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Candido Portinari

 

Candido Portinari

Candido Portinari nasce no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café, em Brodósqui, no interior do Estado de São Paulo.Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebe apenas a instrução primária e desde criança manifesta sua vocação artística.

Aos quinze anos de idade vai para o Rio de Janeiro, em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas-Artes.

Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Parte em 1929 para Paris, onde permanece até 1930.Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, decide ao voltar ao Brasil, no início de 1931, retratar em suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo à ciência antiga da pintura, uma personalidade moderna e experimentalista.

Em 1935 obtém a segunda Menção Honrosa na exposição internacional do Instituto Carnegie de Pittsburgh, Estados Unidos, com a tela Café, que retrata uma cena de colheita típica de sua região de origem.

Aos poucos, sua inclinação muralista revela-se com vigor nos painéis executados para o Monumento Rodoviário, na Via Presidente Dutra, em 1936, e nos afrescos do recém construído edifício do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro, realizados entre 1936 e 1944. Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então.

Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa de uma notável mudança na atitude estética e na cultura do país. No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos.

Em 1939 executa três grandes painéis para o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York e o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela Morro. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de crítica, venda e público. Em dezembro deste ano a Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor: Portinari, His Life and Art com introdução de Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras.

Em 1941 executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso, em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943, oito painéis conhecidos como Série Bíblica, fortemente influenciado pela visão picassiana de 'Guernica' e sob o impacto da Segunda Guerra Mundial.

Em 1944, a convite do arquiteto Oscar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha em Belo Horizonte, Minas Gerais, destacando-se na Igreja de São Francisco de Assis, o mural São Francisco (do altar) e a Via Sacra, além dos diversos painéis de azulejo. A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries Retirantes (1944) e Meninos de Brodósqui (1946), assim como à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro, sendo candidato a deputado em 1945, e a senador em 1947.

Em 1946, Portinari volta a Paris para realizar, na Galeria Charpentier, a primeira exposição em solo europeu. Foi grande a repercussão, tendo sido agraciado, pelo governo francês, com a Legião de Honra.

Em 1947 expõe no Salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão Nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países. O final da década de quarenta assinala na obra do artista, o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo.

Em 1948, Portinari se auto-exila no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A Primeira Missa no Brasil, encomendado pelo Banco Boavista do Rio de Janeiro.

Em 1949 executa o grande painel Tiradentes, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro, que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho, Portinari recebeu, em 1950, a Medalha de Ouro concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo à encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica: A Chegada da Família Real Portuguesa à Bahia, e inicia os estudos para os painéis Guerra e Paz, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14 x 10m cada 'os maiores pintados por Portinari' encontram-se no hall de entrada dos delegados do edifício-sede da ONU, em Nova York.

Em 1954, Portinari realiza, para o Banco Português do Brasil, o painel Descobrimento do Brasil. Neste mesmo ano, tem os primeiros sintomas de intoxicação das tintas, que lhe será fatal. Em 1955 recebe a Medalha de Ouro, concedida pelo International Fine Arts Council de Nova York, como o melhor pintor do ano.

Em 1956 faz os desenhos da Série D. Quixote e viaja para Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contato com o recém-criado estado israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil e, em 1957, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarelas do Hallmark Art Award, de Nova York.

No final da década de 50 Portinari realiza diversas exposições internacionais, expondo em Paris e Munique em 1957. é o único artista brasileiro a participar da exposição '50 Anos de Arte Moderna', no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958, e expõe como convidado de honra, em sala especial, na 'I Bienal de Artes Plásticas' da Cidade do México.

Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e em 1960 organiza importante exposição na Tchecoslováquia.

Em 1961 o pintor tem diversas recaídas da doença que o atacara em 1954 - a intoxicação pelas tintas -, entretanto, lança-se ao trabalho para preparar uma grande exposição, com cerca de 200 obras, a convite da Prefeitura de Milão.

Candido Portinari falece no dia 6 de fevereiro de 1962, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

Fonte: www.portinari.org.br

Candido Portinari

CARACTERÍSTICAS

Altura: 1,54m

Peso: 65kg em média

Cabelos: Ralos, louro escuro, com entradas profundas na fronte

Estado Civil: Casado em 1930 com Maria Portinari, de quem se desquitou em 1960, vivendo extremamente isolado nos últimos anos.

Filhos: Teve um, João Candido, nascido em 23 de janeiro de 1939.

Netos: Denise, nascida em 06 de maio de 1960 | João Carlos, nascido em 07 de julho de 1966

Características Pessoais

Olhos azuis, usava óculos ininterruptamente. Sofria de miopia e astigmatismo. Surdo, nos últimos tempos, chegou a usar aparelho para surdez, manquitolava por defeito congênito.

Modo de Trajar

Vestia-se corretamente, usando suspensórios, colarinho, gravata e abotoaduras. Gostava muito de coletes-fantasia e de cores fortes, principalmente nas camisas e nas meias. Marca de perfume predileto - Guerlain

Hábitos

Lia sempre antes de dormir. Dormia sempre muito tarde, não tendo hora de levantar. Roncava quando dormia. Raramente fazia visitas. Gostava mais de receber. Não ouvia rádio, mas gostava de ouvir música clássica na vitrola. Adorava olhar o mar, mas não gostava de banhos de mar, nem de andar de barco. Gostava muito de viajar para a Itália e França, principalmente, embora preferisse morar no Brasil. Não gostava de aviões. As poucas vezes que viajou, o fez sob protesto.

Alimentação

Gostava de comer bem, principalmente massas, doces e frutas , dando preferência ao mamão. Gostava também de vinho embora não pudesse bebê-lo. Fumava charutos após as refeições e cigarros durante o dia.

Cinema

Adorava filmes de "western", principalmenteos com William S. Hart e Tom Mix. Gostava também de Carlito e Buster Keaton.

Dança

Somente dançou na juventude, e pouco

Religião

De família católica, foi batizado e era católico não praticante. Jamais assistiu a uma macumba, nem nada do gênero.

Músicos Prediletos

Mozart, Bach e Beethoven

Autores Prediletos

Gostava muito de biografias e poesia. "O Diário"de Delacroix, Stendhal, Balzac, Dostoiewski, Baudelaire e T.S. Elliot. Dos brasileiros, lia muito seus amigos: Mario de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Jorge Amado, Dante Milano, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Manuel bandeira, Gilberto Freyre, Carlos Drummond de Andrade, A. F. Shmidt, Adlagisa Nery e Antônio Callado.

Pintores Prediletos

Piero Della Francesca, Giotto, intoretto, Carpaccio, Masaccio, Signorelli, Delacroix, Goya, Breughel, Rouaut , Grünewald, jacques Villon, Fra Angélico, Van Gogh, Modigliani, Picasso, Rivera e A. V. Guignard.

TV

Gostava de assitir o grande teatro da Tupi, com Sérgio Britto, Fernanda Montenegro e Natália Thimberg. Gostava também de Altamiro Carrilho.

Amigos Pessoais

Graciliano ramos, Lélio Landucci, Santa Rosa, O. M. Carpeaux, A. V. Guignard, Clóvis Graciano, Jorge Amado, Dante Milano, Alfredo Ceschiatti, Atos Bulcão, Aparício Aporelli "Barão de Itararé", Assis Chateaubriand, Manuel bandeira, José Moarais, Percy Deane, Celso Agostinelli, Enrico Bianco, Lenidas Autuori, Mário Autuori, Alcides Rocha Miranda, Aldary Toledo, Aluisio Salles, Antônio Bento, Quirino Campofiorito, Jayme de Barros, Paschoal Carlos Magno, Flávio de Aquino, Mem Xavier da Silveira, Dalcidio Jurandir, Jayme Ovalle, Antônio Callado.

CRONOLOGIA

1903 - Nasce em Brodósqui (Brodowski), perto de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, no dia 13 de dezembro, filho de imigrantes toscanos que trabalhavam na lavoura de café. Cândido teria dez irmãos - seis mulheres e quatro homens;

1914 - Cria sua primeira gravura, um retrato do compositor Carlos Gomes, em carvão, copiando a imagem de uma carteira de cigarros;

1919 - Matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio. Em sérias dificuldades financeiras, Candinho chega a comer a gelatina química que recebe para misturar com as tintas;

1923 - Pinta "Baile na Roça", sua primeira tela de temática nacional. O quadro é recusado pelo salão oficial da Escola de Belas Artes, por fugir dos padrões acadêmicos da época;

1929 - Como prêmio do Salão Nacional de Belas Artes, que obteve com um retrato do amigo (poeta) Olegário Mariano, ganha uma bolsa de estudos em Paris. Ali, descobre Chagall, os muralistas mexicanos e sofre fortes influências do trabalho de Picasso;

1931 - Volta da França casado com a uruguaia Maria Victoria Martinelli;

1935 - Produz uma de suas obras mais famosas, "O Café" e inicia a que é considerada sua fase áurea (1935-1944);

1936 - Começa a dar aulas de pintura na Universidade do Distrito Federal;

1939 - Em 23 de janeiro nasce seu único filho, João Cândido. Cria três painéis para o pavilhão do Brasil na feira mundial de Nova York. Faz uma retrospectiva com 269 obras, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio;

1940 - O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) inaugura a exposição Portinari of Brazil

1942 - Cria painel para a Biblioteca do Congresso dos EUA;

1944 - Trabalha no polêmico altar da Igreja de São Francisco de Assis, em Belo Horizonte. Muito discutida pelos religiosos, tanto por suas formas arquitetônicas quanto pelo mural de São Francisco com o cachorro, a igreja só seria inaugurada em 1950;

1945 - Filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidata-se a deputado federal. Não consegue eleger-se;

1946 - Termina a as obras da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte e faz o painel da sede da ONU, "Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse", com 10 por 14 metros. Expõe 84 obras em Paris. Candidata-se ao Senado pelo PCB, mas também não é eleito;

1950 - Representa o Brasil na Bienal de Veneza;

1953 - Inicia os painéis "Guerra" e "Paz", para a ONU, que terminaria em 1957;

1954 - Começa a manifestar sinais de envenenamento pelo chumbo contido nas tintas com que trabalha: sofre uma hemorragia intestinal e é internado;

1955-56 - Realiza 21 desenhos com lápis de cor para uma edição de Dom Quixote, de Cervantes. A técnica era uma alternativa tentada por Portinari para escapar à intoxicação pelas tintas;

1956 - Faz uma viagem a Israel, onde produz uma série de desenhos a caneta tinteiro;

1959 - Faz as ilustrações para uma edição francesa de "O Poder e a Glória", de Graham Greene;

1960 - Nasce sua neta Denise, e ele passa a pintar um quadro dela por mês, contrariando as recomendações médicas;

1962 - Morre no Rio de Janeiro, em 6 de fevereiro, em consequência da progressiva intoxicação. Na época preparava material para uma exposição no palácio Real de Milão;

Criação, Instalação e Características

O Museu Casa de Portinari foi instalado e inaugurado em 14 de março de 1970, constituindo-se de uma casa principal, dois anexos e uma capela.

A sua entidade mantenedora é a Secretaria de Estado da Cultura, estando especificamente vinculado ao DEMA - Departamento de Museus e Arquivos da referida Secretaria.

A inclusão do Museu Casa de Portinari na Rede de Museus da Secretaria da Cultura do Estado deu-se através do Decreto de 08 de abril de 1970.

Trata-se de um Museu de pequeno porte, quer por sua área, quer pelo número de funcionários que prestam serviços ao mesmo.

O Museu possui duas vertentes básicas: Artística e Biográfica. Na parte biográfica do Museu a exposição destina-se aos objetos de uso pessoal do artista, documentos e à história de sua vida. O acervo artístico constitui-se, principalmente, por trabalhos realizados pelo artista em pintura mural, nas técnicas de afresco e têmpera.

A técnica do afresco é bem pouco difundida no Brasil, consiste em pintar sobre uma parede preparada com argamassa úmida, usando pigmento misturado somente com água, o cimento absorve a mistura de água com tinta que seca juntamente com o mesmo. Quanto à têmpera, esta técnica utiliza como tinta uma mistura de água, substâncias oleosas, ovo (principalmente a gema) e pigmento em pó, o ovo funciona como aglutinante; constitui um desafio ao artista, por causa da rápida secagem.

A temática das obras é predominantemente sacra, exceto as suas primeiras experiências neste gênero de pintura realizadas em sua casa, as demais obras do acervo são religiosas.

Fonte: casadeportinari.com.br

Candido Portinari

Candido Portinari
Portinari

Filho de imigrantes italianos, Cândido Portinari nasceu no dia 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café nas proximidades de Brodósqui, em São Paulo. Com a vocação artística florescendo logo na infância, Portinari teve uma educação deficiente, não completando sequer o ensino primário. Aos 14 anos de idade, uma trupe de pintores e escultores italianos que atuava na restauração de igrejas passa pela região de Brodósqui e recruta Portinari como ajudante. Seria o primeiro grande indício do talento do pintor brasileiro.

Aos 15 anos, já decidido a aprimorar seus dons, Portinari deixa São Paulo e parte para o Rio de Janeiro para estudar na Escola Nacional de Belas Artes. Durante seus estudos na ENBA, Portinari começa a se destacar e chamar a atenção tanto de professores quanto da própria imprensa. Tanto que aos 20 anos já participa de diversas exposições, ganhando elogios em artigos de vários jornais. Mesmo com toda essa badalação, começa a despertar no artista o interesse por um movimento artístico até então considerado marginal: o modernismo.

Um dos principais prêmios almejados por Portinari era a medalha de ouro do Salão da ENBA. Nos anos de 1926 e 1927, o pintor conseguiu destaque, mas não venceu. Anos depois, Portinari chegou a afirmar que suas telas com elementos modernistas escandalizaram os juízes do concurso. Em 1928 Portinari deliberadamente prepara uma tela com elementos acadêmicos tradicionais e finalmente ganha a medalha de ouro e uma viagem para a Europa.

Os dois anos que passou vivendo em Paris foram decisivos no estilo que consagraria Portinari. Lá ele teve contato com outros artistas como Van Dongen e Othon Friesz, além de conhecer Maria Martinelli, uma uruguaia de 19 anos com quem o artista passaria o resto de sua vida. A distância de Portinari de suas raízes acabou aproximando o artista do Brasil, e despertou nele um interesse social muito mais profundo.

Em 1931 Portinari volta ao Brasil renovado. Muda completamente a estética de sua obra, valorizando mais cores e a idéia das pinturas. Ele quebra o compromisso volumétrico e abandona a tridimensionalidade de suas obras. Aos poucos o artista deixa de lado as telas pintadas a óleo e começa a se dedicar a murais e afrescos. Ganhando nova notoriedade entre a imprensa, Portinari expõe três telas no Pavilhão Brasil da Feira Mundial em Nova York de 1939. Os quadros chamam a atenção de Alfred Barr, diretor geral do Museu de Arte Moderna de NY (MoMA).

A década de quarenta começa muito bem para Portinari. Alfred Barr compra a tela "Morro do Rio" e imediatamente a expõe no MoMA, ao lado de artistas consagrados mundialmente. O interesse geral pelo trabalho do artista brasileiro faz Barr preparar uma exposição individual para Portinari em plena Nova York. Nessa época Portinari faz dois murais para a Biblioteca do Congresso em Washington. Ao visitar o MoMA, Portinari se impressiona com uma obra que mudaria seu estilo novamente: "Guernica" de Pablo Picasso.

No final da década de 40 Portinari se filia ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e concorre ao Senado em 1947, mas perde por uma pequena margem de votos. Desiludido com a derrota e também fugindo da caça aos comunistas que começava a crescer no Brasil, Portinari se muda com a família para o Uruguai. Mesmo longe de seu país, o artista continua com grande preocupação social em suas obras.

Em 1951 uma anistia geral faz com que Portinari volte ao Brasil. No mesmo ano, a I Bienal de São Paulo expõe obras de Portinari com destaque em uma sala particular. Mas a década de 50 seria marcada por diversos problemas de saúde. Em 1954 Portinari apresentou uma grave intoxicação pelo chumbo presente nas tintas que usava. Desobedecendo a ordens médicas, Portinari continua pintando e viajando com frequência para exposições nos EUA, Europa e Israel.

No começo de 1962 a prefeitura de Milão convida Portinari para uma grande exposição com 200 telas. Trabalhando freneticamente, o envenenamento de Portinari começa a tomar proporções fatais. No dia seis de fevereiro do mesmo ano, Cândido Portinari morre envenenado pelas tintas que o consagraram.

Fonte: www.mre.gov.br

Candido Portinari

Candido Portinari (Brodósqui SP, 1903 - Rio de Janeiro RJ, 1962). Começou a aprender pintura aos 9 anos, em Brodósqui, ao auxiliar um grupo de artistas na decoração da Igreja Matriz da cidade. Em 1919, já vivendo no Rio de Janeiro, estudou no Liceu de Artes e Ofícios e, posteriormente, na Escola Nacional de Belas-Artes.

Lá, foi premiado com a medalha de ouro e uma viagem à Europa, onde travou contato com modernistas que influenciaram sua pintura. De volta ao Brasil, realizou pequenos serviços braçais em troca de hospedagem numa pensão carioca, e seguiu pintando.

Produziu a série Os Retirantes, um de seus principais trabalhos, nos anos de 1930. Nas décadas seguintes foi ilustrador de livros, entre os quais A Mulher Ausente, de Adalgisa Nery, e Menino de Engenho, de José Lins do Rego, e produziu obras como os painéis e azulejos da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte.

Foi laureado com importantes prêmios, como o Prêmio Guggenheim de Pintura, por ocasião da inauguração dos seus painéis na sede da ONU, em 1956. Em 1964 foi publicado seu livro Poemas. Portinari, um dos maiores pintores brasileiros, foi um poeta bissexto; seus poemas, que chamava de ''escritos'', são característicos da segunda geração do Modernismo.

CRONOLOGIA

NASCIMENTO/MORTE

1903 - Brodósqui SP - 29 de dezembro

1962 - Rio de Janeiro RJ - 6 de fevereiro

LOCAIS DE VIDA/VIAGENS

1903/1918 - Brodósqui SP

1918/1962 - Rio de Janeiro RJ

1929/1930 - Paris (França), Inglaterra, Itália e Espanha - Viagem

1939/1941 - EUA - Viagem

1946 - Paris (França) - Viagem

1947/1948 - Montevidéu (Uruguai) - Viagem

1950 - Chiampo, Vêneto (Itália) - Visita a terra de seu pai

1956 - Israel - Viagem

VIDA FAMILIAR

Filiação: Baptista Portinari, italiano, lavrador, e Dominga Torquato, italiana

1930 - Paris (França) - Rompimento do namoro com Rosalita Mendes de Almeida e casamento com a uruguaia Maria Martinelli, de quem se separa por volta de 1960

1939 - Rio de Janeiro RJ - Nascimento de seu único filho, João Cândido

FORMAÇÃO

1910 - Brodósqui SP - Primeiros estudos numa escola rural

1912 - Brodósqui SP - Inicia-se na pintura ao auxiliar um grupo de artistas na decoração da Igreja Matriz da cidade

1919 - Rio de Janeiro RJ - Estuda no Liceu de Artes e Ofícios

1919/1928 - Rio de Janeiro RJ - Ingressa na Escola Nacional de Belas-Artes, onde estuda desenho figurado com Lucílio de Albuquerque e pintura com Rodolfo Amoedo e Batista da Costa. Nos últimos anos estuda com Rodolfo Chambelland

CONTATOS/INFLUÊNCIAS

Convivência com Alcides Rocha Miranda, Aldary Toledo, Alfredo Ceschiatti, Aluísio Salles, Álvaro Moreira, Antonio Bento, Antônio Callado, Aparício Aporelli (Barão de Itararé), Assis Chateaubriand, Atos Bulcão, Celso Kelly, Clóvis Graciano, Dalcidio Jurandir, Dante Milano, Enrico Bianco, Flávio de Aquino, Graciliano Ramos, Jayme de Barros, Guignard, Jayme Ovalle, Jorge Amado, José Mariano Filho, José Morais, Lélio Landucci, Leônidas Autuori, Manuel Bandeira, Mário Agostinelli, Mário Autuori, Mem Xavier da Silveira, O. M. Carpeaux, Olegário Mariano, Paschoal Carlos Magno, Percy Deane, Quirino Campofiorito, Santa Rosa

Autores ilustrados

Adalgisa Nery, André Maurois, Carlos Drummond de Andrade, Ferreira de Castro, Graham Greene, José Lins do Rego, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Vera Kelsey

ATIVIDADES LITERÁRIAS/CULTURAIS

1940/1959 - Ilustrador dos livros A Mulher Ausente, de Adalgisa Nery; Maria Rosa, de Vera Kelsey; Memórias Póstumas de Brás Cubas e O Alienista, de Machado de Assis; A Selva, de Ferreira de Castro e Menino de Engenho, de José Lins do Rego

1956 - Executa a série de desenhos Israel e Dom Quixote

1959 - Ilustrador dos livros O Poder e a Glória, de Graham Greene, edição francesa

1960 - Ilustrador dos livros Terre-Promise e Rose de Septembre, de André Maurois (Ed. Gallimard)

1961 - Rio de Janeiro RJ - Escreve um livro de poemas editado por J. Olympio em 1964, com textos introdutórios de Antônio Callado e Manuel Bandeira

1972c. - Ilustrador do livro de poemas Dom Quixote, de Carlos Drummond de Andrade (Ed. Dia Graphis)

ATIVIDADES SOCIOPOLÍTICAS

1945 e 1947 - São Paulo SP - Candidato a deputado e senador pelo Partido Comunista Brasileiro, não se elege

OUTRAS ATIVIDADES

1918/1928 - Rio de Janeiro RJ - Realiza pequenos serviços braçais em troca de hospedagem numa pensão

HOMENAGENS/TÍTULOS/PRÊMIOS

1940 - Chicago (EUA) - A Universidade de Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, Portinari: His Life and Art, com introdução do artista Rockwell Kent

1946 - Paris (França) - Legião de Honra, concedida pelo governo francês

1950 - Varsóvia (Polônia) - Medalha de Ouro, pelo painel Tiradentes (1949), concedida pelo júri do Prêmio Internacional da Paz

1955 - Nova York (EUA) - Medalha de Ouro, como melhor pintor do ano, concedida pelo International Fine Arts Council

1956 - Nova York (EUA) - Prêmio Guggenheim de Pintura, por ocasião da inauguração dos seus painéis na sede da ONU

HOMENAGENS PÓSTUMAS

1966 - São Paulo SP - Nome de avenida (Cândido Portinari), na Vila Jaguara

Fonte: www.itaucultural.org.br

Candido Portinari

A amarga realidade

Tarde da noite, o garoto de apenas quinze anos entra na pensão onde trabalha em troca de uns poucos níqueis e onde, por consideração, o deixam dormir em algum canto, com a condição de que não perturbe o sossego dos hóspedes. Vinha de retorno de suas aulas de pintura no Liceu de Artes e Ofícios e tudo o que queria era algo com que matar a fome.

De dentro de seu alforje, tira um pouco da gelatina que, na escola, é distribuída aos alunos para mesclar às tintas, dando-lhes a consistência necessária. Do que sobrou, o menino trouxe um pouco para casa, colocou ao fogo e, juntando ao pão duro e amanhecido, fez sua última refeição.

Havendo iludido seu estômago com essa estranha mistura, foi a um dos banheiros da casa, colocou no chão algumas tábuas, jogou sobre elas um colchão de crina e deitou-se.

Estava encerrado mais um dia de luta. No dia seguinte, a rotina seria a mesma. Ao deixar a família no distante interior paulista, para vir sozinho ao Rio de Janeiro estudar pintura, Candinho nem por sombra imaginava as agruras por que teria de passar.

Mas um dia tudo deveria melhorar, tinha certeza disso. E nessa confiança adormeceu, refazendo as forças para a jornada de um novo dia e, à noite, para o reencontro com pincéis, telas e sonhos.

Pintando estrelas, construiu um sonho

Candido Portinari nasceu em Brodosqui, próximo a Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, em 29 de dezembro de 1903. Seus pais tinham vindo do nordeste da Itália para «fazer a América» mas, tarde demais, descobriram que a realidade do imigrante não era aquele devaneio criado pela propaganda dos contratadores de imigração.

Trabalhando de sol-a-sol, com salários minguados e uma forte concorrência, o desiludido imigrante podia agradecer aos céus por conseguir, mal e mal, dar abrigo e alimentação à numerosa família. Eram quinze ao todo: O casal e mais treze filhos que, na idade em que deveriam estar brincando, já participavam com seu esforço no sustento da casa.

Não, não era o que hoje se costuma rotular de «exploração ao trabalho infantil». Era, sim, a única opção de sobrevivência, a linha crítica entre a vida e a morte. Ou trabalhavam todos, ou estavam todos condenados à morte, ou pela fome, ou pela tuberculose. Trabalhar, pois, era a garantia de vida, ainda que na miséria.

Aos nove anos, Candinho já havia conseguido seu primeiro emprego como ajudante junto a artistas italianos que restauravam a pintura na igreja em Brodosqui. Explicando-lhe as técnicas elementares, os pintores o ensinaram a refazer as estrelas, que eram a parte mais simples do conjunto.

As estrelas iluminaram seu caminho, construiram um sonho bonito e inspirador. Havia de ser pintor, também. E como lhe dissessem que a rota da fama e da prosperidade obrigatoriamente pelo Rio de Janeiro, durante três anos juntou dinheiro, o suficiente para chegar até a capital federal, onde o encontramos na maior penúria, mas confiante do futuro que o destino lhe reservara.

Entre pedras e rosas

Em 1918, Portinari estudava pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Em 1921, finalmente, conseguiu ingressar na Escola Nacional de Belas-Artes, para um curso avançado.

Se era carente de recursos materiais, não faltaram a Portinari grandes mestres que iriam orientar sua vida, dando a ela sentido e direção: estudou desenho com Lucílio de Albuquerque (marido de Georgina); aprendeu pintura com Rodolfo Amoedo e João Batista da Costa. Viveu o ambiente da Academia, convivendo com futuros artistas, respirando arte e abrindo, ainda que com extrema dificuldade, a larga estrada que o conduziria ao futuro.

Em 1920, vendeu sua primeira tela, Baile na Roça; em 1922, expôs no Salão Nacional de Belas-Artes, sendo completamente ignorado. Mas em 1923, voltando à exposição com outro quadro, recebeu a medalha de bronze e um pequeno prêmio em dinheiro, apenas como estímulo.

Nos Salões seguintes conseguiu primeiro a medalha de prata e depois a grande medalha de prata. E, o que é melhor, passou a ser notado pelos críticos, recebendo de Flexa Ribeiro palavras de estímulo:

«De seu sentimento, muito devemos esperar: alguma coisa da alma florentina tenta renascer nesse adolescente que é, desde já, um espiritualista.»

A viagem, o casamento, a nova vida

O ano de 1928 selou sua sorte, quando ganhou o ambicionado prêmio de viagem, que lhe permitiu visitar França, Itália, Inglaterra e Espanha, voltando para o Brasil ao fim de dois anos.

O resultado de sua viagem pareceria, a quem o visse, decepcionante. Em dois anos, pintara apenas três pequenas naturezas-mortas. Só isso e nada mais.

Todavia, o ano de 1930, marcou uma virada em sua vida. Primeiro, casou-se com Maria Vitória Martinelli, uma uruguaia que viria ser, para todo o sempre, o esteio de sua carreira. Segundo, com a bagagem cultural adquirida durante a viagem, passou a pintar desenfreadamente, por vezes até um quadro a cada dia.

Aos poucos, vai se desfazendo da tutela da Academia, sua arte ganha fluidez e liberdade e, em 1931, já se faz notado no Salão Revolucionário, onde sua obra, eclética e extensa, é bem recebida tanto pelos acadêmicos como pelos precursores da arte moderna.

Na Escola Nacional de Belas-Artes, assumia Lúcio Costa, com o propósito de abrir os horizontes daquela instituição. O Brasil vivia o encantamento da 2ª República, iniciada em 1930 e o governo revolucionário, precisando construir edifícios para acomodar a nova estrutura do poder, passou a procurar artistas com idéias avançadas no tempo.

Durante todo o período do Estado Novo, depois de uma curta e frustrada experiência como professor de pintura, Portinari vai conseguindo encomendas oficiais uma após outra: no Ministério da Educação, no pavilhão brasileiro da Feira Mundial em Nova York, na biblioteca do Congresso em Washington etc., etc. Por fim, a convite do prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, trabalha no controvertido projeto da Igreja de São Francisco, no complexo arquitetônico de Pampulha.

Portinari confiou no futuro, trabalhou arduamente, e o futuro virou presente.

Esposa, companheira e marchande

Se bem sabia pintar, Portinari não tinha jeito algum para o comércio de seu trabalho e em breve sua esposa Maria assumiu os negócios para evitar que o pintor doasse seus quadros ou os vendesse por valores simbólicos. E ela o fazia com determinação, para marchand nenhum pôr defeito, conforme episódio contado por Deocélia Viana, viuva do radionovelista Oduvaldo Viana:

«Oduvaldo foi ao Rio com o intuito de adquirir um quadro de Cândido Portinari, seu velho amigo. Cândido tinha um nome adequado. Aquele seu jeito provinciano, ar ingênuo e de uma candura enorme. Ficou feliz de ver Oduvaldo. (...)

«Meu marido explicou o que queria e Cândido levou-o a ver seus quadros. Oduvaldo escolheu um lindíssimo, As Lavadeiras. (...) Veio a Maria para fechar o negócio. (...) E ficou combinado que pediriam ao Modesto de Sousa, velho e grande ator, que apanhasse o quadro e o mandasse para São Paulo. (...)

«Oduvaldo voltou e, uns quinze dias depois, Modesto de Sousa foi buscar o quadro. "E o dinheiro?," perguntou Maria. "Oduvaldo ficou de remeter," respondeu ele. "Bom, depois que o dinheiro chegar, você leva o quadro."

«Oduvaldo se queimou, ficou furioso, não mandou o dinheiro, porque era um desaforo a Maria duvidar dele e, por uma bobagem, ficamos sem o quadro do grande Portinari.»

Vida, paixão e morte

Seu primeiro encanto foi o nascimento do único filho, João Candido, em 1939. O intenso trabalho, que incluía três painéis para o pavilhão brasileiro na feira internacional em Nova York, não o impediam de viver a vida familiar.

Através dos anos, entre telas, murais, pincéis e tintas, havia tempo de sobra para manter-se ligado à família, mulher e filho, com um vínculo indissolúvel, tão indissolúvel como sua paixão pela arte.

Mas em 1954, começa a sentir o efeito do contato diuturno com as tintas. O médico lhe diz que está com uma dose anormal de chumbo no organismo e, para evitar uma contaminação maior, deve abandonar por completo a pintura a óleo ou similares.

Portinari tenta partir para outras técnicas, usando até lápis de cor e caneta a tinteiro, numa mistura de desenho com pintura, mas sente-se reprimido, impedido de liberar por inteiro suas emoções e sua capacidade artística

Em 1960, um novo ser vem povoar sua vida: a pequena Denise, filha de João Candido, que ele passa a cantar em prosa em verso. Delicia-se com seus primeiros passos suas primeiras palavras, transforma-a em modelo de suas novas criações.

Contrariando determinações médicas, volta a usar o óleo para retratar sua neta, para a qual pinta pelo menos um quadro por mês.

O médico estava certo. O retornou às tintas aumentou o grau de contaminação do organismo, debilitando de vez sua saúde. E Candido Portinari vem a falecer em 6 de fevereiro de 1962, aos 58 anos de idade, no auge da fama, consagrado, no Brasil e no mundo, como um dos maiores pintores do Século 20.

Fonte: www.portalartes.com.br

Candido Portinari

1903: Nasce em Brodósqui, S. Paulo.
1912: Colabora na pintura da Igreja de Brodósqui.
1918: Vai para o Rio de Janeiro para estudar pintura.
1921: É admitido no curso de pintura da Escola de Belas Artes.
1922: Expõe o 1º quadro.
1928: Ganha uma bolsa de viagem que o leva à Europa.
1930: Casa com Maria Martinelli.
1935: O óleo "Café" obtém a Segunda menção honrosa, em Nova Iorque.
1936: Pinta os primeiros murais. É nomeado professor de pintura.
1937: Inicia os murais do Ministério de Educação.
1938: O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque compra o quadro "Morro".
1939: Nasce seu filho, João Cândido.
1940: Expõe nos Estados Unidos.
1943: Candidata-se a deputado. -
1945: Conclui os murais do Ministério da Educação. Filia-se no Partido Comunista.
1946: Expõe em Paris.
1947: Candidata-se a senador. Expõe em Buenos Aires e Montevideo.
1950: Visita a Itália. Participa na Bienal de Veneza.
1952: O Governo Brasileiro convida-o para realizar os murais para a sede da ONU.
1954: Sofre uma hemorragia, motivada pela intoxicação das tintas.
1955: Faz ilustrações para a obra "A Selva" do escritor Ferreira de Castro.
1956: Viaja a Israel e Itália.
1962: Morre, vitima do envenenamento das tintas.

A TERRA DA PLANTAÇÃO

O Estado de S. Paulo é a região do café. Produzi-lo não chega, é necessário transportá-lo para os centros que o farão chegar a sítios mais longínquos.

Brooswisqui é o engenheiro polaco, responsável pela construção do caminho de ferro naquele Estado. Obra de tal importância que não hão-de esquecer-se daquele homem. Para que fique perpetuado o seu nome, uma pequena aldeia adopta-o como seu - Brodósqui - mais simples de escrever.

A aldeia não é grande, semelhante a muitas outras, uma igreja e um grupo de casas brancas. À volta ficam as plantações onde tantos trabalham - negros, mestiços, brancos - alguns, imigrantes.

O casal Portinari tinha vindo de Itália, na esperança de realizar o sonho de uma vida melhorada. Em filhos não lhe faltará riqueza - terão treze - e entre eles um se irá destacar.

Faltam apenas três dias para o fim do ano de 1903 quando Cândido Portinari chega ao mundo.

Os primeiros anos são passados entre a aldeia e as plantações de café, serenidades e rotinas que o tempo não lhe apagará da memória.

Aos nove anos colabora com outros artistas italianos no restauro da pintura da Igreja de Brodósqui. Dizem alguns que a seu cargo fica a pintura das estrelas. De qualquer forma, o que faz é suficiente para que lhe notem o jeito. Devia aprender desenho o minino, mas na aldeia não há onde fazê-lo. Terá ainda de esperar algum tempo.

Tem 15 anos quando parte para o Rio de Janeiro, e vai sozinho, que já não é rapaz de precisar de companhia. Os pais não terão o suficiente para que possa só estudar; por isso, durante o dia, vai trabalhando numa pensão, e sempre tem onde dormir, nem que seja na casa de banho.

No tempo que lhe sobra vai frequentando a Escola de Artes e Ofícios. Depois candidata-se ao curso de pintura da Escola de Belas Artes, onde é admitido em 1921. Não pode parar. Logo no ano seguinte participa no Salão Nacional de Belas Artes. Não mais deixará de participar em exposições. Quando em 1925 obtém a medalha de prata, chama já a atenção da critica:

"Cândido Portinari é um paulista de 23 anos que possui excelentes dons dum retratista ... a sua técnica é larga e incisiva. Apanha bem a semelhança e carácter dos modelos"

Manuel Bandeira

O seu objetivo é o grande prémio do Salão - uma bolsa de viagem à Europa. Portinari sabe bem do que gosta o Júri. Cede um pouco na sua forma de pintar e faz um retrato mais ao gosto da Academia - Olegário Mariano. Com ele obtém o grande prémio do Salão de 1928. A bolsa para a Europa é sua.

DA SEMENTE ATÉ AO FRUTO...

A Europa está repleta de coisas que Portinari deseja conhecer. Durante largo tempo viaja, visita a Inglaterra, Itália, Espanha, depois instala-se em Paris.

Mais do que trabalhar, Portinari sente necessidade de observar.

Fascina-se com os renascentistas italianos - Giotto e Piero della Francesca. Em Paris aprecia Matisse e Cezanne. Tudo lhe vai servindo para aprender, para ter uma outra forma de ver:

Daqui fiquei vendo melhor a minha terra - fiquei vendo Brodósqui como ela é. Aqui não tenho vontade de fazer nada. Vou pintar Palaninho, vou pintar aquela gente ... e quando voltar vou ver se consigo pintar a minha terra.

Na verdade, em França não irá pintar muito, na bagagem virão apenas três telas. Escassa produção para quem está tanto tempo na Europa. Outra coisa lhe é mais importante - o seu casamento com Maria Martinelli, companheira que não mais o deixará durante toda a sua vida.

No Rio de Janeiro comenta-se: de que serviu a bolsa se quase nada foi feito? Portinari deixa que falem. Preocupa-se agora em aplicar tudo o que aprendeu enquanto esteve longe. As regras académicas são abandonadas. Quer encontrar a sua forma de pintura, a sua maneira de ver.

Dedica-se ao trabalho de forma intensa, mas por vezes o dinheiro para as telas escasseia. Improvisa-as, utilizando os seus lençóis. Só assim lhe é possível produzir tanto quanto quer. Como temas, escolhe aquilo que sonhou em França - a aldeia, as brincadeiras de menino, as plantações de café. Este último está-lhe tão próximo que o há-de representar num quadro com o titulo Café. Ao mesmo tempo vai ensaiando a pintura mural na sala da casa de seus pais, em Brodósqui.

Em 1935 realiza-se em Nova Iorque a Exposição Internacional de Arte Moderna do Instituto Carnegie. O Brasil participa pela primeira vez e alguns artistas enviam as suas obras. Portinari expõe o óleo que fizera tempos antes - Café. Obtém a segunda menção honrosa, e muitos elogios por parte de críticos americanos: "Café, de Cândido Portinari, é a aparição espectacular do Brasil". Em breve serão colhidos os frutos.

...A SAFRA...

Portinari e o figurativismo... Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

Depois da crise de 1929 a arte americana é influenciada pelo social. A recessão económica afeta muita gente, em particular as classes mais desfavorecidas. - camponeses e proletários.

Os artistas não ficam indiferentes a tudo o que se passa à sua volta. Novos conceitos nascem. A arte pela arte, tão ao gosto europeu, não é já suficiente. Torna-se necessário mostrar a realidade - o lado social. Nada melhor que a figura humana para expressar o que se vê. É o figurativismo. Por toda a América se fazem grandes pinturas murais, mais acessíveis, na leitura, a um maior número de pessoas. No México, Rivera é o pintor que bem demonstra a melhor forma de se chegar às massas através de grandes murais.

Portinari expressara em Café muito dessa realidade social. Os homens deformam-se com o peso dos sacos que trazem aos ombros. Os pés das figuras, na sua forma enorme, parecem ligar-se à terra, como dela fazendo parte. A América soube compreendê-lo. O Brasil não pode ficar alheio ao reconhecimento internacional. Afinal trata-se agora de um artista de mérito. Celso Kelly aproveita a fundação do Instituto das Artes e convida Portinari para regente da cadeira de pintura. No ano seguinte será a vez do ministro Gustavo Capanema lhe encomendar os murais para o Ministério da Educação. O objetivo é mostrar a educação para o trabalho, numa perspectiva económica e de certa forma histórica através dos ciclos que o Brasil conheceu: o pau-brasil, a cana de açúcar, o ouro. Portinari estuda os temas, aconselha-se. Depois será a sua forma de ver - do lado daqueles que trabalham, como ele próprio - de sol a sol. Para além do mais nunca esqueceu as suas próprias origens, ou não fosse ele um camponês, filho de camponeses:

Então tive que dizer-lhes: a minha pintura é pintura de camponês; se querem os meus camponeses, bem; se não, chamem outro pintor. Foi então que embora numa ordem histórica, fiz a série do Ouro, Fumo, Gado, etc.

O edifício do Ministério da Educação e Cultura é obra do arquiteto Oscar Niemayer que o projetou em colaboração com Le Corbusier. Portinari decide fazer um estudo prévio profundo. Durante algum tempo dedica-se a fazer estudos de preparação para os murais. Em 1937 inicia a obra. A tarefa é tão intensa que chega a trabalhar 16 horas por dia. Pode afirmar com veracidade a sua frase favorita Sou um monstro de trabalho. Mesmo assim terá ali trabalho para alguns anos. Só em 1945 ficarão concluídos e, pelo meio, fará ainda muitas outras coisas.

Em 1939, por encomenda, pinta três painéis que irão estar presentes no Pavilhão do Brasil, por ocasião da Feira Mundial de Nova Iorque. Enquanto isso faz no Rio de Janeiro a sua primeira exposição individual. No mesmo ano, sua mulher dá à luz o seu filho João Cândido - doçura. Na Europa rebenta a II Guerra Mundial - flagelo.

Os ecos da guerra vão chegando devagar, é ainda o principio. Portinari está fascinado pelo filho. Retrata-o com a ternura de um pai. Possivelmente acreditando num futuro melhor.

De Nova Iorque vem o convite para uma exposição individual a realizar no Museu de Arte Moderna. Acontecimento importante onde estarão presentes centenas de convidados. Os resultados poderiam ser bons, afinal as obras expostas são todas vendidas. No entanto, Portinari irá trazer uma tristeza:

Na América, a exposição individual é coisa muito séria. O dia da inauguração mete casacas, grande luxo. O expositor só tem direito a convidar oito ou dez pessoas. Indiquei dez negros para os meus dez convites. Não convidaram nenhum.

Portinari não irá deixar perder a ocasião de fazer algo contra este estado de coisas. Em 1942 surge uma boa oportunidade. É convidado para executar murais na Biblioteca do Congresso de Washington. Os temas estão relacionados com a história da América - não quiseram negros na sua exposição, pois eles estarão presentes na Biblioteca, para que não os esqueçam. É preciso ainda fazer muita coisa pelo lado social, e talvez a pintura não chegue.

... DO FRUTO QUE DÁ O GRÃO...

Durante a estadia em Nova Iorque, Portinari vê uma obra que muito o impressiona, Guernica. A guerra vista por Picasso, duma forma cubista e sem a utilização das cores. Fica impressionado com o quadro.

Na Alemanha os nazis estão no poder. Da Europa não param de chegar os relatos dramáticos. É o mundo que está em guerra e enquanto isso o povo é o que mais sofre. A morte está presente em todo o lado.

No Brasil, o sofrimento é provocado pela natureza. O Nordeste é atingido por grandes secas que trazem consequências gravosas para os camponeses.

Muitos são aqueles que utilizam as suas artes para falar do que os rodeia - Jorge Amado, Érico Veríssimo, Graciliano Ramos. Também Portinari a nada disto fica alheio. Exprime-o com a sua pintura, reflete-o. É a cor que se apaga, um drama que se observa. São os Retirantes, expressos em algumas das suas obras. Os despojados de tudo, do trabalho, da vida, têm apenas a morte, como o expressa em Criança morta.

Em 1944 Portinari inicia o Mural para igreja de Pampulha, primeiro S. Francisco, depois a Via Crucis. As pinturas têm um carácter fortemente expressionista.

Mas nem só na pintura Portinari faz opções. Chegou o tempo de escolher outros caminhos - o lado político. É uma figura por todos conhecida, muitos o ouvem. Filia-se no Partido Comunista e candidata-se a deputado, assim poderá passar melhor a mensagem, falando das realidades que conhece. Do seu programa faz parte uma exposição em S. Paulo, mas as autoridades impedem a sua realização. Entretanto, o Arcebispo de Belo Horizonte recusa-se a consagrar a Igreja de Pampulha devidos aos seus murais - demasiado materialistas, argumenta. Existem talvez motivos mais fortes, as tendências políticas começam a não ser do agrado de muita gente, e sobretudo quando são expressas de forma tão clara.

Portinari não desiste e chega a candidatar-se a Senador. As coisas no Brasil não estão agora muito fáceis, o Partido Comunista não agrada ao poder. Portinari, assim como muitos outros intelectuais começam a ser interrogados pela polícia. Controvérsias, para quem já tinha sido acusado noutra época de ser o pintor oficial do governo. Melhor será partir por uns tempos e além do mais há uma exposição para fazer no Uruguai. Quando regressar, no ano seguinte terá ainda de tempo de ver a dissolução do seu partido ordenada pelo Governo. De forma lenta vai-se afastando da vida política. De qualquer forma tem sempre a pintura para poder dizer muita coisa.

... O GRÃO QUE FAZ O CAFÉ...

O mundo está agora preocupado com a paz. Nos Estados Unidos (que ajudaram a pôr termo à guerra) fica a sede da organização que velará para que ela não volte a surgir - a ONU.

O Governo brasileiro decide oferecer dois painéis para ali serem colocados. Portinari volta a ser o artista convidado. Em 1952 começa a sua obra: um será a Guerra, outro a Paz. Levarão quatro anos até que sejam mostrados, primeiro no Brasil, para depois seguirem para o seu destino.

Enquanto pinta os painéis, Portinari adoece gravemente. O diagnóstico não é nada agradável. A doença não é mais do que o envenenamento que as tintas lhe provocam. Deve parar de pintar. Coisa impossível para quem a pintura é a vida. Aliás, ela tem sido a sua grande preocupação, agora que a arte parece estar a tomar outro caminho que não agrada a Portinari, como o tem dito nas entrevistas que dá:

A pintura, que era antes o maior veículo de propaganda de ideias, hoje precisa de uma propaganda enorme para viver. Antes ela servia a religião e o estado, hoje não serve ninguém. Outros meios mais diretos e efetivos a substituíram, tais como o cinema, a televisão, o rádio, o jornal... Resistirá a pintura como meio de expressão e como profissão?

Para Portinari a sua pintura continua a ser a melhor forma de divulgação de ideias, ainda que por vezes isso lhe possa trazer problemas.

Uma verdadeira cruzada na caça aos comunistas atravessa os Estados Unidos. Tudo e todos se tornam suspeitos. As tendências esquerdistas de Portinari não podem de forma alguma agradar, como se poderia agora demonstrar-lhe admiração?

Os painéis chegaram mas a exposição da obra é protelada. Do Rio de Janeiro ouvem-se protestos - que os devolvam! Depois serão as diplomacias. Em 1957 acabarão por ser inaugurados justamente no lugar para onde estavam destinados.

Durante os últimos anos da década de cinquenta faz ilustrações para várias obras, entre as quais "A Selva" de Ferreira de Castro. Viaja até à Itália e Israel, fazendo um álbum de desenhos sobre este último, e vai participando em diversas exposições.

Em 1960 Portinari realiza ainda uma exposição. As telas refletem um pouco as suas novas influências - abstracção geométrica dirão alguns. Mas alguma crítica não o poupa - acham-no académico, talvez motivados pelas suas declarações:

... Quanto ao resto, esses que andam colando estopa nas telas, pedaços de vidro, papel de jornal, etc., dizendo que são modernos, isso é bobagem: não é nem povo, quanto mais moderno ...

Apesar de tudo, Portinari continua a pintar; nem a crítica, nem as ordens médicas o fazem parar. Em 1961 faz um retrato da sua neta - Denise.

Em Fevereiro do ano seguinte um novo envenenamento provocado pelas tintas é-lhe fatal.

Não foi a pintura que o matou, apenas deu a sua vida à pintura.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Candido Portinari

Antes de pintar, o artista desenha. E é no desenho, ainda quando criança na maior parte das vezes, inda sem estudo e prática, ainda sem técnica e conhecimento, que o artista revela, no gesto simples de um rabisco, a sua personalidade e o seu talento. Depois cria-se o pintor, que usa telas e tintas, mas a alma verdadeira do artista, nasce com os primeiros rabiscos de um lápis sobre o papel. Com o passar do tempo e evolução do talento, o desenho torna-se secundário.

Candido Portinari

No caso de Portinari, não foi assim. Quer dizer: o desenho nunca se tornou secundário. Ao invés disso, o ato de desenhar acompanhou o artista por toda a vida e durante uma longa fase, onde ficou impedido de usar tintas por questões de saúde, foi o desenho, o risco simples sobre o papel que continuou sendo o veículo para externar criatividade.

Candido Portinari

Filho de imigrantes italianos, Portinari nasceu no início do século passado (1903) em uma fazenda de café em São Paulo. Teve oportunidade de estudar no Brasil e exterior e obter uma sólida formação clássica. Não obstante esse tipo de formação, sua mente irrequieta o levou a muitas experiências e inovações. O tema básico de todo o seu trabalho foi a questão social, a situação do povo e o seu tipo de vida. Portinari mostrou essa preocupação da juventude até a morte. Em inúmeros murais espalhados por diversos lugares, no Brasil e exterior, esse foi um tema recorrente e característico. Os temas históricos também ocupam uma parte importante da obra de Portinari mas a retratação do povo permanece como sua marca maior.

Candido Portinari

A influência de Picasso sobre Portinari é evidente. Seu trabalho, inclusive, recebe muitas críticas de ter sido apenas uma cópia do cubismo de Picasso, sem criar um estilo novo. Refuto esse tipo de crítica. Nem todo artista deve criar um estilo novo. O próprio traço é o seu estilo e a forma como realiza o seu trabalho é sempre individual e marcante. Não há porque desejar um novo estilo a cada novo artista. Não faz sentido. A inovação está na sua individualidade, nos temas, nos tamanhos e formas, nas características que o identificam e fazem com que o seu trabalho seja separado dos demais. É certo portanto que Portinari recebeu influência de Picasso, como tantos de sua época. Salvador Dali recebeu influência de muitos surrealistas e a todos superou, se é que devemos falar dessa maneira. Melhor dizer que Dali, felizmente, foi influenciado pelos surrealistas.

Candido Portinari

É comum a busca de fraquezas pelos críticos. Parece que isso faz parte da profissão e nem deveria ser. O fato é que o cubismo adotado por Portinari é produzido por uma espécie de jogo de luzes sem destruir a imagem natural e essa é uma faceta bem interessante. Já se disse também que sua preocupação social é inconsequente no momento em que retrata o trabalhador emprestando-lhe um ar fidalgo e majestoso que destrói a idéia de sofrimento e pobreza. É verdade que as figuras criadas por Portinari possuem mesmo um ar de grande dignidade. E daí? Essa é a sua maneira instintiva e o objetivo maior de toda pintura é algo mais envolvente do que um relatório técnico sobre a situação do negro ou do trabalhador. Isso é trabalho para o IBGE.

Candido Portinari

Portinari pintou muitos retratos e embora declarasse que não gostava de pintar retratos, ficava inteiramente a vontade nesse trabalho. Talvez o pintor não devesse ter sido moderno e cubista e sim adotado um posicionamento mais clássico. Por que então assumir esse posicionamento modernista? Nem Freud explica. O artista era agnóstico mas pintou uma enorme quantidade de santos e de cenas bíblicas. Assumidamente e declaradamente comunista, foi quase um retratista do governo Vergas, longe dos preceitos comunistas. Com um estilo clássico, foi um moderno. Até mesmo o seu cubismo o diferenciava de Picasso, como se jamais tivesse conseguido absorver realmente o cubismo. Melhor deixar Freud em paz e nem tentar uma explicação para essas coisas. A arte de Portinari está aí, para quem quiser ver e gostar e isso é uma decisão inteiramente pessoal.

Portinari meteu-se na política sem muito sucesso. Foi perseguido por ser comunista, numa época em que isso era considerado terrível. O Arcebispo de Belo Horizonte negou-se a consagrar a Igreja da Pampulha por conta dos murais de Portinari. O artista foi para o Uruguai mas voltou a tempo de ver o seu partido comunista ser declarado ilegal. Mais tarde, o mesmo governo brasileiro o convidaria para pintar dois murais na sede da ONU. A guerra e a Paz. Idas e vindas na vida de Portinari. Foi pintando esses dois murais que adoeceu gravemente. O diagnóstico foi o pior possível: envenenamento por conta do uso de tintas. Teve que parar de pintar mas continuou desenhando. Anos depois voltou a pintar, resistindo a pressão dos médicos para que parasse. Um novo envenenamento o encontrou mais velho e mais frágil e o levou a morte. Morreu vitimado pela mesma coisa que lhe deu vida: a pintura.

Fonte: www.cyberartes.com.br

Candido Portinari

Candido Portinari nasceu em Brodósqui (SP) em 1903.

Filho de imigrantes italianos, foi criado numa fazenda de café. Essa vivência de infância marcou profundamente a sua produção artística. Já adulto lembrava: "Impressionavam-me os pés dos trabalhadores das fazendas de café. Pés disformes. Pés que podem contar uma história. Confundiam-se com as pedras e espinhos. Pés semelhantes aos mapas: com montes e valas, vincos como rios."

Aos 15 anos, Portinari foi para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes, onde estudou com Lucílio Albuquerque e Rodolfo Amoedo. Em 1928, com o retrato de Olegário Mariano, conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas Artes. Permaneceu em Paris durante o ano de 1930. No ano seguinte, a convite de Lúcio Costa, então diretor da Escola Nacional de Belas Artes, participou do Salão de Arte Moderna. Em 1932, realizou exposição individual no Palace Hotel do Rio de Janeiro. Em 1935, obteve a 2ª menção honrosa na Exposição Internacional do Instituto Carnegie de Pittsburgh nos Estados Unidos , com a tela "Café". Nesse mesmo ano lecionou no Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal. A convite do Ministro Capanema realizou o seu primeiro mural em 1936 para o Monumento Rodoviário da estrada Rio-São Paulo.

Entre 1936 e 1945 realizou vários murais sobre os ciclos econômicos brasileiros e painéis de azulejos no recém construído edifício do Ministério da Educação no Rio de Janeiro. Estes trabalhos representaram um marco na evolução da arte de Portinari, reafirmando-se sua escolha pela temática social. Em 1939, realizou três painéis para o pavilhão brasileiro na Exposição Internacional de Nova Iorque. No ano seguinte participou de uma mostra de arte latino americana no Riverside Museum de Nova Iorque e expôs no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna em Nova Iorque. Após tal exposição foi convidado para pintar murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, fixando temas da história latino americana. Em 1943, de volta ao Brasil, realizou oito painéis conhecidos como Série Bíblica, onde deixou visível a influência da obra de Picasso "Guernica".

A convite do arquiteto Oscar Niemeyer iniciou obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha em Belo Horizonte, destacando-se, na Igreja de S. Francisco, o mural de S. Francisco e a Via Sacra. Sensibilizado com o clima violento da guerra reforçou ainda mais o cunho social de suas obras: Os Retirantes (1944) e Meninos de Brodósqui (1946) Foi por essa ocasião que decidiu entrar para o Partido Comunista, sendo candidato a deputado em 1945 e a senador em 1947.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1962.

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Candido Portinari

BIOGRAFIA SUCINTA

Candido Portinari nasceu no dia 29 de dezembro de 1903, numa fazenda de café em Brodoswki, no Estado de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, de origem humilde, recebeu apenas a instrução primária de desde criança manifestou sua vocação artística.

Aos quinze anos de idade foi para o Rio de Janeiro em busca de um aprendizado mais sistemático em pintura, matriculando-se na Escola Nacional de Belas Artes.

Em 1928 conquista o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro da Exposição Geral de Belas-Artes, de tradição acadêmica. Vai para Paris, onde permanece durante todo o ano de 1930. Longe de sua pátria, saudoso de sua gente, Portinari decide, ao voltar para o Brasil em 1931, retratar nas suas telas o povo brasileiro, superando aos poucos sua formação acadêmica e fundindo a ciência antiga da pintura a uma personalidade experimentalista a antiacadêmica moderna.

Em 1935 obtém seu primeiro reconhecimento no exterior, a Segunda menção honrosa na exposição internacional do Carnegie Institute de Pittsburgh, Estados Unidos, com uma tela de grandes proporções intitulada CAFÉ, retratando uma cena de colheita típica de sua região de origem.

A inclinação muralista de Portinari revela-se com vigor nos painéis executados no Monumento Rodoviário situado no Eixo Rio de Janeiro – São Paulo (na hoje “Via Dutra”), em 1936, e nos afrescos do novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, realizados entre 1936 e 1944.

Estes trabalhos, como conjunto e como concepção artística, representam um marco na evolução da arte de Portinari, afirmando a opção pela temática social, que será o fio condutor de toda a sua obra a partir de então. Companheiro de poetas, escritores, jornalistas, diplomatas, Portinari participa da elite intelectual brasileira numa época em que se verificava uma notável mudança da atitude estética e na cultura do país: tempos de Arte Moderna e apoio do mecenas Getúlio Vargas que, dentre outras qualidades soube cercar-se da nata da intelectualidade brasileira de seu tempo.

No final da década de trinta consolida-se a projeção de Portinari nos Estados Unidos. Em 1939 executa três grandes painéis para o pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Neste mesmo ano o Museu de Arte Moderna de Nova York adquire sua tela O MORRO. Em 1940, participa de uma mostra de arte latino-americana no Riverside Museum de Nova York e expõe individualmente no Instituto de Artes de Detroit e no Museu de Arte Moderna de Nova York, com grande sucesso de público, de crítica e mesmo de venda (menor das preocupações do Artista...)

Em dezembro deste ano a Universidade e Chicago publica o primeiro livro sobre o pintor, PORTINARI, HIS LIFE AND ART, com introdução do artista Rockwell Kent e inúmeras reproduções de suas obras. Em 1941, Portinari executa quatro grandes murais na Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso em Washington, com temas referentes à história latino-americana. De volta ao Brasil, realiza em 1943 oito painéis conhecidos como SÉRIE BÍBLICA, fortemente influenciado pela visão picassiana de Guernica e sob o impacto da 2ª Guerra Mundial. Em 1944, a convite do arquiteto Oscaar Niemeyer, inicia as obras de decoração do conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, destacando-se o mural SÃO FRANCISCO e a VIA SACRA, na Igreja da Pampulha.

A escalada do nazi-fascismo e os horrores da guerra reforçam o caráter social e trágico de sua obra, levando-o à produção das séries RETIRANTES e MENINOS DE BRODOSWKI, entre 1944 e 1946, e à militância política, filiando-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatando-se a deputado, em 1945, e a senador, 1947. Ainda em 1946, Portinari volta a Paris para realizar sua primeira exposição em solo europeu , na Galerie Charpentier. A exposição teve grande repercussão, tendo sido Portinari agraciado, pelo governo francês, com a Légion d!Honneur. Em 1947 expõe no salão Peuser, de Buenos Aires e nos salões da Comissão nacional de Belas Artes, de Montevidéu, recebendo grandes homenagens por parte de artistas, intelectuais e autoridades dos dois países.

O final da década de quarenta assinala o início da exploração dos temas históricos através da afirmação do muralismo. Em 1948, Portinari exila-se no Uruguai, por motivos políticos, onde pinta o painel A PRIMEIRA MISSA NO BRASIL, encomendado pelo banco Boavista do Brasil. Em 1949 executa o grande painel TIRADENTES, narrando episódios do julgamento e execução do herói brasileiro que lutou contra o domínio colonial português. Por este trabalho Portinari recebeu, em 1950, a medalha de ouro concedida pelo Juri do Prêmio Internacional da Paz, reunido em Varsóvia.

Em 1952, atendendo a encomenda do Banco da Bahia, realiza outro painel com temática histórica, A CHEGADA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA À BAHIA e inicia os estudos para os painéis GUERRA E PAZ, oferecidos pelo governo brasileiro à nova sede da Organização das Nações Unidas. Concluídos em 1956, os painéis, medindo cerca de 14x10 m cada - os maiores pintados por Portinari - encontram-se no "hall" de entrada dos delgados de edifício-sede da ONU, em Nova York. Em 1955, recebe a medalha de ouro concedida pelo Internacional Fine-Arts Council de Nova York como o melhor pintor do ano.

Em 1956, Portinari viaja a Israel, a convite do governo daquele país, expondo em vários museus e executando desenhos inspirados no contado com recém-criado Estado Israelense e expostos posteriormente em Bolonha, Lima, Buenos Aires e Rio de Janeiro. Neste mesmo ano Portinari recebe o Prêmio Guggenheim do Brasil em 197, a Menção Honrosa no Concurso Internacional de Aquarela do Hallmark Art Award, de Nova York. No final da década de cinquenta, Portinari realiza diversas exposições internacionais.

Expõe em Paris e Munique em 1957. É o único artista brasileiro a participar da exposição 50 ANOS DE ARTE MODERNA, no Palais des Beaux Arts, em Bruxelas, em 1958. Como convidado de honra, expõe 39 obras em sala especial na I Bienal de Artes Plásticas da Cidade do México, em 1958. No mesmo ano ainda, expõe em Buenos Aires. Em 1959 expõe na Galeria Wildenstein de Nova York e, juntamente com outros grandes artistas americanos como Tamayo, Cuevas, Matta, Orozco, Rivera, participa da exposição COLEÇÃO DE ARTE INTERAMERICANA, do Museo de Bellas Artes de Caracas. Candido Portinari morreu no dia 06 de fevereiro de 1962, quando preparava uma grande exposição de cerca de 200 obras a convite da Prefeitura de Milão, vítima de intoxicação pelas tintas que utilizava.

OBRAS FAMOSAS

Candido Portinari
Retrato de Euclides da Cunha

Candido Portinari
Retrato de Euclides da Cunha

Candido Portinari
Chegada de D. João VI ao Brasil

Estudou pintura na Escola Naciona;l de Belas Artes do Rio de Janeiro. Em 1928 ganhou um prêmio de viagem e partiu para a Europa, renovando sua pintura com o que viu. Em 1935 recebeu premiação pela tela "Café"na mostra anual do Carnegie Institute de Pittsburgh. A partir de então dedicou-se cada vez mais à criação de murais - na sua maioria encomendados pelo governo brasileiro.

A produção de Portinari foi muitas vezes comparada a dos muralistas mexicanos, não só quanto ao suporte, mas também pela temática - o interesse pela questão social, a narração eloquente e a monumentalidade. Em suas obras, os retirantes nordestinos, os trabalhadores rurais de membros deformados, os tons de marrom e os de roxo dos campos cultivados, expressam a força da terra. A partir de 1944 passou a abordar também temas de sua infância no interior paulista. Em 1948 sofreu influências abstratas e, na década de 50, pintou a série dos cangaceiros, de cores mais intensas. A viagem que realizou em 1956 a Israel transformou sua pintura. Usou seu trçado firme para concretizar formas mais compactas e agressivas.

Candido Portinari
Mestiço

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

Candido Portinari

Portinari é certamente o pintor do modernismo brasileiro mais conhecido no exterior, autor dos dois grandes painéis (um sobre a guerra, outro sobre a paz) existentes no edifício-sede das Nações Unidas, em Nova York (1957). A partir da década de 40, transformou-se numa espécie de artista-símbolo e artista de exportação da nação brasileira. Realizou outros trabalhos nos Estados Unidos, inclusive na Biblioteca do Congresso, em Washington. Várias telas suas entraram para coleções particulares norte-americanas.

Mas Portinari não pertenceu à primeira geração modernista, nem, a rigor, começou como um artista moderno. No mesmo ano em que se realizava a Semana de Arte Moderna, em 1922, era, muito jovem, premiado no Salão Nacional de Belas Artes, um reduto do tradicionalismo. Só em 1931, de volta ao Brasil após dois anos na Europa, expôs no Rio de Janeiro as primeiras obras que indicavam sua necessidade de renovação, tanto temática quanto estilística. Sofreu então certa influência dos muralistas mexicanos, que aparece em Café, uma de suas primeiras grandes telas de conteúdo social. Era homem de esquerda - pertenceu ao Partido Comunista - e artista engajado, e consagrou sua obra à denúncia das mazelas do País subdesenvolvido que existia a seu redor. Um pouco influenciado também pelas fases mais dramáticas de Picasso, realizou em meados dos anos 40 obras excepcionais, como Menino Morto e Enterro na Rede. Fazem parte de uma vasta série sobre os retirantes - os emigrantes da região Nordeste do Brasil que, assolados pela seca, abandonam suas terras em busca de melhores condições de vida, sem sucesso.

Portinari colaborou também com obras de artes aplicadas, como pinturas murais e painéis em azulejos, em alguns dos primeiros projetos da arquitetura moderna no Brasil. Entre eles, o antigo Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (risco original de Le Corbusier) e a Igreja da Pampulha, de Oscar Niemeyer, em Belo Horizonte (1944/45). E, embora não seja este seu filão mais importante, realizou ainda grandes painéis de temas históricos.

Portinari foi um artista muito dotado, um grande desenhista, um grande colorista, dono de uma técnica impecável. Justamente por isso, às vezes o acusam de um tradicionalismo disfarçado. A acusação é excessivamente rigorosa. Sua posição hoje é a de um mestre fundamental, mesmo que sem o grau de inventividade de linguagem ímpar, como o de Volpi.

FRASES DO ARTISTA

"Saí correndo, tive tempo ainda de apanhar o trem em movimento. A última imagem que me ficou gravada na memória foi a de meu pai, levantara-se para se despedir, ainda posso vê-lo... não teve tempo de me dizer nada" - falando sobre sua mudança para o Rio de Janeiro.

"O alvo da minha pintura é o sentimento. Para mim, a técnica é meramente um meio. Porém um meio indispensável" - em declaração que escandalizou seus mestres acadêmicos da ENBA.

"A viagem à Europa para um moço que observa é útil. Temos tempo de recuar. Temos coragem de voltar ao ponto de partida. Eu sou moço" - sobre os valores que aprendeu com os anos que vivem em Paris.

"Estou com os que acham que não há arte neutra. Mesmo sem nenhuma intenção do pintor, o quadro indica sempre um sentido social" - começando a flertar com o socialismo.

"Quanto à pintura moderna, tende ela francamente para a pintura mural. Com isso, bem entendido, não quero afirmar que o quadro de cavalete perca o seu valor, pois a maneira de realizar não importa" - explicando sua mudança para os afrescos.

"E a causa disso tudo é ainda o governo, que se obstina a não ter, como no México se observa, interesse direto pelas coisas da arte" - em reclamação contra a falta de apoio do governo para exposições e mostras.

"Aos homens honestos, aos brasileiros sinceros, aos patriotas de fato é que falo, para que analisem tal assunto com frieza" - depois de completar a série de telas "Retirantes".

"Estão me impedindo de viver" - comentando as ordens médicas que o proibiam de continuar pintando para não agravar sua intoxicação

"E por assim haver disposto o essencial, deixando o resto aos doutores de Bizâncio, bruscamente se cala e voa para nunca-mais a mão infinita, a mão-de-olhos-azuis de Candido Portinari" - Carlos Drummond de Andrade, no poema "A Mão", dedicado ao amigo na ocasião de sua morte.

Fonte: www.terra.com.br

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