Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Ayrton Senna  Voltar

Ayrton Senna

Data de Nascimento: 21 de Março de 1960
Data de Falecimento: 1 de Maio de 1994
Idade: 34 anos
Naturalidade: São Paulo, Brasil
Últimas Residências: Monte Carlo, São Paulo

Altura: 1,75 m
Peso: 70 kg
Estatuto: Divorciado
Filhos: Nenhum
Passatempos: Modelismo de aviões
Desportos: Motos de água, Tennis e 'Jogging'

Música: Vários, desde a Pop até à Clássica
Comida: Frutos e Comida Típica Brasileira
Bebida: Guaraná

Começo da sua Carreira: Karting, aos 4 anos
Primeiro Carro de Corrida: 1981, Fórmula Ford 1600, Van Diemen
Primeira Vitória: Campeão Pan-americano de Karting
Estreia na Fórmula 1: 25 de Março de 1984 no G.P. do Brasil

Ayrton Senna

Enigmático, religioso, tímido, solitário e muitas vezes, melancólico, deslumbrou o mundo com o seu enorme talento, vivendo vitórias sucessivas.

Ayrton Senna da Silva nasceu em São Paulo, no Bairro Santana, na rua Pelo Leme, nº17, a 21 de Março de 1960. Filho de pais abastados, a sua infância decorreu sem sobresaltos. Milton da Silva e Neide de Senna da Silva constituíram um casal unido, que soube sempre o que era solidariedade. Mais tarde, o próprio Ayrton escrevia: "Se cheguei onde cheguei e consegui fazer tudo o que fiz, isso se deve em grande parte a ter tido, mais do que tudo, a oportunidade de crescer bem, num bom ambiente familiar, de viver bem, sem qualquer problema económico e de ser orientado no caminho certo, nos momentos decisivos da minha vida." A irmã, Vivianne, nascera dois anos antes e viria a dar-lhe três sobrinhos - Bianca, Bruno e Paula. Havia também mais um filho, de nome Leonardo. Como todas as crianças da sua idade gostava de jogar à bola na rua e de caçar passarinhos. Quando fez quatro anos teve a sorte de receber, como presente do pai, um Kart. Foi uma alegria imensa! O tempo faria dele um perfeito piloto. Não sentia medo e confiava na sua habilidade. Tratava cuidadosamente dos seus motores. Foi aprendendo os segredos da velocidade. Realizou os primeiros estudos no Colégio do Bairro, passando, a seguir, para o Colégio Rio Branco, em 1970, para fazer o curso ginasial, tendo-o completado em 1978, com 18 anos. Foi-lhe, então, passado o respectivo certificado, que lhe conferiu o título de Auxiliar de Escritório de Edificações e apto a prosseguir estudos a nível superior. Mas a sua vontade estava bem definida. Ele seria piloto para o resto da vida.

E as corridas começam...

Com oito anos Ayrton entrou, pela primeira vez, numa corrida de Kart, a título particular. O seu pouco peso era-lhe favorável. Não foi bem sucedido: "A três voltas do final, quando estava em terceiro, o piloto atrás de mim tocou-me e eu saí da pista. Não terminei a corrida, mas foi divertido." Em 1973, tinha ele treze anos, correu em Interlagos. Foi a sua primeira vitória e, duas semanas depois, alcançou o primeiro lugar na categoria Júnior nos Campeonatos de Inverno. Com menos de catorze anos conseguiu o seu primeiro campeonato paulista. O primeiro contrato de fábrica surgiu em 1978. Era o Grande-Prémio de Itália. Foi considerado "Revelação do Ano". Em 1979 veio correr em Portugal, no Estoril, depois de ter sido Vice-Campeão Sul-Americano em San Juan. As suas corridas em Kart deixaram-lhe grandes recordações. "O Kart deu-me muitos momentos de prazer e deixaram-me gratas recordações. Nunca a pilotagem foi tão divertida."

Em Novembro de 1980 fez o seu primeiro teste num carro de competição de Van Dieman, mas não gostou muito: "Pensei que era muito difícil guiar este carro." Nesse tempo morava com Lilian Vasconcelos Sousa, com quem veio a casar em Fevereiro e passou a viver numa casa, tava desiludido com o automobilismo e com o próprio casamento. Resolveu abandonar e voltar ao Brasil: "Voltei para casa para ajudar o meu pai no trabalho." Mas os seus serviços de escritório eram para ele um suplício. Sentia-se preso aos automóveis, que eram a sua grande paixão. "Tentei abandonar a competição, mas não consegui. Por isso, em Fevereiro percebi que não podia continuar no Brasil enquanto a temporada estava a começar na Europa." Os pais concordaram. O regresso não se fez esperar. Van Dieman estava interessado em tê-lo ao seu serviço. Voltou a Inglaterra, no início da temporada de 1982, e a 28 de Março venceu em Silverstone, embora sem travões dianteiros. A 4 de Abril em Donington e a 9 do mesmo mês conseguiu o circuito de Snetterton.

Era finalmente a Fórmula 1. Os campeonatos sucederam-se e o sonho do jovem Ayrton estava, assim, realizado. Em 1984, com 24 anos era já um verdadeiro campeão. Acumulou um currículo de 161 corridas, 65 poles-positions, 41 vitórias. Três vezes Campeão do Mundo em 1988, 1990 e 1991 o seu nome jamais deixou de ser respeitado e venerado. Para lá de se ter revelado um dos mais extraordinários pilotos de Fórmula 1, Ayrton começa a mostrar outras particularidades em relação aos seus colegas de profissão. Nele, tudo é levado ao limite. A vida é vivida nos extremos máximos. O trabalho é um dos seus únicos interesses e, na definição do jornalista português Domingos Piedade, Ayrton Senna "é um ET, um ser de outro planeta, cuja dedicação ao trabalho não é igualada por nenhum outro piloto." Para o conhecido comentador de Fórmula 1, "Ayrton trabalha 24 horas por dia e Prost só perde para ele porque trabalha 17 e dorme as outras 7."

A Religião...

É aqui que surge o lado místico de Senna. Católico, o piloto afirma ter passado por experiências que o fizeram "entrar noutra dimensão". Ayrton conta que depois do acidente em 1988, Deus começou a falar-lhe através da Bíblia e que, no Grande-Prémio do Japão, no mesmo ano, quando ganhou o seu primeiro título mundial, Ele lhe apareceu nas duas últimas curvas da prova. "Eu estava a agradecer-Lhe pela vitória. Mesmo rezando eu estava superconcentrado e preparava-me para dar uma curva longa de 180 graus, quando vi a imagem de Jesus. Ele era tão grande, tão grande... Não estava no chão. Estava suspenso com a roupa de sempre, a cor de sempre e uma luz em volta. O seu corpo inteiro subia para o alto, para o Céu. Ao mesmo tempo que guiava um carro de corrida eu tinha a visão dessa imagem incrível."

Os amigos...

Com a ajuda de Deus ou sem ela, a verdade é que Ayrton era um sobredotado até biológicamente. O seu coração, por exemplo, tem um ritmo invulgar de bombear sangue para o corpo com um esforço mínimo. O preparador físico brasileiro Nuno Cobra, que tratava de Ayrton, diz que a frequência cardíaca do piloto está entre "44 e 46 batidas, o que mostra a enorme capacidade cardiovascular dele". Se não tem muitos amigos fora das pistas também não se pode dizer que os tenha lá dentro. Mas o facto pode não ser da sua responsabilidade. É o seu feitio reservado e o seu empenhamento na vitória e em bater todos os recordes existentes que o levam a afastar-se dos seus pares e ao mesmo tempo o tornam um alvo fácil de invejas e ódios mesquinhos. Dizem os amigos que a tensão em que ele vive só abranda quando bater todos os recordes da Fórmula 1. E muitos já lhe pertencem...

1 de Maio de 1994...

O acidente fatal de Ayrton Senna em Imola deixou a Formula 1 em tumúlto, revoltada pela brutalidade do desaparecimento do seu maior ídolo da actualidade. A F1 continuou, claro. No entanto jamais será a mesma sem Ayrton. Para o povo brasileiro fica a saudade e a perda de um sonho e de um orgulho nacional. O Brasil perdeu uma das suas bandeiras e saiu á rua para se despedir do melhor piloto da última geração, um dos maiores pilotos de todos os tempos. Cerca de 250 mil pessoas esperavam em S. Paulo o avião que transportou o corpo do piloto; mais de 200 mil acompanharam o velório; todos os momentos foram seguidos por vários canais de televisão. Os brasileiros reviam-se no homem tímido e com cara de menino que não dava tréguas na pista, sempre á procura de mais uma vitória, de menos um centésimo de segundo.

O Deus dos circuitos, para quem não havia justificação, seja em que circunstância for, para um segundo ou terceiros lugares. Vencer é como uma droga, admitia Ayrton. Especialista em andar nos limites, as suas 65 pole-positions ficarão por vários anos como um dos recordes a abater. Ayrton Senna entrou para a Formula 1 em 1984, depois de uma carreira vertiginosa e vitoriosa nos kartings e nas fórmulas de promoção, sobretudo na Inglaterra. Nesse ano teve a sua pior classificação num mundial, um nono lugar com a equipa Toleman. Depois na Lotus e na McLaren, nunca deixou de estar entre os 4 primeiros. Ganhou três títulos mundiais e venceu 41 grandes prémios, teve 24 acidentes em corrida - o último foi fatal.

Muito religioso e impulsivo, Ayrton era um homem à parte na Formula 1. A sua atenuada tendência de ferver em pouca água, aliada a uma condução notável, geraram-lhe muitas inimizades, como foram os casos mais marcantes de Nelson Piquet, Alain Prost e Nigel Mansell. Quase insuperável em piso molhado, Ayrton foi campeão do mundo em 88,90 e 91. No entanto a sua carreira foi brutalmente interrompida em Imola.

Grande Prémio de San Marino, 1 de Maio de 1994. À última volta, segunda depois do safety car abandonar a pista, o Williams Renault nº2 passa a fundo a reta da meta mas não completa a curva Tamburello, seguindo em frente a cerca de 300 Km/h. Do violento acidente resulta a morte de Ayrton Senna da Silva, 34 anos, brasileiro, tri-campeão mundial de Formula 1.O ídolo Ayrton Senna deixou-nos e fez chorar todo o mundo. O recorde de pole-positions dificilmente será batido.

Fonte: br.geocities.com

Ayrton Senna

Ayrton Senna da Silva nasceu à 1h e 15 min do dia 21 de Março de 1960 na Maternidade de São Paulo e era o segundo filho do casal Milton da Silva e Neide Senna da Silva. Foi, inclusive, seu pai quem construiu o primeiro kart, quando ele tinha apenas 4 anos de idade. Começava, aí, uma das mais brilhantes carreiras do automobilismo mundial. Ayrton tornou-se um ídolo em todo o mundo e, para nós brasileiros, um herói, um motivo de orgulho sempre que exibia nossa bandeira após mais uma de suas brilhantes vitórias. Senna ganhou títulos, mas não perdeu a humildade e nunca deixou de ajudar seus semelhantes. Prova disso são as instituições de caridade que ele ajudava com doações, exigindo apenas que isso não fosse divulgado.

Ayrton, embora muito novo, já reclamava que seu kart era muito lento. Seu pai, após saber que o pequeno Senna já trocava as marchas do trator na fazenda sem usar a embreagem, resolveu dar-lhe um kart de verdade aos 7 anos de idade. Sua paixão pelo carro era tão grande que, depois das aulas, o motorista da família o levava para treinar numa pista junto ao Parque do Anhembi, perto de sua casa. Como sua intenção era participar de campeonatos, ele começou a treinar no kartódromo de Interlagos. Aos 8 anos Senna participava de sua primeira corrida num balneário em São Paulo. A corrida era contra pilotos de 18 a 20 anos e o grid de largada seria definido por sorteio. Cada um tiraria de um capacete um papel com um número correspondente à posição de largada. Por ser o mais jovem, Ayrton foi o primeiro a retirar o papel, e, adivinhe, ele tirou o número 1. Em sua primeira corrida ele já largaria na pole position, que seria a marca maior do arrojo e precisão que sempre o acompanharam.

Ayrton Senna da Silva
Ayrton Senna da Silva

Na corrida, Senna era muito mais leve que os outros e manteve-se, assim, por quase toda a prova em primeiro. A 3 voltas do final, um kart tocou-o por trás e ele capotou. Primeira prova, primeira pole e primeira capotagem. Nada mau para um garoto de apenas 8 anos ! Devido ao limite mínimo de 13 anos da época para pilotar um kart, Ayrton teve que esperar até 1973 para estrear oficialmente nas competições. Era dia 1° de julho e Senna obteve sua primeira pole e a primeira vitória oficiais, muito à frente do 2° colocado. À partir daí ele não parou mais de colecionar glórias e títulos. Foi por diversas vezes Campeão Paulista, Brasileiro e Sul Americano e por duas vezes (1979 e 1980) foi Vice Campeão Mundial de kart. Contra a vontade do pai, Senna largou a Faculdade de Administração de Empresa da Faap (SP) e foi para a Inglaterra em busca de novos desafios e mais títulos e, claro, realizar seu sonho de ser piloto de Fórmula 1. Senna assinou contrato com Ralph Firman, dono da fábrica Van Diemen, para a temporada de 1981 de Fórmula Ford 1600. Na primeira corrida ( 01/03/1981 ) Ayrton da Silva, como era conhecido então, chegou a andar em 4°, mas foi ultrapassado por seu companheiro de equipe e terminou em 5° lugar no autódromo de Brands Hatch. A primeira vitória viria em 15 / 3 / 81, sob forte chuva (outra de suas marcas registradas durante a carreira), também em Brands Hatch. Foram, no total, 12 vitórias, 5 segundos lugares, 3 poles e 10 melhores voltas (em 20 provas) e, claro, o título da Fórmula Ford 1600. Em 1982 Senna participou de dois campeonatos simultaneamente: o inglês e o europeu de Fórmula Ford 2000. Seu carro era um Van Diemen da equipe Rushen Green Racing. Senna venceu os dois campeonatos, fulminando seus adversários.

Foram 21 vitórias, 2 segundos lugares e 4 abandonos em 27 provas, somando, também, 15 poles e 24 melhores voltas. Ainda em 82 Senna participou de outras 2 corridas: em Oulton Park ele venceu o "Celebration Day", com um Sunbeam Talbot Ti (também fez a melhor volta) e estreou em novembro na Fórmula 3 em Thruxton, vencendo com um Ralt Toyota RT3. Ayrton totalizou em 1982, 23 vitórias em 29 provas, ou seja, venceu 80% de suas corridas.

A temporada de 1983, na Fórmula 3 com a equipe West Surrey Racing acabou sendo a mais difícil até então. Senna encontrou em Martin Brundle (depois seu rival na F1) um adversário à sua altura e teve que por em prática toda sua habilidade e contar com a sorte em alguns momentos. Mas no final Ayrton comemorou mais uma vez o título após 12 vitórias (sendo 9 seguidas, um recorde só batido em 1995), 2 segundos lugares, 16 poles e 3 acidentes com Brundle em 21 corridas. Foi nessa época que, devido às suas 9 vitórias em Silverstone em 3 anos, o autódromo passou a ser chamado de ‘Silvastone’, em referência a seu sobrenome. No final do ano, Senna participou do tradicional GP de Macau, vencendo a prova. O ano de 1983 marcou o primeiro teste de Ayrton Senna com um carro de Fórmula 1. Senna foi convidado por Frank Williams para pilotar um de seus carros e, nas 81 voltas que deu no circuito de Donington (19 / 7 / 83), bateu o recorde da pista ! Após as 3 temporadas de sucesso (48 vitórias em 72 provas, 67%), Ayrton começou a receber propostas de alguma equipes de Fórmula 1, inclusive a McLaren, que lhe daria muitas glórias anos mais tarde. Senna foi sondado, também, pela Brabham e disse, tempos depois, que só não foi contratado pela então campeã do mundo devido a um veto de Nélson Piquet. Surgiu aí a briga entre os dois que durou até sua morte.

Ayrton acabou assinando com a Toleman e estreou no GP Brasil em 25 / 3 / 84, largando em 16°, mas, para sua frustração, abandonou logo no início. Seu primeiro ponto veio na corrida seguinte, em Kyalami. O primeiro show de Senna na F1 aconteceu a 3 de junho no GP de Mônaco, quando ele largou na 13ª posição e cruzou a linha de chegada na primeira volta já em nono lugar, debaixo de muita chuva. Na sétima volta estava em 7° e após 30 voltas alcançava a segunda posição.

Duas voltas depois, quando se aproximava para ultrapassar o líder Alain Prost, o diretor da prova Jackie Icxy encerrou a corrida, o que foi considerado na época uma ajuda a Prost. Anos depois Senna diria que o melhor para ele foi a interrupção da prova "pois, se a corrida continuasse, eu passaria por ele e poderia bater cinco voltas depois. Assim tive mais publicidade do que se tivesse ganho." Ayrton terminou sua primeira temporada em 9° lugar com 13 pontos. Um fato interessante sobre esta corrida em Monte Carlo é que, quando a prova é interrompida antes da metade das voltas previstas, cada piloto recebe apenas metade dos pontos a que teria direito. Assim, Prost recebeu apenas 4,5 pontos (na época a vitória valia 9 pontos). Caso a corrida tivesse as 79 voltas e Prost terminasse em segundo (com Senna o ultrapassando), Alain marcaria 6 pontos, isto é, 1,5 a mais. Detalhe: neste ano ele perdeu o título para Niki Lauda por apenas 0,5 ponto. Senna ganharia sua primeira corrida e Prost, ao final do ano, seu primeiro título. Pela primeira vez (de muitas) Ayrton atrapalhava os planos do francês.

Em 1985 Senna foi correr na equipe Lotus. No dia 21 / 4 ,no circuito do Estoril em Portugal, Ayrton largava em sua primeira pole position na Fórmula 1 e, mais uma vez debaixo de chuva, deu um show, obtendo a primeira das 41 vitórias de sua carreira. Neste ano Senna conseguiria mais 5 poles e uma vitória (sob chuva) na Bélgica. Após esta vitória, começou a ser chamado pela imprensa de "Rei da Chuva".

No ano seguinte, ainda na equipe do carro preto e dourado, Senna já caía nas graças da torcida brasileira com o segundo lugar no grid e na corrida, fazendo dobradinha com o vencedor da prova Nélson Piquet. Foram mais duas vitórias, cada uma com sua particularidade. A primeira, na Espanha a 13 / 4 , Senna superou Mansell por míseros 14 milésimos de segundo, a segunda menor diferença já registrada até hoje. A segunda vitória da temporada veio em Detroit, a 22 / 6 . No dia anterior o Brasil havia sido eliminado da Copa do México pela França. Em segundo e terceiro chegaram os franceses Jacques Laffite e Alain Prost, o que provocou em Senna um sentimento de vingança. Para mostrar seu orgulho de ser brasileiro, Ayrton fez pela primeira vez a volta da vitória empunhando a bandeira do Brasil, gesto que repetiria por mais 37 vezes em sua carreira. Foram, neste ano, mais 8 poles.

O ano de 1987 prometia mais para Senna, já que a Lotus vinha com motor Honda e o novo patrocínio da Camel. Mas os resultados decepcionaram. Foram duas vitórias e apenas uma pole. Em 31 / 5 Senna venceu pela primeira das 6 vezes o GP de Mônaco. Mal acostumado com tantas vitórias antes de chegar à Fórmula 1, quando as máquinas eram praticamente iguais e só o talento prevalecia, Ayrton começava a ficar insatisfeito com seus carros.

No final de 87 ele assinou contrato com a McLaren Honda, onde seria companheiro do então bicampeão Alain Prost.

O sonho de vencer o GP Brasil nunca esteve tão perto, mas Senna acabou desclassificado da prova por ter trocado de carro após um acidente na largada. Após um início difícil de temporada, Ayrton acabou fazendo valer sua maior determinação e conquistou seu primeiro título mundial ao conseguir 8 vitórias e 13 pole positions, um recorde até então. A conquista veio com a maior atuação de sua carreira (segundo ele próprio, melhor até que no Brasil em 91), no GP do Japão em 30 / 10 .

Ayrton largava na pole mas deixou seu carro morrer. Como a reta dos boxes fica em descida no circuito de Suzuka, ele fez a McLaren pegar no tranco. Acabou fazendo a primeira curva em 14° lugar, mas já passava em 8° ao final da primeira volta. Na 16ª passagem já estava em 3°, numa recuperação impressionante que mostrava o quando era importante para ele aquela vitória e o título. Ao abrirem a 27° volta, Senna, mesmo sendo fechado, passou por Alain Prost e assumiu a liderança, levando seu carro até a vitória para delírio dos torcedores japoneses.

A dupla Senna-Prost correria novamente pela McLaren em 89, mas este seria o pior ano para Ayrton na Fórmula 1. Pior não no resultado (foi 2° no Mundial), mas na briga com os cartolas, em especial o francês Jean-Marie Balestre. Senna fez 13 poles e conseguiu 6 vitórias, mas chegou às 2 últimas etapas precisando da vitória.

Na penúltima corrida Prost largou melhor mas Senna o alcançou na 47ª volta, na chicane antes da reta dos boxes em Suzuka. Prost jogou sua McLaren em cima de Ayrton provocando a batida. Mesmo assim, Senna voltou empurrado pelos fiscais, completou a volta sem o aerofólio, parou nos boxes, ultrapassou Alessandro Nannini no ponto onde Prost o fechara e venceu a prova, mas foi impedido pelo francês Balestre de subir ao pódio. Senna havia sido desclassificado sob a alegação de ter cortado a chicane por dentro (o que só poderia ocorrer se o carro estivesse em posição perigosa). Ora, se um carro está parado num ponto onde a desaceleração é de 305 para 80 km/h, como era o caso isto é uma situação de perigo.

Balestre não interpretou assim e preferiu desclassificá-lo. A vitória ficou para o segundo colocado, Nannini, e o título para Prost. Na época, os computadores japoneses utilizaram as imagens feitas pelo helicóptero e analisaram as 47 vezes que Prost fez a curva da chicane. Na volta do acidente ele começou a virar 1 metro antes do que fizera nas primeiras 46, numa clara demonstração de que fechara Ayrton propositadamente. Senna ainda precisaria vencer a última corrida, mas aquele ficou conhecido como o final de temporada mais vergonhoso da Fórmula 1. No início de novembro de 1996, o francês Balestre confessou à imprensa que interferiu no resultado daquela prova para ajudar seu compatriota Prost. Durante o intervalo para a próxima temporada, Senna criticou duramente os dirigente da F1 e foi forçado por Balestre a se desculpar publicamente para ter permissão para correr em 1990. Após muitas brigas, Senna atendeu o cartola e conseguiu a super-licença. Prost foi para a Ferrari e o companheiro de Ayrton passou a ser o austríaco Gerhard Berger, que se transformou em seu melhor amigo durante a carreira na F1.

A temporada 90 foi novamente marcada pelo domínio da dupla Senna-Prost. Juntos eles venceram 11 das 16 provas do ano, mas, chegando às últimas 2 etapas, desta vez era o francês que precisava das duas vitórias, mas Senna largaria na pole. O que se passou à partir daí foi narrado em 1991 pelo próprio Senna: "Antes do treino de classificação concordamos com as autoridades que a pole seria do lado de fora (mais limpo, para dar vantagem ao pole).

Após o treino, Balestre decidiu que a pole seria do lado dentro (sujo, onde o carro patina) e eu me vi do lado errado na largada. Fiquei tão frustrado que prometia a mim mesmo que, se perdesse o lugar depois da largada, tentaria pegar na frente a primeira curva, independente do que isso resultasse. Eu iria com tudo e Prost não faria a curva na minha frente, e foi isso que aconteceu, como resultados das decisões estúpidas e ruins dos políticos"(...) "O ano de 1989 foi inesquecível. Ainda não engoli aquilo.

Todos vocês sabem que os cartolas decidiram contra mim e isto não foi justo. Eu disse a mim mesmo: certo, você joga e tenta fazer o trabalho direito e depois é (palavrão) por certas pessoas. Tudo bem, se amanhã Prost sair na minha frente, vou com tudo na primeira curva e é melhor ele não tentar entrar, porque não vai conseguir. E aconteceu. Eu gostaria que não houvesse acontecido. Ficamos os dois fora da corrida e foi um final (palavrão) para o campeonato. Não foi bom nem para mim e nem para a Fórmula 1. Foi o resultado de decisões erradas e parciais das pessoas que as tomaram. Eu ganhei o campeonato . E daí? Foi um mau exemplo para todos" (...) "Eu contribuí para aquilo, mas não foi minha responsabilidade." Senna já era, a essa altura, bicampeão mundial, tinha 26 vitórias (20 pela McLaren), 16 melhores voltas e 52 poles (46%, quase 1 a cada 2 provas). Jim Clark, na época detentor da segunda melhor marca, tinha 33.

Antes do início da temporada 91, todos apostavam que o duelo seria novamente entre Senna e Prost, especialmente depois dos promissores testes de inverno da Ferrari. Com o passar das corridas, a grande rival de Ayrton foi a dupla da Williams, Mansell e Patrese. O começo de Senna foi avassalador: 4 poles e 4 vitórias incontestáveis nas primeiras 4 provas do ano. Em 24 / 3 , Ayrton conseguia, finalmente realizar outro sonho: ganhar o GP Brasil. E de que maneira ele realizou esse feito ! Senna largou na pole e foi perseguido por Mansell por mais de 40 voltas até que o câmbio da Williams não resistiu e acabou com as pretensões do inglês.

À partir daí, foi Senna que começou a ter problemas de câmbio e viu a diferença para o segundo colocado, Patrese, cair de 40 para apenas 2.3 segundos na última volta. Na entrevista à imprensa, Senna explicou que ficou sem a 1ª e a 2ª marchas e, algumas voltas mais tarde, não entrava mais nenhuma marcha, apenas a 6ª. Nas curvas de baixa velocidade, Senna tinha que manter alta a rotação do motor para não deixar o carro morrer. Isso exigiu de Senna um esforço muito grande para segurar sua McLaren na pista molhada pela chuva que se iniciava. Ao final da prova Ayrton teve espasmos musculares nos ombros e pescoço e não conseguiu nem levar o carro de volta aos boxes. Mesmo que ele tivesse em sua perfeita condição física, não conseguiria passar pela multidão que invadiu a pista para comemorar a tão sonhada vitória de seu ídolo maior.

A torcida fez plantão na porta da casa de Senna e só foi embora quando a polícia convenceu Ayrton a subir no muro e exibir o troféu da vitória. À partir da quarta corrida, as Williams transformaram em vitórias sua superioridade sobre a McLaren. Graças às vitórias na Bélgica e na Hungria e ao azar de Mansell em Portugal (quando um mecânico não apertou a porca do pneu da Williams e Nigel foi atendido fora da área permitida nos boxes, sendo desclassificado de uma prova que fatalmente venceria), Senna chegou à penúltima prova precisando apenas que Mansell não vencesse uma das duas etapas restantes. A prova era novamente em Suzuka e Senna, largando em segundo, deixou o pole Berger escapar na frente enquanto segurava Mansell em 3°.

Seu pensamento: quando (e se) Mansell me passar, Berger já estará longe. No início da 10ª volta, Nigel pegou uma turbulência muito forte atrás do carro de Senna e passou reto pela curva no final da reta dos boxes (desta vez sem acidentes). Senna conquistava, assim, seu 3° (e, infelizmente, último) título mundial. Com Mansell fora e Patrese muito atrás, começou o show da McLaren. Senna perseguiu Berger até ultrapassá-lo, mas, como haviam combinado que quem largasse na frente teria a preferência para vencer a corrida, abriu passagem para seu companheiro (justamente na chicane onde fora fechado por Prost 2 anos antes) vencer pela primeira vez na equipe de Ron Dennis. De quebra, Senna venceu a última corrida na Austrália. A chuva era tão intensa que a prova foi interrompida na 14ª volta, dando a metade dos pontos para os seis primeiros colocados. Ayrton encerrava o ano com outro show sob chuva.

À partir da temporada de 92, a McLaren entrou num período de declínio sem o motor Honda (que foi trocado pelo Ford) que coincidiu com uma superioridade da Williams só comparada à hegemonia da própria McLaren em 88. Com o melhor motor (Renault), câmbio semi automático, suspensão computadorizada e o melhor chassis da F1, os carros de Mansell e Patrese não tomaram conhecimento dos outros competidores e o inglês acabou levando fácil (até que enfim) seu primeiro mundial. A Senna restaram 3 vitórias e 1 pole. Na corrida mais emocionante da temporada, em Mônaco, Mansell disparou na frente e Ayrton mantinha-se em segundo, quando o inglês teve um pneu furado e foi obrigado a parar nos boxes. Senna saia do túnel, viu pelo telão que Mansell estava parado e acelerou fundo para aproveitar a chance. Faltavam 7 voltas para o final e Senna tinha mais de 7 segundos de vantagem. Duas voltas depois, Mansell colava atrás de Ayrton e iniciava uma perseguição implacável que só terminou na linha de chegada. Durante as 5 voltas finais Mansell tentou desesperadamente, mas não teve jeito. Ayrton fechou-o por todos os lados e proporcionou um dos raros momentos de emoção durante toda a temporada.

Em 1993, o novo piloto da Williams, Alain Prost, vetou a entrada de Senna na equipe que teve que se contentar e tentar novos milagres na McLaren. Para sorte de Ayrton, Prost não tem o mesmo arrojo de Mansell, e, com uma diferença maior ainda que no ano anterior, quase deixa escapar o título mais fácil de sua carreira. Senna conseguiu se manter por algum tempo na liderança do campeonato, mas a superioridade da equipe de Frank Williams era muito grande. Não fossem as brilhantes apresentações de Senna, a temporada teria sido mais chata ainda do que a de 92. Os grandes momentos do ano foram em Donington (quando Senna chegou a estar 1 volta à frente do 2° colocado e parou 3 vezes a menos que Prost nos boxes para trocar de pneus numa pista seca-molhada-seca-molhada), em Silverstone, quando segurou Prost por várias voltas num circuito muito veloz, em Mônaco (quando contou com a sorte e herdou a primeira posição após problemas com Prost e Schumacher) e no Japão, onde venceu largando atrás de Prost.

Em 1993, outra duas provas merecem destaque: o GP Brasil, onde Senna deu mais um show na chuva, levando pela última vez a torcida paulista ao delírio em Interlagos, proporcionando outra invasão da pista. Desta vez Senna voltou para os boxes sentado na porta do safety car acenando para o público. A outra prova para ser lembrada sempre foi a vitória de ponta a ponta na Austrália, em 7 de novembro. Essa corrida marcou seu 41° triunfo na F1, foi sua última prova com o carro vermelho e branco da McLaren e foi a última vez que o mundo viu seu orgulho de ser brasileiro desfilando com a bandeira brasileira na volta da vitória. Sua última volta da vitória.

Sobre a temporada 1994 é difícil falar. Quem gosta de automobilismo, é apaixonado por F1 e aprecia um piloto controlando uma máquina de 700 cavalos, não consegue aceitar naturalmente o que aconteceu neste ano. Depois de muito tempo lutando por uma vaga na equipe que lhe proporcionou o primeiro contato com a F1, Senna finalmente assinou com Frank Williams para correr os 32 GPs de 94 e 95. Abria-se a perspectiva de muitos (e praticamente imbatíveis) recordes e mais dois títulos, igualando-se a Juan Manuel Fangio, seu ídolo maior, penta campeão na década de 50.

Seu grande rival seria o alemão Michael Schumacher na Benetton. A primeira prova, em SP, foi muito disputada e terminou com a vitória de Schummy, após um dos raros erros de Senna em sua carreira. Ele rodou sozinho ao se aproximar da entrada da reta dos boxes. Na segunda etapa, em Aida, no Japão, Senna largou na pole, foi ultrapassado por Schumacher, e acabou fora da prova após ser tocado pela Ferrari de Nicola Larini. A terceira prova seria realizada em San Marino, no Circuito Enzo e Dino Ferrari, onde Senna já obtivera 3 vitórias e 7 poles seguidas (um recorde até hoje). Como de costume ele obteve a pole, mas o final de semana ficaria marcado como um dos mais tristes da história dos esportes. Na sexta feira o brasileiro Rubens Barrichello livrou-se da morte devido a uma camada de pneus quando sua Jordan deslizou na entrada da chicane e decolou sobre a zebra.

Como que por milagre, Rubinho escapou apenas com o nariz quebrado e o braço machucado. A primeira pessoa a visitá-lo no hospital foi Senna, que, barrado na porta, teve que pular o muro de trás para vê-lo. No sábado, o piloto austríaco Roland Ratzenberger perdeu o controle de sua Simtek (o aerofólio soltou-se) e bateu na curva Villeneuve próximo dos 300 km/h.

Os médicos tentaram salvá-lo, mas ele foi declarado morto horas depois no Hospital. Senna, ao saber do acidente, ignorou as normas e foi ao local do acidente, reclamando da falta de uma proteção (brita ou pneus). Repreendido pelos cartolas, Ayrton, seu companheiro Damon Hill, e os pilotos da Benetton e da Sauber se retiraram do treino em respeito a Ratzenberger.

No domingo, Senna alinhava seu carro pela 65ª vez na pole position, mas um acidente envolvendo J. J. Lehto e Pedro Lamy obrigou a entrada na pista do safety car. A pista foi liberada na 5ª volta com Senna em 1° e Schumacher o perseguindo logo atrás. Na sexta volta, disse depois o alemão, "Senna entrou escorregando na curva Tamburello".

Com a experiência e o reflexo que uma década de F1 proporcionam, Ayrton controlou a Williams número 2 e continuou para percorrer os últimos 5040 metros de sua vitoriosa carreira. Na 7ª volta Schumacher viu o carro de Senna deslizar novamente no mesmo local, soltando faíscas devido ao contato com o asfalto. Desta vez não havia o que fazer.

A barra de direção quebrou e Senna, mesmo virando o volante e reduzindo rapidamente as marchas, viu, impotente, o muro de concreto da Tamburello chegando sem uma mísera caixa de brita ou uma proteção de pneus. Acabava aí o sonho de milhares de fãs espalhados pelo mundo inteiro de assistir aos domingos os shows, as manobras arrojadas, as ultrapassagens que beiravam o impossível, o domínio perfeito da máquina sob sol ou sob chuva. Para nós, brasileiros, a perda foi maior.

Ele não era para nós apenas um grande piloto de F1. Era como que um herói, saído do Brasil para dominar o mundo do automobilismo repleto de tecnologia e extremamente competitivo. Nos vimos privados de ouvir a música tema de suas vitórias e, o melhor de tudo, ver nossa bandeira agitada depois de mais uma vitória em São Paulo, na Itália ou no Japão. Restou-nos, desde aquele inesquecível 1° de maio de 1994, lembrarmos sua determinação e acreditarmos que nada é impossível. Basta perseguirmos nossos sonhos com o máximo de empenho e acreditarmos que temos capacidade para realizá-lo.

Fonte: www.f1speed.hpg.com.br

voltar 123456789avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal