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Rego Monteiro

1899 - 1970

Nascido em Recife, em 1899, numa família de artistas. já em 1911 Vicente do Rego Monteiro estava em Paris (em companhia da irmã mais velha), cursando, por pouco tempo, a Academia Julian. Talento precoce, em 1913 participou do Salão dos Independentes, na capital francesa. De volta ao Brasil em 1917, dois anos mais tarde realizou, em Recife, sua primeira mostra individual; em 1920 e 1921, apresentou-se no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife.

Em São Paulo entrou em contato com os artistas e intelectuais que desencadeariam a Semana de Arte Moderna, da qual participou com dez de pinturas. Logo em seguida retornou a Paris, e integrou-se a tal ponto na vida artística e cultural da capital francesa que nos anos 20, era um dos pintores estrangeiros mais conceituados na França, com assídua e notável participação em mostras duais e coletivas.

Alternando praticamente toda a sua existência entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia. Em 1957, fixou-se no Brasil. passando a lecionar sucessivamente na Escola de Belas-Artes de Recife, na de Brasília e de novo na de Recife. Em 1966 o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte, em 1970, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo.

Muitas das melhores telas de Rego Monteiro perderam-se num incêndio, no fim da década de 20; Anos mais tarde, o artista tentou reproduzi-Ias de memória ou lançando mão de esboços e desenhos preliminares; mas, evidentemente, as obras perderam muito em emoção e sentimento.

Em seus melhores momentos, Vicente é pessoal, embora aparentado a outros artistas de seu tempo. Sua peculiaridade é a insistência com que abordou temas nacionais, o que o transforma em precursor de uma tendência artística latino-amencana. Seu mundo de idéias oscilava entre as figuras do panteão americano e a Bíblia, os clássicos e outros temas grandiloqüentes, que tornam sua arte grave e profunda. Mas ele sentiu também, como poucos, a sedução do movimento fascinado que era pela dança e pelo esporte — e, homem de seu tempo, em determinada fase da carreira viu-se empolgado pelo não figurativismo.

Características de sua arte são a plasticidade, a sensação volumétrica que se desprende dos planos, a textura quase imaterial, de tão leve, o forte desenho, esquematizado. e a ciência da composição, que o torna um clássico, preocupado com a construção das formas.


Os Talheres


Conquista da Lua


Duas Figuras


Natureza Morta


Livro Aberto

Um excomungado do modernismo

O pernambucano Vicente do Rego Monteiro (1899-1970) sempre foi um peixe fora da água no modernismo brasileiro.

Ao contrário de seus colegas da Semana de 22, que mesmo sendo fazendeiros de café eram simpáticos às idéias da esquerda, ele era integralista, a versão brasileira do fascismo.

Enquanto os outros pintores mostravam-se iconoclastas, Rego Monteiro reforçava suas convicções católicas pintando cenas bíblicas.

Por isso mesmo, um de seus únicos entusiastas, à época de suas primeiras exposições em São Paulo, foi Monteiro Lobato, exatamente o mesmo que, poucos anos antes, havia se indignado com os quadros de Anita Malfati, transformando-se no inimigo número 1 dos modernistas.

Sem ambiente no Brasil, Rego Monteiro conseguiu a proeza de fazer nome na França, onde foi adotado pela chamada Escola de Paris, da qual faziam parte os cubistas Picasso e Braque. Hoje, um de seus quadros está no museu Metropolitan, de Nova York. Ainda assim, ele caiu no esquecimento em seu país de origem.

Monteiro: fascista

"No meio dos artistas seus conterrâneos em Paris, Rego Monteiro foi o mais atuante, o mais solicitado e o que alcançou verdadeiro renome", sustenta Walter Zanini, no texto que escreveu para catálogo da exposição do MAM.

Zanini admite que o fato de Rego Monteiro não se ter enturmado no Brasil pesou para que ele fosse esquecido. "É possível que os intelectuais da época tenham desprezado a obra de Vicente por condenar suas posições ideológicas", diz.

Ocres e marrons

Dono de um estilo peculiar, caracterizado por um figurativismo geometrizado em que a cor é quase sempre usada de maneira econômica, com predominância de ocres e marrons, Rego Monteiro sofreu influências variadas, do abstracionismo ao art déco, do cubismo à arte indígena.

Seu universo temático também é dos mais heterogêneos. De um mesmo período datam cenas religiosas (Pietà, A Santa Ceia, A Crucifixão, Adoração dos Reis Magos), composições abstratas, motivos indígenas, naturezas-mortas e flagrantes do cotidiano.

Rego Monteiro não é nenhum gênio da pintura, mas tem o mérito do pioneirismo. Antes que a antropofagia virasse moda entre os modernistas, já procurava aprofundar-se na arte autóctone brasileira, investigando e deixando-se influenciar pela pintura marajoara.

Juntar os traços indígenas aos experimentalismos da vanguarda européia foi o grande achado de Rego Monteiro ele fez isso em 1919, e toda a escola modernista repetiria esse procedimento.

Era algo tão novo que a crítica paulistana, sem saber como classificá-lo, rotulou-o de futurista. Avaliação disparatada. Rego Monteiro era mais futurista na atitude do que na obra.

Os adeptos da escola de Marinetti tinham obsessão por máquinas, como automóveis e aviões. Acabariam se tornando a expressão estética do fascismo.

Rego Monteiro, além de se afinar com idéias conservadoras, gostava de velocidade. Disputou, em 1931, o Grand Prix do Automóvel Clube da França. Tinha vocação para a engenharia mecânica e chegou a construir um planador.

Fonte: www.pitoresco.com.br

Rego Monteiro

Respondendo a um inquérito entre artistas, organizado por Walmir Ayala, Vicente do Rego Monteiro alinhou, como influências que mais fundamente o marcaram. 'o Futurismo, o Cubismo, a estampa japonesa, a arte negra, a Escola de Paris. nosso Barroco e sobretudo a arte do nosso ameríndio da ilha de Marajó". Nascido em Recife, em 1899, numa família de artistas. já em 1911 Vicente do Rego Monteiro estava em Paris (em companhia da irmã mais velha), cursando, por pouco tempo, a Academia Julian. Talento precoce, cri 1913 participou do Salão dos Independentes, na capital francesa.

De volta ao Brasil em 1917, dois anos mais tarde realizou, em Recife, sua primeira mostra individual; em 1920 e 1921, apresentou-se no Rio de Janeiro, em São Paulo e Recife. Em São Paulo entrou em contato com os artistas e intelectuais que desencadeariam a Semana de Arte Moderna da qual participou com dez de pinturas: três retratos, duas O duas Lendas Brasileiras, Baile no e dois quadros intitulados Cubismo.

Logo em seguida retornou a Paris, e integrou-se a tal ponto na vida artística e cultural da capital francesa que nos anos 20, era dos pintores estrangeiro mais conceituados na França, com assídua e notável participação em mostras duais e coletivas. Expondo na Galeria Fabre, em 1925, mereceu do critico Maurice Raynal as mais elogiosas referências: "Em vez de se dedicar comodamente caligrafia acadêmica, Rego Monteiro repudiou essa tradição latina, que sufoca geralmente os artistas do seu país, para ressuscitar a influência da tradição indígena, que devia ser a primeira a provocar e inspirar todo artista brasileiro". Em 1928, nova individual, na Galeria Bernheim, Jeune, também em Paris, motivou comentários favoráveis do grande pintor e teórico do Purismo. Amédée Ozenfant.

No ano seguinte, o crítico Geo-Charles consagrou-lhe um ensaio dos mais elogiosos. Por essa época, Vicente integrou-se aos principais grupos de vanguarda artística parisiense, juntando-se a Ozenfant, Metzinger e Herbin no grupo L'Effort Moderne. Quadros de sua autoria eram adquiridos pelo Museu de Arte Moderna e pelo Museu do Jeu de Paume. de Paris, pelo Museu de Grenoble e pelo Palácio dos Congressos Internacionais, de Liège. Alternando praticamente toda a sua existência entre a França e o Brasil, Vicente só pouco antes de falecer desfrutou algum prestigio maior em sua terra natal, onde nunca chegou a receber a consideração que sua importância exigia.

Por outro lado, nem sempre ele se manteve fiel à pintura, pois considerava-se pelo menos tão bom poeta quanto pintor. Foi o fundador da revista Renovação, em Recife, e de 1947 a 1956 manteve em Paris La Presse à Bras, editora que lançou várias plaquetas de poesia; com outros poetas, fundou o Mia de Poémes do Salão de Maio (1948/52) e organizou o Primeiro Congresso Internacional de Poesia, realizado cm Paris em 1952. Como escritor, mereceu, em 1960,0 Prêmio Apollinaire, por seu Livro de poemas Broussais - La Charité.

Em 1957, fixou-se no Brasil. passando a lecionar sucessivamente na Escola de Belas-Artes de Recife, na de Brasília e de novo na de Recife. Em 1966 o Museu de Arte de São Paulo dedicou-lhe uma retrospectiva, o mesmo tendo feito, após sua morte, em 1970,0 Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. Muitas das melhores telas de Rego Monteiro perderam-se num incêndio, no fim da década de 20; anos mais tarde, o artista tentou reproduzi-Ias de memória ou lançando mão de esboços e desenhos preliminares; mas, evidentemente, as obras perderam muito em emoção e sentimento. Em seus melhores momentos, Vicente é pessoal, embora aparentado a outros artistas de seu tempo.

Sua peculiaridade é a insistência com que abordou temas nacionais, o que o transforma em precursor de uma tendência artística latino-americana. Seu mundo de idéias oscilava entre as figuras do panteão americano e a Bíblia, os clássicos e outros temas grandiloqüentes, que tornam sua arte grave e profunda. Mas ele sentiu também, como poucos, a sedução do movimento fascinado que era pela dança e pelo esporte - e, homem de seu tempo, em determinada fase da carreira viu-se empolgado pelo não figurativismo.

Características de sua arte são a plasticidade, a sensação volumétrica que se desprende dos planos, a textura quase imaterial, de tão leve, o forte desenho, esquematizado. e a ciência da composição, que o torna um clássico, preocupado com a construção das formas. Vicente do Rego Monteiro foi também escultor, tendo deixado figuras em madeira, articuladas, num espírito afim com o do cubista Léger.

Sua influência tendeu a crescer após sua morte: a ele, de certo modo, é que se referem muitos dos melhores artistas contemporâneos do Nordeste, inclusive João Câmara e Gilvan Samico.

Fonte: www.webvestibular.com.br

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