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Leonilson

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Nascimento: 1 de março de 1957, Fortaleza, Ceará.

Falecimento: 28 de maio de 1993, São Paulo, São Paulo.

Leonilson – Vida

Leonilson
Leonilson no seu ateliê

Pintor, gravador e desenhista

Leonilson, um jovem que compreendeu a exata cadência do seu tempo e do que estaria por vir.

Tendo nascido em Fortaleza em 1957, se ainda estivesse vivo, Leonilson continuaria a ser hoje no Brasil um dos principais expoentes da arte contemporânea, desafiando as cabeças de críticos e ruminantes das artes plásticas a desvendar a qualidade de seu trabalho e a interpretar as questões que colocava a todo instante sobre o que é fundamental (e o que não é) nas artes visuais de nosso tempo.

Criança ainda, transferiu-se com sua família para São Paulo, onde ingressaria na Fundação Armando Álvares Penteado para estudar artes plásticas , deixando o curso sem concluí-lo porque sua criatividade já transgredia e superava o ritmo pedagógico, exigindo dele uma postura de ruptura. A partir de 1981, já se encontrava na Europa onde encontrou oxigênio para dar vazão a seu talento e à sua explosão de idéias sutis e contemporâneas. Em 84, em breve estada de retorno à sua terra natal, realizou na praia de Iracema, em Fortaleza, um revestimento musivo da caixa d’água com pedras portuguesas. A atitude aponta para um caminho nas artes plásticas já antecipado por Burle Marx , quando elaborou para o Hospital Sousa Aguiar, no Rio de Janeiro, um painel em pedras portuguesas na entrada do prédio. Em 97, o vanguardista Waltércio Caldas iria retomar o caminho, em novo estilo, chamando atenção para o fato de que o mosaico-calçada é a “pele” cidade do Rio de Janeiro e como tal deveria também verticalizar-se, fazendo do conceito o trampolim para sua obra “Uma escultura para o Rio de Janeiro”, na Avenida Beira-Mar, em frente ao Museu de Arte Moderna (MAM). Desgraçadamente, Leonilson veio a falecer em 1993, depois de farto reconhecimento nos salões europeus e norte-americanos. Se continuasse entre nós, com certeza o teríamos entre os mais importantes abridores de caminhos luminosos e consequentes nessa seara tortuosa que tem sido a trajetória da arte contemporânea, muito refinada na condução de artistas de seu porte e muito desvirtuada quando operada por artistas que apenas “pegam carona”, mas continuam incapazes de compreender a revolução em curso.

Obra de Leonilson exige respeito!

Apesar de nascido em Fortaleza, a cidade não abriga nenhuma obra de sua autoria a não ser o trabalho que realizou para a Praia de Iracema que é utilizado hoje como banheiro público, para escárnio de seus admiradores e especialmente do Projeto Leonilson, uma iniciativa importantíssima criada há mais de 11 anos com o objetivo de catalogar e divulgar sua obra no Brasil e no exterior. O projeto é presidido por Nicinha Dias, irmã do artista, que também preocupa-se com a situação e vem lutando para que o Ceará possa abrigar, com respeito e dignidade, obras referenciais do artista.

Do gigantesco acervo que Leonilson deixou em tão pouco tempo de vida, o projeto já conseguiu catalogar 2300 obras, entre desenhos, bordados, esculturas, instalações e especialmente as pinturas, que muitos críticos afirmam ter ele emprestado novo significado na medida em que retomou o prazer pelo emprego dos pincéis (atitude hoje quase desprezada pelos autores ditos contemporâneos). Suas obras estão espalhadas por museus do Rio, São Paulo, Porto Alegre, Brasília, Londres Nova York.

O mosaico que decora a caixa d’água na Praia de Iracema é peça única de Leonilson na linguagem das tesselas, daí porque merece ainda uma consideração especial, especialmente da parte dos cearenses, até mesmo para fazer jus ao elenco de grandes nomes ilustres que o Ceará legou à posteridade e que dignificam a representação artística do Estado junto à comunidade nacional e internacional.

Leonilson – Biografia

Leonilson
Leonilson

Leonilson foi um dos mais expressivos artistas da arte brasileira contemporânea cresceu pelas ruas do pedaço. Já crescido, escolheu a Vila Mariana para morar e continuar a fazer sua arte, com um talento que o fez conquistar uma brilhante carreira internacional.

Nascido em Fortaleza, em 1957, Leonilson mudou-se com a família para São Paulo com apenas 4 anos. Ao chegar à cidade, foram morar primeiramente na Rua Vergueiro e, após três anos, fixaram moradia na Rua Major Maragliano, onde sua mãe reside até hoje.

Filho de pai comerciante e mãe costureira, Leonilson externou desde cedo o interesse pelo trabalho artesanal. “Todo talento da família foi para ele”, brinca Nicinha. Nas idas com o pai, Theodorino, ao centro para comprar tecidos, voltava para casa cheio de retalhos, que ganhava dos comerciantes. A mãe, dona Carmen, ensinou o menino travesso a costurar. “Na casa onde morávamos tinha um quartinho no fundo, onde mamãe costurava. Foi nele que Leo aprendeu a costurar e bordar; para vê-lo quieto num canto, era só dar um pedaço de retalho para ele”, recorda Nicinha.

A juventude de Leonilson foi marcada pelas tentativas de andar de skate pelas ruas, a mania de colecionar tudo que encontrava pela frente e as brincadeiras com os internos do “hospital dos loucos” — hoje CAISM —, bem próximo à casa da família. “Naquela época, o acesso ao manicômio era livre, e os internos saíam na rua, eles eram a sensação do bairro!”, conta Nicinha

Sempre disposto a descobrir o mundo, era um eterno curioso e passava horas folheando os volumes da Enciclopédia Barsa. Leonilson analisava com olhares atentos as figuras de anatomia do livro, desenhava muito e era um apaixonado por máquinas de escrever e fotográficas. “Léo adorava datilografar e fotografava tudo que via a sua frente.”

Aluno do colégio Arquidiocesano, Leonilson era um estudante aplicado. Ainda na infância, estudou na escola Pan-americana, fez um curso técnico de turismo, mas sua entrada definitiva para o cenário das artes ocorreu em 1977, quando iniciou o curso de Artes Plásticas da FAAP.

A paixão por colecionar objetos, que começou ainda na infância, acompanhou o artista por toda a vida. “Ele colecionava de tudo, a cada ida na feira trazia um brinquedo novo”. A coleção, quando ficou adulto, contava com tíquetes de companhias aéreas, cartões de galerias que visitava e cartões de hotéis em que se hospedava. “Chegou um momento em que os amigos, sabendo o colecionador nato que era Leo, começaram a contribuir com sua coleção”, observa Nicinha.

Todos esses objetos serviam como matéria-prima de suas obras.

A carreira aconteceu sem querer. Numa viagem à Europa, o artista foi apresentado a um galerista, que ficou encantado com seu trabalho e comprou as 15 obras que levara consigo. “Leonilson ficou sem saber o que fazer, disse que tinham comprado todas as obras dele.” Foi a primeira vez que teve aquela sensação de tristeza por ter de se desapegar de seus trabalhos. “Ele sentia um vazio no peito, não gostava da sensação de vender uma obra. Na primeira vez em que vendeu, me disse: — O que vou fazer agora?”, relembra Nicinha.

Sua carreira teve início na Europa e nos Estados Unidos, para depois ser reconhecido no Brasil como um artista promissor da geração 80. Foi acolhido por Thomas Cohn, na época melhor galerista do Brasil, e por Luísa Strina, melhor galerista de São Paulo. “Leonilson foi um dos raros jovens artistas que conseguiu se manter com a venda de suas obras”, destaca a irmã.

O auge da carreira ocorreu nos anos 90, com exposições na Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, França e no Japão. Tanto que recebeu uma exposição póstuma no MoMA, Museu de Arte Mo-derna de Nova York — consagração máxima para qualquer artista.

Apaixonado por Fernando Pessoa, Leonilson enxergou na arte a possibilidade de materializar seus sentimentos. Por meio de suas criações expressou seus anseios e frustrações amorosas de maneira sensível. Num desenho de 1990, escreveu: “Eu vejo um, eu vejo o outro, não sei qual amo mais, sob o peso dos meus amores”. Dentre suas admirações figuram os nomes de Arthur Bispo do Rosário (1911-1989) e da francesa Louise Bourgeois (1911-2010). Um viveu a maior parte da vida num hospício, já o outro pregava um destino trágico para todo artista.

Possuidor de um repertório amplo e um olhar afiado sobre a sociedade, Leonilson sempre buscou aprimorar seus conhecimentos. Em suas viagens pelo mundo, o objetivo passava longe de fazer turismo. Viajava em busca de algo maior, viajava para conhecer museus, exposições, cinemas, teatros, entre outras manifestações artísticas.

Com uma produção diversificada — pinturas, bordados, instalações, entre outras —, Leonilson transformou-se no maior expoente de sua geração, ao retratar de maneira sensível as diversas facetas do amor. “As obras do Leonilson eram o reflexo dele, do sentimento que ele sentia naquele momento, do amor pelos amigos e pela família. A maioria de seus colecionadores são pessoas que foram presenteadas por Leo”, informa.

Artista solitário, mas rodeado de amigos, Leonilson sempre gostou de presentear amigos e familiares com sua arte. “Leo não gostava de vender suas obras; elas não eram feitas para os outros, mas para ele mesmo. Vendia apenas porque sabia que era artista. Cada obra que vendia era um pedaço dele indo embora. Ele comercializava sua arte para bancar viagens e sobreviver, nunca teve a pretensão de enriquecer”, revela Nicinha.

Apaixonado pela tranquilidade da Vila Mariana, Leonilson viveu quase a vida toda no bairro. Após se mudar da casa da família, na Rua Major Maragliano, o artista foi morar na Rua Sud Mennucci, a menos de um quarteirão da casa da mãe. Numa casa simples e toda personalizada, fez de sua garagem um ateliê e criava de forma obsessiva, sem perder tempo com reparações.

Ele viveu na Vila Mariana até 1991, quando descobriu estar com AIDS. Por conta das constantes dores de cabeça e tonturas, Leonilson passou a trabalhar exclusivamente com os bordados, pois, devido à doença, não podia aguentar o cheiro forte da tinta. O artista lutou por três anos, até falecer em 1993. Nos últimos dois anos de vida, esteve rodeado por familiares e amigos; mesmo com a doença, criou sem parar, até mesmo no leito do hospital.

Com o Projeto Leonilson, Nicinha preserva a razão de viver do irmão, consagrado em uma geração de artistas que revolucionaram o meio artístico brasileiro com a retomada do “prazer” pela pintura. Seus trabalhos pulsantes, de cores fortes e combinações inusitadas, a princípio destacaram-se pelo figurativismo pop, cheio de humor e jovialidade. Já amadurecida, foi consagrada como obra autêntica, que buscou incansavelmente a intensidade poética individual.

Sua carreira foi curta, pouco mais de uma década; mas deixou uma vida e obra singulares, que têm como meio de expressão o amor, percebido em cada canto da casa que hoje abriga suas coisas, e nas lembranças saudosas de sua irmã, que trabalha incansavelmente para eternizar suas obras: “Não temos patrocínio nenhum. Para manter o projeto, vendemos de tempo em tempo uma de suas obras, e agora lançamos a edição de uma de suas gravuras “Solitário Inconformado”, de 1989.”

Leonilson – Cronologia

Leonilson
Leonilson

1961 – São Paulo SP – Muda-se com a família para essa cidade
1981 –
Milão (Itália) – Tem contato com Antonio Dias (1944), que o apresenta ao crítico de arte ligado à transvanguarda italiana Achille Bonito Oliva (1939)
1982 –
Realiza cartazes, figurinos, cenografia e objetos para A Farra da Terra, peça encenada pelo Grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone
1983 –
Conhece Leda Catunda (1961), com quem realiza várias exposições sobre a Geração 80
1984 –
Fortaleza CE – Realiza painel de pedras coloridas para a caixa d’água da Avenida da Praia de Iracema
1986 –
Munique (Alemanha) – Realiza com o artista Albert Hien (1965) a obra Vulcão de Neve
1989 –
França – É convidado, entre outros artistas, pelo Ministério da Cultura da França a realizar uma gravura comemorativa dos 200 anos da Revolução Francesa
1990 –
Começa a registrar idéias em fitas de áudio para a realização de um livro que se chamaria Frescoe Ulisses. O projeto não é realizado e o material gravado torna-se uma espécie de diário
1991 –
Descobre ser portador do vírus da Aids
1991/1993 –
São Paulo SP – Ilustra a coluna semanal de Barbara Gancia no jornal Folha de S.Paulo
1992 –
São Paulo SP – Organiza a mostra Um Olhar Sobre o Figurativo para a galeria Casa Triângulo1992 – São Paulo SP – Participa da comissão de seleção de portfolios do Centro Cultural São Paulo – CCSP
1993 –
São Paulo SP – Concebe uma instalação para a Capela do Morumbi, seu último trabalho
1993 –
São Paulo SP – Com o objetivo de pesquisar, catalogar e divulgar as obras do artista e de organizar seus arquivos, familiares e amigos fundam o Projeto Leonilson. No início, o grupo trabalha de maneira informal
1994 –
São Paulo SP – Recebe homenagem e prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes – APCA pela exposição individual na Galeria São Paulo e pela instalação da Capela do Morumbi realizadas no ano anterior
1995 –
São Paulo SP – O Projeto Leonilson transforma-se numa sociedade civil sem fins lucrativos
1995 –
São Paulo SP – Lançamento do livro Leonilson: são tantas as verdades, de Lisette Lagnado
1997 –
São Paulo SP – Lançamento do livro Leonilson: use, é lindo, eu garanto, com texto de Ivo Mesquita
1997 –
Rio de Janeiro RJ – É realizado o vídeo Com o Oceano Inteiro para Nadar, da série Rio Arte Vídeo/Arte Contemporâneo, dirigido por Karen Harley, sobre a vida e a obra do artista. O vídeo recebe prêmio especial do júri no 13º Rio Cine Festival e o de melhor filme no 5º Festival Mix Brasil
ca.1997 –
Santiago (Chile) – O vídeo Com o Oceano Inteiro para Nadar é selecionado para abrir a programação cultural da Cúpula das Nações
1998 –
O vídeo Com o Oceano Inteiro para Nadar é selecionado para participar do 6º Tokyo International Lesbian & Gay Film Festival e para o Inside Out Film & Video Festival of Toronto.

Fonte: mosaicosdobrasil.tripod.com/www.escritoriodearte.com

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