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Pré-sal

10 perguntas para você entender o pré-sal

1 - O que é o pré-sal?

O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e acúmulo de petróleo. Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros.

As maiores descobertas de petróleo, no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobras na camada pré-sal localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, onde se encontrou grandes volumes de óleo leve. Na Bacia de Santos, por exemplo, o óleo já identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez e baixo teor de enxofre. São características de um petróleo de alta qualidade e maior valor de mercado.

2 - Qual o volume estimado de óleo encontrado nas acumulações do pré-sal descobertas até agora?

Os primeiros resultados apontam para volumes muito expressivos. Para se ter uma ideia, só a acumulação de Tupi, na Bacia de Santos, tem volumes recuperáveis estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente (óleo mais gás). Já o poço de Guará, também na Bacia de Santos, tem volumes de 1,1 a 2 bilhões de barris de petróleo leve e gás natural, com densidade em torno de 30º API.

3 - As recentes descobertas na camada pré-sal são economicamente viáveis?

Com base no resultado dos poços até agora perfurados e testados, não há dúvida sobre a viabilidade técnica e econômica do desenvolvimento comercial das acumulações descobertas. Os estudos técnicos já feitos para o desenvolvimento do pré-sal, associados à mobilização de recursos de serviços e equipamentos especializados e de logística, nos permitem garantir o sucesso dessa empreitada. Algumas etapas importantes dessa tarefa já foram vencidas: em maio deste ano a Petrobras iniciou o teste de longa duração da área de Tupi, com capacidade para processar até 30 mil barris diários de petróleo. Um mês depois a Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, refinou o primeiro volume de petróleo extraído da camada pré-sal da Bacia de Santos. É um marco histórico na indústria petrolífera mundial.

Cada vez mais fundo

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4 - Como começou essa história de superação de desafios?

Em 2004 foram perfurados alguns poços em busca de óleo na Bacia de Santos. É que ali haviam sido identificadas, acima da camada de sal, rochas arenosas depositadas em águas profundas, que já eram conhecidas. Se fosse encontrado óleo, a ideia era aprofundar a perfuração até chegar ao pré-sal, onde os técnicos acreditavam que seriam encontrados grandes reservatórios de petróleo.

Em 2006, quando a perfuração já havia alcançado 7.600m de profundidade a partir do nível do mar, foi encontrada uma acumulação gigante de gás e reservatórios de condensado de petróleo, um componente leve do petróleo. No mesmo ano, em outra perfuração feita na Bacia de Santos, a Companhia e seus parceiros fizeram nova descoberta, que mudaria definitivamente os rumos da exploração no Brasil. A pouco mais de 5 mil metros de profundidade, a partir da superfície do mar, veio a grande notícia: o poço, hoje batizado de Tupi, apresentava indícios de óleo abaixo da camada de sal. O sucesso levou à perfuração de mais sete poços e em todos encontrou-se petróleo. O investimento valeu a pena.

Uma nova fronteira

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5 - Com este resultado, o que muda para a Petrobras?

Essas descobertas elevarão a empresa, ao longo dos próximos anos, a um novo patamar de reservas e produção de petróleo, colocando-a em posição de destaque no ranking das grandes companhias operadoras. Com a experiência adquirida no desenvolvimento de campos em águas profundas da Bacia de Campos, os técnicos da Petrobras estão preparados, hoje, para desenvolver as acumulações descobertas no pré-sal. Para isso, já estão promovendo adaptações da tecnologia e da logística desenvolvidas pela empresa ao longo dos anos.

6 - Quais serão as contribuições dessas grandes descobertas para o desenvolvimento nacional?

Diante do grande crescimento previsto das atividades da companhia para os próximos anos, tanto no pré-sal quanto nas demais áreas onde ela já opera, a Petrobras aumentou substancialmente os recursos programados em seu Plano de Negócios. São investimentos robustos, que garantirão a execução de uma das mais consistentes carteiras de projetos da indústria do petróleo no mundo. Serão novas plataformas de produção, mais de uma centena de embarcações de apoio, além da maior frota de sondas de perfuração a entrar em atividade nos próximos anos.

A construção das plataformas P-55 e P-57, entre outros projetos já encomendados à indústria naval, garantirá a ocupação dos estaleiros nacionais e de boa parte da cadeia de bens e serviços offshore do país. Só o Plano de Renovação de Barcos de Apoio, lançado em maio de 2008, prevê a construção de 146 novas embarcações, com a exigência de 70% a 80% de conteúdo nacional, a um custo total orçado em US$ 5 bilhões. A construção de cada embarcação vai gerar cerca de 500 novos empregos diretos e um total de 3.800 vagas para tripulantes para operar a nova frota.

7 - A Petrobras está preparada, tecnologicamente, para desenvolver a área do pré-sal?

Sim. Ela está direcionando grande parte de seus esforços para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico que garantirão, nos próximos anos, a produção dessa nova fronteira exploratória. Um exemplo é o Programa Tecnológico para o Desenvolvimento da Produção dos Reservatórios Pré-sal (Prosal), a exemplo dos bem-sucedidos programas desenvolvidos pelo seu Centro de Pesquisas (Cenpes), como o Procap, que viabilizou a produção em águas profundas. Além de desenvolver tecnologia própria, a empresa trabalha em sintonia com uma rede de universidades que contribuem para a formação de um sólido portfólio tecnológico nacional. Em dezembro o Cenpes já havia concluído a modelagem integrada em 3D das Bacias de Santos, Espírito Santo e Campos, que será fundamental na exploração das novas descobertas.

8 - Como está a capacidade instalada da indústria para atender a essas demandas?

Esse é outro grande desafio: a capacidade instalada da indústria de bens e serviços ainda é insuficiente para atender às demandas previstas. Diante disso, a Petrobras recorrerá a algumas vantagens competitivas já identificadas, para fomentar o desenvolvimento da cadeia de suprimentos. Graças à sua capacidade de alavancagem, pelo volume de compras, a empresa tem condições de firmar contratos de longo prazo com seus fornecedores. Uma garantia e tanto para um mercado em fase de expansão. Além disso, pode antecipar contratos, dar suporte a fornecedores estratégicos, captar recursos e atrair novos parceiros. Tudo isso alicerçado num programa agressivo de licitações para enfrentar os desafios de produção dos próximos anos.

9 - Quais os trunfos da Petrobras para atuar na área do pré-sal?

Em primeiro lugar, a inegável competência de seu corpo técnico e gerencial, reconhecida mundialmente; a experiência acumulada no desenvolvimento dos reservatórios em águas profundas e ultraprofundas das outras bacias brasileiras; sua base logística instalada no país; a sua capacidade de articulação com fornecedores de bens e serviços e com a área acadêmica no aporte de conhecimento; e o grande interesse econômico e tecnológico que esse desafio desperta na comunidade científica e industrial do país.

Os Desafios do Pré-Sal

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10 - Que semelhanças podem ser identificadas entre o que ocorreu na década de 80, na Bacia de Campos, e agora, com o pré-sal?

De fato, as descobertas no pré-sal deixam a Petrobras em situação semelhante à vivida na década de 80, quando foram descobertos os campos de Albacora e Marlim, em águas profundas da Bacia de Campos. Com aqueles campos, a Companhia identificava um modelo exploratório de rochas que inauguraria um novo ciclo de importantes descobertas. Foi a era dos turbiditos, rochas-reservatórios que abriram novas perspectivas à produção de petróleo no Brasil. Com o pré-sal da Bacia de Santos, inaugura-se, agora, novo modelo, assentado na descoberta de óleo e gás em reservatórios carbonáticos, com características geológicas diferentes. É o início de um novo e promissor horizonte exploratório.

Fonte: www2.petrobras.com.br

Pré-sal

Há mais de 100 milhões de anos, poderosas forças subjacentes romperam o supercontinente Gondwana, originado da fragmentação de Pangéia, propiciando a separação das placas sul-americana e africana em meio a intenso vulcanismo. No início, grandes lagos intracontinentais estabeleceram-se nas fendas e fissuras da crosta. Depois, o mar penetrou entre as placas, formando um golfo estreito e alongado, predecessor do oceano Atlântico.

Camadas de profundidade
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Nos lagos, depositaram-se formidáveis geradores de petróleo, sedimentos finos riquíssimos em matéria orgânica, ao lado de rochas reservatório. Sobre estes, precipitou-se uma camada de sal, relacionada à fase de mar restrito, e, mais acima, os sedimentos oceânicos de mar aberto. Essa evolução da margem continental brasileira, melhor estudada desde o final dos anos 1960, com o início da exploração no mar, já era relativamente conhecida nas bacias terrestres costeiras.

O petróleo do Recôncavo Baiano, descoberto nos anos 1940, foi gerado e acumulou-se, em boa parte, nos sedimentos de um desses lagos intracontinentais, portanto, pré-sal. Em Sergipe e em Alagoas, muitos campos terrestres produzem da camada pré-sal, como ocorre no campo de Carmópolis, desde os anos 1960. Na porção emersa da bacia do Espírito Santo, existem várias jazidas em que o petróleo é extraído do pré-sal há décadas.

Com a exploração no mar e a introdução de ferramentas exploratórias mais modernas, como a geoquímica orgânica, comprovou-se cabalmente que quase todo o petróleo de bacias marítimas, como Campos, Santos e Espírito Santo, foi gerado naqueles sedimentos lacustrinos abaixo da camada de sal. Parte desse petróleo se acumularia lá mesmo, parte se deslocaria para reservatórios mais rasos, por meio de descontinuidades na camada de sal e falhas funcionando como caminhos da migração.

Comprovado nos anos 1980 em Campos, esse modelo de geração-migração-acumulação foi aplicado, com sucesso, a outras bacias. Na própria bacia de Campos, desde os anos 1970, descobriram-se vários campos na camada pré-sal, como Badejo, Trilha e Enchova, situados em águas rasas e profundidade dos reservatórios a menos de 4.000 metros, já apresentam uma longa história de produção.

As primeiras tentativas de perfurar poços profundos para o pré-sal remontam aos anos 1980, ainda na bacia de Campos. Na ocasião, muitos foram os insucessos, dadas as limitações tecnológicas, e essas iniciativas acabaram sendo abortadas. Assim, a camada pré-sal constituía-se num objetivo tradicional, clássico e de reconhecido potencial havia muitas décadas, com inúmeros campos produtores em terra e no mar, quando ao alcance rotineiro dos poços.

O desafio estava, agora, na exploração do pré-sal nas vastas áreas em que ocorriam os conhecidos óbices tecnológicos: elevada profundidade, tanto da água quanto dos objetivos finais dos poços, grande espessura da camada de sal, alta pressão e temperatura.

Em 2004, repercutiu na imprensa a seguinte frase de nossa autoria: "Existe uma outra bacia de Campos abaixo do sal". Por achar que boa parte do petróleo de Campos migrara para os reservatórios pós-sal, a Petrobras acabou privilegiando as bacias de Santos e do Espírito Santo.

Especificamente quanto ao desafio do pré-sal, a estatal e seus parceiros internacionais acabaram se concentrando numa área da bacia de Santos, a 300 km da costa, mais de 2 km de lâmina d'água, cerca de 2 km de espessura de sal, mais de 6 km de profundidade total dos poços, genericamente denominado conglomerado, nas vizinhanças de Tupi.

Há cerca de três anos, tivemos a satisfação de assistir, na Petrobras, a uma magnífica apresentação sobre Tupi, tecnicamente irrepreensível. Paralelamente, a estatal realizara estudos específicos para superar os desafios tecnológicos na perfuração desses poços. O resto de mais essa história brasileira de sucesso já é de conhecimento público.

Não há confirmação ainda das reais dimensões dessas descobertas, aparentemente suficientes para propiciar um antes inimaginável salto de escala na produção brasileira de petróleo e gás natural, assegurar a sustentação da auto-suficiência em petróleo e eliminar a dependência do gás importado.

Créditos a Petrobras e seus parceiros pelos fantásticos resultados operacionais e congratulações aos muitos que, ao longo do tempo, contribuíram para essa importante realização.

Aos leitores, perdão pelo abuso da linguagem em "geologuês": tentei evitar, mas...

Giuseppe Bacoccoli

Fonte: Folha de São Paulo

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