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Gregor Mendel

Gregor Mendel (1822-1884)

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Gregor Mendel

Foi com grande surpresa que, em 1900 os botânicos Hugo de Vries, Karl Coerrens e Gustav Tschermak descobriram que suas hipóteses e conclusões fundamentais sobre transmissão dos caracteres hereditários - formuladas separadamente - já haviam sido sistematizadas num trabalho publicado 34 anos antes. E que seu autor - Johann Gregor Mendel - era um monge agostiniano, que vivera num mosteiro da Silésia, isolado da efervescência dos meios culturais.

Hoje, a maioria dos pesquisadores encara como razão provável do atraso o desinteresse, motivado pela incapacidade de compreender o significado revolucionário da obra de Mendel. Mesmo localizada num mundo abalado pelo impacto das teorias evolucionistas de Darwin e Wallace, essa explicação é bastante viável. O próprio Darwin ignorou a importância da descoberta Mendel - básica para a explicaç&ão da evolução e adaptação das espécies.

No mesmo ano de 1900, William Bateson (1861 - 1926) expunha, numa conferência de sociedade real de Horticultura de Londres, a síntese mendeliana. E nela situava as raízes da genética. Redescoberta e reinterpretada, a obra do obscuro abade Gregor Mendel adaptou-se, de maneira surpreendente, às modernas teorias da hereditariedade, desenvolvidas no nível celular e mesmo molecular.

Filho de um modesto fazendeiro, Johann nasceu a 22 de julho de 1822, em Heinzendorf, na antiga Silésia Austríaca ( região que hoje faz parte da Tchecoslováquia, com o nome de Hyncice). Passou boa parte da infância no campo, ajudando o pai a cuidar de suas plantações. Acompanhava-o também às terras do senhor do feudo de Odrau (Odry) - onde era obrigado a trabalhar, sem qualquer remuneração, três dias por semana. Interessado nos trabalhos agrícolas, o pequeno Johann observava atentamente as práticas de cultivo, os métodos de enxerto e cruzamento de diferentes espécies de vegetais.

Na escola local - onde, por vontade da castelã Condessa Matilde de Waldburg, e para escândalo das autoridades educacionais, ensinavam-se noções de ciências naturais - teve os primeiros contatos com o conhecimento teórico.

Em 1833, Johann foi enviado para uma escola mais adiantada, em Lipnicik; no ano seguinte, cursou o liceu em Troppau ( Opava). A precária situação econômica da família de Johann agravou-se a partir de 1838, quando seu pai sofreu um acidente enquanto trabalhava nas propriedades do senhor feudal. A fim de poder garantir seu sustento, Johann freqüentou um curso de preparação de professores, em Troppau, e conseguiu sobreviver dando aulas particulares. Terminando o curso secundário, tentou ingressar na Universidade de Olmütz ( Olomouc), mas, como "não tinha amigos influentes que o recomendassem", todos os esforço foram inúteis, resultando mesmo numa doença de certa gravidade.

Após um ano de convalescença, na casa dos pais, retornou a Olmütz, onde, em 1843, completou os dois anos básicos de estudos filosóficos. Tentando liberta-se "da preocupação constante de assegurar a subsistência" Johann aceitou a sugestão de seu professor Friedrich Franz, que o aconselhara a tornar-se monge. A 9 de outubro de 1843, era recebido no mosteiro agostiniano de Santo Tomás, em Brünn( Brno), com o nome religioso de Gregorius ( Gregor).

DO PROFESSOR FRUSTADO NASCE O CIENTISTA

O mosteiro desempenhava, na época, importante papel na vida cultural da Silésia, nesse clima intelectualmente favorável, e liberto de preocupações materiais, nasceria o cientista Mendel. Tornou-se , então, professor suplente de grego e matemática, na escola secundária de Znaim ( Znojmo), próxima ao mosteiro. O ensino a à pesquisa constituíram sempre as atividades preferidas de Gregor.

A partir de 1868, quando foi nomeado abade do mosteiro, queixava-se amargamente do tempo despendido com tarefas administrativas.

Em 1850, Gregor resolveu submeter-se a um exame que lhe daria o diploma oficial de professor de ciências naturais no império Austro-Húngaro. "O candidato", assinalaram os examinadores, "não domina suficientemente esta matéria, para estar habilitado a ensinar em cursos adiantados(...) Não entende à terminologia técnica. Usa termos seus e expressa idéias pessoais, em vez de confiar na ciência tradicional". Apontam ainda os examinadores a teimosia do monge, pouco propenso a aceitar idéias que não concordassem com as suas. E, também, o fato de não estar realmente preparado para o exame, por não ter seguido o rigoroso currículo dos cursos universitários; "... se lhe deram oportunidade de um estudo mais regular, e acesso a melhores fontes de imformação, ele logo conseguirá tornar-se, pelo menos, um professor de escolas inferiores". Talvez persuadido por essa recomendação, o abade Cyrill proporcionou a Mendel um curso de dois anos na Universidade de Viena.

Na capital do Império Austro-Húngaro, Mendel teve oportunidade de conhecer grandes físicos, como Christian Doppler, de quem foi, por algum tempo, "assistente-demonstrador". Entre seus professores incluíam-se também o físico-matemático Ettinghausen, o químico Redtenbacher e o botânico Unger. Este último ocupava-se em desenvolver a teoria celular; em 1855, publicava um livro sobre a anatomia e fisiologia das plantas, no qual sugeria, pela primeira vez, que o fluido contido nas células animais é, em essência, semelhante ao encontrado mas células vegetais. Esta generalização significou um grande avanço para o desenvolvimento posterior da biologia: abriu caminho ao abandono de preconceituosas teorias, que não concebiam qualquer tipo de analogia entre o mundo animal e o reino vegetal.

INDIFERENÇA, A GRANDE DECEPÇÃO DEPOIS DE DEZ ANOS DE PESQUISA

Com a construção de um modelo matemático-estatístico de transmissão dos caracteres hereditários, Mendel encerrava seus dez anos de pesquisa. E, após cuidadosa análise das previsões que sua teoria proporcionava, resolve divulgar os resultados. No mesquinho ambiente acadêmico de sua cidade não há, porém, muita escolha quanto aos meios de divulgação, e ele tem que contentar-se em ler seu tratado perante o desinteressado auditório da Sociedade de Ciências Naturais de Brünn.

Sem suscitar qualquer polemica ou discussão, no ano seguinte o trabalho publicado nas atas do Sociedade, regularmente distribuídas a cerca de 120 bibliotecas. Mendel recebe também quarenta cópias, enviando algumas a botânicos que talvez pudessem interessar-se.

Mas, nem mesmo o professor Carl von Nägeli - que se correspondera com Mendel durante oito anos - chega a citá-lo no livro que publicou mais tarde sobre a teoria da hereditariedade.

A indiferença do mundo científico é para Mendel uma grande decepção. Mesmo assim, ele não interrompe o trabalho. Além de dar prosseguimento às pesquisas sobre vegetais, faz hibridações com abelhas, publicando, no entanto, pouca coisa a respeito. Algumas das cartas escritas por Nägeli constituem uma das fontes de imformação. Mendel realiza outras experiências com polinização, tendo demonstrado que, nas plantas do gênero Mirabilis, a fecundação é feita por um só grão de pólen - e não por vários, como se acreditava na época. Para Dean C. Darlington - famoso citologista inglês - , essa descoberta assume, na fundamentação da genética moderna, importância paralela à das leis da herança dos caracteres.

A partir de 1868, o monge sobrepõe-se inteiramente ao cientista e pesquisador. Nomeado abade do mosteiro, Mendel divide seu tempo entre atividades religiosas e administrativas. Na primavera de 1883 sofre o primeiro ataque cardíaco. Morre no ano seguinte, a 6 de janeiro.

Fonte: br.geocities.com

Gregor Mendel

O Monge Cientista

A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular (Salmo 118)

Gerardo Arias é Pesquisador da Embrapa Trigo. Artigo enviado pelo autor ao ‘JC e-mail’:

Quando um cientista realiza uma descoberta inovadora, ou propõe alguma nova teoria que contradiga as idéias dominantes, imediatamente é contestado por parte da comunidade científica e defendido por outros. É bom e necessário que isso aconteça, já que novos experimentos e os debates que acarretam são indispensáveis para a validação ou refutação do que está sendo proposto.

O monge agostiniano Gregor Mendel (1822-84) realizou uma série de experimentos sobre caracteres hereditários da ervilha e apresentou os resultados, enunciando três leis da herança, na sociedade científica de sua cidade (Brno, na atual República Checa), e os publicou em 1866. Esses experimentos são considerados, hoje, os mais importantes e inovadores na área da biologia do século XIX.

Pela primeira vez, dava-se uma explicação satisfatória para a herança de caracteres individuais e, também, pela primeira vez, usava-se a estatística na avaliação de experimentos científicos. Contrariamente ao que costuma ocorrer, ninguém contestou, aprovou ou discutiu o que estava sendo apresentado. Nem se tentou repetir os experimentos. O trabalho foi totalmente ignorado durante 34 anos.

É tradição afirmar que os trabalhos de um obscuro monge, de uma cidade do interior da Morávia, não foram lidos. Somente no ano de 1900, as leis da herança foram redescobertas, de forma simultânea, por três cientistas de três diferentes países: Hugo de Vries, da Holanda, Carl Correns, da Alemanha e Erich Tschermak von Seysseneg, da Áustria.

Os experimentos de Mendel passaram mesmo despercebidos? Houve realmente uma tripla descoberta simultânea em três países diferentes?

A publicação de Mendel não passou despercebida, porque ele mesmo encarregou-se da difusão, remetendo mais de 40 cópias dela a instituições e pesquisadores diversos.

Enviou uma cópia ao maior botânico do seu tempo, Karl von Nägeli, professor de Botânica na Universidade de Munique. Escreveu-lhe dez cartas e enviou-lhe amostras de sementes para que ele repetisse o experimento.

Nägeli não se interessou, apenas escreveu a Mendel para dizer que ‘seu trabalho parecia muito empírico’ e recomendou a ele que trabalhasse com outra planta, o Hieracium.

Mendel não ficou abalado pela rejeição de um trabalho que sabia ser muito importante, seu comentário foi: meu tempo virá (Meine Zeit wird kommen).

A publicação de Mendel foi citada 14 vezes ao longo desses 34 anos. Em 1869, o botânico alemão Hermann Hoffmann publicou um livro de Botânica. Na parte em que se refere a hibridações, citou o trabalho publicado por Mendel.

Em 1879, a publicação de Mendel figurava no registro da Royal Society de Londres, e ele foi citado na nona edição da Enciclopédia Britânica (1889), no verbete ‘hibridação’.

Em 1881, Wilhelm Focke publicou um livro de botânica sobre cruzamentos, Die Pflanzenmischlinge. Essa referência levou os pesquisadores Correns, de Vries e Tschermak ao trabalho original.

Na biblioteca de Charles Darwin, achou-se um exemplar da publicação original de Mendel. O único cientista que, com certeza, teria valorizado seu trabalho, nunca o leu. As folhas não tinham sido cortadas.

Em 26 de março de 1900, o botânico holandês Hugo de Vries publicou um trabalho em francês, ‘Lei de Segregação dos Híbridos’. O artigo trata da segregação de fatores hereditários de cruzamentos de diversas espécies vegetais, mas não mencionou Mendel.

Em 24 de abril de 1900, o botânico alemão Carl Correns, da Universidade de Tübingen, publicou um artigo intitulado ‘Lei de Mendel sobre a descendência de híbridos’ apresentando resultados de cruzamentos com ervilha, em que obtém resultados similares aos de Mendel, e citou o trabalho que publicou Hugo de Vries.

Correns ressaltou que o mérito era do monge-cientista, que já tinha chegado a essas conclusões na pesquisa de fatores hereditários.

Correns aceitou as palavras ‘dominante’ e ‘recessivo’ usadas por Mendel para caracterizar a expressão de seus ‘fatores hereditários’ (genes) e mencionou, que ‘por uma rara casualidade’ Hugo de Vries usara as mesmas palavras,

Em maio do mesmo ano, depois da publicação de Correns, Hugo de Vries publicou, em alemão, o mesmo trabalho que apresentou na França, e desta vez citou Mendel. Hugo de Vries conhecia o trabalho de Mendel antes da primeira publicação, porque usou os termos ‘dominante’ e ‘recessivo’, Por que não citou a fonte na primeira publicação ?

Como Hugo de Vries citou somente a Mendel, depois de publicado o trabalho de Correns, não pode ser chamado de redescobridor. Erich Tschermak publicou seu trabalho com uma referência a Mendel, em junho do mesmo ano, depois de ter lido a publicação de Correns. Portanto, somente confirmou a validade das leis da herança.

O único redescobridor do trabalho de Mendel foi Carl Correns, que soube avaliar a sua importância, denominou-a ‘Lei de Mendel’ dizendo que era um dos melhores trabalhos publicados sobre hibridações. Mais que uma redescoberta das leis da herança, foi a descoberta de um grande cientista por Correns.

O trabalho de Mendel era conhecido, mas sua importância não fora valorizada, a sua originalidade não fora reconhecida, nem os seus novos métodos foram discutidos. O trabalho foi depreciado pelos pesquisadores.

Segundo uma antiga lenda rabínica, entre as pedras cortadas para construir o Templo de Salomão havia uma muito grande, que os construtores não sabiam onde colocar e terminaram rejeitando-a.

Na hora de pôr os fundamentos do ângulo do templo, não achavam nada apropriado, até que lembraram dela. A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular do templo. As leis de Mendel foram a base de uma nova Ciência: a Genética.

GERARDO ARIAS

Fonte: www.cdb.br

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