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João Calvino

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João Calvino nasceu em Noyon, nordeste da França, no dia 10 de julho de 1509. Seu pai, Gérard Calvin, era advogado dos religiosos e secretário do bispo local. Aos 12 anos, Calvino recebeu um benefício eclesiástico cuja renda serviu-lhe de bolsa de estudos.

Em 1523, foi residir em Paris, onde estudou latim e humanidades (Collège de la Marche) e teologia (Collège de Montaigu). Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos, primeiro em Orléans e depois em Bourges, onde também estudou grego com o erudito luterano Melchior Wolmar. Com a morte do pai em 1531, retornou a Paris e dedicou-se ao seu interesse predileto - a literatura clássica. No ano seguinte publicou um comentário sobre o tratado de Sêneca De Clementia.

Calvino converteu-se à fé evangélica por volta de 1533, provavelmente sob a influência do seu primo Robert Olivétan. No final daquele ano, teve de fugir de Paris sob acusação de ser o co-autor de um discurso simpático aos protestantes, proferido por Nicholas Cop, o reitor da universidade. No ano seguinte, voltou a Noyon e renunciou ao benefício eclesiástico. Escreveu o prefácio do Novo Testamento traduzido para o francês por Olivétan (1535).

Em 1536 veio a lume primeira edição da sua grande obra, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, introduzidas por uma carta ao rei Francisco I da França contendo um apelo em favor dos evangélicos perseguidos. Alguns meses mais tarde, o reformador suíço Guilherme Farel o convenceu a ajudá-lo na cidade de Genebra, que acabara de abraçar a Reforma. Logo, os dois líderes entraram em conflito com as autoridades civis sobre questões eclesiásticas, sendo expulsos em 1538.

Calvino foi para Estrasburgo, onde residia o reformador Martin Bucer. Atuou como pastor, professor, participante de conferências e escritor. Produziu uma nova edição das Institutas (1539), o Comentário da Epístola aos Romanos, a Resposta a Sadoleto (uma apologia da fé reformada) e outras obras. Casou-se com a viúva Idelette de Bure (falecida em 1549).

Em 1541, Calvino retornou a Genebra por insistência dos governantes da cidade. Assumiu o pastorado da igreja reformada e escreveu para a mesma as célebres Ordenanças Eclesiásticas. Por catorze anos, enfrentou grandes lutas com as autoridades civis e algumas famílias influentes (os "libertinos"). Apesar de estar constantemente enfermo, desenvolveu intensa atividade como pastor, pregador, administrador, professor e escritor. Produziu comentários sobre quase toda a Bíblia.

Em 1555, os partidários de Calvino finalmente derrotaram os "libertinos." Os conselhos municipais passaram a ser constituídos de homens que o apoiavam. A Academia de Genebra, embrião da futura universidade, foi inaugurada em 1559. Nesse mesmo ano, Calvino publicou a última edição das Institutas. O reformador faleceu aos 55 anos em 27 de maio de 1564.

Rev. Alderi Souza de Matos

Fonte: www.ippinheiros.org.br

João Calvino

João Calvino nasceu em Noyon, nordeste da França, no dia 10 de julho de 1509. Seu pai, Gérard Calvin, era advogado dos religiosos e secretário do bispo local. Aos 12 anos, Calvino recebeu um benefício eclesiástico cuja renda serviu-lhe de bolsa de estudos.

Em 1523, foi residir em Paris, onde estudou latim e humanidades (Collège de la Marche) e teologia (Collège de Montaigu). Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos, primeiro em Orléans e depois em Bourges, onde também estudou grego com o erudito luterano Melchior Wolmar. Com a morte do pai em 1531, retornou a Paris e dedicou-se ao seu interesse predileto – a literatura clássica. No ano seguinte publicou um comentário sobre o tratado de Sêneca De Clementia.

Calvino converteu-se à fé evangélica por volta de 1533, provavelmente sob a influência do seu primo Robert Olivétan. No final daquele ano, teve de fugir de Paris sob acusação de ser o co-autor de um discurso simpático aos protestantes, proferido por Nicholas Cop, o reitor da universidade. No ano seguinte, voltou a Noyon e renunciou ao benefício eclesiástico. Escreveu o prefácio do Novo Testamento traduzido para o francês por Olivétan (1535).

Em 1536 veio a lume primeira edição da sua grande obra, As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, introduzidas por uma carta ao rei Francisco I da França contendo um apelo em favor dos evangélicos perseguidos. Alguns meses mais tarde, o reformador suíço Guilherme Farel o convenceu a ajudá-lo na cidade de Genebra, que acabara de abraçar a Reforma. Logo, os dois líderes entraram em conflito com as autoridades civis sobre questões eclesiásticas, sendo expulsos em 1538.

Calvino foi para Estrasburgo, onde residia o reformador Martin Bucer. Atuou como pastor, professor, participante de conferências e escritor. Produziu uma nova edição das Institutas (1539), o Comentário da Epístola aos Romanos, a Resposta a Sadoleto (uma apologia da fé reformada) e outras obras. Casou-se com a viúva Idelette de Bure (falecida em 1549).

Em 1541, Calvino retornou a Genebra por insistência dos governantes da cidade. Assumiu o pastorado da igreja reformada e escreveu para a mesma as célebres Ordenanças Eclesiásticas. Por catorze anos, enfrentou grandes lutas com as autoridades civis e algumas famílias influentes (os "libertinos"). Apesar de estar constantemente enfermo, desenvolveu intensa atividade como pastor, pregador, administrador, professor e escritor. Produziu comentários sobre quase toda a Bíblia.

Em 1555, os partidários de Calvino finalmente derrotaram os "libertinos." Os conselhos municipais passaram a ser constituídos de homens que o apoiavam. A Academia de Genebra, embrião da futura universidade, foi inaugurada em 1559. Nesse mesmo ano, Calvino publicou a última edição das Institutas. O reformador faleceu aos 55 anos em 27 de maio de 1564.

Alderi Souza de Matos

Fonte: www.thirdmill.org

João Calvino

Teólogo e reformador protestante francês (Noyon, Picardia, 1509-Genebra, 1564). Neto de um tanoeiro, o seu pai, notário apostólico, procurador do Cabido e secretário do Bispo de Noyon, é um homem pobre e com muitos filhos. O seu filho João mostra desde criança grande vocação, e é apoiado pela mãe. Colocado primeiro no Colégio dos Capeto, é posteriormente admitido entre os filhos do Senhor de Mommor, cuja educação compartilha. Em 1523 vai estudar na Universidade de Paris e, após frequentar dois colégios ou faculdades, chega a ser um humanista distinguido. O pai tem-o destinado à teologia e obtém para ele o proveito de uma capela da Catedral de Noyon (1521) e, mais tarde, a paróquia de Marteville (1527). Mas num dado momento muda de ideias e anima o filho a estudar Direito, enviando-o às Universidades de Orleães e de Bourges (1528-33). Em Bourges tem intensas relações com o helenista alemão Wolmar. Em Orleans inicia-se nas novas doutrinas (luteranas) juntamente com o seu primo Robert Olivetan. Mas não parece que por aquela altura as aceite já.

A partir de 1533, os laços que o unem ao catolicismo afrouxam. O discurso que redige em Paris, onde estuda (1533), contém várias heresias. Preocupado por este discurso, refugia-se em Saintonge junto do cónego Louis de Tillet, de onde se dirige de imediato a Navarra, sob a protecção da rainha Margarida. Nos primeiros meses de 1534 passa-se definitivamente para o protestantismo. No Outono de 1534 retira-se para Estrasburgo e, posteriormente, para Basileia. Nesta última cidade dá por findo, em 1535, o seu livro, Institutio Religionis Christianae, que publica primeiro em latim (1536) e de seguida em francês (1541). No intervalo, Calvino é chamado a Genebra para ensinar Teologia. Mas em 1538, após pretender reformar os costumes da cidade e introduzir nela uma severa disciplina, é expulso juntamente com Farel.

Calvino volta a Estrasburgo, onde se dedica a estudos alemães. Assiste às Conferências de Ratisbona e Worms. Em 1540 casa-se com uma viúva com fama de virtuosa, que lhe dá um filho que morre ainda criança. Ainda em 1540 é novamente chamado a Genebra e, a partir de Setembro de 1541, exige que se proceda à redacção das Ordonnances Ecclésiastiques, que fazem da referida cidade a praça-forte do protestantismo. Com inflexível severidade, estende aos costumes a reforma que tem aplicado ao dogma e ao culto, e persegue com rigor todos aqueles que considera adversários. Entre as vítimas da sua intolerância há que citar Jacques Gruet e, sobretudo, o espanhol Miguel Servet, que descobre a dupla circulação do sangue, sendo queimado na fogueira em 1553.

Precisamente a partir desta última data, a sua influência na cidade é preponderante. Não se contenta em lutar contra o partido dos «libertinos». Seguindo o exemplo de outros reformadores, faz da educação um poderoso auxiliar das novas ideias. Em Junho de 1559 funda a Academia de Genebra, à frente da qual coloca Th. de Bèze, e que se converte quase de imediato numa das mais brilhantes sedes da ciência na Europa. Ao mesmo tempo, ocupa-se da difusão exterior da sua doutrina; tem co-responsáveis em França, nos Países Baixos, Escócia, Grã-Bretanha e Polónia. Forma os seus discípulos, que por sua vez criam por todo o lado novas igrejas. A sua actividade como pastor e como professor é desmedida. Não tarda em sucumbir à enormidade da tarefa. Morre em 1564.

Como escritor, Calvino pode incluir-se entre os grandes do século xvi. Traduz pessoalmente do latim para francês a sua Institutio Christianae e sabe conservar, sem intemperanças, a construção ampla e metódica do período latino. A sua linguagem, um tanto austera, mas exacta, leva a clareza à teologia e é portador do movimento que procede de uma lógica poderosa.

O sistema teológico calvinista é a doutrina mais amplamente aceite e de maior influência no protestantismo. É uma doutrina fundamentalmente teocêntrica, e, ao mesmo tempo, uma reforma anticatólica e antiluterana, admite a Trindade, a encarnação do Filho de Deus numa Virgem, a dupla natureza de Cristo, a teoria augustiniana da graça, a predestinação e o pecado original. A igreja calvinista, cuja autoridade dimana directamente de Deus, tem como missão predicar a palavra divina, administrar os sacramentos e velar pela disciplina eclesiástica. Os escolhidos mais ilustres devem ensinar aos restantes as Sagradas Escrituras, texto fundamental e única fonte de fé. O ministério ordinário corresponde aos pastores, aos mestres, aos presbíteros ou anciãos e aos diáconos; não existe a categoria episcopal. Cada congregação local, governada por um consistório de pastores, é independente, se bem que possa juntar-se a outras congregações. Calvino aceita os sacramentos (entendidos como símbolos) do baptismo e da eucaristia e suprime o culto aos santos, às imagens, às relíquias e à cruz, considerado como idolatria. Não admite a confissão auricular, os votos, o celibato, a missa nem as indulgências, e nega a existência do purgatório. Ao longo da sua existência, o calvinismo experimenta numerosas modificações, e é essencialmente mantido pelas igrejas «reformada» e «presbiteriana».

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

João Calvino

O Calvinismo cristalizou a Reforma. Lutero e Zuínglio tinham modificado radicalmente a antiga religião, mas, para além do vigoroso realce dado à Palavra de Deus, as crenças reformadas careciam duma autoridade precisa, duma direção organizada e duma filosofia lógica. João Calvino deu-lhes tudo isso e mais ainda. Ele foi um daqueles raros caracteres em que o pensamento e a ação se conjugam e que, se chegam a deixar marca, gravam-na profundamente na história. A influência que ele exerceu desde a cidade de Genebra, que praticamente governou a partir de 1541 até à sua morte, em 1564, espalhou-se pela Europa inteira e mais tarde pela América.

Calvino nasceu na França, a 10 de julho de 1509, em Noiyon, onde seu pai era notário apostólico e delegado fiscal. O pai era um respeitável membro da classe média, que esperava que o seu segundo filho, João, seguisse a carreira eclesiástica; mas os seus antepassados mais remotos tinham sido barqueiros em Pont-l'Evêque, no rio Oise. João Calvino estudou teologia, e depois direito, nas Universidades de Paris, Orleães e Bourges.

É incerto quando e como tenha Calvino abandonado a fé dos seus maiores. Mais tarde ele escreveu: Deus sujeitou-me o coração à docilidade através duma conversão repentina. Sem dúvida que os seus interesses se foram desviando dos clássicos e das leis para o estudo dos Pais da Igreja, e das Escrituras. As influências primordiais foram provavelmente as do Novo Testamento grego de Erasmo e dos sermões de Lutero. O Testamento grego revelou-lhe até que ponto a doutrina da Igreja se tinha afastado da narração evangélica. Os escritos de Lutero faziam realçar aquela idéia que germinava agora na sua própria mente e que iria influenciar dali por diante tudo o que ele fez, a de que o homem, carregado de culpas, apresentando-se coberto de pecados perante o Deus perfeitamente bom, somente pode salvar-se pela sua fé absoluta e sem restrições na misericórdia divina.

Calvino passou a escrever a obra que veio a ser o livro texto da Reforma Protestante, a sua Instituição da Religião Cristã, que continha as idéias fundamentais em que assentava o Calvinismo. Ao cabo de 23 anos da sua primeira publicação - 1536 - os seus seis capítulos originais tinham aumentado para oitenta, mas as idéias não tinham sofrido modificações sensíveis. Talvez que nenhum livro publicado no século XVI tenha produzido efeitos de tão largo alcance.

Quais eram os fundamentos da sua crença? Tal como Lutero e Zuínglio, a Bíblia, a inspirada Palavra de Deus, constitui a base final de todas as suas idéias. "Tal como sucede com os velhos, e os que sofrem de oftalmias, e todos os que têm má visão, que, se lhes pusermos diante nem que seja o mais belo livro, embora eles reconheçam que ali está escrita alguma coisa, mal conseguem juntar duas palavras, mas, se forem ajudados mediante a interposição de óculos, começarão a ler indistintamente, assim também a Escritura, reunindo todo o conhecimento de Deus na nossa mente, doutro modo confusa, dispersa as trevas e mostra-nos claramente o verdadeiro Deus." Embora Calvino admitisse que a Escritura era totalmente isenta de erro humano, salientou que "as Escrituras são a escola do Espírito Santo, onde nada é omitido que seja necessário e útil conhecer, e nada é ensinado, exceto aquilo que seja vantajoso saber"; e sustentou que o Antigo Testamento era tão valioso quanto o Novo. "Ninguém pode receber sequer a mínima parcela de reta e sã doutrina se não passar a ser um discípulo das Escrituras e não as interpretar guiado pelo Espírito Santo."

É óbvio que a Igreja e o Estado devem ambos derivar a sua autoridade da Escritura. Calvino distinguia, como outros fizeram, entre a Igreja visível e a invisível. A segunda era formada por todos os que estavam predestinados à salvação. Afirmamos, escreveu ele na Instituição, que por decreto eterno e imutável Deus já determinou de uma vez por todas quem Ele admitirá à salvação e quem Ele admitirá à destruição. Confirmamos que esse decreto, pelo que respeita aos eleitos, fundamenta-se no Seu decreto desinteressado, totalmente independente dos méritos humanos; mas para aqueles que ele destina à condenação as portas da vida ficam fechadas por um julgamento justo e perfeito. A teoria da predestinação de Calvino nasceu da sua crença na presciência absoluta de Deus, e da firma convicção, robustecida pelas suas leituras de São Paulo e Santo Agostinho, de que o homem é incapaz de se salvar pelas suas próprias ações; somente pode ser salvo pela imerecida graça de Deus, livremente concedida. Mas, se a Igreja é o grêmio dos predestinados ou eleitos, ela deve necessitar de alguma expressão visível, ainda mesmo que imperfeita.

A autoridade da Igreja é puramente religiosa, assim como a autoridade do Estado é puramente política. Calvino atribuiu uma autoridade de origem divina e chamou aos magistrados os ministros da justiça divina. Enquanto a Igreja lida com a vida da alma ou do homem interior, os magistrados ocupam-se em estabelecer a justiça, civil e exterior, da moralidade. Idealmente, o Estado não deve interferir com a Igreja, embora deva fazer tudo aquilo que puder para ajudá-la, mas Igreja também não deve interferir no Estado.

Os Regulamentos Eclesiásticos de Calvino estabeleciam como devia ser governada e Igreja. Esta tinha 2 instituições dirigentes, o Venerável Ministério e o Consistório. O primeiro, formado pelos pastores, examinava os que se sentiam vocacionados para a ordenação, apresentando depois ao Conselho para a aprovação aqueles a quem tinha escolhido; escutava os sermões sobre a doutrina, e agia como censor moral. O Consistório, um conselho de seis ministros e doze anciãos escolhidos entre os membros dos três conselhos governativos, era de todos os instrumentos de governo de Calvino o de maior significado. Em teoria era um tribunal da moral, mas a moralidade em Genebra não tinha limites; o Consistório tomava conhecimento de todas as formas de atividade, lidando com os vícios mais graves e com as infrações mais banais. A sua disciplina era severa e mantida por meio da excomunhão; as sentenças que proferia eram muitas vezes rigorosas, mas não o eram invariavelmente. O adultério, o jogo, as pragas, a bebida, o dormir na altura dos sermões e todas as práticas suscetíveis de poderem ser consideradas católicas, tudo isso caía sob a sua alçada.

Genebra tornou-se a central do mundo protestante. Refugiados protestantes de toda a Europa encontraram refrigério e ensino adentro das suas fronteiras, dando rapidamente uma feição acentuadamente cosmopolita à cidade. O ensino calvinista floresceu na sua universidade e na Academia fundada por Calvino em 1559. A literatura impressa em Genebra inundou a Europa, quer através do mercado livre, quer vendida por colporteurs clandestinos; os livros e folhetos eram de formato especial para se poderem transportar sem serem descobertos.

Quando em 1564 Calvino morreu, pôde no mínimo repousar com o seguro conhecimento de ter criado um dos mais importantes movimentos religiosos e políticos da história mundial.

Texto Retirado da Segunda Edição do Livro Renascimento e Reforma, de V.H.H. Green. Publicações Dom Quixote, Portugal.

Fonte: br.geocities.com

João Calvino

Contexto Histórico

Aproximadamente um a dois séculos antes de acontecer a reforma protestante os precursores deste movimento haviam, com suas próprias vidas, semeado um pouco daquilo que seriam os ideais sócio-econômico-cultural-político-religiosos reformadores. Homens como John Huss e Wycliffe gozaram tanto de um sucesso como de um insucesso na implantação e sucessão de seus ideais.

Neste mesmo intento de reformar a igreja cristã um homem chamado Martinho Lutero dá início ao que conhe-cemos como reforma protestante. Passo a passo ele foi rompendo com a teologia, tradição e práxis da Igreja Católica Romana até que em 31 de outubro de1517 ele pregou nas portas da igreja de Wittenburg as suas 95 teses contra a venda de indulgências. Não só estas teses como também outras obras de Lutero foram traduzidas para diversas ou-tras línguas o que facilitou a propagação dos ideais reformadores e sua desarraigação da igreja católica.

A maioria dos monges, antes indiferente ao que ocorria fora dos conventos, deixou seus claustros para pregar as boas-novas do Novo Testamento. Nesse tempo, não poucos sacerdotes romanos tomaram-se luteranos, sendo o exem-plo deles seguido por muitos dos fiéis de suas paróquias. Também, não poucos bispos fizeram o mesmo. Muitos hu-manistas famosos dedicaram sua cultura propagando e defendendo a nova expressão do Cristianismo.

A Reforma, já fora dos limites da Alemanha, estava produzindo considerável alteração no modo de vida do povo em outras regiões da Europa. Deixou de ser um movimento de conotação simplesmente anti-papal, para tornar-se um dos maiores avivamentos religiosos da História da Igreja. Surgiram logo depois, muitos outros movimentos reformis-tas, paralelos, destacando-se precisamente na Suíça, França, Escócia e Inglaterra.

É neste contexto que nasce e cresce aquele que seria o teólogo mais influente ao protestantismo pós-Lutero.

Sua Vida

No dia 10 de julho de1509, em Noyon Picardia, norte da França, nasceu Jean Cauvin, filho de Gerard Cauvin e Je-anne le Franc de Cambrai. Nesta época Lutero já havia pregado suas primeiras conferências na Universidade de Wi-ttenberg. Calvino era aproximadamente 26 anos mais novo que Lutero, o que fazia dele pertencente à segunda gera-ção da reforma protestante.

Seu pai pertencia à classe média da sociedade de Noyon, e com o exercício do secretariado do bispo e procurador da biblioteca da Catedral procurou oferecer ao seu filho João os benefícios eclesiásticos com os quais iria custear seus estudos.

Aos três anos de idade João Calvino perde, para a morte, sua simples, calma, piedosa, bela e religiosa mãe.

Ele teve a sua infância em dias que a Igreja Romana e suas crendices tinham forte influência sobre o povo que se dispunha a crer em qualquer coisa absurda. A Igreja dizia possuir como relíquia, alguns fios de cabelo de João Batista, um dente do Senhor Jesus, um pedaço de maná do Antigo Testamento, algumas migalhas que sobraram da primeira multiplicação dos pães e alguns fragmentos da coroa de espinhos usada por Jesus.

Desde muito pequeno Calvino aprendeu as polidas maneiras da sociedade, isto em decorrência das suas relações muito próximas com a nobre e poderosa família dos Montmor.

Quando Calvino tinha apenas 12 anos de idade (1521) ele foi nomeado capelão da Catedral de Noyon, tornando-se assim membro do clero. Evidentemente ele não possuía todas as ordens sacerdotais mas o suficiente para lhe con-ferir os lucros do benefício eclesiástico.

Aos 14 anos de idade (agosto de 1523) João Calvino foi enviado ao Colégio Montaigri, em Paris, onde dedicou-se às artes liberais e mais tarde iria estudar teologia. Como estudante ele era excepcional e se avantajava em muito aos seus companheiros. Era um rapaz de baixa estatura, organismo fraco e delicado, feição pálida, olhar brilhante, muito inteligente e de firme caráter. Era tímido, irritável, muito austero, organizado, inflexível e intolerante. Muito disso sabemos graças à sua biografia escrita por seu sucessor, Teodoro de Beza. Em Paris aprendeu bem o latim e foi ins-truído na filosofia e na dialética completando seu curso de pré-graduação no começo de 1528.

Aos 18 anos (1527) foi nomeado para outro cargo eclesiástico o de pároco (curato) de S. Martinho de Marteville, no entanto ele não era sacerdote. Posteriormente (1529) Calvino veio a abrir mão do seu primeiro cargo eclesiástico em favor de seu irmão mais novo e trocou Marteville por Pont-l'Evê. Em 1534 abdicou a este segundo cargo.

Dizem que Calvino era conhecido entre seus colegas como "caso acusativo" por estar sempre censurando-os e cri-ticando severamente as suas falhas.

Por causa de um desentendimento de seu pai Gerard em 1528 com autoridades eclesiásticas a respeito de ques-tões financeiras, Calvino foi transferido para a Universidade de Orleans e Burges, onde, de acordo com a vontade de seu pai, agora excomungado, estudaria advocacia. Em Bourges, sob a influência do alemão Melchior Wolmar, aluno de Lutero, passou a estudar grego e assim teve fácil acesso ao Novo Testamento Grego de Erasmo Roterdã. Lá também obteve fortes influências humanistas.

Com o falecimento do pai em 1531 e o término da faculdade jurisprudência, mesmo nunca ter sido de seu agra-do, Calvino passou a tomar suas próprias decisões e assim seguir seu desejo: esforçar-se no estudo das letras, tanto línguas (grego, hebraico e latim) como literatura. Ele assim o fez no Colégio Royal de França, uma instituição huma-nista fundada pelo rei Francisco I em 1530. Para lá fora a fim de estudar sob a direção dos mais eminentes humanis-tas da época.

Entre a conclusão do seu comentário sobre a obra "Sobre a Clemência" de Sêneca (1532) e o fim do ano seguin-te, Calvino se converteu, adotando as idéias da Reforma e dispensando imediatamente o dinheiro das rendas eclesiás-ticas. No prefácio do seu comentário sobre o livro de Salmos ele escreve um pouco sobre sua conversão: "Visto que eu estava mais teimosamente preso às superstições do papado do que me era possível desvencilhar-me de tão pro-fundo lamaçal. Deus subjugou o meu coração da obstinação de minha idade para a docilidade de uma súbita conversão. Forçado a abandonar a França, em 1534, por colaborar com Nicholas Cop, reitor da Universidade de Paris, na elaboração de um documento, recheado de Humanismo e de Reforma, seguiu para Basiléia.

Em Basiléia (1536), uma cidade protestante, Calvino termina a sua maior obra teológica a "Institutio Religionis Christianae", obra esta que teve de ser terminada às pressas em decorrência da necessidade de se defender os protes-tantes das acusações perseguições executadas pelo rei Francisco I. Na dedicatória, Calvino pede que o rei faça uma distinção entre os "piedosos", os verdadeiros adeptos do Evangelho, e os entusiastas anarquistas pois eram estes que provocavam a desordem no Estado.

A boa aceitação das Institutas motivou Calvino a continuar seus estudos teológicos e a transferir-se para Estras-burgo. A caminho de Estrasburgo, uma cidade protestante, ele parou para pernoitar em Genebra. Nesta cidade foi abordado por Guilherme Farel, que defendia e propagava os ideais reformatórios em Genebra. Farel o abordou por não se contentar que Calvino estaria lá só de passagem e a igreja com todos os seus problemas e necessidades a pere-cer.

Depois de muita argumentação e contra-argumentação entre Farel e Calvino, Farel sem conseguir convencer o jovem teólogo a ficar em Genebra apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: "Deus amaldiçoe teu descanso e a tranqüilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda."

Diante do enfático apelo de Farel cedeu e ficou em Genebra. Dias depois Calvino mesmo confessou: "Senti... como se Deus tivesse estendido a Sua mão do céu em minha direção para me prender... Fiquei tão aterrorizado que inter-rompi a viagem que havia encetado... Guilherme Farel me reteve em Genebra."

Inicialmente seu trabalho em Genebra foi um fracasso pois as pessoas não estavam dispostas a aceitarem as re-formas calvinistas, o que acabou resultando na sua expulsão de Genebra em1538. Levou 3 anos para o povo reconhe-cer as capacidades e intentos de Calvino, e em 1541 o convidam a voltar a Genebra, apelo que ele atendeu gratamen-te porém não sem relutância.

Em Estrasburgo, agosto de1540, João Calvino casou-se com Idelette de Bure, viúva de um pastor anabatista e mãe de duas crianças, com quem foi feliz até que a morte a levou em 1549. Tiveram um único filho, o qual morreu ainda muito novo.

O período de 1548 a 1555 foi marcado na vida de Calvino pelas extensas e excessivas lutas contra hereges e as lideranças da cidade de Genebra, sendo que estas lutas tiveram o seu ápice na condenação e execução, por Calvino e os seus, de Miguel Servetto em 1553.

Em 1559 Calvino viu cumprir-se um dos seus sonhos, ao ser fundada a Universidade de Genebra com um sistema de educação baseado em três níveis, o qual seria um modelo educacional para a posteridade imediata.

Sua Morte

Calvino, que nunca fora robusto, morreu moço. Pregou seu último sermão no dia 6 de fevereiro de 1564 e fale-ceu a 27 de maio do mesmo ano, contando apenas cinqüenta e cinco anos incompletos. A maravilha, porém, está em que, não obstante as fraquezas físicas, as lutas incessantes, e o trabalho excessivo, ele pudesse ter resistido tanto tempo. Somente a vida moderada e a força de vontade extraordinária podiam levá-lo tão longe. Ciente de que a morte se aproximava, chamou para junto de si os magistrados e os pastores da cidade e lhes fez prometer que sobre sua se-pultura não seria erguido qualquer monumento, tanto que hoje se desconhece o local do seu túmulo. Foi sepultado, segundo seu desejo, em lugar desconhecido, sem testemunhas e sem cerimônia fúnebre. O procedimento correspon-deu à sua teologia: honra e glória somente a Deus.

Seu Exílio, Fuga, perseguições e Intolerâncias

A primeira fuga a que Calvino teve que se submeter foi na ocasião em que ele ajudou na preparação do discurso de início do ano letivo na Universidade de Paris, feito então pelo reitor Nicholas Cop no dia 1/11/1533. Tratava-se de um discurso recheado de idéias humanistas e protestantes o que fez com que a grande maioria dessa universidade os perseguisse. Calvino fugiu para a cidade de Basiléia, uma cidade protestante.

Em 1538 foi expulso pelos protestantes da igreja de Genebra pois ali Calvino havia instituído uma rigorosa e ti-rana disciplina eclesiástica. De Genebra ele retirou-se para Estrasburgo onde ficou até 1541. Após algum tempo ele retornou à igreja sob o convite daqueles que um dia o expulsaram. Seu fiel amigo, Guilherme Farel, preferiu seguir com ele até o exílio. Estes 3 anos, pelo que se sabe, foram os mais felizes e tranqüilos de sua vida embora sejam co-nhecidos como exílio.

Com a vitória nas eleições de 1553 por parte dos oponentes de Calvino e a situação política de Calvino era precá-ria estourou o famoso caso de Miguel Servetto, médico e teólogo espanhol que negava a doutrina da Trindade, sendo que Servetto acabara de escapar da inquisição católica na França. Calvino o declarou herege por meio de 38 acusações e todos concordaram na sua morte, inclusive seus opositores. Quanto à morte de Servetto não há uma concordância final entre os historiadores pois alguns dizem que Calvino o condenou à decapitação e seus discípulos o persuadiram a mudar a sentença para que Servetto fosse queimado vivo na fogueira. A outra versão é o contrário, ou seja, Serve-tto foi condenado por todos a morrer queimado mas Calvino ordenou para que fosse decapitado por se tratar de uma morte menos dolorosa.

Ocorreram outros incidentes de intolerância o que convém dizer-nos é que desde muito cedo ele apresentou-se como intolerante e inflexível. Ex.: "Caso Acusativo".

Sua Teologia

Simplificadamente a teologia de Calvino se resume na sigla TELIP, ou seja:

Totalidade da depravação humana, entendendo que o homem herdou a culpa do pecado de Adão e nada pode fa-zer por sua salvação, uma vez que a sua vontade está totalmente corrompida. Calvino ensinava que a salvação é um assunto de... Eleição incondicional e independe do mérito humano ou da presciência de Deus: a eleição é fundamenta-da na soberania da vontade de Deus, havendo uma predestinação dupla, para a salvação e para a perdição. Calvino concebia ainda a... Limitação da redenção, ao propor que a obra de Cristo na cruz é restringida aos eleitos para a sal-vação. A doutrina da Irresistibilidade da graça é necessária, então: o eleito é salvo independentemente de sua vontade, pois o Espírito Santo o dirige irresistivelmente para Cristo. A... Perseverança (ou Preservação) dos santos è o ponto final do seu sistema, os eleitos, irresistivelmente salvos pela obra do Espírito santo, jamais se perderão.

Coordena sua teologia a idéia da soberania absoluta de Deus. Calvino tinha uma concepção majestosa de Deus, a exemplo de alguns dos profetas do Antigo Testamento. João Calvino foi um profundo conhecedor e estudioso das Es-crituras, toda a sua teologia partiu das Escrituras buscando ele a partir daí apoiar nos escritos dos pais da igreja dos quais Agostinho é o seu preferido. Sua teologia é essencialmente bíblico-indutível.

Esta marca sistematizadora da teologia reformada presente em Calvino é uma das diferenças que ele tem para com Martinho Lutero que foi o grande pregador da reforma.

Suas Contribuições

Elaboração de um modelo político para a igreja (sistema presbiteriano) e para o Estado, que pode ser conside-rado pioneiro na prática da democracia representativa

As "Institutas da Religião Cristã" - A mais importante e influente obra da teologia sistemática da reforma pro-testante. Possui ênfase na importância da doutrina a na centralidade de Deus na teologia cristã

Seus trabalhos e esforços influenciaram: a Reforma, os Presbiterianos e os Puritanos

Enfatizava a vocação como chamada divina e dava importância à moderação na alimentação (frugalidade) e ao trabalho, estimulando assim o capitalismo

Incentivou grandemente a educação, fundando em 1559 a Universidade de Genebra com um sistema de educa-ção baseado em três níveis. Posteriormente os Estados Unidos seriam influenciados por este novo sistema

Sob a liderança de Calvino, a cidade de Genebra transformou-se em um modelo para a vida cristã e fé reforma-da tornando-se também um local de refúgio para todos quanto eram perseguidos por causa da fé protestante.

Principais Obras

"Comentário ao Tratado de Sêneca sobre a Clemência" - (abril de 1532) esta obra marcou o ápice da influên-cia humanista em sua vida, sendo esta a sua primeira obra independente

"Psychopannychia" - (1537)

"Institutio Religionis Christianae" (terminada em 23/08/1535 e impressa em março de 1536). Era uma edição em latim e resumida de 516 páginas com apenas 6 capítulos: 1º Da Lei (explicação do decálogo), 2º Da Fé (ex-plicação do símbolo dos apóstolos), 3º Da Oração (explicação da oração dominical), 4º Dos Sacramentos (o ba-tismo e Santa Ceia), 5º Dos Falsos Sacramentos (demonstração da não razão de ser dos 5 sacramentos acres-centados pela Igreja Romana), 6º Da Liberdade Cristã (poder eclesiástico, administração civil etc.). Em 1541 o próprio Calvino a traduziu para o francês sendo as últimas edições em 1559 (latim) e1560 (francês). Esta últi-ma edição transformou-se em quatro livros com um total de 80 capítulos. Sem dúvida alguma, esta foi a obra-prima de teologia sistemática protestante em todo século XVI

Cartas suas (+ou- 4000) enviadas a diversos indivíduos bem como outros escritos integram os 57 volumes do Corpus Reformatorum

Existem aproximadamente 2000 de seus sermões

O Comentário de Calvino sobre 23 livros do Antigo Testamento

O Comentário de Calvino sobre todos os livros do Novo Testamento, exceto Apocalipse

"Ordenanças Eclesiásticas" (1541) - princípios organizacionais da igreja

"Réplica a Sadoleto" - uma clássia defesa do protestantismo diante do cardeal Sadoleto;

Bibliografia Consultada

CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. : São Paulo: Vida Nova, 1995
OLIVEIRA, Raimundo Ferreira de. História da igreja. Campinas: EETAD, 1996
GONZALEZ, Justo L. A Era dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1997
CHAMPLIN, R. N.. BENTES, J. M.. Enciclopédia de bíblia, teologia e filosofia. Vol. 1. São Paulo: Candeia, 1991
ROMAG, Frei Dagoberto. Compêndio de história da igreja. Rio de Janeiro: Vozes, 1952
MUIRHEAD, H. H. O cristianismo através dos séculos. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1952
SMITH, William S. Da reforma até hoje. Patrocínio: William S. Smith, 1974
LESSA, Vicente Temudo. Calvino 1509-1564: sua vida e sua obra. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, ????
FRANÇA, Paulo. Apostila de história da igreja 2. Atibaia: SBPV, 1999 (material não-publicado)
DREHER, Martin N. Coleção história da igreja. Vol. 3. São Leopoldo: Sinodal, 1996
WALKER, W. História da igreja cristã. Vol. 2. São Paulo: ASTE, 1967

Fonte: www.geocities.com

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