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Silvicultura

 

Silvicultura
Silvicultura

O que é Silvicultura?

Silvicultura é a criação e o desenvolvimento de povoação florestal com intuito comercial ou simplesmente de hobbie.

Nela cria-se uma floresta ou determinadas espécies de plantas, para depois vendê-las.

Os pontos que influenciam o sucesso de um projeto de silvicultura são: clima, determinação da espécie e definição do material genético,produção de mudas, preparo do solo, controle de formigas e outros invasores,tratos culturais, tratos silviculturais e colheita planejada.

Muitas pessoas vêm investindo nessa prática atualmente, ainda mais com a preocupação do reflorestamento que acaba atingindo a população mundial.

O que é

Silvicultura é a ciência dedicada ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais com vistas a satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, é aplicação desse estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.

Silvicultura também está relacionada à cultura madeireira.

Busca ainda auxiliar na recuperação das florestas através do plantio de espécies nativas, preferencialmente de caráter regional, de forma a ampliar as possibilidades de manutenção dos biomas locais visando a recuperação de recursos hídricos e manutenção de biodiversidade, de forma a aumentar a eficiência do processo.

Silvicultura

O termo

O termo Silvicultura é designado à criação e desenvolvimento de povoação florestal, visando as necessidades do mercado. O Brasil é referencia internacional em relação à Silvicultura.

Pode se entender como a criação, o plantio, de uma floresta ou de determinadas espécies de plantas. Nem sempre é visando o mercado, a Silvicultura pode ser praticada também por hobbie ou por consciência ambiental.

O sucesso de um projeto de silvicultura depende do planejamento e implantação adequada nas várias fases do processo.

As fases podem ser compreendidas em: estudo do clima, determinação da espécie e definição do material genético,produção de mudas, preparo do solo, controle de formigas e outros invasores,tratos culturais, tratos silviculturais e colheita planejada.

Muitas pessoas vêm investindo nessa prática atualmente, ainda mais com a preocupação do reflorestamento que acaba atingindo a população mundial. Fique atento e se infirme mais sobre o assunto.

Silvicultura - O que é

Silvicultura

Para quem não sabe o termo Silvicultura é denominado à criação e desenvolvimento de povoação florestal, para atender as necessidades do mercado.

O Brasil é referencia internacional em relação à Silvicultura, pois pode se compreender como a criação, o plantio, de uma floresta ou de determinadas espécies de plantas. Tem gente que hoje em dia pratica a Silvicultura como hobbie ou por consciência ambiental. Para que um projeto de Silvicultura tenha sucesso é necessário ter um planejamento e implantação adequada nas várias fases do processo.

As fases podem ser compreendidas em:

Estudo do clima
Determinação da espécie e definição do material genético
Produção de mudas
Preparo do solo
Controle de formigas e outros invasores
Tratos culturais
Tratos silviculturais
Colheita planejada

Muitas pessoas vêm investindo em praticar a Silviculturas atualmente, ainda mais com a preocupação do reflorestamento que acaba atingindo a população mundial. Fique atento e procure saber mais sobre o assunto, pois é de extrema importância ficar por dentro de tudo que pode ajudar a preservar a natureza.

Definições

Manutenção e exploração racional (ponderação, bom senso) das florestas (do latim silva: floresta).

Todas as técnicas para criar e a exploração racional das florestas, garantindo sua conservação e regeneração.

O cuidado e cultivo de árvores da floresta; florestal.

É a ciência que estuda os métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais com a visão de satisfazer as necessidades do mercado e, ao mesmo tempo, a aplicação do estudo para a manutenção, o aproveitamento e o uso racional das florestas.

Cultura e conservação das matas ou florestas.

Ciência ou técnica que se ocupa das matas.

Cultura de árvores florestais.

Ciência que trata do cultivo, reprodução e desenvolvimento de árvores florestais.

Todas as técnicas para criar, renovar, melhorar a floresta, antecipando o acompanhamento, ou seja guiar o crescimento natural das árvores para a produção de produtos (madeira, em madeira industrial, a lenha) ou serviços (qualidade da paisagem , protecção do solo, armazenamento de carbono, hospitalidade e lazer ...) sem comprometer o futuro do ecossistema florestal.

É a arte ou a ciência de manipular um sistema dominado por árvores e seus produtos, com base no conhecimento das características ecológicas do sítio, com vista a alcançar o estado desejado, e de forma economicamente rentável (Louman et al., 2001).

Fonte: www.ecoharmonia.com

Silvicultura

SISTEMAS AGROFLORESTAIS: UMA TÉCNICA DA SILVICULTURA QUE FAVORECE A OTIMIZAÇÃO DO USO DA TERRA

De acordo com estimativas já realizadas, 60% das terras cultivadas no mundo são administradas por métodos tradicionais e de subsistência.

Nas regiões tropicais os pequenos agricultores adaptaram-se a métodos de produção de certa forma danosos ao ecossistema, visto que sem maiores aporte tecnológicos, cultivam a terra para o atendimento de suas necessidades imediatas, tais como: a obtenção de alimentos em curto prazo, visando o retorno imediato do capital investido, entre outros fatores, deixando de aproveitar as áreas de plantio de forma mais racional e originando certos agravantes como a erosão dos solos, assoreamento do leito dos rios, simplificação drástica da paisagem, alterações climáticas, entre outros danos, em fator do uso de técnicas pouco sustentáveis.

O plantio de culturas destinadas à produção de alimentos não está limitado a áreas que necessariamente precisam ser preparadas, o aproveitamento de áreas florestadas, como as capoeiras, é uma solução econômica e ecologicamente viável, desde que bem planejada.

As capoeiras são formações florestais que substituem a que anteriormente existia, devido a perturbações naturais ou antrópicas, atingindo um estágio estável. As áreas de florestas naturais são largamente exploradas pelos agricultores da região amazônica mediante a agricultura de subsistência que praticam, ocorrendo logo depois da colheita o abandono da área, o que resulta no surgimento de uma nova vegetação com características completamente diferentes da que existia primeiramente. Uma das soluções mais viáveis para que haja uma possibilidade de aproveitamento destas áreas é a aplicação de um manejo direcionado, com plantios de enriquecimento, e a introdução de espécies de valor econômico visando a formação de um sistema diversificado de produção. Uma das técnicas da silvicultura mais conhecidas são os sistemas agroflorestais, que são caracterizados estruturalmente pelo consórcio de espécies agrícolas juntamente com espécies florestais e ainda animais, implantados de acordo com os objetivos do produtor, susceptíveis a alterações e/ou introdução de outros componentes ao longo do tempo, tendo como prioridade a produção de alimentos, além de outros produtos de valor econômico.

Todo sistema agroflorestal pode ser planejado para ser ecologicamente eficiente e superar de longe os sistemas agrícolas de monocultivo. Entretanto, pelo fato de não existir um sistema de informações sistematizado, relacionado à viabilidade econômica e modelos sustentáveis, não há maior adoção por parte dos produtores.

Além disso, há a necessidade de ampliação do quadro de assistência técnica que seja direcionada para assessorar o produtor no estabelecimento e manejo dos SAF. Vale ressaltar que como os sistemas agroflorestais são formas de uso da terra mais intensivas que a silvicultura tradicional (reflorestamento), há como grande desvantagem a retirada de maior quantidade de nutrientes do sistema, cuja reposição deve ser considerada no decorrer de sua duração.

Os ecossistemas naturais alterados por atividades antrópicas necessitam de estudos contínuos a fim de que se possa elaborar planos de manejo racionais e viáveis para essas áreas. Os sistemas agroflorestais superam os sistemas de monocultivo ecológica e economicante, entretanto, as lacunas supracitadas favorecem a continuidade da secular agricultura de corte e queima (“slash and burn”), ou de subsistência.

As espécies a serem utilizadas num sistema agroflorestal, ou mesmo em programas de enriquecimento em áreas de capoeira, devem ser selecionadas de acordo com suas características ecológicas, e devem apresentar viabilidade econômica ao agricultor, além de um mercado pré-estabelecido para garantir que o investimento seja factível. A tentativa permanente de se consorciar espécies produtoras de alimentos com espécies florestais se faz necessária, pois esta é uma das maneiras mais coerentes de se produzir garantindo o aumento da base florestal plantada e promovendo assim a redução de áreas desmatadas e o aproveitamento daquelas já abandonadas.

A Embrapa Rondônia participa de uma rede de pesquisa com as demais unidades da Embrapa da região Norte, mediante o projeto Recursos Florestais na Amazônia - Estudo de sistemas de produção e índices técnicos para a indicação de experiências em reflorestamentos, sistemas agroflorestais e manejo florestal em execução na Amazônia, e, assim, descrever os principais sistemas silviculturais em uso, formar bancos de dados e gerar índices técnicos regionais para estas áreas.

Michelliny de Matos Bentes-Gama

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ALTIERI, M. A. Agroecologia: as bases científicas da agricultura alternativa. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989. ---p.
CAVALCANTE, P. B. 1991. Frutas Comestíveis da Amazônia. Belém, CEJUP. 5ª ed.279 p. Il.
COPIJN, A. N. Agrossilvicultura sustentada por sistemas agrícolas ecologicamente eficientes. Rio de Janeiro, PTA/FASE. 1988. 46p.
SIQUEIRA, J. D. P. Opções para o desenvolvimento de sistemas florestais - problemas e oportunidades. CVRD. 1985. 19p.
SMITH et al. Tropical lands and their crops. 1992. 348p.
OLIVEIRA, F. A. et al., 1992. Monitoring Program of the Tropical Seedlings Performance in Growth on Degraded Site under Miyawaki Method in the Eastern Amazonia (EDB/FCAP/YNU Agreement, November, 1992), 35p.
SUDAM/PROJETO DE HIDROLOGIA E CLIMATOLOGIA DA AMAZÔNIA. Atlas Climatológico da Amazônia Brasileira. Belém, SUDAM. 1984 (Publicação, 39). 125p.
VIEIRA, L. S. Manual da ciência do solo: com ênfase aos solos tropicais. São Paulo, Ed. Agronômica Ceres, 2ª Ed. 1968. 464p. ilust.

Fonte: www.floraefauna.com

Silvicultura

Esse tecnólogo atua no planejamento, no gerenciamento e na supervisão de trabalhos destinados ao melhoramento e manejo de florestas nativas e plantadas. Ele atende a demandas rurais, urbanas e industriais, visando ao uso sustentável das florestas. Com seus conhecimentos, determina a melhor forma de plantar e produzir mudas, evitar pragas que possam atacar as florestas e controlar a qualidade da madeira. Também atua no reflorestamento de áreas destinadas exploração pela indústria.

Por ser uma carreira nova, muitas empresas ainda não abriram vagas para esse profissional. A tendência, no entanto, é que a situação mude rapidamente, já que cresce a importância de atividades como reflorestamento, certificação e recuperação de florestas e manejo de viveiros florestais, que fazem parte da alçada desse tecnólogo. Nas regiões da costa brasileira, onde existem áreas de mata Atlântica, o silvicultor trabalha na identificação e preservação de espécies nativas. Ele também pode ser responsável por projetos de reflorestamento para extração de madeira para móveis e celulose para papel, atividades especialmente fortes nos estados do Sul e do Sudeste. "Os profissionais que quiserem atuar como autônomos têm um campo muito promissor, prestando consultoria e assessoria para empresas", diz Cláudia Moster Barros, coordenadora do curso da Fatec Capão Bonito. Para o tecnólogo que preferir a área de pesquisa, a pós-graduação em biotecnologia vegetal é um caminho a ser seguido.

Curso

A maior parte das disciplinas está diretamente ligada ao manejo florestal. O aluno estuda ecologia, agrometeorologia, ciência do solo, botânica, anatomia vegetal, fertilidade e conservação do solo, biodiversidade, genética e melhoramento florestal, silvicultura tropical, recuperação de áreas degradadas e manejo de florestas plantadas. Além disso, o currículo é composto de aulas de estatística, sensoriamento remoto, economia e legislação ambiental. Para completar o curso é preciso apresentar um trabalho de conclusão e fazer estágio supervisionado.

Duração média: três anos.

Fonte: guiadoestudante.abril.com.br

Silvicultura

MANUAL DE SILVICULTURA TROPICAL

1. Glossário

Crescimento: Crescimento de uma planta é o aumento do tamanho ao longo do tempo (Louman et al., 2001), e a formação de novos órgãos (GTZ, 1986). O crescimento é expresso em termos de diâmetro, altura, área basal ou volume (Louman et al., 2001).
Desbaste:
É a redução do número de árvores que crescem num determinado povoamento, de modo a condicionar a competição, e dar as árvores restantes, mais espaço, luz e nutrientes para o seu bom desenvolvimento.
Desrame:
É o corte ou supressão natural ou artificial, dos ramos mortos ou vivos que se situam ao longo do fuste, para melhorar a qualidade da madeira.
Estrutura vertical:
É a distribuição de biomassa ao longo do perfil vertical do ecossistema (Louman et al., 2001).
Estrutura horizontal:
É a distribuição espacial das plantas numa determinada área (Sitoe, 1995). A estrutura horizontal pode ser coetânea ou disetânea. A primeira, corresponde a uma floresta, na qual a maior parte dos indivíduos de uma ou várias espécies pertencem a mesma classe de idade ou tamanho. A segunda corresponde a uma floresta na qual os indivíduos se encontram distribuídos em várias classes de tamanho, em forma de "J-invertida", uma distribuição típica das florestas nativas (Louman et al., 2001).
Mortalidade:
É a diferença entre o tamanho da população no ano X e no ano X+1, ou seja, a percentagem da população no ano X. A população ano X +1 representa a sobrevivência da população depois de 1 ano. A mortalidade pode variar de um ano para outro, e é função do número de árvores, do diâmetro dela e da idade (Louman et al., 2001).
Povoamento florestal:
É uma parte da floresta, que se destingue evidentemente do resto da floresta, por causa da sua particular estrutura e composição das espécies arbóreas (Lamprecht, 1990).
Recrutamento:
É a entrada de novas árvores para um dado povoamento. O recrutamento também pode ser definido como sendo a entrada de árvores para classe diamétrica seguinte.
Silvicultura:
É a arte ou a ciência de manipular um sistema dominado por árvores e seus produtos, com base no conhecimento das características ecológicas do sítio, com vista a alcançar o estado desejado, e de forma economicamente rentável (Louman et al., 2001).
Sistema silvicultural:
É a sequência de amostragens, e tratamentos silviculturais, com vista a favorecer certas árvores, por forma a obter uma floresta com uma proporção de árvores de espécies comercias, desejáveis e cada vez mais vigorosas (Louman et al., 2001).
Sistemas Monocíclicos:
São aqueles que removem numa só operação todo stock de madeira comercial. Estes sistemas, modificam completamente a estrutura natural da floresta, com objetivo de criar florestas altas equiâneas.
Os principais sistemas são:
sistema de regeneração natural/artificial com dossel protetor; sistemas de eliminacão do dossel superior de uma só vez, e em função da regeneração natural ou artificial das sementes e sistema monocíclico de melhoramento (Louman et al., 2001).
Sistemas Policíclicos:
São aqueles que manejam o povoamento em pé, e apenas, uma parte das espécies são aproveitadas. Estes sistemas modificam muito pouco a estrutura natural ad florersta, e o objetivo é de criar uma floresta alta multiânea e composta predominantemente por espécies de valor comercial.
Os sistemas policíclicos podem ser subdivididos em:
sistemas de enriquecimento, sistemas de melhoramento e sistemas de desbastes (Louman et al., 2001).
Sítio Florestal:
É um conceito abstrato, e denota uma combinação de vários fatores ambientais (fatores do solo, topográficos, climáticos e competitivos), que afetam o crescimento das árvores. Os fatores ambientais e das próprias plantas interagem entre si, tornado difícil separ, as causas e os efeitos do crescimento, e da produtividade do sítio. Não existe uma forma única de medir a qualidade de sítio que possa ser considerada a melhor (Pereira, não publicado).
Entre os vários critérios utilizados para avaliar a qualidade de sítio, ressaltam-se os seguintes:
avaliação do solo, avaliação da topografia, avaliação climática, projecção do crescimento da planta, tamanho das árvores, composição de espécies, aparência do povoamento, índice de sítio, modelação do sistema de informação geográfica (SIG), teledetecção e ordenação espacial.
Tratamentos silviculturais:
São intervenções florestais destinadas a manter ou melhorar o valor silvicultural da floresta (Louman et al, 2001).
Técnica Silviculturaia:
São os meios pelas quais se aplicam os tratamentos silviculturais.

2. Definição e objetivos da silvicultura

2.1. Definição

O termo silvicultura provém do Latim silva (floresta) e cultura (cultivo de árvores), e tem sido definida de várias formas: Ford-Robertson (1971) considera a silvicultura, como a ciência e arte de manipular um sistema dominado por árvores e seus produtos, com base no conhecimento da história da vida, e as características gerais das árvores e do sítio.

Lamprecht (1990) define a silvicultura, como sendo o conjunto de todas as medidas tendentes a incrementar o rendimento econômico das árvores até se alcançar quando menos, um nível que permita um maneio sustentável.

Segundo Oldman (1990), silvicultura, é uma arte de planificação a longo prazo, com base em informação detalhada sobre as características da floresta com vista a alcançar o estado desejado.

Para efeitos do presente manual, será usada a definição de Louman et al (2001) que combina a definição de Ford-Robertson (1971), considerando que a floresta é manejada para se alcançar o estado desejado (Oldman, 1990), e que essas atividades sejam economicamente rentáveis (Lamprecht, 1990).

2.2. Subdivisões da silvicultura e seus objetivos

A silvicultura subdivide-se em silvicultura clássica e silvicultura moderna (lamprecht, 1990). A clássica opera quase exclusivamente com as florestas naturais, recorrendo as forças produtivas decorrentes do sítio, e os seus limites são determinados pela necessidade de não ameaçar a estabilidade natural, condicionada pelo ecossistema. A silvicultura moderna, opera quase exclusivamente com as florestas plantações, e o mais independente possível do sítio natural, isto é, num meio artificial, e só artificialmente mantido.

Ambas as subdivisões tem por objetivo fundamental, a produção de madeira (Lamprecht, 1990).

Porém, a silvicultura moderna para além de produzir madeira, assume outras funções tais como: serviços (protecção, lazer, bem estar) ou bens (postes, resinas, cortiça, etc..).

Independentemente dos objetivos em questão, é tarefa do silvicultor saber quando e como intervir na floresta de modo a conseguir um alto rendimento, mas sem afetar o equilíbrio ecológico. Estas questões só podem ser respondidas através do conhecimento das condições de sítio (sítio ecológico), por forma a ter-se uma ideia do tipo de intervenção silvicultural, capacidade de regeneração e crescimento, intensidade de exploração, mas por outro, lado para se ter uma base para a planificação do orçamento das atividades florestais.

3. Povoamentos florestais

3.1. Generalidades

Povoamento florestal é uma parte da floresta que se destingue evidentemente do resto da floresta por causa da sua estrutura e composição espécifica particulares de espécies arbóreas (Lamprecht, 1990), e o tamanho mínimo situa-se entre 0.5-1 ha.

De acordo com a estrutura os povoamentos florestais podem ser equiânios ou inequiânios.

Povoamentos equiânios, também designados por povoamentos regulares ou coetânneos, são aqueles que em determinado momento, as árvores pertencem à mesma classe de idade, isto é, a diferença de idades entre as árvores jovens e adultas não é superior a 20 % da idade de rotação (Loureiro, 1991).

Povoamentos equiâneos, normalmente são povoamentos artificiais e poucos deles, senão nunca, são encontrados como povoamentos naturais, dada a dificuldade que existe de se conhecer a idade real das florestas nativas. Por exemplo, se a idade de rotação de um povoamento for de 50 anos, este será considerado equiâneo, se a diferença de idades entre as árvores jovens e adultas for inferior a 10 anos.

Povoamentos inequiânios, também designados por irregulares ou disetâneos, são aqueles que possuem pelo menos três classes de idade misturadas no mesmo povoamneto (Loureiro, 1991). Os povoamentos inequiâneos podem ser naturais ou artificiais. A floresta de miombo é um exemplo típico deste de povoamentos inequiâneos.

Quanto à composição os povoamentos podem ser puros ou mistos.

Povoamentos puros, são os constituídos por uma ou muito poucas espécie arbóreas e normalmente são artificiais (plantações), mas também podem ser naturais.

Para povoamentos artificiais, podem servir de exemplos as plantações do projeto FO2 localizados em Marracuene (Maputo), Nova-Chaves (Nampula) entre outros locais e para os povoamentos naturais servem de exemplos, a floresta de mangal e mopane.

Os povoamentos puros (naturais), podem ser o resultado da força de concorrência superior de uma determinada espécie arbórea, condições extremas devido ao clima (geadas, secas, fogos, pragas ou doenças, etc.), devido ao solo (solos permanentemente inundados, salinos, etc.) devido a topografia (terreno íngreme e acidentado, montanhoso, etc.) (Lamprecht, 1990).

Povoamento mistos, são os constituídos por várias espécies arbóreas, de tal forma que todas influenciam e determinam as circunstancias do meio ambiente do povoamento, por exemplo, a floresta miombo, as pradarias, etc. Entre os fatores responsáveis pela formação de povoamentos mistos, destaca-se a coincidência de nichos ecológicos e equilíbrio de concorrência entre várias espécies arbóreas do povoamento (lamprecht, 1990).

3.2. Perpetuação dos povoamentos florestais

A perpetuação dos povoamentos pode ser feita através de três regimes: alto-fuste, talhadia simples e talhadia composta. Alto-fuste é o sistema no qual a regeneração do povoamento se obtém através de sementeira e/ou plantio. Na talhadia simples, o maciço florestal obtém-se a partir da propagação vegetativa (rebrotação). Entre as principais espécies arbóreas usadas neste regime destacam-se as folhosas (por ex. Eucalyptus sp.), entretanto, também são usadas coníferas, por exemplo, Shorea robusta (Dipterocarpaceae).

O principal objetivo econômico deste regime de maneio, é a produção de lenha, embora seja também usado para produzir madeira e carvão. Quando talhadia simples destina-se a produção de lenha, as rotações habituais, situam-se entre 10-15 anos e os rendimentos médios na África atingem cerca 30-40 Esteres/ha, porém, vezes há, em que são usadas rotações maiores, por exemplo, Lamprecht (1990), refere que na Ásia os rendimentos atingem valores de 60-70 esteres/ha quando prolonga-se a rotação para 30 anos. Estes valores são apenas indicativos, pois, a capacidade produtiva varia dum sítio ao outro. Florestas localizadas em sítios com capacidade produtiva menor são manejadas usando rotações maiores que aquelas localizadas em sítios com capacidade produtiva maior.

A talhadia simples também é usada para produzir madeira indústrial. Nesses casos, segundo Lamprecht (1990) e Loureiro (1991) deve-se enveredar por rotações timas, isto é, rotações que possibilitem o corte no momento em que o incremento corrente é máximo.

Além da idade ótima de rotação, existem outros fatores importante a considerar para que o rendimento seja alto: condições de sítio, capacidade de rebrotação das espécies arbóreas disponíveis, idade de exaustão ou decadência dos cepos, época de corte e outros.

O terceiro regime de perpetuação denomina-se talhadia composta que é uma conjugação dos regimes anteriores (alto-fuste e talhadia simples) no mesmo povoamento, portanto, é uma composição mista dos dois regimes anteriores (Loureiro, 1991).

3.3. Condução de Povoamentos Florestais

Condução de povoamentos é o conjunto de todos os tratamentos culturais e silviculturais realizados sobre o povoamento desde a sua instalação até ao fim da rotação. Na disciplina de Plantações Florestais foram tratados aspectos culturais como por exemplo limpezas, sementeira/plantio, adubação entre outros.

Nesta disciplina, maior atenção será dada a aspectos silviculturais nomeadamente: desbastes e desrames.

3.3.1. Desbastes

Desbaste é a redução do número de árvores que crescem num determinado povoamento, de modo a condicionar a competição e, dar às árvores restantes mais espaço, luz e nutrientes para o seu bom desenvolvimento. Esta operação é efetuada após o fechamento do dossel do povoamento (GTZ, 1986).

Os desbastes assentam-se sobre uma classificação que indica quais as classes de árvores que ficam no povoamento e simultaneamente quais devem ser removidas.

Existem vários métodos de classificação e todos eles baseiam-se em certos critérios a saber: a posição sociológica das árvores no povoamento, as características das copas e dos fustes, estado sanitário entre outros.

Por exemplo, temos a classificação da KRAFT e a Associação dos Institutos Florestais de Ensaio Alemão que são apropriados para estrutura sociológica dos povoamentos homogéneos, e a classificação da IUFRO e a Inglesa “Forestry Commission”, que são usadas para povoamentos puros e heterogéneos, com várias espécies.

Para efeitos deste manual irá dar-se a da “Forestry Commission”.

Segundo esta distinguem-se 5 grupos de árvores:

1. Árvores dominantes - são árvores bem desenvolvidas, cujas copas atingem os níveis mais elevados do coberto, recebem luz direta vinda de cima e em parte lateralmente. As árvores dominantes atingem maiores dimensões do que as árvores médias do povoamento.

2. Árvores codominantes – são aquelas cujas copas medem em relação ao nível geral do coberto dimensões médias, suportam competição lateral, recebem luz direta vinda de cima e escassa lateralmente.

3. Árvores subdominantes – são aquelas cujas copas possuem dimensões menores e ocupam os espaços existentes entre as copas das dominantes e codominates e, apenas recebem luz direta na extremidade da copa.

4. Árvores dominadas – aquelas cujas copas se encontram sob as das classes anteriores e não recebem luz direta.

5. Árvores mortas ou que estão a morrer - neste caso não interessa à classificação do tronco ou das copas quanto à conformação, e geralmente estas árvores são removidas no primeiro corte que passe pelo povoamento.

Com excepção da classe 5, nas restantes, as árvores são repartidas por 3 grupos consoante a qualidade do tronco e noutros 3 consoante a forma e dimensões da copa.

Quanto à qualidade do tronco distingue-se: tronco bem conformado, tronco levemente defeituoso e tronco muito defeituoso.

Quanto à forma e dimensões da copa distingue-se: copa bem conformada, copa levemente defeituosa e copa muito defeituosa.

3.3.1.2. Tipos de desbaste

Os desbastes podem ser classificados em: desbaste pelo baixo, desbaste pelo alto, desbaste seletivo e sistemático (Loureiro, 1991).

3.3.1.2.1. Desbaste pelo baixo

Consiste em eliminar a maior parte das árvores da classe dominada e subdominada, isto é, aquelas cujas copas se encontram nos níveis inferiores. Depois do desbaste pelo baixo restam no povoamento árvores da classe dominante e codominante.

A representação esquemática dos diferentes graus de intensidade, por baixo moderado e baixo forte comparativamente a um povoamento sem nenhum tratamento.

Silvicultura
Povoamento sem qualquer tratamento


Silvicultura
Desbaste baixo, moderado


Silvicultura
Desbaste baixo, forte Figura 1.. Representação dos graus de desbaste (GTZ, 1986)

3.3.1.2.2. Desbaste pelo Alto

Cortam-se as árvores do estrato médio a superior do povoamento, com a finalidade de desafogar as dominantes e codominantes que interessa manter até ao final da rotação, isto é, os cortes são efetuados por cima, para abrir o estrato superior, favorecendo as árvores mais promissoras deste estrato. A finalidade deste método de desbaste é permitir que as árvores dos estratos inferiores venham atingir valor comercial.

No desbaste pelo alto consideram-se dois graus de intensidade:

Tabela 1. Graus de intensidade do desbaste pelo alto (GTZ, 1986)

Grau de intensidade do desbaste

Descrição do desbaste

Desbaste leve

Utilizado normalmente para folhosas. Remove-se
todas as árvores doente, mortas , a morrer, inclinadas,
todas de copas demasiada expandida, a maior parte
das dominantes defeituosas, algumas dominantes bem
conformadas mas demasiadamente juntas e parte das
dodominantes.

Desbaste forte

Remove-se as árvores do grau anterior, juntamente
com outras das classes superiores que dificultas o
desenvolvimento das copas das melhores árvores

A Figura 2 mostra a implementação do desbastes pelo alto moderado e forte, comparado com um povoamento sem nenhum tratamento.

Silvicultura
Povoamento sem qualquer tratamento

Silvicultura
Desbaste alto, leve


Silvicultura
Desbaste alto, forte Figura 2. Representação esquemática dos graus de desbaste pelo alto (GTZ, 1986).

No desbaste pelo alto, independentemente do grau de intensidade do desbaste empregue, cortam-se principalmente árvores das classes superiores e no terreno, ficam árvores das classes intermédias e as árvores dominadas saudáveis. Neste tipo de desbaste, o rendimento é mais elevado que no desbaste pelo baixo porque, as árvores com diâmetros maiores podem ser vendidas a bom preço, havendo assim, algum retorno de capital e, consequentemente uma redução dos custos de desbaste por metro cúbico.

Não obstante, ao fato de que o desbaste pelo alto proporcionar rendimentos mais altos que o desbaste pelo baixo, este não deve ser aplicado durante a rotação inteira, porque, reduz o incremento do povoamento. Assim, o maneio dum povoamento deve começar com desbaste pelo alto e mais tarde passar para o desbaste pelo baixo.

3.3.1.2.3. Desbaste Seletivo

No desbaste seletivo, as árvores dominantes, codominantes, mortas e doentes são eliminadas do povoamento para estimular as árvores das classes inferiores. Neste método de desbaste, são removidas indiscriminadamente as árvores do estrato superior em favor das que possuem menores dimensões.

O desbaste seletivo requer uma inspecção individual das árvores e nalgum momento, necessita de desrame baixo para se poder efetuar a classificação das árvores.

3.3.1.2.4. Desbaste Sistemático

É feito com base num espaçamento pré- determinado, sem considerar a classe das copas, muito menos a qualidade das árvores a serem retiradas. Este método, normalmente, é aplicado em povoamentos com muitas árvores e mais ou menos uniformes.

Os cortes podem ser feitos segundo duas modalidades:

(1) desbastar por todo o povoamento através da fixação de um determinado compasso médio,

(2) desbastar por linhas ou faixas.

O desbaste sistemático, ignora os valores atuais e potenciais das árvores e remove indiscriminadamente árvores de boa ou má qualidade.

3.3.1.3. Vantagens e desvantagens dos desbastes

I. Vantagens

eliminar as árvores com defeitos, como tortuosas, com ramos grossos, bifurcadas, com topo excêntrico, elíptico ou oval, árvores mortas, esmorecidas e doentes, concentrando para o futuro, o crescimento do povoamento com melhores árvores;
proteger as árvores com bom crescimento com boa forma de fuste e apropriadas para permanecerem no povoamento até ao corte final;
do ponto de vista de melhoramento genético, permite remover as árvores inferiores deixando no povoamento árvores com características superiores, aumentando assim a produtividade média na rotação atual e a qualidade genética para as rotações subsequentes;
o corte das árvores de crescimento muito lento, melhora a percentagem de crescimento do resto do povoamento e concentra o incremento nas árvores das maiores classes diamétricas; e
facilita o acesso para a realização de atividades de maneio.

II. Desvantagens

podem aumentar a vulnerabilidade das árvores do povoamento restante ao vento, e consequentemente elevar os custo de investimento resultantes do tombamento das árvores;
podem aumentar o investimento no povoamento, requerendo uma grande soma de receitas mais tarde para justificar a sua efetivação;
podem causar danos físicos às árvores do povoamento restante, compactação do solo e consequentemente reduzir o crescimento das árvores do povoamento restante;
podem aumentar a quantidade de material inflamável no chão e aumentar o risco de incêndios; e
diminui a percentagem do tronco aproveitável como por exemplo a madeira devido ao aumento da conicidade.

3.3.1.4.. Efeito dos desbastes

3.3.1.4.1. Efeitos fisiológicos

Os desbastes reduzem a competição das árvores pela luz, humidade e nutrientes, melhorando deste modo as condições de sobrevivência e crescimento das árvore e consequentemente, diminuem a mortalidade natural, favorecem o crescimento e desenvolvimento da copa das árvores, crescimento dos rebentos dos ramos, raízes e folhas.

3.3.1.4.2. Efeitos ecológicos dos desbastes

Desbastes leves/moderados não afetam muito as condições ecológicas do povoamento. Mas, os desbastes fortes alteram as condições ecológicas e essa alterações, podem se manifestar através do aumento das temperaturas dentro do povoamento, aumento da quantidade de água que chega ao solo e redução da transpiração do povoamento. Mais água no solo e temperaturas mais altas melhoram as condições de vida dos (micro) organismos do solo, aceleram a decomposição da matéria orgânica provocando o aparecimento explosivo de vegetação daninha, sobretudo, em povoamentos compostos por espécies heliófitas.

3.3.1.4.3. Efeitos sobre as características silviculturais

O efeito mais visível sobre as dimensões da árvore individual observa-se ao nível do diâmetro. Portanto, aumenta a conicidade, diminui o fator de forma e a percentagem de fuste aproveitável. Embora menos visível, os desbastes também influenciam o crescimento em altura e retardam o desrame natural, visto que os ramos recebem mais luz e permanecem vivos por mais tempo.

3.3.1.4.4. Efeitos sobre o desenvolvimento do povoamento

Os desbaste influenciam a altura média do povoamento, o diâmetro médio do povoamento, e a relação volume médio das árvores desbastadas (Vd) e o volume médio das árvores remanescentes (Vp) (veja tabela 1). Os desbastes não alteram muito o volume total do povoamento mas, alteram o volume secundário (Vd) e o volume principal (Vp), porque, quanto mais intenso for o desbaste maior será o volume Vd consequentemente, menor VP.

3.3.1.5. Momento do desbaste

Do ponto de vista silvicultural, o momento do desbaste é determinado pelo desenvolvimento da copa viva. Nas plantações tropicais o primeiro desbaste começa cedo, dois a quatro anos depois do fechamento do dossel..

Outros indicadores do início do primeiro desbaste são: altura do povoamento, comprimento da copa ou a relação entre incremento corrente anual (ICA) da área basal e o incremento médio anual (IMA).

3.3.1.6. Desbaste e a qualidade da madeira

A remoção das árvores finas, mortas, esmorecidas, prejudicadas ou competidoras com vista a criar mais espaço e proporcionar mais luz, humidade e nutriente as árvores remanescentes, estimula o incremento diâmetrico, mas também afeta a qualidade das mesmas:

conduz o fuste a uma forma cônica e consequentemente, reduz a percentagem de utilização dos toros;
permite que as árvores produzam contrafortes que dificultam o processamento e aproveitamento e provavelmente baixem o rendimento volumétrico para madeira de serraria e folheados e
acelera o crescimento em diâmetro e, no caso de madeiras leves (coníferas), pode levar a diminuição da densidade afetando deste modo a trabalhabilidade da mesma e provocar instabilidade dimensional.

3.3.2. Desrame

Desrame, é o corte ou supressão dos ramos mortos ou vivos que se encontram ao longo do fuste, com vista a melhorar a qualidade da madeira (GTZ, 1986, Loureiro, 1991).

Algumas espécies possuem características genéticas que lhes permitem perder os ramos mortos de forma natural (por exemplo, Eucalyptus sp.), noutars vezes, o desrame é influenciado pela densidade do povoamento, quanto mais denso for o povoamento, a incidência de luz nos ramos inferiores das árvores diminui e como consequência, os ramos secam e acabam caindo. A essa forma de desrame chama-se desrame natural. Quando os ramos mortos ou vivos são eliminados através da intervenção direta do Homem, diz-se desrame artificial No desrame artificial, os ramos mortos ou vivos que estejam a prejudicar a produção de madeira de boa qualidade são eliminados artificialmente.

Segundo Mondi forests (1995) e Seitz (1995), o desrame, evita a nodosidade na madeira, produz madeira limpa e valiosa, facilita o combate e o controle de incêndios florestais e facilita o acesso e a execução de trabalhos de maneio (por exemplo, o emprego de relascópios em levantamentos dendrométrico).

3.3.2.1. Programa de desrame

Programa de desrame é um documento que contém informações sobre aspectos econômicos, silviculturais, entre outros relevantes ao desrame, indica o momento, as dimensões, o número e as características das árvores a serem desramadas, indica a periodicidade do desrame, época, equipamento e métodos de desrame e outros aspectos silviculturais relevantes.

3.3.2.1. Momento da realização do desrame e critérios para sua definição

O momento para a realização do desrames, depende de uma série de fatores, entre os quais, a qualidade do sítio (que é dos mais importantes) e os objetivos da produção (estes irá determinar o comprimento do tronco desejado e o diâmetro máximo do núcleo nodoso aceitável). Em sítios de boa qualidade o desrame é realizado mais cedo que em sítios pobres, porque o crescimento é relativamente mais rápido.

Os critérios mais frequentemente usados para definir o momento do desrame tem como base o diâmetro do fuste a altura do peito (1.3m), diâmetro da base dos ramos e altura das árvores. As dimensões mínimas recomendadas para cada um dos casos (critérios) são indicadas por tabelas especificas para o efeito.

1. Diâmetro do fuste e dos ramos

O diâmetro das árvores(dap) situa-se entre 10 e 25 cm (Burschel at al., 1987; Loureiro, 1991). Se a referência for o diâmetro dos ramos, aconselha-se o desrame seja efetuado quando os ramos da base tiverem diâmetros entre 2 e 3 cm, porque, desramar ramos grossos pode provocar a formação de bolsas de resina e prejudicar deste modo a formação de madeira de boa qualidade.

2. Altura das árvores

A altura fixa a partir do solo, na qual a árvore deve ser desramada é muito variável.

O critério mais frequentemente usado para determinar essa altura fixa, tem como base, a proporção de copa verde e a altura das árvores. Uma vez conhecida a altura das árvores, desrama-se 40 % da altura dominante (Lamprecht, 1990). Por exemplo, se a altura dominante for de 6 metros, isto significa que o desrame será feito até a uma altura correspondente a 2,5 metros. A definição da altura do desrame com base na altura dominante, leva a um tratamento desigual das árvores do povoamento, porque, sobrestima a altura algumas árvores e consequentemente, essas terão uma maior redução relativa de copa o que afetará negativamente o seu crescimento.

3.3.2. 3. Número e características das árvores a desramar

O número de árvores a serem desramadas depende da densidade do povoamento, do regime de desbastes, do número de árvores no corte final, da qualidade das árvores e dos riscos (ventos, pragas, temperatura extremas).

As características tomadas em consideração são: posição sociológica, qualidade do tronco, qualidade da copa, diâmetro dos ramos e sanidade das árvores.

3.3.2.4. Periodicidade, modos e época de desrame

A periodicidade depende do equilíbrio entre vantagens de desramar mais intensamente e menos vezes, originando mais madeira limpa e a baixos custos, e as consequências negativas desse modo de proceder sobre o engrossamento das árvores.

O desrame pode ser seco e/ou verde. No primeiro caso cortam-se ramos mortos e secos e essa operação é realizada sem problemas em qualquer época do ano. No segundo caso, cortam-se ramos verdes, geralmente da parte inferior da copa viva, e a operação é feita normalmente no período de estiagem porque, a cicatrização é mais rápida e na madeira só permanecem nós vivos, permitindo assim a produção de madeira de alto valor comercial.

3.3.2.5. Equipamento, métodos e documentação do desrame

O desrame pode ser feito de forma manualmente ou através de maquinaria. No primeiro caso é efetuado a uma altura entre 5-6 m empregando diversos tipos de serras curvas em função da altura e diâmetro dos ramos. Até a uma altura de 2,5 m usam-se serras manuais de cabo curto e acima de 2,5 m usam-se serra com cabos especiais que em função das necessidades podem ser aumentadas ou diminuídas.

No segundo caso, empregam-se máquinas, que podem subir ao longo do tronco e desramar até 16 m de altura acima do solo. Entretanto, qualquer que seja o equipamento usado recomenda-se que se faça o corte num só golpe.

A documentação do desrame serve para o controle do trabalho, o conhecimento da história do povoamento e serve como base para determinar o preço que a madeira deve ser vendida no fim da rotação.

Para cada povoamento desramado deverão ser anotados os dados mais importantes que são (Burschel et al., 1987): Talhão, tamanho de superfície, idade do povoamento desramado, ano e mês de desrame, diâmetro médio das árvores desramadas, altura média do desrame, número de troncos desramados, ferramentas usadas para o desrame, custos da operação, etc..

4. Formações florestais nos (sub) trópicos

4. 1. Generalidades

As formações florestais dos trópicos podem ser classificadas em função dos solos (formações edáficas), do clima (formações climáticas), da topografia (formações de relevo) ou em função de um outro fator tomado como base de referência ou o fator de maior influência. Embora exista essa grande variedade de critérios de classificação, devesse referir, que na verdade, não existe um único critério de aceitação universal para a classificação das florestas tropicais, devido ao insuficiente conhecimento que existe sobre a flora tropical em muitas áreas do mundo, mas também, pelo fato desta ser bastante rica e diversificada.

Na África tropical, a classificação mais comum é a de Yangambi (1957) que tem uma base fisionômica estrutural, mas também, usa terminologia edáfica. Em Moçambique, existem vários critérios como por exemplo da Dendrologia de Moçambique (Gomes e Sousa, 1960), da flora Zambeziaca (Barbosa e Grandvaux, 1975) e Saket (1994) e tem como base as características fisionômicas da vegetação observada em cada sítio.

Os principais tipos florestais dos trópicos são (Lamprecht, 1990):

Florestas higrófilas caducifólias e perenifolias (de baixa e alta altitude)
Florestas xerófilas caducifólias (que inclui o Miombo e Mopane)
Florestas em sítios especiais (Mangais, Florestas Paludosas e Inundadas, Florestas de Galeria, Florestas de Campinas e Florestas de Coníferas)

As estatísticas de 1980, elaboradas pela FAO (FAO et al., 1982), citadas por Lamprecht (1990), estimam em 881 milhões de ha a área total das formações nos trópicos com potencial produtivo. Desta cifra, a participação das folhosas é cerca de 98 %, o que corresponde a 860 milhões de ha, e para coníferas estima-se em 12 % correspondendo uma área aproximada de 21 milhões de ha.

As principais áreas florestais do mundo segundo as regiões são idicadas a seguir (Figura 3), na qual a América conta com uma área de 521 milhões de ha, seguido da Ásia com 197 milhões de ha e por último África com 163 milhões de ha. Para Moçambique os dados de saket (1994) indicam que as formações florestais abrangem uma área de aproximadamente 620 mil Km2, o que corresponde a cerca de 78 % da superfície total do país e as florestas com potencial produtivo cobrem uma área de 200 mil km2 ou seja 25 % território nacional. O tipo florestal mais predominante em Moçambique é o miombo (Figura 4).

Silvicultura
Figura 3. Distribuição zonal das principais formações florestais nos trópicos (Lamprecht, 1990)

Silvicultura
Figura 4. Distribuição das florestas em Moçambique (Sitoe, 1994)

4.2. Floresta higrófila perenifólia (floresta pluvial tropical)

As florestas higrófilas perenifólias, também designadas por florestas pluviais ou florestas equatoriais, estão concentradas na faixa equatorial situada entre 100 N e 10 °S, mas também podem ser encontradas para além dos limites equatoriais, prolongando-se até ao trópico de capricornio, como são os casos das florestas da serra domar no Brazil Nas proximidades do litoral, entretanto, elas podem ultrapassar de muito os limites equatoriais para chegar, como é o caso das florestas localizadas na Serra do Mar, no Brasil e na Austrália Oriental.

Este tipo florestal ocorre em locais com regime pluviometrico entre 2000 a 4000 mm/ano Lamprecht (1990). A floresta higrófila perenifólia, subdivide-se em perenifólia de baixa e de altitude elevada (Lamprecht, 1990).

4.2.1. Floresta higrófila perenifólia de baixa altitude (até 800m sobre n.m.m)

As florestas higrófilas de baixa altitude estendem numa área de aproximadamente 4 milhões de Km2, ocupando extensas áreas da Bacia da Amazônia, Orinoco e Congo, Golfo da Guiné, Índia Ocidental e Tailândia. Neste tipo florestal, as temperaturas variam muito pouco durante o ano (22-280 C), a chuva cai regularmente durante todo o ano, os solos na sua maioria são geologicamente envelhecidos devido a influência do clima quente e húmido (Lamprecht, 1990).

A composição florística é extremamente rica, diversificada, regionalmente muito distintas e varia muito no espaço de pequenas áreas. O número de espécies arbóreas varia normalmente entre 60 e 80 (por vezes até 100 ou mais) e o número de árvores/ha com dap  10 cm pode atingir 600 indivíduos.

A estrutura vertical caracteriza-se por apresentar e nalguns casos, difícil de delimitar um do outro, mas, em geral apresenta 3 a 4 estratos. A altura das árvores do estrato superior variam entre 45-55 (figura 5) e em casos excepcionais atingim 60m ou mais. As copas em geral são elevadas e não formam um dossel fechado pois, encontram-se geralmente isoladas ou em pequenos grupos.

O segundo estrato apresenta um dossel relativamente mais denso e composto por árvores cujas alturas variam entre 30 a 35 m. Abaixo deste encontra se um terceiro estrato e, por vezes, um quarto estrato, cuja densidade de cobertura, depende do grau de penetração da luminosidade. Em geral, é rara a ocorrência do estrato arbustivo e herbáceo.

Silvicultura
Figura 5. Floresta higrófila perenifólia de baixas altitudes (Lamprecht, 1990)

Fisionomicamente, as árvores apresentam casca lisa e geralmente fina, folhas normalmente grandes e com as bordas inteiras. Nas florestas pouco perturbadas da África, a área basal varia entre 23 e 37 m2/ha (Dawkins, 1958, 1959, citado por Lamprecht, 1990). Outros aspectos característicos deste tipo florestal, são a caulifloria e o desfolhamento observado em muitas espécies, frequente ocorrência lianas, epífitas e palmeiras(principalmente nos estratos inferiores), embora, em números inferiores comparativamente as florestas higrófilas pereniflolias de altitudes elevadas.

Sob aspecto florístico, fisionômico e estrutural, as florestas higrófilas perenifolias de baixa altitude no Mundo são bastante semelhantes, exceptuando as florestas de Dipterocarpacea que ocupam extensas áreas do Sudoeste Asiático, fazendo recordar uma autêntica monocultura, com uma composição florística bastante homogénea.

4.2.2. Floresta higrófila perenifólia de altitudes elevadas (Floresta de Montanha)

As florestas de montanha estendem-se por uma área de aproximadamente 0.5 milhões de Km2. Pertencem a esta categoria, as chamadas florestas nubladas e as de neblina em altitudes que variam entre 800 a 1000 m. A transição de florestas de baixa altitude para as de Montanha, ocorre de modo contínuo, com uma substituição progressiva das espécies e o fator determinante do sítio é a elevada humidade do ar.

Quanto a composição estas apresentam uma diversidade específica menor e em contrapartida, apresentam uma abundância relativamente maior que as higrófilas de baixa altitude. O número de espécies por ha varia entre 40 e 50, o número de árvores com diâmetro (dap) superior a 10, é cerca de 746 indivíduos/ha e a área basal média cerca de 35,6 m2/ha.

Em sua estrutura vertical, este tipo florestal apresenta geralmente três estratos, sendo que o estrato superior se apresenta mais ou menos fechado, podendo mesmo chegar ao grau de absolutamente fechado. A ocorrência de contrafortes e a caulifloria é muito rara. Mas, por outro lado, apresenta um maior número de epífitas e lianas relativamente às florestas higrófilas de baixa altitude.

Silvicultura
Figura 6. Floresta higrófila perenifólia de montana (Lamprecht, 1990)

4.3. Floresta higrófila caducifólia

As florestas higrófilas caducifólias, também designadas "florestas desfolhadas no período seco" estendem-se numa área de aproximadamasnte 250 milhões de hectares, compreendendo o continente Africano, Asiático, Australiano e a América Latina (Bullock et al., 1995). Em Moçambique este tipo florestal ocorre em algumas áreas da província de Cabo Delgado, Nampula, e Zambézia (Gurué) com pluviosidade entre 1400 a 1800mm/ano (veja Figura 4).

A ocorrência de espécies facultativamente caducifólias deve-se a características inerentes as próprias espécies e a duração e intensidade do período seco. Durante período seco, o solo fica recoberto por uma camada de folhas secas com uma espessura que atingir 10 cm. No período chuvoso todas as árvores enverdecem mais ou menos em simultâneo, assemelhando-se a uma floresta higrófila perenifólia.

As florestas higrófilas caducifólias, apresentam em seu conjunto, um número menor de espécies arbóreas, um estrato arbustivo e herbáceo mais desenvolvido, e diversificado comparativamente as florestas higrófilas perenifólias. Nas florestas higrófilas caducifolias, a maioria das espécies floresce no fim da época seco e a frutificação ocorre no início da época chuvosa.

Silvicultura
Figura 7: Floresta higrófila subcaducifólia de baixas altitudes durante o período seco (Lamprecht, 1990)

SilviculturaFigura 8: Floresta higrófila inteiramente caducifólia, durante o período seco (de baixas altitudes) (Lamprecht, 1990)

4.3.1. Florestas xerófilas caducifólia

É o terceiro maior tipo florestal entre as florestas tropicais de baixa altitude do mundo, ocupando uma área de de cerca de 530 milhões de ha (Lamprecht, 1990).

A maior área localiza-se na África, ao Sul do Sahara ocupando extensas áreas da África Oriental, incluindo Países como Zimbabwe, Quénia, Tanzânia e Moçambique. Embora, em pequenas manchas este tipo florestal, também encontrase na Ásia, Austrália e no continente americano.

As florestas xerófilas podem ser abertas ou fechadas. A vegetação é predominantemente xerofítica e desfolhada em períodos secos, possue 1 ou 2 estratos, a produtividade é relativamente baixa e localizam-se em áreas com períodos secos que variam entre 5 a 7.5 meses, precipitações pluviométricas anuais entre 700 a 1000 mm e temperatura média anual entre 23 e 28 0C.

Dependendo das condições do sítio, a altura das árvores varia entre 4 a 12 m e por vezes atinge alturas de 20 m e geralmente são retorcidas e nodosas, com copas baixas, largas e frequentemente umbiliformes. O número de árvores em média varia entre 200 e 300 indivíduos/ha. O número de espécies arbóreas/ha varia entre 12 e 24 e, a maior parte delas são caducifólias (Cossa, 1995, citado por Frost, 1996) e o dap varia entre 30 e 60 cm. O estrato arbustivo, está quase sempre presente, e pode ser aberto ou fechado nalgumas vezes quase impenetrável quando formado por espinhosas. Os solos em geral apresentam um baixo grau de lixiviação

4.3.1.2. Miombo

A palavra “Miombo” provém de várias línguas faladas no centro de África e denota uma ou mais espécies do género Brachystegia, Julbernardia, e Isoberlina angolensis (Fabaceas, Subfamilia Caesalpinioideae) como sendo as mais abundantes da região.

Na África, o miombo ocorre somente ao sul do equador, em países como Tanzânia, Zâmbia, Zaire, Malawi, Moçambique e Zimbabwe numa extensão de aproximadamente 270 milhões de hectares (Celender, 1983; Campbell et al., 1996; Frost, 1996).

O miombo é o principal tipo florestal de Moçambique (Figura 4) e ocupa aproximadamente 2/3 da superfície total, principalmente a norte do rio Limpopo (Sitoe & Ribeiro, 1995). Conforme as variações topográficas e fisiográficas, a estrutura e composição do miombo é modificada pelo clima, solo e altitude, distinguindo-se duma região para outra.

A maioria dos solos, apresenta textura franco-arenosa e a taxa de argila cresce substancialmente com o aumento da profundidade. Em geral, são pobres em nutrientes, maioritariamente ácidos (pH entre 4-6), com baixa disponibilidade de fósforo e baixa capacidade de troca catiónica. A maioria dos nutrientes incorporados no solo, provém da decomposição das folhas que caem no solo. As árvores dos género mais predominante são todas ectomicorrizais, característica importante para elas puderem aproveitar a matéria orgânica diretamente do húmus e dessa foram compensarem a baixa fertilidade dos solos do miombo.

O fogo é um elemento frequente e importante no miombo, quer como fator ecológico, mas também como um instrumento de maneio. Porém, o seu impacto depende muito da época e a frequência com que ele ocorre, mas também, da quantidade de combustível existente na floresta na altura da sua ocorrência.

4.3.1.2.1. Divisão do miombo

De acordo com precipitação, o miombo subdivide-se em miombo húmido e miombo seco (White 1983; Chidumayo, 1997, citado por Frost, 1996). A variante húmida é mais frequente no oeste de Angola, norte da Zambia, sudoeste da Tanzania e a zona central de Malawi, em áreas com precipitação média anual superior a 1000 mm. O miombo húmido também ocorre em Moçambique, embora, muito pouco frequente, pode ser encontrado em Gurué na província de Zambézia e, nalgumas regiões da província de Nampula e Cabo delgado (veja figura 4).

Floristicamente é mais rico que o miombo seco e nele podem ser encontradas quase todas espécies as do miombo, como por exemplo: Brachystegia spiciformis, Brachystegia floribunda, Brachystegia glaberrima, Brachystegia longilifolia, Brachystegia bohemii, Isoberlina angolensis e Julbernardia globiflora. Também é possível encontrar um número significativo de outras espécies como por exemplo, Pterocarpus angolensis, Burkea africana, Millettia stuhlmanii, Pseudolochnostylis maproueifolia entre outras. Os solos são profundos, bem drenados e as árvores atingem alturas superiores a 15 m.

A variante seca segundo aqueles autores, ocorre no sul de Malawi, Zimbabwe e Moçambique, em áreas com uma precipitação média inferior a 1000 mm/ano. A diversidade floristica é menor que no miombo húmido e as espécies mais dominantes são Brachystegia spiciformis, Brachystegia bohemii e Julbernardia globiflora.

Em Moçambique, o miombo estende-se desde o extremo norte do País no Rio Rovuma ao Rio Limpopo, sendo mais predominante no norte do País cobrindo extensas áreas da província de Niassa, Nampula e Cabo Delgado. Noutros casos, a vegetação é inter. cortada com outros tipos florestais como é o caso da região costeira, do vale do Zambeze (veja figura 4).

Conforme as variações do clima, solos e altitude, o miombo de Moçambique pode ser dividido em três tipos (Costa 1996, citado por Frost, 1996; Pereira 2000):

1. Miombo denso: Constituído por árvores de 15 a 22 metros de altura, com copas juntas e sobrepostas e pouco capim no solo, cobrindo zonas com altitudes superiores a 1000 m e precipitação ao redor de 1200-1800 mm, como é o caso do miombo das terras altas de Manica e Zambézia.
2. Miombo médio:
ocorre em zonas com altitudes acima dos 500 m e precipitação entre 900 e 1400 mm/ano, apresentando árvores com uma altura média de 10 a 15 m e com densidade menor que a anterior. Este tipo de miombo pode ser encontrado em Pindanyanga- Manica.
3. Miombo pobre:
ocorre em zonas com altitude entre 50-800 e regime de chuva entre 800-900 mm/ano. As árvores estão dispersas, formando florestas abertas cuja altura média varia entre 7 e 12 m. O miombo pobre encontra-se na província de Tete e nas zonas de influência do rio Zambeze, mas também, ocorre nalgumas zonas da província de Inhambane e Gaza, com precipitação entre 400-800 mm, mas que se vai transformando em savana arbórea a medida que se avança em direcção ao sul País.

4.3.1.2.2. Composição e estrutura

4.3.1.2.2.1. Composição

A estrutura e composição do moimbo é semelhante a das florestas xerófilas caducifólias (veja ponto 3.3 deste capítulo). O número de espécies em geral, varia entre 12-24, e a maioria delas são decíduas e ectomicorrizas (Cossa 1995, citado por Frost, 1996). Em Moçambique as espécies do miombo encontram-se associadas a outras espécie. Um estudo feito por Sitoe & Ribeiro (1995) em Niassa, Manica e Cabo Delgado (Tabela 4) encontrou várias que também são encontradas noutras áreas de miombo em outros Países (Celender 1993, Chidumayo 1995, citado por Frost, 1996).

4.3.1.2.2.2. Estrutura

A floresta miombo apresenta geralmente 2 a 3 estratos. Os estratos inferiores em geral compõe-se de uma mistura de arbustos, árvores em regeneração, árvores jovens oprimidas pelas copas das árvores maiores, gramíneas, espécies forrageiras (Por exemplo: Digitaria sp., Eragrostis sp., Andropogon sp., Hyparrhenia sp. etc.) e fetos (no miombo húmido).

A densidade das plantas (excluindo a camada herbácea) varia entre 1500-4100 plantas/ha. A densidade das árvores (com mais de 2 metros de altura) varia entre 380-400 árvores/ha. Em Moçambique as espécies dominantes como são o caso da Brachystegia spiciformis, Julbernardia sp. entre outras associadas estas, desenvolvem-se bem em solos profundos (>3 m) e bem drenados, podendo atingir 27 m em miombos densos, mas em geral poucas atingem alturas superiores 22 m.

No miombo médio e pobre as árvores atingem alturas não superiores a 15 m.

A área basal é muito variável e depende da precipitação média anual, temperatura média anual e evapotranspiração potencial (Figuras 1 e 2). Em miombos pobres adultos, a área basal ronda por volta de 7 m2/ha a(precipitação média 650 mm/ano) e no miombo denso, 22 m2/ha (precipitações superiores a 1200 mm/ano).

Porém, casos há em que miombos densos atingem área basal de cerca de 55 m2/ha.

Em média a área basal da floresta miombo varia entre7 a 19 m2/ha (Chidumayo 1987, citado por Frost, 1996).

A área basal é um bom indicador do crescimento volumétrico e a quantidade de biomassa aérea de um povoamento. O volume médio no miombo seco varia entre 14 a 59 m3/ha e no miombo húmido (manejado) entre 41-100 m3/ha (Endean, 1968 e Chidumayo, 1988b, citados por Frost, 1996; Lowore et al. 1994; Campbell 1996).

A estimativa da biomassa arbórea dos diferentes componentes (tronco, ramos, folhas e raízes), pode ser feita através de equações de regressão que relacionam esses componentes com o diâmetro do tronco ou um outro parâmetro particular.

Mas, porque o tamanho relativo das árvores varia de uma região a outra, estas equações não devem ser automaticamente utilizadas, devendo-se para o efeito, avaliar a sua fiabilidade ou caso contrário produzir equações para cada região.

Existe um correlação linear entre a biomassa lenhosa aérea e a precipitação (Figura12) e entrea biomassa lenhosa aérea e a área basal (Chidumayo 1990, 1988, 1991b, citado por Frost, 1996; Malimbwi et al., 1994; Grundy, 1995).

A biomassa lenhosa das raízes também varia em função da precipitação. Porém, pouco se sabe sobre as cifras que esta representa em relação a biomassa lenhosa total. Estudos efetuados nallguns países onde ocorre o miombo, indicam que a biomassa das raízes é inferior à biomassa aérea e, em miombos não perturbados os valores variam entre 32-40 % da biomassa total, e para miombos perturbados cerca de 20 %.

4.3.1.2.3. Fenologia

A maioria das árvores e arbusto do miombo são dicíduas e deixam cair as suas folhas durante a estação seca. Em geral, as folhas caem entre Julho-Agosto no miombo seco e entre Agosto-Setembro, no miombo húmido (Frost 1996). Mas, o período em que permanecem desfolhadas, varia de ano para ano e depende fundamentalmente das condições de humidade.

O aparecimento de novas folhas ocorre geralmente 4-8 semanas após as primeiras chuvas. As folhas, em particular da Brachystegia spiciformis pouco tempo depois da emergência apresentam uma coloração vermelha, coloração essa (Coley e Aide 1989; Frost 1996) que resulta da síntese de antocianinas, uma substância que entre outras funções, protege as folhas contra ação de herbívoros e patógenos.

A maioria das árvores do miombo produzem flores entre Setembro e Outubro, portanto, pouco tempo antes de começarem a cair as primeiras chuvas. O género Julbernardia é uma excepção. Julbernardia globiflora produz flores entre Novembro- Abril ao passo que Jubernardia paniculata entre Fevereiro- Abril (Figura 9). A maioria dos arbustos floresce durante a época chuvosa. Outros arbustos e algumas árvores (p.ex. Pterocarpus angolensis), e as herbáceas (p.ex. Rhynchosia sp. e insignis sp.), florescem depois da folheação ou em simultâneo com a emergência das folhas.

Outras árvores porém, produzem flores quando ainda estão desfolhadas. A maioria da gramíneas floresce durante a época chuvosa, outras porém florescem na época seca ou só depois de passar fogo.

4.3.1.2.4. Frutificão e dispersão de sementes

A época de frutificação no miombo varia de ano para ano. Essa variação é relativamente mais pronunciada em miombos adultos que em miombos jovens (Chidumayo 1993a, citado por Frost, 1996). Falhas na frutificação podem ocorrer como resultado da floração deficiente, deficiências na polinização, ataque de pragas/doenças, predação , etc

A dispersão de sementes da maioria da árvores e arbustos do miombo ocorre entre Agosto-Novembro. A dispersão das sementes pode ser feita através do vento, explosão das vagens ou animais (Tabela 5). A dispersão das sementes do estrato superior do dossel, composto maioritariamente por árvores com frutos em forma de vagem, é feita principalmente através da explosão das vagens (por exemplo, Brachystegia spp e Isoberlina angolensis) e através do vento (Albizia sp. e Pterocarpus sp). Frutos carnudos, são mais frequentes no estrato intermédio ou ao nível do subbosque arbustivo e, a dispersão de sementes é feita principalmente por pássaros e mamíferos (por exemplo, Strichinus sp., Tabernamontana elegans, etc.).

A distância de dispersão das sementes é variável. Mas a maioria das sementes provenientes das vagens caem ao redor da planta mãe, dentro de um raio entre 2-4 m e, excepcionalmente atingem um raio superior a 10 m. As distâncias mais longas observadas são feitas pelo vento, entre 28-100 m, ou mais e entre 5-10 m ou mais para dispersão por animais.

4.3.1.2.5. Germinação das sementes

Em geral, a maioria das sementes germina pouco tempo depois de atingire o solo, mas, a quantidade de sementes que germina é inferior que aquele que atinge o solo.

Pragas e doenças são alguns dos fatores apontados como sendo responsáveis pela redução da viabilidade de algumas sementes no banco de sementes. A germinação é mais intensa quanto maior for a quantidade de água disponível no solo, p.ex., depois de uma chuva intensa (Campbell 1996; Chidumayo 1999a, 1992a, citado por Frost, 1996). Sementes de algumas espécies, como por exemplo, Pterocarpus angolensis, só germinam depois do fogo ter passado por elas. O período de dormência das sementes no solo varia, de uma espécie para outra, por exemplo, as sementes de Brachystegia e Julbernardia, mantém a viabilidade poucos anos, ao passo que as sementes de Afzelia quanzensis e Swartzia madagascariensis, mantém-se viáveis por muito mais tempo (Chidumayo 1993a, citado por Frost, 1996).

O período de germinação para a maioria das espécies do miombo varia entre 2 a 6 semanas sob condições de humidade favoráveis, e até 10 semanas sob condições de seca. A maioria das sementes perde viabilidade e apodrece caso estas não germinem durante a primeira época chuvosa. Pterocarpus angolensis é uma excepção, porque ela só germina na estação chuvosa da época seguinte. Outras espécies tais como, Isoberlina angolensis e Julbernardia globiflora minimizam o risco de perda de viabilidade, dispersando as suas sementes no início da época chuvosa seguinte.

4.3.1.3.6. Regeneração e crescimento

A regeneração natural das árvores do miombo, pode ser feita através da rebrotação das toiças, banco de sementes (no solo) ou banco de plântulas (no estrato herbáceo).

Mas a maioria das árvores regenera através da rebrotação e do banco de plântulas e, no caso de rebrotação as taxas de sobrevivência são elevadas (95 % em miombos jovens, com menos de 25 anos e entre 65-75 % em miombos adultos, com mais de 25 anos).

O crescimento das árvores , em geral é lento. Mas, o desenvolvimento radicular é mais rápido que a parte aérea, isto é, as plântulas tem uma habilidade de criar um sistema radicular profundo e bem desenvolvido, permitindo-lhes desse modo ter acesso a água do sub-solo para assegur a sobrevivência. Essa habilidade torna as árvores do miombo capazes de suportar altas pressões de abate, danos causados por animais, sombra das árvores entre outros fatores. O crescimento aéreo torna-se mais significativo, pelo menos a partir dos 8 anos de idade. O incremento no diâmetro do tronco (dap-1,3 m) e no diâmetro da copa em povoamentos jovens (1,4- 2,2 cm e 1,1-1,7 cm para o tronco e copa respectivamente) é maior que em povoamentos adultos (1,1-1,5 cm e 0,6-1,0 para o tronco e a copa respectivamente) (Chidumayo 1993a, 1988b, citado por Frost, 1996; Grundy 1995).

4.3.1.2.7. Mortalidade

A mortalidade da maioria das árvores se deve principalmente a fogo e secas prolongadas (Ernest, 1988). A influência destes fatores, varia de um aespécie para outra. Por exemplo, plantas jovens de Brachystegia spiciformis com 14-30 dias de vida, dificilmente sobrevivem para além de 12 dias sem água, mas, por outro lado, plantas de Isoberlina angolensis, com mais ou menos a mesma idade resistem tempos relativamente mais longos (Frost, 1996). Albizia adiantifolia, é intolerante ao fogo, mas, Brachystegia spiciformis, Julbernardia globiflora e Isoberlina angolensis são muito resistentes ao fogo.

Estudos realizados sobre a mortalidade no primeiro ano de vida das árvores em várias regiões onde ocorre o miombo, encontraram as seguintes taxas: 12 % (Afzelia quanzensis), 22 % (Brachystegia spiciformis), 55 % (Julbernardia paniculata) e 67 % (Julbernardia globiflora) e, em geral a mortalidade diminui nos anos subsequentes.

4.4 Florestas tropicais em sítios especiais

4.4.1. Mangais

4.4.1.1. Definição

Mangais, também designados por “florestas costeiras” ou “florestas do mar”, são formações florestais que ocorrem nos estuários de rios e logos costeiros sujeitos ao regime de marés. Mangais são um tipo florestal, característico da zona litoral da costa tropical e subtropical e, marcam uma transição entre a plataforma continental e a marítima.

4.4.1.2. Padrão de distribuição do mangal à nível Mundial e em Moçambique

A distribuição e ecologia do mangal é determinado por vários fatores, mas, os mais importantes são as condições edáficas, a duração das inundações, a dinâmica e frequência das marés. Á nivel mundial, os mangais ocorrem em 112 países, incluíndo Moçambique e, em geral, situam- entre as coordenadas 30 0 Norte e Sul do equador. Dentro destes limites, os mangais estão largamente distribuídos, mas, as florestas mais extensas, ricas e diversificadas localizam-se na costa oriental da África e América. Excepções notáveis fora da faixa acima referida, encontram-se nas Bermudas, Japão, Nova Zelândia e na costa ocidental da África do Sul (MICOA 1997).

Os Países com a maior extensão de mangal no Mundo, são a Indonésia ea Austrália com 2.5 milhões e 1.1 milhões de ha respectivamente (FAO, 1994). Á nível do continente africano, as maiores florestas encontram-se no Quénia (96 mil ha), Moçambique (85 mil ha) e Tanzania (45 mil ha) (KULIMA, 1999). Em Moçambique o mangal ocorre em quase toda a costa litoral, mas, as maiores concentrações localizam-se nas províncias da Zambézia e Sofala, com 155757 e 125317 ha respectivamente (Saket e Matusse, 1994), como resultado do fato, dos estuários de três dos grandes do País, nomeadamente, Zambeze, Pungué e Save se encontrarem naquelas províncias (Myre, 1968, citado por KULIMA, 1999).

4.4.1.3. Composição e estrutura dos mangais

Dentro do mangal, as condições edáficas, a duração das inundações, o teor salino da água, a dinâmica e a frequência das marés sobretudo, determinam a composição da floresta. Vezes há, em que o mangal é composto por uma ou muito poucas espécies, noutras, ela apresenta uma composição mais rica e diversificada.

As espécies do mangal são heliófitas (Lamprecht, 1990).

Na África Ocidental, as espécies mais comuns segundo Semesi e Howell (1985); Lamprecht (1990) são: Rhizophora mucronata, Bruguiera gymnorrhiza, Ceriops tagal, Xilocarpus granatum, Xilocarpus muluccensis, sonerratia alba, Avicennia marina, Avicennia officinales, Heritiera littorales, Lumnitzera racemosa e Acrostichum aureum.

Na costa moçambicana, as mais comuns são: Avicennia marina, Rhizophora mucronata, Bruguiera gymnorrhiza, sonerratia alba, Heritiera littorales, e Lumnitzera recemosa (Saket e Matusse, 1994).

A Figura 10, mostra de forma esquemática o perfil da composição florística do mangal, do mar para a plataforma continental. Devesse referir, que este modelo não é universal e, pode ser modificado pelos fatores atrás referidos (condições edáficas, a duração das inundações, a dinâmica e a frequência das marés, temperatura da água, sedimentação, clima etc.).

O número 1, representa o primeiro cinturão, no qual o número de inundações por ano varia entre 240-730, a salinidade é quase constante e igual ao do mar e, as espécies mais predominantes são: Avicennia marina e soneratia alba. No segundo cinturão as espécies mais predominantes são Rhizophora spp., Bruguiera spp. e Ceriops tagal e, o número de inundações por ano varia entre 120-230. Nos restantes cinturões, o número de inundações por ano não é superior a 110 e, são dominadas por espécies várias espécies tais como, Xilocarpus spp., Lumnitzera spp., Laguncularia racemosa, e Conocarpus ereta.

Silvicultura
Perfil esquemático de um mangal intacto mostrando os diferentes cinturões da plataforma marítima a continental (Lamprecht, 1990). Legenda: 1 Rizophora mangle com plantulas, 2 Avicennia nitida com plantulas 3 Laguncularia racemosa, 4 Conocarpus ereta

4.4.1.4. Adaptações do Mangal às difíceis condições do sítio

Os solos do mangal, geralmente são aluviais e hidromórficos (FAO, 1994). Quanto à composição, eles podem ser arenosos, argilosos ou formados por sedimentos minerais e orgânicos (Lamprecht, 1990). Devido a falta de Oxigénio, os solos apresentam uma coloração cinzenta a cinzento- escuro, com odor desagradável e possuem um teor salino muito elevado.

Os mangais sobrevivem numa grande variedade de solos, mas, os mais favoráveis são aqueles composto por sedimentos ricos em húmus e com uma certa participação de área, porque a falta de oxigénio não é tão acentuada. As condições desfavoráveis do sítio obrigam a que as árvores desenvolvam mecanismos de sobrevivência tais como folhas suculentas (brilhantes e pilosas) para reduzir a transpiração. O fornecimento de oxigénio é assegurado por raízes pneumatóforas, também chamadas raízes aéreas. Nas espécies do género Rhizophora as raízes formam-se desde a copa ou do tronco, até ao solo. Avicennia spp, Xilocarpus spp. e Sonneratia spp. formam raízes delgadas e que descrevem um percurso sinuoso sobre o solo (Figura 15).

Silvicultura
Figura 15: Sistema radicular de Xilocarpus spp. (Semesi & Howell, 1985)

O sistema radicular para além de garantir um nível eficiente de respiração, absorção de água e nutrientes, permite uma suficiente fixação da árvore no solo em condições extremamente difíceis de inundação. Por outro lado, presta uma contribuição substancial na formação do solo, retendo materiais flutuantes ou imersos de natureza orgânica, como por exemplo material limoso, arenoso, etc.., trazidos pelo fluxo e refluxo da maré.

O outro mecanismo de sobrevivência das árvores do mangal, tem haver com a estratégias de dispersão. Algumas espécies como por exemplo Bruguiera gymnorrhizai forma um propágulo (Figura 16) que desenvolve o seu sistema radicular ainda na árvore e, quando cai sobre o solo, caso as condições forem, estabelecesse entre dois a três dias e, começa crescer imediatamente.

Silvicultura
Figura 16: Ilustração de um propágulos de Bruguiera gymnorrhizai com raízes adventícias ( Semesi & Howell, 1985)

4.4.1.5. Importância dos Mangais

A importância do mangal, é grande e diversificada quer em termos sócio econômicos, ambientais e educacionais, mas também, para fins de investigação científicas, recreação e ecoturismo (Semesi & Howell ,1985; KULIMA, 1999)

O valor sócio econômico dos mangais é extremamente elevado. Um exemplo disso, é a geração de emprego nas pequenas indústrias desenvolvidas à volta dos mangais através da exploração dos recursos florestais, produção de madeira, material de construção (postes, estacas, travessas para linha férrea, polpa para vários fins, etc.), combustível lenhoso, produtos medicinais, produtos alimentares (peixe, camarão, crustáceos, mel álcool, óleo de cozinha, vinagre, etc.) e forragem usada na alimentação do gado caprino e bovino.

O Mangal também providencia serviços tais como recreação e benefícios estéticos derivados da sua flora e fauna pouco frequentes, protecção da costa contra fortes correntes das águas, moderação dos efeitos das tempestades costeiras e ciclones, protecção do habitat para muitas espécies marinhas e animais selvagens, particularmente avifauna, redução de quantidades excessivas de poluentes, retenção e reciclagem de nutrientes.

4.4 1.6.Causas da degradação dos Mangais

As principais causas da degradação dos mangais são (Semesi & Howell, 1985; FAO,1994) são: a ação humana descontrolada, mudanças ecológicas, políticas e fiscalização inadequada, falta de coordenação e insuficiência de medidas institucionais. Fenômenos naturais como tempestades, atividade vulcânica, furacões, pestes, doenças, cheias, movimento de sedimentos entre outros também afetam a sobrevivência dos mangais.

Em Moçambique, as principais causas da degradação dos mangais são (Saket & Matusse, 1994):

Extração de combustível lenhoso e material de construção que acontece ao longo de toda costa mas com maior incidência nas cidades de Maputo e Beira devido à alta densidade populacional.

Abertura de áreas para construção de salinas, principalmente na zona do norte do País.

Degradação provocada pelas mudanças ecológicas de alguns sítios tais como o estuário do rio Zambeze onde a redução do regime da água doce e a sua substituição por águas salgadas frequentes. A mudança do regime das águas tem muita das vezes provocado a dissecação dos mangais nestes locais.

Abertura de áreas para prática da agricultura, mais frequente na zona centro e norte do país.

Silvicultura
Figura 17: Ilustração de um mangal com áreas degradadas (Semesi & Howell, 1985)

4.4.1.7. Consequências da destruição dos Mangais

Qualquer ação destruidora sobre a floresta mangal, resultará em perdas de um ou muitos dos seus valores.

Os principais efeitos negativos são (Semesi & Howell, 1985):

Redução da produção de madeira e lenha que resulta no abaixamento da receitas pagas ao governo;
Redução da fauna e flora dependente dos mangais com notável decrescimento da pesca de camarão;
Incremento da erosão costeira, que pode ter efeitos muito negativos para as construções das vilas tais como residências locais, hotéis, etc.
Incremento de sedimentação de recifes e corais que resulta na redução da produtividade de peixes e redução do turismo.

4.4.1.8.Regeneração natural e artificial do mangal

4.4.1.8.1. Regeneração natural

Comparativamente a outras formações florestais, a regeneração do mangal pode ocorrer naturalmente e de forma satisfatória, através de sementes caso o ecossistema não tenha sido muito perturbado (Semesi & Howell 1985).

As causas mais frequentes da fraca regeneração natural são:

Abate completo de uma determinada área de mangal onde a regeneração é fraca devido às alterações causadas ao solo e microclima. em algumas zonas, a exploração total provoca o surgimento massivo de infestantes como acrostichum aureum impedindo a emergência da regeneração das plantas;
Grandes quantidades de estacas deixadas no solo após o abate numa determinada da área do mangal. Estas, podem interferir na dispersão de sementes e comprometer a regeneração natural do mangal;
Animais como hipopótamos, macacos, caranguejos e outros que se alimentam das plantas do mangal, podem comprometer sobre maneira a regeneração natural;
Alteração dos níveis de salinidade das águas, nas zonas onde ocorrem (que pode ser causada pela atividade humana);
Exploração seletiva ou total de uma determinada área e;
Drenagem deficiente do solo e ocorrência de insetos que danificam a regeneração, ect.

A água do mar é o agente dispersor de sementes e propágulos mais importante dos mangais A maioria das espécies tem adaptações que lhes permitem flutuar no mar durante tempos relativamente longos e, sem perder o poder viabilidade. Por exemplo, Bruguiera gymnorrhizae Rhizophora mucronata podem flutuar no mar cerca de 117 e 50 dias respectivamente, aguardando por condições ótimas para o estabelecimento e crescimento (Lamprecht 1990).

A regeneração natural em geral tem vantagens e desvantagens. Entre as vantagens encontra-se a facilidade de adaptação às condições do sítio ecológico (segurança ecológica), menores custos de estabelecimento; menores possibilidades de insucessos e em geral não requer grandes perturbações do solo. Entre as desvantagens encontra-se a desigualdade da densidade na regeneração das sementes; menor controle do espaçamento, não é fácil introduzir plantas geneticamente melhoradas; possibilidade de atrasos e falhas na regeneração; os povoamentos podem não são aptos para uma extração mecanizada; dependência de anos de boa frutificação e do rendimento de sementes e esforço elevado de cuidados.

4.4.1.8.2. Regeneração artificial

O êxito da regeneração artificial depende de aspectos ambientais e silviculturais.

Sempre que possível, é necessário assegurar que as características naturais do solo estão presentes, caso contrário o terreno deve ser previamente preparado, assegurar que o regime de marés não está alterado, conhecer a fenologia e a sucessão das espécies a reflorestar, se necessário estabelecer viveiros e respeitar recomendado para cada uma das espécies.

Por exemplo, o transplante imediato de propágulos do pomar de sementes (propágulos), para os locais de reflorestamento localizados em áreas propensas à inundações ou infestadas por caranguejos, pode não ser êxitosa.

Nesses casos, recomenda-se que o plantio dos propágulos primeiro seja feito num viveiro e, o transplante para o local de reflorestamento seja feito só quando as plantas tiverem atingido alturas suficientemente boas e, que lhes permitem sobreviver às condições do sítio definitivo. O espacamento entre as plantas varia de uma espécies para outra, por exemplo, entre plântulas Rhizophora apiculata, em terrenos frequentemente inundados é de 1.5 X 1,5 m e, Rhizophora mucronata, 1,8 X 1,8 m. Considerações mais detalhadas sobre a regeneração do mangal podem ser vista em FAO (1994) e KULIMA (1999).

4.4.2. Florestas paludosas de água doce e florestas inundadas

4.4.2.1. Florestas Pantanosa

As florestas pantanosas mais importante, localizam-se na Bacia do Amazonas, Orinoco, Guiana, Caribe e em várias regiões da Ásia (Lamprecht, 1990). As florestas pantanosas da Ásia, são as mais ricas quer em termos de composição específica, mas também, em termos de potencial madeireiro.

As florestas pantanosas ocorrem em círculos concêntricos de diversas composições florísticas. O centro constitui-se de povoamentos deformados e, à medida que se avança para as bordas aumenta drasticamente o número de espécies e espessura de diâmetro e compõe-se predominantemente de espécies comercias dotadas de alta facilidade de regeneração natural (Lamprecht, 1990). A maior parte das florestas pantanosas, está isenta da devastação movida pelos agricultores, porque elas crescem em ambientes pouco apropriados para a prática agrícola (solos extremamente ácidos e oligotrópicos, com camada impermeáveis e sistema de drenagem dificiente).

4.4.2.2. Florestas paludosas em solos eutróficos

Ocorrem em ambientes menos ácidos e com ocorrência de inundações periódicas.

Alguns exemplares deste tipo florestal podem ser encontrados no Suriname e na região fronteiriça de Darién, entre a Colômbia e Panamá. As difíceis condições do sítio, eutrofia, acidez e falta de oxigénio, fazem com que estas florestas apresentem no total menor diversidade florística e uma tendência nítida de predominância de uma ou poucas espécies e, por vezes de alto valor comercial (por exemplo, Mora excelsa, Dialyanthera gordoniaeifolia) com adaptações fisiológicas e morfológicas, que lhes permitem resistir às difíceis condições do sítio (por exemplo, raízes escoras e tabulares).

Neste tipo florestal, o número de espécies arbóreas por ha pode-se atingir 26, 398 árvores/ha, volume comercial de 294 m3/ha e um quociente de mistura (QM) equivalente a 1:15 (Lamprecht, 1990). Uma das características fisionômicas mais importante deste tipo florestal é a ocorrência mais ou menos pronunciada de palmeiras adaptadas a má aeração do solo.

4.4.2.3. Florestas Inundadas

Ocorrem nas baixadas sujeitas às cheias dos grandes rios. De acordo com os tipos dos rios normalmente diferenciados em rios de águas brancas, rios de águas claras e rios de águas pretas. Nas grandes áreas de inundação podem-se observar padrões de vegetação muito variáveis, formando comunidades florestais abertas ou fechadas. Os exemplares mais importantes de realce encontram-se na Bacia Amazônica, mas também podem ser encontradas na Ásia Tropical e na África (Nigéria e Zaire).

4.4.2.4. Matas de Galeria

Designam-se matas de galeria as faixas estreitas de vegetação lenhosa que acompanham os cursos de água rodeiam os lagos. De preferência ocorrem em savanas naturais ou de origem antrópica nas regiões áridas. O fator determinante do sítio é a disponibilidade permanente do lençol freático, as inundações (sobretudo), mas também o regime pluviométrico. As florestas de galeria distinguem-se das florestas adjacentes, por serem mais densas, altas, maior crescimento e, maior participação de árvores perenifólias (quase sempre verdes) (Para uma caracterização ecológica mais detalhada de uma floresta de galeria veja Ribeiro et al., em prep.)

4.4.2.5. Florestas de Campinas

Este tipo florestal ocorre em podzolos húmicos formados a partir de silicatos muito ácidos, arenitos, areias oligotróficas, sedimentos marinhos e outros substratos semelhantes. O fator determinante do sítio é o carater extremamente oligotrófico dos solos e tal como nas floresta paludosas, nestas, os solos também são formadas por camadas impermeáveis e com um sistema de drenagem deficiente.

Os principais centros florestais localizam-se na Guiana, Sarawaka e Brunei e, em geral compõe-se de espécies de alto valor comercial. Em África praticamente não existem florestas de campinas. A floresta de campinas podem ser distinguidas de outras florestas limítrofes, devido a ocorrência de espécies típicas do género Mirtacea. e Mirmocoricas (plantas habitadas por formigas), plantas carnívoras do gêneros Brossera, Nepenthes e Urticularia, folhagem predominantemente de cor avermelhada um tanto pálida entre outras (Lamprecht, 1990).

Os solos das florestas de campinas embora piores do que as florestas pantanosas são utilizadas para agricultura de queima roça, uma prática que leva a uma rápida degradação florestal originado savanas abertas e sem valor comercial, povoadas por poucas árvores e arbustos em geral de crescimento lento.

4.4.2.6. Florestas tropicais naturais de coníferas

De um total de 50 géneros de coníferas espalhadas pelo Mundo, algo mais do que 20 encontram-se nos trópicos, perfazendo nada menos do que 200 espécies. A área total ocupada por florestas tropicais naturais de coníferas compreende cerca de 34.3 milhões de hectares. A maior parte, com um total de 24.7 milhões de hectares fica na América Latina, concentrando-se na América Central e no Caribe. A Ásia conta com uma área de 8.4 milhões restando para África apenas 1.2 milhões de hectares.

A Ásia Oceânica embora ocupe uma área relativamente menor que aquela que é ocupada pela América tropical, é a que mais géneros de coníferas possui.

De acordo com as exigências ecológicas e comportamento relativo à sucessão pode-se distinguir dois grupos de coníferas:

O primeiro grupo é formado por pioneiras heliófilas, caracterizadas pelo baixo nível de exigências ecológicas e pelo rápido crescimento. Representantes típicos deste grupo são os Pinus, capazes de povoar novas terras, savanas, machambas abandonadas e pastagens, de preferência sob condições desfavoráveis para folhosas pioneiras, como seriam o clima demasiado frio e/ou seco, bem como solos degenerados, oligotrópicos e pouco profundos. os Pinus são favorecidos pelo fogo quando os incêndios são relativamente raros e suficientemente intensos para eliminar totalmente a camada arbustiva.
O segundo grupo compõe-se de coníferas mais ou menos esciófilas. Exemplos típicos são os Podocarpus rospigliosii e Agathisdamnara sp. que regeneram em povoamentos fechados.

De um modo geral a caracterização das coníferas restringe-se à ocorrência em colônias e, em muitos caso formam povoamentos puros. Todas as florestas naturais de coníferas tem um valor econômico relativamente elevado e, não obstante, a existência de condições muitas vezes favoráveis para o maneio, ainda falta na maioria dos casos um maneio regular sustentado.

5. Dinâmica de florestas nativas

5. 1. Generalidades

Dinâmica florestal é o mecanismo através do qual a floresta se mantém em equilíbrio, mantém a sua estrutura e composição ao longo do tempo (Lamprecht, 1990). O estado atual de um povoamento florestal é resultado da interação de vários processos em particular o crescimento, a mortalidade e a regeneração.

Vários autores, entre os quais Lamprecht (1990), Whitmore (1991) e Jordan (1993) advogam a existência de dois grandes grupos de espécies de acordo com os requerimentos de luz para a regeneração e estabelecimento, nomeadamente: escifitas e heliófitas:

As esciófitas, também designadas por “tolerantes à luz”; “strugglers” ou “umbrófilas” que são aquelas que podem germinar e estabelecer-se na sombra.

Estas, apresentam estratégia "k", são colonizadores tardios e podem ser classificadas como esciófitas parciais e esciófitas totais, sendo as totais aquelas que suportam intensidade de sombra densa (Sitoe 1995).

Exemplos de espécies

Esciófitas: Casuarina equisetifolia, Acacia albida, Acacia nilotica e Kaya senegalensis.

As heliófitas, também conhecidas por “intolerantes à sombra”, “gamblers”, são aquelas que necessitam de luz direta para a sua germinação e estabelecimento.

Estas apresentam estratégia "r" e são colonizadoras de ambientes efémeros e sem concorrência. As heliófitas subdividem-se em heliófitas pioneiras (efémeras), que são extremamente intolerantes à sombra e heliófitas duráveis que são as que toleram algum nível de sombra, mas não chegam a ser classificadas como esciófitas (Sitoe, 1995).

A maioria das espécies do miombo são heliófitas, por exemplo: Brachystegia spiciformis, Brachystegia bohemii, Isoberlina angolensis e Julbernardia globiflora, Terminalia sericea, Pinus sp., Sweteniamacrophylla e Tectona grandes .As principais características que diferenciam as espécies heliófitas das esciófitas são apresentada a continuação.

5.1. Sucessão Florestal (caso de uma floresta tropical higrófila)

O conhecimento dos processos de sucessão ajudam sobremaneira o uso sustentável das florestas porque, diferentes estados de sucessão podem cumprir com diferentes funções e objetivos de maneio. O florestal pode por exemplo, manipular a floresta para produzir bens específicos (através do enriquecimento com espécies comerciais de rápido crescimento) ou serviços (recuperação de áreas degradadas, recuperação da fertilidade do solo através do plantio de espécies fixadoras de nitrogénio).

5.1.1. Definição

A sucessão pode ser definida de várias formas:

Segundo Louman et al., (2001), sucessão é um processo de mudanças ao nível da estrutura e composição da vegetação e que em determinado momento, num determinado sítio encontra-se uma série de comunidades vegetais diferentes.

Segundo Darrel (1980), Sucessão é o conjunto de mudanças observadas durante a transição de uma área sem vegetação para outra com cobertura vegetal.

Sucessão é o restabelecimento da vegetação de uma área por uma outra de natureza diferente ( Stephen et al., 1980). Excluem-se destas definições as mudanças sazonais que ocorrem em certas formações vegetais e que são cíclicas em função da estação do ano e as mudanças climáticas evolutivas por períodos de milénios.

Em função do tipo de substrato que a vegetação coloniza, a sucessão pode ser primária ou secundária (Finegan, 1993; e Louman et al, 2001): Segundo estes autores, sucessão primária é aquela que ocorre em substratos que antes tiveram vegetação, como por exemplo em materiais de origem vulcânica, sedimentos depositados por rios, etc.. A sucessão primária é lenta e, em geral inclui uma fase de melhoramento do sítio, na qual, as espécies fixadoras de nitrogénio podem ter um papel preponderante. Sucessão secundária, é o processo de recuperação da floresta depois de uma perturbação(abertura de uma clareira). Em casos de clareira grandes, a sucessão inicia com o desenvolvimento de uma vegetação herbácea para dar lugar uma vegetação arbórea para depois dar lugar a uma vegetação arbórea, que com tempo vai assumindo a estrutura e composição da floresta original.

Neste tipo de sucessão a recuperação da floresta depende completamente da rebrotação e germinação das sementes presentes no banco de sementes.

Exemplos: recuperação de terrenos agrícolas abandonados, recuperação da floresta após o aproveitamento.

5.1.2. Estágios de sucessão

Quando a sucessão ocorre em sítios livres da vegetação original, ela ocorre em três estágios a saber: estágio de floresta incipiente, estágio de floresta em transição e estágio de floresta madura.

1. Estágio de floresta incipiente

Uma superfície nua (não arborizada) constitui o ponto de partida de uma floresta incipiente e, muitas vezes, são áreas que resultam do desmatamento decorrente da ação antrópica (exploração, queimadas, etc.) ou desmatamento natural (furacões, incêndios, deslizamento do solo, mudanças de rumo nos cursos de águas, etc.).

Nesta etapa distinguem-se três fases de desenvolvimento:

Primeira fase: constituí-se de herbáceas e arbustos pioneiros e compreende os primeiros 3 anos de estabelecimento. As espécies arbóreas presentes compõe-se de arbustos densos, espécies sobreviventes (rebrotação) e plantas jovens nascidas de sementes imigrantes (espécies pioneiras agressivas e heliófitas).

Segunda fase: corresponde à de povoamentos secundários de 4 a 7 anos, dominados por espécies heliófitas de grande agressividade e rápido crescimento em altura. Em virtude de predominância de poucas espécies formam-se povoamentos homogéneos, e com uma tendência a formação de dois estratos.

Terceira fase: inicia na idade dos 8 anos e caracteriza-se pelo desaparecimento progressivo das espécies heliófitas, provocado pela intensificação da competição intra e inter-específica. O número de espécies esciófitas aumenta continuamente. O estágio de floresta incipiente encerra-se após 15 a 20 anos marcando de seguida o inicio da fase de floresta em transição.

2. Floresta de transição

A floresta de transição contém espécies heliófitas e espécies esciófitas da floresta madura (floresta primária). No estrato superior continua frequente a presença de espécies heliófitas e no(s) estrato(s) inferior(es) dominam espécies esciófitas, com a ocorrência frequente de dois estratos mais ou menos pronunciados. O número de espécies arbóreas por unidade de área aumenta significativamente, os quocientes de mistura baixam, a abundância relativa das espécies esciófitas aumenta e os povoamentos vão se tornando mais heterogéneos (Lamprecht, 1990).

Segundo o mesmo autor, a floresta de transição, após cerca de 60 a 80 anos, é sob o ponto de vista fisionômico, amplamente semelhantes às lorestas maduras.

Elas apresentam 3 ou mais estratos, variando em termos de espécies e dimensões (altura e diâmetro) em pequenas áreas de forma muito heterogénea. Os estratos inferiores e a regeneração compõem-se, na maior parte de espécies esciófitas capazes de suportar a sombra por muito tempo. Segundo Lamprecht (1990), não existem dados confiáveis a respeito da duração desta fase mas, estimativas indicam um período entre 200-600 anos.

A dominância de espécies heliófitas no estrato superior sugere uma intensidade de sombra média a densa, proporcionando condições favoráveis a regeneração das espécies esciófitas. As abundância relativas dos dois grupos de espécies corresponde a mais ou menos 50 %, o quociente de mistura é alto, revelando um povoamento homogénea em termos de participação dos dois grupos de espécies.

3. Floresta madura

A floresta madura (floresta primária), é extremamente diversificada. Contém espécies heliófitas mas, a participação de espécies esciófitas é muito mais pronunciada portanto, apresenta uma estrutura e composição variada.

Segundo Lamprecht (1990) e Jordam (1993), o número de espécies esciófitas nesta fase normalmente é alto, variando entre 40 a 80 espécies/ha e por vezes atinge valores superiores a 100.Os mesmos autores referem ainda que nesta etapa a floresta apresenta uma estrutura estável decorrente da ação de processos energéticos de alto dinamismo provocados e controlados principalmente por alterações locais das condições de luminosidade. A forma e altura das árvores é muito variável. O número de estratos varia entre 4 e 5, mas por vezes é muito difícil delimitar cada um deles. O estrato superior é dominado por espécies esciófitas (Tabela 9).

A dinâmica da floresta madura é determinada pela ocorrência de clareiras.

Clareiras essas que surgem como resultado da morte, decomposição das árvores em pé ou queda das árvores mortas/vivas de grande porte. As causas mais frequentes são o envelhecimento, a incidência de raios, o tombamento, e ataque de fungos e insetos. O tamanho médio dessas clareiras segundo Lamprecht (1990), tende a ser inferior a 0.1 hectares (geralmente situa-se entre 105 m2 a 800 m2).

5.2. Dinâmica da regeneração (caso duma floresta tropical higrófila)

Cada tipo de regeneração surge em dependência de numerosas pré- condições que normalmente diferem entre espécies arbóreas individuais ou grupos de espécies.

A dinâmica da regeneração depende dos seguintes: presença em quantidade suficiente de sementes viáveis; condições edáficas e climáticas altura das exigências da germinação e crescimento de cada espécie ou grupo de espécies, fatores bióticos (insetos, fungos, pássaros, morcegos, macacos e outro) e abióticos (calor, humidade, fatores mecânicos accionados por animais selvagens etc,) (Lamprecht, 1990).

Os animais consumidores de sementes, contribuem para dispersão destas, visto algumas sementes só germinam satisfatoriamente após terem passado pelo trato digestivo destes. Pragas e doenças e a concorrência entre plantas pode comprometer a regeneração.

De um modo geral os fatores decisivos para o êxito da regeneração são as condições locais de luminosidade. Por exemplo, a regeneração das espécies heliófitas tem a sua condição de êxito restritas às áreas abertas e clareiras de maiores proporções (> 0.2 hectares). As heliófitas adquirem muito cedo a capacidade de regeneração e já no primeiro ano de seu estabelecimento produzem sementes viáveis, frutificam anualmente e em alguns casos, várias vezes por ano, e em geral em grande abundância.

As sementes são facilmente transportáveis, leves, aladas, flutuantes, dispersadas pelo vento e pássaros a distâncias relativamente grandes (Lamprecht, 1990). As sementes são capazes de ficar dormentes durante muito tempo, esperando que se criem condições favoráveis para sua germinação. O mesmo autor constatou em estudos efetuados numa floresta madura que em cada metro quadrado da floresta e a 1 cm de profundidade da camada superior do solo a presença de cerca de 73 sementes viáveis de uma espécie heliófita e após o recolhimento observou que depois de 5 anos, elas ainda mantinham o seu poder germinativo.

Ao contrário das heliófitas que precisam de luz para desenvolver, as espécies esciófitas sobrevivem no interior da floresta até durante décadas sem crescer praticamente nada. Neste momento de espera elas preservam a sua capacidade de reagir com maior crescimento a qualquer melhoria nas condições de luminosidade.

Em geral, sua produção de sementes é baixa, a frutificação revela-se relativamente escassa em muitos casos, os frutos são pesados e a disseminação é feita predominantemente pela força de gravidade. As esciófitas totais conseguem permanecer dormentes durante muito tempo, ao passo que as esciófitas parciais toleram a sombra temporariamente, e se depois de muito tempo não houver incremento algum de luminosidade elas acabam opor morrer.

6. Competição e sua importância ecológica

6.1. Generalidades

Dentro de uma comunidade vegetal, existem relações e inter-relações entre indivíduos da mesma ou de espécie diferentes. Se a demanda pelos recursos entre eles for maior do que a sua disponibilidade, pode levar a competição pelos recursos. Portanto, eles podem competir pela água, nutrientes, luz, e espaço. Essa competição leva a que alguns indivíduos não consigam captar recursos suficiente para o seu crescimento e sobrevivência (Ellenberg, 1982, Louman et al., 2001).

A competição é um fenômeno que pode ser manipulado. O silvicultor pode influenciar as condições competitivas por exemplo através do desbaste, promovendo assim as espécies reprimidas no seu ótimo fisiológico de maneira a atingirem uma melhor produtividade.

A utilidade silvicultural dessa manipulação pode ser resumida da seguinte maneira:

Orientar ou direccionar a produção de carbohidratos para certas espécies e indivíduos desejados da mesma espécie.
Estimular o crescimento e aumentar a longevidade
Aumentar a produção de sementes dos indivíduos presentes numa determinada comunidade ou ecossistema e;
Aumentar o rendimento volumétrico.

A competição ocorre quando a disponibilidade de um recurso é limitada, isto é, não é suficiente para satisfazer a demanda. A competição pode afetar diferentes etapas de desenvolvimento de uma planta e levar à morte as mais prejudicadas.

Geralmente, a competição é assimétrica, porque algumas plantas tem um crescimento mais rápido e portanto no futuro terão um maior acesso aos recursos.

As causas da assimetria podem ser genéticas, existência de gradientes ambientais, diferenças entre espécies, diferença de idades, entre outros fatores.

6.2. Tipos de competição

Existem dois diferentes tipos de competição (Ellenberg, 1982 e Louman et al., 2001):

6.2.1.Competição intraespecífica

Esta ocorre entre indivíduos da mesma espécie e selecciona os indivíduos com maior vigor e saúde e os com menor vigor são eliminados. A competição intraespecífica é frequente em todo o tipo de monoculturas, seja em monoculturas de culturas agrícolas anuais ou em plantações florestais.

A competição intraespecífica é originada por alta densidade de indivíduos dentro de uma população. Se ela for baixa, a natalidade tende a ser superior que a mortalidade e a população cresce (figura 15). Uma densidade alta resulta em uma mortalidade maior que a natalidade, nestes casos tem-se uma maior competição, e o numero de indivíduos da população diminui. Em ambos os casos (alta ou baixa densidade), o tamanho da população se desloca até uma situação de equilíbrio entre natalidade e mortalidade, ou capacidade de carga (K) do sitio.

Alta densidade resulta numa maior competição, o que geralmente se reflete num menor crescimento dos indivíduos. A consequência disso é que pode-se dar o caso de ter que se esperar mais tempo para produzir o mesmo volume.

A mortalidade alta, por exemplo, quando a população ultrapassa a capacidade de carga (K), se deve a fenômenos de desbaste natural. A competição resulta em mortalidade reduzindo o número de plantas e permitindo que os sobreviventes tenham acesso a mais recursos, e assim aumentem em peso e tamanho.

6.2.2. Competição interespecífica

Ocorre entre indivíduos de espécies diferentes. Este tipo de competição para além de indivíduos indesejáveis pode eliminar indivíduos de espécies desejáveis.

A competição interespecífica ocorre quando indivíduos de uma determinada espécie tem que compartilhar os recursos com indivíduos de outra espécie (competição por exploração). Geralmente conduz à coexistência das espécies competidoras, mas também, pode conduzir à eliminação de uma das espécie de um determinado sitio. Este tipo de competição é assimétrica e os principais efeitos são a redução da abundância, reprodução, sobrevivência e crescimento de indivíduos da espécie em desvantagem.

Algumas espécies podem coexistir em certos sítios, mesmo com muitos indivíduos por unidade de área, porque as espécies geralmente toleram diferentes ambientes: ocupam nichos distintos usando os mesmos recursos. Espécies com uma estratégia de reprodução de tipo “k” geralmente se adaptam bem a tais situações. Espécies com uma estratégia de reprodução “r”, dificilmente poderão se estabelecer em uma floresta serrada, salvo em casos de distúrbios que criam clareiras, das quais reduzem a competição interespecífica criando assim condições para sua sobrevivência.

Nestes casos, o êxito da espécie sobreviver não depende da sua capacidade de competir com outras espécies, mas sim das oportunidades de regeneração criadas pela natureza (frequência e intensidade das perturbações). Esta relação pode ser cooperativa, donde diferentes indivíduos facilitam a existência de cada um usando recursos diferentes ou transferindo recursos que lhes sobrem. As relações de cooperação raras vezes se encontram entre as árvores, o que se verifica é que algumas espécies aproveitam-se da sombra de outros indivíduos durante uma fase do seu desenvolvimento.

6.3. Estratégias de competição

6.3. Estratégias de competição: Competição por exploração, onde um indivíduo tem que usar os recursos também usados por outros indivíduos. Por exemplo, uma planta herbácea é afetada pela presença de plantas vizinhas porque a zona onde ela extrai os recursos (luz, água, nutrientes) está sobreposta pela “zona de diminuição de recursos” das plantas vizinhas; e
Competição por interferência,
onde um indivíduo ativamente evita que outros usem o mesmo recurso (por exemplo alelopatia). A interferência é uma estratégia muito frequente entre animais, os quais podem ocupar territórios e defende-los para que outros animais não retirem os recursos que nele se encontram. Neste caso o território converte-se em recurso.

5.1. Comportamento silvicultural sob condições de competição

Numa região bem limitada com clima uniforme em primeiro lugar as particularidades do solo, principalmente humidade e fertilidade decidem sobre o potencial volumétrico e o rendimento das espécies arbóreas. Estes dois fatores importantes foram usados para desenhar diagramas ecológicos para mostrar o âmbito de humidade e acidez de cada espécie.

Em geral as espécies heliófitas têm menor força competitiva do que as espécies esciófitas. As figuras 19 e 20 mostram a amplitude fisiológica e o ótimo fisiológico.

Amplitude fisiológica é definida como sendo a gama de sítios ecológicos, no qual uma espécie arbórea pode povoar e, o ótimo fisiológico é o espaço onde uma espécie pode alcançar o seu maior crescimento, sob exclusão dos competidores. É importantante recordar que em situação de competição somente aquelas espécies arbóreas hábeis em competir a nível intra e interespecífica são capazes de se impor no seu ótimo fisiológico.

Para além da amplitude fisiológica existe a amplitude ecológica, que é definida como sendo o espaço no qual, uma espécie arbórea pode-se desenvolver em competição com outras espécies arbóreas.

As outras espécies com menor força competitiva são suplantadas através das árvores com poder competitivo superior. Portanto, muitas vezes uma certa espécie arbórea tem de se contentar com as condições edáficas desfavoráveis, povoando os sítios ecológicos mais extremos onde não há nenhuma competição. Esta área de ocorrência natural sob pressão competitiva chama-se amplitude ecológica duma espécie arbórea.

7. Análise silvicultural de uma floresta nativa.

7.1. Generalidades

Análise silvicultural é uma atividade muito importante para a planificação silvicultural. Ela fornece informação sobre a riqueza específica, diversidade, estrutura vertical e horizontal da floresta. Também fornece informação sobre o estado da regeneração, crescimento e mortalidade, informação essa, indispensável para decidir sobre a necessidade ou não de aplicação de tratamentos silviculturais, elaboração de planos de maneio, calibração de modelos de simulação de crescimento e rendimento, estimação de carbono armazenado, avaliação do processo de ciclo de nutrientes, etc.

A caracterização silvicultural é feitas com base em vários parâmetros como por exemplo, o dap, alturas das árvores, forma do fuste entre outros parâmetros a a seguir. Porém, esses parâmetros devem ter validade universal pelo menos para todas as florestais nos trópicos para que possam ser comparáveis (Lamprecht 1990).

Para isso é necessário que o levantamento desses parâmetros no campo observe certas normas estatísticas pré- definidas.

Existem muitas normas a observar num levantamento silvicultural, e algumas dessas normas são apresentadas a seguir. Para os que estiverem interessados em obter informação mais detalhada sobre o assunto aconselhamos a consultar Barbour et al, (1987), Alder & synnott (1992), Louman et al, (2001).

7.2. Normas para o levantamento silvicultural

a análise silvicultural não requer necessariamente o levantamento de todas as espécies vegetais de uma determinada floresta, normalmente define-se um dap mínimo de medição, e são definidas amostras e apartir dos resultados obtidos faz-se inferências sobre o resto da floresta;
dentro duma unidade de amostragem as condições do sítio e a distribuição das plantas têm de ser uniforme; por exemplo, evitar rios ou riachos, picadas, montanhas, mudanças de topografia, comunidades vegetais diferentes, etc..;
para garantir uma boa representatividade das espécies recomenda-se que o tamanho da amostra seja superior a 100 m2;
para completar os dados do levantamento deve-se tomar nota sobre a data, a região, coordenadas geográficas ( latitude, longitude, altitude), inclinação, o clima local, estrutura do solo ( tipo de solo, cobertura de húmus etc..), previas influências antrópicas, como queimadas, pastagem, forragem, exploração madeireira, recolha de lenha, etc.;
o tempo mais favorável para o levantamento é o período no qual se podem encontrar quase todas as espécies vegetais duma determinada associação vegetal mas também, que o acesso ao sítio seja fácil, visto que no período húmido alguns sítios não podem ser atingidos. Por exemplo, para o caso de Moçambique, o trabalho por período chuvoso de dificultado pela faltra de acesso. Contudo, é este o período mais adequado para o trabalho por causa da colheita de material botânico.

7.4. Selecção, tamanho e forma das amostras

Como já foi referido, a condução de uma análise silvicultural não tem por objetivo efetuar um senso (levantamento de todas as espécies arbóreas de um determinado lugar) mas sim uma inferência dados em pequenas parcelas (amostragem).

A questão que se coloca é: Qual é a área que deve ser amostrada? Que critérios serão usados para seleccionar essas áreas? Qual é que deve ser o tamanho e a forma das amostras? Nos parágrafos que se seguem tentaremos responder cada uma destas questões, mas também aconselha-se a consultar Barbour et al, (1987), Lamprecht (1990), Alder & synnott (1992), Louman et al, (2001).

Um dos critérios usados para determinar a área mínima de amostragem são as curvas espécie área (figura 21). Estas curvas, para além de ajudarem a determinar a área mínima de amostragem, também são utilizadas para exprimir om grau de complexidade das espécies numa determinada região. (Sitoe, 1995). Segundo este critério, prossegue-se o levantamento em pequenas parcelas (p. ex., 100m2 ou 200m2) até que não se registrem novas espécies. A soma dessas parcelas representa a área mínima de amostragem (ou área mínima representativa).

Área mínima de amostragem é a área a partir da qual se verifica um aumento pouco significativo de novas espécies ou seja, é o ponto a partir do qual, um aumento da área em cerca de 10 % resulta um acréscimo de espécies novas inferior a 10 %.

Para além da diversidade ecológica, a área mínima de amostragem também depende do diâmetro a partir do qual as árvores são consideradas. Quanto menor for este valor, tanto menor será a área mínima de amostragem. Dependendo da finalidade do estudo é comum serem estabelecido limites mínimos de medição.

Para levantamentos destinados à investigação e diagnóstico silvicultural (por exemplo, análise da estrutura do povoamento e dos processos dinâmicos do mesmo) recomenda-se um dap mínimo de 10 cm para incluir os dados sobre a regeneração, mas para levantamentos para fins comerciais são estabelecidos dap maiores que 20 ou 40 cm.

A selecção da área de amostragem pode ser feita de forma aleatória ou sistemática.

No primeiro caso segundo Lamprecht (1990) faz-se a estratificação da área florestal em seu conjunto, e em seguida faz-se um mapa reticulado representando as possíveis áreas de amostragem em cada estrato, e finalmente faz-se a escolha aleatória das área efetivas de amostragem. Porém, programas especiais de computadores hoje em dia já permitem fazer uma distribuição aleatória das amostras na área de estudo de forma rápida e simples.

Na amostragem sistemática segundo o mesmo autor faz-se o levantamento das áreas de amostragem em direcções e distancias pré- determinadas. Este tipo de amostragem é o mais recomendado hoje em dia, devido às suas vantagens comparativas, como por exemplo, é mais barato e a distância de caminhamento ao encontro das amostras é menor.

É importante sublinhar que a escolha do método de selecção das amostras também depende de fatores como o tipo florestal e a forma como as espécies se encontram distribuídas na área em questão. Independentemente do tipo de amostragem é importante garantir uma visão completa da composição e estrutura do povoamento, bem como sobre dos processos de desenvolvimento da regeneração, crescimento e mortalidade. Para o efeito, vários autores indicam que o tamanho ideal situa-se entre 1 a 10 ha.

No caso específico de florestas xerófilas, menos ricas em espécies vegetais e de estrutura menos complexa recomenda-se amostras até 1 ha, ao passo que, para florestas higrófilas de baixa altitude que são mais ricas em espécies vegetais e com uma estrutura mais complexa recomenda-se amostras entre 5 e 10 ha. Estudos recentes realizados em Moçambique provaram que amostras de 0,02 ha (20 x 100m) garantem uma visão completa da floresta (Pereira, 2001).

O tamanho das parcelas e sub- parcelas varia de acordo com os objetivos do estudo. A figura 22 mostra alguns exemplos de parcelas de amostragem. Quanto forma, as parcelas podem ser quadradas, retangulares, circulares, linhas ou transetos. Mas devido a variação de tipologias e espécies que ocorrem nas florestas naturais do País, e por razões técnico- operacionais (fáceis de estimar e visualizar) as parcelas retangulares têm sido recomendadas (Pereira, 2001).

7.4. Dados necessários para a caracterização silvicultural

A decisão relativa aos dados a serem levantados depende essencialmente dos objetivos do estudo.

A seguir apresenta-se uma lista de informações básicas que devem ser recolhidas durante o levantamento:

Informação sobre as espécies arbóreas existentes:

segundo o número de indivíduos ( abundância )
segundo a distribuição horizontal ( frequência )
segundo as dimensões (DAP, alturas )

A posição sociológica de cada árvore e as estruturas verticais dos povoamentos;
A qualidade ( fuste, copas ) de cada árvore;
Peso de cada árvore (tronco, ramos, folhas e raízes);
A formação de copa e grau de exposição à luz de cada árvore; regeneração natural, etc.

7.5. Interpretação dos dados

Com os dados obtidos podem ser calculados os seguintes parâmetros:

a) Abundância = Número de árvores por espécie. Distingue-se abundância absoluta (número de árvores por espécie) e abundância relativa ( participação percentual de cada espécie no total de árvores).

b) Frequências = Exprime a percentagem de ocorrência ou ausência de uma espécie numa determinado lugar. Este parâmetro dá uma ideia da distribuição das espécies no espaço de amostragem, e varia entre 0 a 100 %. Valores altos de frequência (61%- 100%) indicam uma composição florística homogénea, valores baixos (1%- 40%) significam alta heterogeneidade florística. Quanto maior for a extensão de respectiva parcela, maior é o número de espécies que passam a fazer parte das classes superiores de frequência.

c) Dominância = A dominância propriamente dita estima-se através do somatório dos diâmetros das copas de todos indivíduos de uma determinada espécie por área.

Porque é difícil e dispendioso determinar as projecções das copas no solo, a dominância é estimada através do somatório das áreas basais dos troncos, visto que existe uma correlação linear relativamente rigorosa entre os diâmetros das copas e do tronco. A dominância normalmente é expressa em m2/ha. A dominância pode ser absoluta ou relativa. Absoluta é dada pelo somatório das áreas basais de todos individuais e exprime-se e metros quadrados, ao passo que a relativa é a participação percentual de uma espécie no total da área basal e varia entre 0-100 %.

d) Índice de valor de importância (IVI) = Obtêm-se através do somatório dos valores da abundância relativa, frequência relativa e dominância relativa de cada índice. Este parâmetro permite comparar os pesos ecológicos das espécies num determinado tipo florestal, isto é, é uma indicação da diferença ou semelhança entre povoamentos quanto a estrutura e composição, características do sítio e a dinâmica dos povoamentos.

e).Quociente de mistura (QM) = É uma indicação da intensidade de mistura das espécies de um determinado lugar, e obtém-se da razão entre o número das espécies e número de indivíduos

f) Biomassa = É a massa dos organismos vivos por unidade de superfície. Nas plantas é comum diferenciar entre biomassa aérea e biomassa subterrânea (das raízes). A biomassa (Kg/m2) é um indicador de produtividade (Kg m-2 ano-1) de um sítio, e varia com a precipitação, temperatura, latitude e altitude.

g). Índices de biodiversidade = Os índices de biodiversidade são uma importante ferramenta para avaliação da diversidade vegetal, devido aos padrões de variação temporais e espaciais que ocorre normalmente em florestas, além de que funciona como uma ferramenta para avaliar o estado do ecossistema. Contudo, a diversidade é um parâmetro difícil de definir e interpretar, devido aos aspectos relaccionados com a medição de diversidade, veja Magurram (1988). Para efeitos deste manual é suficiente referir que a diversidade pode ser medida através do número de espécies, a sua abundância relativa ou medidas que usam as duas componentes.

7.6. Exemplo de uma análise silvicultural

O presente estudo foi levado a cabo numa zona de transição entre o miombo decíduo e seme-decíduo de alta precipitação localizada no planalto de Báruè, distrito do mesmo nome ao noroeste da província de Manica, aproximadamente a 18.190 de latitude Sul e 33.240 de longitude Leste. A altitude média do sítio é de 556 metros sobre o nível médio das águas do mar, com uma temperatura media anual de 230 C, precipitação media anual de 1591mm e solos com um teor médio de matéria orgânica (1.4-3.6 %) e pH entre 4.8 e 7.4. O estudo tinha como objetivo determinar o peso seco da Brachystegia spiciformis, espécie arbórea mais abundante com a finalidade de construir equações alométricas entre o diâ metro e peso (do tronco, ramos e folhas) e entre o diâmetro e o volume do tronco.

Para o efeito, foram estabelecidos dois transetos de 5 parcelas temporárias (10 parcelas) com 20X20m e separadas 20m uma da outra. Os transetos foram estabelecidos na orientação Norte-Sul e Este-Oeste cruzando-se entre si na parcela central (Figura 22 B).

Dentro de cada parcela foram ,medidos todos os dap 10cm, e foram identificadas pelo nome cientifico todas as espécies arbóreas. A informação recolhida em cada uma das parcelas.

Uma vez determinada a espécie mais abundante da área de estudo, (Brachystegia spicifomis) o passo seguinte consistiu em seleccionar as árvores de amostra e amostras de partes dessas árvores (tronco, ramos e folhas) para determinação do peso seco no laboratório. Para o primeiro caso, foram definidas três classes de diâmetros.

10-20 cm árvores pequenas;
20-30 cm árvores médias; e
30 < DAP  40 cm para árvores grandes.

Para cada classe de tamanho foram abatidas 4 árvores (perfazendo um total de 12 árvores) das quais foram medidas o dap, comprimento total (altura total) comprimento do tronco (altura comercial), diâmetro do topo e da base do tronco, diâmetro da copa e o peso verde total de cada uma dos compartimentos (tronco, ramos e folhas).

Para o segundo caso (selecção das árvores para o laboratório) foram extraídas amostras do tronco, ramos e folhas para determina-se o peso seco. As amostras do tronco e dos ramos foram utilizadas para produzir corpos de prova de tamanho 25x25x100 mm que posteriormente foram secados na estufa a uma temperatura de 85 ºC até peso constante. As folhas foram colocadas em sacos de papel e secadas na estufa à mesma temperatura. O peso seco total da parte aérea foi estimado a partir do somatório dos pesos dos 3 compartimentos (folhas, ramos e tronco).

Dos resultados encontrados neste estudo consta que foram registadas um total de 18 espécies e identificadas pelo nome científico. As espécies identificadas representam 11 famílias, sendo a mais comum a Fabaceae.

A espécie mais abundante foi Brachystegia spiciformis que presenta 22 % do total das árvores medidas nas parcelas, seguindo-se Pseudolachnostylis maprouneifolia e Swartzia madagascariensis com 20 % e 11 % respectivamente. A espécie mais frequente é a Pseudolachnostylis maprouneifolia que foi encontrada em 9 das parcelas observadas (frequência relativa 19 %), seguida da Brachystegia spiciformis e Swartzia madagascariensis com 15 e 13% respectivamente. Brachystegia spiciformis, e Pseudolachnostylis mapruneifolia têm a maior dominância no povoamento com 53, 14 e 11 % da área basal total das árvores. Berchemia discolor, ainda que tenha uma dominância relativamente baixa (12 %) tem uma elevada dominância devido ao tamanho da única árvore encontrada (107 cm). Julbernadia globiflora é tida como uma das espécies representativas do miombo mas, ao contrário do que se esperava, esta não apresenta valores altos de abundância, frequência e dominância.

O diâmetro máximo medido na área de estudo foi 107 cm. Cerca de 53 % das árvores tem dap menor que 20 cm (são pequenas) e 23 % tem dap entre 20-30 cm (médias) e as restantes são árvores grandes. Estas cifras são típicas de uma floresta de tipo miombo onde as árvores não atingem diâmetros muito grandes.

A grande variabilidade ao nível do DAP (39 %) e volume do tronco (85 %) se deve a alta heterogeneidade do tamanho das árvores, isto é, a amostragem de árvores de diferentes classes diamétricas como foi referenciado nas considerações metodológicas por forma a obter funções/equações de peso em função do DAP das árvores que sejam representativas de todas classes diamétricas .

Segundo os mesmos autores, variações na latitude sugerem variações na radiação solar e temperatura.

Em geral, um aumento da latitude sugere uma diminuição da radiação solar, temperatura e precipitação, consequentemente, redução da biomassa. Embora não existam dados concretos que suportem o argumento atrás referido, seguindo o raciocínio destes autores pode-se inferir que, para regiões localizadas nas latitudes inferiores às da área estudada p.ex. Cabo Delgado, Niassa e Nampula teram valores de biomassa superiores e as províncias da região sul (p.ex. Maputo) inferiores que aqueles que foram encontrados na área de estudo.

A maior percentagem de humidade foi encontrada nas folhas (43 %), seguido do tronco e ramos com 35 % e 34 %, respectivamente. Resultados similares foram encontrados por outros autores como Campos (1991) estudando Ilex paraguariensis, Caldeiras et al.,(2000) em Acacia mearnsii em florestas naturais do Brasil. O alto teor de humidade, referem os mesmos autores que se deve ao fato de se encontrarem nas folhas a maioria das células vivas que tendem não só a acumular água, mas também à maior quantidade de nutrientes em função dos processos de transpiração e fotossíntese.

A ordem decrescente de distribuição de biomassa seca pelos diferentes compartimentos, ramos, troncos e folhas foi 3846 kg, 1781 kg e 99 kg respectivamente.

Isto significa que 67 % da biomassa total encontra-se nos ramos. Distribuição similar foi encontrada em Acacia mearnsii num povoamento natural do estado do Rio Grande do Sul no Brasil (Caldeira et al., 2000).

É importante referir que a distribuição de biomassa encontrada no presente trabalho pode diferir de outros estudos de biomassa. Por exemplo, Campos (1991) embora tenha chegado à mesma conclusão com relação às folhas na ordem de distribuição da biomassa, obteve uma distribuição diferente com relação ao tronco e ramos, isto é biomassa do tronco > ramos. Isto deveu-se ao fato de que a espécie estudada recebeu maneio silvicultural, que lhe conferiu conformação arbustiva, alterando suas proporções naturais que influenciou diretamente na distribuição de biomassa em seus compartimentos.

Os níveis de correlação entre as diferentes medidas das árvores utilizadas no presente estudo, analisadas através do coeficiente de correlação mostram que existe uma correlação positiva entre as diferentes medidas, isto é, o crescimento de uma medida é acompanhada pelo crescimento de outras.

As menores correlações foram observadas entre o peso das folhas e as seguintes medidas: dap, volume do tronco, peso do tronco, peso dos ramos e o peso total. Os valores baixos devem-se ao fato de que, na altura da realização do presente trabalho (Julho) ser o início da época em que ocorre a desfolheação da Brachystegia spiciformis (obs.pes.), reforçada pela literatura que também indica o período entre Julho-Agosto.

O DAP representa um importante índice de volume e peso individual das árvores.

O peso aérea total (tronco, ramos e folhas) aumentam com o aumento do dap, tendo sido ajustada uma curva quadrática (Figura 24). Correlação similar foi observada por Frost (1996) em povoamentos naturais de miombo. O peso do tronco e respectivo volume apresentam as mesmas tendências, isto é, aumentam com o aumento do dap (Figura 25) e a função linear teve o melhor ajuste.

Através das relações encontradas entre o dap/peso total (Wt= 0,91dap2 - 2dap-31,5) e o dap/peso do tronco (Ws= -119,3 + 1155,1dap/100) pode-se estimar o peso total ou do tronco respectivamente a partir do dap. Os coeficientes de regressão para as duas equações acima referidas são altos ( r2 =0.94 e r2 =0.82 respectivamente) o que significa que elas podem fornecer inferências fiáveis em florestas ecologicamente similares.

A relação dap/Volume do tronco (Figura 24) mostrou um coeficiente de regressão baixo (r2 =0,79), isto significa que as inferências do valor do volume a partir do dap não devem ser usados para estudos que requeram alta precisão dos volumes (exploração madeireira).

Dos resultados encontrados no presente estudo que são preliminares para estudos de biomassa e produtividade vegetal em geral e em particular da Brachystegia Spiciformis, obtiveram-se relações alométricas significativas entre o dap/peso total e dap/peso do tronco. Também foi observado que o peso aéreo total (tronco, ramos e folhas) aumenta com o aumento do dap. Em florestas ecologicamente similares estas relações podem ser utilizadas com fiabilidade como uma base para auxiliar as atividades de maneio silvicultural.

O estudo recomenda a continuidade de estudos similares para auxiliarem na tomada de decisões de maneio, mas também, contribuir para enriquecimento do material didáctico de silvicultura tropical, ecologia etc.., e fortalecer o intercâmbio com outras instituições da região com florestas do mesmo tipo.

8. Sistemas Silviculturais

8.1. Generalidades

Sistema silvicultural é uma sequência de amostragens e tratamentos silviculturais com vista a obter uma floresta com uma proporção de árvores de espécies comercias desejáveis e cada vez mais vigorosas (Louman et al., 2001).

Os sistemas silviculturais subdividem-seBasicamente distinguem-se dois grupos principais de sistemas silviculturais (Louman et al., 2001): sistemas monocíclicos e sistemas policíclicos. A escolha de um sistema ou outro, e a adaptação do sistema a um determinado local, depende muito da composição florística, da estrutura e dinâmica da floresta a manejar, entre outros aspectos ecológicos das espécies escolhidas e do sitio.

O inventário florestal é a ferramenta mais importante para responder às questões atrás referidas, e consequentemente para a tomada de decisão. Para alem dos aspectos ecológicos do sitio e da (s) espécie (s) escolhida(s), a escolha do sistema deve considerar o ambiente político, social, aspectos técnicos e econômicos.

Resumidamente, o sistema escolhido deve ser ecologicamente sustentável, tecnicamente exequível, economicamente viável, cultural e socialmente aceitável.

A figura 26 apresentado à continuação, mostra resumidamente as etapas do processo decisório para escolha do sistema silvicultural. Segundo o esquema, o primeiro passo consiste na avaliação das espécies e estrutura do povoamento florestal.

A partir dos dados do inventário faz-se a distinção entre os dois tipos de florestas (Lamprecht 1990):

(1) florestas cujo estado oferece a possibilidade de transição direta para um empreendimento florestal sustentado e adequado para produzir madeira. Por conseguinte, se tornam desnecessárias medidas de domesticação. Como exemplos podem-se mencionar as florestas de coníferas tropicais, as florestas paludosas de água doce e os mangais e;
(2)
florestas que por diversas razões se revelam inadequadas para uma transição direta para uma produção natural sustentada de madeira. Nestes casos o primeiro passo para iniciar o maneio florestal consiste na chamada domesticação que pode ser feita quer através da transformação (melhoramento ou enriquecimento) ou substituição.

Domesticação é uma técnica que compreende um conjunto de medidas voltadas elevação da produtividade econômica de um povoamento, pelo menos até se atingir um maneio sustentado que cobre os custos de investimento. Este procedimento têm por objetivo instalar povoamentos iniciais aptos para a aplicação dos princípios gerais de um maneio sustentado e ordenado.

As principais características dos povoamentos domesticados são:

Sob aspecto florístico, dimensões e estrutura etária são mais homogéneos do que os povoamentos originais;
produzam maiores quantidades de madeira;
os povoamentos visados normalmente apresentam uma elevada percentagem de madeiras comerciais e poucas espécies de madeira sem valor comercial. Porém, não é desejável eliminar na totalidade as espécies não rentáveis, porque as madeiras sem préstimo hoje podem ter alto valor ecológico e no futuro tornarem-se economicamente viáveis;
a qualidade de produção futura normalmente ultrapassa a de povoamentos não domesticados.

8.2. Formas de domesticação

8.2.1. Transformação

Na transformação há uma conversão gradual e lenta da floresta quanto à composição e/ou estrutura. As operações de transformação destinam-se à criação de florestas manejadas em condições próximas às naturais. Uma das características da transformação é que os objetivos devem ser atingidos sem grandes alterações do ecossistema natural, isto é, sem provocar perdas substanciais em suas aptidões de funcionamento e em sua capacidade de auto conservação.

Vantagens da transformação:

custos relativamente baixos, tanto na fase da domesticação como no maneio florestal posterior pois são utilizadas preferencialmente as forças produtivas naturais;
prevenção de erros, com efeitos provavelmente desastrosos na selecção das espécies arbóreas e na mistura das espécies, assim como na constituição dos futuros povoamentos manejados;
elevada estabilidade biocenótica das florestas manejadas o que garante uma margem de segurança permanente no maneio de produção;
reduzidas perdas de bioelementos no ciclo nutrientes, graças à reduzida extração de biomassa.

Desvantagens da transformação:

as perspectivas de êxito são demasiado inseguras;
os custos são elevados em confronto com os incrementos de produção atingidos;
os sistemas são demasiado lentos;
a relação entre custos e benefícios de produção permanece desfavorável durante anos e;
as operações, que em muitos casos obrigam a uma execução descentralizada, também em termos espaciais, dificultam a organização do trabalho e das medidas de vigilância.

Várias pesquisas têm sido feitas na tentativa de minimizar estas desvantagens.

Por exemplo, das pesquisas efetuadas por Lamprecht (1990) definiu-se as seguintes diretrizes para a transformação: cada transformação deve ser previamente preparada e com todo o cuidado, a execução deve ser assegurada ao nível organizacional, financeiro, pessoal e, a constituição do povoamento deve merecer atenções especiais.

8.2. 2. Substituição

Na substituição há uma permuta de florestas naturais por florestas artificiais em áreas muito vastas, em geral depois de um corte raso. Em relação as técnicas de estabelecimento e tratamentos culturais necessários, a substituição se assemelha ao florestamento.

Praticamente, na maioria dos casos os resultados são idênticos às monoculturas equiâneas mono-estratificadas com espécies arbóreas exóticas de rápido crescimento. Na substituição, as considerações de ordem ecológica e silvicultural, desempenham um papel secundário comparado com as questões técnicofinanceiras.

Os objetivos e métodos de produção são similares aos das plantações madeireiras.

8.3. Tipos de sistemas silviculturais

8.3.1. Sistemas Monocíclicos

São designados monocíclicos os sistemas pelos quais, em uma só operação, é abatida a totalidade de estoque de madeira comercial. Estes sistemas tem por objetivo criar florestas altas equiâneas destinadas à exploração e operações de regeneração dentro de rotações previamente estabelecidas (rotações longas). São exemplos deste sistema o Método Malaio Uniforme (MMU), Método Tropical de Regeneração sob Cobertura (MTC), Método de Taungya, Método de Martineau, entre outros, descritos detalhadamente por Lamprecht (1990) Os sistemas monocíclicos dependem principalmente da regeneração (natural/artificial). A regeneração ocorre em cima de toda a área da intervenção o que conduz a uma certa uniformidade estrutural do novo povoamento.

O sucesso deste sistema depende de alguns requisitos: as espécies em questão devem ter capacidade de produzir sementes com regularidade e em grandes quantidade e, a manipulação do dossel superior deve ser tal que facilite a regeneração em questão e ao mesmo tempo evite a competição pelos recursos entre a regeneração e as espécies indesejáveis.

Os sistemas monocíclicos tem oferecido melhores resultados em florestas secundárias e dominadas por uma ou poucas espécies de valor comercial por várias razões: primeiro porque a composição florística dessas florestas é mais homogénea, compõe-se de muitas espécies com produção regular e abundante de sementes e são dotadas de alta capacidade de competição, segundo porque essas florestas são de rápido crescimento e tem um ciclo de vida curto o que permite um retorno rápido.

O uso de sistemas monocíclicos pode resultar em consequências negativas sobre a função protetora da floresta e sobre a biodiversidade, pois sempre inclui um corte de muitas árvores sem valor comercial, isto significa que deixa a floresta temporariamente exposta à chuva, ventos e ao sol, o que pode reduzir significativamente a sua capacidade produtiva. Os aspectos técnicos e ecológicos que caracterizam os sistemas monocíclicos estão resumidos na tabela 1.

8.3.1.2. Subdivisão dos sistema monocíclicos:

8.3.1.2. Sistemas para florestas de baixa altitude (corte raso e rebrotação)

Neste sistema a regeneração depende da rebrotação das toiças resultantes de um corte raso. A madeira produzida segundo este sistema, geralmente destina-se produção de lenha, carvão, postes e madeira para polpa de papel.

Vantagens

regeneração através de toiças é rápida e fácil;
não exige muito trabalho para manter a regeneração e,
o rápido crescimento dos rebentos suprime o efeito da competição com espécies herbáceas;

Desvantagens:

quando aplicado na forma de ciclos curtos não permite obter madeira para serração devido ao diâmetro menor das árvores;
depois de várias colheitas os troncos perdem vigor, sua taxa de recuperação se reduz o que necessita de uma regeneração artificial,
o sistema só funciona bem quando se utilizam espécies com boa capacidade de rebrotação.

8.3.1.3. Sistemas para floresta alta (primárias e secundárias)

Neste sistema distinguem-se três grupos. Dois que manejam a nova regeneração, entre os quais um abre o dossel antes do corte principal ou deixa sementes para permitir o estabelecimento da nova regeneração (por exemplo o Método Tropical de Regeneração sob Cobertura –MTC) e o segundo remove o dossel superior de uma só véz supondo que já existe uma regeneração suficiente para a colheita posterior (por exemplo o Método Malaio Uniforme –MMU). O terceiro grupo é denominado sistema de melhoramento que na realidade e uma adaptação dos que removem o dossel superior de uma só vez, e consiste em manejar a regeneração já estabelecida com a eliminação de espécies individuais no dossel superior.

Este sistema subdivide-se em:

Sistema de regeneração natural/artificial com dossel protetor;
Sistemas que eliminam o dossel superior de uma só vez e dependem da regeneração de sementes (natural ou artificial) e;
Sistema monocíclico de melhoramento.

3.3.1.2.2.1. Sistema de regeneração natural ou artificial com dossel protetor

Este sistema aplicado em muitos países da África e Ásia, e baseia-se na remoção do dossel superior em três ocasiões. O sistema parte do principio que nem sempre é seguro confiar no surgimento automático da regeneração natural, por isso, a primeira e mais importante tarefa do silvicultor nessas condições é criar tal regeneração. Assim, são feitos dois cortes, um para abrir o dossel e favorecer a regeneração das espécies mais valiosas (designados cortes de melhoramento da regeneração) e o outro corte se concentra nas árvores de valor comercial e feito 5- 8 anos após o primeiro (Louman et al., 2001).

Um exemplo típico deste sistema, é o Método Tropical de Regeneração sob Cobertura (MTC), desenvolvido e aplicado em grandes áreas da Nigéria a partir de 1940, com um tempo de rotação previsto de 100 anos, e composto fundamentalmente pelas seguintes operações (Tabela 16).

Vantagens do MTC:

segurança com respeito ao estabelecimento da regeneração natural desejada porque as árvores porta- sementes são exploradas somente depois de assegurado o aparecimento da regeneração natural;
possibilidade de regeneração e adaptação das espécies arbóreas se adaptarem s necessidades de luz, porque o dossel superior é removido gradualmente;
evita a exposição total do solo da floresta aos ventos, chuva e ao sol;
os aclaramentos efetuam-se de tal forma que reduz o risco de surgimento de vegetação invasora asfixiante.

Desvantagens:

exigências consideráveis à capacidade organizacional e silvicultural dos serviços florestais e;
é um método demasiado esquemático, de execução complicada e dispendiosa. As primeiras receitas da exploração não se obtêm antes do 6o ano. E os custos de transformação são mais do que 40 % da receita liquida proveniente da vendas da madeira.

O MTC “original“ (descrito acima) é um método que comprovou seus méritos sob as condições mais diversas nas florestas dos trópicos, porém, foi abandonado e substituído pelo MTC de Trindade, também designado Método de Regeneração sob Cobertura Alta como uma tentativa de simplificar e reduzir os custos do MTC “original”.

As vantagens econômicas e organizacionais do MTC de Trindade em relação ao método original são evidentes: não são necessários preparativos morosos e dispendiosos, aproveita-se a maior parte da madeira antiga (madeiras comerciais, lenha e carvão), método com um tempo de retorno mais curto, método que distingue entre espécies heliófitas de rápido crescimento e espécies esciófitas com o objetivo de formar uma floresta biestratificada.

A exploração das espécies heliófitas que constituem o estrato superior efetua-se na idade de 30 anos, é para as espécies esciófitas que constituem os estratos médio e inferior a rotação prevista e de 60 anos. Este método só garante sucesso quando se tem uma regeneração de árvores cobrindo toda área.

8.3.1.2.3.3. Remoção do dossel superior de uma só vez

A chave deste sistema é a presença de uma regeneração suficiente de espécies comerciais antes do aproveitamento. O Sistema Malaio Uniforme (MMU) é um exemplo dos sistemas que removem o dossel de uma só vez. Segundo Lamprecht (1990) e Louman et al. (2001), o MMU inicia quando se provar que a regeneração existente na floresta é satisfatória, isto é, quando a regeneração estabelecida de espécies comerciais ocorre em 35 % das amostras inventariadas e as espécies desejáveis em 25 %. Caso esta exigência não esteja satisfeita, em principio não são aceites explorações. Caso a regeneração seja considerada satisfatória segue-se a remoção do dossel superior. Todas árvores de valor comercial com diâmetro superior a 40 cm são aproveitadas, e as indesejáveis com diâmetro a partir de 5 cm são eliminadas por envenenamento.

Uma vez removido o dossel superior, o maneio silvicultural concentra-se no cuidado da regeneração das árvores de futura colheita (AFC) no sentido de transformar-se em uma floresta alta, com componentes mais ou menos equiâneos.

O número, disposição, necessidade de cuidados e desenvolvimento destas denominadas AFC são controladas através de amostragens quadráticas pela primeira vez cerca de 10 anos após a exploração. A melhoria da qualidade do povoamento e conseguida através de um desbaste seletivo.

8.3.2. Sistemas Policíclicos

São aqueles que manejam o povoamento em pé, e as operações de abate do estoque de madeira se aplicam cada vez apenas a uma parte das espécies, com o objetivo de criar uma floresta alta multiânea manejada e composta predominantemente por espécies comerciais.

Nos sistemas policíclicos os cortes realizam-se tanto durante a transformação, como mais tarde em intervalos regulares denominados rotações. Estes sistemas requerem menos inversão inicial, portanto decorrem sem alteração substancial das estruturas naturais, o que significa menos riscos ecológicos, financeiros e ingresso mais frequentes.

Os aspectos técnicos e ecológicos que caracterizam estes sistema são apresentados continuação (Tabela 17). Para que os sistema policíclicos sejam bem sucedidos é importante manter os danos sobre a vegetação, solo e água resultantes do aproveitamento dentro de limites aceitáveis (aproveitamento de impacto reduzido) por forma a permitir a recuperação do povoamento durante o período entre os aproveitamentos sucessivos.

Os sistemas policíclicos basicamente subdividem-se em três grupos:

(1) sistemas de enriquecimento;
(2)
sistemas de melhoramento e
(3)
sistemas de desbastes.

8.3.2.1. Sistemas de enriquecimento Estes sistemas têm por finalidade aumentar a proporção de espécies comerciais por meio de plantações no povoamento original. O enriquecimento pode ser aconselhável quando o número de indivíduos com valor comercial no povoamento é insuficiente ou totalmente inexistentes (por exemplo florestas exploradas).

Um exemplo de sistema de enriquecimento frequentemente empregue, é o denominado sistema clássico de plantio em linhas e segundo Lamprecht (1990) este sistema compreende os seguintes passos:

abertura de faixas paralelas com 5 metros de largura, no sentido Este-Oeste, espaçadas entre elas 10, 15 ou 20 metros;
corte de todo o material com dap < 15 ou 18 cm existentes nas faixas,
anelamento ou envenenamento de todas as árvores com dap > 18 cm existentes em toda a área;
os plantios fazem-se ao longo do eixo da faixa, utilizando um espaçamento de 3 metros. Para tal utilizam-se plantulas com altura superior a 1m. A escolha das espécies deve tomar em consideração as condições do sítio.
as linhas de plantio são periodicamente controladas e limpas. No primeiro ano são necessárias até três intervenções deste tipo. Com o crescimento em altura das árvores recém plantadas torna-se possível reduzir sucessivamente os tratamentos culturais nas faixas.

Vantagens do sistema

uma vantagem de peso consiste em que a domesticação através de plantios de enriquecimento ocorre sem operações de corte raso, preservando assim, pelo menos em parte, o clima interior e a protecção do solo através do povoamento original;
torna-se assim possível também introduzir posteriormente com sucesso, espécies esciófitas que não conseguem subsistir em terrenos abertos;
debaixo dum estrato superior a ser formado em idade mais avançada pelas espécies de valor, poder-se-á conservar um povoamento auxiliar natural multiestratificado e rico em espécies e;
graças ao reduzido número de plantulas, os custos de material e de transporte são baixos. As despesas com os cuidados culturais também são relativamente baixas, já que com a manutenção de alguma vegetação à altura de joelho nas faixas, reduz-se fortemente a invasão de lianas e vegetação secundária asfixiante;

utilização de máquinas em princípio é possível.

Desvantagens do sistema

custos elevados derivados da abertura das faixas e dos imprescindíveis tratamentos culturais intensivos;
as faixas de fácil acesso, são locais preferidos de permanência e passagem de animais de caça. Os danos provocados por mordeduras e pisoteio podem ser, em certos casos, consideráveis e;
pode levar à mortalidade das plantulas caso as condições de luminosidade nas faixas forem insuficientes.

Exemplos de outras variantes de sistemas enriquecimento são: sistema mexicano, método Caimital (também designado por regeneração natural em faixas) e o método de Anderson “Placeaux Anderson”. No método de Anderson, as plantações em faixas são feitas em grupos. Para tal, limpa-se totalmente em espaços de 10 metros um quadrado com 6 a 10 m de lado, que é plantado com espaçamentos de 0,5 por 0,5 até 1,0 por 1,0 m. Pretende se reduzir assim a concorrência entre as espécies.

Da concorrência entre elementos da mesma espécie espera se que os indivíduos mais vigorosos dentro de cada grupo superem automaticamente os demais. As despesas com os tratos culturais são, por isso, mais baixas e os custos de instalação, em contrapartida, mais elevados. Comparado com o plantio, a semeadura, também possível, seria mais econômica, mas exigiria maiores dispêndios na manutenção.

Para que os sistemas de enriquecimento sejam bem sucedidos é preciso entre outros aspectos observar os seguintes:

revolver toda área antes da plantação, para evitar a compactação do solo que pode ter efeitos altamente negativos sobre o estabelecimento e crescimento das plantulas;
na fase inicial é aconselhável usar espécies heliófitas efémeras ou duráveis devido ao seu rápido crescimento;
para além das árvores plantadas, a vegetação ao longo do eixo ou entre as faixas deve ser cuidadosamente favorecida;
libertar as plantas da competição ao nível das copas e das raízes;
para maximizar a entrada de luz as faixas devem ser orientadas no sentido este oeste;
proteger a área de danos causados pela vida silvestre, porque , as faixas abertas facilitam o acesso de animais e plantas.

8.3.2.2. Sistemas de melhoramento

São os que manejam o povoamento em pé e pretendem homogeneizar a composição florística drasticamente por meio da eliminação de espécies indesejáveis (refinamento), para melhorar a produção no futuro (Louman et al.

2001).

O êxito da aplicação destes sistemas segundo Lamprecht (1990) depende dos seguintes pressupostos:

existência de um número suficiente de árvores promissoras de espécies comerciais. Na prática considera-se a relação de 100 candidatos por hectare como suficiente;
distribuição mais ou menos uniforme destes candidatos por toda a área e;
capacidade de reação satisfatória e duradoura dos candidatos às medidas de beneficiamento. Neste caso será dada preferência aos povoamentos jovens, especialmente florestas secundárias jovens, que também preenchem os outros dois pressupostos.

O sistema CELOS e os desbastes de beneficiamento (Improvement fellings) são alguns exemplos de sistemas de melhoramento.

Os desbastes de beneficiamento são dos mais antigos sistemas de melhoramento, e apresentam as seguintes características:

ordenamento da floresta em sub- unidades ou blocos operacionais de extensão limitada, permitindo a realização das intervenções bloco por bloco;corte de todas as lianas e eliminação de todo o material não desejado de acordo com uma lista de espécies;
favorecimento das espécies valiosas também segundo lista prévia. Podem ser favorecidas árvores do estrato superior, assim como árvores vigorosas de estratos intermediários com clara tendência ascendente. somente os concorrentes mais fortes são extraídos ou anelados e;
repetir as intervenções de acordo com as necessidades, mais tarde elas se converterão em desbastes seletivos.

O sistema CELOS é um dos mais estudados hoje em dia, apesar de ser aplicado mais à escala experimental que à escala comercial. Este sistema tem servido de base para o desenvolvimento de atividades silviculturais em muitos países tropicais.

O tratamento silvicultural mais comum neste sistema é o refinamento, e é usado para eliminar todas as árvores de espécies indesejáveis com dap a partir de 5 a 10 cm e todas as árvores de valor comercial mas com ma forma. O refinamento deve ser de menor intensidade por forma a reduzir os riscos de perda de biodiversidade e perda de espécies que no futuro poderiam ter valor comercial e reduzir variações bruscas do microclima causado por aberturas grandes. O aproveitamento, que incorpora medidas de mitigação de impacto ambiental tem por finalidade deixar o povoamento com alto potencial para o maneio.

O sistema CELOS compreende três tratamentos com intervalos de 7 a 8 anos e um ciclo de corte de aproximadamente 20 –25 anos (Graaf, 1986 e Louman et al., 2001).

Neste sistema segundo Jonker (1987) e Louman et al. (2001) o refinamento deve ser feito a indivíduos com dap a partir de 40 cm.

Esta medida permite manter sempre alguma cobertura de copas e assim evita o ingresso de espécies heliófitas efémeras, afeta pouco o ciclo de nutrientes e quase não acelera a erosão.

A sequência hipotética desta sistema é apresentada a seguir:

a) Floresta antes do aproveitamento
b)
Floresta aproveitada
c)
Floresta dois anos depois do refinamento (todas árvores sem valor comercial com dap maior que 30, foram envenenadas).
d)
Floresta multiânea, constituída maioritariamente por espécies de valor comercial (árvores sombreadas).1 e 2 são árvores a explorar no segundo aproveitamento (Extraído de Louman et al., 2001).

3.2.2.3. Sistema de desbastes

Estes sistemas têm por finalidade aumentar a proporção de espécies comerciais do povoamento sem eliminar significativamente as espécies indesejáveis. Este sistema elimina principalmente árvores que competem diretamente com árvores de Futura colheita. E um sistema usado em países com dificuldades de financiar as atividades florestais e com altos custos de mão de obra com a finalidade de obter um maior rendimento econômico e menor impacto ambiental.

Este sistema tem como base os dados de inventários florestais como p.ex., distribuição de área basal e o número de árvores por classe diamétrica, para estabelecer o ciclo de corte (CC), o diâmetro mínimo de corte (DMC) e a intensidade de corte (IC) com a finalidade de calcular o volume de corte anual permissível (VCAP). Um sistema que pode ser enquadrado neste grupo é o denominado “ Improvement Thinnings”, descrito detalhadamente por Lamprecht (1990).

As principais atividades dos sistemas de desbastes são (Louman et al., 2001):

Delimitação das unidades de extração;
Corte de lianas, seis meses antes do aproveitamento;
Corte e envenenamento das árvores que competem diretamente com árvores de colheita futura (ACT);
Marcação de árvores com dap entre 50 – 100 cm (8/ha);
Marcação para o aproveitamento de árvores defeituosas e apropriadas para o aclaramento;
Marcação de árvores não desejáveis para o corte em forma de libertação;
Aproveitamento;
Anelamento de todos os fustes sem valor comercial e eliminação de trepadeiras, árvores indesejáveis e palmeiras;
Libertação de árvores de futura colheita;
Em áreas com regeneração escassa, efetua-se o corte das árvores prejudiciais para favorecer a regeneração;
Se não houver regeneração efetua-se o enriquecimento;
Continuar com eliminação de árvores indesejáveis, lianas e tratamentos de libertação segundo as necessidades.

9. Questões especiais de transformação de florestas tropicais

9.1. Tratamentos silviculturais

Tratamentos silviculturais são intervenções que são aplicadas a floresta com vista a manter ou melhorar o valor silvicultural da floresta (Louman et al, 2001).

Regra geral existem dois tipos de tratamentos silviculturais (Louman et al., 2001):

(1) aqueles que procuram aumentar a quantidade de luz solar que atinge o solo para estimular o estabelecimento e crescimento, através da eliminação de árvores grandes do dossel superior (tratamento para madeiras leves de rápido crescimento; e
(2)
aqueles que procuram criar espaço de estabelecimento e crescimento da nova regeneração de árvores desejadas, através da eliminação de árvores do subbosque (tratamento para madeiras duras de crescimento lento).

Os tratamentos silviculturais são aplicados de acordo com as características do povoamento e, para cada caso requer-se informação específica como por exemplo: o nível de competição, as espécies pelas quais pretende-se favorecer, a faixa etária que se pretende aplicar o tratamento, o tratamento mais adequado e os procedimentos necessários para sua aplicação. Estas e outras questões devem ser respondidas antes de ser aplicado o tratamento.

Tratamentos silviculturais podem ser executados antes, durante ou depois do aproveitamento. Em qualquer dos casos, eles devem ser aplicados de tal forma que não prejudiquem a estrutura e a composição da floresta, e nem afetem o fluxo constante de outros benefícios como produtos não madeireiros, serviços ambientais e a diversidade biológica, o que é muito difícil de alcançar.

9.1.1. Principais tipos de tratamentos silviculturais

Os principais tratamentos silviculturais aplicados nos trópicos são: libertação e refinamento.

Porém existem outros tipos a saber: colheita e aproveitamento, aclaramento, melhoramento (saneamento), corte do dossel médio ou protetor e cortes da vegetação debaixo dossel (Louman et al., 2001).

9.1.1.1. Libertação

Este tratamento é aplicado em povoamentos onde existem árvores de futura colheita, e consiste em eliminar a vegetação indesejável (geralmente com dap superior a 10cm) que competem diretamente com as árvores da futura colheita.

A situação desfavorável de uma árvore pode ser determinada de várias maneiras.

Por exemplo, observando a copa, pode ser que esta esteja debaixo de outras árvores. Isso já da uma boa indicação da necessidades de melhorar a iluminação através da abertura do dossel. Esta medida não só melhora a quantidade de luz, mas também indiretamente melhora a disponibilidade de água, nutrientes e espaço.

Uma outra forma de determinar a competição entre árvores desejáveis e não desejáveis, consiste em definir a distância entre elas. A distância mínima pode ser determinada a partir de medições diretas no terreno, e com auxílio de tabelas de distâncias elaboradas para tal fim (Wadsworth 1997 e Louman et al.2001) decide-se se a indesejável permanece ou é eliminada.

As tabelas de distância mínima tem como base o somatório dos diâmetros dos indivíduos desejáveis e não desejáveis medidos no campo. Se a distância real (medida campo) entre os indivíduos for menor que a distância mínima tabelada, elimina-se o indivíduo indesejável, e se for maior permanece no povoamento.

Por exemplo, se a árvore de futura colheita possui 48cm de dap (D) e a árvore indesejável possui um dap (d) de 32 cm, com estes dados obtém-se (D+d= 80cm). A seguir mede-se a distância no campo; se essa distância for ³ 8 m, deixa-se ficar a árvore indesejável, e se a distância for < 8 m a árvore indesejável deve ser eliminada.

9.1.1.2. Refinamento.

O refinamento aplica-se a povoamentos com poucas árvores de futura colheita, e consiste em eliminar do povoamento todas as árvores de uma ou mais espécies indesejáveis com base num diâmetro mínimo e máximo predeterminado.

O refinamento tem efeitos negativos porque não toma em consideração os efeitos positivos que a presença de espécies indesejáveis tem sobre o povoamento tais como: sobrevivência de outras espécies, desrame natural e crescimento em altura das espécies desejáveis. Para minimizar os efeitos negativos do refinamento é necessário conhecer as condições ecológicas do sítio e prever as possíveis mudanças de mercado, porque algumas espécies sem valor comercial hoje, no futuro podem ter valor de mercado. Portanto, é sempre importante e conveniente efetuar corretamente as analises análises ecológicas da floresta e de mercado, de modo que a eliminação não represente uma ameaça ao equilíbrio do ecossistema.

9.2. Técnicas silviculturais

Técnicas silviculturais são os meios pelas quais se aplicam os tratamentos siviculturais. As técnicas silviculturais podem ser aplicadas em forma parcial, o que leva a uma eliminação paulatina das árvores indesejáveis (anelamento, perfurações ou envenenamento) ou total, que resulta na eliminação súbita da árvore indesejada (corte direto). Os cortes parciais normalmente são complementados com a aplicação de compostos químicos (arboricidas).

9.2.1. Principais técnicas silviculturais

9.2.1.1. Anelamento

É a técnica mais usada na eliminação de indivíduos indesejáveis. Ela tem um efeito lento e gradual, geralmente é efetiva, fácil de efetuar, de baixo custo e baixo nível de danos sobre o povoamento restante. Algumas das ferramentas usadas são de fácil acesso (faca, catana e machado), porém, outras são caras (motosserra média ou pequena).

No anelamento, a abertura do dossel é gradual, e quando as árvores tratadas morrem, a copa e os ramos desintegram-se e vão caindo gradualmente o que evita impactos repentinos e violentos sobre aquelas que crescem melhor sob sombra. O anelamento consiste em bloquear o fluxo de seiva elaborada através da retirada da casca e por vezes parte da madeira.

A altura e a profundidade do anel deve ser suficientemente grande para causar a desvitalização da árvore (Figura abaixo). A este respeito Veríssimo et al., (1998) e Louman et al., (2001) recomendam um anel de 30 cm de altura e uma profundidade entre 2.5 e 5 cm (dependendo da facilidade de operação e resistência da espécie) por forma a se eliminar totalmente o câmbio (tecido meristemático responsável pela formação do floema).

Vários autores entre eles Lamprecht (1990), Pinelo (1997), Quirós (1999) e Louman et al., (2001) descrevem nas suas obras que algumas espécies arbóreas apresentam reações especiais que lhes permitem sobreviver ao anelamento. Por exemplo, algumas restabelecem consideravelmente o tecido meristemático (o fluxo de seiva), outras são capazes de formar raízes na parte superior do anel que chegam a atingir o solo. Nestes casos em especial, é necessário recorrer ao envenenamento.

Silvicultura
Anelamento de uma árvore (Louman, et al.,2001)

9.2.1.3. Envenenamento

O envenenamento é uma técnica alternativa útil para aumentar a eficiência do anelamento e a perfuração. As árvores são desvitalizadas principalmente com arboricidas sistémicos (fitohormonas) que são em principio inofensivos para as pessoas e os animais. Tais arboricidas são aplicados ao redor do tronco anelado ou nos orifícios perfurados, em diversas concentrações misturados principalmente com água. Nalgumas vezes, também são aplicados com pincel ou por aspersão sobre a casca.

Não existe um período recomendado para o envenenamento das árvores. Algumas observações demostram que muitas árvores atingem o ponto mais sensível no início do período vegetativo (2-3 semanas após a brotação da folhagem). Outras porém, indicam o período a seguir à queda da folhagem como sendo o mais favorável.

O uso de produtos químicos para desvitalização das árvores pode representar um risco de intoxicação para Homem e os animais, risco de contaminação ao ambiente.

Para que o uso destes produtos seja efetivo sem causar efeitos negativos para o Homem, animais, outras plantas e o ambiente em geral, é necessário que se observem cuidadosamente as instruções de maneio do produto, normas de segurança, equipamento de protecção, medidas de primeiros socorros entre outras informações relevantes ao maneio e segurança na sua utilização.

Informação mais detalhada sobre os principais produtos químicos usados no envenenamento, suas características, riscos potenciais de sua utilização, entre outros aspectos relevantes sobre o envenenamento de árvores não desejadas são exposta por Louman et al. (2001).

9.2.1.4. Corte direto (abate)

É uma técnica utilizada para a colheita aproveitamento florestal, sobretudo em tratamentos de baixo dossel e em aclaramentos, já que se pretende eliminar árvores indesejáveis de diâmetros pequenos e médios que ao serem retiradas não causam grandes danos sobre o povoamento restante. Se esta técnica for aplicada a árvores grandes, deve-se tomar em consideração as técnicas de corte dirigido, sobretudo quando se pretende minimizar os danos sobre a vegetação restante desejável para futuras colheitas. Informações mais detalhada sobre as técnicas de corte dirigido são expostas por Fath e Nhamucho (2001).

O corte direto é uma técnica eficaz e segura. Porém, é uma técnica que provoca elevado de nível danos ecológicos sobre a floresta e custos econômicos elevados.

Ecológicos porque, o efeito imediato e abruto do corte pode prejudicar as árvores do povoamento restante ou afetar aquelas que crescem melhor debaixo da sombra.

Por outro lado, requer equipamento e cuidados especiais, sobretudo quando se pretende minimizar o impacto ambiental.

Natasha Ribeiro

Almeida A. Sitoe

Benard S. Guedes

Cristian Staiss

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Fonte: Universidade Eduardo Mondlane

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