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Padre Cícero

No ano de 1872, chegava ao arraial de Juazeiro um padre jovem, de olhos e pele claros, estatura pequena, atraído por um sonho. Seu nome — Cícero Romão Batista, filho da vizinha cidade do Crato, que ao se ordenar um ano antes no Seminário da Prainha, em Fortaleza, não imaginava rumo tão inesperado para sua vida. Seus planos eram ensinar latim naquele mesmo seminário e residir na capital.

Mas um sonho ou visão, como ele classificou em carta ao bispo Dom Luiz onde uma multidão de retirantes invadia a sala em que se instalara no arraial para passar a noite,e aquele homem em vestes bíblicas, que apontava para a multidão e dizia:

"Tu, Cicero, toma conta dessa gente!", levou-oafazer uma opção pelos pobres, vindo residir no pequeno arraial de Juazeiro.

Em 1877, em meio à calamitosa seca que ceifou muitas vidas, escrevia ele ao bispo Dom Luiz: — "Eu nunca pensei ver tanta aflição e desespero juntos. Os cães saciam-se de carne humana. Nos campos, nos caminhos, por toda parte é um cemitérío.

Porém, em 1889, na primeira sexta-feira do mês de marco um fato novo mudaria a vida do arraial e de seu benfeitor, quando a hóstia transformou-se em sangue na boca da beata Maria de Araújo, durante a missa celebrada pelo Padre Cícero . O povo proclamou o milagre e, por conta disso, o padre foi suspenso de Ordens, passando a sofrer toda sorte de humilhações, por acreditar na veracidade do fenômeno.

Com isso, o povoado transformou-se, crescendo assustadoramente, acolhendo centenas de visitantes que queriam ver de perto o milagre.

Obstinado, Padre Cícero lutou por sua reabilitação na Igreja. Mesmo absolvido em Roma, voltou a ser suspenso pelo bispo de Fortaleza.

Estreou oficialmente na política, como primeiro prefeito de Juazeiro, em 1911; em 1912, foi eleito Vice-presidente do Estado, e em 1914, participou da chamada Sedição de Juazeiro, quando o sacerdote entra para a história como revolucionário.

Padre Cicero tinha um compromisso com o evangelho de Cristo, de dedicar sua vida á causa dos pobres. Em Juazeiro criou orfanatos, hospitais, escolas, abrigos de velhos, asilos para loucos, tudo funcionando ás suas expensas. Lutou pela criação do patronato agrícola e do famoso açude do Carás.

Em 1934, ás seis horas da manhã do dia 20 de julho, Padre Cícero faleceu, deixando órfão o povo oprimido do sertão. Com certeza, sua opção pelos pobres franqueou-lhe todo esse amor e admiração que ainda hoje lhe devotam os nordestinos.

Fonte: www.vivabrazil.com

Padre Cícero

O Padre Cícero Romão Batista nasceu no dia 24 de março de 1844, no Crato, Ceará, filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana. Foi batizado no dia 8 de abril pelo Padre Manoel Joaquim Aires do Nascimento, tendo como padrinhos seu avô paterno, Romão José Batista e uma tia materna, Antônia Ferreira Catão.

Aos 7 anos, começou a estudar com o professor Rufino de Alcântara Montezuma e fez sua Primeira Comunhão na matriz do Crato. Aos 12 anos, passou a ser aluno do latinista Padre João Marrocos Teles, professor, por concurso, da cadeira de Latim, criada no Crato por D. Pedro I e com essa idade fez o voto de castidade, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales, como ele próprio afirma no seu testamento. Seu pai, sabendo dos seus progressos na aula régia do prof. João Marrocos, o matriculou no famoso colégio do Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras, Paraíba. Em 1862 interrompeu seus estudos e retornou ao Crato para cuidar da sua mãe e irmãs solteiras, devido a morte inesperada de seu pai, vítima da cólera-morbo.

Em março de 1865, ingressou no Seminário de Fortaleza, para seguir a carreira eclesiástica, onde é ordenado em novembro de 1870. Regressando ao Crato, em 1871, cantou a sua primeira missa no altar de Nossa Senhora da Penha, na Matriz do Crato e durante esse ano foi professor no colégio ali fundado por José Marrocos. Em abril de 1872, com 28 anos de idade, retorna ao povoado de Juazeiro, onde fixou residência definitivamente.

Iniciou a melhoria da capela do Juazeiro, dedicada a Nossa Senhora das Dores, padroeira do lugar, onde desenvolveu o seu trabalho pastoral, conquistando, desde então, a simpatia da comunidade.

Em 1889, ocorreu a primeira manifestação dos poderes milagrosos a ele atribuídos, quando a hóstia colocada na boca da beata Maria de Araújo se transformou em sangue. O médico Marcos Madeira atestou como sobrenaturais os fenômenos por ele vistos e estudados das hóstias que se transformavam em sangue. Foi chamado à Fortaleza pelo bispo Dom Joaquim José Vieira para um AUTO DE PERGUNTAS sobre o que estava ocorrendo em Juazeiro, para onde é enviada uma primeira Comissão de Inquérito que confirma o que está ocorrendo e envia ao bispo um relatório considerando todos os fenômenos como sendo coisa divina. O bispo não acata nem acredita no relatório, nomeando uma outra Comissão de Inquérito, tendo à frente o Mons. Antonio Alexandrino de Alencar, que mandou buscar a beata Maria de Araújo ao Crato. Ao ministrar-lhe o hóstia esta não se transforma mais em sangue. A Comissão fez um relatório desmentindo tudo e considerando um embuste o ocorrido em Juazeiro e envia-o ao bispo que o acatou, assinando uma portaria, na qual estipulava as seguintes sanções contra o Padre Cícero : ele não podia mais celebrar em Juazeiro, confessar nem pregar na diocese. Era também terminantemente proibido de falar sobre o assunto dos milagres e atender aos romeiros.

Padre Cícero viajou então a Roma, onde teve uma audiência com o Papa Leão XII sendo absolvido de suas penas. Porém o Bispo do Ceará, Dom Joaquim Vieira, publicou a sua pastoral nº 4, decidindo que o sacerdote não poderia celebrar, confessar ou fazer sermões, enquanto não viesse de Roma o decreto de reabilitação.

Proibido de exercer suas funções eclesiásticas, tentou ajudar o povo de Juazeiro através do ingresso na vida política. Com a transformação de Juazeiro em município, foi nomeado pelo governador do Ceará, Nogueira Acioli, prefeito de Juazeiro. Em 1914, a Assembléia Legislativa do Ceará reuniu-se e, por maioria, reconheceu o Padre Cícero como 1º Vice-Governador do Estado.

Em 1916, ele recebeu do novo bispo da diocese do Crato, Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, permissão para celebrar na Igreja de Nossa Senhora das Dores, após 24 anos de proibição. Voltando a celebrar começou a receber maior número de romeiros. Alguns comerciantes haviam mandado fabricar medalhas com a sua efígie o que não agradou ao novo bispo. Quando solicitou autorização a Dom Quintino para ser padrinho de uma criança que ia batizar-se, o bispo desgostoso com a notícia de que estavam vendendo medalhas com o retrato do Padre, negou a autorização para apadrinhar e determinou que, a partir daquela data, não mais deveria celebrar.

Ferido, não se revoltou nem reagiu. Aceitou com humildade a decisão do seu bispo, dedicando-se totalmente ao bem da sua cidade de Juazeiro. Era um nome famoso, líder do povo do Nordeste, conselheiro de milhões de pessoas. O povo amava o seu padrinho sofredor. Morreu, no dia 20 de julho de 1934, às 5h da manhã, aos 90 anos, sendo enterrado no dia 21, na presença de mais de 70 mil pessoas.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Padre Cícero

Padre Cícero
Padre Cícero

Cícero Romão Batista nasceu em 1844 na antiga Vila Real do Crato e chegou a Juazeiro em 1872, dando início ao sacerdócio junto a população pobre de sertanejos, numa cidade marcada pela violência e pela prostituição. Teve importante atuação tanto no sentido de aconselhamento espiritual como no trabalho junto às comunidades nas épocas de seca e de fome. Dessa maneira conquistou o respeito da comunidade que passou a lhe atribuir a qualidade de santo e profeta.

O messianismo passou a fazer parte de sua vida em 1891, quando a hóstia ficou vermelha na boca da beata Maria Madalena, fazendo com que o povo considerasse o fato como um milagre.

A partir de então desenvolveu-se grande campanha contra o padre movida pela Igreja católica, que proibiu-o de rezar as missas e forçou sua transferência de Juazeiro. Em 1898 foi chamado à Roma para dar explicações sobre o â?~milagre" e é absolvido, retornando a Juazeiro.

Mesmo com a rejeição do milagre pelo padre, o boato se espalha e a cidade torna-se centro de romarias de camponeses que buscam a cura para seus males, ampliando a fama do "Padim Ciço".

Fonte: www.historianet.com.br

Padre Cícero

Chefe religioso, líder político e administrador de larga visão, Padre Cícero Romão Baptista foi uma dessas personalidades notáveis, que pela própria grandeza histórica se transformam em figuras controversas.

Seus feitos, proclamados por fiéis e esmiuçados por pesquisadores, envolvem questões de fé, mas também se expandem por argumentos políticos, sociológicos e culturais.

Pequenino, branco, de olhos azuis profundos, Cícero nasceu em 1844, na cidade do Crato, e morreu noventa anos depois, em Juazeiro do Norte, município que ajudou a construir, sendo raro, aliás, que a biografia de um homem esteja tão ligada à história de uma terra.

O jovem sacerdote chegou ao então insignificante povoado caririense pouco após a ordenação, e decidiu ficar para construir uma igreja. Não havia mais que 40 casas de taipa e palha no local. Duas décadas depois, Juazeiro já era o segundo núcleo populacional do Ceará, perdendo apenas para Fortaleza.

Não há dúvidas de que Pe Cícero foi um dos grandes benfeitores da região. Porém, o que o transformou numa figura de dimensão mítica, capaz de se fixar como referência no imaginário popular, não se resume a sua destreza administrativa. Nem a episódios como o da hóstia que sangra na boca da beata Maria Araújo.

Cícero presenciou alguns dos episódios mais importantes da passagem do século, como a terrível seca de 1877-1880, que devastou plantações e praticamente acabou com o rebanho do Ceará. Em carta ao Bispo, faz um relato histórico:

“Eu nunca pensei ver tanta aflição e desespero juntos; os cães saciam-se de carne humana, nos caminhos no campo. Por toda parte, é um cemitério”.

Com o seu trabalho de assistência ao povo, o padre enfrentou a incompreensão da política episcopal, já que figuras importantes do clero, principalmente da diocese do Crato, manifestavam reservas veladas ou discordância aberta contra o “fanatismo” que acabou por marcar a história do “Padim”.

Diante da suspensão das suas ordens, Cícero não teve como fugir de uma ação cada vez mais política, sobretudo depois de 1912 e após a queda de Franco Rabelo, em 1914.

“Eu entrei na política a contragosto, porque não teve jeito”, disse certa vez o primeiro prefeito de Juazeiro, que estimulou a agricultura de subsistência, levou para o campo modernos descaroçadores de algodão e conseguiu que os trilhos da Rede de Viação Cearense chegassem ao Cariri, para auxiliar no escoamento da produção algodoeira.

Acusado por alguns de ser fiador do “Pacto dos Coronéis” e por outros de estimular a ignorância dos fiéis, Pe Cícero teve sua real grandeza fixada por pesquisadores como Ralph Della Cava, Diatahy Bezerra de Menezes, Gilmar de Carvalho e Monsenhor Murilo de Sá Barreto.

Recentemente, uma comitiva de autoridades e devotos do Estado do Ceará esteve em Roma pedindo ao papa Bento XVI a reabilitação do padre caririense, cujas ordens foram suspensas em decorrência da polêmica que envolveu o “milagre da hóstia”.

“Quem pecou, não peque mais”, dizia o pastor ao seu rebanho de fiéis. A decisão de 1872, o prodígio de 1889 e a guerra de 1814 marcam a biografia de Pe Cícero e a história do Ceará, que deve expandir esse cronograma de datas importantes quando o Vaticano decidir-se pela reabilitação do “Padim”. O primeiro passo já foi dado.

Fonte: www.ceara.gov.br

Padre Cícero

Cícero Romão Batista, religioso e político, nasceu em Crato (CE) em 1844 e faleceu em Juazeiro do Norte (CE) em 1934.

Teve grande influência nos sertões nordestinos. Ordenado presbítero em 1870 e nomeado vigário de Juazeiro do Norte em 1872, sua fama de milagreiro começou em 1891.

Acusado de heresia, foi suspenso das ordens religiosas pelas autoridades eclesiásticas em 1897. É conhecido como "Padim Ciço" ou "Santo de Juazeiro" e erigiu uma igreja, em torno do qual logo se formou um núcleo popular.

Sua liderança das massas sertanejas se mesclou ao misticismo e ao fanatismo da região, e até hoje perdura tradição popular que atribui ao Padre Cícero poderes divinos na concessão de graças ou aplicação de castigos.

O município transformou-se em local de peregrinação e, em 1924, foi-lhe erguida uma estátua que se tornou objeto de intensa devoção popular.
A estátua do Padre Cícero na Serra do Horto foi esculpida pelo artista nordestino Armando Lacerda em 1969. Com 27 metros de altura, foi erguida no local em que o "padim" costumava fazer seus retiros espirituais.

O "padim" está sepultado ao pé do altar da Capela de N. S. do Perpétuo Socorro, erguida em 1908. Todos os dias são celebradas missas em sua memória. É ponto de concentração de romeiros e de devotos, que se vestem de preto todo dia 20 de cada mês - o patriarca morreu em 20 de julho de 1934 e foi conduzido para cá por mais de 80 mil pessoas em pranto, numa urna que flutuava sobre as cabeças.

Fonte: www.terrabrasileira.net

Padre Cícero

Padre Cícero Romão Batista nasceu em Crato (Ceará) no dia 24 de março de 1844.

Era filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, conhecida como dona Quinô. Aos seis anos de idade, começou a estudar com o Prof. Rufino de Alcântara Montezuma.

Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade, feito aos 12 anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.

Em 1860, foi matriculado no Colégio do renomado Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras - Paraíba. Aí pouco demorou, pois, a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera-morbo, em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras.

A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérios aperreios financeiros à família, de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário de Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luiz Alves Pequeno.

ORDENAÇÃO

Padre Cícero foi ordenado no dia 30 de novembro de 1870. Após sua ordenação retomou ao Crato, e enquanto o bispo não lhe dava par para administrar, ficou do Latim no Colégio Padre Ibiapina, fundado e dirigido pelo Prof. José Joaquim Teles Marrocos, seu primo e grande amigo.

CHEGADA A JUAZEIRO

No Natal de 1871, convidado pelo Prof. Semeão Correia de Macêdo, Padre Cícero visitou pela primeira vez o povoado de Juazeiro (então pertencente a Crato), e aí celebrou a tradicional missa do galo.

O padre visitante, de 28 anos de idade, estatura baixa. pele branca, cabelos louros, olhos azuis penetrantes e voz modulada impressionou os habitantes do lugar. E a recíproca foi verdadeira. Por isso, decorridos alguns meses, exatamente no dia 11 de abril de 1872, lá estava, de volta, com bagagem e família, para fixar residência definitiva no Juazeiro.

Muitos livros afirmam que Padre Cícero resolveu fixar morada em Juazeiro devido a um sonho (ou visão) que teve, segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia exaustivo, após ter passado horas a fio a confessar as pessoas do arraial, ele procurou descansar no quarto contíguo à sala de aulas da escolinha, onde improvisaram seu alojamento, quando caiu no sono e a visão que mudaria seu destino se revelou. Ele viu, conforme relatou aos amigos íntimos, Jesus Cristo e os doze apóstolos sentados à mesa, numa disposição que lembra a última Ceia, de Leonardo da Vinci. De repente, adentra ao local uma multidão de pessoas carregando seus parcos pertences em pequenas trouxas, a exemplo dos retirantes nordestinos. Cristo, virando-se para os famintos, falou da sua decepção com a humanidade, mas disse estar disposto ainda a fazer um último sacrifício para salvar o mundo. Porém, se os homens não se arrependessem depressa, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Ele apontou para os pobres e, voltando-se inesperadamente ordenou: E você, Padre Cícero , tome conta deles!

APOSTOLADO

Uma vez instalado, formado por um pequeno aglomerado de casas de taipa e uma capelinha erigida pelo primeiro capelão Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, em honra a Nª Sª das Dores, Padroeira do lugar, ele tratou inicialmente de melhorar o aspecto da capelinha, adquirindo várias imagens com as esmolas dadas pelos fiéis.

Depois, tocado pelo ardente desejo de conquistar o povo que lhe fora confiado por Deus, desenvolveu intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares, como nunca se tinha visto na região. Dessa maneira, rapidamente ganhou a simpatia dos habitantes, passando a exercer grande liderança na comunidade.

Paralelamente, agindo com muita austeridade, cuidou de moralizar os costumes da população, acabando pessoalmente com os excessos de bebedeira e a prostituição.

Restaurada a harmonia, o povoado experimentou, então, os passos de crescimento, atraindo gente da vizinhança curiosa por conhecer o novo capelão.

Para auxiliá-lo no trabalho pastoral, Padre Cícero resolveu, a exemplo do que fizera Padre Ibiapina, famoso missionário nordestino, falecido em 1883, recrutar mulheres solteiras e viúvas para a organização de uma irmandade leiga, formada por beatas, sob sua inteira autoridade.

MILAGRE

Um fato fora do comum, acontecido em 10 de março de 1889, transformou a rotina do lugarejo e a vida de Padre Cícero para sempre.

Naquela data, ao participar de uma comunhão geral, oficiada por ele, na capela de Nossa Senhora das Dores, a beata Maria de Araújo ao receber a hóstia consagrada, não pôde degluti-la pois a mesma transformara-se em sangue.

O fato repetiu-se outras vezes, e o povo achou que se tratava de derramamento do sangue de Jesus Cristo e, portanto, um milagre autêntico.

As toalhas com as quais se limpava a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser alvo da veneração de todos.

REAÇÃO DA IGREJA

De início, Padre Cícero tratou o caso com cautela, guardando sigilo por algum tempo. Os médicos Marcos Madeira e Idelfonso Correia Lima e o farmacêutico Joaquim Secundo Chaves foram convidados para testemunhar as transformações, e depois assinaram atestado afirmando que o fato era inexplicável à luz da ciência. Isto contribuiu para fortalecer no povo, no Padre Cícero e em outros sacerdotes a crença no milagre.

O povoado passou a ser alvo de peregrinação: as pessoas queriam ver a beata e adorar os panos manchados de sangue.

O professor e jornalista José Marrocos, desde o começo um ardoroso defensor do milagre, cuidou de divulgá-lo pela imprensa.

A notícia chegou ao conhecimento do bispo D. Joaquim José Vieira, irritando-o profundamente. Padre Cícero foi chamado ao Palácio Episcopal, em Fortaleza, a fim de prestar esclarecimentos sobre os acontecimentos que todo mundo comentava.

Inicialmente, o bispo ficou admirado com o relato feito por Padre Cícero , porém depois, pressionado por alguns segmentos da Igreja que não aceitavam a idéia de milagre, mandou investigar oficialmente os fatos, nomeando uma Comissão de Inquérito composta por dois sacerdotes de reconhecida competência: Padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Pereira Antero.

Os padres comissários, vieram, assistiram as transformações, examinaram a beata, ouviram testemunhas e depois concluíram que o fato era mesmo divino. O bispo não gostou desse resultado e nomeou outra Comissão, constituída pelos Padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido.

A nova Comissão agiu rapidamente. Convocou a beata, deu-lhe a comunhão, e como nada de extraordinário aconteceu, concluiu: não houve milagre!

O povo, José Marrocos, Padre Cícero e todos os outros padres que acreditavam no milagre protestaram.

Com a posição contrária do bispo, criou-se um tumulto, agravado quando o Relatório do Inquérito foi enviado à Santa Sé, em Roma, e esta confirmou a decisão tomada pelo bispo. Todos os padres que acreditavam no milagre foram obrigados a se retratar publicamente, ficando reservada ao Padre Cícero uma punição maior: a suspensão de ordem.

Durante toda sua vida ele tentou revogar essa pena, todavia, foi em vão. Aliás, ele até que conseguiu uma vitória em Roma, quando lá esteve em 1898. Entretanto, o bispo, por intransigência, manteve a posição.

VIDA POLÍTICA

Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida política. Como explicou no seu Testamento, o fez para atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam o movimento de emancipação política.

Conseguida a independência de Juazeiro, em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi eleito Prefeito do recém-criado município. Além de Prefeito, também ocupou a Vice-Presidência do Ceará. Sobre sua participação na Revolução de 1914 ele afirmou categoricamente que a chefia do movimento coube ao Dr. Floro Bartolomeu da Costa, seu grande amigo. A Revolução de 1914 foi planejada pelo Governo Federal com o objetivo de depor o Presidente do Ceará Cel. Franco Rabelo. Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassumiu o cargo de Prefeito, do qual havia sido retirado pelo governo deposto, e seu prestígio, cresceu. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada também por políticos e autoridades diversas.

Era muito grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. Não deixava nenhuma carta, mesmo pequenos bilhetes, sem resposta, e de tudo guardava cópia.

Com respeito a Lampião, Padre Cícero o viu apenas um vez, em 1926. Aconselhou-o a deixar o cangaço, e nunca lhe deu a patente de Capitão, como foi dito em alguns livros.

IMPORTÂNCIA

Padre Cícero é o maior benfeitor de Juazeiro e a figura, mais importante de sua história. Foi ele quem trouxe para Juazeiro as Ordens dos Salesianos e dos Capuchinhos; doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto; construiu as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nª Sª das Dores; incentivou a fundação do primeiro jornal local (O Rebate); fundou a Associação dos Empregados do Comércio e o Apostolado da Oração; realizou a primeira exposição da arte juazeirense no Rio de Janeiro; incentivou e dinamizou o artesanato artístico e utilitário, como fonte de renda; incentivou a instalação do ramo de ourivesaria; estimulou a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas; contribuiu para instalação de muitas escolas, inclusive a famosa Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José; socorreu a população durante as secas e epidemias, prestando-lhe toda assistência e, finalmente, projetou Juazeiro no cenário político nacional, transformando um pequeno lugarejo na maior e mais importante cidade do interior cearense.

Os bens que recebeu por doação, durante sua quase secular existência, foram doados à Igreja, sendo os Salesianos seus maiores herdeiros.

Ao morrer, no dia 20 de julho de 1934, aos 90 anos, seus inimigos gratuitos apregoaram que, morto o ídolo, a cidade que ele fundou e a devoção à sua pessoa acabariam logo. Enganaram-se. A cidade prosperou e a devoção aumentou. Até hoje, todo ano, religiosamente, no Dia de Finados, uma. grande multidão de romeiros, vindos dos mais distantes locais do Nordeste, chega a Juazeiro para uma visita ao seu túmulo, na Capela do Socorro.

Padre Cícero é uma das figuras mais biografadas do mundo. Sobre ele, existem mais de duzentos livros, sem falar nos artigos que são publicados freqüentemente na imprensa. Ultimamente sua vida vem sendo estudada por cientistas sociais do Brasil e do exterior.

Não foi canonizado pela Igreja, porém é tido como santo por sua imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil.

O binômio oração e trabalho era o seu lema. E Juazeiro é o seu grande e incontestável milagre.

Fonte: www.padrecicero.net

Padre Cícero

Padre Cícero
Padre Cícero

Cícero Romão Batista, o padre Cícero do Juazeiro
1844 - 1934

Padre místico brasileiro nascido no Crato, CE, cuja fama de messianista vai do Amazonas à Bahia e é considerado santo e profeta infalível dentro do quadro geral das manifestações religiosas no Nordeste brasileiro.

Filho de Joaquim Romão Batista e de Joaquina Vicência Romana, desde criança demonstrou vocação pela vida sacerdotal e era devoto de SãoFrancisco de Sales.

Aos 16 anos de idade matriculou-se no renomado Colégio do Padre Rolim, em Cajazeiras, Paraíba (1860), mas com a morte do pai, vítima de cólera (1862), teve que interromper os estudos e voltar para casa, para cuidar da mãe e duas irmãs.

Aos 21 anos de idade e com a ajuda do seu padrinho de crisma, Coronel Antônio Luiz Alves Pequeno, foi para o Seminário de Fortaleza e ordenou-se sacerdote cinco anos depois.

Retornou a cidade do Crato (1871) e ainda naquele ano visitou o pequeno povoado de Juazeiro, onde no ano seguinte resolveu fixar residência, na função de capelão.

Como padre em Juazeiro do Norte, desde o início do ministério, dedicou-se a um apostolado de tendências místicas e começaram a circular notícias de seus milagres.

No início da última década do século XIX começaram a se intensificar à Juazeiro romarias de nordestinos pobres, vindos de todo o Ceará e dos estados vizinhos, alguns dos quais ofereciam animais, jóias e até propriedades.

Acusado de heresia, o padre foi suspenso das ordens religiosas (1897) e, posteriormente, enviado a Roma, para se explicar.

Confirmada a suspensão (1908), regressou a Juazeiro, porém, a polêmica do processo só contribuiu para aumentar sua fama.

Nesse mesmo ano chegou à povoação um médico do sertão baiano, Floro Bartolomeu da Costa, que formou uma oportunista aliança política com o padre.

Juazeiro que antes era apenas uma vila de 300 habitantes (1870), graças ao fluxo de romeiros, tornou-se importante centro artesanal e o distrito foi elevado a município (1911), com o padre como prefeito.

Este presidiu, então, um pacto de coronéis da região em apoio ao governador do Ceará, Antônio Pinto Nogueira Acióli.

Em janeiro do ano seguinte, Acióli foi derrubado e sucedido pelo coronel Marcos Franco Rabelo, como parte do movimento, contra as oligarquias nordestinas, chamado salvações.

Rabelo exonerou o padre das funções de prefeito, porém Floro Bartolomeu, seu aliado, com apoio do governo federal comandou um ataque fatal ao quartel da força pública de Juazeiro, em 9 de dezembro (1913) e, vencedor, praticamente se auto nomeou presidente temporário do sul do estado, dando início ao movimento armado denominado de guerra dos jagunços.

O exército de jagunços, formado por cangaceiros e romeiros, repeliu os ataques da força oficial e ainda partiu para Fortaleza, saqueando as cidades pelo caminho.

Em março (1914) o governo federal decretou a intervenção no estado e destituiu o governador Rabelo, acabando com guerra.

Ainda na política elegeu-se sucessivamente vice-governador e deputado federal, e só não foi governador porque não quis afastar-se de Juazeiro, que já contava com mais de trinta mil habitantes e tornara-se a segunda cidade do sertão do Cariri, depois do Crato.

Seu declínio político veio com a decadência do cangaço, inclusive o próprio Lampião visitou-o mais de uma vez e o venerava, sobretudo após a revolução (1930) e confirmando-se com a derrota de seu candidato nas eleições para a Assembléia Constituinte (1933).

Independente de sua importância religiosa o Padim Ciço do Juazeiro foi o maior proprietário de terras do Cariri cearense e o mais importante coronel da oligarquia local.

Morreu em Juazeiro em 20 de julho (1934).

Fonte: www.dec.ufcg.edu.br

Padre Cícero

Padre Cícero
Líder religioso e político cearense (1844-1934).
Uma das personalidades religiosas mais veneradas do país, seu túmulo é visitado por milhares de fiéis todos os anos.

Cícero Romão Batista (23/3/1844-20/7/1934) nasce na cidade do Crato.

Ordena-se sacerdote em 1870 e muda-se mais tarde para o arraial de Juazeiro do Norte.

Já ganha fama como padre milagreiro a partir de 1886, quando surge a lenda de que uma hóstia por ele consagrada sangrara na boca de uma fiel.

Em 1892 passa a sofrer pressões e a ser cerceado pelas autoridades católicas.

É chamado pelo Santo Ofício, e, em 1897, as autoridades do Vaticano o proíbem de exercer o sacerdócio, sob a acusação de mistificação e heresia.

Regressa ao Brasil, mas viaja novamente a Roma no ano seguinte e consegue ser absolvido pelo papa Leão XIII, porém continua proibido de oficiar missas.

De volta a Juazeiro do Norte em 1898, passa a abençoar as multidões de fiéis que o procuram e entra para a política.

Torna-se prefeito da cidade nos 15 anos seguintes.

Elege-se vice-presidente do estado e, posteriormente, deputado federal, mas decide não assumir os cargos.

Perde parte do prestígio ao unir-se a jagunços para depor o governador do Ceará, entre 1913 e 1914.

Mesmo assim, a população local continua a considerá-lo santo.

As romarias ao túmulo e à estátua do "Padim Ciço", como passa a ser chamado em Juazeiro do Norte, onde morre, atraem até hoje multidões de todo o país, especialmente do Nordeste.

Referências bibliográficas

Almanaque Abril. Quem é quem na história do Brasil. São Paulo, Abril Multimídia, 2000. (bibliografia completa)

Fonte: www.meusestudos.com

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