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Dom Obá

Dom Obá – Vida

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Nascimento: 1845, Lençóis.

Morte: 1890 (45 anos).

Cândido da Fonseca Galvão era um oficial militar no Brasil.

Brasileiro da primeira geração, Cândido da Fonseca Galvão, Dom Obá que em Ioruba significa rei, nasceu na Vila dos Lençóis no sertão da Bahia por volta de 1845, filho de africanos forros, e neto do poderoso Alá a Fin Abiodun o ultimo soberano a manter unido o grande império do Oyo e por direito de sangue era príncipe africano.

E no período compreendido entre os anos de 1865 a 1870 participou da guerra do Paraguai, e devido a sua grande bravura foi condecorado como oficial honorário do exército brasileiro, e ao retornar ao país fixou residência na cidade do Rio de Janeiro onde sua posição social se tornou no mínimo complexa, pois era considerado como uma figura folclórica por uma certa camada da sociedade, e por outro era reverenciado como um príncipe real por escravos, libertos e homens livres de cor.

Amigo pessoal e protegido de Dom Pedro II, Dom Obá assumiu nos momentos decisivos do processo de abolição progressiva o papel histórico de elo entre as altas esferas do poder imperial e as massas populares que emergiam das relações escravistas com suas figura imponente e seus modos soberanos, ao se vestir com suas finas roupas preta ou com seu bem preservado uniforme de alferes do exército brasileiro com sua espada à cinta e seu chapéu armado com penacho colorido nas ocasiões mais especiais.

Ao defender sua visão alternativa da sociedade e do próprio processo histórico brasileiro em razão de suas idéias, com sua linguagem crioula mesclada com o dialeto de Ioruba e latim para uma elite letrada que não compreendiam os seus discursos e para os escravos, libertos e homens livre de cor que compartilhavam com suas idéias e contribuíam financeiramente para a publicação das mesmas que eram lidas nas esquinas e em famílias, teoricamente Dom Obá era um monarquista acima dos partidos que mantinha uma política muito bem matizada, cujas idéias não eram de um conservador e nem de um liberto ao combater ao racismo e ao defender a igualdade entre os homens.

E em razão disto, ele se orgulhava de ser preto e por não acreditar em superioridade devido ao fato de ser amigos de brancos, e de não acreditar que houvesse exatamente questão racial, mas uma questão de cultura, de informação e de refinamento social, fato este que levou o príncipe e os seus seguidores a formulação pioneira quando da criação de uma estética autônoma de que a raça negra não era apenas linda, mas superior do que os mais finos brilhantes.

Dom Obá – Príncipe Real

Dom Obá
Dom Obá

Cândido da Fonseca Galvão era provavelmente um filho ou neto do rei Africano Abiodun de Oyo Império na área hoje conhecida como a Nigéria. Ele foi reconhecido como um Estado soberano estrangeiro pela monarquia brasileira, e era conhecido como Dom Obá n d’África, ou simplesmente Dom Obá.

Ele exemplificou o tipo de homens livres de ascendência Africano que viviam em e contribuíram para o Brasil, mesmo na era da escravidão. Um príncipe real com linhagem de África; em busca de aventura.

Ele voluntariamente se alistou para lutar na Guerra do Paraguai e, devido à sua grande bravura e pendentes habilidades marciais ele foi premiado com um oficial honorário do Exército Brasileiro.

Depois da guerra, ele se estabeleceu no Rio de Janeiro, tornando-se uma figura lendária de proporções folclóricas. Ele foi reverenciado e adorado como um príncipe real pelos milhões de afro-brasileiros de seu tempo. Ele foi uma inspiração, um líder e uma figura paterna para os brasileiros muito africanos na sua luta para viver com dignidade, para estabelecer justiça em um Brasil prejudicados.

Dom Obá era um amigo pessoal do imperador D. Pedro II a quem ele visitou regularmente em sua corte a cada ano, e onde foi recebido com todas as honras devido a um dignitário soberano.

Ele também era um abolicionista comprometido e iniciou uma campanha para combater o racismo.

Ele era um monarquista em sua perspectiva política. Assim, com a queda do Império em 1889 ele caiu em desgraça com os republicanos por causa de seus sentimentos monárquicos.

Ele morreu logo depois, em julho 1890.

Dom Obá – Cândido da Fonseca Galvão

No Rio de Janeiro, em fins do século 19, Cândido da Fonseca Galvão, ou Dom Obá 2º, torna-se um dos pioneiros na luta pela igualdade racial no Brasil.

Sua origem é pouco comum: filho de escravos e neto do alafin (rei) africano Abiodun. Ganha destaque em meio à população negra. Andava com farda de gala numa época em que poucos negros andavam calçados.

Nascido em 1845, alista-se como voluntário na Guerra do Paraguai, enquanto escravos eram recrutados à força. Tinha verdadeira admiração por Pedro 2º. Era o primeiro a chegar em suas audiências públicas. Falava diretamente com a realeza para conseguir melhores condições de vida para os negros. No último aniversário que o imperador comemorou no Brasil, liderou uma manifestação que invadiu o Palácio Imperial para apoiar a monarquia.

O imperador reconhecia seus feitos em prol da nação durante a Guerra e dava ouvidos a suas súplicas. Defendia maior participação política dos negros e o fim dos castigos corporais. Dizia orgulhar-se “de preto ser”.

Era “amigo dos brancos”, mas não de todos: só dos que sabiam “que o valor não está na cor”. Terminava seus artigos com expressões em latim, iorubá e português, como prova de sua identidade racial.

As opiniões se dividiam: para uns, era amalucado. Escravos e libertos chamavam-no respeitosamente de Príncipe Obá, uma referência para os que buscavam a liberdade.

Dom Obá – Um Príncipe Negro do Rio

Dom Obá
Dom Obá

Obá 2º, amigo de Pedro 2º, atacou o racismo e defendeu a igualdade

Dom Obá 2º d’África, ou melhor Cândido da Fonseca Galvão, como foi batizado, nasceu na Vila de Lençóis, no sertão da Bahia, por volta de 1845.

Filho de africanos forros, brasileiro de primeira geração, era, ao mesmo tempo, por direito de sangue, príncipe africano, neto, ao que tudo indica, do poderoso Aláafin Abiodun, o último soberano a manter unido o grande império de Oyo na segunda metade do século 18.

Príncipe guerreiro, Dom “Obá” (que quer dizer “rei” em ioruba) lutou na Guerra do Paraguai (1865-70), de onde saiu oficial honorário do Exército Brasileiro, por bravura. De volta ao país, fixou residência no Rio, onde sua posição social era, no mínimo complexa. Tido pela sociedade de bem como um homem meio amalucado, uma figura folclórica, era, ao mesmo tempo reverenciado como um príncipe real por escravos, libertos e homens livres de cor.

Amigo pessoal, uma espécie de protegido de Dom Pedro 2º, Dom Obá assumiu, nos momentos decisivos do processo de abolição progressiva, o papel histórico, até então insuspeito de elo entre as altas esferas do poder imperial e as massas populares que emergiam das relações escravistas.

Sua figura imponente de homem de 2m de altura, seus modos de soberano, como que captavam a atenção dos contemporâneos, embora poucos estivessem realmente preparados para acreditar no que viam. Um príncipe afro-baiano a perambular pelas ruas do velho Rio, barba à moda de Henrique 4º, muito bem vestido em suas “finas roupas pretas”, como foi descrito, de fraque, cartola, luvas brancas, guarda-chuva, bengala, pince-nez de aro de ouro.

Ou, em ocasiões mais especiais, muito ereto e importante em seu bem preservado uniforme de alferes do Exército, com seus galões e dragonas douradas, sua espada à cinta, seu chapéu armado com penachos coloridos, seu “pacholismo admirável”.

Dom Obá, para ser breve, defendia uma visão alternativa da sociedade e do próprio processo histórico brasileiro. Talvez pelo conteúdo mesmo de suas idéias, talvez por sua linguagem crioula, colorida com expressivas pitadas de ioruba e mesmo latim, a verdade é que seu discurso parecia opaco, incompreensível para a elite letrada de então.

Escravos, libertos e homens livres de cor, contudo, não apenas compartilhavam de suas idéias, como contribuíam financeiramente para a publicação das mesmas e reuniam-se nas “quitandas ou em família” para ler os artigos.

O que defendia este homem e porque parecia interessar tanto seus leitores? Sendo um príncipe, era Dom Obá, ao menos teoricamente, um monarquista acima dos partidos, nem inteiramente conservador nem liberal, talvez por achá-los muito parecidos uns com os outros, inspirados apenas por interesses materiais e casuísticos.

Por essas e outras, tinha o príncipe posições políticas muito matizadas. “Por isso sou conservador para conservar o que for bom e liberal para reprimir os assassinatos que têm havido nesta atualidade a mando de certos potentosos”, quer dizer “potentados”, pessoas muito influentes e poderosas.

O combate ao racismo, a defesa da igualdade fundamental entre os homens, foi um dos pontos mais importantes de seu pensamento e da prática, explicava, “por Deus mandar que quando o varão tiver valor não se olharia a cor”. Contrariava não apenas concepções senhoriais, contrariava a própria ciência fin de siècle com suas poderosas filosofias evolucionistas e etnocêntricas.

A miscigenação brasileira, para o príncipe, nada tinha a ver com idéias evolucionistas de inevitabilidade, como pensou Nina Rodrigues; ou desejabilidade, como pensou Sílvio Romero, do “branqueamento”. Tinha a ver, ao contrário, com um sentimento de igualdade fundamental entre os homens. O príncipe orgulhava-se de “preto ser” e, por não acreditar em superioridades, era “amigo dos brancos e (de) todos os varões sensatos e conhecedores (…) que o valor não está na cor”.

Saída do mesmo universo cultural, uma carta de apoio ao príncipe lembra o absurdo da discriminação, “visto da preta cor ser assemelhada todas as raças”.

Outra carta, em 1887, chega a formular um projeto de “enegrecimento”, antes que de “embranquecimento” da nação. Para o missivista, súdito de Dom Obá, a raça negra já não era problema, mas a própria solução. Por isso apoiava a nomeação do príncipe como embaixador plenipotenciário na África Ocidental, onde prestaria relevantes serviços, “mandando transportar colonos africanos, para nunca mais sofrer o Brasil decadência na sua exportação de fumo e café (…) e o açúcar e o algodão nunca deixem de fertilizar o solo onde nascera o mesmo Príncipe Obá 2º d’África, de Abiodon neto”. Também aqui a discriminação é tida por absurda, sendo, afinal, “cada qual como Deus o fez”.

O próprio príncipe publica, vez por outra, poesia abolicionista e antidiscriminatória. “Não é defeito preto ser a cor/É triste pela inveja roubar-se o valor”, reza uma delas. Para ele, “o certo é que o Brasil deve deseistir (da) questão da cor, pois que a questão é de valor e quando o varão tiver valor não se olhará a cor”.

Na verdade, para Dom Obá, não parece existir exatamente uma “questão racial”, mas uma questão de cultura, de informação, de refinamento social. Daí, muitas vezes, o seu desconsolo com a pátria amada, “um país tão novo onde completamente não reina a severa civilização colimada, porque ainda há quem apure a tolice (…) do preconceito de cor”.

O príncipe, como seus seguidores, chega a formulações pioneiras também no sentido da criação de uma estética autônoma, na linha do black is beautiful norte-americano dos anos 60. Na verdade, segundo um de seus súditos, a raça negra não apenas era linda, era “superior do que os mais finos brilhantes”.

Às vezes parece existir, no fundo, a idéia de superioridade negra. Não no sentido biológico ou intelectual, parece, mas no sentido moral, em função da vivência histórica de diáspora. Sua “humilde cor preta” era, assim, “cada qual como Deus, Maria Santíssima, virgem, sempre virgem sem ser pesada aos cofres públicos, sem ser assassina da humanidade”. Tudo isso, concluía, “por preta ser a cor invejada”. Eduardo Silva

Dom Obá – Militar Brasileiro

Cândido da Fonseca Galvão: Obá II D’África ou Dom Obá

Militar brasileiro – patente alferes.

Cândido da Fonseca Galvão, mais conhecido por Obá II D’África e Dom Obá. Nasceu, possivelmente em 1845 em Lençóis, na Bahia. Filho de Benvindo da Fonseca Galvão, africano forro da nação iorubá. Foi um militar brasileiro, possuía a patente de alferes.

No Império, assim como na Colônia, o serviço militar não era obrigatório. Porém com a emergêcia da Guerra do Paraguai, o Brasil Império, a partir de 1865 cria um sistema de recrutamento e alistamento para guerra. Dias antes da assinatura do decreto que criaria o volutário da pátria, em 02 de janeiro de 1865; Cândido da Fonseca Galvão, jovem negro de família abastada, provavelmente adquirida nas lavras dos diamantes; movido por sentimento nacionalista, alistou-se voluntariamente no exército, para lutar na guerra do Paraguai. Neste período, havia na prática, um recrutamento forçado das camadas mais humildes, mormente negros, índios e mestiços.

Neste contexto, Galvão se distingue. A Guerra do Paraguai constituiu-se em oportunidade para o jovem negro exercitar suas qualidades de lideraça. E neste cenário, devido a sua grande bravura, foi condecorado como oficial honorário do Exército brasileiro.

O Rio de Janeiro com o prestígio político da Corte, e com a prosperidade adquiridada com a lavoura cafeeira, configurava-se como região de melhores condições de trabalho e de vida. Estes atrativos fizeram com que Galvão, em meados de 1870, deixasse Salvador e se fixasse na capital do Império.

É no Rio de Janeiro que Galvão, o Dom Obá, torna-se uma figura folclórica, e para alguns, um tanto quanto caricata da sociedade carioca. Porém, independente das contradições em relação a este personagem, efetivamente era reverenciado como um príncipe real por vários afro-brasileiros, escravizados ou livres que viviam nos subúrbios da capital do Império. É também neste cenário, em fins do século XIX, que Dom Obá transforma-se em um dos pioneiros na luta pela igualdade racial no Brasil. Passa a escrever artigos nos jornais da corte, onde defendia a monarquia brasileira, o combate ao trabalho escravo, dentre outros assuntos relevantes para época. Participava fervorosamente dos debates intelectuais do período. Tinha admiração por D. Pedro II. Era um dos primeiros a chegar às suas audiências públicas. Falava diretamente com o imperador sobre suas inquietações, sonhos e perspectivas. Nestas oportunidades, procurava o apoio de D. Pedro II para seus projetos. Dom Obá atuou na campanha abolicionista e andava com farda de gala, cartola elegante, luvas brancas e chapéu de alferes, em um período em que poucos negros andavam calçados. E neste contexto, era considerado referência para os escravizados que buscavam liberdade ao mesmo tempo em que para outros, que consideravam seus hábitos extravagantes, por estes era considerado meio “amalucado”.

Tendo em vista sua admiração pelo imperador, com a queda do Império em 1889, os republicanos cassaram seu posto de alferes.

Meses depois morreu, em julho de 1890.

Dom Obá – História

Dom Obá
Dom Obá

Oficial do Exército brasileiro, pensador e articulador político. Cândido da Fonseca Galvão, mais conhecido como Príncipe Oba, ou Dom Obá II d´África, filho de africano forro, brasileiro de primeira geração, nasceu na Bahia, na região de Lençóis por volta de 1845.

Neto do maior imperador yorubá, o rei Alafin Abiodun, responsável pela unificação do império yorubá na África. Seu pai – Benvindo da Fonseca Galvão – veio como escravo para o Brasil. Em meados do século XIX, já como escravo liberto e movido pela corrida em busca dos Diamantes da Chapada Diamantina.

Quando Dom Obá II vem ao mundo, a comunidade escrava reúne suas economias e compra a sua liberdade, garantindo-lhe o título de homem livre. Aprendeu a ler e escrever com o pai.

A Bahia foi a província brasileira que mais contribuiu com voluntários para a Guerra do Paraguai. Em 1865 participou ativamente no recrutamento de voluntários para a Guerra do Paraguai, sua primeira oportunidade de exercitar suas qualidades de liderança. Foi nomeado para alferes da 3ª Campanhia de Zuavos Baianos. Ferido na mão direita, Cândido da Fonseca Galvão retirou-se do serviço ativo no dia 31 de agosto de 1861. Mais tarde buscou o reconhecimento social de seus feitos e valimentos. Para tanto percorreu os trâmites legais, dirigindo-se preferencialmente ao próprio imperador.

Em 1872 foram concedidas as honras. Não inteiramente satisfeito, Galvão encaminhou, no ano seguinte, um pedido de pensão. Sua solicitação é atendida.

A vida de soldado permitiu uma ampliação extraordinária – quantitativa e qualitativamente – nos contatos entre regiões, classes e raças da sociedade brasileira.

No tempo da guerra, o obscuro filho de um africano-foro, cujos horizontes não iam além da sua Comercial Vila dosa Lençóis, no sertão da Bahia, conheceria capitais de província, sua amada capital do Império, terras estrangeiras e questões internacionais de fronteira. A campanha permitiu-lhe entrar em contato direto com praticamente todas as instâncias do poder político. Condecorado como herói, Dom Obá II torna-se um elo entre os altos poderes do estado e os escravos, uma espécie de porta-voz não-oficial do povo negro brasileiro. E começou a escrever artigos para jornais e freqüentar a corte de Dom Pedro Segundo com a elegância de trajes dos senhores.

Questões de definição política e cidadania, questões de raça são assuntos discutidos e analisados por Galvão na imprensa. Em seus artigos ele apoiava a libertação dos escravos. Para o Príncipe, a Conquista da cidadania começou com o alistamento para a guerra e continuou, depois dele, com o processo de abolição progressiva. Vez por outra ele publicava poesia abolicionista e anti-discriminatória. Príncipe pacifista, Dom Obá acreditava na força das idéias.

“O elemento da guerra é a espada”, gostava de explicar, “o elemento do meu triunfo há de ser a minha pena”.

Ele tinha um pensamento vanguardista para a época. Enquanto a elite estava influenciada pelo pensamento darwinista europeu, que pregava a superioridade da raça branca, e se preocupava com o branqueamento do Brasil, Dom Obá formulou um pensamento contrário pregando o enegrecimento do país, sustentando que quem trabalhava no Brasil eram os negros.

A trajetória do alferes Galvão, do sertão da Bahia para a Guerra do Paraguai e daí para a vida urbana na África Pequena – composta pelos populosos bairros negros do Rio de Janeiro, antepassados das favelas – é emblemática do percurso do negro livre na sociedade escravista. Um líder popular, homem considerado amalucado pela “boa” sociedade, mas reverenciado e sustentado por seus semelhantes, que se constitui em um elo insuspeitado entre as elites e a massa que energia da sociedade tradicional. Negro, alto, forte e elegante, trajando fraque, cartola e luvas, trazendo à mão bengala e guarda chuva, ostentando sobre o nariz um pince-nez de ouro com lentes azuis, o príncipe Dom Obá II d´África era o primeiro a chegar às audiências públicas que o imperador Pedro II concedia aos sábados na Quinta da Boa Vista. Ele não limitou sua esfera de influência aos guetos da África Pequena. O acesso de Dom Obá ao palácio e ao próprio imperador Pedro II é um fato histórico bem documentado. Dom Obá nunca perdia as audiências públicas na Quinta da Boa Vista, aos sábados. Ele também aparecia, mesmo em ocasiões solenes, no paço da cidade. Aqui e ali, fosse com seu fardão de alferes ou em apurados trajes civis, Dom Obá II d´África era sempre “um dos primeiros que se apresentavam”.

Dom Obá II d´África era o representante da África Pequena do Rio de Janeiro, dos “pardos e pretos” que viviam precariamente à margem do sistema, em atividades de auto-emprego. Quando havia debate intelectual e político no Parlamento e na imprensa, Dom Obá tinha idéias definitivas. Ele pensava na salvação da grande lavoura de exportação, base econômica do Império, e era contra o trabalho escravista. Como as demais personalidades, também o Príncipe procurava o apoio do imperador para seus projetos. Por algum tempo fez campanha para ser nomeado embaixador do Império do Brasil na Costa d´África (África Ocidental), e, ao faze-lo, forneceu munição para a sátira política da época. Mas o Príncipe tinha uma resposta pronta para a zombaria racista. Ele relatava vários problemas do cotidiano aos sábados na audiência pública.

O reino de Dom Obá começou a desintegrar-se com a chegada da Abolição. O declínio de sua autoridade era evidente, em particular no que toca à capacidade de arrecadar impostos de seus súditos. Ele praticamente desapareceu das colunas dos jornais. “Não havia mais espaços para velhas fidelidades políticas, nem mesmo para príncipes do povo”. Sua morte, em 1890 foi noticiada na primeira página dos jornais da capital do país, que ressaltaram a imensa popularidade do Príncipe Obá e o fato de ter falecido “na majestade de uma soberania que ninguém se atreveu jamais a contestar”.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br/www.africaresource.com/almanaquebrasil.com.br

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