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Poluição do Ar

Poluição do Ar
Fábricas como esta em Cúmbria, Grã-Bretanha, liberam fumaça que é transportada por longas distâncias pelo vento.

Por volta de 1661, cientistas da Grã-Bretanha descobriram que a poluição industrial podia afetar a saúde das pessoas e as plantas das redondezas. Com o crescimento industrial nos séculos XVIII e XIX, aumentaram os danos para a saúde das pessoas e para o meio ambiente. Entretanto, ninguém pensava que a poluição pudesse ser transportada para muito longe. Então, em 1881, um cientista norueguês descobriu um fenômeno que ele chamou de precipitação suja, o qual ocorria na costa oeste da Noruega, onde não havia indústria poluidora. Ele suspeitou que viesse da Grã-Bretanha. Hoje os cientistas provam, sem sombra de dúvida, que a poluição é conduzida pelo ar a grandes distâncias. Se alguma prova adicional fosse necessária, seria fornecida pelo acidente na usina nuclear de Chernobyl, que produziu chuva radioativa em áreas da Europa Oriental e Ocidental. Os efeitos dessa chuva radioativa sobre o ambiente podem perdurar por dezenas de anos.

Os países escandinavos reconheceram que a chuva ácida era uma das causas principais da acidificação de seus lagos. Muita pesquisa tem sido desenvolvida para mostrar as relações significativas entre as precipitações de dióxido de enxofre e os danos ambientais. Aceitando essa evidência, a maioria dos países concorda em reduzir suas emissões. Alguns, entretanto, mostram muita má vontade e afirmam que são necessárias evidências mais contundentes para provar se o dióxido de enxofre causa de fato um grande malefício ao meio ambiente.

A que distância a poluição pode ser transportada?

Se você olhar para a fumaça que sai de uma chaminé, verá que em poucos dias do ano ela sobe verticalmente. Na maior parte das vezes ela se inclina, porque o ar ao redor da chaminé está em movimento. Mesmo quando parece haver apenas uma brisa próxima ao solo, nas camadas mais altas o vento pode ser bem mais forte.

A poluição que sai das chaminés é levada pelo vento. Uma parte dela pode permanecer no ar durante uma semana ou mais, antes de se depositar no solo. Nesse período ela pode ter viajado muitos quilômetros. Mesmo um vento fraco de 16 km/h poderia transportá-la para além de 1600 km em cinco dias. Quanto mais a poluição permanece na atmosfera, mais a sua composição química se altera, transformando-se num complicado coquetel de poluentes que prejudica o meio ambiente.

Nas mais importantes áreas industriais do Hemisfério Norte, o vento predominante (aquele que sopra com maior freqüência) vem do oeste. Isso significa que as áreas situadas no caminho do vento, que sopra dessas regiões industriais, recebem uma grande dose de poluição. Cerca de 3 milhões de toneladas de poluentes ácidos são levados a cada ano dos Estados Unidos para o Canadá. De todo o dióxido de enxofre precipitado no leste canadense, metade dele provém das regiões industriais situadas no nordeste dos EUA. Na Europa, a poluição ácida é soprada sobre a Escandinávia, vinda dos países circunvizinhos, especialmente da Grã-Bretanha e do Leste Europeu. Os poluentes gerados no Pólo Petroquímico de Cubatão (SP) freqüentemente são levados para o litoral norte de São Paulo (Ubatuba, Caraguatatuba), onde ocorre a chuva ácida. O dióxido de enxofre da Termelétrica de Candiota (RS) precipita-se no Uruguai.

O vapor produzido por esta usina termelétrica, na foto acima, é inofensiva, mas a fumaça resultante da queima dos combustíveis fósseis causa a chuva ácida.

Fogueiras e chaminés industriais lançam fuligem no ar, escurecendo edifícios e ocasionando densa neblina em regiões de climas úmidos. Atualmente as queimadas contribuem, de forma decisiva, para o aumento da poluição.

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A explosão da usina nuclear de Chernobyl desprendeu radiação que atingiu vários países do oeste europeu. Como resultado, algumas renas da Noruega e Lapônia não puderam ser consumidas pelo homem.

Toda combustão elimina dióxido de carbono e sua quantidade está cada dia maior na atmosfera do planeta, retendo o calor que escaparia para o espaço. Esse fenômeno é conhecido como "efeito estufa" e está provocando um maior aquecimento da Terra. O perigo está na possibilidade de as camadas polares degelarem, o que causaria uma elevação no nível dos mares. Se isso acontecer, o clima do planeta será alterado, principalmente no que se refere à distribuição das chuvas. A vida terrestre estaria ameaçada, pois se o clima sofresse uma mudança abrupta, os seres vivos não teriam tempo suficiente para uma adaptação necessária à sua sobrevivência.

A fumaça que se desprende da queima de combustível fóssil contém óxidos de enxofre e nitrogênio, que reagem com a umidade do ar, gerando o ácido sulfúrico e o nítrico. A fumaça é então carregada pelo vento, até encontrar um local úmido, formando ácidos que caem sob a forma de chuva – a chuva ácida –, que pode matar peixes de rios e lagos, e é responsável pela morte de árvores em grandes áreas da Europa, Escandinávia, norte dos Estados Unidos e Canadá.

A atmosfera em risco

Uma das formas mais perigosas de poluição do ar é causada pelo CFC (clorofluorcarbono) usado nos aerossóis, refrigeradores e embalagens de poliestireno para hambúrgueres. Uma vez liberados na atmosfera, direcionam-se para a camada de ozônio muito acima da superfície terrestre, onde quebram suas moléculas.

A camada de ozônio protege a Terra dos efeitos nocivos dos raios solares. Tornando-se mais fina, mais raios ultravioleta passam por essa camada, produzindo um aumento na temperatura terrestre e agravando o efeito estufa, além de acarretar maior incidência de câncer de pele nas pessoas. Seu efeito nos animais e plantas é dificilmente previsível.

O combustível radioativo usado nas usinas nucleares desprende radioatividade extremamente perigosa se lançada no ar. Mesmo em pequena quantidade, pode danificar células humanas, causando o câncer e interferindo no desenvolvimento dos fetos.

Os efeitos da radiação na vida silvestre são desconhecidos, mas tudo indica que são os mesmos que nos seres humanos. Certamente, muitas ovelhas na Grã-Bretanha e renas na Lapônia continuam radioativas em conseqüência do acidente de 1986 na usina atômica de Chernobyl, na Ucrânia, que propiciou um perigoso aumento de radioatividade na atmosfera, pois espalhou-se por grande parte da Europa.

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Ratos-da-seara proliferam nos campos de trigo. Sofreram no passado com o uso de pesticidas e de modernas ceifadeiras que cortam as plantações rentes ao chão, onde fazem seus ninhos. Atualmente já foram constatados indícios de que sua população está se recuperando

Um mar de produtos químicos

A poluição da água e do ar torna-se mais séria pelo número de pessoas que atinge e pelos tipos de substâncias perigosas que pode produzir.

A poluição petrolífera acarreta sérios problemas para a vida marinha, envenenando peixes, caranguejos e moluscos. O óleo gruda nas penas das aves aquáticas e, quando elas tentam limpá-lo com seus bicos, acabam se envenenando.

A maioria dos derrames de petróleo são acidentais, mas há alguns feitos deliberadamente, quando, por exemplo, o comandante de um petroleiro lava seus reservatórios no mar. Atos como esse são ilegais, mas como economizam tempo e dinheiro, são realizados em alto-mar, longe da fiscalização e da vista de qualquer pessoa.

Mas a grande ameaça ao meio ambiente marinho não é somente a poluição petrolífera. Produtos químicos bem mais venenosos e duradouros foram criados nas últimas décadas, dentre eles os chamados PCBs (bifenóis policlorados), utilizados em vários processos industriais. Esses produtos podem ser destruídos por incineração, mas, como esse método é dispendioso, são enterrados ou despejados nos rios, que os levam para o mar.

Os PCBs são altamente nocivos, pois atingem também o sistema imunológico de muitos animais, tornando-os vulneráveis a doenças que, em condições normais, não os afetariam. A epidemia de 1988, que atingiu as focas no Mar do Norte e no Báltico, foi marcadamente intensa, porque muitas delas estavam contaminadas por PCBs.

Pesticidas tóxicos

Muitos animais e plantas silvestres são atingidos por pesticidas e herbicidas, porque esses produtos não matam somente os espécimes aos quais se destinam. Os componentes extremamente tóxicos dos pesticidas têm atingido muitos insetos, tais como borboletas, enquanto os herbicidas têm matado plantas que servem de alimento para lagartas.

Os pesticidas atingem muitos animais, porque entram em sua cadeia alimentar. Um camundongo-do-campo, por exemplo, alimenta-se de grãos de trigo tratados com pesticidas. A quantidade de tóxicos consumida não é eliminada, permanecendo no seu organismo. Se ele for comido por uma coruja, os produtos químicos passarão para ela. Como as corujas caçam camundongos com freqüência, receberão uma dose maciça de pesticida que se acumulará nas aves, atingindo seus ovos e, consequentemente, seus fi1hotes.

Pelo que vimos até agora, pudemos perceber que os homens poluíram o ar, a terra e a água, causando sérios danos a animais e plantas.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

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A poluição atmosférica não é um processo recente e de inteira responsabilidade do homem, tendo a própria natureza se encarregado, durante milhares de anos, de participar ativamente deste processo, com o lançamento de gases e materiais particulados originários de atividades vulcânicas e tempestades, dentre algumas fontes naturais de poluentes.

Contudo, a atividade antrópica intensificou de tal forma a poluição do ar com o lançamento contínuo de grandes quantidades de substâncias poluentes, que a qualidade do ar tornou-se um problema ambiental dos mais significativos, tanto nos países industrializados como naqueles em desenvolvimento, tornando-se uma ameaça à saúde e ao bem-estar das pessoas e do meio ambiente em geral.

Até meados de 1980, a poluição atmosférica urbana era atribuída basicamente às emissões industriais, e as ações dos órgãos ambientais visavam ao controle das emissões dessas fontes. No Brasil, a exemplo do que ocorre com a maioria dos países em desenvolvimento, a maior parte das grandes instalações industriais como refinarias, pólos petroquímicos, centrais de geração de energia e siderúrgicas, responsável pelas emissões de poluentes para a atmosfera, está concentrada em áreas urbanas. Ao longo do tempo, devido à obrigatoriedade do licenciamento ambiental, observa-se uma tendência à modernização das instalações industriais, com o objetivo de diminuir e controlar as emissões atmosféricas.

Da mesma forma, o rápido crescimento da frota veicular aumentou significativamente a contribuição dessa fonte na degradação da qualidade do ar, principalmente nas regiões metropolitanas do país. Os centros urbanos concentram as principais vias de tráfego e os maiores fluxos de veículos de uma região, onde ocorrem os grandes congestionamentos que contribuem ainda mais para o aumento da emissão de poluentes do ar. Segundo o Inventário de Fontes Emissoras de Poluentes Atmosféricos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (Feema, 2004), verificou-se que as fontes móveis são responsáveis por 77% do total de poluentes emitidos para a atmosfera, enquanto as fontes fixas contribuem com 22%.

A poluição do ar pode ser definida como a "alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas normais da atmosfera que possa causar danos reais ou potenciais à saúde humana, à flora, à fauna, aos ecossistemas em geral, aos materiais e à propriedade, ou prejudicar o pleno uso e gozo da propriedade ou afetar as atividades normais da população ou o seu bem estar" (Hasegawa, 2001). No Estado do Rio de Janeiro a qualidade do ar é monitorada desde 1967, quando foram instaladas as primeiras estações de monitoramento.

Desde então, várias ações foram desenvolvidas e implementadas, no sentido de promover melhorias na qualidade do ar: eliminação dos incineradores domésticos, substituição do combustível usado nas padarias e em indústrias, controle, inclusive com a desativação, de várias pedreiras situadas na Região Metropolitana, restrição de passagem de veículos pesados nos túneis da cidade, entre outras. Quanto à poluição atmosférica de origem veicular, o Governo Federal, em 1986, instituiu o Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores), que consiste no estabelecimento de um cronograma de redução gradual das emissões de poluentes tanto para veículos leves, quanto para veículos pesados.

POLUENTES ATMOSFÉRICOS

"Entende-se como poluente atmosférico qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar: impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde; inconveniente ao bem-estar público; danoso aos materiais, à fauna e flora; prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e as atividades normais da comunidade". (Resolução Conama nº 03/90).

A determinação sistemática da qualidade do ar restringe-se a um grupo de poluentes universalmente consagrados como indicadores da qualidade do ar, devido a sua maior freqüência de ocorrência e pelos efeitos adversos que causam ao meio ambiente.

São eles: dióxido de enxofre (SO2), partículas totais em suspensão (PTS), partículas inaláveis (PM10), monóxido de carbono (CO), oxidantes fotoquímicos expressos como ozônio (O3), hidrocarbonetos totais (HC) e dióxido de nitrogênio (NO2).

EFEITOS NA SAÚDE

De maneira geral, os efeitos dos gases poluentes na saúde humana estão intimamente associados à sua solubilidade nas paredes do aparelho respiratório, fato este que determina a quantidade do poluente capaz de atingir as regiões mais distais dos pulmões.

Há evidências de que o dióxido de enxofre agrava as doenças respiratórias pré-existentes e contribui para seu aparecimento. O dióxido de nitrogênio, devido à sua baixa solubilidade, é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório, podendo dar origem às nitrosaminas, algumas das quais podem ser carcinogênicas. Também é um poderoso irritante, podendo causar sintomas que lembram aqueles do enfisema. A presença de oxidantes fotoquímicos na atmosfera tem sido associada à redução da capacidade pulmonar e ao agravamento das doenças respiratórias, como a asma.

Os efeitos da exposição ao monóxido de carbono estão associados à diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue. Foi demonstrado, experimentalmente, que a pessoa exposta ao monóxido de carbono pode ter diminuídos seus reflexos e acuidade visual e sua capacidade de estimar intervalos de tempo. Altos índices do poluente em áreas de fluxo intenso de veículos têm sido apontados como causa adicional de acidentes de trânsito.

Poeiras em suspensão no ar afetam a capacidade de o sistema respiratório remover as partículas do ar inalado, retendo-as nos pulmões; quanto mais finas as partículas, mais profundamente penetram no aparelho respiratório. As poeiras em suspensão também potencializam os efeitos dos gases presentes no ar.

INTERAÇÃO ENTRE QUALIDADE DE AR E MECANISMOS METEOROLÓGICOS

A atmosfera pode ser considerada o local onde ocorrem, permanentemente, reações químicas. Ela absorve uma grande variedade de sólidos, gases e líquidos, provenientes de fontes, estacionárias (industriais e não-industriais), móveis (transportes aéreos, marítimos e terrestres, em especial os veículos automotores) e de fontes naturais (mar, poeiras cósmicas, arraste eólico, etc.). Essas emissões podem se dispersar, reagir entre si, ou com outras substâncias já presentes na própria atmosfera. Estas substâncias ou o produto de suas reações finalmente encontram seu destino num sorvedouro, como o oceano, ou alcançam um receptor (ser humano, outros animais, plantas, materiais).

A concentração real dos poluentes no ar depende tanto dos mecanismos de dispersão como de sua produção e remoção. Normalmente a própria atmosfera dispersa o poluente, misturando-o eficientemente num grande volume de ar, o que contribui para que a poluição fique em níveis aceitáveis. As velocidades de dispersão variam com a topografia local e as condições atmosféricas locais.

Em suma, é a interação entre as fontes de emissão de poluentes atmosféricos e as condições meteorológicas que define a qualidade do ar.

Fonte: www.feema.rj.gov.br

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