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Resíduos Sólidos

 

Tipos de resíduos sólidos

Resíduos Sólidos

Os resíduos sólidos são o conjunto dos produtos não aproveitados das atividades humanas (domésticas, comerciais, industriais, de serviços de saúde) ou aqueles gerados pela natureza, como folhas, galhos, terra, areia, que são retirados das ruas e logradouros pela operação de varrição e enviados para os locais de destinação ou tratamento. Também podemos defini-los como lixo, ou seja, os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis.

Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que esse líquido possa fluir livremente).

São várias as formas possíveis de se classificar os resíduos sólidos:

Por sua natureza física: seco e molhado
Por sua composição química:
matéria orgânica e matéria inorgânica ou
Pelos riscos potenciais:
perigosos, não-inertes.

Os resíduos urbanos conhecidos como lixo doméstico, são aqueles gerados nas residências, no comércio ou em outras atividades desenvolvidas nas cidades. Incluem-se neles os resíduos dos logradouros públicos, como ruas e praças, denominados lixo de varrição ou público.

Nesses resíduos encontram-se: papel, papelão, vidro, latas, plásticos, trapos, folhas, galhos e terra, restos de alimentos, madeira e todos os outros detritos apresentados à coleta nas portas das casas pelos habitantes das cidades ou lançados nas ruas.

Os resíduos especiais são aqueles gerados em indústrias ou em serviços de saúde, como hospitais, ambulatórios, farmácias, clínicas que, pelo perigo que representam à saúde pública e ao meio ambiente, exigem maiores cuidados no seu acondicionamento, transporte, tratamento e destino final. Também se incluem nessa categoria os materiais radioativos, alimentos ou medicamentos com data vencida ou deteriorados, resíduos de matadouros, inflamáveis, corrosivos, reativos, tóxicos e dos restos de embalagem de inseticida e herbicida empregados na área rural. Ainda leva-se em conta o lixo doméstico formado diariamente nas residências, tais como, cascas de frutas, verduras, produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens e os originados dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como, supermercados, estabelecimentos bancários, lojas, bares, restaurantes, etc.

Os resíduos sólidos desses estabelecimentos e serviços têm um forte componente de papel, plásticos, embalagens diversas e resíduos de asseio dos funcionários, tais como, papel toalha, papel higiênico, etc. Entulho da construção civil, demolições e restos de obras, solos de escavações são geralmente material inerte, passível de reaproveitamento. Resíduos públicos são originados de limpeza pública urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, de galerias, de córregos e de terrenos, restos de podas de árvores, de limpeza de áreas de feiras livres, constituídos por restos vegetais diversos, embalagens, etc. Os de serviços de saúde - hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde - constituem resíduos sépticos (que contem ou potencialmente podem conter germes patogênicos) tais como agulhas, seringas, gazes, bandagens, algodões, órgãos e tecidos removidos, meios de culturas e animais usados em testes, sangue coagulado, luvas descartáveis, remédios com prazos de validade vencidos, instrumentos de resina sintética e filmes fotográficos de raios X. Resíduos assépticos desses locais, constituídos por papéis, restos da preparação de alimentos, resíduos de limpezas gerais (pós, cinzas, etc.), e outros materiais que não entram em contato direto com pacientes ou com os resíduos sépticos anteriormente descritos, são considerados como domiciliares.

Portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contem ou potencialmente podem conter germes patogênicos, trazidos aos portos, terminais rodoviários e aeroportos. Basicamente, originam-se de material de higiene, asseio pessoal e restos de alimentação que podem veicular doenças provenientes de outras cidades, estados e países. Os resíduos assépticos desses locais também são considerados como domiciliares.

O industrial é aquele originado nas atividades dos diversos ramos da indústria metalúrgica, química, petroquímica, papelaria, alimentícia, etc., sendo bastante variado, podendo ser representado por cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros e cerâmicas. Nesta categoria, inclui-se a grande maioria do lixo considerado tóxico.

Das atividades agrícolas e da pecuária, embalagens de adubos, defensivos agrícolas, ração, restos de colheita constituem uma preocupação crescente, destacando-se as enormes quantidades de esterco animal geradas nas fazendas de pecuária intensiva. As embalagens de agroquímicos diversos, altamente tóxicos, têm sido alvo de legislação específica, definindo os cuidados na sua destinação final e, por vezes, co-responsabilizando a própria indústria fabricante desses produtos.

Quanto ao tratamento dos resíduos sólidos, os aterros sanitários são locais onde o lixo é depositado permitindo mantê-lo confinado sem causar maiores danos ao meio ambiente. É um método em que o lixo é comprimido através de máquinas que diminuem seu volume. Com o trabalho de um trator, o lixo é empurrado, espalhado e amassado sobre o solo (compactação), sendo posteriormente coberto por uma camada de areia, minimizando odores, evitando incêndios e impedindo a proliferação de insetos e roedores. A compactação tem como objetivo reduzir a área disponível prolongando a vida útil do aterro ao mesmo tempo em que o propicia a firmeza do terreno possibilitando seu uso futuro para outros fins.

A distância mínima de um aterro sanitário para um curso de água deve ser de 400m. Já nos casos de incineração a queima do lixo a altas temperaturas em instalações chamadas "incineradores" é o método de alto custo devido a utilização de equipamentos especiais. Nesse método existe uma grande redução do volume do lixo, cerca de 3% do volume original. No mundo o primeiro incinerador foi instalado na cidade de Nohinglam, Inglaterra, projetado e construído por Alfred Figer, em 1874 e no Brasil foi instalado em Manaus, em 1896 pelos ingleses. Entretanto, em 1958, foi desativado por não mais atender as necessidades locais e por haver problemas de manutenção. Atualmente existem modernos incineradores, inclusive no Brasil, entretanto, ainda existem muitos inconvenientes envolvendo seu uso.

O problema mais grave desse método é o da poluição do ar pelos gases da combustão e por partículas não retidas nos filtros e precipitadores.

Os gases remanescentes da incineração do lixo são: anidrido carbônico (CO2); anidrido sulfuroso (SO2); nitrogênio (N2); oxigênio (O2); água (H2O) e cinzas.

Synara Regina Bollauf Balbino

Fonte: www.panoramaambiental.com.br

Resíduos Sólidos

Resíduos Sólidos: Como se Classificam Quanto ao seu Potencial Poluidor

São várias as maneiras de se classificar os resíduos sólidos. As mais comuns são quanto aos riscos potenciais de contaminação do meio ambiente e quanto à natureza ou origem.

No primeiro caso, de acordo com a NBR 10004 da ABNT, resíduos sólidos podem ser identificados como:

Classe I ou perigosos – aqueles que, em função de suas características intrínsecas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, apresentam riscos à saúde pública por meio do aumento da mortalidade ou da morbidade, ou ainda provocam efeitos adversos ao meio ambiente quando manuseados ou dispostos de forma inadequada.
Classe II ou não-inertes
– resíduos que podem apresentar características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde ou ao meio ambiente, não se enquadrando nas classificações dos outros resíduos.
Classe III ou inertes
– aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, e que, quando amostrados de forma representativa, segundo a norma NBR 10007, e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme teste de solubilização segundo a norma NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, conforme listagem n.º 8 (Anexo H da NBR 10004), excetuando-se os padrões de aspecto, cor, turbidez e sabor.

Já quanto à natureza ou origem, principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos, segundo este critério, os diferentes tipos de lixo podem ser agrupados em cinco classes:

Lixo doméstico ou residencial – resíduos gerados nas atividades diárias em casas, apartamentos, condomínios e demais edificações residenciais.

Lixo comercial – resíduos originados por estabelecimentos comerciais, cujas características dependem da atividade desenvolvida. Na chamada limpeza urbana, os tipos doméstico e comercial constituem o lixo domiciliar, que, junto com o lixo público, representam a maior parcela dos resíduos sólidos produzidos nas cidades. O grupo de lixo comercial, assim como os entulhos de obras, pode ser dividido em subgrupos chamados de “pequenos geradores” e “grandes geradores”. O regulamento de limpeza urbana do município poderá definir precisamente os subgrupos de pequenos e grandes geradores.

Pode-se adotar como parâmetro: Pequeno Gerador de Resíduos Comerciais – o estabelecimento que origina até 120 litros de lixo por dia; e Grande Gerador de Resíduos Comerciais – aquele que gera um volume de resíduos superior a esse limite. Analogamente, pequeno gerador de entulho de obras é a pessoa física ou jurídica que produz até 1.000 kg ou 50 sacos de 30 litros por dia, enquanto grande gerador de entulho é aquele que gera um volume diário de resíduos acima disso. Geralmente, o limite estabelecido na definição de pequenos e grandes geradores de lixo deve corresponder à quantidade média de resíduos produzidos diariamente em uma residência particular com cinco moradores. Num sistema de limpeza urbana, é importante que sejam criados os subgrupos de “pequenos” e “grandes” geradores, uma vez que a coleta dos resíduos dos grandes geradores pode ser tarifada e, portanto, se transformar em fonte de receita adicional para sustentação econômica do sistema. É importante identificar o grande gerador para que este tenha seu lixo coletado e transportado por empresa particular credenciada pela prefeitura. Esta prática diminui o custo da coleta para o município em cerca de 10 a 20%.

Lixo públicoresíduos presentes nos logradouros públicos, em geral resultantes da natureza, tais como: folhas, galhadas, poeira, terra e areia, e também aqueles descartados irregular e indevidamente pela população, como entulho, bens considerados inservíveis, papéis, restos de embalagens e alimentos. O lixo público está diretamente associado ao aspecto estético da cidade. Portanto, merecerá especial atenção o planejamento das atividades de limpeza de logradouros em cidades turísticas.

Lixo domiciliar especial – compreende os entulhos de obras, pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes e pneus. Observe que os entulhos de obra, também conhecidos como resíduos da construção civil, só estão enquadrados nesta categoria por causa da sua grande quantidade e pela importância que sua recuperação e reciclagem vêm assumindo no cenário nacional.

Entulho de obras – a indústria da construção civil é a que mais explora recursos naturais, além de ser a que mais gera resíduos. No Brasil, a tecnologia construtiva normalmente aplicada favorece o desperdício na execução das novas edificações. Enquanto em países desenvolvidos a média de resíduos proveniente de novas edificações encontra-se abaixo de 100 kg/m, no Brasil este índice gira em torno de 300 kg/m edificado. Em termos quantitativos, esse material corresponde a algo em torno de 50% da quantidade em peso de resíduos sólidos urbanos coletada em cidades com mais de 500 mil habitantes de diferentes países, inclusive o Brasil. Em termos de composição, os resíduos da construção civil são uma mistura de materiais inertes, tais como: concreto, argamassa, madeira, plásticos, papelão, vidros, metais, cerâmica e terra.
Pilhas e baterias –
as pilhas e baterias têm como princípio básico converter energia química em energia elétrica utilizando um metal como combustível. Apresentando-se sob várias formas (cilíndricas, retangulares e botões), podem conter um ou mais dos seguintes metais: chumbo (Pb), cádmio (Cd), mercúrio (Hg), níquel (Ni), prata (Ag), lítio (Li), zinco (Zn), manganês (Mn) e seus compostos. As substâncias das pilhas que contêm esses metais possuem características de corrosividade, reatividade e toxicidade e são classificadas como “Resíduos Perigosos – Classe I”. As substâncias contendo cádmio, chumbo, mercúrio, prata e níquel causam impactos negativos sobre o meio ambiente e, em especial, sobre o homem. Outras substâncias presentes nas pilhas e baterias, como o zinco, o manganês e o lítio, embora não estejam limitadas pela NBR 10004, também causam problemas ao meio ambiente. Já existem no mercado pilhas e baterias fabricadas com elementos não tóxicos, que podem ser descartadas, sem problemas, juntamente com o lixo domiciliar. Pilhas e baterias são usadas em: funcionamento de aparelhos eletroeletrônicos; partida de veículos automotores e máquinas em geral; telecomunicações; telefones celulares; usinas elétricas; sistemas ininterruptos de fornecimento de energia, alarme e segurança (nobres); movimentação de carros elétricos; aplicações específicas de caráter científico, médico ou militar.
Lâmpadas fluorescentes –
o pó que se torna luminoso, encontrado no interior das lâmpadas fluorescentes contém mercúrio. Isso não se restringe apenas às comuns de forma tubular, mas também às compactas. As lâmpadas fluorescentes liberam mercúrio quando são quebradas, queimadas ou enterradas em aterros sanitários, o que as transforma em resíduos perigosos Classe I, uma vez que o mercúrio é tóxico para o sistema nervoso humano e, quando inalado ou ingerido, pode causar uma enorme variedade de problemas fisiológicos. Quando lançado no meio ambiente, o mercúrio sofre uma bioacumulação, o que leva ao aumento de sua concentração nos tecidos dos peixes, tornando-os menos saudáveis, ou mesmo perigosos se forem comidos freqüentemente. As mulheres grávidas que se alimentam de peixe contaminado transferem o mercúrio para os fetos, que são particularmente sensíveis aos seus efeitos tóxicos. Esse acúmulo de mercúrio nos tecidos também pode contaminar espécies selvagens, como marrecos, aves aquáticas, entre outros animais.
Pneus –
os problemas ambientais gerados pela destinação inadequada dos pneus são muitos. Se deixados em ambiente aberto, sujeitos às chuvas, os pneus acumulam água, servindo como local para a proliferação de mosquitos. Quando encaminhados para aterros de lixo convencionais, provocam “ocos” na massa de resíduos, causando a instabilidade do aterro. Se destinados para unidades de incineração, a queima da borracha gera enormes quantidades de material particulado e gases tóxicos, necessitando de um sistema de tratamento dos gases extremamente eficiente e caro. Por todas estas razões, o descarte de pneus é hoje um problema ambiental grave ainda sem uma destinação realmente eficaz.

Lixo de fontes especiais – resíduos que, em função de suas características peculiares, passam a merecer cuidados especiais em seu manuseio, acondiciona-mento, estocagem, transporte ou disposição final.

Dentro da classe de resíduos de fontes especiais, merecem destaque:

Lixo industrial – resíduos muito variados gerados pelas indústrias, que apresentam características diversificadas dependendo do tipo de produto manufaturado. Devem, portanto, ser estudados caso a caso. Adota-se a NBR10004 da ABNT para se classificar os resíduos industriais.
Lixo radioativo –
assim considerados os resíduos que emitem radiações acima dos limites permitidos pelas normas ambientais. No Brasil, o manuseio, o acondicionamento e a disposição final do lixo radioativo estão a cargo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).
Lixo de portos, aeroportos e terminais rodoferroviários –
resíduos gerados tanto nos terminais, como dentro dos navios, aviões e veículos de transporte. Os resíduos dos portos e aeroportos são decorrentes de passageiros em veículos e aeronaves e sua periculosidade está no risco de transmissão de doenças já erradicadas no País. Esta transmissão também pode se dar por meio de cargas eventual-mente contaminadas, tais como: animais, carnes e plantas.
Lixo agrícola –
formado basicamente pelos restos de embalagens impregnadas com pesticidas e fertilizantes químicos, utilizados na agricultura, que são perigosos. Portanto o manuseio destes resíduos segue as mesmas rotinas e utiliza os mesmos recipientes e processos empregados para os resíduos industriais Classe I. A falta de fiscalização e de penalidades mais rigorosas para o manuseio inadequado destes resíduos faz com que sejam misturados aos resíduos comuns e dispostos nos vazadouros das municipalidades, ou, o que é pior, sejam queimados nas fazendas e sítios mais afastados, gerando gases tóxicos.
Lixo de serviços de saúde –
compreendendo todos os resíduos gerados nas instituições destinadas à preservação da saúde da população. Segundo a NBR 12808 da ABNT.

Fonte: www.mp.ba.gov.br

Resíduos Sólidos

Por definição, resíduo é tudo aquilo não aproveitado nas atividades humanas, proveniente das indústrias, comércios e residências.

Como resíduos encontramos o lixo, produzido de diversas formas, e todo aquele material que não pode ser jogado ao lixo, por ser altamente tóxico ou prejudicial ao meio ambiente.

Resíduos sólidos e líquidos podem ser de dois tipos, de acordo com sua composição química: resíduos orgânicos, provenientes de matéria viva (por exemplo, restos de alimento, restos de plantas ornamentais, fezes, etc) e resíduos inorgânicos, de origem não viva e derivados especialmente de materiais como o plástico, o vidro, metais, etc.

Resíduos sólidos, como o nome diz, são materiais não aproveitados que se encontram no estado sólido.

Dentro dessa categoria encontram-se:

Resíduos do dia-a-dia de residências, escritórios e indústrias:papel, papelão, embalagens de diversos tipos, vidros, etc. Esse tipo de lixo, em sua maioria, é reciclável, especialmente se feita a coleta seletiva, que separa papel, plástico, vidro e metal.
Resíduos públicos:
são resíduos provenientes das atividades de varrição de ruas e praças e de outras formas de limpeza pública. Nessa categoria enquadra-se também o entulho.
Resíduos especiais:
são todos os resíduos que necessitam de tratamento especial; não podem e não devem ser tratados como lixo normal, pois possuem uma grande capacidade de dano ao ambiente e/ou à população. Nessa categoria encontram-se pilhas, lixo hospitalar, remédios velhos, resíduos radioativos e alguns tipos de resíduos provenientes de indústrias, especialmente metais pesados.

Resíduos líquidos são aqueles materiais não aproveitados que se encontram no estado líquido. Um dos principais tipos de resíduos líquidos é o proveniente da lixiviação dos materiais encontrados nos lixões e aterros sanitários, conhecido como chorume. A água, proveniente do próprio lixo ou da chuva, entra em contato com os diversos materiais do lixo e inicia-se um processo de reações químicas em cadeia. Ao final desse processo, várias substâncias tóxicas são formadas. Estas substâncias podem, por exemplo, se infiltrar no solo e contaminar o lençol freático, que é fonte de água de uma população próxima.

Dentro de resíduos líquidos, também podemos encontrar resíduos especiais, como por exemplo o mercúrio, usado nos garimpos brasileiros durante um bom tempo e até hoje utilizado em alguns locais. O mercúrio é altamente tóxico, especialmente aos organismos que vivem na água e que bebem dela.

Os resíduos gasosos resultam de reações químicas feitas pelas bactérias: fermentação aeróbia (com utilização de oxigênio) e anaeróbia (sem oxigênio).

Entre seus principais produtos, encontram-se o dióxido e carbono (CO2) e o metano (CH4). Essas bactérias utilizam especialmente o lixo proveniente de fontes orgânicas como substrato para suas reações.

Periculosidade dos Resíduos

Classificam-se atualmente os resíduos em três classes, quanto à periculosidade, conforme as explicações abaixo:

Classe 1 - Resíduos Perigosos São aqueles que apresentam riscos à saúde pública e ao meio ambiente, exigindo tratamento e disposição especiais, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, etc.
Classe 2 - Resíduos Não-inertes São os resíduos que não apresentam periculosidade, porém não são inertes; podem ter propriedades tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. São basicamente os resíduos com as características do lixo doméstico.
Classe 3 - Resíduos Inertes São aqueles que, ao serem submetidos aos testes de solubilização, não têm nenhum de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água. Isto significa que a água permanecerá potável quando em contato com o resíduo. Muitos destes resíduos são recicláveis. Estes resíduos não se degradam ou não se decompõem quando dispostos no solo (degradam-se muito lentamente). Estão nesta classificação, por exemplo, os entulhos de demolição, pedras e areias retirados de escavações.

Roberto Langanke

Fonte: eco.ib.usp.br

Resíduos Sólidos

RESÍDUOS SÓLIDOS DOMÉSTICOS

Resíduos Sólidos
Resíduos Sólidos Urbanos. Depósito Municipal de Resíduos Sólidos de Ijuí/RS Novembro/2001

Resíduos Sólidos
Resíduos Sólidos Separados e preparados para a reciclagem. Ijuí/RS. Novembro/2001

Em uma sociedade de consumo, como a nossa, é cada vez maior a produção de materiais que são descartados diariamente, trazendo uma série de problemas que interferem diretamente na qualidade de vida.

Numa primeira análise podemos pensar em cinco grupos desses materiais: resíduos sólidos (RSD, industriais, comerciais...), líquidos (jogados nos ralos das pias, vasos sanitários, bueiros ou mesmo nos quintais das casas), gasosos (produzidos nas reações de combustão, gases de refrigeração, gases em aerossóis), partículas sólidas dissipadas no ar (fumaças, poeiras, aerossóis...) e pastosos (fezes e lodo de esgoto).

Há uma preocupação especial com os resíduos sólidos produzidos nas cidades, porque são constituídos por restos de alimentos, cascas, podas, etc, chamado lixo úmido. A média no Brasil é de aproximadamente 65%, conforme Pereira Neto (1999). Esses resíduos constituem-se em um dos maiores problemas ambientais, sociais e sanitários, pois, na maioria dos municípios brasileiros, não é gerenciado adequadamente.

Para termos uma idéia da quantidade de resíduos sólidos gerados e descartados diariamente, vamos tomar a cidade de São Paulo como exemplo, onde cada habitante produz em média 1,0 kg de lixo domiciliar por dia (conforme Pereira Neto, 1998). Em termos mais globais, segundo o CEMPRE, a produção per capita é em média 0,6 kg/pessoa/dia.

Se pensarmos que São Paulo tem aproximadamente 18 milhões de habitantes, podemos estimar quanto lixo é produzido em cada dia, cada mês, cada ano e quantos caminhões são necessários para realizar este transporte. Um caminhão compactador tem capacidade para levar em média 9 toneladas ou 15 m3 de resíduos cada vez. Imagine a extensão que deve ter a área onde esse lixo é depositado.

Além da quantidade de resíduos sólidos descartados, é importante pensar que estes são constituídos de diversos materiais, que na maioria das vezes vão para aterros ou lixões a céu aberto.

Pouco pensamos sobre os resíduos sólidos produzidos pelas atividades humanas na zona rural. Na maioria das regiões não existe serviço de coleta para esses resíduos e a sua composição é cada vez mais semelhante aos da zona urbana. É importante lembrar que o lixo úmido, nesse meio, pode ser aproveitado na propriedade para a alimentação de animais ou para adubações.

Resíduos Sólidos Produzidos e Coletados em Seu Município

a) ESTIMATIVA DA QUANTIDADE DE RESÍDUOS SÓLIDOS PRODUZIDOS NA SUA CIDADE

Se aceitarmos que em cada município a produção de resíduos sólidos é de 1,0 kg por pessoa/dia, estime a quantidade de lixo produzido em sua cidade. Você acha esse dado válido pra sua cidade?
Além de sua casa, em que outros locais são produzidos resíduos sólidos?

b) COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS EM SUA CIDADE

Preparar coletivamente uma entrevista com responsáveis pela coleta de resíduos sólidos, com vistas a quantidade e qualidade da coleta realizada, envolvendo assuntos como:

Quantidade de lixo
Número de caminhões cheios por dia
Número de pessoas envolvidas na coleta e disposição final
Se a coleta é realizada pela prefeitura municipal ou se o serviço é terceirizado
Com que freqüência a coleta acontece
Se há coleta de outros resíduos (que não domésticos), tal como industrial, de serviços de saúde, etc
Para onde são levados os resíduos e se é feito algum tipo de triagem e/ou tratamento
Se as pessoas que trabalham com os resíduos usam alguma medida de proteção (botas, macacões, luvas ou outro)

Fonte: www.projetos.unijui.edu.br

Resíduos Sólidos

RESÍDUOS E LIXO

Resíduos Sólidos

Apesar da dependência existente entre a industrialização, poluição, e o aumento da população, o comprometimento do meio ambiente por diversas substâncias não constitui nenhum problema recente.

Ao utilizar as fontes de energia da natureza, o homem produz uma série de resíduos e lixos orgânicos e inorgânicos: fezes, restos de alimentos, águas usadas, efluentes químicos, gases, partículas tóxicas, plástico, vidro, metais, papéis e outros. Estes são constantemente despejados no ambiente sem o tratamento adequado. São causadores de poluição e de contaminação, sendo muitas vezes responsáveis pela destruição irreversível das fontes de energia necessárias à vida humana.

Desde os primórdios da nossa história formaram-se, pela ação do homem, produtos de despejo e resíduos diversos que, levados aos rios, ao solo e ao ar atmosférico, mostraram-se poluentes. Devido a este problema, desde cedo tornou-se quase que obrigatório controlar através de normas, decretos e resoluções, a produção e a remoção destes resíduos. No início era restrito a uma determinada área, um local ou uma atividade, hoje o comprometimento é de toda população.

Milhares de produtos químicos vem sendo produzidos, armazenados, transportados e comercializados diariamente e desde então, a preocupação maior está voltada aos riscos que tais produtos podem apresentar à saúde humana e com o impacto que os mesmos podem apresentar ao meio ambiente.

A identificação dos aspectos ambientais inerentes às atividades da organização e a avaliação de suas possíveis conseqüências, constituem os passos iniciais para qualquer sistema de gestão. Isso é alcançado através da avaliação de aspectos ambientais com a identificação e a quantificação em cada setor da Universidade, dos diferentes tipos de falhas que podem ocorrer em suas instalações e os volumes de descargas em caso de acidentes.

Muitas vezes os termos lixo e resíduos são usados como sinônimos, mas na realidade não são.

Lixo é todo o resto que por seu estado de subdivisão e deterioração não pode ser recolhido e classificado para dele se obter algum aproveitamento, por exemplo: o papel higiênico.

Resíduo é o que sobra de um processo natural ou de transformação, que ainda pode ser aproveitado, por exemplo: o papel.

Os resíduos são a expressão visível e mais palpável dos riscos ambientais. Segundo uma definição proposta pela Organização Mundial da Saúde, um resíduo é algo que seu proprietário não mais deseja, em um dado momento e em determinado local, e que não tem um valor de mercado.

Classificação de resíduos

Segundo a norma NBR 10004 os resíduos são divididos em três classes:

Resíduos Classe I - Perigosos
Resíduos Classe II -
Não inertes
Resíduos Classe III -
Inertes

Os resíduos classe I ou perigosos são os resíduos sólidos ou misturas de resíduos que em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, e patogenicidade, podem apresentar risco à saúde pública, provocando ou contribuindo para o aumento de mortalidade ou incidência de doenças e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente quando manuseados ou dispostos de forma inadequada.

Na FURB podemos citar como exemplos: combustíveis, ácidos, bases, benzeno e sangue.

Os resíduos classe II ou não inertes são os resíduos sólidos ou misturas de resíduos que são classificados segundo as características como biodegradabilidade ou solubilidade em água.

Na Universidade existe diversos exemplos, que podemos destacar: o material de limpeza (desinfetante).

Os resíduos classe III ou inertes são os resíduos que segundo a NBR 10007- Amostragem de resíduos, e a NBR 10006 – Solubilização de resíduos, não tenham nenhum dos seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, como exemplo: as rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas, que não são decompostos totalmente.

Na FURB existe uma grande variedade de exemplos como: restos de construção, embalagens.

Exemplo de resíduos e sua classificação, encontram-se em anexo.

Resíduos perigosos sólidos e líquidos

Diversas expressões têm sido utilizadas para designar esses resíduos que requerem maior cuidado: resíduos tóxicos, resíduos especiais, resíduos químicos, resíduos perigosos. Esta última é a mais difundida em documentos internacionais.

Alguns resíduos perigosos são tratados separadamente pela legislação da maioria dos países e recebem denominações próprias, como os resíduos de saúde (resíduos hospitalares que incluem resíduos infectantes e farmacêuticos e os resíduos radiativos), conforme a Resolução n? 05 do CONAMA.

A periculosidade dos resíduos é definida por algumas propriedades físicas, químicas e infecto-contagiosas que podem ser resumidas em sete características:

Corrosividade: atacam materiais e organismos vivos devido a suas características ácidas ou básicas intensas;
Reatividade:
reagem com outras substâncias, podendo liberar calor e energia;
Explosividade:
em razão de sua reatividade muito intensa, podem liberar grande quantidade de energia;
Toxicidade:
agem sobre os organismos vivos, causando danos a suas estruturas biomoleculares;
Inflamabilidade:
podem entrar em combustão facilmente ou até de forma espontânea;
Patogenicidade:
apresentam características biológicas infecciosas, contendo microorganismos ou suas toxinas;
Radiatividade:
emitem radiações ionizantes.

Solventes, pesticidas e suas embalagens usadas, lodos de estações de tratamento, cinzas e alguns tipos de escórias, produtos farmacêuticos, tintas, pigmentos inorgânicos, combustíveis, alcatrões, substâncias contendo chumbo, mercúrio e cianetos são alguns exemplos que se enquadram em resíduos perigosos.

Dentre as várias famílias de poluentes químicos aqueles considerados potencialmente mais nocivos são:

Metais pesados: muitas vezes eles já estão presentes na natureza, mas em concentrações elevadas apresentam riscos à saúde. Entre os metais mais nocivos estão o mercúrio, cromo, chumbo e cádmio;
Hidrocarbonetos aromáticos entre os quais se sobressaem o benzeno, o tolueno e o xileno;
Compostos organo-halogenados, que estão presentes em alguns pesticidas como o DDT, PCB’s e CFC’s;
Dioxinas e furanos, que são compostos orgânicos de cloro, constituindo duas famílias específicas que totalizam 210 compostos distintos.

Nem todos os resíduos que contém materiais perigosos estão catalogados legalmente como resíduos perigosos, obrigando seu tratamento ou sua disposição, de forma controlada.

Trata-se aqui principalmente dos produtos de consumo descartados pelos consumidores finais ou por pequenas empresas que direcionam seus resíduos para o lixo urbano e que podem incluir: lâmpadas, pilhas galvânicas, restos de tintas, restos de produtos de limpeza, óleos lubrificantes usados (óleos queimados), solventes, embalagens de aerossóis, restos de amálgamas utilizados em consultórios dentários, materiais fotográficos descartados por pequenos estúdios, embalagens que contiverem produtos químicos, pesticidas e inseticidas, componentes eletrônicos descartados isoladamente ou em placas de circuitos impressos, medicamentos com prazo de validade vencidos. A grande maioria destes produtos são utilizados em residências, oficinas mecânicas, laboratórios, consultórios médicos, postos de serviços, tinturarias, escritórios, hotéis, escolas, Universidades, repartições públicas e estabelecimentos comerciais em geral.

Estes produtos são, em grande parte, recuperáveis, ou contêm materiais nocivos que podem ser tecnicamente extraídos e reutilizados.

O gerenciamento de resíduos perigosos tem-se transformado, nas últimas décadas, em um dos temas ambientais mais complexos. O crescente número de materiais e substâncias identificados como perigosos tem exigido soluções mais eficazes e maiores investimentos por parte de seus geradores.

A minimização da geração de resíduos se constitui numa estratégia importante no gerenciamento de resíduos e baseia-se na adoção de técnicas que possibilitem a redução de volume e/ou toxicidade dos resíduos, e consequentemente, de sua carga poluidora.

O armazenamento, manuseio e transporte dos resíduos deve ser cauteloso e adequado, usando os equipamentos de segurança para esta finalidade. Deve-se observar os reagentes compatíveis, estes que reagem violentamente se ocorrer um contato acidental entre eles resultando numa explosão, ou até em gases altamente tóxicos ou inflamáveis .

A segregação dos resíduos dentro da organização e nos locais de tratamento ou disposição é de suma importância para o gerenciamento de resíduos e tem como objetivos básicos: evitar a mistura de resíduos incompatíveis, contribuir para a qualidade dos resíduos que possam ser recuperados ou reciclados e diminuir o volume de resíduos perigosos ou especiais a serem tratados ou dispostos.

Para o armazenamento de resíduos são adotadas as normas NBR 1183- Armazenamento de resíduos sólidos perigosos; NB 1264- Armazenamento de resíduos sólidos classe II e III e a NB 98- Armazenagem e manuseio de líquidos inflamáveis e combustíveis.

No transporte dos respectivos resíduos são adotados (ao transporte de carga perigosas) o Decreto Lei Federal n0 96044 de 18 de maio de 1988 e as normas ABNT:

NBR 7500- Transporte de cargas perigosas- Simbologia
NBR 7501-
Transporte de cargas perigosas- Terminologia
NBR 7502-
Transporte de cargas perigosas- Classificação
NBR 7503-
Fichas de emergência para transportar cargas perigosas
NBR 7504-
Envelope para transportar cargas perigosas- dimensões e utilização.

O tratamento adequado dos resíduos irá depender das características do material e do volume a ser tratado ou disposto, pois existem diversas formas de tratamento que devem ser levadas em consideração em função da característica do material e do custo do tratamento.

Dentre as formas de disposição final de resíduos industriais incluem-se a disposição em aterros sanitários e industriais, a injeção em poços profundos e a colocação em minas abandonadas. O aterro é uma forma de disposição de resíduos no solo que, fundamentada em critérios de engenharia e normas operacionais específicas, garante um confinamento seguro em termos de controle da poluição ambiental e proteção à saúde pública . Exemplificando, os 620 kg de resíduos classe I, produzidos pela FURB ao longo de 20 anos, foram levados e depositados no aterro industrial da CAVO, em Curitiba, em 20 de agosto de 1999.

O que fazer com os resíduos sólidos não perigosos?

Para minimizar os problemas causados pelos resíduos não perigosos, pode-se reduzir o consumo, reutilizar ou reciclar o produto. Estes três itens são diferentes, pois a redução consiste em diminuir a quantidade de resíduo produzido. A reutilização do resíduo, consiste em encontrar uma nova utilidade para o material que, a princípio, é considerado inútil. E reciclagem, por sua vez, consiste em dar uma nova vida ao material, transformando-o novamente em matéria-prima para, a partir dele, fabricar novos produtos.

A coleta seletiva é um passo importante para a reutilização ou reciclagem do material. É através dela que os resíduos são recolhidos e classificados para deles se obter algum aproveitamento.

O tema atual de reciclagem e reaproveitamento de materiais sucateados e rejeitos vem de encontro às necessidades da sociedade. Em qualquer atividade, a reciclagem traz benefícios diretos.

Por exemplo: para as indústrias ocorre uma redução dos custos com matéria-prima e uma maior valorização ambiental de seu produto; nas cidades, a quantidade de lixo é reduzida, além de surgirem novas fontes de renda com a indústria de reciclagem. Todos ganham com a preservação da qualidade ambiental.

Por que vale a pena reciclar?

Vale a pena reciclar porque:

Há excesso de lixo e é preciso fazer alguma coisa para diminuir este volume excessivo que se acumula em aterros sanitários e no próprio ambiente, poluindo rios, mares, solos e o ar
Prolonga a vida útil dos aterros
Diminui a proliferação de doenças e a contaminação de alimentos
Reduz a contaminação ambiental provocada por rejeitos
Queimar o lixo significa poluir o ar
É uma questão de bom gosto (a reciclagem remove o lixo, transformando-o em produtos úteis novamente)
É um processo rápido e geralmente econômico (a reciclagem, na maioria dos materiais, é mais barata que enterrar e incinerar)
Reduz o consumo de recursos naturais (os recursos naturais são finitos e precisam ser conservados e preservados)
Aumenta a vida útil das reservas naturais
Influencia na conservação de energia, ocorrendo um baixo consumo de energia por unidade produzida
Ocorre a economia de divisas, em substituição dos materiais importados
Diminui os custos de produção, com o aproveitamento de recicláveis pelas indústrias
Acaba diminuindo também o desperdício
Gera empregos
Cria uma oportunidade de fortalecer organizações comunitárias
Muito outros porquês ainda podem ser mencionados...

O que podemos reciclar?

Fala-se muito em reciclagem, mas o que pode ou o que não se pode reciclar?

Nem todo resíduo gerado pode ser reciclado. Mas a tecnologia de reciclagem expande-se, e cada vez mais materiais e produtos podem ser reciclados.

A princípio os materiais passíveis de reciclagem são: papel, vidro, metal e plástico, o que inclui os produtos fabricados a partir destes materiais. Mas tem-se também outro materiais. Algumas informações sobre materiais recicláveis estão descritos nos itens seguintes.

Alumínio

É mais barato reciclar latas de alumínio do que fabricá-las a partir de um material novo. No Brasil em 1997, foram reciclados 4,1 bilhões de latas de alumínio, ou seja 64% da produção nacional de latas foi reciclada.

O alumínio é o material reciclável mais valioso. Além de reduzir o lixo, a reciclagem do alumínio significa ganho energético. A reciclagem evita a extração da bauxita, material usado para fabricar a alumina, que posteriormente é transformado em alumínio.

Além da lata de alumínio, outros materiais de alumínio podem ser reciclados como papel, prato e bandeja de alumínio, molduras de janela, portas e equipamentos de jardinagem. O alumínio não é imantado e com a ajuda de um ímã pode-se verificar a constituição do material do lixo, para separar as impurezas.

É fácil de fundir e reaproveitar as latas (usadas para cerveja e refrigerante). Reciclando-as pode-se poupar uma quantidade inacreditável de recursos. Se fosse reciclado apenas um décimo das latas que são jogados fora, poupar-se-ia muito dinheiro.

Aço inoxidável, estanho, cobre e latão

A reciclagem das latas de aço e estanho pode poupar 74 % da energia usada para produzí-las a partir de matérias-primas. Pelo menos 80 % do estanho de uma lata são salvos quando a lata é reciclada. Isto reduz o desperdício na mineração, preservando um recurso valioso1.

O aço inoxidável contém em torno de 10 % de cromo, por isso não pode ser reciclado junto com o aço normal.

O cobre é uma sucata apreciada e encontrada em encanamentos, fiações telefônicas e elétricas e radiadores de carro.

O latão também é muito apreciado. O latão pode ser encontrado em acessórios e canos hidráulicos, ferramentas para lareira e churrasqueira, parafusos, maçanetas e dobradiças.

Vidro

Para se decompor na natureza, o vidro leva milhares de anos. Sendo 100% reciclável, o vidro não produz resíduos na hora da reciclagem e economiza 30% de energia elétrica.

O vidro nunca acaba, pode ser reciclado indefinidamente.

As garrafas de vidro descartadas são quebradas e passam por um dispositivo que retira os anéis de metal das garrafas. Um processo a vácuo retira os revestimentos plásticos e os rótulos de papel. A grande vantagem de usar caco de vidro na composição a ser fundida é a redução no custo final do produto.

Para cada tonelada de vidro reciclado, poupa-se em média, mais de uma tonelada de recursos (603 quilos de areia, 196 quilos de carbono de sódio, 196 quilos de calcário e 68 quilos de feldspato). Além disso, uma tonelada de vidro novo produzido gera 12,6 quilos de poluição atmosférica, sendo que o vidro reciclado reduz em 15-20 % essa poluição.

Papel

O papel é um material que pode ser reciclado várias vezes, dependendo do tamanho de suas fibras. O processo de reciclagem pode ser industrial ou artesanal.

Os tipos de papéis devem ser separados, pois embora o processo de reciclagem seja basicamente o mesmo, alguns tipos precisam de um tratamento especial, como é o caso do papel brilhante.

O papel brilhante é de difícil reciclagem, pois leva uma camada de argila, que se transforma em lodo durante o processo de solubilização.

Para ser reciclado o papel é picado (por isso não é aconselhável amassá-lo), os pedaços são misturados com água morna, aquecidos e triturados até virar uma pasta. Depois de utilizada uma quantidade de alvejante para clareá-lo, o papel é prensado e deixado secar.

A reciclagem de jornais não apenas poupa recursos naturais e espaço em aterros, como ajuda a mudar o funcionamento da indústria de papel.

O papel branco vale duas vezes mais que o papel colorido. A não utilização de papel colorido reduz o trabalho de separação e torna o lixo mais valioso.

O papel de escritório já foi clareado e não possui muita tinta para ser removida, assim a quantidade de alvejante é mínima, reduzindo também as dioxinas (composto químico que pode apresentar quase 2000 espécies sendo que alguns são cancerígenos), liberadas na água. Deve-se ressaltar que os adesivos não são aceitos na reciclagem. Lembrando que os adesivos não são reciclados e são considerados como lixo.

A fabricação de papel reciclado poupa 33% de energia. Reciclando o papel, economiza-se energia, matéria-prima e a água para a impressão, além de reduzir também o volume do lixo urbano.

Papelão

As caixas de papelão corrugado (feito com papel marrom, colocando-se uma camada de papel pregueado entre duas folhas lisas) são muito valorizadas. As fibras de papel são compridas, resistentes e podem ser recicladas diversas vezes.

A maioria das caixas de papelão corrugado contém 20 % de material reciclado.

A fabricação da celulose usada no papelão gera dióxido de enxofre, um gás que provoca a chuva ácida. A reciclagem reduz pela metade a poluição.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o papelão molhado pode ser reciclado. E os sacos de papel marrom podem ser reciclados junto com o papelão.

Plástico

Os plásticos levam aproximadamente 450 anos para se decompor e quando queimados produzem gases tóxicos.

O plástico é feito através de uma mistura básica chamada resina, derivada do petróleo ou gás natural. Os fabricantes de plástico compram a resina e fundem-a novamente acrescentando substâncias químicas à mistura. O líquido quente é moldado sob pressão e endurecido, virando um recipiente de plástico.

Para reciclar, o plástico é quebrado em pequenos pedaços, limpos com aspirador de pó, lavados e secos, ficando prontos para o reprocessamento.

Normalmente o plástico reciclado é transformado em coisas que não tem que ser esterilizadas. Não é aconselhável o uso de plástico reciclado quando há contato direto com alimentos ou remédios.

Existem diversos tipos de plástico. O PET (tereftalato de polietileno, uma forma de poliéster), por exemplo, é muito usado em refrigerantes.

Os recipientes de óleo lubrificante e garrafas de água sanitária são feitos com plástico de polietileno de alta densidade (HPDE). São plásticos resistentes e leves, normalmente coloridos, e 62 % de todas as garrafas de plástico são feitas deste material (CEMPRE, 1998).

O plástico HPDE reciclado pode ser transformado em objetos como vasos de plantas, latas de lixo e outros objetos desta natureza.

O plástico polietileno de baixa densidade (LPDE) é uma substância fina responsável por 40% do lixo plástico que fica nos aterros por vários séculos. Quanto mais LPDE reciclarmos, menos teremos que produzir. Isso significa menos produção de petróleo e gás natural, menos substâncias químicas como o benzeno (CEMPRE, 1998).

Os sacos plásticos são reciclados em um ciclo fechado, ou seja, os sacos reciclados transformam-se em outros sacos plásticos.

O polipropileno é o plástico mais leve entre os principais plásticos e mais da metade é usada em embalagens. Sua reciclagem diminui a quantidade de polipropileno novo produzido. Quando incinerado, torna-se um material tóxico, que aumenta as incidências de câncer de pulmão e nariz.

Isopor

A espuma de poliestireno é totalmente não-biodegradável, ou seja, não se dissolve. Para reciclar o isopor, ele é jogado em um tanque de água e empurrado contra uma tela que o quebra em pedaços. Esses pedaços são lavados, secados e transformados em bolinhas, estas serão transformadas em uma nova espuma.

Lixo orgânico

Os restos de alimentação, assim como palha e resíduos do corte da grama podem ser reaproveitados através da compostagem. Os restos de alimentação misturados com palhas e restos de gramado, são dispostos em um buraco no solo, ou numa tela de arame, sobre o solo. Esta mistura deve ser remexida até que se transforme em adubo orgânico. Este processo de compostagem demora aproximadamente 4 meses (CEMPRE, 1997).

A compostagem nada mais é que um processo de transformação onde o lixo orgânico se transforma em adubo orgânico, biologicamente. O processo de decomposição dos materiais por microorganismos deve ser feito em condições adequadas de aeração, umidade e temperatura.

E na Universidade, o que podemos fazer?

Na Universidade podemos começar com a coleta seletiva. Este tipo de coleta, como o nome já diz, significa separar os resíduos de acordo com o tipo de material produzido.

Na FURB, a separação dos resíduos sólidos não tóxicos, dar-se-á da seguinte forma:

REJEITO: exemplos- papel higiênico, lenço de papel, curativos, absorventes higiênicos, lixo orgânico (restos de alimentação)
PAPEL:
exemplos – papel de escritório, jornais, listas telefônicas, folhetos, folhas de caderno, revistas, papéis de embrulho, caixas de papelão desmontadas
MATERIAIS INERTES:

VIDRO: exemplos- garrafas em geral, potes, jarros, vidros de conserva.
METAL/ALUMÍNIO:
exemplos- latinhas de cerveja e de refrigerantes, enlatados.
PLÁSTICO: exemplos-
garrafas e embalagens plásticas, tubos, canos.

Para que todos os benefícios cheguem até nós é só preciso de compreensão e participação. Cada um de nós pode fazer a sua parte que, por menor que seja, contribuirá para a recuperação, preservação do meio ambiente e a melhoria em nossa qualidade de vida.

Geovani Zanella

Solange da Veiga Coutinho

Fonte: co.ib.usp.br

Resíduos Sólidos

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, a disposição de resíduos é um dos problemas mais graves dos centros urbanos, principalmente em metrópolis e grandes cidades, isso devido à falta de espaços físicos adequados para sua disposição, aliado ao aumento cada vez maior da quantidade de resíduos produzidos.

Além disso, a contaminação da água e do solo por substâncias altamente tóxicas provenientes de lixões, constitui-se um problema ambiental que diminui a quantidade e a qualidade de água potável disponível à população.

Nesse sentido, o estudo do meio físico para selecionar áreas adequadas à disposição de resíduos, o monitoramento permanente de lixões e aterros sanitários e a caracterização de locais contaminados são essenciais para a qualidade de vida em qualquer cidade.

Para iniciarmos o estudo do tópico Disposição de Resíduos vamos ver alguns conceitos a respeito desse tema.

CONCEITOS

LIXO ou RESÍDUO

"São os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresentam-se sob estado sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que este possa fluir livremente)" (ABNT, 1987).

RESÍDUO SÓLIDO

"Resíduos nos estados sólido ou semi-sólido, que resultam das atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de estações de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades torne inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exigem, para isso, soluções técnica e economicamente inviáveis em face a melhor tecnologia disponível" (ABNT, 1987)

CAUSAS DO AUMENTO DOS PROBLEMAS COM RESÍDUOS SÓLIDOS

"Os serviços de limpeza (que incluem também os serviços de tratamento do lixo e os de disposição final) em geral absorvem entre 7 e 15 % dos recursos de um orçamento municipal, dos quais 50% são destinados à coleta e ao transporte do lixo" (IPT, 1995).

O aumento dos problemas associados a resíduos sólidos é ocasionado, em geral, pelos seguintes fatores (modificado de Proin/Capes & Unesp/ICGE, 1999):

Processo de urbanização: a migração do campo para as cidades ocasiona a concentração populacional em centros urbanos, contribuindo para o agravamento dos problemas com resíduos devido ao aumento da produção de resíduos e a falta de locais adequados para sua disposição.
Aumento populacional e o conseqüente aumento da produção de resíduos;
Industrialização:
os processos industriais geram produtos em velocidade cada vez maior, contribuindo para o aumento da produção de resíduos, seja durante o processo de fabricação, seja pelo estímulo ao consumo;
Periculosidade dos novos resíduos;
Estilo da produção em massa e do descartável;

SITUAÇÃO NO BRASIL

"Em 55% dos municípios brasileiros, o trabalho nos lixões é feito por crianças" (Os Caminhos da Terra, junho 1999)

No Brasil o problema com resíduos sólidos são agravados pelos seguintes fatores:

Gerenciamento pouco ordenado: ausência de uma estrutura pública e privada responsável pelos resíduos, desde sua geração até sua destinação final, que caracterize os resíduos e determine seu destino, de acordo com suas características
Dados básicos inexistentes:
poucos trabalhos e estudo sobre a caracterização do meio físico, destinados a disposição de resíduos; e falta de informações sobre os resíduos produzidos nas diferentes empresas
Disposição em lixões/aterros controlados:
uso de técnicas inadequadas de deposição de resíduos, sendo que na maioria dos casos não existe nenhum controle sobre o local de despejo
Baixa utilização de tratamentos intermediários:
falta de incentivos à programas de reciclagem e de mercado e de infra-estrutura para a utilização de produtos recicláveis.

DESTINAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NO BRASIL

Segundo Heitzmann Jr. (1999), "a grande maioria das cidades e dos municípios brasileiros possui uma coleta regular de lixo doméstico, mas não necessariamente uma correta disposição final de seus resíduos".

Ainda segundo o autor citado, somente 18% de todos os municípios realizam técnicas de manejo do lixo, pela incineração, reciclagem e deposição segura em aterros sanitários. Os outros 82 % depositam seus resíduos em locais irregulares, denominados de lixões.

A figura a seguir apresenta a porcentagem de municípios que fazem a destinação final dos resíduos de forma adequada ou não, segundo Relatório do Banco Mundial para a América Latina, realizado em 1990 (Proin/Capes & Unesp/ICGE, 1999).

Resíduos Sólidos

Destaca-se nessa figura a porcentagem de municípios que realizam a destinação final de seus resíduos de forma adequada na região norte (21,5%) e da região sul (23,4%), e inadequada na região nordeste (99%). Mesmo assim, em 1990 o quadro brasileiro sobre a disposição de resíduos é vergonhoso, e demonstra o descaso das autoridades, do poder público e da sociedade com esse problema ambiental que causa tantos prejuízos à qualidade de vida.

Atualmente, o quadro deve ter melhorado, principalmente devido ao estabelecimento de uma legislação mais severa a respeito de resíduos e à fiscalização por órgãos ambientais públicos, como é o caso da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb), no Estado de São Paulo.

DISPOSIÇÃO FINAL DO LIXO NO BRASIL

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 1991) apud IPT (1995), os resíduos sólidos são depositados em 76% dos municípios brasileiros à céu aberto. Esse é mais um dado relevante do descaso com os resíduos no Brasil no início da década de 90.

A figura a seguir ilustra a porcentagem de municípios brasileiros e a forma de disposição de resíduos sólidos.

Resíduos Sólidos

Portanto, podemos concluir que no Brasil, existe um campo promissor para trabalhos e estudos voltados à resíduos, principalmente aqueles relacionados à Geociências.

A grande maioria dos municípios brasileiros deposita seus resíduos de forma inadequada, necessitando de uma caracterização do meio físico direcionada à seleção de locais para sua correta disposição. Esse assunto será tratado no próximo módulo desse tópico.

COMPOSIÇÃO MÉDIA DO LIXO NO BRASIL

A figura a seguir apresenta a composição média do lixo no Brasil (IPT, 1995).

MATERIAL PORCENTAGEM
VIDRO 3%
METAL 4%
PLÁSTICO 3%
PAPEL 25%
OUTROS* 65%

* Outros: resíduos orgânicos (restos de animais mortos, de alimentos e de podas de árvores e mato), rejeitos inertes de difícil reciclagem (entulho, por exemplo), lixo hospitalar e outros resíduos domésticos variados (óleos, lubrificantes, tintas, pesticidas, etc).

Pela análise dessa tabela pode-se observar que cerca de 35% do lixo produzido no Brasil é potencialmente utilizável para reciclagem, o que diminuiria bastante o volume de material que vai para os lixões e aterros sanitários.

2. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS

PERICULOSIDADE

"Estima-se que 900 milhões de unidades de pilhas e baterias (de carros, celulares e calculadoras, entre outras) sejam jogadas por ano no lixo. Elas liberam mercúrio, cádmio e chumbo nos rios e solos, contaminando plantações e matando peixes. Resultado: podem causar problemas hepáticos e câncer."

(Os Caminhos da Terra, junho 1999)

A disposição de resíduos diretamente nos solos foi por muito anos considerada uma prática aceitável, pois, acreditava-se que os produtos gerados pelos resíduos, denominados de percolados, eram completamente dissolvidos no solo, não apresentando uma ameaça de contaminação (Bernades Jr., Sabagg & Ferrari, 1999).

A partir dos anos 50, alguns países começaram a dar mais importância para a contaminação da água subterrânea, e conseqüentemente estudos foram desenvolvidos nesse campo.

Como resultado, os resíduos foram classificados em duas categorias: perigosos e não perigosos (Bernades Jr., Sabagg & Ferrari, 1999).

A necessidade de caracterizar os resíduos para determinar seu destino final tornou-se essencial, principalmente para evitar sua disposição em locais inadequados, que possam causar contaminação do meio ambiente.

Nesse contexto, os resíduos são caracterizados para determinar sua periculosidade.

A Norma Técnica Brasileira (NBR 10.004) conceitua a periculosidade de um resíduo como uma "característica apresentada por um resíduo, que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar:

a) risco à saúde pública, provocando ou acentuando, de forma significativa, um aumento de mortalidade por incidência de doenças, e ou;

b) riscos ao meio ambiente, quando o resíduo é manuseado ou destinado de forma inadequada".

A periculosidade dos resíduos depende, em geral, dos seguintes fatores (Proin/Capes & Unesp/IGCE, 1999):

Natureza (inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade)
Concentração
Mobilidade
Persistência e bioacumulação
Degradação

CLASSIFICAÇÃO QUANTO À COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Uma das formas mais simples de classificação de resíduos é quanto à composição química, classificando-os como:

ORGÂNICOS: restos de alimentos, de animais mortos, de podas de árvores e matos, entre outros.
INORGÂNICOS:
vidro, plástico, papel, metal, entulho, entre outros.

DOMICILIAR

ORIGEM: originados da vida diária nas residências.
CONTEÚDO:
restos de comida, cascas de alimentos, produtos deteriorados, verduras, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e, ainda, grande diversidade de outros itens. Contém, ainda, alguns resíduos que podem ser tóxicos.

DISPOSIÇÃO FINAL: disposição em aterro sanitário (coleta pelo poder público).

COMERCIAL

ORIGEM: originados nos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como supermercados, bancos, sapatarias, bares, etc.
CONTEÚDO:
tem forte componente de papel, plásticos, embalagens diversas, e resíduos de asseio dos funcionários, tais como papéis-toalha, papel higiênico, etc.

VARRIÇÃO E FEIRAS-LIVRES

ORIGEM: aqueles originados nos diversos serviços de limpeza pública urbana, incluindo os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, limpeza de galerias, de córregos e de terrenos, restos de podas de árvores, corpos de animais, etc; e os de limpeza de áreas de feiras-livres.
CONTEÚDO:
constituídos por restos vegetais diversos, embalagens, etc.
DISPOSIÇÃO FINAL:
disposição em aterro sanitário (coleta pelo poder público).

SERVIÇOS DE SAÚDE E HOSPITALARES

ORIGEM: resíduos sépticos produzidos em serviços de saúde, tais como hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, etc.
CONTEÚDO:
resíduos sépticos: aqueles que contém ou potencialmente podem conter germes patogênicos. Constituídos de seringas, gazes, órgãos removidos, meios de culturas e cobaias, remédios com validade vencida, filmes fotográficos de raio x, etc. Os resíduos não-sépticos destes locais (papéis, restos da preparação de alimentos, pós de varrição, etc.) que não entraram em contato direto com os pacientes ou com os resíduos sépticos, são considerados como domiciliares.
DISPOSIÇÃO FINAL:
disposição em aterros de resíduos perigosos (preferencialmente devem sofrer tratamento por incineração).

PORTOS, AEROPORTOS E TERMINAIS RODOVIÁRIOS

CONTEÚDO: constituem-se de materiais de higiene e asseio pessoal, que podem veicular doenças provenientes de outros países. Os resíduos não-sépticos destes locais, são considerados como domiciliares.

INDUSTRIAIS

ORIGEM: originados nas atividades dos diversos ramos da indústria, nessa categoria incluem-se grande maioria do lixo considerado tóxico.
CONTEÚDO:
cinzas, lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha, metal, escórias, vidros e cerâmicas, etc.
DISPOSIÇÃO FINAL:
disposição em aterro de resíduos industriais (resíduos classe I e II).

RELAÇÃO RESÍDUOS X SUBPRODUTOS DEPENDE:

Valor Comercial
Custo da Disposição Final
Custo dos Tratamentos
Pressões Ambientalistas

TENDÊNCIAS PARA RESÍDUOS INDUSTRIAIS:

Terceirização do tratamento de resíduos
Monitoramento em tempo real
Tratamento em unidades centralizadas
Resíduo último
Uso intensivo de tecnologias
Ampliação do conceito de resíduos

AGRÍCOLAS

ORIGEM: resíduos sólidos das atividades agrícolas e da pecuária. Apresentam tipologia diversificada.
CONTEÚDO:
embalagens de defensivos agrícolas, restos de criatórios intensivos (produtos veterinários, restos de processamento, estrume, etc.), bagaço de cana, laranja, etc.

ENTULHOS

ORIGEM: São os resíduos da construção civil.
CONTEÚDO:
Constituem-se de demolições e restos de obras, solos de escavações diversas, etc. Trata-se, geralmente, de materiais inertes, passíveis de reaproveitamento.
DISPOSIÇÃO FINAL:
disposição em aterros de inertes (classe III).

IMPACTOS:

Rouba lugar nos aterros
Lançamentos clandestinos provocam assoreamento de rios e córregos
Desperdício de matéria-prima

EXEMPLOS:

São Paulo: 2.000 t/dia
Belo Horizonte:
900 t/dia
Campinas:
800 t/dia

REJEITOS DE MINERAÇÃO

ORIGEM: resíduos resultantes dos processos de mineração em geral (lavra, pré-processamento, etc).
DISPOSIÇÃO FINAL:

Disposição em aterros de inertes (classe III).
Disposição em aterro de resíduos industriais (classe I e II).

3. GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS

GERENCIAMENTO INTEGRADO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

CONCEITO

"É o conjunto articulado de ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento, que o administrador desenvolve, baseado em critérios sanitários, ambientais e econômicos, para coletar, tratar e dispor o lixo de sua cidade/empresa" (Proin/Capes & Unesp/ICGE, 1999).

OBJETIVOS MAIORES

Não gerar;
Minimizar a geração;
Reciclar;
Tratar;
Dispor adequadamente.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Objetivos: redução volumétrica e da periculosidade
Considera aspectos econômicos e ambientais
Renda apenas abate desembolsos
Sempre haverá resíduo a ser aterrado

RESPONSABILIDADE PELO GERENCIAMENTO

A responsabilidade pelo lixo produzido em uma cidade varia de acordo com o tipo de resíduo. A tabela a seguir ilustra de quem é a responsabilidade por cada tipo de lixo (IPT, 1995).

DE QUEM É A RESPONSABILIDADE PELO GERENCIAMENTO DE CADA TIPO DE LIXO?
TIPOS DE LIXO RESPONSÁVEL
Domiciliar Prefeitura
Comercial Prefeitura *
Público Prefeitura
Serviços de Saúde Gerador (hospitais, etc.)
Industrial Gerador (indústrias)
Portos, aeroportos e terminais ferroviários e rodoviários Gerador (portos, etc.)
Agrícola Gerador (agricultor)
Entulho Gerador *
Rejeito de Mineração Gerador

Obs.: (*) a Prefeitura é co-responsável por pequenas quantidades (geralmente menos que 50 kg), e de acordo com a legislação municipal específica.

CICLO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS "da Geração à Disposição"

O ciclo do gerenciamento de resíduos abrange as atividades desenvolvidas da geração à disposição final.

O processo inicia-se com a coleta, considerando os diferentes tipos de fontes (domésticas, industriais, hospitalares, etc). A coleta pode ser seletiva, onde os materiais são destinados à reciclagem, ou pode ser realizada simplesmente pelo transporte dos resíduos até os locais de disposição final ou de tratamentos (incineração, compostagem, separação, etc).

Do processo de tratamento são recuperados alguns materiais destinados à reciclagem ou ao reuso em determinadas atividades, e produzidos novos resíduos, que são conduzidos à disposição em aterros sanitários.

Os materiais da reciclagem fecham o ciclo, alimentando as diferentes fontes de resíduos.

4. TRATAMENTO DE RESÍDUOS

TIPOS DE TRATAMENTO

"Em 1998, o Brasil bateu o recorde mundial de reciclagem de latas de alumínio, recuperando 65% da produção nacional, superando os Estados Unidos que recuperou 63%. Em dois anos, o Brasil reciclou 5,5 bilhões de latas." (Os Caminhos da Terra, junho 1999).

TRIAGEM OU SEGREGAÇÃO DE MATERIAIS

DEFINIÇÃO

Consiste na separação manual de materiais provenientes de resíduos, para definir a possibilidade de utilização dos mesmos para outro fins, como por exemplo para reciclagem.

A triagem somente é realizada em resíduos sólidos que podem ser reutilizados para alguma finalidade.

COMPOSTAGEM

"Processo biológico pelo qual a matéria orgânica existente nos resíduos é convertida em outra, mais estável, pela ação de microorganismos já presentes no próprio resíduo ou adicionados por meio de inoculantes."

Para realização da compostagem deve-se separar os materiais orgânicos dos outros tipos de resíduos, sendo somente economicamente vantajoso, se a matéria orgânica for coletada separadamente (Keller, 2000)

O QUE SE PODE COMPOSTAR ?

Biodegradáveis: papel, folhas, restos de alimentos, etc.
Recalcitrantes:
borracha, couro, tecido, madeira, etc.
Não-degradáveis:
plástico, vidro, metais, etc.

RECICLAGEM

DEFINIÇÃO

"Processo de recuperação e transformação em novos produtos, de materiais de difícil decomposição como metais, vidros e plásticos" (Philippi Jr., 1999). Podemos também acrescentar os materiais de fácil reaproveitamento, como por exemplo o papel.

A reciclagem pode ser destinada a produção de materiais semelhantes aos originais, como é o caso de garrafas de vidro produzidas a partir do vidro de outras garrafas, ou ainda, para produção de materiais diferentes dos originais, como por exemplo bancos de jardim e objetos de gramados produzidos de garrafas plásticas (Murck, Skinner & Porter, 1996).

INCINERAÇÃO

DEFINIÇÃO

"Processo de combustão, sob condições controladas, com enriquecimento de 50 a 150% de O2 em relação ao ar, produzindo a completa oxidação/destruição das moléculas do resíduo pelo oxigênio".

As temperaturas do processo de incineração são de 900 a 1.000 ºC, reduzindo o volume do material em 75 a 95% (Keller, 2000).

VANTAGENS

Redução volumétrica;
Não geração de efluentes líquidos;
Destruição de substâncias é dependente de sua estabilidade térmica e não da periculosidade dos resíduos;
Possibilidade de recuperação energética.

DESVANTAGENS

Elevado custo inicial;
Mão-de-obra especializada;
Problemas operacionais e de manutenção;
Controle de emissões:
polêmica nacional quanto à dioxinas e furanos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 - ABNT (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS). Resíduos Sólidos: classificação, NBR 10.004. Rio de Janeiro, 1987. 63p.
2 -
BERNADES JR., C.; SABAGG, M.A.F. & FERRARI, A.A.P. Aspectos tecnológicos de projetos de aterros de resíduos sólidos. In RESID'99, 1999, São Paulo. Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE), 30 set. 1999. p.51-68
3 -
CAMINHOS DA TERRA, OS. O fim dos catadores mirins. ano 08, nº 06, ed. 86, junho 1999, p.12.
4 -
CAMINHOS DA TERRA, OS. Lixo dentro da Lei. ano 08, nº 06, ed. 86, junho 1999, p.18.
5 -
CUNHA, M.A. & CONSONI, A.J. Os estudos do meio físico na disposição de resíduos. In: BITAR, O.Y. (Coord.). Curso de geologia aplicada ao meio ambiente. São Paulo: Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE) e Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), 1995. cap. 4.6, p.217-227.
6 -
HEITZMANN JR., J. F. Alteração no composição do solo nas proximidades de depósitos de resíduos domésticos na bacia do Rio Piracicaba, São paulo, Brasil. São Paulo: Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE). Síntese de Tese. 1999. 66p.
7 -
INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS DO ESTADO DE SÃO PAULO (IPT). Lixo Municipal: manual de gerenciamento integrado. São Paulo: IPT/CEMPRE. 1995. 278p.
8 -
KELLER, E.A. Environmental geology. 8ª ed. Upper Saddle River: Prentice-Hall Inc., 2000. 562p.
9 -
MURCK, B.W.; SKINNER, B.J. & PORTER, S.C. Environmental geology. New York: John Wiley & Sons Inc., 1996. 535p.
10 -
PHILIPPI JR., A. Agenda 21 e resíduos sólidos. In RESID'99, 1999, São Paulo. Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE), 30 set. 1999. p.15-25
11 -
PROIN/CAPES e UNESP/IGCE. Material Didático: arquivos de transparências (CD). Rio Claro: Departamento de Geologia Aplicada, 1999.
12 -
TRESSOLDI, M. & CONSONI, A.J. Disposição de Resíduos. In: OLIVEIRA, A.M.S. & BRITO, S.N.A. (Eds.). Geologia de Engenharia. São Paulo: Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE), 1998. Cap. 21, p. 343 a 360.

Fonte: www.rc.unesp.br

Resíduos Sólidos

CARACTERIZAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

CLASSIFICAÇÃO

Resíduos sólidos urbanos (RSU)
Resíduos sólidos
domésticos (RSD)
Resíduos domiciliares
Resíduos de serviços de saúde
Resíduos industriais
Resíduos agrícolas
Resíduos especiais
Resíduos perigosos
Resíduos não inertes
Resíduos inertes
Etc.

Resíduos sólidos urbanos

Domiciliares, provenientes de residências (casas e apartamentos).
Comerciais
, provenientes de lojas, restaurantes, mercados e supermercados, escritórios, hotéis, etc
Institucionais
, originados em escolas e outras instituições.
Serviços municipais
, resultantes de podas e manutenção de jardins, praças públicas, áreas de recreação, varrição de ruas, etc.
Resíduos originados na indústria, mas advindos dos setores administrativos e de refeitórios.

Resíduos sólidos domésticos

Resíduos sólidos urbanos
Construções, que são os entulhos resultantes das obras civis
Serviços de saúde, incluindo hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, núcleos de saúde, ambulatórios
Industriais, originados nos processos industriais dentro da área urbana, sejam perigosos ou não.

Resíduos agrícolas

Originados nas atividades agropastoris pertencem a um grupo de resíduos denominados de agrícolas, inclusive das agroindústrias.
Incluem-se, neste caso, alguns resíduos perigosos, tais como embalagens de defensivos agrícolas e de adubos, e respectivos produtos, quando vencidos.

Resíduos especiais

Originados nos portos e aeroportos, resultantes de viagens internacionais, seguem normas específicas de destinação.

Segundo a Lei Estadual (SP) nº 12300 de 17/03/2006 - Artigo 6º

I - resíduos urbanos: provenientes de residências, estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços, da varrição, de podas e da limpeza de vias, logradouros públicos e sistemas de drenagem urbana passíveis de contratação ou delegação a particular, nos termos de lei municipal;
II -
resíduos industriais: provenientes de atividades de pesquisa e de transformação de matérias-primas e substâncias orgânicas ou inorgânicas em novos produtos, por processos específicos, bem como os provenientes das atividades de mineração e extração, de montagem e manipulação de produtos acabados e aqueles gerados em áreas de utilidade, apoio, depósito e de administração das indústrias e similares, inclusive resíduos provenientes de Estações de Tratamento de Água - ETAs e Estações de Tratamento de Esgosto - ETEs;
III -
resíduos de serviços de saúde: provenientes de qualquer unidade que execute atividades de natureza médico-assistencial humana ou animal; os provenientes de centros de pesquisa, desenvolvimento ou experimentação na área de farmacologia e saúde; medicamentos e imunoterápicos vencidos ou deteriorados; os provenientes de necrotérios, funerárias e serviços de medicina legal; e os provenientes de barreiras sanitárias;
IV -
resíduos de atividades rurais: provenientes da atividade agropecuária, inclusive os resíduos dos insumos utilizados;
V - resíduos provenientes de portos, aeroportos, terminais rodoviários, e ferroviários, postos de fronteira e estruturas similares:
os resíduos sólidos de qualquer natureza provenientes de embarcação, aeronave ou meios de transporte terrestre, incluindo os produzidos nas atividades de operação e manutenção, os associados às cargas e aqueles gerados nas instalações físicas ou áreas desses locais;
VI -
resíduos da construção civil - os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras, compensados, forros e argamassas, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações e fiação elétrica, comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha.

NBR 10.004

Classe I - São aqueles que, em função de suas propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente, ou apresentam características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, ou fazem parte da relação constante nos anexos A e B da NBR 10.004/2004.

NBR 10.004/2004

Classe I: Perigosos

Inflamabilidade ( ex. pólvora suja, frascos pressurizados de inseticidas, etc.)
Corrosividade (ex. resíduos de processos industriais contendo ácidos e bases fortes)
Reatividade (ex. res. indust. contendo substâncias altamente reativas com água)
Toxicidade ( ex. lodo de processos contendo altas concentrações de metais pesados)
Patogenicidade ( ex. materiais com presença de vírus e bactérias)

NBR 10.004

Classe II A – Não inertes: Aqueles que não se enquadram na classificação de resíduos Classe I ou resíduos Classe II B.
Classe II B – Inertes: -
Quando amostrados de forma representativa, conforme NBR 10.007, e submetidos aos procedimentos da NBR 10.006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, excetuandose aspecto, turbidez, dureza e sabor.

NBR 10.004/2004

Classe II A: Não inertes

Combustibilidade (ex. restos de madeira, papel,etc.)
Biodegradabilidade (ex. restos de alimentos, etc.)
Solubilidade em Água (ex. lodos de processos, contendo sais solúveis em água)

PROPRIEDADES – RSU

Físicas
Químicas
Biológicas

Propriedades Físicas

Massa específica
Umidade
Tamanho das partículas e sua distribuição
Capacidade de campo e porosidade

Odores

Sulfetos, inclusive sulfetos metálicos
Metil-mercaptana e ácidos aminobutíricos (contém enxôfre)
A metil-mercaptana pode ser hidrolizada bioquimicamente para metil-álcool e sulfeto de hidrogênio.

Moscas (domésticas)

Fase Tempo
Eclosão de ovos 8 a 12 horas
Primeiro estágio do período larval 20 horas
Segundo estágio do período larval 24 horas
Terceiro estágio do período larval 3 dias
Estágio de Pulpa 4 a 5 dias
Total 9-11 dias

 

RESÍDUOS DOMICILIARES

PERIGOSOS

Produtos de limpeza
Produtos de uso pessoal
Produtos automotivos
Produtos para pintura
Pesticidas, herbicidas e fertilizantes
Outros (pilhas, baterias, ácidos,...)

Fonte: wwwp.feb.unesp.br

Resíduos Sólidos

Gerenciamento de Resíduos Sólidos

Resíduos sólidos são rejeitos resultantes das diversas atividades humanas.

Podem ser de diversas origens: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de limpeza de vias públicas e outras.

A intensificação das atividades humanas nas cidades tem gerado um acelerado aumento na produção de resíduos sólidos, que constituem um grande problema para a administração pública.

O crescimento demográfico, a mudança ou a criação de novos hábitos, a melhoria do nível de vida, o desenvolvimento industrial e uma série de outros fatores são responsáveis por alterações nas características dos resíduos, contribuindo para agravar o problema de sua destinação final. O gerenciamento inadequado desses resíduos pode resultar em riscos para a qualidade de vida das comunidades, criando, ao mesmo tempo, problemas de saúde pública e se transformando em fator de degradação do meio ambiente, além, é claro, dos aspectos social, estético, econômico e administrativo envolvidos.

Quando os resíduos sólidos não tratados adequadamente são dispostos sem as devidas precauções em lixões à céu aberto ou até em cursos d’água, há o perigo de contaminação de mananciais de água potável, sejam superficiais ou subterrâneos e a disseminação de doenças por intermédio de vetores que se multiplicam nos locais de disposição de papel, garrafas e restos de alimentos, que criam um ambiente propício para a sua proliferação.

Igualmente grave é a questão dos catadores, muitos dos quais crianças, que buscam nos vazadouros públicos alimentos ou materiais que possam ser comercializados e, nesse aspecto, reside não só o risco direto à saúde dos que buscam a subsistência nos lixões como o risco da venda de determinados resíduos como matéria-prima para fins desconhecidos.

Para entender melhor o risco potencial à saúde, é preciso ressaltar que a população pode ficar exposta a doenças infecciosas, direta ou indiretamente, em decorrência do gerenciamento inadequado dos resíduos sólidos, seja na fase de manuseio, acondicionamento, coleta, transporte, armazenamento, tratamento e destinação final.

Desta maneira, justifica-se a preocupação com os resíduos sólidos, em função da recorrência de problemas de natureza operacional dos sistemas de coleta, tratamento e disposição final nos municípios.

Numa estação de tratamento de lixo, os materiais sem valor comercial, denominados rejeitos, retornam ao fluxo de resíduos e são encaminhados para um aterro juntamente com os demais resíduos. Um sistema completo de gerenciamento de resíduos deve contar, ainda, com um sistema de coleta e transporte eficiente e um aterro sanitário ambientalmente adequado.

Componentes do Sistema de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

Resíduos sólidos são definidos como o conjunto de produtos não aproveitados nas atividades humanas (domésticas, comerciais, industriais e de serviços) e aqueles gerados nas operações de varrição urbana, como folhas, galhos, terra, areia, que são retirados de ruas e logradouros públicos. Também podemos definir lixo como os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis.

Os atuais sistemas de recuperação e reciclagem demonstram que há um certo valor que pode ser agregado ao resíduo. Desta forma, pode-se transformar o resíduo em um recurso econômico ao ser separado e transportado para um novo local ou passar por um beneficiamento.

A solução para os problemas de gerenciamento de resíduos não deve ser delegada a um único tipo de sistema de eliminação, mas a uma rede integrada de medidas capazes de satisfazer as necessidades da eliminação, das correntes primárias de resíduos, mas também das correntes secundárias (como os resíduos derivados de tratamento e de usinas de eliminação de outros resíduos) e a curto prazo, mas também, a médio prazo.

A hierarquia dos princípios de Sistemas de Gerenciamento Integrado de Resíduos (SIGR) aceita é baseada no que se denomina de Quatro Rs: Redução (ou Prevenção), Reutilização, Reciclagem e Recuperação (do material ou da energia).

A disposição final em um aterro significa que o lixo ou frações dele é considerado inaproveitável. Conseqüentemente, um SIGR apropriado deve minimizar os resíduos duplamente, ou seja, deve minimizar o volume de resíduos depositados em aterros, bem como a periculosidade dos mesmos.
A redução na fonte objetiva diminuir a quantidade de resíduos sólidos gerados, enquanto as demais tecnologias de redução se aplicam ao resíduo efetivamente gerado.

A prevenção, em matéria de resíduos, deve permanecer como prioridade, seguida pelo reaproveitamento (considerado em suas três dimensões: reutilização, reciclagem e recuperação de energia) e, finalmente, a eliminação segura de resíduos (limitada àqueles para os quais não existir mais possibilidade de reaproveitamento).

Redução

A redução de produção de resíduos na fonte geradora é estratégia preventiva e pode ser realizada somente com uma política específica executada por meio de instrumentos regulatórios, econômicos e sociais, sendo que a maneira mais efetiva de atingir esse objetivo é evitar a sua geração. A produção “per capita” anual de resíduos sólidos municipais vem aumentando constantemente em virtude, entre outros, dos resíduos de embalagens. Desta forma é possível concluir que a política deve ser dirigida, principalmente, para as embalagens, tanto para a redução das mesmas, como para a utilização de embalagens menos impactantes ao meio ambiente.

A redução na fonte vem também conhecida como “prevenção de resíduo”, é definida pela EPA (Environmental Protection Agency) como qualquer mudança no projeto, fabricação, compra ou uso de materiais ou produtos, inclusive embalagens, de modo a reduzir a sua quantidade ou toxicidade, antes de se tornarem resíduos sólidos urbanos.

Como exemplos de atividades de redução destaca-se:

O “design” dos produtos ou embalagens voltado à redução da quantidade, à redução da toxicidade dos materiais utilizados e a facilitação do reúsoO reúso de produtos ou embalagens como, por exemplo, garrafas recicláveis, “pallets”recicláveis, barris e tambores recondicionados
O aumento da vida útil dos produtos, de modo a evitar ao máximo possível, a necessidade de produzi-los e, conseqüentemente, dispô-los
A utilização de embalagens que diminuam os danos ou o derramamento dos produtos; e
O gerenciamento de resíduos orgânicos como restos de alimentos e resíduos de jardinagem, por meio da compostagem no próprio local ou por outras alternativas de disposição (como dispor restos de poda sobre o gramado).

Outras ações que contribuem para reduzir a disposição de materiais orgânicos são o estabelecimento de taxas variáveis para a coleta de lixo, de modo a estimular a redução da quantidade de restos alimentares dispostos, o aprimoramento da tecnologia de aproveitamento do produto descartado, o paisagismo com plantas que demandam pouca água e geram resíduo mínimo, etc. Uma legislação ou norma que, por exemplo, proíba a disposição de resíduos de jardinagem em aterros pode constituir medida de considerável eficácia para a redução de resíduos e para a economia de recurso na sua disposição final.

A prevenção também inclui o reúso de produtos ou materiais. Assim, as atividades de redução na fonte influenciam o fluxo do resíduo antes do ponto de geração. Além de aumentar a vida do produto, o reúso de produtos e embalagens retarda o tempo em que os itens devem ser finalmente descartados como resíduos.

Quando um produto é reutilizado, a presumível compra e o uso de um novo produto são geralmente retardados.

Reutilização

A reutilização é um método de gerenciamento de resíduos, baseado no emprego direto de um produto com a mesma finalidade para a qual foi originalmente concebido: um exemplo típico é a reutilização das garrafas de vidro. Reutilização é um método de controle útil na minimização da produção de resíduos, mantendo os bens envolvidos com as suas características e funções originais.

Reciclagem

A reciclagem é um método de gerenciamento de resíduos baseado no reaproveitamento do material, considerando as suas características e composição, visando o mesmo ou um diferente uso para o qual foi originalmente concebido: um exemplo típico é a reciclagem de garrafas plásticas para produzir outras garrafas plásticas ou outros produtos. A reciclagem se diferencia da reutilização porque, neste caso, não há a reutilização direta do produto propriamente dito, mas do material de que é feito. Em conseqüência, reciclagem é um método de reaproveitamento no qual é necessário levar-se em conta uma provável perda de valor, mesmo que sensível, do produto original. A reciclagem, como definida acima, é também conhecida como reciclagem mecânica.

Recuperação

A recuperação é um método de gerenciamento de resíduos baseado na transformação térmica, química, física ou biológica da matéria-prima utilizada na fabricação do produto, para produzir material e/ou energia diretamente disponível para uso.

Exemplos típicos são: incineração com recuperação de energia; reciclagem de resíduos plásticos; produção de derivados de petróleo; e compostagem e a digestão anaeróbica, com produção de biogás. Em conseqüência, a recuperação é um método de reaproveitamento no qual é necessário levar-se em conta uma possível perda substancial de valor do produto original. A recuperação, como definida acima, pode ser classificada como recuperação de material ou energia.

Eliminação Final

A eliminação final é o último método de gerenciamento de resíduos e deve ser restrita somente ao lixo ou frações do mesmo, que não sejam reutilizáveis, recicláveis ou recuperáveis. A eliminação final pode ser realizada em aterros sanitários ou em incineradores, para a redução do volume.

Conclui-se, assim, que os aterros são indispensáveis em um sistema de gerenciamento de resíduos, sendo ideal que somente os rejeitos dos processos de triagem, reciclagem, recuperação e incineração com recuperação de energia sejam depositados nos mesmos. Os aterros devem, ainda, ser considerados como elementos novos no planejamento e projeto da paisagem, sendo mais do que meros locais de depósito.

Fonte: homologa.ambiente.sp.gov.br

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