido aos ventos que carregam esses gases de uma área para outra.

O problema da poluição, portanto, diz respeito à qualidade de vida das aglomerações humanas. A degradação do meio ambiente do homem provoca uma deterioração dessa qualidade, pois as condições ambientais são imprescindíveis para a vida, tanto no sentido biológico como no social.

Efeitos da poluição nas áreas urbanas e rurais

Os carros, ônibus, caminhões são motivos a gasolina e a óleo diesel, e expelem para o ar um gás, o monóxido de carbono.

Nos centros das grandes cidades, é comum as pessoas sentirem tonturas, vômitos, olhos ardendo e lacrimejando, devido à ação desse gás. Neste caso o ar está sendo a parte do ambiente mais alterada. Fala-se em poluição do ar pelo monóxido de carbono. Para reduzir a poluição do ar, seria vantajoso usar veículos movidos a eletricidade? O metrô por exemplo, não polui, é movido a eletricidade.

Muitas indústrias e fábricas lançam para o ar, através de suas chaminés, uma variedade de substâncias tóxicas (poluentes químicos) prejudiciais às plantas e animais, como o dióxido de enxofre (SO2). Num as úmido, este gás forma com a água um ácido. Quando respirado, ataca o nariz e os pulmões. As plantas reagem mais intensamente que o homem. O dióxido de enxofre prejudica principalmente a fotossíntese, por destruir a clorofila.

Outras industrias e fábricas lançam nos rios os poluentes químicos, provocando a morte de peixes. Esses rios tornam-se impróprios para a pesca e recreação. Só bactérias que eliminam gases malcheirosos conseguem aí sobreviver.

A fumaça do cigarro contém nicotina, monóxido de carbono, alcatrão, fuligem e muitas outras substâncias capazes de agir prejudicando no corpo humano. A nicotina atua em várias órgãos, especialmente no sistema nervoso. Cerca de 1mg de nicotina por quilo/peso de uma pessoa é suficiente para matá-la. A rápida destruição da nicotina no corpo impedi a morte imediata do fumante. O alcatrão e a fuligem irrita o aparelho respiratório, causando o pigarro e a tosse do fumante. Basta poucos cigarros para provocar uma intensa poluição do ar. Desta maneira fica comprometida a saúde do fumante e dos outros a sua volta, surgindo um problema ambiental.

Muitos insetos, fungos, bactérias e outros organismos considerados pragas, por transmitirem ou causar doenças e destruírem os alimentos de homem, têm sido combatidos de diversas maneiras. O DDT por exemplo foi um praguicida muito usado. Em algum países seu produto já é proibido. Ele contribui para salvar muita gente de morrer de malária, por ter sido usado no combate ao mosquito transmissor. Mas o DDT demora cerca de 10 anos para ser transformar em substâncias menos tóxicas. Com o uso constante desta substância ocorre contaminação do solo, dos rios, plantas e animais.

O desmatamento de grandes áreas torna-se necessário para a lavoura e pasto para o gado. Se o solo ficar descoberto e chover, pouca água é retida e grande quantidade atinge os rios, ocorrendo enchentes. Quando se faz desmatamento, sempre se deve deixar núcleo de mata para contribuir no equilíbrio do ambiente.

Além dos exemplo citados da alteração produzida no ambiente pelo homem, considere as queimadas, as aberturas de estradas, a construção de represas e barragens formando lagoas e lagos artificiais. Considere ainda o desvio de rios e a drenagem de pântanos.

Toda e qualquer alteração ocorrida no ambiente que cause desequilíbrio e prejudique a vida é poluição ambiental.

Veja alguns tipos:

Poluição do ar: os seguintes agentes poluidores normalmente estão presentes nos resíduos industriais, fumaça de indústrias e fábricas, combustão de carvão, testes atômicos, queima de lixo e gases dos escapamentos dos veículos.
Poluição das águas:
são os principais responsáveis os esgotos domésticos e industriais, as graxas e sabões que não se degradam, os produtos agroquímicos e fertilizantes que são lançados na água, destruindo a fauna e flora dos rios.
Poluição do solo:
os produtos químicos em geral, herbicidas, pesticidas, o lixo (mesmo que doméstico) empobrecem o solo. O desmatamento e a queimada também levam à degradação e à erosão do solo.
Poluição sonora:
as principais fontes de ruído são o trânsito de veículos, as obras de construção civil, as indústrias, os bares, o comércio e os serviços, as máquinas e equipamentos em geral, as academias de ginástica e dança.
Poluição visual:
as propagandas veiculadas através de faixas, cartazes, placas, painéis, letreiros, as pichações dos grafiteiros, as edificações e monumentos mal cuidados são os principais responsáveis pela poluição visual.
Poluição radioativa:
a exposição às radiações, produzidas pelo homem, podem ocorrer de diversas maneiras »» medicina e odontologia (raios X e radioisótopos), testes nucleares, explosões atômicas, usinas e detritos nucleares, TV a cores e microondas dentre outros. Estas radiações podem afetar o ar, o solo, as águas doces e salgadas e os seres vivos.

Nas espécie humana, dependendo do tempo e da dose absorvida, podem cuasar » queimaduras, catarata, queda de cabelo, alterações genéticas, perda ou redução da fertilidade, transformações no funcionamento dos sistemas humanos, câncer e morte.

Conclusão

Este trabalho serviu para mostrar que o homem é o único animal que prejudica o meio em que vive. Para satisfazer a sua ambição, ele polui o ar, as águas, as cidades, os campos, em fim, o o meio em vive. Porém essa situação pode ser revertida, se houver consciência mundial para que o homem evite a degradação da natureza com recursos antipoluentes, etc.

Fonte: www.geocities.com

Poluição Ambiental

Poluição ambiental e os veículos automotores

POLUIÇÃO é a contaminação do meio ambiente – ar, água e solo – por resíduos nocivos resultantes da atividade humana e caracteriza-se pela presença de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos em quantidade superior à capacidade do meio ambiente de absorvê-los.

As diferentes formas de poluição afetam a composição e o equilíbrio da atmosfera, interferem na cadeia alimentar, alteram os mecanismos naturais de proteção do planeta, prejudicam as espécies animais e vegetais existentes e podem ameaçar sua reprodução.

Poluição da água – A maior parte da poluição da água vem de fábricas e residências. Produtos químicos, fezes humanas e de animais, restos de lixo, animais mortos e outros tipos de resíduos são jogados em grande quantidade nas águas dos rios, dos lagos, das represas e dos mares. O enorme volume de detergentes e outros produtos de limpeza doméstica lançados nos rios forma espessas camadas de espuma mortal a várias formas de vida aquática. Uma grande parte dessas substâncias não é biodegradável, isto é, não é decomposta por micróbios. Por isso, sua concentração se torna cada vez maior. O uso dos veículos também contribui para a poluição da água, através de efluentes dos processos de lavagem de veículos, troca de óleo e lubrificantes.

Poluição do solo – Resulta principalmente do uso de pesticidas destinados a eliminar as pragas que destroem as lavouras. Em geral, os pesticidas acabam envenenando todos os componentes da cadeia alimentar. Misturando-se à terra, os agrotóxicos passam para os produtos agrícolas. Com as chuvas, são arrastados para os lagos e rios, onde contaminam vegetais e peixes. Também os efluentes da lavagem de veículos, troca de lubrificantes e derrame de combustíveis concorrem para a poluição do solo.

Poluição sonora - Nos grandes centros, a poluição sonora já atingiu níveis preocupantes. A contribuição individual, nesse caso, pode ajudar muito. Para não somar mais ruído ao barulho provocado por ônibus, caminhões e motos, é fundamental manter o motor regulado, o escapamento em boas condições e usar a buzina em caso estritamente necessário. Trafegar com o sistema de escapamento modificado ou danificado, além de aumentar consideravelmente o nível de ruído do veículo, constitui infração ao Código de Trânsito Brasileiro (Capítulo IX – Artigo 104).

O controle da poluição sonora para veículos automotores é determinado pela Resolução nº 01/93 do CONAMA. E a Resolução nº 20/96, de 24/10/96, define e proíbe que os veículos sejam equipados com itens de ação indesejável.

Poluição do ar

É causada principalmente pela queima de combustíveis para obter energia.

São identificadas como maiores fontes desse tipo de poluição: as fábricas; as usinas termelétricas; os veículos automotores, principalmente aqueles que empregam combustíveis derivados do petróleo, como gasolina e óleo diesel. Toda vez que a ignição é acionada, o combustível – gasolina, álcool ou diesel – produz a energia que move o veículo. Neste momento, ocorre um processo que libera gases e partículas na atmosfera. A poluição do ar também é causada pela evaporação do óleo do cárter, do combustível do tanque, do combustível que vai para o sistema de alimentação do motor, em menor escala, e pelo atrito dos pneus com o asfalto.

ORIGEM DOS POLUENTES PORCENTAGEM
Veículos

46,2%

Queima de combustíveis (exceto veículos)

27,3%

Resíduos industriais

15,0%

Outros

9,0%

Resíduos sólidos não industriais

2,5%

 

TIPO DE POLUENTE

PORCENTAGEM

Óxidos de carbono

49,1%

Material particulado

6,0%

Óxidos de enxofre

16,4%

Compostos orgânicos voláteis

13,6%

Óxidos de nitrogênio

14,8%

Fonte: www.educacaoetransito.com.br

Poluição Ambiental

POLUIÇÃO AMBIENTAL LOCAL E O PAPEL DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O crescimento econômico gera riquezas que devem estar atreladas não somente à economia, como também às questões sociais, culturais, ao meio ambiente, às questões políticas, aos fatores científicos e tecnológicos. Para que ocorra o desenvolvimento local sustentável é imprescindível que própria população avalie as causas e efeitos das atividades econômicas para traçar estratégias e política públicas. O crescimento econômico e populacional gera resíduos de materiais orgânicos e inorgânicos que devem ter uma destinação apropriada para não causar danos à saúde da população e ao meio ambiente. O termo poluição ambiental significa a degradação ambiental causada por agentes poluidores, como gases nocivos, resíduos líquidos e sólidos, e podem afetar o ar, a água e o solo.

O mundo moderno nos impõe desafios ambientais cotidianamente. Espera-se que governos, cidadãos e demais seguimentos da sociedade tenham a capacidade de reconhecer tais desafios e dêem respostas que apontem na direção de soluções adequadas, objetivando a mitigação dos danos ambientais causados pela configuração atual do mundo que vivemos.

A partir da análise do processo histórico sobre o desenvolvimento da educação ambiental no Brasil e no mundo, considerando que seu conceito deve ser abordado de maneira interdisciplinar, o trabalho apresenta a fragmentação do conhecimento, uma prática comum no século passado, como um dos motivos pelo qual a educação ambiental encontra alguns entraves na sua consolidação. Os projetos de educação ambiental fundamentados neste modelo, em geral, não permitem a participação efetiva da população e demais segmentos da sociedade, conseqüentemente falhando quanto ao próprio processo educativo que deve caracterizar a educação ambiental.

A poluição ambiental, que é um dos desafios citados, pode e deve se enfrentada por meio de praticas educativas fundamentadas na educação ambiental, mas para isso, é fundamental a formação adequada dos profissionais da educação, para que eles saibam como planejar/executar ações de forma que as mesmas contemplem os princípios da educação ambiental.

A educação ambiental não é neutra, ela é um ato político, baseado em valores para a transformação social. Portanto, a formação de indivíduos detentores de pensamento crítico e inovador para o exercício pleno da cidadania, o que é preconizado pela educação ambiental, deve compreender conceitos técnica e culturalmente abrangentes, para que o cidadão possa ter a capacidade de identificar causas e efeitos dos problemas ambientais, obtendo assim maiores possibilidades de soluções dos mesmos.

Poluição Ambiental Local

Obter uma melhor qualidade de vida é almejado pela sociedade de uma maneira geral. É comum considerar que para que haja melhoria na qualidade de vida de uma população deve ocorrer desenvolvimento econômico da região, entretanto estes dois fatores nem sempre caminham juntos. O desenvolvimento está atrelado a economia, às questões sociais, culturais, ao meio ambiente, às questões políticas, aos fatores científicos e tecnológicos. Todas estas questões interferem no desenvolvimento local, que costuma ocorrer com o planejamento ordenado das ações institucionais, com a participação da comunidade nas discussões e no encaminhamento das políticas a serem adotadas. Toda comunidade possui características próprias, sejam elas humanas, sociais, educacionais ou ambientais e o planejamento do desenvolvimento local tem como objetivo minimizar os danos causados pelo crescimento econômico. A própria população deve avaliar as causas e efeitos de suas atividades econômicas para traçar estratégias e política públicas que direcionem ao desenvolvimento local sustentável.

O desenvolvimento local sustentável propõe a melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem na comunidade, através da redução da pobreza, geração de riqueza e distribuição de renda, bem como a garantia do bem-estar das gerações futuras.

O crescimento econômico e populacional gera resíduos de materiais orgânicos e inorgânicos que devem ser considerados, conforme Oliveira (2003, p.18) destaca:

Ao utilizar as fontes de energia da natureza, o homem produz uma série de resíduos orgânicos e inorgânicos: fezes, restos de alimentos, águas usadas, efluentes químicos, gases e partículas tóxicas, etc.
Constantemente despejados no ambiente sem tratamento adequado, esses resíduos são causadores de poluição e contaminação, sendo muitas vezes responsáveis pela destruição irreversível das fontes de energia necessárias à vida humana.

A poluição ambiental local pode ocorrer através do despejo inadequado dos resíduos, como o despejo sem tratamento do esgoto das residências, das indústrias ou do lixo doméstico que não são descartados de maneira apropriada, como também pela queima de combustíveis fósseis através dos veículos e indústrias.

O termo poluição ambiental significa a degradação ambiental causada por agentes poluidores, como gases nocivos, resíduos líquidos e sólidos, e podem afetar o ar, a água e o solo.

São inúmeros os componentes que ocasionam a poluição atmosférica, sendo o uso de combustíveis fósseis, uma das principais fontes. A presença de CO2 na atmosfera é proveniente da respiração, decomposição de plantas e animais e queimadas naturais de florestas, desflorestamento e principalmente pela queima de combustíveis fósseis. O aumento da concentração de CO2 na atmosfera interfere na saúde da população, provocando o aumento de problemas respiratórios do homem, atingindo principalmente as crianças e os idosos. O CO2 na atmosfera também provoca a formação da chuva ácida, pois ele se dissolve nas gotículas de água presentes no ar, ocorrendo formação do ácido carbônico (H2CO3). A poluição química, advinda do lançamento de poluentes provenientes de processos industriais, também é considerada fonte de poluição do ar, que atingindo os corpos d’água e o solo, pode causar graves problemas de saúde humana, além da contaminação destes sistemas.

As águas residuais sejam elas domésticas ou industriais precisam passar por um processo de tratamento objetivando melhorar sua qualidade antes de retornarem aos corpos d’água. O tratamento de esgoto proporciona condições para que a matéria orgânica e outras substâncias presentes na água sejam estabilizadas antes de serem despejados nos recursos hídricos presentes na região. Estes corpos d'água muitas vezes abastecem a população local, podendo servir de fonte de alimentos ou de lazer.

A diarréia, hepatite, cólera, febre tifóide e outras doenças de veiculação hídrica, são provocadas pela água suja e falta de saneamento básico e podem diminuir drasticamente suas incidências se houver o tratamento das águas destinadas ao abastecimento público, canalização e tratamento de esgoto.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD (IBGE. De 2008 para 2009) indicam as condições de saneamento no Brasil entre os anos de 2008 e 2009:

O número de domicílios atendidos por rede geral de abastecimento de água (49,5 milhões) representava, em 2009, 84,4% do total e aumentou 1,2 milhão de unidades em relação a 2008. No que se refere ao esgotamento sanitário, em 2009, a proporção de domicílios atendidos por rede coletora ou fossa séptica ligada à rede coletora de esgoto (59,1%) praticamente não se alterou em relação à de 2008 (59,3%), já a coleta de lixo alcançou 88,6% dos domicílios (51,9 milhões) e teve um aumento de 0,7 ponto percentual em relação a 2008.

As fontes de água natural também sofrem interferência das atividades agrícolas que se desenvolvem nas suas proximidades. Fertilizantes, defensivos agrícolas, muitas vezes possuem quantidades elevadas de nitrogênio e fósforo e chegam aos recursos hídricos através do escoamento das águas.

Os resíduos sólidos urbanos são um grande problema das cidades. Sua destinação inadequada causa epidemias e poluição ambiental. O lixo pode ser de origem domiciliar, público, hospitalar e de serviços de saúde, portos, aeroportos, industrial, agrícola e de construção civil e deve ter uma destinação adequada conforme sua procedência e a presença de possíveis agentes contaminantes.

A matéria orgânica, presente nos resíduos urbanos deve ser acondicionada nos aterros sanitários, a fim de evitar danos à saúde pública e minimizar os impactos ambientais. Segundo Santos (2002):

Quanto ao impacto causado pela poluição da água, nota-se que a poluição se dá pelo lançamento direto de resíduos e carreamento do chorume até as água superficiais, bem como pela infiltração do chorume que termina por atingir os aqüíferos subterrâneos.

Onde não existe coleta de lixo muitas vezes este fica disposto a céu aberto ou ocorre a sua disposição inadequada em terrenos ou na rua, ocasionando vários problemas de inundações e enchentes, causando endemias como a dengue, a leptospirose e a leishmaniose.

O objetivo do tratamento dos resíduos industriais visa à preservação do ecossistema, pois o despejo inadequado destes resíduos pode contaminar o solo e a água com compostos inorgânicos, como metais, resíduos radioativos, organoclorados. Na cidade de Cubatão, São Paulo, ocorreram casos de contaminação ambiental causada pelo despejo inadequado de resíduos industriais, como salienta Santos Filho (2003):

... cinco indústrias localizadas no município de Cubatão apresentavam deposição final inadequada de resíduos perigosos, lançando-os no aterro a céu aberto de Pilões ... A CETESB efetuou, no início dos anos 90, análises de solo, água e sedimentos da região de Pilões e detectou, nesses três elementos pesquisados, a presença dos compostos organoclorados hexaclorobenzeno e pentaclorofenol.

O anseio das pessoas ao acesso aos bens de consumo e ao conforto que a sociedade moderna disponibiliza, pode ser erroneamente ligado ao desenvolvimento local, que muitas vezes não é diretamente proporcional ao bem estar da população. Para que ocorra o desenvolvimento local sustentável, a população atingida pelo desenvolvimento deve assumir parte da responsabilidade, e junto com o poder público, promovam o planejamento do tipo de vida que desejam para as pessoas que vivem no local e para as futuras gerações que virão a se estabelecer.

A educação ambiental como forma de mitigar os danos causados pela poluição

Na busca de atender suas necessidades de sobrevivência, o ser humano sempre recorreu à natureza para obter os bens necessários para seu conforto, alimentação, desenvolvimento entre outros. Por se tratar de um processo que ocorreu ao longo de muitos anos, observa-se que algumas práticas e costumes estão arraigados em algumas sociedades.

Atualmente fazemos parte de uma sociedade globalizada, na qual o consumo não atende somente às verdadeiras necessidades humanas, mas sim aos ditames das grandes corporações mundiais que praticam o constante incentivo ao consumo e, dessa forma, criando no coletivo a sensação necessidades que na realidade não existem em sua totalidade. O resultado dessa sensação é uma sociedade culturalmente condicionada ao consumo, o que aponta para o incremento da exploração dos recursos naturais associada à grande geração de resíduos. Esta relação provoca grandes prejuízos ambientais, uma vez que tanto a exploração dos recursos quanto a disposição final dos resíduos geralmente ocorrem de formas inadequadas, sem contemplar as possibilidades de uso racional dos recursos naturais e também não observando as potencialidades de reciclagem ou utilização dos resíduos em outras atividades.

O ensino fragmentado em disciplinas teve sua importância em um determinado período do passado. Porém, após a segunda metade do século XX ele passa a ser visto como dificultador do processo de aprendizagens significativas, o que poderia ser superado com aprendizagens que se caracterizam pela interdisciplinaridade, uma vez que a mesma objetiva mudanças no hábito social e permite a visão sistêmica do mundo.

A educação ambiental surge como proposta inovadora para atender as necessidades dessa nova maneira de ver o mundo, oportunizando situações nas quais possam ser desenvolvidas competências e habilidades caracterizadas por uma compreensão crítica do mundo.

A educação ambiental não pode estar restrita aos aspectos ecológicos.

O problema desta forma restrita de percepção da educação ambiental está no direcionamento das ações educacionais desenvolvidas a partir dela, porque essas serão interpretadas como ações de cunho unicamente ecológicos, o que não é suficiente para identificação e compreensão dos problemas ambientais, haja vista a complexidade dos múltiplos fatores que podem causar tais problemas. Isto é destacado por Philippi Jr. e Pelicioni (2005, p. 3) quando afirmam que:

A educação ambiental exige um conhecimento aprofundado de filosofia, da teoria e da história da educação, de seus objetivos e princípios, já que nada mais é do que a educação aplicada às questões de meio ambiente. Sua base conceitual é fundamentalmente a Educação e complementarmente as Ciências Ambientais, a História, as Ciências Sociais, a Economia, a Física e as Ciências da Saúde, entre outras.
As causas socioeconômicas, políticas e culturais geradoras dos problemas ambientais só serão identificadas com a contribuição dessas ciências.
No entanto, a educação ambiental não pode ser confundida com elas. Assim, educação ambiental não é ecologia (o destaque é nosso), mas utilizará os conhecimentos ecológicos sempre que for preciso.

Desde 1972, na Conferência de Estocolmo, na qual o ser humano foi resgatado como o principal protagonista da sustentabilidade planetária, alguns eventos internacionais com foco na educação ambiental ocorreram e em uma organização cronológica segue-se os destaques de alguns deles.

O Seminário Internacional de Educação Ambiental, realizado em outubro de 1975, em Belgrado, fixou como objetivos para a Educação Ambiental: consciência, conhecimento, atitudes, aptidão, capacidade de avaliação e participação.

A Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental, ocorrida em 1977, em Tbilisi, estabeleceu como seus objetivos fundamentais: levar os indivíduos e a coletividade a compreender seu ambiente natural e o ambiente construído pelo homem (tecnológico, social, econômico, político, histórico-cultural, moral e estético), incentivando-o na aquisição de conhecimentos, valores, comportamentos e habilidades práticas para participar da prevenção e da solução da gestão ambiental. Recomendou que a Educação Ambiental fosse um processo contínuo, interdisciplinar e dirigido a toda sociedade, vinculado à legislação e às políticas ambientais e que devem orientar-se para a comunidade.

A Comissão Internacional de Meio Ambiente - World Comission on Environment and Development (WCED, 1987), cujo relatório ficou conhecido como o Relatório de Brundtland, incorporou a complexidade do desenvolvimento à dimensão ambiental, deflagrada pelo termo “Desenvolvimento Sustentável (DS)”.

A Agenda 21 (1992), produto da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, comumente denominada de Rio-92, em seu capítulo 36, refere-se ao incentivo à educação e à capacitação na tomada de consciência, sendo três as áreas de programas descritas neste capítulo: reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável; aumento da consciência pública; a promoção e o treinamento.

Ainda na Rio-92, o Grupo de Trabalho das Organizações Não-Governamentais elaborou um documento, o Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global foi o “divisor de águas”, ao pensar a Educação Ambiental como um ato político voltado para a transformação social e para a formação de um tipo de sociedade (sustentável) baseada na equidade e no equilíbrio ecológico. Ao afirmar que “A Educação Ambiental não é neutra, mas ideológica. É um ato político baseado em valores para a transformação social” (princípio 4 do referido tratado). Também a Educação Ambiental deve estimular e potencializar o poder de diversas populações, conscientizando as comunidades de que devem retomar a condução de seus próprios destinos.

Muitos municípios do Brasil apresentam diversos problemas. Alguns dos desafios ambientais enfrentados por muitos estes municípios são: a existência de favelas, pequena cobertura de rede de esgoto, a pequena participação da população em projetos voltados para melhoria das condições ambientais, habitações irregulares, entre outros.

A poluição ambiental, resultante da ação humana, caracteriza-se como um dos desafios da atualidade. Esta poluição pode e deve se enfrentada por meio de praticas educativas fundamentadas nos princípios da educação ambiental, mas para isso, é fundamental a formação adequada dos profissionais da educação, para que os mesmos tenham os subsídios necessários para o planejamento e execução de ações que contemplem tais princípios.

Os profissionais de várias áreas, sobretudo da educação, precisam ampliar sua consciência sobre a relação homem/meio ambiente e se apropriar dos recursos que a educação ambiental oferece, para que a curto, médio e longo prazos auxiliem em suas atividades, interferindo na sociedade em pról da preservação da saúde ambiental. Segundo Jacobi (2003, p. 193),

a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento sustentável. Entende-se, portanto, que a educação ambiental é condição necessária modificar um quadro de crescente degradação socioambiental, mas ela ainda não é suficiente, (...) o educador tem a função de mediador na construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática social centrada no conceito da natureza.}}

A educação ambiental não é neutra, ela é um ato político, baseado em valores para a transformação social. Portanto, a formação de indivíduos detentores de pensamento crítico e inovador para o exercício pleno da cidadania, o que é preconizado pela educação ambiental, deve compreender conceitos técnica e culturalmente abrangentes, para que o cidadão possa ter a capacidade de identificar causas e efeitos dos problemas ambientais, obtendo assim maiores possibilidades de soluções dos mesmos.

Espera-se que o educador, além de contribuir com seus conhecimentos para mitigação dos problemas ambientais, também esteja preparado para contribuir na formação de outros agentes educadores, tanto na escola como na comunidade, tornandoos aptos para a busca e o desenvolvimento de soluções dos problemas, que sejam baseadas na ética, na justiça, na igualdade e na solidariedade, e dessa forma a sociedade possa reconhecer e enfrentar os problemas que interferem negativamente na sustentabilidade, que compreendem, além do ambiente, a pobreza, a população, a saúde, a democracia, os direitos humanos e a paz.

Contribuindo, assim, para a melhoria da qualidade de vida da população.

Ana Lucia Braga e Silva Santos

Gerson Novais Silva

Referências

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CASCINO, F. Educação ambiental: princípios, história, formação de professores. 2.ed. São Paulo: SENAC, 2000.
DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. 7. ed. São Paulo: Gaia, 2001.
IBGE. De 2008 para 2009, crescem os totais de domicílios com abastecimento de água, coleta de lixo, iluminação elétrica e coleta de esgoto. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1708 &id_pagina=1>. Acesso em: 15 out. 2010. JACOBI, P. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 118. p. 189-205, 3 mar. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cp/n118/16834.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2009.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro; tradução de Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya ; revisão técnica de Edgard de Assis Carvalho. - 7ª ed – São Paulo : Cortez; Brasília, DF : UNESCO, 2003
OLIVEIRA, Maria V. C. Princípios básicos de saneamento do meio. São Paulo: Editora Senac. São Paulo, 2003.p. 18 PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar: convite à viagem. Porto Alegre, RS, Artmed Editora, 2000.
PHILIPPI Jr., A.; PELICIONI, M. C. F. Educação Ambiental: desenvolvimento de cursos e projetos. São Paulo: Signus, 2000
__________________________________. Bases políticas, conceituais, filosóficas e ideológicas da educação ambiental. In: PHILIPPI Jr. A.; PELICIONI, M. C. F. (Editores). Educação ambiental e sustentabilidade. Barueri, SP: Manole, 2005. p 3-12.
REIGOTA, M. A floresta e a escola: por uma educação ambiental pós-moderna. São Paulo, Cortez, 1999.
SANTOS, E. M., e col. Resíduos sólidos urbanos: uma abordagem teórica da relevância, caracterização e impactos na cidade do Natal / RN. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2002_TR104_1274.pdf> 2002. Acesso em 04 mar. 2008.
SANTOS FILHO, Eladio, Grau de exposição a praguicidas organoclorados em moradores de aterro a céu aberto. Rev Saúde Pública 2003;37(4):515-22. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/rsp/v37n4/16788.pdf>. Acesso em: 16 out. 2010. SMYTH, J.C. Environmental education: a view of changing scene. Environmental Education Research, v. 1, n. 1, 1995
WORLD COMISSION ON ENVIROMENTAL

Fonte: revistapaideia.unimesvirtual.com.br

Poluição Ambiental

A poluição do ar é um fenômeno decorrente principalmente da atividade humana em vários aspectos dentre os quais destacamos o crescimento populacional, industrial e os hábitos da população. Apesar de sentida a muito tempo, foi principalmente na 2ª metade do século XX que a poluição do ar assumiu destaque entre a população e junto a comunidade técnico-científica.

Segundo as Nações Unidas, quase metade da humanidade vive nas cidades e, no Brasil os índices de urbanização alcançam os 75%. A concentração das pessoas nos processos produtivos nos centros urbanos tem como principal conseqüência o aumento da poluição a níveis espantosos

Classificação das Fontes de Poluição do Ar

Naturais

Cinzas e gases de emissões vulcânicas
Tempestades de areia e poeira
Decomposição de animais e vegetais
Partículas e gases de incêndios florestais
Poeira cósmica
Evaporação natural
Odores e gases da decomposição de matéria orgânica
Maresia dos mares e oceanos

Antropogênicas

Fontes industriais
Fontes móveis (veículos a gasolina, álcool, diesel e gnv)
Queima de lixo a céu aberto e incineração de lixo
Comercialização e armazenamento de produtos voláteis
Queima de combustíveis na indústria e termoelétricas
Emissões de processos químicos

Efeitos da Poluição Atmosférica

Na saúde humana

Irritantes pulmonares – atacam pulmões e o trato respiratório (Ox, SOx, Clx, Nox);
Asfixiantes
– causam asfixia quando em grandes quantidades (CO, HxS);
Cancerígenos
– câncer no pulmão (amianto, alcatrão), câncer no nariz (cromo);

Na vegetação

Alteram a fotossíntese e destroem folhas (NOx, SOx, particulados)
Nas edificações
Corroem metais, atacam mármores e paredes (SOx, Clx, NOx).

Agravantes da Poluição Atmosférica

INVERSÃO TÉRMICA

A renovação natural do ar se dá através de um fenômeno chamado convecção. A radiação emitida pelo sol que atravessa a atmosfera, aquece a crosta terrestre por irradiação. O solo aquecido emite calor radiante, que aquece, por condução, o ar acima deste. O ar aquecido expande-se, diminuindo sua densidade, o que o eleva para regiões mais elevadas da atmosfera e conseqüentemente, desloca camadas superiores mais frias para regiões mais baixas, criando correntes de convecção que renovam o ar junto ao solo, onde estas se aquecerão novamente e tornarão a alimentar o ciclo. Nos dias de inverno nas grandes cidades, esta convecção não se realiza de modo normal.

Os raios solares incidem mais obliquamente sobre a superfície do planeta em função da inclinação do eixo deste, aquecendo mais as camadas superiores de ar, ocorrendo uma inversão (uma camada de ar quente se sobrepõe a uma camada de ar frio evitando que as correntes de convecção se formem). Como o ar mais quente é menos denso que o ar frio, as camadas superiores aquecidas nos dias de inverno tendem a permanecer onde se encontram, ficando as camadas mais baixas e frias estagnadas junto ao solo impedindo assim a convecção e a renovação do ar e impedindo a dissipação dos poluentes.

Depleção da Camada de Ozônio

O gás oxigênio apresenta-se na natureza sob a forma diatômica (Ox), porém nas altas camadas da atmosfera, o oxigênio diatômico absorve ondas de luz ultravioleta de até 150 nm formando oxigênio atômico (O). O oxigênio atômico combina-se com o oxigênio diatômico formando uma molécula de Ox (ozônio), esta molécula por sua vez absorve outra parte da radiação ultravioleta e se quebra em Ox e O, reiniciando assim novamente o ciclo.

A luz solar chega a terra com apenas uma fração de luz ultravioleta, pois grande parte é absorvida pela camada de ozônio. Recentemente, a camada de ozônio vem sendo bastante afetada pela ação de algumas substâncias químicas voláteis que ao chegar na estratosfera, perturbam o frágil equilíbrio de sua composição.

Pela interferência destas substâncias, as reações normais do ciclo do oxigênio na camada de ozônio vêm sendo gradativamente reduzidas, resultando em um perigoso aumento dos níveis de radiação ultravioleta (UV) sobre a superfície.

A radiação UV altera a estrutura celular de organismos vivos podendo causar:

Maior incidência de câncer de pele e queimaduras solares;
Incidência de melanoses e ceratoses solares (pré-cancer);
Problemas à visão e ao sistema imunológico;
Catarata;
Alterações genéticas em humanos, animais e vegetais;
Extinção de espécies, principalmente as do plâncton, com conseqüências em toda a cadeia alimentar;
Influência na agricultura.

Efeito Estufa

Durante o dia, a Terra é aquecida pelo sol e à noite perde calor armazenado, tendo como conseqüência a redução de temperatura. O gás carbônico e outros poluentes, quando em grandes quantidades, formam um filtro na atmosfera, retendo o calor, provocando um aumento na temperatura média. A este fenômeno dá-se o nome de Efeito Estufa. Estudos mostram que se nada for feito, na metade deste século a temperatura média poderá elevar-se de 1,5 a 4,5ºC, tendo como conseqüência modificação no regime de chuvas, alterando significativamente o clima no planeta.

Chuva Ácida

Nos gases produzidos por fábricas e motores são liberados para atmosfera óxidos de enxofre (SOx) e nitrogênio (NOx) que reagem com o vapor de água (umidade do ar) produzindo ácido sulfúrico (HxSOx) e ácido nítrico (HNOx), que dão origem a precipitações ácidas. Este tipo de chuva, quando freqüente, provoca acidificação do solo, prejudicando também plantas e animais, a vida dos rios e florestas. Da mesma forma edificações presentes na área são prejudicadas, podendo haver corrosão nas estruturas das mesmas.

SMOG

Os gases oriundos da queima de combustíveis fósseis e carvão, para a geração de energia, aquecimento, alimentação e transporte nas grandes cidades, podem sob certas condições se combinar e formar uma névoa denominada de smog cujos ingredientes mais importantes são luz solar, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos.

Os principais produtos são: ozônio, peroxiacetil nitrato (PAN) e aldeídos.

Os efeitos são:

PAN

Irritação dos olhos
Alta toxicidade para plantas
Irritação do trato respiratório
Causa danos ás proteínas

Ozônio

Irritação do trato respiratório superior (nariz, garganta);
Irritação dos olhos;
Ataca os tecidos do trato respiratório, produzindo desde bronquite crônica e enfisema pulmonar, até parada cardíaca;
Secamento das folhas das plantas;
Descoloração da superfície superior das folhas.

Gestão da Qualidade do Ar

Um homem adulto inspira cerca de 10.000 litros de ar por dia, consumindo em média 400 litros de oxigênio; esses valores variam em função da atividade física de cada um, como também em função da qualidade do ar inspirado. Em geral não é necessário nem possível, corrigir a composição do ar que respiramos e essa é a principal diferença entre o consumo de ar e de água. A água passa por um tratamento prévio, que a torna um produto industrial, o ar ao contrário deve ser consumido in natura.

Sendo assim torna-se de fundamental importância, medidas de preservação da qualidade do ar, que devem ser tomadas por toda a sociedade.

O ser humano interage com o meio ambiente e produz resíduos, parte dos quais causam problemas de poluição do ar.

Tais problemas resultam das chamadas fontes de poluição fixas e fontes móveis:

Fontes fixas - As indústrias são as fontes mais significativas ou de maior potencial poluidor, no entanto, devemos ainda destacar a crescente demanda por usinas termoelétricas, utilizadoras de carvão ou óleo combustível, bem como de incineradores de resíduos, os quais também se destacam por seu elevado potencial poluidor.
Fontes móveis -
Os veículos automotores, trens, aviões e embarcações marítimas, constitui-se conjuntamente nas chamadas fontes móveis de poluição do ar. Os veículos se destacam como as principais fontes, e podem ser divididos em leves, que utilizam gasolina ou álcool como combustível, e pesados que utilizam óleo diesel.

Indicadores da Qualidade do Ar

O nível da poluição do ar ou da qualidade do ar é medida pela quantificação das substâncias poluentes presentes neste ar. Considera-se poluente do ar qualquer substância presente no ar e que pela sua concentração possa tornar este ar impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, inconveniente ao bem estar público, danoso aos materiais, à fauna e à flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade.

Os poluentes podem ser divididos em duas categorias:

Poluentes primários: aqueles diretamente emitidos pelas fontes de poluição
Poluentes secundários:
aqueles formados na atmosfera através da reação química entre poluentes primários e os constituintes naturais da atmosfera.

A determinação sistemática da qualidade do ar se dá pela medição dos seguintes parâmetros:

Material Particulado Total em Suspensão, Fumaça e Partículas Inaláveis.

Estes Indicadores representam o material sólido emitido pelas fontes poluidoras ou em suspensão na atmosfera (poeira, pó, fuligem), sendo o tamanho das partículas sólidas o critério utilizado para sua classificação. Partículas mais grossas ficam retidas no nariz e na garganta, provocando incômodo e irritação, além de facilitar que doenças como a gripe, se instalem no organismo. Poeiras mais finas podem causar danos às partes internas-meio-ambiente do aparelho respiratório, carregando partículas e outros poluentes para os alvéolos pulmonares e provocando efeitos mais severos do que os causados pelos poluentes de forma isolada.

Caso as pessoas permaneçam em locais muito poluídos por material particulado, ficam mais vulneráveis a uma crise aguda de doenças respiratórias.

Dióxido de Enxofre - SO2

A emissão de dióxido de enxofre está principalmente relacionada com o uso de combustíveis de origem fóssil contendo enxofre, tanto em veículos quanto em instalações industriais. Sendo um gás altamente solúvel nas mucosas do trato aéreo superior, pode provocar irritação e aumento na produção de muco. Outro efeito relacionado ao dióxido de enxofre refere-se ao fato de ser este um dos poluentes precursores da chuva ácida, efeito global de poluição atmosférica responsável pela deterioração de diversos materiais, acidificação de corpos d'água e destruição de florestas.

Monóxido de Carbono – CO

A emissão de monóxido de carbono está relacionada principalmente com o processo de combustão tanto em fontes móveis, motores à gasolina, diesel ou álcool, quanto de fontes fixas industriais. Os efeitos da exposição dos seres humanos ao monóxido de carbono estão associados à capacidade de transporte de oxigênio na combinação com hemoglobina do sangue, uma vez que a afinidade da hemoglobina pelo monóxido de carbono é 210 vezes maior que pelo oxigênio. Baixos níveis de carboxihemoglobina, já podem trazer graves conseqüências aos seres humanos.

Ozônio - Ox

O ozônio é um gás invisível, com cheiro marcante, composto por 3 (três) átomos de oxigênio, altamente reativo que está presente na alta atmosfera e na superfície. Quando presente nas altas camadas da atmosfera nos protege dos raios ultravioletas do sol, quando formado próximo ao solo comporta-se como poluente. É o principal representante do grupo de poluentes designados genericamente por oxidantes fotoquímicos, sendo formado pela reação dos hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio presentes no ar, sob ação da radiação solar. Pode causar irritação dos olhos, redução da capacidade pulmonar, agravamento de doenças respiratórias, interferência na fotossíntese e danos às obras de arte e estruturas metálicas.

Dióxido de Nitrogênio - NO2

É formado pela reação do óxido de nitrogênio e do oxigênio reativo, presentes na atmosfera. Pode provocar irritação da mucosa do nariz manifestada através de coriza e danos severos aos pulmões semelhantes aos provocados pelo enfisema pulmonar. Além dos efeitos diretos à saúde, o dióxido de nitrogênio também está relacionado à formação do ozônio e da chuva ácida.

Controle das Emissões

Fontes Fixas - Não há legislação a nível federal, estadual ou municipal, que fixe limites para emissão de poluentes para fontes fixas.

O Paraná, através da Resolução-SEMA - 06/92, estabelece que a eficiência de redução dos poluentes deve ser de no mínimo 85%. Para as atividades de risco, como a incineração de resíduos, são exigidos 99,99% de eficiência de redução, como previsto em Norma Nacional.

Está em processo de desenvolvimento, trabalho para o estabelecimento de:

Padrões máximos de emissão de poluentes do ar para fontes fixas de poluição;
Classificação das áreas do Estado de acordo com os usos pretendidos;

Fontes Móveis - Para o controle de emissões de veículos novos há o licenciamento realizado pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) com base em ensaios específicos.

Quanto aos veículos em uso, o CONAMA prevê em suas resoluções a instalação de centros de Inspeção e Manutenção de veículos para o que há normas e regulamentos. A inspeção periódica das emissões de poluentes foi instituída através da Resolução nº 7, de 31 de agosto de 1993 do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Tal Resolução condiciona o licenciamento anual à respectiva aprovação na inspeção.

O Estado do Paraná está se preparando para implantar o seu Programa de Inspeção de Veículos, vinculado ao licenciamento anual, visando a melhoria das condições dos veículos em circulação e a conseqüente emissão de poluentes. Os veículos devem ser submetidos à inspeção de gases, partículas, à verificação da integridade dos ítens de controle de emissões (Sistema de Controle de Emissões Evaporativas, Catalisador, Lacre etc).

Espera-se que os Programas de Inspeção Veicular tragam os seguintes benefícios:

Grande redução das emissões dos veículos anteriormente desregulados, submetidos à reparação e aprovados na inspeção (CO, HC (Hidrocarbonetos), MP (Material Particulado) e ruído);
Melhoria da qualidade do ar (reduções de 15% a 23% das emissões totais de CO e HC) e de até 50% para MP;
Eliminação do incômodo provocado por veículos excessivamente ruidosos.

Mercado Futuro

A legislação quanto a emissões de fontes móveis é muito ampla, e já existem planos de ação vinculados a licenciamento, inspeção e monitoramento de emissões destes de forma a regular e controlar veículos novos, com extensão a veículos antigos já em circulação quanto a sua adequação a legislação.

Todavia, quando nos referimos a fontes de emissões estacionárias, não existe legislação específica quanto a padrões de lançamentos (existe sim, mas somente para materiais particulados, SOx, NOx, CO e COx).

Quando estes padrões forem determinados, indústrias e outras fontes de emissões terão que se adequar à legislação, surgindo assim um novo nicho, onde haverá:

Necessidade da modelagem das dispersões de gases e material particulado
Projetos para a minimização e adequação de emissões (filtros, lavadores de gases, ciclones, etc)
Monitoramento periódico das emissões (tanto na saída de chaminés, quanto em pontos no entorno).
Planejamento de medidas preventivas para impedir a geração do poluente.

Fonte: www.unilivre.org.br

Poluição Ambiental

Para quem mora na cidade, falar de poluição ambiental não é nenhuma novidade: a fumaça dos veículos e das fábricas; os rios malcheirosos e cheios de detritos; o lixo jogado nas ruas e nas praças; o barulho que vem de todos os lugares.

No entanto, para os habitantes do campo, a poluição não é tão evidente, por exemplo: os "agrotóxicos" que poluem os rios e os alimentos, lançados sobre as plantações.

O mais triste é que os seres humanos são os únicos animais que poluem nosso planeta e agora até o espaço sideral está sendo poluído, porque os "lixos espaciais" estão sendo abandonados em órbita e até as escovas de dentes de alguns astronautas estão sendo jogadas fora das espaçonaves no nosso Universo.

Poluição da água

Todos os tipos de lixo jogados na rua, podem por sua vez ser carregados por alguma tempestade, e levados para algum rio que atravessa a cidade.

Quem não viu um monte de coisas flutuando na água?

Mas essa é a poluição que enxergamos.

A que vemos que é causada pelo esgoto das casas, que lança nos rios o resto de comida e um tipo de bactéria que deles se alimenta: são as chamadas bactérias aeróbicas, elas consomem oxigênio e destroem a vida aquática e além disso podem causar problemas de saúde se forem ingeridas.

Outros problemas são as indústrias localizadas ao lado de rios e lagos.

Só recentemente foram criadas leis para que elas tratem o esgoto industrial, tentando diminuir a quantidade de rios e lagos poluídos em todo o mundo, responsáveis por muitas "mortes".

Os vazamentos de petróleo são uma das piores causas de poluição do mar, pois essa substância espalha-se pela superfície das águas, levando anos para ser absorvida, o que gera sérios desequilíbrios no meio ambiente.

Combatendo a poluição das águas

Chamamos de água poluída a que:

Apresenta cheiro forte provocada pelas substâncias químicas
Apresenta cores variadas,como Amarelo, Verde ou Marrom
Possui gosto diferente por causa das substâncias tóxicas

As substâncias que se misturam na água são chamadas de agentes poluentes que fazem muito mal aos seres vivos.

Veja alguns agentes poluentes da água:

Esgotos das cidades, eliminados em rios e mares
Detritos domésticos, lançados em rios, riachos, lagos, etc...
Elementos sólidos, líquidos e gasosos
Óleo e lixo que os navios lançam nos mares

É muito comum as pessoas confundirem água poluída com água contaminada, razão pela qual vamos explicar cada uma delas.

Água Contaminada

É aquela que transmite doenças, pois além de conter microorganismos, restos de animais, larvas e ovos de vermes.

Água Poluída

É aquela que tem cheiro forte, cor bem escura, que alterou suas características naturais, isto é, deixou de ser pura e saudável para os seres vivos.

A poluição da água traz conseqüências muito graves aos seres vivos.

As principais são:

Substâncias tóxicas lançadas nas águas pelas indústrias e navios atingem os animais e os vegetais aquáticos, chegando a matá-los
Os animais e vegetais aquáticos atingidos contaminam o homem
Os esgotos das cidades podem lançar nos rios, lagos e mares seres vivos causadores de doenças

Para evitar e combater a poluição da água, não precisamos acabar com as fábricas e indústrias,temos que tomar medidas como:

Colocar filtros nas fábricas e em indústrias;
Tratar os esgotos para evitar que contaminem rios e mares;
Evitar jogar lixo ou material reciclável em rios e mares;
Conduzir toda a água utilizada pela população para uma estação de tratamento.

Poluição do ar

Os maiores responsáveis pela poluição do ar são os gases lançados na atmosfera por queimadas, indústrias, automóveis, etc... Nas capitais mundiais, há dias que a condição do ar fica tão ruim que todos os veículos são proibidos de trafegar durante um certo período.

Em muitas cidades há o rodízio de automóveis, que faz com que alguns carros fiquem em casa durante um dia. É uma tentativa para que a poluição diminua, principalmente no Inverno.

Nessa estação do ano, o calor da terra não consegue aquecer o ar para fazer com que ele suba para as camadas altas levando a poluição junto com ele. Além do clima, outro fator que influência na poluição é o regime de chuvas.

O inverno seco no Sul e no Sudeste brasileiro; com isso, os poluentes ficam parados no ar por mais tempo.

Respeitar os sistemas contra a poluição é muito importante.

Você quer ou não quer viver em um mundo sem poluição?

Inversão térmica

Durante o dia, o ar próximo do chão é aquecido pelo calor da superfície do solo, como nos dias quentes. Por ser menos denso e mais leve, esse ar quente sobe.

A noite, o solo esfria rapidamente e a temperatura do ar que está mais próximo da superfície também diminui. Forma-se, então, uma camada de ar frio abaixo da camada de ar aquecida durante o dia.

No dia seguinte, a camada de ar frio, mais densa e pesada, não consegue subir, porque o ar quente funciona como um "tampão": é a inversão térmica.

Em grandes cidades, com atividade industrial e numerosa frota de veículos, a camada de ar frio começa a concentrar os poluentes. A fumaça fica "presa" e contamina o ar.

Nos dias quentes é raro ocorrer à inversão térmica. Nesses dias os raios de sol aquecem a superfície terrestre. O chão transfere o calor para o ar acima dele.

Esse ar aquecido, menos denso e mais leve, sobe e carrega os poluentes. Por isso o nível de poluição do ar costuma ser maior no inverno do que no verão.

Nos dias frios, o cenário muda, porque o clima fica propício para inversões térmicas. Forma-se uma camada de ar frio em baixas altitudes. Essa massa de ar não consegue subir e a qualidade do ar piora por causa da fumaça emitida por veículos e indústrias.

O ar frio é mais pesado do que o ar quente. Por isso ele tende ficar embaixo. Esse fenômeno ocorre em dias de inversão térmica, quando a camada de ar frio é bloqueada por uma de ar quente.

Em grandes cidades, como São Paulo, fica visível a "fronteira" entre as duas camadas de ar. Os veículos são os maiores responsáveis pela emissão de poluentes no ar em grandes cidades. Automóveis, caminhões e ônibus despejam todos os dias toneladas de gases tóxicos pelos escapamentos. Eles respondem por 90 por cento da poluição presente na atmosfera. O restante fica por conta das indústrias e outras fontes, como queimadas.

Em dias mais quentes, toda essa fumaça é dissipada na atmosfera e seus efeitos nocivos se tornam menores. No inverno, porém, a situação piora muito. A inversão térmica, um fenômeno natural nos dias frios, forma uma espécie de "cobertor" que impede que os gases tóxicos se dispersem. "Quando a camada mais quente do ar fica muito próxima da superfície, os problemas gerados pela inversão são preocupantes", dizem alguns metereologistas.

Nesses dias, a concentração de poluentes é visível. Perto do solo, o ar é escuro e cheio de fumaça. Logo acima, o céu é azul. A linha que divide o ar sujo do ar limpo é a zona de transição do ar frio e o ar quente.

Sinais de alerta

Seu corpo dá algumas pistas de que os níveis de poluentes estão acima do normal:

A cabeça é a primeira a sentir os efeitos dos gases tóxicos. A concentração tende a diminuir, enquanto a irritação aumenta, devido à ação do gás carbônico emitido pelos escapamentos dos veículos.
A dor de cabeça é outro sintoma.
O nariz começa a escorrer, provocando coriza, por causa da inalação de óxidos nitrosos, hidrocarbonetos e ozônios presentes no ar poluídos.
Os olhos ardem e ficam avermelhados, irritados pelas mesmas substâncias que atingem o nariz.
A garganta começa a "raspar". O quadro pode evoluirpara tosse e dor de garganta, por causa da combinação entre o dióxido de enxofre e o ozônio aspirado do ar contaminados.
Ao atingir os pulmões, os gases tóxicos podem causar mais problemas. E lá também se deposita a fuligem, um pó muito fino que sai dos escapamentos e carrega os poluentes. Juntos, eles diminuem a defesa do organismo e aumentam a possibilidade de problemas respiratórios, como bronquite e pneumonia.

Problemas cardiovasculares aumentam cerca de 10 por cento em decorrência da poluição.

Poluição Sonora

Esse tipo de poluição não tem muito destaque, porém pode causar muitos danos ao organismo, porque nós não nos preocupamos com ela.

Os causadores da poluição sonora são:

Os veículos que fazem ruídos e a sua buzina
As indústrias
As construções que utilizam máquinas baru lhentas
Casas noturnas que deixam o volume do som muito alto

Os ruídos são medidos por uma medida chamada decibel

Exemplo:

Uma floresta tem 18 decibéis
Um jato levantando vôo tem 125 decibéis, isso com o medidor a 100 metros do avião.
O som muito alto em walkman ou discman também prejudica a audição. Esses equipamentos sempre trazem um aviso quanto o volume, mas nem todos fazem o certo.

Atenção

As pessoas podem ficar surdas a partir do momento em que ouvirem algum som acima de 115 decibéis durante 7 minutos seguidos.

Para acabar com a poluição sonora devemos conversar e ouvir música em volume baixo.

Com relação aos ruídos das cidade, poderiam ser adotadas as seguintes medidas:

Redução no uso das buzinas de veículos
Multas contra lojas que fazem propagandas barulhentas
Recolhimento de veículos sem silenciadores
Redução de publicidade por auto falantes

Poluição Visual

Paredes pichadas, ruas cheias de placas de propaganda, "camadas" de cartazes, umas por cima das outras, faixas nos postes. Tudo isso é responsável pela poluição visual.

Essa forma de poluição não causa problemas de saúde, mas enfeia o ambiente, deixando-o sujo e bem menos repousante.

Ninguém tem dúvidas de que é muito melhor abrir a janela e ver um belo parque ajardinado do que enxergar viadutos e prédios cinzentos, com as laterais forradas de publicidade.

Um tipo particular de poluição visual é a luminosa. À primeira vista não parece, mas ela existe e, em excesso, causa diversos prejuízos.

A iluminação dos grandes centros urbanos é feita de qualquer maneira e com desperdício de energia, esse tipo de iluminação diminui a transparência da atmosfera, prejudicando a visão do céu noturno e atrapalhando o sono das pessoas que moram em frente dos luminosos.

Fonte: www.trabalhoescolar.hpg2.ig.com.br

Poluição Ambiental

Poluição do Ar

É caracterizada pela presença de gases tóxicos e partículas líquidas ou sólidas no ar.

Os escapamentos dos veículos, as chaminés das fábricas, as queimadas estão constantemente lançando no ar grandes quantidades de substâncias prejudiciais à saúde.

As causas da Poluição Atmosférica

Nos grandes centros urbanos e industriais tornam-se freqüentes os dias em que a poluição atinge níveis críticos.

Os escapamentos dos veículos automotores emitem gases como o monóxido (CO) e o dióxido de carbono (CO2 ), o óxido de nitrogênio (NO), o dióxido de enxofre (SO2 ) e os hidrocarbonetos. As fábricas de papel e cimento, indústrias químicas, refinarias e as siderúrgicas emitem óxidos sulfúricos, óxidos de nitrogênio, enxofre, partículas metálicas (chumbo, níquel e zinco) e substâncias usadas na fabricação de inseticidas.

Produtos como os aerossóis, espumas plásticas, alguns tipos de extintores de incêndio, materiais de isolamento de construção, buzinas de barcos, espumas para embalagem de alimentos, entre vários outros liberam clorofluorcarbonos (CFCs).

Todos esses poluentes são resultantes das atividades humanas e são lançados na atmosfera.

Os efeitos

A emissão excessiva de poluentes tem provocado sérios danos à saúde como problemas respiratórios (Bronquite crônica e asma), alergias, lesões degenerativas no sistema nervoso ou em órgãos vitais e até câncer. Esses distúrbios agravam-se pela ausência de ventos e no inverno com o fenômeno da inversão térmica (ocorre quando uma camada de ar frio forma uma parede na atmosfera que impede a passagem do ar quente e a dispersão dos poluentes). Morreram em decorrência desse fenômeno cerca de 4.000 pessoas em Londres no ano de 1952.

Os danos não se restringem à espécie humana. Toda a natureza é afetada. A toxidez do ar ocasiona a destruição de florestas, fortes chuvas que provocam a erosão do solo e o entupimento dos rios.

No Brasil, dois exemplos de cidades totalmente poluídas são Cubatão e São Paulo.

Os principais impactos ao meio ambiente são a redução da camada de ozônio, o efeito estufa e a precipitação de chuva ácida.

A redução da Camada de Ozônio

A camada de ozônio protege a terra dos raios ultravioleta do sol, que são extremamente prejudiciais à vida. Ela está situada na faixa de 15 e 50 Km de altitude.

Os CFCs (clorofluorcarbonos) são compostos altamente nocivos a este escudo natural da terra. O CFC é uma mistura de átomos de cloro e carbono. Presentes no ar poluído, o CFC é transportado até elevadas altitudes quando é bombardeado pelos raios solares ocasionando a separação do cloro e do carbono. O cloro, por sua vez, tem a capacidade de destruir as moléculas de ozônio. Basta um átomo de cloro para destruir milhares de moléculas de ozônio (O3 ) formando um buraco, pelo qual, os raios UV passam chegando a atingir a superfície terrestre.

Em 1985 os cientistas descobriram um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida o qual continua se expandindo. A redução do ozônio contribui para o efeito estufa.

Efeito Estufa

É a elevação da temperatura da terra provocado pela introdução na atmosfera de excessivas quantidades de gases estranhos. O principal agente causador do efeito estufa é o gás carbônico (CO2 ) resultante da combustão do carvão, lenha e petróleo.

Esse efeito é semelhante à dos vidros fechados de um carro exposto ao sol. O vidro permite a passagem dos raios solares, acumulando calor no interior do veículo, que fica cada vez mais quente.

As conseqüências desse fenômeno são catastróficas como o aquecimento e a alteração do clima favorecendo a ocorrência de furacões, tempestades e até terremotos; ou o degelo das calotas polares, aumentando o nível do mar e inundando regiões litorâneas; ou afetando o equilíbrio ambiental com o surgimento de epidemias.

Chuva Ácida

A queima incompleta dos combustíveis fósseis pelas indústrias e pelos veículos produzem o gás carbônico junto com outras formas oxidadas do nitrogênio e do enxofre que são liberados para a atmosfera.

Juntando o dióxido de enxofre e o vapor d'água forma-se o ácido sulfúrico que cai sobre a superfície terrestre em forma de chuva.

As conseqüências disto são a acidez dos lagos ocasionando o desaparecimento das espécies que vivem neles, o desgaste do solo, da vegetação e dos monumentos.

Algumas medidas para solucionar os problemas da Poluição do Ar:

A existência de uma rigorosa legislação antipoluição, que obrigue as fábricas a instalarem filtros nas suas chaminés, a tratar os seus resíduos e a usar processos menos poluentes. Penalizações para as indústrias que não estiverem de acordo com as Leis
Controle rigoroso dos combustíveis e sobre seu grau de pureza
Criação de dispositivos de controle de poluição
Vistoria nos veículos automotores para retirar de circulação os desregulados. Nos modelos mais antigos a exigência de instalação de filtros especiais nos escapamentos
Aplicação de rodízio de carros diariamente
Incentivar as pessoas a deixarem seus carros em casa pelo menos dois dias, organizando assim, um sistema de caronas e a utilizarem mais os transportes coletivos
Melhoria e segurança no sistema de transporte coletivo
Recolhimento de condicionadores de ar, geladeiras e outros produtos que usam CFC
Incentivo às pesquisas para a elaboração de substitutos do CFC
Investimentos nas fontes alternativas de energia e na elaboração de novos tipos de combustíveis como o álcool vegetal (carros), extraído da cana-de-açúcar e do eucalipto, e do óleo vegetal (substitui o óleo diesel e o combustível para a aviação), extraído da mamona, do babaçu, da soja, do algodão, do dendê e do amendoim
Melhor planejamento das cidades, buscando a harmonia entre a natureza e a urbanização
Maior controle e fiscalização sobre desmatamentos e incêndios nas matas e florestas
Proteção e conservação dos parques ecológicos
Incentivo à população para plantar árvores
Campanhas de conscientização da população para os riscos da poluição
Cooperação com as entidades de proteção ambiental.

Poluição das Águas

É o lançamento ou infiltração de substâncias nocivas na água. As atividades agrícolas, industriais, mineradoras, os esgotos e a intolerância do homem são as principais fontes de poluição das águas.

As causas da Poluição das Águas:

Desde a antigüidade o homem já lançava os seus detritos na água, porém, esse procedimento não causava muitos problemas, pois os rios, oceanos e lagos têm o poder de autolimpeza. Depois da Revolução Industrial o volume de detritos despejados nas águas aumentou bruscamente, comprometendo a capacidade de purificação dos rios, oceanos e lagos.

Entre as substâncias despejadas estão os compostos orgânicos, minerais, derivados do petróleo, chumbo e mercúrio , pelas indústrias; fertilizantes, pesticidas e herbicidas, pela agricultura.

A poluição das águas também é causada pelos esgotos das cidades e regiões agrícolas.

Os efeitos

São lançados diariamente 10 bilhões de litros de esgoto que poluem rios, lagos, oceanos e áreas de mananciais .

Os compostos orgânicos lançados nas águas provocam um aumento no número de microrganismos decompositores. Esses microrganismos consomem todo o oxigênio dissolvido na água; com isso, os peixes que ali vivem podem morrer, não por envenenamento, mas por asfixia.

As fezes quando erradamente conduzidas às águas das estações de tratamento podem contaminar os rios e lagos. As fezes acumulam-se na superfície da água, impedindo a entrada de luz. Os vegetais que vivem no fundo dos rios e lagos, como as algas, ficam impossibilitados de realizar a fotossíntese e, conseqüentemente, de produzir oxigênio. Os animais que alimentam-se dessas algas acabam morrendo. Sobrevivem apenas as bactérias anaeróbias que são capazes de viver na ausência de oxigênio. Essas bactérias podem causar males à saúde humana.

Entre as doenças causadas direta ou indiretamente pela água contaminada estão a disenteria, a amebíase, a esquistossomose, a malária, a leishmaniose, a cólera, entre várias outras.

Os oceanos recebem boa parte dos poluentes dissolvidos nos rios e riachos, além do lixo dos centros industriais e urbanos. Em muitas regiões litorâneas, onde isso ocorre, as praias tornam-se impróprias para o banho de mar.

O excesso de material orgânico no mar acabam formando as chamadas "marés vermelhas", que matam os peixes e tornam os frutos do mar impróprios para o consumo.

O vazamento de óleo dos navios petroleiros é outro grave agente de poluição. Anualmente, 1 milhão de toneladas de óleo espalham-se pela superfície dos oceanos causando verdadeiros desastres ecológicos. As manchas negras prejudicam a fauna e a flora marítimas.

Um dos mais graves acidentes com petroleiros ocorreu no Alasca em março de 1988 com o petroleiro americano Exxon Valdez. O petroleiro chocou-se contra os recifes derramando 40 milhões de litros de óleo no oceano. Vários animais morreram aos milhares e os que sobreviveram ficaram intoxicados propagando os efeitos do acidente. Segundo os cientistas serão necessários pelo menos duas décadas para que o Alasca se recupere e dificilmente serão restabelecidas as condições ambientais anteriores.

Na agricultura, os fertilizantes , os pesticidas e herbicidas são arrastados para os rios com as chuvas. O contato desses poluentes com o solo ou com a água podem contaminar os lençóis freáticos.

Algumas medidas para solucionar os problemas da Poluição das Águas:

A existência de Leis mais rigorosas que obriguem as indústrias a tratarem seus resíduos antes de lançá-los nos rios e oceanos. Penalizações para as indústrias que não estiverem de acordo com as Leis. No caso de reincidência o seu fechamento é inevitável
Investimentos nas áreas de fiscalização dessas indústrias
Ampliação da rede de esgotos
Saneamento básico para todos
Investimentos na construção de navios mais seguros para o transporte de combustíveis
Melhoramentos no sistema de coleta de lixo
Implantação de novas estações de tratamento de esgotos
Campanhas publicitárias, buscando a explicação de técnicas de saneamento para a população carente
Campanhas de conscientização da população para os riscos da poluição
Criação de produtos químicos mais seguros para a agricultura
Cooperação com as entidades de proteção ambiental.

Poluição do Solo

É a contaminação do solo por resíduos industriais ou agrícolas transportados pelo ar, pela chuva e pelo homem.

O uso indevido do solo e de técnicas atrasadas na agricultura, os desmatamentos, as queimadas, o lixo, os esgotos, a chuva ácida, o efeito estufa, a mineração são agentes causadores do desgaste de nossa litosfera.

As causas da Poluição do Solo:

Na agricultura os inseticidas usados no combate às pragas prejudicam o solo, a vegetação e os animais. O DDT é o mais comum desses inseticidas.

As técnicas atrasadas utilizadas na agricultura como a queima da vegetação para depois começar o plantio. O terreno fica exposto ao sol e ao vento ocasionando a perda de nutrientes e a erosão do solo.

O lixo também tem o seu papel importante na degradação do solo. Devido a sua grande quantidade e composição ele contamina o terreno chegando até a contaminar os lençóis de água subterrâneos. O mesmo acontece com os reservatórios de combustíveis dos postos, pois eles ficam enterrados no solo, correndo o risco de vazamento devido a corrosão do material usado no revestimento dos reservatórios.

A mineração com as suas escavações em busca de metais, pedras preciosas e minerais continua devastando e tornando improdutível o nosso precioso solo.

A imprudência, o consumismo, o desperdício e a ganância humana tratam de prosseguir essa deterioração.

Os efeitos:

Os inseticidas quando usados de forma indevida, acumulam-se no solo, os animais se alimentam da vegetação contaminada prosseguindo o ciclo de contaminação. Com as chuvas, os produtos químicos usados na composição dos pesticidas infiltram no solo contaminando os lençóis freáticos e acabam escorrendo para os rios continuando a contaminação.

O gado quando come o pasto envenenado, transmite as substâncias tóxicas para a sua carne e para o leite que vão servir de alimento para o homem.

Dentre as doenças causadas pelo solo contaminado estão a ancilostomose (amarelão), a teníase e verminoses como a ascaridíase (áscaris ou lombrigas) e a oxiurose causada pelo oxiúro.

O lixo acumulado além de destruir a vegetação, contribui para a poluição do ar com o mau cheiro e com a fumaça produzida pela incineração, chegando a contaminar os lençóis de água subterrâneos com a infiltração de lixo tóxico.

O uso indiscriminado do solo traz sérios efeitos como a erosão (é o desgaste do solo) e o aumento da desertificação.

Desertificação

É um processo ocorrido em áreas próximas aos desertos (como no centro da África) ou em regiões semi-áridas (como no sertão nordestino do Brasil). Ocorrem nessas áreas um ressecamento, devido a perda de água pelos processos de evaporação ou escoamento ser superior àquela fornecida pelas chuvas.

A desertificação atual é resultante principalmente da ação humana, que devasta a vegetação nativa por meio de grandes queimadas e introduz plantas rasteiras que não protegem o solo da ação solar e da erosão.

Com o desmatamento o solo fica totalmente exposto ao sol. Como conseqüência disso, ocorre uma contínua evaporação, até mesmo da água presente nas regiões mais profundas. Essa água, subindo para a superfície, traz consigo sais de ferro e outros minerais que se precipitam na superfície formando crostas com o aspecto de ladrilhos.

Essas crostas são impermeáveis contribuindo para a desertificação.

Os cientistas constataram que as excessivas derrubadas das matas influem nos níveis pluviométricos o que ocasiona o desaparecimento de espécies vegetais e animais.

Algumas medidas para solucionar os problemas da Poluição do Solo:

A elaboração de Leis mais práticas e rigorosas que defendam as florestas, as matas e todo o tipo de patrimônio ambiental. Com penalizações severas para as pessoas que continuarem devastando e poluindo o nosso ambiente
Elaboração de substitutos para os inseticidas
Campanhas educativas que alertem o perigo do uso dos agrotóxicos sem a indicação técnica de um agrônomo especializado
Reforma Agrária
Divulgação e uso de técnicas avançadas na agricultura como o controle biológico de pragas (técnica que utiliza outros animais que se alimentam daquele que é o agente da praga, sem prejudicar os vegetais e o solo)
Investimento e melhoria nos projetos de irrigação
Financiamentos para agricultura e para o homem do campo, dando-lhe condições para viver e se sustentar no campo
Investimentos nos projetos de transposição das águas
Participação da população nas campanhas de reflorestamento
Saneamento básico para todos
Instalação de estações de tratamento e reciclagem de lixo
Incentivo para as empresas privadas investirem na coleta do lixo reciclável
Campanhas de conscientização da população à consumirem só o necessário, à reciclarem o seu lixo ou pelo menos cooperar com o trabalho de coleta.

Fontes Alternativas de Energia

São tipos de fontes geradoras de energia, que não afetam o meio ambiente e futuramente substituirão os combustíveis fósseis.

Biomassa e os Biodigestores

" Biomassa é um termo genérico para qualquer produto natural que se decomponha por fotossíntese." (BERLE, Gustav. O Empreendedor do verde. São Paulo, Mc Graw-Hill, 1992, 18 p.)

Biomassa é o conjunto de organismos que podem ser aproveitados como fonte de energia: a cana-de-açúcar e o eucalipto (dos quais se extrai álcool), o plâncton, restos de madeira, alguns óleos vegetais (amendoim, soja, dendê), excreções de animais e lixo orgânico.

São energias que não produzem poluição, que não esgotam e ainda ajudam na eliminação do lixo.

Os biodigestores são aparelhos que reaproveitam os resíduos para a produção de gás. Esse gás é liberado através da decomposição, feita pela ação de certas bactérias sobre o lixo e resíduos, depois da retirada de alguns materiais como o plástico e o vidro.

O gás produzido é usado como combustível para automóveis ou até para turbinas que geram eletricidade.

As usinas de biogás causam menos impacto ambiental e não oferecem riscos em caso de acidentes.

Vários países já utilizam biodigestores, até mesmo o Brasil, principalmente nas zonas rurais. A única barreira desse tipo de fonte de energia é o alto custo do seu aproveitamento.

Energia Eólica

É um tipo de fonte de energia que utiliza a força dos ventos para a movimentação de hélices e obtenção de energia.

As ilhas eólicas são constituídas de vários cata-ventos geralmente dispostos ao longo do litoral ou nas montanhas.

Esses cata-ventos são compostos de três partes: hélice, gerador e base.

A energia eólica já era utilizada há milhares de anos em moinhos para o bombeamento da água, movimentação de embarcações e agora pesquisada para a obtenção de eletricidade.

Na Califórnia, uma fazenda eólica com 500 torres, gera energia equivalente à produzida por duas usinas nucleares.

O Brasil também utiliza desse tipo de energia, principalmente por ser um país com um vasto litoral propício à instalação de ilhas eólicas. No Ceará, mais especificamente em Fortaleza foi a cidade brasileira pioneira a ter um complexo eólico.

Um processo não poluente de obtenção de energia, mas que tem como empecilho o custo elevado .

Energia Geotérmica

É um tipo de fonte de energia que tem como matéria prima o calor proveniente do interior da terra (Geo, terra; térmico, relativo ao calor).

Quanto mais se entra no subsolo, em direção ao centro da terra, o calor aumenta gradativamente. Em profundidades superiores a 5000 km a temperatura fica em torno dos 4000 °C.

Em países como a Islândia e a Nova Zelândia as usinas geotérmicas utilizam os géiseis como fonte de energia. Os géiseis são fontes de água quente, com temperaturas às vezes superiores a 100 °C. A água ou vapor d'água é expelido verticalmente com períodos que vão de horas ou até semanas. Já existem reservas subterrâneas de água quente no sul da Califórnia.

Essa energia segura para o ambiente e de obtenção mais barata que os combustíveis fósseis ou usinas nucleares. A emissão de CO2 (gás carbônico) e SO2 (dióxido de enxofre) é praticamente nula.

Energia Solar

O sol, além de participar dos processos mais importantes da terra (evaporação, fotossíntese ...) irradia uma energia importantíssima para a vida; sem essa energia não existiria vida na terra.

Os raios solares possuem uma quantidade fantástica de energia. O problema é descobrir como aproveitar e armazenar esse tipo de energia.

Atualmente, a energia solar é utilizada nos sistemas de aquecimento de algumas casas e de água. Na indústria eletrônica, em vários aparelhos como calculadoras, televisores, relógios, entre outros.

As células fotoelétricas, finas como papel, recebem essa energia que é depois armazenada em baterias solares. Desse modo, a energia solar é transformada em energia elétrica.

O mercado está desenvolvendo vários aparelhos, veículos e utensílios que funcionam através de energia solar. Existem lâmpadas de metal halógeno que funcionam por esse sistema e com alta eficiência.

A indústria automobilística também está correndo atrás desse tipo de energia que, futuramente, será a base de toda a produção de energia. Existem carros, ainda em fase experimental, movidos por energia solar que chegam até a atingir uma velocidade de 220 km/h.

Os países que estão mais avançados em relação à utilização da energia solar são o Japão, Alemanha e Estados Unidos.

A maior central solar do mundo está localizada na Califórnia: 1818 espelhos orientáveis fornecem uma potência elétrica de 10 megawatts.

O surpreendente é que um país tropical como o Brasil pouco utiliza esse tipo de energia.

As instalações de energia solar têm um impacto ambiental nulo ou muito pequeno. Um aquecedor de água solar pode eliminar cerca de 681 quilos de dióxido de carbono que iriam para atmosfera em apenas um ano.

Reciclagem

É o processo de transformação de materiais usados em novos produtos. A reciclagem é usada para a eliminação de uma parte do lixo sólido.

Dentre os materiais que podem ser reciclados estão: o vidro, o aço, o plástico, o óleo de motor, o óleo diesel, a gasolina, o querosene, as baterias e o ácido de bateria, as latas de alumínio, o papel, o jornal entre vários outros.

Depois de reciclados, esses materiais são reaproveitados, podendo ser encontrados em produtos como livros, fitas de áudio e vídeo, lâmpadas fluorescentes, concreto, bicicletas, baterias, pneus de automóveis e uma série de outros.

A reciclagem, além de ajudar na preservação dos recursos primários da natureza ainda permite a redução do lixo e a diminuição da poluição do ar, da água e do solo. Traz também economia de energia e de água na produção.

Atualmente, apenas cerca de 10% de todo o lixo reciclável é realmente reprocessado. O Japão, que não tem tanto espaço para desperdiçar, reutiliza 50% do seu lixo sólido. Nesse país são comuns diversos tipos de reciclagem, como o reaproveitamento da água do chuveiro na privada.

A Europa Ocidental recupera 30% do seu lixo e os Estados Unidos reciclam 11%. Nesse país, a produção de detrito por pessoa é o dobro da de qualquer outro país. Nova York é a cidade que mais produz lixo no mundo, uma média diária de 13.000 t.

O Brasil não fica fora quanto ao processo de reciclagem, pois junto com os Estados Unidos, lidera a reciclagem de latas reaproveitando 60% das latas produzidas.

As empresas têm papel importante na reciclagem, seja reciclando seus produtos, criando novos produtos biodegradáveis ou que sejam recarregáveis, como algumas pilhas existentes no mercado que possuem um recarregador, evitando o acúmulo delas nos aterros e a contaminação do solo no caso de vazamento.

A reciclagem não pode ser só feita em grandes indústrias, pode ser feita também em casa ou no escritório. Em casa pode-se optar por lâmpadas fluorescentes, pois esse tipo de lâmpada produz menos calor e consome menos energia. No escritório em vez de utilizar copinhos de plástico descartáveis, que provocam poluição e não são biodegradáveis, melhor seria usar xícaras ou canecas que são ótimos presentes de aniversário ou de natal.

Todos podem ajudar, só depende da consciência de cada um. Com as empresas cooperando e a população ajudando com a reciclagem, com certeza, o retorno será melhor.

Conclusão

O modelo econômico capitalista é uma das barreiras que impedem a consciência ambiental. O capitalismo é um sistema econômico voltado para a produção, lucro e acumulação de riquezas. Lucros a curto prazo e acumulação de riquezas nas mãos de poucos.

A base do capitalismo é o consumismo. Quanto maior o consumo, mais lixo e quanto maior o número de lixo, maior a poluição. Antigamente a energia eólica era a base para a irrigação na agricultura, produção de energia elétrica entre várias outras funções.

Depois da Revolução Industrial a utilização e o comércio dos produtos movidos por combustíveis fósseis fez com que esta prática não poluente de energia fosse esquecida. Se esta prática tivesse continuado estaríamos hoje bem mais adiantados, o que não ocorreu justamente por causa da necessidade de consumir do nosso modelo econômico chamado Capitalismo.

O mercado oferece diversos produtos que estão de acordo com as normas técnicas da EPA, Environmental Protection Agency (Departamento de Proteção Ambiental). Porém, o custo desses produtos é mais elevado. Um exemplo bem prático disso é uma pessoa que deseja comprar um carro que não polui o ar, movido a energia elétrica, ou seja, um carro que necessita de várias baterias para funcionar. Tudo isso aumenta o custo do carro. Por outro lado, existe um carro movido a combustível fóssil cujo preço é duas vezes menor do que um carro ecológico. Obviamente a pessoa irá escolher o mais barato pois é o que o seu dinheiro dá para comprar. O alto custo dos produtos não poluentes desestimula a população.

Portanto, a maior arma contra a poluição do mundo será a educação da população.

Recentemente, foi atribuído aos currículos escolares a disciplina Educação Ambiental, que ensina aos estudantes noções de Ecologia e de como viver bem consigo e com a natureza. Mas, nem todas as pessoas têm acesso a esta disciplina, por isso acabam cooperando para o aumento da devastação do meio ambiente.

Existem vários produtos nas prateleiras como videocassetes, aerossóis, removedores de poeira, sprays para cabelo, antigos aparelhos de ar condicionado e vários outros que na sua composição possuem CFCs, que são compostos altamente nocivos à camada que protege a terra dos raios solares. Certamente a pessoa que não tem conhecimento sobre o assunto levaria o produto sem saber que estava ajudando a acabar com a vida na terra.

A preocupação deve ser de todos, principalmente, dos fabricantes na elaboração e composição dos produtos sem o uso do CFC (clorofluorcarbono).

Mas, os maiores poluídores do mundo não são as fábricas e os esgotos e sim as atividades feitas pelo homem. Somente ele tem a capacidade de reverter esse quadro de devastação mundial. O nosso futuro depende do controle da devastação e da emissão de gases, no conservacionismo, no uso de fontes alternativas de energia não poluentes, na reciclagem, no reflorestamento e, principalmente, na conscientização de toda a população mundial de que a nossa biosfera atual, que até agora foi o nosso único hábitat, é também a única que temos possibilidade de ter e que devemos fazer de tudo para garantir que ela continue habitável.

Fonte: ramirofrancisco.vilabol.uol.com.br

Poluição Ambiental

Poluição atmosférica: Refletindo sobre a qualidade ambiental em áreas urbanas

Introdução

No início do século XX, eram conhecidas as agruras da falta de água potável e de alimentos, mas julgava-se que o ar, necessário para a respiração dos seres humanos e de outros seres vivos, nunca deixaria de estar disponível de forma adequada à manutenção da vida. Contudo, a qualidade do ar tornou-se uma das maiores preocupações nesta virada de século.

Entende-se como poluição do ar, a mudança em sua composição ou em suas propriedades, decorrentes das emissões de poluentes, tornando-o impróprio, nocivo ou inconveniente à saúde, ao bem-estar público, à vida animal e vegetal e, até mesmo, ao estado de conservação de determinados materiais. Diversos agentes podem ser percebidos como contaminantes atmosféricos. Alguns exemplos de agentes de origem natural são as brumas marinhas (bactérias e microcristais de cloreto e brometos alcalinos), produtos vegetais (grãos de pólen, hidrocarbonetos e alérgenos), produtos de erupções vulcânicas (enxofre, óxidos de enxofre, vários tipos de partículas, ácido sulfúrico, dentre outros) e poeiras extraterrestres (material pulverizado de meteoritos que chegam à atmosfera); enquanto que os de origem artificial podem ser representados pelos radionúcleos, derivados plúmbicos e os derivados halogenados de  hidrocarbonetos (COELHO, 1977: 156-157).

AYOADE (1998: 309) alerta que a poluição do ar afeta o clima das áreas urbanas de diversas formas. O próprio balanço energético das cidades sofre interferência, pois os poluentes refletem, dispersam e absorvem radiação solar. Muitos poluentes também servem de núcleos de condensação, sendo, portanto, abundantes no ar das cidades, cuja umidade já é substancialmente abastecida através da evaporação, dos processos industriais e dos automóveis, que emitem grandes quantidades de vapor d'água. Consequentemente, a tendência da precipitação é aumentar sobre as áreas urbanas. Contudo, os efeitos mais alarmantes da poluição atmosférica ocorrem na saúde da população urbana.

A poluição do ar é um problema complexo, devido não somente às dificuldades de identificar os reais efeitos dos contaminantes na saúde da população, mas ao enorme número de atores sociais envolvidos. A busca por uma solução conta obrigatoriamente com diversos setores da sociedade e esferas administrativas, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Torna-se, assim, uma tarefa árdua desenvolver diretrizes de ação onde os mais variados interesses estão em questão.

É nesse contexto que a Geografia pode fornecer uma grande contribuição. GALLEGO (1972: 11-12) comenta que o geógrafo pode analisar o problema da poluição atmosférica aplicando dois princípios básicos de sua formação: o da distribuição espacial e o das correlações, no caso, existentes entre a poluição atmosférica, o sítio urbano, a densidade demográfica, as funções urbanas, os transportes e o ritmo dos tipos de tempo.

Dessa forma, a Geografia analisa a poluição atmosférica tanto como uma consequência das atividades econômicas, quanto como um fenômeno que, ao mesmo tempo, é determinado e influencia o meio. Uma análise que considere os interesses sociais e os atributos geoecológicos dos locais afetados pode proporcionar medidas de planejamento que resultem em uma melhor qualidade ambiental nas cidades.

Um breve histórico sobre a preocupação com a qualidade do ar: destaque para a realidade latino-americana

A poluição do ar realmente passou a ser considerada um problema ligado à saúde pública a partir da Revolução Industrial, quando começaram a ser adotadas técnicas baseadas na queima de grandes quantidades de carvão, lenha e, posteriormente, óleo combustível. O uso intensivo dessas técnicas acarretou a perda gradativa da qualidade do ar nos grandes centros urbano-industriais, com reflexos nítidos na saúde de seus habitantes. Portanto, a qualidade do ar deixou de ser um problema de bem-estar e passou a representar efetivamente um risco à população.

Inicialmente, esse risco estava praticamente limitado aos trabalhadores de certas atividades, como os operários das minas de carvão, que frequentemente morriam devido às intoxicações causadas pelo ar insalubre do interior das minas. Com a intensificação das atividades urbano-industriais, esses episódios adquiriram maior abrangência espacial, passando a atingir de forma mais ampla a população das cidades.

No século XX, os centros urbanos tornaram-se maiores e mais populosos, marcados pelo uso intenso e crescente de veículos automotores. Em decorrência disso, tornaram-se mais frequentes os episódios críticos de poluição do ar, apresentando como resultado muitas vítimas.

Um desses casos, que despertou o interesse do meio científico, ocorreu na Bélgica, no Vale do Rio Meuse, de 1o a 5 de dezembro de 1930, quando uma espessa névoa cobriu essa zona industrial e a população foi acometida por sintomas como tosse, dores no peito, dificuldade de respirar, irritação na mucosa nasal e nos olhos.

No período de 27 a 30 de outubro de 1948, em uma cidade da Pensilvânia, a presença de um anticiclone, seguido de uma inversão térmica conjugada com a ausência de ventos, propiciou sobre a cidade a formação de uma névoa escura durante todo o período, tendo sido registradas 20 mortes e quase 6 mil internações entre os 14 mil habitantes da cidade.

Em Londres, no ano de 1952, houve outro episódio que se tornou famoso pela sua gravidade. Os efeitos de uma "névoa negra" começaram a se manifestar através da proliferação de diversas moléstias contraídas principalmente pelos habitantes que sofriam de problemas pulmonares e circulatórios. Foram constatadas, na semana seguinte ao episódio, 4 mil mortes a mais do que esperado. A curva de mortalidade somente se normalizou dois meses depois, quando havia se acumulado um total estimado de 8 mil mortes além das expectativas.

Muitos outros episódios caracterizados por elevados índices de poluição atmosférica têm sido registrados nos grandes centros urbanos do mundo, como: Cidade do México, Los Angeles, Detroit, São Paulo, Londres, Tóquio e Osaka. Nessas concentrações urbanas, mesmo quando não são registrados episódios críticos, os níveis de qualidade do ar são tão ruins, que seus habitantes ficam permanentemente expostos a uma frequência maior de doenças cardiorespiratórias. Isso ocorre porque mesmo com a presença de substâncias nocivas em baixas concentrações no ar, o risco reside no tempo de exposição, já que uma substância tóxica, mesmo que presente em pequena quantidade no ar, pode se tornar perigosa por seu efeito acumulativo no organismo.

Em termos de América Latina, o interesse quanto à contaminação do ar teve início na década de 1950, quando as universidades e os ministérios de saúde efetuaram as primeiras medições da contaminação do ar.

A Rede pan-americana de Amostragem de Contaminantes Atmosféricos (REDPANARE) teve suas atividades iniciadas em junho de 1967. Essa rede contava inicialmente com oito estações, e até o final do ano de 1973 possuía um total de 88 estações distribuídas em 26 cidades de 14 países.

Em 1980, a REDPANARE foi incorporada ao Programa Global de Monitoramento da Qualidade do Ar, estabelecido em 1976 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), como parte do Sistema Mundial de Monitoramento do Meio Ambiente.

Em 1990, o Centro pan-americano de Ecologia Humana e Saúde da Organização pan-americana de Saúde realizaram uma pesquisa sobre o estado dos programas de qualidade do ar na América Latina. Os resultado indicaram que somente seis países haviam estabelecido níveis de qualidade do ar, dez haviam desenvolvido redes de monitoramento, nove haviam preparado inventários de emissões, quatro haviam estabelecido estratégias de controle e quatro efetuaram estudos epidemiológicos.

A OMS estima que atualmente mais de 100 milhões de pessoas na América Latina estão expostas a níveis de contaminantes atmosféricos que excedem os valores recomendados, incluindo milhões de pessoas expostas à contaminação do ar em interiores, devido à queima de biomassa e de outras fontes (OPS, 2000: 04).

WEHRMAN (1996: 58-59) resume as causas da poluição atmosférica nas cidades latino-americanas em três grupos:

A concentração do tráfego de veículos num espaço cada vez mais limitado, devido à intensa atividade econômica da população urbana e à ausência de um planejamento eficiente das cidades;
O alto consumo de gasolina e a ausência de equipamento para reduzir as emissões que caracterizam os países mais pobres;
A ocupação de áreas de produção industrial ou trechos próximos das vias intensas de circulação para residências ou local de trabalho, expondo grande parcela da população, diariamente, à emissão de poluentes liberados por veículos automotores ou industriais. 

Em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, foi negociada e assinada por 175 países mais a União Europeia, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Reconhecendo a mudança do clima como uma preocupação de toda a humanidade, os governos que assinaram tornaram-se partes da Convenção, propondo-se a elaborar uma estratégia global para proteger o sistema climático para gerações presentes e futuras (BNDES & MCT, 1999: 15).

As principais atribuições da Convenção são: criar instrumentos e mecanismos, promover a gestão sustentável e demais condições que possibilitem alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que não interfira perigosamente no sistema climático. Apesar desta Convenção não tratar explicitamente da qualidade do ar nos grandes centros urbanos, é evidente que a elaboração de propostas que visem o controle da emissão de gases estufa também acarretará uma melhoria na composição atmosférica das áreas fontes.

Com o objetivo de avaliar de forma mais precisa a situação da gestão da qualidade do ar urbano na Região da América Latina, a OPS realizou uma pesquisa baseada em questionários enviados pelo Centro pan-americano de Engenharia Sanitária e Ciências do Ambiente em fevereiro de 1999 a diversos setores da sociedade desses países. A pesquisa indicou que somente Brasil, Chile e México têm cidades com programas de gestão da qualidade do ar bem desenvolvidos.

Entre os programas regionais para a melhoria da qualidade do ar na América Latina, destaca-se a Iniciativa do Ar Limpo para as Cidades da América Latina, do Banco Mundial, sendo apoiado por diversas instituições internacionais, organizações não-governamentais, empresas privadas e governos locais. Uma das principais metas desse programa é melhorar a qualidade do ar nos grandes centros urbanos da América Latina. Atualmente, estão sendo fortalecidos planos para a Cidade do México, Lima-Callao, Rio de Janeiro e Buenos Aires.

Discutindo a poluição atmosférica

Em diversas ocasiões, no decorrer do dia, contaminantes atmosféricos irão penetrar os pulmões dos habitantes da cidade. Os ambientes fechados não apenas nos protegem dos poluentes externos como servem também de estufas para a fumaça dos cigarros. Há também os fungos dos sistemas de refrigeração, os ácaros, as bactérias, os resíduos tóxicos dos produtos de limpeza e dos cosméticos; é a denominada indoor pollution.

Enfermidades como o câncer, enfisemas, pneumonias, bronquites, gripes, insuficiências respiratórias são uma presença certa em toda cidade. Os efeitos da poluição atmosférica não atingem a todos da mesma forma. Para os idosos, as crianças e as pessoas com problemas respiratórios, as consequências são dramáticas, caracterizadas por internações e até a morte.

As fontes poluidoras dentro de um perímetro urbano podem estar dispostas de três formas:

Em ponto fixo, como uma indústria;
Em linha, fontes móveis ao longo de uma avenida ou de uma rua com tráfego pesado;
Em zona, onde a pluralidade de fontes fixas difusas abrange um ou mais bairros.

BARROS (1980: 490) alerta que normalmente, em estudos que enfocam a poluição atmosférica, o tratamento dos dados levantados restringe-se: a correlações sobre as situações climáticas regionais, em geral, muito genéricas para os objetivos propostos; a determinar ou salientar situações meteorológicas mais favoráveis à concentração de poluentes, tais como inversões térmicas, denotadamente em áreas topograficamente depressionárias; e em analisar os aspectos da dispersão ou difusão de poluentes na atmosfera. Poucos são os trabalhos que enfocam o problema da poluição do ar para cada sítio isoladamente, considerando todo o aspecto geográfico do mesmo, dentro do qual ocorre a emissão de poluentes, dispersão ou difusão no fluxo de ar, seu transporte, a área real atingida, deposição e absorção dos poluentes pelo meio e a contaminação dos habitantes.

DUCHIADE (1992: 312) acrescenta como outros agentes causadores de problemas no aparelho respiratório, além do cigarro, a fumaça produzida pela combustão de biomassa (lenha, folhas e esterco, por exemplo); os produtos gerados pela combustão do gás de cozinha (para a preparação de alimentos, para o aquecimento de água e da própria residência); pesticidas e solventes empregados para limpeza; asbestos utilizados contra incêndios, dentre outras formas. Estes poluentes tornam-se mais importantes quanto mais diferente é o ambiente doméstico com relação ao ar externo.

A quantidade de poluentes na atmosfera é considerada atualmente um dos mais importantes indicadores ambientais para determinar as condições de saúde pública, devido à responsabilidade que tais contaminantes têm em muitas patologias respiratórias (GALVÃO et al, 1998: 48).

Fatores básicos afetam a concentração de partículas no ar: a taxa de emissão do poluente, as condições meteorológicas e a topografia local. A combinação da estabilidade atmosférica com ausência de chuvas é extremamente desfavorável à dispersão dos poluentes.

Os fenômenos ligados à pressão atmosférica, por exemplo, interferem na poluição do ar. Normalmente devido ao decréscimo de pressão com a altura, as parcelas de ar situadas a altitudes maiores encontram menor pressão, se expandem e, portanto, se resfriam. Esse processo de resfriamento com a ascensão, ou de aquecimento com a descida, é denominado de adiabática seca, equivalente a aproximadamente 1oC para cada 100 metros. No entanto, a temperatura do ar nas camadas mais próximas à superfície é variável e inversões de temperaturas podem ocorrer. A inversão de temperatura ocorre quando uma camada de ar termicamente estável bloqueia o ar abaixo dessa, impedindo a dispersão vertical de poluentes, confinando-os numa camada que varia em função da altura da inversão. Quanto mais baixa a inversão, mais estreita a camada de dispersão e, consequentemente, maiores as concentrações de poluentes no ar.

A umidade relativa do ar e a luz solar também interferem através das reações químicas que envolvem os poluentes. O dióxido de enxofre e os óxidos de nitrogênio, emitidos sob a forma de gases, podem ser convertidos, respectivamente, em sulfatos ou nitratos, aumentando a carga total de partículas em suspensão.

Quanto aos problemas relacionados à saúde dos habitantes das cidades, podem ser citados (DUCHIADE, 1992: 314):

  1. Efeitos agudos em indivíduos sadios, exemplificados pelas reações a episódios extremos de smog ou aumentos súbitos dos níveis de poluição, particularmente nos ambientes industriais ou sob condições experimentais;
  2. A exacerbação de doenças pré-existentes em indivíduos vulneráveis, como cardiopatias ou enfermidades respiratórias prévias, que, ao serem expostas à poluição, podem piorar seus sintomas ou até levar à morte;
  3. Fenômenos de hipersensibilidade de origem imunológica ou hiperatividade brônquica não-específica, que apesar de não suficientemente esclarecidos, podem ser particularmente relevantes na medida em que causem danos reversíveis (parcial ou totalmente) ou provoquem problemas crônicos.

Para compreender melhor os processos ambientais mais relevantes para essa intrigante questão, que é a poluição atmosférica, torna-se necessário inseri-la em uma abordagem sistêmica do meio urbano. Segundo MONTEIRO (1976: 124-125), o Sistema Clima Urbano é caracterizado por vários graus de hierarquia funcional e diferentes níveis de resolução, estando esses últimos ligados à percepção humana. Dessa forma, seriam estabelecidos canais de percepção associados intimamente aos principais níveis de resolução dos sistemas, separando, assim, os grandes conjuntos de fenômenos dentro do universo climático.

Dentro dessa lógica, o referido autor define os seguintes canais de percepção: o conforto térmico (subsistema termodinâmico); a qualidade do ar (subsistema físico-químico); e o impacto meteórico (subsistema hidromecânico).

Os três canais apresentam-se interligados como é ressaltado por CAVALHEIRO (1995: 119) quando chama a atenção para os "estresses" bioclimáticos ocasionados na população, tais como: problemas circulatórios, cardíacos, respiratórios e de insônia. Deve-se lembrar, como exemplo, que a ilha de calor, quando instalada, dificulta ou mesmo impede a troca de ar da cidade com seu entorno e a circulação passa a se processar internamente de forma "viciada". Portanto, as variações das condições climáticas são capazes de provocar um tipo de estresse que pode resultar em sérios problemas de saúde. Tal estresse provoca no indivíduo a perda de uma parte de suas defesas imunológicas, deixando-o mais vulnerável a determinadas enfermidades. A utilização de índices bioclimáticos é, dessa forma, extremamente valiosa para compreender a influência de determinados elementos do clima, como a temperatura, a umidade relativa, o vento ou a influência combinada desses, sobre a saúde humana, definindo níveis de risco a possíveis reações estressantes.

Como já tratado, é no meio urbano que serão verificadas as condições de qualidade do ar mais críticas, graças às emissões de poluentes oriundas principalmente da circulação de veículos automotores e da produção industrial. Vale salientar, nesse contexto, que os modernos centros urbano-industrais vêm se caracterizando por um incremento exponencial na sua capacidade de transformação (ALVA, 1996: 44). Energia elétrica, combustíveis fósseis, matérias-primas, mão-de-obra, água, informações, entram nas cidades para serem "metabolizados" em bens de consumo e serviços habitacionais, porém os processos produtivos e a urbanização também produzem calor excedente, gases e partículas em suspensão, despejos domésticos e resíduos industriais que não são reciclados pelo sistema produtivo e nem biodegradados rapidamente pela natureza, acarretando a destruição dos recursos naturais e a deterioração da qualidade ambiental urbana.

Outra questão que merece destaque é a escala abrangida pelo fenômeno, que é a cidade, pois como afirma MONTEIRO (1995: 373) essa escala é mais ampla do que os limites definidos pelo próprio sítio urbano, ocorrendo uma tendência à exportação de problemas aos ambientes circundantes.

MONTEIRO (1976: 135) salienta que, num organismo urbano amplo como o das metrópoles, torna-se necessária a compreensão dos mecanismos de difusão da carga poluidora dos setores onde ocorre a emissão para aqueles outros que são contaminados. O autor prossegue, comentando que para a compreensão desse mecanismo não basta limitar o estudo à observação meteorológica padronizada para a análise aos níveis continental e global, sendo fundamental penetrar na observação especificamente dirigida à climatologia urbana. O Sistema Clima Urbano é regido por condições mesoclimáticas, mas a grande questão está nas diferenciações microclimáticas ocasionadas pelas diversas coberturas e no balanço térmico urbano. Portanto, as intervenções provocadas no sítio interferem na qualidade de vida dos habitantes das cidades, gerando transtornos como as inundações em épocas de chuva, o desconforto térmico e a má qualidade do ar.

A atmosfera é um dos principais transportadores de contaminantes químicos. A exposição a produtos provenientes da queima incompleta de combustíveis fósseis contendo carcinógenos humanos, como os hidrocarbonetos poliaromáticos, é relativamente constante nos grandes centros urbanos.

Após sua emissão por uma fonte qualquer, os poluentes percorrem diversos caminhos, em sua difusão no ambiente, até chegarem ao solo, ar e/ou água. O nível de concentração em cada ponto do percurso dependerá de diversos fatores, como a taxa de emissão, as características de sua dispersão (em razão das propriedades do poluente e do meio) e a taxa de remoção do ambiente por agentes físicos, químicos e biológicos ao longo de todo o percurso. A interação entre um poluente e o meio receptor resulta em um efeito cuja natureza, escala e importância, bem como sua variação ao longo do tempo, é objeto central dos estudos de avaliação de impacto e risco (BRILHANTE, 1999: 48).

Uma vez que as emissões de poluentes para o ar tenham ocorrido, procede-se a transmissão. Os modelos de transmissão tentam estimar a intensidade e a duração da exposição em razão de um certo número de parâmetros relacionados à emissão.

Estes incluem: taxa e tamanho da exposição; forma da fonte (ponto fixo, linha, zona); posição (tanto horizontal quanto vertical); característica do material emitido, tais como: se é gás, vapor ou aerossol (líquido ou sólido), tamanho e densidade das partículas; distância entre a área fonte e os alvos; condições meteorológicas (velocidade e direção dos ventos, estabilidade atmosférica); e condições da topologia.  

Vale salientar que o transporte dos contaminantes atmosféricos ocorre simultaneamente aos processos de mistura e diluição, através de reações químicas. Por meio disso, as concentrações dos poluentes decrescem com o aumento da distância das fontes emissoras e o nível das concentrações ambientais se reduz.

ROMERO (1998:04) reforça a ideia de que a poluição atmosférica é um dos problemas urbanos de maior complexidade, afirmando que a distribuição espacial dos contaminantes atmosféricos se relaciona com a morfologia da bacia aérea e dos sistemas regionais e locais de ventos. Dentre os fatores de meso-escala que determinam os fluxos de ventilação dentro do limite urbano está a variação diurna/noturna das direções das brisas. Contudo, esses sistemas de ventilação são comandados por diferenças térmicas de caráter topoclimático, resultantes, principalmente, da geração de ilhas de calor e de ar frio. O autor prossegue, comentando que em uma bacia aérea o transporte de contaminantes compromete a totalidade do sistema geográfico, de tal forma que as alterações do uso do solo que ocorrem em qualquer ponto da bacia, afetam diretamente os parâmetros in situ e as condições climáticas de áreas localizadas a grande distância.

MARTINS (1991: 107) destaca que a setorização do espaço urbano (produzida pelas diferenças de uso do solo) gera repercussões em termos de tráfego de veículos. Quanto mais especializado e concentrado for o espaço, maior é o tráfego gerado e, com isso, maiores os impactos e custos ambientais. O autor prossegue frisando que transporte e uso do solo são dois entes que interagem para o aparecimento da sobrecarga ambiental e dos custos de imobilização, contudo são tratados como fenômenos estanques, tanto para o controle da qualidade do meio urbano, quanto na manutenção da mobilidade.

Os investimentos públicos em infraestrutura para a garantia da acessibilidade geram benefícios (vantagens locacionais) para o capital imobiliário, que por sua vez aumenta e diferencia o valor do solo em um mesmo espaço urbano, acarretando uma ocupação desigual. Portanto, a setorização do espaço urbano produz a necessidade de deslocamento. Quanto mais especializado for o espaço, maior é o tráfego gerado e maiores os impactos e os custos ambientais e de imobilização. Os custos de imobilização estão relacionados com o padrão de viagens, que na realidade subdesenvolvida (baseada na desigualdade sócioespacial) pressupõe deslocamentos qualitativa e quantitativamente diferentes. A concentração das atividades somente se reverte em efeito inibidor da localização quando as deseconimias de aglomeração geradas são maiores do que as vantagens que são garantidas pela proximidade das facilidades urbanas, seja por sobrecarga ambiental (poluição atmosférica, por exemplo), seja por custos de imobilização (congestionamentos). Desse modo, o espaço urbano perde os atributos locacionais originais (o que repercute negativamente no valor do solo). Para garantir o desenvolvimento da área afetada torna-se necessária a intervenção no espaço urbano, que invariavelmente trará consequências de qualidade ambiental do local e de suas proximidades.

Algumas propostas para a redução da poluição atmosférica

Dos combustíveis fósseis, o de melhor desempenho, do ponto de vista ambiental, é o gás natural, cujas emissões de contaminantes atmosféricos são muito menores.

SIRKIS (1999: 70), comenta que o gás natural demanda uma atenção e um investimento do Poder Público para que seja rompido o círculo vicioso que se estabeleceu: há poucos veículos a gás porque há poucos postos de serviços para abastecê-los e há poucos postos de serviços porque há poucos veículos a gás. O Poder Público pode estimular essa oferta reduzindo taxas e impostos municipais para os postos de serviços e empresas de transporte coletivo.

Outra possibilidade a ser explorada são os biodieseis. Existem diversas formas de fabricar biodiesel a partir do refino da soja e dos resíduos de caixa de gordura, com total compatibilidade com os motores a diesel existentes. Em ambas as técnicas, o resultado é um combustível a ser misturado com o óleo diesel com uma resultante final bem menos poluente. Há também em desenvolvimento uma tecnologia que transforma o lodo proveniente de estações de tratamento de esgoto em duas partes de carvão e uma de um tipo de combustível semelhante ao biodiesel. Essa técnica, que ainda está sendo desenvolvida na Alemanha e na Austrália, caso aceita, poderia ajudar na solução de parte do problema do destino final do lodo das estações de tratamento de esgotos.

Uma alternativa já testada é a utilização do etanol como combustível que reduz as emissões de monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio (NOx), óxidos de enxofre (SOx), hidrocarbonetos (HC) e material particulado (MP), tanto no caso do álcool puro como da mistura álcool-gasolina, quando comparada à utilização da gasolina pura. O etanol substitui ainda os compostos de chumbo adicionados à gasolina para aumento da sua octanagem, fato que possibilitou ao Brasil deixar de usar esses compostos desde janeiro de 1989, sendo o segundo país do mundo a conseguir isso, estando somente atrás do Japão (SANTOS, 1993: 193).

Entretanto, o uso do etanol como combustível aumenta a emissão de aldeídos (ROH), cujos efeitos para a saúde dos seres humanos e para a atmosfera, quando combinados a outros poluentes, precisam ainda ser melhor pesquisados. Portanto, quando comparado aos derivados de petróleo, o álcool é considerado um combustível limpo. Esse fato está bem consolidado ao nível da comunidade internacional, o que vem motivando determinados países desenvolvidos a estudar a possibilidade de uso do etanol não somente como um combustível alternativo, mas como uma estratégia de redução da poluição atmosférica. Os Estados Unidos, por exemplo, passaram a exigir, a partir de novembro de 1992, através de Clean Air Act, o uso, durante o inverno, em 41 cidades selecionadas, de 2,7% de oxigenados, equivalente a 8% de álcool (SANTOS, 1993: 251).

Deve-se ainda mencionar, como benefício ambiental do uso do etanol, a contribuição para a redução do efeito estufa, não apenas por causa da redução das emissões de CO2, como devido à seguinte relação: o ciclo de crescimento da biomassa fixa o carbono existente no CO2 da atmosfera através do processo de fotossíntese. Assim, a produção de matéria-prima para o fabrico do etanol (cana-de-açúcar, milho ou beterraba) contrabalança a emissão de CO2 resultante do uso do etanol como combustível. No caso dos combustíveis fósseis, o carbono retirado do subsolo é emitido na atmosfera como CO2, sem chances de ser reciclado. Portanto, a produção de etanol destinada aos veículos automotores minimizaria uma das grandes questões ambientais da atualidade que é o aumento da concentração dos gases responsáveis pelo efeito estufa, sobretudo o CO2.

Atualmente, os cenários mais favoráveis à redução de emissões automotivas estão relacionadas aos veículos elétricos. A propulsão elétrica abre não só a perspectiva de veículos de "emissão-zero" como, mais adiante, de "poluição-zero". Essa distinção é feita porque as baterias velhas constituem um resíduo tóxico.

O baixíssimo preço do petróleo é atualmente o maior obstáculo à adoção de formas de transporte de "poluição-zero", pois inibe investimentos que levariam ao barateamento de custos, que tornariam esse tipo de veículo acessível ao consumidor comum. É extremamente difícil compatibilizar a massificação dessas tecnologias alternativas com essa situação desfavorável de mercado, tendo de competir contra o preço mais acessível do petróleo.

Uma outra via para reduzir o número de fontes poluidoras são as vistorias realizadas pelo Poder Público, que têm como um dos seus objetivos coibir a circulação de veículos velhos, inseguros e poluentes, o que se contrapõe à aspiração da baixa classe média e de setores pobres emergentes que, muitas vezes, têm nesses veículos com considerável tempo de uso um instrumento de trabalho. Além do mais, veículos bem regulados poluem muitos menos e economizam combustível.

A ventilação no espaço urbano é de grande importância para reduzir os efeitos das emissões de contaminantes. Por esse motivo a ventilação deve ser sempre considerada nos parâmetros edilícios e fazer parte de planos de gestão da qualidade do ar. Distanciamento entre prédios, construções que considerem os ventos, assim como a arborização de ruas, constituem alguns critérios que devem estar presentes no planejamento urbano.

A circulação de ar nas cidades é tão complexa que é muito difícil fazer uma descrição precisa. De forma geral, as velocidades médias do vento são muito menores ao nível da rua. Eventualmente, são observadas intensificações localizadas devido às deflexões laterais decorrentes de obstáculos ou devido à turbulência causada pela descida do ar após passagem por edifícios. Cada rua tende a ter sua própria direção predominante do vento, dependendo da orientação topográfica e da presença de obstruções localizadas. As condições de maior estagnação do ar são normalmente encontradas em áreas com elevada densidade de prédios com alturas uniformes. Nestes casos, o acúmulo de contaminantes atmosféricos, oriundos principalmente dos veículos que trafegam por esses locais, pode se tornar um problema extremamente sério. A importância da velocidade do vento em termos biometeorológicos pode ser compreendida também de forma positiva, pois o movimento adequado auxilia a remover os contaminantes atmosféricos e as brisas refrescantes podem contribuir para o conforto térmico, tanto por ajudar a manter o campo microclimático da temperatura mais ameno como pelo fornecimento direto de resfriamento ao corpo humano.

A arborização do meio urbano é um fator extremamente importante para a qualidade do ar. Uma cortina de árvores, por exemplo, é capaz de reter mais de 80% das partículas inaláveis emitidas pelos motores a diesel (SIRKIS, 1999: 78). Esses poluentes, dos mais perigosos do ponto de vista da saúde pública, são também os mais pesados, com menor capacidade de transporte aéreo. Por esta razão, áreas de lazer, praças com brinquedos infantis ou equipamentos para exercício físico instalados a menos de 50 metros de via de trânsito intenso, é uma decisão urbanística que expõe os usuários desses locais à poluição.

YAAKOV & BITAN (1998: 03) reforçam a importância das áreas verdes nos centro urbanos, devido à influência que a vegetação exerce nos parâmetros climáticos de diversas áreas e seus arredores, reduzindo a radiação, a temperatura, gerando a elevação da umidade e reduzindo a velocidade do vento. ALESSANDRO & SCHULTZ (1998: 15), em estudo realizado na cidade de Mendonça, no Sudoeste da Argentina, onde foi empregado para amostragem do material particulado o dispositivo passivo Sigma II, puderam constatar nas áreas verdes com cultivo de árvores um notável decréscimo da poluição atmosférica, sendo isso também percebido em jardins urbanos. YAZGAN et al. (1998: 39) também destacam a importância das áreas descampadas e verdes para o clima urbano e a qualidade do ar. Essas áreas são elementos indispensáveis das cidades contemporâneas, com efeito funcional e estético. Na atualidade, em muitas cidades do mundo onde o problema da poluição do ar existe, entende-se que é de grande importância o efeito funcional de áreas descampadas e verdes no melhoramento do clima urbano e da qualidade do ar.

Todavia, apesar de sua importância reconhecida, as árvores urbanas são a parte mais exposta do ambiente natural. As obras públicas, a construção civil e outras atividades econômicas representam uma ameaça constante à arborização pública, também atingida por pragas. A falta e o excesso de água, as condições de solo e, sobretudo, o pouco cuidado dos habitantes com árvores, são ameaças que em conjunto resultam numa crescente falta de locais arborizados, cujas consequências são fatalmente sentidas pelos habitantes das cidades.

Em muitas cidades, os programas de arborização são postos como "medidas compensatórias", ou seja, mecanismos que obrigam o empreendedor a compensar uma derrubada de árvores plantando outras no próprio local ou em outros. As medidas compensatórias não devem servir a princípio de justificativa para o corte indiscriminado de árvores que poderiam ser preservadas com um pouco de esforço de adaptação do projeto. É também considerada uma boa proposta a chamada arborização por "habite-se", adotada no município do Rio de Janeiro, que é a vinculação de qualquer concessão da licença final de "habite-se" de edificação multifamiliar, comercial ou industrial ao plantio de determinada quantidade de árvores em áreas definidas pela prefeitura (SIRKIS, 1999: 141). Esse mecanismo é valido como instrumento de reforço à arborização pública, sendo necessário que a empresa se responsabilize não apenas pelo plantio como também pela manutenção e eventual reposição de mudas durante um período de tempo suficiente ao seu pleno desenvolvimento.

Outro mecanismo de reforço da arborização pública, que surgiu e se consagrou em determinadas cidades brasileiras nos últimos anos, é a exploração do espaço publicitário do protetor de mudas que funciona da seguinte forma: a prefeitura permite que uma empresa explore o protetor de mudas como espaço publicitário, em contrapartida esta empresa responsabiliza-se pelo plantio e manutenção das árvores até um estágio que permita a remoção do protetor.

Vale salientar que propostas como a arborização por "habite-se" e a exploração dos protetores de mudas complementam mas não substituem um projeto que vise à formação de "corredores verdes". Este tipo de projeto deve ser executado por um órgão ambiental oficial dentro de uma clara definição de prioridades em função das áreas mais críticas em quantidade de árvores. Contudo, para um ambiente urbano saudável não basta criar espaços verdes, jardins, praças ajardinadas, ou mesmo parques, há a necessidade de compreender como estes se integram às ruas vizinhas, pois se tais locais não representarem um espaço comum aos moradores das proximidades, a tendência é que devido ao pouco número de usuários acabem sendo abandonadas pelo próprio Poder Público.

Em determinadas situações o Poder Público é obrigado a também tomar medidas consideradas antipopulares, como tem ocorrido no caso do Estado de São Paulo. Partindo do princípio que os veículos automotores são os principais causadores da contaminação atmosférica na Região Metropolitana de São Paulo, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado (SMA) e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) desenvolveram um programa de restrição ao uso de veículos, com o objetivo de reduzir os níveis de concentração de poluentes, principalmente de CO. Em 1996, a restrição à circulação de veículos foi estabelecida por lei, vigorando sempre nos períodos considerados necessários pela SMA e CETESB. O rodízio de circulação de veículos, que vigorou de maio a setembro de 1998, evitou o lançamento de 55 toneladas de CO na atmosfera (CERQUEIRA, 2000: 04), mas mesmo com os benefícios decorrentes disso a opinião pública não foi totalmente favorável a este tipo de medida, pois representa uma agressão ao direito do indivíduo de usufruir de um bem seu. Portanto, o que está em debate é a própria cultura da sociedade, baseada no valor da propriedade privada. A luta por uma melhor qualidade de vida deve ser de todos os segmentos da sociedade, havendo uma urgência na redefinição de certos valores em prol de um benefício coletivo.

Considerações finais

A poluição atmosférica é um dos maiores desafios para a gestão das cidades, devido justamente aos diversos fatores de ordem natural, social e econômica envolvidos. Fica bem evidente que qualquer proposta de solução deve passar pela reformulação do espaço urbano, caracterizado por usos diferenciados, reproduzindo a própria estrutura desigual da sociedade capitalista.

Somente será possível uma melhoria na qualidade ambiental das áreas urbanas a partir do momento em que se alterem os paradigmas que norteiam os modelos de desenvolvimento que transformam os setores produtivos da sociedade em agressores vorazes do meio. A qualidade do ar fornece apenas alguns sintomas que, somados a outros problemas, como a subnutrição, provocam um efeito sinergético que acaba por retratar as condições de vida de largas parcelas da população vivendo em situação precária.

Deve-se romper com a falsa ideia de que os problemas ambientais são sentidos por todos da mesma forma. Normalmente, essa tentativa de mascarar a realidade se apresenta em expressões como "as cidades sofrem com a poluição". Será que todos os segmentos da sociedade apresentam a mesma capacidade de reação? Em primeiro lugar, as classes mais abastadas têm condições de estarem rodeadas por um número maior de amenidades, representadas, por exemplo, por áreas verdes com uma ventilação mais eficiente e temperaturas mais aprazíveis. E, mesmo que estivessem em exposição a algum nível de risco, teriam uma capacidade de reação mais eficaz. Por exemplo, planos de saúde que forneceriam um atendimento médico de qualidade, enquanto que a população menos favorecida poderia apenas recorrer ao serviços públicos, encontrados, muitas vezes, em estado lamentável.

A realização de intervenções no espaço urbano visando a uma melhoria na qualidade do ar resolveria problemas que estão sendo causados pelos próprios níveis baixos de qualidade ambiental que muitas áreas estão apresentando. São locais onde a poluição atmosférica está agindo como um fator de repulsão de investimentos do setor privado, sendo que a partir do momento que essa "externalidade" for removida ou minimizada, isso poderá se traduzir numa maior atração de capitais e geração de recursos.

Portanto, observa-se o quanto a qualidade ambiental está relacionada com interesses econômicos, provando que as ciências que se dedicam aos estudos das condições ambientais não devem mais se prender a uma visão "atomista" da realidade, caso contrário estarão sempre distantes de propostas realmente aplicáveis. Um dos melhores exemplos disso está no tema abordado por esse artigo, que é a poluição atmosférica, cuja compreensão "aproximada" necessita de um tratamento holístico que busque respostas na conjugação de elementos referentes à dinâmica atmosférica (principalmente em termos microclimáticos), uso do solo, características da morfologia natural e antropogênica do sítio e indicadores sociais da população.

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Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

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