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Anti-Inflamatórios

Saiba os riscos e efeitos colaterais do uso indiscriminado dos anti-inflamatórios.

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) são uma das classes de medicamentos mais usadas no mundo.

Existem mais de 20 drogas diferentes, sendo as mais famosas:

AAS (ácido acetilsalicílico)
Diclofenaco
Ibuprofeno
Naproxeno
Indometacina
Cetoprofeno
Acido mefenâmico
Piroxican
Colecoxib

São drogas que apresentam mecanismos de ação semelhantes, mas com particularidades entre elas. Todos os anti-inflamatórios apresentam 3 efeitos básicos: Antipirético (abaixa a febre), analgésico (reduz a dor) e anti-inflamatório. As diferenças costumam ser na potência de cada uma das 3 ações e nos efeitos colaterais, alguns indesejáveis, outros úteis em algumas patologias não inflamatórias.

Os AINES agem inibindo uma enzima chamada ciclooxigenase que produz outra chamada prostaglandina. São essas as substâncias responsáveis pela inflamação e dor. Porém, existem mais de um tipo de prostaglandina e ciclooxigenase, apresentando outras funções além de mediar processo inflamatórios. Como a inibição realizada pelos anti-inflamatórios é não seletiva, além de abortar a inflamação, ocorre também uma alteração nos efeitos benéficos dessas substâncias.

As prostaglandinas são responsáveis pelos seguintes efeitos no organismo:

Proteção do estômago contra ácidos produzidos no seu interior = Quando as prostaglandinas são inibidas, aumenta-se o risco de formação de gastrite e úlceras.

Anti-Inflamatórios

Uma das principais causas de hemorragia digestiva é uso indiscriminado de AINES. O Colecoxib é de uma classe chamada inibidores da COX2 que não afeta as prostaglandinas do estômago e por isso causam menos lesões gástricas.

Fluxo de sangue no rins

Pessoas normais conseguem tolerar essas alterações, mas pacientes com problemas renais dependem muito das prostaglandinas para função dos rins, e sua inibição pode levar a um quadro de insuficiência renal aguda. Não existe nenhum anti-inflamatório que não piore a função renal em pacientes com insuficiência renal. São todos contra-indicados neste caso.

Coagulação sanguínea

Todos os AINES atuam nas plaquetas, diminuindo sua atividade. O AAS é a substância que mais inibe a função das plaquetas. Esse efeito colateral é frequentemente aproveitado em doentes com risco de infarto e AVE. É o que os leigos chamam de "afinar o sangue". Neste caso, o efeito colateral é benéfico. Mas essa inibição das plaquetas e da coagulação pode ser perigosa em doentes que se submeterão a cirurgias ou que apresentem algum traumatismo. Deve-se sempre suspender o AAS 7 dias antes das operações.

Os AINES são drogas seguras se administradas com indicação médica. O problema é que esta talvez seja a classe de drogas mais auto-prescrita pela população. Existem inúmeros efeitos colaterais e interações com outros medicamentos que devem ser levados em conta antes de tomá-los.

Além dos efeitos já descritos acima, também podem ocorrer:

Piora da hipertensão
Inibição da ação dos diuréticos
Piora da insuficiência cardíaca
Piora da função renal em pacientes com doença avançada de fígado
Síndrome nefrótica
Hepatite medicamentosa
Interação com Varfarina
Reação alérgica
Perda de audição nos idosos

Portanto, apesar de ser uma droga muito usada e segura, ela está longe de não apresentar complicações. Seu uso sem critérios pode levar a consequências graves.

Um dos mais famosos casos de pressão da indústria farmacêutica na aprovação de drogas aconteceu sobre os inibidores da COX2. Não havia estudos suficientes sobre efeitos colaterais e há suspeitas de ocultação de dados. Após ser lançada com grande repercussão pela pouca toxicidade gástrica, o Rofecoxib (VIOXX) foi retirado do mercado quando um estudo que tentava provar seu benefício no câncer de cólon, mostrou um aumento de infartos e AVCs nos pacientes que estavam tomando esta droga.

Pedro Pinheiro

Fonte: www.mdsaude.com

Anti-Inflamatórios

Enquanto a palavra inflamação é derivada do latim in significando "em" associado a flamma que significa "fogacho" (calor e rubor) + o sufixo ação (atividade), no termo anti-inflamatório é acrescentado o prefixo derivado do grego anti que significa "contra" a inflamação. Como a inflamação geralmente provoca o edema e outras alterações que afetam as terminações nervosas provocando a dor, a melhora da inflamação leve a moderada diminui a sensibilidade dolorosa, tendo os anti-inflamatórios, portanto, também ação analgésica. A palavra analgésico deriva de analgesia, do grego an que significa "sem", e, de algon, significando "dor".

A inflamação é desencadeada pela liberação de mediadores químicos originados nas células migratórias e nos tecidos lesados. A inflamação pode ser uma resposta protetora e normal quando causada por agentes microbiológicos, por substâncias químicas ou por trauma físico podendo ser benéfica. Entretanto, a inflamação pode ser também provocada impropriamente por um agente inócuo ou por doença auto-imune, como ocorre na Artrite Reumatóide, sendo lesiva ou deletéria. As doenças auto-imunes são provocadas pelo ataque do sistema imune do organismo a seus próprios tecidos, ou seja, são provocadas por respostas imunes inadequadas. Os mediadores químicos variam de acordo com o processo inflamatório. Os fosfolipídios das membranas plasmáticas liberados pela destruição das células (por exemplo, dos neutrófilos, e, dos monócitos) podem ser transformados no ácido araquidônico em seus derivados, quase sempre através de enzimas especificas, levando a formação de mediadores químicos que participam do processo inflamatório, conforme resumo do esquema no final desta Apostila. A escolha e a via de administração dos medicamentos analgésicos dependem da natureza e da duração da dor.

Geralmente, a dor leve e moderada é tratada com os fármacos anti-inflamatórios não esteróides denominados como AINEs (por exemplo, cefaléia, dismenorréia, dor articular e/ou muscular). A dor aguda intensa (devido a queimaduras, pós-operatórias, fraturas ósseas, câncer, artrite grave) é tratada com derivados da morfina, denominados opióides. A dor neuropática crônica (por exemplo, devido a amputação de extremidades) que não responde aos opióides é tratada com fármacos antidepressivos tricíclicos.

Mas, devido a possibilidade de efeitos adversos dos fármacos anti-inflamatórios, inicialmente, deve-se considerar as opções não farmacológicas para o tratamento de problemas músculoesqueléticos comuns, como a perda de peso (para pacientes que se encontram acima do peso), e, a fisioterapia.

ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO-ESTERÓIDES (AINEs) OU ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO HORMONAIS

Os AINEs correspondem ao grupo de fármacos que se apresentam quimicamente diferentes, inclusive diferem em suas atividades antipirética, analgésica e antiinflamatória, inibindo as enzimas da via cicloxigenase, sendo excelentes medicamentos para tratar os efeitos indesejáveis causados pela resposta inflamatória. Diminuem o edema, a hiperemia, a febre, a dor e a rigidez; com melhora substancial na qualidade de vida do paciente. Estes antiinflamatórios são utilizados em variadas formas de inflamações, seja traumáticas ou provocadas por diferentes patologias, por exemplo, a Osteoartrite e a Espondilite anquilosante. A expressão atividade antipirética tem sido mais indicada do que “antitérmica”, porque antipirética significa que o fármaco controla apenas o aumento patológico da temperatura, e, os AINEs não tem qualquer efeito sobre a hipertermia fisiológica, por exemplo, a hipertermia provocada por exercício violento.

Mas, apesar de geralmente seguros, podem levar a vários efeitos adversos, que variam desde uma simples dispepsia até a morte por uma úlcera perfurada ou hemorragia. Seu uso, portanto, deve ser criterioso e bem indicado para que possa proporcionar mais benefícios do que riscos ao paciente. Sua administração sempre deve ser monitorizada com exames laboratoriais complementares, com especial atenção à função hepática, renal e hemograma. Atualmente, tem sido recomendado o uso de AINE misturado com a refeição para evitar ou reduzir os efeitos colaterais gastrintestinais.

Os fármacos anti-inflamatórios não-esteróides são classificados em grupos de acordo com a substancia que levou aos respectivos derivados:

DERIVADOS DO ÁCIDO SALICÍLICO
DERIVADOS DA PIRAZOLONA
DERIVADOS DO PARA-AMINOFENOL
DERIVADOS DO ÁCIDO ACÉTICO
DERIVADOS DO ÁCIDO ENÓLICO
DERIVADOS DO ÁCIDO FENILANTRANÍLICO
DERIVADOS DO ÁCIDO PROPIÔNICO
INIBIDORES SELETIVOS DA ENZIMA
CICLOXIGENASE-2

Usos

Anti-inflamatório – antipirético – analgésico – aumenta ventilação alveolar (doses terapêuticas) – diminui a agregação plaquetária – prevenção da angina pectoris e do infarto do miocárdio – prevenção do câncer de colo e do reto.

A aspirina tem sido classificada por alguns autores como droga cardiovascular devido a importante ação antiplaquetária inibindo de forma irreversível a agregação plaquetária (acetila irreversivelmente a enzima cicloxigenase, único AINE que inibe a agregação plaquetária, e, a desgranulação de forma irreversível), diminuindo a incidência de angina pectoris, e, infarto do miocárdio em pacientes predispostos a estas doenças. Enquanto com os demais AINEs o efeito somente é mantido enquanto estes fármacos permanecem no plasma, com o uso da aspirina a recuperação da hemostasia normal depende da produção de novas plaquetas funcionantes, que ocorre após 7 a 10 dias (fato que deve ser lembrado antes de cirurgias). Estudos recentes têm verificado que doses de aspirina superiores a 325 mg provocam a inibição da síntese de prostaciclinas no endotélio, provocando, portanto, efeito contrário à prevenção do infarto agudo do miocárdio, pois, a prostaciclina inibe a agregação plaquetária, e, leva a vasodilatação.

O uso externo é indicado para hiperqueratoses, calos e erupções causadas por fungos.

Efeitos adversos:

Desconforto epigástrico – náuseas - vômitos – em infecções virais pode provocar em crianças < 2 anos a Síndrome de Reye, que consiste em hepatite fulminante associada a edema cerebral que pode levar ao óbito. (Usar em crianças o paracetamol) A aspirina é absorvida principalmente no meio ácido do estomago.

Não pode utilizar em pacientes hemofílicos ou que usam heparina ou anticoagulantes orais, devido a risco de hemorragias. A ingestão de salicilatos causa o prolongamento do tempo de sangramento. Este efeito é devido a acetilação irreversível da cicloxigenase plaquetária e à conseqüente redução da formação de tromboxana A2. Para a restauração da agregação plaquetária é necessária a produção de novas plaquetas contendo nova cicloxigenase. Deve-se tomar cuidado ao empregar os salicilatos em pacientes que apresentem lesões hepáticas, hipoprotrombinemia, deficiência de vitamina K, hemofilia ou quando tomam anticoagulantes orais. A inibição da hemostasia plaquetária pode resultar em hemorragia severa. Devido a possibilidade da trombocitopenia (diminuição da quantidade de plaquetas), e, risco de hemorragia, os salicilatos não devem ser administrados a pacientes que estejam com a suspeita da doença Dengue. Em homens, principalmente com idade superior a 30 anos tem ocorrido alguns casos de idiossincrasia com a aspirina como a crise asmática, embora ainda seja explicado este mecanismo, possivelmente, pode estar relacionado ao fato das prostaglandinas (principalmente a prostaciclina) sejam potentes broncodilatadores, ação inibida pela aspirina.

A aspirina e a doença Dengue

A doença Dengue é causada pelos quatros subtipos de Flavivírus. A doença pode ser do tipo clássica ou hemorrágica. Esta última se caracteriza por hemoconcentração e trombocitopenia, o que pode levar a um estado de choque e causar a morte do paciente. A forma clássica da doença apresenta um quadro mais leve (cefaléia, dor articular, lombalgia, e, outros) mas, também pode desenvolver hemorragias, por exemplo, gengivais ou epistaxe. Os salicilatos, como, por exemplo, o ácido acetilsalicílico, não devem ser utilizados no tratamento da doença Dengue por possuir propriedade antiagregante plaquetária. O ácido acetilsalicílico provoca a acetilação da enzima cicloxigenase plaquetária, inibindo a formação do tromboxano A2, o que leva a uma redução na formação de plaquetas, diminuindo, assim, a agregação plaquetária, portanto, podendo agravar o quadro de trombocitopenia, potencializando os riscos de hemorragias.

DERIVADOS DA PIRAZOLONA
FENILBUTAZONA (Butazolidina)
OXIFENILBUTAZONA (Febupen)
DIPIRONA ou METAMIZOL (Anador) (Baralgin) ((Novalgina) (Maxiliv)

Usos:

Potente ação antiinflamatória, mas são discretos como analgésicos e antipiréticos. Não devendo ser utilizados por mais de uma semana devido aos efeitos adversos. Alguns autores não consideram a dipirona como fármaco com potente ação antiinflamatória, referindo-se a este medicamento apenas como bom analgésico e antipirético devido a ação no SNC.

Administração: oral – retal – parenteral

Efeitos adversos:

Em metade dos pacientes tratados ocorre efeito adverso, pois, a fenilbutazona é transformada pelo fígado em oxifenilbutazona, e, ambas são lentamente excretadas pelo rim devido à ligação às proteínas plasmáticas. Provocam retenção de sódio, cloro e água ao nível renal, reduzindo o volume urinário e aumentando o volume plasmático, o que pode levar a alteração cardíaca.

Os efeitos adversos mais freqüentes são: náuseas, vômitos, erupções cutâneas e desconforto epigástrico. Pode também ocorrer diarréia, insônia, vertigem, visão turva, euforia ou nervosismo, e, hematúria. Reduz a captação de iodo pela tireóide podendo levar ao hipotireoidismo. Os efeitos mais graves são a agranulocitose e a anemia aplástica. Inclusive têm ocorrido casos de agranulocitose com o uso da dipirona (alguns autores denominam de metamizol) com doses baixas, assim como, após diversas semanas de tratamento ou quando volta a usar a medicação após a suspensão durante algum tempo. Tem sido criticado o uso da dipirona como analgésico, recomendando que somente deve ser utilizado em convulsões febris em crianças ou em doenças que provoque a febre, e, não seja possível controlar a febre por outro meio ou fármaco.

DERIVADOS DO PARA-AMINOFENOL

São considerados não-narcóticos porque não causam tolerância nem dependência física. PARACETAMOL OU ACETAMINOFENO (Tylenol) (Dôrico) (A FENACETINA pertence a esse grupo, mas, é considerada em desuso devido à toxicidade para o rim)

Usos:

Analgésico – antipirético. Utilizado em crianças em infecções virais (incluindo a catapora) pois, não provoca a Síndrome de Reye.

Pode ser usado em pacientes com a doença Gota.

Apresenta fraca ação anti-inflamatória porque em tecidos periféricos tem menor efeito sobre a
cicloxigenase (alguns autores não consideram o paracetamol como AINE verdadeiro), mas, no
SNC tem ação efetiva sendo utilizado como analgésico e antipirético.

Não apresentam também ação plaquetária e nem tem efeito no tempo de coagulação, e,
apresenta a vantagem sobre a aspirina de não ser considerada irritante para o trato
gastrintestinal.

A via de administração é oral.

Efeitos adversos:

Em doses terapêuticas são mínimos os efeitos adversos, como erupções cutâneas e reações
alérgicas que raramente ocorrem.

A longo prazo pode provocar necrose tubular renal e coma hipoglicêmico. O risco mais grave ocorre com doses altas que pode provocar a hepatoxicidade e levar ao óbito (devido a reações bioquímicas reagindo com os grupamentos sulfidrila das proteínas hepáticas formando reações covalentes, o que leva a formação do metabólito Nacetilbenzoquinona).

Os sintomas da toxicidade do paracetamol são:

Náuseas, vômitos, dores abdominais, sonolência, excitação, e, desorientação. Em casos de uso de doses altas, dentro de dez horas após a administração do paracetamol, a administração de N-acetilcisteína pode ser salvadora, pois, a N-acetilcisteína contém grupamentos sulfidrila aos quais o metabólito tóxico pode ligar-se.

DERIVADOS DO ÁCIDO ACÉTICO (ou arilacético)

INDOMETACINA (Indocid)
ACECLOFENACO (Proflam)
SULINDACO (Clinoril)
DICLOFENACO (Voltaren) (Cataflam)

Usos:

Potente anti-inflamatório (mais do que a aspirina) – em casos agudos dolorosos como artrite gotosa aguda, espondilite anquilosante e osteoartrite coxo-femural, controle da dor associada a uveíte e/ou pós-operatório de cirurgia oftalmológica.

Em neonatos prematuros a indometacina tem sido utilizada para acelerar o fechamento do ducto arterioso patente.

(Geralmente, não deve usado para baixar a febre, exceto quando a febre é refratária a outros antipiréticos como na Doença de Hodgkin) A via de administração é oral ou retal.

Efeitos adversos:

Metade dos pacientes tratados apresentam efeitos adversos, como: náuseas, vômitos, anorexia, diarréia e dor abdominal, podendo levar a ulceração do trato gastrintestinal (TGI), inclusive perfuração e hemorragia. No SNC pode provocar a cefaléia frontal, tontura, vertigem e confusão mental. O uso prolongado de indometacina e fenilbutazona em pacientes acometidos pela osteoartrose no quadril pode levar à necrose asséptica na cabeça femural. Embora raramente, pode também ocorrer pancreatite aguda, hepatite, icterícia, neutropenia, trombocitopenia, e, anemia aplásica.

Como interações medicamentosas, a indometacina pode reduzir o efeito anti-hipertensivo de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (por exemplo, o captopril), da prazosina, da hidralazina, do propranolol, e, da ação de diuréticos como da furosemida e da hidroclorotiaziada. O uso de penicilinas (em geral) pode aumentar a toxicidade da indometacina.

DICLOFENACO (Voltaren) (Cataflam)

Também é um derivado do acido acético, e, tem atividade analgésica, antipirética e antiinflamatória, sendo útil para o tratamento de curta duração das lesões musculoesqueléticas agudas, das tendinites, das bursites, da dor do pós-operatório e da dismenorréia, e, pode ter uso crônico em pacientes com Artrite Reumatóide, Osteoartrite e Espondilite anquilosante. Além da via oral e retal, também é usado por via oftálmica. Cerca de 40 a 50% do diclofenaco são biotransformadas na primeira passagem pelo fígado (meia-vida curta) em 4-hidroxidiclofenaco que tem fraca ação antiinflamatória, embora a concentração nos locais inflamados tenha a duração de 12 a 24 horas. Assim, pela via de administração intramuscular, o fármaco alcança maior concentração sistêmica, e, no local da inflamação. Alguns estudos indicam que o diclofenaco potássico (sal potássico) tem ação mais rápida (sendo inclusive mais indicado para a dismenorréia), e, que o diclofenaco sódico (sal sódico) tem ação mais duradoura. Por via oral, o diclofenaco tem melhor absorção na presença de alimentos.

Efeitos adversos

Apresenta efeitos gastrintestinais semelhantes aos demais AINEs, e, pode provocar aumento dos níveis de enzimas hepáticas.

A necrose tecidual local induzida pela aplicação intramuscular de certos fármacos, como os antiinflamatórios não esteroidais (incluindo o diclofenaco), e, as penicilinas, é denominada Síndrome de Nicolau. Trata-se de uma dermatite de observação pouco freqüente, descrita inicialmente por Nicolau em referência a injeção intra-arterial acidental de sais de bismuto em suspensão oleosa, na era pré-penicilínica, para o tratamento da sífilis. Posteriormente, foram descritos casos relacionados à aplicação de outros fármacos distintos do bismuto. Embora sua etiologia não esteja completamente elucidada, a Síndrome de Nicolau, muitas vezes está associada à injeção intra-arterial acidental do medicamento. Os sintomas e sinais clínicos da Síndrome incluem dor imediata no local da aplicação, seguida de escurecimento, e, edema; sintomas de embolia arterial ocorrem nas extremidades inferiores, podendo evoluir para necrose; alguns pacientes podem desenvolver complicações graves, incluindo septicemia, e, coagulação intravascular disseminada. Acidentes isquêmicos após injeções intramusculares não são raros e, devido à relativa ineficácia das medidas terapêuticas existentes, os efeitos podem ser graves, e, mutilantes.

Em pesquisa na literatura, foram encontrados 33 casos descritos de Síndrome de Nicolau relacionados ao diclofenaco intramuscular. Destes casos, dezesseis ocorreram no Brasil, 22 após a administração de apenas uma dose de 75 mg (uma ampola); 19 envolveram a região glútea, e, quatro pacientes faleceram em decorrência da reação. Os prescritores devem avaliar cuidadosamente a relação risco/benefício antes de indicarem o uso do diclofenaco intramuscular. Este medicamento não deve ser usado para condições triviais ou quando a administração oral for possível. A via retal (supositórios) deveria ser considerada como primeira alternativa, antes da via intramuscular, quando o alívio da dor for inadequado pela via oral. Reações adversas sérias são menos comuns com o uso da via retal.

Interações medicamentosas do diclofenaco:

Aumenta o efeito dos anticoagulantes orais, e, da heparina, e, aumenta a toxicidade da digoxina, do lítio, e, dos diuréticos poupadores de potássio. Diminui o efeito terapêutico de outros diuréticos. Pode aumentar ou diminuir os efeitos de hipoglicemiantes orais.

DERIVADOS DO ÁCIDO ENÓLICO ou OXICAMS:

PIROXICAM (Feldene)(Inflamene)
TENOXICAM (Tilatil)(Tenotec)(Tenoxen)
MELOXICAM (Inicox) (Meloxil) (Movatec) (Leutrol)
BETA-CICLODEXTRINA-PIROXICAM (Brexin) (Flogene)(Cicladol)

Possui a vantagem de ter a meia-vida mais longa, e, apenas cerca de 20% dos pacientes apresenta efeitos adversos, entretanto, aumenta o tempo de coagulação e pode interferir na eliminação renal de lítio. O piroxicam tem a meia-vida de 50 horas (faixa de 30 a 86 horas), o tenoxicam tem a meia-vida plasmática de 70 horas, e, o meloxicam tem a meia-vida de cerca de 20 horas. Além de serem usado para o tratamento das doenças inflamatórias, principalmente o piroxicam é também utilizado no tratamento das lesões musculoesqueléticas, na dismenorréia, na dor do pós-operatório. O piroxicam e o tenoxicam podem levar as interações medicamentosas semelhantes as que ocorrem com o diclofenaco, mas, o meloxicam não interage com a maioria dos medicamentos que interagem com o diclofenaco, como a digoxina, furosemida e outros.

DERIVADOS DO ÁCIDO FENILANTRANÍLICO:

ÁCIDO MEFENÂMICO (Ponstan)
O principal uso tem sido na dismenorréia devido a ação antagonista nos receptores da PGE2 e
PGF2alfa.

A via de administração é oral.

A limitação tem sido a diarréia e inflamações intestinais, e, tem sido relatados casos de
anemia hemolítica.

DERIVADOS DO ÁCIDO PROPIÔNICO (ou ácido fenilpropiônico):

NAPROXENO (Naprosyn)(Flanax) - IBUPROFENO (Artril)(Artrinid)(Dalsy)
CETOPROFENO (Profenid) – FLURBIPROFENO (Ocufen) (Targus)
INDOPROFENO (Flosin) – FLURBIPROFENO (Ocupen) (Targus)
FENOPROFENO (Algipron) (Trandor) – LOXOPROFENO (Loxonin)
PRANOPROFENO (Difen)

Usos:

Apresentam potência semelhante à indometacina como anti-inflamatório, analgésico e antipirético, e, a baixa toxicidade leva a melhor aceitação por alguns pacientes, com menor incidência de efeitos adversos do que a aspirina e a indometacina. O naproxeno sódico é absorvido mais rapidamente, e, o pico da concentração plasmática ocorre em período mais curto do que a forma não sódica. Alteram a função plaquetária e o tempo de sangramento, especialmente o naproxeno. Não alteram os efeitos dos hipoglicemiantes orais.

Vias de administração

Oral – retal – parenteral – transdérmica. Efeitos adversos: Semelhantes aos da aspirina, porém em incidência muito menor. Pode reduzir o efeito anti-hipertensivo de diuréticos tiazídicos, de alça (furosemida), de agentes beta-bloqueadores, e, de inibidores de ECA.

INIBIDORES SELETIVOS DA ENZIMA CICLOXIGENASE-2:

NIMESULIDA (Nisulid) (Scaflam) – CELECOXIB (Celebra)
ETORICOXIB (Arcoxia) – VALDECOXIB (Bextra)

Estes fármacos têm a ação específica sobre a enzima cicloxigenase-2 (COX-2) sendo também conhecidos como coxibes.

Usos:

Antiinflamatórios – analgésicos – antipiréticos

Devido a ação seletiva sobre a cicloxigenase-2, a incidência de efeitos gastrintestinais é inferior a 20% dos casos, entretanto, os coxibes não são mais eficazes como antiinflamatório e analgésico do que os AINEs convencionais, e, não tem ação plaquetária, portanto, não podem substituir a aspirina na prevenção de doença coronariana, pois, não reduzem a produção endógena do tromboxano A2, que é o principal produto da enzima COX-1 plaquetária, causando a agregação plaquetária, vasoconstrição e proliferação vascular.

No ano de 2004, o fabricante do Rofecoxib (Vioxx) retirou do mercado este medicamento devido à incidência de efeitos adversos tromboembólicos graves (infarto agudo do miocárdio, e, AVC isquêmico), e, estudos recentes têm demonstrado que a COX-2 é a principal geradora da prostaciclina (uma das prostaglandinas) no endotélio que inibe a agregação plaquetária, causa a vasodilatação, e, inibe a proliferação de células do músculo liso vascular (in vitro). Assim, a inibição da síntese da prostaciclina (provocada por estes inibidores da COX-2) pode levar ao aumento da pressão arterial, e, aceleração da aterogênese (devido a ação do tromboxano que tem a produção estimulada enzima COX-1 e que não é inibida pelo coxibe), sendo recomendada cautela com o uso dos demais fármacos deste grupo. O alto custo também tem limitado o uso destes medicamentos.

FÁRMACOS ÚTEIS NO TRATAMENTO DA ARTRITE REUMATÓIDE (Fármacos anti-inflamatórios de ação lenta).

Quando não se consegue controlar a inflamação ou não são bem tolerados os AINE, usamos outros medicamentos são utilizados os fármacos de ação lenta no tratamento da artrite reumatóide. Geralmente, o inicio de ação ocorre depois de 3 a 4 meses de uso, tendo ação protetora e gradual, e, não atuam sobre os derivados do ácido araquidônico, portanto, não possuem atividade analgésica e nem são primariamente anti-inflamatórios.

Os principais fármacos que fazem parte deste grupo, são: Sais de ouro – cloroquina – hidroxicloroquina – D-penicilamina – metotrexato

SAIS DE OURO:

AURANOFINA (Ridaura) – com 29% de ouro – uso oral

AUROTIOGLICOSE (Solganal) – com 5% de ouro – uso IM

TIOMALATO SÓDICO DE OURO (Myochrysine) – com 50% de ouro – uso IM

São captados pelos macrófagos suprimindo a fagocitose, e, a atividade enzimática dos lisossomas o que retarda o progresso da destruição articular e óssea.

Usos:

Na artrite reumatóide que não responde aos AINEs, especialmente nos casos de progressão rápida e em fases precoces.

Efeitos adversos:

Dermatite cutânea ou de mucosa, principalmente oral. Proteinúria, nefrose, e, raramente
agranulocitose e anemia aplásica.

São contra-indicados em pacientes grávidas e/ou com comprometimento hepático ou renal.

CLOROQUINA (Palustar)(Diclokin) - HIDROXICLOROQUINA (Plaquinol)

Inibem a síntese de ácidos nucléicos, estabilizam a membrana dos lisossomas e aprisionam radicais livres.

Usos

Na artrite reumatóide que não respondem aos AINEs isoladamente, podendo ser usados juntamente com AINEs. Retardam o progresso das lesões erosivas ósseas, podendo proporcionar a remissão dos sintomas.

São fármacos utilizados principalmente no tratamento da malária.

D-PENICILAMINA (Cuprimine)

Consiste em um análogo do aminoácido cisteína que retarda o progresso da destruição óssea e da artrite reumatóide, inclusive os níveis do fator reumatóide (Ig M) diminuem com a sua administração. Usada quando fracassa os sais de ouro, e, antes de tentar o uso de corticosteróides. A D-penicilamina também é usada no tratamento de envenenamento por metais pesados. Uso oral. Efeitos adversos: Erupções dermatológicas, nefrite, anemia aplásica.

METOTREXATO (Methotrexate)

Trata-se de um imunossupresor utilizado em artrite reumatóide grave sem resposta adequada aos AINEs, e, a pelo menos um dos agentes de ação lenta. Quimioterápico utilizado em alguns tipos de neoplasias malignas. A resposta ao metotrexato ocorre em 3 a 6 semanas após o inicio do tratamento. Uso oral e parenteral

Efeitos adversos:

Ulcerações de mucosas e náuseas. Com a administração crônica pode ocorrer leucopenia, e cirrose hepática, e, pode constituir risco de recidiva da tuberculose.

FÁRMACOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DA DOENÇA GOTA

Os fármacos utilizados no tratamento da doença Gota são: Colchicina – alopurinol - probenecida e sulfinpirazona.

COLCHICINA (Colchis)

Consiste em um alcalóide que diminui a migração de granulócitos para a área afetada (inibe a migração de neutrófilos), bloqueia a divisão celular, e, inibe a liberação de leucotrienos.

A colchicina é extremamente tóxica se administrada de maneira inadequada devido aos seguintes fatores:

Tem a capacidade de inibir as células mitóticas na metáfase, sendo principalmente afetadas as células em divisão rápida, como as da pele, do cabelo, e, da medula óssea;

Pode também afetar o sistema endócrino, assim como outros sistemas regulados pelo sistema nervoso autônomo devido diminuir a atividade das células secretoras, e, inibir o movimento das substancias secretadas para fora das células.

Usos:

Específica para a doença Gota, serve como teste diagnóstico, e, deve ser usada somente no tratamento das crises agudas, não devendo ser utilizada como terapia profilática. A via de administração é oral.

Efeitos adversos:

Náuseas, vômitos, dor abdominal e diarréia. A administração crônica pode levar a miopatia, agranulocitose, alopecia, e, anemia aplásica.

ALOPURINOL (Zyloric)

É um análogo da purina que reduz a produção de ácido úrico inibindo a ação da enzima xantina-oxidase (enzima fundamental para o catabolismo da hipoxantina, e, da xantina que leva a formação do ácido úrico).

Usos:

Na hiperuricemia devido a Gota ou provocada por certas neoplasias ou com doença renal que
em ocorrem grande produção de purinas.

Na Gota, inicialmente deve associar a colchicina e AINEs.

Efeitos adversos:

Náuseas, dor abdominal, diarréia, e, posteriormente, (não muito freqüente) erupções cutâneas.

PROBENECIDA e SULFINPIRAZONA

Promovem a excreção de uratos bloqueando a reabsorção de ácido úrico no túbulo proximal. A probenecida é também usada para aumentar os níveis da penicilina, e, inibe também a eliminação de naproxeno, cetoprofeno e indometacina.

Os efeitos adversos são: Dor abdominal e desconforto gástrico.

Edilberto Antonio Souza de Oliveira

Fonte: www.gruponitro.com.br

Anti-Inflamatórios

Os analgésicos de venda livre (sem prescrição médica), como a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno, o naproxeno e o paracetamol (acetaminofeno) são seguros se administrados durante períodos breves. Todos, excepto o paracetamol, reduzem também a inflamação e estão catalogados como fármacos anti-inflamatórios não esteróides (AINE). Os seus rótulos aconselham evitar o seu uso durante mais de 7 a 10 dias. Deve consultar-se o médico se os sintomas piorarem ou não desaparecerem.

Aspirina

O analgésico de venda sem prescrição médica mais antigo e barato é a aspirina (ácido acetilsalicílico). A aspirina e outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides bloqueiam o enzima cicloxigenase, que é crucial para a criação de prostaglandinas. As prostaglandinas são substâncias semelhantes às hormonas, que alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos, elevam a temperatura corporal como resposta à infecção e desempenham um papel crucial na coagulação do sangue, para além de outros efeitos. A libertação no organismo de prostaglandinas, como resposta a uma lesão (queimadura, ruptura, entorse ou distensão muscular) produz inflamação, avermelhamento e inchaço.

Dado que as prostaglandinas desempenham um papel protector do aparelho digestivo contra o ácido gástrico, tomar aspirina ou um fármaco similar pode causar perturbações gastrointestinais, úlceras e hemorragias. Todos os fármacos anti-inflamatórios não esteróides, incluindo a aspirina, podem causar acidez, indigestão e úlceras pépticas.

Os compostos com tampões podem diminuir os efeitos irritativos directos da aspirina. Estes produtos contêm um antiácido, que cria um meio alcalino que intensifica a dissolução da aspirina e pode reduzir o tempo durante o qual a aspirina está em contacto com o estômago. No entanto, dado que o tampão não pode contrariar a redução das prostaglandinas, a aspirina pode ainda irritar o estômago.

A aspirina com invólucro entérico foi fabricada para passar intacta através do estômago e dissolver-se no intestino delgado, minimizando a irritação directa. No entanto, a aspirina revestida deste modo é absorvida irregularmente. É provável que a ingestão de alimentos retarde o esvaziamento do estômago e, portanto, atrase a absorção deste tipo de aspirina e o alívio da dor.

Dado que a aspirina pode interferir na coagulação do sangue, os doentes que a tomam apresentam um risco maior de hemorragias. As pessoas que se lesionam com facilidade são especialmente vulneráveis. Qualquer doente com processos hemorrágicos ou pressão arterial elevada não controlada deve evitar a aspirina, excepto sob vigilância médica. Se se usarem simultaneamente aspirina e anticoagulantes (como a varfarina) pode provocar-se uma hemorragia grave. De modo geral, a aspirina não deve ser administrada durante a semana anterior a uma intervenção cirúrgica.

A aspirina também pode agravar a asma. Os doentes que sofrem de pólipos nasais têm tendência para desenvolver asma se tomarem aspirina. A alergia à aspirina pode produzir erupções cutâneas ou dificuldades graves na respiração. Em doses elevadas, a aspirina pode causar zumbidos nos ouvidos.

As crianças e os adolescentes que têm ou podem ter gripe ou varicela não devem tomar aspirina porque podem desenvolver a síndroma de Reye. Apesar de ser pouco frequente, a síndroma de Reye pode ter consequências graves, inclusive a morte. (Ver secção 23, capítulo 263).

Ibuprofeno, quetoprofeno e naproxeno

Em alguns países, o ibuprofeno foi reclassificado, passando de fármaco com prescrição médica a fármaco de venda livre, sem prescrição. O ibuprofeno com prescrição médica apresenta-se em comprimidos de 300, 400, 600 e 800 miligramas; o ibuprofeno sem prescrição só está disponível em comprimidos de 200 miligramas.

O quetoprofeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição médica. O quetoprofeno com prescrição apresenta-se em cápsulas de 25, 50 e 75 miligramas e em cápsulas de libertação prolongada de 100 miligramas. O quetoprofeno sem prescrição médica só está disponível numa apresentação de 25 miligramas.

O naproxeno também foi aprovado como fármaco sem prescrição. O naproxeno com prescrição médica apresenta-se em fórmulas de 250, 375 e 500 miligramas. O naproxeno sem prescrição só está disponível na fórmula de 200 miligramas. A posologia e o modo de administração para o naproxeno sem prescrição médica recomendam que não se exceda a dose de 3 drageias cada 24 horas, salvo indicação médica. Os adultos com mais de 65 anos não devem tomar mais de uma drageia, de 12 em 12 horas, a menos que o médico indique o contrário.

De um modo geral, julga-se que o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno são mais suaves para o estômago do que a aspirina, embora poucos estudos tenham na realidade comparado estes fármacos. O ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno podem causar indigestão, náuseas, diarreia, acidez, dor de estômago e úlceras tal como a aspirina. Outros efeitos adversos incluem sonolência, vertigem, zumbidos nos ouvidos, perturbações visuais, retenção de água e dificuldades respiratórias. Embora o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno não prejudiquem mais a coagulação do sangue do que a aspirina, não se devem combinar com anticoagulantes como a varfarina, excepto sob estrita vigilância médica. Do mesmo modo, o controlo médico é necessário antes de administrar o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno a indivíduos com problemas renais ou hepáticos, insuficiência cardíaca ou tensão arterial elevada.

Alguns fármacos prescritos para o coração e para a pressão arterial não actuam tão bem se forem combinados com esses anti-inflamatórios. Os indivíduos que tomam bebidas alcoólicas regularmente podem correr maior risco de afecção do estômago, úlceras e disfunção hepática.

Os doentes alérgicos à aspirina também podem sê-lo ao ibuprofeno, ao quetoprofeno e ao naproxeno. As erupções cutâneas, picadas ou dificuldades de respiração requerem uma atenção médica imediata.

Paracetamol (acetaminofeno)

Comercializado, orginariamente, para a dor e a febre nas crianças, o paracetamol tornou-se um fármaco sem prescrição médica. O paracetamol é mais ou menos comparável à aspirina no seu potencial analgésico e acção antipirética, mas tem uma menor actividade anti-inflamatória que a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno. A via de actuação do paracetamol ainda não é conhecida com exactidão.

Novas investigações sugerem que o paracetamol proporciona, com frequência, alívio contra as dores da artrose. Num dos estudos, o paracetamol foi tão eficaz como o ibuprofeno em aliviar os sintomas de artrite no joelho. O paracetamol apresenta poucos efeitos adversos no estômago. Os doentes que não toleram a aspirina, o ibuprofeno, o quetoprofeno e o naproxeno, toleram, com frequência, o paracetamol. A ausência de complicações no estômago levou alguns a considerar que o paracetamol não tem efeitos adversos. No entanto, se for administrado em doses elevadas durante períodos prolongados, podem correr-se alguns riscos, como, por exemplo, perturbações renais. O uso regular de outros fármacos anti-inflamatórios não esteróides, excepção feita à aspirina, pode aumentar também o risco de doenças renais.

Uma sobredosagem de mais de 15 g de paracetamol pode produzir uma lesão hepática irreversível. Doses menores durante períodos prolongados de tempo não implicam lesões graves do fígado. Os consumidores de quantidades importantes de álcool apresentam maior risco de afecções hepáticas pelo uso exagerado de paracetamol. O jejum pode contribuir para a lesão hepática. É necessária uma investigação adicional, mas as observações até agora sugerem que as pessoas que tomam paracetamol e deixam de comer por causa de um forte resfriado ou de uma gripe podem apresentar lesões do fígado.

Muitos produtos de venda sem prescrição médica, como os remédios contra alergias, resfriados, tosse, gripe, dor e sinusite contêm paracetamol. Deve-se evitar tomar simultaneamente vários fármacos que contenham paracetamol.

Considerações para a reclassificação de um fármaco

Margem de segurança Que efeitos prejudiciais pode um fármaco causar?
A administração do produto requer a assistência de um profissional de saúde?
O produto pode ter efeitos nocivos (incluindo os produzidos por uso errado)?
O produto pode criar dependência?
Que probabilidade tem o produto de gerar abuso?
A venda do fármaco sem receita oferece mais benefícios do que riscos?
Facilidade de diagnóstico e de tratamento É simples o autodiagnóstico?
A afecção pode ser tratada sem assistência médica?
Instruções Podem escrever-se instruções adequadas para o uso do produto?
Podem escrever-se advertências sobre o mau uso?
As instruções são compreensíveis por qualquer pessoa?

Alguns analgésicos de venda sem prescrição

Alguns analgésicos de venda sem prescrição
Concentração do componente (mg= miligramas) Usos Problemas possíveis
Produtos que contêm aspirina
165 mg de aspirina Diminuição do risco de enfarte cardíaco Irritação e hemorragia gastrointestinal devido ao uso prolongado, zumbido nos ouvidos (tinnitus), reacção alérgica em pessoas predispostas, complicações do parto em mulheres grávidas, síndroma de Reye em crianças e adolescentes com varicela e gripe.
650 mg de aspirina Dor e inflamação
325 mg de aspirina Febre, dor, inflamação
500 mg de aspirina Febre, dor, inflamação
227.5 mg de aspirina Febre, dor desde ligeira a moderada
81 mg de aspirina Febre, dor
81 mg de aspirina Diminuição do risco de enfarte cardíaco
Produtos que contêm ibuprofeno, quetoprofeno ou naproxeno
200 mg ibuprofeno Febre, inflamação, dores menstruais, dor desde ligeira a moderada Irritação do tubo digestivo, úlceras por uso prolongado, lesões do rim em pessoas mais velhas e propensas, reacções alérgicas em pessoas sensibilizadas.
220 mg ibuprofeno Febre, dor desde ligeira a moderada, inflamação, dores menstruais
25 mg ibuprofeno Febre, dores ligeiras a moderadas, inflamação, dores menstruais
Produtos que contêm paracetamol (acetaminofeno)
325 mg paracetamol Febre, dor desde ligeira a moderada Lesões do fígado causadas por doses elevadas e repetidas ingeridas com o estômago vazio ou com álcool, risco de problemas renais por uso prolongado, reacção alérgica em sujeitos predispostos.
80 mg paracetamol Febre, dor de cabeça ou outra dor ligeira
500 mg paracetamol Febre, dor desde ligeira a moderada
160 mg paracetamol Febre, dor desde ligeira a moderada
Produtos que contêm salicilato
870 mg salicilato de colina/5 mililitros Dores artríticas, inflamação Zumbido nos ouvidos (tinnitus).
467 mg salicilato de magnésio Dor desde ligeira a moderada
580 mg salicilato de magnésio Dor desde ligeira a moderada
325 mg salicilato de magnésio Dor desde ligeira a moderada

Fonte: www.manualmerck.net

Anti-Inflamatórios

Os antiinflamatórios são medicações extremamente utilizadas, pela sua eficácia em tratar dor e inflamação.

Entre os antiinflamatórios mais conhecidos estão o diclofenaco, o ibuprofeno, a indometacina, a nimesulida, o cetoprofeno e o etodolaco.

Anti-Inflamatórios

Como os antiinflamatórios agem? Isso foi descoberto em 1970, quando se revelou o mecanismo de ação da aspirina, da qual todas essas medicações são derivadas. Estes compostos inibem uma enzima, a ciclooxigenase (COX) que faz a produção de substâncias que causam inflamação, as prostaglandinas. Este mesmo mecanismo é responsável pelos efeitos colaterais dos antiinflamatórios, pois as prostaglandinas também são necessárias para funções vitais do corpo, como a proteção do estômago contra a acidez e a circulação sangüínea renal.

Não é de espantar, portanto, que a grande preocupação como uso crônico destas medicações era relacionada com perfurações, úlceras e sangramentos estomacais. No início da década de 90, as complicações gástricas dos antiinflamatórios matavam mais do que algumas formas de câncer nos Estados Unidos.

Por este motivo, procurou-se descobrir medicações que inibissem somente a enzima presente na inflamação e não aquela presente no estômago. Estes compostos foram descobertos e comprovou-se que realmente a chance de lesão gástrica era bem menor com os mesmos. Estes compostos são o celecoxib, o valdecoxib, o etoricoxib, o rofecoxib e o lumiracoxib. Porém, descobriu-se que inibir só um tipo de enzima apresentava, em alguns remédios, um efeito inesperado – uma maior chance de infarto – e por este motivo uma dessas medicações, o rofecoxib (VIOXX), foi retirado do mercado.

Como que está o uso de antiinflamatórios após esta descoberta? Em primeiro lugar, deve-se ter em conta que na Fibromialgia, não há ativação da COX e liberação de prostaglandinas, então o uso contínuo de antiinflamatórios habitualmente não é recomendado nesta condição. Alguns pacientes podem ter um alívio da dor por um efeito analgésico geral, mas são uma minoria. Se o uso contínuo destas medicações for necessário, deve-se analisar dois aspectos básicos: risco gástrico e risco cardiovascular. Os COXIBS devem ser mais usados nos pacientes que apresentam risco para úlcera, como os idosos, os que usam corticosteróides e que já tenham história prévia de úlcera ou gastrite graves.

Já as pessoas que tem risco cardiovascular elevado, como infartados, diabéticos e hipertensos devem evitar os COXIBS e usar os antiinflamatórios tradicionais. Se o risco de úlcera também estiver presente, medicações que diminuam a acidez de estômago devem ser tomadas concomitantemente. Em qualquer situação, o uso crônico deve ser acompanhado por um médico, para a monitorização de complicações.

Eduardo S. Paiva

Fonte: www.fibromialgia.com.br

Anti-Inflamatórios

Diante de um estimulo traumático (conjunto de problemas e lesões de um tecido, órgão ou parte do corpo provocado por um agente externo, uma queda ou queimadura, por exemplo), de origem física ou química, a lesão, por si mesma, inicia a produção da defesa do organismo. Tudo começa com a ativação de uma substância normalmente inativa no sangue (Fosfolipase A2). Esta, uma vez ativada, se divide em diversas partes originando outra substância química (ácido aracdônico). As estimulações e respostas químicas não param aí. Outras reações químicas, progressivamente, – tudo devido à lesão da queda ou queimadura – vão acontecendo até ocorrer a formação de substâncias relacionadas (produtoras) das inflamações, dor, febre e, também, de processos alérgicos (leucotrienos). As estimulações e respostas das substâncias umas nas outras originam substâncias produtoras da dor, inflamações e febre. Concluindo: os remédios denominados anti-inflamatórios (aspirina, dipirona e dezenas de outros) nada mais são do que drogas (medicamentos) que, por diversos mecanismos bioquímicos, alteram (inibindo) o processo inflamatório, térmico e doloroso iniciado a partir do estímulo traumático descrito.

Tipos de anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios podem ser divididos em 3 grupos: os esteróides, os não esteróides (AINEs) e os Coxibs ou Coxibes (também não-esteróides). A diferença entre os anti-inflamatórios está relacionada quanto a sua maneira de atuar no tecido lesado (inflamado).

Anti-inflamatórios esteróides

Sinônimos: corticóides, corticosteróides, cortisona. Os corticóides apresentam um elevado poder anti-inflamatório e analgésico, contudo têm muitos efeitos colaterais, em especial, quando usados por longos períodos. Entre outros, ocorrem os seguintes efeitos: retenção de líquidos, aumento da pressão arterial, alterações metabólicas diversas, etc. Os anti-inflamatórios esteróides podem ser usados na forma oral, injetável, retal ou tópica.

Anti-inflamatórios não esteróides (AINEs)

Os anti-inflamatórios não-esteróides são indicados para alívio sintomático de processos crônicos ou agudos caracterizados por dor e inflamação, por exemplo: Doenças reumatológicas: Artrite reumatóide; Osteoartrite; Atrofias inflamatórias: Espondilite anquilosante; Artrite psoriásica; Síndrome de Reiter ; Gota em estados agudos; Dor menstrual; Dor de cabeça e enxaqueca; Dor pós-cirurgia; Dor óssea metastática; Dor leve e moderada por inflamação ou lesões (torceduras, (etc.); Febre; Cólica nefrítica; síndrome dolorosa da coluna vertebral; osteoartrose.

Em ginecologia indicam-se os AINEs como o naproxen ou ácido mefenámico para reduzir a perda de sangue nas mulheres com metrorragia: em odontologia os AINEs são indicados para aliviar a dores leves ou moderadas e após intervenções dentais. Os AINEs também poden ser receitadas para pacientes com dor orofacial crônica (sinovite).

Algumas vantagens das AINEs consistem em não produzir depressão respiratória, dependência psíquica e nem física e, ainda, não desenvolver tolerância.

O velho problema do mal uso

Os anti-inflamatórios não-esteróides são os mais comercializados, pois além de não exigirem receita médica, costumam ter preços baixos (aspirina, dipirona, etc.). Toneladas de anti-inflamatórios são consumidas por ano.

No amplo arsenal terapêutico, os anti-inflamatórios não-esteróides (ou AINEs) ocupam um lugar de grande importância. Esses remédios são usados cronicamente em muitas doenças, às vezes por toda a vida, como, por exemplo, na artrite reumatóide, osteartrite, espondilite anquilosante, entre outras.

Existe uma alta prevalência de doenças reumáticas no mundo, aproximadamente 8% da população já teve, no mínimo, uma síndrome reumática alguma vez. Infelizmente pouco se sabe sobre quais anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) seriam corretamente necessários para um ótimo tratamento dessas afecções. Foi observado que 8 medicamentos AINEs são utilizados em 70% das prescrições e 14 são usados em 90% dos receituários.

Acredita-se que bastavam 10 ou 15 medicamentos anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) para suprir as necessidades de todos os pacientes do mundo. A ciência continua à procura do analgésico ideal, isto é, o que apresenta grande potência, efeitos indesejáveis mínimos e baixo custo. Tal desejo anda não foi realizado.

Esta família de medicamentos, que engloba dezenas de substâncias, continua aumentando. Novos remédios entram no mercado continuadamente. Entretanto, todos eles atuam de modo semelhante aos antigos. Além disso, um mesmo medicamento produz respostas (efeitos) diferentes para pacientes distintos. O médico e o cliente devem considerar sempre o custo X benefício, principalmente quando o medicamento é recém-lançado, logo, pouco conhecido.

As vantagens dos anti-inflamatórios são: alto poder analgésico, número reduzido de tomadas por dia e baixo custo. Infelizmente, os efeitos colaterais destas substâncias podem ser graves: gastrite medicamentosa, lesões renais, hepáticas, infarto e muitos outros.

A ideia de que a administração via injetável diminui a gastrite é incorreta, pois a dor sentida está diretamente ligada ao tipo de substância e seu poder irritativo. O medicamento, uma vez injetado, circulará (viajará) através do sangue para todas partes do organismo e, evidentemente, atingirá também o estômago.

As drogas analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias não-esteróides (AINEs) formam um grupo de agentes de estrutura químicas bem diferentes. Essas substâncias ativas têm como efeito fundamental impedir que o nosso organismo sintetize (produza) a prostaglandina, O processo é realizado através da inibição da enzima cicloxigenasa.

Caro leitor, não há nenhuma necessidade de você aprender esses nomes estranhos para compreender como agem os AINEs. Os remédios anti-inflamatórios produzem ações químicas boas e más no organismo, isto é, benéficas e maléficas. O paciente, ao usar o remédio, receberá os dois efeitos ao mesmo tempo, bons e ruins. O modo de agir dessas inúmeras substâncias é muito parecido: todas agem (atuam, exercem uma atividade) de modo muito semelhante à aspirina.

Por isso esta substância – conhecida de todos vocês – tem sido considerada como o protótipo (exemplo, modelo) de todos anti-inflamatórios não-esteróides. De outro modo, comparam-se os valores dos outros anti-inflamatórios confrontando-os com as vantagens e desvantagens da aspirina. Muitos chamam os outros anti-inflamatórios de “drogas tipo aspirina”, Outra denominação comum para este grupo de fármacos é o de “AINEs” (anti-inflamatórios não-esteróides) e drogas “anticicloxigenasa” devido à sua propriedade de inibir esta enzima, responsável pela sínteses das prostaglandinas, as quais são mediadoras da produção da febre, dor e inflamação.

Os anti-inflamatórios COXIBs

Tentando solucionar os problemas dos efeitos adversos gerados pelos AINEs, os laboratórios farmacêuticos lançaram no mercado os COXIBs (outro tipo de anti-inflamatório não-esteróide), Os novos anti-inflamatórios do grupo dos COXIBs, dos quais permanecem em comercialização o celecoxib (Celebra) e o etoricoxib (Arcoxia), começaram a ser vendidos em 1999, como sendo alternativas vantajosas para pacientes com problemas gastrintestinais (gastrites, úlceras, sangramentos gástrico ou duodenal) provocados pelos antigos AINEs.

Esses remédios foram apresentados como medicamentos seletivos, com potencial anti-inflamatório e analgésico equivalente ao dos anti-inflamatórios já conhecidos, sem provocar os efeitos gastrintestinais daqueles. Embora tenha ocorrido um grande desejo e fé em torno dessa nova classe de medicamentos (COXIBs), vários estudos clínicos refutaram os argumentos favoráveis aos novos anti-inflamatórios lançados.

As limitações do novo anti-inflamatório referem-se à elevação do risco de eventos adversos cardiovasculares, especialmente o aumento da incidência de infarto agudo do miocárdio (IAM) e acidente vascular cerebral (AVC). Esses fatos levaram à retirada do mercado do rofecoxib (Vioxx, em 2004), do valdecoxib (Bextra), em sua apresentação oral em 2005 e, por último, o lumiracoxib (Prexige, em 2008).

Testes mais exatos com os anti-inflamatórios COXIBs e AINEs mostraram que todos os anti-inflamatórios não-esteróides disponíveis no mercado inibem a atividade tanto da ciclooxigenasa-1 (COX-1) como a ciclooxigenasa-2 (COX-2).

Os AINEs – todos eles, de modo geral – agem bloqueando a enzima cicloxigenase-2 (COX-2), iniciando uma cadeia que termina com a inibição da formação de prostaglandinas pró-inflamatórias. As prostaglandinas estão envolvidas em diversos processos, tanto fisiológicos como patológicos: vasodilatação ou vasoconstrição, contração ou relaxamento da musculatura brônquica ou uterina, hipotensão, ovulação, aumento do fluxo sanguíneo renal, proteção da mucosa gástrica (com aumento da secreção do muco protetor), resposta imunológica e hiper-algesia, dentre outras funções.

Concluindo, o que temos até agora é que este grupo de anti-inflamatórios inibidores seletivos (apenas de um grupo) apresenta limitações, pelos efeitos adversos expostos e pela própria resposta anti-inflamatória, que não se mostrou superior aos AINE mais antigos. Tal constatação vem confirmar a cuidadosa avaliação necessária ao se prescrever estes fármacos como anti-inflamatórios.

Mas esses novos medicamentos não foram jogados ao lixo, eles estão sendo estudados, inclusive no tratamento do câncer e da doença de Alzheimer.

Descrição de um anti-inflamatório: Diclofenaco

Anti-inflamatório não-esteróide (AINEs não-seletivo); antirreumático; analgésico; antigotoso; antidismenorréico; antienxaquecoso; antitérmico.

Marcas comerciais

Artren; Benevran; Biofenac; Biofenac D; Biofenac CLP; Biofenac LP; Cataflam, Diclofen; Flogan; Inflaren; Inflaren Retard; Ortoflan; Voltaflex. Voltaren; Voltaren Retard; Voltaren SR.

Apresentação

Varia com a marca comercial: cápsula 100 mg.; Comprimidos de 100mg; de 75mg.; comprimidos/drágeas de 50mg.; Injetável de 75mg.; solução oral (gotas 0,5mg. e 0,6mg.); supositório 12.5mg.; 25mg.; 50mg.; 75mg.

Como se usa

A maneira de ingeri-los estará na dependência do efeito desejado. Muitas vezes tomando-os somente para amenizar a dor e outras vezes em busca do efeito anti-inflamatório. Os tomadores crônicos desses medicamentos devem estar atentos ao potencial risco de insuficiência renal.

Uso oral

Os comprimidos ou drágeas devem ser ingeridos inteiros, com um pouco de líquido, antes ou durante as refeições.

O frasco das gotas deve ser agitado antes da administração do produto.

Uso retal (supositórios)

Os supositórios não devem ser usados por crianças menores de 14 anos, nem por mulheres grávidas ou pacientes com proctite (inflamação do orificio retal ou do reto e retite).

Injetável

Não usar a forma injetável em tratamentos com duração de mais de 2 dias (continuar o tratamento com outras formas de apresentações).

Não aplicar a forma injetável em gestantes.

75 mg. por dia. Excepcionalmente, após algumas horas, aplicar mais 75 mg. na outra nádega. Nas cólicas renais, a 2ª injeção pode ser feita decorridos apenas 30 minutos após a 1ª aplicação.

Cuidados Especiais

Não usar o produto nas seguintes condições

Crianças menores de 14 anos (18 anos para outros); depressão da medula óssea; história de discrasia sanguínea; história de reação alérgica induzida por aspirina (ácido acetilsalicílico) ou outro anti-inflamatório não-esteróide; mulher amamentando; pólipos nasais associados com broncoespasmo (estreitamento dos brônquios) induzidos por aspirina.

Para os supositórios

Não usar nas condições: hemorróidas; lesões inflamatórias no orificio retal (lesões presentes ou história de); sangramento retal.

Condições que exigem avaliações

Riscos x Benefícios

Doença inflamatória ou ulcerativa gastrointestinal; estomatite (ulceração da mucosa da boca); hemofilia ou outro problema de sangramento; idosos: insuficiência renal; porfiria hepática; problemas de sangramentos.

Reações que o medicamento pode provocar, avise seu médico

Aftas, agitação, alterações nos testes de função hepática, asma, aumento da pressão arterial, aumento de nitrogênio no sangue, aumento de peso, aumento dos batimentos cardíacos, barulho ou zumbido nos ouvidos, boca ou língua dolorida, cegueira noturna, coceira, colite, confusão mental, constipação intestinal, contração ventricular prematura, convulsão, cor amarelada na pele e nos olhos, depósito no corpo vítreo (olhos), depressão, desordens no paladar, desorientação, diarreia, dificuldade ou dor ao urinar, dificuldade para respirar, diminuição da glicose no sangue, diminuição da urina, diminuição dos níveis de hemoglobina e outras alterações no sangue, distúrbios na memória, dor de cabeça, dor no estômago, dor no tórax, dor ou cólica abdominal, eczema, eritema (vermelhidão da pele) multiforme maior, erupção bolhosa, exacerbação de colite ulcerativa, fadiga ou fraqueza não habitual, falta de apetite, falta de ar, febre exagerada, fezes enegrecidas ou com sangue, formação de abscesso, gases, hematoma, hemorragias, hepatite, inchaço da língua e dos lábios, edema da laringe, inchaço localizado envolvendo as camadas mais profundas da pele, choque anafilático, hiperventilação, inchaço dos pés ou das mãos, indigestão, infarto do miocárdio, insônia, insuficiência cardíaca congestiva, insuficiência renal aguda, lesão no esôfago, náusea, mal-estar, nefrite, palpitações, formigamentos, ferroadas ou queimação no toque, pequenas hemorragias na pele e mucosas, perda da audição (reversível), perda de peso, perturbação da visão, pesadelo, pontadas no tórax, presença de proteínas na urina, queda dos cabelos, ressecamento da boca e das mucosas, sensibilidade à luz, retenção de líquidos, sonolência, tiques, tonturas, transpiração excessiva, úlcera péptica (com possível sangramento), vermelhidão da face e do pescoço, urticária, visão indistinta, vertigem, visão dupla, vômito.

Atenção ao usar outros medicamentos. Este remédio pode

Aumentar os riscos de efeitos adversos renais com: acetaminofeno (Paracetamol), ciclosporina, medicamentos contendo ouro e nefrotóxicos diversos.

Aumentar os efeitos adversos gastrointestinais com: álcool, corticosteróides, corticotrofina, suplemento de potássio, aspirina (ácido acetilsalicílico) e outros anti-inflamatórios não-esteróides.
Aumentar os riscos de sangramento com: anticoagulantes orais, heparina, agentes trombolíticos diversos, cefamandol, cafoperazona, cefotetan, ácido valpróico, colchicina e outros inibidores da agregação das plaquetas.

Aumentar a ação dos antidiabéticos orais, insulina, lítio e digitálicos.

Diminuir a ação dos anti-hipertensivos, diuréticos.

Aumentar os riscos de queda dos leucócitos e plaquetas com depressores da medula óssea.

Aumentar os riscos de agranulocitose e depressão da medula óssea com metotrexato.

Aumentar a intolerância à luz com medicamentos fotossensibilizantes.

Ter aumentada sua ação com probenecida.

Outras considerações importantes

Manter o medicamento com a menor dose possível

Adotar dieta rica em fibras

Tomar grandes quantidades de líquidos

Não ingerir bebida alcoólica

Não dirigir veículos nem operar máquinas perigosas até ter certeza de que o produto não está afetando o estado de alerta ou a coordenação motora do paciente

Levantar devagar da cama ou da cadeira para evitar tonturas. Evitar mudanças bruscas de posição. Cuidado ao subir ou descer escadas

Fazer exames oftalmológicos durante tratamentos prolongados com esse produto

Antes de qualquer tratamento dentário, avisar o dentista ou o médico de que faz uso desse medicamento, uma vez que ele prolonga o tempo de sangramento do paciente

Descontinuar o uso do remédio se o paciente apresentar problemas no fígado, úlcera péptica ou sangramento.

Fonte: www.galenoalvarenga.com.br

Anti-Inflamatórios

Cuidado com os Antiinflamatórios

Os antiinflamatórios estão presentes no dia-a-dia de todos nós, talvez pela sua eficácia em combater dores, inflamações lombares, trazendo alívio imediato. Segundo pesquisa, os antiinflamatórios são os campeões de venda no quesito automedicação.

Aquela dorzinha incômoda, tensões musculares pelas sessões na academia, um simples tombo, são fatores que nos levam a correr vorazes à farmácia a caça de um antiinflamatório. O medicamento é vendido sem prescrição médica ou qualquer tipo de controle. Existe uma grande variedade disponível no mercado, em forma de comprimidos, cremes, pomadas, gotas, injetáveis - seu uso na maioria das vezes é oral.

Morton Sheinberg, clínico reumatologista e pesquisador imunologista do Hospital Albert Einstein, acrescenta que "os novos antiinflamatórios conhecidos como inibidores da ciclooxigenase 2 possuem comprovada eficácia na redução de úlceras gástricas. Já usar aspirina ao mesmo tempo neutraliza o efeito benéfico dos novos antinflamatórios no sistema digestivo."

Segundo o especialista "temos três produtos por via oral e um por via parenteral: etoricoxib, lumiracoxib e celecoxib por via oral e parecoxib por via parenteral com os nomes comerciais de arcoxia, prexige, celebra e bextra. Os problemas cardiovasculares dos novos antiinflamatórios são discretamente maiores dos que os convencionais tipo Voltaren, Cataflan,Nimesulida etc. Efeitos colaterais, que requerem hospitalização, por sua vez, estão cada vez mais freqüentes."

Sheinberg diz ainda que a obtenção desses medicamentos no Brasil sem receita é um problema grave. "Nas farmácias, o balconista desconhece o uso do medicamento que, em idosos, representa um risco de interações e efeitos adversos.Em crianças, seu uso por problemas respiratórios é muito comum e pouco têm efeito terapêutico. É perigoso, pode causar danos cardíacos, hepáticos e renais

Os cuidados com os antiinflamatórios são maiores quando se faz uso dos mesmos por tempo prolongado em enfermidades crônicas como é o caso das artrites inflamatórias."
Já o clínico geral do Hospital Sírio Libanês, Alfredo Salim Helito, declara que "o medicamento é eficaz se bem ministrado com acompanhamento médico". O médico alerta: "Não confundir inflamação com infecção. Quando o processo inflamatório tem como origem um verme (bactéria, fungo, vírus ou parasitas) em geral isso passa a ser infecção. Inflamação é o processo de reação do organismo a uma agressão que pode ter várias causas como traumas, doenças reumatológicas, que causam dor, vermelhidão, inchaço e aumento da temperatura na região."

"A descoberta da substância revolucionou a medicina no tratamento da dor no pós-operatório. O efeito é mágico como analgésico", diz Helito, ressaltando que, "infelizmente em grande parte dos casos existe a automedicação, e o uso diário sem orientação médica pode causar danos a saúde".Esse efeito não é tão mágico em doenças respiratórias.

As causas para o uso desordenado do medicamento são alarmantes e podem provocar riscos a saúde do paciente. Estudos comprovam casos de insuficiência renal, problemas hepáticos (hepatite),cardiológicos, alteração da mucosa gástrica, úlcera e hemorragias pulmonares. "Usado sem orientação médica ou fiscalização pode ser fatal", alerta Helito.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vem fiscalizando com maior atenção a comercialização do COX-2, novo antiinflamatório mais conhecido como coxibe ou ainda inibidor seletivo. Alguns medicamentos foram retirados do mercado sob suspeita de causarem efeitos no sistema cardiovascular. Em função desses alertas, a Anvisa, juntamente com a Cateme (Câmara Técnica de Medicamento), organiza debates, discussões sobre os efeitos colaterais desses antiinflamatórios.

As informações quanto a problemas cardíacos não foram comprovados, existe somente uma suspeita. No entanto, a Cateme recomendou às empresas que fosse indicado na bula dos coxibes advertências e restrições quanto ao uso do medicamento.

O médico e professor da Unicamp Gilberto Nucci, especialista em farmacologia, explica que o medicamento, "promove alívio das dores e redução do quadro de inflamação. Entretanto, no tratamento de patologias inflamatórias crônicas, seu benefício é discreto, visto não influenciar a progressão da doença." Nucci também alerta quanto a automedicação.

Moisés Cohen, professor do departamento de Ortopedia e traumatologia da Universidade Federal de São Paulo, diretor do Instituto Cohen, clínica médica especializada na reabilitação do corpo em esforço físicos em esportistas e tratamentos de ortopedia, se utiliza de antiinflamatórios na recuperação dos seus pacientes. "É preciso utilizar o medicamento com precaução. O tratamento varia para cada paciente", diz. Cohen evita prescrever antiinflamatórios para pacientes idosos ou que apresentem um quadro clínico com problemas gástricos, ou renais.

A discussão sobre os possíveis riscos que os antiinflamatórios causam a saúde do paciente está em pauta desde a sua descoberta. A maioria dos especialistas concorda com a gravidade da automedicação e o uso contínuo do medicamento sem orientação de um profissional especializado.

Por isso, lembre-se de que os antiinflamatórios devem ser usados com cautela, com prescrição e acompanhamento médico. Siga corretamente as orientações médicas. Observe os efeitos colaterais durante o tratamento e informe imediatamente seu médico. São medicamentos aparentemente inofensivos, mas que podem lesar a muito a saúde, principalmente crianças.

Fonte: drricardodecastro.site.med.br

Anti-Inflamatórios

Entenda melhor os anti-inflamatórios

Anti-inflamatórios são muito usados no Brasil e em todo o mundo para tratar quadros de dor aguda. Mas porque será? Então podemos falar que eles também são analgésicos? Podemos sim.

Anti-InflamatóriosAnti-Inflamatórios

Os anti-inflamatórios se dividem em hormonais (aqueles derivados de corticóides) e não hormonais (os que não afetam a parte hormonal). Anti-inflamatórios não hormonais diminuem a dor e a inflamação porque agem bloqueando a produção de prostaglandina. Quando temos uma contusão ou uma dor aguda ocorre a liberação destas substâncias (que se apresentam em vários subtipos), o que proporciona o estímulo para gerar dor. Por isso é que boa parte dos anti-inflamatórios não hormonais também tem um grande potencial analgésico, principalmente nas contusões agudas (torções, contusões, fraturas, etc).

Os anti-inflamatórios não hormonais foram objeto de muita discussão desde que o Vioxx saiu do mercado em 2004 porque descobriu-se que alguns mais modernos (que são mais seletivos para bloquear a dor e inflamação) causavam problemas cardíacos.

O que é importante lembrar aqui: tudo em medicina é baseado na relação risco/ benefício e todo médico pondera isso ao realizar uma conduta (indicar um remédio, uma cirurgia, entre outras coisas). Quando falamos de medicamentos, duas coisas são muito importantes: tempo de utilização e dose. Um anti-inflamatório usado por uma ou duas semanas pode causar algumas complicações gastrointestinais, se for não seletivo da Cox-2, mas dificilmente vai causar complicações renais ou cardíacas, se for usado por uma semana ou 10 dias. Outra coisa importante: alguns medicamentos podem ser usados em doses baixas depois de uma dose maior inicial e isso é muito importante para prevenir as complicações. Portanto, observem que mesmo um medicamento considerado comum pela população tem as suas peculiaridades e a automedicação pode ser muito prejudicial.


Discuta com seu médico esses pontos de vista e lembre que todo anti-inflamatório deve ser vendido somente com prescrição médica, independente de ser novo ou antigo. Muitas farmácias fazem vista grossa e vendem sem prescrição, o que deve ser coibido pelas agências regulatórias. As sociedades médicas estão de olho nisso e sempre fazendo campanhas para que a venda seja feita somente com receita médica.

Rogério Teixeira da Silva

Fonte: tenisbrasil.uol.com.br

Anti-Inflamatórios

O que diferencia um anti-inflamatório esteroide (AIEs) de um não-esteroide (AINEs), do ponto de vista do seu mecanismo de ação?

As diferenças são grandes. Ambas as drogas possuem apenas um ponto em comum: a inibição da síntese de um grupo de mediadores químicos inflamatórios denominados de eicosanóides. Os efeitos colaterais em comum, também, são apenas os resultantes desta via de biossíntese. No mais, são drogas totalmente distintas.

Os principais representantes do grupo dos eicosanóides inibidos pelos AINEs são as prostaglandinas, as prostaciclinas e os tromboxanos. Os AINEs, basicamente, atuam sobre as enzimas prostaglandinas sintetases, mais conhecidas como ciclooxigenase-1 (COX-1), com ampla distribuição tecidual, e sobre a ciclooxigenase-2 (COX-2) cujo gene, apesar de possuir distribuição tecidual semelhante, na maioria dos casos, somente é expresso em condições patológicas. Mais recentemente, foi isolada uma nova isoforma de prostaglandina sintetase, que recebeu a denominação de Ciclooxigenase - 3 (COX-3). Sua distribuição é mais restrita que as duas anteriores, porem é abundantemente encontrada em amostras de tecido encefálico e cardíaco.

Até um passado próximo, acreditava-se que somente a cicloxinase-1 possuía funções fisiológicas, além de participar como mediador químico iniciador e mantenedor do processo inflamatório. Devido aos primeiros isolamentos da cicloxinase-2 terem sido feitos somente em amostras de tecido inflamado, formou-se a idéia de que sua expressão era dependente de mediadores inflamatórios presentes somente em microambientes de tecidos lesados. Devido a isto, a COX-2 passou a ser, também, conhecida como ciclooxigenase induzida (seu gene necessitava da indução, depois de instalada a resposta inflamatória) e a COX-1 de constitutiva (sua expressão independe da indução, por fazer parte de vias bioquímicas fisiológicas de tecidos sadios)

O pensamento completo era de que, se a expressão do gene da enzima COX-2 necessitava da indução de mediadores químicos inflamatórios, provavelmente, seria através dela que, num segundo momento da reação inflamatória, as taxas de eicosanóides seriam mantidas. Por outro lado, sendo conhecidas muitas ações fisiológicas da COX-1, os eicosanoides produzidos por ela seriam os iniciadores desta resposta. Seguindo este raciocínio, após a etapa inicial da inflamação, a presença dos eicosanoides seria mediada tanto pela COX-1, como pela COX-2. Como eram desconhecidas as ações fisiológicas da COX-2, o pensamento resultante era que a sua inibição causaria menos efeitos paralelos (colaterais) do que a inibição indistinta das duas isoformas feitas pelos AINEs convencionais.

Isto levou à busca de drogas inibidoras seletivas da COX-2 e a sua introdução no mercado. No período de pós-marketing do lançamento destes pretensos inibidores seletivos, trabalhos de farmacovigilância demonstraram relação entre o uso deste tipo de AINEs com o surgimento de efeitos cardíacos. Trabalhos posteriores demonstraram que, em alguns tecidos, a cicloxigenase-2, também, era constitutiva, ou seja, também, exercia atividades fisioló- gicas, principalmente, sobre a fisiologia cardíaca. Por este motivo, a maioria das drogas denominadas como seletivas para COX-2 foram retiradas do mercado. As que ainda permanecem são vistas com reservas pelas agências reguladoras licenciadoras de medicamentos (ex. “Food and Drug Administration - FDA”, “European Medicines Agency-EMEA”, Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa etc.) e, também, pela comunidade científica.

Os anti-inflamatórios esteroidais (AIEs) são drogas que mimetizam os efeitos do hormônio cortisol. Este hormônio é essencial à vida, sendo responsável por vários processos, desde o estado de embrião. Além de possuir efeitos metabólicos próprios, também, age amplificando o efeito de outros hormônios no organismo humano. Se em um extremo, a sobrevida humana, após adrenalectomia (remo- ção da glândula supra-renal produtora de cortisol), é breve, no outro, taxas elevadas de cortisol (endógeno ou exó- geno), por períodos prolongados, levam ao desenvolvimento da Síndrome de Cushing. De tão severas que são as alterações metabólicas neste distúrbio, nele ocorre inclusive modificações do biótipo de seus portadores.

“Atualmente, um dos aspectos pouco observados, quando se fala em interações entre medicamentos, é a influência que os novos sistemas de liberação de drogas exercem sobre a farmacodinâmica dos princípios ativos”

Os receptores deste hormônio são intracelulares do tipo IV. Seus principais efeitos estão relacionados à indução ou inibição da transcrição gênica, com reflexos diretos sobre o sistema cardiovascular, endócrino, urinário, digestório e o metabolismo de forma geral. As atividades anti-inflamatórias e imunossupressoras são apenas mais uma de suas ações. Os produtos finais da transcrição gênica (proteínas) inibidos ou induzidos pela ação do cortisol, na maioria das vezes, são chaves de importantes vias enzimáticas. Exemplo importante de expressão gênica induzida pelo cortisol é a do gene de uma proteína denominada genericamente de lipocortina. A sua principal ação sobre o processo inflamatório é inibir a enzima fosfolipase A 2 . Na via bioquímica da síntese de eicosanóides, ela está um nível acima (upstream) das cicloxigenases e lipooxigenases. Como resultado da sua atividade, ocorre a liberação do ácido araquidônico no meio intracelular que, então, pode ser metabolizado tanto pela via das prostaglandinas sintetases, como pelas vias das lipooxigenases (LOX).

A inibição da fosfolipase A 2 mediada pelos corticóides (ou AIEs) diminui a concentração do ácido araquidô- nico para ser processado pelas COXs e LOXs e, assim, ao mesmo tempo, inibe ambas as vias. É através da restrição de substratos para estas duas enzimas que tanto o cortisol (natural e endógeno) como os seus análogos sintéticos, os corticosteróides (exógenos) exercem sua atividade anti-inflamatória. Os principais exemplos de inibi- ção da transcrição de genes de proteí- nas relacionadas ao processo inflamató- rio mediada pelos AIEs são a inibição da transcrição de citocinas iniciadoras da inflamação, como o interleucinas (IL) 1,2,3 6; interferon-y; fator de necrose tumoral (TNF); algumas quimiocinas e; a expressão das enzimas cicloxigenases. Consequentemente, ocorrem a diminuição do acúmulo e função de células que participam das reações inflamató- rias e imunes, como linfócitos, células natural killers, monócitos, macrófagos, eosinófilos, neutrófilos, mastócitos e basófilos.

Devido a estes últimos efeitos, alguns AIEs estão, também, incluídos na classificação de drogas imunossupressoras. Apesar do bloqueio da genetranscri- ção destas citocinas contribuírem para esta última classificação, a mais importante entre elas e a que mais reputa aos AIEs atividades imusossupressoras é o bloqueio da expressão da interleucina-2. Esta citocina é fundamental na expansão clonal de linfócitos T e B, após sensibilização. Assim, impacto causado pela sua ausência é muito significativo sobre a resposta imune.

A classificação esteroide e não-esteroide implica em diferenças de indicação?

Os primeiros (os esteróides) são de primeira escolha para amenizar os sinais e sintomas desencadeados pelo processo inflamatório, como a febre e a dor. Os segundos são de primeira escolha para alívio dos sinais e sintomas desencadeados por doenças atópicas (de fundo alérgico)

Dentre os mediadores químicos da inflamação, alguns possuem atividades microbicidas inespecíficas, ou seja, possuem potencial lesivo tanto para os microorganismos, como para as células do hospedeiro. Apesar disto, no caso de inflamação associada à infecção ou infestação, o balanço final é positivo, pois a morte das células próprias é compensada com a eliminação dos fungos, vírus, bactérias ou até mesmo helmintos cutâ- neos (ex.: larvas migrans) ou intestinais. Uma vez eliminados os agentes invasores, a produção local de mediadores autolesivos cessa e os tecidos locais se recompõem, através da cicatrização ou regeneração

As reações alérgicas são uma resposta inflamatória exacerbada voltada para um elemento inócuo. Basicamente, as lesões observadas neste tipo de doença são decorrentes da ação dos produtos químicos, próprios da resposta inflamatória, que possuem atividade lítica sobre os tecidos do hospedeiro; da ação de mediadores químicos inflamatórios promotores do aumento da permeabilidade vascular e com ação vasodilatadora, e, no caso das atopias respiratórias, mediadores com ação broncoconstritoras. Por se tratar de um distúrbio do sistema imune que ocorre, durante a fase de reconhecimento de patógenos.

Como todos os demais sistemas, o imune, também, é passível de adoecer. Dado a sua natureza funcional, quando adoece, um dos eventos esperados é a ocorrência de “erros” de sinalização química. Para o controle destes “erros”, é importante a inibição da síntese destes sinalizadores.

Nisto, os AIEs são muito mais eficientes que os AINEs, devido a sua atividade inibitória de muitos destes mediadores. Ambos, tanto AINEs como AIEs, possuem atividade inibitória sobre a síntese de eicosanóides. No entanto, os segundos, além desta atividade, também, influência a produção do mediadores peptídicos da inflamação anteriormente citados.

Por que, então, existem, no mercado, tantos antiinflamatórios não-esteroides, se o mecanismo de ação é o mesmo?

A princípio, a pergunta deveria ser “por que, ainda, existem tantos anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs) no mercado?”. Mas, respondendo a sua pergunta, em quase totalidade das doenças conhecidas, a resposta inflamatória está presente ou, ao menos, existe a participação direta ou indireta dos mediadores inflamatórios, com destaque para as citocinas iniciadoras da inflamação. Como faz parte desta resposta a síntese e liberação no meio de mediadores com propriedades álgicas (desencadeadoras da dor inflamatória) e pirogênicas (desencadeadoras da febre) somente seria justificável o uso dos AINEs como drogas sintomáticas voltadas para o alívio destes sinais e sintomas. Como lesões de tecidos periférico, na maioria das vezes, estão acompanhadas de dor e são significativamente mais freqüentes que as atopias cutâneas e respiratórias, o primeiro motivo da existência deste grande número seria este. Um segundo é que os processos infecciosos, como os das vias respiratórias, urinárias, intestinais, dentre outras, são da mesma forma mais frequentes que doenças de fundo alérgico.

Como os processos infecciosos geralmente são acompanhados de febre, os AIEs são, também, utilizados nestas situações. Enfim, o grande número de AINEs existentes decorre do fato de situações práticas que requerem sua administra- ção serem mais frequentes que as situa- ções que demandam o uso dos AIEs. Devemos considerar, no complemento desta resposta, os motivos anteriormente discutidos: os AINEs e AIEs são drogas de grupamentos farmacológicos distintos e, portanto, possuem indicações terapêuticas distintas. Agora, para responder a pergunta restrita que sugerimos no início (“por que, ainda, existem tantos anti- -inflamatórios não esteroidais (AINEs) no mercado”?), é necessário compreendermos a evolução do pensamento a respeito da inflamação, a partir de uma perspectiva histórica cientifica e das características e estratégias do mercado de medicamentos

No passado mais distante, os principais sintomas desencadeados pela resposta inflamatória (febre e dor) eram vistos como um estado patogênico em si. Evoluiu em um passado próximo para o pensamento de que eram apenas manifestações sintomáticas de um processo. Atualmente, já está comprovado que, apesar de desagradáveis, estes sinais e sintomas (principalmente, a febre e o edema local), também, contribuem para a defesa e recomposição de tecidos do organismo. Desta forma, é injustificável, à luz do conhecimento científico atual, a maioria das utilizações que ainda se faz destas drogas.

Para não alongarmos muito a resposta, com relação aos efeitos benéficos da febre, recomendo a leitura de um artigo de 2004, de autoria da Dra. Lenita Wannmacher e Dra. Maria Beatriz Cardoso Ferreira, que está publicado no site da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e pode ser acessado no link http://www.opas.org.br/medicamentos/site/UploadArq/HSE_URM_ FEB_0804.pdf. Poderíamos, aqui, citar inúmeros outros trabalhos sérios, publicados nas mais respeitadas revistas científicas, que criticam o uso abusivo de AINEs nos estados febris. No entanto, o artigo “Febre: mitos que determinam condutas” é uma síntese muito bem feita da maioria deles, conta com o aval científico tanto da OPAS, como do Ministério da Saúde do Brasil e deixa claro que a utilização em demasia dos AINEs como antitérmicos se fundamentam muito mais em mitos do que em constatações científicas. Nele, está bem claro que as evidências contemporâneas apontam que a hipertermia pode ser manifestação de defesa orgânica, não devendo ser prontamente atacada na ausência de comprometimento do estado geral do paciente

Com relação ao edema, excetuando os cerebrais, pulmonares, cardíacos e viscerais, não existe justificativa alguma para a sua inibição na ausência de dor. Sabendo que no foco de uma lesão estão se processando, ao mesmo tempo, a defesa do organismo e o processo de reconstrução do tecido, fica bastante óbvio que a vasodilatação e o aumento da permeabilidade são positivos para o aporte local de fontes energéticas e de nutrientes para que ambos os processos evoluam a termo.

Também, o aumento da permeabilidade vascular, associada à expressão de proteínas de adesão na luz do vaso pelas células endoteliais, são os dois fenômenos que possibilitam a transmigra- ção leucocitária para a região lesada. Ou seja, sem sua ocorrência, a defesa não se processaria. Restaria apenas a justificativa do efeito analgésico destas drogas. No entanto, na maioria das situações em que estes medicamentos são prescritos, existe a ausência deste sintoma ou, ao menos, sua manifestação se encontra em patamares suportáveis. Com relação à influência das características e estratégias do mercado de medicamentos sobre a permanência deste grande número de drogas anti- -inflamatórias e seu uso indiscriminado, infelizmente, o que se observa, através das propagandas voltadas para profissionais de saúde ou para o público leigo, é a alimentação dos mitos descritos no artigo citado, anteriormente. Em muitas situações, as drogas anti-inflamatórias são de extrema utilidade, como no caso da artrite reumatóide, mas gosto de afirmar que, ao invés de tantos anti-inflamatórios, em muitas situações, seria preferível a existência de drogas inflamatórias que não gerassem dor ou febre..

Todos os anti-inflamatórios são capazes de desencadear as mesmas reações adversas?

Se sua pergunta refere-se somente aos medicamentos pertencentes ao grupamento farmacológico dos AINEs, a resposta é negativa. Não caberia, aqui, discutirmos uma a uma as diferen- ças de mecanismos de ação de cada um dos de seus subgrupos.

“Quando se fala em interação medicamentosa, o primeiro pensamento é que este é um fenômeno, sempre, indesejado. Em algumas situações, com bom conhecimento de Farmacologia e Fisiopatologia, é possível tirar proveito dela em benefício do paciente”

A simples constatação de que os três mecanismos básicos pelos quais os AINEs atuam são a inibição das COXs por mecanismos irreversíveis; inibição competitiva reversível e inibição não competitiva reversível demonstra que devemos esperar que as reações adversas sejam, também, distintas entre cada um dos AINEs. Se estiver se referindo a diferenças das reações adversas entre AIEs e AINEs, a amplitude de efeitos fisiológicos do primeiro e ausentes no segundo, que discutimos anteriormente, deixam claro que os efeitos paralelos entre estes dois tipos de drogas são muito distintos. Outro fator que diferencia os efeitos adversos entre os dois grupamentos são seus alvos farmacológicos nas vias bioquímicas de síntese dos eicosanóides. Como alvo dos AINEs são as prostaglandinas sintetases (COX-1, COX-2 e COX-3). Como os produtos finais das vias de síntese destas enzimas (prostaglandinas, prostaciclinas e tromboxanos) possuem atividades funcionais que independem da instalação da inflamação, a sua inibi- ção causará em paralelo impacto sobre a fisiologia normal de estruturas distantes e não relacionadas com o foco inflamatório.

Apenas exemplificando: (1) no estômago, as prostaglandinas são indutoras da síntese e secreção do muco protetor que impede a ação do ácido clorídrico e das enzimas proteolíticas sobre a parede estomacal. Sob a ação dos AINEs, ocorre diminuição desta proteção. (2) As prostaglandinas atuam, regulando o fluxo sanguíneo para os rins, promovendo a vasodilatação da artéria renal. Sob ação dos AINEs, o fluxo sanguíneo renal é dificultado, pois ocorre vasoconstrição. Em quadros de insuficiência renal, isto pode assumir proporções desastrosas. (3) A prostaglandina F2a possuí importante papel nas contrações uterinas, durante o trabalho de parto. O uso de AINEs, que atuam por mecanismos irreversíveis de inibição das COXs (ex.: salicilatos), na fase final da gravidez, pode comprometer o trabalho de parto

A ação anti-inflamatória dos AIEs dá-se, através da indução da expressão do gene da liporcortina que, depois de sintetizada, inativa a fosfolipase A2. Assim, além de produzir efeitos paralelos semelhantes aos dos AINEs, também, influenciam as ações fisiológicas dos derivados da via das lipooxigenase (ex.: leucotrienos). Desta forma, os efeitos adversos esperados pela ação dos AIEs estão relacionados à inibição das atividades fisiológicas das prostaglandinas, prostaciclinas, tromboxanos e, também, dos leucotrienos. Além disto, está nos efeitos hormonais dos AIEs a gênese de alguns tipos de diabetes e hipertensão; do ganho de peso iatrogênico, da insuficiência adrenal, de algumas formas de úlceras pépticas, do surgimento de sangramentos digestivos, de estrias no abdome, da osteoporose (provavelmente, por antagonizar efeitos da vitamina D), do surgimento de edemas, da hipopotassemia, da necrose da cabeça do fêmur; do excesso de pelos no corpo, da obesidade tipo central, com o tronco obeso e membros finos, dentre outros

Quais são as reações adversas mais graves?

No caso dos AIEs, além das exemplificadas na resposta anterior, merecem destaque a urticaria, agranulocitose e a aplasia medular induzida pela dipirona; a síndrome de Reye, uma doença grave, de rápida progressão e, muitas vezes, fatal, que acomete o cérebro e o fígado, e que ocorre em crianças (mais freqüente, quando abaixo de três anos), fazendo uso de salicilatos associados a uma infecção viral; a hepatotoxicidade ao paracetamol (também, mais frequente em crianças), e os sangramentos difusos, principalmente, em pacientes sob terapia com anticoagulantes (warfarin, o mais freqüente) ou em casos de dengue. As gastropatias induzidas por AINEs, além da erosão da mucosa estomacal já discutida, incluem, ainda, esofagite, hemorragia digestiva e reativação de doença inflamatória intestinal. Estas lesões revelam-se, através de náuseas e vômitos, dor gástrica e, em alguns casos, diarréia ou a presença de sangue nas fezes. Sobre os rins, são mais frequentes a nefrite intersticial, insuficiência renal aguda, retenção de Na+ e edema difuso. Sob o aparelho cardiovascular a descompensação de insuficiência cardíaca (IC) e aumento do risco de eventos aterotrombóticos (expecialmente os coxibs). Além destas, existem, ainda, relatos de desenvolvimento de urticária, angioedema e eritema polimorfo-Stevens Johnson com praticamente todos os AINEs.

Com relação aos corticóides hormonais (AIEs ou corticóides), como já respondido, soma-se a maioria destes efeitos adversos aos seus efeitos hormonais. Dentre os efeitos adversos hormonais, merecem destaque o desenvolvimento de miopatia, retenção de Na+ e H2O (resultando em edema e hipertensão arterial sistêmica-HAS), diabetes sacarino, catarata subcapsular posterior, aumento de pressão intra-ocular e, em crianças, retardo do crescimento. A sua utilização, por mais de duas semanas, mesmo em pequenas doses, facilita a instalação de infecções pelos mais variados agentes, supressão da glândula supra-renal (insuficiência) e necrose asséptica de ossos. Sua utilização mais prolongada pode desencadear distúrbios psiquiátricos e Cushing iatrogênico.

A segurança apresenta-se como um item importante no perfil do medicamento, ao lado de sua eficácia. A segurança é o principal indicador do sucesso mercadológico de um antiinflamatório, no período pós-marketing?

Apesar de a resposta a esta pergunta ser sim, algumas considerações devem ser feitas para melhor aproveitá-la à luz dos conhecimentos mais recentes. Também, não restringirei a minha resposta aos anti-inflamatórios, visto que aquilo que ocorre com este grupamento farmacológico no quesito segurança acontece, também, com todas as demais drogas. Inicialmente, devemos considerar que, tendo como base as definições de segurança e de marketing, é fácil perceber que é impossível as duas palavras caminharem juntas. Enquanto seguran- ça pressupõe cercar um “tema” com todas as variáveis possíveis, inclusive com aquelas cujas possibilidades e impactos possam aparentemente ser desprezível, o objetivo do “marketing” é o de “dourar a pílula”. No caso específico do medicamento, para alcançar o sucesso mercadológico, não é rara a omissão de variáveis, não só com possibilidades pequenas, mas também de algumas que, no período pós-marketing, a farmacovigilância constata uma frequência considerável.

Nestas situações, geralmente a droga é retirada do mercado, nesta fase. Acredito que nenhum pesquisador, docente ou profissional de saúde reúna condições de conhecimento o suficiente para ser categórico, ao afirmar que uma substância química (no caso um medicamento), quando introduzida em um sistema biológico, como o humano, seja totalmente segura. Quem faz isto, geralmente, ou não conhece a verdadeira dimensão dos sistemas biológicos e, portanto, é ingênuo, ou tem algum tipo de interesse, ao fazer tal afirmação. No cerne da dinâmica dos sistemas biológicos, encontram-se três tipos de moléculas: o DNA, o RNA e as prote- ínas. Estas últimas estão representadas, principalmente, na forma de proteínas estruturais, bombas e canais iônicos, fatores de transcrição, enzimas, receptores ou ligantes, dentre outras propriedades funcionais, e seu verdadeiro número e diversidade, ainda, não são de total conhecimento da ciência. Basicamente, são estas proteínas os principais alvos farmacológicos da maioria dos medicamentos, hoje, utilizados na clínica médica. Sabendo que, até que se prove o contrário, a sequência dos aminoácidos de todas as proteínas é determinado pelos genes que compõe o genoma de cada espécie, devemos considerar que, há apenas dez anos, mais precisamente em fevereiro de 2001, foram publicadas as duas primeiras versões, preliminares, do genoma humano pelas revistas Nature e Science, respectivamente, por Eric Steven Lander e John Craig Venter. A complexidade verificada no genoma humano colocou em cheque, pela primeira vez, a noção simples e unidirecional do gene como o ente exclusivo portador de informações, como proposto pelo norte-americano James Watson e o britânico Francis Crick em 1953.

O primeiro trabalho voltado para estimativas do número de genes que o genoma humano abrigava foi publicado, no ano 2000, por Phil Green e Brent Ewing, da University of Washington. Através da comparação de um grupo de porções do DNA, denominadas de Expressed Sequence Tags (ou ESTs), com genes já identificados no cromossomo 22 e sequências de mRNA obtidas do GenBank estimaram que aproximadamente 35.000 comporiam o genoma humano. Em trabalho posterior, ainda em 2000, Feng Liang e seus colaboradores estimaram a existência de um número quase três vezes superior a este, aproximadamente 120.000 genes. Mais recentemente, inúmeros trabalhos tentando estimar o número de genes existentes no genoma humano vem sendo publicados. Neste particular, é importante ressaltar que, mesmo após a publicação da sequência completa do genoma humano, o número de genes presentes em nosso genoma continua indeterminado, e vem se mostrando crescente nos trabalhos mais recentes.

Mesmo sabendo que muitos genes não são transcritos, já dá para se ter idéia da plêiade de proteínas com as quais um medicamento pode interagir. É muito mais provável que, diante de um número tão grande de proteínas, uma substância química (medicamento) em um sistema fechado (organismo humano) interaja com mais que uma delas, do que com apenas uma, como divulgado na maioria dos livros técnicos. Apesar de didática e pedagogicamente ser importante, esta visão linear transmitida pelos livros de Farmacologia, durante a fase de aprendizado, não é menos importante reconhecer que esta é apenas uma parte da verdade do modo de ação, não apenas das drogas com atividade anti-inflamatórias, mas também para todas as demais drogas. Retornando à discussão da segurança dos medicamentos, é comum a existência de drogas com elevada eficácia para uma determinada doença que nem chegam a entrar no mercado devido à sua baixa segurança. Outras são clinicamente utilizadas, apesar de sua baixa especificidade e, portanto, pequena margem de segurança, como, por exemplo, as antineoplásicas.

Isto demonstra que a seguran- ça está intimamente relacionada com o risco-benefício. No exemplo citado, os antineoplásicos se enquandram em grupamento farmacológico de risco. No entanto, os benefícios de sua utilização são imensuráveis. Uma terceira possibilidade é a droga aparentemente ser segura e, no período de pós-marketing, mostrar-se extremamente tóxica. Os exemplos clássicos disto foram o uso da talidomida na década de 60, e, mais recentemente, dos inibidores seletivos da COX-2. Este tipo de engano é comum e todo o cuidado é pouco, quando tratamos da interferência de substâncias quí- micas sobre sistemas biológicos. Mesmo com toda a tecnologia científica e todo o conhecimento acumulado, temos que ser humildes e internalizar que aquilo que sabemos sobre os mecanismos da vida, ainda, é apenas uma pequena parte de toda a verdade. Todas as vezes que é introduzido um medicamento em um organismo, é sempre possível o surgimento de reações “inesperadas”, até porque, além da existência de diferenças geneticamente determinadas entre os indivíduos, a sua condição fisiológica, também, é influenciada por hábitos sociais, nível socioeconômico, sócio-cultural, meio ambiente e tipo de trabalho dentre muitas outras variáveis.

Como a farmacovigilância acompanha o comportamento dos antiinflamató- rios não-esteroides, no Brasil?

Apesar de ser uma atividade fundamental para a segurança do usu- ário e da população, podemos afirmar, com muita segurança, que, no Brasil, oficialmente, a farmacovigilância está vivendo a passagem da infância para a pré-adolescência. Tem apenas 12 anos. Apesar de “subnutrida”, na primeira infância, tem se mostrado uma pré- -adolescente muito vigorosa e com um futuro sadio e promissor. Mas, continuando na mesma analogia, ela, porem, padece de uma crise de identidade e sofre pela indefinição de paternidade.

A primeira tentativa de estabelecer um sistema oficial de farmacovigilância foi feita, através da edição da Portaria 40/95, do Ministério da Saúde, somente em Maio de 1995. Neste período, o Dr. Adib Jatene era o titular da pasta da Saúde, e à frente da Secretária da Vigilância Sanitária encontrava-se o Dr. Elisaldo Carlini. A referida Portaria instituiu a Comissão de Farmacoepidemiologia, com o objetivo de propor um Sistema Nacional de Farmacovigilância. Apesar das intempéries enfrenta das pela Comissão, o projeto para o estabelecimento de um Sistema Nacional de Registro de Reações Adversas (abreviadamente SINARRA), com o subsistema RAM (Reações Adversas aos Medicamentos) foi concluído. Porém, com a mudança de Ministro da Saúde, a idéia foi inexplicavelmente abandonada. Esta temática somente retornou à pauta do Ministério da Saúde, três anos após, com a edição da Resolução 001, de 26/04/99, que oficializou Regimento Interno da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Em seu 15º artigo, atribuiu as competências da Gerência-Geral do Sistema Nacional de Registro de Rea- ções Adversas (SINARRA). Com pouco mais de um ano, a Portaria Nº 593, de 25 de agosto de 2000, criou o Núcleo de Vigilância em Eventos Adversos e Queixas Técnicas e dentro dela a Unidade de Farmacovigilância, com as suas atribuições e competências. Em menos de um ano, a Portaria nº 306, de 13 de julho de 2001, atribui novas competências à Unidade de Farmacovigilância.

Um mês após, uma nova altera- ção no Regimento interno da Anvisa é feito pela Portaria Anvisa Nº 306, de 13/07/2001, sendo criada a Gerência- -Geral de Segurança Sanitária de Produtos de Saúde Pós-Comercialização, que conta com uma Unidade de Farmacovigilância. Em agosto de 2001, o Brasil foi admitido no Programa Internacional de Vigilância de Produtos Farmacêuticos da OMS como o 62° País Membro oficial. Nesta ocasião, foi instituído um Centro Nacional de Farmacovigilância, por meio da Portaria n° 696, do Ministério da Saúde. Através dela, foi criado o Centro Nacional de Monitorização de Medicamentos (CNMM), sediado na Unidade de Farmacovigilância da Anvisa. Em paralelo ao CNMM, o Ministério da Saúde, desde 1980, já conta com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). Este órgão ou organismo é responsável pela sistematização e divulgação das informações oriundas da rede formada pelos 37 Centros de Informação e Assistência Toxicológica distribuídos pelo País

Dentre outros itens com risco à saúde coletiva, de certa forma, também, atua como importante fonte de coleta e divulgação de dados importantes na área de farmacovigilância. Existem, também, organizações alternativas que se incubem de recolher, sistematizar e divulgar informações sobre os riscos oferecidos pelos medicamentos. Com o intuito de atuar como fontes alternativas deste tipo de informação, a primeira organização extra-oficial criada foi o CEBRID (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas), fundado, em 1978, e que, atualmente, vem desenvolvendo atividades no campo de epidemiologia das substâncias psicoativas e trabalhos com Plantas Medicinais. Além deste, merecem distinção a Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos (Sobravime) e o Centro Brasileiro de Informações Sobre Medicamento (Cebrim), fundado, em 1992, e sediado no Conselho Federal de Farmácia.

Através dele, foi estabelecida uma rede de centros de informações estaduais denominado de Sistema Brasileiro de Informação sobre Medicamentos. Esta rede atualmente é a que possui maior capilaridade dentre as extra-oficiais, por estar presente na maioria dos Estados. Ao contrário disto, a rede oficial do Ministério da Saúde possui núcleos estaduais somente nos Estados do Ceará, Bahia, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Apesar da existência destas iniciativas, hoje, a farmacovigilância, não só de drogas anti-inflamatórias, mas de todos os medicamentos, ainda, está alicerçada na notificação voluntária de profissionais ou na informação passiva do usuário. Os medicamentos, sem exce- ção, são produtos químicos que, pelas suas finalidades, comprovadamente, possuem efeitos tóxicos. Assim, a inexistência de uma busca sistemática da ocorrência destes efeitos na população é extremamente perigosa para a saúde pública. Para melhor compreensão disto, segundo dados publicados pela empresa ComputerWord e Active, ambas especializadas em sistemas de automação e informatização para a indústria farmacêutica, o setor produz cerca de dois bilhões de unidades de medicamentos, por ano. Se considerarmos um prazo de validade médio para os medicamentos de três anos, podemos estimar que o número de unidades em circulação seja da ordem de pelo menos o dobro da produção anual. Tamanha quantidade de produtos com potencial “tóxico” sem um sistema formal de acompanhamento é assustador. Isto se torna mais grave, ainda, quando eles são objeto de incentivo ao consumo, através de propagandas, e o lucro de sua venda, o meio de subsistência de empresas produtoras, distribuidoras e de varejo. Estima-se que o mercado farmacêutico mundial irá atingir $1.1 trilhões de dólares com um crescimento de 5/8%, até 2014. Certamente, este crescimento será de proporções maiores, no Brasil, com os programas governamentais instituídos, que possibilitam o acesso aos medicamentos a parcelas da população que, há poucas décadas, não faziam parte do mercado.

Apenas aproveitando a oportunidade, penso que a distribuição gratuita de alguns itens de medicamentos, através do Programa Farmácia Básica, apesar de serem dispensados sob prescrição médica, inclui um risco velado e pouco discutido de intoxicações medicamentosas. Este risco existe unicamente pela ainda prevalente fragilidade das estruturas de farmacovigilância que deveria estar acompanhando as toneladas de medicamentos que estão sendo gratuitamente distribuídos. Para fortalecimento deste pensamento, um estudo realizado com as estatísticas de mortalidade americanas, em 2005, mostrou que os medicamentos causaram ou contribuíram para a ocorrência de mais de 25 mil óbitos. No caso brasileiro, segundo as estatísticas divulgadas anualmente pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), os medicamentos, desde 1999, são as principais causas de intoxicação e de óbitos registrados, no País. Entre as drogas que figuram entre os principais responsáveis por intoxicações estão os benzodiazepínicos, os antigripais (que na maioria das vezes tem um AINE na sua composição), os antidepressivos e os antiinflamatórios. O Sinitox alerta, ainda, que os grupos populacionais mais vulneráveis aos efeitos tóxicos dos medicamentos são as crianças menores de cinco anos (29%) e as mulheres, atingidas em 63% dos casos e em 65% dos óbitos registrados. O curioso é que na página da farmacovigilância da Anvisa (VIGIPOS), no campo “Alertas de Farmacovigilância”, e nem em outros locais do site da Anvisa, constam registro de reações adversas aos AINEs. O segmento dos AINEs, no mercado farmacêutico brasileiro, historicamente, esteve entre os primeiros mais comercializados, ao lado dos antibióticos e hormônios (provavelmente, devido aos anticoncepcionais). Dados do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (CEATOX) indicam que, por classe terapêutica e por ordem de incidência de intoxica- ções registradas, os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios estão em primeiro lugar. Depois dos AINEs, vieram os antidepressivos e estimulantes, em segundo, e os cardiovasculares, em terceiro. Observe-se que analgésicos e antitérmicos componentes da primeira classe possuem vários medicamentos de venda isenta de prescrição. Implicando diretamente a responsabilidade dos farmacêuticos por este quadro. Acredito que os técnicos da Anvisa estão atentos para a grande oportunidade de estruturação de um sistema refinado de farmacovigilância que pode ser idealizado, a partir da rastreabilidade dos medicamentos atualmente em pauta. Como está previsto o acompanhamento dos medicamentos por unidade de comercialização, o simples cruzamento deste banco de dados com o dos usuários do SUS pode, também, nos informar quem consumiu um determinado medicamento.

A partir deste momento, é necessário apenas o acompanhamento do paciente para a observação do possível desenvolvimento de reações inesperadas. Se o Ministério da Saúde, ainda, não percebeu esta possibilidade, fica, aqui, registrada a nossa sugestão.

Anti- -inflamatórios interagem com vários grupos de medicamentos. O senhor pode dar exemplos de interação clinicamente significativa?

Quando se fala em interação medicamentosa, o primeiro pensamento é que este é um fenômeno, sempre, indesejado. Em algumas situações, com bom conhecimento de Farmacologia e Fisiopatologia, é possível tirar proveito dela em benefício do paciente. Algumas interações, de tão úteis, terminaram por ser incluídas como alternativa farmacoterapeutica de uso mais frequente que o das duas drogas, isoladamente. Exemplo clássico deste tipo de interação é a associação de sulfametoxazol e trimetoprima em concentrações definidas (também, chamada cotrimoxazol).

Em recente trabalho do Centro de Patogênese Molecular da Faculdade de Farmácia de Lisboa, foi constatado que os AINEs ibuprofeno, ácido acetilsalicí- lico e o seletivo para COX-2 rofexocib conseguem induzir diretamente, in vitro, a morte de Mycobacterium smegmatis e Mycobacterium tuberculosis. Apesar de não ter sido totalmente desvendado por qual mecanismo microbicida estes AINEs são líticos para o M. tuberculosis, em trabalho posterior, foi feita a associação de cada um deles com pró-drogas da pirazinamida. Nesta segunda investigação, concluiu-se que a associação deste tuberculostático com cada um dos três AINEs testados era sinérgica, ou seja, a intensidade da resposta microbicida, quando eram associadas às duas drogas, era maior que a somatória das respostas obtidas com cada uma delas, isoladamente.

Este resultado obtido, em Portugal, é apenas um dentre muitos exemplos da utilização dos conhecimentos de Farmacologia e da interação entre drogas que, futuramente, poderá ser utilizado a favor dos pacientes portadores de tuberculose. Outras interações benéficas, corriqueiramente utilizadas na prática clí- nica, são a existente na associação da dipirona sódica com ácido acetilsalicílico. Ao serem administradas, simultaneamente, o resultado clínico observado é a potenciação da ação analgésica de ambos. Resultado semelhante é obtido nas combinações de medicamentos anti-hipertensivos com mecanismos de ação diferentes, utilizadas para o tratamento da hipertensão arterial severa. Atualmente, um dos aspectos pouco observados, quando se fala em interações entre medicamentos, é a influência que os novos sistemas de liberação de drogas exercem sobre a farmacodinâmica dos princípios ativos. Em algumas situações, a causa da ineficácia de um tratamento, ou o surgimento de efeitos colaterais incomuns, pode ter como causa apenas o tipo de veiculação utilizada para os princípios ativos dos medicamentos.

Com relação às interações medicamentosas indesejadas, todas são clinicamente significativas, dependendo da condição fisiológica ou fisiopatológica do paciente. Para melhor compreensão disto, pode ser tomado como exemplo o uso profilático de salicilatos como anti-agregante plaquetário. Em pacientes com distúrbio cardí- aco já diagnosticado e controlado, a associação do ácido acetilsalicílico não implicará em grandes problemas, quando em concomitância forem administradas drogas que diminuam a sua absorção com consequente diminuição das suas concentrações séricas. No entanto, após um acidente embólico ou isquêmico, qualquer interferência sobre a sua absorção, que diminua sua concentração sanguínea ou sua atividade anticoagulante, pode ser letal. No caso da associação de salicilatos com drogas que aumentam a sua concentração sérica, o resultado pode ser banal para alguns indivíduos. Porém em portadores de doenças que induzem a fragilidade vascular, plaquetopenia ou em portadores de doenças hemorrágicas, esta interação pode levar a complicações muito sérias. Assim como todas as pessoas, os portadores de doenças que levam as condições fisiopatológicas citadas, não estão isentos de sentir dor e ter episó- dios febris. Continuando neste mesmo exemplo, tanto no local de trabalho como no meio ambiente, é possível a inalação crônica de poluentes com atividades anticoagulantes. Nestes pacientes, um simples comprimido de ácido acetilsalicílico, também, poderá desencadear conseqüências semelhantes às observadas na situação anterior. Esta última é uma das situações com fortes tendências de ser classificada como reação idiossincrática, sendo que, na realidade, o ocorrido com o paciente resultou da interação entre um poluente inalado com salicitlato. Após entendidos estes exemplos, torna-se evidente que não se pode afirmar que a interação “A” ou “B” não é clinicamente significativa sem, antes, ser feita uma criteriosa avaliação de todas as variáveis que podem estar envolvidas. Os mecanismos de interações medicamentosas não possuem uma classificação precisa e unifatorial. Geralmente, seus mecanismos são mais complexos do que didática e pedagogicamente nos são apresentados e, nem sempre, são compreendidos na sua totalidade. A reação final, clínica ou laboratorialmente observada, pode ser, ainda, o resultado da ocorrência de mais de um mecanismo de forma simultânea

Para melhor entendimento das interações medicamentosas indesejadas, é necessário relembrarmos os princípios, a natureza, as propostas de mecanismos e, com base nelas, os tipos de interações medicamentosas teoricamente conhecidas ou aquelas comprovadas na prática clínica-terapêutica. A primeira de todas as possibilidades são as reações droga-droga, que ocorrem devido às propriedades químicas e físico-químicas de cada uma das moléculas dos medicamentos envolvidos. São mais frequentes, antes da administração das drogas e no momento que uma é posta em contado com a outra.

Devido a isto, são frequentes nas misturas destinadas ao uso endovenoso. São, também, conhecidas como incompatibilidades farmacêuticas, interações físico-químicas ou interação farmacêutica. As demais possibilidades ocorrem, após a administração da droga, sendo elas as interações farmacodinâmicas (que retrata o que droga faz com o organismo), e as farmacocinéticas (o que exprime o que o organismo faz com a droga). As interações farmacodinâmicas relacionam-se com os efeitos bioquímicos e fisiológicos das drogas e com o seu mecanismo de ação. Referem-se às situações onde duas ou mais drogas produzem efeitos antagônicos, ou competem pelo mesmo receptor ou estruturas intimamente ligadas a ele. Podem ocorrer em quatro etapas bem definidas: fase de absorção, de distribuição (ou transporte), de metabolização e de excreção

A absorção dos AINEs pode ser reduzida por drogas que diminuem a motilidade do trato digestivo (exemplos: atropina, opiáceos) ou acelerada por drogas procinéticas (exemplo: metoclopramida). O pH pode, também, influenciar a absorção de muitos AINEs. Os que são ácidos fracos (ex.: salicilatos) são mais prontamente absorvidos em meio ácido. Portanto, o seu uso associado aos antiácidos, inibidores da bomba protônica (ex.: omeprazol), bloqueadores dos receptores H 2 da histamina (ex.: cimetidina) ou drogas com características alcalinas intrínseca (ex.: bloqueadores H 2 e barbitúricos) farão com que a sua absorção seja diminuída

O inverso disto ocorrerá com os AINEs cujas características intrínsecas de suas moléculas é alcalina. A distribuição das drogas é o primeiro fenômeno observado, após serem absorvidas. Somente as drogas livres na circulação, líquidos intersticiais e demais fluídos biológicos exercem a sua atividade. Após serem absorvidos e adentrarem a circulação, os medicamentos rapidamente se ligam a proteí- nas denominadas de carreadoras, sendo a albumina a principal delas

Quando duas drogas que utilizam o mesmo carreador protéico estão circulando, ao mesmo tempo, uma delas pode ter afinidade maior por ele. Isto faz com que esta última droga ocupe, em maior número, o sítio de ligação das moléculas do carreador (ex.: albumina) elevando a concentração sérica da de menor afinidade. O fenômeno resultante é conhecido como “deslocamento da (ou de) droga”. Exemplos de AINEs deslocadores são a fenilbutazona, aspirina e o paracetamol. De drogas por eles deslocadas são o warfarin, a tolbutamina e o metotrexato. Em casos de subnutrição ou qualquer outra condição fisiopatológica que diminua a concentração de albumina, é necessário ser feito uma adequação posológica das drogas que circulam ligadas a ela. Este cuidado deve ser observado, também, na presença de uremia que, dentre suas muitas consequências fisiológicas e patológicas, leva ao estabelecimento da acidose metabólica. Como a conformação terciária de proteínas é muito sensível a alterações de pH, esta condição fisiopatológica pode comprometer o arranjo espacial das proteínas e, consequentemente, alterar seu sítio de ligação às drogas, resultando em altas concentrações de drogas livres.

A metabolização das drogas é um processo que continuamente esta sendo desempenhado pelos tecidos hepáticos. Para que os metabólitos, medicamentos ou outras substâncias tóxicas sejam eliminadas por via renal ou biliar, é necessário que, antes, se tornem hidrossolúveis. Esta biotransformação é feita por complexos enzimáticos presentes no fígado, sendo os principais conjuntos de enzimas o citocromo C redutase e o citocromo P 450. O uso continuado de uma substância química (Ex.: medicamento, álcool, drogas ilícitas, anticoncepcionais etc.) que é metabolizada por estas vias, pode induzir a uma hiper ou hipo-expressão dos genes destas enzimas.

Como são muitos os medicamentos que podem ser metabolizados por uma mesma via, aquele que é usado continuamente (ex.: antihipertensivos arteriais, contraceptivos etc.) pode ter previamente induzido a expressão destas enzimas. Ao ser administrado um segundo medicamento que é metabolizado pela via cuja expressão foi previamente induzida, a sua metabolização será mais acelerada que o esperado. Como conseqüência, a sua concentração sérica pode cair, em alguns momentos, para abaixo das taxas farmacologicamente recomendadas. As soluções para esta situação são duas: diminuir o intervalo entre as tomadas, ou aumentar a dose, quando a margem terapêutica da droga permitir esta conduta. Em situações em que não existiu uma prévia indução do sistema micromossomal, a administração de uma droga associada a uma segunda que é metabolizada pela mesma via, uma delas pode ser metabolizado mais prontamente que a outra. Nesta condição, a concentração daquela de mais difícil metabolização eleva-se, podendo atingir concentrações tóxicas. Isto é particularmente importante para medicamentos com margem terapêutica estreita. Uma dica bastante simples para presumir qual droga terá a sua metabolização prejudicada e qual será prontamente metabolizada, é observar a concentração molar das duas. Aquela que estiver presente em maior concentração molar terá um maior número de moléculas em suspensão. Obviamente, a probabilidade de um maior número de enzimas estarem ocupadas por ela é mais elevada do que a probabilidade de estarem ocupadas com a de menor concentração molar. Ou seja, diante dos AINEs, que geralmente são administrados na ordem de miligramas, todas as demais drogas metabolizadas pelos mesmos complexos microssomais que os metaboliza e que são administradas na ordem de microgramas ou nanogramas possuem poucas chances de ocupar as enzimas metabolizadoras.

Nesta condição, o risco de intoxicação pela droga administrada associada aos AINEs é consideravelmente ele vada, por existir uma alta concentração dela livre para exercer sua atividade. Os riscos embutidos nas interações medicamentosas de ocorrência na fase de metabolização das drogas existem tanto com o aumento como com a diminui- ção das concentrações plasmáticas das drogas envolvidas. Assim como a diminuição da concentração plasmática de antibióticos acarreta a diminuição da sua biodisponibilidade no foco infeccioso, a elevação da concentração de drogas com pequena margem terapêutica pode ser fatal.

Dentre as diversas possibilidades apresentadas de interações entre AINEs e outras drogas, e que a significância clínica independe de variáveis portadas pelo paciente, a única que está entre as dez mais perigosas e de mais difícil controle é a que ocorre entre os AINEs e a warfarina. Nesta interação, os riscos de acidentes hemorrágicos graves é extremamente elevado. Isto não torna outras como a hipoglicemia resultante da associação de AINEs com as drogas destinadas ao controle do diabetes. O ácido acetilsalicílico por mecanismos ainda não bem esclarecidos induz a uma hipoglicemia, quando associado à administração de insulina. Outro hipoglicemiante que, quando administrado, associado aos AINEs, resulta em uma resposta hipoglicemiante senérgica é a sulfoniluréia. Os anti-inflamatórios deslocam-na do seu sítio de ligação às proteínas plasmáticas. Estes efeitos podem assumir gravidade maior quando, além do salicilato, associa-se no mesmo paciente outros medicamentos que possuem como atividade paralela a diminuição da glicemia, como os antibióticos do grupo das sulfonamidas, certos antidepressivos (inibidores da monoamino oxidase), inibidores da enzima de conversão da angiotensina (captopril, enalapril), bloqueadores dos receptores da angiotensina II, beta-bloqueadores, octreotido ou álcool.

Aloísio Brandão
Carlos Alberto Balbino

Fonte: www.cff.org.br

Anti-Inflamatórios

Anti-inflamatório refere-se à propriedade de uma substância ou de um tratamento que reduza a inflamação . Anti-inflamatórios compõem cerca de metade dos analgésicos , sanar a dor, reduzir a inflamação ao contrário de opióides , que afetam o sistema nervoso central .

Medicamentos

Esteróides

Muitos esteróides, ser específicos glucocorticóides , reduz a inflamação ou inchaço ligando-se a glucocorticóides receptores . Estas drogas são muitas vezes referidos como os corticosteróides.

Não-esteróides anti-inflamatórios

Não-esteróides anti-inflamatórios aliviam a dor por contrariar a ciclo-oxigenase da enzima (COX). Por si só, enzima COX sintetiza as prostaglandinas , criando inflamação. Em conjunto, os NSAIDs previne as prostaglandinas de nunca ter sido sintetizado, reduzir ou eliminar a dor.

Alguns exemplos comuns de AINE são: aspirina , ibuprofeno e naproxeno .

A nova específico da COX-inibidores - embora, presume-se, a partilha de um modo de ação semelhante - que não são classificados em conjunto com os AINEs tradicionais.

Por outro lado, existem os analgésicos que são comumente associados com drogas anti-inflamatórias, mas que não têm efeitos anti-inflamatórios. Um exemplo é o paracetamol , denominado acetaminofenoem, e vendido sob o nome de marca Tylenol . Ao contrário de NSAIDs, que reduzem a dor e inflamação pela inibição de enzimas COX, o paracetamol foi recentemente mostrado para bloquear a recaptação de endocanabinóides, que só reduz a dor, provavelmente explica porque é que tem um efeito mínimo sobre a inflamação.

Longo prazo da utilização de AINEs pode causar erosões gástricas, que podem se tornar úlceras de estômago e, em casos extremos, pode causar hemorragia grave, resultando em morte. O risco de morte como resultado da utilização de AINEs é de 1 em 12.000 para adultos com idades entre 16-45. O risco aumenta quase vinte vezes para os maiores de 75. Outros perigos dos AINEs estão a exacerbar a asma e causando danos nos rins. Para além de aspirina, prescrição AINEs também aumenta o risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Imunitário seletivos anti-inflamatórios Derivativos (ImSAIDs)

ImSAIDs são uma classe de péptidos a ser desenvolvidos por IMULAN BioTherapeutics, LLC , que foram descobertos ter diversas propriedades biológicas, incluindo as propriedades anti-inflamatórias.ImSAIDs trabalho através da alteração da ativação e migração do inflamatórios de células, que são imunes células responsáveis pela amplificação da resposta inflamatória. Os ImSAIDs representam uma nova categoria de anti-inflamatório e não têm relação com esteróides hormonas ou não-esteróide anti -inflamatórios.

Os ImSAIDs foram descobertos por cientistas avaliaram as propriedades biológicas da glândula submandibular e saliva. Os primeiros trabalhos nesta área demonstraram que a glândula submandibular lançou uma série de fatores que regulam a resposta inflamatória sistêmica e modular sistêmicas reações imunes e inflamatórias. Agora, é bem aceito que os imunológico, nervoso e endócrino sistemas de comunica e interagir para controlar e modular a inflamação e tecido de reparação. Uma das vias neuroendócrinas, quando ativada, conduz à libertação de imuno-reguladores péptidos da glândula submandibular após estimulação neuronal do simpático nervos. Esta via de comunicação ou é referido como o cervical glândula submandibular-tronco simpático (CST-SMG) de eixo, um sistema regulador que desempenha um papel no controlo da inflamação sistémica.

Trabalho inicial na identificação de fatores que desempenharam um papel na liderança eixo CST-SMG para a descoberta de um sete aminoácido peptídeo , chamada glândula submandibular peptídeo-T.SGP-T, foi demonstrado que possuem atividade biológica e as propriedades relacionadas com a termorregulação endotoxina exposição. SGP-T, um isolado da glândula submandibular, demonstrou suas propriedades imunomoduladoras e ao papel potencial na modulação da cervical glândula submandibular-tronco simpático (CST- SMG) de eixo, e, subsequentemente, mostrou-se desempenhar um papel importante no controlo da inflamação.

Um derivado SGP-T é uma sequência de ácido de três amino demonstrou ser um potente anti-inflamatório molécula com efeitos sistémicos. Este peptídeo ácido amino é de três fenilalanina - glutamina -glicina (FEG) e sua D- isomérica forma (FEG) tornaram-se a base para a categoria ImSAID. Efeitos celulares da FEG: Os efeitos celulares dos ImSAIDs são caracterizados em um certo número de publicações. peptídeos FEG e afins são conhecidos para modular a atividade (células brancas do sangue) dos leucócitos ao influenciar os receptores de superfície celular para inibir a ativação excessiva e infiltração dos tecidos.

Uma ImSAID chumbo, o FEG tripéptido (Phe-Glu-Gly) e seu isómero D feg são conhecidos por alterar a adesão de leucócitos envolvendo ações sobre aMß2 integrina , e inibem a ligação do anticorpo CD16b (FCyRIII) de neutrófilos humanos. FEG também tem sido demonstrado para diminuir circulantes de neutrófilos e osinófilos , acumulação intracelular diminuem oxidativo atividade e reduzir a expressão de CD49d após exposição ao antigénio.

Efeitos a longo prazo

Ensaios tratamento anti-inflamatório para existir a doença de Alzheimer normalmente têm demonstrado pouco ou nenhum efeito sobre parar ou reverter a doença. Dois estudos de 2012 e 2013 descobriu que o uso regular de aspirina para mais de 10 anos está associada com um aumento no risco de degeneração macular.

Tratamento de gelo

Aplicando gelo , ou mesmo a água fria, a uma lesão no tecido tem um efeito anti-inflamatório e é muitas vezes sugerido como um tratamento de ferimentos e de gestão da dor técnica para atletas. Uma abordagem comum é repouso, gelo, compressão e elevação . Temperaturas baixas inibem a circulação sanguínea local, o que reduz o inchaço no tecido lesado.

Suplementos de saúde

Além de medicamentos, algumas ervas e suplementos de saúde têm qualidades anti-inflamatórias, incluindo a garra do diabo ( Harpagophytum procumbens ), hissopo , gengibre ( Zingiber officinale ),açafrão ( Curcuma longa ), Arnica montana (contendo helenalina ), e casca de salgueiro ( contendo ácido salicílico ). Outros anti-inflamatórios fontes alimentares incluem romã ( Punica granatum ), chá verde( Camellia sinensis ), unha de gato ( Uncaria tometosa e guianensis Uncaria ), indiano olibaum ( Boswelia serrata ), e abacaxi bromelina ( Ananas comosus ). Cannabichromene, um canabinde , também tem efeito anti-inflamatório. Honokiol inibe a agregação plaquetária, e funciona como um agonista inverso no CB2 receptor. Semente preta ( Nigella sativa ) mostrou efeito anti-inflamatório, devido à sua alta thymoquinone conteúdo. St. Erva de João constituinte principal é, hiperforina , foi encontrado para ser um potente COX-1 e 5-LO inibidor, com anti-inflamatório dobra efeito vários que de aspirina.

Anti-inflamatórios - alimentos

As prostaglandinas são substâncias semelhantes a hormonas que afetam o corpo de várias maneiras, também regula mediação inflamatório. Uma dieta anti-inflamatória inclui alimentos menos que criam inflamação causando prostaglandinas (PGE2) no corpo, e os alimentos mais que criam anti-inflamatórios (prostaglandinas PGE1 e PGE3).

Dietas sugeridas para prevenir a inflamação incluem aquelas ricas em vegetais e pobre em simples carboidratos e gorduras, como as gorduras saturadas e gorduras trans. Alimentos anti-inflamatórios incluem frutas mais coloridas e vegetais, peixes gordurosos (que contêm níveis mais elevados de ômega- 3 ácidos graxos ), nozes, sementes e especiarias certas, como o gengibre . Azeite extra-virgem contém a substância química oleocanthal que atua de forma semelhante ao ibuprofeno. Aqueles que seguem uma dieta anti-inflamatória deve evitar óleos refinados e açúcares, e mostram uma preferência para os chamados anti-inflamatórios alimentos em suas escolhas de refeição. Omega-3 ácidos gordos têm sido mostrados para interromper a inflamação sinalização celular vias ligando-se a GPR120 receptor.

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Fonte: en.wikipedia.org

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