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Henrique da Rocha Lima

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Nascimento: 24 de novembro de 1879, Rio de Janeiro

Falecimento: 26 de abril de 1956.

Henrique da Rocha Lima – Vida

Henrique da Rocha Lima
Henrique da Rocha Lima

Médico brasileiro, patologista e infectologista.

Em 1902, Rocha Lima, Adolfo Lutz, Carlos Chagas e outros pesquisadores na área de microbiologia, imunologia e doenças infecciosas se uniram a Oswaldo Cruz na fundação do Instituto Serotherapico Federal, conhecido como Instituto Manguinhos, no Rio de Janeiro. Em 1908 esse centro de pesquisas recebeu a denominação de Instituto Oswaldo Cruz.

Rocha Lima viajou para a Alemanha em 1906. Em Hamburgo, seu trabalho em conjunto com Stanislaus von Prowazek (1875-1915) resultou na descrição de um novo gênero e uma nova espécie de microorganismo, a Rickettsia prowazekii, agente causador do tifo epidêmico.

Em 1916, Henrique da Rocha Lima agrupou os microorganismos que havia descoberto, na ordem Rickettsiales e denominou-os “Rickettsia” em honra ao infectologista e patologista americano Howard Taylor Ricketts (1871-1910). Quando criou o nome “Rickettsia prowazekii”, Rocha Lima homenageou Ricketts e seu velho amigo von Prowazek, ambos falecidos por contaminação com a riquétsia.

Rocha Lima foi o responsável pela primeira descrição do agente etiológico do tifo epidêmico em 1916, sendo que mais tarde, no mesmo ano, o alemão H. Töpfer também comunicou a descoberta do mesmo microorganismo.

Henrique da Rocha Lima descreveu um método diagnóstico para a febre amarela, reconhecido mundialmente, baseado no exame histopatológico do fígado, o qual ficou conhecido como “lesão Rocha Lima”.

O incansável cientista, em 1912, revelou a origem fúngica da histoplasmose, contrariando Samuel Taylor Darling, descobridor do Histoplasma capsulatum em 1906, que identificou-o erroneamente como protozoário.

Uma grande injustiça abateu-se sobre Rocha Lima quando Charles Jules Henri Nicolle, em 1928, recebeu o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia pelos trabalhos realizados sobre o tifo epidêmico e o brasileiro nem mesmo foi citado. (Nicolle identificou o agente “transmissor” do tifo epidêmico.)

No Brasil, Rocha Lima participou na fundação da Escola de Paulista de Medicina e da Universidade de São Paulo.

Henrique da Rocha Lima – Biografia

Henrique da Rocha Lima
Henrique da Rocha Lima

Henrique da Rocha Lima nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de novembro de 1879, e pode ser considerado que sua brilhante carreira científica inicia-se em 1900 quando, ainda doutorando, encontra-se pela primeira vez com Oswaldo Cruz, que acabava de aceitar a incumbência de preparar soro e vacina contra a peste em laboratório improvisado, anexo ao Instituto Vacínico na Fazenda de Manguinhos. O convívio dos dois ilustres médicos foi curto, entretanto suficiente para despertar em Rocha Lima o interesse em atividades de pesquisa.

Diplomando-se na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, depois denominada Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil e atualmente Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, defende a tese sobre “Esplenomegalia nas infecções agudas”, em seguida viaja para Berlim onde passa a estudar durante dois anos, especialmente bacteriologia e anatomia patológica.

Voltando ao Brasil, aceita convite de Oswaldo Cruz, já nomeado Diretor Geral da Saúde Pública, para substituí-lo nas suas ausências no Instituto de Manguinhos. Permanece de 1903 a 1909 como um dos principais colaboradores de Oswaldo Cruz nesta fase heróica da implantação do Instituto de Manguinhos.

Por um curto período, entre 1906 e fins de 1907, Rocha Lima volta à Alemanha para aperfeiçoar-se em anatomia patológica no Instituto de Patologia de Munique. Regressa ao Brasil, e em 1909 é convidado e aceita o cargo de primeiro-assistente do Prof. Duerck no Instituto de Patologia da Universidade de Jena.

Em 1910 Rocha Lima desliga-se do Instituto de Manguinhos com a total compreensão de Oswaldo Cruz, pois seu colaborador era agora convidado por Von Prowazek para dirigir a Divisão de Patologia do Tropeninstitut de Hamburgo.

Pôde então Henrique da Rocha Lima dedicar-se inteiramente à pesquisa, desenvolvendo uma brilhante carreira científica, que culmina com sua magistral descoberta, o achado e demonstração do agente etiológico do tifo exantemático e a conseqüente caracterização de um novo grupo de bactérias, as rickettsias.

Torna-se importante citar que o modo de transmissão do tifo exantemático pelo piolho do corpo já havia sido determinado em 1909 por Charles Nicolle, sendo este dado epidemiológico fundamental para as pesquisas do agente etiológico da doença.

Com o eclodir da primeira guerra mundial, Rocha Lima e Von Prowazek são comissionados pelo Ministério da Guerra da Alemanha para realizar investigações em uma epidemia de tifo exantemático que ocorria num campo de prisioneiros russos e franceses na cidade de Cottbus na Alemanha, a 100 km de Berlim e a pequena distância da fronteira com a Polônia.

Em fins de dezembro de 1914, Rocha Lima chega a Cottbus e inicia o exame do conteúdo intestinal de piolhos removidos de doentes ou de cadáveres de indivíduos acometidos de tifo exantemático. Observou então a existência de grande quantidade de corpúsculos semelhantes a diplococos que coravam em vermelho pálido pelo método de Giemsa.

Von Prowazek chega a Cottbus quinze dias após e, como houvesse material em abundância, decidem ampliar a pesquisa, cabendo a este pesquisador a tarefa de estudar os corpúsculos em preparações a fresco.

Infelizmente, Von Prowazek contaminou-se adoecendo três semanas após o início de suas atividades em Cottbus, vindo a falecer em 17 de fevereiro de 1915, tendo o mesmo destino que outros pesquisadores mortos durante o estudo sobre o tifo exantemático, entre os quais Ricketts não poderia deixar de ser citado.

Com o falecimento de Von Prowazek, assume Henrique da Rocha Lima a perigosa tarefa de realizar os exames a fresco nos piolhos, e vem a contaminar-se também, porém felizmente sobrevive a infecção. Durante sua convalescença verifica que a epidemia em Cottbus terminara.

Resolve então retornar a Hamburgo para tentar elucidar uma questão primordial: constatar se em piolhos recolhidos em indivíduos sãos, em região onde não ocorria a doença, seriam observados ou não os mesmos corpúsculos.

Para demonstrar como foi difícil a comprovação do agente etiológico do tifo exantemático, torna-se necessário neste momento relatar alguns achados que, entretanto, não tiveram adequada comprovação científica.

Em 1910, Ricketts e Wilder haviam assinalado a presença de cocobacilos tanto no sangue de doentes como no conteúdo intestinal de piolhos “infectados”, o que também foi verificado em menor número e freqüência em piolhos “sãos”.

Entretanto, estes pesquisadores resguardaram-se de conclusão definitiva ao afirmar: “É claro em nosso modo de pensar que não há base suficiente para atribuir papel etiológico aos organismos descritos, embora as condições em que são encontrados, associadas aos argumentos teóricos que apresentamos, justifiquem sejam eles encarados com alguma seriedade e submetidos a estudos adicionais na sua relação com o typhus”.

Em janeiro de 1915, quando Von Prowazek chegou em Cottbus reconheceu nos corpúsculos identificados por Rocha Lima semelhança com os que observaram num piolho examinado na Sérvia em 1913. O significado destes organismos era, porém, para Von Prowazek desconhecido, tendo ele durante suas pesquisas na Sérvia se interessado mais por determinadas inclusões leucocitárias que também não conseguiu definir o que poderiam representar.

O problema que Rocha Lima tentava elucidar quando voltou a Hamburgo em 1915 era sumamente importante, pois Sergent, Foley e Vialatte na Argélia acabavam de relatar o achado de numerosos cocobacilos nos esfregaços de piolhos colhidos em doentes de tifo exantemático do 200 ao 250 dia da infecção, ausentes no período de incubação e também não observados em piolhos provenientes de indivíduos sãos. Concluíram esses pesquisadores que os microorganismos deveriam relacionar-se com a etiologia do tifo exantemático. Ainda neste mesmo ano Nicolle, Blanc e Conseil em Tunis, registraram a presença de corpúsculos em 5% de piolhos testemunhas, livres do agente causal da doença.

Em Hamburgo, Rocha Lima retoma seus trabalhos e após numerosos exames de piolhos recolhidos de indivíduos levados aos hospitais da Polícia, encontra em 3 piolhos, corpúsculos semelhantes aos que observara em Cottbus.

Devido a esta verificação inclina-se temporariamente para o ponto de vista de Nicolle que afirmava ser o tifo exantemático causado por um vírus filtrável e ultravisível, e ainda considera se as restrições de Ricketts e Wilder seriam legítimas em relação ao papel etiológico dos corpúsculos do piolho.

Pelos achados e controvérsias acima relatados vê-se que o problema não havia sido resolvido e encontrava-se praticamente na mesma situação relatada por Ricketts e Wilder em 1910. Urgia, portanto serem realizadas outras pesquisas para obtenção de novos dados, que definissem o real significado dos corpúsculos do piolho.

Dois outros importantes aspectos das pesquisas vinham já sendo abordados: a transmissão do tifo exantemático a animais de experiência e a conclusão precipitada de Nicolle, considerando que o agente etiológico era um micróbio filtrante.

Várias experiências foram realizadas para demonstrar a possibilidade de transmissão do tifo exantemático a animais, entre as quais poderiam ser citadas: Nicolle utilizando chimpanzés e posteriomente cobaias; Anderson e Goldberger com macacos rhesus; Von Prowazek e Rocha Lima em cobaias.

Já em 1916, Rocha Lima realizou inúmeras experiências de inoculação, concluindo que a cobaia reagia positivamente à inoculação do “vírus” exantemático, em cerca de 90% dos casos. (A palavra “virus” aquí empregada tem o mesmo sentido geral, como foi utilizada por Rocha Lima – designar o agente causal sem definir sua natureza).

Prowazek e Rocha Lima já haviam constatado, através de inoculação em cobaias, que o conteúdo intestinal do piolho continha cerca de 4 a 10.000 vezes mais vírus do que o sangue dos pacientes com tifo exantemático, chegando a conclusão que esta elevada concentração de “vírus” no intestino do piolho podia corresponder aos corpúsculos observados que mediam 0,3 X 0,4 µ ou 0,3 X 0,9 µ, sendo que neste caso o agente infeccioso deveria ser retido em filtros capazes de reter pequenas bactérias. Tanto Ricketts como Anderson não conseguiram provar que o agente infeccioso em questão era um vírus filtrável.

Entretanto, Nicolle, Conseil e Conor através de experiência em macacos e com o soro de sangue coagulado realizaram 7 inoculações – sendo que 5 animais foram inoculados com soro filtrado e 2 animais com soro não filtrado, e obtiveram 7 resultados negativos. Somente em um oitavo animal inoculado com soro filtrado verificou curva térmica duvidosa, porem como o macaco resistisse à prova de imunidade, considerou o resultado como positivo e concluiu que uma experiência positiva era suficiente para afirmar ser o vírus filtrável. “Cette expérience positive est suffisante, a notre avis, pour démontrer que l’agent spécifique du typhus est um microbe filtrante”.

Esta frase poderia ser assim livremente traduzida: “Esta experiência positiva é suficiente, em nossa opinião, para demonstrar que o agente específico do typhus é um micróbio filtrante”.

Não havendo fundamento científico para esta afirmação, Rocha Lima contestou-a argumentando ser altamente improvável que material tão pobre em vírus como o soro de sangue coagulado, pudesse numa única inoculação, induzir imunidade.

Considerando válida a afirmativa de Nicolle, seria lógico obter resultados positivos utilizando material infectante filtrado de suspensão de piolhos, com elevada quantidade de vírus. Para corroborar sua discordância, Rocha Lima empregou em suas experiências, tanto material de piolhos, assim como sangue de cobaias, altamente contaminado, com resultados totalmente negativos, chegando assim a conclusão, ao contrário do que afirmaram Nicolle e seus colaboradores, que o agente etiológico do tifo exantemático não deveria ser considerado como vírus filtrável.

Eliminada esta possibilidade e sabendo-se que o agente não filtrável do tifo exantemático se encontrava em grande concentração no intestino do piolho, e que não poderia ser cultivado em meios de cultura artificiais, Rocha Lima imaginou que o ambiente onde se desenvolvia poderia ser a própria célula parasitada, e representar um corpúsculo intracelular. Rocha Lima teve então a brilhante idéia de realizar cortes seriados de piolhos para poder comprovar ou não a localização intracelular dos corpúsculos.

Juntamente com Hilde Sikora, responsável pelos estudos relacionados com a morfologia e biologia dos piolhos no Tropeninstitut, de Hamburgo, inicia no verão de 1915 estas experiências utilizando material colhido em Cottbus e técnicas delicadas para obtenção de cortes ultra-finos de 2,5 µ e perfeita coloração do material em estudo.

Finalmente, podia Rocha Lima comunicar seus achados fundamentais para o esclarecimento da etiologia do tifo exantemático, o que foi feito em 26 de abril de 1916, durante o Congresso da Sociedade Alemã de Patologia, realizado em Berlim.

Seria esclarecedor redigir aqui a tradução de trechos da comunicação de Rocha Lima encontrada no trabalho intitulado “Estudos sôbre o Tifo Exantemático” de 1966, compilado por Edgard de Cerqueira Falcão e comentado por Otto G. Bier, arquivado na Biblioteca de Manguinhos, da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

“A dificuldade de verificar com segurança a infecção dos piolhos pelas rickettsias foi removida quando consegui, pelo exame histológico de piolhos provenientes de typhus, comprovar uma importante característica desses microrganismos, a saber, a sua vida parasitária nas células epiteliais do trato gastrintestinal. Nestas células tem lugar intensa multiplicação das rickettsias , geralmente numa zona delimitada do protoplasma , não longe do núcleo. Tal particularidade de formar volumosas inclusões em áreas delimitadas do protoplasma lembra muito os clamidozoários. Num estádio posterior, o protoplasma inteiro é atingido, as células fazem saliência na luz intestinal e finalmente se rompem, esvaziando no canal intestinal o seu conteúdo de rickettsias.”

Em outro trecho encontramos uma fundamental constatação: “Achados semelhantes não puderam ser revelados uma só vez ao exame de mais de cem piolhos colhidos de indivíduos normais, em zona indene de typhus.”

Para coroar seu trabalho, durante o Congresso Alemão de Medicina Interna, realizado em Varsóvia em maio de 1916, Rocha Lima faz sua apresentação documentada com preparações histológicas definitivamente comprobatórias, e incita os participantes a verificá-las: “Os preparados exibidos na Sala de Microscopia convencerão os Srs. de que é possível demonstrar a presença dos microrganismos em questão no interior das células epiteliais e de maneira que nada deixa a desejar.”

Finalmente estava perfeitamente caracterizado o agente etiológico do tifo exantemático e Rocha Lima propõe para este microrganismo a denominação de Rickettsia Prowazeki, em homenagem a Howard Taylor Ricketts, americano falecido em 03 de maio de 1910, na cidade do México, e a Stanislaus Von Prowazek, austríaco falecido em 17 de fevereiro de 1915, na cidade de Cottbus, ambos acometidos de tifo exantemático durante suas pesquisas, e também para evitar confusão com outras bactérias anunciadas como sendo o micróbio do tifo e ainda para indicar que havia reconhecido no novo microrganismo, um novo grupo de bactérias, as rickettsias (Nas publicações de Rocha Lima quase sempre é encontrada a denominação Rickettsia Prowazeki. O microrganismo atualmente tem a designação de Rickettsia prowazekii).

Entretanto, mandava a prudência, ao tempo em que foi caracterizada a rickettsia e ainda até alguns anos após, que não se afirmasse definitivamente o seu papel na etiologia da doença. Dezenas de bactérias isoladas de doentes haviam sido responsabilizadas como agentes causadores do typhus, ao passo que as rickettsias foram evidenciadas com segurança somente no organismo do piolho.

Duas bactérias de isolamento mais recente, o Bacillus typhi-exanthematici de Plotz e o Proteus X de Weil & Felix ocupavam lugar de destaque e mereciam ser cuidadosamente estudadas antes de decidir-se em favor da Rickettsia prowazeki. O bacilo de Plotz era um pequeno bacilo Gram-positivo, imóvel, polimorfo crescendo lentamente em meio de cultura especial e em anaerobiose. Fora encontrado em alta porcentagem no sangue de doentes e também aglutinava em presença do soro de convalescentes. O Proteus X foi isolado por Weil & Felix da urina de um médico acometido de typhus , e tinha a seu favor o argumento de ser aglutinado em alta diluição pelo soro de doentes.

Por outro lado, nenhum dos dois era capaz de reproduzir experimentalmente o typhus nem imunizar contra o “vírus” exantemático, o que lhes tirava a convicção quanto ao seu papel etiológico. Constatava-se portanto que nenhuma das bactérias até então imputadas como agente causador do tifo exantemático satisfazia os postulados de Koch. Restava a hipótese de ser um vírus filtrável, submicroscópico, incultivável, fortemente defendida por Nicolle e afastada por Rocha Lima através de suas cuidadosas experiências de filtração já referidas anteriormente.

Os argumentos apontavam, portanto, para a Rickettsia prowazekii, porém esta também não tinha satisfeito os postulados de Koch, tendo em vista que não pudera ser cultivada in vitro e tinha sido caracterizada sem contestação somente no trato gastrintestinal do piolho.

Tornava-se necessário realizar experiências que conduzissem ao cumprimento indireto daqueles postulados estabelecendo paralelismo entre a virulência e o conteúdo de rickettsias em piolhos infectados artificialmente, sob rigoroso controle. Estas experiências de reprodução experimental foram realizadas em fins de 1915, após a conquista da Polônia pelos alemães, e durante uma epidemia que ocorria na cidade de Wloclawek próxima de Varsóvia.

Com a colaboração de Hilde Sikora foi então realizada rapidamente por Rocha Lima a experiência crucial, isto é a infecção artificial de piolhos normais através da sucção do sangue dos doentes. Para isto foram construídas pequenas caixas retangulares de madeira ou galalite, hermeticamente fechadas e que eram afiveladas no braço dos doentes, e que ficaram conhecidas como gaiolas de Sikora. No lado que entrava em contato com o braço dos pacientes era adaptada uma gaze cuja malha não deixava escaparem os insetos e permitia que estes realizassem facilmente a sucção do sangue.

Foi observado então por Rocha Lima que estes piolhos adquiriam a Rickettsia prowazekii verificável ao microscópio nas células do seu intestino por exame em cortes seriados, e também pela inoculação e reação em cobaias. Nos Congressos de Berlim e Varsóvia, Rocha Lima comunicou os resultados de mais de 30 experiências com as gaiolas de Sikora, havendo, portanto, um perfeito paralelismo entre as rickettsias e seu poder infectante, representando um impressionante conjunto de provas experimentais muito nítidas em favor da identidade da Rickettsia prowazekii com o “vírus” da doença, as quais foram firmando até a convicção de que estava-se diante do procurado micróbio do tifo exantemático.

Nos anos que se seguiram, apesar das inúmeras controvérsias e tentativas de alguns para tentar desconsiderar ou minimizar os achados de Rocha Lima, que seria desnecessário discutir aqui, vários pesquisadores respeitados no mundo científico acabaram concluindo pela primazia de Rocha Lima na descoberta da Rickettsia prowazekii como causadora do tifo exantemático, constituindo o ponto de partida de um capítulo até então desconhecido da microbiologia- as Rickettsias e da patologia –as Rickettsioses.

Somente a título de exemplo, no prestigioso “Tratado de Medicina Interna” de Cecil & Loeb publicado em 1958, no capítulo dedicado as rickettsioses encontra-se a seguinte afirmativa: “Em 1916, da Rocha Lima demonstrou que o tifus era produzido por um microrganismo que denominou Rickettsia prowazeki”.

Este instigante microorganismo continuou a ser estudado sob vários ângulos até os nossos dias. Num excelente artigo de Andersson,da Universidade de Uppsala na Suécia, publicado em Nature no ano de 1998 intitulado “A sequência do genoma da Rickettsia prowazekii e a origem da mitocôndria”, encontra-se no resumo do artigo, em uma tradução livre ,a seguinte afirmação:“Análises filogenéticas indicam que a R. prowazekii é mais intimamente relacionada à mitocôndria que qualquer outro micróbio estudado até então.”

Henrique da Rocha Lima faleceu em 12 de abril de 1956 e deve ser sempre reverenciado como um incansável pesquisador cujo maior mérito consistiu em perseverar em suas pesquisas enfrentando todas as dificuldades de sua época, fora de seu país e com indiscutível rigor científico demonstrar que um dos grandes flagelos da humanidade – o tifo exantemático – era provocado por uma nova bactéria: a Rickettsia prowazekii.

Fonte: www.sbhm.org.br/medbiography.com

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