
Ary Evangelista Barroso
Ary Evangelista Barroso nasceu em Ubá, em Minas Gerais em 07 de Novembro de 1903. Aos 18 anos, com uma herança de 40 contos de réis, muda-se para o Rio de Janeiro, para fazer a faculdade de Direito.
Foi seduzido pela música e pela boemia - o que lhe levou seus 40 contos em dois anos, e quando terminou sua faculdade de direito (9 anos depois), já era um músico respeitado e gravado pelos maiores intérpretes da época.
Como radialista, criou o famoso Hora do Calouro, onde despontaram alguns dos maiores nomes da MPB, como por exemplo, Dolores Duran - que cantou uma música em inglês, com a perspectiva de um deboche de Ary Barroso, na época em plena fase do samba exaltação. Ary não só gostou como elogiou publicamente o jeito doce daquela menina cantar...
Como compositor, nunca hesitava em substituir uma letra quando tinha certeza que a sua podia ser melhor. Foi assim quando, ouvindo Lamartine cantar Na Virada da Montanha (Na grota funda / Na virada da montanha / Vai haver muita façanha / Com o mulato da Raimunda), Ary escreveu, ali mesmo na mesa, a letra de um de seus grandes sucessos, No Rancho Fundo.
Ary foi o nosso porta-bandeira no exterior - foi o primeiro compositor brasileiro a ser ouvido e respeitado nos EUA - Aquarela do Brasil chegou a ser cotada para hino nacional, pelo sucesso que sempre fez no exterior. Morreu no Rio de Janeiro em 09 de Fevereiro de 1964.
E6
Brasil
B7 E6
Meu Brasil brasileiro
B7 E6
Meu mulato inzoneiro
C#5+/7 C#7
Vou cantar-te nos meus versos
F#m B7 E
O Brasil, samba que dá
B7 E
Bamboleio que faz gingar
B7 E
O Brasil, do meu amor
B7 E
Terra de Nosso Senhor
F#m E C#m
Brasil, pra mim
F#m B7 E
Pra mim, pra mim
E F#m
Ah, abre a cortina do passado
B7
Tira a Mãe Preta do cerrado
E
Bota o Rei Congo no congado
F#m E C#m
Brasil, pra mim
F#m B7 E
Pra mim, Brasil
C#7
Deixa cantar de novo o trovadorÀ merencória luz da lua
F#m
Toda canção do meu amor
Am B7 E
Quero ver a Sá Dona caminhando
C#m F#m
Pelos salões arrastando
B7 E
O seu vestido rendado
F#m B7 E C#m
Brasil, pra mim
F#m E
Pra mim, Brasil
E6 B7 E6
Brasil, terra boa e gostosa
B7 E6
Da morena sestrosa
C#5+/7 C#7
De olhar indiscreto
F#m B7 E
O Brasil, verde que dá
B7 E
Para se admirar
B7 E
O Brasil do meu amor
F#m B7 E
Terra de Nosso Senhor
F#m B7 E C#m
Brasil, pra mim
F#m E
Pra mim, pra mim
F#m
Oh, esse coqueiro que dá coco
B7
Onde eu amarro a minha rede
E
Nas noites claras de luar
F#m B7 E
Brasil, pra mim
F#m E B7
Pra mim, Brasil
C#7
Ah, ouve essas fontes murmurantesAh, onde eu mato minha sede
F#m
E onde a lua vem brincar
Am B7 E
Ah, este Brasil lindo e trigueiro
C#m F#m
É o meu Brasil brasileiro
B7 E
Terra de samba e pandeiro
F#m B7 E C#m
Pra mim, Brasil
F#m B7 E
Brasil, pra mim
(Ary Barroso e Luiz Iglésias)
Venho danado com meus calo quente
Quase enforcado no meu colarinho
Venho empurrando quase toda a gente, Eh! Eh!
Pra ver meu benzinho. Eh! Eh! Pra ver meu benzinho
Nego tu veio quase num arranco
Cheio de dedo dentro dessas luva
Bem que o ditado diz: nego de branco (Eh! Eh!)
É sinar de chuva. Eh! Eh! É sinar de chuva
Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, é tu que me acaba
Sou preto e meu gosto, ninguém me contesta,
Mas há muito branco com pinta na testa
Tem português assim nas minhas água
Que culpa eu tenho de ser boa mulata
Nego se tu borrece minhas mágoa (Eh! Eh!)
Eu te dou a lata. Eh! Eh! Eu te dou lata
Não me farseia ó muié canaia,
Se tu me engana vai haver banzé
Eu te sapeco dois rabo-de-arraia, muié (Eh!, Eh!)
E te piso o pé. Eh! Eh! E te piso o pé
Da cor do azeviche, da jabuticaba
Boneca de piche, sou eu que te acaba
Tu é preto e teu gosto ninguém te contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Sou preto e meu gosto ninguém me contesta
Mas há muito branco com pinta na testa
Reside no subúrbio do Encantado
Num barracão abandonado
João de tal, cabra falado
E dizem que viveu fora da lei
Foi um rei
Que zombava da morte, tem o santo forte
No meio de gente bamba o seu prazer
Era tirar o samba
Pulava, dava rasteira
Topava briga de qualquer maneira
Mais hoje é um caco velho
Que não vale nada
Tem a cabeça branca e a pele encarquilhada
Faz até pena ver o seu estado
A vida é essa
É um segundo que se esvai depressa
Todos nós temos o nosso momento
E depois dele só o esquecimento
Int.: (Bb7+ Ab7+ F#7+ B6/7)
Bb7+ Gm7 Cm7
Encontrei o meu pedaço na Avenida de camisa amarela
F7 Bb7+ B6/7
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Bb7+ Gm7 F7+
Convideio-o a voltar pra casa em minha companhia
Am7 D7 Gm7 C7 Cm7 F7
Exibiu-me um sorriso de ironia e desapareceu no turbilhão da Galeria
Fm7 Bb6/7 Fm7 Bb6/7 Eb7+
Não estava nada bom o meu pedaço, na verdade, estava bem mamado
Bem chumbado, atravessado
Dm5-/7 G7 C7/9
Foi por aí cambaleando se acabando num cordão com o reco-reco na mão
C#° Dm7 G6/7
Mais tarde, o encontrei num café surrapa do Largo da Lapa
C7/9 F7 Bb7+ B6/7
Folião de raça, bebendo o quinto copo de cachaça
Bb7+ Gm7 Cm7
Voltou às sete horas da manhã, mas só na quarta-feira
F7 Bb7+ B6/7
Cantando a Jardineira, oi, a Jardineira
Bb7+ Gm7 C7 F7+
Me pediu, ainda zonzo, um copo d'água com bicarbonato
Am7 D7 Gm7
O meu pedaço estava ruim de fato
C7 Cm
Pois caiu na cama e não tirou nem o sapato
F7 Fm7 Bb6/7 Fm7
Roncou uma semana, despertou mal-humorado
Bb6/7 Eb7+
Quis brigar comigo, que perigo, mas não ligo
Dm5-/7 G7 C7/9
O meu pedaço me domina, me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal
C#° Dm7 G7
Pegou a camisa, a camisa amarela, botou fogo nela
C7/9 F7 Bb7+
Gosto dele assim, passou a brincadeira ele é pra mim
(Ary Barroso e Oduvaldo Viana)
Senhora dona felicidade
Talvez resida na mesma rua
No mesmo bairro desta cidade
Talvez um dia o acaso desça minha alegra
Abra-se a porta e por encanto ela aparece
Que esta primeira visita
Por mera casualidade
Me traga senhora dona felicidade
Traga pra sala de rosas
Pra minha mocidade
Pode entrar senhora dona felicidade
Como vaes você?
Vou navegando
Vou temperando
Pra baixo todo santo ajuda
Pra cima a coisa toda muda
E como vaes você?
No mar desta vida
Vou navegando
Vou temperando
O céu às vezes é tão claro
E outras escuro
Claro é o passado
Escuro é o futuro
E aí como convencida
Que o segredo principal da vida
Consiste em não
Forçar em nada a natureza
E o resto vem
Que é uma beleza
E aí como vaes você?
Tom: D
Intr.: G G#° D B7 Em7 A7 D
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Você deu seu coração
Não dei, não dei
D
Sem nenhuma condição
D C# C
Não dei, não dei
B7 Em
O meu coração não tem dono
Gm D B7 Em A7 D
Vive sozinho, coitadinho, no abandono
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Em
Foi um terno e longo beijo
Se foi, se foi
D
Desses beijos que eu desejo
D C# C
Pois foi, pois foi
B7 Em
Guarde para mim unzinho
Gm D B7 Em A7 D
Que mais tarde pagarei com jurinhos
D Em
Eu dei
O que foi que você deu meu bem
Eu dei
Guarde um pouco para mim também
D D7
Não sei, se você fala por falar sem meditar
G
Eu dei
Diga logo, diga logo, é demais
A7 D B7
Não digo
Em7 A7 D
E adivinhe se é capaz
Int.: (D7+/9 G/A)
D7+/9 G5-/7 D7+/9 F#m5-/7
Foi num samba de gente bamba
E5+/7
Ô gente bamba
Em7 A6/7 D7+/9
Que eu te conheci, faceira
E7/9
Fazendo visagem
Em7/9 A6/7
Passando rasteira
Que bom, que bom, que bom
A6/7 Em7/9
E desceste lá do morro
A6/7 D7+/9
Pra viver cá na cidade
C#m5-/7
Deixando os companheiros
F#5+/7 Bm7 Am7
Quase loucos de saudade
D7/9 G7+
Linda criança
C7/9 D6/7 C#5+/7
Tenho fé, tenho esperança
C6/7 B5+/7 E7/9
Que algum dia hás de voltar
A6/7 D7+/9
Direitinho ao teu lugar
(Lamartine Babo e Ary Barroso)
A vitória de ser tua, tua, tua, moreninha prosa
Lá no céu a própria lua, lua, lua não é mais formosa
Rainha da cabeça aos pés
Morena eu te dou grau 10
O inglês, diz: "yes, my baby!"
O alemão, diz: "Yá, corraçon!"
O francês, diz: "Bonjour, mon amour!"
Trés bien! Trés bien! Trés bien!
O argentino, ao te ver tão bonita
Toca um tango e só diz: "Milonguita"
O chinês diz que diz, mas não diz
Pede bis, pede bis, pede bis!
Tom: A7+
A7+ Bm7 F#m7
A felicidade não manda avisar
B6/7 B5+/7 Bm7 E7/9- A7+
Quando vai chegar a ninguém, a ninguém
C#m7 E/D C#m7
Pode vir de noite ou de dia
C7 Bm7 F#5+/7 Bm7 E5+/7
É sempre um motivo de alegria
Bm7 E7/9-
Eu tenho o sol, a flor e o mar
A7+ C7/9
Tenho o luar e o arrebol
Bm7 E7/9 E7/9-
Tenho as mais lindas alvoradas
C#m7 F#5+/7
Tenho montanhas azuladas
C7+ Bm7 E7/9-
Tenho a canção dos pescadores
A7+ F#m7
Tnho essa vida de mil amores
B6/7
Molho os meus pés
Bm7 E7/9- E7
Nas águas limpas dos igarapés
Bm7 E7/9-
Eu tenho o sol, a flor e o mar
A7+ A7
Tenho o luar e o arrebol
Tenho as mais lindas alvoradas
D7+
Tenho montanhas azuladas
Bm7 E7/9-
Pois tendo tudo não tenho nada
A7+ C#7/9- F#m7
Ando jogada por este mundo
D7+
Não tenho um bem
Bm7 E5+/7 A7+
Nem o amor de ninguém
A7+ C#7/9- F#m7
A felicidade não manda avisar
B6/7 B5+/7 Bm7 E7/9- A7+
Quando vai chegar a ninguém, a ninguém
Tom: A7+
A7+ Bm7 F#m7
A felicidade não manda avisar
B6/7 B5+/7 Bm7 E7/9- A7+
Quando vai chegar a ninguém, a ninguém
C#m7 E/D C#m7
Pode vir de noite ou de dia
C7 Bm7 F#5+/7 Bm7 E5+/7
É sempre um motivo de alegria
Bm7 E7/9-
Eu tenho o sol, a flor e o mar
A7+ C7/9
Tenho o luar e o arrebol
Bm7 E7/9 E7/9-
Tenho as mais lindas alvoradas
C#m7 F#5+/7
Tenho montanhas azuladas
C7+ Bm7 E7/9-
Tenho a canção dos pescadores
A7+ F#m7
Tnho essa vida de mil amores
B6/7
Molho os meus pés
Bm7 E7/9- E7
Nas águas limpas dos igarapés
Bm7 E7/9-
Eu tenho o sol, a flor e o mar
A7+ A7
Tenho o luar e o arrebol
Tenho as mais lindas alvoradas
D7+
Tenho montanhas azuladas
Bm7 E7/9-
Pois tendo tudo não tenho nada
A7+ C#7/9- F#m7
Ando jogada por este mundo
D7+
Não tenho um bem
Bm7 E5+/7 A7+
Nem o amor de ninguém
A7+ C#7/9- F#m7
A felicidade não manda avisar
B6/7 B5+/7 Bm7 E7/9- A7+
Quando vai chegar a ninguém, a ninguém.
(Ary Barroso e Luiz Peixoto)
Int.: (A7 D7/9) A7+
Dm7/9 E7/9- A7+
No dia em que eu apareci no mundo
Dm7/9 Bm7 E7/9 C#m7 Bm7
Juntou uma porção de vagabundo
A7+
Da orgia
D#7/9 D7+/9 G#m5-/7 C#7/9- F#m7
De noite, teve samba e batucada
Em7 Ebm7
Que acabou de madrugada
G#7 C#m7 C7 Bm7 E7/9
Em grossa pancadaria
Dm7/9 E7/9 A7+
Depois do meu batismo de fumaça
Em7+ Em7 A6/7 D7+
Mamei um litro e meio de cachaça
G#6/7 G6/7
Bem puxado
D7+/9 G6/7 C#m7
E fui adormecer como um despacho
F#m7 Em7 Ebm7 G#7 C#m7 F#/G#
Deitadinha no capacho na porta dos enjeitados
C#m7 A#5+/7 D#m7 G#5+/7 C#m7 A#5+/7
Cresci olhando a vida sem malícia
D#m7 G#5+/7 C#m7
Quando um cabo de polícia
E/f# D#m7 Em7 A5+/7
Despertou meu coração
Dm7 G6/7 C#m7
E como eu fui pra ele muito boa
F#m7 Bm7
Me soltou na rua à toa
D/E E7/9 A7+ D#m7 G#5+/7
Desprezada como um cão
C#m7 A#5+/7 D#m7 G#5+/7 C#m7
E hoje que eu sou mesmo da virada
A#5+/7 D#m G#5+/7 C#m7
E que eu não tenho nada, nada
E/F# D#m7 Em7 A6/7
E por Deus fui esquecida
Dm7 G6/7 C#m7
Irei cada vez mais me esmulambando
F#m7 Bm7
Seguirei sempre cantando
E7/9 A7+
Na batucada da vida...
(Lamartine Babo e Ary Barroso)
Tom: G
G B7 Em
No rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo
B7 C Am7 D7 G
Onde a dor e a saudade contam coisas da cidade
G B7 Em
No rancho fundo, de olhar triste e profundo
B7 C Am7 D7 G
Um moreno conta as mágoas tendo os olhos rasos d'água
E6 Bm7 E7 A
Pobre moreno, que de tarde no sereno
Cm7 Bm7 Am7 D7 G
Espera a lua no terreiro tendo o cigarro por companheiro
E7 Bm7 E7 Am
Sem um aceno ele pega da viola
Cm7 G Am7 D7 G Cm G
E a lua por esmola vem pro quintal deste moreno
G B7 Em
No rancho fundo, bem pra lá do fim do mundo
B7 C Am7 D7 G
Nunca mais houve alegria nem de noite nem de dia
G B7 Em
Os arvoredos já não contam mais segredos
B7 C Am7 D7 G
E a última palmeira já morreu na cordilheira
E7 B7 E7 Am
Os passarinhos internaram-se nos ninhos
Cm7 G Em7 Am7 D7 G
De tão triste esta tristeza enche de trevas a natureza
E7 Bm7 E7 A
Tudo por que? Só por causa do moreno
Cm7 G Am7 D7 G
Que era grande, hoje é pequeno para uma casa de sapê
No tabuleiro da baiana tem
Vatapá, caruru, mungunzá, tem umbu
Pra ioiô
Se eu pedir você me dá
O seu coração, seu amor
De Iaiá
No coração da baiana também tem
Sedução, canjerê, candomblé, ilusão
Pra você
Juro por Deus, pelo Senhor do Bonfim
Quero você baianinha inteirinha pra mim
Mas depois, o que será de nós dois
Seu amor é tão cruel, enganador
Tudo já fiz, fui até um canjerê
Pra ser feliz, meus trapinhos juntar com você
Mas depois, vai ser mais uma ilusão
No amor quem governa é o coração
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé?
Cumé que faz chorar
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé?
Cumé que faz penar
O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá
Uma dor
Me dá, me dá
Que não sei
Se é, se é
Se é ou não amor
Só sei que Iaiá tem umas coisas
Que as outras mulher não tem
O que é?
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Tem tanta coisa de valor
Nesse mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite
Escondida no terreiro
Tem música e beleza
Na voz do boiadeiro
A prata da lua cheia
No leque dos coqueiros
O sorriso das crianças
A toada dos vaqueiros
Mas juro por Virgem Maria
Que nada disso pode matar...
O quê?
Os quindins de Iaiá
(Ary Barroso e Lamartine Babo)
Numa estrada quase abandonada
Uma palmeira mais triste que o luar
Vive lá na encruzilhada
Triste apaixonada que vivia sem falar
Palmeira do sertão
Manda tua mágoa pro meu coração
Também estou muito triste
Tenho os olhos rasos d'água
Tenho um violão
Disse um poeta
Que por lá existe
Quem nunca viu palmeira assim tão triste
Palmeirinha posta para um sonho
Resto da saudade
De um coqueiro que morreu
(Ary Barroso e Luiz Peixoto)
À tarde
Quando de volta da serra
Com os pés sujinhos de terra
Vem a cabocla passar
As flores vão pra beira do caminho
Pra ver aquele jeitinho
Que ela tem de caminhar
E quando ela na rede adormece
E o seio moreno esquece
De na camisa ocultar
As rolas também morenas
Cobrem-lhe o colo de penas
Pra ele se agasalhar na noite
Dos seus cabelos
Os grampos são feitos de pirilampos
Que as estrelas querem chegar
E as águas dos rios que vão passando
Fitam seus olhos pensando
Que já chegaram ao mar
Com ela dorme toda a natureza
Emudece a correnteza
Fica o céu todo apagado
Somente com o nome dela na boca
Pensando nessa cabocla
Fica um caboclo acordado
Int.: F#7 Bm7 E7/9 A7+ E5+/7
A7+
Isto aqui ô ô
Cº Bm7
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
E7/13 D/E
Deste Brasil que canta e é feliz
E7/13 A7+ C#m5-/7
Feliz, feliz
F#7/9- Bm7 Dm7
É também um pouco de uma raça
A7+
Que não tem medo de fumaça ai, ai
Bm7 E7/13 A7+ F#7/9- Bm7 E7/9-
E não se entrega não
Cº Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
E7/9 A7+
Olha só o remelexo que ela sabe dar
Cº Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
Cº Bm7 E7 C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
F#7/9- Bm7
Bota a sandália de prata
E7/9 A7+
E vem pro samba sambar
Cº Bm7 E7 C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
F#7/9- Bm7
Bota a sandália de prata
E7/13 A7+
E vem pro samba sambar
Tenho saudade
Digo a verdade
De um amor que passou
Não sei o que devo mais fazer
Não posso compreender
Pois para mim nada mudou
Vivo ao léu da vida sozinha
E assim o esquecimento
Que a vida é um tormento
Eu quero ser feliz
Mais a sorte ainda não quis
Eu sou pobre sendo rica
E triste na alegria
Choro e sofro todo dia
Nosso Senhor do Bonfim
Já não gosta mais de mim
Pois fiz minha oração
Com amor e devoção
Ah, não há felicidade
Quando a gente vive presa
A um amor pela saudade
Tenho saudade
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#º Dm G7
Pela primeira vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando nossa vida se complicou
Gm C7 F7+
Éramos então duas crianças
Bb7 C
Cheias de vida e de esperança
D#º Dm G7
Lembro-me bem do teu olhar espantado
C D#º Dm G7
Quando te roubei um beijo bem roubado
C D#º Dm G7
E uma lágrima dos olhos me rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#º Dm G7
Pela segunda vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando minha vida desmoronou
Gm C7 F7+
Tínhamos então mais vinte anos
Fm Bb7 C F Fm
Mágoas, saudades, desenganos
C D#º Dm G7
Lembro-me bem do teu olhar esquisito
C D#º Dm G7
Quando te olhei surpreso e muito aflito
C D#º Dm G7
E uma lágrima dos olhos te rolou
C D#º Dm G7
Eu chorei
C D#ºvv Dm G7
Pela terceira vez na minha vida
C D#º Dm G7
Quando minha vida se acabou
Gm C7 F7+
Ia pela rua amargurado
Bb7 C
Quando ouvi bem o teu chamado
D#º Dm G7
Lembro-me só que já fugira a meiguice
C D#º Dm G7
Do teu lindo olhar agora era a velhice
C D#º Dm G7 C
E uma lágrima dos olhos nos rolou
Fonte: www.mpbnet.com.br

Ary Barroso
Ary Evangelista Barroso, pianista, compositor, regente, radialista, advogado e vereador. Y 7/11/1903, Ubá, MG ~ V 9/2/1964, Rio de Janeiro, RJ.
Filho do deputado estadual e promotor público Dr. João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso. Aos 8 anos, órfão de pai e mãe, Ary foi adotado por sua avó materna, Gabriela Augusta de Resende.
Fez seus estudos curriculares na Escola Pública Guido Solero, Externato Mineiro do prof. Cícero Galindo, Ginásios: São José, Rio Branco, de Viçosa, de Leopoldina e de Cataguases.
Estudou teoria, solfejo e piano com sua tia Ritinha. Com 12 anos já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal, em Ubá.
Aos 13 anos trabalhou como caixeiro da loja “A Brasileira”.
Com 15 anos fez a sua primeira composição, um cateretê De longe.
Em 1920, com o falecimento de seu tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, recebeu uma herança de 40 contos (milhões de reis). Então, aos 17 anos veio ao Rio de Janeiro estudar direito, ali permanecendo sob a tutela do Dr. Carlos Peixoto.
Aprovado no vestibular, cursou até o segundo ano da Faculdade Nacional de Direito. Suas economias exauriram o que o fez empregar-se como pianista no Cinema Íris, no Largo da Carioca e, mais tarde, na sala de espera do Teatro Carlos Gomes com a orquestra do maestro Sebastião Cirino. Tocou ainda em muitas outra orquestras.
Em 1926, retoma seus estudos de direito, sem deixar as atividades de pianista.
Continuou seus estudos até ser convidado a ir tocar na cidade de Poços de Caldas. Ali permaneceu 8 meses.
Em 1929, retornando ao Rio, trouxe na bagagem algumas composições, as quais vendeu, cedendo todos os direitos.
Começou então a compor para o teatro de revista estreando em Laranja da China, de Olegário Mariano e Luiz Peixoto. Compôs também para Brasil do Amor, É do Balacobaco entre tantas outras. De 1929 a 1960, musicou mais de 60 peças.
Sua primeira música gravada foi Vou à Penha, em 1929, por seu colega de faculdade, Mário Reis. Na voz do mesmo cantor conheceu seu primeiro sucesso, Vamos deixar de intimidades.
Em 1930 vence o concurso de músicas carnavalescas da Casa Edison com a marchinha Dá nela, percebendo o prêmio de 5 contos de réis. Com este dinheiro casou-se com sua noiva, Ivone Belfort Arantes. Com ela teve dois filhos, Flávio Rubens e Mariúsa.
Neste mesmo ano bacharelou-se em Direito, na turma de Mário Reis.
Em 1931 segue para Belo Horizonte e ali, seu tio, o deputado estadual Alarico (ou Inácio) Barroso, consegue-lhe uma nomeação para juiz municipal de Nova Resende, MG. Após meditar sobre o assunto, Ary recusa o cargo e retorna ao Rio para tentar carreira através da música. Começa então compor com determinação e começa a ganhar alguns trocos através da venda de suas partituras editadas pela Casa Wehrs.
Com a Orquestra de Napoleão Tavares, em 1934 Ary conheceu a Bahia.
Por essa ocasião, começa a tocar nos programas de rádio, tais como o Horas de Outro Mundo de Renato Murce e no Programa Casé, ambos na Rádio Philips do Rio de Janeiro.
Na Rádio Cosmos de São Paulo, criou seu programa Hora H. Mais tarde, na Rádio Cruzeiro do Sul, RJ, estréia seu primeiro programa Hora do Calouro onde o anima com graça e impiedade. Nos anos 50 também foi ao ar na TV Tupi com os programas Calouros em desfile e Encontro com Ary. Seus programas revelaram nomes que fariam nome na história da MPB, tais como Dolores Duran, Elza Soares, Elizeth Cardoso, Zé Keti, entre outros.
Estreou como locutor esportivo irradiando corridas de automóveis no Circuito da Gávea. Mais tarde, transmitindo partidas de futebol, ficou famoso por anunciar os gols através o toque de uma gaitinha e por sua escandalosa parcialidade em favor do Flamengo.
Em 1944 foi para os Estados Unidos convidado a compor a trilha sonora do desenho animado Você já foi à Bahia?, de Walt Disney. Por tal feito recebeu o diploma da Academia de Ciências e Arte Cinematográfica de Hollywood.
Em 1946 candidatou-se e elegeu-se vereador do então Distrito Federal pela UDN (União Democrática Nacional). Não conseguiu repetir o feito em 1950, abandonando a política.
Lutando a favor do compositor brasileiro, Ary foi conselheiro da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), fundador da UBC (União Brasileira de Compositores) e mais tarde da SBACEM (Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Editores Musicais), a qual também foi presidente.
Em 1953 organizou a Orquestra de Ritmos Brasileiro e com ela excursionou por vários países da América Latina.
Em 1961 adoece seriamente de cirrose hepática, doença esta que lhe tirou a vida em 9/2/1964, um domingo de Carnaval, dia este que, por ironia do destino, a Império Serrano desfilava na avenida apresentando o enredo Aquarela do Brasil. Em 1988 foi novamente homenageado como o tema da escola, pela União da Ilha.
Ao todo são reconhecidas cerca de 264 composições de Ary Barroso.
Ary ficou mundialmente conhecido, por ser o criador da obra-prima que é a música Aquarela do Brasil, que teve centenas de gravações em todo o mundo e foi uma das músicas brasileiras que mais produziu direitos autorais no exterior.
A casta Suzana, Ary Barroso e Alcir Pires Vermelho, 1941
Aquarela do Brasil, Ary Barroso, 1939
Aquarela mineira, Ary Barroso, 1951
Boneca de piche, Ary Barroso e Luiz Iglezias, 1938
Brasil moreno, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1941
Camisa amarela, Ary Barroso, 1939
Casta Susana, Ary Barroso, 1939
Como vais você, Ary Barroso, 1936
Dá nela, Ary Barroso, 1930
É luxo só, Ary Barroso, 1959
Eu dei, Ary Barroso, 1937
Faceira, Ary Barroso, 1931
Foi ela, Ary Barroso, 1934
Folha morta, Ary Barroso, 1952
Grau dez, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1934
Inquietação, Ary Barroso, 1933
Isto aqui o que é?, Ary Barroso, 1941
Maria, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1932
Morena Boca de Ouro, Ary Barroso, 1941
Na Baixa do Sapateiro, Ary Barroso, 1938
Na batucada da vida, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1934
Na virada da montanha, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1935
No rancho fundo, Ary Barroso e Lamartine Babo, 1931
No tabuleiro da baiana, Ary Barroso, 1936
Os quindins de Iaiá, Ary Barroso, 1940
Por causa dessa caboca, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 193.....
Pra machucar meu coração, Ary Barroso, 1943
Quando eu penso na Bahia, Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1937
Rancho das namoradas, Ary Barroso e Vinícius de Moraes
Rio, Ary Barroso,
Rio de Janeiro, Ary Barroso, 1950
Risque, Ary Barroso, 1952
Terra seca, Ary Barroso, 1943
Três lágrimas, Ary Barroso, 1941
Tu, Ary Barroso, 1933
Upa! Upa! (A canção do trolinho), Ary Barroso, 1940
Vamos deixar de intimidade, Ary Barroso, 1929
Fonte: www.geocities.com
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