
Manoel Deodoro da Fonseca
Nascido em Alagoas, em 1827, combateu revoltas contra o Império e lutou nas guerras do Prata e do Paraguai, alcançando o posto de marechal, em 1884.
No ano seguinte, foi nomeado comandante de armas do Rio Grande do Sul e lá mesmo se envolveu com os fatos que o colocariam, a sua revelia, na liderança do movimento que acabou com o sistema monárquico.
Em 1886, foi para o Rio de Janeiro, assumindo a chefia da facção do Exército que era favorável à libertação dos escravos.
Como presidente, sofreu violenta oposição do Congresso, que tentou vencer articulando um golpe de Estado.
Não contava, porém, com a resistência do Exército, chefiada pelo vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto e, em 1891, cansado e desiludido, renunciou ao cargo com a seguinte frase: "Assino o decreto de alforria do último escravo do Brasil".
Fonte: www.ibgeteen.com.br

Manoel Deodoro da Fonseca nasceu em Alagoas, atual Deodoro, no Estado de Alagoas. Pertencia a uma família ilustre. Eram dez irmãos; os oito homens escolheram a carreira militar. Da mesma família fizeram parte o Marechal Rufino Enéias da Fonseca Galvão, visconde de Pelotas, ministro da Guerra do último gabinete imperial, e o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, que ocupou a presidência da República de 1910 a 1914.
A formação militar de Deodoro iniciou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, na qual ingressou após concluir estudos de nível médio, sendo reconhecido cadete em 1843.
A Carreira Militar de Deodoro começou em 1848, na repressão à Revolução Praieira, em Pernambuco. De volta ao Rio de Janeiro, foi promovido a capitão, regressando a Pernambuco em 1856. Daí foi transferido, em 1859, para Mato Grosso, onde permaneceu três anos.
Em dezembro de 1864 Deodoro incorporou-se à Brigada Expedicionária do Rio da Prata. Assistiu à queda de Montevidéu, um ano depois, seguindo direto para campanha do Paraguai. Retornou à Corte em 1873 foi promovido a brigadeiro (posto extinto, que equivalia a general-de-brigada).
Em 1883 foi designado comandante das armas da província do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, fora do cargo, recebeu a patente de marechal-de-campo, antepenúltimo posto do Exército imperial, para novamente assumir o cargo, em 1885, quando Henrique de Lucena, o barão de Lucena, presidia a província.
O Envolvimento Político de Deodoro começou com o afastamento do barão de Lucena, quando Deodoro passou a acumular a presidência e o comando das armas da província. Evoluía na época a Questão Militar (série de conflitos envolvendo militares e o governo imperial), com repercussão nos principais centros do país. O jornal republicano A Federação publicou um artigo do tenente-coronel Senna Madureira, condenando punições infligidas a oficiais do Exército. Deodoro foi chamado a declarar se autorizava o artigo, e tentou inocentar seu subordinado. O ministro da Guerra, insatisfeito, resolveu punir pela segunda vez Senna Madureira, mas Deodoro recusou-se a transmitir a repreensão. Mesmo diante da intervenção pessoal do barão de Cotejipe, chefe do gabinete, Deodoro não recuou, e foi demitido de suas funções no Rio Grande do Sul.
No Rio de Janeiro ganhava força a campanha pela anulação das punições. Deodoro e Senna Madureira presidiram uma reunião de cerca de 200 oficiais, que enviaram uma moção ao Imperador. Em maio de 1887, um manifesto assinado por Deodoro e pelo visconde de Pelotas agravou a crise. O Império, afinal, cancelou as punições.
Novas crises se sucederam. Apoiado pelos republicanos e abolicionistas, Deodoro candidatou-se ao Senado, mas fracassou diante da máquina do Partido Conservador. Na presidência do Clube Militar, fez aprovar uma moção solicitando à princesa Isabel que dispensasse o Exército da tarefa de perseguir escravos fugidos, por considerar esse papel indigno das Forças Armadas. João Alfredo de Oliveira, chefe do novo gabinete conservador, manobrou para afastar Deodoro da Corte. Em dezembro de 1888, cumprindo ordens do ministro da Guerra, Deodoro partiu para Corumbá, a fim de assumir o comando das armas do Mato Grosso. Mas, quando o coronel Augusto da Cunha Matos, oficial de patente inferior à sua, foi nomeado presidente da província, Deodoro abandonou o cargo, sem consentimento prévio do ministro da Guerra, e retornou ao Rio de Janeiro.
A Escolha de Deodoro para chefiar o governo provisório deveu-se à sua inquestionável liderança no episódio militar que resultou na Proclamação da República.
Essa liderança não significava, entretanto, que ele pudesse congregar em torno de si, por tempo duradouro, as diferentes correntes momentaneamente associadas para liquidar a monarquia.
As crises não tardariam a envolver o novo regime. Eram reflexo da multiplicidade de interesses que determinaram o advento da República. Cafeicultores ansiosos por um regime mais aberto, que lhes garantisse o controle efetivo do poder, oligarquias locais de toda espécie, escravistas descontentes com a Abolição, uma classe média urbana emergente, representada pelos ideais do liberalismo e, ao mesmo tempo, pela inquietação militar - todas essas forças, muitas vezes sem delinear claramente seus objetivos, compunham o cenário político da nascente republicana. Além destas havia os positivistas e os monarquistas tradicionais, que aderiram em massa ao novo regime. Nesse quadro complexo, o Partido Republicano Paulista e o Exército eram as únicas forças organizadas. De seu confronto nasceria a sucessão de crises que marcou o breve governo de Deodoro.
A Assembléia Constituinte reuniu-se em 15 de novembro de 1890 para votar a Constituição e eleger o primeiro presidente constitucional. O governo provisório já apresentava sinais de desagregação. De um lado, alinhavam-se as forças civis, interessadas na imediata vigência do regime constitucional e lideradas pelo Partido Republicano Paulista; de outro, as forças militares e positivistas, que defendiam a continuação de Deodoro. A crise transparecia numa série de pequenas questões transformadas em ponto de honra pela intransigência dos ministros.
Em novembro, o empastelamento do jornal monarquista A Tribuna Liberal chegou a provocar a demissão do ministério, que foi reconsiderada diante da ameaça de renúncia de Deodoro. Mas, pouco depois, o próprio Deodoro forçaria a renúncia coletiva do próprio ministério, concretizada em 20 de janeiro de 1891, quando os ministros insistiram em não aprovar a forma como Deodoro queria empreitar as obras do porto Torres, no Rio Grande do Sul, entregues a um amigo seu.
Na Assembléia, o Partido Republicano Paulista ampliou suas base, elegendo Prudente de Morais Presidente da mesa do Congresso, derrotando o candidato do governista. A Assembléia Constituinte aprovou o anteprojeto constitucional - praticamente refeito por Rui Barbosa -, mantendo os principais federativos e reduzindo de seis para quatro anos o mandato presidencial, pois temia-se a longa permanência de Deodoro no poder. Finalmente, pressionado pelos militares, que ameaçaram dissolvê-la, a Assembléia elegeu Deodoro da Fonseca presidente e Floriano Peixoto vice-presidente da República. Na posse, Deodoro foi recebido com frieza. A vitória não seria capaz de garantir-lhe o poder, tanto que no dia 23 de novembro de 1891, Deodoro optou pela renúncia, passando o governo a Floriano Peixoto no próprio dia 23.
Fonte: www.clubemilitar.com.br