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Manejo Florestal

MANEJO FLORESTAL E CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

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INTRODUÇÃO

A Amazônia tem a maior reserva de madeira tropical do planeta. A exploração deste recurso é importante para a economia da região e do País. Porém, os moldes atuais de exploração são insustentáveis – além de predatórios, geram lucros apenas para poucos empresários que não estão comprometidos com o desenvolvimento econômico e social dos estados amazônicos.

O manejo florestal sustentável pode ser aplicado à madeira, sementes, fibras ou outros produtos florestais. No caso da madeira, o corte seletivo, realizado em áreas já afetadas pela atividade humana, utiliza técnicas e conhecimento científico de forma planejada para minimizar os impactos no ecossistema e proporcionar a regeneração da floresta.

Atualmente, os melhores padrões e critérios de manejo florestal são os estabelecidos pelo FSC (Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal).

O FSC é o único sistema de certificação independente que adota padrões ambientais internacionalmente aceitos, incorpora de maneira equilibrada os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos e tem um selo amplamente reconhecido no mundo todo. O sistema FSC assegura a integridade da cadeia de custódia da madeira desde o corte da árvore até o produto final chegar às mãos dos consumidores. O FSC oferece a melhor garantia disponível de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição das florestas primárias como a Amazônia.

1- SUA EMPRESA VAI FICAR FORA DO MERCADO

O número de pessoas preocupadas com a destruição das florestas aumenta dia após dia. Como os governos e seus órgãos ambientais não são capazes de garantir a origem não predatória dos produtos florestais, consumidores do mundo todo passaram a procurar produtos ambientalmente corretos, ou seja, produtos que oferecem garantias de que não vieram de desmatamento, exploração predatória e/ou ilegal – o que é comum na Amazônia.

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A certificação, realizada por sistemas privados e com representação igualitária dos setores econômico, social e ambiental fornece garantias de que o produto é ecologicamente correto. Esses sistemas comprovam que os produtos (madeira, serrada, móveis, laminados, papel, assoalhos, frutos, etc.) vêm de florestas bem manejadas, onde toda a legislação é obedecida, que os direitos dos trabalhadores e comunidades são considerados e que tudo foi economicamente viável.

As empresas que estão na Amazônia e não aderirem ao manejo e a certificação florestal correm o risco de ter seu mercado reduzido ou até fecharem as portas. E é apenas questão de tempo.

2 – O QUE É MANEJO FLORESTAL

O código florestal brasileiro de 1965 (artigo 15) definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de planos de manejo.

Em 1989, a Ordem de Serviço 001-89/IBAMA?DIREN definiu um extensivo protocolo de plano de manejo, incluindo especificação de técnicas de extração para diminuir os danos à floresta, estimativas do volume a ser explorado, tratamentos silviculturais e métodos de monitoramento do desenvolvimento da floresta após a exploração. O ciclo de corte mínimo foi fixado, na época, em 30 anos.

Em resumo, o Manejo Florestal é um conjunto de técnicas empregadas para colher cuidadosamente parte das árvores grandes de tal maneira que as menores, a serem colhidas futuramente, sejam protegidas. Com a adoção do manejo a produção de madeira pode ser contínua ao longo dos anos.

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2.1- Porque Manejar Florestas?

As principais razões para manejar a floresta são:

Continuidade da produção – A adoção do manejo garante a produção de madeira na área indefinidamente, e requer a metade do tempo necessário na exploração não manejada.
Rentabilidade –
Os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Tais benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira.
Segurança de trabalho –
As técnicas de manejo diminuem drasticamente os riscosde acidentes de trabalho. No Projeto Piloto de Manejo Florestal (Imazon/WWF), os riscos de acidentes durante o corte na operação manejada foram 17 vezes menor se comparado às situações de perigo na exploração predatória.
Respeito à lei –
Manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas. Embora, a ação fiscalizatória tenha sido pouca efetiva até o momento, é certo que essa situação vai mudar. Recentemente, tem aumentado as pressões da sociedade para que as leis ambientais e florestais sejam cumpridas.
Oportunidades de mercado –
As empresas que adotam um bom manejo são fortes candidatas a obter um “selo verde”. Como a certificação é uma exigência cada vez maior dos compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, as empresas que tiverem um selo verde, provando a autenticidade da origem manejada de sua madeira, poderão ter maiores facilidades de comercialização no mercado internacional.
Conservação florestal –
O manejo da floresta garante a cobertura florestal da área, retém a maior parte da diversidade vegetal original e pode ter impactos pequenos sobre a fauna, se comparado à exploração não manejada.
Serviços ambientais –
As florestas manejadas prestam serviços para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono.

2.2- Plano de Manejo Florestal

O plano de manejo pode ser organizado em três etapas:

1. Na primeira, faz-se o zoneamento ou divisão da propriedade florestal em áreas exploráveis; áreas de preservação permanente e áreas inacessíveis à exploração.
2.
A segunda etapa consiste no planejamento das estradas secundárias que conectam a área de exploração às estradas primárias.
3.
Na terceira etapa, divide-se a área alocada para exploração em blocos ou talhões de exploração anual.

O plano de manejo define como a floresta será explorada, o que inclui o zoneamento da propriedade distinguindo as áreas de exploração, as zonas de preservação permanente e os trechos inacessíveis. Em seguida, planeja-se a rota das estradas secundárias e divide-se a área total de manejo em talhões de exploração anual. Por último, define-se a seqüência de exploração do talhão ao longo do tempo. Esta medida visa reduzir os impactos da exploração madeireira sobre a fauna e aumentar a proteção da floresta contra o fogo.

2.3- Conselho de Manejo Florestal

Até hoje, a única forma de certificação florestal com credibilidade internacional é a do Conselho de Manejo Florestal, o FSC (Forest Stewardship Council, em inglês). O FSC é uma organização internacional independente, sem fins lucrativos, fundada em 1993 e com sede em Oaxaca, no México. O FSC é integrado por representantes de três setores (empresarial, ambientalista e social), cada um dos quais com mesmo poder de voto. Suas decisões, portanto, estão baseadas no consenso entre os interesses econômicos, de conservação e de tutela dos trabalhadores e das populações.

O logotipo do FSC identifica produtos que contêm madeira proveniente de florestas bem manejadas, certificadas de acordo com as regras do conselho de Manejo Florestal.

Os princípios e critérios mundiais do FSC foram estabelecidos internacionalmente, com um processo de consulta que durou dois anos e envolveu representantes dos setores ambiental, social e econômico. Eles visam atestar que o manejo das florestas aconteceu de maneira ambientalmente apropriada, socialmente justa e economicamente viável. No Brasil, existe desde 1997 um grupo de trabalho para determinar padrões locais – específicos para cada tipo de floresta, plantada ou natural – no âmbito dos princípios mundiais do FSC. Tais padrões serão utilizados pelas certificadoras que operam no País.

Contudo, estão surgindo outras formas de certificação florestal, em muitos casos com enfoque local ou para produtos específicos. É possível que futuramente outros selos venham também a adquirir a credibilidade necessária para se firmar no mercado.

3 – CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

A certificação é o instrumento que atesta determinadas características de um produto ou de um processo produtivo.

A certificação florestal visa atestar que determinada empresa ou comunidade obtém seus produtos manejando sua área florestal segundo determinados princípios e critérios. O certificado é entregue à empresa e serve de garantia para o comprador de que o produto vem de uma área manejada de forma ambientalmente adequada, socialmente justa e economicamente viável.

A certificação da série ISO não garante que o produto florestal foi obtido de forma ambientalmente adequada e socialmente justa, pois só certifica os processos industriais.

4 – QUAL É A REALIDADE DA INDÚSTRIA MADEIREIRA DA AMAZÔNIA?

Existem duas formas de se extrair madeira na Amazônia: através de autorizações de desmatamento e através de Planos de Manejo Florestal (PMFs). Apesar de descritas no Código Florestal, ambas têm sido utilizadas de maneira irregular, acarretando elevados índices de destruição florestal. As autorizações de desmatamento são concedidas a proprietários que têm o direito de desmatar até 20% de suas terras.

Geralmente, antes de fazerem o corte raso para fins agrícolas ou para criação de gado, os fazendeiros vendem as espécies de valor comercial a madeireiros e utilizam o capital desta venda para preparar o solo. Além do caráter predatório desse mecanismo, o grande problema é que a imensa maioria do desmatamento praticado na Amazônia é ilegal. Um bom exemplo é o Estado do Pará. O Pará responde por 40% da atividade madeireira da Amazônia Legal. Também é responsável por um terço do total desmatado na região. Cruzando os dados das autorizações de desmatamento concedidas no Estado com fotos de satélite ilustrando a situação real, chega-se à conclusão de que apenas 1% do desmatamento tem amparo legal. Em 2001, por exemplo, o Ibama concedeu autorizações de desmatamento para 5.342 hectares, mas o total desmatado captado pelos satélites do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) chegou a chocantes 523.700 hectares.

Os números dos anos anteriores são similares. Já os Planos de Manejo Florestal foram criados, na teria, para permitir a exploração da madeira sem destruir o ecossistema. Infelizmente, na prática, não é o que acontece. Foi criada uma grande farsa sobre manejo florestal na Amazônia. Desde 1995, milhares de planos foram aprovados pelo Ibama, mas as madeireiras estavam usando os planos de manejo florestal para legalizar a extração ilegal de madeira. Um relatório do Ibama de 1998 mostra que apenas 31% (866) de um total de 2.806 planos aprovados foram considerados aptos pelo próprio Ibama. Um novo relatório do Ibama de 2000 mostra que a farsa continuou. Somente 405 ou 49% dos 822 planos restantes foram considerados aptos ou em manutenção. Em suma, somente 14% dos planos existentes em 1998 resistiram à avaliação do próprio Ibama.

O cancelamento e suspensão dos planos tiveram causas diversas. Muitos madeireiros contratavam engenheiros florestais apenas para conseguir a aprovação dos planos no Ibama e depois os dispensavam. Outros deixavam de executar o plano sem avisar ao Ibama. Por outro lado, engenheiros florestais produziam “planos de manejo” em série que, na prática, não são cumpridos. Para cada PMF aprovado são concedidos, anualmente, documentos de transporte de madeira referentes ao volume previsto no plano. Estes documentos são freqüentemente utilizados para legalizar madeira extraída de forma ilegal em áreas públicas ou griladas, parques nacionais, reservas biológicas e áreas indígenas.

Assim, hoje em dia, é difícil garantir a origem legal do produto madeireiro. A exceção fica por conta de produtos florestais certificados pelo FSC (Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal). O FSC é um sistema independente de certificação, reconhecido internacionalmente, que dispõe uma série de padrões e critérios para a exploração florestal e é economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente sustentável.

4.1- Como é o consumo de madeira amazônica no Brasil?

Ao contrário do que muita gente acredita, a maior parte da produção madeireira da Amazônia é consumida no Brasil. Existem poucas informações concretas sobre o assunto, mas as pesquisas disponíveis indicam que cerca de 85% de toda a madeira produzida na Amazônia é consumida por brasileiros. O Estado de São Paulo é o maior consumidor, respondendo por 20% do consumo nacional desta matéria-prima.

4.2- Quais são os principais usos da madeira amazônica?

A madeira amazônica é utilizada em diversos tipos de produtos como móveis finos e populares, forros, pisos, esquadrias e casas pré-fabricadas. Outro mercado consumidor expressivo são as construções civis verticais, que utilizam madeira amazônica na fundação e estruturação das obras, para marcar e nivelar o terreno e nas fôrmas de concreto, e também em acabamentos como portas e janelas. No caso das construções civis, cerca de 80% da madeira é usada de forma descartável e apenas 20% são utilizados nos acabamentos. Já existem substitutos disponíveis no mercado como chapas de madeira resinada e peças de ferro e alumínio que apresentam maior durabilidade e podem ser reutilizadas várias vezes.

5 – SOBRE O SISTEMA FSC

O manejo florestal sustentável pode ser aplicado à madeira, sementes, fibras ou outros produtos florestais. No caso da madeira, o corte seletivo, realizado em áreas já afetadas pela atividade humana, utiliza técnicas e conhecimento científico de forma planejada para minimizar os impactos no ecossistema e proporcionar a regeneração da floresta.

Atualmente, os melhores padrões e critérios de manejo florestal são os estabelecidos pelo FSC (Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal).

O FSC é o único sistema de certificação independente que adota padrões ambientais internacionalmente aceitos, incorpora de maneira equilibrada os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos e tem um selo amplamente reconhecido no mundo todo. O sistema FSC assegura a integridade da cadeia de custódia da madeira desde o corte da árvore até o produto final chegar às mãos dos consumidores. O FSC oferece a melhor garantia disponível de que a atividade madeireira ocorre de maneira legal e não acarreta a destruição das florestas primárias como a Amazônia.

O FSC foi fundado em 1993, em Toronto, Canadá, por 130 representantes de organizações ambientalistas, entidades indígenas, comunidades tradicionais, instituições de certificação de produtos florestais de 25 países, indústrias madeireiras e silvicultores. Sua sede atual fica em Oaxaca, México.

O FSC visa a promover a gestão florestal ambientalmente adequada, socialmente benéfica e economicamente viável, baseada nos Princípios e Critérios do acordo internacional Declaração das Florestas, aprovado na ECO-92, aplicável a todos os tipos de florestas – tropicais, boreais e temperadas – que fornecem madeira para a indústria.

A atual demanda por produtos florestais é insustentável. Não existem soluções únicas ou simples.

Porém, usar as forças de mercado para promover madeira produzida de maneira sustentável, garantida pela certificação, é uma das alternativas para desenvolver economicamente regiões de floresta levando em consideração aspectos sociais e ambientais:

Compre produtos de madeira (móveis, material de construção, papel) que tenham o selo FSC
Se não encontrar, converse com seu fornecedor sobre a necessidade de a madeira e demais produtos florestais ter o selo FSC
De forma geral, antes de comprar um produto de madeira, mostre-se interessado pela sua procedência (local de origem) e o manejo florestal que ali se realiza.
Peça ao seu fornecedor garantias de que a extração de madeira não destruiu economias locais, empregou mão-de-obra infantil ou gerou impactos ambientais. Suas perguntas deixarão claro ao fornecedor que os consumidores se preocupam com a extração da madeira feita de forma insustentável e destrutiva.

6 – O DESMATAMENTO AVANÇA

Entre 2001 e 2004, o desmatamento na Amazônia aumentou expressivamente, impulsionado pela expansão do agronegócio e da atividade pecuária na região.

Foram, em média, 23 mil km2 de florestas destruídas a cada ano, o equivalente a mais de seis campos de futebol desmatados por minuto.

6.1- Madeira Ilegal

Entre 60% e 80% da produção de madeira da região amazônica ocorre de forma criminosa. A produção ilegal de madeira é considerada a porta de entrada do desmatamento na Amazônia. A indústria da madeira ilegal está ligada à grilagem de terras, invasão de terras públicas e áreas protegidas e à abertura de estradas que facilitam o desmatamento e as queimadas para a produção de grãos ou gado.

Acreditamos em uma indústria madeireira que trabalhe de acordo com regras de manejo florestal responsável.

O manejo florestal garante a continuidade da produção madeireira, respeitando as condições da floresta e os direitos das comunidades locais. Por isso, apoiamos a certificação de empresas pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal), que prevê a adoção dos mais rígidos padrões e critérios de exploração madeireira.

6.2- A Importância das Áreas Protegidas

Estudos recentes indicam que a simples criação de áreas protegidas já é suficiente para desestimular o desmatamento. Isto se deve, principalmente, ao desestímulo à grilagem de terras, já que não existe possibilidade de legalizar a ocupação em áreas protegidas. Por isso, a criação urgente de unidades de conservação nas regiões de expansão da fronteira agropecuária é fundamental para estancar a destruição florestal.

Entretanto, se, por um lado, a criação das áreas oferece garantia contra o desmatamento, apenas a implementação efetiva poderá assegurar a proteção integral do patrimônio ambiental contra outras ameaças – como, por exemplo, a exploração predatória de madeira.

Nas regiões mais ameaçadas da Amazônia, como no Estado de Rondônia, a maioria das unidades de conservação já foi invadida e está em processo avançado de degradação ambiental. A implementação das unidades de conservação, através da regularização fundiária, demarcação, contratação de funcionários, compra de equipamentos e fiscalização permanente é fundamental para proteger efetivamente estas áreas.

A implementação das áreas protegidas também contribui diretamente para melhorar as condições de vida dos povos da floresta que habitam as unidades de conservação e de uso sustentável, com o incentivo ao uso responsável dos produtos da floresta, como óleos, castanhas, fibras e madeira, entre outros.

CONCLUSÃO

Todo sistema feito para uma melhoria na natureza havendo todo um processo conservatório é fundamental para nossa floresta.

O Manejo florestal vem trazendo melhorias para natureza possibilitando a garantia dos produtos extraídos na floresta, com a Certificação Florestal comprovando a qualidade do produto.

Além de tudo isso considerando todos os direitos dos trabalhadores, exigindo um treinamento contínuo de todos trabalhadores e uso de equipamentos de segurança.

Fonte: analgesi.co.cc

Manejo Florestal

Do extrativismoao manejo de florestas

Histórico da atividade no Amazonas

O extrativismo como atividade econômica no Amazonas teve inicio no século XVII, através da exploração de vários produtos da floresta, denominados “drogas do sertão” (cacau, urucu, canela anil, ervas medicinais, raízes aromáticas, puxurí, madeiras, entre outros). Esse tipo de atividade teve como principais mercados Portugal, Inglaterra, França e Holanda.

O primeiro grande momento para o extrativismo remonta de 1840 e se estende até a 2ª década do século XX, quando o Amazonas era o único produtor de látex da seringueira, oriundo principalmente das bacias dos rios Juruá, Jutaí, Purus e Madeira. Grande massa de nordestinos refugiados das secas se engajou nesta atividade, contribuindo para a fundação de cidades como Eirunepé, Lábrea e Humaitá. A partir de 1912, se iniciou a decadência econômica, em função dos cultivos de seringueira no sudeste asiático.

O segundo grande momento da borracha ocorreu durante a 2ª Guerra mundial, quando os mercados asiáticos foram fechados ao Ocidente. Notabilizaram-se então os “Soldados da Borracha”, nordestinos que, ao invés de irem para as frentes de guerra, vieram ao Amazonas, para garantir o abastecimento da borracha.

Nesta segunda etapa foi possível, em determinados momentos, promover a ocupação territorial no Estado. Após a 2ª Guerra, o extrativismo da borracha entrou novamente em decadência.

Na década de 70, os ex-seringueiros estavam migrando para as cidades ou foram remanejados para a extração de outros produtos como castanha e madeira, que se tornou um dos principais recursos naturais para a sustentação das populações tradicionais. A criação da Zona Franca de Manaus, como pólo industrial e comercial, atraiu esta massa de migrantes para a capital, ao tempo que o interior conheceu grande retrocesso, estagnação e queda de produção.

Nos tempos atuais necessariamente a internalizarão da importância e prática do manejo de florestas, seja de base madeira, não madeira e da própria fauna silvestre passa a ser uma questão central para a maioria dos governos do norte do Brasil, aliada constante ao combate ao desmatamento, emissões de carbono, grilagem de terra e o paradigma dos serviços ambientais associado a valorização dos recursos florestais.

O novo ciclo: do extrativismo ao manejo de florestas

O conceito de sustentabilidade coloca em questão as modalidades do desenvolvimento econômico e as reservas extrativistas são apontadas como melhor forma de valorização da região, tendo as populações extrativistas como guardiãs do patrimônio natural comum: a floresta.

Esta alternativa garante o controle do acesso aos recursos naturais por seus usuários, assegurando assim os direitos dos trabalhadores da floresta.

O extrativismo ressurge como uma atividade que garante a conservação da biodiversidade, geração de trabalho e renda para as populações do interior do Estado, além de formar uma base para o desenvolvimento da biotecnologia.

O IDAM possui em sua estrutura organizacional, uma Diretoria de Assistência Técnica e Extensão Florestal, cujo objetivo é planejar e coordenar as ações de apoio às atividades de manejo e extrativismo florestal.

Para atingir estes objetivos, a DITER possui projetos de fortalecimento da produção extrativista e de organização e fortalecimento dos sistemas de produção, no âmbito do programa de assistência técnica e extensão florestal e da fauna – PROATEF, em atendimento ao programa governamental Zona Franca Verde.

Fundamentos para o Manejo de Florestas

Originário do antigo continente europeu, no século XIX, o ordenamento florestal estava ligado às práticas silviculturais aplicadas nos povoamentos florestais, incluindo os seus aspectos financeiros e organizacionais, visando a produção de madeiras. Na segunda metade do século XIX, o ordenamento foi levado pelos europeus para a Ásia numa tentativa de adaptá-lo às florestas tropicais. No início do século passado, o ordenamento foi introduzido na África, somente chegando na América na década de 40.

No entanto, apenas no início dos anos 90 é que começaram a serem implementados planos de manejo florestal na Amazônia.

O desenvolvimento das técnicas de exploração e condução da floresta, sensoriamento remoto, tecnologia de produtos florestais e capacidade de armazenamento e processamento de informações possibilitaram a consolidação do Manejo Florestal em florestas tropicais. O manejo de bacias hidrográficas, o lazer, a educação ambiental e a conservação da fauna (silvestre) e da flora (madeireiro e não madeireiro) passaram a ser parte do manejo florestal, ampliando o conceito de uso múltiplo.

O que é manejo florestal ?

Em outras palavras, o Manejo Florestal compreende um conjunto de técnicas empregadas para a colheita criteriosa de parte das árvores grandes, de tal maneira que as menores sejam protegidas para colheitas futuras. O manejo das florestas envolve produção, rentabilidade, segurança no trabalho, respeito à legislação, logística de mercado, conservação florestal e serviços ambientais (equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono). Para isso, o código florestal brasileiro de 1965 definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de plano de manejo.

Razões para o Manejo Florestal

O desenvolvimento de técnicas de manejo florestal garante a manutenção da exploração e produção de madeira nas áreas e proporciona maior vida útil à terra processada, cerca da metade do tempo demandado pela exploração não manejada.

Além disso, os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Tais benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira.

A partir da adoção das técnicas de manejo, as atividades sofrem redução de riscos de acidentes de trabalho. No Projeto Piloto de Manejo Florestal, os riscos de acidentes durante o corte na operação manejada foram 17 vezes menor se comparado às situações de perigo na exploração predatória.

Apesar de ainda ser praticada em pequena escala, o manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas.

Embora, a ação fiscalizatória tenha sido pouca efetiva até o momento, o processo de monitoramento está aumentando e a pretensão do Estado é intensificar a fiscalização das áreas verdes da região. Com a adoção dos planos de manejo, as empresas e produtores podem obter um certificado com “selo verde” cada vez mais exigido pelos grandes compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Além dos benefícios comerciais, a prática do manejo florestal sustentável garante a conservação de espécies animais e vegetais prolongando a vida útil das áreas exploradas, contribuindo assim para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono.

Evolução do manejo florestal sustentável

O manejo de florestas naturais passa por um acelerado processo de desenvolvimento. Essas mudanças podem ser observadas no campo tecnológico, com a introdução de novas práticas de manejo; no campo gerencial, com a introdução de novos sistemas de manejo; no campo estratégico, com novos instrumentos de políticas públicas e de relação com o mercado.

Essas mudanças apontam um cenário promissor para o papel do manejo florestal na promoção do desenvolvimento sustentável, incluindo-se aí a conservação florestal e a construção da cidadania.

Manejo Florestal no Estado do Amazonas: um negócio sustentável

O apoio ao manejo florestal enquanto negócio sustentável é uma iniciativa do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Produção e o IDAM, com o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas dos recursos florestais.

A partir de 2003, o Governo do Estado elaborou, mais recentemente através do IDAM, 842 Planos de Manejo Florestal em Pequena Escala no Estado do Amazonas. A retomada da atividade madeireira, pela elaboração e implementação de planos de manejo para pequenos extratores de madeira, de forma planejada, conta ainda com o apoio técnico do Governo no fortalecimento da cadeia produtiva, contribuindo para a legalidade da atividade.

Isto aumenta a perspectiva de produção anual para aproximadamente 40 mil metros cúbicos de madeira em toras, propiciando um faturamento bruto de cerca de R$ 3,1 milhões. Além de lucrativa, a atividade ajuda a coibir o narcotráfico na região do Alto Solimões e a revitalizar a qualidade de vida nas regiões mais pobres do Estado.

Manejo Florestal em pequena escala e sua base legal no Estado do Amazonas

O Plano de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala está voltado para detentores de terras com até 500 hectares com a admissão apenas de um único plano de Manejo por pessoa. Todos os procedimentos, desde a capitação de documentos até o transporte, foram publicados na Instrução Normativa n° 002 de 11 de fevereiro de 2008.

O objetivo da simplificação é viabilizar uma renda extra com a extração legal da madeira. Hoje o Amazonas tem um programa de governo que respeita o saber do homem do interior e tem a certeza de que a floresta bem cuidada oferece riqueza para todos.

Fonte: www.idam.am.gov.br

Manejo Florestal

Originário do antigo continente europeu, no século XIX, o ordenamento florestal estava ligado às práticas silviculturais aplicadas nos povoamentos florestais, incluindo os seus aspectos financeiros e organizacionais, visando a produção de madeiras.

Na segunda metade do século XIX, o ordenamento foi levado pelos europeus para a Ásia numa tentativa de adaptá-lo às florestas tropicais. No início do século passado, o ordenamento foi introduzido na África, somente chegando na América na década de 40.

No entanto, apenas no início dos anos 90 é que começaram a serem implementados planos de manejo florestal na Amazônia. O desenvolvimento das técnicas de exploração e condução da floresta, sensoriamento remoto, tecnologia de produtos florestais e capacidade de armazenamento e processamento de informações possibilitaram a consolidação do Manejo Florestal em florestas tropicais.

O manejo de bacias hidrográficas, o lazer, a educação ambiental e a conservação da fauna (silvestre) e da flora (madeireiro e não madeireiro) passaram a ser parte do manejo florestal, ampliando o conceito de uso múltiplo.

O que é manejo florestal?

Em outras palavras, o Manejo Florestal compreende um conjunto de técnicas empregadas para a colheita criteriosa de parte das árvores grandes, de tal maneira que as menores sejam protegidas para colheitas futuras.

O manejo das florestas envolve produção, rentabilidade, segurança no trabalho, respeito à legislação, logística de mercado, conservação florestal e serviços ambientais (equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono). Para isso, o código florestal brasileiro de 1965 definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de plano de manejo.

Razões Para o Manejo Florestal

O desenvolvimento de técnicas de manejo florestal garante a manutenção da exploração e produção de madeira nas áreas e proporciona maior vida útil à terra processada, cerca da metade do tempo demandado pela exploração não manejada.

Além disso, os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Tais benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira.

A partir da adoção das técnicas de manejo, as atividades sofrem redução de riscos de acidentes de trabalho. No Projeto Piloto de Manejo Florestal (Imazon/WWF), os riscos de acidentes durante o corte na operação manejada foram 17 vezes menor se comparado às situações de perigo na exploração predatória.

Apesar de ainda ser praticada em pequena escala, o manejo florestal é obrigatório por lei. As empresas que não fazem manejo estão sujeitas a diversas penas.

Embora, a ação fiscalizatória tenha sido pouca efetiva até o momento, o processo de monitoramento está aumentando e a pretensão do Estado é intensificar a fiscalização das áreas verdes da região. Com a adoção dos planos de manejo, as empresas e produtores podem obter um certificado com “selo verde” cada vez mais exigido pelos grandes compradores de madeira, especialmente na Europa e nos Estados Unidos.

Além dos benefícios comerciais, a prática do manejo sustentável garante a conservação de espécies animais e vegetais prolongando a vida útil das áreas exploradas, contribuindo assim para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono.

Evolução do manejo florestal sustentável

O manejo de florestas naturais passa por um acelerado processo de desenvolvimento. Essas mudanças podem ser observadas no campo tecnológico, com a introdução de novas práticas de manejo; no campo gerencial, com a introdução de novos sistemas de manejo; no campo estratégico, com novos instrumentos de políticas públicas e de relação com o mercado.

Essas mudanças apontam um cenário promissor para o papel do manejo florestal na promoção do desenvolvimento sustentável, incluindo-se aí a conservação florestal e a construção da cidadania.

Manejo Florestal no Estado do Amazonas: um negócio sustentável

O apoio ao manejo florestal enquanto negócio sustentável é uma iniciativa do Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) e Agência de Florestas e Negócios Sustentáveis do Amazonas (Agência de Florestas), órgão vinculado a SDS, com o objetivo de fortalecer as cadeias produtivas dos recursos florestais.

Em 2003, o Governo do Estado elaborou, através da Agência de Florestas/SDS, 147 Planos de Manejo Florestal em Pequena Escala nas regiões do Alto Solimões e Juruá. A retomada da atividade madeireira, pela elaboração e implementação de planos de manejo para pequenos extratores de madeira, de forma planejada, conta ainda com o apoio técnico do Governo no fortalecimento da cadeia produtiva, contribuindo para a legalidade da atividade.

Isto aumenta a perspectiva de produção anual para aproximadamente 40 mil metros cúbicos de madeira em toras, propiciando um faturamento bruto de cerca de R$ 3,1 milhões. Além de lucrativa, a atividade ajuda a coibir o narcotráfico na região do Alto Solimões e a revitalizar a qualidade de vida nas regiões mais pobres do Estado.

Manejo Florestal no Estado do Amazonas: em pequena escala

O Plano de Manejo Florestal Sustentável de Pequena Escala está voltado para detentores de terras com até 500 hectares com a admissão apenas de um único plano de Manejo por pessoa. Todos os procedimentos, desde a capitação de documentos até o transporte, foram publicados na Portaria 040/03 de 03/12/03.

O objetivo da simplificação é viabilizar uma renda extra com a extração legal da madeira. Hoje o Amazonas tem um programa de governo que respeita o saber do homem do interior e tem a certeza de que a floresta bem cuidada oferece riqueza para todos.

Base Legal

Em 1998, o IBAMA sugeriu a criação de uma Instrução Normativa própria para manejo simplificado sem necessidade de contratação de engenheiro florestal.

Esta proposta só veio a ser regulamentada em 2002 com a IN 4/2002. No ano de 2003, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) estabelece um convênio de cooperação técnica com o IBAMA, objetivando a descentralização da gestão dos recursos florestais.

Fonte: www.florestas.am.gov.br

Manejo Florestal

Manejo Florestal

Manejo Florestal é um conjunto de técnicas empregadas para fazer a colheita de parte das árvores grandes, de maneira que as árvores menores sejam protegidas para futuras colheitas. Com esta adoção, a produção de madeira pode ser de forma contínua ao longo dos anos, pois o manejo envolve a produção, rentabilidade, segurança no trabalho, respeito à legislação, etc.

Este é um grande motivo para que no Código Brasileiro de 1965 fosse definido que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através deste manejo florestal.

Em outras palavras podemos dizer que se trata do planejamento de um uso racional de qualquer produto que seja retirado de uma floresta.

Desta forma, os benefícios econômicos obtidos são muito maiores que os custos do projeto de manejo florestal, onde em curto prazo existe todo o controle e redução de desperdícios de madeira que em longo prazo contribui para uma receita líquida maior, já que os desperdícios diminuem junto com os danos causados as árvores da floresta.

Etapas do projeto de Manejo Florestal

Podemos dividir o projeto nas seguintes etapas:

Apresentação da documentação da propriedade
Atividades de campo
Apresentação do projeto junto a SEMA ou IBAMA
Vistoria do órgão responsável
Exploração da madeira
Acompanhamento.

Atribuições do projeto

São atribuições do projeto:

Promover o aproveitamento sustentável de recursos florestais;
Sugerir medidas técnicas e legais para o aprimoramento das políticas de aproveitamento de recursos florestais;
Prestar assistência aos estados, municípios, entidades civis e não governamentais sobre assuntos que dizem respeito ao ordenamento dos recursos florestais.
Apesar de ainda ser praticado em pequena escala, o manejo florestal é obrigatório por lei. Empresas que não cumprem esta lei e não fazem o manejo estão sujeitas a várias penas. A intenção do Estado é aumentar a fiscalização para que haja menos inadimplências.
Além de todos os benefícios comerciais, este projeto contribui em grande parte para a preservação de animais e vegetais, prolongando o ciclo de vida nas áreas exploradas e, por conseguinte ajudando no equilíbrio do clima regional e global.

Jeniffer Elaina da Silva

Fonte: www.fontedosaber.com

Manejo Florestal

O que é manejo florestal?

Manejo Florestal

O Manejo Florestal compreende um conjunto de técnicas empregadas para a colheita criteriosa de parte das árvores grandes, de tal maneira que as menores sejam protegidas para colheitas futuras.

O manejo das florestas envolve produção, rentabilidade, segurança no trabalho, respeito à legislação, logística de mercado, conservação florestal e serviços ambientais. Para isso, o código florestal brasileiro de 1965 definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de plano de manejo.

O desenvolvimento de técnicas de manejo florestal garante a manutenção da exploração e produção de madeira nas áreas e proporciona maior vida útil à terra processada, cerca da metade do tempo demandado pela exploração não manejada.

Além disso, os benefícios econômicos do manejo superam os custos. Tais benefícios decorrem do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira.

Além dos benefícios comerciais, a prática do manejo sustentável garante a conservação de espécies animais e vegetais prolongando a vida útil das áreas exploradas, contribuindo assim para o equilíbrio do clima regional e global, especialmente pela manutenção do ciclo hidrológico e retenção de carbono.

Essas mudanças apontam um cenário promissor para o papel do manejo florestal na promoção do desenvolvimento sustentável, incluindo-se aí a conservação florestal e a construção da cidadania.

PRINCÍPIOS DO MANEJO FLORESTAL

Cumprimento da legislação.
Racionalidade no uso dos recursos florestais no curto, médio e longo prazo, buscando a sustentabilidade.
Zelo pela diversidade biológica.
Respeito às águas, ao solo e ao ar.
Desenvolvimento ambiental, econômico e social das regiões em que se insere a atividade florestal.

Todos os trabalhadores florestais, incluindo empregados de empresas parceiras, recebem as orientações sobre o Plano de Manejo, de forma a garantir a qualidade dos plantios e das práticas socioambientais nas áreas florestais da empresa.

IMPORTÂNCIA DOS PLANTIOS FLORESTAIS

Preservam e recuperam florestas nativas.
Conservam o solo.
Melhoram a qualidade da água.
Fornecem matéria-prima para uso industrial e doméstico.
Geram renda, emprego e bem-estar social, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico.
Contribuem para a estabilidade ambiental regional.

Fonte: www.madeireirafontana.com.br.

Manejo Florestal

O QUE É O MANEJO FLORESTAL?

CONCEITO

O código florestal brasileiro de 1965 (artigo 15) definiu que as florestas da Amazônia só poderiam ser utilizadas através de planos de manejo.

Em 1989, a Ordem de Serviço 001-89/IBAMA?DIREN definiu um extensivo protocolo de plano de manejo, incluindo especificação de técnicas de extração para diminuir os danos à floresta, estimativas do volume a ser explorado, tratamentos silviculturais e métodos de monitoramento do desenvolvimento da floresta após a exploração. O ciclo de corte mínimo foi fixado, na época, em 30 anos.

Em resumo, o Manejo Florestal é um conjunto de técnicas empregadas para colher cuidadosamente parte das árvores grandes de tal maneira que as menores, a serem colhidas futuramente, sejam protegidas. Com a adoção do manejo a produção de madeira pode ser contínua ao longo dos anos.

POR QUE MANEJAR FLORESTAS?

APRESENTAÇÃO

As estradas secundárias e pátios de estocagem devem ser construídos preferencialmente um ano antes da exploração, para que haja uma boa sedimentação do terreno. As estradas dão acesso à área a ser explorada, enquanto os pátios de estocagem servem para armazenar as toras.

A construção de estradas e pátios é conduzida por um tratorista (trator de esteira) e um ajudante. É necessário que o ajudante saiba operar uma motosserra para o corte de possíveis obstáculos no caminho.

ETAPAS DA ABERTURA DE ESTRADAS

1. O trator de esteira inicia a abertura das estradas de acordo com o mapa de exploração e a demarcação na floresta (Figura abaixo). A estrada deve ter uma largura em torno de 3 a 4 metros, o suficiente para o tráfego de caminhões e máquinas, e um formato ligeiramente convexo (mais alta na parte central) para facilitar o escoamento de água durante a estação chuvosa.

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O trator seguindo as demarcações na floresta

2. Com a lâmina suspensa, o trator quebra e empurra a vegetação para frente.

3. Em seguida, com a lâmina baixa, o trator raspa superficialmente a camada orgânica do solo, cortando os tocos e as raízes. Essa técnica diminui o volume de material vegetal a ser depositado na borda da estrada, pois a vegetação já foi esmagada pela esteira do trator.

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Corte manual dos tocos

Manejo Florestal
Movimentação do trator na floresta

4. Por último, o trator faz movimentos laterais para depositar o material vegetal (folhas, galhos e troncos de árvores pequenas) nas margens da estrada.

Após a abertura, o ajudante deve cortar com um facão os tocos e pontas de raízes que não foram cortados pela lâmina do trator. O objetivo é evitar danos aos pneus dos caminhões e dos tratores florestais tipo skidder.

Drenagem da Estrada

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Drenagem com árvores ocas

A drenagem é necessária nos locais ao longo das estradas cortados por riachos, córregos e baixões. Recomenda-se utilizar toras ocas de madeira resistente à umidade como acapú (Vouacapoua americana), maçaranduba (Manilkara huberi) e jatobá (Hymenaea courbaril).

ABERTURA DE PÁTIOS

1. O trator de esteira entra na área designada para o pátio e percorre, com a lâmina suspensa, o seu perímetro, seguindo a demarcação feita com fitas coloridas.
2. Em seguida, o trator se movimenta em espiral, a partir das bordas em direção ao centro do pátio, para derrubar e quebrar todo o material vegetal.
3. Por último, com a lâmina baixa, o trator parte do centro para as extremidades do pátio, raspando superficialmente o solo e encostando o material vegetal nas bordas.
4. Após a abertura do pátio, o ajudante anda no local para verificar se existem tocos e pontas de raízes, que devem ser arrancados ou cortados com facão.

CONCLUSÃO

A abertura de estradas e pátios de estocagem é mais rápida e segura na exploração manejada, uma vez que a área foi mapeada e demarcada previamente.

A rota do trator pré-estabelecida evita manobras desnecessárias, responsáveis por danos expressivos na exploração não manejada. Seguindo a marcação por balizas, os operadores são mais produtivos e podem reduzir o tempo de uso das máquinas em até 37%.

CORTE DAS ÁRVORES

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APRESENTAÇÃO

As técnicas de corte de árvores aplicadas na exploração madeireira manejada buscam evitar erros, tais como o corte acima da altura ideal e o destopo abaixo do ponto recomendado.

Esses erros causam desperdícios excessivos de madeira, danos desnecessários à floresta e uma maior incidência de acidentes de trabalho. O corte das árvores na exploração manejada também considera o direcionamento de queda das árvores para proteger a regeneração de árvores de valor comercial e facilitar o arraste das toras.

A equipe de corte é composta por um ou dois motosserristas e um ajudante. O ajudante localiza a árvore a ser derrubada, limpa o local e prepara o caminho de fuga. Um dos motosserristas faz o corte da árvore, enquanto o outro separa o tronco da copa, divide o tronco em toras e elimina obstáculos ao arraste.

PRÉ-CORTE

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Caminho de fuga

As árvores devem ser preparadas para o corte observando os seguintes casos:

1. Verificar se a direção de queda recomendada é possível e se existe riscos de acidentes, por exemplo, galhos quebrados pendurados na copa.
2. Limpar o tronco a ser cortado. Cortar cipós e arvoretas e remover eventuais casas de cupins, galhos quebrados ou outros obstáculos situados próximos à árvore.
3. Fazer o teste do oco. Para certificar se a árvore está oca, o motosserrista introduz o sabre da motosserra no tronco no sentido vertical. Conforme a resistência de entrada, pode-se avaliar a presença e o tamanho do oco.

4. Retirar os pregos e plaquetas de alumínio que tenham sido colocados nas árvores durante o censo e transferi-los para a base da árvore (abaixo da linha de corte). A remoção é importante, uma vez que os pregos podem causar danos à serra fita durante o processamento da madeira.
5. Preparar os caminhos de fuga, por onde a equipe deve se afastar no momento da queda da árvore. Os caminhos devem ser construídos no sentido contrário à tendência de queda da árvore.

Para árvores com tronco de boa qualidade (pouco inclinado, sem sapopemas) e direção natural de queda favorável à operação de arraste, utiliza-se a técnica padrão de corte.

As outras técnicas, classificadas como “cortes especiais”, são utilizadas para as árvores que apresentam pelo menos uma das seguintes características: diâmetro grande, inclinação excessiva, tendência à rachadura, presença de sapopemas, existência de ocos grandes e direção de queda desfavorável ao arraste.

TÉCNICA PADRÃO DE CORTE

A técnica padrão consiste em uma seqüência de três entalhes: abertura da “boca”, corte diagonal e corte de abate ou direcional.

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Técnica padrão de corte

1. A abertura da “boca” é um corte horizontal no tronco (sempre no lado de queda da árvore) a uma altura de 20 cm do solo. Esse corte deve penetrar no tronco até atingir cerca de um terço do diâmetro da árvore.
2. Em seguida, faz-se um outro corte, em diagonal, até atingir a linha de corte horizontal, formando com esta um ângulo de 45 graus.
3. Por último, é feito o corte de abate de forma horizontal, no lado oposto à “boca”. A altura desse corte em relação ao solo é 30 cm, e a profundidade atinge metade do tronco.

A parte não cortada do tronco (entre a linha de abate e a “boca”), denominada dobradiça, serve para apoiar a árvore durante a queda, permitindo que esta caia na direção da abertura da “boca”. A largura da dobradiça deve equivaler a 10% do diâmetro da árvore.

TÉCNICAS ESPECIAIS DE CORTE

As técnicas especiais de corte têm como base a técnica padrão, sendo empregadas para as seguintes situações.

Árvores cuja direção de queda precisa ser alterada

Para facilitar o arraste e proteger árvores remanescentes, em algumas situações é preciso orientar a queda da árvore a ser extraída para uma direção diferente da sua tendência natural.

O ajudante introduz a cunha na fenda do corte de abate direcionando a queda da árvore. A cunha, inserida no lado de inclinação natural da árvore, funciona como um suporte, dificultando a queda nesta direção.

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Uso da cunha no direcionamento de queda da árvore

O controle da direção de queda pode ser reforçado deixando uma dobradiça mais estreita no lado de queda natural. Essa parte rompe primeiro, causando uma torção e direcionando a queda da árvore para o lado desejado.

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Corte de árvores com tendência à rachadura

Árvores com oco

A maior parte dos acidentes graves no corte são provocados pela derrubada de árvores ocadas, pois estas tendem a cair rapidamente e em uma direção imprevisível. Se a árvore está ocada apenas na base do tronco (um metro de altura), o corte acima do oco resolve o problema.

No entanto, se o oco se estende além da base do tronco, é necessário adotar um corte especial como mostra a figura abaixo:

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Sequência de corte para árvores ocas

Árvores grandes

As árvores grandes precisam ser cortadas em etapas, facilitando o manuseio da motosserra e evitando que o sabre fique preso à árvore. A Figura abaixo apresenta uma seqüência de três entalhes.

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Etapas para o corte de árvores com diâmetro grande

Árvores com tronco muito inclinado

As árvores com inclinação acentuada oferecem maiores riscos de acidentes durante o corte por causa da rapidez com que elas tendem a cair. Além disso, as rachaduras provocadas por erros no corte são mais comuns nessas árvores.

Para reduzir tais problemas, são utilizadas as seguintes técnicas de corte como mostra a Figura abaixo:

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Etapas para o corte de árvores com inclinação excessiva

Árvores com sapopemas

Na Floresta Amazônica é relativamente comum espécies de valor madeireiro com sapopemas (raízes laterais situadas na base da árvore). O tronco de algumas das espécies segue maciço até a base do solo. A adoção das técnicas de corte permite um melhor aproveitamento da madeira dessas espécies (em torno de 0,12 m3 por hectare).

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Técnica de corte para árvores com sapopemas

ERROS TÍPICOS NO CORTE

Erro na altura do corte. Ao invés de fazer o corte de abate na altura recomendada (30 cm), o motosserrista, por falta de treinamento e também por comodidade, o faz na altura da cintura (60-70 cm). Esse erro ocasiona um desperdício de 0,25 m3 por hectare.

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Posição correta para o corte de abate

Solução

O motosserrista alivia o peso da motosserra dobrando os joelhos, ou apoiando a motosserra sobre a árvore durante o corte.

ERROS TÍPICOS NO CORTE

Erro no corte da “boca” (profundidade e ângulo). Se o corte diagonal for menor que 45 graus e não interceptar o corte horizontal, as chances da árvore rachar durante a queda são maiores. Esse erro representa uma perda média de 1,2 m3 por hectare.

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Despedício devido à rachadura

PÓS-CORTE

As atividades pós-corte consistem inicialmente em fazer o desponte (separar a copa do tronco) e dividir a tora em toras menores (traçamento). O número de toras depende do comprimento inicial do tronco, da densidade da madeira (toras pesadas são difíceis de transportar), das especificações do mercado, do tipo de veículo de transporte e da posição da queda em relação ao ramal de arraste. Em seguida, o motosserrista deve observar se existem potenciais obstáculos ao guinchamento da tora como, por exemplo, arvoretas ou tocos no caminho. Caso existam, ele deve eliminá-los. A equipe de derrubada deve traçar as árvores caídas naturalmente cruzando as trilhas de arraste. Essas árvores estão indicadas no mapa de planejamento e marcadas no campo com fitas coloridas.

PREVENÇÃO DE ACIDENTES NO CORTE

A maioria dos acidentes na exploração madeireira (alguns fatais) ocorre na etapa de corte das árvores.

Para evitar tais acidentes, além das técnicas adequadas de corte, deve-se adotar as seguintes medidas preventivas:

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Usando o caminho de fuga sem obstáculos e com a motosserra desligada

Corte de cipós. É comum as árvores estarem entrelaçadas por cipós. Desta maneira, basta que uma árvore seja derrubada para que outras árvores também caiam. O corte de cipós reduz expressivamente o número de riscos de acidentes para as equipes de exploração.

Construir caminho de fuga. A equipe de corte limpa a área em torno da árvore a ser extraída, removendo os eventuais obstáculos como arvoretas e galhos quebrados. Em seguida, define e abre o caminho de fuga, fora do raio provável de queda da árvore.

Manter uma distância mínima entre as equipes. Quando duas ou mais equipes estão trabalhando em uma mesma área de exploração, é necessário que mantenham uma distância mínima entre si de 100 metros. Além disso, o gerente da exploração pode usar as informações do mapa do planejamento para indicar onde as equipes devem estar posicionadas na floresta.

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Distância mínima entre as equipes

Uso dos equipamentos de segurança. A equipe de corte deve usar roupas apropriadas para o trabalho florestal como botas antiderrapantes com bico de aço, capacetes e luvas. No caso do motosserrista, capacete com proteção para os olhos e ouvidos e calça de nylon (Anexo 1).

Uso correto da motosserra. As várias situações de risco durante o corte são derivadas do uso inadequado da motosserra. Ver Anexo 2 para uma revisão das regras de segurança quanto ao uso da motosserra.

CONCLUSÃO

As recomendações técnicas para o corte das árvores apresentadas neste trabalho foram testadas com êxito no Projeto Piloto de Manejo Florestal.

A utilização dessas técnicas trouxe três grandes benefícios. Primeiro, evitou que 1,8 m3 de madeira por hectare fossem desperdiçados e contribuiu para a redução dos danos ecológicos. Segundo, aumentou a segurança do trabalho, reduzindo em até 18 vezes os riscos de acidentes. E, por último, aumentou a produtividade da equipe de corte se comparado ao sistema convencional.

ANEXO 1

Equipamentos e materiais usados pela equipe de corte

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Ajudante

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Motosserrista

ANEXO 2

Regras de segurança quanto ao uso da motosserra

Para ligar a motosserra. Uma maneira correta é colocar a motosserra no solo tendo o pé direito do motosserrista fixo ao protetor e a mão esquerda segurando firme a alça. O arranque é acionado com a mão direita. A outra forma é apoiar a motosserra entre as pernas. O motosserrista segura a alça com a mão esquerda e, em seguida, aciona o arranque com a mão direita. Nos dois casos, o sabre deve ficar livre de qualquer obstáculo e com a ponta voltada para a direção oposta ao corpo do motosserrista.

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Como ligar a motosserra

Para abastecer a motosserra. Abastecer a motosserra com o motor desligado. Manter o reservatório de combustível distante no mínimo 3 metros do local de operação da motosserra. Isso evita riscos de incêndio.

Para transportar a motosserra. A motosserra deve estar desligada sempre que o motosserrista for se deslocar dentro da floresta, principalmente durante a fuga. O motosserrista pode manter a motosserra ligada apenas enquanto se movimenta em torno da árvore para o corte.

ARRASTE DE TORAS

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APRESENTAÇÃO

Para transportar as toras do local de queda das árvores até os pátios de estocagem utilizam-se os mais variados veículos de carga, desde tração animal, passando por tratores agrícolas e de esteira até o trator florestal de pneus (skidder).

Na operação manejada, a equipe de arraste usa o mapa de planejamento e as demarcações na floresta para localizar as árvores derrubadas e arrastá-las. Esse procedimento, associado ao uso de máquinas adequadas, resulta em um aumento de 60% na produtividade, redução expressiva dos danos ecológicos à floresta e diminuição dos acidentes de trabalho.

SISTEMA DE ARRASTE

Maquinário e acessórios utilizados

Maquinário

O trator florestal (skidder) e o trator de esteira adaptado com guincho e torre são as máquinas recomendadas para o arraste das toras em uma exploração manejada de terra firme. Em termos comparativos, o skidder tem um melhor desempenho, uma vez que foi desenvolvido especificamente para as operações de exploração madeireira. O trator de esteira, por outro lado, foi projetado para a abertura de estradas.

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Tipos de trator para o arraste

Acessórios

A torre e o guincho são acessórios acoplados à traseira do trator (florestal e de esteira) que facilitam a coleta e o carregamento das toras.

A torre faz com que a ponta da tora fique suspensa durante o arraste, reduzindo o impacto sobre o solo. O cabo principal (30 metros de comprimento por 3/8 polegadas de diâmetro) preso ao guincho serve para arrastar a tora da clareira até o trator.

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Guincho e torre acoplados ao trator

O sistema de engate constituído de cabos auxiliares (estropos) e “castanhas” faz a ligação entre o cabo principal e a tora. O estropo é um cabo de aço com extensão máxima de 3 metros que serve para enlaçar a tora e conectá-la ao cabo principal. Para cada estropo há duas castanhas, uma permite o engate ou “nó” no enlace da tora e a outra, situada na extremidade do estropo, conecta o cabo principal. No caso de não estarem disponíveis no mercado, os estropos e “castanhas” podem ser substituídos por um gancho pequeno amarrado na extremidade do cabo principal.

Problemas do sistema convencional de engate

O arraste de toras com trator de esteira sem a torre aumenta o atrito da tora com o solo, tornando-a mais pesada. Portanto, é necessário um cabo grosso e um gancho grande para retirar a árvore do local de queda, geralmente em meio a copas, galhos caídos e cipós. A espessura do gancho dificulta a sua passagem por baixo da tora. Desta maneira, para fazer o engate, o trator precisa erguer e apoiar a extremidade da tora em toras menores, permitindo o enlace do cabo.

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Cabo e gancho usados no arraste convencional

ETAPAS DO ARRASTE DE TORAS

O arraste por veículos mais rápidos como o trator florestal requer uma equipe de três pessoas: um tratorista, um ajudante no pátio (faz o desengate das toras) e outro ajudante no interior da floresta (procura e enlaça as toras).

A seguir, os procedimentos para o arraste com trator florestal:

1. No pátio de estocagem, o tratorista e um ajudante certificam-se, consultando o mapa de planejamento sobre a localização dos ramais de arraste e o número de toras a serem arrastadas por ramal.
2. O tratorista abre o ramal principal, seguindo as orientações das balizas. O ajudante, por sua vez, orienta o tratorista até a última árvore do ramal (primeira a ser arrastada) e faz o enlace da tora. Para auxiliar na manobra do trator e orientar sobre o local de parada, o ajudante pode usar um apito.
3. O ajudante engata o cabo principal ao estropo da tora enlaçada. Em seguida, afasta-se da área por onde a tora será guinchada e usa novamente o apito, avisando que a tora está pronta para ser guinchada. O tratorista aciona o guincho que puxa a tora até a traseira do trator.

O trator carrega a tora até o pátio de estocagem enquanto o ajudante na floresta procura a próxima tora a ser arrastada e faz o enlace do estropo. Nos casos em que a tora caia rente ao chão, o ajudante pode cavar um buraco, permitindo a passagem da cabeça do estropo.

4. No pátio de estocagem, o tratorista desengata o guincho, soltando a tora. Em seguida, o ajudante faz o desengate do estropo. Imediatamente, o tratorista aciona o guincho para enrolar o cabo. Por último, as toras são empilhadas no pátio de forma a permitir a movimentação das máquinas e caminhões. As toras ficarão estocadas no pátio até serem embarcadas e transportadas para as serrarias.

A operação é repetida até que todas as toras do ramal tenham sido arrastadas. Caso uma tora tenha sido traçada em dois ou mais pedaços, o tratorista deve voltar à mesma clareira para retirá-la.

O ajudante do pátio, além de fazer o desengate, pode medir as toras e preencher as fichas de controle de produção do arraste.

Para as operações que utilizam trator de esteira, por sua vez, recomenda-se uma equipe de duas pessoas (um tratorista e um ajudante). Neste caso, o ajudante pode engatar a tora no interior da floresta e desengatá-la no pátio.

SITUAÇÕES ESPECÍFICAS DE ARRASTE

Situação 1. Árvore caída no caminho do arraste

Deve-se remover as árvores caídas naturalmente ao longo da rota do trator.

Para isso, a árvore deve estar traçada como mostra a Figura abaixo:

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Remoção dos obstáculos

Situação 2. Toco dificultando o guinchamento

Em alguns casos, o toco das árvores fica entre a tora e a direção do arraste, dificultando o guinchamento. O engate da tora deve, portanto, permitir que esta role e saia da frente do toco. Para isso, o ajudante, no momento do enlace do estropo, direciona a “castanha” ao máximo para o lado oposto do rolamento da tora (Figura abaixo). Em toras com sapopemas, o cabo do trator deve passar por baixo de uma das sapopemas no mesmo lado onde está a “castanha”.

Situação 3. Árvores e tocos dificultando o arraste

Se entre o trator e a tora a ser guinchada houver tocos e árvores, é necessário movimentá-la lateralmente desviando-a desses obstáculos. Utiliza-se uma árvore (diâmetro maior que 25 cm e sem valor comercial) como apoio para o desvio. O cabo principal do trator deve contornar a “árvore apoio” escolhida, sendo amarrado à tora (1ª etapa). Em seguida, o tratorista aciona o guincho fazendo a tora mover-se lateralmente até ficar livre dos obstáculos. Então, o cabo principal é desconectado da tora, deixando de contornar a “árvore apoio” (2ª etapa). Por último, o guinchamento é feito normalmente.

PREVENÇÃO DE ACIDENTES

A grande maioria dos acidentes com ferimentos graves ou mortes na exploração madeireira é provocada pela falta de cumprimento das normas de segurança, especialmente quanto à manutenção dos equipamentos (consultar manual do fabricante).

Cuidados na operação das máquinas:

Somente a equipe de arraste deve permanecer na área durante as operações.
O tratorista não deve operar a máquina quando pessoas estiverem na frente ou atrás desta.
Estacionar o trator em superfície plana. Se for obrigado a parar em terreno inclinado, utilizar um calce para garantir o estacionamento da máquina.
Usar o freio de estacionamento e colocar a alavanca de transmissão em posição neutra.
Baixar todos os acessórios.

Equipamento de segurança de uso obrigatório:

Capacetes.
Botas com bico de aço.
Colete com cores fosforescentes para o ajudante.
Luvas para manusear os cabos.

Prevenção contra incêndios e queimaduras:

Não fumar quando estiver reabastecendo ou próximo ao depósito de combustível.
Não derramar combustível sobre as partes elétricas do motor do trator aquecido.
Inspecionar o nível de água do radiador com o motor desligado. Caso necessite fazer a verificação do motor, espere esfriar a tampa do bujão de abastecimento até poder removê-la. Gire a tampa lentamente até diminuir a pressão.

CONCLUSÃO

O tipo de equipamento e as técnicas utilizadas para o arraste na exploração manejada (guincho com torre e sistema de engate com cabos, estropos e “castanhas”) associados à técnica de queda direcionada, garantem uma maior eficiência nas operações e menor impacto na floresta.

O uso do guincho com torre permite que a máquina fique em média a 17 metros da tora a ser arrastada. A menor penetração do trator na floresta reduz a quantidade de ramal aberto, diminuindo os danos e os custos de arraste. Além disso, este sistema reduz o contato da tora com o solo, diminuindo os danos à sua camada superficial.

PROTEÇÃO DA FLORESTA CONTRA O FOGO

APRESENTAÇÃO

A Floresta Amazônica tem sofrido grandes transformações devido à ocupação recente da região. A sua paisagem atual é um mosaico composto por florestas intactas, florestas exploradas para fins madeireiros, capoeiras, pequenas roças e pastagens.

A floresta virgem na Amazônia possui um dossel quase fechado que protege o solo e o sub-bosque contra a incidência solar. Mantendo-se sempre verde e úmida, raramente ocorre fogo nessa floresta, embora, em casos de secas muito severas, como ocorre durante os anos de El Niño, ela possa perder a capacidade de se manter imune ao fogo. Por outro lado, as áreas de mata explorada, capoeira, roça e pastagem são suscetíveis ao fogo. Nessas áreas, o fogo pode surgir de diversas formas, incluindo a queda de um raio, queimadas para o estabelecimento de pasto ou roça, acidentalmente ou ainda de forma criminosa.

COMPORTAMENTO DO FOGO EM DIFERENTES AMBIENTES

Pastagem. Durante o verão, o capim seca e o pasto transforma-se num grande depósito de material comburente. Em alguns casos, basta um a dois dias sem chuva para que o pasto pegue fogo. A ignição pode ser iniciada por um fósforo aceso, ou ainda a partir da queimada em área vizinha.

Capoeira. As capoeiras que fazem limite com os pastos são menos suscetíveis ao fogo. Pois, no solo da capoeira há menos material comburente. Além disso, esse material está menos exposto ao sol. Desta forma, são necessários no mínimo uma a duas semanas sem chuva para que sejam criadas condições favoráveis a incêndios.

Entretanto, no final do verão, é comum observar grandes extensões de capoeira atingidas pelo fogo que teve início no pasto. Pois, a alta temperatura dos incêndios seca mais rapidamente as áreas limites entre esses dois ambientes.

Mata explorada. As clareiras, formadas pela queda das árvores, e a abertura de estradas e pátios na exploração madeireira criam diferentes ambientes com áreas intercaladas de manchas de floresta. A queda de duas ou mais árvores num só lugar, por exemplo, cria clareiras grandes (maiores que 300 m2), onde, geralmente, há um grande acúmulo de material comburente e alta incidência solar. Nesse ambiente, os incêndios podem ocorrer após uma semana sem chuva no verão, enquanto nas clareiras pequenas (menores que 150 m2), criadas pela queda de uma única árvore, o fogo pode ocorrer somente após duas a três
semanas sem chuva.

Dentro da área de exploração restam “manchas de floresta” (áreas que não foram exploradas porque não continham árvores de valor madeireiro). Nesse ambiente, a liteira seca mais devagar e, geralmente, precisa de uma estiagem de cerca de um mês no verão para que o fogo possa penetrar. Lembrando que estiagens de um a dois meses são comuns na Amazônia Oriental.

IMPACTO DO FOGO NA FLORESTA EXPLORADA

O fogo na floresta explorada causa a perda de madeiras de valor que poderiam ser aproveitadas em colheitas futuras. Pesquisas realizadas pelo IMAZON constataram que incêndios na floresta explorada, geralmente, provocam a morte de 45% das árvores remanescentes com DAP maior que 10 cm durante um período de um ano e meio após o fogo.

Além disso, incêndios na mata podem destruir as mudas de espécies comerciais (regeneradas naturalmente ou plantadas) e, assim, afetar a capacidade produtiva da floresta. Após o fogo, a regeneração predominante é formada por árvores pioneiras sem valor econômico, por exemplo, a embaúba (Cecropia sp.) e o lacre (Vismia sp.).

MEDIDAS PARA PROTEGER A FLORESTA EXPLORADA DO FOGO

É possível evitar a ocorrência de incêndios na floresta explorada através de três medidas:

Adoção do manejo florestal (especificamente, medidas para reduzir a abertura do dossel e o volume de madeira danificado);
Quebra-fogo (natural e aceiro);
Exploração de talhões intercalados.

Manejo Florestal

As técnicas de manejo, tais como planejamento das estradas e ramais de arraste, corte direcional e corte de cipós reduzem a abertura do dossel e diminuem o tamanho das clareiras. Desta forma, há menos material comburente e uma menor incidência solar sobre a mata explorada, reduzindo o risco de incêndio.

Um estudo do IMAZON revelou que o tamanho da abertura no dossel da floresta é 50% menor na exploração manejada do que na exploração convencional. Conseqüentemente, o número de dias ao longo do ano em que a floresta é capaz de incendiar é bem menor na exploração manejada.

Sistema de quebra-fogo

Pode-se estabelecer dois tipos de quebra-fogo para a proteção da floresta: o quebra-fogo natural e o aceiro. A implantação de quebra-fogos representa um investimento pequeno comparado aos prejuízos que o fogo causa. O custo resume-se ao valor de manter uma faixa de floresta, no caso do quebra-fogo natural, e em algumas horas de uso do trator no caso do aceiro.

Para implantar um quebra-fogo natural, deve-se manter intacta uma faixa de floresta virgem entre as aberturas (pastos e roças) e a floresta explorada. A faixa de mata virgem deve ter no mínimo 100 metros de largura. O fogo ateado nas pastagens não chega nas áreas exploradas, uma vez que a floresta virgem, em virtude do seu dossel quase fechado, mantêm-se úmida, resistindo à entrada do fogo.

Caso o fogo ameace invadir a floresta, pode-se retirar o material comburente do solo (folhas secas, galhos pequenos), usando vassouras de cipós para limpar uma faixa de cerca de 1 metro de largura. Essa limpeza dificulta a propagação do fogo.

Quando não há uma faixa de mata virgem ao redor da mata explorada, pode-se construir um aceiro,ou seja uma faixa sem qualquer vegetação (3 a 5 metros de largura) margeando a área explorada. Deve-se manter sempre limpo o aceiro para que sirva como uma proteção permanente. No caso de capoeiras, eliminar as árvores com altura maior que a largura do aceiro situadas no limite entre os dois ambientes, para que estas não sirvam como condutor de fogo no caso de incêndios.

CONCLUSÃO

As florestas exploradas sem planejamento na Amazônia, ao contrário das florestas virgens, são suscetíveis ao fogo. Pois, a abertura de clareiras grandes, comuns nesse tipo de exploração, permite o aumento da incidência solar sobre o chão da floresta, secando o material comburente ali depositado.

Para impedir que as florestas exploradas para fins madeireiros sejam atingidas pelo fogo, é aconselhável usar técnicas de manejo que favoreçam a redução da abertura do dossel da mata, bem como adotar medidas para conservar áreas de floresta virgem ao lado das florestas exploradas, tais como a implantação de quebra-fogos e a exploração de talhões intercalados.

PRÁTICAS SILVICULTURAIS

APRESENTAÇÃO

Um dos objetivos do manejo florestal é garantir a continuidade da produção madeireira através do estímulo à regeneração natural nas clareiras e da proteção do estoque de árvores remanescentes (DAP entre 10 e 45 cm). Para isso, deve-se conservar árvores porta-sementes na floresta e utilizar técnicas para reduzir os danos ecológicos da exploração. Entretanto, é possível que, em algumas clareiras, a regeneração natural pós-exploração seja escassa.1 Neste caso, é necessário fazer o plantio de mudas para garantir a regeneração. Além disso, as árvores remanescentes podem estar em condições desfavoráveis ao crescimento (por exemplo, sombreadas por árvores sem valor comercial). O crescimento destas árvores pode ser aumentado com a aplicação de tratamentos silviculturais.

PLANTIO DE ESPÉCIES DE VALOR MADEIREIRO

Plantio de espécies em clareiras

O plantio em clareiras abertas pela exploração pode ser feito por semeadura (plantio direto no solo) ou através de mudas (preparadas em viveiros ou coletadas na floresta). As clareiras devem ser maiores que 200 m2, garantindo a entrada de luz para favorecer o crescimento das mudas.

As recomendações para o plantio em clareiras são as seguintes:

1. Plantar três a quatro mudas para cada árvore adulta extraída.
2. Fazer o plantio no início da estação chuvosa.
3. Utilizar a parte central da clareira, excluindo apenas cerca de 5 metros das bordas, para que as mudas se beneficiem da maior quantidade de luz.
4. Plantar as espécies que ocorrem na própria floresta, pois estas já estão adaptadas ao terreno. A escolha de espécies exóticas (oriundas de outros tipos de floresta) deve ser restrita às espécies que obtiveram sucesso em plantios similares.
5. Em uma mesma clareira, plantar apenas indivíduos da mesma espécie ou de espécies com taxa de crescimento similar. Assim, as árvores crescerão atingindo o tamanho explorável na mesma época.
6. Manter a diversidade plantando espécies diferentes nas clareiras (uma espécie por clareira).

Plantio de enriquecimento em área de floresta juvenil

O plantio de enriquecimento com espécies de valor comercial é recomendado para as manchas de floresta juvenil (dominadas por árvores com DAP entre 5 e 15 cm), onde a densidade de espécies de valor comercial é baixa (por exemplo, ocupando menos de 30% da área).

A Fundação Floresta Tropical tem testado uma técnica específica de plantio para esses locais, que consiste em:a) preparar a área derrubando a vegetação existente no povoamento juvenil (em geral, inferior a 1 hectare) com um trator de esteira. O procedimento é o mesmo adotado para a abertura de pátios, porém evita-se raspar o solo; b) plantar mudas de árvores de valor comercial seguindo as instruções adotadas para o plantio em clareiras.

TRATAMENTOS PARA AUMENTAR O CRESCIMENTO DAS ÁRVORES DE VALOR COMERCIAL

O crescimento das árvores de valor comercial depende do nível de competição por nutrientes, água e luz com as árvores sem valor comercial. Os tratamentos silviculturais são aplicados para reduzir ou eliminar essa competição, favorecendo o aumento do crescimento das árvores.
Projeta-se que o período de crescimento até a colheita com tratamentos seja a metade do que sem tratamentos. O intervalo de tempo de cada projeção é largo, uma vez que há dificuldade de se fazer uma projeção exata da taxa de crescimento das árvores. Por exemplo, após o primeiro corte, o período para realizar a próxima exploração oscilaria entre 20 e 40 anos para árvores com DAP entre 25 e 45 cm.

Tratamentos nas clareiras

O estímulo ao crescimento das mudas e arvoretas de valor comercial nas clareiras pode ser feito da seguinte maneira:

Capina. A vegetação existente em um raio de 2 a 3 metros das árvores de valor comercial deve ser eliminada antes que alcance 1,5 metro de altura, o que geralmente ocorre entre o primeiro e o quarto ano após a exploração madeireira. Essa variação no tempo decorre da heterogeneidade do ambiente florestal, da intensidade da exploração madeireira, do tipo de floresta (densa de terra firme, aberta, várzea etc.) e da classe de solo (latossolo amarelo, terra roxa etc.).

A capina é feita da seguinte maneira:

1. Localizar as clareiras na floresta a partir do mapa de exploração.
2. Selecionar as espécies de valor comercial.
3. Limpar (capinar) com uma foice ou facão a vegetação existente ao redor das plantas selecionadas.

Desbaste. Onde a densidade de espécies de valor comercial for muito alta, pode-se fazer um desbaste (retirada), eliminando o excesso de plantas de valor que não terão espaço suficiente para crescer. Embora não existam estudos indicando a distância ideal entre plantas da mesma espécie, recomenda-se um espaço de 5 metros entre as espécies de plantas de crescimento rápido e 3 metros para as de crescimento lento.

Evitando ramificação. Algumas espécies de árvores de valor comercial tendem a ramificar excessivamente. A ramificação reduz ou mesmo elimina o valor comercial das plantas. Uma maneira de eliminar a ramificação é inibir o brotamento da árvore. Para isso, mantem-se, em torno de sua copa, plantas vizinhas capazes de projetar uma sombra sobre o seu tronco (especificamente sobre as gemas laterais), evitando, dessa forma, o brotamento.

Tratamentos para aumentar o crescimento na fase juvenil e intermediária

Para acelerar o crescimento das árvores de valor comercial existentes no povoamento juvenil (árvores com DAP inferior a 15 cm), juvenil-intermediário (15 a 25 cm) e intermediário (25 a 45 cm) pode-se eliminar seletivamente os indivíduos sem valor comercial (árvores e cipós) situados em torno das árvores de valor comercial.

A seleção das árvores a serem beneficiadas para o segundo corte (por exemplo, DAP maior que 30 cm) é feita com base nos dados do censo florestal. As plantas que eram sombreadas antes da extração deverão ser visitadas para a aplicação do tratamento. Para as árvores com DAP menor que 30 cm, pode-se fazer um censo simplificado, no qual mede-se apenas o DAP, identifica-se a espécie e anota-se a sua localização (talhão e faixa) diretamente no mapa do censo com um símbolo específico.

Como eliminar as árvores sem valor comercial?

A eliminação das árvores sem valor para promover o crescimento das árvores de valor comercial pode ser feita através de um corte (derrubada) para o caso de árvores pequenas (DAP menor que 15 cm) ou anelamento (retirada de uma faixa da casca do tronco da árvore) para árvores médias (DAP entre 15 e 45 cm) e grandes (DAP maior que 45 cm).

O anelamento é o método mais utilizado para eliminar lentamente as árvores sem valor comercial. Essa técnica é mais vantajosa do que o corte, uma vez que a árvore morre lentamente, reduzindo de maneira significativa os danos típicos de queda de uma árvore na floresta.

Existem dois tipos de anelamento:

Anelamento simples. Usando um machadinho, retira-se uma faixa de 10 cm de largura da casca do tronco (na altura do DAP da árvore). Para garantir a eliminação, faz-se um pequeno corte na base do tronco anelado.

Anelamento especial. Usa-se o mesmo procedimento do anelamento simples, porém adiciona-se “óleo queimado” (óleo lubrificante usado) combinado ou não com herbicida.

O projeto de manejo florestal do INPA (Projeto Bionte) tem obtido 80% de eficiência no anelamento utilizando apenas “óleo queimado”.

Após a retirada da casca, as árvores morrem entre um a dois anos, conforme a espécie e o tipo de anelamento. O anelamento com “óleo queimado” resulta em morte mais rápida. Para usar o anelamento especial é necessário evitar contaminação na floresta, treinando o pessoal e usando equipamentos adequados O anelamento deve ser feito, preferencialmente, na estação seca, pois nesse período as árvores estão menos vigorosas por causa da escassez de água, o que as torna mais vulneráveis ao anelamento.

Anelamento: fazer ou não fazer

Embora haja vantagens em se aplicar o anelamento para promover o crescimento de árvores de valor comercial, é preciso destacar possíveis impactos negativos dessa prática. O anelamento pode reduzir a diversidade de espécies arbóreas na área manejada. Além disso, a fauna pode ser prejudicada, uma vez que algumas dessas espécies aneladas servem como abrigo e fonte de alimento. Finalmente, algumas espécies classificadas como sem valor comercial no presente pode vir a ter valor no futuro. Nesse caso, a eliminação significaria uma perda econômica.

Frequência de aplicação dos tratamentos para aumentar crescimento

Para manter o crescimento mais elevado ao longo do tempo é necessário repetir os tratamentos assim que aumente a competição entre as plantas.

Por exemplo, os povoamentos jovens (árvores com DAP entre 5 e 25 cm) possivelmente necessitem de tratamentos duas vezes antes do corte das árvores, enquanto para os povoamentos intermediários (25 a 45 cm) apenas um tratamento é suficiente.

CUSTOS E BENEFÍCIOS DO MANEJO FLORESTAL

APRESENTAÇÃO

Os custos e benefícios do manejo baseiam-se no Projeto Piloto de Manejo Florestal (IMAZON/WWF), em Paragominas, Pará. A área de estudo (floresta densa de terra firme) apresenta uma topografia plana (inclinação inferior a 5 graus) e uma densidade de 17 árvores maiores que 45 cm de DAP (diâmetro à altura do peito) por hectare, das quais 13 têm valor comercial. Desse total, apenas 5 árvores (ou 40 m3/ha) foram extraídas por hectare.

Este trabalho apresenta os custos associados ao plano operacional de manejo. Em seguida, descreve os benefícios oriundos do manejo em termos de produtividade, redução de desperdícios de madeira e diminuição dos danos ecológicos à floresta. E, finalmente, integra tais benefícios em análises econômicas de curto e médio prazo.

BENEFÍCIOS DO MANEJO FLORESTAL

A adoção do manejo florestal resulta em redução de desperdícios, aumento na produtividade da exploração, diminuição da quantidade de árvores comerciais danificadas e melhoria expressiva da segurança do trabalho.

Redução de desperdício de madeira no corte e arraste. As perdas de madeira no volume derrubado foram reduzidas de 26% sem manejo para apenas 1% na área manejada. Portanto, para 1 m3 em tora extraído em uma floresta manejada, apenas 0,75 m3 é extraído em uma exploração convencional. Usando esse raciocínio, estima-se que foram salvos 10 m3/ha com manejo.

Redução dos danos ecológicos. A adoção do manejo contribuiu de forma significativa para a redução dos danos à floresta. Essa redução foi consistente entre todos os indicadores usados para expressar os danos da extração, tais como a área do solo afetada, a abertura do dossel e os danos às árvores remanescentes. A redução de danos tem implicações positivas para a regeneração da floresta e, conseqüentemente, para o volume de madeira disponível no futuro. Na exploração convencional, a extração de uma árvore afeta 488 m2 de floresta, enquanto na exploração manejada afeta apenas 336 m2 (arraste com trator de esteira) e 370 m2 (arraste com skidder).

A abertura do dossel na exploração convencional foi maior (27 a 45%) do que no manejo (apenas 18%).

O mesmo ocorreu com relação ao número de árvores danificadas (DAP maior ou igual a 10 cm): 27 árvores na exploração convencional contra 14 árvores na exploração manejada..

Maior segurança durante o corte. A utilização de técnicas adequadas e o treinamento da equipe de corte reduziu significativamente (em até 18 vezes) os riscos de acidentes de trabalho.

Os custos e benefícios do manejo no longo prazo

Os benefícios do manejo no longo prazo podem ser estimados através do valor presente da receita líquida da exploração de madeira com e sem manejo para o primeiro e o segundo corte. Para isso, é preciso estimar o volume e o número de anos para um segundo corte. Estudos do IMAZON mostram, através de simulações, a estimativa do ciclo de corte e o volume disponível no segundo corte com manejo e convencional.

O volume de madeira disponível no futuro depende do número de árvores remanescentes após a exploração e da taxa de mortalidade e crescimento dessas árvores. O estoque inicial com manejo seria maior em virtude de uma redução em 30% dos danos às árvores.

Foram considerados duas situações quanto ao crescimento das árvores: 0,3 cm/ano (sem aplicação de tratamentos para aumentar o crescimento) e 0,6 cm/ano (com tratamentos). A taxa de mortalidade foi de 2% ao ano pós-exploração para ambas as áreas (manejada e convencional).

Para a simulação econômica, considerou-se que os custos da exploração e os preços da madeira seriam similares aos praticados no presente. Também, foi assumido que a floresta sem manejo só seria explorada no mesmo ano da exploração com manejo.

Volume explorável no segundo corte.

No cenário com manejo, seria possível acumular, em 30 anos, um volume de madeira explorável próximo ao obtido no primeiro corte: 40 m3/ha (com tratamentos silviculturais) e 35/m3/ha (sem tratamentos). O volume obtido no cenário sem manejo (também 30 anos), por sua vez, seria apenas 17 m3/ha. O acréscimo de 84% no volume no manejo deve-se à redução de desperdícios e danos, enquanto apenas 16% deve-se aos tratamentos silviculturais.
O valor líquido presente da exploração da colheita de duas safras de madeira com manejo seria 40% maior (em torno de US$ 500/ha) do que o da exploração convencional (US$ 365/ha).

CONCLUSÃO

Os benefícios econômicos do manejo superam os custos. No curto prazo, tais benefícios decorreriam do aumento da produtividade do trabalho e da redução dos desperdícios de madeira. No longo prazo, o efeito dos benefícios do manejo (redução de desperdícios de madeira, maior crescimento das árvores e redução de danos às árvores remanescentes) resultaria em receita líquida maior, assumindo que sem manejo a floresta não seria explorada no curto prazo.

Fonte: geocities.com

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