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Alberto Santos Dumont

 

O pai da aviação, Alberto Santos Dumont, nasceu no dia 20 de julho de 1873, no Sítio de Cabangu, em Minas Gerais.

Aos 18 anos foi morar em Paris, passando então a se interessar pelo vôo em balões.

No dia 19 de outubro de 1901, aos 28 anos incompletos, Santos-Dumont realiza sua primeira façanha: na presença de uma multidão, circundou a torre Eiffel com seu dirigível n. 5. Com isso, arrebatou o prêmio Deutsch Pretze, no valor de 50.000 francos.

Alberto Santos Dumont

Mas embora para nós, brasileiros, seja muito natural considerar Santos Dumont o pai da aviação, esta "paternidade" é, às vezes, contestada.

Isto porque, em 17 de dezembro de 1903, os irmãos Wright, nos Estados Unidos, conseguiram saltar (mas saltar não é voar...) 40 metros em seu biplano.

Para alçar o tal "vôo", os Wright se utilizaram de uma espécie de catapulta, ou seja, precisaram de "meios externos".

Em 1906, no mês de julho, mais precisamente, Santos-Dumont começou suas primeiras experiências, ou melhor, aventuras, com o 14-Bis.

E, após algumas tentativas, em 23 de outubro, sob os olhos maravilhados do público parisiense e de representantes do Aeroclube da França, finalmente um aparelho mais pesado que o ar foi capaz de voar, por seus próprios meios (leia-se sem interferência externa, diferentemente do vôo dos irmãos Wright).

O 14 -Bis levantou vôo, percorrendo 60 metros em 7 segundos.

Na ocasião, Santos Dumont ganhou o prêmio Archdeacon, no valor de 3.000 francos, criado para premiar aquele que conseguisse voar mais de 25 metros.

Um detalhe: A idéia de que sua invenção pudesse ser usada para fins bélicos desagradava muito a Santos Dumont.

Para ele, a finalidade maior dos aviões deveria ser a de meio de transporte e lazer, encurtando as distâncias para unir amigos e familiares.

Em 1918, Santos-Dumont foi morar em Petrópolis, no Morro do Encantado, em um chalé de estilo europeu.

A casa, conhecida como A Encantada, abriga um pouco da vida e da história deste que foi um dos maiores inventores brasileiros.

Assim, quando for a Petrópolis, não deixe de conhecê-la, pois, além de história, A Encantada é cheia de curiosidades, como uma escada em que só se pode começar a subir com o pé direito... coisas de inventor...

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu a 20 de julho de 1873 em Santa Luzia do Rio das Velhas, hoje cidade de Santos-Dumont, depois de ter sido denominada cidade de Palmira por dilatados anos. Era filho do engenheiro Henrique Dumont e de D. Francisca de Paula Santos. Faleceu em Guarujá - São Paulo - em 23 de julho de 1932.

De família abastada, o jovem Alberto iniciou os estudos no Brasil mas, ainda muito novo passou a estudar em Paris.

Recebeu a influência da leitura de alguns dos inúmeros romances de Júlio Verne, que empolgaram várias gerações de leitores.

Em Paris, fiel leitor do escritor francês, manifestou enorme interesse pela construção de balões. A 18 de setembro de 1898, fez subir ao espaço o primeiro de uma série desses engenhos.

Uma grande vitória foi conseguida em 12 de julho de 1901, quando, partindo de um ponto conseguiu retornar ao mesmo local da partida.

O fato teve grande repercussão e, por não ser francês, recusou Santos-Dumont a cruz da legião de Honra que lhe foi oferecida. No mês seguinte, o Aéro Clube da França concedeu-lhe uma medalha de ouro.

Satisfeito com os resultados conseguidos na dirigibilidade de seus balões, Santos-Dumont, em 19 de outubro de 1901, apresentou-se para disputar o prêmio Deutsch de la Meurthe, cujo itinerário consistia na circumnavegação da Torre Eiffel dentro do prazo de trinta minutos. Conseguiu realizar a façanha.

O prêmio de 100.000 francos foi dividido pelo vencedor entre os pobres de Paris e os mecânicos que com ele haviam trabalhado na construção dos aparelhos voadores.

Alberto Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

No Segundo Congresso Científico Pan-americano, proferiu, a 4 de janeiro de 1916, uma conferência intitulada - "Como o aeroplano pode facilitar as relações entre as Américas".

Aos 59 anos de idade, suicidou-se Santos-Dumont, em 23 de julho de 1932, em Guarujá, São Paulo, profundamente traumatizado, ao que se presume, com o desenrolar do movimento revolucionário irrompido a 9 do referido mês, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Alberto Santos Dumont

Santos Dumont e seus Efeitos

Como a maior parte do povo do Brasil, Alberto Santos-Dumont (1873-1932) era descendente de imigrantes. Um brasileiro típico.

Era neto de franceses, por parte de pai, e bisneto de portugueses, por parte de mãe.

Sempre evidenciou o seu orgulho de ser brasileiro. Considerava serem mérito do Brasil as suas conquistas ímpares para a humanidade.

A primazia do Vôo autônomo

A principal conquista de Santos-Dumont foi ser o primeiro homem no mundo a voar em aparelho mais pesado que o ar utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho, sem auxílios externos.

Foi o primeiro a construir e pilotar avião que, usando apenas os meios de bordo, cumpriu todos os requisitos básicos de vôo: táxi, decolagem,vôo nivelado e pouso.

Além disso, foi o primeiro que isso demonstrou em público. Seu vôo pioneiro contou com o testemunho de multidão, a filmagem por companhia cinematográfica e o reconhecimento e a homologação dos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.

O vôo histórico aconteceu há cem anos, em 23 de outubro de 1906, com o 14-bis, em Bagatelle, Paris, França.

14-bis

DIMENSÕES E DETALHES

Por que esse nome estranho? Essa denominação adveio do fato de Santos-Dumont, na 1ª fase do desenvolvimento, ensaiar o novo aparelho acoplando-o ao seu balão-dirigível nº 14.

Como era o 14-bis? Seguem alguns dados técnicos sobre o histórico aparelho (ver imagens ao final deste texto):

Envergadura:12 m; comprimento: 10 m; altura: 4,80 m; superfície das asas: 80 m²; corda (largura) das asas: 2,5 m; separação entre os dois planos das asas: 1,5 m; conjunto estabilizador/profundor/leme de direção (simplificadamente, “lemes”): 3 m de largura, 2 m de comprimento e 1,5 m de altura; articulação dos “lemes” a 8 m da nacele; distância lateral entre as rodas: 0,70 m; hélice de 2 pás, peso de 8 kg, com 2,5 m de diâmetro; peso total do avião: 160 kg, não considerando o peso de Santos-Dumont (50 kg).

As asas eram formadas por seis “células de Hargrave”. Cada célula tinha a forma de cubo com duas faces vazadas. Os “lemes” compunham uma “célula de Hargrave”.

Todas as superfícies do 14-bis eram de seda japonesa; as armações, de bambu e pinho; as junções da estrutura e as hélices, de alumínio; e os cabos-de-comando, de aço.

Mais adiante, em “Vôos do 14-bis”, estão registrados detalhes sobre o motor.

“O 14-bis VOAVA DE COSTAS?”

Não. A forma do 14-bis, a qual veio a ser batizada em aviação como “canard” (pato, em francês), dá essa impressão, por apresentar os lemes na parte dianteira do avião. Ela, ressalta-se, foi bem escolhida por Santos-Dumont para vencer o desafio de alçar vôo.

Como a intenção principal de Santos-Dumont naquela fase era o 14-bis conseguir sair do chão e sustentar-se no ar, o ideal era obter o máximo de sustentação positiva (para cima), tanto na asa como no conjunto estabilizador/profundor (“leme horizontal”). A configuração “canard” propicia isso na decolagem. (OBS: “sustentação” significa a resultante das forças aerodinâmicas sobre uma superfície).

Se Santos-Dumont optasse por colocar o citado conjunto na traseira da fuselagem (como hoje é usual), haveria a necessidade de o leme horizontal ter sustentação negativa (para baixo) para fazer o avião “cabrar” (levantar o nariz) na decolagem.

Desse modo, a soma das sustentações, a da asa e a do leme, seria menor do que a resultante obtida quando as duas referidas sustentações apontam para cima, como era o caso na configuração “canard” e, portanto, decolagem do 14-bis.

Assim, foi inteligentemente definida por Santos-Dumont a forma do 14-bis para aquele desafio de voar.

Contudo, a configuração “canard” não é a melhor para a estabilidade e o controle de um aeroplano, sendo por isso menos usada posteriormente. Nos seus inventos seguintes, como os aviões nº 15 e Demoiselle, Santos-Dumont não mais usou aquela configuração.

VÔOS do 14-bis

Os Prêmios Archdeacon e do Aeroclube de França, noticiados desde março de 1904, estimularam os inventores do mundo para a realização do primeiro vôo autônomo de mais de 25 m com aparelho mais pesado que o ar. Era a primeira etapa. O prêmio completo veio a compreender um vôo de um quilômetro em circuito fechado.

Santos-Dumont, que até então se destacara com os “mais leves que o ar” (balões livres e balões-dirigíveis), aceitou o desafio e em 02/01/1906 se inscreveu na competição. Segundo a imprensa da época, ele inicialmente pensava em competir com o seu projeto nº 12, um helicóptero com duas hélices, que não chegou a voar.

Em 18/07/1906, concluiu o 14-bis, cuja concepção e desenvolvimento estava sendo por ele maturada sem publicidade há algum tempo. Em 23 de julho, ensaiou em público, em Bois de Boulogne, Paris, o novo avião preso ao balão-dirigível nº 14.

Em seguida, experimentou-o deslizando em um cabo inclinado, sendo o 14-bis levado até a parte mais alta do cabo puxado por um burrico. A partir de 21 de agosto, passou a experimentar o aeroplano separado do dirigível e fora do cabo, em campo aberto.

O 14-bis estava, inicialmente, equipado com um motor de apenas 24 Hp, a gasolina, tipo Antoinette, com 8 cilindros (4x4, em “V”), construído por León Levavasseur. Santos-Dumont percebeu estar o avião submotorizado.

VÔOS do 14-bis EM SETEMBRO DE 1906

No mês seguinte, em setembro do mesmo ano de 1906, Santos-Dumont utilizou no 14-bis o mesmo motor Antoinette, porém por ele aperfeiçoado, com menos peso (total de 72 kg) e um carburador (de carro Fiat), alcançando 50 Hp. A hélice girava a 1500 rpm.

Naquele mês, ocorreram os seguintes ensaios, no Campo de Bagatelle, Paris:

07/09/1906(17h00):tentativade vôo de Santos-Dumont, no aniversário da Independência do Brasil.O 14-bis realizou apenas um salto de 2 m; 
13/09/1906(08h20):voou a distância de 7,8 m; à altura de menos de 1 m.

Esse vôo, para alguns, também foi somente um pulo. Não conquistou nenhum prêmio (para isso, o vôo deveria ser de mais de 25 m). Contudo, ata do Aeroclube da França de 13/09/1906 e o jornal L’Illustration de 22/09/1906 se referiram a esse feito do 14-bis, e a essa data, como o primeiro vôo autônomo no mundo de aparelho mais pesado que o ar.

VÔO do 14-bis EM 23 de OUTUBRO DE 1906

Conquista do Prêmio “Archdeacon”

Esse dia veio a ser de grande significado para a humanidade.

Em 23/10/1906 (16h25),após corrida no solo de 200 m,o 14-bis voou a distância de 60 m, à altura de 2 a 3 m, em 7 segundos (s).

Santos-Dumont conquistou, com esse vôo, o prêmio estabelecido pelo capitalista francês Ernest Archdeacon ao “primeiro aviador que conseguisse voar distância de 25 m com ângulo máximo de desnivelamento de 25 %”.

A notícia rapidamente espalhou-se e foi muito publicada nos jornais do planeta. Por exemplo, o “The Illustrated London News”, de Londres, em 03/11/1906, publicou: “The first flight of a machine heavier than air: Mr. Santos-Dumont winning the Archdeacon Prize”.

Na mesma ocasião, o norte-americano Gordon Bennet, fundador e proprietário do famoso “New York Herald”, escreveu no seu jornal sobre a façanha de Santos-Dumont: "The first Human mechanical flight". Assim também foram as manchetes de vários outros grandes jornais em todo o mundo.

Além do Aeroclube da França,a Federação Aeronáutica Internacional (FAI) reconheceu a conquista do prêmio, pois o 14-bis voara muito mais do que o limite mínimo de 25 m. Todavia, aquele vôo de 60 m em 23/10/1906 não teve todas as precisas medições pela FAI para formal homologação de recorde, a qual veio a ocorrer em outra experiência duas semanas após, em 12 de novembro de 1906.

VÔO do 14-bis em 12 DE NOVEMBRO DE 1906: a Conquista do Prêmio Aeroclube da França e do PRIMEIRO RECORDE OFICIAL DE AVIAÇÃO

O Prêmio do Aeroclube da França, de 1500 francos foi destinado ao primeiro homem no mundo que realizasse, com os próprios meios do aparelho, vôo de mais de 100 m de distância com ângulo máximo de desnivelamento de 10 graus.

Vinte dias após o seu grande feito de 23 de outubro, Santos-Dumont prosseguiu em 12 de novembro na tentativa de também vencer aquele desafio lançado pelo Aeroclube da França.

O 14-bis, nessa data, apareceu aperfeiçoado com a novidade tecnológica “ailerons”, superfícies móveis colocadas nas asas, uma em cada lado, para melhorar o controle lateral do avião (em “rolamento”).

Registram-se as cinco tentativas de Santos-Dumont naquele dia:

10h00: na primeira experiência, o 14-bis voou por 5 segundos a distância de 40 m, a 40 cm de altura, hélice a 900 rpm

10h25: realizou dois vôos em uma mesma corrida, um de 40 m e outro de 60 m.

16h09: vôo de 50 m

Pouco após o vôo anterior: voou 82,6 m, em 7 s e 1/5, à velocidade média de 41,292km/h

16h25: diferentemente de todos os vôos anteriores,Santos-Dumont decolou contra o vento. O 14-bis voou a distância de 220 m, à altura de 6 m; duração: 21 s e 1/5; velocidade média de 37,4 km/h.

Santos-Dumont conquistou, com esse vôo de 220 m, o prêmio do Aeroclube da França, a ser concedido ao “primeiro aeroplano que, levantando-se por si mesmo, voasse distância de 100 m com desnivelamento máximo de 10 %”.

Aquele último vôo de 12 de novembro foi mais alto do que os anteriores, a 6m de altura, com ligeira curva à direita.

O próprio Santos-Dumont escreveu que o vôo foi assim mais alto e não foi mais longo por conta da multidão que, ovacionando-o, correu perigosamente para perto do aparelho, obrigando o piloto a reduzir o motor e ao rápido pouso. A aterrisagem ocorreu com a asa direita tocando levemente o solo antes de o trem-de-pouso tocá-lo, sem maiores danos para o avião.

A CONQUISTA dos primeiros recordes da aviação mundial

O vôo de 220 m foi homologado pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI) como o primeiro recorde mundial de aviação. Recorde mundial de distância de vôo, sem escala, de aparelho mais pesado que o ar. A FAI também considera o penúltimo vôo do 14-bis naquela data como o primeiro recorde mundial de velocidade em vôo, 41,292 km/h.

A revista norte-americana “National Aeronautics” (nº 12, volume 17, de 1939), órgão oficial da “National Aeronautics Association” sediada em Washington-EUA, também registrou aquele vôo de 220 m de Santos-Dumont como o primeiro recorde de aviação do mundo.

A revista descreveu os posteriores recordes de distância de vôo. Somente em oitavo lugar aponta o recorde de Wilbur Wright, dois anos após, em 21/09/1908, na França, comentado em outro tópico deste texto, a seguir.

Quebra dos recordes de Santos-Dumont

Os recordes de Santos-Dumont alcançados em 12/11/1906 foram suplantados por outros somente um ano depois.

O recorde de velocidade foi superado em 24/10/1907 pelo francês Henri Farman (avião de Gabriel Voisin), com 52,7 km/h. Com o mesmo avião, dois dias após, H. Farman voou 771 m em 52 s, superando pela primeira vez o recorde de distância de Santos-Dumont.

Em 13/01/1908, Farman, com um biplano Voisin, conquistou o “Prêmio Deutsch-Archdeacon” (50.000 francos) estabelecido em 1904, ao voar mais de um quilômetro em circuito fechado em Issy-les-Molineaux, sudoeste de Paris.

Posteriormente, 22 meses depois dos recordes pioneiros de Santos-Dumont e 9 meses após a conquista do prêmio Deutsch-Archdeacon por Farman, o público e as comissões oficiais viram, pela primeira vez, nos Estados Unidos e na Europa, vôo dos irmãos Wright.

1907- ÚLTIMO VÔO DO 14-bis

Após os históricos vôos de 23 de outubro e de 12 de novembro de 1906, Santos-Dumont ainda realizou outros pequenos vôos com o 14-bis. Cinco meses depois, encerrou os ensaios com o famoso aparelho.

Em 4 de abril de 1907, no campo da Escola Militar, em Saint Cyr, Paris, depois de vôo da ordem de 30 m, pousou bruscamente, tocando com a asa esquerda no solo e danificando definitivamente o famoso avião.

Uma semana antes, 27 de março, Santos-Dumont já havia sofrido no mesmo local outro sério acidente com o seu novo projeto de biplano, o nº 15, equipado com motor de 100 HP, asas de madeira compensada e leme de direção na cauda, configuração não mais “canard”. Esse novo avião não voou. Foi destruído em uma tentativa de decolagem.

O REVOLUCIONÁRIO AVIÃO “DEMOISELLE”

Santos-Dumont não esmorecia. Continuou em 1907 apresentando ao mundo novos inventos. O de nº 16 foi uma mistura de avião e dirigível. O de nº 17 foi um aperfeiçoamento sem sucesso do acidentado nº 15. O projeto nº 18 foi um deslizador aquático; grosso modo um hidroavião sem as asas. Uma invenção genial foi o modelo de nº 19.

Em 16 de novembro de 1907, em Bagatelle, apenas sete meses depois do último vôo do 14-bis, Santos-Dumont já fazia o vôo inaugural (200 m) do seu revolucionário nº 19, o “Demoiselle”, minúsculo, simples e leve.

O Demoiselle tinha área alar de 10 m² (oito vezes menor que a do 14-bis), envergadura de ínfimos 5,60 m e pesava somente 60 kg (68 kg nos modelos nº 21 e 22), quase 1/3 do peso do já levíssimo 14-bis. Era avião muito avançado, de alto desempenho,veloz e extremamente simples e compacto. Decolava em pista de somente 70 m.

Nos diversos modelos de Demoiselle desenvolvidos de 1907 a 1909, modelos nº 19, 20, 21 e 22, Santos-Dumont foi introduzindo aperfeiçoamentos e inovações técnicas. Neles, utilizou motores de 20 a 35 Hp.

Com o modelo “Demoiselle nº 22”, estreado em Issy em 06/03/1909, Santos-Dumont voou, em 06/04/1909, a distância de 3 km. Em 13/09/1909, voou 8 km em cinco minutos, alcançando velocidade impressionante para a época: 96 km/h.

Chegou a realizar vôos de até 18 kmde distância, como o ocorrido em 17/09/1909. Na véspera, 16 de setembro, havia estabelecido um recorde mundial, ao decolar após uma curta corrida de apenas 70m, em 6 segundos.

No dia seguinte, em 18/09/1909, aos 36 anos de idade, após 12 anos de intensos, ininterruptos, perigosos e estressantes trabalhos, Santos-Dumont realizou o seu último vôo como piloto. Em Saint Cyr, Paris, sobrevoou o público com os dois braços abertos e fora dos comandos, um lenço em cada mão. Soltou os lenços em vôo, aplaudido. Foi a sua despedida.

Santos-Dumont colocou esse modelo de avião à disposição pública, com todos os detalhes e especificações, para livre reprodução, sem nenhum direito comercial para o seu inventor.

O Demoiselle foi o primeiro avião fabricado em série no mundo. No final de 1909, mais de 40 já haviam sido construídos e vendidos (ao preço de 5.000 a 7.500 francos, valor na época de automóvel de tamanho médio).

Alguns livros registram já terem sido até hoje construídos mais de 300 Demoiselles, e com a surpreendente marca de não ter ocorrido com o modelo um só acidente fatal.

OS PRIMEIROS MONUMENTOS EM HOMENAGEM A SANTOS-DUMONT

Em 1910, com a presença de Santos-Dumont, foi inauguradoemBagatelle, Paris, por iniciativa do Aeroclube da França,o marco de granito de 3 m de altura o qual assinala os primeiros recordes de aviação do mundo estabelecidos por Santos-Dumont:“Ici, le 12 novembre 1906, sous le controle de L’Aero-Clube de France, Santos-Dumont a etabli les premiers recordes d’aviation du monde: durée 21 s 1/5; distance 220 m”.

Três anos depois, em 19/10/1913, foi inaugurado em Saint-Cloud, Paris, na praça batizada “Santos-Dumont”, o monumento conhecido como “Ícaro de Saint-Cloud”, com os dizeres: “Este monumento foi erigido pelo Aeroclube da França para comemorar as experiências de Santos-Dumont, pioneiro da locomoção aérea. 19 de outubro de 1901 e 23 de outubro de 1906”. Foi a primeira vez que Paris homenageou alguém em vida com um monumento.

Santos-Dumont assistiu ao ato muito emocionado, não conseguindo concluir o seu discurso. Uma réplica do monumento, presenteada pela França, repousa sobre o seu túmulo, no cemitério São João Batista, Botafogo, Rio de Janeiro.

A PRIMAZIA de santos-dumont e os Irmãos Wright Os irmãos Wright conseguiram em 21/09/1908, em Anvours (França), voar publicamente e até superar em muito as marcas de Santos-Dumont com o 14-bis.

Porém, isso ocorreu dois anos após Santos-Dumont já ter conquistado os primeiros recordes aeronáuticos oficiais do mundo. Em 1908, o nosso pioneiro já voava há um ano o seu genial e avançado Demoiselle, e a aviação já demonstrava progresso acelerado em várias partes do mundo.

Ainda mais, o avião “Flyer” dos Wright voado na França ainda dependia de lançamento por grande catapulta, de vento forte e de trilho em ladeira para poder decolar. O trilho poderia ficar na horizontal se houvesse vento frontal superior a 36 km/h, explicou a instituição norte-americana “National Aeronautics Council” (livro de N. H. Randers-Pehrson, pág. 35, Biblioteca do Congresso, EUA, 1944).

O que era a catapulta? Era uma grande estrutura que, por meio de queda de 5 m de altura de um grande peso de mais de 300 kg, tracionava violentamente o avião sobre um trilho e, assim, o lançava no ar em decolagem.

Essa dependência da catapulta perdurou até 1910. Anatole France publicou em 1909: “Wright détient le record de la distance, seul ou à deux. Il ne s’est point encore envolé par ses propres moyens” (Whright detém o recorde de distância, só e em dupla. Ele ainda não voou por seus próprios meios).

Na prática, o “Flyer” era muito bom planador e um avião com insuficiente motorização para decolar sem auxílio externo.

Aquele vôo dos irmãos Wright comprovado em público em Anvours foi realizado com o “Flyer” diferente do que teria sido o “Flyer 1” de 1903. Os irmãos Wright noticiaram que até então utilizavam motor desenvolvido por eles, que pesava 109 kg e alcançava apenas 12 Hp (16 Hp máximos, por alguns instantes).

Diferentes registros da época apontam que o novo motor do “Flyer 3”, voado em 1908, desenvolvia até 50 Hp. Aquela versão mais potente de motor surgira tão logo os Wright foram a França, no final de 1907.

A “Société Française Bariquand et Marre” (oficina na rua Oberkampf em Paris) modificou o motor original, principalmente o sistema de ignição, elevando a sua potência para mais de 30 Hp. Em três meses, o novo motor “Bariquand et Marre” foi redesenhado, construído e ensaiado, permitindo os vôos do Flyer em setembro de 1908.

Mesmo assim, os irmãos Wright diziam terem realizado sigilosamente o primeiro vôo de avião no mundo cinco anos antes, com o “Flyer 1”, em 17/12/1903. Disseram que tal avião não foi mostrado a terceiros, nem poderia, pois teria sido completamente destruído logo após o alegado vôo secreto de dezembro de 1903.

Somente em 1908, apresentaram alguns supostos restos do “Flyer 1” de 1903 e, como respaldo, o nome de cinco testemunhas das redondezas de Kitty Hawk, algumas delas seus contratados. Está no museu Smithsonian (Washington-EUA) o resultado da reconstrução imaginada sobre aqueles hipotéticos pedaços do “Flyer 1”.

As “provas” dos vôos que teriam sido feitos desde 1903 foram apresentadas pelos irmãos Wright extemporaneamente. Somente em 1908 mostraram: uma foto sem data do Flyer (sem rodas, a alguns palmos de altura sobre o trilho lançador); o diário deles, onde diziam terem voado “n” metros por “t” segundos nas datas “x”, “y”, “z”; e um telegrama passado por eles mesmos ao pai “Quinta-feira, de manhã, tivemos sucesso em quatro vôos, graças a ventos de 40 km/h”.

Essas “evidências” eram consideradas insubsistentes pelos órgãos oficiais de aviação e pela imprensa em geral, inclusive a norte-americana, que então divulgava a primazia de Santos-Dumont desde 1906.

A suspeita de embuste dos Wright era generalizada. Por exemplo, o “Illustration”, de Paris, em 6 de julho de 1908, publicou: “Ce document est une épreuve sur papier photografique. Mais est-ce une photografie? L’aspect est bien equivoque et on y remarque tous les caractéres d’un truc”.

Especialistas em engenharia aeronáutica calculam que, mesmo com toda a atual tecnologia, seria impossível, com a potência de somente 12 Hp a 16 Hp, fazer decolar o “Flyer 1”, que pesava 340 kg de acordo com os dados fornecidos pelos Wright.

Um detalhe intrigante. É incompreensível os Wright não se terem interessado por competir pelo grande prêmio oferecido na Exposição de Saint Louis-EUA, em 1904, para quem realizasse vôo com aparelho mais pesado que o ar.

Eles já estariam voando há um ano, e St. Louis era relativamente próxima de Dayton, não era tão distante como a França (a 10.000 km) onde eles foram pela primeira vez demonstrar vôo quatro anos mais tarde (1908) sob a atração de prêmio de valor idêntico ao oferecido nos EUA em 1904.

A imprensa norte-americana havia sido acionada pelos dois irmãos para uma demonstração em abril de 1904. Porém, após cinco dias de tentativas, o que os repórteres viram os fez descrer da capacidade de vôo do Flyer.

Em 1905, a imprensa foi novamente convidada à fazenda “d’Huffman Prairie”, Dayton. Contudo, como nada aconteceu de interessante, os jornalistas apenas publicaram comentários muito sucintos (segundo o livro "Chronique de l'Aviation", de Edouard Chemel, pág. 39, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).

O próprio War Departement dos EUA ainda não dava crédito em 1905, por falta de provas, às alegações dos Wright. As poucas notícias que surgiram naquela época em jornais e revistas norte-americanas e européias foram decorrentes de matérias enviadas pelos próprios Wright. Por exemplo, a revista “Aerophile” publicou relatório por eles enviado a Gerge Besancon.

Igualmente, enviaram em outubro de 1905 relatos dos seus vôos para a Royal Aeronautical Society (a Patrick Alexander) e para o correspondente americano da revista “Illustrierte Aeronautische Mitteilungen”. Esses relatos dos Wright foram publicados e muito comentados.

Todavia, não há registro de algum vizinho dos Wright, ou de qualquer dos transeuntes da estrada próxima de intenso movimento, que ligava Springfield a Dayton, ter visto ao menos um dentre as centenas de vôos que eles afirmaram ter realizado de 1903 a 1908.

Nem uma única reportagem comprovando aqueles vôos havia sido, até 1908, publicada pela perspicaz, eficiente e já mundialmente atuante imprensa norte-americana. Nem mesmo em Kitty Hawk, North Carolina, e em Dayton, Ohio, onde eles teriam realizado os alegados pioneiros, surpreendentes, fantásticos e longos vôos.

Caso houvesse crédito sobre a realização dos aludidos vôos, eles teriam merecido, inevitável e imediatamente, gigantescas manchetes nos jornais dos EUA e do mundo inteiro.

Uma das poucas testemunhas citadas, o telegrafista Alpheus W. Drinkwater, que trabalhava na estação do local dos supostos vôos dos Wrights, e que expediu o já citado telegrama dos dois irmãos para o pai em 17/12/1903, declarou que, naquela data, os Wright apenas planaram e que o primeiro vôo somente aconteceu em 06/05/1908, isto é, cinco anos depois (entrevista publicada no "The New uork Times de 17/12/1951, na data de comemoração do cinqüentenário do suposto vôo pioneiro).

Em 12 de março daquele ano de 1908, aconteceu em Hammondsport-New York-EUA o vôo que foi na época considerado nos Estados Unidos como o primeiro vôo oficial realizado naquele país de um aparelho mais pesado que o ar.

Foi com o aparelho “Red Wing” da “L’Aerial Experiment Association” de Graham Bell, projetado por Selfridge, pilotado por Casey Baldwin sobre o lago Keuka congelado. Foi um vôo de 97,3 metros confirmado por 25 testemunhas oficiais.

Os irmãos Wright, que então muito divulgavam seus vôos, mas não demostravam, haviam se recusado a participar do desafio lançado pelo jornal “Scientific American” porque as regras estipulavam que o aparelho deveria decolar sem auxílio externo (“Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, págs. 54 e 57, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).

O primeiro vôo dos Wright realmente testemunhado nos EUA foi em 4 de setembro de 1908 (Fort Myer, Virginia). O fotos e filmes desse vôo em Fort Myer ainda hoje são muitas vezes repetidos nas televisões do mundo como sendo do suposto primeiro vôo de 1903.

Curiosamente, sem reivindicar o pioneirismo, por muitos anos eles acompanharam em silêncio os retumbantes feitos de Santos-Dumont em 1906, fartamente publicados como os primeiros vôos do mundo também na imprensa norte-americana. Pediram, todavia, ao seu correspondente na França (Cap Ferber) detalhes técnicos do 14-bis.

Esperaram de 1903 a 1908 para demonstrar em público algum vôo. Assim mesmo, quando apareceram em 1908, fizeram grande vôo somente parcial (com lançamento no ar por catapulta), e na ocasião em que muitos (Santos-Dumont, Farman, Blériot e outros) já realizavam vôos completos, partindo do solo utilizando somente a força do próprio motor da aeronave.

Estranho, também, é terem os irmãos Wright requerido na Inglaterra, em 19/03/1904 (portanto, meses depois de seus alegados vôos motorizados de 17/12/1903) patente apenas para planador, sem motor (patente nº 6.732/1904).

Da mesma forma incompreensível, em 22/05/1906, três anos após terem, diziam, desenvolvido o avião, os Wright obtiveram nos EUA a patente nº 821.393, mas somente para outro planador aperfeiçoado!...Eles nunca obtiveram patente para qualquer avião.

Observa-se que apenas voar e pousar (sem decolar pelos próprios meios) não era novidade na época. Otto Lilienthal já o fizera com êxito na Alemanha desde 1891 com planadores. Lilienthal não tivera sucesso com a motorização. Experimentou motor (a vapor) sem resultados positivos.

O francês Clément Ader também já havia tentado em 1897 voar o seu “avion”, equipado com motor a vapor. A tentativa não alcançou sucesso, atestou relatório, antes secreto, que foi tornado público pelo Ministro da Guerra francês (Gen Brun) após polêmica sobre pioneirismo surgida com o feito de Santos-Dumont. O debate fora alimentado publicamente até pelo General Mensier, do Exécito francês, um dos membros da comissão que antes registrara, sigilosa e oficialmente, o insucesso da tentativa de vôo de Ader.

Houve menções na imprensa, também, de que o romeno Trajan Vuia já teria voado em público 12 m, a 0,5 m de altura, em Montesson, perto de Paris, em 18/03/1906, utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho. Contudo, não houve controle oficial, nem testemunhas ou registros críveis para tal vôo.

Uma grande corrente de partidários da primazia dos Wright baseia-se no conceito de que o Flyer 3, mesmo decolando com ajuda externa, era um avião “mais prático”, mais manobrável e com maior autonomia do que o mais instável 14-bis. Porém, comparam o 14-bis de 1906 com o avião norte-americano demonstrado apenas em 1908. Omitem o fato de que, em 1907 e 1908, Santos-Dumont já voava o seu avançado e genial Demoiselle.

Vinte cinco anos após o seu alegado primeiro vôo, em 1928, Orville Wright, não tendo ainda conseguido nos Estados Unidos o reconhecimento da sua primazia no vôo do mais pesado que o ar, expediu o “Flyer” para o “Science Museum” de Londres.

Somente em 17/12/1948, 45 anos depois, os norte-americanos, como homenagem póstuma, passaram a expor aquele aparelho no Smithsonian Museum, em Washington (“Chronique de l’Aviation”, de Edouard Chemel, pág 477, Editora Jacques Legrand, Paris, 1991).

O fato é que os EUA resolveram, mais fortemente a partir dos anos quarenta, elevar os irmãos Wright à condição de primazia no mundo e aquelas “provas”, antes depreciadas, passaram a ser citadas como documentos históricos comprovadores dos vôos pioneiros.

Fruto de grande esforço institucional e de mídia, as desacreditadas alegações pouco a pouco viraram “fatos verdadeiros” para o povo norte-americano e para muitos outros em todo o mundo.

Recentemente, em 17 de dezembro de 2003, na comemoração oficial do centenário do reivindicado primeiro vôo do “Flyer 1”, perante o presidente dos EUA e milhares de pessoas, a réplica fiel não conseguiu decolar, caindo pouco após o dispositivo lançador.

Foi então divulgado que aquela réplica não voara porque, diferentemente, o suposto “Flyer 1” de 1903 decolara beneficiado por campo (e trilho) pendente com 9° de inclinação e por vento frontal de 40 km/h.

Enfim, não se coloca em dúvida, neste texto, a enorme relevância da participação dos irmãos Wright, e de tantos outros precursores, no grande e rápido desenvolvimento da ciência aeronáutica acontecido naquele final do século XIX e início do século XX. Trata-se de, por justiça, devolver a Santos-Dumont o devido lugar ímpar de primazia e de destaque na história.

Evitando-se ampliar a desnecessária polêmica sobre quem fez o que primeiro, e até admitindo-se, hipoteticamente, a veracidade da alegação dos irmãos Wright, ainda assim as seguintes verdades permanecem indiscutíveis:

Santos-Dumont foi o primeiro homem que comprovadamente voou aparelho mais pesado que o ar (o 14-bis) utilizando unicamente os recursos do próprio aparelho.

Foi o primeiro que comprovadamente cumpriu todos os requisitos básicos de vôo de avião usando apenas os meios de bordo: táxi, decolagem, vôo nivelado e pouso.

Foi o primeiro homem a isso demonstrar oficial e publicamente. Sua vitória ocorreu com o testemunho de multidão, da imprensa, de filmagem por companhia cinematográfica e de comissão oficial previamente convocada.

Sua conquista mereceu o reconhecimento e a homologação þu como primeiro vôo autônomo no mundo þu pelos órgãos oficiais de aviação da época, L’Aéro-Club de France e Fédération Aéronautique Internationale -FAI.

A distorção da história por motivações nacionalistas, mesmo que conduzida mundial e persistentemente pela mídia, não poderá apagar esses fatos históricos oficialmente registrados, que certificam e glorificam os feitos pioneiros de Santos-Dumont.

2006 – CEM ANOS

O reconhecimento norte-americano da primazia de santos-dumont

Neste ano em que se comemora o centenário do grande feito de Santos-Dumont com o 14-bis, ocorreu o registro em monumento do reconhecimento feito pelo renomado Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica(American Institute of Aeronautics and Astronautics – AIAA) da primazia do vôo de Santos-Dumont, utilizando somente os meios próprios da aeronave.

O AIAA é uma entidade norte-americana, sem fins lucrativos. Tem 35.000 membros em todo o mundo. Conduz conferências técnicas e publica sete jornais e dezenas de livros anualmente. O AIAA reconhece os “Sítios Históricos Aeroespaciais”. Mais de 30 sítios já foram eleitos, a maioria nos Estados Unidos. Quatro encontram-se em outros países.

O AIAA, este ano, homenageou Santos-Dumont. Foi a primeira vez que uma pessoa, além de um local, foi escolhida pelo AIAA para ser homenageada. A homenagem a Santos-Dumont incluiu uma placa de bronze, de aproximadamente 60 x 42 cm, com os seguintes dizeres:

“Born 20 July 1873 in state of Minas Gerais, Alberto Santos Dumont moved to Paris in 1891 but never forgot his birthplace. He soon began experimenting with flying, and designed his first balloon, the Brasil, in 1898. He later built and flew 11 dirigibles, including the prize-winning Number 6. He flew his first airplane, the 14-bis, on October 1906, the first aircraft to take off and land without any external assistance(*). His many other contributions to aviation included his 1907 Demoiselle, the precursor to modern light airplanes. He returned definitely to Brazil in 1931 and died in 1932”.

(*) o primeiro avião a decolar e pousar sem qualquer auxílio externo

Essa placa foi colocada sobre pedestal erigido em frente à casa natal de Santos-Dumont, em Cabangu, município de Santos Dumont-MG, e descerrada pelo representante norte-americano do AIAA em bonita e singela solenidade, em 13/09/2006.

Prêmio “Deutsch de la Meurthe”

É oportuno também relembrar outro grande feito anterior de Santos-Dumont. Ele já havia granjeado a glória e a fama em todo o planeta, cinco anos antes do vôo do 14-bis. A idolatria por Santos-Dumont já era tanta que ele ditava a moda masculina em Paris e no mundo. Copiavam o seu modelo de chapéu, de colarinho, de bainha de calças, de penteado. Até lançou e popularizou o uso masculino civil do relógio de pulso (tal modelo de relógio foi por ele concebido e usado, mas o relógio de pulso não foi uma “invenção” sua).

Aquele ápice da celebridade ele alcançara em 19/10/1901. Conquistara desde então a fama ao realizar a primeira viagem no mundo de balão dirigível em circuito fechado e dentro de trajeto (11 km, que abrangia rodear a Torre Eiffel) e de tempo (limite de 30 minutos) pré-estabelecidos, tudo testemunhado por multidão e pela comissão oficial previamente convocada, merecendo o vultoso prêmio “Deutsch de la Meurthe” (total de 129.000 francos da época; distribuiu esse prêmio entre os seus mecânicos e os pobres de Paris). O seu feito significou o domínio completo e prático da dirigibilidade dos balões.

O gênio

Santos-Dumont foi um gênio em múltiplas atividades. É impressionante Santos-Dumont ter sido, ao mesmo tempo, o genial inventor, o inteligente construtor dos próprios inventos - surpreendentemente simples, eficientes e leves -, o corajoso piloto de provas de seus artefatos futuristas inusitados e o competidor vencedor. Competiu em corridas de carros, de triciclos, em provas de balões livres, em desafios de dirigibilidade de balões e de vôo do mais pesado que o ar.

Santos-Dumont, na persistente busca da realização do seu objetivo maior, voar, tornou-se homem culto. Com boa base de conhecimentos gerais adquirida na infância e na adolescência, dedicou-se aos estudos de física, eletricidade, química, mecânica.

Dominava os idiomas francês, inglês, espanhol, além do português. Em 1931, pelo valor da sua obra literária sobre seus inventos e experiências, foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (na vaga de Graça Aranha; cadeira nº 38), não tomando posse do cargo.

Em cerca de doze anos de atividades intensas (1898 a 1909), Santos-Dumont produziu um invento importante a cada seis meses, em média. Sua rapidez de concepção e de produção de inovações tecnológicas foi extraordinária e ainda seria impressionante nos dias atuais.

Naquele período, concebeu, projetou, construiu (com recursos próprios), testou (com reais e constantes riscos de morte) dois balões, doze dirigíveis e três tipos de aviões, entre outros inventos e pesquisas, como a do helicóptero e a do deslizador aquático.

Em cada um dos projetos, incorporou muitas de suas invenções, como mecanismos de controle de vôo, equipamento auxiliar de partida do motor, e muitas outras criações. Pela primeira vez em aviação, utilizou o motor a petróleo e materiais como o alumínio e cordas de piano (em lugar de cordas de fibra vegetal, então usadas).

Concebeu e construiu, em 1899, o primeiro hangar do mundo. Esse hangar trazia a inovação de um simples e preciso sistema deslizante de movimentação de suas grandes e pesadas portas, mais de 4 toneladas cada uma. Uma criança as abria com facilidade.

Para alcançar maiores potência e leveza em seus inventos, projetou, desenvolveu e construiu motores inovadores, como o de dois cilindros superpostos em apenas uma biela e um cárter, que utilizou no balão-dirigível nº1, e o de cilindros horizontais e opostos, configuração hoje comumente utilizada, que empregou no “Demoiselle”.

Para construir esse motor do Demoiselle, Santos-Dumont usou instalações e maquinários da fábrica francesa Darracq. Essa empresa quis usufruir da patente. Santos-Dumont, pela primeira e única vez, entrou na Justiça reivindicando os seus direitos de autoria. Ganhou a causa e também colocou aquela sua invenção para o domínio público.

Santos-Dumont presenteou a todos, sem nada cobrar, todas as suas dezenas de invenções. Esse altruísmo era apenas uma das muitas e belas facetas do seu caráter exemplar. Com princípios puros, dedicou sua obra à Humanidade. Santos-Dumont é herói brasileiro irrepreensível nos campos ético e moral.

O OCASO

Por tudo isso, sacrificou a sua vida. Tardiamente, pensou nele mesmo. Gabriel Voisin na revista francesa “Pioniers” (jan/1967), relatou que em 1926 Santos-Dumont, com 53 anos, apaixonado pela filha daquele seu grande amigo, pediu-a em casamento. A diferença de idade (a moça tinha 17 anos) inviabilizou a união.

Desde os 40 anos de vida, envelhecido prematuramente, pouco a pouco ficou mais evidente que Santos-Dumont padecia de doença não muito conhecida na época. Cada vez mais recluso, com tristeza, angústia, remorso, sentia-se culpado da guerra aérea, dos acidentes aeronáuticos. Hoje, com o avanço da medicina, provavelmente sua moléstia seria diagnosticada como depressão, tratável inclusive com medicamentos.

Na maioria dos casos, a depressão resulta da interação entre uma predisposição genética e fatores ambientais, como traumas emocionais e o estresse, os quais, por certo, estiveram fortemente presentes na sua obcecada, tensa, destemida e acidentada vida. É comum o suicídio em sofredores dessa doença, quando não medicados. Santos-Dumont assim morreu em 23 de julho de 1932, aos 59 anos.

CONCLUSÃO

Em resumo, Santos-Dumont foi um grande benfeitor para a humanidade e ser humano extraordinário. É o símbolo maior brasileiro de criatividade, de inovação tecnológica e de persistência no objetivo.

Tudo isso em um homem só. “É Santos-Dumont, um Brasileiro!” (refrão de modinha popular, em 1902, de Eduardo das Neves).

Aluizio Weber, 22/09/2006

Anexo 1: O 14-BIS (duas vistas)

Alberto Santos Dumont

Anexo 2

Cidades com maior vínculo com a vida e a obra de Santos-Dumont

DIAMANTINA-MG, onde nasceu o pai de Santos-Dumont em 20/07/1832;

OURO PRETO-MG, terra natal de sua mãe (1835) e de seus avós maternos e onde Santos-Dumont estudou por breve período (Escola de Minas de Ouro Preto);

SANTOS-DUMONT-MG e seu Sítio CABANGU, onde nasceu Alberto Santos-Dumont em 20/07/1873. Lá ele viveu os primeiros dois anos de vida e lá promoveu atividade pecuária entre 1920 e 1924;

VALENÇA-RJ (Casal), onde ele residiu por cerca de quatro anos (1875 a 1878);

RIO DAS FLORES-RJ (então parte de Valença), onde foi batizado em 20/02/1877, com três anos e sete meses de idade;

RIBEIRÃO PRETO-SP e município vizinho DUMONT-SP, local da Fazenda Arindeúva, onde ele foi morar em 1879 e passou a maior parte da infância e da adolescência;

CAMPINAS-SP, onde estudou (Colégio Culto à Ciência) de 1883 a 1887;

RIO DE JANEIRO-RJ, cidade onde morou por um breve período (Rua Malvina, São Francisco Xavier); onde foi estudar em 1889 (Colégio Menezes Vieira, Rua dos Inválidos); onde está sepultado desde 21/12/1932 juntamente com seus pais (Cemitério São João Batista); e onde se encontra conservado o seu coração em esfera de cristal e ouro (no Museu Aeroespacial - MUSAL);

SÃO PAULO-SP, onde também estudou (Colégios Kopke e Morton); onde morou em 1891 (Rua Helvetia) e para onde levou (1891) o 1º automóvel do Brasil (Peugeot - 3,5 HP);

PARIS-França, onde estudou física, química, eletricidade e mecânica, de 1892 a 1896 (obs: em 1894 freqüentou como aluno-ouvinte a Universidade de Bristol-Inglaterra). Em Paris idealizou, construiu seus inventos e realizou seus feitos históricos, de 1898 a 1909. Lá residiu até 1914;

PETRÓPOLIS-RJ, onde se encontra a “Casa Encantada”, também inovadora em arquitetura, ergonomia e simplicidade, a qual ele projetou e residiu por diversas vezes a partir de 1918; e

GUARUJÁ/SANTOS-SP (Hotel de la Plage), onde faleceu em 23/07/1932.

1 - Onde nasceu Santos-Dumont? Como foi a sua infância?

Filho de Francisca Paula Santos e Henrique Dumont, Alberto Santos-Dumont nasceu em 20 de julho de 1873, na fazenda Cabangu, que ficava na cidade de Palmira - MG (hoje chamada Santos Dumont). Com aproximadamente um ano de idade, sua família mudou-se para a Fazenda do Casal, em Valença (Rio de Janeiro); uma fazenda de café, de propriedade do avô materno de Santos-Dumont.

Ainda no estado do Rio de Janeiro, Santos-Dumont foi batizado na igreja de Santa Tereza D’Ávila, em 20 de fevereiro de 1877. Após dois anos, o pai de Alberto Santos-Dumont adquiriu a Fazenda Arindeúva, no interior do estado de São Paulo.

Nesse período, Santos-Dumont já se interessava pelas máquinas (locomotivas) da fazenda que levavam o café até Ribeirão Preto. Ele dirigia as locomotivas aos 12 anos de idade! Alberto preferia fugir para a usina para brincar com as máquinas de beneficiamento de café, em vez de acompanhar seu pai e seus irmãos na verificação da colheita.

Outra paixão do aviador eram as “criaturas aladas”. Segundo relato do próprio Santos-Dumont, em sua autobiografia Dans L’air (traduzida por Miranda Bastos como “Os Meus Balões), ele passava horas admirando o céu e as aves com suas longas asas abertas que alcançavam grandes alturas.

A festa de São João tinha sabor especial para Santos-Dumont. A cada 24 de junho de todo ano, ele enchia dúzias de balões de papel e os contemplava enquanto subiam para o céu.

2 - Como Santos-Dumont percebeu sua vocação para ser aeronauta?

O primeiro contato de Santos-Dumont com balões ocorreu em São Paulo, em 1888, quando avistou o objeto numa viagem com a família. Ele tinha quinze anos. A partir daquele momento, Santos-Dumont teve a certeza de que queria se tornar um construtor de balões.

O fator decisivo ocorreu após três anos, em 1891, em Paris-França,quando acompanhou seu pai em busca de tratamento médico na cidade (Henrique ficou hemiplégico ao sofrer um acidente de charrete).

Em Paris, Dumont conheceu um aeronauta (os chamados pioneiros da aviação), mas desapontou-se ao saber que era muito perigoso voar em balões. Além disso, voar era muito caro para a época.

O ponto alto da viagem de Dumont à França foi a visita ao Palácio da Indústria, onde viu pela primeira vez um motor a petróleo, com apenas um cavalo de força. Naquele momento, Alberto percebeu que poderia usar aquele tipo de motor em um balão.

Seu pai, Henrique, percebeu o entusiasmo do filho e tomou uma decisão após aquela experiência. De volta ao Brasil, Henrique emancipou Alberto Santos-Dumont e deu-lhe parte da herança para que o rapaz fosse estudar física, química, mecânica e eletricidade na capital francesa. O pai de Santos-Dumont acreditava, instintivamente, que o futuro do mundo estava na mecânica.

3 - Como foram as primeiras descobertas de Santos-Dumont?

Santos-Dumont não só voou em um objeto mais pesado que o ar pela primeira vez, como descobriu pequenos detalhes que iriam direcionar tudo o que se construiu sobre dirigíveis e aviões na sua época.

Ele percebeu que os balões e dirigíveis poderiam ser construídos com motor a petróleo, usou um tipo de seda diferente, mais leve e mais resistente; foi o primeiro a dar dirigibilidade aos seus inventos (conseguia deslocar-se horizontalmente, ao invés de apenas subir e descer).

Santos-Dumont foi o ganhador do primeiro prêmio voltado para a aviação, o “Prêmio Deutsch de la Meurthe”, após um percurso pré-estabelecido, contornar a Torre Eiffel e retornar ao ponto de partida em 30 minutos, em seu dirigível nº 6.

Além disso, Dumont sempre aprendia com o fracasso de seus projetos, aperfeiçoando-os para que fossem perfeitos.

4 - Qual foi o primeiro balão construído por Santos-Dumont?

O primeiro balão construído por Dumont também foi o único a ter um nome: “Brasil”. Desde cedo, o brasileiro inovava com suas idéias. O “Brasil” foi um balão diferente de tudo o que havia na época, tinha apenas 113m³, contra uma média de 500 a 2000m³ dos outros balões.

Santos-Dumont fez um invólucro de seda japonesa, mais leve e mais resistente, enquanto o material mais usado era a seda chinesa. O “Brasil” era fácil de manobrar, prático de dobrar e embalar após a aterrissagem. Os outros inventos de Santos-Dumont foram numerados, inclusive o seu primeiro avião.

5 - O 14 bis foi o único avião construído por Santos-Dumont?

Não. Após voar 60m em 23 de outubro de 1906 (vôo que foi homologado e reconhecido como o primeiro vôo no mundo de um aparelho mais pesado que o ar, utilizando somente os próprios meios do avião.

Por esse vôo, Santos-Dumont recebeu o prêmio “Archedeacon”), Dumont queria superar seus limites e marcou outro vôo para o dia 12 de novembro do mesmo ano, quando alcançou 220m de distância conquistando o premio do Aeroclube da França e batendo o recorde de distância que originou o marco no campo de Bagatelle.

Mas ele queria mais. Queria diminuir o tamanho da sua próxima máquina. Um ano depois do primeiro vôo com o 14 bis, Dumont abandonou totalmente o avião 14 bis e se concentrou em um novo projeto, o nº 19 de sua série, chamado Demoiselle (que significa libélula em francês).

Construído em bambu e metal, com 8 metros de comprimento e um motor de 20 cavalos. Ele pesava 56 kg e foi o primeiro avião construído em série.

Nos primeiros testes o Demoiselle atingiu com facilidade os 200 metros de distância e em outros vôos, percorreu distâncias de até 20km.

6 - Porque os americanos não acreditam que Santos-Dumont foi o primeiro a voar?

Em 1908, dois anos após os memoráveis vôos do 14 bis, os irmãos Wilbour e Orville Wright visitaram a França e realizaram vôos em uma máquina fabricada por eles – o Flyer. Nesses vôos, ainda precisavam de uma grande catapulta para lançar o avião no ar.

À época, os irmãos Wright aproveitaram para reivindicar o reconhecimento pelo primeiro vôo em um mais pesado que o ar. Eles afirmavam ter voado em novembro de 1903, mas não tinham como provar. Eles deram entrevistas sobre seus feitos, criando dúvida sobre o verdadeiro autor do primeiro vôo. O biógrafo de Wilbour e Orville Wright e autor do primeiro livro sobre os irmãos americanos, John MacMahon, conta que no alegado vôo de 17 de dezembro de 1903 (que reivindicavam como sendo o primeiro da aviação), os americanos voaram quatro vezes na presença de cinco testemunhas, sendo três delas bombeiros, para qualquer eventualidade.

O único documento produzido durante a experiência foi um telegrama que Orville enviou ao seu pai, relatando os vôos daquele dia. De acordo com o diário dos irmãos, eles teriam realizado diversos vôos, alguns deles testemunhados por pessoas locais. O intrigante é que essas notícias não foram divulgadas e publicadas, nem nos Estados Unidos.

Os experimentos dos Wright foram interrompidos de 1905 a 1908. Em 1905, os Wright escreveram uma carta ao Departamento de Guerra dos EUA, oferecendo sua invenção. Foram recusados, com a alegação de que o departamento não tomaria qualquer providência “até que uma máquina seja produzida com capacidade de produzir vôo horizontal e de conduzir um operador”. Não satisfeitos com a recusa, os irmãos Wright tentaram vender a invenção ao governo francês, por meio do capitão Ferber (intermediário dos interesses dos Wright na França), como máquina de guerra.

O Ministério de Guerra francês duvidou da conquista dos americanos: “como um simples capitão da artilharia pode saber de algo que os jornalistas americanos, os mais bem informados do mundo, ignoram?” Na época, ninguém admitia que um fato tão relevante como aquele pudesse ser ignorado pela imprensa americana, principalmente por ter acontecido nos EUA.

O próprio Santos-Dumont teria escrito, indignado: “Não posso deixar de ficar profundamente espantado com esse fato inexplicável, único, desconhecido: durante três anos e meio, os Wright realizaram inúmeros vôos mecânicos e nenhum jornalista da tão perspicaz imprensa dos Estados Unidos os testemunhou para aproveitar o assunto para a mais bela reportagem da época!” E continua no mesmo texto: “Estávamos em plena carreira de Gordon Bennet – dono do New York Herald, um dos mais importantes jornais norte-americanos.

Tudo o que era novo, ele encorajava. Nas minhas oficinas, se encontrava, quase dia e noite, um dos seus repórteres. ‘Estamos’, dizia-me ele, ‘num período áureo da história do mundo. O público se interessa prodigiosamente pelos seus trabalhos’.

E estes eram quase quotidianamente relatados no jornal de Gordon Bennet. Como imaginar então que, na mesma época, os irmãos Wright descrevem círculos no ar durante horas, sem que ninguém disso se ocupasse?”.

Infelizmente, boa parte do mundo considera os irmãos Wright como os primeiros a voar em um mais pesado que o ar, graças ao marketing americano.

7 - Quantos prêmios Santos-Dumont recebeu?

Santos-Dumont, por seus feitos, veio a receber muitos prêmios e honrarias. O primeiro prêmio que conquistou, com destaque no mundo todo, foi o “Prêmio Deutsch”, em 19/01/1901, ao percorrer uma rota de 11km previamente estipulada, que abrangia o contorno da Torre Eiffel e o regresso ao ponto de partida em trinta minutos.

O segundo destacado prêmio que ganhou foi o “Prêmio Archdeacon”, instituído em julho de 1906 e destinado ao primeiro aviador que conseguisse voar uma distância de 25m com ângulo máximo de descida de 25%. Santos-Dumont, com seu famoso vôo de 60m, a bordo do 14 bis em 23/10/1906, conquistou esse prêmio.

Em 12 de novembro de 1906, Dumont conquistou o Prêmio Aeroclube da França, por ter percorrido 220 metros em seu 14 bis, no qual a exigência era de um vôo de 100m.

8 - Por que Santos-Dumont desenvolveu seus estudos e seus projetos na França e não no Brasil, mesmo sendo de uma família rica?

Porque a França, especialmente Paris, era na época o centro da civilização e do progresso nas ciências. Santos-Dumont quis, inclusive por orientação e com o apoio financeiro de seu pai (brasileiro de ascendência francesa), aprofundar seus estudos em física, química, mecânica e eletricidade na capital francesa.

Fonte: www.santosdumont.14bis.mil.br

Alberto Santos Dumont

No ano de 1906, o brasileiro Santos-Dumont assombra a população de Paris ao levantar vôo com um aparelho mais pesado que o ar. Por esta e outras invenções, Santos-Dumont é considerado, por muitos, o Pai da Aviação.

A segunda metade do século XIX é uma época marcada por novidades científicas.

Nos Estados Unidos, Thomas Edison inventa o primeiro gravador de som - o fonógrafo - e a lâmpada elétrica incandescente.

Em Paris, os pioneiros da fotografia dão seus passos iniciais, e os Irmãos Lumière apresentam os primeiros filmes de cinema que se conhece.

A invenção tecnológica estava nas cabeças dos homens do século XIX. O escritor Júio Verne inaugura um novo gênero literário: a ficção científica. A obra de Júlio Verne influenciou fortemente a formação do menino Santos-Dumont.

Alberto Santos-Dumont nasce em 1873 na Fazenda Cabangu, interior de Minas Gerais.

Ainda adolescente, vai para a França estudar Física, especialmente eletricidade e mecânica.

Com o apoio do pai, engenheiro, construtor de ferrovias e próspero fazendeiro de café, Santos-Dumont envereda pelas pesquisas aeronáuticas.

Em 1898, aos 25 anos de idade, voa sobre Paris num balão esférico de vôo livre, chamado BRASIL. Mas o objetivo de Santos-Dumont é conseguir controlar o vôo.

Começa a construir um balão equipado com pequeno motor a explosão. Trabalha em sua oficina com um grupo de colaboradores.

Alberto Santos Dumont
Santos Dumont

Em 1898, mesmo ano do Balão Brasil, Santos-Dumont percorre o céu de Paris com o seu dirigível número um. Ao primeiro dirigível sucedem-se outros, mais aprimorados.

Em 1901, a primeira grande façanha. Santos-Dumont contorna a Torre Eiffel e volta ao ponto de partida em menos de 30 minutos.

É grande a popularidade que Santos-Dumont conquista entre os franceses. Multidões acompanham as experiências com seus inventos.

Em 1903, Santos-Dumont põe sua frota de balões à disposição do ministro da guerra da França, para operações militares.

Em 1906, Santos-Dumont tenta um feito inédito. Levantar vôo com um aparelho mais pesado que o ar, sem o auxílio de um balão.

O 14-BIS , seu primeiro avião, é levado para o Campo de Bagatelle. A multidão acompanha curiosa.

O 14-BIS se ergue a mais de dois metros do solo, ao longo de sessenta metros.

É a consagração definitiva. A imprensa mundial noticia a proeza.

Alberto Santos Dumont
14 BIS

A novidade seguinte é é um pequeno avião apelidado pelos franceses de Demoiselle. Com 110 quilos de peso, o Demoiselle é construído com um eixo de bambu.

Santos-Dumont é também autor de outros inventos menos conhecidos, como o Deslizador Aquático.

Também é de sua autoria o relógio de pulso - uma forma por ele encontrada para melhor controlar o tempo de vôo.

Em 23 de julho de 1932, aos 59 anos, Santos-Dumont suicida-se num quarto de hotel, na praia do Guarujá, litoral paulista. Sua obra contribuiu definitivamente para o desenvolvimento da aviação.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Alberto Santos Dumont

SIM!, SOU EU! ALBERTO!!!

Uma manhã, em São Paulo, com grande surpresa minha, convidou-me meu pai a ir à cidade e, dirigindo-se a um cartório de tabelião, mandou lavrar escritura de minha emancipação. Tinha eu dezoito anos.

De volta à casa, chamou-me ao escritório e disse-me: "Já lhe dei hoje a liberdade; aqui está mais este capital", e entregou-me títulos no valor de muitas centenas de contos. "Tenho ainda alguns anos de vida; quero ver como você se conduz: vai para Paris, o lugar mais perigoso para um rapaz.

Alberto Santos Dumont
Estas notas são dedicadas aos meus patrícios que desejarem
ver o nosso céu povoado pelos Pássaros do Progresso

Vamos ver se você se faz um homem; prefiro que não se faça doutor; em Paris, com o auxílio de nossos primos, você procurará um especialista em física, química, mecânica, eletricidade, etc., estude essas matérias e não se esqueça que o futuro do mundo está na mecânica. Você não precisa pensar em ganhar a vida; eu lhe deixarei o necessário para viver..."

Alberto Santos Dumont

Durante vários anos, estudei e viajei. Segui com interesse, nos jornais ilustrados, a expedição de André ao Pólo Norte; em 1897, estava eu no Rio de Janeiro quando me chegou às mãos um livro em que se descrevia com todos os seus pormenores, o balão dessa expedição.

Continuava eu a trabalhar em segredo, sem coragem de pôr em prática as minhas idéias; tinha pouca vontade de arruinar-me. Esse livro, entretanto, do construtor Lachambre, esclareceu-me melhor e decidiu inabalavelmente minha resolução. Parti para Paris...

Alberto Santos Dumont

- Quero subir em balão. Quanto me pedem por isso?

- Temos justamente um pequeno balão no qual o levaremos por 250 frs.

- Há muito perigo?

- Nenhum.

- Em quanto ficarão os estragos da descida?

- Isso depende do aeronauta; meu sobrinho, aqui presente, M. Machuron, que o acompanhará, tem subido dúzias de vezes e nunca fez estrago algum. Em todo caso, haja o que houver, o Sr. não pagará nada mais que os duzentos e cinqüenta francos e dois bilhetes de caminho de ferro para a volta.

- Para amanhã de manhã o balão!... Tinha chegado a vez...

Texto de autoria de Alberto Santos Dumont dos livros "O que eu vi e o que nos veremos" e "Os meus Baloes

Cronologia de Alberto Santos Dumont

A presente "Cronologia de Alberto Santos Dumont" ainda esta sendo construída, esta sujeita a revisão e pode conter Erros

1873

JUL, 20. - Nasce Alberto Santos Dumont, no lugar denominado Cabangu, no distrito de João Aires. mudando depois para Palmira, Minas Gerais.

- Filho do Engenheiro Henrique Dumont e de D. Francisca de Paula Santos, foi o sexto filho de uma série de oito; seus irmãos foram:

Henrique (15 de agosto 1857) Maria Rosalina (13 de fevereiro 1960) Virgínia (20 de dezembro de 1866) Luiz (16 de maio 1869) e Gabriela (26 de marco 1871) Sophia (2 de maio 1875) e Francisca (28 de marco 1877).

1874/79

- Vai morar com a família em Casal, fazenda de café do avô materno, que o pai administra, e que fica perto de Valença, estado do Rio de Janeiro, onde nasceram suas irmas Sophia e Francisca.

1877

FEV, 20. - Batizado de Alberto Santos Dumont na Paróquia de Santa Teresa, na cidade de Valença, distrito de Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro; foram padrinhos o seu tio materno José Augusto de Paula Santos e Dna. Maria Eugênia Pinto Coelho da Rocha.

1879

- Henrique Dumont, com a heranca herdada do sogro comprou a fazenda Arindeúva, na região de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo, e logo depois buscou a familia e bens, dentre os bens 80 escravos e 300 contos em dinheiro. Em um ano plantou 500.000 mudas de café e ao vender a propiedade 10 anos depois possuia 5.000.000 de cafeeiros.

1883/85

- Realiza seus primeiros estudos no Colégio Culto à Ciência, em Campinas, SP

1888

- Vê, pela primeira vez, um balão cativo na capital de São Paulo. em uma exposição de equipamentos aeronáuticos construídos na França.

1890

- O pai torna-se hemiplégico e vende a fazenda.

1891

- Aos 18 anos, viaja com a família para a França, a bordo do vapor Elbe, onde o pai pretende curar-se da hemiplegia freqüentando as termas de Lamalou-les-Bains.

NOV, - Visitando com o pai, em Paris, uma exposição de máquinas no Palácio da Indústria, descobre um motor a petróleo.

NOV, - Pelo vapor Portugal, regressa com a família ao Brasil e vai residir numa casa da rua Helvetia, em São Paulo.

1892

- É emancipado pelo pai, no 3.º Tabelião de Notas da cidade de São Paulo, que também lhe entrega uma fortuna em títulos.

MAY, - Acompanhado dos pais, volta à Europa, onde pretende estudar em Paris. Mas Henrique Dumont, chegando a Portugal, sente-se pior de saúde e volta ao Brasil.

- Começou os seus estudos em Paris com o Professor Garcia, os quais se prolongaram até 1896.

AGO, 30. - O pai falece no Rio de Janeiro.

SET, - Fixa residência em Paris, na Rua d'Edimbourg nº 26

NOV, 20. - Parte da Europa para o Brasil, no vapor "Orénoque"

DEZ, 06 - Chegou ao Rio de Janeiro.

1893

JAN, - De regresso em Paris

- Promove, no velódromo de Parc des Princes uma corrida de mototriciculos.

1894

- Freqüenta como aluno-ouvinte a Universidade de Bristol, na Inglaterra.

1896

- Descobre, numa livraria do Rio, o livro de Lachambre e Machuron: Andrée au Pôle Nord en Ballon

- Realizou estudos na Inglaterra, na Universidade de Bristol

1897

- Depois de uma visita ao Brasil, regressou a Paris, onde tinha fixado residência.

- Comprou um automóvel "Panhard", com o qual foi de Paris a Nice em 54 horas de viagem.

- Para experimentar um motor a explosão de dois cilindros que havia construído, adaptou-o a um triciclo com o qual acompanhou uma parte da corrida de automóveis entre Paris e Amsterdam

1898

MAR, Volta a Paris e voa pela primeira vez num balão esférico, pertencente à firma Lachambre et Machuron. saindo do Parque de Aerostação de Vaugirard em Paris e descendo nos terrenos do Chateau de La Ferrière, propriedade de Alphonse de Rotschild

MAI, 30. - Ascensão aerostática noturna na qual o balão de Santos=Dumont foi envolvido por uma tespestade; partida de Pérone e descida próximo a Narnur, na Bélgica

JUN - Quinta ascensão em balão livre e a primeira em que ele levou passageiros: o Barão de Beville e Mademoiselle De Forest; o balão, de 1.000 metros cúbicos, partiu do Parque de Aerostação de Vaugirard em Paris e, quatro horas depois, desceu em Vincennes

JUL, Encomenda à mesma firma um pequeno balão para seu próprio uso, a que dá o nome de Brasil.

Constrói o seu primeiro balão dirigível, o Santos Dumont nº 1.

SET, 18. Primeira experiência com o SD. nº 1.no Jardim da Aclimação, em Paris; primeira vez que um motor a explosão interna, adaptado a um veículo aéreo, funcionou no ar.

SET, 20 - Segunda experiência com o balão dirigível n.º 1, partindo do Jardim da Aclimação e indo até o Bois de Boulogne onde foi obrigado a descer no Campo de Bagatelle devido ao mau funcionamento da bomba de ar do balonete

OUT, 25. - Ascensão realizada em balão livre; a ascensão, que durou horas, iniciou-se em Paris e terminou em Vicarnes, próximo a Chantilly ("La France" - Bordeaux - 26 OUT, - Fundação do Aeroclube de França.

1899

JAN, 30 - Chegada a Nice, vindo de Paris, tendo se hospedado no "Cosmopolitan Hotel"

JAN, 31. - Se inscreveu na "Taça dos Aeronautas", uma competição de balões livres.

MAR, 15. - Notícia sobre a inscrição de Santos Dumont numa corrida de automóveis a ser realizada, no dia 21 de março, com o percurso Nice - Castellanes - Nice

MAR, 24. - Na corrida de automóveis Nice - La Turbie, Santos Dumont tirou o 3.º lugar

ABR, 15. - Realização no Automóvel Clube de Paris do "almoço das apostas", no qual Santos Dumont apostou que, antes de 31 de maio de 1899, desceria com o seu balão dirigível no terraço do Automóvel Clube

OCT, 20. - Creation do "Aero Club de France ", primeira instituicao aeronautica do mundo. Criada por: Hanry de La Vaulx, Henri de La Valette, Albert de Dion, Leon Serpollet, Ernest Archdeacon, Henry Deutsch de la Meurthe e Albert de Dion, pouco despues tambem Alberto Santos Dumont.

1899

MAY, 11. Ensaio fracassado com o SD. nº 2 que se dobra ao meio no momento da elevação.o balão chocou-se contra as árvores, danificando-se.

JUN, 12 - Foi realizada a competição denominada "Taça dos Aeronautas", para balões livres, na qual Santos=Dumont tirou o 4.º lugar,permanecendo 22 horas no ar. pilotando o balão América" de 1.800 metros cúbicos; o balão de Santos=Dumont desceu a 325 quilômetros do ponto de partida ("Jardim des Tuileries"), enquanto que o vencedor, o Conde de La Vaulx, desceu a 390 quilômetros.

1899

JUN, 25 - Ascensão no balão livre "Aero Club", partindo do "Jardim des Tuileries", em Paris, onde se realizava uma exposição de automóveis

JUN, 29 - Realizou uma ascensão com o balão livre "Brasil". de sua propriedade, tendo partido do "Jardin des Tuileries", onde se realizava uma exposição de automóveis, e tendo descido em Sevran ; nessa ascensão Santos=Dumont levou apenas 7 quilogramas de lastro

JUL, 06 - Ascensão com o balão livre "Aero Club", tendo descido em Melun

NOV, 13. No SD. nº 3 faz uma feliz ascensão, Parque de Aerostação de Vaugirard, contornando a torre Eiffel pela primeira vez, descendo no Parc des Princes.

NOV, 20. - Ascensão com o balão dingível n.º 3, tendo descido em Ivry

MAR, 22. - Inicio da construção do balão dirigível n.º 4

1900

MAR, - A Comissão Científica do Aeroclube da França institui o Prêmio Deutsch, oferecido por Henri Deutsch de la Meurthe, empresário ligado ao refino do petróleo e grande incentivador da aviação.

MAR, 29. - Ascensão no balão livre "Centauro", partindo de Nice e descendo, no meio de uma violenta tempestade, em Vallouns: o balão foi submetido a um desastroso "arrastamento' ao chegar no solo, tendo o invólucro do Balão se dilacerado de encontro às árvores.

JUN, - Finaliza a construção de seu hangar em Saint- Cloud, no parque de aerostação do Aeroclube da Franca.

AGO, 01. Termina a feitura do balão dirigível n.º 4

SET, 19 - Experiência com o balão dirigível n.º 4 em Saint Cloud, tendo se quebrado o leme de direção; essa experiência foi feita na presença dos membros do "Congresso Internacional de Aeronáutica.

DEZ, 16. - Achava-se em Nice, curando-se da pneumonia adquirida com as experiências do balão dirigível n.º 4. O aeronauta, sentado num selim de bicicleta recebia em cheio o vento da hélice tratora ...

- A Comissão Científica do Aeroclube concede-lhe o Prêmio de Encorajamento, de 4 mil francos. Com o dinheiro do prêmio, instituiu o Prêmio Santos Dumont, como incentivo aos pesquisadores da aerostação de dirigíveis.

MAR, 29. - Ascensão no balão livre "Centauro", partindo de Nice e descendo, no meio de uma violenta tempestade, em Vallouns: o balão foi submetido a um desastroso "arrastamento' ao chegar no solo, tendo o invólucro do Balão se dilacerado de encontro às árvores.

1901

JUL, 12. - Circula a Torre Eiffel com o dirigível nº 5, na primeira tentativa de conquistar o Prêmio Deutsch

JUL, 13. - Concorrendo ao Prêmio Deutschde la Meurthe, de 100 mil francos, ao contornar a torre Eiffel um golpe de vento violento o atira contra as árvores do parque Rothschild.

AGO, 8. - Insistindo na prova Deutsch, o balão perde gás e vai cair, explodindo sobre as paredes de um edifício do Trocadero. Preso às cordas e à quilha do balão, é retirado, ileso, pelos bombeiros.

OUT, 19. - No SD.nº 6 ganha o Prêmio Deutschde la Meurthe, partindo de Saint-Cloud, contornando a torre Eiffel e voltando ao ponto de partida no espaço de 29 minutos e 30 segundos (30 minutos era o tempo estipulado para a prova).. Realiza a prova diante da Comissão do Aeroclube da França

1902

JAN, 29. - Sobe no nº 6 em Monte Carlo, onde passa uma temporada naquela cidade, a convite do príncipe Dino/Alberto I??, que mandou construir no bulevar de La Condamine um aeródromo e hangar para suas ascensões com o dirigível nº 6.

FEV, 14. - Acidente com o nº 6, que sosobra nas águas da baia de Mônaco.

Visita Londres, Nova York e São Luís.

Falece, em Portugal, sua mãe, d. Francisca Santos Dumont.

ABR, - Viaja aos Estados Unidos, onde visita os laboratórios do inventor Thomas Edison, em Nova York, e é recebido na Casa Branca, em Washington, pelo Presidente Theodore Roosevelt.

MAY, - Em Londres, tem o invólucro de seu dirigível nº 6 rasgado por sabotagem no"Crystal Palace".

- Projeta o dirigível nº 7, chamado de La Balladeuse

O dirigivel nº 8 foi uma copia do nº 6 e foi vendido ao Sr.Edward Boice, na epoca vice-presidente do aeroclube americano, e destruido num acidente nos primeiros voos.

Constrói, neste ano tambem, os dirigíveis nºs 9 e 10.

1903

JUL, 14. - No dirigível nº 7, toma parte na grande parada militar em Longchamps, Sobrevoa, com o dirigível nº 9, a formatura militar em Longchamps, Paris, durante as comemorações do 14 de julho, data nacional francesa. 9 ou 7 ????

- Finaliza a construção do novo hangar em Neuilly, Paris.

- Faz os primeiros ensaios com o dirigível nº 9 e com ele, posteriormente, muitas ascensões.

1904

- Escreve Dans l Air (Os Meus Balões). Recebe do governo francês a comenda de Cavaleiro da Legião de Honra.

1905

- Escreve artigo para a revista Je Sais Tout. {Ce que je ferai, ce que l’on fera}

- Constrói o dirigível nº 10, chamado dirigível-ônibus, com capacidade para dez passageiros.

1904

JUN, - Chega aos Estados Unidos, para participar da corrida de dirigíveis de Saint-Louis, mas sofre ação criminosa de sabotadores, que inutilizam o invólucro do seu dirigível nº 7.

1905

- Projeto do DIRIGIVEL SD.nº 11.

- Projeto do um monoplano bimotor, e o nº 12, um helicóptero, mas não os conclui.

AGO, - Ascensão, em Trouville, do SD.nº 14. Numa corrida de lanchas na Cote d'Azur, toma conhecimento do motor "Antoinette", e conhece o seu fabricante, Levasseur.

1906

- Santos Dumont nº 12, helicóptero, 2 hélices. - Santos Dumont nº 14.

- Constrói um tipo de aeroplano aquático, com asas do tipo do papagaio celular de Hargrave. Experimenta o aparelho como planador, conseguindo, para isso, prende-lo a uma corda e esta a um barco-automóvel, que o impulsiona.

- Constrói novo aparelho um biplano e para testar seu equilíbrio e direção, prende-o sob o dirigível nº 14, desprendendo, depois, deste. Mas o biplano fica conhecido por 14-Bis.

SET, 7. - Campo de Bagatelle. Consegue elevar-se no biplano por um segundo.

SET, 13. - Campo de Bagatelle. Faz no biplano (14-Bis) um pequeno vôo de 8 metros.

SET, 30. - Participa da Taça Gordon Bennet para balões livres, mas ferindo o braço numa transmissão teve que aterrissar perto de Bernay.

OUT, 23. - Campo de Bagatelle. Consegue elevar-se do solo a uma altura de cerca de um metro e a uma distância de 60 metros, ganhando a Taça Archdeacon, ofertada ao piloto que em sua máquina, e por seus próprios recursos, conseguisse voar através de um percurso de 25 metros.

NOV, 12. - Campo de Bagatelle. Novamente pilotando o seu 14-Bis consegue voar 220 metros. Estabeleceu os primeiros recordes de aviação do mundo.

1907

MAR, 21. - Sobe o nº 15, biplano do tipo celular.

ABR, 4. - O 14-Bis é inutilizado em desastre.

AGO, 10. - Sobe no balão "Aigle" com pilotos do Aeroclube de França e os amigos brasileiros Antônio Prado Júnior e senhora, D. Eglantina.

- Constrói o monoplano nº 19.

- Constrói novo monoplano, nº 20, conhecido por Demoiselle.

1908

- Exposição da Demoiselle no Salão da Aeronáutica.

1909

- Passeia com sua Demoiselle pelos céus da França.

1910

- Deixa de voar. Seu ultimo voo como piloto aconteceu o 4 de janeiro de 1910 e nao em 1909 como descrito em diversas biografias, nessa data ele teve um serio acidente com o demoiselle.

1913

- É erguido em Saint-Cloud monumento em sua homenagem.

1914/15

- Passa-o entre Brasil, Europa e novamente Brasil. A convite dos Estados Unidos viaja para Washington, para participar de um congresso científico.

1916

- Parte para o Chile a fim de participar de Conferência Pan-Americana a realizar-se em Santiago. JUL, - Vai à Argentina, para o centenário da Assembléia de Tucuman.

1917

- Em Petrópolis constrói a casa "A Encantada".

1918

- O sítio de Cabangu, em Minas Gerais, lhe é doado pelo governo brasileiro.

- Na Encantada escreve o livro O que eu Vi, o que nós Veremos.

1919

SET, - , Visitou Guaiaquil e Quito, seguido depois em direção ao porto de Calláu no Perú.

1920

- Volta a Paris.

1922

- Manda erguer um túmulo para seus pais e para si mesmo, no Cemitério de São João Batista, do Rio de Janeiro. O túmulo é uma réplica do ícaro de Saint-Cloud.

1924

- Paris. Brasil. Novamente torna a Paris.

1926

- Interna-se no sanatório de Valmont-sur-Territet, na Suíça.

1927

- Passa algum tempo na aldeia de Glion, Suíça. Volta à França.

1928

- Volta ao Brasil pelo Cap Arcona. Desastre com o avião que lhe vem dar as boas-vindas à entrada da barra, ele cancela todas as comemorações.

- Volta para a França.

1929

- Recebe do governo francês a comenda de Grande Oficial da Legião de Honra.

1930

- Interna-se na casa de saúde de Preville, em Orthez, nos baixos Pireneus.

1931

- Sanatório de Biarritz. Volta definitiva ao Brasil.

- A Academia Brasileira de Letras o elege para ocupar a cadeira nº 38, vaga pelo falecimento do romancista Graça Aranha. Não chegou a tomar posse e, em seu lugar foi escolhido o escritor Celso Vieira.

1932

JUL, 23. Morre em Guarujá, São Paulo, aos 59 anos.

JUL, 31. A cidade de Palmira muda seu nome para Santos-Dumont.

DEC, 23. Seu corpo e enterrado no Cemiterio São Joao Batista no Rio de Janeiro,apos ter ficado por quase 6 meses guardado em alguma urna funeraria paulista.

1959

SET, 22 - Le foi concedido o posto honorífico de Marechal-do-Ar e seu nome continuou a encabeçar a lista de oficiais-aviadores, no Almanaque do Ministério da Aeronáutica.

Fonte: www.santos-dumont.net

Alberto Santos Dumont

Nascido e Criado no Brasil

Hoje, um monumento em Paris credita a Santos Dumont o primeiro vôo registrado de aeroplano. Em toda a América do Sul ele é tido como o verdadeiro Pai da Aviação. Ao passo que este título pode ser contestável, Santos Dumont foi sem dúvida um dos mais dedicados dos pioneiros – o primeiro homem licenciado como piloto de balões, dirigíveis, biplanos e monoplanos. Entretanto seu nome parece ter sido excluído dos livros e anais históricos de todo o mundo.

Santos Dumont era um excêntrico e tímido inventor que arriscava regularmente a própria vida a fim de testar suas próprias criações – só para divulgar seus segredos em seguida. Ele nunca se preocupou em patentear seus designs : o relógio de pulso, o dirigível, o hangar, os aeroplanos. Ele queria que suas criações se destinassem ao avanço da comunidade mundial, já que os mistérios que ele buscava desvendar eram compartilhados pela raça humana havia séculos.

Alberto Santos Dumont nasceu no estado brasileiro de Minas Gerais, em 20 de julho de 1873 - dia dos anos de seu pai. O aniversário comum talvez explique a forte ligação que se formou entre o engenheiro Henrique Dumont e seu último filho varão. Corajoso e empreendedor, Henrique Dumont voltou-se para o cultivo do café e transformou sua fazenda na mais moderna da América do Sul. Para transportar os grãos, teve que construir uma estrada de ferro particular, logo passando a ser conhecido como "O Rei do Café". Foi ali que Alberto passou a infância, observando nuvens, construindo pipas e balões de papel, e mergulhando na literatura fantástica de Jules Vernes, autor de livros como Cinco Semanas Num Balão e Da Terra à Lua.

Alberto aprendeu a lidar com a mecânica desde cedo: aos 12 anos dirigia as locomotivas do pai, além de fazer a manutenção das máquinas da fazenda. Em 1888, com 15 anos de idade, viu pela primeira vez a ascensão de um imenso balão cativo (preso ao chão). Começava a sua fascinação pela idéia da conquista do ar.

Quando Alberto tinha 17 anos, seu pai sofreu um grave acidente que o tornou hemiplégico. Henrique Dumont viu-se obrigado a vender a fazenda, indo buscar tratamento em Paris. Sentindo a fragilidade de sua saúde, decidiu emancipar o filho, delegando-lhe meios para que se sustentasse durante toda a vida. Orientou-o a desenvolver suas habilidades: que estudasse matemática, física, eletricidade e mecânica - pois na mecânica se encontrava "o futuro da humanidade." Em 1892, numa segunda viagem a Paris, o velho engenheiro passou mal e acabou por deixar Alberto sozinho na capital francesa.

Jovem, solteiro e independente, Alberto Santos Dumont faz de Paris a sua casa. Interessou-se pelos veículos movidos a petróleo - uma novidade na época. Mas não esqueceu a vontade latente de voar.

Pai da Aviação?

Para incentivar novos inventores, havia em julho de 1906 dois prêmios de aviação a se disputar: um de 1.500 francos, oferecido pelo Aeroclube de França ao primeiro aeroplano que, levantando-se por seus próprios meios, cobrisse um percurso de 100 metros; e outro - a Taça Archdeacon - de 3.000 francos, parao primeiro aeroplano que por si só voasse 25 metros. 
Sendo essencialmente um gênio improvisador, Santos Dumont não perdeu tempo em estudar o que se fizera antes dele no campo da aviação. Aprendeu primeiro a planar. Fabricou depois um aeroplano e prendeu-o a um dirigível para testá-lo nos ares. Chamou ao dirigível "no. 14", e ao aeroplano "14-bis." Com ele, se inscreveu para ambos os concursos.

Depois de alguns testes no campo de Bagatelle, Santos Dumont conseguiu realizar, em 23 de outubro de 1906, o primeiro vôo mecânico do mundo devidamente homologado. Seu estranho aparelho, o 14-bis, alcançou a distância de 60 metros, a uma altura que variava entre 2 e 3 metros. O pequeno brasileiro aparecia mais uma vez nas primeiras páginas de jornais do mundo todo (inclusive o americano New York Herald), recebendo, perante uma enorme audiência, a Taça Archdeacon.

Em 12 de novembro de 1906, Santos Dumont voltou ao campo de Bagatelle, disposto a ganhar o segundo prêmio, pelo percurso de 100 metros. Não compareceu sozinho. Ali já estavam os (futuramente famosos) aviadores Blériot e Voisin. Santos Dumont cedeu-lhes a vez, mas a máquina de seus concorrentes espinoteou e partiu-se sem desgarrar do chão. Ao cair da tarde, Santos Dumont alçou vôo em seu "14-bis", decolando do chão, percorrendo 220 metros de distância a 6 metros de altura, e aterrizando no espaço de 21 segundos. Conquistou, assim, o prêmio do Aeroclube de França - que mandou construir no campo de Bagatelle um monumento registrando este feito histórico, onde se lê até hoje:

AQUI, NO DIA 12 DE NOVEMBRO DE 1906, SOB O CONTROLE DO AEROCLUBE DE FRANÇA, SANTOS DUMONT ESTABELECEU OS PRIMEIROS REGISTROS DE AVIAÇÃO DO MUNDO.

Glória Perdida

O simples fato de existir, em 1906, um prêmio de 3.000 francos instituído em Paris (capital do mundo naquela época) para um vôo de 25 metros, mostra como nunca, até então, tinha-se havido notícia de que alguém houvesse voado em aeroplano motorizado. De fato, ninguém da classe científica, intelectual ou jornalística do mundo ouviu falar dos sucessos dos Orville e Wilbur Wright até dois anos mais tarde. Acredita-se que os irmãos Wright tenham voado na América do Norte entre 1903 a 1908. Escreveu o pioneiro Gabriel Voisin: "Em 13 de janeiro de 1908, [?] ninguém havia visto ainda os Wright voarem, e ninguém podia fornecer um documento, por mais pobre que fosse, sobre a forma, as dimensões, a natureza de seu aparelho. " Santos Dumont comentou a respeito: "Tais vôos teriam tido lugar perto de Dayton, num campo ao longo de cujo limite passava um bonde. Não posso deixar de ficar profundamente espantado por este feito inexplicável, único, desconhecido: durante três anos e meio os Wright realizam inúmeros vôos mecânicos e nenhum jornalista da tão perspicaz imprensa dos Estados Unidos se abalança a ir assisti-los, controlá-los, e aproveitar o assunto para a mais bela reportagem da época." 
Os próprios irmãos Wright declararam mais tarde que seus vôos de 1903 ficaram desconhecidos porque, embora tivessem convidado diversas pessoas, cinco apenas se dispuseram a comparecer. Esta explicação é tida como satisfatória para os historiadores do mundo até os dias de hoje.

O feito inquestionável do inventor brasileiro terá sido talvez o pioneirismo da aviação como a conhecemos hoje - pois, enquanto todos os aparelhos dos irmãos Wright dependiam de uma catapulta para alçar vôo, o 14-bis de Santos Dumont foi o primeiro a efetuar uma decolagem, por seus próprios meios, a partir do chão - critérios científicos estabelecidos e registrados pelo Aeroclube de França. Santos Dumont abria caminho para que outros aviadores da época criassem, com mais ou menos êxito, suas máquinas voadoras. Ele próprio coroou seus dez anos de invenções com o modelo Demoiselle, aviões pequenos e ágeis, de fabricação barata. Recusando-se a fabricá-los por encomenda, publicou seus desenhos para que o copiassem livremente (os atuais "ultraleves" são meras réplicas desta invenção). Seu ideal de tornar o vôo acessível a todos estava realizado.

Em 1909, após 12 anos de trabalho ininterrupto, Santos Dumont resolveu parar de voar. O esforço intenso, os acidentes sofridos, as fortes emoções vividas ao longo desse tempo começavam a afetar sua saúde. Sentia-se cansado física e emocionalmente. Diz-se que envelheceu prematuramente. Acreditam alguns biógrafos que ele começava a sofrer de esclerose múltipla - cujos sintomas incluem a depressão.

Fugindo da primeira guerra mundial que se alastrava pela Europa, Santos Dumont partiu em viagem pelas Américas. Voltou enfim ao Brasil, onde, nos longos anos de exílio, tinha se tornado herói nacional. Mas deprimia-se profundamente com o uso de aviões em bombardeamentos na Europa. Sentia-se culpado pela guerra aérea. Recolheu-se, em 1918, na pequena cidade de Petrópolis, em casa projetada e construída por ele mesmo. Ali viveu retraído, saindo poucas vezes à cidade.

Terminada a guerra, passou a viver entre o Brasil e a Europa, mas o sentimento de culpa e angústia nunca mais o deixariam. Buscou isolamento em clínicas de repouso, para "tratar dos nervos", mas em 1931 foi finalmente trazido de volta ao Brasil, quando sua família descobriu seu estado de melancolia e abandono. No país que nunca deixou de amar (Santos Dumont brandiu a bandeira do Brasil em vários de seus vôos), o "Pai da Aviação" viu sua invenção novamente usada numa guerra, desta vez de brasileiros contra brasileiros. E não resistiu.

Em 23 de julho de 1932, três dias após seu 59o aniversário, o inventor que um dia foi o centro das atenções de uma sociedade criativa e cintilante como a de Paris morreu em esquecimento num quarto de hotel no Brasil. O suicídio de Alberto Santos Dumont reverberou em noticiários do mundo inteiro, mas os ecos de suas realizações em vida não parecem ser mais ouvidos. Poucos sabem que uma cratera da lua tem o seu nome, e que para relembrar este pioneiro do vôo basta se olhar para o céu.

Bibliografia: canal discovery

Fonte: ww.republicaweb.com.br

Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no Distrito de Palmira (hoje rebatizado em honra a ele), em Barbacena, MG. Filho de Henrique Dumont, de ascendência francesa e engenheiro de obras públicas, e de Francisca Santos-Dumont, filha de uma tradicional família portuguesa.

Com Alberto ainda pequeno a família se mudou para Valença (atual município de Rio das Flores) e passou a se dedicar ao café. Em seguida seu pai comprou a Fazenda Andreúva a cerca de 20 km de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ali, o pai de Alberto logo percebeu o fascínio do filho pelas máquinas da fazenda e direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade.

Em 1891, Alberto, então com 18 anos e emancipado, foi para a França completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar. Ao chegar em Paris, admirou-se com os motores de combustão que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e comprou um para si. Logo Santos-Dumont estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Com a morte do pai, um ano depois, o jovem Santos-Dumont sofreu um grande abalo emocional, mas continuou os estudos na Cidade-Luz. Em 1897 fez seu primeiro vôo num balão alugado. Um ano depois, subia ao céu no balão Brasil, construído por ele. Mas procurava a solução para o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou então o seu número 1, com forma de charuto, com hidrogênio e motor a gasolina.

Primeiro vôo

No dia 20 de setembro de 1898 realizou o primeiro vôo de um balão com propulsão própria. No ano seguinte voou com os dirigíveis número 2 e número 3. O sucesso de Santos-Dumont chamou a atenção do milionário Henry Deutsch de la Muerte que no dia 24 de março de 1900 ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud, contornasse a torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos.

Santos-Dumont fez experiências com os números 4 e 5. Em 19 de outubro de 1901 cruzou a linha de chegada com o número 6, mas houve uma polêmica graças a um atraso de 29 segundos. Em 4 de novembro o Aeroclube da França declarou-o vencedor. Além do Prêmio Deutsch recebeu do presidente Campos Salles outro prêmio no mesmo valor e uma medalha de ouro.

Em 1902 o príncipe de Mônaco, Alberto 1º, ofereceu um hangar para ele fazer suas experiências no principado. Santos-Dumont continuou construindo seus dirigíveis. O numero 11 foi um bimotor com asas e o numero 12 parecia um helicóptero. Em 1906 foi instituída a Taça Archdeacon para um vôo mínimo de 25 metros com um aparelho mais pesado que o ar, com propulsão própria. O Aeroclube da França lançou o desafio para um vôo de 100 metros.

Com Edison e Roosevelt

Em abril de 1902 Santos Dumont viajou para os Estados Unidos onde visitou os laboratórios de Thomas Edison e foi recebido pelo presidente Theodore Roosevelt. Em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, o 14-Bis voou por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e conquistou a Taça Archdeacon. Uma multidão de testemunhas assistiu a proeza e no dia seguinte toda a imprensa louvou o fato histórico. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Em 12 de novembro de 1906, na quarta tentativa, conseguiu realizar um vôo de 220 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância e ganhando o Prêmio Aeroclube. Santos-Dumont não ficou satisfeito com os números 15 a 18 e construiu a série 19 a 22, de tamanho menor, chamadas Demoiselles.

Santos-Dumont recebeu diversas homenagens na Europa e nas Américas, em especial no Brasil, onde foi recebido com euforia. Como o brasileiro não patenteava suas invenções, seus projetos foram aperfeiçoados por outros como Voisin, Leon Delagrange, Blériot, Flarman.

Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, o primeiro encontro aeronáutico do mundo e o desafio da travessia do Canal da Mancha. Nesse ano Santos-Dumont obteve o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o canal da Mancha e foi parabenizado por carta pelo brasileiro.

Primeira Guerra Mundial

Cansado e com a saúde abalada, Santos-Dumont realizou seu último vôo em 18 de setembro de 1909. Depois fechou sua oficina e em 1910 retirou-se do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.

Passou a se dedicar ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Em 1915, com a piora na sua saúde, decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Panamericano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países.

Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito. Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França. Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.

Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião. Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo em convalescença em Glion, na Suíça e depois retornou à França.

Em 1928 veio ao Brasil no navio Capitão Arcona. A cidade do Rio de Janeiro tinha se preparado para recebê-lo festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Abatido, Santos-Dumont retornou a Paris.

Legião de Honra

Em junho de 1930 foi condecorado com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro, encontrou Santos-Dumont doente na França, o que o levou a entrar em contato com a família e a pedir ao sobrinho Jorge Dumont Villares que fosse buscar o tio.

De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente no Guarujá, onde se instalou no Hotel La Plage, em maio de 1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Em 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista, quando o Estado de São Paulo se levantou contra o governo de Getúlio Vargas. Isso incomodava a Santos-Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra civil. Mas aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho. Possivelmente esse fato pode ter piorado a angústia de Santos Dumont, que nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade, sem deixar descendentes.

O pai da aviação, Alberto Santos-Dumont

Alberto Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

O engenheiro Henrique Dumont, a esposa Francisca de Santos Dumont e cinco filhos viviam na fazenda Jaguara, em Sabará, Minas Gerais. Contratado para construir um trecho da estrada de ferro D. Pedro 2o, mais tarde Central do Brasil, Henrique mudou-se com a família para uma casa simples do sítio de Cabangu, que era propriedade da ferrovia e situava-se em lugar aprazível da serra da Mantiqueira, no distrito de João Gomes, posteriormente cidade de Palmira (MG).

Em 20 de julho de 1873, ali nasceu Alberto, o sexto filho do casal. Quando ele estava com sete anos de idade, a família mudou-se para a fazenda Arindeúva, adquirida pelo pai e localizada na região de Ribeirão Preto (SP). Henrique Dumont mudou o nome para Fazenda Dumont e, dessa fazenda, Alberto guardou as melhores recordações da infância.

O homem voa?

Diziam os irmãos que, quando criança, Alberto ficava como que hipnotizado pelo vôo dos pássaros. Observava-os por longo tempo, atento a todos os movimentos que faziam. Dedicava-se também ao passatempo predileto: fabricar e soltar papagaios de papel de seda, balões e aeronaves de bambu com propulsores. Quando participava da brincadeira "Passarinho Voa?", ao ser mencionada a expressão "Homem Voa?", ele levantava o dedo e respondia animado "Voa!". Os irmãos exigiam que pagasse multa pelo erro. Ele jamais pagou, porque dentro do coração havia a certeza de que, um dia, ele provaria ao mundo inteiro que o homem também podia voar, como passarinho.

Nas férias escolares desfrutadas em Ribeirão Preto, Alberto aprendeu a operar as máquinas de beneficiar café e a manejar o "locomóvel", pesada aparelhagem a vapor sobre rodas usada como trator. Aos 12 anos de idade, por várias vezes, ocupou o lugar do maquinista e conduziu as locomotivas Baldwin, que operavam na doméstica ferrovia de vários quilômetros, que o pai construíra dentro da fazenda Dumont.

Em 1888, pela primeira vez, Alberto assistiu em São Paulo à ascensão de um balão ou aeróstato, pilotado por um norte-americano. A partir daí, voar tornou-se o seu maior sonho. Também os escritos de Júlio Verne, autor de "Cinco Semanas em Balão", "A Volta ao Mundo em Oitenta Dia", "Da Terra à Lua" etc. estimularam sua convicção.

Flâmula verde-amarela

Em 1891, Alberto foi para a França com a família e interessou-se pelo motor a petróleo, que viu na exposição no Palácio da Indústria em Paris. No ano seguinte, foi residir na capital francesa e, com um professor particular, estudou física, química, mecânica, eletricidade etc. Alberto Santos-Dumont guardou indelével recordação da primeira ascensão que fez, a bordo de um balão da firma Lachambre & Machuron e, a partir daí, decidiu possuir um balão. Idealizou e mandou construir o balão Brasil.

Efetuou a primeira ascensão em 4 de julho de 1898 e declarou: "O meu primeiro balão, o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil!" A partir daí, os balões idealizados por Santos-Dumont passaram a ser numerados. O balão n.º 1 tornou-se um marco na história da aerostação, porque foi impulsionado por um motor a gasolina.

Nele, em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez, os parisienses viram um motor trepidando e roncando nos ares. De número em número, alternando-se sucessos e fracassos, a cada ascensão, Alberto Santos-Dumont colocava nos balões uma flâmula verde e amarela, a indicar que ali estava um brasileiro.

O 14-Bis

Em 19 de outubro de 1901 ocorreu a grande consagração, ao provar a dirigibilidade dos balões. Concorrendo ao Prêmio Deutsch de La Meurthe com o balão n.º 6, saiu de Saint-Cloud, contornou a Torre Eiffel e retornou ao ponto de partida. No campo da aeronáutica, Santos-Dumont trabalhava em silêncio. Idealizou, inovou, aperfeiçoou máquinas, fez testes e chegou ao avião. Em Bagatelle, para as primeiras experiências, pendurou o aparelho no balão n.º 14, por isso batizou o primeiro avião como 14-Bis. Tratava-se de um grande pássaro branco, semelhante às bonitas garças brasileiras.

No dia 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, mais de mil pessoas e representantes da imprensa internacional assistiram ao primeiro vôo de um avião e essa façanha proporcionou ao inventor a conquista da Taça Archdeacon. Pela primeira vez, um homem ergueu-se do solo, com recursos de um aparelho mais pesado que o ar, realizando um vôo planado.

Apesar das apresentações públicas de Dumont, os irmãos norte-americanos Orville e Wilbur Wright reclamaram para si não somente a honra do primeiro avião ou do primeiro vôo, mas anexaram um rótulo qualificativo do seu Flyer no Instituto Smithsonian: "O avião original dos Irmãos Wright: a primeira máquina do mundo movida a energia, mais pesada que o ar, na qual o homem fez vôos livres, controlados e sustentados".

Segundo seu diário, voaram num aeroplano chamado "Flyer" a 17 de Dezembro de 1903, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte. O diário registra três outros vôos com o mesmo aparelho, dos quais um de 59 segundos à velocidade de 50 km/h e um outro, a 5 de Outubro de 1905. Somente em 1908 realizaram experiências públicas de vôo no Velho Mundo.

Alberto Santos-Dumont, o homem mais popular de Paris na primeira década do século 20, herói brasileiro, imitado, festejado e aplaudido pelo mundo inteiro, morreu no Guarujá, em 23 de julho de 1932. Em 31 de julho, Palmira, a cidade natal do inventor, passou a chamar-se Santos Dumont. E foi Santos Dumont a primeira cidade do Brasil a comemorar, dignamente, em 23 de outubro de 1936, o Dia do Aviador.

Lauret Godoy é escritora e pesquisadora, autora dos livros "Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga" e "O jovem Santos Dumont", juntamente com Guca Domenico.

Combustível do 14 Bis: o café

Foi com o dinheiro da herança da maior fazenda de café da América Latina que Santos Dumont custeou as invenções que fizeram o primeiro avião levantar vôo na Europa. Na fazenda de propriedade do seu pai, o brasileiro teve os seus primeiros contatos com o mundo das máquinas.

Leonardo Lênin

As aves de Paris já estavam se acostumando a dividir o espaço que antes era só delas com balões e dirigíveis, mas aquela Ave de Rapina já era demais. Os parisienses deveriam estar meio confusos naquele 12 de novembro de 1906. Talvez descrentes sobre o sucesso do vôo daquela Ave de 10 metros de comprimento, 12 de envergadura, com asas feitas de células como se fossem caixas, fixadas a uma trave de pinho, presas por cordas de piano e que sairia do chão com a propulsão de um motor de 24 HP.

Alberto Santos Dumont
Em novembro de 1906, Santos Dumont
fez a sua invenção, o 14 Bis, voar

Frente àquela geringonça, a única coisa que lhe dava algum crédito era o criador da Ave. Um sujeito que tinha a aparência mirrada de um jóquei, magro e não alcançando 1,60 metro, mas que era uma das pessoas mais famosas e queridas da Europa naquele começo de século.

Era o brasileiro Alberto Santos Dumont, que naquele dia faria seu 14 Bis voar 220 metros durante 21,2 segundos. O aspecto da nova máquina do brasileiro dava a impressão que ela voaria para trás. Suas asas eram na dianteira e o motor na extremidade posterior. A imprensa achou que parecia um pássaro com a cabeça de caixa e os jornais deram o apelido: Ave de Rapina.

O 14 Bis era o primeiro aeroplano a voar na Europa e também a primeira máquina mais pesada que o ar que voou no continente. Dumont tinha ficado famoso com seus balões pois foi ele que fez com que os balões pudessem ser controlados. Antes do brasileiro, os inflamáveis voavam conforme o vento, o que fazia com que os balonistas soubessem somente onde eles iriam decolar. Onde iriam pousar era sempre uma dúvida. Podia ser em cima de uma árvore, no telhado de algum palácio ou no quintal de alguma pessoa sem grande entusiasmo pela conquista do céu.

As experiências com máquinas mais pesadas que o ar eram uma novidade na Europa e mais ainda para Dumont: o 14 Bis era o seu primeiro projeto de aeroplano. Para que o brasileiro chegasse a ser um dos homens mais queridos da Europa, muito dinheiro teve que ser investido. E foi o dinheiro do café brasileiro que abasteceu seus balões e aviões.

O pai de Santos Dumont, Henrique Dumont, foi o engenheiro responsável, durante o reinado do imperador Dom Pedro II, por parte da malha ferroviária da estrada de ferro Central do Brasil que o imperador esticava do Rio de Janeiro a Minas Gerais. Uma função que deu muito prestígio para o patriarca da família e que, aliada à herança que sua mulher, Francisca de Paula Santos, recebera do pai, o levou a ser conhecido como "o rei do café". 

Com o término das obras da ferrovia, Henrique comprou a Fazenda Arindeuva, que fica a 20 quilômetros da cidade de Rio Preto, interior paulista. O começo não foi fácil, mesmo adquirindo terras em uma das regiões mais propícia para a cultura do grão. O terreno teve que ser limpado e arado, foram plantados 500 mil pés de café, (alguns biógrafos falam em 5 milhões) e foi montada toda a estrutura da fazenda, desde paióis para estocar e secar os grãos até moradias para os trabalhadores. Para se ter uma idéia do tamanho da propriedade, basta dizer que Henrique construiu uma estrada de ferro de 96 quilômetros para transportar a safra com pequenas locomotivas no interior da fazenda.

Máquina: para processar café

Foi com equipamentos para produção do café que começou a intimidade de Santos Dumont com as máquinas. Já com sete anos, ele dirigia as locomóveis, máquinas movidas a vapor que carregavam a colheita para a estrada de ferro principal. Com 12 anos, mostrava o poder da sua lábia que mais tarde seria usada para convencer os construtores de balões descrentes das suas idéias. Santos Dumont convenceu um maquinista a deixá-lo guiar uma das principais locomotivas do país na época, uma Baldwin, transportando um vagão cheio de café para a usina de beneficiamento.

É bem verdade que quando começou seus experimentos no céu, a família já não possuía mais a fazenda. Henrique sofrera uma concussão cerebral aos 60 anos ficando hemiplégico, o que fez a família vender a fazenda. Santos Dumont tinha então 18 anos. O dinheiro da herança do rei do café é que bancou a maior parte dos gastos do filho por toda a sua vida, já que poucas vezes tomava para si os prêmios que ganhava nas conquistas com seus balões. Dumont geralmente os doava aos pobres.

Em seu livro de memórias “Meus Balões”, Dumont desfaz a idéia sobre a precariedade das fazendas de café - a de seu pai chegou a ser a mais desenvolvida da América do Sul. Segundo ele, as máquinas envolvidas na produção da commodity eram o que estava mais próximo do universo que encontrava nas páginas de ficção de Julio Verne.

"Os europeus imaginam as plantações brasileiras como pitorescas colônias primitivas, perdidas na imensidade do sertão, não conhecendo melhor a carreta nem o carrinho de mão que a luz elétrica ou o telefone. Em verdade, há, em certas regiões recuadas no interior, colônias desta espécie, mas não eram fazendas de café de São Paulo. Dificilmente se conceberia meio mais sugestivo para a imaginação de uma criança que sonha com invenções mecânicas", escreveu.

Também contou em seus relatos todo o processo "industrial" do café em seu tempo de criança e adolescência. Como os grãos eram limpados, secados, descascados e ensacados, além de toda a participação das máquinas, balanças, esteiras, pequenos elevadores no processo. Tudo era observado e o funcionamento registrado na cabeça do futuro aviador.

Como não fez nenhuma graduação superior que o ajudasse nas invenções - o que mais tarde lhe rendeu alguns ataques dos cientistas do vôo -, foi o ambiente das máquinas do café que lhe deu as bases de engenharia e mecânica que usou em seus inventos. Observar as máquinas da fazenda, que quebravam com freqüência, fez com que mais tarde ele optasse por usar motores rotativos para suas invenções, por exemplo.

"As peneiras móveis (usadas no processo de secagem dos grãos), com especialidade, arriscam-se a se avariar a cada momento. Sua velocidade bastante grande, seu balanço horizontal muito rápido consumiam uma quantidade enorme de energia motriz. Constantemente fazia-se necessário reparar as polias. E bem me recordo dos vãos esforços que empregávamos para remediar os defeitos mecânicos do sistema. Causava-me espécie que, entre todas as máquinas da usina, só essas desastradas peneiras móveis não fossem rotativas. Não eram rotativas, e eram defeituosas! Creio que foi este pequeno fato que, desde cedo, me pôs de prevenção contra todos os processos mecânicos de agitação, e me predispôs a favor do movimento rotatório, de mais fácil governo e mais prático".

Paul Hoffman, historiador norte-americano que escreveu a biografia de Dumont “Asas da Loucura – a extraordinária vida de Santos-Dumont”, diz que essa preferência pelos motores rotativos o ajudou na construção das máquinas voadoras quando se tornou inventor.

Vôo com café

Adulto, Santos Dumont, conhecido por sua elegância e vaidade, levava sempre consigo uma garrafa térmica com café. Em 1897 fez seu primeiro vôo em um balão como experiência para fazer suas observações e começar a investir na construção dos seus. O vôo era em um balão alugado. Ele fez questão de levar uma cesta com comida, já que não pensava em descer tão cedo do vôo pago. Na cesta fez questão de completar a refeição com o café brasileiro.

Nesta época, o principal café consumido na Europa era o tipo Santos. O nome vinha do Porto de Santos por onde o grão era exportado. Alguns historiadores, porém, apontam que esse nome vinha da marca do café produzido na fazenda de Henrique Dumont.

Em outubro de 1901, Dumont ganhou o prêmio Deutsch ao circundar a Torre Eiffel com seu balão dirigível, o Nº 6, que tinha formato de charuto. Foi o ápice de sua popularidade na Europa. Quando pousou, centenas de espectadores jogavam-lhes pétalas. Condessas e a mulher de John D. Rockefeller gritavam entusiasmadas.

Quando saiu da cesta do balão, Alberto Santos Dumont recebeu de um dos espectadores uma xícara quente de café para que brindasse o feito que provava que o homem podia controlar máquinas voadoras. Não seria demais arriscar que o café que tomou vinha da fazenda que o iniciou no mundo das máquinas.

Fonte: www.revistacafeicultura.com.br

Alberto Santos Dumont

Santos Dumont nasceu dia 20 de julho do ano de 1873 em João Aires, município de Palmira em Minas Gerais. Em Ribeirão Preto iniciou seus primeiros estudos, mais tarde matriculou-se no culto a ciências, de Campinas; depois matriculou-se no Colégio Montzon de São Paulo.

Com a idade de vinte e um anos seu pai mandou-o para a Europa para aperfeiçoar seus estudos, seus pensamentos eram dominados pelo campo da mecânica; sua primeira invenção foi o balão de nome “Brasil”.

No dia 19 de outubro do ano de 1901 ele ganhou o prêmio Dustche, com o seu balão número 6, no dia 13 de setembro do ano de 1906 usou o biplano “14 BIS” que subiu a uma altura bem elevada do solo. No dia 23 de outubro do ano de 1906 ele conseguiu a taça de campeão Archdeacan. Essas experiências foram feitas no ano de 1906.

Com o aparelho “14 BIS” ele conseguiu uma altura de 5 metros e uma velocidade de 40 km/h, voou uma distância de 220 metros; no ano de 1928 Santos Dumont voltou para o Brasil e foi recebido com muito amor e carinho, tinham preparado uma grande festa para Santos Dumont.

Mas o aviso que tinha seu nome e tinha a bordo os cientistas, sofreu um acidente e todos morreram; entâo Santos Dumont cancelou as festividades, e isto abalou sua saúde; e passou a morar em Santos - São Paulo. Morreu no dia 23 de julho do ano de 1932.

Escreveu dois livros:

“Dans-Lair (É o que vi) O Que nós Veremos”. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Seu nome é: Alberto Santos Dumont.

Fonte: www.e-biografias.net

Alberto Santos Dumont

Aviador e inventor mineiro (20/7/1873-23/7/1932).

Construtor do 14-Bis, o primeiro avião a ultrapassar a barreira de 25 m em vôo oficial, em 23 de outubro de 1906. Nasce em Palmira, hoje rebatizada de Santos Dumont. Filho de um engenheiro e grande fazendeiro de origem francesa, vai para Paris em 1891, onde passa a maior parte da vida.

Alberto Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

Dedica-se ao automobilismo e logo à aeronáutica. Projeta dirigíveis com motor a petróleo e planeja, constrói e experimenta mais de 20 inventos aeronáuticos. Em 1901 cria o balão dirigível e ganha o Prêmio Deutsch, oferecido à aeronave que contornasse a Torre Eiffel.

Em 1906 constrói o 14-Bis e, em 1907, o Demoiselle, avião extremamente leve, menor que o 14-Bis, no qual passeia todos os dias. Substitui o hidrogênio pelo gás de iluminação como combustível para balões, diminuindo o risco de explosão. Inventa o hangar, o relógio de pulso e a porta de correr sobre rodas. Volta ao Brasil em 1928 e, durante uma crise de depressão atribuída por alguns historiadores ao uso bélico do avião, suicida-se no Guarujá, São Paulo.

Fonte: www.algosobre.com.br

Alberto Santos Dumont

Pioneiro da aviação, 1873-1932

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1873: Em Cabangu, Minas Gerais, em 20 de Julho, nasce Alberto Santos-Dumont, neto do joalheiro francês François Dumont que viera em meados do século para o Brasil. - 1891: Henrique Dumont, pai de Alberto, vai com a família para Paris. - 1897: Santos-Dumont encomenda a construção de um aeróstato no qual, pela primeira vez, consegue elevar-se nos ares. - 1898: Santos-Dumont faz dezenas de ascensões em balão. - 1899: Alberto constrói o Santos-Dumont n.º 4. - 1901: Santos-Dumont contorna a Torre Eiffel, conquistando o prémio instituído para quem cometesse a proeza pela primeira vez. - 1904: Publica o seu livro Dans l'air. - 1906: Em 23 de Outubro, sobe no seu aeroplano 14-Bis. - 1909: Santos-Dumont atinge num aeroplano os 77 km por hora. - 1910: Devido a doença, o aviador brasileiro dá a sua carreira de pioneiro da aviação como encerrada. - 1918: Publica o livro O Que Eu Vi e o Que Nós Vemos. - 1932: Morre na cidade de Guarujá.

URUBU VOA? HOMEM VOA?

Nas tardes quentes da fazenda do engenheiro Dumont, em Ribeirão Preto, São Paulo, os meninos brincam. Estamos no princípio dos anos oitenta do século XIX. Na Rússia, o czar Alexandre II. foi assassinado, sucedendo-lhe Alexandre III, e Dostoievski escreve Os Irmãos Karamazov.

O reino da Sérvia é proclamado e a Itália junta-se à Alemanha e à Áustria na Tríplice Aliança. Wagner compõe o Parsifal, morrendo dois anos depois. Marx morre também. A linotipia é inventada. No Brasil, reina o imperador Pedro II, há ainda feridas e soam os ecos da vitória sobre o Paraguai na última das guerras platinas, os mações e os republicanos conspiram, a abolição da escravatura divide a sociedade brasileira.

Já em 1871 a Lei do Ventre Livre viera libertar os filhos de escravos nascidos a partir desse ano. O caminho-de-ferro vai abrindo novas comunicações, as indústrias surgem pelo país, há conflitos entre o Estado e a Igreja.

Tudo isto são coisas que interessam muito ao engenheiro Dumont e aos amigos que aos serões se reúnem na fazenda e discutem estes temas com ar grave, cofiando bigodes, alisando barbas, bebendo um cordial e fumando olorosos charutos. Os jornais de São Paulo todos os dias renovam ou reacendem os assuntos.

Porém, nenhum destes importantes acontecimentos preocupa os meninos que brincam na varanda da fazenda. Estão a jogar ao jogo das prendas. Um deles pergunta: - Voa o gato? Todos gritam: - Não! - Voa o urubu? Levantam os braços: Voa! Voa o carcará? - Voa! - Voa o homem? Todos menos um gritam: - Não! Alberto, um dos filhos do engenheiro, levanta os braços e grita: Voa! Risadas dos irmãos e dos outros meninos. Alberto tem de pagar uma prenda. Ri-se com os outros, mas teima: - Um dia, o homem há-de voar!

O seu mestre Júlio Verne diz-lhe que sim, que o homem voa. Sua irmã Virgínia ensinou-o a ler. Frequenta agora o Colégio, mas todos os tempos livres são passados a devorar as páginas de Cinco Semanas em Balão, de Da Terra à Lua, de Vinte Mil Léguas Submarinas ou da Volta ao Mundo em Oitenta Dias.

Phileas Fogg ou o Capitão Nemo são personagens com quem convive no seu dia-a-dia. Nas páginas de Verne, o homem voa já, até mesmo para fora do planeta. Alberto sabe que não faltará muito para que nos céus da realidade o homem voe também.

Na fazenda, Alberto observa as máquinas. As lavadeiras, o descascador, o separador, o ensacador onde o café faz o seu percurso desde a plantação até aos sacos em que seguirá nos vagões do caminho-de-ferro. Vendo as pesadas locomotivas a vapor, conclui que nunca será com máquinas assim que o homem poderá voar.

À mente do jovem sonhador acorrem as lendas de Dédalo, Ícaro e Ariel, a história de Olivier de Malmesbury, o monge inglês que, no século XI, construiu um par de asas e com elas se lançou do alto de uma torre, quebrando as pernas, os desenhos de Leonardo da Vinci sobre as estrutura das asas dos pássaros, os músculos que as movem, a função das penas, a tentativa de Bartolomeu de Gusmão que, em 1709, se eleva a 200 pés de altura nos céus de Lisboa, perante a pasmada corte de D. João V, na sua Passarola, ou a «máquina de andar pelos ares», como também lhe chamava, as experiências dos irmãos Montgolfier, a morte de Pilâtre de Rozier ao tentar atravessar a Mancha em balão... Uma das suas brincadeiras favoritas é a de lançar papagaios e de correr, segurando a corda, fazendo-os voar.

Nas noites de São João, ele e outros meninos constróem balões de papel. Quando os soltam, fica a vê-los perder-se no céu escuro, uma pequena e luminosa mancha colorida, que o ar quente da mecha faz subir.

Em 1888, ano em que a escravatura é abolida no Brasil, visita com a família São Paulo. Numa feira vê, deslumbrado, pela primeira vez um homem voar: um acrobata estrangeiro sobe num balão e lança-se depois em pára-quedas.

SUBITAMENTE, PARIS

Alberto Santos Dumont

1891. Ao percorrer a fazenda, o engenheiro Dumont dá uma terrível queda do cavalo. Fica com as pernas paralisadas. Vende a propriedade e volta a Paris, à cidade de seu pai e onde estudara e se formara na École Centrale des Arts et Métiers.

Alberto vai fazer dezoito anos e Paris deslumbra-o. Com o pai vai visitar a Exposição do Palácio das Indústrias. É aí que, pela primeira vez, vê um motor de combustão interna.

Irá dizer mais tarde: «Qual não foi o meu espanto quando vi pela primeira vez um motor a petróleo, da força de um cavalo, muito compacto e leve, em comparação aos que eu conhecia... funcionando! Parei diante dele, como que pregado pelo destino.

Maravilhas como aquela andam já pelas ruas, dentro dos raros automóveis que circulam. Alberto compra um Peugeot. Regressa ao Brasil e o seu carro, percorrendo São Paulo, é um dos primeiros que chegam ao Brasil. Quando passeia nele, o fumo, o ruído desengonçado do motor, o cheiro do combustível queimado, as buzinadelas, causam sensação - tudo pára para ver passar o automóvel.

Porém para o jovem Alberto o automóvel é mais do que uma frívola excentricidade de menino rico. Entende que naquele motor, bem mais leve que o das locomotivas a vapor, poderá estar a solução para o problema que lhe ocupa a mente: a criação de uma máquina que permita finalmente ao homem voar.

Pede ao pai que o deixe regressar a França. O velho engenheiro não só anui, como resolve doar dois terços da sua fortuna aos filhos. Vai ainda mais longe: concede a emancipação jurídica a Alberto antes mesmo de ele completar os dezoito anos. Diz-lhe: «- Hoje dei-lhe a liberdade.

Aqui está mais este capital. Tenho ainda alguns anos de vida: quero ver como você se porta». E faz-lhe as naturais recomendações de prudência, dando-lhe conselhos sobre a maneira de economizar a fortuna que agora recebe. Não vá ele em algumas horas gastar o rendimento que, bem governado, poderá permitir-lhe viver durante um ano.

Alberto promete ser prudente e poupado.

UMA DOENÇA CHAMADA AERITE

Quando chega a Paris, com a ajuda dos primos franceses, procura um professor. Encontra-o na pessoa do Sr. Garcia, um respeitável preceptor de origem espanhola que sabia tudo. Com ele, Alberto estuda durante diversos anos. Nos livros encontra o nome dos franceses que se ocupam de temas aeronáuticos.

Recorrendo ao Anuário Bottin, vai-os localizando. Alguns desinteressaram-se da matéria e outros estão assustados com os custos das investigações ou com os perigos das ascensões. Um deles, porém, mantém-se em atividade e pede-lhe 1000 francos para o levar numa subida, com a condição de Dumont se responsabilizar pelos estragos que o balão provoque ao pousar em terra.

É uma condição perigosa, pois Alberto sabe que o balonista derrubou já a chaminé de uma fábrica e, de outra vez, desceu em cima da casa de um camponês, incendiando-a quando o gás do balão entrou em contato com a chaminé. Lembra-se das recomendações do pai sobre sobriedade e economia. Não faz a ascensão. Sente-se desanimado.

Nos anos seguintes estuda e viaja com frequência. Está atento às novidades e é no Rio de Janeiro que recebe um livro onde o engenheiro Lachambre descreve um balão por si construído. Alberto volta a Paris e procura Lachambre.

Este mostra-lhe um pequeno balão que concebeu e pede-lhe 250 francos pela ascensão. Garante-lhe que não há perigo e que o aeronauta, um sobrinho seu, é cuidadoso, pois subiu dezenas de vezes e nunca provocou estragos. Alberto sente-se novamente encorajado. Marca a subida para o dia seguinte.

«Fiquei estupefato diante do panorama de Paris visto de grande altura; nos arredores, campos cobertos de neve... Era Inverno.»...«Durante toda a viagem acompanhei a viagem do piloto; compreendia perfeitamente a razão de tudo quanto ele fazia.

Pareceu-me que nasci mesmo para a aeronáutica. Tudo se me apresentava muito simples e muito fácil; não senti nem vertigem, nem medo.» «E tinha subido!». Como ele diz, sofre de aerite, «doença» que nunca mais o deixará.

Vai agora dividir o seu tempo entre subidas em balão (em 1898 sobe mais de trinta vezes) e as corridas de automóvel em que participa. Substituiu já o seu velho Peugeot por um potente De Dion, o mais rápido da altura: chega a dar a velocidade de 30 km à hora.

Encomenda um balão a Lechambre inteiramente desenhado por si: seis metros de diâmetro, invólucro em seda envernizada, capacidade para 113 metros cúbicos de gás, com 14 quilos de peso. A rede que nos balões convencionais chega a pesar 50 quilos, pesa neste menos de dois; a barquinha que, normalmente, pesa 20 quilos, pesa seis... É tão pequeno que cabe numa mala de viagem. Por aqui se vê que se trata de um balão revolucionário. Dumont baptiza-o: Brasil.

O BRASIL NOS CÉUS DE PARIS

Em 4 de Julho de 1898 o balãozinho eleva-se nos ares e, passados alguns meses, atravessa Paris, leve e transparente como uma bola de sabão. Os parisienses assistem surpreendidos e maravilhados ao espectáculo. Santos-Dumont torna-se famoso, tema de todas as conversas.

Aquele brasileiro pequeno e franzino, com o seu chapeirão desabado, voa sobre o céu de Paris. O seu chapéu, a sua maneira de vestir, transformam-se em moda e os prémios que ele institui atraem multidões.

É agora altura de passar à fase seguinte: vai combinar um balão com um motor de explosão. Nasce assim o Santos-Dumont n.º 1. Em Setembro de 1898 leva o seu balão para o Jardin de l'Acclimatation. O balão eleva-se, mas vai colidir com as árvores do jardim.

O inventor não desanima e dias depois tenta novamente. Desta vez, o balão sobe e tudo corre bem, menos a descida: o invólucro está em perigo de ser destruído. A «guide rope» roça já o solo e lembrando-se das brincadeiras com os amigos em Ribeirão Preto, Alberto grita para uns meninos que assistem para que puxem a corda como se quisessem fazer erguer um papagaio. O balão evita no último momento as árvores e vem pousar suavemente.

Em 1900, subindo numa praça de Nice, apercebe-se de que as correntes aéreas o estão a arrastar na direção do mar; solta lastro, tentando ganhar altura e apanhar outra corrente, e larga gás do invólucro para descer. Porém, o balão perde volume, mas não desce, pois tinha ido parar ao centro de uma forte corrente ascendente.

Sobe a mais de 3000 metros e a corrente dissipa-se, mas entra numa área de tempestade. As árvores parecem correr vertiginosamente e a barquinha bate nos ramos. Por fim, a corda prende-se numa árvore e o balão cai. Projetado para o solo, Alberto desmaia. Outra vez ainda, no norte de França, sobe ao entardecer e depressa se vê perdido no meio de uma tempestade.

A noite caiu já e a escuridão só é interrompida pelos relâmpagos. Se algum deles atinge o balão é o fim. Navega toda a noite na escuridão, transportado a grande velocidade pela força do vento. De madrugada, a tempestade amaina e ele pode pousar. Está na Bélgica.

FINALMENTE, O SUCESSO

As aventuras e desventuras do «brasileiro voador» tornam-no numa figura conhecida de Paris. Mas ele não se deixa embriagar pelo sucesso, e vai aperfeiçoando as suas máquinas. O Santos-Dumont n.º 2 é maior, tem a forma de um charuto e dispõe de um ventilador de alumínio que mantém inalterável a forma do invólucro.

Acaba destruído por ter chocado contra árvores. O n.º 3 tem uma forma cilíndrica e nele o hidrogénio é substituído por gás de iluminação. É com ele que Santos-Dumont realiza aquela que iria descrever como a sua «mais feliz ascensão». Partindo de Vaugirard rumo ao Campo de Marte consegue um controlo absoluto da aeronave, subindo, descendo, descrevendo curvas... Sente que a vitória está próxima.

O Santos-Dumont n.º 4 nasce em Saint-Cloud, no hangar e oficina que Alberto ali construíra. Tem um selim e um guiador de bicicleta. O inventor faz nele diversas ascensões em 1900.

UM GRANDE DESAFIO

Entretanto, constituíra-se um Aeroclube em Paris e, numa das suas reuniões, o Sr. Deutsch de la Meurthe, institui um prémio de 100 000 francos a quem for capaz de, dentro dos cinco anos seguintes, partir de Saint-Cloud, dar uma volta completa à Torre Eiffell e voltar ao ponto de partida em menos de 30 minutos.

A todos parece impossível tal façanha. A todos não. A quase todos: Santos-Dumont considera a partir de então um ponto de honra ganhar aquele prémio. Porém, os contratempos sucedem-se. Alberto constrói o n.º 4, mas este esmaga-se contra as árvores. Outro acidente destrói o n.º 5. Mas Alberto não desanima e começa a construir o n.º 6. E, a 12 de Outubro de 1901 sobe no n.º 6, dá uma volta completa à Torre Eiffel e regressa a Saint-Cloud. Demorou 31 minutos, mais um do que o regulamento do prémio estabelece como limite. Ovações da multidão e hesitações do júri.

Finalmente, o prémio é-lhe entregue pois, embora ainda no ar, atravessou a linha de chegada dentro do tempo. Santos-Dumont reparte o valor do prémio com técnicos e auxiliares e o que resta é distribuído por operários desempregados.

O êxito internacional chega por fim. É homenageado em Londres num banquete do Royal Aero Club. O príncipe do Mónaco convida-o a construir um hangar e uma oficina no principado. Eugénia de Montijo, a viúva de Napoleão III visita-o.

O governo francês contrata-o para construir o primeiro aeródromo do mundo em Neuillly. O inventor concebe o Santos-Dumont n.º 7 e, a seguir, o n.º 9 (detesta o número oito e, por isso, salta-o). O n.º 9, a Balladeuse, fica famoso. É o meio de transporte pessoal de Santos-Dumont - nele, desloca-se em Paris, visita amigos, vai a almoços e a reuniões... Torna-se familiar nos céus de Paris. Uma vez, os parisienses vêem, preocupados, a aeronave perder altura. Será que vai estatelar-se? Não.

Pousa suavemente na rua. Alberto sai, impecavelmente vestido, entra num bar e pede um café. E os modelos sucedem-se, cada vez mais perfeitos. Em 1905 nasce o n.º 14. E, logo após, o célebre 14-Bis. O 14-Bis é já um aeroplano, dotado de um motor a gasolina. A princípio eleva-se rebocado pelo n.º 14 e daí o seu nome.

Depois, Dumont atrela-o a um burro que, fustigado, corre pela pista, até que o aeroplano sobe. Mais uma vez, recorre à sua experiência infantil dos papagaios de papel. Em 1906, ainda no 14-Bis, ganha os prémios do Aeroclube e Archdeacon. É considerado o pai da aviação, embora outros, tais como os americanos irmãos Wright, reivindiquem também essa glória.

A fase dos balões passou. Agora já só constrói aviões. Depois do pioneiro 14-Bis, o Demoiselle, leve e elegante, encanta os parisienses com as suas acrobacias e atinge a «inconcebível» velocidade 77 km horários.

O exemplo de Santos-Dumont frutifica: em 1909, Blériot atravessa o canal da mancha. Em todos os países civilizados se constróem fábricas, hangares pistas. Estabelecem-se linhas postais e de passageiros. E os militares não dormem...

A MORTE PASSA A TER ASAS

Alberto Santos Dumont

Quando, em 1914, se desencadeia a Primeira Grande Guerra uma nova panóplia de armas vai surgindo: submarinos, gases tóxicos, carros blindados, balas explosivas e aviões. As potências deitam mão de todos os meios de destruição que têm ao alcance das mentes perversas dos dirigentes políticos e militares. Invenções concebidas para fins pacíficos, são convertidas em máquinas de morte. Quando a guerra acaba, há dez milhões de soldados mortos, cidades destruídas, milhões de civis mortos ou sem lar.

Entretanto, Santos-Dumont, devido a doença, é obrigado, desde 1910, a abdicar dos seus voos sem, no entanto, se desligar da aviação. Assiste horrorizado à transformação do seu invento em mais um recurso do Apocalipse.

Lança um apelo às potências beligerantes para que seja proibido o armamento aéreo. Sem qualquer resultado. Sempre que tem conhecimento de um bombardeamento aéreo, de um combate entre aviões ou mesmo de um acidente, cai em depressão profunda. A sua ideia não era esta...

Compra então um terreno em Petrópolis, perto do Rio, e aí constrói uma casa provida de diversas comodidades que antecipam alguns dos eletrodomésticos atuais. Chama-lhe Encantada. Aí escreve um livro, O Que Eu Vi, o Que Nós Veremos. Procura dar uma ajuda ao governo brasileiro, dando conselhos sobre a construção de aeroportos, a formação de pilotos e a construção de aviões.

Em 1922 volta a Paris. É convidado para presidir ao banquete de homenagem a Charles Lindbergh que atravessou o Atlântico Norte, mas a doença impede-o. Em 1928 volta de novo ao Brasil. Continuam as homenagens: a Legião de Honra francesa, um lugar na Academia Brasileira de Letras (que não ocupa).

Indiferente a tudo, Santos-Dumont ignora honrarias e nem sequer regista as patentes das suas múltiplas invenções. A depressão ataca-o cada vez mais. Sente-se responsável por todos os acidentes aéreos, pelo aproveitamento militar do seu esforço científico, por tudo o que de mau a aviação significa. Com menos de sessenta anos é um velho doente e taciturno.

O ÚLTIMO PAPAGAIO

Desde 1930, seguindo o exemplo da Europa, onde na Alemanha, em Itália, em Portugal, regimes de extrema direita vão tomando o poder, o Brasil é também governado por uma ditadura, o chamado «Estado Novo» de Getúlio Vargas.

Em 1931, Santos-Dumont, cada vez mais doente física e psiquicamente, regressa de França e instala-se próximo de São Paulo, rodeado de cuidados pelos familiares. Parece melhorar, faz pequenos passeios, frequenta a Hípica Paulista e o Clube Atlético Paulistano, visita a redação de O Estado Paulista.

Em 9 de Julho, desencadeia-se um movimento constitucionalista em São Paulo. Diversas forças políticas procuram restabelecer a normalidade democrática sufocada pela ditadura getulista. Santos-Dumont entusiasma-se. Está na praia do Guarujá a convalescer. Redige um manifesto aos mineiros incitando-os a porem-se ao lado dos paulistas.

Mas o governo de Getúlio Vargas vai reprimir brutalmente o movimento. Na manhã de 23 Alberto veio até à praia e ajuda um menino a elevar o seu colorido papagaio de papel. Corrigido o peso da cauda, endireitada uma cana da estrutura, o papagaio sobe orgulhoso nos ares. O menino exulta e bate palmas. Dumont sorri ternamente e olha os céus.

Nessa altura ouve-se um ruído crescente e na linha de horizonte cresce uma esquadrilha aérea. São aviões federais que vão bombardear um cruzador paulista ancorado em Santos. Brasileiros matam brasileiros servindo-se de uma máquina que ele inventou e foi aperfeiçoando, passo a passo, com tanto amor e ilusão...

Vai para casa e suicida-se nessa noite.

Fonte: www.vidaslusofonas.pt

Alberto Santos Dumont

23-7-1873, Palmira (MG) 
23-7-1932, Guarujá (SP)

Primeiro aeronauta a alcançar a dirigibilidade dos balões e a voar num aparelho mais pesado que o ar com impulso próprio, Alberto Santos Dumont dedicou a vida à aviação. De espírito inquieto e obstinado, nunca desistiu de realizar seus projetos, apesar dos acidentes que sofreu.

Idealista, não patenteou seus inventos, colocando-os à disposição de quem quisesse construí-los. Nascido na cidade de Palmira, atualmente denominada Santos Dumont, em Minas Gerais, aos 19 anos Dumont foi para Paris estudar Física, Mecânica e Eletricidade.

Em 1898, fez com Machuron, construtor do balão L'Oern, que realizou expedição ao Pólo Norte, seu primeiro vôo. No mesmo ano, levou ao ar seu primeiro projeto e o menor balão da época: o Balão Brasil.

Em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez na história da humanidade, decolou com um balão dirigível movido a petróleo. Voando sobre Paris e seus arredores, aperfeiçoou sua criação mais tarde nos dirigíveis. Em 1901, com o dirigível número 6, contornou a Torre Eiffel (Paris, na França) e retornou à terra, sendo premiado por tal feito.

Em 1903, construiu o número 9: o mais popular, pois com ele Dumont visitou amigos, levou como passageiro o menino Clarkson Potter e ainda permitiu que a cubana Aida de Acosta o dirigisse. Depois de construir os números 10, 11, 12 e 13, em julho de 1906, Dumont fez experiências com um novo veículo, um aparelho mais pesado que o ar, que passou a se chamar 14-Bis.

Após várias experiências, em 1906, fez um vôo de cerca de 50 metros conquistando a Taça Archdeacon; pela primeira vez um homem, num aparelho mais pesado que o ar, elevou-se do solo e tornou a descer utilizando apenas suas forças. Terminou suas construções com o mais versátil e prático aparelho aéreo, o popular "Demoiselle", considerado o modelo padrão para quase todos os aviões construídos a seguir.

Depois de passar temporadas em casas de saúde, por causa de depressão, gerada principalmente por ver o avião usado como arma de guerra, Dumont suicidou-se no Guarujá (SP).

Fonte: biografias.netsaber.com.br

Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont era o sexto filho de um rico empreiteiro e fazendeiro chamado Henrique Dumont e a riqueza familiar ajudou em seus planos como inventor que, desde jovem, era fascinado por livros sobre viagens em balões, como as obras de Julio Verne e, aos 18 anos, mudou-se para Paris, onde suas idéias tomaram uma conotação, para a época, de suicida...

Em 1898 seu primeiro balão ( o Balão Brasil ), voou sobre os céus de Paris, e Santos Dumont percebeu que o próximo passo seria fazer um veículo voador que fosse dirigível, assim, o inventor acoplou um pequeno motor a gasolina; e seu invento funcionou. Mas Paris ainda aplaudiria de pé os feitos deste notável inventor.

Dumont sofreu alguns pequenos acidentes na tentativa de aprimorar sua máquina de voar, chegando a admitir que, em alguns deles, fora "salvo por milagre".

De seu escritório em Paris, Santos Dumont criava inventos rapidamente do papel para o mundo real.

O inventor brasileiro, que também criou o relógio de pulso, ganhava fama internacional e em 23 de outubro de 1903* Santos Dumont faz seu vôo com o 14 Bis, tornando-se o primeiro homem a voar com uma máquina autopropulsionada e mais pesada que o ar. O Vôo histórico foi em Paris e prolongou-se por 60 metros a uma altura de 2 metros.

Santos Dumont também teve outras máquinas de voar, como o "Demoiselle" (donzela, em francês), que era uma aeronave com motor de 35 HP e estrutura de bambu. O inventor teve a preocupação, inclusive, de tentar proibir o uso de aviões como arma de guerra, o que, como se sabe, não foi aceito.

O "Pai da Aviação", como é hoje conhecido, cometeu suicídio em 23 de julho de 1932, na época da revolução Constitucionalista, a qual, foi veementemente contrário, tendo em vista ser ele um pacifista. Santos Dumont terminou sua glória enforcando-se com uma gravata no banheiro de sua residência no Guarujá (SP). Um fim trágico para um homem que, como um pássaro, queria ser livre para voar.

Observação: Podemos considerar o invento de Santos Dumont - o 14 bis - um marco histórico para o século XX, e particularmente para o Brasil.

1903* - O ano correto é 1906 ( há um erro na bibliografia de referência)

Em 1901, com um vôo de pouco mais de 30 minutos sobre Paris, Santos-Dumont provou que o homem podia controlar o seu deslocamento pelos ares a bordo de um balão.

Alberto Santos Dumont
O dirigível nº 6 contorna a torre Eiffel

Um vôo em torno da torre Eiffel realizado cem anos atrás faz hoje parte da história da aviação. Em 1901, o brasileiro Alberto Santos-Dumont venceu o desafio lançado por um magnata do petróleo chamado Henri Deutsch de la Meurthe, que um ano antes decidira premiar o piloto do primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza que se elevasse do solo e, sem tocar a terra e por seus próprios meios, contornasse a torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, o campo de aerostação de Saint-Cloud.

O vôo teria que ser realizado até 1904 e no tempo máximo de 30min. A distância de ida e volta era de aproximadamente 30km.

Na tarde de 19 de outubro de 1901, Santos-Dumont partiu de Saint-Cloud a bordo de seu dirigível nº 6, que media 33m de comprimento. Depois de contornar a torre, na época a maior construção do mundo, Santos Dumont voltou ao local da decolagem, levando 29min30s para percorrer todo o trajeto. Mas só conseguiu aterrissar o balão cerca de 1min depois, ultrapassando assim o tempo limite.

Gerou-se uma polêmica entre a comissão encarregada de avaliar a tentativa, formada por membros do Aeroclube da França. Santos-Dumont, porém, conseguiu contornar a resistência ao reconhecimento de seu feito com uma proposta: caso fosse declarado vencedor, daria metade do prêmio aos mecânicos e técnicos de sua equipe e a outra metade à Prefeitura de Paris, com a condição de que esta distribuísse a quantia entre os pobres.

Para Santos-Dumont, mais importante que o prêmio era mostrar que seu dirigível era uma máquina funcional. Com a façanha, o aeronauta brasileiro provou que o homem podia controlar o seu deslocamento pelos ares. Até então, os balões de ar quente voavam sem controle, ao sabor dos ventos. A data ficou consagrada como do Dia Internacional da Dirigibilidade, princípio fundamental da aviação.

Desde 1897 Santos-Dumont vinha realizando vôos em balões. O primeiro deles, batizado de Brasil, apresentava um volume abaixo da média e, com suas pequenas proporções, oferecia um problema técnico, o de manutenção da estabilidade.

Para resolver essa dificuldade, Santos-Dumont alterou-lhe o centro de gravidade, mediante o alongamento das cordas de suspensão da barquinha destinada ao tripulante. O inventor também utilizou pela primeira vez a seda japonesa, o que tornou o engenho mais leve e permitiu que suportasse maior tensão. O Brasil foi pilotado em 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação, em Paris.

Foi nessa época que Santos-Dumont decidiu tentar a utilização de um motor a gasolina em aeróstatos, o que representaria um grande passo para solucionar o problema de sua dirigibilidade. Em 18 de setembro de 1898, ele decolou do Jardim da Aclimação com seu dirigível nº 1. Semelhante a um charuto, com 25m de comprimento e 30kg de peso, era impulsionado por um motor a gasolina de 3,5 HP.

Em 11 de maio de 1899 Santos-Dumont voou pela primeira vez com o balão nº 2, que só diferia do anterior pela potência maior, mas o vôo não deu bom resultado devido ao mau tempo. O balão nº 3 foi construído no mesmo ano, quando o inventor empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogênio, mais caro. Esse aparelho era de formato diferente, mais afilado nas pontas e, para abrigá-lo, Santos-Dumont construiu um hangar especial, o primeiro do mundo.

No balão nº 4, o piloto sentava-se num selim de bicicleta, de onde dirigia e controlava o motor, o leme de direção e as torneiras do lastro, o qual, em vez de areia, compunha-se de 54 litros de água, guardados em dois reservatórios.

Esse balão subiu com sucesso em 1º de agosto de 1900, quando se realizavam em Paris a Grande Exposição e o Congresso Internacional de Aeronáutica.

O balão nº 5 apresentou como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, com 41kg e fabricada pelo próprio aeronauta. O balão, no entanto, chocou-se com um prédio de Paris. Santos-Dumont ficou pendurado a vinte metros de altura, mas saiu ileso.

As experiências aeronáuticas de Santos-Dumont culminaram no primeiro vôo mecânico do mundo, realizado com o 14-bis, em 23 de outubro de 1906. O aeroplano voou 60m a uma altura entre 1 e 2m no campo de Bagatelle.

Um novo vôo ocorreu em 12 de novembro de 1906, quando o aeronauta brasileiro conseguiu percorrer 200m, a 6m de altura. Com o 14-bis, Santos-Dumont ganhou a taça Ernest Archdeacon, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 25m, e o prêmio do Aeroclube da França para o primeiro avião que fizesse um percurso de 100m.

Fonte: www.miniweb.com.br

Alberto Santos Dumont

Os Primeiros Passos

"O Homem pode voar..."

Santos Dumont falava essa frase quando brincava com seus amigos em sua infância.

Alberto Santos-Dumont nasceu no dia 20 de Julho de 1873, na Fazenda Cabangu, Estação de Rocha Dias, Distrito de João Ayres, Minas Gerais), onde seu pai, um engenheiro, se instalara com o objetivo de construir um trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, hoje conhecida como Central do Brasil. Desde cedo, Santo-Dumont demonstrou uma grande disposição para a conquista do ar. Suas leituras prediletas, escritas por Julio Verne, o deixavam submerso num mundo de imaginação sem limites.

Em dez anos de proveitoso trabalho, o pai de Santos-Dumont, o engenheiro Henrique transformou-se num proprietário agrícola dos mais conceituados, tornando-se na época um "Barão do Café".

Por ter ido morar, com a família de Santos Dumont, na Europa, em 1891, com a finalidade de tratar-se de uma hemiplegia (paralisação de um dos lados do corpo), que ocorrera devido a um acidente com uma charrete em sua própria fazenda, Henrique Dumont viu que Paris seria o local ideal pra seu filho Alberto seguir seus estudos.

Ele percebeu que a grande curiosidade pelos assuntos relacionados com a mecânica, aliada a viva inteligência de Alberto, eram fatores que influenciavam a permanência do filho na então "Capital do Mundo", Paris.

Assim, na outra viagem realizada ao continente Europeu em 1892, Santos-Dumont, então com mais de 18 anos, passou a residir na capital da França, em companhia de outros parentes.

Foi o Sr. Garcia, seu primeiro professor, um hábil francês de origem espanhola, que lhe ensinou as primeiras noções de Física, Química, Eletricidade e, como não podia faltar, a Mecânica. Dedicou-se primeiramente ao automobilismo em decorrência ao seu profundo interesse pela Mecânica; posteriormente, ainda influenciado pelas leituras de Julio Verne, pelo progresso da aerostação na França, e pelo seu indisfaçável desejo de voar, acabou-se por se entregar aos vôos de balões livres.

A alegria e a emoção pelas quais ficou possuído ao subir ao céu pela primeira vez - a bordo de um balão - estão visivelmente presentes na narração que Santos-Dumont fez no seu livro "Os Meus balões", com referência a esse acontecimento marcante na sua vida.

Empregando seus dias, horas e minutos naquilo que passou a ser o único objetivo de sua vida - A Conquista do Ar - Santos-Dumont, possuídor de uma tenacidade ilimitada, surpreendeu o mundo aeronáutico com o balão dirigível, impulsionado por um motor a gasolina.

Os motores a eletricidade e a vapor eram os motores mais conhecidos e empregados em balões-dirigíveis, contudo não ofereciam resultados práticos: a Santos-Dumont coube, no entanto, a primazia de aplicar o motor a gasolina no aparelho mais leve que o ar. Sua idade era de somente 25 anos.

De 1898 a 1909 ele planejou, construiu e experimentou mais de duas dezenas de invenções, entre balões-livres, balões-dirigíveis, e aviões (biplanos e monoplanos)

A Infância - O despertar de uma vocação

A vida de Santos-Dumont foi, toda ela, dedicada a conquista do ar. Pode-se mesmo dizer que, na infância, quando residia no interior brasileiro, a sua imaginação era despertada pela ascensão dos pequenos balões de papel que os meninos soltavam nas noites de São João, na alegria de uma das festas mais populares do Brasil.

Já rapaz, quando o conhecimento e as primeiras luzes do saber lhe despertaram a inteligência, sua imaginação foi conquistada definitivamente pelas predições de um dos mais férteis escritores do século XIX: o famoso Julio Verne.

O imaginoso escritor, criador de mundos, em que a inteligência infantil circulava com desembaraço e prazer, tomou de assalto as primeiras manifestações de seu espírito inventivo. Os submarinos, os balões, os transatlânticos e todos os outros meios de transporte que Julio Verne previu com tanta felicidade, envolveram o seu cérebro de jovem, despertando-lhe, do fundo do subconsciente, a faculdade que já se acentuava instintivamente para o domínio e manejo da mecânica.

E não era sem razão que o jovem Alberto dirigia as locomotivas Baldwin que o engenheiro Henrique Santos Dumont encomendara na Europa para o trabalho da companhia de estrada de ferro em que exercia a sua atividade e, nas fazendas de Café que, posteriormente, seu pai adquirira, se comprazia em consertar as máquinas da usina, quando estas quebravam.

"Dificilmente se conceberia meio mais sugestivo para a imaginação de uma criança que sonha com invenções mecânicas. Aos 7 anos, já eu tinha permissão para guiar os locomóveis de grandes rodas empregados na nossa propriedade nos trabalhos do campo.

Aos 12, deixavam-me tomar o lugar do maquinista das locomotivas Baldwin que puxavam os trens carregados de Café nas 60 milhas de via ferrea assentadas por entre as plantações. Enquanto meu pai e meus irmãos montavam a cavalo para irem mais ou menos distante ver se os Caféeiros eram tratados, se a colheita ia bem ou se as chuvas causavam prejuízos, eu preferia fugir para a usina, para brincar com as máquinas de beneficiamento".(1)

Esses fatos da vida de Santos-Dumont, narrados singelamente no seu livro Dans l'air, em que recapitula toda a primeira fase de sua luta para conquista do ar, tem grande significado, para se ver que a sua existência, desde os primeiros passos, e toda a preocupação de sua vida, na sua manifestação vocacional, foi dedicada e absorvida pela preocupação do domínio dos ares pelo homem.(2)

A destinação de Santos Dumont manifestou-se desde a infância e, como as árvores, que, da semente, crescem, se desenvovem e dão frutos, a sua existência de aeronauta passou por todas essas fases de evolução vegetal: da ansiedade do menino, aos estudos do rapaz, que prepararam o arcabouço das suas vitórias aeronáuticas: a dirigibilidade do mais leve e a navegação com o mais pesado que o ar.

E não há melhores fatos para comprovarem essas verdades do que aqueles que relembra Santos-Dumont nestas belas páginas de sua autobiografia:

"Ser-me-ia impossível dizer com que idade construí os meus primeiros papagaios de papel. Lembro-me entretanto nitidamente das troças que faziam de mim os meus camaradas, quando brincavam de "passarinho-voa".

O divertimento é muito conhecido. As crianças colocam-se em torno de uma mesa, e uma delas vai perguntando, em voz alta: "Pombo voa?". . . "Galinha voa?". . . "Urubu voa?". . . "Abelha voa?"... E assim sucessivamente. A cada chamada todos nós deviamos levantar o dedo e responder. Acontecia, porém, que, de quando em quando, gritavam: "Cachorro voa?"... "Raposa voa?"... ou algum disparate semelhante, a fim de nos surpreender. Se algum levantasse o dedotinha de pagar uma prenda.

E meus companheiros não deixavam de piscar o olho e sorrir maliciosamente cada vez que perguntavam: "Homem voa?"... E que no mesmo instante eu erguia o meu dedo bem alto, e respondia: "Voa!" com entonação de certeza absoluta, e me recusava obstinadamente a pagar a prenda.

Quanto mais troçavam de mim mais feliz eu me sentia. Tinha a convicção de que um dia os trocistas estariam ao meu lado. Entre os milhares de cartas que me chegaram as mãos, no dia em que ganhei o prêmio Deutsch, uma houve que me causou particular emoção. Transcrevo-a a título de curiosidade:

"Você se lembra, meu caro Alberto, do tempo em que brincávamos juntos de "Passarinho voa?" A recordação dessa época veio-me ao espírito no dia em que chegou ao Rio a notícia do seu triunfo. O homem voa, meu caro! Você tinha razão em levantar o dedo, pois acaba de demonstrá-lo voando por cima da torre Eiffel. E tinha razão em não querer pagar a prenda.

O Senhor Deutsch paga-a por você. Bravo! Voce bem merece este prêmio de 100.000 francos. O velho jogo está em moda em nossa casa mais do que nunca; mas desde o 19 de Outubro de 1901 nos lhe trocamos o nome e modificamos a regra: chamamo-lo agora o jogo do "Homem voa?" e aquele que não levantar o dedo a chamada, paga prenda. Seu amigo Pedro."

"Esta carta me transporta aos dias mais felizes de minha vida, quando, a espera de melhores oportunidades, eu me exercitava construindo aeronaves de bambu, cujos propulsores eram acionados por tiras de borracha enroladas, ou fazendo efêmeros balões de papel de seda.

Cada ano, no dia 24 de junho, diante das fogueiras de São João, que no Brasil constituem uma tradição imemorial, eu enchia dúzias destes pequenos "mongolfiers" e contemplava extasiado a ascensão deles ao ceu.

Nesse tempo, confesso, meu autor favorito era Julio Verne. A sadia imaginação deste escritor verdadeiramente grande, atirando com magia sobre as imutáveis leis da matéria, me fascinou desde a infância. Nas suas concepções audaciosas eu via, sem nunca me embaraçar em qualquer dúvida, a mecânica e a ciência dos tempos do porvir, em que o homem, unicamente pelo seu gênio, se transformaria em um semideus."

Essa verdadeira mania pelo vôo marcou Santos Dumont para toda a vida e a sua audácia, o seu gênio e a sua perseverança nunca desmentida foram os motores que acionaram as idéias germinadas no recesso de sua infância brasileira, cercada de sonhos e visões do futuro, quando, como ele mesmo confessa, nas "compridas tardes ensoleiradas do Brasil, minado pelo zumbido dos insetos e pelo grito distante de algum pássaro, deitado a sombra da varanda, eu me detinha horas e horas a contemplar o céu brasileiro e a admirar a facilidade com que as aves, com as suas longas asas abertas, atingiam as grandes alturas. E ao ver as nuvens que flutuavam alegremente a luz pura do dia, sentia-me apaixonado pelo espaço livre".

E era assim que, meditando sobre a exploração do grande oceano celeste, por minha vez eu criava aeronaves e inventava máquinas".

(1) Santos Dumont - "Os meus balões" - Tradução do original "Dans l'air", por A. de Miranda Bastos - Obra ilustrada com os croquis executados por Santos Dumont para os seus dirigíveis. Biblioteca de Divulgação Aeronáutica. Volume 12, pág. 49.

(2) São significativas, nesse sentido, as páginas de William J. Claxton, escritor inglês que acentua a verdadeira mania de Santos Dumont pelo vôo: "The Flying was Santos-Dumont's great hobby. Even in boyhood, when for away in Brazil, he had been keenly interested in the work of Spencer, Green, and others famousaeronauts, and aeronautics became almost a passion with him."(William J. Claxton - The mastery of the air - Fifth edition, Blackie and Son Limited, London, Glasgow and Bombay, 1918, pág.134).

Fonte: www.turma-aguia.com

Alberto Santos Dumont

O PAI DA AVIAÇÃO

Cronologia do Inventor

Alberto Santos Dumont

1873.

20 de julho, nasce Alberto Santos Dumont , na Fazenda Cabangu, Distrito de João Aires, em Minas Gerais, sexto filho do engenheiro Henrique Dumont e Francisca Santos Dumont, e neto do francês François Dumont, joalheiro que viera tentar fortuna em Diamantina.

1891.

O jovem Alberto parte com a família para Paris, admira os poucos automóveis que circulam nas ruas, compra um Peugeot que traz para São Paulo.

1892.

É emancipado, recebe uma fortuna do pai, volta a Paris para estudar. Morre seu pai.

1898.

Santos Dumont sobe no primeiro balão de sua invenção, o Brasil (113m3), que apresenta vários aperfeiçoamentos sobre os aeróstatos da época. - 
S-D. " Nº1 " (186m3) e S-D. " Nº2 "(200m3)

1889.

Constrói seu primeiro hangar, em Saint-Cloud. - S-D. " Nº3 " (500m3)

1900.

S-D. " Nº4 " (420m3)

1901.

S-D. " Nº5 " (550m3). 19 de Outubro: Santos Dumont, vence o prêmio Deutsch de la Meurthe, saindo de Saint-Cloud, contornando a Torre Eiffel e voltando ao ponto de partida no seu Balão Dirigível - S-D. " Nº6 " (622m3): uma combinação de balão com motor-leme.

1902.

S-D. " Nº7 " de Corrida (1257m3).

1903.

Toda a Paris da belle époque aplaude o famoso inventor brasileiro que, na Balladeuse , "Nº9" (220m3), voa de um lado para o outro sobre os tetos de Paris.

1904.

S-D. " Nº10 " - "Omnibus" (2010m3)

1905.

S-D. " Nº11 " - Aeroplano monoplano, 2 hélices (22m2) ; S-D. " Nº12 " - Helicóptero com duas hélices ; S-D. " Nº13 " - Balão semi-rígido (1902m3) e S-D. " Nº14 " - Dirigível (186m3).

1906.

Finalmente, a grande vitória de Santos Dumont: constrói o aeroplano 14 BIS , aparelho autônomo com motor a gasolina e vence o prêmio Archdeacon, elevando-se ao ar e percorrendo 100m a 80 cm do solo, na pista de Bagatelle, Paris.

1907.

S-D. " Nº15 " - Aeroplano biplano de madeira compensada e o Deslizador 100HP Antoinette; S-D. " Nº16 " - Dirigível aeroplano misto (99m3) ; S-D. " Nº17 " - Aeroplano biplano, motor Antoinette 100 HP ; S-D. " Nº18 " e o S-D. " Nº19 " - Demoiselle , aeroplano monoplano com motor Dutheil- Chalmers.

1908.

S-D. " Nº20 " - Demoiselle , o mesmo aeroplano modifica-do com motor Antoinette. 1909. S-D. " Nº21 " - Demoiselle , Aeroplano monoplano como "Nº19", fuselagem triangular, peso de 118kg e motor Darracq - S-D. " Nº22 " , como o " Nº21 " somente mais reforçado e com motor Bayard.

1910.

Encerrou sua carreira de aviador. Era o único aeronauta a possuir os 4 certificados de piloto: de balão livre, de dirigível, de biplano e de monoplano.

1914.

Eclode a I Guerra Mundial. Com a utilização do avião, Santos Dumont sente-se culpado e deprimido.

1932.

9 de julho: Eclode a Revolução Constitucionalista contra o governo de Getúlio Vargas. Aviões federais vão bombardear Santos. A doença vence o inventor. 23 de julho: Com 59 anos, Alberto Santos Dumont suicida-se.

Fonte: www.pousada14bis.com.br

Alberto Santos Dumont

Vivia na França um ourives que tinha uma filha chamada Eufrásia Honoré, que se casou com François Dumont. O sogro -ourives- induziu o genro François a vir para o Brasil a procura de pedras preciosas, que alimentariam sua indústria.

No Brasil o casal teve três filhos, sendo que o segundo chamava-se Henrique. François Dumont faleceu cedo e Henrique foi ajudado por seu padrinho, que lhe garantiu um curso na Escola de Artes e Ofícios de Paris, (Faculdade de Engenharia, nos dias atuais), tendo se formado com apenas 21 anos de idade. Voltando o Brasil passou a prestar serviços a Prefeitura de Ouro Preto. HENRIQUE DUMONT

FRANCISCA SANTOS

Vivia na região de Ouro Preto o senhor Joaquim Santos, casado com Dona Emerenciana. O casal teve um filho que tornou-se o Comendador Francisco da Paula Santos que casou-se com Dona Rosalina. Entre os filhos tiveram um filha chamada Francisca.

CASAMENTO

Henrique Dumont e Francisca Santos casaram-se à 6 de setembro de 1856, na Freguesia de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. Em 1872 Seu Henrique assumiu a empreitada da construção do trecho da Estrada de Ferro Central do Brasil na subida da Serra da Mantiqueira, tendo instalado seu canteiro de obras na localidade de Cabangu, próximo a cidade de Palmira, hoje Santos Dumont.

NASCIMENTO

Foi no Sítio de Cabangu, MG, que, em vinte de julho de 1873, dia em que seu Henrique completava 41 anos, nasceu seu sexto filho, o futuro grande ALBERTO, aquele que viria a ser o verdadeiro Pai da Aviação.

BATIZADO

Ao completar a empreitada da construção da estrada de ferro, o sr. Henrique Dumont mudou-se para a localidade de Casal, Valença (atualmente município de Rio das Flores) com a família, onde passou a dedicar-se ao cultivo de café. Foi ali na Paróquia de Santa Tereza que Alberto foi batizado em 20 de fevereiro de 1877.

IRMÃOS E IRMÃS

Alberto tinha mais 7 irmãos: cinco mulheres e dois homens. As irmãs mais velhas, Maria Rosalina, Virgínia e Gabriela casaram-se por coincidência, com três irmãos, respectivamente chamados Eduardo Villares, Guilherme Villares e Carlos Villares, todos eram mineiros, excetuando-se as duas irmãs mais moças: Sofia e Francisca, ambas nascidas em Casal, perto da cidade de Valença. (Estado do Rio de Janeiro).

A INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Procurando terras rochas mais próprias para plantação de café, o Sr. Henrique Dumont acabou adquirindo a Fazenda Arindeuva a vinte quilômetros de Ribeirão Preto.

Henrique Dumont e Francisco Schimidt chegaram a ter 60 fazendas e 30 milhões de pés de café, produzindo 4 milhões de sacas por ano.

Para fazer o café circular e ampliar o desenvolvimento da região, foi construída uma estrada de ferro, a Companhia Mogiana, inaugurada em 1883. Por ela chegaram a Ribeirão Preto centenas de migrantes, principalmente italianos que substituíram a mão-de-obra escrava.

A fazenda de Henrique Dumont progrediu muito, tornando-se a mais moderna da América do Sul, com 5 milhões de pés de café, 96 quilômetros de ferrovias, sete locomotivas e, ele, passou a ser conhecido como "O Rei do Café".

Ali Albertinho passou a sua infância, desenvolvendo as aspirações de que o homem não poderia mais ficar preso ao solo. Em suas divagações observava as nuvens suspensas no espaço, as aves deslizarem no ar e fazia experiências com pequenos balões nas festas juninas.

Construia pipas exóticas e chegou a montar pequenas aeronaves movidas a elástico e hélice. As suas leituras prediletas eram os livros: Vinte Mil Léguas Submarinas, Cinco Semanas Num Balão, Da Terra à Lua de Júlio Verne, etc.

Aos sete anos dirigia os locomóveis da fazenda e aos doze seu pai autorizou-o à dirigir a locomotivas Baldwin. Na mecânica, consertava a máquina de costura de sua mãe e acabou fazendo manutenção dos separadores de café da fazenda. Seus estudos iniciaram com as primeiras letras ensinadas por sua irmã Virginia.

Estudou ainda nos colégios Culto a Ciência em Campinas/SP (1879), Kopke e Morton em São Paulo e na Escola de Ouro Preto.

Em 1888 viu pela primeira vez um balão cativo (preso ao chão) em uma feira em São Paulo.

Em 1890 seu pai, em um acidente de charrete, luxou a cabeça tornando-se hemiplégico, sendo obrigado a vender a fazenda.

RUMO A PARIS

Enquanto tentava tratamento para sua enfermidade o Sr. Henrique levou o jovem Alberto pela primeira vez a Paris. Ali, o jovem viu um motor a petróleo funcionando o que lhe despertou profundo interesse.

Em 1892, seu pai o emancipou, dando-lhe liberdade e títulos para que ele se mantivesse pelo resto da vida, e orientou-o a ir a Paris desenvolver seu potencial, estudando matemática, física, eletricidade e mecânica, pois o futuro da humanidade estaria na mecânica.

Em 1892 fixou-se em Paris. Desejou andar de balão, porém sua vontade foi frustrada pelos altos preços pedidos pelos balonistas e acabou se dedicando ao automóvel, tornando-se o primeiro personagem a introduzir no Brasil um automóvel a petróleo.

Em uma de suas visitas ao Rio de Janeiro encontrou o livro"Andrée au Pôle Nord en Ballon", dos construtores de balão Lachambre e Machuron. Ao chegar a Paris, procurou as oficinas do Sr. Lachambre e se surpreendeu com os preços acessíveis pedidos por ele. Já no dia seguinte subia aos céus em um balão dirigido pelo mecânico Machuron. Era o dia 23 março de 1898.

Seu pai, Henrique Dumont, faleceu no Rio de Janeiro, com 60 anos de idade; sua mãe, Francisca Santos, morreu na cidade do Porto, em Portugal, aos 67 anos de idade.

Estilo de Vida de Santos Dumont

GARBOSO

Extravagante e atualizado com a tecnologia da época, em 1898 Santos Dumont trouxe para o Brasil o 1º automóvel a rodar em nossas terras, um modelo PEUGEOT "Vis-a-Vis", importado da França.

Alberto Santos Dumont

Garboso, um pouco dandi, cabelos lustrosos e partidos ao meio, franzino mas arrojado, parecia apenas mais um "playboy" freqüentando o restaurante Maxim's e lançando no "Parc des Princes" o perigoso esporte das corridas de triciclo motorizado.

Pequeno, 1,60 de altura, e leve, com 50 kg, com queixo fendido e olhos penetrantes, às vezes maliciosos.

Descrito como tendo a agilidade de um gato, a pisada segura de um montanhista, talvez herdada do pai, as mãos de um engenheiro, um jeito extraordinariamente irrequieto e uma convicção inabalável. Recusava aceitar limitações, pois ninguém jamais lhe ensinara que algo fosse impossível. Seus sonhos continuavam a moldar-se em Júlio Verne.

Tampouco deixava seus experimentos árduos e freqüentemente aflitivos atrapalharem a vida social.

Conseguia praticar o balonismo durante a manhã inteira no aeroclube, ou voar sobre paris, e ainda estar no Maxim's para praticar "almoço nas alturas" com o seu mecânico chefe "Chapin", numa mesa com quase 2 metros de altura.

Não sendo nenhum espartano, Santos Dumont considerava que pródigos almoços regados a champanhe eram parte normal de seus vôos no balão esférico "Brasil".

Levava ainda ovos cozidos, rosbife e frango frio, queijo, sorvete, frutas e bolos, café, e licor "Chartreuse".

Revistas e jornais começaram a noticiar tanto seu estilo de vida quanto suas invenções. Distinto, espirituoso, muito bem trajado, com freqüência tendo na cabeça um chapéu Panamá, começou também a ditar moda. Seus colarinhos altos e brancos (conhecidos como colarinhos Santos Dumont) e sua capa de opera forrada de seda viraram coqueluche.

O bracelete de ouro (de onde pendia a medalhinha de ouro de São Benedito, que a princesa Isabel lhe deu para resguarda-lo de outros acidentes) e o cinto leve e largo que ele usava sobre o colete, foram notados e copiados, assim como as botinas (embora não as solas grossas para aumentar a estatura, justificadas com a explicação que suas longas caminhadas as exigiam ...), as polainas, o cravo na lapela e o traje de motorista composto de boné, óculos de proteção e calções 3/4.

Alberto Santos Dumont

Entre eles destacava-se o Barão Henry Deutsch de la Meurthe, Georges Goursat, famoso caricaturista que utilizava o pseudônimo "Sem", e o joalheiro Louis Cartier. Os originais dos desenhos de "Sem" ainda podem ser vistos no Maxim's em Paris. O relógio "Santos", primeiro relógio de pulso, é ainda hoje a criação mais vendida da Cartier.

Cartier também desenhou jóias para Santos Dumont, em especial uma peça crivada de rubis, e gravada com uma dedicatória à certa "Belle de Neuilly", personagem misteriosa que disseram ser a amante do inventor.

Em 26 de Junho de 1903, descendo numa festa de crianças no relvado de "Bagatelle" no "Bois de Boulogne", ele perguntou se algum menino gostaria de voar. Naqueles tempos pré-feministas, teria sido heresia perguntar se alguma menina gostaria de voar também. No entanto, passados alguns dias, uma garota crescida e "muito linda" fez ela mesma esse pedido incomum.

Chamava-se Aida de Acosta, era uma famosa beldade da sociedade nova-iorquina, e vinha de uma tradicional família cubana. Após diversas visita ao hangar de Santos Dumont, em Neuilly (um "must" para os parisienses), ela confessou o que o brasileiro descreveu como "um desejo extraordinário".

De início Santos Dumont achou que Aida quisesse apenas alçar vôo com ele, e tal coragem já o impressionava muitíssimo. Quando percebeu que ela queria voar sozinha, ficou atônito. Todos ficaram espantados quando depois de três lições ela conseguiu.

Em 28 de Julho de 1903 deixou isso registrado para que isso não passasse em branco: "A primeira mulher a ter embarcado num dirigível o fez desacompanhada e, livre de todo contato humano, conduziu o Número 9 por uma distância bastante superior a meia milha, de Neuilly a Bagatelle".

Durante anos a foto que dominou sua escrivaninha foi a da intrépida moça num enorme e arrojado chapéu.

AMORES

Alberto Santos Dumont, dedicou um carinho especial as mulheres. Usou os homens para construir seus inventos e as mulheres para usufruir deles.

Em junho de 1898, Madame de Forest acompanhou-o em sua primeira ascensão em que levou passageiros.

Em 1 de agosto de 1901, recebe da Princesa Isabel uma medalha de São Bento para protege-lo. Designou de Antoinette, o motor do seu Lavavasseur.

Em 26 de novembro de 1901, é homenageado em banquete pela sociedade das mulheres jornalistas da Inglaterra, Ëssex Hall.

Em 24 de janeiro de 1902, a Imperatriz Eugênia, viúva de Napoleão III, o visitou no seu hangar em Nice.

Em 29 de junho de 1903, Aida de Acosta pilota sozinha o Dirigível Nº 9. Foi a única pessoa a dirigir um de seus veículos aéreos. Durante anos a foto que dominou sua escrivaninha foi a da intrépida moça num enorme e arrojado chapéu.

Até hoje, é conservada, na sua casa "Encantada" em Petrópolis o retrato da chilena Luiza Villagram Junior, que conheceu em 1916, em Santiago, durante o Congresso Pan-americano de Aeronáutica.

Santos Dumont encomendava jóias a seu amigo Cartier, onde destaca-se uma peça crivada de rubis, e gravada com uma dedicatória à certa "Belle de Neuilly", personagem misteriosa que disseram ser a amante do inventor.

Sua proposta de casamento com Janine Voison, em 1923, foi frustrada pelo pai devido a diferença de idade.

Descobriu-se que ele, anonimamente, colocava $100 francos, todos os meses, na caixa de correio da residência de duas senhoras na rua Chaptal.

Em 1926, as senhoritas Yolanda Penteado, sua sobrinha, e Porgés, campeã francesa de esquiação, experimentaram seu equipamento de propulsionar esquiadores. Há quem diga que o inventor era apaixonado por Dona Olívia Guedes Penteado.

No Guarujá / SP era frequentador do Grande Hotel La Plage, onde posteriormente passou a residir e conheceu a cantora lírica Bidu Sayão por quem manteve uma grande amizade. Muitos afirmam que sua depressão teve início com a ida da desta para a Europa.

Segundo Iraci Morrone, residente no Guarujá e, na época camareira do hotel, Santos Dumont, era um homem metódico, mantinha tudo extremamente arrumado e no lugar.

Não constituiu família, pois a construção de suas máquinas consumia todo o seu tempo. Era um homem excêntrico, pois andou de avião quando ninguém fazia isso.

Não existe na história um brasileiro que tenha o próprio nome e o de seus inventos mais lembrado em logradouros, escolas, restaurantes, cidades, relógios e mesmo em uma Cratera na Lua.

Constituiu o personagem de maior orgulho nacional, sendo, portanto, justo que todos queiram se identificar com ele.

CARÁTER

Seis cidades dos estados do Rio, São Paulo e Minas Gerais se uniram para fazer com que a imagem de Alberto Santos Dumont “decole”. Irritados com a depreciação do nome do Pai da Aviação ao longo dos anos, seis admiradores criaram um roteiro cultural integrado e acionaram os ministérios da Cultura e da Educação para exigir mudanças nos livros didáticos. A meta é garantir mais espaço ao ilustre. Na luta para mudar a imagem de Dumont, admiradores descobriram namoradas e explicações para ele não ter se casado.

A idéia de unir as cidades (quatro já formam o roteiro cultural de visitas) em uma causa única partiu da Associação Cultural de Santos Dumont, cidade natal de Alberto, em Minas Gerais. O projeto reúne Rio de Janeiro, Rio das Flores e Petrópolis, além de Santos Dumont/MG. Ano que vem, a proposta será lançar um “folder” com o roteiro integrado e incluir as cidades paulistas de Dumont e Guarujá. Cada secretaria de turismo se comprometerá em divulgar as atrações dos municípios.

Para os defensores do Pai da Aviação, hoje, ele só é lembrado por suas superstições e pela sua excentricidade. "Só aqui no Brasil que acontece isso. A coisa mais absurda é ferir a imagem de uma figura de extrema importância mundial com questões pessoais. Isso é preconceito", reclama o idealizador do projeto e vicepresidente da associação, o músico Robson Rodrigues Esteves, 36 anos. Além do vôo autônomo motorizado, Dumont idealizou, e popularizou o relógio de pulso, o chuveiro, a porta deslizante para hangar e a dirigibilidade dos balões.

Ele era o brasileiro mais conhecido no mundo antes de Pelé Seja em Minas ou no Rio, o descontentamento quanto ao reconhecimento da obra de Santos Dumont é grande. Para Marisa Guadalupe, diretora do Museu “A Encantada”, casa de veraneio de Alberto em Petrópolis, os brasileiros não se esqueceram de Dumont. Pelo contrário o problema é o modo como lembram: "Esquecido não é a palavra, e, sim, a não valorização. Os feitos e as conquistas ficaram em segundo plano. Sua cidadania, o orgulho de ser brasileiro, o nacionalismo que ele pregava estão se perdendo no tempo".

Marisa destaca o desprendimento de Dumont por bens. Ele deixava os inventos para a humanidade, sem patenteá-los, não visando o comércio. O secretário de turismo de Rio das Flores, Alexandre Machado, engrossa o coro: "A história dele é rica. Era o brasileiro mais conhecido no mundo antes de Pelé". Para ele, o resgate da vida de Dumont é questão de honra.

Moda avançada para época fez a fama de Dumont

A fama surgiu quando ele morava na França, no início do século passado. O motivo: era avançadinho para a época. Alberto ficou conhecido não só pelas invenções, mas também por viver lançando moda. Ele usava cabelo gomalizado repartido ao meio, visual nada discreto. Os sapatos também despertavam olhares duvidosos. Por ser baixo, 1,50 metro, Dumont recorria a calçados com saltos mais altos que os usuais.

Era também lá onde Dumont se envolvia em casos amorosos. Em 1901, o correspondente na Europa do jornal NewYork Journal enviou nota sobre o noiva do de Santos com Miss Powers, filha do empresário de sucesso James Powers. O texto está no Museu Aeroespacial, em Sulacap, Rio.

A lista de namoradas de Dumont não é pequena. Ele decorava sua casa de veraneio, em Petrópolis, com a foto de Luiza Villagran, uma admiradora chilena. O Pai da Aviação tinha fãs espalhadas pela América Latina. Outra que fez parte da lista foi a cubana Aída de Acosta. Ela ganhou o “status” de ser a única mulher a pilotar um dirigível feito por Dumont. "Somente uma ligação muito forte o levaria a deixar Aída pilotar o modelo Nove", afirma Robson Rodrigues Esteves. Apesar de cobiçado por latino-americanas e européias, ele não se casou.

Fonte: www.cabangu.com.br

Alberto Santos Dumont

Últimos dias de Alberto Santos Dumont

A aviação progrediu muito e quando chegou a I Guerra Mundial, Santos=Dumont viu seu invento ser usado para a destruição. Isso o deprimiu profundamente, os desastres aéreos também contribuíram para mergulhar Santos Dumont no remorso.

Voltou ao Brasil, procurou repouso em sua Casa Natal, o sítio de Cabangu. Seduzido pelo aprazível do ambiente rural, nas regiões mineiras, imaginou, por algum tempo, consagrar-se às atividades agrícolas, que haviam sido as de seu pai.

Adquiriu mais terras vizinhas, para ampliar a propriedade; e cuidou ativamente de introduzir benefícios, construindo açude, formando pastos, plantando pomar, melhorando as condições de conforto da sede. Para as necessidades do custeio, dedicou-se à criação de gado, formando selecionado plantel.

Costumava ele, quando em Cabangu, aos domingos, hastear a bandeira nacional, num alto mastro colocado em frente à sua morada. Fazia subir, logo abaixo da bandeira, num comedor para pássaros, cheio de migalhas e demorava-se contemplando o vôo das pequenas aves ao redor da bandeira.

Além da casa onde nasceu, Santos Dumont teve mais duas residências no Brasil. Pensou residir em Petrópolis, seduzido pela amenidade do clima e serenidade da vida. Adquiriu um terreno no morro do Encanto, e aí construiu casa, de acordo com seus planos, a qual denominou “A Encantada”.

Na edificação desse prédio, pôs em prática algumas idéias originais suas. No terraço da residência instalou um pequeno observatório astronômico, onde passava boa parte de seus serões. Mais tarde, mandou construir pequena moradia em São Paulo: escolheu um terreno no Butantã, de onde pela manhã partia em longos passeios a cavalo.

Em 1932, aconteceu no Brasil a Revolução Constitucionalista; Santos=Dumont estava repousando em Guarujá e viu aviões do Governo Federal voarem em direção a Santos para bombardearem um cruzador, profundamente deprimido morreu no dia 23 de julho de 1932.

Depois de embalsamado, o corpo do aeronauta foi embarcado do Guarujá para São Paulo, onde esteve para visitação pública na Catedral.

Em 21 de dezembro de 1932, foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro, em mausoléu que já guardava os corpos de Dr. Henrique, seu pai, e D. Francisca, sua mãe.

Após a morte, a casa de seu nascimento, foi guardada por um grupo de sandumonenses que para segurança fizeram em 1949 a “Fundação Casa de Cabangu”.

SERRA DA MANRIQUEIRA- “O BERÇO DE UM SONHO”

Localizado no alto da Serra da Mantiqueira em Minas Gerais, “Cabangu”, local que serviu de berço para Alberto Santos=Dumont, hoje conservado como museu, guarda a história do Pai da Aviação.

RETORNO AO CABANGU

Depois de conhecer de perto a vitória com suas conquistas na área da aviação e longa permanência na Europa, Santos Dumont regressa ao Brasil, e vai buscar no seu berço “Cabangu” no município de Palmyra, a tranqüilidade para o seu coração atingido por tantas emoções.

Em 1919 santos Dumont, após tentativa de compre, recebeu por decreto do governo, sua casa natal como doação e passou a dedicar-se à criação de gado como fazendeiro da Mantiqueira.

São dessa época as reformas: construção da lareira, do banheiro, o aterro ao redor da casa, o lago com repuxo e fixou na varanda a placa com dizeres:

“ESTA CASA ONDE NASCI, ME FOI OFERECIDA PELO CONGRESSO NACIONAL COMO PRÊMIO DOS MEUS TRABALHOS”. 
SANTOS DUMONT (AGRADECIDO)

A partir daí, as atividades de fazendeiro, se intercalavam às suas viagens de homem público que era.

A administração da fazenda nesses períodos era feita por meio de cartas ao caseiro João e fazendeiros amigos ( são desse tempo o rico acervo do museu em cartas, fotografias e notas de compras).

Esse grande e valioso acervo guardado pelo João na forma rude de um campeiro foi deixado no Cabangu junto a valiosos bens de Santos Dumont.

PRESERVAÇÃO

A necessidade de tratamento de saúde levou Santos Dumont a venda do gado e das terras de Cabangu.

A casa foi conservada por ordem categórica em carta a um amigo: “...vendam tudo, menos a casa, isto eu guardo...”

Anos mais tarde, ao registrar seu testamento mais uma vez preservou a casa de seu nascimento ordenando:

“... A casa do Cabangu, eu quero que seja devolvida à Nação, minha doadora...”

Dessa forma aparentemente ocasional a casa do Cabangu, contendo jornais, revistas e valiosas fotos de suas experiências na França, junto a dois bustos e outros bens, ficou defendida.

A notícia da morte de Santos Dumont ocorrida em Guarujá-SP, no dia 23 de julho de 1932, comoveu o povo de Palmyra que se mobilizou para guardar sua memória.

Todos os bens da casa do Cabangu assim como a própria casa tornaram-se relíquias para o idealizado museu.

O nome da cidade, em sua homenagem foi mudado em 31 de julho de 1932; a cidade Palmyra passou a chamar-se Santos Dumont.

Em 1949 a “Fundação Casa de Cabangu”, foi criada para a proteção, divulgação da vida e obra do Pai da Aviação.

Instituída por Decreto nº 5057 em 18/07/56 do Estado de Minas Gerais cria o “Museu Casa Natal de Santos Dumont”.

Em 1973 ligada a Santos Dumont pela rodovia BR 499, a Fazenda de Cabangu transforma-se num belo recanto de atração turística e monumento vivo a memória do grande brasileiro.

Fonte: www.downloadnow.com.br

Alberto Santos Dumont

No dia 23 de outubro, a bordo do 14 Bis, Alberto Santos-Dumont sobrevoou o campo de Bagatelle, na França, percorrendo 60 metros durante 7 segundos.

“A força do vento e as garras dos galhos do castanheiro não conseguiram destruir a aeronave, muito menos a tenacidade do piloto. Pequenos rasgos na seda japonesa que servia de corpo ao dirigível e um reforço adicional nos cálculos e na prudência do aeronauta foram o saldo daquele acidente. Apenas mais um acidente, entre os tantos que Alberto já havia vivido e ainda estava por viver...

Nada ou ninguém seria capaz de impedi-lo de voar de novo. Desde a infância, sua mente esteve dominada por um sonho: voar. E esse sonho, somado a várias circunstâncias que cercaram seu destino, acabou mesmo alçando-o do solo comum em que viviam os homens do seu tempo."

Trecho extraído do livro: Uma alegria selvagem: a vida de Santos-Dumont, de Bia Hetzel

Fonte: pagesperso-orange.fr

Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no Distrito de Palmira, em Barbacena, MG. Filho de Henrique Dumont, engenheiro civil de obras públicas e mais tarde cafeicultor em Ribeirão Preto, SP, e de Francisca Santos Dumont, filha de tradicional família portuguesa vinda para o Brasil com D. João em 1808.

O pai Henrique, de ascendência francesa, teve papel fundamental na trajetória do filho Alberto, pois percebendo nele o fascínio pelas máquinas – que existiam em grande quantidade na fazenda Andreúva – direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade, não fazendo questão que ele se formasse em engenharia, como foi o caso dos outros filhos.

Em 1891, Alberto contando 18 anos, emancipado pelo pai, foi para Paris completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar, surgido aos 15 anos com a visão, nos céus de São Paulo, de um balão livre (balões livres são aqueles que fazem sua ascensão sem possuir nenhum tipo de dirigibilidade, ficando ao sabor das correntes aéreas).

Ao chegar em Paris, Alberto se admira com os motores de combustão interna a petróleo que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e compra um para si, esquadrinhando todo o seu funcionamento. Logo estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Com a morte do pai um ano depois, o jovem Alberto sofre um duro golpe emocional, mas as palavras do velho Henrique não foram esquecidas. Alberto continua os estudos e não se deixa levar pelos encantos perigosos da Cidade-Luz.

Em 1897 Alberto, já conhecido como Santos-Dumont pelos próximos, faz seu primeiro vôo num balão livre alugado. Um ano depois projeta e constrói, com a ajuda de operários e construtores de balões franceses, seu primeiro balão livre, o “Brasil”, homenageando sua pátria.

Logo em seguida, associando os leves motores de combustão interna a petróleo a seus leves balões e construindo engenhosos lemes, Santos-Dumont inventa os balões dirigíveis: Balão 1, Balão 2, Balão 3, Balão 4, Balão 5, Balão 6, que se sucedem em prêmios no Aeroclube de França e sucesso na imprensa européia, imprensa norte-americana e no Brasil. O inventor agora é o centro das atenções, despertando o interesse militar para seus balões.

Em 1905, na platéia de uma corrida de lanchas num quente verão em Cote D’Azur, Santos-Dumont avista uma potente lancha com motor Antoinette de 24 HP, e começa aí a planejar o mais-pesado-que-o-ar. Aproveitado o sucesso dos planadores e em especial o planador cubo de Hargraves, o inventor constrói o primeiro avião, o 14 bis, com o motor Antoinette, usando o balão nº 14 para testes de estabilidade. Já em 7 de setembro de 1906 o 14 Bis deu um primeiro salto no ar, mas faltou potência.

Em 23 de outubro, com motor Antoinette de 50 HP, o 14 Bis voou, decolando, mantendo-se no ar por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e aterrisou. Era o primeiro vôo homologado do mais-pesado-que-o-ar, para uma multidão de testemunhas eufóricas no campo de Bagatelle. Toda a imprensa francesa no dia seguinte louvou o fato histórico.

Era o triunfo de um obstinado brasileiro e a conquista do prêmio Archdeacon oferecido pelo Aeroclube de França. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Santos-Dumont recebeu diversas homenagens por toda a Europa, nos EUA e América Latina, em especial no Brasil, onde foi recebido com festas e euforia. Seus projetos foram aperfeiçoados por outros aviadores e projetistas, já que ele não os patenteava e não desejava adquirir bens materiais com suas invenções, mas idealizava dotar a Humanidade com meios de facilitar as comunicações, desgostando-se com o uso agressivo que o avião teve na I Guerra Mundial. Ainda projetando, vemos Santos-Dumont construir o avião n°19 e n°20, conhecido como Demoiselle, com grande sucesso.

Em 1909, cansado e com a saúde já abalada por tantos perigos – afinal era projetista, financiador, construtor e piloto de testes de suas aeronaves – Santos-Dumont resolve deixar de lado os projetos aeronáuticos, recebendo, até a sua morte, em 23 de julho de 1932, muitas e merecidas homenagens no Brasil e no exterior, recebendo o justo epíteto de “o Pai da Aviação”.

Fonte: www.edmundolellisfilho.com

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