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Pegada Ecológica

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O conceito de pegada ecológica é relativamente recente mas cada vez mais usado como um indicador de sustentabilidade ambiental.

O conceito de pegada ecológica

A expressão “pegada ecológica” foi usada pela primeira vez por dois professores universitários canadianos, William Rees e Mathis Wackernagel.

Pretende ser uma medida para calcular o impacto anual (devido aos recursos naturais que, direta ou indiretamente, consomem) dos seres humanos no ambiente quando vivem de acordo com o seu estilo de vida habitual.

A pegada ecológica tem sido usada como indicador de sustentabilidade ambiental.

É uma ferramenta que permite avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite, ajudando-nos a perceber se vivemos de forma sustentável.

Isto não quer dizer que, se a nossa pegada for pequena, possamos consumir “à larga” porque ainda temos “crédito”; antes pelo contrário: devemos manter as boas práticas e melhorá-las, para que possamos deixar “muito espaço” para todos os seres vivos que, no futuro, irão povoar a Terra.

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Mas esta não é uma batalha fácil: partimos em desvantagem, uma vez que a taxa de consumo de recursos naturais já é superior à sua taxa de reposição.

Pode calcular-se a pegada ecológica de um indivíduo, de uma população, de um país ou até de um produto.

No entanto, existem vários impactos que não são contabilizados no cálculo da pegada ecológica, pelo que o valor obtido é uma estimativa por defeito. Saliente-se ainda a incerteza inerente aos cálculos que, por se basearem em alguns pressupostos e estimativas, podem perder rigor e produzir uma conclusão diferente da realidade. Logo, compreender as limitações deste indicador é muito importante para evitar conclusões precipitadas. Esta informação fornecida pela pegada ecológica deve ser complementada pois a pegada ecológica, relembramos, não é uma medida exata mas sim uma estimativa.

Somando as várias pegadas parcelares obtemos um valor global que representa uma área produtiva capaz de repor, pelo menos em teoria, o capital natural por nós consumido.

Esta área pode ser comparada com o espaço efetivamente existente (designado “biocapacidade”) e, a partir dos valores obtidos, ajudar a obter informação sobre a sustentabilidade de um sistema.

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O cálculo da pegada ecológica nas sociedades industrializadas permite-nos concluir que, devido ao aumento exponencial da produção de bens e do consumo, o espaço físico disponível na Terra já não é suficiente para nos sustentar se mantivermos os atuais padrões de produção e de consumo.

Como calcular a pegada ecológica

Todas as espécies do planeta Terra – incluindo os seres humanos – necessitam de uma quantidade mínima de espaço natural para sobreviver.

Um espaço natural em que possamos, sem interrupção, obter alimento, energia e matéria-prima para os processos de produção. Um espaço que nos permita também eliminar os resíduos que produzimos, para que estes não constituam uma ameaça para a nossa sobrevivência.

A unidade de medida da pegada ecológica é o hectare global e o seu cálculo é feito recorrendo a componentes que possam causar impacto ambiental, entre os quais:

Energia fóssil (área de deveríamos reservar para a absorção do CO2 que é libertado em excesso)
Terra arável (área de terreno agrícola necessária para satisfazer as necessidades de alimento da população)
Pastagens (área de terra – menos fértil que a terra arável – necessária para criar o gado em condições minimamente sustentáveis)
Floresta (área de floresta necessária para fornecer madeira e seus derivados, bem como outros produtos não lenhosos)
Área urbana (área necessária para a construção de edifícios; corresponde a um solo completamente degradado)
Mar (área necessária para produzir o peixe e outras espécies recolhidas que satisfaçam as necessidades de alimento da população).

Regra geral, as pessoas integradas em sociedades mais industrializadas “consomem” uma área maior do que aquelas que se inserem em sociedades menos industrializadas. Logo, a pegada ecológica das primeiras é maior, uma vez que consomem recursos oriundos de várias partes do nosso planeta e têm impacto sobre ambientes distantes.

O que fazer para reduzir a pegada ecológica?

Eis algumas medidas simples que cada um de nós pode adoptar para reduzir a pegada ecológica:

Consumir preferencialmente produtos nacionais ou produzidos localmente e alimentos da época (exemplo: não consumir pêssegos e morangos frescos durante o Inverno)
Reduzir o consumo de carne e peixe e comer mais vegetais, fruta e cereais
Poupar energia e água (isolando melhor as portas e janelas da casa e instalando vidros duplos
Utilizar lâmpadas de baixo consumo, não tomar banhos de imersão, entre outros)
Se for possível, apostar na instalação de painéis solares ou outras formas de energia renovável
Utilizar transportes públicos sempre que possível, sobretudo o comboio e o eléctrico; Reciclar papel, vidro, plástico, embalagens, pilhas e latas.

Fonte: files.cascaiseduca.webnode.com.pt

Pegada Ecológica

PEGADA ECOLÓGICA: INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS ANTRÓPICOS NO MEIO NATURAL

AÇÕES ANTRÓPICAS E NATUREZA: UMA RELAÇÃO COMPLEXA

As ações antrópicas têm sido imperativas em relação ao meio natural, estando o homem a enfrentar desafios sem precedentes no que se refere à capacidade limitada dos ecossistemas em sustentar o atual nível de consumo material e as atividades econômicas, juntamente com o crescimento populacional, causando conseqüências desastrosas ao meio ambiente.

Tais pressões exercidas no meio ambiente têm, na sua maior parte, sua origem nas cidades. Essas, resultado das atividades antrópicas no meio natural, impactam de forma intensa o meio ambiente, e, de forma geral, não exercem a função de sustentar uma sociedade em equilíbrio com a natureza. Elas se sustentam apropriando-se de áreas muitas vezes maiores à sua área urbana para obterem os recursos e disporem os resíduos gerados, produzindo déficits ecológico e grande pressão sobre os estoques de capital natural.

Segundo Rampazzo (2001, p.182) durante algum tempo, alguém ganha e alguémm perde; e que em longo prazo, todos perdem.

De acordo com O’Meara (1999) algumas análises sugerem que as áreas urbanas, com um pouco mais da metade da população mundial, são responsáveis por 80% das emissões de carbono, 75% do uso da madeira e 60% do consumo de água. As cidades não ocupam uma área tão grande da paisagem terrestre, apenas de 1 a 5% no mundo inteiro, mas consomem 75% dos seus recursos. As cidades podem ser consideradas como “pontos quentes”, pois um hectare de uma área metropolitana consome 1.000 vezes ou mais energia de uma área semelhante em um ambiente natural. Mesmo as áreas pouco habitadas podem ser bastante afetadas por cidades distantes, porque daquelas vêm os minerais, água, alimento, entre outras necessidades urbanas, e os rios e ventos podem levar os poluentes para muito longe.

A rápida expansão urbana, durante o último meio-século, mudou a fisionomia da Terra mais do que, provavelmente, qualquer outro resultado da atividade humana em toda a história.

Os habitantes do planeta esqueceram-se da sua profunda dependência com a natureza, que foi vista como sendo meramente uma coleção de serviços e benefícios gratuitos e à disposição de todos. As mudanças causadas têm sido de forma negativa, causando a poluição do ar, da água e do solo; a perda de terras férteis e de cobertura vegetal; comprometendo a capacidade da natureza em regenerar-se.

Segundo um mapa técnico desenvolvido pela United Nations Environment Programme (2002) denominado de GLOBIO, concluiu que, durante os últimos 150 anos, a humanidade tem impactado e alterado a área de terra global em cerca de 47%, e, dentro de 50 anos, os impactos poderão atingir até 90% o que acarretará um aumento substancial de problemas ambientais relacionados aos habitats, à biodiversidade, à produção de alimento, aos recursos de água doce e à saúde.

Diversos pesquisadores têm apontado que em 1961, a humanidade estava usando 70% da capacidade produtiva da Terra. Tal capacidade em fornecer os recursos necessários para as atividades humanas começou mostrar-se insuficiente nos anos 80, devido ao aumento do consumo dos recursos e do crescimento da população. Por volta de 1999, a demanda humana cresceu 25% mais do que a capacidade da Terra. Em outras palavras, o planeta precisaria de um ano e três meses para gerar os recursos usados pela humanidade num único ano.

Para se ter uma idéia de tais mudanças, as extinções causadas nesse período são comparadas as que a Terra testemunhou em 65 milhões de anos, onde a espécie humana era inexistente. Mais ainda, utilizam-se de terras férteis, que estariam plenamente produtivas, mas que uma vez pavimentadas ou degradadas, implicam em mudanças irreversíveis que não podem ser restauradas para seu uso primário, pelo menos a curto prazo.

As atividades antrópicas têm exercido grandes pressões sobre as áreas produtivas do planeta, comprometendo a quantidade e a qualidade. No passo que as apropriações desses espaços ecológicos vêm sendo feito, a sua proporção per capita tem diminuído para todos.

Contudo, isso não se dá de forma igualitária. Por um lado, os que podem mais, usam áreas distantes, de outros lugares, e por outro lado, os que podem menos, passam, cada vez mais, a terem menos acesso dessas áreas.

Na busca de se mostrar o quanto a humanidade tem se apropriado da superfície do planeta, segundo a Worldwide Conservation Society (WCS) (2003), e pesquisadores da Universidade de Colúmbia, produziram um mapa da pegada humana. Numa escala de 0-100, mostrou-se as menores e maiores influências das atividades humanas, podendo-se constatar que 83% da superfície da terra está sob alguma influência humana.

De acordo com Dias (2000, p.39) “as mudanças induzidas pelo ser humano ocorrem mais rapidamente e são, geralmente, mais difíceis de serem revertidas.

Resolver essas disparidades é o único caminho para se assegurar um futuro mais sustentável para o planeta e para a sociedade”.

Alguns estudos mostram que a humanidade está exacerbando a demanda de recursos e serviços e aumentando a geração de resíduos. As ações não têm sido adequadas, por um lado, de conter as pressões impostas pela crescente pobreza, estimada em 4 bilhões de pessoas sobrevivendo com menos de US$ 1 a 2 dólares por dia e dependendo diretamente dos recursos como fonte de renda e sobrevivência. O uso desses recursos não segue, na maioria das vezes, diretrizes sustentáveis que, por conseguinte, afetam o meio natural de maneira mais intensa.

Por outro lado, de conter o consumo descontrolado dos países desenvolvidos. Diversas avaliações apontam que 1/5 da população mundial, os ricos, consome em excesso, contabilizando aproximadamente 90% do consumo humano total.

Pode-se atribuir esses resultados à incapacidade da espécie humana, por meio de padrões de consumo, estilos de vida e modelos de desenvolvimento econômico impostos pelos países desenvolvidos, em reconhecer que na luta pela sobrevivência e prosperidade não considera o impacto que causa nos demais, e que só existe um planeta Terra de que todos dependem para a perpetuação e sobrevivência de todas as espécies. Segundo Müller (2001, p.127) “o desenvolvimento somente será sustentável se for simultaneamente competitivo, eqüitativo e ecológico”.

Nesse contexto, é fundamental que se reconheça a existência de limites biológicos e físicos da natureza; parte principal da sustentabilidade, que haja concordância de onde estamos posicionados em relação a esses limites sendo possível, desta maneira, estabelecer direções a serem tomadas e que se entenda de que para se reduzirem os impactos de maneira igualitária, é preciso que o excesso e a falta encontrem o balanço; criando aqui, uma dimensão ética e social.

DEFININDO A PEGADA ECOLÓGICA E SEUS PRINCÍPIOS

Nessa relação entre demanda humana e natureza, a pegada ecológica parece ser um importante instrumento de avaliação dos impactos antrópicos no meio natural. Segundo Wackernagel e Rees (1996) ela utiliza áreas produtivas de terra e água necessárias para produzir os recursos e assimilar os resíduos gerados por um indivíduo, uma cidade ou uma nação, sob um determinado estilo de vida, aonde quer que esteja localizada. Essas áreas, além disso, desempenham outras funções que sustentam a vida.

Em outras palavras, a pegada ecológica contrasta o consumo dos recursos pelas atividades humanas com a capacidade de suporte da natureza e mostra se seus impactos no ambiente global são sustentáveis à longo prazo. Ela também possibilita que se estabeleça benchmarks, sendo assim possível estabelecer comparações entre indivíduos, cidades e nações.

Em resumo, a pegada ecológica pode ser fundamentada em três princípios: sustentabilidade, equidade e overshoot.

O primeiro deles, o da sustentabilidade, visa a satisfazer as necessidades humanas no presente e no futuro sem destruir o nosso único meio: a capacidade da natureza em regenerar e absorver os resíduos.

Então, para que se avance em direção à ela é preciso que a carga humana esteja em consonância com a capacidade de suporte do ecossistema. Em outras palavras, é preciso que se adeqüe os níveis de consumo, os estilos de vida, a utilização dos recursos e a assimilação dos resíduos com as condições ecológicas, a fim de que não se consumam os produtos e os utilize, mais rapidamente do que possam ser regenerados e ou absorvidos. Segundo Holdren e Ehrlich (1971), é essencial que se estime e continuamente se reavalie os limites finitos do espaço que o homem ocupa e sua capacidade de suporte, e que se tomem passos que assegurem as futuras gerações, e a presente humanidade, de terem os recursos necessários para uma vida satisfatória para todos.

A sustentabilidade também está intimamente ligada ao princípio da eqüidade, o que denota uma relação de interdependência entre os dois, pois não há meios de haver sustentabilidade sem o princípio da igualdade concernente ao uso que se faz do meioambiente por todos no cenário mundial.

Este princípio, o da equidade, pode ser direcionado em três ângulos diferentes:

1) eqüidade entre gerações ao longo do tempo: a pegada mensura a extensão com que a humanidade usa os recursos naturais em relação à capacidade de regeneração da natureza
2) eqüidade nacional e internacional em tempos atuais, dentro e entre nações:
a pegada mostra quem consome quanto
3) eqüidade entre espécies:
a pegada mostra o quanto a humanidade domina a biosfera à custa de outras espécies.

Chegar-se à equidade apenas por meio do crescimento econômico quantitativo, é impossível, porque a biosfera é limitada. Por sua vez, a pegada indica que já estamos excedendo esse limite e que uma extensão futura das atividades humanas liquidará o capital natural de que hoje dependemos e de que as futuras gerações dependerão amanhã.

As escolhas individuais são necessárias para se reduzir a pegada da humanidade, mas não são suficientes. É preciso salientar a necessidade de se fazer mudanças no modo como vivemos coletivamente na busca da sustentabilidade.

A pegada ecológica reforça as relações da sustentabilidade com a eqüidade. Torna explícitos os impactos ecológicos das atividades antrópicas e ajuda nas tomadas de decisões de modo a beneficiar à sociedade e o meio-ambiente.

O fato de se exceder no consumo dos fatores que a natureza propicia acaba por compor outro princípio da pegada, o overshoot. Este se refere ao limite existente em relação a todas energias e matérias. Ou seja, que a partir de um certo ponto, o crescimento material só pode ser adquirido às custas da depleção do capital natural e da diminuição dos serviços para a manutenção da vida.

São desses serviços ou benefícios que dependemos, e, se consumirmos além dos seus limites, estaremos caminhando para o overshoot, pois a natureza não poderá mais se regenerar. A escassez dos recursos renováveis pode ser mais séria do que a dos recursos não renováveis, porque certamente não podemos viver sem água, ou sem solos férteis para podermos cultivar nosso alimento.

O que tem acontecido com a natureza, nesses últimos anos de intenso consumo dos recursos naturais, é que ela possui uma reserva de recursos e que, por algum tempo, a humanidade pode usufruir produtos e serviços oferecidos; mas essas transgressões passam desapercebidas porque nos adaptamos aos problemas.

A distinção de quais são os serviços ecológicos obtidos dos “juros” daqueles obtidos pela depleção do capital natural, certamente tem se mostrado uma questão ignorada e não compreendida pelos estudiosos. Além do mais, as tantas outras milhões de espécies do planeta também dependem dos mesmos recursos e serviços para a sua manutenção.

Logo, a pegada ecológica vem a ser um poderoso instrumento na quantificação do overshoot.

Alguns estudos indicam que, por volta de 1980, a pegada total humana atingiu o ponto limítrofe da capacidade ecológica do planeta, o que significava que, até esse período, um planeta era suficiente. No entanto, em 1999, era necessário 1,2 planeta a fim de suportar as atividades antrópicas. Segundo o Worldlife Fund for Nature (WWF) (2002), em seu documento intitulado de Living Planet Report a pegada mundial, em 1999, era de 2,29 hectares globais por pessoa (sem considerar a porcentagem à proteção da diversidade), enquanto a biocapacidade global por pessoa era de 1,90 hectare, o que resultava num overshoot de 20%.

É de fundamental importância que se saiba quanto dos recursos há ainda no planeta para se comparar com o existente, ou então o overshoot continuará detectado. A pegada ecológica deve ser, de maneira geral, menor do que a porção da superfície ecologicamente produtiva de uma cidade, de um país ou do planeta.

CLASSIFICAÇÃO DOS ESPAÇOS ECOLÓGICOS

Como o presente trabalho propôs-se a uma sistematização da pegada ecológica e, para tal finalização, utilizou-se das categorias de espaço ecológico utilizadas no seu cálculo, que são: área de terra bioprodutiva que é subdividida em: áreas de pastagem, de floresta e de cultivo, área de mar; terra de energia, terra pavimentada ou degradada e área para a proteção da biodiversidade, optou-se por identificar e descrever cada categoria separadamente uma das outras, que estão apresentadas subseqüentemente.

TERRA DE PASTAGEM (GRAZING LAND)

São as que se destinam à criação de gado de corte e de leite. Neste item, estão relacionados os produtos derivados do leite e da carne, além da lã. São áreas menos produtivas que as de cultivo e sua conversão, de área vegetal para animal, reduz ainda mais a energia bioquímica disponível para o uso humano. No mundo, cerca de 3,4 bilhões de hectares são classificados como sendo de pastagem permanente, que divididos pela população mundial, temos aproximadamente 0.6 hectare per capita. São espaços de difícil definição e, geralmente, são usadas para demarcar a terra usada por 5 anos ou mais para o alimento de animais, incluindo o cultivo natural e plantado. A expansão dessas áreas tem sido a causa principal da diminuição das áreas de florestas.

A pegada dessas áreas de pastagem, de acordo com o WWF (op. cit) foi de 0,41 para 0,73 bilhão de hectare global no período de 1960-2000, ou seja, uma pegada 80% maior.

TERRA DE FLORESTA (HARVESTING TIMBER)

São as áreas de florestas naturais ou plantadas para a produção de fibras, madeira e combustíveis. Asseguram outros tipos de funções, como a estabilidade do clima, previnem erosões, mantêm os ciclos hidrológicos e, se forem bem manejadas, protegem a biodiversidade.

Segundo o WWF (op. cit) a pegada ecológica dessas áreas aumentou mais de 50% num período de 30 anos (1960-2000), de 1,03 para 1,63 bilhão de hectare global.

TERRA DE CULTIVO (GROWING CROPS)

São as terras aráveis para o cultivo de alimento e ração de animais. De acordo com a FAO (1997) essas áreas ocupam cerca de 1,5 bilhão de hectare no mundo, e são as áreas mais férteis podendo cultivar a maior quantidade de biomassa vegetal. Esse tipo de terra é definido como sendo aquela sob cultivo temporário e permanente, que cobre desde o arroz até a borracha. Nesse montante, as áreas férteis para pastagem não estão incluídas. Os cálculos subestimam os efeitos ambientais causados pela agricultura como salinização, erosão, contaminação de aqüíferos por produtos químicos. Ainda segundo a FAO (op. cit) quase todas as melhores áreas férteis estão sendo cultivadas, cerca de 1,35 de bilhão de hectare. Contudo, 10 milhões de hectares são abandonados anualmente por causa da degradação do solo.

Segundo o WWF (2002), a pegada ecológica de terras de cultivo aumentou de 2,89 em 1960 para 3,14 bilhões de hectares globais em 2000.

ÁREAS BIOPRODUTIVA DE MAR (CATCHING FISH)

São destinadas à pesca e, para isso, é preciso áreas produtivas de mar. Segundo Wackernagel e Rees (op. cit) do espaço total dos oceanos, 36,3 bilhões de hectares, somente 8% concentram-se ao longo das costas dos continentes no mundo e fornecem cerca de 95% da produção ecológica do mar, pois é, na superfície, onde a fotossíntese é possível, assim como as trocas gasosas, que eqüivalem a 2,9 bilhões de hectares biologicamente produtivos do espaço do mar.

Uma produção máxima sustentável dos oceanos é cerca de 100 milhões de toneladas de peixe por ano, uma produção média anual de 33,1 kg de peixe por hectare produtivo. O seashare, ou a média da área produtiva de mar pela população, seria, então, de 0,51 hectare per capita, o que corresponde à 16,6 quilogramas de peixe por ano. Para se estabelecer uma comparação, o Japão contribui em cerca de 12% da pesca mundial, sendo que o consumo per capita da população é de 92 quilogramas de peixe anualmente, ou seja, cerca de 5,4 vezes mais que o seashare. Podemos concluir, dessa maneira, que um consumo global igual ao dos japoneses seria insustentável.

De acordo com o WWF (op. cit) a pegada ecológica de áreas de mar em 2000 era de 0,82 bilhão de hectare global comparado com 0,31 em 1960, um aumento da pegada em mais de 150%.

TERRAS DE ENERGIA (CO2 ABSORPTION)

São áreas fictícias em que se calcula a pegada do CO2, estimando-se a área biologicamente produtiva necessária para seqüestrar as emissões de carbono suficiente para evitar um aumento deste na atmosfera. A concentração de gases estufa e principalmente de dióxido de carbono na atmosfera tem causado mudanças no clima, o que representa um dos grandes desafios enfrentados pela humanidade no século XXI. A biosfera tem uma capacidade finita de absorver o CO2 e convertê-lo em biomassa animal e vegetal. Desde a Revolução Industrial, mais de um trilhão de toneladas deste tipo de poluente tem sido emitido na atmosfera através da queima de combustíveis fósseis, fazendo com que o carbono, que foi acumulado na crosta terrestre em milhões de anos na forma de carvão, óleos e gases esteja sendo devolvido para a atmosfera num espaço de dois séculos. Uma vez que os oceanos do mundo absorvem cerca de 35% do dióxido de carbono proveniente das emissões da combustão de combustíveis fósseis, conta-se somente com os 65% restantes para o cálculo da pegada, baseados na capacidade anual das florestas em média mundial em seqüestrar o carbono. Essa capacidade é estimada tomando-se uma média dos 26 biomas florestais no mundo. A capacidade de seqüestro será diminuída com o aumento deste na atmosfera e também com o aumento da temperatura ao longo do próximo século.

Dados do WWF (op. cit) revelam que há 3,8 bilhões de hectares desse tipo no mundo. A energia nuclear também está incluída nessa categoria. Para simplificar, calcula-se a energia termo nuclear com os mesmos dados da energia termo fóssil.

Segundo o WWF (op. cit) a pegada ecológica de terras de energia era de 2,51 bilhões de hectares globais em 1960, e de 6,72 bilhões de hectares globais em 2000, o que significa um aumento de mais de 150% em 30 anos.

ESPAÇO PAVIMENTADO, CONSTRUÍDO OU DEGRADADO (ACCOMODATING INFRA STRUCTURE OU BUILT-UP LAND)

São áreas destinadas à moradia, ao transporte, aos produtos industriais e às hidroelétricas. Esse espaço é menos documentado e, por isso, utiliza-se de um total global de 0.3 bilhão de hectare de terras construídas e pavimentadas. A pegada ecológica desse espaço ecológico aumentou de 0,32 para 0,60 bilhão de hectare global, um aumento de quase 100% num período de 30 anos, segundo o WWF (op. cit). Como muito dos assentamentos humanos estão localizados em áreas mais férteis de um país, adota-se que as áreas construídas usam as terras aráveis.

ESPAÇO DESTINADO À PROTEÇÃO DA BIODIVERSIDADE

São áreas fictícias que devem ser deixadas para que outras espécies, incluindo fauna e flora, (exceto a humana) possam sobreviver, realizar suas atividades e se propagar.

Segundo Jordan (1995) a preservação da biodiversidade tem sido abordada por dois pontos de vista. O primeiro refere-se às espécies para depois se determinar qual o tipo de habitat que deverá ser preservado. O segundo foca o habitat e considera localização, tamanho, forma das reservas para maximizar a biodiversidade ou otimizar o meio ambiente para as espécies. Independentemente da abordagem escolhida, o importante é lembrar que o objetivo único é a máxima preservação da diversidade global. Os números são questionáveis, uma vez que os cientistas da área discordam em muitos aspectos. Ainda, segundo o autor, para proteger as espécies, é preciso proteger os habitats, mas é impossível proteger todos os habitats. Por essa razão, é necessário que se escolham aqueles habitats que irão melhor contribuir para a diversidade global.

A questão da preservação da biodiversidade é conflitante entre alguns estudiosos.

Odum (1969) sugere que 1/3 de cada tipo de ecossistema deva ser preservado; já de acordo com a Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991), no mínimo 12 % da capacidade ecológica, representando todos os tipos de ecossistemas, deveriam ser preservados para a proteção da biodiversidade.

Essa porcentagem é um valor considerado viável por alguns, porém para outros os 12% podem não ser suficientes para assegurar a biodiversidade.

Para se ter uma visão global da quantidade dessas áreas no mundo, a tabela 1, a seguir mostra a média per capita mundial (earthshare) em relação a uma população atual estimada em 6 bilhões e para uma população prevista de 9,5 bilhões de habitantes, segundo Chambers (2000, p.66).

Uma vez que a área de terra e de mar é limitada, é possível se ter uma noção clara e simples de que, com o aumento da população, teremos cada vez menos espaço para realizar nossas atividades, além do desconto para a proteção à biodiversidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na busca de qualidade de vida para todos, hoje, e para as futuras gerações dentro dos limites naturais; do uso que as ações humanas exercem nos recursos naturais ao longo do tempo, do quanto cada indivíduo, cidade e nação consome dos recursos e de como a humanidade domina a biosfera à custa de outras espécies e com a perspectiva de que tudo isso não extrapole a capacidade biológica da natureza em continuar a sustentar os seres humanos e as outras espécies, é que a pegada ecológica se insere.

Ela fornece um referencial da performance ecológica, identifica os desafios e permite que, membros da sociedade, tomadores de decisões, públicas e privadas, possam documentar os ganhos com um país, uma região ou uma cidade. Também, torna-se instrumento para se desenvolver estratégias e cenários futuros aplicáveis em várias escalas; individual, familiar, regional, nacional e mundial em direção à sustentabilidade. Mais ainda, mostra-se ser um comunicador, pois pode focar debates, sinalizar tendências ao longo do tempo e fazer comparações internacionais. Estas considerações ampliam a responsabilidade das gerações presentes e também futuras em contribuir e avançar rumo à uma vida satisfatória para todos de maneira concreta.

O interesse nesse instrumento e a crescente lista de aplicações e usos atestam o mérito analítico da pegada ecológica e seu valor de comunicação e ensinamento sobre o imperativo da sustentabilidade.

O resultado dos caminhos trilhados ao longo das últimas décadas têm levado à exaustão dos bens naturais, ao esgotamento do capital ecológico e à privação plena de continuarmos vivendo nesse mundo. A escolha de um percurso mais adequado, capaz de manter e preservar o planeta em que vivemos e garantir a sobrevivência dos seres humanos e das outras espécies, se faz urgente. É preciso que este esteja fundamentado na qualidade, e não na quantidade.

Renata da Costa Pereira Jannes Cidin

Ricardo Siloto da Silva

REFERÊNCIAS

CALLAI, H. A cidade e a (re) criação da relação homem- natureza. In: Ciência & Ambiente. Gov. do Estado de São Paulo v. IV, nº 7, jul./dez. 1993
CHAMBERS, N. et al. Sharing nature’s interest: ecological footprint as an indicator of sustainability. Reino Unido e Estados Unidos: Earthscan Publications Ltd, p.185, 2000.
COMISSÃO MUNDIAL DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO (CMMAD). Nosso futuro comum. 2 ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, p.430,1991.
DIAS, G. F. Pegada ecológica e sustentabilidade humana. São Paulo: Gaia, 2002.
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO) and UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAM (UNEP). The future of our land facing the challenge, 1999. Disponível em: < http:// www.fao.org>. Acesso em 2002.
FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). State of the world’s forests, 1997. FA0, Rome, Italy.
HOLDREN, P. J.; EHRLICH, R. P. Global ecology: reading toward a rational strategy for man. New York Harcout Brace Jovanovich, 1971.
MÜLLER, G. In: BECHER, D.F. (Org). Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade? 3. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc, p.238, 2001.
ODUM, E.P. Ecologia. Tradução de Kurt G. Hell. São Paulo: Pioneira, 1969.
O’MEARA, M. “Explorando uma nova visão para as cidades”. Estado do Mundo, p.138-57, 1999.
RAMPAZZO, S. E. In: BECHER, D.F. (Org). Desenvolvimento sustentável: necessidade e/ou possibilidade? 3. ed. Santa Cruz do Sul: Edunisc, p.238, 2001.
UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Global methodology for mapping humam impacts on the biosphere – GLOBIO. Dispoível em: < http:// www.globio.info>
Acesso nov. 2002
WACKERNAGEL, M.; REES, W. Our ecological footprint: reducing humam impact on the earth. 6. ed. Canada: New Society Plublishers, p.160, 1996.
WORLD Conservation Society (WCS). Dispoível em: < http:// www.wcs.org> Acesso ago.2003.
WORLDWIDE Fund for Nature (WWF). Living planet report. 2002. Disponível em: < http:// www.panda.org> Acesso 2002.

Fonte: www.empresaresponsavel.com

Pegada Ecológica

Quanto você “pesa” para o planeta?

Pegada Ecológica

Alguma vez você pensou na quantidade de Natureza necessária para manter o seu estilo de vida? Já imaginou avaliar o impacto no Planeta das suas opções no dia-a-dia, daquilo que consome e dos resíduos que gera? Com este questionário poderá conhecer esse impacto.

Este teste foi elaborado pela Redefining Progress, uma entidade conservacionista não-governamental (www.myfootprint.org). Ele calcula a sua “Pegada Ecológica”, ou seja, a área de terra necessária para atender as suas necessidades, fazendo uma estimativa da quantidade de recursos necessária para produzir os bens e serviços que você consome e absorver os resíduos que você produz.

O objetivo do teste não é fazer as pessoas se sentirem culpadas, e sim levá-las a refletir sobre formas de preservar o meio ambiente pela mudança de hábitos. O resultado indica quantos hectares da Terra são necessários, em tese, para atender ao consumo individual de quem responde ao teste.

MORADIA

Quantas pessoas moram na sua casa?

a) 1…………………………………………………30
b) 2…………………………………………………25
c) 3…………………………………………………20
d) 4…………………………………………………15
e) 5 ou mais……………………………………. 10

Em que tipo de moradia você vive?

a) Apartamento…………………………………..20
b) Casa……………………………………………..40

Qual o sistema de aquecimento de água da sua casa?

a) Gás natural……………………………………30
b) Eletricidade…………………………………..40
c) Fontes renováveis (solar, eólica)……….. 0

Quantas torneiras há na sua casa?

a) Menos de 3……………………………………..5
b) 3 a 5……………………………………………..10
c) 6 a 8……………………………………………..15
d)
9 a 10……………………………………………20
e) Mais de 10…………………………………….25

ALIMENTAÇÃO

Quantas vezes por semana você come em casa?

a) menos de 10…………………………………….25
b) 10 a 14……………………………………………20
c) 15 a 18……………………………………………15
d) Mais de 18……………………………………… 1

Quantas refeições de carne ou peixe você come por semana?

a) Nenhuma………………………………………..0
b) 1 a 3……………………………………………..10
c) 4 a 6……………………………………………..20
d) 7 a 10……………………………………………35
e) Mais de 10……………………………………. 50

Procura comprar alimentos produzidos localmente?

a) Sim………………………………………………..25
b) Não………………………………………………125
c) Às vezes………………………………………….50
d) Raramente……………………………………..100

TRANSPORTE

Como vai trabalhar diariamente?

a) De carro………………………………………….60
b) De carona……………………………………….30
c) Com transportes publicos…………………..15
d) De bicicleta ou a pé……………………………0

Quantos quilômetros tem que percorrer de carro para chegar ao seu trabalho?
(caso não use carro não responda)

a) Menos de 10……………………………………..10
b) Entre 10 e 30…………………………………….20
c) Entre 30 e 50…………………………………….30
d) Entre 50 e 100…………………………………..15
e) Mais de 100………………………………………..0

Que tipo de automóvel você tem?
(não responda se não tem)

a) Moto………………………………………………35
b) Carro de baixa cilindrada……………………60
c) Carro de alta cilindrada………………………75
d) Carro de luxo………………………………….100
e) Caminhonete…………………………………..130

Para onde viajou nas ultimas férias?

a) Nenhum lugar………………………………………0
b) Viajou pelo país………………………………….10
c) Viajou no Mercosul……………………………..20
d) Viajou outros países da América do Sul…. 30
e) Viajou aos EUA, Europa ou mais longe…. 50

Em quantos fins-de-semana por ano você viaja de carro (mínimo de 20 Km de distância)?

a) 0…………………………………………………………0
b) 1 a 3………………………………………………….10
c) 4 a 6………………………………………………….20
d) 7 a 9………………………………………………… 30
e) Mais de 9………………………………………….. 40

CONSUMO

Quantas compras significativas você (ou teus pais) fez (ou fizeram) em 2006?
(ex: TV, vídeo, computador, móveis, etc…)

a) 0………………………………………………………..0
b) 1 a 3………………………………………………….15
c) 4 a 6…………………………………………………..30
d) Mais de 6……………………………………………45

Costuma comprar produtos de baixo consumo de energia?

a) Sim……………………………………………………….0
b) Não……………………………………………………..25

RESÍDUOS

Pratica compostagem com os resíduos orgânicos que gera?

a) Sempre………………………………………………0
b) Às vezes…………………………………………..10
c) Nunca………………………………………………20

Você faz coleta seletiva do lixo?

a) Sempre……………………………………………..0
b) Às vezes………………………………………….10
c) Raramente………………………………………. 20
d) Nunca……………………………………………..25

Procura reduzir a produção de resíduos?
(ex: evita adquirir produtos com muita embalagem, reutiliza papel, evita sacolas plásticas, etc…)

a) Sempre…………………………………………………0
b) Às vezes……………………………………………..10
c) Raramente………………………………………….. 20
d) Nunca…………………………………………………30

Quantos sacos de lixo (100 litros) sua casa produz por semana?

a) 1………………………………………………………..10
b) 2………………………………………………………..20
c) 3 ou mais……………………………………………. 30

Como interpretar o resultado?

TOTAL OBTIDO PEGADA ECOLÓGICA
até 75 menos do que 2 ha *
entre 75 e 150 entre 2 e 4 ha
entre 150 e 400 entre 4 e 6 ha
entre 400 e 600 entre 6 e 8 ha
entre 600 e 800 entre 8 e 10 ha
maior do que 800 maior do que 10 ha

AGORA DIVIDA O NÚMERO DE HECTARES DA SUA PEGADA ECOLÓGICA POR 1.89 E VOCÊ OBTERÁ O NÚMERO DE PLANETAS TERRA QUE PRECISARÍAMOS CASO TODAS AS PESSOAS DO MUNDO TIVESSEM UMA PEGADA ECOLÓGICA SEMELHANTE À SUA.

RESULTADO PLANETAS
Menos de 2 ha Aprox. 1.1
Entre 2 e 4 Aprox. 1.6
Entre 4 e 6 Aprox. 2.7
Entre 6 e 8 Aprox. 3.8
Entre 8 e 10 Aprox. 5.0
Mais do que 10 ha Aprox. 5.5

A Pegada Ecológica disponível por pessoa é de 1,89 hectares.

Conheça qual a Pegada Ecológica de alguns países:

Alemanha 4.26
Argentina 3.80
Austrália 7.09
Bangladesh 0.50
Brasil 2.39
EUA 9.57
Índia 0.76
Japão 3.91
México 2.59
Suécia 7.95

Fonte: www.comunicai.com.br

Pegada Ecológica

ESTUDO DO INDICADOR DE SUSTENTABILIDADE PEGADA ECOLÓGICA: UMA ABORDAGEM TEÓRICO-EMPÍRICA

1. Introdução

Após a 2ª Guerra Mundial, a economia de bens de consumo se intensificou, resultando no aumento da demanda por recursos naturais, especialmente o uso de formas não-renováveis de energia, como o petróleo. Os países desenvolvidos privilegiavam o crescimento econômico, indiferente à distribuição igualitária de renda e aos possíveis impactos ambientais. Para este paradigma de desenvolvimento, o Produto Interno Bruto (PIB) era o indicador de interesse.

Durante a década de 60, e com vistas a monitorar os problemas sociais oriundos da desigualdade da distribuição de renda, iniciou-se o desenvolvimento de sistemas de indicadores sociais, contemplando aspectos como saúde, educação, equidade, trabalho e rendimento, perdendo o PIB, sua primazia (SCANDAR NETO, 2004).

A primeira Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estocolmo em 1972 é o marco referencial para o conceito de desenvolvimento sustentável, propondo-se, como iniciativa global, a adoção de um modelo de desenvolvimento econômico que respeitasse a capacidade de renovação dos ecossistemas e identificasse os impactos do homem sobre o meio ambiente.. Conforme Feldman (1997, p.14) “essa conferência chamou a atenção das nações para o fato de que a ação humana estava causando séria degradação da natureza e criando severos riscos para o bem estar e para a própria sobrevivência humana”. A definição de desenvolvimento sustentável constante do Relatório de Brundtland, em 1987 é a mais conhecida e se apresenta como conceito central para o novo paradigma em que cada nação deve atender as necessidades do presente sem comprometer a a possibilidade de que as gerações futuras atendam as suas próprias (MARTINS, 2006).

Alguns autores apontam que o desenvolvimento sustentável ainda não é um conceito e sim uma idéia, uma vez que o fenômeno se revela complexo e envolve a integração de três dimensões (econômica, ambiental e social). A complexidade da sustentabilidade é reforçada por Hahn (2002 apud Scandar Neto, 2006, p.13) segundo o qual “ … a sustentabilidade não é uma coisa a ser atingida, mas sim um processo contínuo”. Ainda dentro desta linha de pensamento, é possível que o desenvolvimento sustentável nunca venha a se tornar um conceito porque o mesmo evolui a medida que as práticas sociais se transformam.

Face ao acima exposto, como mensurar um conceito que ainda está em formação?

Alguns estudiosos entendem que para medir este fenômeno será necessário um sistema de indicadores envolvendo as três dimensões, como aquele desenvolvido pela Comissão de Desenvolvimento Sutentantável da ONU. Nações como a Suíça optaram por desenvolver um ferramental próprio para acompanhar se seu desempenho está ocorrendo de forma sustentável (ALTWEGG et al., 2004).

Por outro lado, foram desenvolvidos também indicadores sintéticos como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Sustentabilidade Ambiental (ISA) para mensurar a sustentabilidade das nações. Estes indicadores apresentam vantagens e desvantagens frente aos sistemas de indicadores de desenvolvimento sustentável, mas a grande vantagem é o fornecimento de um índice agregado que aborda questões relacionadas ao tema e que permite a comparação entre diferentes países, regiões e estados devido a sua simplificidade.

Além disso, e seguindo a lógica de avaliação dos processos de produção como sistemas alimentados por fluxos de entradas e saídas, outras metodologias associadas à medição de sustentabilidade foram criadas tais como o Ecological Footprint (Pegada Ecológica), a Cadeia de Carbono e os Créditos de Carbono. Este último consiste no financiamento, por parte dos países desenvolvidos, de projetos ambientais nas nações em desenvolvimento de modo que a poluição oriunda da atividade econômica daqueles seja compensada por tais projetos (PIANA, 2007).

Neste contexto, a Pegada Ecológica, lançada por Wackernagel & Rees através do livro Our ecological footprint, mostrou ser uma ferramenta simples para medir, comunicar e comparar o desenvolvimento das nações (Bellen, 2007). Desta forma, o objetivo deste trabalho é descrever a metodologia da Pegada Ecológica utilizando uma fundamentação teórico-empírica através de uma pesquisa bibliográfica realizada na literatura especializada.

O conteúdo do estudo aborda inicialmente as principais definições, premissas adotadas e o método para o cálculo do indicador. Na seção seguinte, serão identificadas as principais vantagens e desvantagens da utilização do método da pegada ecológica. Por fim, é apresentada uma fundamentação empírica baseada em dados obtidos para este indicador referentes a diferentes países do mundo, inclusive o Brasil. A demonstração destes resultados revela que nosso país possui um superávit ecológico, permitindo assim que ocorra o desenvolvimento social e econômico que garanta a conservação dos seus recursos naturais e recuperação de sua competitividade mundial.

2. Fundamentação teórica – pegada ecológica

A pegada ecológica é uma ferramenta de medição de desenvolvimento sustentável simples e de fácil entendimento e consiste no cálculo da área necessária para garantir a sobrevivência de uma determinada população ou sistema econômico indefinidamente: fornecendo energia e recursos naturais e assegurando capacidade de absorver os resíduos ou dejetos produzidos por tal sistema. O método segue a teoria de sistemas, pois realiza a contabilização das entradas e saídas dos fluxos de matéria e energia de um dado sistema econômico convertendo tais fluxos em área correspondente de terra ou água existentes na natureza para sustentar esse sistema. (WACKERNAGEL & REES, 1996 apud BELLEN, 2007).

O principal objetivo do indicador é auxiliar a tomada de decisões e motivar a construção e/ou manutenção da consciência pública com relação aos problemas ambientais ressaltando a importância que cada nação se desenvolva de forma sustentável sem comprometer a demanda das gerações futuras. Além disso, o indicador possibilita que sejam estabelecidas comparações entre regiões e nações uma vez que analisa o consumo de recursos oriundos das atividades humanas frente à capacidade de suporte da natureza, mostrando assim se os impactos no ambiente global são sustentáveis em longo prazo (CIDIN & SANTOS, 2004).

A metodologia da pegada ecológica é fundamentada no conceito de capacidade de carga, também chamado de biocapacidade. A definição utilizada no presente método foi aquela apresentada nos estudos de Catton (1986 apud Bellen, 2007) na qual “… a capacidade de carga se refere especificamente à carga máxima que pode ser, segura e persistentemente, imposta ao meio ambiente pela sociedade”.

Segundo tal conceituação, a carga é função não somente da população humana, mas também da distribuição per capita do consumo dessa população. Desta forma, a pressão efetuada sobre o meio ambiente cresce mais rápido proporcionalmente do que o crescimento populacional.

Cabe destacar ainda que os autores do método reconhecem que a carga imposta por cada população varia em função de diversos fatores não apenas econômicos, como os abordados na pegada ecológica, mas também de fatores culturais e de produtividade ecológica.

O método da pegada ecológica parte de premissas de modo a simplificar os cálculos do indicador.

Algumas serão listadas a seguir (WACKERNAGEL & REES, 1996; CHAMBERS et al, 2000 apud BELLEN, 2007):

Todos os tipos de energia, o consumo de materiais e a descarga de dejetos e resíduos demandam uma capacidade de produção e/ou absorção de uma área com dimensões finitas de terra ou água
Os cálculos consideram apenas as receitas mais importantes determinadas por valores econômicos, tecnológicos e socioculturais para a área estudada
O modelo considera apenas cinco pontos (apropriação de recursos renováveis, extração de recursos não-renováveis, absorção de rejeitos, destruição do solo e depleção de recursos hídrico) como forma de apropriação, direta ou indiretamente, dos serviços da natureza pela atividade humana; além disso, o método não contabiliza em duplicidade uma área quando a mesma produz um ou mais destes serviços simultaneamente
A maior parte das estimativas realizadas pelo método é fundamentada em médias de consumo nacionais e de produtividade da terra mundiais com vistas a facilitar comparações entre regiões e países
O método adota uma classificação para os dados estatísticos sobre consumo com base em cinco categorias (alimentação, habitação, transporte, bens de consumo e serviços) de modo a simplificar a coleta de dados; e
Utilização de uma taxionomia simples de produtividade ecológica, atualmente envolvendo cinco categorias de território ou área definida (território de biodiversidade, território construído, território de energia, território terrestre bioprodutivo e área marítima bioprodutiva).

O cálculo da pegada ecológica se fundamenta no fato de que para cada item de matéria ou energia consumida pela população existe uma determinada área de terra necessária para fornecer os recursos de matéria e energia e absorver seus resíduos e dejetos. Desta forma, para especificar a área total requerida para suportar determinado padrão de consumo é preciso estimar a utilização de terra. Considerando a impossibilidade de estimar a demanda por área produtiva para provisão, manutenção e disposição de muitos bens de consumo, os cálculos ficam restritos às categorias mais importantes de bens e a alguns itens individuais.

Face a premissa acima mencionada, o método para a estimativa da área de ecossistema, ou espaço ecológico, necessária para garantir a sobrevivência de uma determinada população envolve os seguintes estágios (BELLEN, 2007):

a) Calcular a média anual de consumo de itens particulares de dados agregados, nacionais ou regionais através da divisão do consumo total pelo tamanho da população – consumo anual per capita
b)
Calcular ou estimar a área apropriada per capita para a produção de cada um dos principais itens de consumo, selecionados a partir da simplificação considerada, através da divisão do consumo anual per capita (Kg/capita) pela produtividade média anual (Kg/ha)
c)
Calcular a área da pegada ecológica média por pessoa através da soma das áreas apropriadas per capita por item de consumo de bens ou serviços calculados na alínea b; e
d)
Calcular a área da pegada ecológica total através da multiplicação da área da pegada ecológica média por pessoa pelo tamanho da população total.

3. Principais vantagens e desvantagens do método

O método da pegada ecológica, como toda metodologia científica, apresenta vantagens e desvantagens associadas a sua utilização. Uma vantagem do uso deste instrumento refere-se ao fato do mesmo ser um indicador sintético simples que permite a medição da performance ecológica, que permite identificar os desafios a serem vencidos para garantir a manutenção dos ecossistemas como um todo. Além disso, tal ferramenta permite que membros da sociedade, tomadores de decisão e gestores públicos e privados possam documentar os ganhos ambientais de um país, uma região ou uma cidade (CIDIN & SANTOS, 2004).

Ainda segundo tais autores a pegada ecológica subsidia o desenvolvimento de estratégias e cenários futuros que podem ser aplicáveis em vários âmbitos desde o individual, regional, nacional e mundial em direção à sustentabilidade. Cabe destacar que o referido índice assume um caráter comunicador, pois possibilita ampliar o debate quanto ao tema, sinalizar tendências ao longo do tempo e permite que comparações entre regiões e países uma vez que a maioria das estimativas existentes para o método é baseada e produtividade da terra mundial.

Adicionalmente, o método aborda uma particularidade do ser humano, tendo em vista que considera que o homem apresenta não apenas um metabolismo biológico mas também um “metabolismo” industrial e cultural. Para englobar tais aspectos, a pegada ecológica sugere uma definição de capacidade de carga distinta da interpretação tradicional. Segundo Bellen (2007, p.104) “o método não procura definir a população para uma determinada área geográfica em função da pressão sobre o sistema, mas sim, calcular a área requerida por uma população de um determinado sistema para que ela se mantenha indefinidamente”.

Por outro lado, a pegada ecológica apresenta algumas limitações como citado por Bossel (1999 apud Bellen, 2007) vez que o sistema não atua na dimensão social da sustentabilidade e não considera a interferência de atores sociais. Por se tratar de um modelo fundamentado em fluxo de energia e de matéria, o método apenas considera os efeitos das decisões econômicas, através da atividade humana, em relação à utilização de recursos do meio ambiente.

Em sua abordagem espaço-tempo, Santos (2006) aponta que a técnica, que é a principal forma de relação entre o homem e o meio, se materializa no espaço e no tempo, não cabendo a visão estática das duas dimensões analisadas separadamente. O autor propôs empirizar o tempo, de modo a torná-lo material, para assimilá-lo ao espaço que não existe sem materialidade. Dentro deste referencial, e considerando o método da pegada ecológica como uma técnica, observa-se que tal sistema se mostra estático, não permitindo extrapolações no tempo. Segundo Bellen (2007, p.127) “… os resultados refletem um estado atual e a ferramenta não pretende fazer extrapolações, apenas sensibilizar a sociedade”.

Outra limitação refere-se ao fato do indicador fazer uso de uma abordagem simplificada, partindo de premissas, que facilitam o cálculo da pegada ecológica, mas que não é capaz de capturar todos os aspectos da realidade, pois não envolve todas as variáveis de cada sistema.

Como exemplo, é possível citar que se fossem incluídos todos os itens de consumo, todos os tipos de dejetos e todas as funções do ecossistema, haveria problemas no processamento das informações, pois o sistema se tornaria muito complexo.

Consequentemente, determinadas funções dos ecossistemas analisados s tornam impossíveis de serem tratadas analiticamente. Como exemplo, citar-se-á as dificuldades na quantificação da biodiversidade, estabilidade climática dentre outros. Ainda que tais funções sejam essenciais para o bem-estar humano e sejam amplamente utilizadas pela sociedade em geral, não são incorporadas ao método da pegada ecológica (WACKERNAGEL & REES, 1996; CHAMBERS et al, 2000 apud BELLEN, 2007).

4. Indicador pegada ecológica: comparação para diferentes nações

Vários trabalhos de avaliação prática da ferramenta pegada ecológica foram realizados para diferentes sistemas. A análise comparativa da área apropriada por diferentes nações ao redor do mundo, denominado Ecological footprints of nations, foi o estudo de avaliação mais utilizado. A primeira versão deste estudo foi realizada com os dados fornecidos pela ONU em 1995; em 1999 uma segunda versão deste trabalho foi realizada por Chambers et al. (2000 apud Bellen, 2007) comparando 52 países que correspondem a 80% da população mundial.

Tal estudo seguiu a fundamentação teórica apresentada neste artigo e objetivou analisar cada um dos países estudados em função do consumo de seus recursos e produtos. Por meio da utilização de dados globais médios de produtividades o consumo de recursos e produtos foi transformado em área e terra apropriadas.

Cabe destacar que o consumo de energia também foi convertido em área apropriada; no exemplo de combustíveis fósseis, tal transformação foi fundamentada na área equivalente de floresta necessária para seqüestrar a emissão de carbono decorrente da utilização do referido combustível (BELLEN, 2007).

Os principais resultados foram apresentados na forma de área apropriada, medida em hectares per capita (ha per capita) para cada país. A partir destes dados levantados e juntamente com a biocapacidade média avaliada de cada nação, foi possível calcular se cada uma das nações analisadas apresentava um déficit ou um superávit ecológico, ou seja, se há uma dívida ou um excedente da área produtiva para suprir as necessidades de um dado país.

Este trabalho foi atualizado utilizando dados de área apropriada e biocapacidade referente ao ano de 2003 para mais de 150 nações e publicado em 2006 pela WWF Internacional através do documento Relatório Planeta Vivo 2006 (Global Footprint Network, 2007). Com base neste foram também calculados a posição de cada país com relação ao impacto das atividades humanas no meio ambiente.

O que se vê é que o mundo está gerando um déficit ecológico, ou seja, a atividade econômica humana requer da natureza mais do que ela é capaz de fornecer.

Além disso, observa-se que este déficit quase dobrou no período estudado, passando de 0,3 para 0,5. Mas quais países mais contribuem para este resultado?

Analisando as nações que apresentam os maiores déficits para o não de 2003 encontra-se a seguinte ordem: EUA; Grã-Bretanha; Japão, Grécia, Espanha; Coréia do Sul; e Alemanha – em todos estes países, com exceção do último que tem desenvolvido uma maior conscientização ambiental vista através da adoção do selo verde, houve um aumento do déficit ecológico. Cabe destacar ainda o déficit atingido pelos EUA que tem se acentuado especialmente devido a não participação americana do Protocolo de Kyoto sob o argumento de desaceleração do crescimento econômico.

Coincidentemente, EUA, Japão e Alemanha são as maiores economias do mundo, aquelas que apresentam os mais elevados PIBs. Face a isto, é possível deduzir que o atual paradigma global de crescimento adotado, fundamentado na exploração predatória dos recursos naturais com vistas à satisfação das necessidades humanas e a manutenção de padrões e estilo de vida consumistas, vem comprometendo a sustentabilidade ambiental em nível global (MELLO, 2006).

Ressalta-se ainda a participação dos países emergentes, em especial os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Observa-se que o Brasil e a Rússia apresentaram superávit ecológico (este saindo de um déficit de 0,4 para um superávit de 2,5) e Índia e China alcançam os menores déficits ecológicos. Estes últimos países merecem um destaque especial, pois possuem as maiores populações do mundo e apresentam as maiores taxas de crescimento econômico, refletido pelo PIB na ordem entre 8 e 10%. Como tais populações são maiores e o desenvolvimento industrial está ocorrendo de forma acelerada o impacto no meio ambiente será acentuado, podendo levar a um esgotamento dos recursos naturais e intensificação da poluição industrial.

O Brasil, por sua vez, apresenta o segundo maior superávit ecológico dentre as nações selecionadas; além disso, o país tem a maior biodiversidade do globo terrestre e não tem suas fronteiras agrícolas fechadas o que se configura em um diferencial importante em relação aos outros países dentro do novo paradigma de desenvolvimento sustentável (Bonder, 2003).

Verifica-se o aumento deste valor durante o período entre 1999 e 2003, que do ponto-de-vista econômico pode ser justificado pelas baixas taxas de crescimento econômico atingidas e perda de competitividade no mercado internacional.

Desta forma, conclui-se que o superávit ecológico brasileiro atual permite que o país se desenvolva social e economicamente utilizando de forma sustentável os seus recursos naturais de modo a conservar sua biodiversidade e recuperar sua competitividade mundial. No entanto, para que isto ocorra é necessário criar uma infra-estrutura para o desenvolvimento sustentável fundamentada em políticas públicas claras, com adoção de marcos ambientais bem definidos e com a redução da burocratização interna dentre outras medidas.

5. Conclusões

O presente trabalho destacou a utilização do indicador pegada ecológica como um instrumento de mensuração do desenvolvimento sustentável de fácil entendimento e aplicação. As simplificações do método permitem ainda que sejam estabelecidos referenciais de comparação entre indivíduos, cidades, regiões e nações. O objetivo do indicador é subsidiar a tomada de decisões e conscientizar a respeito dos limites do crescimento com relação às questões ambientais.

O método consiste basicamente na contabilização das entradas e saídas dos fluxos de matéria e energia de um dado sistema e posterior conversão de tais fluxos em área correspondente de terra ou água existentes na natureza para sustentar o referido sistema. Desta forma, o indicador verifica se o consumo dos recursos pelas atividades humanas está acima ou abaixo da capacidade de suporte da natureza, apontando se seus impactos globais no meio ambiente global são sustentáveis a longo prazo.

Como todo método científico, apresenta uma série de vantagens e desvantagens. Como principais vantagens são possíveis citar: simplicidade e fácil entendimento; auxilia os tomadores de decisão; considera o metabolismo biológico, industrial e cultural dos seres humanos; e permite fazer comparações entre nações, regiões e cidades.

Por outro lado, o método apresenta as seguintes desvantagens: não atua na dimensão social da sustentabilidade; se mostra estático, não permitindo extrapolações no tempo; e devido a sua abordagem simplificadora não é capaz de capturar todos os aspectos da realidade.

Através da análise dos dados obtidos em 1999 e 2003, ficou evidenciado que o mundo apresenta uma déficit crescente de 0,5, ou seja, as demandas a natureza são maiores do que sua capacidade de sustentabilidade. Tal resultado é explicado através dos desempenhos das nações mais industrializadas, fundamentadas dentro do paradigma de crescimento econômico, que são aquelas que possuem os maiores déficits ecológicos.

Entre as nações emergentes, destacou-se a situação brasileira que apresenta o segundo maior superávit ecológico e é dono da maior biodiversidade mundial. Este resultado indica que o país tem condições de se desenvolver social e economicamente utilizando os seus recursos naturais de forma sustentável de modo a conservar a sua biodiversidade e recuperar sua competitividade no mercado mundial. Entretanto, para que isto ocorra é necessário que o Brasil crie uma infra-estrutura para o desenvolvimento sustentável fundamentada em políticas públicas claras, com adoção de marcos ambientais bem definidos e com a redução da burocratização interna dentre outras medidas.

Por fim, cabe destacar a importância de métodos de medição da sustentabilidade, como a Pegada Ecológica e Créditos de Carbono dentre outros, para enriquecer a construção do conceito de desenvolvimento sustentável. A discussão está longe de um fim considerando a complexidade do fenômeno estudado bem como a evolução do mesmo à medida que as práticas sociais se transformam.

Márcia França Ribeiro

José Antonio Assunção Peixoto

Leydervan de Souza Xavier

Referências

ALTEGG, H.; ROTH, I; SCHELLER, A. Monet measuring sustainable development: final report methods ans results. Neuchâtel: Swiss Federal Statistical Office, 2004.
BELLEN, H.M. Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007.
BONDER, C. Desenvolvimento sustentável como uma forma de mitigar o impacto negativo da globalização nas comunidades locais. Revista Virtual Textos & Contextos, nº 2, dez. 2003.
CINDIN, R.P.J. & SILVA, R.S. Pegada Ecológica: instrumento de avaliação dos impactos antrópicos no meio natural. Estudos Geográficos, Rio Claro, 2(1):43-52, junho – 2004 (ISSN 1678-698X).
FELDMAN, F. Entendendo o meio ambiente. Secretaria de Estado do Meio Ambiente. São Paulo: SMA, 1997.
GLOBAL FOOTPRINT NETWORK. Disponível em: <http://www.footprintnetwork.org>. Acesso em: abr, 2007.
MARTINS, A.R.P. Desenvolvimento Sustentável: uma análise das limitações do índice de desenvolvimento humano para refletir a sustentabilidade ambiental. Rio de Janeiro, 2006, 127 f. Dissertação (Mestrado) – Engenharia de Produção, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2006.
MELLO, R.F.L. Vislumbre para a sustentabilidade planetária. INTERFACEHS – Revista de Gestão Integrada em Saúde do Trabalho e Meio Ambiente – v.1, n.1, Art. 2, ago 2006.
PIANA, Z. O mercado de créditos de carbono. Jornal da Ciência.
SANTOS, M. A Natureza do Espaço. 4ª edição. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006.
SCANDAR NETO, W.J. Indicadores de desenvolvimento sustentável no Brasil. 4º Seminário Fluminense de Indicadores, 2004. Cadernos de textos. Rio de Janeiro: Fundação CIDE, 2004, 116 p.
SCANDAR NETO, W.J. Síntese que organiza o olhar: uma proposta para construção e representação de indicadores de desenvolvimento sustentável e sua aplicação para os municípios fluminenses. Rio de Janeiro,
2006, 110 f. Dissertação (Mestrado) – Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais, Escola Nacional de Ciências Estatísticas, Rio de Janeiro, 2006.

Fonte: www.abepro.org.br

Pegada Ecológica

Pegada ecológica: conceito, cálculo e reflexão

Pegada Ecológica

Alguma vez você já pensou na quantidade de natureza necessária para manter o seu estilo de vida? Já imaginou avaliar o impacto no planeta das suas opções no dia-a-dia, daquilo que você consome e dos resíduos que você gera? Com este questionário da sua pegada ecológica você conhecerá esse impacto.

A pegada ecológica individual mede o quanto a presença de cada pessoa no mundo consome dos elementos que compõem o nosso espaço de vida e existência (elementos geralmente vistos como recursos naturais), com vistas ao atendimento das necessidades que elege para sua vida em sociedade. Como critério para reconhecimento das condicionantes do nosso estilo de vida, a pegada ecológica coletiva pode ser comparada com a capacidade da natureza de renovar esses elementos – componentes bióticos e abióticos do meio ambiente. A pegada ecológica de um país é a área total requerida para a produção de todas as demandas de consumo de sua população, incluindo alimentação, vestuário, educação, saúde, cultura, trabalho, moradia, transporte, comunicação, entretenimento etc., as quais implicam exploração da natureza no que diz respeito a matéria prima, a energia, a água, a terras agricultadas, a áreas urbanizadas e, ainda, a bolsões de absorção dos resíduos gerados por todas as etapas implicadas neste processo antrópico geral. Portanto, em decorrência do ato de consumir produtos e serviços diariamente, a população mundial consome componentes ecológicos do planeta como um todo, de modo que a pegada ecológica da humanidade é a soma de todas essas áreas implicadas, onde quer que elas estejam no planeta.

Este teste calcula a sua pegada ecológica individual, fazendo uma estimativa da quantidade da área requerida para prover a demanda por produtos e serviços que atenda as necessidades que você tem elegido, pelos meios que você tem escolhido, ou seja, para prover o seu estilo de vida pessoal, em todos os aspectos acima considerados. Circule a opção que melhor se aplique a você e some os pontos no final.

ATENÇÃO: embora os resultados sejam uma estimativa e o índice “pegada ecológica” tenha naturalmente limitações, o resultado pode ser muito importante para a busca de viabilização de um consumo que venha a ser socioambientalmente responsável como decorrência de ser um consumo reflexivo, que busque seu sentido como ação cultural que transforma o mundo e que o faz conscientemente, na construção responsável da História.

Nessa busca, há que se refletir sobre o sentido do ato de consumir, um exercício muito difícil de se realizar no contexto contemporâneo da sociedade de massa e globalizada. Tal reflexão, que analisa o sentido do ato de consumir, do “meu ato de consumir” – do indivíduo –, poderá verificar como nossas ações no campo do consumo têm carecido de autonomia, como essas ações muitas vezes têm sido reduzidas a meros comportamentos orquestrados virtualmente, como nossa identidade vem sendo construída sob tão forte influência do mundo social e sob um evidente esmaecimento da nossa capacidade de resistência subjetiva às pressões culturais do nosso contexto, o que tem implicações políticas importantes, as quais vêm reduzindo o cidadão a mero consumidor.

Para a análise em questão, sugerimos revisão dos conceitos básicos discutidos no encontro de 30 de junho, com destaque para sociedade de consumo estruturalista/individualista/culturalista, consumo conspícuo/inconspícuo, consumo irreflexivo/reflexivo, publicidade, consumo responsável/sustentável/consciente e comportamento/ação individual/ação coletiva. É evidente que outro aspecto central para essa reflexão é a crise socioambiental contemporânea, considerando as várias dimensões da análise que são necessárias para compreender suas causas, seus efeitos e suas perspectivas de evolução, numa busca de soluções pautadas por valores que propiciem resistência ao império da racionalidade técnica, utilitária, competitiva, estratégica, individualista e fetichista, a qual tem predominado no nosso dia-a-dia, seja em nosso mundo interno, subjetivo, seja em nossas vivências com o mundo externo, social e objetivo.

Assim, na dificuldade de exercermos um consumo com sentido – que adviria de reflexões que considerassem a complexidade da realidade atual e que buscassem apoio em valores humanitários para legitimar-se –, acabamos por exercer um consumo consentido – que, de um lado, é consentido pelo modelo de produção capitalista, como meio para manter seus fins contemplados (o que em suma se trata de garantir aumento permanente das taxas de produção e de acumulação do capital), e, de outro lado, é consentido por nós mesmos que, enquanto sujeitos e enquanto coletividade, vamos adotando estilos de vida de pouca resistência à pressão consumista, o que tem permitido o contínuo acirramento da crise socioambiental.

Fonte: www.cdcc.sc.usp.br

Pegada Ecológica

Pegada Ecológica

Pegada Ecológica? O que é isso?

Você já parou para pensar que a forma como vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo, nossa caminhada pela Terra deixa “rastros”, “pegadas”, que podem ser maiores ou menores, dependendo de como caminhamos. De certa forma, essas pegadas dizem muito sobre quem somos!

A partir das pegadas deixadas por animais na mata podemos conseguir muitas informações sobre eles: peso, tamanho, força, hábitos e inúmeros outros dados sobre seu modo de vida.

Com os seres humanos, acontece algo semelhante. Ao andarmos na praia, por exemplo, podemos criar diferentes tipos de rastros, conforme a maneira como caminhamos, o peso que temos, ou a força com que pisamos na areia.

Se não prestamos atenção no caminho, ou aceleramos demais o passo, nossas pegadas se tornam bem mais pesadas e visíveis. Porém, quando andamos num ritmo tranqüilo e estamos mais atentos ao ato de caminhar, nossas pegadas são suaves.

Assim é também a “Pegada Ecológica”. Quanto mais se acelera nossa exploração do meio ambiente, maior se torna a marca que deixamos na Terra.

O uso excessivo de recursos naturais, o consumismo exagerado, a degradação ambiental e a grande quantidade de resíduos gerados são rastros deixados por uma humanidade que ainda se vê fora e distante da Natureza.

A Pegada Ecológica não é uma medida exata e sim uma estimativa. Ela nos mostra até que ponto a nossa forma de viver está de acordo com a capacidade do planeta de oferecer, renovar seus recursos naturais e absorver os resíduos que geramos por muitos e muitos anos.

Isto considerando que dividimos o espaço com outros seres vivos e que precisamos cuidar da nossa e das próximas gerações. Afinal de contas, nosso planeta é só um!

O que compõe a Pegada?

A Pegada Ecológica de um país, de uma cidade ou de uma pessoa, corresponde ao tamanho das áreas produtivas de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Em outras palavras,a Pegada Ecológica é uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza” , em média, para se sustentar.

Para calcular as pegadas foi preciso estudar os vários tipos de territórios produtivos (agrícola, pastagens, oceanos, florestas, áreas construídas) e as diversas formas de consumo (alimentação, habitação, energia, bens e serviços, transporte e outros). As tecnologias usadas, os tamanhos das populações e outros dados, também entraram na conta.

Cada tipo de consumo é convertido, por meio de tabelas específicas, em uma área medida em hectares. Além disso, é preciso incluir as áreas usadas para receber os detritos e resíduos gerados e reservar uma quantidade de terra e água para a própria natureza, ou seja, para os animais, as plantas e os ecossistemas onde vivem, garantindo a manutenção da biodiversidade.

Composição da Pegada Ecológica

TERRA BIOPRODUTIVA: Terra para colheita, pastoreio, corte de madeira e outras atividades de grande impacto.
MAR BIOPRODUTIVO: Área necessária para pesca e extrativismo
TERRA DE ENERGIA: Área de florestas e mar necessária para a absorção de emissões de carbono.
TERRA CONSTRUÍDA: Área para casas, construções, estradas e infra-estrutura.
TERRA DE BIODIVERSIDADE: Áreas de terra e água destinadas à preservação da biodiversidade.

De modo geral, sociedades altamente industrializadas, ou seus cidadãos, “usam” mais espaços do que os membros de culturas ou sociedades menos industrializadas.

Suas pegadas são maiores pois, ao utilizarem recursos de todas as partes do mundo, afetam locais cada vez mais distantes, explorando essas áreas ou causando impactos por conta da geração de resíduos.

Como a produção de bens e consumo tem aumentado significativamente, o espaço físico terrestre disponível já não é suficiente para nos sustentar no elevado padrão atual.

Para assegurar a existência das condições favoráveis à vida precisamos viver de acordo com a “capacidade” do planeta, ou seja, de acordo com o que a Terra pode fornecer e não com o que gostaríamos que ela fornecesse. Avaliar até que ponto o nosso impacto já ultrapassou o limite é essencial, pois só assim poderemos saber se vivemos de forma sustentável.

Práticas que ajudam a diminuir a sua Pegada Ecológica

Alimentação

Se você consome os alimentos da estação, frutas, verduras, legumes e cereais produzidos localmente, através da agricultura orgânica, parabéns! Assim você contribui para a redução do uso de agrotóxicos e para uma exploração mais racional dos recursos do planeta.

Por isso, evite alto consumo diário de proteínas (carne animal), de produtos industrializados e de fast food. Além de uma dieta mais saudável, você irá evitar a produção de muitas embalagens, que logo viram lixo.

Além disso, é importante lembrar que 60% da água doce disponível em nosso planeta é destinada à produção de alimentos.

Hábitos

Todos os nossos hábitos de moradia, alimentação, consumo, locomoção têm relação direta com a utilização dos recursos naturais, assim como nossas opções de lazer.

Divertir-se é algo fundamental para a boa qualidade de vida, mas o lazer e o turismo predatório são responsáveis por algumas das mais visíveis Pegadas deixadas pelo homem no ambiente: a degradação de inúmeras paisagens em litorais, montanhas e cidades históricas.

Procure conhecer as chamadas “viagens sustentáveis”, nas quais o transporte e a estadia são coletivos, a mão de obra local é valorizada, assim como o artesanato e as comidas típicas da região. Da mesma forma, no lazer urbano, é importante valorizar o contato com a Natureza, visitando parques, estações ecológicas, e evitar a geração de grande quantidade de lixo.

A coleta seletiva também pode contribuir bastante na redução de sua Pegada. O lixo de ser separado e entregue em Pontos de Entrega Voluntária (PEV) ou aos catadores e às cooperativas de reciclagem.

Consumo

O excesso de hábitos consumistas é um dos fatores que mais contribui para o esgotamento das reservas naturais do planeta. Sendo assim, evite substituir aparelhos que agregam alta tecnologia desnecessariamente e reduza o consumo de produtos descartáveis. Além de reduzir sua Pegada, esses hábitos vão fazer bem para seu bolso!

Procure adquirir produtos “verdes”, de empresas que estejam envolvidas em programas de responsabilidade socioambiental e certificadas com o ISSO 14000 (certificação ambiental).

Ao comprar carvão, verifique na embalagem se o produto é registrado no IBAMA. Quando não há registro, a madeira usada para produzir o carvão é de origem ilegal, o que significa que parte de alguma floresta foi cortada e queimada sem autorização.

Quando comprar palmito em conserva, verifique no rótulo o número de registro no IBAMA. Não compre, caso não haja este registro, pois a retirada deste recurso da floresta foi ilegal.

Não compre orquídeas e bromélias à beira das estradas, pois podem ter sido retiradas da floresta, de forma predatória. Prefira plantas vendidas em lojas e supermercados, cultivadas por produtores legalizados.

Ao comprar móveis e madeiras, dê preferência aos que são feitos de pinho e verifique se o comerciante possui documentos de que a madeira é certificada com o selo FSC.

Nunca compre animais silvestres. Caso queira adquiri-los, certifi que-se de que sua criação tem certificação do IBAMA.

Será que em sua escola, clube ou trabalho as pessoas participariam de compras solidárias? O comércio ético e solidário é muito mais do que um movimento que valoriza as pessoas e a cultura. Hoje em dia ele é visto como uma ferramenta efetiva de desenvolvimento local, que contribui para a fixação das comunidades nas áreas rurais, buscando reverter o quadro atual em que cerca de 80% da população mundial se concentra em áreas urbanas.

Você sabia que o comércio ético e solidário vem crescendo ano a ano? Ele reúne os segmentos de produtos orgânicos, certificados ou naturais, artesanato, terapias alternativas, turismo responsável e outros setores. Então, entre nesta onda e consuma produtos do comércio ético e solidário. Você estará colaborando para reduzir a desigualdade social e promover o desenvolvimento econômico no rumo da sustentabilidade.

Moradia

Se você mora com a família, com amigos, em comunidade ou com algum grupo, pode ter certeza de que está contribuindo para a redução de suas pegadas, pois, no coletivo, a água, a energia e outros recursos naturais são sempre melhor aproveitados. Quem mora sozinho, em geral, atinge altos graus de desperdício de recursos. Além do mais, em grupo, é possível otimizar muito o uso de equipamentos eletrodomésticos como geladeira, televisão e outros, evitando ter um equipamento por pessoa. Outra opção é adotar equipamentos e tecnologias que reduzem o consumo de água e energia.

Procure identificar vazamentos em sua casa ou no seu bairro, evite o uso da mangueira para limpar calçadas ou lavar o carro e junte roupas para lavar e passar.

Verifique também em sua conta de água o total de metros cúbicos mensais e divida este número por 30 dias e pela quantidade de pessoas que moram em sua casa. Assim, além de reduzir sua Pegada, você poderá conhecer sua média individual de consumo de água diária.

Você pode poupar energia e água por meio de simples práticas caseiras, como isolamentos térmicos, utilização de lâmpadas fluorescentes e aparelhos elétricos e eletrônicos com o selo PROCEL, pois estes consomem menos energia.

Desligue aparelhos, inclusive da tomada, quando não estiverem sendo utilizados. Reduza o uso do ar condicionado, privilegie sempre a iluminação de ambientes com luz natural e procure utilizar as escadas em vez do elevador.

No Brasil a maior parte da energia consumida é produzida por hidrelétricas, que exigem, para seu funcionamento, a construção de grandes barragens. Dessa forma, torna-se necessário represar rios e inundar áreas, reduzindo as florestas, impactando a vida de milhares seres vivos, retirando comunidades de suas terras e alterando os climas locais e regionais.

Transporte

O aquecimento global é causado, em grande parte, pelos gases da combustão dos motores dos automóveis. Por isso, um transporte sustentável tem de utilizar a energia de maneira eficaz, ou seja, transportar o máximo de carga possível gastando o mínimo de combustível.

Dessa forma, evite andar de carro sozinho. Você pode ampliar suas formas de locomoção, utilizando bicicletas, percorrendo pequenos trechos a pé, privilegiando o uso de transporte coletivo ou organizando caronas solidárias com colegas de trabalho ou da escola. Fazer a revisão de seu veículo particular também é importante, além de abastecê-lo com combustíveis alternativos (álcool, gás natural, biocombustível) e dirigir com pneus calibrados.

O uso do avião também deve ser repensado. Um avião em uma vigem do Brasil à Europa, despeja uma quantidade de carbono na atmosfera que um carro, percorrendo 30 km por dia, produziria em mais de dois anos.

Dessa forma, reveja seus itinerários e a necessidade de viajar. Reuniões de trabalho, muitas vezes, podem ser realizadas via teleconferência, evitando grandes deslocamentos.

Fonte: www.wwf.org.br

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