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Marechal Rondon

 

 

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, no estado do Mato Grosso, no dia 5 de maio de 1865.

Filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, perdeu os pais muito cedo e foi criado em Cuiabá pelo tio, de quem herdou e incorporou o sobrenome "Rondon".

Tornou-se professor primário aos 16 anos mas optou pela carreira militar servindo como soldado no 2o Regimento de Artilharia a Cavalo, e ingressando dois anos depois na Escola Militar da Praia Vermelha.

Em 1886 entrou para a Escola Superior de Guerra onde assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação da República.

Fez o curso do Estado Maior de 1ª Classe e foi promovido a alferes (atual "aspirante-aoficial").

Graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais e participou dos movimentos abolicionista e republicano por volta de 1890.

Em 1889, Rondon participou da construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá, assumindo a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso, e foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.

Entre 1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e da Bolívia.

Começou a construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, em 1907, sua obra mais importante.

A comissão do Marechal foi a primeira a alcançar a região amazônica.

Nesta mesma época estava sendo feita a ferrovia Madeira-Mamoré, que junto com a telegráfica de Rondon ajudaram a ocupar a região do atual estado de Rondônia.

Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas.

Por sua contribuição ao conhecimento científico, recebeu várias homenagens e muitas condecorações de instituições científicas do Brasil e do exterior.

Foi convidado pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910.

Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil, ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca.

" Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções, chegou a general-de-divisão.

Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva do Exército.

Nos anos 40 virou presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), cargo em que permaneceu por vários anos.

Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal.

E no ano seguinte, o então estado de Guaporé, passou a ser chamado de Rondônia em homenagem ao seu desbravador.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.

Fonte: www.defesa.gov.br

Marechal Rondon

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Santo Antônio de Leverger (MT), em 1865.

Militar, cursou a Escola Militar do Rio de Janeiro e, em 1889, ingressou na Escola Superior de Guerra. Foi aluno de Benjamin Constant, de quem recebeu a formação positivista que conservou por toda a vida. Ainda em 1889, participou do movimento político-militar no Rio de Janeiro que derrubou a monarquia e instituiu o regime republicano no país.

Marechal Rondon

Em 1891, tornou-se professor da Escola Militar. Nesse mesmo ano, participou pela primeira vez da construção de linhas telegráficas no interior do Brasil, atividade a qual se dedicaria durante grande parte da sua vida. Estabeleceu, então, contatos amistosos com indígenas no estado do Mato Grosso, em regiões próximas à fronteira com o Paraguai e a Bolívia, iniciando, inclusive, a demarcação de suas terras. Em 1906, suas atividades estenderam-se à Amazônia, para onde também foi enviado com a finalidade de construir linhas telegráficas. Nessa ocasião, passou cerca de quatro anos internado na selva, chegando a Manaus somente em 1910. Nesse mesmo ano foi criado o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), do qual se tornou o primeiro diretor.

Durante a década de 10, deu continuidade às suas experiências de contato com os povos indígenas, promovidas através de expedições científicas e de reconhecimento do território que se estende do Mato Grosso à Amazônia. Em 1919, recebeu a patente de general do Exército.

No segundo semestre de 1922, deu combate, em regiões situadas entre os estados do Paraná e Santa Catarina, aos rebeldes militares que meses antes haviam se insurgido contra o governo federal em São Paulo e no Rio Grande do Sul, e que logo em seguida dariam origem à Coluna Prestes. Em 1930, encontrando-se no Rio Grande do Sul, foi preso durante alguns dias pelas forças revolucionárias que levaram Getúlio Vargas ao poder por se declarar fiel ao presidente deposto, Washington Luís.

Entre 1934 e 1938, presidiu a delegação brasileira que mediou as negociações entre Bolívia e Peru, em torno da disputa pelo controle do porto de Letícia. Em 1934, foi nomeado para a presidência do Conselho Nacional de Proteção ao Índio, órgão que substituiu o SPI.

Manifestou apoio à entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados, no início da década de 40.

Detentor de enorme prestígio dentro e fora do Brasil, recebeu diversas homenagens significativas: em 1955, o Congresso brasileiro conferiu-lhe honras de marechal ; no ano seguinte, o território brasileiro de Guaporé foi rebatizado com o nome de Rondônia; e, em 1957, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz.

Morreu no Rio de Janeiro, em 1958.

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

Marechal Rondon

Terminada a Guerra do Paraguai, se cuidou de aparelhar a tropa de Engenharia para atender à formação dos especialistas necessários aos empreendimentos públicos indicados pela experiência bélica.

Os problemas mais vivos a serem resolvidos eram o dos transportes e o das comunicações, particularmente no Rio Grande do Sul, oeste paranaense e Mato Grosso, o que impedia a aplicação oportuna e decisiva do poder nacional. Surgiu o Exército como fator de integração nacional.

Marechal Rondon
Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon

Em 1880 o Batalhão de Engenheiros foi reorganizado para poder ser empregado na construção de estradas de ferro e de linhas telegráficas. O seu primeiro empreendimento no campo das comunicações, concluído em dezembro de 1881, foi a ligação telegráfica entre Alegrete e São Borja, com um ramal para Itaqui.

No ocaso do Império foi criada a Comissão Construtora da Linha Telegráfica Franca – Cuiabá, com o objetivo de romper o isolamento de Mato Grosso, tão nefasto durante a invasão paraguaia. A cidade paulista de Franca representava, até então, a região mais ocidental servida pelo fio.

Proclamada a República, foram aproveitados e ampliados os projetos de construção de linhas telegráficas do Império, que legou 11.000 Km de linhas entre as principais cidades.

Com a concretização da ligação Franca-Uberaba, ainda no período imperial, coube ao governo republicano a criação de uma comissão para o prolongamento da linha até a margem direita do rio Araguaia.

A construção em sentido contrário, Cuiabá-Araguaia, foi confiada à chefia do Major Antonio Ernesto Gomes Carneiro. Este, em busca de um auxiliar mato-grossense, escolheu o alferes-aluno Cândido Mariano da Silva Rondon, nascido em 1865 nas proximidades de Cuiabá, coincidentemente durante a invasão paraguaia do Mato Grosso. A partir daí teria início a ciclópica obra de Rondon, síntese das comunicações da Primeira República.

Paralelamente, o governo criou outras comissões telegráficas chefiadas por engenheiros militares. No Rio Grande do Sul uma comissão foi designada para interligar os principais pontos das fronteiras com a Argentina e o Uruguai, enquanto no Paraná outra recebeu a missão de ligar Foz do Iguaçu a Curitiba.

Em abril de 1891, com a ponta da linha já nas margens do rio Araguaia, Gomes Carneiro retornou ao Rio de Janeiro e Rondon assumiu a chefia da comissão. Pouco tempo depois, em 1894, Gomes Carneiro morreu heroicamente durante o cerco da Lapa, no Paraná, episódio da Revolução Federalista, articulado com a Revolta da Armada.

Em 1900 Rondon recebeu a missão de interligar toda a faixa fronteiriça com a Bolívia e com o Paraguai, cumprindo-a após seis anos de penosos trabalhos e 1.746 Km de linhas construídas. Finalmente, as cidades de Cuiabá, Corumbá, Bela Vista, Porto Mourinho, Forte Coimbra e Cáceres passaram a se ligar ao restante do País.

Entretanto, ainda estava longe do encerramento a sua obra civilizadora. Em março de 1907, o Presidente Afonso Pena cria a Comissão Construtora de Linhas Telegráficas do Mato Grosso ao Amazonas e nomeia-o, já major, para chefiá-la.

Essa comissão fica subordinada aos Ministérios da Aviação e da Guerra, pela natureza dos trabalhos e pelo seu enquadramento civil e militar. Integram-se engenheiros militares, oficiais especializados e funcionários civis da Repartição Geral dos Telégrafos. O 5º Batalhão de Engenharia participa como núcleo principal da tropa a ser empregada.

A linha partiria de Cuiabá para atingir a cachoeira de Santo Antônio do Madeira, no rio Madeira, e daí até a estrada de ferro Madeira – Mamoré. Desse ponto alcançaria as sedes das prefeituras do Acre, Purus e Juruá, enquanto ramais atingiram a cidade de Mato Grosso (Vila Bela), Forte Príncipe da Beira e Manaus.

O trabalho era, portanto, de extrema magnitude e imperativo, em função da incorporação do Acre pelo Tratado de Petrópolis, firmado com a Bolívia em 1903.

No Natal de 1909, após toda sorte de adversidades, é atingido o rio Madeira na expedição e o corneteiro do 5º Batalhão de Engenharia, origem do atual Batalhão Rondon, saúda o fato com o toque da vitória.

Fisicamente se rompera a Amazônia Ocidental, mas os trabalhos ainda continuariam até 1º de janeiro de 1915, com a inauguração da estação de Santo Antônio do Madeira. Foram instaladas, ao todo, 32 estações nos 1.497 Km da linha principal e nos 763 Km dos ramais de Cáceres a Mato Grosso, de Parecis a Barra dos Bugres e de Santo Antônio e Guajará-Mirim.

O objetivo de levar o fio até Manaus foi abandonado, como consequência da evolução da radiotelegrafia descoberta por Guglielmo Marconi, mas nem por isso tornou menos importante a obra de Rondon, que já havia cumprido um papel de extrema relevância para o País. Não só na integração de pontos afastados do território nacional, mas, ainda, no avanço dos conhecimentos contemporâneos de etnografia, zoologia, botânica e mineralogia, no aperfeiçoamento da cartografia nacional e na proteção do indígena.

O pioneirismo do Marechal Rondon nas atividades de comunicações o credenciaria para Patrono da Arma de Comunicações, através do Decreto nº 51.960, de 26 de abril de 1963.

Fonte: www.exercito.gov.br

Marechal Rondon

Ainda não se escreveu a biografia que a rica vida do Marechal Rondon merece. O sonho de ver o país exibindo ares do chamado primeiro mundo, parece fazer com que aqui só se percebam o valor dos brasileiros responsáveis pelos processos de industrialização. Nesses casos, várias e merecidas biografias já foram escritas. Para o desbravador desses rincões, para o grande ator da luta pela recuperação da dignidade dos nossos irmãos índios, ainda falta alguém com o talento e a determinação do velho Marechal.

Estas notas servem apenas divulgar alguns fatos importantes da vida deste grande brasileiro, um dos mais populares personagens das primeiras décadas do século passado, e então, um dos poucos brasileiros de renome internacional.

Ele é a personalidade mais significativa da história desta região onde se formou o Estado de Rondônia, nome dado em sua homenagem.

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, Mato Grosso, em 5 de maio de 1865.

Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando mudou-se para Cuiabá onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos. Aos 16 anos foi diplomado professor primário (ensino fundamental) pelo Liceu Cuiabano.

Em seguida ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo.

Pouco depois mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano.

Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual afastou-se em 1892.

Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás.

Esta primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.

O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanista que desbravaram estes rincões, abrindo caminhos, lançando linhas telegráficas, registrando sua topografia, descobrindo rios, estudando a flora e a fauna, mas, principalmente, estabelecendo relações respeitosas e desmistificando a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios.

Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não fosse assim poderiam transformar-se em missões genocidas. Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nesta imensa e desconhecida região realizou sua grande obra de militar, estudioso, sertanista e grande ser humano.

- Entre 1892 e 1898 ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás.

- Entre 1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia.

- Em 1906 encontrou as ruínas do Real Forte do Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
- Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada "Comissão Rondon". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915.

Assim, simultâneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia. A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso.

Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em tres expedições:

- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena.
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte.

- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.

- Em 1908 havia sido promovida a tenente-coronel, por méritos.

- Em 1910 organizou e passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), criado em 7/set/1910.
- Em 12 de outubro de 1911 inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.

- Em 13 de junho de 1912 inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome.
- De maio de 1913 a maio de 1914 participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizando novos estudos e descobertas na região.

- Durante o ano de 1914 a Comissão Rondon construiu em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).

- Em 1º de janeiro de 1915 inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida.

Já General de Brigada, em 20/set/1919 foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924.

- Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituiram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.

Entre julho de 1934 e julho de 1938 presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Perú e a Colômbia pela posse porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego.

- Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro concedido pelo Congresso Nacional.

- Homenageando o velho Marechal, em 17 de fevereiro de 1956, o Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de Rondônia.

- Em 1957 foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer's Club, de New York.

- Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

Ao grande brasileiro, o respeito e a gratidão dos rondonienses.

Fonte: www.ronet.com.br

Marechal Rondon

Cândido Mariano da Silva era descendente de índios Terena, Borôro e Guaná. Ele nasceu em 5 de maio de 1865, numa cidadezinha de Mato Grosso chamada Mimoso, mas que hoje é Santo Antônio do Leverger. Perdeu os pais ainda menino e foi criado por um tio, cujo sobrenome - Rondon - Cândido Mariano adotou anos mais tarde, com autorização do Ministério da Guerra.

O jovem Cândido Mariano licenciou-se como professor primário pelo Liceu Cuiabano, de Cuiabá, antes de continuar seus estudos no Rio de Janeiro. Em 1881, entrou para o Exército e dois anos depois para a Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1886 ele foi encaminhado à Escola Superior de Guerra e assumiu um papel ativo no movimento pela proclamação da República. Por meio de exames prestados em 1890, graduou-se como bacharel em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais. Foi aluno de Benjamim Constant, e a ideologia positivista o guiou por toda a sua vida.

Em 1889, Cândido Mariano foi nomeado ajudante da Comissão de Construção das Linhas Telegráficas de Cuiabá a Registro do Araguaia, que era chefiada pelo coronel Gomes Carneiro. Por sua indicação, Rondon veio a assumir a chefia do distrito telegráfico de Mato Grosso, em 1892. Desde então, chefiou várias comissões para instalar linhas telegráficas no interior do Brasil, identificadas, genericamente, pelo nome de Comissão de Construção de Linhas Telegráficas e Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon.

Ele se destacou pela instalação de milhares de quilômetros de linhas telegráficas interligando as linhas já existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Triângulo Mineiro com os pontos mais distantes do País. Um esforço de grandes proporções para a integração nacional através das comunicações. Ao mesmo tempo em que realizava o trabalho, Rondon fez levantamentos cartográficos, topográficos, zoológicos, botânicos, etnográficos e lingüísticos da região percorrida nos trabalhos de construção das linhas telegráficas. Registrou novos rios, corrigiu o traçado de outros no mapa brasileiro e ainda entrou em contato com numerosas sociedades indígenas, sempre de forma pacífica. Pela sua vasta contribuição ao conhecimento científico, foi alvo de homenagens e recebeu muitas condecorações de instituições científicas do Brasil e do exterior.

A repercussão da obra indigenista de Rondon valeu-lhe o convite feito pelo governo brasileiro para ser o primeiro diretor do Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores Nacionais (SPI), criado em 1910. Nesta função, comandou e traçou o roteiro da expedição que o ex-presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, Prêmio Nobel da Paz em 1906, realizou pelo interior brasileiro entre 1913 e 1914, a Expedição Roosevelt-Rondon.

Também publicou o livro Índios do Brasil, em três volumes, editado pelo Ministério da Agricultura. Incansável defensor dos povos indígenas do Brasil, ficou famosa a sua frase: "Morrer, se preciso for; matar, nunca."

Entre 1919 e 1925, foi diretor de Engenharia do Exército e, após sucessivas promoções por merecimento, chegou a general-de-brigada em 1919 e a general-de-divisão em 1923.

A Inspeção de Fronteiras foi criada em 1927 para realizar o estudo das condições de povoamento e segurança das fronteiras brasileiras. Rondon ficou responsável por sua organização e chefia. Assim, ele percorreu milhares de quilômetros, do extremo norte do País ao Rio Grande do Sul, a fim de inspecionar pessoalmente as fronteiras.

Em 1930, solicitou sua passagem para a reserva de primeira classe do Exército e, em 1940, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção aos Índios (CNPI), criado para prestar orientação e fiscalizar a ação assistencial do SPI, cargo em que permaneceu por vários anos. Encaminhou ao presidente da República, em 1952, o Projeto de Lei de criação do Parque Indígena do Xingu.

Em 1955, o Congresso Nacional conferiu-lhe a patente de marechal. Já cego, faleceu no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1958, com quase 93 anos.

Ao longo de sua vida e postumamente, pelo conjunto de sua obra, Rondon recebeu as maiores condecorações civis e militares, brasileiras e estrangeiras, entre elas o Prêmio Livingstone, da Sociedade Geográfica de Nova York/EUA; a inscrição de seu nome em letras de ouro, na mesma Sociedade, por ter sido considerado o explorador que mais se destacou em terras tropicais; a indicação de 15 países para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz, em 1957; a Grã-Cruz da Ordem do Mérito Militar; os títulos de "Civilizador dos Sertões" e "Patrono das Comunicações no Brasil".

Para homenagear Rondon, foi escolhido o dia 5 de maio, sua data natalícia, para a comemoração do Dia Nacional das Comunicações.

O antigo Território Federal de Guaporé recebeu o nome de Rondônia também em sua homenagem

Fonte: www.funai.gov.br

Marechal Rondon

Rondon, o patrono das comunicações no Brasil

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, perto de Cuiabá, Mato Grosso, a 5 de maio de 1865 (doze dias antes da fundação da União Telegráfica Internacional, hoje União Internacional de Telecomunicações). Aos 90 anos, no dia de seu aniversário, foi promovido ao posto de Marechal, por indicação unânime do Congresso Nacional. Em 26 de abril de 1963, foi escolhido Patrono do Serviço de Comunicações do Exército Brasileiro e, por decisão do Ministério das Comunicações, patrono de todo o setor no País.

Descendente de índios terena, bororo e guaná, Rondon foi um defensor dos indígenas brasileiros. "Morrer, se preciso for. Matar nunca" - esse era o lema do brasileiro que ganhou maior projeção e reconhecimento internacionais por sua vida, inteiramente dedicada à exploração pacífica, humanitária e civilizadora dos trópicos.

O Marechal Rondon chefiou diversas missões demarcatórias de fronteiras e percorreu mais de 100 mil quilômetros de sertões, por rios, picadas na floresta, caminhos toscos ou estradas primitivas. Descobriu serras, planaltos, montanhas e rios, elaborando as primeiras cartas geográficas de cerca de 500 mil quilômetros quadrados até então totalmente desconhecidos dos registros nacionais.

Essa área equivale ao dobro da do Estado de São Paulo (ou o equivalente à França). Organizador e diretor do Serviço de Proteção ao Índio (antigo SPI, hoje FUNAI - Fundação Nacional do Índio), Rondon não permitia que se cometesse qualquer tipo de violência ou injustiça contra os mais legítimos donos das terras descobertas por Cabral. São suas as seguintes palavras:

"Os índios do Brasil, arrancados à voraz exploração dos impiedosos seringueiros, amparados pelo Serviço (SPI) em seu próprio habitat, não ficarão em reduções, nem em aldeamentos adrede preparados. Assistidos e protegidos pelo governo republicano, respeitados em sua liberdade e independência, nas suas instituições sociais e religiosas, civilizar-se-ão espontaneamente, evolutivamente, mediante a educação prática que por imitação receberem."

Em 1912, foi promovido ao posto de Coronel, depois de ter pacificado os índios Kaingangue e os Nhambiquara. O Congresso Universal das Raças, bem como o 18º Congresso Internacional de Americanistas, reunidos em Londres, e a Comissão Parlamentar de Inquérito instituída para apurar as atrocidades praticadas contra os índios peruanos do Potumaio apelaram para os países que contam com populações indígenas em seus territórios, concitando-os a adotarem os métodos protecionistas seguidos pelo Brasil, por iniciativa de Rondon.

Em 1913, ganhou a Medalha de Ouro, "por 30 anos de bons serviços" prestados ao Exército e ao Brasil. Acompanhou o ex-presidente Theodore Roosevelt numa expedição de mais de 3 mil quilômetros pelos sertões de Mato Grosso e Amazonas. No ano seguinte, a Sociedade Geográfica de Nova York conferiu a Rondon o Prêmio Livingstone, medalha de ouro, por suas contribuições ao conhecimento geográfico. A mesma Sociedade Geográfica de Nova York determinou a inclusão do nome de Rondon, em placa de ouro, ao lado de outros grandes descobridores e exploradores da Terra: Pearry (descobridor do Pólo Norte), Amundsen (descobridor do Pólo Sul), Charcot (explorador das terras árticas), Byrd (explorador das terras antárticas) e, por fim, Rondon, como o maior estudioso e explorador das terras tropicais.

Condecorado e premiado por governos estrangeiros e dezenas de entidades internacionais representativas das Ciências e da Paz, Rondon se tornou uma dessas raras figuras que, em vida, atinge o mais elevado grau de nível de respeito e prestígio por sua obra gigantesca. Mas por que, perguntaríamos, ele se tornou o Patrono das Comunicações?

De 1890 a 1916, Rondon participou das Comissões de Construções de Linhas Telegráficas do Estado de Mato Grosso, que interligaram as linhas existentes do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Triângulo Mineiro à Amazônia (Santo Antônio do Madeira), ou seja, o primeiro esforço de grandes proporções para a integração nacional pelas comunicações. É o próprio Rondon quem escreveu, em seu estudo "Índios do Brasil", edição do Ministério da Agricultura, Conselho Nacional de Proteção aos Índios, publicação nº 98, volume II, página 3:

"Ao terminarem os trabalhos desta última comissão (1916), havíamos dotado Mato Grosso de 4.502,5 quilômetros de linhas telegráficas (...) "

Só no período 1907/1909, Rondon percorreu 5.666 quilômetros, no trabalho conjunto de construção de linhas telegráficas e de levantamento carto-geográfico da região que forma o atual Estado de Rondônia (nome dado em sua homenagem por sugestão de Roquete-Pinto), numa área de mais de 50 mil quilômetros quadrados, cruzando rios, picadas, serras, chapadas, trilhas e estradas só transitáveis por carros-de-boi. Os índios apelidaram as linhas telegráficas de "língua do Mariano" (Cândido Mariano da Silva Rondon), que as designava pela expressão "sondas do progresso".

O escritor Roquete-Pinto dizia que o Marechal era "o ideal feito Homem". O presidente Theodore Roosevelt afirmava que Rondon, "como homem, tem todas as virtudes de um sacerdote: é um puritano de uma perfeição inimaginável na época moderna; e, como profissional, é tamanho cientista, tão grande o seu conjunto de conhecimentos que se pode considerar um sábio. (...) A América pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas: ao norte, o canal do Panamá; ao sul, o trabalho de Rondon - científico, prático, humanitário".

Paul Claudel, grande poeta francês, e embaixador da França no Brasil, disse: "Rondon, esta alma forte que se interna pelo sertão, na sublime missão de assistir ao selvagem, é uma das personalidades brasileiras que mais me impressionaram. Rondon dá-me a impressão de uma figura do Evangelho".

Cego e enfermo havia meses, Cândido Mariano da Silva Rondon agonizou no domingo, 19 de fevereiro de 1958, tarde ensolarada, de céu azul, em Copacabana. Recebeu extrema-unção e voltou-se para seu médico de cabeceira e disse:

"Viva a República! Viva a República..."

Foram suas últimas palavras, após 92 anos de vida inteiramente dedicada à sua Pátria, aos índios e às comunicações.

Fonte: www.museudotelefone.org.br

Marechal Rondon

Marechal Cândido Mariano Rondon: um legado de força e honra

Há 52 anos, no dia 19 de janeiro de 1952, morria no Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Mato-grossense de Mimoso, um distrito de Santo Antonio do Leverger. Filho e neto de índios guaná, bororó e terena, Rondon ficou órfão muito cedo e foi criado por um tio. Quando este morreu, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar.

Além de o estudo ser gratuito, os alunos da Escola Militar, desde que assentassem praça, recebiam pagamento mensal como se fossem sargentos. Rondon precisava desesperadamente desses dois benefícios. Alistou-se então no 2º. Regimento de Artilharia a Cavalo – e a partir de então, deixou o anonimato e entrou para a História.

Rondon, um político e pacifista, sempre

Ainda estudante, participou dos movimentos de abolição da escravatura e da implantação do regime republicano. Depois disso, já com a Escola Militar concluída, voltou para seu estado natal, foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso e designado para a comissão de construção da linha telegráfica que ligaria o Mato Grosso e Goiás ao sul do Brasil. E havia uma razão imperiosa para isso: esses dois estados estavam isolados dos grandes centros, eram área de fronteira e, portanto, sujeitas a invasões de outros países.

E Rondon cumpriu sua missão de modo brilhante, abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, mapeando e estabelecendo relações cordiais com as tribos que encontrava pelo caminho. Foi assim que contatou os bororós, nhambiquaras, Urupá, jaru, karipuna, ariqueme, boca negra, pacaás novos, macuporé, guaraya e macurape.

Alguns feitos marcaram sobremodo a vida de Rondon:

Entre 1892 e 1898 instalou as linhas telegráficas do Mato Grosso a Goiás, ligando Cuiabá ao Araguaia. Construiu também uma estrada ligando Cuiabá ao Estado de Goiás;

Entre 1900 e 1906 dirigiu a implantação de mais uma linha telegráfica, desta vez entre Cuiabá e Corumbá, chegando até as fronteiras do Paraguai de da Bolívia;

E foi em 1906, nessas entradas pelo interior do país, exatamente para implantar as linhas do telégrafo, que descobriu as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia história de nossa Rondônia.

Um ano depois, já no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que iria implantar a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira. Junto com a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, a linha do telégrafo iria integrar o então território “ao Brasil lá de baixo”.

Foi nesse período, mais exatamente em 1913, que um fato marcou Rondon definitivamente. Atingido por uma flecha envenenada, disparada por um guerreiro nhambiquara, Rondon só não caiu ferido de morte porque a ponta da flecha perdeu força e quebrou, ao atingir a correia de couro grosso do fuzil que estava passada transversalmente sobre seu peito.

Mesmo caído ordenou a seus homens que não revidassem e batessem em retirada, silenciosamente, para não assustar os silvícolas. Esse ato era a confirmação do lema que ele havia adotado para sua vida: morrer se preciso for. Matar, nunca!

Um ano depois desse episódio, ainda chefiando a comissão de implantação das linhas telegráficas no então território do Guaporé, havia implantado 372 quilômetros de linhas e construídas cinco estações: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji-Paraná), Jaru e Ariquemes. Um detalhe: a rodovia BR 364 que liga Rondônia ao centro sul do país seguiu as trilha e picadas abertas por Rondon, para a implantação das linhas do telegrafo.

Em 1915 inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira. Missão cumprida. E Rondônia jamais seria a mesma. Seria melhor.

Fonte: www.rondoniadigital.com

Marechal Rondon

Cândido Mariano da Silva

Rondon nasceu, em 1865, em Mato Grosso. Fez seus estudos elementares em Cuiabá, onde ingressou no Exército, graduando-se em Ciências Físicas e Naturais pela Escola Militar da Corte em 1890.

Ocupou o cargo de professor-substituto de Astronomia e Mecânica, logo abandonado para engajar-se na Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Cuiabá ao Araguaia (1890-1898).

A comissão, encarregada de construir 583 quilômetros de linhas de Cuiabá a Registro, na margem esquerda do rio Araguaia, passava pelo território dos índios Bororo que, vítimas de sucessivos massacres, se constituíam no principal obstáculo às comunicações entre Goiás e Mato Grosso.

Nessa ocasião, Rondon efetuou suas primeiras ações junto ao grupo indígena, contatando os Bororo do rio Garças, com os quais manteve estreitos vínculos por toda a vida.

A carreira do indigenista Rondon foi fortemente marcada pelas concepções positivistas.

A necessidade de proteger militarmente as fronteiras brasileiras e favorecer o progresso econômico resultou na organização da Comissão Construtora de Linhas Telegráficas de Mato Grosso (1900-1906) e da Comissão de Linhas Telegráficas de Mato Grosso ao Amazonas (1907-1915), chefiadas por Rondon. Paralelamente aos seus objetivos estratégicos, essas comissões tiveram um papel pioneiro junto às populaçoes indígenas contatadas, demarcando suas terras e assegurando aos índios trabalho nas obras para a instalação das linhas.

A segunda, conhecida por Comissão Rondon, destacou-se pelo seu caráter científico, dando origem a uma série de estudos elaborados pelos mais importantes especialistas da época.

A Comissão Rondon teve sob seus cuidados o contato com grupos indígenas desconhecidos, permitindo o estabelecimento de um padrão de relacionamento com essas populações.

Isso contribuiu para a configuração de um corpo de normas e técnicas de pacificação. Assim, foram "pacificadas" diversas tribos consideradas hostis como os Kepkiriwát, Ariken e Nambikwara. Estes tornaram-se exemplos de modelo rondoniano de indigenismo, sintetizado na legenda "Morrer se preciso for, matar nunca".

Evidenciava-se a necessidade da intervenção do Estado nas relações entre populações indígenas e sociedade nacional, intensificadas com a abertura de diversas frentes de expansão capitalistas.

A polêmica envolvendo amplos setores da vida nacional sobre a regulamentação desses contatos levou, em 1910, o governo a criar o Serviço de Proteção aos Índios (SPI).

Para a direção geral, foi convidado Cândido Rondon, que conferiu à instituição as atribuições de assistência e proteção aos grupos indígenas dentro do princípio de respeito à diversidade cultural.

Em 1939, o General Rondon assumiu a presidência do recém-criado Conselho Nacional de Proteção ao Índio, retomando a orientação da política indigenista, a fiscalização da ação assistencial do SPI e a vigilância dos direitos indígenas.

Em 1952, Rondon apresentou ao Presidente Getúlio Vargas o projeto de criação do Parque do Xingu e testemunhou a criação, sob sua inspiração direta, do Museu do Índio, destinado a coletar material sobre as culturas indígenas, produzir conhecimento e repassá-lo à sociedade brasileira como forma de combater os preconceitos existentes contra os indígenas.

Morreu em 1958, deixando como principal contribuição ao indigenismo nacional a formulação de uma política de respeito ao Índio e de responsabilidade histórica da nação brasileira pelos destinos dos povos indígenas que habitam o território nacional.

Fonte: www.museudoindio.org.br

Marechal Rondon

Nascido a 5 de maio de 1865 em Mimoso, Mato Grosso do Sul, aos dois anos órfão de pai e mãe, foi criado pelo avô materno até sua ida para Cuiabá, sob os cuidados do tio Manuel Rodrigues da Silva Rondon.

Marechal Rondon

Na capital matogrossense estudou no Liceu Cuiabano, onde se diplomou, aos 16 anos, com distinção, como professor primário.

Em 26 de novembro de 1881, com praça assentada no Exército, embarcava o jovem professor para o Rio de Janeiro com destino à Escola Militar da corte: fez longa viagem fluvial de Cuiabá a Buenos Aires, de onde prosseguiu, pelo Atlântico, até a capital brasileira. A 6 de março de 1883 matriculou-se na Escola Militar a qual concluiu cinco anos após, também com distinção, em todos os seus cursos, tendo sido nomeado Alferes. Depois de prestar exames de estado-maior e de engenheiro e obtido o título de bacharel em matemática e ciências naturais, foi promovido ao posto de Tenente e levado ao cargo de ajudante da Comissão Telegráfica de Cuiabá ao Araguaia.

Iniciava, assim, sua vida de sertanista, a plasmar sua personalidade à feição do rígido meio em que labutaria, numa tenacidade laboriosa que seria o caminho áspero que traçava ao seu futuro no placo formidável da natureza bravia defrontada.

De 1892 (quando nomeado Chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso) a 1916, o Mal. Rondon participou do primeiro esforço de grandes proporções para integração nacional através das telecomunicações a construção das linhas telegráficas interligando as regiões Centro Oeste e Amazônia às linhas existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e Triângulo Mineiro. Foram instalados mais de 4,5 mil quilômetros de linha telegráficas nesse período.

Rondon também pacificou tribos indígenas, levantou dados geográficos e cartográficos de extensas áreas desconhecidas do território brasileiro, inspecionou as fronteiras do País desde o Oiapoque ao Rio Grande do Sul, presidiu o Conselho Nacional de Proteção aos Índios, criou Parques Indígenas, arbitrou questões de fronteiras entre Peru e Colômbia.

Seu nome, hoje, designa um dos Estados da Federação, Rondônia (elevado a essa categoria em 1981, depois de, como Território, haver sucedido ao do Guaporé, em 1955). Por lei especial do Congresso Nacional, foi elevado ao posto de Marechal, sendo-lhe entregue as respectivas insígnias em sessão solene do Senado e da Câmara, conjuntamente, em 5 de maio de 1955.

Faleceu em 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro, com a idade de 92 anos.

É patrono da Arma de Comunicações do Exército, por ato contido em decreto nº 51.960 de 26.4.63. Em 27.4.71 obteve o Ministério das Comunicações autorização da Presidência da República para que o nome do Marechal Rondon fosse reconhecido como o "Patrono das Comunicações Nacionais" ficando o dia 5 de maio - dia de seu nascimento - dedicado às "Comunicações".

Fonte: www.telebrasil.org.br

Marechal Rondon

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1865: Nascimento de Cândido Mariano da Silva Rondon, em Mato Grosso, Brasil.

1881: Ingressa na Escola Militar do Rio de Janeiro.

1888: É promovido a alferes.

1889, 15 de Novembro: participa na implantação da República.

1890: Bacharel em Ciências Físicas e Naturais; promovido a tenente; professor de Astronomia, Mecânica Racional e Matemática Superior; abandona o ensino e passa a servir no setor do Exército dedicado à construção de linhas telegráficas pela vastidão do interior brasileiro.

1892: Casa com Francisca Xavier.

1898: Ingressa na Igreja da Religião da Humanidade (positivista).

1901: Pacifica os índios Bororo.

1906: Estabelece as ligações telegráficas de Corumbá e Cuiabá com o Paraguai e a Bolívia

1907: Pacifica os índios Nambikuára.

1910: É nomeado 1º diretor do Serviço de Proteção aos Índios.

1911: Pacificação dos Botocudo, do Vale do Rio Doce (entre Minas Gerais e Espírito Santo).

1912: Pacificação dos Kaingáng, de São Paulo.

1913: Acompanha e orienta o ex presidente americano Theodore Roosevelt na sua expedição ao Amazonas.

1914: Pacificação dos Xokleng, de Sta. Catarina; recebe o Prémio Livingstone, concedido pela Sociedade de Geografia de Nova Iorque.

1918: Pacificação dos Umotina, dos rios Sepotuba e Paraguai; começa a levantar a Carta de Mato Grosso.

1919: É nomeado Diretor de Engenharia do Exército.

1922: Pacificação dos Parintintim, do rio Madeira.

1927/30: Inspecciona toda a fronteira brasileira desde as Guianas à Argentina

1928: Pacificação dos Urubu, do vale do rio Gurupi, entre o Pará e o Maranhão.

1930: Revolução no Brasil; Getúlio Vargas, o novo presidente, hostiliza Rondon que, para evitar perseguições ao Serviço de Proteção aos Índios, logo se demite da sua direção.

1938: Promove a paz entre a Colômbia e o Peru que disputavam o território de Letícia.

1939: Reassume a direção do Serviço de Proteção aos Índios.

1946: Pacificação dos Xavante, do vale do rio das Mortes.

1952: Propõe a fundação do Parque Indígena do Xingu.

1953: Inaugura o Museu Nacional do Índio.

1955: O Congresso Nacional brasileiro promove o a Marechal e dá o nome de Rondónia ao território do Guaporé.

1958: Morte de Cândido Rondon.

Marechal Rondon
Marechal Rondon

Entrevista que o brasileiro Diaí Nambikuára concedeu à jornalista portuguesa Aurora Matos.

É um índio brasileiro, homem culto, licenciado em Sociologia. Entroncado, rosto redondo, olhos negros e repuxados, tez acobreada, cabelos escorridos, terá talvez uns sessenta anos. Apoiado pelos Verdes e outros grupos ecologistas, também pelo S.O.S. Racismo, pela Amnistia Internacional e por múltiplas organizações de defesa dos direitos humanos, há seis meses que anda pelas capitais da Europa a tentar mobilizar a opinião pública do Velho Continente contra o extermínio dos povos indígenas da América Latina. Fala perfeitamente a nossa língua. Mas, do seu discurso, por vezes irrompem inesperadas palavras em tupi-guarani que nos laçam e arrastam para a vastidão do Amazonas e Mato Grosso. E é justamente aí que ele nos revela um outro Ghandi do século XX, que a soberba europeia tentou sempre ignorar. Esta é a segunda entrevista que Diaí Nambikuára nos concede:

Senhor Dr. Diaí, por favor esclareça-me: quem foi esse Rondon de quem está sempre a falar?

Aurora, tenha dó, nem senhor, nem doutor...

Mas devo tratá-lo como?

Por Você, como normalmente os brasileiros se tratam uns aos outros.

Seja então! Apesar do morticínio, Você ainda se considera brasileiro?

Aurora, quando portugueses e outros europeus arribaram ao Brasil, nós já ali vivíamos há muitos e muitos séculos. Por isso os índios são os mais brasileiros dos brasileiros. Quem o disse foi Rondon.

Mas afinal quem é, ou quem foi, esse Rondon?

Não posso crer, Você não sabe mesmo? Ao menos sabe o que é Rondónia?

É um Estado brasileiro, não é?

Sim, é o antigo Território do Guaporé crismado de Rondónia em homenagem a Rondon. É um pequeno Estado, apenas com a dimensão da Itália...

Fico na mesma.

Estou vendo que o Curupira continua soprando as neblinas do Esquecimento, forma nova de confundir os viajantes... Não só em Portugal, não só na Europa, até mesmo no Brasil...

Curupira? Mas o que é isso?

CURUPIRA

Marechal Rondon

Curupira é o espírito maligno da mata, equivalente ao vosso Diabo. Ser disforme, de grandes orelhas, calvo, com as pernas às avessas, calcanhares para a frente e dedos para trás. Marcha com firmeza do abismo para a vida. Por causa das pegadas invertidas, quem pensa seguir-lhe a pista, acaba por cair no tal abismo ou noutra qualquer arapuca.

Arapuca? O que é isso?

Armadilha.

Estou a ver, mitologia indígena...

Não só indígena...

Vai desculpar-me, mas o que é que isso tem a ver com a Europa?

Diaí Nambikuára abre os braços, sorri, diverte-se:

Você acha que não tem? Então me diga uma coisa: não foi o Curupira que vos atraiu desde o "ama o próximo como a ti mesmo" até aos autos de fé da Inquisição? Não foi o Curupira que vos atraiu desde o comunismo, bem comum, até ao desterro e às matanças do Goulag? Não foi o Curupira, esse diabo, que invadiu e destroçou os vossos Paraísos? Se não, então quem foi?

Também sorrio, não sei o que responder, tento uma esquiva:

Não me diga que o Rondon também seguiu as pegadas do Curupira...

Não, nessa não caiu. A vingança do Curupira é agora soprar sobre ele as neblinas do Esquecimento. Sobre ele e sobre os seus antepassados espirituais...

Que foram...

Augusto Comte e Benjamim Constant.

POSITIVISTAS

Dois franceses?

Um francês, Augusto Comte. E um brasileiro, Benjamim Constant Botelho de Magalhães.

Comte, eu sei que foi o fundador do Positivismo. Benjamim Constant Magalhães não sei quem seja, confesso a minha ignorância.

Foi o militar brasileiro que em 15 de Novembro de 1889 promoveu a transição pacífica da Monarquia para a República. Antes dessa data já abrira caminho para a abolição da escravatura, que veio a ocorrer em 13 de Maio de 1888.

Uma figura...

Um positivista convicto. Ainda moço, lê, estuda e analisa o Curso de Filosofia Positiva de Augusto Comte. Entusiasma-se, adere ao Positivismo. O ideal desta Filosofia era unir todas as Culturas, até então separadas, do Ocidente e do Oriente, sem que nada se perdesse e tudo se somasse. Para Comte, cada homem vale não pelo que tem, mas pelo que é, mais do que a fortuna vale o mérito. Tentou alcançar o Guajupiá através do...

O quê?

Paraíso.

Por que é que Você, volta e meia, usa palavras tupis? É tupi, não é?

Sim, é tupi-guarani. É só para que Você saiba que os índios não são alheios a certos conceitos metafísicos, não somos os selvagens broncos que nos pintam.

Estou a ver... Mas Comte pensava alcançar o Paraíso através...

Através do progresso do espírito humano, três estádios, o teológico, o metafísico e, finalmente, o positivo. Neste, vingariam máximas como "agir por afeição e pensar para agir", "induzir para deduzir, a fim de construir", "saber para prever, a fim de prover". Está entendendo?

Mais ou menos.... E Marx? Como pensava ele alcançar o Paraíso?

Através da luta de classes; justamente para aboli-las e acabar de vez com a exploração do homem pelo homem.

De boas intenções está o Inferno cheio, não é?

Se eu fosse positivista ou marxista dir-lhe-ia: Aurora, deixe-se de metafísicas! Mas isso, por agora, não interessa. Repare: curiosamente, é no Brasil que mais fundo se enraíza o Positivismo. Não em França, nem sequer no resto da Europa. Já lhe disse que foi um positivista brasileiro que promoveu a transição pacífica da Monarquia para a República. Na nossa bandeira ainda hoje permanece inscrita a máxima positivista Ordem e Progresso. Aurora: nas movimentações políticas do 15 de Novembro de 1889, sabe quem foi o homem de confiança do Benjamim Constant?

Não faço ideia.

Foi o alferes matogrossense Cândido Rondon.

Finalmente o Rondon! Já não era sem tempo...

NOS CAMPOS DO MIMOSO

Menina, Você é muito impaciente, tenho que falar com o seu maracá...

O meu quê?

Maracá, anjo da guarda. Tenha calma, repare, entenda: foi o ouro de Cuiabá que atraiu os bandeirantes paulistas a Mato Grosso. Mas depois as reservas esgotaram-se e os seus descendentes, já misturados com índios e negros, ficaram pasmados nos campos do Mimoso, palmais, florestas, rios, lagoas e mais lagoas. Sem ouro para minerar, o que iriam eles fazer naquela região tão isolada? A alternativa foi criar gado porque sem estradas, nem caminhos, só o gado consegue locomover-se através de milhares de quilómetros até aos mercados do litoral. Em linha reta, Você sabe, Menina, qual é a distância de Cuiabá até ao litoral atlântico?

Uns mil quilómetros?

Diga antes dois mil. Mais ou menos a distância de Lisboa a Praga.

É um mundo, o seu Brasil...

É quase um continente. Foi nos campos do Mimoso, na sesmaria de Monte Redondo, que a 5 de Maio de 1865 nasceu Cândido Mariano da Silva Rondon. Da sua vertente paterna recebeu sangue de portugueses e espanhóis, também de índios Guaná; da materna, sangue de índios Terena e Bororo. Nele, tudo se soma, nada se perde.

Família rica?

Gente pobre. E ele, aos dois anos, já é órfão de pai e mãe. Um tio paterno é quem toma conta dele e o leva para Cuiabá. Ali cresce, ali estuda e conclui com distinção o curso secundário. Um fora de série em Matemática.

E havia universidade em Cuiabá?

Não, não havia, mas Cândido quer continuar os estudos, a sua ambição é o Rio de Janeiro. Para um menino pobre há apenas duas saídas: ou Escola Militar, ou Seminário. Pede licença ao tio e opta: antes murubixaba do que pajé.

Desculpe, não percebo.

Antes chefe guerreiro do que padre.

FAZER A PAZ

- O alferes Cândido Rondon tem 23 anos quando auxilia Benjamim Constant a implantar o regime republicano. E no ano seguinte, em 1890, é graduado bacharel de Ciências Físicas e Naturais e promovido a tenente. A convite do seu mestre Benjamim Constant, na Escola Militar começa a leccionar Astronomia, Mecânica Racional e Matemática Superior. Mas, pouco tempo depois, convidado para o serviço mais árduo do Exército, que é a construção de linhas telegráficas pelo interior do Brasil, não hesita em abandonar a sua promissora carreira de magistério. E ei-lo, com a sua tropa, a abrir picadas, a abater árvores, a levantar postes, a instalar fios atravessando as matas de Goiás até ao seu Mato Grosso natal. No meio da selva, apavorados, os soldados querem reagir com violência às sucessivas ameaças dos bugres.

Bugres? O que é isso?

Bugre é o índio dito selvagem, no linguajar dos brancos. E bugreiro é o caçador de índios. Normalmente é um mestiço que, através da violência contra os seus parentes indígenas, tenta cativar o favor dos brancos. Os índios que se opunham ao avanço dos usurpadores sobre os territórios tribais, eram dizimados e as suas tabas e malocas incendiadas. Para isso é que serviam os bugreiros, muitos deles pagos pelos próprios governos estaduais.

Tabas?

Aldeias. O objetivo de Rondon não era matar, mas pacificar.

Princípio positivista?

Exatamente.

Talvez por influência de Benjamim Constant, não?

Acertou. Em 1898 Rondon irá aderir à Igreja da Religião da Humanidade.

Mas o Positivismo é uma Religião e tinha Igreja?

Menina: a palavra "religião" deriva de "religar". Nesse sentido, o Positivismo é uma Religião, porque ambiciona religar os Homens. E a sua Igreja é diferente das outras. No Positivismo, a crença em seres e fenómenos sobrenaturais é substituída pela adoração e entendimento de uma nova Trindade: não mais o Pai, o Filho e o Espírito Santo, mas sim a Humanidade, a Terra e o Espaço. A sua Fórmula Sagrada é O Amor por Princípio, a Ordem por Base, o Progresso por Fim. E a sua Fórmula Moral é Viver para Outrem.

E Você? Também é positivista?

Não vim à Europa para falar de mim.

Mas como é possível pacificar um povo em armas, estando os seus guerreiros, com razão, indignados e furiosos?

Essa é, justamente, a grandeza de Rondon. Foi sempre rigoroso na aplicação da sua máxima "Morrer, se for preciso; matar nunca!". Dezenas de oficiais e mais de centena e meia de soldados e trabalhadores civis foram mortos porque desistiram de matar. Melhor dizendo: deixaram-se matar. Neles, a força de uma ideia suplantou o instinto de conservação. O humanismo, levado a sério, tem custos altos.

O princípio teórico, eu compreendo. Mas, na prática, como é que Rondon o aplicava?

Aurora: antes compreenda, como Rondon o compreendeu, que os índios são homens a viver no neolítico. Mas somos homens e, como todos os homens, ambicionamos viver melhor. Súbitas e maravilhosas ferramentas de metal postas à nossa disposição, facas, facões, cunhas, alavancas, anzóis, tesouras, machados e machetes, podem ser o chamariz que nos decida à caminhada da pré-história à civilização. Quando cercado e atacado pelos índios, Rondon deixa os presentes numa clareira e trata de recuar com a sua tropa. Sinal evidente de que deseja a paz e, no dia seguinte, torna. Uma, duas, três vezes, as que forem necessárias até que os índios se disponham a ir à fala...

E todos eles aceitavam o diálogo?

Nem todos, alguns são muito renitentes. Rondon explica-nos porquê: "Eles nos evitam; não nos proporcionam ocasião para uma conferência, com certeza por causa da desconfiança provocada pelos primeiros invasores que profanaram seus lares. Talvez nos odeiem também porque, do ponto de vista em que estão, todos nós fazemos parte dessa grande tribo guerreira que, desde tempos imemoriais, lhes vem causando tantas desgraças, das quais as mais antigas revivem nas tradições conservadas pelos anciães." Eis porque um dos meus antepassados, da tribo dos Nambikuára, quase o mata à frechada; uma das setas raspa-lhe o rosto, a outra crava-se na bandoleira da carabina.

E ele?

Limita-se a disparar dois tiros para o ar. Assim nós, os Nambikuára, estamos vendo que aquele guerreiro, da tribo dos brancos, não quer matar.

E os soldados?

Exigem vingança. Um oficial grita que é uma vergonha se o Exército não der um corretivo exemplar àqueles selvagens. Rondon corta-lhe a palavra: "Quem representa aqui o Exército sou eu, e o Exército não veio aqui para fazer guerras. Os Nambikuára não sabem que a nossa missão é de paz. Se esta terra fosse vossa e alguém viesse roubá-la e, ainda por cima, vos desse tiros, o que é que os senhores fariam apesar de civilizados?" Mão firme e palavras como estas é que travam a tropa.

Isso aconteceu durante a primeira expedição de Goiás a Mato Grosso?

Não, isto acontecerá mais tarde, em 1907, se não me falha a memória. Pela mesma época também descobre o rio Juruena; alguns duvidavam que existisse, seria apenas lenda... Durante as primeiras expedições ele pacifica outras tribos. Mas se é difícil fazer a paz, mais difícil é mantê-la.

Marechal Rondon

MANTER A PAZ

Diaí Nambikuára levanta-se, parece um felino a deslizar pela sala. Estaca de súbito, imobiliza-se, fita-me, diz-me:

Da pré-história à civilização... Viagem no tempo, rumo ao futuro, e Rondon cuidando sempre do bem-estar dos viajantes... Você pode imaginar o que é atravessar milénios em apenas duas ou três gerações? Menina, imagine-se a correr a Maratona. Aos cinco quilómetros Você já está exausta e ainda falta tanto para chegar ao fim... Para nós é viagem cansativa mas fascinante. Deslumbrados, lá vamos nós em frente, talvez mesmo hipnotizados. Se não houver escolta que proteja a nossa marcha, seremos presa ainda mais fácil para os bugreiros. Em 1916 dirá Rondon: "Sertões onde nunca pisou homem civilizado já figuram nos registos públicos como pertencentes aos cidadãos A ou B; mais tarde ou mais cedo, conforme lhes soprar o vento dos interesses pessoais, esses proprietários expelirão dali os índios que, por uma inversão monstruosa dos fatos, da razão e da moral, serão então considerados e tratados como se fossem eles os intrusos salteadores e ladrões."

Premonições...

Eu diria antes: realismo! Por essas e por outras Rondon exige que cada tribo pacificada fique sob a proteção do Exército e, depois, sob a proteção do Estado. Demarca cada território tribal e tenta registá-lo como propriedade coletiva da tribo. E trata de garantir-nos o direito de vivermos as nossas próprias vidas, de professarmos as nossas próprias crenças e de evoluirmos segundo o ritmo que formos capazes de alcançar, sem nunca estarmos sujeitos a qualquer açoite ideológico.

Nem da catequese católica?

De nenhuma catequese. Professores sim, sacerdotes não. Para quê outros pajés? Para mais nos confundirem, cortando as nossas raízes tradicionais? Repare nos mortos-vivos em que os missionários jesuítas, Anchieta e Nóbrega incluídos, transformaram os índios catequizados. Os coitados perderam a civilização a que pertenciam sem terem conseguido entrar naquela para onde os queriam levar... Algo de semelhante se passa hoje em África. Por ali, mortos-vivos, rapinantes e bugreiros, é o que não falta...

Mas Diaí, bugreiros, em África?

Chame-lhe negreiros, se quiser, qual seja a cor que tiverem. Ali, é a cobiça que fomenta as lutas inter-tribais, mortos em cadeia, hecatombe. Apenas sobrevivem os mortos-vivos, errantes de raiz cortada... Hoje, não só em África, mas em todos os continentes, precisaríamos de um punhado de homens com a têmpera do Rondon... Lutou sempre pela paz, não só entre índios e brancos, mas entre índios e índios.

Por exemplo...

Olhe, não vá mais longe, entre os Paresi e os Nambikuára, a minha tribo.

Entendo... Mas nós estávamos era a falar do programa do Rondon...

Menina, tenha calma, foi um aparte, já estou encarreirando: todo o programa do Rondon é sistematizado em 1910 com a fundação do SPI - Serviço de Proteção aos Índios, dependência do Ministério da Agricultura que acabará por ter 67 postos de assistência aos índios distribuídos pelo interior do Brasil. O 1.º diretor é, obviamente, Cândido Rondon. Nem ele, nem o SPI, nos pespegam ideias feitas, apenas nos fornecem meios para podermos evoluir: ferramentas de metal para facilitar os nossos trabalhos na mata; as artes de fiar, tecer, cortar e coser para melhor nos vestirmos; o sal e a gordura para melhor conservarmos os alimentos; remédios, preceitos e produtos de higiene; a arte de levantar uma casa de pau a pique, etc. Apenas meios para começarmos a viver melhor, não ideias preconcebidas. De entre nós, só os que mostram ânsia de saber mais, é que são alfabetizados.

Como Você?

Sim, como eu. E apesar de eu já ter estudado muito, saudades tenho ainda de correr nu pelas minhas matas e banhar-me nos meus igarapés... Não se atravessa, impunemente, milhares de anos numa só vida...

Quantas tribos pacificou Rondon?

Muitas! Não só Rondon, mas também os seus colaboradores do SPI... Assim de cor, não sou capaz de dizer todas. Cito apenas algumas: os Bororo, os Caiamo, os Guaicuru, os Uachiri, os Cavaleiros, os Ofaié, os Terena, os Quinquinau, os Paresi, os Kaingáng, os Xokleng, os Botocudo, os Umutina, os Nambikuára, os Tirió, os Pianocoti, os Kepkiriwát, os Parnawát, os Urumi, os Arikén, os Rama-Rama, os Urubu, os Parintintim e, por último, os Xavante, em 1946. Rondon morreu com 93 anos. Desses, mais de 57 foram dedicados à defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil. Firmeza, nunca desistiu de alcançar a Yuí Marane’i.

O que é isso?

Yuí Marane’i, a Terra Sem Mal... Quando hoje eu vejo a Amazónia a arder, incendiada pela ganância de madeireiros e seringueiros e criadores de gado; quando vejo os seus bugreiros apostados em chacinar até ao último índio, ou à bala, ou com veneno como a estriquinina, ou com doenças contagiosas como a varíola, disseminadas de maloca em maloca, pergunto-me onde estaríamos hoje nós, povos indígenas, se não tivesse existido um Rondon. Embora muitos de nós tenham sido e continuem a ser chacinados, dezenas de milhares foram salvos por ele.

Um grande missionário! Leigo, mas um grande missionário...

Diaí Nambikuára irrita-se, parece furioso com a minha observação. Não me espantará se arrancar camisa e calças para, desnudo, iniciar uma dança guerreira. Já me atira um dardo com ponta de sílex:

Menina, não diga bobagem! Apesar desse "leigo" metido a adversativo, esqueça a palavra... Pelos sacrifícios que sofrem servindo a Deus, os missionários pensam ganhar o Céu. É recompensa metafísica, mas recompensa. Já Rondon e os homens do SPI são movidos apenas por uma ideia civil, laica, viver para outrem. Para eles não está prometida qualquer recompensa; nem nesta, nem na outra Vida. Ora diga lá: quais são os mais abnegados?

UMA VOLTA AO MUNDO

Engasgo-me, não tenho que opinar, o entrevistado é ele.. E ele continua:

A construção de linhas telegráficas foi o motivo primeiro para as entradas de Rondon pelos sertões brasileiros.

E fez muitas expedições?

Inúmeras! Em 1891 já tinha instalado 1574 quilómetros de linhas telegráficas. Acabará por instalar cerca de 7000...

Estou a ver que é ele o pai das comunicações brasileiras.

Também é! Mais importante é ter sido o Pai dos índios brasileiros.

Expedições atrás de expedições, instalação de linhas telegráficas, pacificação e defesa dos direitos dos índios... Sempre a andar... Esse homem nunca parou? E amores, como foi?

Em 1892, no Rio de Janeiro, Rondon casa com Chiquinha Xavier. Ainda no mesmo ano parte para Cuiabá com a esposa. Chiquinha virá a dar-lhe um filho e seis filhas.

Cada qual tem o seu, mais não sei... Até 1898 Rondon é o responsável pela manutenção das linhas telegráficas de Mato Grosso. Em 1899 chefia a comissão que estende as linhas de Cuiabá a Corumbá, também para a Bolívia e o Paraguai. Em 1906 atravessa 250 léguas dos sertões do Noroeste de Mato Grosso e 300 léguas da floresta amazónica, para levar os fios desde Cuiabá ao Território do Acre, fechando assim o circuito telegráfico nacional. E, nessas andanças, sempre a pacificar e a integrar novas tribos, protegendo-as contra espoliadores e bugreiros.

Um outro Ghandi...

Sim, tem razão, ambos viveram na mesma época. Mas, distanciados por milhares de quilómetros, ignoravam-se um ao outro. E afinal tinham missão idêntica, viver para outrem, altruísmo. Um na América do Sul e o outro na Ásia.

Mas o mais conhecido é o Ghandi.

Porque sacudiu a Coroa Britânica. Rondou sacudiu apenas as consciências. Foi por isso.

Sim, o Ghandi teve enorme projeção política...

..... enquanto o Rondon foi apenas explorador, humanista e cientista.

Cientista? Dessa não sabia eu...

É o que eu dizia, são as neblinas do Curupira... Em cada expedição, Rondon levava, para além da tropa, duas equipas. Uma, a dos construtores das linhas telegráficas. Outra, a de cientistas: geólogos, botânicos, zoólogos, etnógrafos, linguistas. Geógrafo era o próprio Rondon que fez o levantamento de milhares de quilómetros lineares de terras e águas, determinou as coordenadas (longitude e latitude) de mais de 200 localidades, inscreveu no mapa do Brasil 12 rios até então desconhecidos e corrigiu erros grosseiros sobre o curso de outros tantos. Os outros cientistas das suas equipas recolheram mais de 3 mil artefatos indígenas, mais de 8 mil espécimes da flora, mais de 5 mil espécimes da fauna e um número infinito de amostras minerais. A maior contribuição de sempre para o Museu Nacional...

Espantoso! Mas, diga-me uma coisa: se não estou em erro, foi no princípio do século, antes da Grande Guerra, que Marconi inventou a telegrafia sem fios. Isso não interferiu com o trabalho de Rondon?

A nova tecnologia demorou a chegar ao Brasil. Por outro lado, a manutenção das linhas telegráficas passara a ser pretexto para se continuar a integração dos índios. Muitos destes eram empregados na própria manutenção das linhas "mediante retribuição mais justa do que as ilusórias vantagens que colhem ao serviço de particulares que os exploram desumanamente". Quem o diz é o próprio Rondon. Eu acho que se a TSF tivesse sido inventada uns 30 anos antes, talvez Rondon não tivesse iniciado a sua cruzada humanitária em 1890. E, em consequência, talvez hoje já não existissem índios no Brasil, holocausto.

Afinal, sempre há males que vêm por bem... Mas Você estava a contar a contribuição para o Museu Nacional...

Conto-lhe outra: a pedido do governo brasileiro, em 1913 Rondon organiza a expedição do ex-presidente norte-americano Theodore Roosevelt ao Amazonas. Partem da fronteira com o Paraguai e, ao fim de dois anos, alcançam Belém do Pará. Rondon aproveita para inscrever no mapa do Brasil um rio com mais de mil quilómetros e até então de curso misterioso, chamavam-lhe o rio da Dúvida. Roosevelt é o novo nome que Rondon lhe dá. Durante a jornada várias vezes tem que se impor para que os americanos obedeçam às suas normas de aproximação aos índios.

O que é que os americanos pretendiam? Tiroteio à far west?

Mais ou menos isso... Mais tarde Roosevelt acaba por reconhecer a justeza das posições de Rondon e declara: "A América pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas: ao norte, o canal do Panamá; ao sul, o trabalho de Rondon - científico, prático, humanitário."

Até que enfim, o reconhecimento internacional...

Houve mais: em 1914 a Sociedade de Geografia de Nova Iorque concede a Rondon o Prémio Livingstone, por ser o explorador que mais se adentrara em terras tropicais. Em 1913, já o Congresso das Raças, reunido em Londres, aplaudira com entusiasmo a obra de Rondon, apontando-a como exemplo a ser seguido "para honra da civilização universal".

Diaí Nambikuára cala-se, balança a cabeça, cepticismo. Por fim resmunga:

Para honra da civilização universal... Letra morta... Duas guerras mundiais... E depois, olhe só o que está hoje acontecendo no Brasil, e em África, e na Ásia, e até na própria Europa... Letra morta, letra morta...

Recompõe-se:

Deixemos isso... Você quer saber mais a respeito do Rondon, não é? Em 1918 levanta a carta do Mato Grosso. O melhor é Você pegar num mapa do Brasil para entender tudo o que vou dizer agora. Em 1927, já como General de Divisão, começa a dirigir a inspeção de fronteiras. Avança para o Oiapoque, junto à fronteira com a Guiana Francesa. Passa ao Rio Branco, ao Mahu e ao Tucutu, para estudar a fronteira com a Guiana Inglesa. Sobe o rio Uraricoera para alcançar a fronteira com a Venezuela. Nova expedição em 1928: sobe o rio Cuminá até às suas nascentes, junto à Guiana Holandesa.

Desculpe interrompê-lo outra vez. Ao fazerem travessias tão longas por florestas virgens, como é que eles se abasteciam de mantimentos?

Menina: entrar na mata é mergulhar no verde. Nesgas de azul só lá no alto, de vez em quando por entre as copas. A passarada grasnando e piando, revoadas, araponga martelando seus ouvidos. À sua volta, a bicharada espreita, pula, salta, guincha, rosna, acaba por fugir, restolhada será cobra. O arvoredo inspira água, expira, transpira verde, pingando sempre. Depois os rios, igarapés. Você nadando por entre o verde, mesmo sobre a terra fofa. Pode assustar, mas a floresta dá tudo quanto um homem precisa: palmito, chá de douradinha, mel, açúcar de biriti, peixe e caça, lambaris, antas, pacas, tatus, jacus, mutuns, cobras e macacos. Os índios sabem disso, desde sempre. Rondon e os soldados têm de aprender, e aprendem, que remédio! Está entendendo?

Sim, entendo, fico é arrepiada só de pensar nessa ementa... Dizia Você que Rondon chegou à fronteira com a Guiana Holandesa em 1928...

E em 1929 sai do Rio de Janeiro rumo a Manaus pelo interior do país. Atravessa o Araguaia, o Tocantins e o Amazonas, o Cucuí e o Tabatinga, até Iquitos, no Peru. Depois segue para o Acre, percorre o Xapuri e alcança Boipedra e Cojiba. Passa ao Guaporé para inspeccionar a fronteira com a Bolívia. Mais tarde já está no Paraná e Santa Catarina. É quando rebenta a revolução de 1930 e ele interrompe a marcha.

Que revolução foi essa?

A revolução do Getúlio Vargas. Rondon não adere, a sua filosofia impede-o de pegar em armas contra irmãos. É quanto basta para começar a ser perseguido pelas novas autoridades. Para evitar o refluxo de más vontades sobre o Serviço de Proteção aos Índios, demite-se da sua direção, voltas e contravoltas da política... Mas antes saiba que foi feito um cálculo dos caminhos palmilhados por Rondon. O seu auxiliar, Gen. Jaguaribe de Matos, estima que ele tenha percorrido o equivalente ao perímetro da Terra. Ou seja, mais ou menos 40 mil quilómetros. Dentro do Brasil, deu uma volta ao mundo (duplo sentido, se Você quiser). Rondon é o último dos grandes exploradores do nosso planeta.

Sei de Amundsen, Peary, Charcot e Byrd. De Rondon, como explorador, nunca ouvira falar...

Nem como explorador, nem como nada. Contudo o nome dele, em letras de ouro, está inscrito na Sociedade de Geografia de Nova Iorque, ao lado de todos esses que Você acaba de citar. É deveras extraordinário como um vulto destes, do universo de língua portuguesa, seja praticamente desconhecido em Portugal. Menina, essa vossa ignorância ou é complexo de superioridade de borra colonialista, ou então o Curupira está mesmo soprando as neblinas do Esquecimento...

Marechal Rondon
Cândido Rondon no Foz do Iguaçu

INTEGRAR, EXCLUIR

Touchée... Mudo de assunto:

E o que aconteceu ao Serviço de Proteção aos Índios?

Marechal Rondon

Passa para a alçada do Ministério do Trabalho. Os burocratas tomam conta dele, as dotações orçamentais são drasticamente reduzidas, o SPI começa a funcionar aos soluços, os bugreiros outra vez à vontade para dar seguimento à espoliação e à chacina.

Mas que mentalidade era essa que fomentava a caça ao índio?

Fomentava e continua fomentando... Mas isso Você deve saber melhor do que eu, esta civilização é mais sua do que minha... Contudo, sempre lhe digo que o raciocínio dos usurpadores é muito simples: "Devemos tirar as terras aos índios porque eles não sabem aproveitar a riqueza das mesmas. Deixá-las em seu poder, é regredirmos ao princípio do mundo. E se eles, por causa disso, nos querem matar, em legítima defesa tratamos nós de os matar primeiro."

Há sempre uma justificativa para o pior dos crimes...

E depois essa justificativa é radicalizada contra tudo e contra todos que possam arranhar os privilégios dos grandes fazendeiros, os chamados coronéis. Até hoje continuam impunes os assassinos do Chico Mendes e de outros líderes dos Sem Terra.

Marechal Rondon
Catete Chefes do Bororo com Randon

Sei disso, mas voltemos ao Rondon. Fora do SPI, o que fez ele?

Com a sua influência, tenta minorar os desastres, consegue pouco. Mas tão grande é já o seu prestígio em toda a América do Sul que, em 1934, o Governo brasileiro vê-se compelido a indicá-lo para espinhosa missão diplomática: arbitrar o conflito que opõe o Peru à Colômbia pela posse do território de Letícia. Rondon vence os obstáculos um a um e em 1938, só em 1938, consegue que o Peru e a Colômbia assinem o tratado de paz.

Quatro anos! Que pachorra!

Que força de vontade! direi eu. Tem 73 anos e sofre de um glaucoma que acabará por cegar-lhe um olho. Mas não desiste da vida, nada trava a sua determinação, nem sequer a doença... Vinte anos mais tarde, nas vésperas da sua morte, dirá uma secretária: "Ainda hoje, sem vista, ocupa-se em passar a limpo os seus diários - que haviam sido escritos a lápis, em campanha - ditando eu e guiando-lhe, às vezes, a mão, ao mudar de página."

Que fibra!

Sim, que fibra! Com a paz de Letícia mais se reforça o seu prestígio e em 1939 o Governo convida-o a reassumir a direção do SPI. Aceita, faz o balanço dos estragos ocorridos nos dez anos em que esteve ausente: encerrada a maior parte dos postos de assistência, territórios tribais usurpados, índios amontoados em reservas e entregues ao arbítrio dos seus inimigos de sempre, cunhatãs raptadas...

Cunhatãs?

Mocinhas raptadas para servirem de amásias aos coronéis. Curumins tomados à força...

Curumins?

Mocinhos tomados à força para servirem como criados nas casas grandes dos coronéis. Sentindo-se traídos, muitos índios tinham fugido e retornado às matas e à guerra contra os brancos. É preciso reconstruir e Rondon mete mãos à obra. Tem 74 anos mas a idade não o tolhe; nem a doença. O SPI retorna à responsabilidade do Ministério da Agricultura. Rondon exige dotações orçamentais que permitam o relançamento de uma política indigenista coerente. Todos os postos do SPI são reabertos e muitos outros são inaugurados. Anuncia-se às desconfiadas tribos outrora pacificadas que o murubixaba Rondon voltara a chefiar os brancos. Assim recomeça a interrompida viagem do neolítico à civilização, assistência efetiva e vigilância permanente na defesa dos direitos dos índios. Em 1952 Rondon consegue da Presidência da República a criação do Parque Indígena do Xingu, preservação de uma vasta região natural do Brasil, cujo usufruto pertencerá aos índios que nela vivem. E em 1953, em consequência dos avanços da Etnografia, por incumbência de Rondon, a Comissão de Estudos do SPI prepara e ele inaugura, no Rio de Janeiro, o Museu do Índio.

Em 1953? Tinha ele 88 anos, se não me engano nas contas.

Exatamente, 88 anos. Ficará na ativa até morrer.

E isso acontece quando?

Aos 93 anos. Mas antes, aos 90, o Congresso Nacional promove-o a Marechal e, em sua homenagem, dá o nome de Rondónia ao Território do Guaporé.

Homenagem mais do que merecida...

Deveria ter preferido outra...

Qual?

Na sua última viagem a Mato Grosso, Rondon insiste em visitar o velho Cadete, chefe dos Bororo das Garças, uma das primeiras tribos que ele pacificara. Os dois velhos dão-se as mãos, abraçam-se, conversam longamente na língua dos Bororo, são amigos há mais de 60 anos. Sorrindo para os seus acompanhantes, Rondon explica: "Sabem o que ele está dizendo? Me aconselha a vir morrer aqui porque, estando eu assim tão velho, já não posso durar muito, e só os Bororo saberão fazer o meu funeral". Acho que Rondon deveria ter aceite o convite.

Diaí, por que é que Você diz uma coisa dessas?

Menina: há coisas na vossa civilização que não me apetecem e então, sem dar por isso, regrido ao neolítico. Não me apetece a vossa indiferença, ou cegueira, de excluir do vosso convívio homens e mais homens, populações inteiras.

Está a falar de índios e brancos?

Também disso. Mas principalmente da vossa sociedade.

Não estou a entender.

Aurora, você não quer é entender. Bote os olhos nas favelas a que Você chama de bairros de lata. Bote os olhos nas multidões que já não têm e já não sabem o que fazer, para elas a vida perdeu o norte. Primeiro, vocês excluíram os outros. Agora estão excluindo os da vossa própria tribo, suicídio coletivo.

Diaí, bem sei que a globalização, realmente...

E há outra coisa: entre os índios, se um homem, como Rondon, for sagrado em funeral, não há Curupira que sobre ele consiga soprar as neblinas do Esquecimento. Expliquei-me? Tenho dito, ponto final.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Marechal Rondon

Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu a 5 de maio de 1865, em Mimoso,, Mato Grosso.

Filho de Cândido Mariano da Silva e Claudina de Freitas Evangelista da Silva, ficou órfão aos dois anos de idade, sendo educado pelo avô e um tio, que lhe outorgou o sobrenome "Rondon".

Mostrando interesse pelo carreira militar, aos 16 anos ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha. Desde então, pautou sua vida à duas causas mestras: a ligação dos mais distantes pontos da fronteira e do sertão aos centros urbanos do país e a integração do indígena à civilização.

Rondon era descendente de bandeirantes paulistas e corria em suas veias o sangue indígena. Por isso se empenhou em associar o trabalho de desenvolvimento das Comunicações à tarefa de proteção dos povos indígenas entre os estados de Goiás, Mato Grosso e Acre, esta última, que ele próprio solicitou para si.

Graças a seus méritos, consegue a pacificação dos Guanás, Bororós, Parecis, Cavaleiros e Oficiés, com suas mensagens de paz e prosperidade.

Funda o Serviço de Proteção aos Índios, em 1910, que conhecemos hoje como FUNAI. Em 1952 sugere a criação do Parque Nacional do Xingu, consumado em 1961.

Merecidamente, em 1955, Rondou recebeu o título de marechal. Faleceu no Rio de Janeiro, aos noventa e dois anos, em 19 de janeiro de 1958.

Tal foi o pioneirismo de Rondon nas atividades de comunicações que o credencia para Patrono das Armas de Comunicações, através do Decreto nº 51.960, de 26 de abril de 1963.

Sua dedicação e tenacidade junto às populações índigenas tornou a sensibilizar a sociedade brasileira, por ocasião de seu falecimento, ganhando adeptos desejosos de manter o seu legado com força e frutificar.

Em 1967, com o objetivo de levar estudantes universitários à região Norte, para propiciar o intercâmbio de culturas e prestar serviços voluntários aos índios e à população local, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Rondon, mantendo-se atuante até 1988, quando foi extinto.

A Associação Nacional dos Rondonistas, se transformou em organização não-governamental - ONG, está em fase de reaquecimento e pretende retomar o intercâmbio.

O primeiro passo foi dado com a criação do Projeto Comunidade Solidária, em 1994, mas muito deve ser feito, ainda.

A herança que Marechal Rondon nos deixou é uma história e um exemplo de, respeito e amor à nação brasileira e aos povos indígenas.

Fonte: www.trabalhonota10.com.br

Marechal Rondon

Dia de Rondon

"Morrer, se preciso for. Matar, nunca" era o lema do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

Ele nasceu a 5 de maio de 1865, em Mimoso, Mato Grosso, e ficou órfão aos dois anos de idade.

Foi educado pelo avô e por um tio, que lhe outorgou o sobrenome "Rondon".

Mostrou interesse pelo carreira militar e, aos 16 anos, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha.

Desde então, dedicou sua vida a duas causas: a ligação dos mais distantes pontos da fronteira e do sertão aos centros urbanos do país e a integração do indígena à civilização.

Rondon era descendente de bandeirantes paulistas e corria em suas veias o sangue indígena.

Por isso, empenhou-se em associar o trabalho de desenvolvimento das comunicações à tarefa de proteger os povos indígenas nos estados de Goiás, Mato Grosso e Acre.

Graças a seus méritos, conseguiu pacificar várias tribos indígenas com suas mensagens de paz e prosperidade.

Fundou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1910, conhecido hoje como Fundação Nacional do Índio (Funai). Em 1952, sugeriu a criação do Parque Nacional do Xingu, projeto consumado em 1961.

Ao completar 90 anos, Rondon recebeu o título de marechal.

Faleceu em 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro.

O pioneirismo de Rondon nas atividades de comunicações o credenciou para Patrono da Arma de Comunicações, por meio do decreto no 51.960, de 26/4/1963.

Sua dedicação e sua tenacidade junto às populações indígenas sensibilizaram a sociedade brasileira, por ocasião de seu falecimento, e suscitaram adeptos desejosos de manter o seu legado e fazê-lo frutificar.

Em 1967, com o objetivo de levar estudantes universitários à região Norte, para propiciar o intercâmbio de culturas e prestar serviços voluntários aos índios e à população local, foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Rondon, que se manteve atuante até 1989, quando foi extinto.

A Associação Nacional dos Rondonistas, que se transformou em organização não-governamental (ONG), mantém as mesmas atividades do projeto Rondon, mediante parcerias com universidades em, pelo menos, vinte estados (incluído o Distrito Federal), por meio do Projeto Comunidade Solidária, criado em 1994, com o objetivo de resgatar a participação dos estudantes universitários não só na vida da nação brasileira, como também na proteção aos povos indígenas.

Fonte: www.paulinas.org.br

Marechal Rondon

Marechal Cândido da Silva Rondon nasceu em Mimoso, no Estado de Mato Grosso, em 05 de maio de 1965.

Foi uma das personalidades brasileiras mais marcantes da história, destacando-se pelos feitos e por seu espírito patriota e humanista.

Bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais pela Escola Superior de Guerra do Brasil, onde posteriormente atuou como professor de Astronomia e Mecânica, foi indicado para o Prêmio Nobel da Paz, em 1957.

É bom lembrar que o Estado de Rondônia leva este nome em homenagem aos grandes feitos do militar, responsável pela construção de quilômetros de linhas telegráficas, viabilizando a comunicação do centro-oeste com o norte.

Rondon teve papel importante como desbravador, descobrindo rios, registrando topografias, e atuando como pacificador de tribos indígenas.

De prodigiosa inteligência, chegou a guiar o então presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, e sua comitiva, a uma viagem pelo interior do Mato Grosso, onde fez novas descobertas.

Em 1910, Rondon organizou o Serviço de Proteção ao Índios.

Em 1939, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio e como tal, obteve a demarcação de terras para várias etnias, entre eles os Bororos, Terenas e Oiafés.

Tantos são os seus feitos, que não há uma biografia completa que lhe faça justiça.

Fonte: www.portoalegre.rs.gov.br

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