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Queimadas

 

Nuvens de fumaça das queimadas bloqueiam 20% da luz solar, diminuem as chuvas e esfriam a Amazônia

Quase todo mundo já viu esta cena, ao vivo ou na televisão: nuvens de fumaça tingem de cinza o céu da Amazônia no auge da estação das queimadas, entre agosto e outubro, a época mais seca do ano na região.

Nesse período, por falta de visibilidade, microscópicas partículas decorrentes da combustão da vegetação, chamadas de aerossóis, turvam de forma tão marcante o firmamento que aeroportos de capitais como Rio Branco e Porto Velho fecham constantemente para pousos e decolagens.

Num dia especialmente opaco, um falso, lento - e lindo - pôr-do-sol pode começar ao meio-dia e se arrastar por horas.

Queimadas

Queimadas

Tudo por causa da sombra de aerossóis que paira sobre partes significativas da Amazônia quando o homem usa uma das formas mais primitivas e poluidoras de limpar e preparar a terra para o cultivo, o fogo. A escuridão fora de hora, como se sobre a floresta houvesse um guarda-sol gigante fabricado pelo homem, pode ser o efeito mais visível de uma atmosfera saturada de finíssimas partículas suspensas, mas nem de longe é o único.

Só agora a ciência começa a ter elementos para ver que as queimadas, principal fonte de aerossóis durante a estiagem na região Norte, perturbam o clima e a vegetação de formas ainda mais sutis e perversas.

Ao desencadear uma cascata de eventos físico-químicos poucos quilômetros acima da floresta, a espantosa concentração de aerossóis na Amazônia no auge da estação do fogo - com picos de 30 mil partículas por centímetro cúbico de ar, uma taxa cerca de 100 vezes maior do que a verificada na poluída cidade de São Paulo em pleno inverno - altera o ambiente imediatamente abaixo da nuvem de fumaça: reduz em média um quinto da luz solar que incide sobre o solo, tem potencial para esfriar a superfície em até 2º Celsius e diminuir de 15% a 30% as chuvas na região.

A redução da radiação solar na superfície, provocada pelo excesso de partículas em suspensão, pode ainda puxar para baixo a taxa de fotossíntese das árvores.

"Como as partículas, às vezes, viajam milhares de quilômetros na atmosfera antes de caírem no chão, os efeitos dos aerossóis podem se manifestar em pontos distantes de onde ocorrem as queimadas", afirma Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade São Paulo (IF/USP), um dos pesquisadores que participam do Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). "Partículas provenientes da Amazônia já foram encontradas nos Andes e em São Paulo."

Isso não quer dizer que, em razão do resfriamento e da estiagem associados à ação dos aerossóis, a venda de malhas tenha disparado ou que os guarda-chuvas tenham caído em desuso em setores da Amazônia entre agosto e outubro. Tampouco há evidências inequívocas de que as árvores sofram uma baixa na fotossíntese nesse período do ano. Por ora, com exceção da mensurável queda na luminosidade que incide sobre a superfície na época das queimadas, as demais conseqüências atribuídas ao manto de poeira suspensa sobre a floresta ainda carregam um considerável grau de incerteza.

Aparecem mais na teoria, nos cálculos e modelos climáticos rodados em computadores, do que na realidade do dia-a-dia. Mas não se pode esquecer que os modelos são, em grande medida, o laboratório dos cientistas do clima, que, de outra forma, não teriam como estudar o impacto de alguns fenômenos da natureza.

A boa notícia é que a quantidade de informações que começa a surgir sobre o clima da Amazônia com o LBA - megaprojeto internacional de US$ 80 milhões que, desde 1999, reúne mais de 300 pesquisadores da América Latina, Europa e Estados Unidos, sob a liderança do Brasil - não tem paralelo e já está ajudando a entender o efeito dos aerossóis nesse ecossistema. "Agora, temos informações riquíssimas que nunca foram disponíveis", diz a pesquisadora Maria Assunção Faus da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, que também participa do LBA.

Ação dos aerossóis

Quando se fala em queimadas na Amazônia, o primeiro vilão ambiental que vem à mente é o dióxido de carbono (CO2), o popular gás carbônico, um dos subprodutos da combustão da vegetação. Principal composto associado ao aumento do efeito estufa, fenômeno responsável por provocar um aquecimento no clima de todo o planeta que pode alterar drasticamente as condições de vida na Terra, o dióxido de carbono é um tema recorrente. Já os aerossóis, cujo diâmetro varia de 0,01 a 20 micrômetros (1 micrômetro é a milionésima parte do metro), são um tema mais novo e menos compreendido. Nem por isso, menos importante. "Esse campo de estudo ainda está em franco desenvolvimento", comenta Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, coordenador científico do LBA. "O impacto dos aerossóis é mais difícil de entender."

A hipótese de os aerossóis serem um fator amenizador das temperaturas não é inédita, tampouco é usada somente no contexto amazônico. Quando entrou em erupção em 1991, o vulcão filipino Pinatubo expeliu enormes quantidades de lava e cinzas e levou a uma redução significativa na temperatura média da maior parte do planeta durante um ano. Nesse contexto, um apressadinho poderia concluir que o homem deveria aumentar deliberadamente as taxas de produção de aerossóis para combater o aquecimento global causado pelo aumento do efeito estufa.

Além de ninguém saber com certeza se essa solução seria realmente eficaz, há uma insanidade embutida nesse raciocínio: os aerossóis são uma forma de poluição do ar e não faz sentido combater o aquecimento global com mais sujeira.

"Eles fazem mal à saúde humana e carregam elementos tóxicos que afetam os ecossistemas", lembra Artaxo.

Tudo o que produz fumaça em grande quantidade pode originar aerossóis. Essas partículas podem ser emitidas pelas atividades industriais, erupções de vulcões, motores de carros, grãos de pólen, bactérias, poeira do solo, entre outras fontes. Na região Norte, durante a estiagem, o que provoca um aumento brutal nas concentrações de aerossóis são as cinzas das queimadas. Por terem vida curta, de cerca de uma semana na atmosfera, os aerossóis produzem efeitos mais em nível local ou regional. Não são como o dióxido de carbono, gás que demora mais de 100 anos para sumir da atmosfera e tem uma ação muito mais cumulativa e de ordem global no clima da Terra. Mas, como todo ano, durante pelo menos três meses, as partículas lançadas ao ar pelas queimadas se incorporam ao ecossistema amazônico com uma intensidade impressionante, suas repercussões não devem ser tão temporárias assim na região Norte do país.

Bloqueador solar

Com a ajuda de imagens de satélites, instrumentos instalados em pontos da floresta que registram ininterruptamente a temperatura, a radiação solar e o fluxo de gases, e medições feitas com auxílio de aviões, sobretudo durante as duas grandes campanhas realizadas pelo megaprojeto (uma na estação mais úmida, entre janeiro e fevereiro de 1999, e outra na época de transição entre a seca e o início das chuvas, de agosto a novembro do ano passado), a ação dos aerossóis sobre o clima da Amazônia saltou à vista dos pesquisadores do LBA.

Há muitas incertezas sobre o impacto das partículas em suspensão, mas uma coisa é certa: elas realmente são muito eficientes em bloquear a luz durante as queimadas na Amazônia, uma vez que o manto de fumaça pode se estender por uma área de 2 a 4 milhões de quilômetros quadrados, algo entre 40% e 80% do território total desse ecossistema.

É verdade que para enxergar isso nem é necessário ser cientista, basta olhar para o céu num dia enfumaçado. Mas os pesquisadores acabam de quantificar esse decréscimo de radiação solar na superfície com grande riqueza de detalhes. Cálculos feitos em dois pontos da região Norte - em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, e em Ji-Paraná, em Rondônia - mostram que, em média, de agosto a outubro, 20% da radiação solar é absorvida pelos aerossóis ou refletida e enviada de volta ao espaço. Em casos extremos, ocorrem picos em que a retenção ou a reflexão dos raios de sol podem chegar a 50%.

Mesmo a luz que consegue atravessar a espessa camada de fumaça chega à superfície em grande parte alterada: a quantidade de radiação direta cai freqüentemente a um terço do normal e a de radiação difusa (que não incide frontalmente sobre os olhos) pode aumentar até sete vezes.

Para chegar a esses resultados, a pesquisadora Aline Sarmento Procópio, da equipe de Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, analisou dados referentes a quatro anos de observações em Ji-Paraná e Alta Floresta. "É interessante destacar que, mesmo separadas por aproximadamente 700 quilômetros, essas duas cidades apresentam padrões semelhantes de alterações no fluxo de radiação solar causadas pelos aerossóis. Isso indica que o problema é de ordem regional e afeta grande parte da Amazônia ", comenta Aline.

Resfriamento

Se a poeira suspensa funciona como uma espécie de guarda-sol opaco sobre a floresta, impedindo a chegada de uma parte considerável de luz à superfície, nada mais natural do que pensar que essas partículas exerçam um efeito resfriador ao nível do solo durante o período de seca. Pode parecer uma ironia afirmar que um subproduto da combustão vegetal - processo que, num primeiro momento, logicamente aquece o local onde ocorre a queimada - possa ocasionar, num segundo instante, uma queda na temperatura.

Mas, pelas contas dos pesquisadores, a concentração de partículas provenientes das queimadas tem, teoricamente, a capacidade de diminuir a temperatura na superfície imediatamente abaixo da nuvem de fumaça em torno dos 2º C (Celsius). Numa região como a Amazônia, onde se atingem facilmente médias diárias de 35º C, essa redução na temperatura pode parecer modesta. Mas esses valores são, ao contrário, extremamente altos, ainda mais quando se sabe que alterações significativas no clima do mundo podem ser provocadas por oscilações da ordem de apenas meio grau Celsius.

Há, no entanto, alguns senões nessa história de encarar as partículas em suspensão como um ar-condicionado instalado sobre a Amazônia. Esse conceito é válido para os prováveis efeitos dos aerossóis ao nível do solo - mas não alguns quilômetros acima da floresta, onde se encontram essas partículas de poluição. Se resfriam a superfície terrestre ao barrar a passagem de parte da luz solar que incidiria sobre o planeta, os aerossóis produzem justamente o efeito contrário na troposfera, a camada atmosférica que se estende até aproximadamente 15 quilômetros acima da superfície terrestre. Uma porção da radiação solar bloqueada é absorvida pelos próprios aerossóis, que se encarregam de elevar a temperatura da atmosfera pela emissão de radiação térmica.

Nesse caso, o ar aquecido transmite algum calor para o que está embaixo, para o solo, como uma lareira esquenta uma pessoa não muito distante. "Por convecção, uma parte do calor extra na atmosfera passa para a superfície, diminuindo assim a ação resfriadora dos aerossóis sobre o solo", diz Carlos Nobre, do Inpe. Nesse caso, em vez de reduzir em 2º C a temperatura na superfície, os aerossóis, na prática, acabariam baixando em apenas 0,5º C a temperatura no chão, segundo Nobre. Isso porque a queda de temperatura produzida pelos aerossóis na superfície é de uma magnitude um pouco maior do que o aquecimento ocasionado na troposfera.

Deu para entender? Quer mais complexidade nesse quadro? A escassez de séries históricas sobre o clima na região Norte dificulta qualquer comparação de mais longo prazo sobre o impacto atual dos aerossóis nas temperaturas. Ninguém, por exemplo, sabe qual era a temperatura média em Alta Floresta durante os meses de estiagem na década de 60, antes do início dos projetos de colonização na Amazônia. Portanto, fica difícil confrontar os dados do passado, que não existem, com os de hoje.

Aliás, há 40 anos, a cidade não havia sequer sido fundada e seu atual território não passava de um pedaço intocado de selva. Mais um complicador? Como a presença de aerossóis não é nem de longe o único fator que determina a temperatura real medida num lugar, a ação de resfriamento das cinzas pode não ser tão intensa assim. Outras variantes climáticas podem amenizar ou mesmo contrabalançar o seu efeito. Em anos em que, por exemplo, ocorre o fenômeno climático El Niño, que altera os índices pluviométricos em vários pontos do globo, costuma chover menos no norte da Amazônia. "Por todos esses condicionantes, ainda não vemos de maneira clara a ação dos aerossóis sobre a temperatura na superfície da Amazônia", afirma Artaxo, que coordena um projeto temático da FAPESP no âmbito do LBA.

Chuvas atrasadas

Resta a questão das chuvas. Qual o impacto dos aerossóis nos índices pluviométricos da Amazônia? Ninguém sabe dizer com certeza, mas, de maneira geral, há evidências de que as chuvas podem ser atrasadas ou reduzidas em até 30% em decorrência da presença elevada de aerossóis na atmosfera. Num raciocínio lógico, os pesquisadores acreditam que se as altas concentrações de aerossóis diminuem as temperaturas na superfície, a taxa de formação de nuvens na região também se reduz. Como há menos calor no nível do solo, formam-se menos correntes ascendentes de ar quente, as chamadas térmicas. Visto que são exatamente essas bolhas de calor as responsáveis por transportar o vapor d'água da superfície terrestre para os céus - como se sabe, o ar quente sobe -, a quantidade disponível de matéria-prima para a ocorrência de chuvas na atmosfera também se torna menor.

O excesso de aerossóis pode ainda influenciar a formação de nuvens na Amazônia por meio de outro mecanismo. Cerca de dois terços das partículas de fumaça em suspensão na atmosfera são capazes de reter água e exercer o papel de núcleos de condensação de nuvens (NCN). O vapor d'água se acumula sobre esses núcleos e forma gotas de nuvens que crescem até o ponto em que as gotas se tornam muito grandes e pesadas e despencam na forma de chuva. Quando há poucas partículas de aerossóis na atmosfera da Amazônia, fora da época das queimadas, a água evaporada se concentra em poucos NCNs, que atingem mais rapidamente o tamanho necessário para voltar ao solo como chuva. É um mecanismo muito eficiente de precipitação.

Às vezes, em apenas uma hora a gota, apoiada num núcleo de condensação, cresce de tamanho 1 milhão de vezes e cai na superfície. Nesse caso, as nuvens, típicas de ambiente com ar limpo, são do tipo marítimo pela sua baixa altitude, reduzido número de NCN e grande tamanho de gota. Alcançam até 5 quilômetros de altura e produzem chuva constante e regular. Esse é o padrão dominante de formação natural de nuvens na Amazônia durante a maior parte do ano, quando o número de núcleos de condensação na atmosfera oscila entre 300 e 800 partículas por centímetro cúbico.

No auge das queimadas, os céus ficam tão carregados de aerossóis que os picos de concentração de NCN podem atingir 30 mil partículas por centímetro cúbico. Esse alto grau de poluição muda todo o cenário de formação de nuvens e chuva na Amazônia. "Quando há excesso de aerossóis, o vapor d'água se espalha por mais núcleos de condensação e demora mais para virar chuva", explica Maria Assunção, do IAG-USP, coordenadora de outro projeto temático da FAPESP no âmbito do LBA. Nessa situação, as nuvens são do tipo continental, comumente encontradas em locais poluídos, e podem atingir até 15 quilômetros de altura. O crescimento das gotas é tão lento que, em alguns casos, a água, em vez de cair na forma de chuva, evapora novamente na atmosfera e é levada pelas correntes de vento para outras regiões.

Ocorre, então, um deslocamento geográfico da pluviosidade: a chuva que deveria cair numa área desloca-se para outra.

Tempestades

Se a água das nuvens continentais não evaporar e essa formação passar dos 5 quilômetros de altura, ela se solidifica e vira gelo, visto que nessa porção da atmosfera a temperatura é inferior a 0º C.

Resultado: surge um cúmulo-nimbos, a nuvem de tempestade, que produz raios e trovões. Nesse caso, a chuva demora mais para ocorrer, mas, quando acontece, é muito mais violenta e se concentra num só período. "Durante a campanha do LBA no ano passado em Rondônia, esperávamos que as chuvas começassem em meados de outubro, mas elas só vieram em novembro", relembra Maria Assunção. "Não dá para assegurar queesse atraso se deveu aos aerossóis lançados à atmosfera pelas queimadas, embora suspeitemos disso."

Como se vê, as altas taxas de aerossóis, como as verificadas ao menos três meses ao ano na Amazônia, podem bagunçar três grandes variantes do clima: os níveis de radiação solar, a temperatura na superfície (e na atmosfera) e o regime de chuvas. Se o impacto dessas alterações na dinâmica do próprio clima ainda não é bem conhecido, o que dizer então de suas conseqüências no ecossistema em si, na floresta e seus habitantes? Num primeiro momento, a incidência de menos luz sobre a mata aguça a hipótese de que a fotossíntese das plantas deve diminuir nesse ambiente mais embaçado criado pela fumaça das queimadas. Mas a fisiologia vegetal não responde de forma tão simples e direta. "Pode até ser que o efeito dos aerossóis seja maior na ecologia do que na física da atmosfera, mas ainda precisamos fazer estudos nessa linha", comenta Carlos Nobre, do Inpe.

O desarranjo no clima da Amazônia provocado pela emissão de aerossóis também interessa diretamente às outras regiões brasileiras e aos demais países. Se ficar comprovado que as altas concentrações de fumaça diminuem as chuvas na região Norte, o tema entra na ordem do dia da agenda internacional. Isso porque a floresta amazônica - a rainforest , em inglês - é, depois dos oceanos, a maior fonte de vapor d'água do planeta.

Se muda a chuva na Amazônia, provavelmente altera a chuva em outras partes do globo. Num estudo publicado em outubro passado no Journal of Geophysical Research , pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, simularam em computador efeitos climáticos em alguns pontos do planeta que poderiam ser decorrentes do desmatamento da Amazônia. No trabalho, observaram reduções significativas nos índices de chuva e evaporação, sobretudo durante a estação mais úmida, em pontos da terra tão distantes como os estados norte-americanos de Dakota do Sul e Dakota do Norte, unidades federativas próximas à fronteira com o Canadá.

Fonte: www.escolavesper.com.br

Queimadas

QUEIMADAS E IMPACTOS NAS FLORESTAS

Quem sentiu os olhos ardendo de fumaça no Acre no mês de setembro passado provavelmente tem dúvidas sobre a publicação feita no início de dezembro pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), que indicou uma redução de aproximadamente 30% da taxa de desflorestamento na Amazônia brasileira no período de 2004 a 2005 em comparação com o período de 2003 a 2004

Sabendo-se que a fumaça vem de queimadas e que o desflorestamento freqüentemente antecede as mesmas, a abundância de fumaça do ano passado parece contradizer a declaração do MMA. Este artigo visa oferecer algumas informações que podem ajudar a entender o que aconteceu no Acre e na Amazônia brasileira em relação às queimadas e ao desflorestamento de forma que a sociedade possa se preparar para futuras queimadas na região nos próximos anos.

Primeiro: queimadas e desflorestamento não são sinônimos. O desflorestamento é definido como o “corte raso” de uma floresta primária seguido pela queimada das árvores derrubadas. O total de queimadas envolve não só as queimadas oriundas de desflorestamento, mas também as queimadas em áreas abertas, como por exemplo, pastos e áreas agrícolas. Logo, é possível ter desflorestamento zero, mas ter queimadas acontecendo em áreas abertas, produzindo fumaça.
Segundo:
os cálculos utilizados que resultaram na taxa reduzida de desflorestamento divulgada pelo MMA foram realizados para um período de um ano que terminou no fim de julho de 2005 antes das grandes queimadas de agosto, setembro e outubro no leste do Acre (assim como em Pando, Bolívia e Madre de Dios, Peru). Os desflorestamentos que aconteceram neste período vão ser contabilizados pelo MMA somente em 2006.
Terceiro:
em termos de taxa de desflorestamento o Acre é “peixe pequeno” na Amazônia brasileira, sendo responsável por somente 2% a 5% da taxa total e não tem afetado significativamente a taxa da Amazônia brasileira como um todo. Nos últimos anos a maior parte (70 a 90%) da taxa de desflorestamento tem ocorrido no Pará, Mato Grosso e Rondônia. Qualquer mudança nas taxas destes Estados irá apresentar um impacto muito maior do que a do Acre na taxa total da Amazônia brasileira.

Tudo indica que o Mato Grosso, que foi responsável por mais de 9.000 km2 de desflorestamento entre 2003 e 2004 (cerca de dez vezes mais do que a do Acre), teve uma queda brusca na taxa de desflorestamento entre 2004 e 2005, resultando em uma redução significativa na taxa de desflorestamento na Amazônia brasileira.

E a fumaça? Onde há fumaça, há fogo, ou melhor, queimadas. Em 2005 durante o pico das queimadas, era tanta fumaça que a visibilidade num dia não ultrapassava os 400 metros. A fumaça vem de dentro do Estado e também de fora. A medida de quanto vem de dentro e quanto vem de fora é complexa e vai ser abordada em um outro artigo.

Independente da fonte da fumaça, não há dúvidas de que houve uma explosão de queimadas em 2005 dentro do Acre. Os indicadores de queimadas, ou seja, os focos de calor detectados pelos satélites GOES-12, NOAA-12, AQUA e TERRA, somaram em torno de 12.500 focos no Acre, o que corresponde a mais de duas vezes o número de focos detectados pelos satélites em 2004. O município campeão das queimadas durante 2005 foi Acrelândia com mais de 1.500 focos de calor, seguido por Plácido de Castro, Rio Branco, Senador Guiomard e Sena Madureira.

Análises feitas por Nara Pantoja (UFAC) indicam que esses números aparentemente grandes são apenas subestimativas dos totais de queimadas, pois relativamente poucas queimadas são detectadas pelos satélites como focos de calor.
Durante o período seco prolongado de 2005, parte das queimadas causadas por fogos propositais fugiu do controle e tornaram-se incêndios que destruíram ou danificaram dezenas de milhares de hectares de florestas e pastagens, além de cultivos agrícolas, cercas, currais, entre outros. Estimativas feitas para o leste do Acre por Wilfrid Schroeder (doutorando brasileiro na Universidade de Maryland), usando imagens de satélite obtidas antes do fim de setembro, indicam que foram queimados mais de 200.000 hectares de áreas abertas (pastos e áreas agrícolas). De acordo com cálculos da Defesa Civil Estadual, as queimadas de 2005 geraram prejuízos na ordem de mais de cem milhões de reais, baseados nos custos diretos (pasto perdido, cercas e casas queimadas, produção agrícola queimada, etc.).

Com imagens de satélite de outubro de 2005 que incorporam as queimadas do fim de setembro e do início de outubro foi feita uma estimativa de mais de 100.000 hectares de florestas com copas afetadas pelo fogo, numa faixa norte-sul entre a estrada Transacreana em Rio Branco e Brasiléia/Epitaciolândia. Este valor não inclui todas as florestas danificadas em Porto Acre, Senador Guiomard, Plácido de Castro, Capixaba, Acrelândia e Sena Madureira.

Após o término da estimativa para todo o leste do Acre, o total da área de florestas danificadas será bem maior do que 100.000 hectares, principalmente porque há florestas onde o fogo passou no chão e não afetou a copa. Nestes casos, estas florestas não aparecem como afetadas pelo fogo nas imagens de satélite, mas seu sub-bosque com suas árvores jovens, arbustos, e outras plantas morreram, sem falar na mortalidade da fauna associada com estas florestas.

Estas florestas danificadas representam um elevado custo ambiental, social e econômico. A quantificação da biodiversidade perdida e dos serviços ambientais comprometidos em florestas danificadas é difícil e estimar um valor monetário associado com esta perda é mais difícil ainda. Suponhamos uma multa de 1.000 a 5.000 reais por hectare queimado como um indicador grosseiro de impacto, 100.000 hectares de florestas danificadas representariam um prejuízo de 100 a 500 milhões de reais.

As florestas danificadas pelas queimadas em 2005 representam hoje um sério problema para o período seco deste ano. Em comparação com florestas intactas, as florestas danificadas estão com maior quantidade de galhos, troncos e, folhas mortas e devido à morte de várias árvores e à queda de suas folhas, têm menos sombra, permitindo que o sol alcance e seque o chão da floresta. Conseqüentemente essas florestas danificadas secam mais rápido e têm mais “lenha” pronta para queimar e isso as tornam mais suscetíveis ao fogo do que uma floresta intacta.

Agora com tantos hectares de florestas danificadas a situação na próxima seca pode ser um desastre ambiental, social e econômico, e não só no Acre, mas em Pando na Bolívia e Madre de Dios no Peru que também tiveram milhares de hectares de florestas afetadas pelas queimadas.

Ao longo do século XX já houve secas como do ano passado, e certamente haverá secas semelhantes no futuro, talvez mais freqüentes, como a revista Veja aponta na sua retrospectiva de 2005. Temos que pensar agora como evitar perdas econômicas e ambientais durante as secas futuras. Este é um assunto muito além de questões políticas partidárias, sendo necessário o envolvimento de forma articulada de todos os segmentos da sociedade. Nenhum governo - seja municipal, estadual ou federal - conseguirá resolver esse problema de forma isolada.

De imediato, precisamos planejar como impedir que as florestas danificadas pelo fogo no ano passado se transformem nos próximos seis meses em fontes de fumaça e dê continuidade a esse espiral de degradação. Esperar sentir os olhos arderem de fumaça novamente será tarde demais.

Fonte: www.amazonia.org.br

Queimadas

FOGO E AGRICULTURA

O fogo é uma tecnologia do Neolítico, amplamente utilizada na agricultura brasileira, apesar dos inconvenientes agronômicos, ecológicos e de saúde pública. As queimadas ocorrem em todo território nacional, desde formas de agricultura primitivas, como as praticadas por indígenas e caboclos, até os sistemas de produção altamente intensificados, como a cana de açúcar e o algodão.

Elas são utilizadas em limpeza de áreas, colheita da cana de açúcar, renovação de pastagens, queima de resíduos, para eliminar pragas e doenças, como técnica de caça etc. Existem muitos tipos de queimadas, movidas por interesses distintos, em sistemas de produção e geografias diferentes.

O impacto ambiental das queimadas preocupa a comunidade científica, ambientalista e a sociedade em geral, no Brasil como exterior. O fogo não limita-se as regiões tropicais mas ocorre com freqüência, sob a forma de incêndios florestais nas regiões temperadas, sob climas mediterrânicos da Europa, Estados Unidos, África do Norte, África do Sul, Chile e Austrália. Também acontece sob a forma de incêndios florestais devastadores em áreas de floresta boreal, como no Alasca, Canadá, Finlândia e na Rússia.

Em anos mais secos – como nos episódios do El Niño – o número e a extensão das queimadas e incêndios aumentam em todo o planeta, como ocorreu em Roraima em 1998.

O fogo afeta diretamente a físico-química e a biologia dos solos, deteriora a qualidade do ar, levando até ao fechamento de aeroportos por falta de visibilidade, reduz a biodiversidade e prejudica a saúde humana. Ao escapar do controle atinge o patrimônio público e privado (florestas, cercas, linhas de transmissão e de telefonia, construções etc.).

As queimadas alteram a química da atmosfera e influem negativamente nas mudanças globais, tanto no efeito estufa como no tema do ozônio.

Também no Brasil, as queimadas tem sido objeto de preocupação e polêmica. Elas atingem os mais diversos sistemas ecológicos e tipos de agricultura, gerando impactos ambientais em escala local e regional. Conjugando sensoriamento remoto, cartografia digital e comunicação eletrônica, a equipe da Embrapa Monitoramento por Satélite realiza desde 1991, um monitoramento circunstanciado e efetivo das queimadas em todo o Brasil, com apoio da FAPESP.

Os mapas semanais são geocodificados e analisados pela Embrapa Monitoramento por Satélite e seus parceiros, no tocante às áreas onde estão ocorrendo as queimadas, sua origem, uso das terras em cada local, impacto ambiental decorrente etc. O sistema está operacional desde 1991 utilizando os Satélites da série NOAA 12 e 14 , e é constantemente aperfeiçoado.

Fonte: www.ambicenter.com.br

Queimadas

As queimadas são uma prática comum no meio rural brasileiro. Acompanham praticamente todas as fases produtivas, do plantio, no Norte (como o preparo do solo na Amazônia) à colheita da cana de açúcar, no Nordeste e Centro Oeste.

Os problemas relacionados às queimadas podem ser resumidos nos seguintes tópicos:

Doenças
Fertilidade
Visibilidade

Doenças provocadas pela fumaça

As doenças provocadas pela fumaça das queimadas e seus constituintes, são aquelas comuns das vias respiratórias, agravadas pelas cancerígenas dioxinas (quando existe plástico envolvido) e pelo efeito do calor emanado do fogo, que pode ultrapassar os 600 graus centígrados.

O fogo extermina centenas de espécies animais e vegetais, que nem siquer são ainda conhecidas pela Ciência e, quando não mata, expulsa para os povoados e cidades mais próximas, os animais que conseguiram sobreviver às chamas; alguns peçonhentos e/ou perigosos.

Perda da fertilidade do solo

A maioria dos agricultores e até alguns técnicos, pensam que a queimada torna fértil o solo. Em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa Florestal - IBDF e publicado na revista Globo Rural de janeiro de 1988 (vide quadro abaixo), prova que o fogo provoca a perda de minerais do solo. Cerca de 90% deles vão para o espaço junto com a fumaça, em forma de gás carbônico e cinzas, prejudicando inclusive o clima.

Diminuição da visibilidade

Nas regiões onde as queimadas são frequentes e extensivas, como na Amazônia e no Centro Oeste, é comum a falta de visibilidade provocada pela fumaça, interromper por várias horas o tráfego aéreo.

Fonte: www.ufrrj.br

Queimadas

Benefício ou Crime

Confundidas freqüentemente com incêndios florestais, as queimadas são também associadas ao desmatamento. Na realidade, mais de 95% delas ocorrem em áreas já desmatadas, caracterizadas como queimadas agrícolas. Os agricultores queimam resíduos de colheita para combater pragas, como as provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir as populações de carrapatos ou para renovar as pastagens. O fogo também é utilizado para limpar algumas lavouras e facilitar a colheita, como no caso da cana-de-açúcar, cuja palha é queimada antes da safra. Áreas de pastagem extensiva, como os Cerrados, também são queimadas por agricultores e pecuaristas.

Apenas uma pequena parte das queimadas detectadas no Brasil está associada ao desmatamento. No caso da Amazônia, o fogo é o único meio viável para eliminar a massa vegetal e liberar áreas de solo nu para plantio. Mesmo assim são necessários cerca de oito anos para que a área fique limpa para a prática agrícola. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental NMA-Embrapa em Rondônia, revelou que apenas uma pequena parte (menos de 5%) da madeira das áreas desmatadas foi comercializada - ou seja, a finalidade da queimada não é o comércio, mas a limpeza de áreas.

Queimadas

A dimensão das queimadas na região tropical tem provocado preocupação e polêmica em âmbito nacional e internacional. Elas estão em geral associadas ao desmatamento e a incêndios florestais, e, no caso do Brasil, onde ocorrem mais de 200 mil por ano, as pesquisas indicam que as queimadas são, na maioria das vezes, uma prática agrícola generalizada. Aproximadamente 30% delas ocorrem na Amazônia, principalmente no sul e sudeste da região.

O Brasil é um dos únicos países do mundo a dispor de um sistema orbital de monitoramento de queimadas absolutamente operacional. Dezenas de mapas de localização são gerados por semana, durante o inverno, e, neste trabalho, são apresentados dados quantitativos do monitoramento orbital das queimadas ocorridas na Amazônia. O monitoramento é fruto de uma colaboração científica multiinstitucional, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Núcleo de Monitoramento Ambiental - NMA/EMBRAPA, a Ecoforça - Pesquisa e Desenvolvimento e a Agência Estado (AE). Os resultados estão sendo obtidos graças ao estudo diário de imagens dos satélites norte-americanos da série NOAA, de responsabilidade da U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration.

O impacto ambiental das queimadas preocupa a comunidade científica, ambientalistas e a sociedade em geral, pois elas afetam diretamente a física, a química e a biologia dos solos, alterando, ainda, a qualidade do ar em proporções inimagináveis. Também interferem na vegetação, na biodiversidade e na saúde humana.

Indiretamente, as queimadas podem comprometer até a qualidade dos recursos hídricos de superfície. Várias pesquisas científicas recentes estão ajudando a compreender a real dimensão deste impacto, em particular no caso da Amazônia.

MONITORAMENTO

Para obter dados científicos sobre as queimadas e gerar informação sistemática e adequada para a opinião pública nacional e internacional, um esforço multiinstitucional, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Núcleo de Monitoramento Ambiental - NMA/EMBRAPA, a Ecoforça - Pesquisa e Desenvolvimento e a Agência Estado (AE) estruturou, em 1990, um sistema de monitoramento, mapeamento e divulgação semanal das queimadas ocorridas no País durante os meses de inverno. O sistema funciona com base em imagens orbitais diárias do satélite NOAA-AVHRR.

As imagens deste satélite são recebidas pela antena do INPE em Cachoeira Paulista (São Paulo). As imagens passam por um tratamento digital que detecta e identifica os pontos de queimadas. Depois, são totalizadas semanalmente e várias correções e filtragens são realizadas. A cartografia das queimadas é realizada na Ecoforça e no NMA/Embrapa. A análise ambiental é apoiada por modelos ecológicos da Ecoforça e é realizada por uma equipe que inclui profissionais da Agência Estado.

O sistema gera cerca de 350 mapas de queimadas por ano (mapas nacionais, regionais e estaduais; semanais, mensais e anuais; numéricos e por classes) enviados a mais de cem usuários mediante acordos específicos. Todos os dados gerados nos últimos anos podem ser acessados gratuitamente, via Internet, tanto no NMA/Embrapa como na Ecoforça ou na Agência Estado.

IMPACTO AMBIENTAL

O impacto ambiental das queimadas é um tema preocupante, pois envolve a fertilidade dos solos, a destruição da biodiversidade, a fragilização de agroecossistemas, a destruição de linhas de transmissão e outras formas de patrimônio público e privado, a produção de gases nocivos à saúde humana, a diminuição da visibilidade atmosférica, o aumento de acidentes em estradas e a limitação do tráfego aéreo, entre outros.

As queimadas interferem diretamente na qualidade do ar, na física, na química e na biologia dos solos, na vegetação atingida pelo fogo e indiretamente podem afetar os recursos hídricos. São muitos os tipos de queimadas, envolvendo vegetações diferentes. Uma pastagem adubada pode gerar determinados gases, em particular óxidos nítricos, em quantidade muito superior a de uma pastagem que não recebeu fertilizantes. As condições meteorológicas (presença de vento, temperatura ambiente), o relevo e a hora da queimada são condicionantes da temperatura atingida pelo fogo e do tempo necessário para a queima total do material vegetal disponível.

Em função da temperatura e do tempo, os gases gerados podem ter uma natureza muito diferente (mais ou menos oxidados). O mesmo ocorre no tocante à biologia do solo. Em função da hora da queimada (de dia ou de noite, ao meio-dia ou ao entardecer...), as reações fotoquímicas ao nível das emissões gasosas serão diferenciadas.

Não é possível generalizar sobre os impactos ambientais das queimadas, nem na Amazônia, nem no Brasil. Mas o fato da maioria das queimadas praticadas no Brasil ser de natureza agrícola, indica uma pequena contribuição de suas emissões de carbono no problema do efeito estufa. A maioria do carbono emitido pelas queimadas no inverno é retirado da atmosfera no verão, quando a vegetação está em fase de crescimento.

Dada a complexidade do tema e o caráter agrícola dominante das queimadas pode-se perguntar qual o custo-benefício dessa tecnologia da era neolítica utilizada amplamente pela agricultura brasileira. Nesse aspecto os contrastes nacionais são enormes. Um exemplo basta para ilustrar essa situação. São Paulo e Paraná respondem por quase 50% da produção agrícola nacional e contribuem em média com 2% das queimadas. Já o Mato Grosso, sozinho, contribui com quase 20% das queimadas do País (o dobro do total das regiões Sul e Sudeste juntas) para uma produção agrícola muito limitada.

Fonte: www.sulambiental.com.br

Queimadas

A dimensão das queimadas na região tropical tem provocado preocupação e polêmica em âmbito nacional e internacional. Elas estão em geral associadas ao desmatamento e a incêndios florestais, e, no caso do Brasil, onde ocorrem mais de 200 mil por ano, as pesquisas indicam que as queimadas são, na maioria das vezes, uma prática agrícola generalizada. Aproximadamente 30% delas ocorrem na Amazônia, principalmente no sul e sudeste da região.

O Brasil é um dos únicos países do mundo a dispor de um sistema orbital de monitoramento de queimadas absolutamente operacional. Dezenas de mapas de localização são gerados por semana, durante o inverno, e, neste trabalho, são apresentados dados quantitativos do monitoramento orbital das queimadas ocorridas na Amazônia. O monitoramento é fruto de uma colaboração científica multiinstitucional, envolvendo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Núcleo de Monitoramento Ambiental - NMA/EMBRAPA, a Ecoforça - Pesquisa e Desenvolvimento e a Agência Estado (AE). Os resultados estão sendo obtidos graças ao estudo diário de imagens dos satélites norte-americanos da série NOAA, de responsabilidade da U.S. National Oceanic and Atmospheric Administration.

O impacto ambiental das queimadas preocupa a comunidade científica, ambientalistas e a sociedade em geral, pois elas afetam diretamente a física, a química e a biologia dos solos, alterando, ainda, a qualidade do ar em proporções inimagináveis. Também interferem na vegetação, na biodiversidade e na saúde humana. Indiretamente, as queimadas podem comprometer até a qualidade dos recursos hídricos de superfície. Várias pesquisas científicas recentes estão ajudando a compreender a real dimensão deste impacto, em particular no caso da Amazônia.

Queimadas e Desmatamentos

Confundidas freqüentemente com incêndios florestais, as queimadas são também associadas ao desmatamento. Na realidade, mais de 95% delas ocorrem em áreas já desmatadas, caracterizadas como queimadas agrícolas. Os agricultores queimam resíduos de colheita para combater pragas, como as provocadas pelo bicudo do algodão, para reduzir as populações de carrapatos ou para renovar as pastagens. O fogo também é utilizado para limpar algumas lavouras e facilitar a colheita, como no caso da cana-de-açúcar, cuja palha é queimada antes da safra. Áreas de pastagem extensiva, como os Cerrados, também são queimadas por agricultores e pecuaristas.

Apenas uma pequena parte das queimadas detectadas no Brasil está associada ao desmatamento. No caso da Amazônia, o fogo é o único meio viável para eliminar a massa vegetal e liberar áreas de solo nu para plantio. Mesmo assim são necessários cerca de oito anos para que a área fique limpa para a prática agrícola. Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental NMA-Embrapa em Rondônia, revelou que apenas uma pequena parte (menos de 5%) da madeira das áreas desmatadas foi comercializada - ou seja, a finalidade da queimada não é o comércio, mas a limpeza de áreas.

Queimadas ou Incêndios?

Nos países desenvolvidos de clima mediterrânico, como parte da França, Espanha, Grécia, Itália e Estados Unidos (Califórnia) são freqüentes os incêndios florestais nos períodos de verão. O mesmo ocorre em regiões subpolares, como nas áreas de tundra e de vegetação de coníferas do Alasca e da Rússia. Em países tropicais, as queimadas ocorrem no inverno, durante o período seco. No Brasil, este é um fenômeno generalizado na agricultura.

As queimadas estão associadas aos sistemas de produção mais primitivos, como os de caça e coleta dos indígenas. Mas também estão presentes na agricultura mais intensiva e moderna, como a da cana-de-açúcar, algodão e cereais. A falta de informação sobre a natureza e a ocorrência desta prática é grande, provocando confusão entre as queimadas tropicais e os incêndios florestais.

Mais de 98% das queimadas praticadas no Brasil são de natureza agrícola. O agricultor decide quando e onde queimar. É uma prática controlada, desejada e faz parte do sistema de produção. Os lavradores queimam resíduos de colheita, áreas de savana, pastagens nativas e plantadas e palha da cana-de-açúcar para facilitar a colheita. Já os incêndios florestais são de natureza acidental, indesejados e difíceis de controlar. Eles só ocorrem em vegetações propícias a esse tipo de fenômeno, como as florestas degradadas, entremeadas por arbustos e gramíneas, as matas de pinheiro araucária e a Floresta Atlântica caducifólia de planalto, encontrada nas regiões Sul e Sudeste do País.

Na Mata Atlântica e na floresta tropical úmida, um incêndio em vegetação primária é muito difícil de ocorrer e se propagar. O mesmo acontece com a vegetação da Caatinga. No período seco, a perda das folhas reduz o material comburente e a combustibilidade da parte lenhosa é pequena. As plantas continuam verdes e com grandes quantidades de água em seus tecidos. Pela mesma razão, incêndios florestais na Amazônia são quase impossíveis de acontecer.

Pesquisas realizadas pelo Núcleo de Monitoramento Ambiental NMA-Embrapa, em Rondônia, indicam ser necessários, em média, oito anos de queimadas consecutivas para que o fogo consuma todo o material lenhoso oriundo do desmatamento em pequenas propriedades rurais. Por essas razões, o monitoramento orbital das queimadas realizado no Brasil desde 1991, com base em imagens do satélite NOAA/AVHRR, indica que somente 30% das queimadas registradas no País ocorrem na Amazônia.

Impacto Ambiental das Queimadas

O impacto ambiental das queimadas é um tema preocupante, pois envolve a fertilidade dos solos, a destruição da biodiversidade, a fragilização de agroecossistemas, a destruição de linhas de transmissão e outras formas de patrimônio público e privado, a produção de gases nocivos à saúde humana, a diminuição da visibilidade atmosférica, o aumento de acidentes em estradas e a limitação do tráfego aéreo, entre outros.

As queimadas interferem diretamente na qualidade do ar, na física, na química e na biologia dos solos, na vegetação atingida pelo fogo e indiretamente podem afetar os recursos hídricos. São muitos os tipos de queimadas, envolvendo vegetações diferentes. Uma pastagem adubada pode gerar determinados gases, em particular óxidos nítricos, em quantidade muito superior a de uma pastagem que não recebeu fertilizantes. As condições meteorológicas (presença de vento, temperatura ambiente), o relevo e a hora da queimada são condicionantes da temperatura atingida pelo fogo e do tempo necessário para a queima total do material vegetal disponível.

Em função da temperatura e do tempo, os gases gerados podem ter uma natureza muito diferente (mais ou menos oxidados). O mesmo ocorre no tocante à biologia do solo. Em função da hora da queimada (de dia ou de noite, ao meio-dia ou ao entardecer...), as reações fotoquímicas ao nível das emissões gasosas serão diferenciadas.

Não é possível generalizar sobre os impactos ambientais das queimadas, nem na Amazônia, nem no Brasil. Mas o fato da maioria das queimadas praticadas no Brasil ser de natureza agrícola, indica uma pequena contribuição de suas emissões de carbono no problema do efeito estufa. A maioria do carbono emitido pelas queimadas no inverno é retirado da atmosfera no verão, quando a vegetação está em fase de crescimento.

Dada a complexidade do tema e o caráter agrícola dominante das queimadas pode-se perguntar qual o custo-benefício dessa tecnologia da era neolítica utilizada amplamente pela agricultura brasileira. Nesse aspecto os contrastes nacionais são enormes. Um exemplo basta para ilustrar essa situação. São Paulo e Paraná respondem por quase 50% da produção agrícola nacional e contribuem em média com 2% das queimadas. Já o Mato Grosso, sozinho, contribui com quase 20% das queimadas do País (o dobro do total das regiões Sul e Sudeste juntas) para uma produção agrícola muito limitada.

Queimadas na Amazônia

O número de queimadas na Amazônia apresenta uma tendência constante de crescimento ao longo dos anos, nitidamente a partir de 1996, mas com variações interanuais determinadas pelas condições climáticas. O ano de 1994 foi marcado por uma redução significativa das queimadas devido a uma combinação de situação econômica e condições climáticas desfavoráveis. Já o ano de 1997, até o início de 1998, foi marcado por um grande aumento das queimadas que culminaram com um episódio inédito e de grande repercussão com os incêndios no Estado de Roraima

Quando os pequenos agricultores desmatam a floresta amazônica, no primeiro ano só conseguem queimar uma pequena parte da fitomassa florestal: folhas, pontas de galhos, ramagens etc. No segundo ano, esse material lenhoso está mais seco e queima um pouco mais. Pesquisas da Embrapa Monitoramento por Satélite com 450 propriedade rurais na região indicam que são necessários cerca de oito anos para que o agricultor consiga queimar todos os resíduos lenhosos. Isso significa que uma área desmatada queima repetidas vezes durante oito anos. Nesse sentido, o constante desmatamento da Amazônia vai gerando um acúmulo de novas queimadas. Elas somam-se às queimadas das áreas ocupadas antigas onde são usadas regularmente como técnica agrícola para limpar pastos, eliminar restolhos de culturas, combater pragas e doenças, renovar áreas, obter brotação precoce em pastagens.

Fonte: www.mre.gov.br

Queimadas

Incêndios e Queimadas em Parques Nacionais

Os parques nacionais, estaduais e municipais são áreas relativamente extensas, que representam um ou mais ecossistemas, pouco ou não alterados pela ocupação humana, onde as espécies animais, vegetais, os sítios geomorfológicos e os habitat ofereçam interesses especiais do ponto de vista científico, educativo, recreativo e conservacionista.

São superfícies consideráveis que contém características naturais únicas ou espetaculares, de importância nacional, estadual ou municipal. Podemos apreciar certas diferenças entre um incêndio e uma queimada, como por exemplo um incêndio preventivo, ou comumente chamado de aceiro.

Esta vem a ser a prática utilizada por bombeiros e agricultores no combate e prevenção de incêndios florestais. Consiste numa faixa de terra aberta em volta da área que está sendo queimada ou que se quer proteger, mantida livre de vegetação, com capina ou poda, a qual impede a invasão do fogo. Já a queimada é um incêndio proposital de uma área vegetada por ação antrópica (do homem), em que a eliminação da vegetação tem o objetivo de preparar o terreno para agricultura ou pasto.

A queimada contribui, entretanto, para a gradual esterilização do solo, acidificando-o e destruindo grande parte de sua microvida. As queimadas são as responsáveis pela maioria dos incêndios florais.Mas nenhum contribui com o meio ambiente.

Queimadas e incêndios

O pecuarista desmata mais que madeireiro, diz estudo do Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). Os criadores de gado na Amazônia ganham mais do que os do Interior Paulista. Mas o custo ambiental e social desta produção é muito elevado.

Outro estudo do Bird mostra que políticas de combate ao desmatamento na Amazônia deveriam ser focalizadas nos criadores de gado, e não nos madeireiros. Os pecuaristas são, segundo o Bird, responsáveis por mais de 75% dos cortes na floresta. Seu lucro supera o obtido por produtores de Tupã, cidade do interior paulista considerada um termômetro para a pecuária no Brasil.

Enquanto um criador de gado de Ji-Paraná (RO) ou de Alta Floresta (MT) tem receita líquida anual superior a R$ 132 por hectare, um pecuarista de Tupã obtém R$ 65,32, de acordo com o Bird. Intensidade de chuvas, alta temperatura e escala de produção na Amazônia favorecem a pecuária.

Os três Estados com maior índice de destruição da floresta – Pará, Mato Grosso e Rondônia – contribuíram para o crescimento de 100% do rebanho nacional. O relatório observa que as exportações de carne no país passaram de 350 mil toneladas em 1999 para 900 mil em 2002.

Custo maior que ganho - A atividade tem um alto custo ambiental e não é boa distribuidora de renda, diz o mesmo economista. Ele estima que os custos sociais dos desmatamentos girem em torno de 100 dólares por hectare ao ano (perto de 300 reais).

O valor foi calculado comparando recursos ambientais perdidos com benefícios futuros que poderiam trazer para a população a partir da exploração madeireira, não madeireira, o ecoturismo, a bioprospecção e a estocagem de carbono.

Os grandes e médios produtores de gado são os maiores responsáveis pelo desmatamento na Amazônia. Os pequenos proprietários, apontados com vilões da floresta em avaliações anteriores do governo federal, são identificados no estudo do Bird como “fornecedores de mão-de-obra ou agentes intermediários que esquentam a posse da terra”. O estudo também identificou desinteresse dos pequenos produtores por atividades sustentáveis.

Para se ter uma idéia, em setembro o índice de focos de fogo foi quase duas vezes maior do que o total de agosto: 57.892 pontos ou 94% a mais do que os 29.778 focos do mês passado. O número impressiona, mas ainda é mais baixo do que o registrado em setembro do ano passado, quando 61.991 focos foram detectados.

As imagens dos satélites norte-americanos da série NOAA, processadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Embrapa Monitoramento por Satélite (CNPM), revelam também uma expansão das principais concentrações de fogo no sentido Leste-Oeste, com as chamas dominando a paisagem em praticamente todo o Brasil Central.

O ranking da fumaça

O estado recordista continua sendo o Mato Grosso, com 16.136 focos ou 28% do total brasileiro. Em seguida, no “ranking da fumaça”, vem o Pará (7.538 focos), Tocantins (6.125), Maranhão (5.157) e Bahia (4.683). Fora de época, como resultado de uma estiagem excessivamente prolongada, em sexto lugar vem Minas Gerais, com 4.254 focos, um índice impressionante para um estado que em agosto havia registrado 754 focos, praticamente cinco vezes menos. Concentrações importantes ainda ocorreram no interior do Paraná, oeste da Bahia e sertão do Piauí, Ceará e Pernambuco.

As atenções se voltam para os incêndios em unidades de conservação, que cresceram de modo assustador e atingiram grandes porções de parques e reservas de importância biológica.

No Jalapão (TO), denúncias de entidades ambientalistas consideraram vários incêndios como criminosos, resultado de disputas fundiárias. Na Amazônia, o fogo atingiu principalmente os parques nacionais da Serra do Divisor (Acre); Jaú e Amazônia (Amazonas); Pacás Novos (Rondônia); Araguaia (Tocantins); Chapada dos Guimarães (Mato Grosso) e até os parques do Viruá e Serra da Mocidade, em Roraima, e os de Cabo Orange e das Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, onde ainda é cedo demais para queimar.

Nos estados do hemisfério norte, o fogo também surgiu precocemente nas estações ecológicas de Caracaraí e Niquiá (Roraima) e na reserva Biológica do Lago Piratuba (Amapá).

Frentes de incêndios destruíram parte das florestas nacionais de Itaituba, Tapajós-Aquiri, Tapajós, Caxiuanã, Xingu, Altamira, Itacaiúnas e Carajás (Pará), Purus e Tefé (Amazonas), Jamari e Bom Futuro (Rondônia), esta também objeto de disputas fundiárias.

O fogo se instalou igualmente nas reservas biológicas do Jaru e Guaporé (Rondônia), Gurupi (Maranhão) e Tapirapé (Pará) e nas estações ecológicas da Serra Geral do Tocantins (Tocantins) e de Anavilhanas (Amazonas).

Fora da Amazônia, incêndios ocorreram nos parques nacionais de Ilha Grande (Paraná); São Joaquim (Santa Catarina), Serra das Confusões, Nascentes do Rio Parnaíba, Serra da Capivara e Sete Cidades (Piauí), Chapada Diamantina e Grande Sertão Veredas (Bahia), Chapada dos Veadeiros (Goiás), Serra da Canastra e Itatiaia (Minas Gerais), Lençóis Maranhenses (Maranhão). E a Estação Ecológica de Uruçuí-Una, no Piauí, completou 4 meses com frentes de fogo constantes.

El niño

Estudos apresentados na 3ª Conferência Científica do LBA, mostraram que fenômenos como do El Ninõ e o aumento das queimadas na Amazônia produzem um efeito cascata de destruição da floresta por causa da seca cada vez mais rigorosa.

As conseqüências do El Niño para a floresta amazônica foram analisadas por um grupo de cientistas que simulou os efeitos do fenômeno em pequenas faixas da floresta. O trabalho também contou com parceria de um grupo de cientistas, entre eles Daniel Curtis Nepstad, da Woods Hole Research Center (USA).

As queimadas, por sua vez, alteram o regime das chuvas por causa das conseqüências na formação das nuvens na Amazônia. Numa pesquisa feita para se conhecer o mecanismo de formação de nuvens na floresta, se verificou que na Amazônia elas são formadas a partir de compostos emitidos pela própria vegetação. Nesse caso, as partículas produzidas pelas plantas são, em última análise, responsáveis por toda a formação de chuva e pela precipitação. Com as queimadas, há um fenômeno que faz com que o tamanho da gota de água da nuvem seja muito pequena e ela evapora antes de chover.

Aquecimento global - Para piorar as coisas, a fumaça contém grandes quantidades de carbono grafítico, o mesmo da fuligem produzida por motores a diesel. Essas partículas absorvem a luz solar e aquecem a nuvem, favorecendo a evaporação das gotículas de água.

Há também casos em que a nuvem de fumaça, por conter partículas menores e ficar por mais tempo em suspensão, é lançada a altitudes elevadas, o que favorece ainda mais a evaporação e pode afetar o clima em escala global.

Queimadas

As queimadas prejudicam o solo, pois além de destruir toda a vegetação, o fogo também acaba com nutrientes e com os minúsculos seres (decompositores) que atuam na decomposição dos restos de plantas e animais.

As queimadas são severamente criticadas pelos ambientalistas por prejudicar a fertilização do solo, favorecendo a erosão, concorrendo para o assoreamento dos rios e o agravamento dos fenômenos El Ninõ.

Em outras palavras, o fogo em floresta recém-derrubadas ou em florestas em pé contribui para o efeito estufa devido à emissão de dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio.

O incremento do efeito estufa altera o clima e a ocorrência de secas prolongadas, em áreas de floresta tropical, facilita a dispersão do fogo. Na Amazônia o monitoramento de queimadas por satélite iniciado nos anos 80, tem demonstrado que os anos muito secos causam problemas extras, as queimadas feitas pelo homem em área derrubadas fogem ao controle com mais facilidade penetram na floresta. Abrem-se grandes frentes de incêndios, especialmente quando há trilhas de caças e de coleta extrativista.

São necessárias algumas décadas para recompor o cenário e a prova de que as catástrofes ambientais não podem ficar à mercê de tanta burocracia.

Fonte: www.zone.com.br

Queimadas

A Irracionalidade das Queimadas

Está na Constituição: todo ato que prejudica a saúde pública e o meio ambiente é criminoso. Logo, queimada é crime. Outra irregularidade é que ela não atinge nem de longe os 20% de índice de cobertura florestal, como prevê o código.

Além de criminosa é a causa de muitos males, a começar pelos problemas de saúde. Devido ao fato delas coincidirem com a época mais seca do ano, agravam as doenças respiratórias e de pele. Fato este constatado por profissionais e estudiosos da saúde que vêm observando um considerável aumento no índice de moléstias como bronquite, asma alérgica, pneumonia e rinite.

Para o meio ambiente, seus efeitos também são desastrosos. No ar, lança gases tóxicos e cancerígenos, que contribuem para o Efeito Estufa, para o aquecimento da Terra e alteram o clima e o regime de chuvas. O solo é empobrecido de nutrientes, sendo retirada sua camada mais fértil e favorecendo o aparecimento de ervas daninhas. Para os pássaros e outros animais, significa a perda do local em que viviam e muitas vezes a sua morte.

Do ponto de vista energético e econômico é considerada uma irracionalidade, já que desperdiça uma enorme quantidade de energia e, por empobrecer o solo, aumenta a necessidade de adubação química. Além do mais, o país fica mal visto no mercado europeu e americano que fazem restrições aos produtos que, em qualquer fase de seu ciclo de vida, prejudicam excessivamente o meio ambiente.

Não se pode deixar de comentar também o lado social. São desumanas as condições de trabalho dos cortadores de cana queimada. Não há programas de classificação profissional ao trabalhador, que fica exposto a elevadas temperaturas, respirando cinzas, alimentando-se com uma dieta miserável e fria, sem qualquer direito social, recebendo uma remuneração indecente, sem um equipamento adequado de segurança.

Seja sob a ótica ambiental, da saúde, jurídica, econômica ou social, a queimada é um ato destrutivo e precisa acabar.

O refúgio dos usineiros

Devido aos fartos subsídios oferecidos pelo PROALCOOL a partir de 1975, a colheita da cana passou a ser feita pelas usinas, que se equiparam, adquiriram enormes quantidades de terras, arrendaram o restante das propriedades agrícolas da região e, o que é pior, passaram a queimar a palha da cana para ganhar eficiência no corte e no transporte e a pagar menos aos trabalhadores rurais.

Porém, se ao invés de ser queimada, a cana fosse colhida crua (verde), haveria um maior aproveitamento energético, além de que a palha poderia ser transformada em ração, papel e para melhorar o próprio solo. Sem contar que o número de trabalhares seria pelo menos duplicado. Desta forma, não cabe a desculpa de que a abolição das queimadas aumentaria o desemprego, desculpa essa em que os usineiros se apóiam.

Alternativas sustentáveis

Aproveitar a palha da cana como fonte de energia e produção de adubo, ração
Providenciar equipamento de proteção ao trabalhador para o corte de cana crua;
Dar maior valor ao trabalhador por tonelada de cana cortada crua;
Estabelecer programas de qualificação profissional para o cortadores de cana, tendo em vista a crescente mecanização do corte;
Utilizar mão-de-obra dos trabalhadores na entressafra para reflorestamento de matas e margens de rios e córregos;
Implantar um novo modelo agrícola, que estimule outros tipos de cultura, inclusive de alimentos, que não seja concentrador de grandes propriedades e de renda.

Campanha "Basta de Queimadas"

Idealizada pela Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil, a campanha está a 14 anos alertando a população sobre os males da queimada e mobilizando as pessoas na defesa do seu direito de respirar ar puro.

Para realizar a campanha, os integrantes da ONGs vão para os semáforos da cidade estendendo faixas negras e distribuindo adesivos com a a mensagem: "Basta de Queimadas, Queremos Respirar ". Desde a primeira campanha até agora, foram realizados paralelamente plebiscitos, simpósios e apresentações artísticas e está conseguindo envolver a população com a causa.

Fonte: www.amazonia.org.br

Queimadas

Realmente, as queimadas agrícolas não são sinônimo de incêndios florestais. Para entender o uso do fogo na agricultura brasileira, é necessário distinguir claramente as diferenças existentes entre queimada agrícola e incêndio florestal.

INCÊNDIO

Um fogo fora de controle, fora de hora, num local indesejado, pelo qual em geral ninguém se responsabiliza. Costuma assumir grandes proporções destruindo patrimônios públicos e privados.

QUEIMADA AGRÍCOLA

Trata-se de um fogo controlado, que ocorre numa hora e num local definido por um agricultor com um objetivo inserido num sistema de produção (controle de pragas, renovação de pastagens, preparo da área para plantio ou colheita etc.).

Quando uma queimada agrícola é realizada em condições inadequadas ou de forma inesperada, ela pode dar origem à um incêndio na área rural. Esses casos são raros se comparados ao enorme número de queimadas praticadas anualmente no Brasil. Entretanto, ocorrem com uma certa frequência em áreas de pastagens extensivas (cerrados do Centro-Oeste e áreas montanhosas no Sudeste) e podem atingir algumas áreas da Amazônia em anos particularmente secos (fenômeno do El Niño - Roraima em 1998).

DESMATAMENTO

Também o desmatamento não pode ser confundido com a queimada agrícola. A imensa maioria das queimadas ocorre em áreas que já foram desmatadas, há muitos anos. Entretanto, na região Amazônica principalmente, quase sempre que ocorre um desmatamento, ele é seguido por queimadas.

Pesquisas realizadas pela Embrapa Monitoramento por Satélite , indicam que em áreas de pequena agricultura leva-se até 8 anos para conseguir eliminar a totalidade do material lenhoso da floresta, no local desmatado para o uso agrícola (Projeto Machadinho).

Em outras palavras, se o desmatamento é frequentemente seguido de queimadas a imensa maioria delas não resultam de desmatamentos mas do uso corriqueiro do fogo nos sistemas de produção agrícola.

Fonte: www.ambicenter.com.br

Queimadas

Dez Mandamentos da Queimada Controlada

Para se queimar com racionalidade, é preciso seguir os Dez Mandamentos da Queimada Controlada:

1 - Obter autorização do Ibama para queima controlada.

Documentos necessários:

a) Comprovante de propriedade ou de justa posse do imóvel onde se realizará a queima;
b)
Cópia da autorização de desmatamento quando legalmente exigida;
c)
Comunicação de queima controlada.

2 - Reunir e mobilizar os vizinhos, para fazer queimada controlada e em mutirão, de maneira que um possa ajudar o outro. Assim, o calor será menor e o solo será menos impactado com a temperatura.
3
- Evitar queimar grandes áreas de uma só vez, pois as distâncias dificultam o controle do fogo.
4
- Fazer aceiros, observando as características do terreno e altura da vegetação. Em terreno inclinado, o fogo se alastra mais rapidamente, devendo-se construir valas na parte mais baixa, para evitar que o material em brasa saia da área queimada. A largura dos aceiros deve ser 2,5 vezes a altura da vegetação em regiões de pastagens e/ou Cerrado ou, no mínimo, 3 metros, para o caso de queima controlada.
5 -
Limpar completamente o aceiro, sem deixar restos de folhas ou paus, de qualquer natureza, no meio da faixa.
6
- Prestar atenção à força e direção do vento, à umidade e às chuvas. Só queimar quando o vento estiver fraco. Nunca comece um fogo na direção contrária dos ventos. Inicie no sentido dos ventos. Se a queima for realizada após as primeiras chuvas, é possível evitar o risco de o fogo escapar e evitar os danos causados pelo acúmulo de fumaça no ar.
7
- Queimar em hora fria. De manhã cedo, no final da tarde, ou à noitinha, é mais seguro, pois a temperatura é mais baixa e a vegetação está mais úmida.
8
- Nunca deixe árvores altas, sem serem cortadas, no meio da área a ser queimada. Elas demorarão a queimar, permitindo que o vento jogue fagulhas à distância, provocando incêndios em áreas vizinhas, sobretudo, se forem pastagens.
9
- Permaneça na área da queimada, após o fogo, pelo menos, por duas horas, a fim de verificar se não haverá pequenos focos de incêndio, na vizinhança, provocados pelos ventos.
10
- Tenha sempre disponível, para ser utilizado, em caso de ter de controlar o fogo, o seguinte material:

a) enxada;
b)
abafador;
c)
foice;
d)
bomba costal;
e)
baldes com água.

Fonte: www.jperegrino.com.br

Queimadas

Queimadas

As queimadas são incêndios propositais, provocados pelo homem, para eliminar a vegetação de um terreno para a utilização em agricultura ou pasto.

As queimadas prejudicam o solo e destroem os hábitats dos animais. As queimadas agrícolas não são sinônimos de incêndios florestais. Incêndio florestal é o fogo fora de controle, em lugar e local indesejado, pelo qual ninguém se responsabiliza. Incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares, por exemplo.

Queimada agrícola é o fogo controlado, que tem hora e local escolhido pelo agricultor que tem como objetivo controlar pragas, renovar pastagens, preparar áreas para colheitas e plantio. É uma antiga e corriqueira prática agropastoril ou florestal por tratar-se de uma alternativa geralmente eficiente, rápida e de custo relativamente baixo quando comparada a outras técnicas que podem ser utilizadas para o mesmo fim. Normalmente é utilizada de forma controlada pelos que ainda têm esse costume, sob condições ambientais que permitam que o fogo se mantenha confinado à área que será utilizada para a agricultura ou pecuária. Quando a queimada é realizada de uma forma inadequada, pode dar origem a um incêndio na área rural ou um incêndio florestal.

Outro conceito importante é o de foco de calor. Consiste em qualquer temperatura registrada acima de 47ºC. Um foco de calor não é necessariamente um foco de fogo ou incêndio.

Os mitos

Muitos ainda acreditam que a queimada é indispensável. Normalmente, usa-se o fogo na formação de novas áreas para agricultura ou pastagem. Quando a formação é feita de forma correta, o uso do fogo torna-se desnecessário. Hoje, com as tecnologias existentes é possível chegar a 3,5 unidade animal por hectare (ua/h). Há 20 anos, a taxa era de apenas 0,5 ua/ha. A prática da queimada ainda persiste devido à deficiência educacional para grande parte dos produtores e trabalhadores rurais.

Ainda é normal os produtores e trabalhadores rurais usarem a queimada no manejo das pastagens com a finalidade de controlar as plantas invasoras, para eliminar o capim velho e controlar a incidência de pragas e doenças. No entanto, esta prática não é eficaz e a falta de informação cria mitos que prejudicam o produtor e o meio ambiente.

Não é verdade que o fogo controla as plantas invasoras nas pastagens. Na época da queima do pasto, as plantas invasoras já produziram sementes e a queimada do pasto na época mais seca do ano mata as plantas invasoras e a pastagem. Após as primeiras chuvas, o fogo queima as folhas e galhos das plantas invasoras, mas as raízes ficam vivas e rebrotam. Assim, o fogo ?limpa? o solo, destrói a matéria orgânica (húmus) e estimula a germinação das sementes das plantas invasoras, junto com as sementes do capim. A queimada mata os microorganismos do solo que ajudam na decomposição e transformação dos resíduos da pastagem em adubo orgânico. Não é necessário queimar o pasto para eliminar o capim passado e estimular a rebrota.

Também é falsa a afirmação de que o fogo também não é eficiente no controle da cigarrinha-das-pastagens.

Para o controle da cigarrinha, algumas práticas são recomendadas, tais como: a retirada do gado, deixando o pasto em repouso; plantar vários tipos de capim e consorciar as pastagens com leguminosas; utilizar alguns capins mais tolerantes ou resistentes à cigarrinha.

Outro mito é dizer que o fogo é eficiente no controle da contaminação de carrapatos e vermes nas pastagens. O fogo elimina os carrapatos e vermes que estão contaminando o pasto naquele momento. Porém, assim que os animais voltam ao pasto já rebrotado, este é novamente contaminado. A mudança do gado de pasto, a aplicação de carrapaticidas e vermicidas nos animais, associados com períodos de descanso das pastagens superiores a 22 dias, quebram o ciclo e reduzem a infestação de carrapatos e vermes. Por isso tudo, para se ter pastos de boa qualidade, não é necessário queimar. Basta manejo adequado.

Para evitar o aparecimento de plantas invasoras, o pasto deve ser manejado de forma correta. O consórcio de capins e leguminosas reduzem o risco de doenças e pragas. Evite o superpastejo colocando o número correto de animais de acordo com a capacidade de suporte de cada tipo de forrageira. A divisão dos pastos em piquetes e a rotação permitem que as plantas forrageiras se recuperem, garantindo a produtividade da área. Elimine as plantas invasoras antes da época da floração.

A prática secular de limpar campos com fogo, costuma fugir ao controle e transforma em cinzas grandes riquezas naturais. O fogo acompanha o homem desde o aparecimento da espécie no planeta. Do temor ante o vômito dos vulcões e da impotência diante dos raios, o ser humano passou a depender do fogo para variadas funções, o preparo dos alimentos, a produção de calor ambiente, a destruição purificadora de restos e até a fusão de materiais. Tudo isso, mantendo o processo sob controle e restrito aos objetivos apropriados.

Um uso, porém, continua impondo riscos, pois tende sempre a fugir ao controle e a deixar amargas marcas na paisagem: o fogo aplicado à limpeza de terrenos para uso agrícola. Por descuido humano ou acidente natural, as chamas deixam rastros dolorosos por onde passam, guiadas pelos ventos, ajudadas pela baixa umidade, alimentadas pela vegetação.

Essas queimadas ajudam a enfraquecer a vida. Atacam o conjunto de elementos vitais que se condensa no conceito de biodiversidade. Mesmo que tudo rebrote, que a vida ali recomece, já não será o mesmo viço, e a cada vez, será menor. O pedaço de mata que se foi pode até voltar, mas já não abrigará a mesma intensidade de vida animal e vegetal e a terra sequer terá a mesma fertilidade. Enquanto cresce se crescer deixa desprotegida a faixa arborizada vizinha, que sofrerá com alterações de luminosidade, de umidade e calor. O processo de desestruturação é lento, às vezes muito mais lento do que podem perceber algumas gerações de pessoas compelidas a produzir em terras tomadas até de milenares conjuntos da vegetação.

E os efeitos se estendem ao clima, ao regime de chuvas, aos ciclos dos rios. As graves constatações dos cientistas quanto ao avanço da desertificação no mundo talvez seja o reconhecimento atual daquele lento processo de destruição, que gerações sucessivas não foram capazes de reconhecer em seus ambientes cada vez mais deteriorados e impossibilitados de recuperação.

Fonte: www.vivaterra.org.br

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