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Sustentabilidade

 

Segundo Odum (1997, p.299): “As palavras sustentáveis e sustentabilidade, usadas para descrever metas para a sociedade, têm aparecido com uma freqüência crescente em artigos, editoriais e livros com significados variados”.

Sustentabilidade Ambiental

A palavra sustentabilidade é, e continuará, sempre foco de discussão entre a comunidade internacional. Para alcançá-la serão necessárias mudanças fundamentais, que vão desde nossa forma de pensar, interferindo, principalmente, na nossa maneira de viver, produzir, consumir e, sobretudo, como forma de respeito para com o outro.

O presente estudo busca estabelecer o que é desenvolvimento? E o que é Crescimento sustentável? Para entendermos suas vertentes e caminhos, nos situando na sua forma de utilização contemporânea, evitando a utilização de recursos da natureza a qualquer preço, em nome de um desenvolvimento, basicamente voltado para obtenção de lucros, sem a preocupação de sustentabilidade, sem se preocupar com o seu esgotamento e utilização dos mesmos pela geração futura, como veremos a seguir.

Para obtermos o desenvolvimento sustentável precisamos, antes de qualquer coisa, garantir a disponibilidade de recursos naturais, que transformamos em bens e serviços necessários à nossa existência, que vêm sendo utilizado como norteador das políticas de gestão em casos de ameaça e danos irreversíveis ao meio ambiente.

De forma clara, a comunidade internacional reconheceu a necessidade de prevenir em vez de remediar, pois em meio ambiente os danos muitas vezes são irreversíveis, e estamos com um atual modelo de desenvolvimento sustentável que produz exclusão social, desigualdades sociais, miséria acima de tudo, fome e, como conseqüência, a mortandade. Continuamos com a derrubada de florestas nativa, e nossos estoques pesqueiros estão sendo drasticamente reduzidos.

Ainda como conseqüências do modelo temos: alterações climáticas, alterações da superfície da terra, assoreamento dos corpos hídricos, aumento da temperatura da terra, desflorestamento/queimadas, efeito estufa, destruição de habitat, erosão eólica e desertificação, escassez de água potável, perda de biodiversidade, poluição, redução da camada de ozônio, erosão da diversidade cultural.

A derrubada de florestas é uma das mais graves alterações que o ser humano impõe a Terra e a si mesmo. Como causas temos agricultura intensiva, agropecuária intensiva, analfabetismo ambiental, construção de grandes hidrelétricas, exploração predatória de madeira e por último a urbanização desordenada.

Assim, é importante investir em programas de conscientização através da Educação Ambiental com o envolvimento da comunidade e, principalmente, a aplicação e cumprimento da legislação ambiental.

O direito ambiental é constituído de regras que têm em vista a conservação do meio ambiente.

Ao analisarmos o Direito Ambiental como um todo, percebemos ter este uma forte característica universalista, pois a poluição não respeita fronteiras. Ademais, as normas ambientais têm tal amplitude que podemos considerá-las universais.

Vários são os seus princípios aceitos pela comunidade internacional. Temos como primeiro princípio a ser considerado aquele proclamado na Conferência Rio/92, que visa assegurar o direito dos seres humanos a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza.

Este princípio encontra-se ainda insculpido na nossa Constituição de 1988, considerada por alguns doutrinadores como uma Constituição ambientalista, como veremos a seguir:

“Todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade o dever de defender e preservar, para as presentes e futuras gerações.”

Os bens que integram o meio ambiente são bens de uso comum, pertencem a todos os habitantes.

Por intermédio da nossa Constituição, novos conceitos referentes ao meio ambiente, seus instrumentos de proteção, defesa e tutela, principalmente ao Meio Ambiente ecologicamente equilibrado em sua totalidade, isto é, em seus aspectos naturais e criados pelo homem como o político, social, econômico, cientifico-tecnológico, históricocultural, moral e estético.

É importante ter a consciência e pensar no meio Ambiente como “bem de uso comum”.

É preciso estabelecer a razoabilidade dessa utilização e aceitar o que disciplina o artigo primeiro da Declaração do Rio/92 “os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com desenvolvimento sustentável. Tem direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza”.

Tratando-se de bem comum, logo de um direito de natureza pública, e sendo um direito fundamental do homem, ele transcende o direito de propriedade. Desta forma, o direito da proteção ao meio ambiente é de natureza pública, prevalecendo sobre qualquer interesse privado e sempre que houver dúvida, sobre a norma, deve prevalecer em determinado assunto ou questão envolvendo meio ambiente, devemos privilegiar aquela que interesse ao bem comum e à sociedade (in dúbio pro ambiente).

Os problemas ambientais se tornam em evidência com o aumento dos desastres naturais como inundações, seca de longa duração, tufões, ocupações desorganizadas e finalmente, o nosso maior problema que é o lixo, que em sua maioria ainda é lançado a céu aberto.

Quando aumentamos o consumo, aumentamos a pressão sobre os recursos naturais, ou seja, precisamos de mais água, matérias primas, combustíveis, solos férteis.

Com isso, cresce a degradação ambiental em todas as suas formas. Como exemplo, podemos destacar os poluentes atmosféricos que afetam não somente as pessoas dos grandes centros, como também são levados pela ação do clima a diversas áreas e se depositam sobre o solo e a água, causando, muitas vezes, acidez nos mesmos.

É muito simples concordarmos com o conceito de desenvolvimento sustentável, uma questão de bom senso, mas sua aplicação no nosso cotidiano é extremamente difícil e bastante complexa. Não nos indica que caminhos seguir para alcançá-lo.

Em 1995 o Conselho Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – WBCDS já dizia que: “o desenvolvimento sustentável será alcançado pela oferta de produtos e serviços a preços competitivos, que satisfaçam as necessidades humanas, melhorem a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, reduzam progressivamente os impactos ambientais e a intensidade do uso de recursos, através do ciclo de vida, para um nível compatível com a capacidade de suporte da Terra.”

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável está no Relatório Brundtland-ONU_1987. ” É o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações, desenvolvimento este que não esgota os recursos para o futuro.”

Podemos questionar este Relatório: quais são as necessidades do presente, dado que, dependendo do nível financeiro, o bicho homem tem necessidades diferentes?

Precisamos nos tornar um planeta composto por seres humanos com consciência ecológica, organizados em defesa da Mãe Terra, para que possamos construir o futuro preservando a vida. E essa preservação deve, obrigatoriamente, incluir uma gestão saudável do nosso ambiente comum.

A grande batalha pela sustentabilidade, além da dimensão ambiental, tecnológica e econômica, envolve uma outra cultural e política. Entretanto, a necessidade da reflexão acerca dos valores (questão ética, educacional e de consciência ambiental) necessário para a sobrevivência do homem, com o surgimento de novos pressupostos “reguladores” da coletividade.

Segundo Carrera, “o desenvolvimento sustentável é um dos mais importantes modelos a ser praticado por todos os setores sociais, desde os pequenos produtores (por intermédio da valoração de seus produtos através da conservação da fonte e implementação de novas técnicas produtivas, sobretudo voltadas para subsistência da comunidade local), até as grandes indústrias, que poderão adequar seus processos produtivos às normas de qualidade ambiental”.

Também podemos nos tornar um consumidor consciente promovendo medidas que minimizem a poluição do ar, reduzam o consumo de energia elétrica, o uso consciente da água.

Vemos os números de imigrantes clandestinos de países pobres mortos na tentativa de entrar na comunidade Européia e nos Estados Unidos nos últimos anos. As cidades crescem, tornam-se mais povoadas, exercendo uma grande pressão sobre os recursos naturais. E a conseqüências são gritantes como aumento de violência, seqüestros e tráficos de drogas. Aqui mesmo no nosso país esta acontecendo com regularidade.

Está praticamente baseado no crescimento crescente da população e, conseqüentemente, no consumo.

Podemos concluir, primeiramente, que precisamos nos tornar, através da Introdução da Educação Ambiental no ensino formal, uma nação composta por cidadãos com consciência ecológica, organizados em defesa do nosso planeta, para que possamos construir o futuro preservando a vida. E essa preservação deve, obrigatoriamente, incluir uma gestão baseada na sustentabilidade, além de contemplar os aspectos de eficiência governamental e reduzir os impactos ambientais decorrentes de suas atividades. Não poderemos evoluir conceitualmente nem produzir o prestigio social indispensável para a sustentação de sua imagem progressista, se não responder as demandas que necessitam de ações focalizadas.

Podemos afirmar com convicção que todos os homens têm um destino comum, tornando impossível a existência de riscos estritamente individuais, evidenciando de forma efetiva e necessária à reflexão e o cuidado no trato com a natureza, para assegurar a qualidade ambiental como fundamento da qualidade de vida dos seres humanos, em consonância com os postulados do desenvolvimento sustentável a partir da realidade e das potencialidades locais.

Entendemos que a responsabilidade pela promoção do consumo sustentável deve ser partilhada com órgãos do governo, organizações da sociedade civil, empresas, na divulgação de tecnologias de baixo impacto ambiental, envolvendo o núcleo familiar e permitindo uma maior capacitação de profissionais que venham a atuar na área ambiental, hoje de fundamental importância para a existência digna e sustentável de todos.

Dóris Maria de Luna Tenório

Referências bibliográficas

ODUM, E.P. Ecology: a bridge between science and society. Sunderland, Massachusetts: Sinauer Associates, Inc., 1997.
DIAS, Genebaldo Freire: Ecopercepção: um resultado dos desafios socioambientais São Paulo: Gaia.2004.
SÉGUIN, Elida: Direito Ambiental: nossa casa planetária- Rio de Janeiro: Forense, 2006.
Comissão Brudtand- Nosso Futuro Comum, 1988 – Relatório sobre as previsões do futuro do meio ambiente.
CARRERA, Francisco: Cidade Sustentável. Utopia ou Realidade? – Rio de Janeiro: Lúmen Juris, 2005.

Fonte: www.tre-al.gov.br

Sustentabilidade

O Conceito de Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável

Define-se por Desenvolvimento Sustentável um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades.

Esta concepção começa a se formar e difundir junto com o questionamento do estilo de desenvolvimento adotado, quando se constata que este é ecologicamente predatório na utilização dos recursos naturais, socialmente perverso com geração de pobreza e extrema desigualdade social, politicamente injusto com concentração e abuso de poder, culturalmente alienado em relação aos seus próprios valores e eticamente censurável no respeito aos direitos humanos e aos das demais espécies.

O conceito de sustentabilidade comporta sete aspectos principais, a saber:

Sustentabilidade Social - melhoria da qualidade de vida da população, eqüidade na distribuição de renda e de diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popular;
Sustentabilidade Econômica
- públicos e privados, regularização do fluxo desses investimentos, compatibilidade entre padrões de produção e consumo, equilíbrio de balanço de pagamento, acesso à ciência e tecnologia;
Sustentabilidade Ecológica - o uso dos recursos naturais deve minimizar danos aos sistemas de sustentação da vida:
redução dos resíduos tóxicos e da poluição, reciclagem de materiais e energia, conservação, tecnologias limpas e de maior eficiência e regras para uma adequada proteção ambiental;
Sustentabilidade Cultural
- respeito aos diferentes valores entre os povos e incentivo a processos de mudança que acolham as especificidades locais;
Sustentabilidade Espacial
- equilíbrio entre o rural e o urbano, equilíbrio de migrações, desconcentração das metrópoles, adoção de práticas agrícolas mais inteligentes e não agressivas à saúde e ao ambiente, manejo sustentado das florestas e industrialização descentralizada;
Sustentabilidade Política
- no caso do Brasil, a evolução da democracia representativa para sistemas descentralizados e participativos, construção de espaços públicos comunitários, maior autonomia dos governos locais e descentralização da gestão de recursos;
Sustentabilidade Ambiental
- conservação geográfica, equilíbrio de ecossistemas, erradicação da pobreza e da exclusão, respeito aos direitos humanos e integração social. Abarca todas as dimensões anteriores através de processos complexos.

Define-se por Desenvolvimento Sustentável um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental equilibrado, que satisfaça as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas próprias necessidades. Esta concepção começa a se formar e difundir junto com o questionamento do estilo de desenvolvimento adotado, quando se constata que este é ecologicamente predatório na utilização dos recursos naturais, socialmente perverso com geração de pobreza e extrema desigualdade social, politicamente injusto com concentração e abuso de poder, culturalmente alienado em relação aos seus próprios valores e eticamente censurável no respeito aos direitos humanos e aos das demais espécies.

O grande marco para o desenvolvimento sustentável mundial foi, sem dúvida a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992 (a Rio 92), onde se aprovaram uma série de documentos importantes, dentre os quais a Agenda 21, um plano de ação mundial para orientar a transformação desenvolvimentista, identificando, em 40 capítulos, 115 áreas de ação prioritária. A Agenda 21 apresenta como um dos principais fundamentos da sustentabilidade o fortalecimento da democracia e da cidadania, através da participação dos indivíduos no processo de desenvolvimento, combinando ideais de ética, justiça, participação, democracia e satisfação de necessidades. O processo iniciado no Rio em 92, reforça que antes de se reduzir a questão ambiental a argumentos técnicos, deve-se consolidar alianças entre os diversos grupos sociais responsáveis pela catalisação das transformações necessárias.

Dentre alguns dos focos discriminados na Agenda 21, podemos destacar:

Cooperação internacional
Combate à pobreza
Mudança dos padrões de consumo
Habitação adequada
Integração entre meio ambiente e desenvolvimento na tomada de decisões
Proteção da atmosfera
Abordagem integrada do planejamento e do gerenciamento dos recursos terrestres
Combate ao desflorestamento
Manejo de ecossistemas frágeis:
a luta contra a desertificação e a seca
Promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável
Conservação da diversidade biológica
Manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos e questões relacionadas com os esgotos
Fortalecimento do papel das organizações não-governamentais:
parceiros para um desenvolvimento sustentável
Iniciativas das autoridades locais em apoio à agenda 21
A comunidade científica e tecnológica
Fortalecimento do papel dos agricultores
Transferência de tecnologia ambientalmente saudável, cooperação e fortalecimento institucional
A ciência para o desenvolvimento sustentável
Promoção do ensino, da conscientização e do treinamento

Fonte: www.catalisa.org.br

Sustentabilidade

EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE

DESENVOLVIMENTO, MEIO AMBIENTE E PRÁTICAS EDUCATIVAS

A reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que envolve um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar. Nesse sentido, a produção de conhecimento deve necessariamente contemplar as inter-relações do meio natural com o social, incluindo a análise dos determinantes do processo, o papel dos diversos atores envolvidos e as formas de organização social que aumentam o poder das ações alternativas de um novo desenvolvimento, numa perspectiva que priorize novo perfil de desenvolvimento, com ênfase na sustentabilidade socioambiental.

Tomando-se como referência o fato de a maior parte da população brasileira viver em cidades, observa-se uma crescente degradação das condições de vida, refletindo uma crise ambiental. Isto nos remete a uma necessária reflexão sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da questão ambiental numa perspectiva contemporânea. Leff (2001) fala sobre a impossibilidade de resolver os crescentes e complexos problemas ambientais e reverter suas causas sem que ocorra uma mudança radical nos sistemas de conhecimento, dos valores e dos comportamentos gerados pela dinâmica de racionalidade existente, fundada no aspecto econômico do desenvolvimento.

A partir da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental realizada em Tsibilisi (EUA), em 1977, inicia-se um amplo processo em nível global orientado para criar as condições que formem uma nova consciência sobre o valor da natureza e para reorientar a produção de conhecimento baseada nos métodos da interdisciplinaridade e nos princípios da complexidade. Esse campo educativo tem sido fertilizado transversalmente, e isso tem possibilitado a realização de experiências concretas de educação ambiental de forma criativa e inovadora por diversos segmentos da população e em diversos níveis de formação. O documento da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade, Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, realizada em Tessalônica (Grécia), chama a atenção para a necessidade de se articularem ações de educação ambiental baseadas nos conceitos de ética e sustentabilidade, identidade cultural e diversidade, mobilização e participação e práticas interdisciplinares (Sorrentino, 1998).

A necessidade de abordar o tema da complexidade ambiental decorre da percepção sobre o incipiente processo de reflexão acerca das práticas existentes e das múltiplas possibilidades de, ao pensar a realidade de modo complexo, defini-la como uma nova racionalidade e um espaço onde se articulam natureza, técnica e cultura. Refletir sobre a complexidade ambiental abre uma estimulante oportunidade para compreender a gestação de novos atores sociais que se mobilizam para a apropriação da natureza, para um processo educativo articulado e compromissado com a sustentabilidade e a participação, apoiado numa lógica que privilegia o diálogo e a interdependência de diferentes áreas de saber. Mas também questiona valores e premissas que norteiam as práticas sociais prevalecentes, implicando mudança na forma de pensar e transformação no conhecimento e nas práticas educativas.

A realidade atual exige uma reflexão cada vez menos linear, e isto se produz na inter-relação dos saberes e das práticas coletivas que criam identidades e valores comuns e ações solidárias diante da reapropriação da natureza, numa perspectiva que privilegia o diálogo entre saberes.

A preocupação com o desenvolvimento sustentável representa a possibilidade de garantir mudanças sociopolíticas que não comprometam os sistemas ecológicos e sociais que sustentam as comunidades.

A complexidade desse processo de transformação de um planeta, não apenas crescentemente ameaçado, mas também diretamente afetado pelos riscos socioambientais e seus danos, é cada vez mais notória. A concepção “sociedade de risco”, de Beck (1992), amplia a compreensão de um cenário marcado por nova lógica de distribuição dos riscos.

Os grandes acidentes envolvendo usinas nucleares e contaminações tóxicas de grandes proporções, como os casos de Three-Mile Island, nos EUA, em 1979, Love Canal no Alasca, Bhopal, na Índia, em 1984 e Chernobyl, na época, União Soviética, em 1986, estimularam o debate público e científico sobre a questão dos riscos nas sociedades contemporâneas. Inicia-se uma mudança de escala na análise dos problemas ambientais, tornados mais freqüentes, os quais pela sua própria natureza tornam-se mais difíceis de serem previstos e assimilados como parte da realidade global.

Ulrich Beck identifica a sociedade de risco com uma segunda modernidade ou modernidade reflexiva, que emerge com a globalização, a individualização, a revolução de gênero, o subemprego e a difusão dos riscos globais. Os riscos atuais caracterizam-se por ter conseqüências, em geral de alta gravidade, desconhecidas a longo prazo e que não podem ser avaliadas com precisão, como é o caso dos riscos ecológicos, químicos, nucleares e genéticos.

O tema da sustentabilidade confronta-se com o paradigma da “sociedade de risco”. Isso implica a necessidade de se multiplicarem as práticas sociais baseadas no fortalecimento do direito ao acesso à informação e à educação ambiental em uma perspectiva integradora. E também demanda aumentar o poder das iniciativas baseadas na premissa de que um maior acesso à informação e transparência na administração dos problemas ambientais urbanos pode implicar a reorganização do poder e da autoridade.

Existe, portanto, a necessidade de incrementar os meios de informação e o acesso a eles, bem como o papel indutivo do poder público nos conteúdos educacionais, como caminhos possíveis para alterar o quadro atual de degradação socioambiental. Trata-se de promover o crescimento da consciência ambiental, expandindo a possibilidade de a população participar em um nível mais alto no processo decisório, como uma forma de fortalecer sua co-responsabilidade na fiscalização e no controle dos agentes de degradação ambiental.

Há uma demanda atual para que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada para assumir um papel mais propositivo, bem como seja capaz de questionar, de forma concreta, a falta de iniciativa do governo na implementação de políticas ditadas pelo binômio da sustentabilidade e do desenvolvimento num contexto de crescente dificuldade na promoção da inclusão social.

Nessa direção, a problemática ambiental constitui um tema muito propício para aprofundar a reflexão e a prática em torno do restrito impacto das práticas de resistência e de expressão das demandas da população das áreas mais afetadas pelos constantes e crescentes agravos ambientais. Mas representa também a possibilidade de abertura de estimulantes espaços para implementar alternativas diversificadas de democracia participativa, notadamente a garantia do acesso à informação e a consolidação de canais abertos para uma participação plural.

A postura de dependência e de desresponsabilização da população decorre principalmente da desinformação, da falta de consciência ambiental e de um déficit de práticas comunitárias baseadas na participação e no envolvimento dos cidadãos, que proponham uma nova cultura de direitos baseada na motivação e na co-participação da gestão ambiental.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ATORES, PRÁTICAS E ALTERNATIVAS

Nestes tempos em que a informação assume um papel cada vez mais relevante, ciberespaço, multimídia, internet, a educação para a cidadania representam a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação na defesa da qualidade de vida. Nesse sentido cabe destacar que a educação ambiental assume cada vez mais uma função transformadora, na qual a co-responsabilização dos indivíduos torna-se um objetivo essencial para promover um novo tipo de desenvolvimento – o desenvolvimento sustentável. Entende-se, portanto, que a educação ambiental é condição necessária para modificar um quadro de crescente degradação socioambiental, mas ela ainda não é suficiente, o que, no dizer de Tamaio (2000), se converte em “mais uma ferramenta de mediação necessária entre culturas, comportamentos diferenciados e interesses de grupos sociais para a construção das transformações desejadas”. O educador tem a função de mediador na construção de referenciais ambientais e deve saber usá-los como instrumentos para o desenvolvimento de uma prática social centrada no conceito da natureza.

A problemática da sustentabilidade assume neste novo século um papel central na reflexão sobre as dimensões do desenvolvimento e das alternativas que se configuram. O quadro socioambiental que caracteriza as sociedades contemporâneas revela que o impacto dos humanos sobre o meio ambiente tem tido conseqüências cada vez mais complexas, tanto em termos quantitativos quanto qualitativos.

O conceito de desenvolvimento sustentável surge para enfrentar a crise ecológica, sendo que pelo menos duas correntes alimentaram o processo. Uma primeira, centrada no trabalho do Clube de Roma, reúne suas idéias, publicadas sob o título de Limites do crescimento em 1972, segundo as quais, para alcançar a estabilidade econômica e ecológica propõe-se o congelamento do crescimento da população global e do capital industrial, mostrando a realidade dos recursos limitados e indicando um forte viés para o controle demográfico (ver Meadows et al., 1972).

Uma segunda, está relacionada com a crítica ambientalista ao modo de vida contemporâneo, e se difundiu a partir da Conferência de Estocolmo em 1972. Tem como pressuposto a existência de sustentabilidade social, econômica e ecológica.

Estas dimensões explicitam a necessidade de tornar compatível a melhoria nos níveis e qualidade de vida com a preservação ambiental. Surge para dar uma resposta à necessidade de harmonizar os processos ambientais com os socioeconômicos, maximizando a produção dos ecossistemas para favorecer as necessidades humanas presentes e futuras. A maior virtude dessa abordagem é que, além da incorporação definitiva dos aspectos ecológicos no plano teórico, ela enfatiza a necessidade de inverter a tendência auto destrutiva dos processos de desenvolvimento no seu abuso contra a natureza ( Jacobi, 1997).

Dentre as transformações mundiais das duas últimas décadas, aquelas vinculadas à degradação ambiental e à crescente desigualdade entre regiões assumem um lugar de destaque no reforço à adoção de esquemas integradores. Articulamse, portanto, de um lado, os impactos da crise econômica dos anos 80 e a necessidade de repensar os paradigmas existentes; e de outro, o alarme dado pelos fenômenos de aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, dentre outros problemas.

A partir de 1987, a divulgação do Relatório Brundtlandt, também conhecido como “Nosso futuro comum” 1, defende a idéia do “desenvolvimento sustentável” indicando um ponto de inflexão no debate sobre os impactos do desenvolvimento.

Não só reforça as necessárias relações entre economia, tecnologia, sociedade e política, como chama a atenção para a necessidade do reforço de uma nova postura ética em relação à preservação do meio ambiente, caracterizada pelo desafio de uma responsabilidade tanto entre as gerações quanto entre os integrantes da sociedade dos nossos tempos. Na Rio 92, o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global coloca princípios e um plano de ação para educadores ambientais, estabelecendo uma relação entre as políticas públicas de educação ambiental e a sustentabilidade. Enfatizam-se os processos participativos na promoção do meio ambiente, voltados para a sua recuperação, conservação e melhoria, bem como para a melhoria da qualidade de vida.

É importante ressaltar que, apesar das críticas a que tem sido sujeito, o conceito de desenvolvimento sustentável representa um importante avanço, na medida em que a Agenda 21 global, como plano abrangente de ação para o desenvolvimento sustentável no século XXI, considera a complexa relação entre o desenvolvimento e o meio ambiente numa variedade de áreas, destacando a sua pluralidade, diversidade, multiplicidade e heterogeneidade.

As dimensões apontadas pelo conceito de desenvolvimento sustentável contemplam cálculo econômico, aspecto biofísico e componente sociopolítico, como referenciais para a interpretação do mundo e para possibilitar interferências na lógica predatória prevalecente. O desenvolvimento sustentável não se refere especificamente a um problema limitado de adequações ecológicas de um processo social, mas a uma estratégia ou um modelo múltiplo para a sociedade, que deve levar em conta tanto a viabilidade econômica como a ecológica. Num sentido abrangente, a noção de desenvolvimento sustentável reporta-se à necessária redefinição das relações entre sociedade humana e natureza, e, portanto, a uma mudança substancial do próprio processo civilizatório, introduzindo o desafio de pensar a passagem do conceito para a ação. Pode-se afirmar que ainda prevalece a transcendência do enfoque sobre o desenvolvimento sustentável radical mais na sua capacidade de idéia força, nas suas repercussões intelectuais e no seu papel articulador de discursos e de práticas atomizadas que, apesar desse caráter, tem matriz única, originada na existência de uma crise ambiental, econômica e também social (Jacobi, 1997).

O desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo no qual, de um lado, as restrições mais relevantes estão relacionadas com a exploração dos recursos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e o marco institucional. De outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos qualitativos, notadamente os relacionados com a eqüidade, o uso de recursos – em particular da energia – e a geração de resíduos e contaminantes. Além disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos déficits sociais, nas necessidades básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos países desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos-base, sobretudo os agrícolas, energéticos, bióticos, minerais, ar e água.

Assim, a idéia de sustentabilidade implica a prevalência da premissa de que é preciso definir limites às possibilidades de crescimento e delinear um conjunto de iniciativas que levem em conta a existência de interlocutores e participantes sociais relevantes e ativos por meio de práticas educativas e de um processo de diálogo informado, o que reforça um sentimento de co-responsabilidade e de constituição de valores éticos. Isto também implica que uma política de desenvolvimento para uma sociedade sustentável não pode ignorar nem as dimensões culturais, nem as relações de poder existentes e muito menos o reconhecimento das limitações ecológicas, sob pena de apenas manter um padrão predatório de desenvolvimento.

Atualmente, o avanço para uma sociedade sustentável é permeado de obstáculos, na medida em que existe uma restrita consciência na sociedade a respeito das implicações do modelo de desenvolvimento em curso. Pode-se afirmar que as causas básicas que provocam atividades ecologicamente predatórias são atribuídas às instituições sociais, aos sistemas de informação e comunicação e aos valores adotados pela sociedade. Isso implica principalmente a necessidade de estimular uma participação mais ativa da sociedade no debate dos seus destinos, como uma forma de estabelecer um conjunto socialmente identificado de problemas, objetivos e soluções. O caminho a ser desenhado passa necessariamente por uma mudança no acesso à informação e por transformações institucionais que garantam acessibilidade e transparência na gestão. Existe um desafio essencial a ser enfrentado, e este está centrado na possibilidade de que os sistemas de informações e as instituições sociais se tornem facilitadores de um processo que reforce os argumentos para a construção de uma sociedade sustentável. Para tanto é preciso que se criem todas as condições para facilitar o processo, suprindo dados, desenvolvendo e disseminando indicadores e tornando transparentes os procedimentos por meio de práticas centradas na educação ambiental que garantam os meios de criar novos estilos de vida e promovam uma consciência ética que questione o atual modelo de desenvolvimento, marcado pelo caráter predatório e pelo reforço das desigualdades socioambientais.

A sustentabilidade como novo critério básico e integrador precisa estimular permanentemente as responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos aspectos extra-econômicos serve para reconsiderar os aspectos relacionados com a eqüidade, a justiça social e a própria ética dos seres vivos.

A noção de sustentabilidade implica, portanto, uma inter-relação necessária de justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a ruptura com o atual padrão de desenvolvimento (Jacobi, 1997).

Nesse contexto, segundo Reigota (1998), a educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, mudança de comportamento, desenvolvimento de competências, capacidade de avaliação e participação dos educandos. Para Pádua e Tabanez (1998), a educação ambiental propicia o aumento de conhecimentos, mudança de valores e aperfeiçoamento de habilidades, condições básicas para estimular maior integração e harmonia dos indivíduos com o meio ambiente.

A relação entre meio ambiente e educação para a cidadania assume um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais que se complexificam e riscos ambientais que se intensificam.

As políticas ambientais e os programas educativos relacionados conscientização da crise ambiental demandam cada vez mais novos enfoques integradores de uma realidade contraditória e geradora de desigualdades, que transcendem a mera aplicação dos conhecimentos científicos e tecnológicos disponíveis.

O desafio é, pois, o de formular uma educação ambiental que seja crítica e inovadora, em dois níveis: formal e não formal. Assim a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social. O seu enfoque deve buscar uma perspectiva holística de ação, que relaciona o homem, a natureza e o universo, tendo em conta que os recursos naturais se esgotam e que o principal responsável pela sua degradacão é o homem. Para Sorrentino (1998), os grandes desafios para os educadores ambientais são, de um lado, o resgate e o desenvolvimento de valores e comportamentos (confiança, respeito mútuo, responsabilidade, compromisso, solidariedade e iniciativa) e de outro, o estímulo a uma visão global e crítica das questões ambientais e a promoção de um enfoque interdisciplinar que resgate e construa saberes.

Quando nos referimos à educação ambiental, situamo-na em contexto mais amplo, o da educação para a cidadania, configurando-a como elemento determinante para a consolidação de sujeitos cidadãos. O desafio do fortalecimento da cidadania para a população como um todo, e não para um grupo restrito, concretiza-se pela possibilidade de cada pessoa ser portadora de direitos e deveres, e de se converter, portanto, em ator co-responsável na defesa da qualidade de vida.

O principal eixo de atuação da educação ambiental deve buscar, acima de tudo, a solidariedade, a igualdade e o respeito à diferença através de formas democráticas de atuação baseadas em práticas interativas e dialógicas. Isto se consubstancia no objetivo de criar novas atitudes e comportamentos diante do consumo na nossa sociedade e de estimular a mudança de valores individuais e coletivos (Jacobi, 1997).

A educação ambiental é atravessada por vários campos de conhecimento, o que a situa como uma abordagem multirreferencial, e a complexidade ambiental (Leff, 2001) reflete um tecido conceitual heterogêneo, “onde os campos de conhecimento, as noções e os conceitos podem ser originários de várias áreas do saber” (Tristão, 2002).

Portanto, utilizando como referencial do rizoma, a dimensão ambiental representa a possibilidade de lidar com conexões entre diferentes dimensões humanas, propiciando, entrelaçamentos e múltiplos trânsitos entre múltiplos saberes. A escola participa então dessa rede “como uma instituição dinâmica com capacidade de compreender e articular os processos cognitivos com os contextos da vida” (Tristão, 2002).

A educação insere-se na própria teia da aprendizagem e assume um papel estratégico nesse processo, e, parafraseando Reigota, podemos dizer que:

...a educação ambiental na escola ou fora dela continuará a ser uma concepção radical de educação, não porque prefere ser a endência rebelde do pensamento educacional contemporâneo, mas sim porque nossa época e nossa herança histórica e ecológica exigem alternativas radicais, justas e pacíficas. (1998, p.43 )

E o que dizer do meio ambiente na escola? Tomando-se como referência Vigotsky (apud Tamaio, 2000) pode-se dizer que um processo de reconstrução interna (dos indivíduos) ocorre a partir da interação com uma ação externa (natureza, reciclagem, efeito estufa, ecossistema, recursos hídricos, desmatamento), na qual os indivíduos se constituem como sujeitos pela internalização de significações que são construídas e reelaboradas no desenvolvimento de suas relações sociais. A educação ambiental, como tantas outras áreas de conhecimento, pode assumir, assim, “uma parte ativa de um processo intelectual, constantemente a serviço da comunicação, do entendimento e da solução dos problemas” (Vigotsky, 1991). Trata-se de um aprendizado social, baseado no diálogo e na interação em constante processo de recriação e reinterpretação de informações, conceitos e significados, que podem se nar do aprendizado em sala de aula ou da experiência pessoal do aluno. Assim, escola pode transformar-se no espaço em que o aluno terá condições de analisar a natureza em um contexto entrelaçado de práticas sociais, parte componente de uma realidade mais complexa e multifacetada. O mais desafiador é evitar cair na simplificação e que a educação ambiental poderá superar uma relação pouco harmoniosa entre os indivíduos e o meio ambiente mediante práticas localizadas e pontuais, muitas vezes distantes da realidade social de cada aluno. Cabe sempre enfatizar a historicidade da concepção de natureza (Carvalho, 2001), o que possibilita a construção de uma visão mais abrangente (geralmente complexa, como é o caso das questões ambientais) e que abra possibilidades para uma ação em busca de alternativas e soluções.

E como se relaciona educação ambiental com a cidadania? Cidadania tem a ver com a identidade e o pertencimento a uma coletividade. A educação ambiental como formação e exercício de cidadania refere-se a uma nova forma de encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma forma diferente de ver o mundo e os homens.

A educação ambiental deve ser vista como um processo de permanente aprendizagem que valoriza as diversas formas de conhecimento e forma cidadãos com consciência local e planetária.

E o que tem sido feito em termos de educação ambiental? A grande maioria das atividades são feitas dentro de uma modalidade formal. Os temas predominantes são lixo, proteção do verde, uso e degradação dos mananciais, ações para conscientizar a população em relação à poluição do ar. A educação ambiental que tem sido desenvolvida no país é muito diversa, e a presença dos órgãos governamentais como articuladores, coordenadores e promotores de ações é ainda muito restrita.

No caso das grandes metrópoles existe a necessidade de enfrentar os problemas da poluição do ar, e o poder público deve assumir um papel indutor do processo. A redução do uso do automóvel estimula a co-responsabilidade social na preservação do meio ambiente, chama a atenção das pessoas e as informa sobre os perigos gerados pela poluição do ar. Mas isso implica a necessidade de romper com o estereótipo de que as responsabilidades urbanas dependem em tudo da ação governamental, e os habitantes mantêm-se passivos e aceitam a tutela.

O grande salto de qualidade tem sido feito pelas ONGs e organizações comunitárias, que tem desenvolvido ações não formais centradas principalmente na população infantil e juvenil. A lista de ações é interminável e essas referências são indicativas de práticas inovadoras preocupadas em incrementar a co-responsabilidade das pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais quanto à importância de formar cidadãos cada vez mais comprometidos com a defesa da vida.

A educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais caminhos de dinamização da sociedade e de concretização de uma proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação.

O complexo processo de construção da cidadania no Brasil, num contexto de agudização das desigualdades, é perpassado por um conjunto de questões que necessariamente implica a superação das bases constitutivas das formas de dominação e de uma cultura política calcada na tutela. O desafio da construção de uma cidadania ativa configura-se como elemento determinante para constituição e fortalecimento de sujeitos cidadãos que, portadores de direitos e deveres, assumam a importância da abertura de novos espaços de participação.

Atualmente o desafio de fortalecer uma educação ambiental convergente e multirreferencial é prioritário para viabilizar uma prática educativa que articule de forma incisiva a necessidade de se enfrentar concomitantemente a degradação ambiental e os problemas sociais. Assim, o entendimento sobre os problemas ambientais se dá por uma visão do meio ambiente como um campo de conhecimento e significados socialmente construído, que é perpassado pela diversidade cultural e ideológica e pelos conflitos de interesse. Nesse universo de complexidades precisa ser situado o aluno, cujos repertórios pedagógicos devem ser amplos e interdependentes, visto que a questão ambiental é um problema híbrido, associado a diversas dimensões humanas. Os professores(as) devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem, e dentre elas, as ambientais, a fim de poderem transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas múltiplas determinações e intersecções. A ênfase deve ser a capacitação para perceber as relações entre as áreas e como um todo, enfatizando uma formação local/global, buscando marcar a necessidade de enfrentar a lógica da exclusão e das desigualdades.

Nesse contexto, a administração dos riscos socioambientais coloca cada vez mais a necessidade de ampliar o envolvimento público por meio de iniciativas que possibilitem um aumento do nível de consciência ambiental dos moradores, garantindo a informação e a consolidação institucional de canais abertos para a participação numa perspectiva pluralista. A educação ambiental deve destacar os problemas ambientais que decorrem da desordem e degradação da qualidade de vida nas cidades e regiões.

À medida que se observa cada vez mais dificuldade de manter-se a qualidade de vida nas cidades e regiões, é preciso fortalecer a importância de garantir padrões ambientais adequados e estimular uma crescente consciência ambiental, centrada no exercício da cidadania e na reformulação de valores éticos e morais, individuais e coletivos, numa perspectiva orientada para o desenvolvimento sustentável.

A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma nova forma de relação ser humano/natureza, e a sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como somatório de práticas e, conseqüentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade de generalização para o conjunto da sociedade.

Entende-se que essa generalização de práticas ambientais só será possível se estiver inserida no contexto de valores sociais, mesmo que se refira a mudanças de hábitos cotidianos.

A problemática socioambiental, ao questionar ideologias teóricas e práticas, propõe a participação democrática da sociedade na gestão dos seus recursos atuais e potenciais, assim como no processo de tomada de decisões para a escolha de novos estilos de vida e a construção de futuros possíveis, sob a ótica da sustentabilidade ecológica e a eqüidade social.

Torna-se cada vez mais necessário consolidar novos paradigmas educativos, centrados na preocupação de iluminar a realidade desde outros ângulos, e isto supõe a formulação de novos objetos de referência conceituais e, principalmente, a transformação de atitudes.

SUSTENTABILIDADE, MOVIMENTOS SOCIAIS E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Talvez uma das características mais importantes do movimento ambientalista seja a sua diversidade. Esse amplo espectro de práticas e atores confere-lhe um caráter multissetorial que congrega inúmeras tendências e propostas orientadoras de suas ações, considerando valores como eqüidade, justiça, cidadania, democracia e conservação ambiental. Nesse amplo universo de ONGs, algumas fazem trabalho de base, outras são mais voltadas para a militância, outras têm um caráter mais político e outras implementam projetos demonstrativos. Embora ocorra uma certa queda na capacidade mobilizatória dos movimentos ambientalistas, observa-se também um grau de amadurecimento das práticas e a consolidação de um perfil de atuação de instituições numa perspectiva proativa e propositiva, dentro de moldes de sustentabilidade. O que representa a marca da atuação das ONGs? Seus pontos fortes estão na sua credibilidade e capital ético; na sua eficiência quanto à intervenção na microrrealidade social (grupos e comunidades), o que lhes permite formular aspirações e propor estratégias para atendê-las; na maior eficiência quanto à aplicação de recursos e agilidade na implementação de projetos que têm a marca da inovação e da articulação da sustentabilidade com a eqüidade social.

O ambientalismo ingressa nos anos 90 constituindo-se como um ator relevante que, embora carregue consigo as marcas do seu processo de afirmação, assume um caráter ampliado, baseado num esforço cada vez mais claramente planejado de diálogo com outros atores sociais.

As questões que o ambientalismo suscita estão hoje muito associadas s necessidades de constituição de uma cidadania para os desiguais, à ênfase dos direitos sociais, ao impacto da degradação das condições de vida decorrentes da degradação socioambiental, notadamente nos grandes centros urbanos, e à necessidade de ampliar a assimilação, pela sociedade, do reforço a práticas centradas na sustentabilidade por meio da educação ambiental.

O salto de qualidade do ambientalismo ocorre na medida em que se cria uma identidade crescente entre o significado e dimensões das práticas, com forte ênfase na relação entre degradação ambiental e desigualdade social, reforçando a necessidade de alianças e interlocuções coletivas.

Apesar de a maior parte das entidades ser baseada na militância voluntária não remunerada, observa-se, nos últimos anos, um crescente esforço de profissionalização, ainda que isso ocorra em um número muito restrito de entidades. Um aspecto bastante polêmico está relacionado com a representatividade de entidades nos diversos tipos de conselhos e comissões. O que se nota é a existência de organizações que praticamente concentram suas atividades associadas participação em espaços de representação. Trata-se de uma lógica bastante perversa, gerada pela dinâmica de institucionalização de entidades centradas em poucas pessoas, que têm muita capacidade de ocupar espaços e que, mesmo sem trabalho de base e inclusive pouca legitimidade no próprio movimento ambiental, articulam a manutenção de sua presença.

As coalizões na sociedade civil vêm-se fortalecendo, explicitando escolha de temas e questões a serem enfrentadas em nome da busca de objetivos comuns, de modo a configurar a inflexão de uma dinâmica reativa para uma dinâmica propositiva, que aproxima as ONGs e movimentos da mídia e que centra a atuação na coleta, sistematização e disseminação de informações.

Nessa direção, as articulações têm possibilitado o crescente fortalecimento de um pólo político interno que integra as ONGs no centro do processo de pressão e gestão, representando, portanto, uma inflexão importante numa agenda até recentemente trazida de fora para dentro.

Apesar do pequeno reconhecimento do papel das ONGs, do que decorre reduzido interesse da sociedade brasileira em financiar de forma voluntária suas organizações da sociedade civil, observa-se um aumento da sua legitimidade e da sua institucionalidade.

O ambientalismo do século XXI tem uma complexa agenda pela frente. De um lado, o desafio de uma participação cada vez mais ativa na governabilidade dos problemas socioambientais e na busca de respostas articuladas e sustentadas em arranjos institucionais inovadores, que possibilitem uma “ambientalização dos processos sociais”, dando sentido à formulação e implementação de uma Agenda 21 no nível nacional e subnacional. De outro, a necessidade de ampliar o escopo de sua atuação, mediante redes, consórcios institucionais, parcerias estratégicas e outras engenharias institucionais que ampliem seu reconhecimento na sociedade e estimulem o envolvimento de novos atores.

Se o contexto no qual se configuram as questões ambientais é marcado pelo conflito de interesses e uma polarização entre visões de mundo, as respostas precisam conter cada vez mais um componente de cooperação e de definição de uma agenda que acelere prioridades para a sustentabilidade como um novo paradigma de desenvolvimento. Não se devem esquecer, no caso, das determinações estruturais decorrentes de um sistema globalizado, de um padrão de consumo que promove o desperdício naquelas sociedades e segmentos que dele fazem parte, bem como a dualidade entre os que “têm” e os que “não têm”.

O desafio que está colocado é o de não só reconhecer, mas estimular práticas que reforcem a autonomia e a legitimidade de atores sociais que atuam articuladamente numa perspectiva de cooperação, como é o caso de comunidades locais e ONGs. Isto representa a possibilidade de mudar as práticas prevalecentes, rompendo com as lógicas da tutela e da regulação, definindo novas relações baseadas na negociação, na contratualidade e na gestão conjunta de programas e atividades, o que introduz um novo significado nos processos de formulação e implementação de políticas ambientais.

Trata-se, portanto, de repensar o público por meio da sociedade e de verificar as dimensões da oferta institucional e a criação de canais institucionais para viabilizar novas formas de cooperação social. Os desafios para ampliar a participação estão intrinsecamente vinculados à predisposição dos governos locais de criar espaços públicos e plurais de articulação e participação, nos quais os conflitos se tornam visíveis e as diferenças se confrontam como base constitutiva da legitimidade dos diversos interesses em jogo, ampliando as possibilidades de a população participar mais intensamente dos processos decisórios como um meio de fortalecer a sua co-responsabilidade na fiscalização e controle dos agentes responsáveis pela degradação socioambiental.

O momento atual exige que a sociedade esteja mais motivada e mobilizada ara assumir um caráter mais propositivo, assim como para poder questionar de rma concreta a falta de iniciativa dos governos para implementar políticas pautadas pelo binômio sustentabilidade e desenvolvimento num contexto de crescentes dificuldades para promover a inclusão social. Para tanto é importante o fortalecimento das organizações sociais e comunitárias, a redistribuição de recursos mediante parcerias, de informação e capacitação para participar crescentemente dos espaços públicos de decisão e para a construção de instituições pautadas por uma lógica de sustentabilidade.

Diversas experiências, principalmente das administrações municipais, mostram que, havendo vontade política, é possível viabilizar ações governamentais pautadas pela adoção dos princípios de sustentabilidade ambiental conjugada a resultados na esfera do desenvolvimento econômico e social.

Nessa direção, a educação para a cidadania representa a possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas para transformar as diversas formas de participaçãoem potenciais fatores de dinamização da sociedade e de ampliação do controle social da coisa pública, inclusive pelos setores menos mobilizados.

Trata-se de criar as condições para a ruptura com a cultura política dominante e para uma nova proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação. Esta se concretizará principalmente pela presença crescente de uma pluralidade de atores que, pela ativação do seu potencial de participação, terão cada vez mais condições de intervir consistentemente e sem tutela nos processos decisórios de interesse público, legitimando e consolidando propostas de gestão baseadas na garantia do acesso à informação e na consolidação de canais abertos para a participação, que, por sua vez, são precondições básicas para a institucionalização do controle social.

Concluímos, afirmando que o desafio político da sustentabilidade, apoiado no potencial transformador das relações sociais que representam o processo da Agenda 21, encontra-se estreitamente vinculado ao processo de fortalecimento da democracia e da construção da cidadania. A sustentabilidade traz uma visão de desenvolvimento que busca superar o reducionismo e estimula um pensar e fazer sobre o meio ambiente diretamente vinculado ao diálogo entre saberes, à participação, aos valores éticos como valores fundamentais para fortalecer a complexa interação entre sociedade e natureza. Nesse sentido, o papel dos professores(as) é essencial para impulsionar as transformações de uma educação que assume um compromisso com a formação de valores de sustentabilidade, como parte de um processo coletivo.

A necessidade de uma crescente internalização da problemática ambiental, um saber ainda em construção, demanda empenho para fortalecer visões integradoras que, centradas no desenvolvimento, estimulem uma reflexão sobre a diversidade e a construção de sentidos em torno das relações indivíduos-natureza, dos riscos ambientais globais e locais e das relações ambiente-desenvolvimento. A educação ambiental, nas suas diversas possibilidades, abre um estimulante espaço para repensar práticas sociais e o papel dos professores como mediadores e transmissores de um conhecimento necessário para que os alunos adquiram uma base adequada de compreensão essencial do meio ambiente global e local, da interdependência dos problemas e soluções e da importância da responsabilidade de cada um para construir uma sociedade planetária mais eqüitativa e ambientalmente sustentável.

PEDRO JACOBI

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BECK, U. Risk society. London: Sage Publications, 1992.
CARVALHO, I. A Invenção ecológica. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2001.
JACOBI, P. Cidade e meio ambiente. São Paulo: Annablume, 1999. Meio ambiente urbano e sustentabilidade: alguns elementos para a reflexão. In: CAVALCANTI, C. (org.). Meio ambiente, desenvolvimento sustentável e políticas públicas.São Paulo: Cortez, 1997. p.384-390.
Políticas sociais e ampliação da cidadania. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2000.
JACOBI, P. et al. (orgs.). Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA, 1998.
LEFF, E. Epistemologia ambiental. São Paulo: Cortez, 2001.
MEADOWS, D. et al. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre os problemas da humanidade. São Paulo: Perspectiva, 1972.
PÁDUA, S.; TABANEZ, M. (orgs.). Educação ambiental: caminhos trilhados no Brasil. São Paulo: Ipê, 1998.
REIGOTA, M. Desafios à educação ambiental escolar. In: JACOBI, P. et al. (orgs.). Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo: SMA, 1998. p.43-50.
SORRENTINO, M. De Tbilisi a Tessaloniki, a educação ambiental no Brasil. In: JACOBI, P. et al. (orgs.). Educação, meio ambiente e cidadania: reflexões e experiências. São Paulo:SMA.1998. p.27-32.
TAMAIO, I. A Mediação do professor na construção do conceito de natureza. Campinas, 2000.
Dissert.(Mestr.) FE/Unicamp.
TRISTÃO, M. As Dimensões e os desafios da educação ambiental na sociedade do conhecimento.
In: RUSHEINSKY, A. (org.). Educação ambiental: abordagens múltiplas. Porto Alegre: Artmed, 2002. p.169-173. . Rede de relações: os sentidos da educação ambiental na formação de professores.
São Paulo, 2000. Tese (Dout.) Feusp.
VIGOTSKY, L. A Formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Fonte: www.scielo.br

Sustentabilidade

Os problemas ocasionados pela exploração descontrolada dos recursos naturais, ao longo da história da humanidade, em especial após a Revolução Industrial, que é o grande marco histórico do domínio do homem sobre a natureza, tornaram-se cada vez mais evidentes nas últimas cinco décadas e o debate deixou o círculo restrito de observadores privilegiados.

Conforme já apontado em diversos estudos, foi no período pós-Segunda Guerra que houve a aceleração dos processos de alteração ambiental, como resultado de um crescimento econômico aparentemente sem fronteiras em termos de disponibilidade de recursos. Os elevados índices de produção e consumo, conjugados ao aumento populacional e à intensificação da urbanização, criaram um contexto de questões que se materializaram como problemas ambientais.

A crise ecológica, em suas diferentes manifestações, seja no nível global, seja no nível local, tem suas origens no processo de desenvolvimento da sociedade moderna e está diretamente relacionada a aspectos socioeconômicos e políticos. Entender a lógica do desenvolvimento, na qual esses aspectos encontram-se presentes, é de fundamental importância para a compreensão dos problemas que assolam o mundo contemporâneo, especialmente aqueles relacionados à crise socioambiental.

As raízes da noção de desenvolvimento estão intimamente vinculadas à idéia de progresso, um dos principais eixos de sustentação da sociedade moderna. A síntese do perfil dessa sociedade pode ser encontrada no pensamento europeu dos séculos XVIII ao XX, de forma especial no Iluminismo, em que a história é vista como uma marcha progressiva para o racional e para a harmonia social.

Em termos gerais, pouco foi acrescentado à discussão que remete à relação entre meio ambiente e desenvolvimento na América Latina, de forma sistematizada, até o aparecimento dos trabalhos da CEPAL, cujo marco inicial foi o manifesto de Raúl Prebisch, em 1945. Celso Furtado, que participou da CEPAL nesse período, analisou a economia política do desenvolvimento, a estrutura do capitalismo mundial e as relações entre países. Em seu livro O mito do desenvolvimento (1974) ressalta os impactos do desenvolvimento econômico no meio ambiente.

Dentre outros aspectos, sua análise sobre o processo de desenvolvimento/subdesenvolvimento das nações indica que a dependência dos países periféricos acarreta e/ou consolida sua situação de subdesenvolvimento e é reforçada pelo sistema econômico internacional, representado pelas grandes empresas e oligopólios estrangeiros. Isso, contudo, não altera uma função importantíssima dos países periféricos na evolução e na lógica global do sistema: supridores de mão-de-obra barata e de recursos naturais.

Cabe observar, portanto, que se as relações desiguais levam a um fosso cada vez maior entre os países ricos e os pobres, esse fosso tem reflexos profundos no nível interno das sociedades, uma vez que longe de levar a uma eliminação da desigualdade social e dos conflitos e da exclusão dela resultantes, o desenvolvimento pautado em parâmetros de crescimento econômico, industrial e tecnológico, na maioria das vezes, não traz como corolário a inclusão social, a igualdade, a fraternidade e outras promessas iluministas.

O agravamento continuado e intenso da situação ambiental, pontualizado inicialmente pela poluição industrial, abriu precedentes à luta pela consideração das questões ligadas ao meio ambiente, no cotidiano das nações. Alguns autores consideram a publicação, em 1962, do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, como o começo da revolução ambiental.

Com a ação do movimento ambientalista nos anos 60 e 70, a questão ambiental ganhou relevo na pauta da discussão sobre escassez de energia e de recursos e adquiriu grande visibilidade através dos meios de comunicação de massa, atingindo o grande público e os meios oficiais e ocupando espaços privilegiados principalmente nas instituições internacionais. Assim, existem hoje, em todos os níveis da sociedade e em praticamente todas as nações, uma crescente conscientização e uma preocupação com os problemas ambientais.

Paris sediou, em 1968, a Conferência Intergovernamental de Especialistas sobre as Bases Científicas para Uso e Conservação Racionais dos Recursos da Biosfera, conhecida como Conferência da Biosfera, organizada pela UNESCO – esta Conferência foi mais direcionada para aspectos científicos da conservação da biosfera e pesquisas em Ecologia.

Dos alertas, um dos de maior repercussão é o relatório encomendado pelo Clube de Roma, coordenado por Dennis Meadows, intitulado Os limites do crescimento e publicado em 1972, que favoreceu o debate no período que antecedeu à conferência de Estocolmo.

Assim, o ano de 1972 é considerado um marco importante na discussão ambiental: na Nova Zelândia foi criado o primeiro partido verde e, em Estocolmo, foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. Ali, pela primeira vez, foram discutidos problemas políticos, sociais e econômicos do meio ambiente global em uma instância intergovernamental. A partir das discussões desta Conferência, foi criado o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Na Conferência de Estocolmo, firmou-se um entendimento sobre as relações entre o ambiente e o desenvolvimento, surgindo nesse momento o conceito de um novo tipo de desenvolvimento: o ecodesenvolvimento – uma proposição para novas modalidades de desenvolvimento, que valoriza o conhecimento produzido pelas populações locais para a gestão do seu meio, em contraposição à homogeneização dos modelos até então adotados.

O termo ecodesenvolvimento, utilizado por Maurice Strong para ressaltar a relação entre meio ambiente e desenvolvimento das zonas rurais nos países em desenvolvimento, foi reelaborado por Ignacy Sachs, em 1973. Sachs deslocou o problema do aspecto puramente quantitativo (crescer ou não) para o exame da qualidade do crescimento. Posteriormente, ele indicou as estratégias de harmonização entre desenvolvimento socioeconômico e gestão ambiental.

O conceito de ecodesenvolvimento foi aos poucos sendo substituído pelo conceito de desenvolvimento sustentável, cujo emprego tem origem em documento elaborado em 1980 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

O pouco sucesso das conferências temáticas realizadas no pós-Estocolmo, ao longo da década de 70/início de 80 (1974: população; 1976: habitat; 1977: desertificação; 1981: fontes alternativas de energia) não impediu o avanço das discussões. Em 1983, foi criada a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que, sob a presidência de Gro Harlem Brundtland, primeira-ministra norueguesa, publicou em 1987 o seu relatório, que ficou conhecido como Relatório Brundtland – o livro intitulado Nosso futuro comum. A partir daí, a questão ambiental recebeu mais um impulso.

O conceito de desenvolvimento sustentável passou, a partir de então, a ser utilizado em substituição à expressão ecodesenvolvimento e constituiu a base para a discussão e reorientação das políticas de desenvolvimento e sua relação direta com as questões ambientais. Desenvolvimento sustentável passou a ser tido como aquele desenvolvimento que atende às necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades.

Como resposta ao citado Relatório e tendo por base suas recomendações, uma outra Conferência foi convocada pela Assembléia Geral das Nações Unidas e realizada no Rio de Janeiro, em 1992: a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD) – a Eco-92.
A Eco-92, também chamada Rio-92, configurou-se como um importante marco da reflexão sobre a questão ambiental e sua relação com o desenvolvimento, uma vez que os debates giraram em torno de estratégias de ações que pudessem ser adotadas pelos países periféricos na direção de um desenvolvimento sustentável, bem como das convenções sobre mudança climática e diversidade biológica. As estratégicas de ação e de cooperação entre países, acordadas pelos participantes da Rio-92, estão consolidadas nos quarenta capítulos da Agenda 21, documento oficial da Conferência.

Aos esforços de cada Nação para garantir a discussão e a elaboração das respectivas Agendas, num processo continuado de participação da sociedade civil, somaram-se as dificuldades de implementar as ações previstas na Agenda 21. Como conseqüência, as decisões da Eco-92 têm encontrado dificuldades de sair do papel.

Em 1997, foi realizado, também no Rio de Janeiro, o evento Rio + 5, no qual foram discutidas as ações adotadas e as propostas tiradas na Eco-92 ainda não implantadas. E no ano de 2002, a ONU realizou a “Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável”, quando se reuniram em Johannesburgo, na África do Sul, representantes de diferentes países, buscando avançar nas discussões iniciadas há dez anos e traçar as diretrizes do desenvolvimento sustentável. Este encontro, conhecido como Cúpula da Terra ou Rio+10, tem sido apontado como um retrocesso quando comparado aos anteriores, uma vez que não houve avanços significativos em relação às propostas da Rio-92 nem, tampouco, houve empenho dos países desenvolvidos, especialmente das grandes potências como os Estados Unidos, em assumir responsabilidades pelos danos ambientais e em firmar compromissos efetivos em relação aos países do Terceiro Mundo.

Os resultados da Conferência de Johannesburgo apontam não apenas para a estreita relação entre as questões ambientais, sociais, políticas e econômicas, como também para o fato de que as relações desiguais entre nações ricas e pobres, que levam a um fosso quase intransponível entre desiguais e acarretam graves problemas ambientais, apontadas pelo economista Celso Furtado na década de 70, ainda se apresentam sem solução.

Apesar dos avanços ocorridos nas últimas décadas, especialmente no que concerne à produção teórico-científica, às relações e acordos internacionais para conservação da biodiversidade, às atitudes de alguns governos locais, à institucionalização e ao avanço das legislações específicas para o planejamento e implementação de políticas ambientais, ao avanço do setor produtivo e empresarial e do mercado internacional de bens e serviços, os resultados da Rio+10 vieram contribuir para o acirramento da discussão sobre a amplitude e a natureza do desenvolvimento sustentável, em seus aspectos teóricos e práticos.

Vários têm sido os trabalhos que apontam para uma imprecisão conceitual e operacional do desenvolvimento sustentável, salientando que o mesmo pode atender a diferentes fins e interesses. A discussão mais recente marcada pela perspectiva da sustentabilidade tem avançado de forma mais promissora, problematizando aspectos e questões até então não privilegiados, e apontando para o risco de que a utilização oportunista do conceito de desenvolvimento sustentável, especialmente em contextos que reproduzem esquemas e práticas socialmente injustas e predatórias do ambiente, pode comprometer e até levar a retrocessos nos encaminhamentos sobre a questão ambiental.

Fonte: www.tvebrasil.com.br

Sustentabilidade

Em todos os jornais, revistas, programas de televisão são abordados diariamente questões sobre o meio ambiente, inclusão social e racial, infra-estrutura, tecnologia, etc.

Essas abordagens são necessárias, pois todos esses fatores contribuem para o crescimento sustentável e para a melhoria do bem-estar da população.

Esse é um momento favorável para abordar essas questões, que juntas nos levam à Sustentabilidade Ambiental, vivendo em harmonia com a sociedade e com o meio ambiental.

Na Palestra cujo tema foi Sustentabilidade Ambiental foram feitas várias indagações, em que refletimos diversos pontos, que serão comentados a seguir.

1. Descrição

O mundo está chegando num ponto cada vez mais crítico, o aumento do consumo e exploração incontroláveis de produtos e recursos naturais e minerais do planeta só agravam a vida na terra, deixando em dúvida o futuro.

Para reverter essas situações, precisamos pensar na sustentabilidade ambiental, envolvendo todos os setores a sociedade: econômica, política, educação, saúde, etc.

E se for exercida a Sustentabilidade Ambiental, proporcionara qualidade de vida, atendendo às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de gerações futuras.

Para resolver esse problema, toda sociedade precisa educar suas ações, estabelecer limites de consumo, e isso envolve não só os consumidores, mas também as empresas que devem desenvolver produtos ecologicamente corretas e com materiais que não agridem o meio ambiente. Automaticamente, esse fato influencia a economia, algumas empresas perderão muito dinheiro em nome da conservação ambiental.

Porém todos pagarão um preço pelo futuro do nosso planeta. O desenvolvimento sustentável não deve ser apenas econômico, é necessário planejar ações e programas (governamentais ou não) que levem em conta a sustentabilidade econômica, ambiental e social.

Sustentabilidade significa usufruir de recursos naturais e matérias com responsabilidade social, desenvolver produtos e fontes de energia renováveis (como o biodisel).

No caminho para a sustentabilidade, é importante observar e mudar atitudes em relação aos seguintes aspectos:

Ecologia: sabe usar conscientemente os recursos naturais do planeta.
Espacial:
a má distribuição e o crescimento desordenado da população resultam em favelas e moradias de péssima qualidade. Conseqüentemente, cresce a violência, etc.
Economia:
vincular - se a políticas públicas e privadas para destinação e administração corretas.
Sociedade:
melhor a distribuição de renda, oferecendo mais empregos e diminuindo as diferenças sociais.
Cultura:
fazer mudanças harmoniosas de cultura de acordo com a realidade em que se vive esse fato diminui as diferenças sociais, pois cada realidade possui seus próprios traços de cultura.

Promover a sustentabilidade não é fácil, pois cada mudança impõe seus obstáculos. E com a cultura materialista que a sociedade se encontra, esse desafio se torna mais complexo. Quando se trata das grandes cidades, se torna um problema quase sem solução. A população urbana é dependente do consumo desenfreado que a sociedade em geral impõe. Diminuir esse consumo e se conscientizar quanto a isso requer tempo e reflexão no seu dia-a-dia, em com o capitalismo a flor da pele, as pessoas não param para pensar. Por outro lado, em comunidades rurais esse problema fica mais fácil, pois as pessoas precisam aprender a melhorar sua qualidade de vida, fazendo uso correto da terra, aumentando suas produção sem agredir o meio ambiente.

E para desenvolver práticas agrícolas sustentáveis é necessário:

Fazer manutenção, por longo prazo, dos recursos naturais e da produtividade agrícola.
Satisfazer às necessidades humanas de alimento e renda.
Garantir o atendimento às necessidades sociais, das famílias e das comunidades rurais etc.

A agricultura sustentável tem apoio e recomendações de órgãos do governo como o INCRA e o FAQ.

Enfim, com as mudanças acontecendo na agricultura, consequentemente as empresas e depois a sociedade (consumidora) terão que se adequar às novas necessidades. Pois as necessidades de agora (se forem atendidas) garantirão o futuro do planeta.

2. Análise Crítica

As mudanças climáticas, apagões, racionamento de água e outros impactos são sinais de que o planeta não está agüentando as ações incontroláveis do homem em busca de poder e dinheiro.

A sociedade deve se conscientizar quanto à Sustentabilidade Ambiental, e para tanto deve - se traçar medidas e projetos com parceria, criar maneiras das pessoas pensarem e perceber os benefícios que o consumo consciente pode causar no seu no seu dia-a-dia.

Enfatizou a necessidade de escoriamento das nascentes e a importância de restaurá-las, mas quando um ouvinte se manifesta e pergunta pelos programas e as ONGs que trabalham nesse sentido a oferecendo projetos de restauração das nascentes e como fazer para ajudar com trabalho ele não sabe informar precisamente, como se não dominasse a informação de solução do problema que ele apresentou.

Enfatizou a importância da sociedade se conscientizar quanto a sustentabilidade ambiental, e para tanto deve–se traçar medidas e projetos com parcerias com a sociedade a fim de economizar água, uso correto de energia, e o quanto é necessário estarmos consciente dos benefícios do bom uso da natureza e o mais que poderão impactar com o mau uso, na minha visão de cidadão esses projetos ainda são poucos já que degradação é visível e constante se houvesse uma projeto e conscientização com o trabalho do palestrante e agregado a informação projeto de ações para a sociedade agir com a finalidade de melhoria do meio ambiente os resultados seriam mais visíveis.

Para esse projeto de ações as informações importantes para a melhoria da cultura da sociedade, fazendo mudanças harmoniosas de acordo com a realidade em que vivemos. Promover a sustentabilidade não é fácil, pois cada mudança impõe seus obstáculos, e com a aventura materialista que a sociedade se encontra esse desafio se torna mais complexo.

O palestrante nos deu exemplos de alguns agricultores que estão trabalhando para a recuperação das nascentes, esse fato foi fundamental para despertar o desejo de muitos em ajudar, então eu perguntei o que eu poderia fazer para ajudar, e ele me respondeu usar corretamente a água.

Na minha opinião os acontecimentos são muito sério e o tempo que nos resta para melhora é muito pouco, levando a voz e faço outras pergunta, pergunto ao palestrante dos 100% das pessoas ali presente quanto em média ele precisaria de contigênte exatas naquela palestra seria favorável para melhoria do problema e ele me respondeu 10%, fiquei chocada com o pessimismo do palestrante, pois ele trás informações importantes mas nem ele mesmo acredita na mudança da cultura da sociedade para melhoria.

Mudemos agora nossas atitudes, enquanto há tempo. Para que gerações futuras tenham condições de viver aqui.

BRUNO DOS SANTOS GUAITOLINI

Fonte: www.administradores.com.br

Sustentabilidade

Sustentabilidade Ambiental

Uma pergunta assalta e perturba muitos cidadãos conscientes, autoridades preocupadas com a situação do meio ambiente e as organizações que militam na área: Como garantir a sustentabilidade ambiental nas grandes cidades?

A resposta a essa pergunta atinge um caráter de urgência quando percebemos claramente os sinais de degradação e constatamos que o planeta sente, como nunca, o impacto do peso da vida humana e das ações predatórias longamente praticadas por nós. Manter as bases da economia e o estilo de vida das populações urbanas nos níveis atuais; onde o consumismo desenfreado e o descarte de grandes quantidades de materiais tóxicos e lixo é praticamente a ordem reinante e a lógica por trás de quaisquer ações humanas. Cedo ou tarde, os impactos desse modo de vida se tornarão irreversíveis e populações inteiras sentirão a mão pesada da natureza sobre suas vidas. Vencer as resistências locais e as políticas tradicionalmente aceitas como verdades absolutas; é a missão do novo pensamento que deve se espalhar e dominar as mentes e os corações dos “novos políticos” e do “novo cidadão”.

A grande realidade; é que para garantir a sustentabilidade ambiental nas grandes cidades, devemos praticamente abandonar o modo de vida que experimentamos até hoje e criar devida consciência nas massas e na classe dirigente de que a exploração desenfreada do meio ambiente só levará a destruição do planeta. Num sistema insustentável de produção, os recursos naturais planetários seriam exauridos muito rapidamente e proporcionariam problemas gravíssimos que seriam sentidos com um impacto devastados nos grandes aglomerados urbanos.

Fazer com que a aplicação de políticas garantidoras da sustentabilidade ambiental nas grandes cidades, representa uma realidade em que se leva em consideração à capacidade de reposição que o planeta tem de seus recursos e, ao mesmo tempo, manter medidas que permitam uma maior justiça social. As mudanças que já foram sentidas devem ser estimuladas e seus reflexos plenamente positivos em uma escala pequena; devem servir de exemplo para que nações e governos menores comecem a implementá-las e a sentir seus reflexos cada vez mais intensamente. Conseguir alterar as relações de consumo e educar a população para o real significado das políticas de conservação do meio ambiente pode ser a única forma de garantir a sustentabilidade ambiental de forma efetiva e com resultados em médio e longo prazo.

Fazer com que nossas populações questionem o seu modo de vida e fazê-las entender que se os recursos do planeta não tiverem “a oportunidade” de renovarem-se e de sustentarem-se sob a pressão de uma demanda constante de consumo exacerbado, a vida no planeta como a conhecemos acabará de forma dramática e somente através desse processo de conscientização poderemos garantir a sustentabilidade ambiental. O colapso das grandes cidades e os conflitos sociais e entre países serão inevitáveis e de proporções apocalípticas. Sendo os “vitoriosos” sobreviventes herdeiros de uma terra exaurida e devastada; incapaz de sustentar a vida e inútil para qualquer um de nós; ricos ou pobres.

Um dado estatístico pode corroborar muito bem essas relações problemáticas e perigosas entre populações urbanas e recursos naturais. Basta saber que para sustentar apenas um quarto da população mundial que habita nos países ricos, são necessários três quartos de todos os recursos naturais do planeta. Por essa simples constatação; pode-se perceber claramente que será impossível fornecer os recursos necessários para que todos os seres humanos possam atingir um padrão de vida razoável no ritmo de consumo atual. Somente com o desenvolvimento sustentável será possível garantir a sustentabilidade ambiental e com isso podermos reverter nossa atual situação.

Pense nisso.

Fonte: www.ecologiaurbana.com.br

Sustentabilidade

O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

1 – INTRODUÇÃO

A questão ambiental, no Brasil, se intensifica nos discursos e estudos no curso da década de 1960 após uma fase de intenso crescimento urbano. Com a crise do petróleo no final dos anos sessenta e início da década de setenta, a reflexão acerca do futuro, que se apresenta incerto, começa a ser exposta no pensamento político, social e filosófico levando ao questionamento da participação do homem no planeta.

Neste contexto, o conceito de “desenvolvimento sustentável” surge como um termo que expressa os anseios coletivos, tais como a democracia e a liberdade, muitas vezes colocadas como uma utopia.

2 – DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

O termo “desenvolvimento sustentável” surgiu a partir de estudos da Organização das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, como uma resposta para a humanidade perante a crise social e ambiental pela qual o mundo passava a partir da segunda metade do século XX. Na Comissão Mundial para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), também conhecida como Comissão de Brundtland, presidida pela norueguesa Gro Haalen Brundtland, no processo preparatório a Conferência das Nações Unidas – também chamada de “Rio 92” foi desenvolvido um relatório que ficou conhecido como “Nosso Futuro Comum”. Tal relatório contém informações colhidas pela comissão ao longo de três anos de pesquisa e análise, destacando-se as questões sociais, principalmente no que se refere ao uso da terra, sua ocupação, suprimento de água, abrigo e serviços sociais, educativos e sanitários, além de administração do crescimento urbano.

Neste relatório está exposta uma das definições mais difundidas do conceito: “o desenvolvimento sustentável é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”.

O relatório Brundland considera que a pobreza generalizada não é mais inevitável e que o desenvolvimento de uma cidade deve privilegiar o atendimento das necessidades básicas de todos e oferecer oportunidades de melhora de qualidade de vida para a população. Um dos principais conceitos debatidos pelo relatório foi o de “equidade” como condição para que haja a participação efetiva da sociedade na tomada de decisões, através de processos democráticos, para o desenvolvimento urbano.

O relatório ainda ressaltou, em relação às questões urbanas, a necessidade de descentralização das aplicações de recursos financeiros e humanos, e a necessidade do poder político favorecer as cidades em sua escala local. No tocante aos recursos naturais, avaliou a capacidade da biosfera de absorver os efeitos causados pela atividade humana, e afirmou que a pobreza já pode ser considerada como um problema ambiental e como um tópico fundamental para a busca da sustentabilidade.

O conceito de desenvolvimento sustentável foi firmado na Agenda 21, documento desenvolvido na Conferência “Rio 92”, e incorporado em outras agendas mundiais de desenvolvimento e de direitos humanos, mas o conceito ainda está em construção segundo a maioria dos autores que escrevem sobre o tema, como por exemplo, Carla Canepa (2007), José Eli da Veiga (2005) e Henri Ascelard (1999).

Apesar de ser um conceito questionável por não definir quais são as necessidades do presente nem quais serão as do futuro, o relatório de Brundtland chamou a atenção do mundo sobre a necessidade de se encontrar novas formas de desenvolvimento econômico, sem a redução dos recursos naturais e sem danos ao meio ambiente.

Além disso, definiu três princípios básicos a serem cumpridos: desenvolvimento econômico, proteção ambiental e equidade social. Mesmo assim, o referido relatório foi amplamente criticado por apresentar como causa da situação de insustentabilidade do planeta, principalmente, o descontrole populacional e a miséria dos países subdesenvolvidos, colocando somente como um fator secundário a poluição ocasionada nos últimos anos pelos países desenvolvidos.

O III Relatório do Clube de Roma (1976) afirma que “muito antes de esgotarmos os limites físicos do nosso planeta ocorrerão graves convulsões sociais provocadas pelo grande desnível existente entre a renda dos países ricos e dos países pobres”.

Já em 1986 a Conferência de Ottawa (Carta de Ottawa, 1986) estabelece cinco requisitos para se alcançar o desenvolvimento sustentável:

Integração da conservação e do desenvolvimento
Satisfação das necessidades básicas humanas
Alcance de eqüidade e justiça social
Provisão da autodeterminação social e da diversidade cultural
Manutenção da integração ecológica.

Para a Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD, 1988, 1991) os objetivos que derivam do conceito de desenvolvimento sustentável estão relacionados com o processo de crescimento da cidade e objetiva a conservação do uso racional dos recursos naturais incorporados às atividades produtivas.

Entre esses objetivos estão:

Crescimento renovável
Mudança de qualidade do crescimento
Satisfação das necessidades essenciais por emprego, água, energia, alimento e saneamento básico
Garantia de um nível sustentável da população
Conservação e proteção da base de recursos
Reorientação da tecnologia e do gerenciamento de risco
Reorientação das relações econômicas internacionais (CMMAD, 1988, 1991).

Leila Ferreira afirma em seu livro “A questão ambiental: sustentabilidade e políticas públicas no Brasil” que:

O padrão de produção e consumo que caracteriza o atual estilo de desenvolvimento tende a consolidar-se no espaço das cidades e estas se tornam cada vez mais o foco principal na definição de estratégias e políticas de desenvolvimento (FERREIRA, 1998).

Deste modo, é de grande importância à busca de alternativas sustentáveis e que esquadrinhem qualidade de vida para a dinâmica urbana, consolidando uma referência para o processo de planejamento urbano.

Para José Eli da Veiga o desenvolvimento sustentável é considerado um enigma que pode ser dissecado, mesmo que ainda não resolvido.

Em seu livro “Desenvolvimento Sustentável: o desafio para o século XXI” ele afirma que o conceito de desenvolvimento sustentável é uma utopia para o século XXI, apesar de defender a necessidade de se buscar um novo paradigma científico capaz de substituir os paradigmas do “globalismo”. (VEIGA, 2005)

Uma outra definição para “desenvolvimento sustentável” ou “sustentabilidade” foi descrita por Satterthwaite como:

A resposta às necessidades humanas nas cidades com o mínimo ou nenhuma transferência dos custos da produção, consumo ou lixo para outras pessoas ou ecossistemas, hoje e no futuro. (SATTERTHWAITE, 2004).

O desenvolvimento sustentável deve ser uma conseqüência do desenvolvimento social, econômico e da preservação ambiental (Figura 2.1).

Sustentabilidade Ambiental

Figura 2.1 - Desenho esquemático relacionando parâmetros para se alcançar o desenvolvimento sustentável

Além da Agenda 21, outro importante documento que foi escrito na “Rio 92”, com uma grande participação de organizações não governamentais e representantes da sociedade civil foi “A Carta da Terra”.

Ela trás importantes ressalvos sobre o meio ambiente e foi retificada pela UNESCO e aprovada pela ONU em 2002:

Que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.

Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações (A Carta da Terra, 2002).

Foram organizadas outras conferências mundiais a partir da Rio-92, como a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Johanesburgo, realizada dez anos mais tarde, na África do Sul. Aspásia Camargo faz um retrospecto sobre os dez anos que se passaram entre a Conferência do Rio e a da África do Sul e destaca que muitas foram as frustrações quanto as perspectivas positivas da Rio-92, mas o que avançou foi o reconhecimento do desenvolvimento sustentável como uma possível e aceitável solução para os problemas ambientais e sociais enfrentados pelo mundo (CAMARGO, 2004).

Não é esperado que toda uma Nação conscientize-se de seu papel essencial no quadro ambiental e social mundial. Apesar disso, as diversas discussões sobre o termo “desenvolvimento sustentável” abrem à questão de que é possível desenvolver sem destruir o meio ambiente. Desta forma, o conceito de desenvolvimento sustentável descrito no “Nosso Futuro Comum”, já mencionado, foi incorporado pelo Direito Ambiental. Uma disciplina autônoma que é baseada nos “princípios que regulam seus objetivos e diretrizes que devem se projetar para todas as normas ambientais, norteando os operadores desta ciência e salvando-os das dúvidas ou lacunas na interpretação das normas ambientais.” (RODRIGUES, 2002).

O Direito Ambiental deve ser firmado em princípios e normas específicas, que têm como premissa buscar uma relação equilibrada entre o homem e a natureza ao regular todas as atividades que possam afetar o meio ambiente. O fato de que o desenvolvimento sustentável tenha respaldo na comunidade brasileira e poder, através do Direito Ambiental, fazer parte de uma disciplina jurídica, torna o termo capaz de definir um novo modelo de desenvolvimento para o país.

Para Carla Canepa “o desenvolvimento sustentável caracteriza-se, portanto, não como um estado fixo de harmonia, mas sim como um processo de mudanças, no qual se compatibiliza a exploração de recursos, o gerenciamento de investimento tecnológico e as mudanças institucionais com o presente e o futuro.” (CANEPA, 2007).

O desenvolvimento sustentável é um processo de aprendizagem social de longo prazo, que por sua vez, é direcionado por políticas públicas orientadas por um plano de desenvolvimento nacional. Assim, a pluralidade de atores sociais e interesses presentes na sociedade colocam-se como um entrave para as políticas públicas para o desenvolvimento sustentável (BEZERRA e BURSZTYN, 2000).

3 – A SUSTENTABILIDADE COMO RESPOSTA

Ao se definir desenvolvimento sustentável também está se discutindo o que é sustentabilidade.

Para alguns autores como Clovis Cavalcanti sustentabilidade “significa a possibilidade de se obterem continuamente condições iguais ou superiores de vida para um grupo de pessoas e seus sucessores em dado ecossistema” (CAVALCANTI, 2003).

Para o autor, as discussões atuais sobre o significado do termo “desenvolvimento sustentável” mostram que se está aceitando a idéia de colocar um limite para o progresso material e para o consumo, antes visto como ilimitado, criticando a idéia de crescimento constante sem preocupação com o futuro (CAVALCANTI, 2003).

Para Henri Acselrad, as seguintes questões discursivas têm sido associadas à noção de sustentabilidade:

Da eficiência, antagônica ao desperdício da base material do desenvolvimento, com reflexos da racionalidade econômica sobre o “espaço não-mercantil planetário”
Da escala, determinante de limites quantitativos para o crescimento econômico e suas respectivas pressões sobre os recursos ambientais da eqüidade, articuladora analítica entre princípios de justiça e ecologia
Da auto-suficiência, desvinculadora de economias nacionais e sociedades tradicionais dos fluxos de mercado mundial, como estratégia apropriada para a capacidade de auto-regulação comunitária das condições de reprodução da base material do desenvolvimento
Da ética, evidenciadora das interações da base material do desenvolvimento com as condições de continuidade da vida do planeta. (ACSELRAD, 2001).

Para facilitar a compreensão do conceito de sustentabilidade, Sachs (1993) a divide em cinco classificações: a sustentabilidade ambiental, a sustentabilidade econômica, a sustentabilidade ecológica, a sustentabilidade social e a sustentabilidade política. Essa divisão é contraposta pela visão de Shumacher (CMMAD, 1991), que classifica somente em sustentabilidade ambiental, econômica e pessoal.

Mas, essas duas visões diferem principalmente na definição do termo ambiental, pois Shumacher refere-se ao uso racional dos recursos, enquanto Sachs à capacidade dos ecossistemas diante da agressão humana. Neste trabalho adota-se a definição de Sachs - presente no texto da Agenda 21 Brasileira – que define sustentabilidade social e política separadamente, fazendo também referência ao uso racional dos recursos no enfoque da sustentabilidade econômica.

O conceito descrito por Sachs (1993) refere-se à sustentabilidade como:

“Sustentabilidade ecológica – refere-se base física do processo de crescimento e tem como objetivo a manutenção de estoques dos recursos naturais, incorporados as atividades produtivas.
Sustentabilidade ambiental –
refere-se manutenção da capacidade de sustentação dos ecossistemas, o que implica a capacidade de absorção e recomposição dos ecossistemas em face das agressões antrópicas.
Sustentabilidade social –
refere-se ao desenvolvimento e tem por objetivo a melhoria da qualidade de vida da população. Para o caso de países com problemas de desigualdade e de inclusão social, implica a adoção de políticas distributivas e a universalização de atendimento a questões como saúde, educação, habitação e seguridade social.
Sustentabilidade política –
refere-se ao processo de construção da cidadania para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao processo de desenvolvimento.
Sustentabilidade econômica –
refere-se a uma gestão eficiente dos recursos em geral e caracteriza-se pela regularidade de fluxos do investimento público e privado. Implica a avaliação da eficiência por processos macro sociais.” (Agenda 21 brasileira)

4 – SUSTENTABILIDADE URBANA

No Brasil, principalmente nas grandes metrópoles, os problemas causados pelo aumento da população urbana sem a presença do poder público acompanhando essa urbanização “quase que espontânea” (vide as favelas) pode ser notado desde muitos anos. Para Ermínia Maricato, a imagem das cidades brasileiras está definitivamente associada à violência, à poluição, ao tráfego caótico, às enchentes, à desigualdade social, entre outros fatores (MARICATO, 2000).

Neste momento histórico, na grande maioria dos países, inclusive no Brasil, o desenvolvimento está diretamente ligado à vida das cidades. Por isso, outro importante conceito é o de sustentabilidade no ambiente urbano (ou sustentabilidade urbana).

A sustentabilidade urbana é definida por Henri Acselrad como a capacidade das políticas urbanas se adaptarem à oferta de serviços, à qualidade e à quantidade das demandas sociais, buscando o equilíbrio entre as demandas de serviços urbanos e investimentos em estrutura (ACSELRAD, 1999). No entanto, também é imprescindível para a sustentabilidade urbana o uso racional dos recursos naturais, a boa forma do ambiente urbano baseado na interação com o clima e os recursos naturais, além das respostas às necessidades urbanas com o mínimo de transferência de dejetos e rejeitos para outros ecossistemas atuais e futuros.

A grande maioria dos países desenvolvidos, tanto quanto os que estão em desenvolvimento, e também suas cidades, estão explorando a capacidade de seus recursos naturais ao limite. Dependendo do nível de industrialização de cada país os problemas se diferenciam. Richard Roger descreve que nos países desenvolvidos a migração de pessoas de centros urbanos para os subúrbios mais afastados que oferecem um ambiente natural mais próspero, levou ao aumento do uso de automóveis, aos conseqüentes congestionamentos e à poluição do ar. Já nos países em desenvolvimento os problemas ambientais e sociais são agravados pelo aumento das cidades sem o acompanhamento de infra-estruturas para suportar tal crescimento. Em todo o mundo a pobreza ainda é um dos principais problemas enfrentados pelas sociedades, e geralmente a camada mais pobre da população é amplamente negligenciada.

Diante disso, nota-se a necessidade de um desenvolvimento urbano sustentável, diferente do desenvolvimento atual, que é baseado no lucro e privilegia uma pequena parte da sociedade. Os direitos básicos devem ser proporcionados, tais como o direito à água, ao abrigo, à alimentação, à saúde, à educação, entre outros.

Há o risco de que o discurso da sustentabilidade não produza alterações substantivas, podendo o mesmo, como afirma Cyria Emelianoff, “ser reduzido por certas coletividades locais a um simples marketing destinado a valorizar suas vantagens territoriais, a aumentar sua atratividade e seu poder” (EMELIANOFF, 2003). É necessário que se busque modelos de desenvolvimento onde possam ser agregados aos valores ecológicos, outros como autonomia, solidariedade e responsabilidade.

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento sustentável não deve ser apresentado como um slogan político. As condições ambientais já estão bastante prejudicadas pelo padrão de desenvolvimento e consumo atual, deste modo, o desenvolvimento sustentável pode ser uma resposta aos anseios da sociedade.

A sustentabilidade consiste em encontrar meios de produção, distribuição e consumo dos recursos existentes de forma mais coesiva, economicamente eficaz e ecologicamente viável.

Um dos desafios da sustentabilidade ambiental urbana é a conscientização de que esta é um processo a ser percorrido e não algo definitivo a ser alcançado. A busca por uma conceituação urbana sustentável trás consigo uma série de proposições e estratégias que buscam atuar em níveis tanto locais quanto globais.

Priorizar o desenvolvimento social e humano com capacidade de suporte ambiental, gerando cidades produtoras com atividades que podem ser acessadas por todos é uma forma de valorização do espaço incorporando os elementos naturais e sociais.

Gisele Silva Barbosa

BIBLIOGRAFIA

ACSELRAD, Henri e LEROY, Jean P. Novas premissas da sustentabilidade democrática. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, 1, 1999.
BEZERRA, M. C. L.; BURSZTYN, M. (cood.). Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento sustentável. Brasília: Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis: Consórcio CDS/ UNB/ Abipti, 2000.
CAMARGO, Aspásia. Governança para o século 21. In: TRIGUEIRO, A. Meio Ambiente no século 21: 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas áreas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
CANEPA, Carla. Cidades Sustentáveis: o município como lócus da sustentabilidade. São Paulo: Editora RCS, 2007.
Carta de Ottawa. Primeira Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde, Ottawa,1986. Disponível em <www.opas.org.br>. Consultado em novembro de 2007.
Carta Européia para a ordenação do território - CEOT/CEMAT, 1983.
Carta da Terra – Organização das Nações Unidas, 2002.
CAVALCANTI, Clóvis. (org.). Desenvolvimento e Natureza: estudos para uma sociedade sustentável. São Paulo: Cortez, 2003.
CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2a ed. Tradução de Our common future. 1a ed. 1988. Rio de Janeiro : Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991.
EMELIANOFF, Cyria. Les Villes Durables: L’émergence de nouvelles temporalités dans de vieux espaces urbains. In: MAGALHÃES, Roberto Anderson de Miranda. A Construção da Sustentabilidade Urbana Obstáculos e Perspectivas. Brasília-DF: III
Encontro da ANPPAS, 2006.
FERREIRA, Leila da Costa. A questão ambiental: sustentabilidade e políticas públicas no Brasil. São Paulo: Boitempo Editorial, 1998.
MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. Petrópolis: Editora Vozes, 2000.
RODRIGUES, Marcelo Abelha. Instituições de direito ambiental. Vol I – Parte Geral, São Paulo: Max Limonad, 2002.
SACHS, Ignacy. Estratégias de Transição para do século XXI – Desenvolvimento e
Meio Ambiente. São Paulo: Studio Nobel – Fundação para o desenvolvimento administrativo, 1993.
SATTERTHWAITE, David. Como as cidades podem contribuir para o Desenvolvimento Sustentável. In: MENEGAT, Rualdo e ALMEIDA, Gerson (org.).
Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental nas Cidades, Estratégias a partir de Porto Alegre. Porto Alegre: UFRGS Editora, pp. 129-167, 2004.
VEIGA, José Eli da. Cidades Imaginárias – o Brasil é menos urbano do que se calcula. Campinas: Editora da Unicamp, 2005.

Fonte: www.fsma.edu.br

Sustentabilidade

Sustentabilidade é a palavra do século. Nesta semana um amigo, Sérgio Lagoa, comentou sobre este processo que promove a sustentabilidade. Entretanto não estamos falando do futuro, mas sim do presente. A cogeração consiste em produzir energia elétrica e térmica simultaneamente a partir de um combustível comum ou, melhor ainda, a partir de resíduos da atividade industrial.

Todos devemos saber que a atividade humana fatalmente produz muitos resíduos, principalmente lixo proveniente de atividades domésticas, industriais e da construção civil. Tudo que transformamos, em processos antropogênicos, gera produtos desinteressantes. O que devemos fazer com isso? 

Em geral, o transporte desse lixo infelizmente inviabiliza economicamente a reciclagem do mesmo, principalmente em cidades como São Paulo, que produz quantidades astronômicas de resíduos e possui apenas uma estação cadastrada para reaproveitamento de resíduos da construção civil, por exemplo.

Imagine se vale a pena pagar para um caminhão transportar lixo no trânsito caótico de São Paulo (ver post do dia 09/09) por um percurso de, em alguns casos, 40 quilômetros! Inviável...

Em uma indústria de embalagens chamada INAPEL, localizada em Guarulhos (São Paulo), Sérgio ajudou a implantar um sistema de cogeração movido a gás natural. Este processo permite que a planta seja capaz de atingir um nível de eficiência beirando os 90%. Para se ter uma idéia, um carro movido a gasolina aproveita em média apenas 30% da energia contida em seu combustível.

A indústria de papel e plásticos produz muitos dejetos agressores de corpos d'água e da atmosfera, causando um déficit ambiental grave. As regulamentações impostas pelo governo a partir da década de setenta demandam investimentos por parte dessas indústrias de forma a minimizar o dano ocasionado, o que resulta em encarecimento dos produtos e impactos na economia.

Essas externalidades podem ser generalizadas para a escala mundial, o que significa um impacto na economia mundial somente devido a passivos ambientais causados por indústrias.

Portanto, a otimização da produção energética na indústria através da cogeração traz benefícios não só do ponto de vista da auto-suficiência energética, mas também do ponto de vista econômico do mercado. O capital que antes era "queimado" na forma de combustível não aproveitado agora pode ser empregado no tratamento de emissões da indústria e, conseqüentemente, é capaz de beneficiar a oferta dos produtos oferecidos pela fábrica em questão de modo a melhor atender sua demanda no mercado.

É uma forma inteligente e eficiente de controle do meio-ambiente, A alternativa é capaz de ao menos minimizar drasticamente o problema ambiental sem que seja necessária a tributação.

Temos aqui um exemplo claro do Teorema de Coase: o governo, ao incentivar indústrias a implantarem processos de cogeração, estão trazendo benefícios tanto para as empresas quanto para si mesmo.

A sustentabilidade é uma realidade!

E vamos a mais uma pequena coletânea de notícias, desta vez, sobre Sustentabilidade Ambiental.

Um projeto britânico pretende construir uma estrutura capaz de gerar alimentos, água limpa e energia no meio de um deserto como o do Saara. A estrutura consiste em uma grande estufa onde seria possível cultivar os vegetais com água evaporada do mar.

Para isso, utilizarão máquinas "evaporadoras" que converterão a água salgada em um vapor que, não só será utilizado na irrigação, como também resfriará o ambiente interno, baixando em até 15 graus a temperatura. Anexo à estufa, serão instalados enormes painéis solares para a geração de energia elétrica.

É realmente um complexo inteiramente sustentável e que auxiliará no desenvolvimento dos países localizados em regiões desérticas. Além disso, todo o excedente de produção poderá ser enviado à Europa, em especial a energia gerada.

Sustentabilidade Ambiental

Representação gráfica de como serão as estruturas acima citadas.

Uma fábrica iniciou a produção de uma espécie de "madeira plástica" que será utilizada em construções. Ela é feita a partir de uma mistura de plásticos de embalagens descartáveis com fibras vegetais, provenientes de cocos e até mesmo tapetes. A mistura leva ainda borra de café.

Ela é prensada a uma temperatura de 200ºC e se parece muito com a madeira comum em seu aspecto. A vantagem é que é muito mais durável por possuir plástico em sua composição e não necessita de envernizamento constante. Além disso, é uma ótima maneira de se reutilizar todo o plástico que se tornaria lixo e contribuiria para a poluição do meio ambiente

Cresce a cada dia o número de empreendimentos imobiliários que utilizam itens de sustentabilidade em suas construções. São os "Eco-imóveis".

Aqui no Rio, por exemplo, há vários condomínios sendo construídos que farão coleta seletiva e utilizarão fontes alternativas de energia, além de serem decorados com plantas e outras paisagens naturais. Há inclusive prédios que já contarão com tubos por onde o óleo de cozinha será diretamente despejado e coletado para reciclagem.

Outros investem nos chamados "telhados ecológicos" (ou telhados verdes), os quais contam com vegetação plantada no topo dos edifícios, a qual diminui significantemente a temperatura sem o uso de refrigeradores. Com relação a água, há captação de água de chuva, reduzindo os custos; e há a recaptação de água utilizada, em torneiras, a qual pode ser utilizada para dar descargas, lavar carros, quintais, regar plantas, etc.

Todas as novidades citadas acima mostram, mais uma vez, que a capacidade criativa do ser humano é enorme e somos "SIM" capazes de contornar os problemas ambientais atuais. Basta acreditarmos nessa capacidade e mudarmos um pouquinho só os nossos hábitos.

Fonte: www.mundovestibular.com.br

Sustentabilidade

Da teoria à prática

Desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, garantindo a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.

Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental.

Nos últimos anos, práticas de responsabilidade social corporativa tornaram-se parte da estratégia de um número crescente de empresas, cientes da necessária relação entre retorno econômico, ações sociais e conservação da natureza e, portanto, do claro vínculo que une a própria prosperidade com o estado da saúde ambiental e o bem-estar coletivo da sociedade.

É cada vez mais importante que as empresas tenham consciência de que são parte integrante do mundo e não consumidoras do mundo. O reconhecimento de que os recursos naturais são finitos e de que nós dependemos destes para a sobrevivência humana, para a conservação da diversidade biológica e para o próprio crescimento econômico é fundamental para o desenvolvimento sustentável, o qual sugere a utilização dos recursos naturais com qualidade e não em quantidade.

Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa

O consumidor é cada vez mais consciente do peso ecológico e social de suas próprias escolhas. Assim, para a empresa garantir a satisfação dos consumidores ela terá, cada vez mais, que fornecer respostas coerentes a estes assuntos, reconhecendo a crescente sensibilidade do mercado às temáticas como a sustentabilidade e empenhando-se a atingir resultados positivos a favor do ambiente.

Empresas que queiram manter a competitividade ao longo prazo devem, portanto, responder às expectativas dos cidadãos-consumidores, valorizando o comportamento responsável.

Fonte: www.wwf.org.br

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