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Octavius Augustus

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Depois de um século de lutas civis, o mundo romano estava desejoso de paz.

Octavius Augustus se encontrou na situação daquele que detém o poder absoluto num imenso império com suas províncias pacificadas e em cuja capital a aristocracia se encontrava exausta e debilitada.

O Senado não estava em condições de opor-se aos desejos do general, detentor do poder militar.

A habilidade de Augustus – nome adotado por Octavius em 27 a.C. – consistiu em conciliar a tradição Republicana de Roma com a de monarquia divinizada dos povos orientais do império.

Conhecedor do ódio ancestral dos romanos à instituição monárquica, assumiu o título de imperador, por meio do qual adquiriu o Imperium, poder moral que em Roma se atribuía não ao rei, mas ao general vitorioso.

Sob a aparência de um retorno ao passado, Augustus orientou as instituições do estado romano em sentido oposto ao republicano.

A burocracia se multiplicou, de forma que os senadores se tornaram insuficientes para garantir o desempenho de todos os cargos de responsabilidade. Isso facilitou o ingresso da classe dos cavaleiros na alta administração do império.

Os novos administradores deviam tudo ao imperador e contribuíam para fortalecer seu poder.

Pouco a pouco, o Senado – até então domínio exclusivo das antigas grandes famílias romanas – passou a admitir italianos e, mais tarde, representantes de todas as províncias.

A cidadania romana ampliou-se lentamente e somente em 212 d.C. o imperador Marcus Aurelius Antoninus, dito Caracalla, reconheceu todos os súditos do império.

O longo período durante o qual Augustus foi senhor dos destinos de Roma, entre 27 a.C. e 14 d.C., caracterizou-se pela paz interna (Pax Romana), pela consolidação das instituições imperiais e pelo desenvolvimento econômico.

As fronteiras européias foram fixadas no Reno e no Danúbio, completou-se a dominação das regiões montanhosas dos Alpes e da Península Ibérica e empreendeu-se a conquista da Mauritânia.

Octavius Augustus
Octavius Augustus

O maior problema, porém, que permaneceu sem solução definitiva, foi o da sucessão no poder.

Nunca existiu uma ordem sucessória bem definida, nem dinástica nem eletiva.

Depois de Augustus, revezaram-se no poder diversos membros de sua família.

A história salientou as misérias pessoais e a instabilidade da maior parte dos imperadores da Dinastia Julius-Claudius, como Caius Julius Caesar Germanicus, Caligula, imperador de 37 a 41 d.C., e Nero, de 54 a 68 d.C.. É provável que tenha havido exagero, pois as fontes históricas que chegaram aos tempos modernos são de autores que se opuseram frontalmente a tais imperadores. Mas se a corrupção e a desordem reinavam nos palácios romanos, o império, solidamente organizado, parecia em nada ressentir-se. O

sistema econômico funcionava com eficácia, registrava-se uma paz relativa em quase todas as províncias e além das fronteiras não existiam inimigos capazes de enfrentar o poderio de Roma.

Na Europa, Ásia e África, as cidades, bases administrativas do império, cresciam e se tornavam cada vez mais cultas e prósperas. As diferenças culturais e sociais entre as cidades e as zonas rurais que as cercavam eram enormes, mas nunca houve uma tentativa de diminuí-las.

Ao primitivo panteão romano juntaram-se centenas de deuses e, na religião como no vestuário e em outras manifestações culturais, difundiram-se modismos Egípcios e Sírios. A partir de suas origens obscuras na Judéia, o cristianismo foi-se aos poucos propagando por todo o império, principalmente entre as classes baixas dos núcleos urbanos.

Em alguns momentos, o rígido Monoteísmo de Judeus e cristãos se chocou com as conveniências políticas, ao opor-se à divinização, mais ritual que efetiva, do imperador. Registraram-se então perseguições, apesar da ampla tolerância religiosa de uma sociedade que não acreditava verdadeiramente em nada. O império romano só começou a ser rígido e intolerante em matéria religiosa depois que adotou o cristianismo como religião oficial, já no século IV.

O século II, conhecido como o Século dos Antoninus, foi considerado pela historiografia tradicional como aquele em que o Império Romano chegou a seu apogeu. De fato, a população, o comércio e o poder do império se encontravam em seu ponto máximo, mas começavam a perceber-se sinais de que o sistema estava à beira do esgotamento.

A última grande conquista territorial foi a Dácia e na época de Trajanus (98-117 d.C.) teve início um breve domínio sobre a Mesopotâmia e a Armênia. Depois dessa época, o império não teve mais forças para anexar novos territórios.

Uma questão que os historiadores nunca conseguiram esclarecer de todo foi a da causa da decadência de Roma.

Apesar da paz interna e da criação de um grande mercado comercial, a partir do século II não se registrou nenhum desenvolvimento econômico e provavelmente também nenhum crescimento populacional.

A Itália continuava a registrar uma queda em sua densidade demográfica, com a emigração de seus habitantes para Roma ou para as longínquas províncias do Oriente e do Ocidente.

A agricultura e a indústria se tornavam mais prósperas quanto mais se afastavam da capital.

No fim do século II, começou a registrar-se a decadência. Havia um número cada vez menor de homens para integrar os exércitos, a ausência de guerras de conquista deixou desprovido o mercado de escravos e o sistema econômico, baseado no trabalho da mão-de-obra escrava, começou a experimentar crises em conseqüência de sua falta, já que os agricultores e artesãos livres haviam quase desaparecido da região ocidental do império.

Nas fronteiras, os povos bárbaros exerciam uma pressão crescente, na tentativa de penetrar nos territórios do império. Mas se terminaram por consegui-lo, isso não se deveu a sua força e sim à extrema debilidade de Roma.

O século III viu acentuar-se o aspecto Militar dos Imperadores, que acabou por eclipsar todos os demais. Registraram-se diversos períodos de anarquia militar, no transcurso dos quais vários imperadores lutaram entre si devido à divisão do poder e dos territórios.

As fronteiras orientais, com a Pérsia, e as do norte, com os povos germânicos, tinham sua segurança ameaçada. Bretanha, Dácia e parte da Germânia foram abandonadas ante a impossibilidade das autoridades romanas de garantir sua defesa.

Cresceu o banditismo no interior, enquanto as cidades, empobrecidas, começavam a fortificar-se, devido à necessidade de defender-se de uma zona rural que já não lhes pertencia. O intercâmbio de mercadorias decaiu e as rotas terrestres e marítimas ficaram abandonadas. Um acelerado declínio da população ocorreu a partir do ano 252 d.C., em conseqüência da peste que grassou em Roma.

Os imperadores Aurelianus, regente de 270 a 275 d.C., e Diocletianus, de 284 a 305 d.C., conseguiram apenas conter a crise. Com grande energia, o último tentou reorganizar o império, dividindo-o em duas partes, cada uma das quais foi governado por um augusto, que associou seu governo a um cesar, destinado a ser o seu sucessor. Mas o sistema da Tetrarquia não deu resultados.

Com a abdicação de Diocletianus, teve início uma nova guerra civil. Constantinus I favoreceu o cristianismo, que gradativamente passou a ser adotado como religião oficial.

A esclerose do mundo romano era tal que a antiga divisão administrativa se transformou em divisão política a partir de Theodosius I, imperador de 379 a 395 d.C., o último a exercer sua autoridade sobre todo o império. Este adotou a Ortodoxia Católica como religião oficial, obrigatória para todos os súditos, pelo edito de 380 d.C.. Theodosius I conseguiu preservar a integridade imperial tanto ante a ameaça dos bárbaros quanto contra as usurpações. No entanto, sancionou a futura separação entre o Oriente e o Ocidente do império ao entregar o governo de Roma a seu filho Honorius, e o de Constantinopla, no Oriente, ao primogênito, Arcadius.

A parte oriental conservou uma maior vitalidade demográfica e econômica, enquanto que o império ocidental, no qual diversos povos bárbaros efetuavam incursões, umas vezes como atacantes outras como aliados, se decompôs com rapidez.

O rei godo Alarico saqueou Roma no ano 410 d.C.. As forças imperiais, somadas às dos aliados bárbaros, conseguiram entretanto uma última vitória ao derrotar Átila nos Campos Catalaúnicos, em 451 d.C.

O último imperador do Ocidente foi Romulus Augustus, deposto por Odoacrus no ano 476d.C., data que mais tarde viria a ser vista como a do fim da antiguidade. O império oriental prolongou sua existência, com diversas vicissitudes, durante um milênio, até a conquista de Constantinopla pelos Turcos, em 1453.

Biografia

Augustus foi o primeiro imperador de Roma. Ele substituiu a república romana, com uma monarquia eficaz e durante o seu longo reinado trouxe paz e estabilidade.

Augustus nasceu Gaius Octavius em 23 de setembro de 63 aC, em Roma. Em 43 aC, seu tio-avô, Júlio César, foi assassinado e em seu testamento, Octavius, conhecido como Octavian, foi nomeado como seu herdeiro. Ele lutou para vingar César e em 31 aC derrotou Antony and Cleopatra na batalha de Actium. Ele agora era indiscutível governante de Roma.

Em vez de seguir o exemplo de César e tornando-se ditador, Octavian em 27 aC fundaram o principado, um sistema de monarquia dirigido por um poder imperador segurando para a vida. Seus poderes foram escondidos atrás de formas constitucionais, e ele tomou o nome de Augustus que significa “elevado” ou “sereno”. No entanto, ele manteve o controle final de todos os aspectos do estado romano, com o exército sob seu comando direto.

Em casa, ele embarcou em um grande programa de reconstrução e reforma social. Roma foi transformada com impressionantes edifícios novos e Augustus foi um patrono para Virgílio, Horácio e Propertius, os principais poetas do dia. Augustus também assegurou que sua imagem foi promovida em todo o seu império por meio de estátuas e moedas.

No exterior, ele criou um exército permanente, pela primeira vez, e embarcou em uma vigorosa campanha de expansão projetada para tornar Roma a salvo dos “bárbaros” para além das fronteiras, e para garantir a paz de Augusto. Seus enteados Tibério e Druso assumiu a tarefa (Augustus tinha se casado com sua mãe Livia em 38 aC). Entre 16 aC e 6 AD fronteira foi avançada do Reno para o Elba na Alemanha, e até o Danúbio em toda sua extensão.

Mas Druso morreu no processo e em 9 dC a aniquilação de três legiões romanas na Alemanha (de 28 no total), no desastre Varian, levou ao abandono da Alemanha a leste do Reno.

Augustus estava determinado a ser sucedido por alguém de seu próprio sangue, mas ele não teve filhos, apenas uma filha, Julia, a criança de sua primeira esposa.

Seu sobrinho Marcelo e seus amados netos Caio e Lúcio pré-falecido, então ele, relutantemente, deu Tiberius seu herdeiro.

Desastre militar, a perda de seus netos e uma economia conturbada nublou seus últimos anos. Ele tornou-se mais ditatorial, exilando o poeta Ovídio (8 AD), que havia ridicularizado suas reformas morais. Ele morreu em 19 de agosto 14 AD.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br/www.bbc.co.uk

 

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