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Frei Caneca

Joaquim do Amor Divino Rabelo e Caneca (Recife PE 1779 - idem 1825). Tornou-se frei da ordem carmelita, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, em 1796. Produziu, entre 1796 e 1817 o Tratado de Eloquência, entre outros, no Recife PE. Em 1981 passou a integrar a Academia do Paraíso, centro de instrução e difusão das idéias liberais, constituída elos padres Arruda Câmara e João Ribeiro Pessoa. Entre 1817 e 1823 traduziu o texto francês O Espelho das Mulheres ou a Arte de Realizar, por meio das Graças, os Encantos da Formosura e o texto da Enciclopédia Inglesa, História da Franco-Maçonaria. Participou na Revolução de 1817, movimento republicano pela independência do Brasil, o que lhe custou quatro anos de prisão em Salvador BA.

Na prisão, foi professor do "povo rude e que não tem aplicação às letras", redigindo para isso um Breve Compêndio de Gramática Portuguesa. Em 1924 participou na Confederação do Equador, e foi condenado à morte. Entre 1875 e 1876 ocorreu a publicação póstuma das Obras Políticas e Literárias de Frei do Amor Divino Caneca, organizadas por Antonio Joaquim de Melo. Para o crítico José Guilherme Merchior, Frei Caneca, carmelita do Recife, líder e mártir da Confederação do Equador, tribuno do separatismo nortista, é um mestre da verrina, um artista da catilinária violenta, que tanto injuria os 'corcundas' - os partidários da recolonização - quanto os moderados como Hipólito. Sua linguagem elétrica e sarcástica não tem maiores vôos teóricos, mas é o ancestral perfeito de toda a prosa panfletária nacional."

NASCIMENTO/MORTE

1779 - Recife PE

1825 - Recife PE - 13 de janeiro

Fuzilamento

LOCAIS DE VIDA/VIAGENS

1774/1817 - Recife PE

1817/1821 - Salvador BA - Prisão

1824 - Ceará - Viagem como líder da tropa confederada

VIDA FAMILIAR

Filiação: Domingos da Silva Rabelo (português, tanoeiro) e Francisca Maria Alexandrina de Siqueira (brasileira)

1825 - Salvador BA - Correspondência com três jovens de nomes Carlota, Joaninha e Aninha, provavelmente suas filhas

FORMAÇÃO

1796 - Recife PE - Hábito de carmelita no Convento de Nossa Senhora do Carmo

CONTATOS/INFLUÊNCIAS

Influência de Pe. Arruda Câmara

Convivência com Cipriano Barata, José da Natividade Saldanha, Manuel de Carvalho Pais de Andrade, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe

ATIVIDADES LITERÁRIAS/CULTURAIS

1796/1817 - Recife PE - Produção, entre outros, do Tratado de Eloquência

1801 - Recife PE - Membro da Academia do Paraíso, centro de instrução e difusão das idéias liberais, constituída pelos padres Arruda Câmara e João Ribeiro Pessoa

1803 - Recife PE - Professor de Retórica e Geometria, no Convento de Nossa Senhora do Carmo

1817/1823 - Recife PE - Tradutor do texto em francês O Espelho das Mulheres ou a Arte de Realizar, por meio das Graças, os Encantos da Formosura e do texto da Enciclopédia Inglesa, História da Franco-Maçonaria

1817/1821 - Salvador BA - Professor, na prisão, do "povo rude e que não tem aplicação às letras", redigindo para isso um Breve Compêndio de Gramática Portuguesa

1875/1876 - Recife PE - Publicação póstuma das Obras Políticas e Literárias de Frei do Amor Divino Caneca, organizada por Antonio Joaquim de Melo

ATIVIDADES SOCIOPOLÍTICAS

1817 - Recife PE - Participação na Revolução de 1817, movimento republicano pela independência do Brasil

1817/1821 - Salvador BA - Pena de quatro anos de prisão

1823/1824 - Recife PE - Publicação do jornal O Tifis Pernambucano, de crítica política

1823 - Recife PE - Redação de dez Cartas de Pítia a Damão, escritor que exprime as idéias da dissidência pernambucana

1824 - Recife PE - Participação na Confederação do Equador

1825 - Recife PE - Condenado à morte. Sua execução foi adiada por várias vezes porque os carrascos recusavam-se a enforcá-lo. O coronel Lima e Silva mudou a sentença para fuzilamento

OUTRAS ATIVIDADES

1803c. - Recife PE - Secretário do visitador Frei Carlos de São José, bispo do Maranhão

HOMENAGENS PÓSTUMAS

1869 - Recife PE - Monumento em homenagem ao escritor

Fonte: www.itaucultural.org.br

Frei Caneca

O homem que desafiou o despotismo de dom Pedro I e, por isso, foi fuzilado, sem nunca deixar de defender um sentimento nativista, era um lusitano jus sanguinis. Frei Joaquim do Amor Divino Caneca (1779-1825), esse homem, era filho de Domingos da Silva Rabelo, português de nascimento, tanoeiro de profissão. Sua mãe era pernambucana, filha de um lisboeta, cuja mãe vivera no Bairro Alto, onde ganhara o apelido de Ruibaca, devido a sua ruividão.

Seria, portanto, Frei Canecaruivo, o que não impediu de o acusarem de filho de “dois pardos comedidos”. Ao que ele rebateu que, ao longo de três gerações, seus antepassados eram todos reinóis que, fixando-se no Recife, haviam casado com naturais da terra, de outros reinóis. Um trisavô materno, porém, teria penetrado no sertão e misturado o seu sangue com uma filha do gentio do Brasil. Frei Canecanão sabia, porém, se essa trisavô seria “alguma tapuia, petiguari, tupinambá”, mas, observou, por outro lado, que: “Se foi alguma rainha Ginga, nenhum mal me faz”.

Estas informações constam da introdução que o diplomata e historiador Evaldo Cabral de Mello escreveu para "Frei Joaquim do Amor Divino Caneca", livro que faz parte da coleção "Formadores do Brasil", dirigida por Jorge Caldeira, e que tem por objetivo resgatar obras fundamentais do pensamento sobre a Nação brasileira. O volume reúne os principais escritos políticos de Frei Caneca, religioso da Ordem do Carmo, que nasceu, viveu e morreu em Pernambuco, uma figura pouco estudada na historiografia brasileira, mas que foi, além de importante revolucionário, um dos pensadores políticos mais consistentes de seu tempo.

Seus textos, singulares por sua envergadura intelectual e ideológica, testemunham a resistência que as províncias do Norte (de Pernambuco ao Ceará) articularam contra a postura despótica de dom Pedro I. Se, a princípio, Frei Canecadepositava confiança no império constitucional - o que pode ser verificado no “Sermão de aclamação de D. Pedro I” -, a partir do momento em que o imperador convoca o exército, fecha a Assembléia Constituinte e impõe o seu próprio projeto de Constituição, os ideais libertários do pensador são feridos e ele passa a exercer, sobretudo através de sua pena, todo o seu poder combativo.

As “Cartas de Pítia a Damão”, de 1823, e os textos de Typhis Pernambucano, periódico editado por Caneca de dezembro de 1823 a agosto de 1824, são o melhor exemplo desse espírito revolucionário e trazem ainda uma visão alternativa para a viabilização do Brasil enquanto nação independente e descentralizada. “É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem de seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?”, escrevia, decepcionado, no começo de 1824, ao comentar sobre os projetos despóticos do ministério do Rio de Janeiro.

A erudição que Frei Canecamostra em seus escritos é surpreendente, sobretudo porque ele só deixou Pernambuco para cumprir um período no cárcere na Bahia e para ocupar a cadeira de Geometria na comarca de Alagoas. Seu interesse universal foi cultivado na biblioteca da Ordem do Carmo e na dos oratorianos do Recife. Ordenou-se com apenas 22 anos e sua carreira eclesiástica prometia ser bem sucedida. Mas parece que a vida do claustro nunca o atraiu. Há, inclusive, cartas que escreveu a várias “afilhadas”, eufemismo com que os integrantes do clero costumavam disfarçar os rebentos de suas relações ilícitas.

A entrada de Frei Canecana cena política, porém, deu-se quando da solenidade pública da bênção da bandeira da República de 1817. Nessa época, saiu em defesa de um confrade denunciado como anti-revolucionário. A revolução separatista de 1817, diga-se, era contra o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, proclamado em 1815, então a única construção estatal existente no Império lusitano. Sua atuação, segundo a acusação, teria sido como capitão de guerrilhas, o que lhe valeu quase quatro anos de prisão em Salvador.

Em “A constituição do Império português. Revisão de alguns enviesamentos correntes”, António Manuel Hespanha, da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, contesta a tradicional imagem de um Império centrado, dirigido e drenado unilateralmente pela metrópole. Lembra, por exemplo, que desde o início do século XVIII, a propriedade - ou, pelo menos, as serventias - de todos os ofícios de Justiça (notários e escrivães) estava à disposição das elites econômicas das colônias, nomeadamente no Brasil, ressaltando que a importância desse fato não pode ser desconhecida ou subestimada. Ou seja, cartas régias, concessões de sesmarias, vendas e partilhas de propriedades, requerimentos de graças régias, tudo passava pelas mãos das elites coloniais

Ao retornar a Pernambuco em 1821, passou a opor-se contra o grupo de áulicos defensores do absolutismo com dom Pedro, participando dos movimentos sociais deflagrados a partir da notícia da Revolução do Porto em 1820. Irritou-se quando dom Pedro, na fala do trono à Constituinte, depois da separação, prometeu defender a pátria e a Constituição, caso esta seja “digna do Brasil e de mim”.

Para Caneca, o chefe da nação não podia ter “outra dignidade” que não fosse a da nação, de maneira que só lhe competiria submeter-se à Constituinte. “Aqui vêem todos como vão subindo gradualmente e se vão desenvolvendo os sentimentos que o astuto ministro (José Bonifácio) tem querido plantar em sua majestade imperial e constitucional contra todas as intenções puras, liberais e sinceras de seu augusto coração”, escreveu.

Em 1824, estoura a chamada Confederação do Equador, movimento que defendia a separação de Pernambuco do Império brasileiro e a adoção de um projeto republicano radical, numa época em que não havia nem a noção clara de nação. Aderindo totalmente à iniciativa, Frei Canecapassou a escrever o periódico Typhis Pernambucano, que será a sua trincheira até a liquidação da Confederação do Equador. Com mão de ferro, o imperador, que já havia mandado dissolver a Constituinte, determinou a suspensão das garantias constitucionais na província e o bloqueio do Recife por uma esquadra, que bombardeou a cidade, ao mesmo tempo em que tropas do brigadeiro Lima e Silva invadiram por terra a partir do sul.

O desfecho foi rápido. Ao todo, foram executados onze confederados, dos quais três no Rio de Janeiro. Frei Canecafoi fuzilado a 13 de janeiro de 1825 na Fortaleza das Cinco Pontas, depois que nenhum carrasco se dispôs a cumprir a sentença que previa a sua morte na forca.

Fonte: nethistoria.com

Frei Caneca

Em 1982, o governo do estado de Pernambuco encarregou Cícero Dias da execução de uma pintura sobre a vida de Frei Caneca. A encomenda requer que o artista traduza em imagens a saga de um dos mais respeitados heróis pernambucanos. Cícero decidiu contá-la através de dois painéis, cada um deles contendo 12 telas. O primeiro descreve a revolução de 1817 e o segundo a revolução de 1824. Para entender os acontecimentos representados na obra é conveniente relembrar quanto o pensamento liberal europeu penetrou nessa região do Brasil colonial influenciando os líderes políticos, os intelectuais, a aristocracia açucareira, as irmandades, as ordens religiosas e a maçonaria.

Em 6 de março de 1817 o grupo liderado por Domingos José Martins, Gervásio Pires Ferreira, Antonio Gonçalvez Cruz e o padre João Ribeiro inicia uma rebelião depondo o governador português e organizando o governo provisório da República Pernambucana. As tropas luso-brasileiras enviadas da Bahia e do Rio de Janeiro cercaram a província e dominaram os revolucionários. Alguns chefes são enforcados, outros acabaram na prisão, como Frei Caneca.

Joaquim do Amor Divino Rabelo Caneca é pernambucano nascido em recife no ano de 1779. Ordenou-se sacerdote em 1801.

Caneca sendo um liberal e postulando as idéias de Rousseau coloca a soberania do povo em primeiro lugar. Premissa oposta a de José Bonifácio que considera essa soberania uma forma de despotismo. O imperador D. Pedro procura lutar contra esse despotismo ao sentir-se contrariado com a legitimação do poder popular.

Com a Convenção de Beberibe, em 1821, o governo português reconheceu a autonomia da Junta Provincial de Pernambuco. Proclamada a independência do Brasil em 1822, instalou-se em maio de 1823 a Assembléia Constituinte para votar uma Constituição para o país. Na opinião dos liberai pernambucanos, mesmo aprovado, o projeto tornou-se nulo de pleno direito, pois o grupo não representava o povo. Para Frei Canecaa independência era apenas um ato político e a convocação da Constituinte um ato jurídico. A sua dissolução deixou o país sem qualquer estrutura constitucional.

No dia de sua coroação D. Pedro I jura “defender a Constituição que estava para ser feita, se for digna do Brasil e de mim.” Em 12 de novembro de 1823 dissolveu a Assembléia Constituinte e convocou outra. O novo grupo tem de executar uma Constituição digna do Brasil e do imperador... Na opinião, de Frei Caneca“O Brasil é que eregiu o trono e nele assentou S.M. e o assentou debaixo da condição impreterível de estar pela Constituição que o Brasil lhe desse. Como então há de ter S.M. parte no poder legislativo”?

Entre 25 de novembro de 1823 e agosto de 1824 circulou o Typhis Pernambucano denunciando a crise política nacional. O periódico defendia uma idéia: com a Constituição “sábias leis fundamentais e cautelas prudentes, tiram ao imperador o meio de afrouxar a brida às suas paixões e exercitar a arbitrariedade.”

A câmara de Recife rejeitou oficialmente a Constituição do imperador. Frei Canecadefendeu províncias autônomas e legitimamente representadas no governo federal, ou seja: um regime federativo.

Em 10 de junho de 1824, o Typhis publicou um texto onde alertava a população: fica desfeito o laço de união entre as províncias, à vista disso, A Assembléia Constituinte está dissolvida. O projeto de Constituição executado pelo Ministério, apesar de jurado no Rio de Janeiro, Bahia e algumas localidades sulinas, envolve perjúrio.

Para Caneca, o homem do sertão não desconhece seus direitos, seus deveres, suas liberdades e a “origem do poder dos que governam.” Ele é o primeiro a delatar a poder moderado como disfarce do imperador para recuperar sua posição de titular de um estado patrimonial. Em suas idéias insinuou o direito à revolução. O frade carmelita e os outros chefes do movimento organizaram a Divisão Constitucional da Confederação do Equador.

O governador Manuel de Carvalho abandonou o cargo, refugiando-se em um navio inglês. As tropas de Lima e Silva tomaram a cidade. Entre novembro de 1824 e janeiro de 1825 a Comissão Militar agindo rapidamente, procedeu as prisões e os julgamentos dos confederados. As execuções começaram com a de Frei Caneca, em 13 de janeiro e continuaram até meados do ano. Antes de encerrar é conveniente lembrar que o radicalismo liberal dos movimentos manteve-se, exclusivamente, nos limites da defesa do regime constitucional e da autonomia provincial. Esses acontecimentos serviram de catalizador à invenção criativa de Cícero Dias. O artista abarcou de um modo completo a essência da situação histórica de Frei Canecae confederados, julgados pelo crime de defender a liberdade e os direitos constitucionais. Mas, Cícero entendia bem disso, pois trata-se de uma doença presente no sangue dos pernambucanos, ainda hoje.

Fonte: www.cicerodias.com.br

Frei Caneca

Teórico e um dos líderes da Confederação do Equador, Joaquim do Amor Divino Rabelo nasceu no Recife, a 20 de abril de 1779, filho do fabricante de vasilhas de flandre Domingos da Silva Rabelo e da doméstica Francisca Alexandrina Siqueira.

Aos 22 anos de idade ordenou-se frade carmelita, no Convento do Carmo no Recife, e ganhou o apelido de Frei Caneca.

Intelectual respeitado em Pernambuco, torna-se professor de retórica, poesia, geometria e filosofia. Participa da Revolta Pernambucana de 1817, é preso, juntamente com outros líderes do movimento, e mandado a Salvador, Bahia, só sendo libertado em 1821, quando retorna ao Recife.

A 25 de dezembro de 1823, começa a publicar o seu jornal Typhis Pernambucano, através do qual defende idéias liberais e a Constituição e ataca o poder absolutista.

Quando, em 1824, Dom Pedro I outorga a Constituição Imperial, aumenta a agitação liberal em Pernambuco e, a 02 de julho, os revolucionários proclamam a Confederação do Equador. A 29 de novembro daquele mesmo ano, a repressão imperial derrota os revolucionários que são recolhidos à cadeia, no Recife.

A 18 de dezembro de 1824, é instalada a comissão militar (presidida pelo coronel Francisco de Lima e Silva, pai de Duque de Caxias) para o julgamento de Frei Caneca, que é condenado à forca.

A 13 de janeiro de 1825, é preparado o cenário para o enforcamento, no Forte das Cinco Pontas, no Recife, mas três carrascos não têm coragem de enforcá-lo. Frei Caneca, então, é fuzilado, naquele mesmo dia e local, por um pelotão comandado pelo coronel Francisco de Lima e Silva

Fonte: www.pe-az.com.br

Frei Caneca

Frei Canecae O Tifis Pernambucano

Frei Caneca, um dos maiores idealizadores da Confederação do Equador
Frei Caneca, um dos maiores idealizadores da Confederação do Equador

Em sintonia com a mesma pregação do político e jornalista Cipriano Barata estava o frei carmelita Joaquim do Amor Divino Rabelo. De origem humilde - conhecido como Frei Canecapor ter sido vendedor de canecas quando garoto em Recife -, foi educado no Seminário de Olinda onde absorveu os ideais liberais.

Erudito, distinguia-se na luta pelas idéias em que acreditava e pela vastidão dos seus conhecimentos, o que resultava em críticas profundas à Carta outorgada de 1824. Em alguns momentos tomava atitudes interessantes como, por exemplo, quando esteve detido em prisões na Bahia, usando o seu tempo a ensinar Matemática aos outros prisioneiros, chamados por ele "seus companheiros de desdita".

Dirigindo o jornal O Tifis Pernambucano Frei Canecafazia sua pregação republicana, denunciando o autoritarismo imperial e conclamando a população à luta.

Em seu primeiro número, lançado a 25 de dezembro de 1823, o Tifis anunciava que o país parecia (...) "uma nau destroçada pela fúria oceânica, ameaçando soçobro, carecendo da ajuda decidida e abnegada de todos os seus filhos."

Nas páginas de seu jornal Frei Caneca, que tivera participação ativa na Revolução Pernambuca de 1817 e que, segundo o Conde dos Arcos, fora um dos que havia transformado Pernambuco num "covil de monstros infiéis" considerava a Constituição outorgada (...) "iliberal e contrária à liberdade, à Independência e direitos do Brasil." Entendia ser o Poder Moderador "a chave mestra da opressão da nação brasileira."

Suas claras posições políticas também chamaram a atenção de Maria Graham que, passando por Recife e observando o espírito de rebeldia que contagiava os pernambucanos, comentou sobre "um padre" lá existente, Frei Caneca, nele identificando, como todo pernambucano, um sentido de independência.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

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