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Alfredo Volpi

Mesmo tendo nascido na Itália, de onde foi trazido com menos de dois anos, Volpi é um dos mais importantes artistas brasileiros deste século. Antes de mais nada, trata-se de um pintor original, que inventou sozinho sua própria linguagem. Isso é muito raro na arte produzida em países do terceiro mundo, cuja cultura erudita sempre deve algo a modelos internacionais. Diferentemente das de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari, cujas analogias estilísticas com Léger e Picasso são reais, a pintura de Volpi não se parece com a de ninguém no mundo. Pode, quando muito ter, às vezes, um clima poético próximo ao da pintura de Paul Klee - mas sem semelhanças formais.

Embora fosse da mesma geração dos modernistas, Volpi não participou da Semana de Arte Moderna de 1922. Dela estava separado, em primeiro lugar, por uma questão de classe social. Imigrante humilde, lutava arduamente pela vida no momento em que os intelectuais e os patronos da "Semana" a realizaram. Era um simples operário, um pintor/decorador de paredes, que pintava os ornamentos murais, frisos, florões etc., usados nos salões dos palacetes da época. Acima de tudo, esse dado tem uma importância simbólica. Mostra que a trajetória de Volpi foi desde sempre independente de qualquer movimento, tendência ou ideologia.

Alfredo Volpi

Auto-didata, Volpi começou, na juventude, fazendo pequenas e tímidas telas do natural, nas quais às vezes se nota um toque impressionista. Na década de 30, sua pintura adquire um sabor claramente popular - embora permaneça, ao mesmo tempo, paradoxalmente, sempre concisa, sem a menor prolixidade nem retórica. É a década de 40 que marca sua decisiva evolução em direção a uma arte não representativa, não mimética, independente da realidade contemplada.

Volpi passa a trabalhar de imaginação, no atelier, e produz marinhas e paisagens cada vez mais despojadas, que acabam se transformando em construções nitidamente geométricas - as chamadas "fachadas". É como se o artista refizesse sozinho, por si mesmo, todo o caminho histórico da primeira modernidade, de Cézanne a Mondrian. Sua linguagem não se parece com a desses mestres, mas os propósitos são os mesmos: libertar-se da narrativa e construir uma realidade pictórica autônoma do quadro. Cada tela, nessa época, parece sair exatamente da anterior, num processo contínuo e linear. Através dessas paisagens, que na passagem aos anos 50 se transformam em fachadas, Volpi chega, em 1956, à pintura abstrata geométrica - mas não porque ela está na moda e virou objeto de polêmica, e sim como conseqüência inexorável de sua própria evolução.

A fase rigorosamente abstrata é curtíssima. Dos anos 60 em diante, Volpi fez uma síntese única entre arte figurativa e abstrata. Seus quadros admitem uma leitura figurativa (nas "fachadas", nas famosas "bandeirinhas"), mas são, essencialmente, apenas estruturas de "linha, forma e cor" - como ele mesmo insistia em dizer.

Também ímpar é a síntese que faz entre suas origens populares e uma produção formalmente muito requintada, sem dúvida erudita. Finalmente, ele concilia e sintetiza brasilidade e universalidade. Pode-se dizer que o projeto estético procurado por Tarsila e articulado e explicitado por Rubem Valentim foi realizado na plenitude por Volpi, de maneira não intelectual e sim prodigiosamente intuitiva.

Fonte: www.mre.gov.br

Alfredo Volpi

Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896.

Filho de imigrantes, chegou ao Brasil com pouco mais de um ano de idade. Foi decorador de paredes. Aos 16 anos pintava frisos, florões e painéis. Sempre valorizou o trabalho artesanal, construindo suas próprias telas, pincéis. As tintas eram feitas com pigmentos naturais, usando a técnica de têmpera.

Foi um auto didata. Sua evolução foi natural, tendo chegado à abstração por caminhos próprios, trabalhando e dedicando-se a essa descoberta. Nunca acreditou em inspiração.

Alfredo Volpi não participou dos movimentos modernistas da década de 20, apoiados pela elite brasileira. Manteve-se à parte desses grupos. Não teve acesso aos mestres europeus, como era comum na época.

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

 

Formou, na década de 30, o Grupo Santa Helena que com outros pintores,- Rebolo, Graciano, Zanini, Bonadei, Pennacchi,- constituiram um trabalho voltado para a pesquisa, desenvolvimento de técnicas apuradas e observação.

Na década de 40, através das paisagens de Itanhaém, seu novo caminho pictórico começou a se mostrar. Abandonou a perspectiva tradicional, simplificou e geometrizou as formas. Mais tarde, chegou à abstração. Após seu encontro com o pintor italiano Ernesto De Fiori, seus gestos ficaram mais livres, dinâmicos e expressivos. A cor, mais vibrante.

Nos anos 50, as bandeirinhas das festas juninas, de Mogi das Cruzes, integraram-se às suas fachadas. Posteriormente, destacou-as do seu contexto original. A partir da década de 60, suas pinturas são jogos formais: todos os temas são deixados de lado e as bandeirinhas passaram a ser signos, formas geométricas compondo ritmos coloridos e iluminados

Volpi morreu aos 92 anos, em 1988, em São Paulo.

Fonte: www.mac.usp.br

Alfredo Volpi

Volpi, um dos quatro maiores pintores brasileiros, retratou o "simples" com sofisticação. De origem italiana, herdou valores dos grandes mestres italianos, que incorporou à sua obra, mesclando às cores brasileiras.

Pesquisou a nossa paisagem, na periferia e no litoral, buscando tonalidades inusitadas de azuis, verdes, terras. Numa comunicação direta, representou o gosto popular. Coisas de um pintor despojado, singular, único.

Misturou pigmentos com gema de ovo, óleo de cravo, formando uma escala de cores própria, com as cores brasileiras, numa técnica inovadora em pintura sobre tela. (Têmpera).

Eliminou texturas, massas, técnicas , deixando apenas a cor e a forma na tela. Deteve-se numa construção geométrica simples, as "bandeirinhas".

" Um pintor de bandeirinhas eu? Quem pinta bandeirinhas é o Penacchi. Eu pinto formas , cores." (Alfredo Volpi) Simplificava para extrair a essência.

Preservou o prazer de criar e de pintar, sem teorias e enquadramentos; manteve a integridade mesmo cercado por movimentos artísticos radicais. Participou de diversas mostras e salões do Construtivismo e Concretismo (56 e 57).

Foi eleito pelos intelectuais do Movimento Concretista como o "...primeiro e último grande pintor brasileiro" (Haroldo e Augusto de Campos). Representante da arte brasileira na XXVII Bienal de Veneza (1952), recebeu o Grande Prêmio na II Bienal Internacional de São Paulo (1954), tornando-se o pintor mais solicitado pelos compradores no mercado de artes.

Foi homenageado em Sala especial da VI Bienal de São Paulo (1961), com uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1972), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (75 e 98) . Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural. Olívio Tavares Araújo 1981.

"A beleza individual destas imagens, qual variações da mesma melodia simples, integradas por um ritmo \rude e varonil, faz jorrar uma força que não falhará em seduzir, envolver e , finalmente, nos arrebatar para este doce e gratuito brinquedo de dançar, cantar, e amar a vida feliz, que é presenteada a todos sem avareza." Ladi Biezus autor do projeto editorial "Volpi: a construção da catedral."1981 MAM São Paulo.

"Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural." Olívio Tavarez Araújo 1981.

"...Seus temas, tão maravilhosamente ligados à paisagem e à gente brasileira, às suas cores, ritmos e formas, e ao seu inesgotável imaginário." Jacob Kilntowitz 1989.

1894

Nasceu em Lucca, Itália. Veio com a família ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Exerceu vários ofícios, inclusive o de decorador de interiores e pintor de paredes.

1914

Executa sua primeira obra.

1925

Inicia sua participação em mostras coletivas.

1927

Conhece Mário Zanini sobre quem exerceu grande influência.

1928

Forma o Grupo Santa Helena, onde trabalha ao lado de Bonadei e Rebollo. Conheceu Ernesto de Fiori, com quem vija à Europa e que iria influenciá-lo de maneira decisiva.

1938

Participa do Salão de Maio e da I Exposição da Família Artística Paulista, ambos em SP.

1939

Após visita a Itanhaém, inicia série de marinhas.

1940

Participa do VII Salão Paulista de Belas Artes .

1941

Participa do XLVII Salão Nacional de Belas - Artes do Rio de Janeiro, da I Exposição do Osirarte e do I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, em São Paulo.

1950

Faz sua primeira individual na cidade de São Paulo.

1953

Ganha o prêmio da II Bienal Internacional de São Paulo, responsável pela sua maior visibilidade. Participa da XXVII Bienal de Veneza.

1956/57

Participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta.

1957

Tem sua primeira retrospectiva, no Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro. 1975 Retrospectiva no MAM - São Paulo.

1976

Retrospectiva no Museu de Arte Contemporânea - Campinas.

1980

Exposição retrospectiva Volpi/As Pequenas Grandes Obras/ Três Décadas de Pintura na galeria A Ponte, em São Paulo,

1984

Participa da mostra Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, da Fundação Bienal. Em seu aniversário de 90 anos, o MAM-SP faz a exposição Volpi 90 Anos.

1988

Morre em São Paulo.

1993

A Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe " Volpi - projetos e estudos em retrospectiva - décadas de 40-70

Fonte: www.galeriaerrolflynn.com.br

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi (Lucca, Itália 1896 - São Paulo SP 1988). Pintor. Muda-se com os pais para São Paulo em 1897 e, ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás. Mais tarde trabalha como marceneiro-entalhador e encadernador. Em 1911, torna-se pintor decorador e começa a pintar sobre madeiras e telas.

Na década de 1930 passa a fazer parte do Grupo Santa Helena com vários artistas como Mario Zanini (1907-1971) e Francisco Rebolo (1903-1980), entre outros.

Em 1936, participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e integra, em 1937, a Família Artística Paulista. Sua produção inicial é figurativa, destacando-se as marinhas executadas em Itanhaém, em São Paulo. No fim dos anos de 1930, mantém contato com o pintor Emídio de Souza (1868-ca.1949), que fôra asssistente de Benedito Calixto (1853-1927). Em 1940, ganha o concurso promovido pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com trabalhos realizados a partir dos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, empresa de azulejaria criada em 1940, por Rossi Osir (1890-1959).

Sua primeira exposição individual ocorre em São Paulo, na Galeria Itá, em 1944. Em 1950, viaja para a Europa acompanhado de Rossi Osir e Mario Zanini, quando impressiona-se com obras pré-renascentistas. Passa a executar, a partir da década de 1950, composições que gradativamente caminham para a abstração. É convidado a participar, em 1956 e 1957, das Exposições Nacionais de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Recebe, em 1953, o prêmio de Melhor Pintor Nacional, dividido com Di Cavalcanti (1897-1976); o Prêmio Guggenheim, em 1958; o melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro em 1962 e 1966, entre outros.

COMENTÁRIOS CRÍTICAS

Alfredo Volpi, filho de imigrantes italianos, chega ao Brasil com pouco mais de um ano de idade e instala-se com a família no Cambuci, tradicional bairro de São Paulo. Ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás e trabalha como marceneiro, entalhador e encadernador. Em 1911, aos 16 anos, inicia a carreira como aprendiz de decorador de parede, pintando frisos, florões e painéis de residências.

Na mesma época, começa a pintar sobre madeira e telas. Volpi freqüenta mostras no centro antigo de São Paulo, entre elas a polêmica exposição pintura moderna de Anita Malfatti, de 1917, que se tornaria um marco do modernismo no Brasil. Sua primeira exposição coletiva ocorre no Palácio das Indústrias de São Paulo, em 1925. Privilegia no período retratos e paisagens. Possui grande sensibilidade para a luz e sutileza no uso das cores, por isso é comparado aos impressionistas. No entanto, algumas obras da década de 1920, como Paisagem com Carro de Boi, pertencente à Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, pela movimentação curva da estrada e a árvore retorcida, remetem a composições românticas, o que indica conhecimento da tradição e sua recusa à pintura de observação. Em 1926, assiste em São Paulo à conferência do teórico do futurismo italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944).

Em meados dos anos 30 se aproxima do Grupo Santa Helena. Formado por Francisco Rebolo (1903-1980), Mario Zanini (1907-1971), Fulvio Pennacchi (1905-1992) e Bonadei (1906-1974), entre outros, é assim denominado pelo crítico Sérgio Milliet (1898-1966) porque alugam salas para escritórios de pintura e decoração no edifício Santa Helena, na Praça da Sé. Volpi não chega a se instalar no local, mas participa de excursões para pintar os subúrbios e de sessões de desenho com modelo vivo junto ao grupo. Em 1936, toma parte na formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Nesse ano, expõe com o Grupo Santa Helena. Em 1937, conhece o pintor Ernesto de Fiori (1884-1945), recém chegado da Itália, importante no desenvolvimento de sua pintura.

Com De Fiori aprende que o assunto da pintura e suas possibilidades narrativas não são tão importantes quanto seus elementos plásticos e formais. Certas soluções, como o uso de cores vivas e foscas e um tratamento mais intenso da matéria pictórica, surgem de diálogos com o artista ítalo-alemão. A partir de 1937, participa dos Salões da Família Artística Paulista, organizado por Rossi Osir (1890-1959), pintor que reúne um grupo heterogêneo de artistas e intelectuais para conversar sobre arte. Sem abandonar o trabalho de decoração de paredes, em 1939 inicia a série de marinhas e paisagens urbanas realizadas em Itanhaém, litoral de São Paulo. Nessa época conhece o pintor naïf Emídio de Souza (1868-ca.1949), de quem adquire algumas telas. No início da década de 1940, seu trabalho passa por uma rigorosa simplificação formal, mas a perspectiva sugerida no quadro não chega a representar a recusa da planaridade da tela.

Casa-se com Benedita da Conceição (Judith) em 1942. Em 1944, realiza a primeira exposição individual, na Galeria Itá, em São Paulo, e participa de coletiva organizada por Guignard (1896-1962), em Belo Horizonte, ocasião em que visita Ouro Preto. A têmpera, na passagem da década de 1940 para os anos 50, confere à sua pintura uma textura rala, como em Casa na Praia (Itanhaém), pertencente ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP. Nesse período, o caráter construtivo de sua pintura se afirma entre os planos das fachadas, telhados e paisagem. Em 1950, viaja para a Europa com Zanini e Rossi Osir. Passa por Paris, se instala em Veneza e faz visitas a Pádua para ver o afresco de Giotto (ca.1266-1337) na capela dos Scrovegni. Seu interesse por pintores pré-renascentistas confirma algumas soluções pictóricas que havia alcançado em seu trabalho. Encontra na obra de Paolo Uccello (1397-1475) jogos de ilusão em que ora o fundo se opõe à figura e a projeta para a frente, ora ambos se entrelaçam na superfície da tela. Volpi constrói assim um espaço indeterminado que permite o surgimento de uma estrutura que se esvai, fluida, ressaltada pela têmpera, e uma forte vontade de ordenação.

Participa das três primeiras Bienais Internacionais de São Paulo e, em 1953, divide com Di Cavalcanti (1897-1976), o Prêmio de Pintura Nacional. Da série das fachadas surgem as bandeirinhas de festa junina, que, mais que um motivo popular, se tornam elementos compositivos autônomos. Participa, em 1957, da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, mas nunca se prende ao rigor formal do movimento. No Rio de Janeiro, realiza retrospectiva em que é aclamado por Mário Pedrosa (1900-1981) como "o mestre brasileiro de sua época", em 1958. No mesmo ano, pinta afrescos para a Capela da Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, e telas com temas religiosos. Nos anos 60 e 70 suas composições de bandeirinhas são intercaladas por mastros com grande variação de cores e ritmo. A técnica da têmpera lhe permite renunciar à impessoalidade do uso de tintas industriais e do trabalho automatizado e mecânico, do qual os artistas concretistas se aproximam.

A prática artesanal torna-se para Volpi, uma resistência à automatização e, simultaneamente, afirmação de seu lirismo ao invés de reiteração ingênua do gesto. A trajetória original e isolada de Volpi vai dos anos 10 até meados dos anos 80. Todas as suas transformações são gradativas e brotam de seu amadurecimento e diálogo com a pintura.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Alfredo Volpi

Volpi, um dos quatro maiores pintores brasileiros, retratou o "simples" com sofisticação. De origem italiana, herdou valores dos grandes mestres italianos, que incorporou à sua obra, mesclando às cores brasileiras.

Pesquisou a nossa paisagem, na periferia e no litoral, buscando tonalidades inusitadas de azuis, verdes, terras. Numa comunicação direta, representou o gosto popular. Coisas de um pintor despojado, singular, único.

Misturou pigmentos com gema de ovo, óleo de cravo, formando uma escala de cores própria, com as cores brasileiras, numa técnica inovadora em pintura sobre tela. (Têmpera).

Eliminou texturas, massas, técnicas , deixando apenas a cor e a forma na tela. Deteve-se numa construção geométrica simples, as "bandeirinhas".

" Um pintor de bandeirinhas eu? Quem pinta bandeirinhas é o Penacchi. Eu pinto formas , cores." (Alfredo Volpi) Simplificava para extrair a essência.

Preservou o prazer de criar e de pintar, sem teorias e enquadramentos; manteve a integridade mesmo cercado por movimentos artísticos radicais. Participou de diversas mostras e salões do Construtivismo e Concretismo (56 e 57).

Foi eleito pelos intelectuais do Movimento Concretista como o "...primeiro e último grande pintor brasileiro" (Haroldo e Augusto de Campos). Representante da arte brasileira na XXVII Bienal de Veneza (1952), recebeu o Grande Prêmio na II Bienal Internacional de São Paulo (1954), tornando-se o pintor mais solicitado pelos compradores no mercado de artes.

Foi homenageado em Sala especial da VI Bienal de São Paulo (1961), com uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1972), e no Museu de Arte Moderna de São Paulo (75 e 98) . Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural. Olívio Tavares Araújo 1981.

"A beleza individual destas imagens, qual variações da mesma melodia simples, integradas por um ritmo \rude e varonil, faz jorrar uma força que não falhará em seduzir, envolver e , finalmente, nos arrebatar para este doce e gratuito brinquedo de dançar, cantar, e amar a vida feliz, que é presenteada a todos sem avareza." Ladi Biezus autor do projeto editorial "Volpi: a construção da catedral."1981 MAM São Paulo.

"Sua obra parece se integrar com o indivíduo num todo harmonioso, e vem à tona com fluidez e liberdade de uma força natural." Olívio Tavarez Araújo 1981.

"...Seus temas, tão maravilhosamente ligados à paisagem e à gente brasileira, às suas cores, ritmos e formas, e ao seu inesgotável imaginário." Jacob Kilntowitz 1989.

1894

Nasceu em Lucca, Itália. Veio com a família ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Exerceu vários ofícios, inclusive o de decorador de interiores e pintor de paredes.

1914

Executa sua primeira obra.

1925

Inicia sua participação em mostras coletivas.

1927

Conhece Mário Zanini sobre quem exerceu grande influência.

1928

Forma o Grupo Santa Helena, onde trabalha ao lado de Bonadei e Rebollo. Conheceu Ernesto de Fiori, com quem vija à Europa e que iria influenciá-lo de maneira decisiva.

1938

Participa do Salão de Maio e da I Exposição da Família Artística Paulista, ambos em SP.

1939

Após visita a Itanhaém, inicia série de marinhas.

1940

Participa do VII Salão Paulista de Belas Artes .

1941

Participa do XLVII Salão Nacional de Belas - Artes do Rio de Janeiro, da I Exposição do Osirarte e do I Salão de Arte da Feira Nacional de Indústrias, em São Paulo.

1950

Faz sua primeira individual na cidade de São Paulo.

1953

Ganha o prêmio da II Bienal Internacional de São Paulo, responsável pela sua maior visibilidade. Participa da XXVII Bienal de Veneza.

1956/57

Participa da I Exposição Nacional de Arte Concreta.

1957

Tem sua primeira retrospectiva, no Museu de Arte Moderna - Rio de Janeiro. 1975 Retrospectiva no MAM - São Paulo.

1976

Retrospectiva no Museu de Arte Contemporânea - Campinas.

1980

Exposição retrospectiva Volpi/As Pequenas Grandes Obras/ Três Décadas de Pintura na galeria A Ponte, em São Paulo,

1984

Participa da mostra Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, da Fundação Bienal. Em seu aniversário de 90 anos, o MAM-SP faz a exposição Volpi 90 Anos.

1988

Morre em São Paulo.

1993

A Pinacoteca do Estado de São Paulo expõe " Volpi - projetos e estudos em retrospectiva - décadas de 40-70

Fonte: www.galeriaerrolflynn.com.br

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi (Lucca, Itália 1896 - São Paulo SP 1988). Pintor. Muda-se com os pais para São Paulo em 1897 e, ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás. Mais tarde trabalha como marceneiro-entalhador e encadernador. Em 1911, torna-se pintor decorador e começa a pintar sobre madeiras e telas.

Na década de 1930 passa a fazer parte do Grupo Santa Helena com vários artistas como Mario Zanini (1907-1971) e Francisco Rebolo (1903-1980), entre outros.

Em 1936, participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo e integra, em 1937, a Família Artística Paulista. Sua produção inicial é figurativa, destacando-se as marinhas executadas em Itanhaém, em São Paulo. No fim dos anos de 1930, mantém contato com o pintor Emídio de Souza (1868-ca.1949), que fôra asssistente de Benedito Calixto (1853-1927). Em 1940, ganha o concurso promovido pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com trabalhos realizados a partir dos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, empresa de azulejaria criada em 1940, por Rossi Osir (1890-1959).

Sua primeira exposição individual ocorre em São Paulo, na Galeria Itá, em 1944. Em 1950, viaja para a Europa acompanhado de Rossi Osir e Mario Zanini, quando impressiona-se com obras pré-renascentistas. Passa a executar, a partir da década de 1950, composições que gradativamente caminham para a abstração. É convidado a participar, em 1956 e 1957, das Exposições Nacionais de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Recebe, em 1953, o prêmio de Melhor Pintor Nacional, dividido com Di Cavalcanti (1897-1976); o Prêmio Guggenheim, em 1958; o melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro em 1962 e 1966, entre outros.

COMENTÁRIOS CRÍTICAS

Alfredo Volpi, filho de imigrantes italianos, chega ao Brasil com pouco mais de um ano de idade e instala-se com a família no Cambuci, tradicional bairro de São Paulo. Ainda criança, estuda na Escola Profissional Masculina do Brás e trabalha como marceneiro, entalhador e encadernador. Em 1911, aos 16 anos, inicia a carreira como aprendiz de decorador de parede, pintando frisos, florões e painéis de residências.

Na mesma época, começa a pintar sobre madeira e telas. Volpi freqüenta mostras no centro antigo de São Paulo, entre elas a polêmica exposição pintura moderna de Anita Malfatti, de 1917, que se tornaria um marco do modernismo no Brasil. Sua primeira exposição coletiva ocorre no Palácio das Indústrias de São Paulo, em 1925. Privilegia no período retratos e paisagens. Possui grande sensibilidade para a luz e sutileza no uso das cores, por isso é comparado aos impressionistas. No entanto, algumas obras da década de 1920, como Paisagem com Carro de Boi, pertencente à Pinacoteca do Estado de São Paulo - Pesp, pela movimentação curva da estrada e a árvore retorcida, remetem a composições românticas, o que indica conhecimento da tradição e sua recusa à pintura de observação. Em 1926, assiste em São Paulo à conferência do teórico do futurismo italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944).

Em meados dos anos 30 se aproxima do Grupo Santa Helena. Formado por Francisco Rebolo (1903-1980), Mario Zanini (1907-1971), Fulvio Pennacchi (1905-1992) e Bonadei (1906-1974), entre outros, é assim denominado pelo crítico Sérgio Milliet (1898-1966) porque alugam salas para escritórios de pintura e decoração no edifício Santa Helena, na Praça da Sé. Volpi não chega a se instalar no local, mas participa de excursões para pintar os subúrbios e de sessões de desenho com modelo vivo junto ao grupo. Em 1936, toma parte na formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Nesse ano, expõe com o Grupo Santa Helena. Em 1937, conhece o pintor Ernesto de Fiori (1884-1945), recém chegado da Itália, importante no desenvolvimento de sua pintura.

Com De Fiori aprende que o assunto da pintura e suas possibilidades narrativas não são tão importantes quanto seus elementos plásticos e formais. Certas soluções, como o uso de cores vivas e foscas e um tratamento mais intenso da matéria pictórica, surgem de diálogos com o artista ítalo-alemão. A partir de 1937, participa dos Salões da Família Artística Paulista, organizado por Rossi Osir (1890-1959), pintor que reúne um grupo heterogêneo de artistas e intelectuais para conversar sobre arte. Sem abandonar o trabalho de decoração de paredes, em 1939 inicia a série de marinhas e paisagens urbanas realizadas em Itanhaém, litoral de São Paulo. Nessa época conhece o pintor naïf Emídio de Souza (1868-ca.1949), de quem adquire algumas telas. No início da década de 1940, seu trabalho passa por uma rigorosa simplificação formal, mas a perspectiva sugerida no quadro não chega a representar a recusa da planaridade da tela.

Casa-se com Benedita da Conceição (Judith) em 1942. Em 1944, realiza a primeira exposição individual, na Galeria Itá, em São Paulo, e participa de coletiva organizada por Guignard (1896-1962), em Belo Horizonte, ocasião em que visita Ouro Preto. A têmpera, na passagem da década de 1940 para os anos 50, confere à sua pintura uma textura rala, como em Casa na Praia (Itanhaém), pertencente ao Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP. Nesse período, o caráter construtivo de sua pintura se afirma entre os planos das fachadas, telhados e paisagem. Em 1950, viaja para a Europa com Zanini e Rossi Osir. Passa por Paris, se instala em Veneza e faz visitas a Pádua para ver o afresco de Giotto (ca.1266-1337) na capela dos Scrovegni. Seu interesse por pintores pré-renascentistas confirma algumas soluções pictóricas que havia alcançado em seu trabalho. Encontra na obra de Paolo Uccello (1397-1475) jogos de ilusão em que ora o fundo se opõe à figura e a projeta para a frente, ora ambos se entrelaçam na superfície da tela. Volpi constrói assim um espaço indeterminado que permite o surgimento de uma estrutura que se esvai, fluida, ressaltada pela têmpera, e uma forte vontade de ordenação.

Participa das três primeiras Bienais Internacionais de São Paulo e, em 1953, divide com Di Cavalcanti (1897-1976), o Prêmio de Pintura Nacional. Da série das fachadas surgem as bandeirinhas de festa junina, que, mais que um motivo popular, se tornam elementos compositivos autônomos. Participa, em 1957, da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, mas nunca se prende ao rigor formal do movimento. No Rio de Janeiro, realiza retrospectiva em que é aclamado por Mário Pedrosa (1900-1981) como "o mestre brasileiro de sua época", em 1958. No mesmo ano, pinta afrescos para a Capela da Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, e telas com temas religiosos. Nos anos 60 e 70 suas composições de bandeirinhas são intercaladas por mastros com grande variação de cores e ritmo. A técnica da têmpera lhe permite renunciar à impessoalidade do uso de tintas industriais e do trabalho automatizado e mecânico, do qual os artistas concretistas se aproximam.

A prática artesanal torna-se para Volpi, uma resistência à automatização e, simultaneamente, afirmação de seu lirismo ao invés de reiteração ingênua do gesto. A trajetória original e isolada de Volpi vai dos anos 10 até meados dos anos 80. Todas as suas transformações são gradativas e brotam de seu amadurecimento e diálogo com a pintura.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Alfredo Volpi

De um lado o mar, vasto mar da Praia Grande, sem contornos, bravio, devorando a praia a cada ressaca, para depois, deixá-la, transformando a areia úmida em uma pista tão dura quanto o concreto, servindo, pois, de estrada natural, que ligava os pequenos vilarejos do litoral Sul do Estado de São Paulo.

No lado oposto ao mar, lá estava a mata atlântica, fechada, intransponível, estendendo-se numa planície que morria frente a um enorme paredão, a serra do Mar, no alto da qual ficava a capital paulista.

Felizmente, a maré estava baixa, e o pequeno ônibus, conhecido entre os da terra como «jardineira», engolia o caminho à sua frente, diminuindo, pouco a pouco, a distância que os separava do lugar de destino, a pequena cidade de Conceição de Itanhaém.

Dentro da «jardineira», entre outros passageiros, um homem, já nos seus 40 anos, levando consigo um cavalete e uma maleta com toda a tralha de pintura: pincéis, tintas e algumas telas, que muitas não poderia levar, por falta de espaço. Levava, também, alguns cartões para pintura e, na falta de qualquer base para seus quadros, arrumaria o que mais conseguisse na cidade, madeira principalmente, que era mais fácil de ser encontrada.

Itanhaém, neste ano de 1927, era uma cidade isolada e misteriosa, por onde, segundo a tradição - mas sem comprovação histórica - teria caminhado o padre José de Anchieta, apóstolo dos indígenas. E, neste ano, acabara de falecer um de seus mais ilustres cidadãos, o pintor Benedito Calixto de Jesus (1853-1927), que imortalizou, em suas telas, as mais belas paisagens do litoral paulista.

Agora, naquele ônibus sacolejante e barulhento, seguia outro pintor, o brasileiríssimo italiano Alfredo Volpi, ansioso por desvendar os mistérios daquela cidade litorânea e transportá-los para suas telas ou, na falta destas, para qualquer outro material que estivesse ao seu alcance.

Itanhaém, aqui estamos

A cidade onde chegou, após horas de viagem, não o decepcionou. Subiu à colina e contemplou, com olhos de artista, a igreja seiscentista reconstruída após um incêndio, este causado pela imprudência de um frade, ao usar tochas para desalojar os morcegos que se escondiam no telhado do templo.

De lá, no alto do morro, a vista era ampla e ia até onde os olhos pudessem alcançar. Dos fundos da igreja, podia-se avistar a desembocadura do rio Itanhaém, onde pescadores arrumavam suas redes; bem próximo, alguns barcos de pesca. Ao mar alto, alguns vapores, fazendo o serviço costeiro, transportando por água as mercadorias que, devido à falta de estradas, não tinham condições de seguir por rodovia.

Volpi pintou. Pintou com entusiasmo, com paixão, com pressa, como se a paisagem fosse volatilizar a qualquer momento, urgindo que a tivesse fixada nas suas telas, antes que tal acontecesse.

Foi aí que surgiu a fase marinha de Volpi que, se não foi a mais importante de sua vida, deixou registros que só encontrariam paralelo anos mais tarde, quando, no mesmo local, se instalaria o marinheiro José Pancetti (1902-1958), o qual, na mesma quantidade e com a mesma qualidade, registrou as inesgotáveis belezas naturais daquela cidade, distante quarenta quilômetros de Santos, comprimida entre o mar e a montanha (veja a Itanhaém de Pancetti).

Quando toda profissão era arte

Alfredo Volpi nasceu em Luca, na Itália, em 1896 e faleceu em São Paulo em 1988. Embora tenha vindo ao Brasil, com seus pais, com apenas um ano e meio, e ainda que tornando-se o mais brasileiro entre todos estrangeiros, jamais naturalizou-se, usando até a morte a cidadania italiana e mantendo-se fortemente ligado à Itália, não apenas por laços de sangue, mas por uma admiração muito grande -- podemos dizer até, babosa -- pelos mestres pintores de sua terra natal.

Sua vida no Brasil não foi fácil. Filho de operários imigrantes, operário também se tornou. Numa época em que toda profissão tinha um toque de arte, tentou a vida como carpinteiro, entalhador de móveis, encadernador e, por fim, pintor de paredes.

Os serviços manuais, por aquele tempo, não tinham nada da simplificação de hoje em dia. Um pedreiro sabia dar um bom acabamento ao exterior, firmando estatuetas em nichos ou moldando baixos relevos na parede, para gravar ao fim o ano de construção em algarismos romanos, como se esta gravação representasse sua própria assinatura.

Por outro lado, um simples construtor de carroças ou charretes precisava dar um trato pictórico nelas, antes de entregá-las ao consumidor final. E a carroçaria de um caminhão recebia toda série de complicados arabescos, antes de ser dada como pronta. Outro grande pintor, Sylvio Pinto (1918-1997), começou sua vida pintando carroças.

Pois foi juntando o dom da pintura à necessidade de sobrevivência, que Volpi, depois de tantas tentativas frustradas para encontrar uma profissão estável, tornou-se pintor: um pintor de paredes, despejando sobre elas as idéias que giravam em sua mente, decorando cada parede segundo o gosto do freguês.

Dois grupos rivais

Dezoito era um número significativo para Volpi: aos dezoito meses, chegou ao Brasil; aos dezoito anos, pintou seu primeiro quadro, digno desse nome, iniciando seus contatos com a paisagem. Quatro anos depois, participou de uma exposição promovida pela Muse Italiche, onde foi premiado com medalha de ouro, sem que isso significasse algo mais em termos de destaque.

Seus horizontes se abriram por volta de 1935, quando Volpi começou a freqüentar o ateliê de Rebolo (Francisco Rebolo Gonzales - 1902-1980), no Palacete Santa Helena, onde costumavam se reunir outros pintores, operários como ele, e, da mesma maneira, procurando um lugar ao sol.

Em 1937, ano tumultuado na vida brasileira, um grupo de artistas, melhor situados na vida, criou para si, em São Paulo, um centro de exposições anuais, dando-lhe o nome de Salões de Maio. Era um grupo fechado, de vanguarda, com idéias próprias de arte, rechaçando, por exclusão, tudo o que não estivesse de acordo com seus conceitos.

Nem pensar que os artistas do Grupo Santa Helena, quase todos operários, e quase todos autodidatas, tivessem qualquer possibilidade de inscrever-se nessas exposições. Partiram estes, então, para um empreendimento próprio e, com o apoio de Paulo Rossi Osir (1890-1959), formaram um grupamento de oposição, denominado Família Artística Paulista, o qual, em novembro de 1937, realizou sua primeira exposição, duramente criticada pelos opositores.

Os Salões de Maio tinham o apoio do jornalista e crítico de arte Geraldo Ferraz, que acusava os pintores operários de viver o tradicionalismo, presos, no tempo, a uma arte já ultrapassada. Por seu lado, a Família Artística Paulista ganhou um valioso advogado, na pessoa do escritor Mário de Andrade, que também tinha acesso à mídia, e que os defendeu dos ataques vindos do outro lado.

Enfim, o sucesso

Se a exposição de 1937 foi uma nulidade, já na de 1939, a Família Artística Paulista -- Volpi incluído nela -- encontrou boa repercussão, permitindo que os participantes ganhassem, senão notoriedade, pelo menos um espaço para se expandir.

Voltando de Itanhaém, de cuja visita falamos ao início, Volpi já encontra algumas alternativas viáveis para seguir o caminho a que se propôs. Em 1944, recebendo um convite oficial, faz uma visita às cidades históricas de Minas Gerais.

Por alguns anos, sua vida cai na rotina diária, mas, em 1950, juntamente com Rossi Osir e Mário Zanini (1907-1971), este também do Grupo Santa Helena, faz uma viagem de seis meses pela Europa, começando por Paris e seguindo depois para a Itália, onde se instala em Veneza, mas fazendo freqüentes visitas a Pádua, não distante dali.

Foi em 1953, já nos seus 55 anos, que a arte de Volpi começou a ser aceita de forma incontestável, quando, na 2ª Bienal de São Paulo, empatou com Di Cavalcanti e ambos ganharam, em paridade, o título de Melhor Pintor Nacional.

A partir daí, foi um suceder de exposições, um enfileirar de prêmios, e uma carreira de sucesso que ninguém mais conseguiria deter. Demorou a chegar o reconhecimento, mas quando veio, foi de uma forma patente e insofismável. Desqualificar Volpi, nesta altura, corresponderia à heresia de desqualificar, com ele, o já consagrado Di Cavalcanti, e isso nem o maior inimigo ousaria fazer.

Em vão tentou-se enquadrar a pintura de Volpi em qualquer ramo do modernismo. Volpi era um cidadão comum, avesso a rótulos, não os aceitando nem classificando-se em algum deles.

Homem simples, detestava homenagens. A pedido de vizinhos, no bairro do Cambuci, Volpi pintou um mural em via pública. Reciprocamente, os vizinhos organizaram uma festa na própria rua, mas Volpi recusou-se a sair de casa, protestando, num sotaque «italianado» de paulista: «Ma que, homenage, io stô trabalhando, não vê?»

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi

Fonte: www.pitoresco.com

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi nasceu em Lucca, Itália, a 14 de abril de 1896. Em 1897, a família Volpi emigra para São Paulo e se estabelece na região do Ipiranga, com um pequeno comércio. Destino comum aos filhos de imigrantes italianos, Volpi inicia-se em trabalhos artesanais e, em 1911, torna-se pintor decorador. Talvez daí decorra o gosto pelo trabalho contínuo e gradual da sua linguagem estética, próprio da valorização de um “saber fazer”.

Até os anos 30, Volpi elabora sua técnica e, principalmente, a partir da década de 1930, emerge um trabalho mais consciente, utilizando-se das cores para a construção de um equilíbrio muito próprio. Por esses tempos, Volpi aproxima-se de artistas como Fúlvio Pennachi e Francisco Rebolo Gonsales, integrando o Grupo Santa Helena. A denominação do grupo, e a inserção de Volpi nele, é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador

Em 1938, Volpi conhece o pintor italiano Ernesto de Fiori. O encontro seria muito frutífero para ambos, e se deu numa época muito oportuna para Volpi, que enveredava para um caminho de maior liberdade estética.

Um acontecimento fundamental para a evolução de Volpi foi a sua “estada” em Itanhaém, entre 1939 e 1941. Sua esposa teve problemas de saúde e mudou-se para o litoral, a fim de se tratar. O artista a acompanhou, retornando a São Paulo apenas nos finais de semana, em que procurava vender suas obras. A gravidade da doença de Judite Volpi envolveu o artista em questionamentos que o fizeram rever sua obra e suas concepções, liberando um potencial criativo latente, ao qual Volpi finalmente conseguiria dar vazão. A tensão própria de situações-limite possibilitou para Volpi uma liberdade gestual que imprimiria uma nova dinâmica à sua obra. A série de marinhas que Volpi pinta a partir dessa época evidenciam uma obra muito própria que se desenvolveria gradualmente até atingir um ápice abstrato em que as composições eram compreendidas em termos de cores, linhas e formas.

Cabe ressaltar que Volpi recusava teorizações estéreis, mas estava sempre muito bem informado das correntes artísticas do seu tempo, embora não se filiasse explicitamente a nenhuma delas, já que sua trajetória era extremamente pessoal. Esse é um dos pontos que fazem dele um grande pintor: Volpi é moderno e atual sem se importar com rótulos artificiais. A diferença é que ele não precisava ser moderno ou popular; simplesmente era.

CRONOLOGIA

1896 - Nasce em Lucca, na Itália.

1897 - A família Volpi vem para o Brasil.

1911 - Começa a trabalhar como pintor-decorador de paredes.

1914 - Data de sua primeira paisagem conhecida

1934 - Volpi já participa das sessões conjuntas de desenho de modelo vivo no Grupo Santa Helena.

1937 - Expõe com a Família Artística Paulista.

1944 - Primeira exposição individual.

1950 - Primeira e única viagem à Europa, onde passa quase seis meses.

1952 - Participa da representação brasileira na Bienal de Veneza

1953 - Prêmio de melhor pintor nacional, na II Bienal de São Paulo.

1956 - Exposição individual no MAM - SP (Museu de Arte Moderna)

- Participa da exposição de arte concreta em São Paulo.

1957 - Participa da exposição de arte concreta no Rio de Janeiro.

Exposição retrospectiva no MAM - RJ.

1958 - Ganha o Prêmio Guggenheim.

- Realiza afrescos na capela Nossa Senhora de Fátima, em Brasília.

1959 - Exposição em Nova York.

- participação na V Mostra Internacional de Tóquio.

1960 - Sala Especial na VI Bienal de São Paulo

1962 - Recebe o prêmio da crítica carioca, como melhor pintor do ano.

1964 - Participação na Bienal de Veneza.

1966 - Realiza o afresco Dom Bosco no Itamarati.

- Sala Especial na I Bienal da Bahia.

1970 - Ganha prêmio de pintura no II Panorama do MAM - SP.

1972 - Grande retrospectiva do MAM - RJ.

1973 - Recebe a medalha Anchieta da Câmara Municipal de São Paulo. Ordem de Rio Branco no grau de grão-mestre.

1975 - Grande retrospectiva do MAM - SP.

1976 - Comemoração dos seus 80 anos, em exposição retrospectiva: Volpi - a visão essencial, no Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

1980 - Exposição Volpi, na FUNARTE, em Brasília.

1981 - Exposição - Volpi Metafísico, no Centro de Controle Operacional do Metrô de São Paulo.

1983 - Homenagem de rua “Pinte com Volpi”, organizada pela Paulistur.

1984 - Exposição Tradição e Ruptura, pela Fundação Bienal de São Paulo.

1986 - Em comemoração aos 80 anos de Volpi, o MAM - SP organiza uma importante retrospectiva, com a participação de 193 obras.

1988 - Morre em 28 de maio.

Fonte: www.pinturabrasileira.com

Alfredo Volpi

Alfredo Volpi (Lucca, Itália 1896 - São Paulo SP 1988). Pintor. Muda-se com os pais de sua cidade natal para São Paulo em 1897. Trabalha como marceneiro-entalhador e encadernador e torna-se pintor-decorador em 1912. Realiza decoração mural, em 1918, do Hospital Militar do Ipiranga, com o pintor Alfredo Tarquínio. Em 1935, participa da formação do Grupo Santa Helena com Fulvio Pennacchi (1905-1992), Mario Zanini (1907-1971), Manoel Martins (1911-1979), Humberto Rosa (1908-1948), Clóvis Graciano (1907-1988), Francisco Rebolo (1903-1980), Rizzotti (1909-1972), Ernesto de Fiori (1884-1945), Vittorio Gobbis (1894-1968), Rossi Osir (1890-1959) e Bonadei (1906-1974). No ano seguinte participa da formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Integra a Família Artística Paulista com Rebolo, Bonadei e outros. Sua produção inicial é figurativa, destacando-se as marinhas executadas em Itanhaém, em São Paulo.

Mantém contato com o pintor Emídio de Souza (1868-ca.1949). Em 1940, ganha o concurso promovido pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com trabalhos realizados a partir dos monumentos das cidades de São Miguel e Embu e encanta-se com a arte colonial, voltando-se para temas populares e religiosos. Realiza trabalhos para a Osirarte, de Rossi Osir. Passa a executar, a partir da década de 50, composições que gradativamente caminham para a abstração.

É convidado a participar, em 1956 e 1957, das Exposições Nacionais de Arte Concreta e mantém contato com artistas e poetas do grupo concreto. Recebe em 1953 o prêmio de Melhor Pintor Nacional, dividido com Di Cavalcanti (1897-1976), Prêmio Guggenheim, em 1958; melhor pintor brasileiro pela crítica de arte do Rio de Janeiro em 1962 e 1966, entre outros.

Fonte: www.escritoriodearte.com

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