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Santos Dumont

 

Alberto Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no Distrito de Palmira (hoje rebatizado em honra a ele), em Barbacena, MG. Filho de Henrique Dumont, de ascendência francesa e engenheiro de obras públicas, e de Francisca Santos-Dumont, filha de uma tradicional família portuguesa.

Com Alberto ainda pequeno a família se mudou para Valença (atual município de Rio das Flores) e passou a se dedicar ao café. Em seguida seu pai comprou a Fazenda Andreúva a cerca de 20 km de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Ali, o pai de Alberto logo percebeu o fascínio do filho pelas máquinas da fazenda e direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade.

Em 1891, Alberto, então com 18 anos e emancipado, foi para a França completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar. Ao chegar em Paris, admirou-se com os motores de combustão que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e comprou um para si. Logo Santos-Dumont estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Com a morte do pai, um ano depois, o jovem Santos-Dumont sofreu um grande abalo emocional, mas continuou os estudos na Cidade-Luz. Em 1897 fez seu primeiro voo num balão alugado. Um ano depois, subia ao céu no balão Brasil, construído por ele. Mas procurava a solução para o problema da dirigibilidade e propulsão dos balões. Projetou então o seu número 1, com forma de charuto, com hidrogênio e motor a gasolina.

Primeiro voo

No dia 20 de setembro de 1898 realizou o primeiro voo de um balão com propulsão própria. No ano seguinte voou com os dirigíveis número 2 e número 3. O sucesso de Santos-Dumont chamou a atenção do milionário Henry Deutsch de la Muerte que no dia 24 de março de 1900 ofereceu um prêmio de cem mil francos a quem partisse de Saint Cloud, contornasse a torre Eiffel e retornasse ao ponto de partida em 30 minutos.

Santos-Dumont fez experiências com os números 4 e 5. Em 19 de outubro de 1901 cruzou a linha de chegada com o número 6, mas houve uma polêmica graças a um atraso de 29 segundos. Em 4 de novembro o Aeroclube da França declarou-o vencedor. Além do Prêmio Deutsch recebeu do presidente Campos Salles outro prêmio no mesmo valor e uma medalha de ouro.

Em 1902 o príncipe de Mônaco, Alberto 1º, ofereceu um hangar para ele fazer suas experiências no principado. Santos-Dumont continuou construindo seus dirigíveis. O numero 11 foi um bimotor com asas e o numero 12 parecia um helicóptero. Em 1906 foi instituída a Taça Archdeacon para um voo mínimo de 25 metros com um aparelho mais pesado que o ar, com propulsão própria. O Aeroclube da França lançou o desafio para um voo de 100 metros.

Com Edison e Roosevelt

Em abril de 1902 Santos Dumont viajou para os Estados Unidos onde visitou os laboratórios de Thomas Edison e foi recebido pelo presidente Theodore Roosevelt. Em 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, o 14-Bis voou por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e conquistou a Taça Archdeacon. Uma multidão de testemunhas assistiu a proeza e no dia seguinte toda a imprensa louvou o fato histórico. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Em 12 de novembro de 1906, na quarta tentativa, conseguiu realizar um voo de 220 metros, estabelecendo o primeiro recorde de distância e ganhando o Prêmio Aeroclube. Santos-Dumont não ficou satisfeito com os números 15 a 18 e construiu a série 19 a 22, de tamanho menor, chamadas Demoiselles.

Santos-Dumont recebeu diversas homenagens na Europa e nas Américas, em especial no Brasil, onde foi recebido com euforia. Como o brasileiro não patenteava suas invenções, seus projetos foram aperfeiçoados por outros como Voisin, Leon Delagrange, Blériot, Flarman.

Em 1909 ocorreram dois grandes eventos: a Semaine de Champagne, em Reims, o primeiro encontro aeronáutico do mundo e o desafio da travessia do Canal da Mancha. Nesse ano Santos-Dumont obteve o primeiro brevê de aviador, fornecido pelo Aeroclube da França. Em 25 de julho de 1909, Blériot atravessou o canal da Mancha e foi parabenizado por carta pelo brasileiro.

Primeira Guerra Mundial

Cansado e com a saúde abalada, Santos-Dumont realizou seu último voo em 18 de setembro de 1909. Depois fechou sua oficina e em 1910 retirou-se do convívio social. Em agosto de 1914, a França foi invadida pelas tropas alemãs. Era o início da Primeira Guerra Mundial. Aeroplanos começaram a ser usados na guerra e Santos Dumont amargurou-se ao ver sua invenção ser usada com finalidades bélicas.

Passou a se dedicar ao estudo da astronomia, residindo em Trouville, perto do mar. Em 1915, com a piora na sua saúde, decidiu retornar ao Brasil. No mesmo ano, participou do 11º Congresso Científico Panamericano nos Estados Unidos, tratando do tema da utilização do avião como forma de facilitar o relacionamento entre os países.

Já sofrendo com a depressão, encontrou refúgio em Petrópolis, onde projetou e construiu seu chalé "A Encantada": uma casa com diversas criações próprias, como um chuveiro de água quente e uma escada onde só se pode pisar primeiro com o pé direito. Permaneceu lá até 1922, quando visitou os amigos na França.

Passou a se dividir entre Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Petrópolis e Fazenda Cabangu, MG.

Em 1922, condecorou Anésia Pinheiro Machado, que durante as comemorações do centenário da independência do Brasil, fizera o percurso Rio de Janeiro-São Paulo num avião. Em janeiro de 1926, apelou à Liga das Nações para que se impedisse a utilização de aviões como armas de guerra. No mesmo ano, inventou um motor portátil para esquiadores, que facilitava a subida nas montanhas. Internou-se no sanatório Valmont-sur-Territet, na Suíça.

Em maio de 1927, chegou a ser convidado pelo Aeroclube da França para presidir o banquete em homenagem a Charles Lindberg, pela travessia do Atlântico, mas declinou do convite devido a seu estado de saúde. Passou algum tempo em convalescença em Glion, na Suíça e depois retornou à França.

Em 1928 veio ao Brasil no navio Capitão Arcona. A cidade do Rio de Janeiro tinha se preparado para recebê-lo festivamente. Mas o hidroavião que ia fazer a recepção, sobrevoando o navio onde estava, da empresa Condor Syndikat, e que fora batizado com seu nome, sofreu um acidente, sem sobreviventes. Abatido, Santos-Dumont retornou a Paris.

Legião de Honra

Em junho de 1930 foi condecorado com o título de Grande Oficial da Legião de Honra da França. Em 1931, esteve internado em casas de saúde em Biarritz, e em Ortez no sul da França. Antônio Prado Júnior, ex-prefeito do Rio de Janeiro, encontrou Santos-Dumont doente na França, o que o levou a entrar em contato com a família e a pedir ao sobrinho Jorge Dumont Villares que fosse buscar o tio.

De volta ao Brasil, passam por Araxá, em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e finalmente no Guarujá, onde se instalou no Hotel La Plage, em maio de 1932. Antes, em junho de 1931 tinha sido eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

Em 1932, explodiu a Revolução Constitucionalista, quando o Estado de São Paulo se levantou contra o governo de Getúlio Vargas. Isso incomodava a Santos-Dumont, que lançou apelos para que não houvesse uma guerra civil. Mas aviões atacaram o campo de Marte, em São Paulo, no dia 23 de julho.

Possivelmente esse fato pode ter piorado a angústia de Santos Dumont, que nesse dia, aproveitando-se da ausência de seu sobrinho, suicidou-se, aos 59 anos de idade, sem deixar descendentes.

O pai da aviação, Alberto Santos-Dumont

Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

O engenheiro Henrique Dumont, a esposa Francisca de Santos Dumont e cinco filhos viviam na fazenda Jaguara, em Sabará, Minas Gerais. Contratado para construir um trecho da estrada de ferro D. Pedro 2o, mais tarde Central do Brasil, Henrique mudou-se com a família para uma casa simples do sítio de Cabangu, que era propriedade da ferrovia e situava-se em lugar aprazível da serra da Mantiqueira, no distrito de João Gomes, posteriormente cidade de Palmira (MG).

Em 20 de julho de 1873, ali nasceu Alberto, o sexto filho do casal. Quando ele estava com sete anos de idade, a família mudou-se para a fazenda Arindeúva, adquirida pelo pai e localizada na região de Ribeirão Preto (SP). Henrique Dumont mudou o nome para Fazenda Dumont e, dessa fazenda, Alberto guardou as melhores recordações da infância.

O homem voa?

Diziam os irmãos que, quando criança, Alberto ficava como que hipnotizado pelo voo dos pássaros. Observava-os por longo tempo, atento a todos os movimentos que faziam.

Dedicava-se também ao passatempo predileto: fabricar e soltar papagaios de papel de seda, balões e aeronaves de bambu com propulsores. Quando participava da brincadeira "Passarinho Voa?", ao ser mencionada a expressão "Homem Voa?", ele levantava o dedo e respondia animado "Voa!". Os irmãos exigiam que pagasse multa pelo erro. Ele jamais pagou, porque dentro do coração havia a certeza de que, um dia, ele provaria ao mundo inteiro que o homem também podia voar, como passarinho.

Nas férias escolares desfrutadas em Ribeirão Preto, Alberto aprendeu a operar as máquinas de beneficiar café e a manejar o "locomóvel", pesada aparelhagem a vapor sobre rodas usada como trator. Aos 12 anos de idade, por várias vezes, ocupou o lugar do maquinista e conduziu as locomotivas Baldwin, que operavam na doméstica ferrovia de vários quilômetros, que o pai construíra dentro da fazenda Dumont.

Em 1888, pela primeira vez, Alberto assistiu em São Paulo à ascensão de um balão ou aeróstato, pilotado por um norte-americano. A partir daí, voar tornou-se o seu maior sonho. Também os escritos de Júlio Verne, autor de "Cinco Semanas em Balão", "A Volta ao Mundo em Oitenta Dia", "Da Terra à Lua" etc. estimularam sua convicção.

Flâmula verde-amarela

Em 1891, Alberto foi para a França com a família e interessou-se pelo motor a petróleo, que viu na exposição no Palácio da Indústria em Paris. No ano seguinte, foi residir na capital francesa e, com um professor particular, estudou física, química, mecânica, eletricidade etc. Alberto Santos-Dumont guardou indelével recordação da primeira ascensão que fez, a bordo de um balão da firma Lachambre & Machuron e, a partir daí, decidiu possuir um balão. Idealizou e mandou construir o balão Brasil.

Efetuou a primeira ascensão em 4 de julho de 1898 e declarou: "O meu primeiro balão, o menor, o mais lindo, o único que teve um nome: Brasil!" A partir daí, os balões idealizados por Santos-Dumont passaram a ser numerados. O balão n.º 1 tornou-se um marco na história da aerostação, porque foi impulsionado por um motor a gasolina.

Nele, em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez, os parisienses viram um motor trepidando e roncando nos ares. De número em número, alternando-se sucessos e fracassos, a cada ascensão, Alberto Santos-Dumont colocava nos balões uma flâmula verde e amarela, a indicar que ali estava um brasileiro.

O 14-Bis

Em 19 de outubro de 1901 ocorreu a grande consagração, ao provar a dirigibilidade dos balões. Concorrendo ao Prêmio Deutsch de La Meurthe com o balão n.º 6, saiu de Saint-Cloud, contornou a Torre Eiffel e retornou ao ponto de partida. No campo da aeronáutica, Santos-Dumont trabalhava em silêncio. Idealizou, inovou, aperfeiçoou máquinas, fez testes e chegou ao avião. Em Bagatelle, para as primeiras experiências, pendurou o aparelho no balão n.º 14, por isso batizou o primeiro avião como 14-Bis. Tratava-se de um grande pássaro branco, semelhante às bonitas garças brasileiras.

No dia 23 de outubro de 1906, no Campo de Bagatelle, em Paris, mais de mil pessoas e representantes da imprensa internacional assistiram ao primeiro voo de um avião e essa façanha proporcionou ao inventor a conquista da Taça Archdeacon. Pela primeira vez, um homem ergueu-se do solo, com recursos de um aparelho mais pesado que o ar, realizando um voo planado.

Apesar das apresentações públicas de Dumont, os irmãos norte-americanos Orville e Wilbur Wright reclamaram para si não somente a honra do primeiro avião ou do primeiro voo, mas anexaram um rótulo qualificativo do seu Flyer no Instituto Smithsonian: "O avião original dos Irmãos Wright: a primeira máquina do mundo movida a energia, mais pesada que o ar, na qual o homem fez voos livres, controlados e sustentados".

Segundo seu diário, voaram num aeroplano chamado "Flyer" a 17 de Dezembro de 1903, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte. O diário registra três outros voos com o mesmo aparelho, dos quais um de 59 segundos à velocidade de 50 km/h e um outro, a 5 de Outubro de 1905. Somente em 1908 realizaram experiências públicas de voo no Velho Mundo.

Alberto Santos-Dumont, o homem mais popular de Paris na primeira década do século 20, herói brasileiro, imitado, festejado e aplaudido pelo mundo inteiro, morreu no Guarujá, em 23 de julho de 1932. Em 31 de julho, Palmira, a cidade natal do inventor, passou a chamar-se Santos Dumont. E foi Santos Dumont a primeira cidade do Brasil a comemorar, dignamente, em 23 de outubro de 1936, o Dia do Aviador.

Lauret Godoy é escritora e pesquisadora, autora dos livros "Os Jogos Olímpicos na Grécia Antiga" e "O jovem Santos Dumont", juntamente com Guca Domenico.

Combustível do 14 Bis: o café

Fonte: Foi com o dinheiro da herança da maior fazenda de café da América Latina que Santos Dumont custeou as invenções que fizeram o primeiro avião levantar voo na Europa. Na fazenda de propriedade do seu pai, o brasileiro teve os seus primeiros contatos com o mundo das máquinas. Leonardo Lênin

As aves de Paris já estavam se acostumando a dividir o espaço que antes era só delas com balões e dirigíveis, mas aquela Ave de Rapina já era demais. Os parisienses deveriam estar meio confusos naquele 12 de novembro de 1906. Talvez descrentes sobre o sucesso do voo daquela Ave de 10 metros de comprimento, 12 de envergadura, com asas feitas de células como se fossem caixas, fixadas a uma trave de pinho, presas por cordas de piano e que sairia do chão com a propulsão de um motor de 24 HP.

Santos Dumont
Em novembro de 1906, Santos Dumont
fez a sua invenção, o 14 Bis, voar

Frente àquela geringonça, a única coisa que lhe dava algum crédito era o criador da Ave. Um sujeito que tinha a aparência mirrada de um jóquei, magro e não alcançando 1,60 metro, mas que era uma das pessoas mais famosas e queridas da Europa naquele começo de século.

Era o brasileiro Alberto Santos Dumont, que naquele dia faria seu 14 Bis voar 220 metros durante 21,2 segundos. O aspecto da nova máquina do brasileiro dava a impressão que ela voaria para trás. Suas asas eram na dianteira e o motor na extremidade posterior.

A imprensa achou que parecia um pássaro com a cabeça de caixa e os jornais deram o apelido: Ave de Rapina.

O 14 Bis era o primeiro aeroplano a voar na Europa e também a primeira máquina mais pesada que o ar que voou no continente. Dumont tinha ficado famoso com seus balões pois foi ele que fez com que os balões pudessem ser controlados. Antes do brasileiro, os inflamáveis voavam conforme o vento, o que fazia com que os balonistas soubessem somente onde eles iriam decolar. Onde iriam pousar era sempre uma dúvida. Podia ser em cima de uma árvore, no telhado de algum palácio ou no quintal de alguma pessoa sem grande entusiasmo pela conquista do céu.

As experiências com máquinas mais pesadas que o ar eram uma novidade na Europa e mais ainda para Dumont: o 14 Bis era o seu primeiro projeto de aeroplano. Para que o brasileiro chegasse a ser um dos homens mais queridos da Europa, muito dinheiro teve que ser investido. E foi o dinheiro do café brasileiro que abasteceu seus balões e aviões.

O pai de Santos Dumont, Henrique Dumont, foi o engenheiro responsável, durante o reinado do imperador Dom Pedro II, por parte da malha ferroviária da estrada de ferro Central do Brasil que o imperador esticava do Rio de Janeiro a Minas Gerais. Uma função que deu muito prestígio para o patriarca da família e que, aliada à herança que sua mulher, Francisca de Paula Santos, recebera do pai, o levou a ser conhecido como "o rei do café". 

Com o término das obras da ferrovia, Henrique comprou a Fazenda Arindeuva, que fica a 20 quilômetros da cidade de Rio Preto, interior paulista. O começo não foi fácil, mesmo adquirindo terras em uma das regiões mais propícia para a cultura do grão. O terreno teve que ser limpado e arado, foram plantados 500 mil pés de café, (alguns biógrafos falam em 5 milhões) e foi montada toda a estrutura da fazenda, desde paióis para estocar e secar os grãos até moradias para os trabalhadores. Para se ter uma idéia do tamanho da propriedade, basta dizer que Henrique construiu uma estrada de ferro de 96 quilômetros para transportar a safra com pequenas locomotivas no interior da fazenda.

Máquina: para processar café

Foi com equipamentos para produção do café que começou a intimidade de Santos Dumont com as máquinas. Já com sete anos, ele dirigia as locomóveis, máquinas movidas a vapor que carregavam a colheita para a estrada de ferro principal. Com 12 anos, mostrava o poder da sua lábia que mais tarde seria usada para convencer os construtores de balões descrentes das suas idéias. Santos Dumont convenceu um maquinista a deixá-lo guiar uma das principais locomotivas do país na época, uma Baldwin, transportando um vagão cheio de café para a usina de beneficiamento.

É bem verdade que quando começou seus experimentos no céu, a família já não possuía mais a fazenda. Henrique sofrera uma concussão cerebral aos 60 anos ficando hemiplégico, o que fez a família vender a fazenda. Santos Dumont tinha então 18 anos. O dinheiro da herança do rei do café é que bancou a maior parte dos gastos do filho por toda a sua vida, já que poucas vezes tomava para si os prêmios que ganhava nas conquistas com seus balões. Dumont geralmente os doava aos pobres.

Em seu livro de memórias “Meus Balões”, Dumont desfaz a idéia sobre a precariedade das fazendas de café - a de seu pai chegou a ser a mais desenvolvida da América do Sul. Segundo ele, as máquinas envolvidas na produção da commodity eram o que estava mais próximo do universo que encontrava nas páginas de ficção de Julio Verne.

"Os europeus imaginam as plantações brasileiras como pitorescas colônias primitivas, perdidas na imensidade do sertão, não conhecendo melhor a carreta nem o carrinho de mão que a luz elétrica ou o telefone. Em verdade, há, em certas regiões recuadas no interior, colônias desta espécie, mas não eram fazendas de café de São Paulo. Dificilmente se conceberia meio mais sugestivo para a imaginação de uma criança que sonha com invenções mecânicas", escreveu.

Também contou em seus relatos todo o processo "industrial" do café em seu tempo de criança e adolescência. Como os grãos eram limpados, secados, descascados e ensacados, além de toda a participação das máquinas, balanças, esteiras, pequenos elevadores no processo. Tudo era observado e o funcionamento registrado na cabeça do futuro aviador.

Como não fez nenhuma graduação superior que o ajudasse nas invenções - o que mais tarde lhe rendeu alguns ataques dos cientistas do voo -, foi o ambiente das máquinas do café que lhe deu as bases de engenharia e mecânica que usou em seus inventos. Observar as máquinas da fazenda, que quebravam com freqüência, fez com que mais tarde ele optasse por usar motores rotativos para suas invenções, por exemplo.

"As peneiras móveis (usadas no processo de secagem dos grãos), com especialidade, arriscam-se a se avariar a cada momento. Sua velocidade bastante grande, seu balanço horizontal muito rápido consumiam uma quantidade enorme de energia motriz. Constantemente fazia-se necessário reparar as polias. E bem me recordo dos vãos esforços que empregávamos para remediar os defeitos mecânicos do sistema. Causava-me espécie que, entre todas as máquinas da usina, só essas desastradas peneiras móveis não fossem rotativas. Não eram rotativas, e eram defeituosas! Creio que foi este pequeno fato que, desde cedo, me pôs de prevenção contra todos os processos mecânicos de agitação, e me predispôs a favor do movimento rotatório, de mais fácil governo e mais prático".

Paul Hoffman, historiador norte-americano que escreveu a biografia de Dumont “Asas da Loucura – a extraordinária vida de Santos-Dumont”, diz que essa preferência pelos motores rotativos o ajudou na construção das máquinas voadoras quando se tornou inventor.

voo com café

Adulto, Santos Dumont, conhecido por sua elegância e vaidade, levava sempre consigo uma garrafa térmica com café. Em 1897 fez seu primeiro voo em um balão como experiência para fazer suas observações e começar a investir na construção dos seus. O voo era em um balão alugado. Ele fez questão de levar uma cesta com comida, já que não pensava em descer tão cedo do voo pago. Na cesta fez questão de completar a refeição com o café brasileiro.

Nesta época, o principal café consumido na Europa era o tipo Santos. O nome vinha do Porto de Santos por onde o grão era exportado. Alguns historiadores, porém, apontam que esse nome vinha da marca do café produzido na fazenda de Henrique Dumont.

Em outubro de 1901, Dumont ganhou o prêmio Deutsch ao circundar a Torre Eiffel com seu balão dirigível, o Nº 6, que tinha formato de charuto. Foi o ápice de sua popularidade na Europa. Quando pousou, centenas de espectadores jogavam-lhes pétalas. Condessas e a mulher de John D. Rockefeller gritavam entusiasmadas.

Quando saiu da cesta do balão, Alberto Santos Dumont recebeu de um dos espectadores uma xícara quente de café para que brindasse o feito que provava que o homem podia controlar máquinas voadoras. Não seria demais arriscar que o café que tomou vinha da fazenda que o iniciou no mundo das máquinas.

Fonte:  www.revistacafeicultura.com.br

Santos Dumont

Santos Dumont nasceu dia 20 de julho do ano de 1873 em João Aires, município de Palmira em Minas Gerais. Em Ribeirão Preto iniciou seus primeiros estudos, mais tarde matriculou-se no culto a ciências, de Campinas; depois matriculou-se no Colégio Montzon de São Paulo.

Com a idade de vinte e um anos seu pai mandou-o para a Europa para aperfeiçoar seus estudos, seus pensamentos eram dominados pelo campo da mecânica; sua primeira invenção foi o balão de nome “Brasil”.

No dia 19 de outubro do ano de 1901 ele ganhou o prêmio Dustche, com o seu balão número 6, no dia 13 de setembro do ano de 1906 usou o biplano “14 BIS” que subiu a uma altura bem elevada do solo. No dia 23 de outubro do ano de 1906 ele conseguiu a taça de campeão Archdeacan. Essas experiências foram feitas no ano de 1906.

Com o aparelho “14 BIS” ele conseguiu uma altura de 5 metros e uma velocidade de 40 km/h, voou uma distância de 220 metros; no ano de 1928 Santos Dumont voltou para o Brasil e foi recebido com muito amor e carinho, tinham preparado uma grande festa para Santos Dumont.

Mas o aviso que tinha seu nome e tinha a bordo os cientistas, sofreu um acidente e todos morreram; entâo Santos Dumont cancelou as festividades, e isto abalou sua saúde; e passou a morar em Santos - São Paulo. Morreu no dia 23 de julho do ano de 1932.

Escreveu dois livros:

“Dans-Lair (É o que vi) O Que nós Veremos”. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras. Seu nome é: Alberto Santos Dumont.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Santos Dumont

Aviador e inventor mineiro (20/7/1873-23/7/1932).

Construtor do 14-Bis, o primeiro avião a ultrapassar a barreira de 25 m em voo oficial, em 23 de outubro de 1906.

Nasce em Palmira, hoje rebatizada de Santos Dumont.

Filho de um engenheiro e grande fazendeiro de origem francesa, vai para Paris em 1891, onde passa a maior parte da vida.

Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

Dedica-se ao automobilismo e logo à aeronáutica. Projeta dirigíveis com motor a petróleo e planeja, constrói e experimenta mais de 20 inventos aeronáuticos.

Em 1901 cria o balão dirigível e ganha o Prêmio Deutsch, oferecido à aeronave que contornasse a Torre Eiffel.

Em 1906 constrói o 14-Bis e, em 1907, o Demoiselle, avião extremamente leve, menor que o 14-Bis, no qual passeia todos os dias. Substitui o hidrogênio pelo gás de iluminação como combustível para balões, diminuindo o risco de explosão. Inventa o hangar, o relógio de pulso e a porta de correr sobre rodas. Volta ao Brasil em 1928 e, durante uma crise de depressão atribuída por alguns historiadores ao uso bélico do avião, suicida-se no Guarujá, São Paulo.

Fonte: www.algosobre.com.br

Santos Dumont

23-7-1873, Palmira (MG) 

-7-1932, Guarujá (SP)

Primeiro aeronauta a alcançar a dirigibilidade dos balões e a voar num aparelho mais pesado que o ar com impulso próprio, Alberto Santos Dumont dedicou a vida à aviação. De espírito inquieto e obstinado, nunca desistiu de realizar seus projetos, apesar dos acidentes que sofreu.

Idealista, não patenteou seus inventos, colocando-os à disposição de quem quisesse construí-los. Nascido na cidade de Palmira, atualmente denominada Santos Dumont, em Minas Gerais, aos 19 anos Dumont foi para Paris estudar Física, Mecânica e Eletricidade.

Em 1898, fez com Machuron, construtor do balão L'Oern, que realizou expedição ao Pólo Norte, seu primeiro voo.

No mesmo ano, levou ao ar seu primeiro projeto e o menor balão da época: o Balão Brasil.

Em 20 de setembro de 1898, pela primeira vez na história da humanidade, decolou com um balão dirigível movido a petróleo. Voando sobre Paris e seus arredores, aperfeiçoou sua criação mais tarde nos dirigíveis. Em 1901, com o dirigível número 6, contornou a Torre Eiffel (Paris, na França) e retornou à terra, sendo premiado por tal feito.

Em 1903, construiu o número 9: o mais popular, pois com ele Dumont visitou amigos, levou como passageiro o menino Clarkson Potter e ainda permitiu que a cubana Aida de Acosta o dirigisse. Depois de construir os números 10, 11, 12 e 13, em julho de 1906, Dumont fez experiências com um novo veículo, um aparelho mais pesado que o ar, que passou a se chamar 14-Bis.

Após várias experiências, em 1906, fez um voo de cerca de 50 metros conquistando a Taça Archdeacon; pela primeira vez um homem, num aparelho mais pesado que o ar, elevou-se do solo e tornou a descer utilizando apenas suas forças. Terminou suas construções com o mais versátil e prático aparelho aéreo, o popular "Demoiselle", considerado o modelo padrão para quase todos os aviões construídos a seguir.

Depois de passar temporadas em casas de saúde, por causa de depressão, gerada principalmente por ver o avião usado como arma de guerra, Dumont suicidou-se no Guarujá (SP).

Fonte: biografias.netsaber.com.br

Santos Dumont

Alberto Santos Dumont era o sexto filho de um rico empreiteiro e fazendeiro chamado Henrique Dumont e a riqueza familiar ajudou em seus planos como inventor que, desde jovem, era fascinado por livros sobre viagens em balões, como as obras de Julio Verne e, aos 18 anos, mudou-se para Paris, onde suas idéias tomaram uma conotação, para a época, de suicida...

Em 1898 seu primeiro balão ( o Balão Brasil ), voou sobre os céus de Paris, e Santos Dumont percebeu que o próximo passo seria fazer um veículo voador que fosse dirigível, assim, o inventor acoplou um pequeno motor a gasolina; e seu invento funcionou. Mas Paris ainda aplaudiria de pé os feitos deste notável inventor.

Dumont sofreu alguns pequenos acidentes na tentativa de aprimorar sua máquina de voar, chegando a admitir que, em alguns deles, fora "salvo por milagre".

De seu escritório em Paris, Santos Dumont criava inventos rapidamente do papel para o mundo real.

O inventor brasileiro, que também criou o relógio de pulso, ganhava fama internacional e em 23 de outubro de 1903* Santos Dumont faz seu voo com o 14 Bis, tornando-se o primeiro homem a voar com uma máquina autopropulsionada e mais pesada que o ar. O voo histórico foi em Paris e prolongou-se por 60 metros a uma altura de 2 metros.

Santos Dumont também teve outras máquinas de voar, como o "Demoiselle" (donzela, em francês), que era uma aeronave com motor de 35 HP e estrutura de bambu. O inventor teve a preocupação, inclusive, de tentar proibir o uso de aviões como arma de guerra, o que, como se sabe, não foi aceito.

O "Pai da Aviação", como é hoje conhecido, cometeu suicídio em 23 de julho de 1932, na época da revolução Constitucionalista, a qual, foi veementemente contrário, tendo em vista ser ele um pacifista. Santos Dumont terminou sua glória enforcando-se com uma gravata no banheiro de sua residência no Guarujá (SP).

Um fim trágico para um homem que, como um pássaro, queria ser livre para voar.

Observação: Podemos considerar o invento de Santos Dumont - o 14 bis - um marco histórico para o século XX, e particularmente para o Brasil.

1903* - O ano correto é 1906 ( há um erro na bibliografia de referência)

Em 1901, com um voo de pouco mais de 30 minutos sobre Paris, Santos-Dumont provou que o homem podia controlar o seu deslocamento pelos ares a bordo de um balão.

Santos Dumont
O dirigível nº 6 contorna a torre Eiffel

Um voo em torno da torre Eiffel realizado cem anos atrás faz hoje parte da história da aviação. Em 1901, o brasileiro Alberto Santos-Dumont venceu o desafio lançado por um magnata do petróleo chamado Henri Deutsch de la Meurthe, que um ano antes decidira premiar o piloto do primeiro balão dirigível ou aeronave de qualquer natureza que se elevasse do solo e, sem tocar a terra e por seus próprios meios, contornasse a torre Eiffel e voltasse ao ponto de partida, o campo de aerostação de Saint-Cloud.

O voo teria que ser realizado até 1904 e no tempo máximo de 30min. A distância de ida e volta era de aproximadamente 30km.

Na tarde de 19 de outubro de 1901, Santos-Dumont partiu de Saint-Cloud a bordo de seu dirigível nº 6, que media 33m de comprimento. Depois de contornar a torre, na época a maior construção do mundo, Santos Dumont voltou ao local da decolagem, levando 29min30s para percorrer todo o trajeto. Mas só conseguiu aterrissar o balão cerca de 1min depois, ultrapassando assim o tempo limite.

Gerou-se uma polêmica entre a comissão encarregada de avaliar a tentativa, formada por membros do Aeroclube da França.

Santos-Dumont, porém, conseguiu contornar a resistência ao reconhecimento de seu feito com uma proposta: caso fosse declarado vencedor, daria metade do prêmio aos mecânicos e técnicos de sua equipe e a outra metade à Prefeitura de Paris, com a condição de que esta distribuísse a quantia entre os pobres.

Para Santos-Dumont, mais importante que o prêmio era mostrar que seu dirigível era uma máquina funcional. Com a façanha, o aeronauta brasileiro provou que o homem podia controlar o seu deslocamento pelos ares. Até então, os balões de ar quente voavam sem controle, ao sabor dos ventos. A data ficou consagrada como do Dia Internacional da Dirigibilidade, princípio fundamental da aviação.

Desde 1897 Santos-Dumont vinha realizando voos em balões. O primeiro deles, batizado de Brasil, apresentava um volume abaixo da média e, com suas pequenas proporções, oferecia um problema técnico, o de manutenção da estabilidade.

Para resolver essa dificuldade, Santos-Dumont alterou-lhe o centro de gravidade, mediante o alongamento das cordas de suspensão da barquinha destinada ao tripulante. O inventor também utilizou pela primeira vez a seda japonesa, o que tornou o engenho mais leve e permitiu que suportasse maior tensão. O Brasil foi pilotado em 4 de julho de 1898, no Jardim da Aclimação, em Paris.

Foi nessa época que Santos-Dumont decidiu tentar a utilização de um motor a gasolina em aeróstatos, o que representaria um grande passo para solucionar o problema de sua dirigibilidade. Em 18 de setembro de 1898, ele decolou do Jardim da Aclimação com seu dirigível nº 1. Semelhante a um charuto, com 25m de comprimento e 30kg de peso, era impulsionado por um motor a gasolina de 3,5 HP.

Em 11 de maio de 1899 Santos-Dumont voou pela primeira vez com o balão nº 2, que só diferia do anterior pela potência maior, mas o voo não deu bom resultado devido ao mau tempo. O balão nº 3 foi construído no mesmo ano, quando o inventor empregou pela primeira vez o gás de iluminação em lugar do hidrogênio, mais caro. Esse aparelho era de formato diferente, mais afilado nas pontas e, para abrigá-lo, Santos-Dumont construiu um hangar especial, o primeiro do mundo.

No balão nº 4, o piloto sentava-se num selim de bicicleta, de onde dirigia e controlava o motor, o leme de direção e as torneiras do lastro, o qual, em vez de areia, compunha-se de 54 litros de água, guardados em dois reservatórios.

Esse balão subiu com sucesso em 1º de agosto de 1900, quando se realizavam em Paris a Grande Exposição e o Congresso Internacional de Aeronáutica.

O balão nº 5 apresentou como novidade um motor de 16 HP, ao qual se adaptava uma formação triangular de pinho, com 41kg e fabricada pelo próprio aeronauta. O balão, no entanto, chocou-se com um prédio de Paris. Santos-Dumont ficou pendurado a vinte metros de altura, mas saiu ileso.

As experiências aeronáuticas de Santos-Dumont culminaram no primeiro voo mecânico do mundo, realizado com o 14-bis, em 23 de outubro de 1906. O aeroplano voou 60m a uma altura entre 1 e 2m no campo de Bagatelle.

Um novo voo ocorreu em 12 de novembro de 1906, quando o aeronauta brasileiro conseguiu percorrer 200m, a 6m de altura. Com o 14-bis, Santos-Dumont ganhou a taça Ernest Archdeacon, instituída para o primeiro aeroplano que com seus próprios meios se elevasse a mais de 25m, e o prêmio do Aeroclube da França para o primeiro avião que fizesse um percurso de 100m.

Fonte: www.miniweb.com.br

Santos Dumont

Os Primeiros Passos

"O Homem pode voar..."

Santos Dumont falava essa frase quando brincava com seus amigos em sua infância.

Alberto Santos-Dumont nasceu no dia 20 de Julho de 1873, na Fazenda Cabangu, Estação de Rocha Dias, Distrito de João Ayres, Minas Gerais), onde seu pai, um engenheiro, se instalara com o objetivo de construir um trecho da Estrada de Ferro D. Pedro II, hoje conhecida como Central do Brasil. Desde cedo, Santo-Dumont demonstrou uma grande disposição para a conquista do ar. Suas leituras prediletas, escritas por Julio Verne, o deixavam submerso num mundo de imaginação sem limites.

Em dez anos de proveitoso trabalho, o pai de Santos-Dumont, o engenheiro Henrique transformou-se num proprietário agrícola dos mais conceituados, tornando-se na época um "Barão do Café".

Por ter ido morar, com a família de Santos Dumont, na Europa, em 1891, com a finalidade de tratar-se de uma hemiplegia (paralisação de um dos lados do corpo), que ocorrera devido a um acidente com uma charrete em sua própria fazenda, Henrique Dumont viu que Paris seria o local ideal pra seu filho Alberto seguir seus estudos.

Ele percebeu que a grande curiosidade pelos assuntos relacionados com a mecânica, aliada a viva inteligência de Alberto, eram fatores que influenciavam a permanência do filho na então "Capital do Mundo", Paris.

Assim, na outra viagem realizada ao continente Europeu em 1892, Santos-Dumont, então com mais de 18 anos, passou a residir na capital da França, em companhia de outros parentes.

Foi o Sr. Garcia, seu primeiro professor, um hábil francês de origem espanhola, que lhe ensinou as primeiras noções de Física, Química, Eletricidade e, como não podia faltar, a Mecânica. Dedicou-se primeiramente ao automobilismo em decorrência ao seu profundo interesse pela Mecânica; posteriormente, ainda influenciado pelas leituras de Julio Verne, pelo progresso da aerostação na França, e pelo seu indisfaçável desejo de voar, acabou-se por se entregar aos voos de balões livres.

A alegria e a emoção pelas quais ficou possuído ao subir ao céu pela primeira vez - a bordo de um balão - estão visivelmente presentes na narração que Santos-Dumont fez no seu livro "Os Meus balões", com referência a esse acontecimento marcante na sua vida.

Empregando seus dias, horas e minutos naquilo que passou a ser o único objetivo de sua vida - A Conquista do Ar - Santos-Dumont, possuídor de uma tenacidade ilimitada, surpreendeu o mundo aeronáutico com o balão dirigível, impulsionado por um motor a gasolina.

Os motores a eletricidade e a vapor eram os motores mais conhecidos e empregados em balões-dirigíveis, contudo não ofereciam resultados práticos: a Santos-Dumont coube, no entanto, a primazia de aplicar o motor a gasolina no aparelho mais leve que o ar. Sua idade era de somente 25 anos.

De 1898 a 1909 ele planejou, construiu e experimentou mais de duas dezenas de invenções, entre balões-livres, balões-dirigíveis, e aviões (biplanos e monoplanos)

A Infância - O despertar de uma vocação

A vida de Santos-Dumont foi, toda ela, dedicada a conquista do ar. Pode-se mesmo dizer que, na infância, quando residia no interior brasileiro, a sua imaginação era despertada pela ascensão dos pequenos balões de papel que os meninos soltavam nas noites de São João, na alegria de uma das festas mais populares do Brasil.

Já rapaz, quando o conhecimento e as primeiras luzes do saber lhe despertaram a inteligência, sua imaginação foi conquistada definitivamente pelas predições de um dos mais férteis escritores do século XIX: o famoso Julio Verne.

O imaginoso escritor, criador de mundos, em que a inteligência infantil circulava com desembaraço e prazer, tomou de assalto as primeiras manifestações de seu espírito inventivo. Os submarinos, os balões, os transatlânticos e todos os outros meios de transporte que Julio Verne previu com tanta felicidade, envolveram o seu cérebro de jovem, despertando-lhe, do fundo do subconsciente, a faculdade que já se acentuava instintivamente para o domínio e manejo da mecânica.

E não era sem razão que o jovem Alberto dirigia as locomotivas Baldwin que o engenheiro Henrique Santos Dumont encomendara na Europa para o trabalho da companhia de estrada de ferro em que exercia a sua atividade e, nas fazendas de Café que, posteriormente, seu pai adquirira, se comprazia em consertar as máquinas da usina, quando estas quebravam.

"Dificilmente se conceberia meio mais sugestivo para a imaginação de uma criança que sonha com invenções mecânicas. Aos 7 anos, já eu tinha permissão para guiar os locomóveis de grandes rodas empregados na nossa propriedade nos trabalhos do campo.

Aos 12, deixavam-me tomar o lugar do maquinista das locomotivas Baldwin que puxavam os trens carregados de Café nas 60 milhas de via ferrea assentadas por entre as plantações. Enquanto meu pai e meus irmãos montavam a cavalo para irem mais ou menos distante ver se os Caféeiros eram tratados, se a colheita ia bem ou se as chuvas causavam prejuízos, eu preferia fugir para a usina, para brincar com as máquinas de beneficiamento".(1)

Esses fatos da vida de Santos-Dumont, narrados singelamente no seu livro Dans l'air, em que recapitula toda a primeira fase de sua luta para conquista do ar, tem grande significado, para se ver que a sua existência, desde os primeiros passos, e toda a preocupação de sua vida, na sua manifestação vocacional, foi dedicada e absorvida pela preocupação do domínio dos ares pelo homem.(2)

A destinação de Santos Dumont manifestou-se desde a infância e, como as árvores, que, da semente, crescem, se desenvovem e dão frutos, a sua existência de aeronauta passou por todas essas fases de evolução vegetal: da ansiedade do menino, aos estudos do rapaz, que prepararam o arcabouço das suas vitórias aeronáuticas: a dirigibilidade do mais leve e a navegação com o mais pesado que o ar.

E não há melhores fatos para comprovarem essas verdades do que aqueles que relembra Santos-Dumont nestas belas páginas de sua autobiografia:

"Ser-me-ia impossível dizer com que idade construí os meus primeiros papagaios de papel. Lembro-me entretanto nitidamente das troças que faziam de mim os meus camaradas, quando brincavam de "passarinho-voa".

O divertimento é muito conhecido. As crianças colocam-se em torno de uma mesa, e uma delas vai perguntando, em voz alta: "Pombo voa?". . . "Galinha voa?". . . "Urubu voa?". . . "Abelha voa?"... E assim sucessivamente. A cada chamada todos nós deviamos levantar o dedo e responder. Acontecia, porém, que, de quando em quando, gritavam: "Cachorro voa?"... "Raposa voa?"... ou algum disparate semelhante, a fim de nos surpreender. Se algum levantasse o dedotinha de pagar uma prenda.

E meus companheiros não deixavam de piscar o olho e sorrir maliciosamente cada vez que perguntavam: "Homem voa?"... E que no mesmo instante eu erguia o meu dedo bem alto, e respondia: "Voa!" com entonação de certeza absoluta, e me recusava obstinadamente a pagar a prenda.

Quanto mais troçavam de mim mais feliz eu me sentia. Tinha a convicção de que um dia os trocistas estariam ao meu lado. Entre os milhares de cartas que me chegaram as mãos, no dia em que ganhei o prêmio Deutsch, uma houve que me causou particular emoção.

Transcrevo-a a título de curiosidade:

"Você se lembra, meu caro Alberto, do tempo em que brincávamos juntos de "Passarinho voa?" A recordação dessa época veio-me ao espírito no dia em que chegou ao Rio a notícia do seu triunfo. O homem voa, meu caro! Você tinha razão em levantar o dedo, pois acaba de demonstrá-lo voando por cima da torre Eiffel. E tinha razão em não querer pagar a prenda.

O Senhor Deutsch paga-a por você. Bravo! Voce bem merece este prêmio de 100.000 francos. O velho jogo está em moda em nossa casa mais do que nunca; mas desde o 19 de Outubro de 1901 nos lhe trocamos o nome e modificamos a regra: chamamo-lo agora o jogo do "Homem voa?" e aquele que não levantar o dedo a chamada, paga prenda. Seu amigo Pedro."

"Esta carta me transporta aos dias mais felizes de minha vida, quando, a espera de melhores oportunidades, eu me exercitava construindo aeronaves de bambu, cujos propulsores eram acionados por tiras de borracha enroladas, ou fazendo efêmeros balões de papel de seda.

Cada ano, no dia 24 de junho, diante das fogueiras de São João, que no Brasil constituem uma tradição imemorial, eu enchia dúzias destes pequenos "mongolfiers" e contemplava extasiado a ascensão deles ao ceu.

Nesse tempo, confesso, meu autor favorito era Julio Verne. A sadia imaginação deste escritor verdadeiramente grande, atirando com magia sobre as imutáveis leis da matéria, me fascinou desde a infância. Nas suas concepções audaciosas eu via, sem nunca me embaraçar em qualquer dúvida, a mecânica e a ciência dos tempos do porvir, em que o homem, unicamente pelo seu gênio, se transformaria em um semideus."

Essa verdadeira mania pelo voo marcou Santos Dumont para toda a vida e a sua audácia, o seu gênio e a sua perseverança nunca desmentida foram os motores que acionaram as idéias germinadas no recesso de sua infância brasileira, cercada de sonhos e visões do futuro, quando, como ele mesmo confessa, nas "compridas tardes ensoleiradas do Brasil, minado pelo zumbido dos insetos e pelo grito distante de algum pássaro, deitado a sombra da varanda, eu me detinha horas e horas a contemplar o céu brasileiro e a admirar a facilidade com que as aves, com as suas longas asas abertas, atingiam as grandes alturas. E ao ver as nuvens que flutuavam alegremente a luz pura do dia, sentia-me apaixonado pelo espaço livre".

E era assim que, meditando sobre a exploração do grande oceano celeste, por minha vez eu criava aeronaves e inventava máquinas".

(1) Santos Dumont - "Os meus balões" - Tradução do original "Dans l'air", por A. de Miranda Bastos - Obra ilustrada com os croquis executados por Santos Dumont para os seus dirigíveis. Biblioteca de Divulgação Aeronáutica. Volume 12, pág. 49.

(2) São significativas, nesse sentido, as páginas de William J. Claxton, escritor inglês que acentua a verdadeira mania de Santos Dumont pelo voo: "The Flying was Santos-Dumont's great hobby. Even in boyhood, when for away in Brazil, he had been keenly interested in the work of Spencer, Green, and others famousaeronauts, and aeronautics became almost a passion with him."(William J. Claxton - The mastery of the air - Fifth edition, Blackie and Son Limited, London, Glasgow and Bombay, 1918, pág.134).

Fonte: www.turma-aguia.com

Santos Dumont

Últimos dias de Alberto Santos Dumont

A aviação progrediu muito e quando chegou a I Guerra Mundial, Santos=Dumont viu seu invento ser usado para a destruição. Isso o deprimiu profundamente, os desastres aéreos também contribuíram para mergulhar Santos Dumont no remorso.

Voltou ao Brasil, procurou repouso em sua Casa Natal, o sítio de Cabangu. Seduzido pelo aprazível do ambiente rural, nas regiões mineiras, imaginou, por algum tempo, consagrar-se às atividades agrícolas, que haviam sido as de seu pai.

Adquiriu mais terras vizinhas, para ampliar a propriedade; e cuidou ativamente de introduzir benefícios, construindo açude, formando pastos, plantando pomar, melhorando as condições de conforto da sede. Para as necessidades do custeio, dedicou-se à criação de gado, formando selecionado plantel.

Costumava ele, quando em Cabangu, aos domingos, hastear a bandeira nacional, num alto mastro colocado em frente à sua morada. Fazia subir, logo abaixo da bandeira, num comedor para pássaros, cheio de migalhas e demorava-se contemplando o voo das pequenas aves ao redor da bandeira.

Além da casa onde nasceu, Santos Dumont teve mais duas residências no Brasil. Pensou residir em Petrópolis, seduzido pela amenidade do clima e serenidade da vida. Adquiriu um terreno no morro do Encanto, e aí construiu casa, de acordo com seus planos, a qual denominou “A Encantada”.

Na edificação desse prédio, pôs em prática algumas idéias originais suas. No terraço da residência instalou um pequeno observatório astronômico, onde passava boa parte de seus serões.

Mais tarde, mandou construir pequena moradia em São Paulo: escolheu um terreno no Butantã, de onde pela manhã partia em longos passeios a cavalo.

Em 1932, aconteceu no Brasil a Revolução Constitucionalista; Santos=Dumont estava repousando em Guarujá e viu aviões do Governo Federal voarem em direção a Santos para bombardearem um cruzador, profundamente deprimido morreu no dia 23 de julho de 1932.

Depois de embalsamado, o corpo do aeronauta foi embarcado do Guarujá para São Paulo, onde esteve para visitação pública na Catedral.

Em 21 de dezembro de 1932, foi sepultado no Cemitério de São João Batista no Rio de Janeiro, em mausoléu que já guardava os corpos de Dr. Henrique, seu pai, e D. Francisca, sua mãe.

Após a morte, a casa de seu nascimento, foi guardada por um grupo de sandumonenses que para segurança fizeram em 1949 a “Fundação Casa de Cabangu”.

SERRA DA MANRIQUEIRA- “O BERÇO DE UM SONHO”

Localizado no alto da Serra da Mantiqueira em Minas Gerais, “Cabangu”, local que serviu de berço para Alberto Santos=Dumont, hoje conservado como museu, guarda a história do Pai da Aviação.

RETORNO AO CABANGU

Depois de conhecer de perto a vitória com suas conquistas na área da aviação e longa permanência na Europa, Santos Dumont regressa ao Brasil, e vai buscar no seu berço “Cabangu” no município de Palmyra, a tranqüilidade para o seu coração atingido por tantas emoções.

Em 1919 santos Dumont, após tentativa de compre, recebeu por decreto do governo, sua casa natal como doação e passou a dedicar-se à criação de gado como fazendeiro da Mantiqueira.

São dessa época as reformas: construção da lareira, do banheiro, o aterro ao redor da casa, o lago com repuxo e fixou na varanda a placa com dizeres:

“ESTA CASA ONDE NASCI, ME FOI OFERECIDA PELO CONGRESSO NACIONAL COMO PRÊMIO DOS MEUS TRABALHOS”.  SANTOS DUMONT (AGRADECIDO)

A partir daí, as atividades de fazendeiro, se intercalavam às suas viagens de homem público que era.

A administração da fazenda nesses períodos era feita por meio de cartas ao caseiro João e fazendeiros amigos ( são desse tempo o rico acervo do museu em cartas, fotografias e notas de compras).

Esse grande e valioso acervo guardado pelo João na forma rude de um campeiro foi deixado no Cabangu junto a valiosos bens de Santos Dumont.

PRESERVAÇÃO

A necessidade de tratamento de saúde levou Santos Dumont a venda do gado e das terras de Cabangu.

A casa foi conservada por ordem categórica em carta a um amigo: “...vendam tudo, menos a casa, isto eu guardo...”

Anos mais tarde, ao registrar seu testamento mais uma vez preservou a casa de seu nascimento ordenando:

“... A casa do Cabangu, eu quero que seja devolvida à Nação, minha doadora...”

Dessa forma aparentemente ocasional a casa do Cabangu, contendo jornais, revistas e valiosas fotos de suas experiências na França, junto a dois bustos e outros bens, ficou defendida.

A notícia da morte de Santos Dumont ocorrida em Guarujá-SP, no dia 23 de julho de 1932, comoveu o povo de Palmyra que se mobilizou para guardar sua memória.

Todos os bens da casa do Cabangu assim como a própria casa tornaram-se relíquias para o idealizado museu.

O nome da cidade, em sua homenagem foi mudado em 31 de julho de 1932; a cidade Palmyra passou a chamar-se Santos Dumont.

Em 1949 a “Fundação Casa de Cabangu”, foi criada para a proteção, divulgação da vida e obra do Pai da Aviação.

Instituída por Decreto nº 5057 em 18/07/56 do Estado de Minas Gerais cria o “Museu Casa Natal de Santos Dumont”.

Em 1973 ligada a Santos Dumont pela rodovia BR 499, a Fazenda de Cabangu transforma-se num belo recanto de atração turística e monumento vivo a memória do grande brasileiro.

Fonte: www.downloadnow.com.br

Santos Dumont

Santos Dumont
Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu no dia 20 de julho de 1873 no sítio Cabangu, no Distrito de Palmira, em Barbacena, MG. Filho de Henrique Dumont, engenheiro civil de obras públicas e mais tarde cafeicultor em Ribeirão Preto, SP, e de Francisca Santos Dumont, filha de tradicional família portuguesa vinda para o Brasil com D. João em 1808.

O pai Henrique, de ascendência francesa, teve papel fundamental na trajetória do filho Alberto, pois percebendo nele o fascínio pelas máquinas – que existiam em grande quantidade na fazenda Andreúva – direcionou os estudos do rapaz para a mecânica, a física, a química e a eletricidade, não fazendo questão que ele se formasse em engenharia, como foi o caso dos outros filhos.

Em 1891, Alberto contando 18 anos, emancipado pelo pai, foi para Paris completar os estudos e perseguir o seu sonho de voar, surgido aos 15 anos com a visão, nos céus de São Paulo, de um balão livre (balões livres são aqueles que fazem sua ascensão sem possuir nenhum tipo de dirigibilidade, ficando ao sabor das correntes aéreas).

Ao chegar em Paris, Alberto se admira com os motores de combustão interna a petróleo que começavam a aparecer impulsionando os primeiros automóveis e compra um para si, esquadrinhando todo o seu funcionamento. Logo estava promovendo e disputando as primeiras corridas de automóveis em Paris.

Com a morte do pai um ano depois, o jovem Alberto sofre um duro golpe emocional, mas as palavras do velho Henrique não foram esquecidas. Alberto continua os estudos e não se deixa levar pelos encantos perigosos da Cidade-Luz.

Em 1897 Alberto, já conhecido como Santos-Dumont pelos próximos, faz seu primeiro voo num balão livre alugado. Um ano depois projeta e constrói, com a ajuda de operários e construtores de balões franceses, seu primeiro balão livre, o “Brasil”, homenageando sua pátria.

Logo em seguida, associando os leves motores de combustão interna a petróleo a seus leves balões e construindo engenhosos lemes, Santos-Dumont inventa os balões dirigíveis: Balão 1, Balão 2, Balão 3, Balão 4, Balão 5, Balão 6, que se sucedem em prêmios no Aeroclube de França e sucesso na imprensa européia, imprensa norte-americana e no Brasil. O inventor agora é o centro das atenções, despertando o interesse militar para seus balões.

Em 1905, na platéia de uma corrida de lanchas num quente verão em Cote D’Azur, Santos-Dumont avista uma potente lancha com motor Antoinette de 24 HP, e começa aí a planejar o mais-pesado-que-o-ar. Aproveitado o sucesso dos planadores e em especial o planador cubo de Hargraves, o inventor constrói o primeiro avião, o 14 bis, com o motor Antoinette, usando o balão nº 14 para testes de estabilidade. Já em 7 de setembro de 1906 o 14 Bis deu um primeiro salto no ar, mas faltou potência.

Em 23 de outubro, com motor Antoinette de 50 HP, o 14 Bis voou, decolando, mantendo-se no ar por uma distância de 60 metros, a três metros de altura e aterrisou. Era o primeiro voo homologado do mais-pesado-que-o-ar, para uma multidão de testemunhas eufóricas no campo de Bagatelle. Toda a imprensa francesa no dia seguinte louvou o fato histórico.

Era o triunfo de um obstinado brasileiro e a conquista do prêmio Archdeacon oferecido pelo Aeroclube de França. O dinheiro do prêmio foi distribuído para seus operários e os pobres de Paris, como era o costume do inventor.

Santos-Dumont recebeu diversas homenagens por toda a Europa, nos EUA e América Latina, em especial no Brasil, onde foi recebido com festas e euforia. Seus projetos foram aperfeiçoados por outros aviadores e projetistas, já que ele não os patenteava e não desejava adquirir bens materiais com suas invenções, mas idealizava dotar a Humanidade com meios de facilitar as comunicações, desgostando-se com o uso agressivo que o avião teve na I Guerra Mundial. Ainda projetando, vemos Santos-Dumont construir o avião n°19 e n°20, conhecido como Demoiselle, com grande sucesso.

Em 1909, cansado e com a saúde já abalada por tantos perigos – afinal era projetista, financiador, construtor e piloto de testes de suas aeronaves – Santos-Dumont resolve deixar de lado os projetos aeronáuticos, recebendo, até a sua morte, em 23 de julho de 1932, muitas e merecidas homenagens no Brasil e no exterior, recebendo o justo epíteto de “o Pai da Aviação”.

Fonte: www.edmundolellisfilho.com

Santos Dumont

O pai da aviação, Alberto Santos Dumont, nasceu no dia 20 de julho de 1873, no Sítio de Cabangu, em Minas Gerais.

Aos 18 anos foi morar em Paris, passando então a se interessar pelo voo em balões.

No dia 19 de outubro de 1901, aos 28 anos incompletos, Santos-Dumont realiza sua primeira façanha: na presença de uma multidão, circundou a torre Eiffel com seu dirigível n. 5. Com isso, arrebatou o prêmio Deutsch Pretze, no valor de 50.000 francos.

Mas embora para nós, brasileiros, seja muito natural considerar Santos Dumont o pai da aviação, esta "paternidade" é, às vezes, contestada.

Isto porque, em 17 de dezembro de 1903, os irmãos Wright, nos Estados Unidos, conseguiram saltar (mas saltar não é voar...) 40 metros em seu biplano.

Para alçar o tal "voo", os Wright se utilizaram de uma espécie de catapulta, ou seja, precisaram de "meios externos".

Em 1906, no mês de julho, mais precisamente, Santos-Dumont começou suas primeiras experiências, ou melhor, aventuras, com o 14-Bis.

E, após algumas tentativas, em 23 de outubro, sob os olhos maravilhados do público parisiense e de representantes do Aeroclube da França, finalmente um aparelho mais pesado que o ar foi capaz de voar, por seus próprios meios (leia-se sem interferência externa, diferentemente do voo dos irmãos Wright).

O 14 -Bis levantou voo, percorrendo 60 metros em 7 segundos.

Na ocasião, Santos Dumont ganhou o prêmio Archdeacon, no valor de 3.000 francos, criado para premiar aquele que conseguisse voar mais de 25 metros.

Um detalhe: A idéia de que sua invenção pudesse ser usada para fins bélicos desagradava muito a Santos Dumont.

Para ele, a finalidade maior dos aviões deveria ser a de meio de transporte e lazer, encurtando as distâncias para unir amigos e familiares.

Em 1918, Santos-Dumont foi morar em Petrópolis, no Morro do Encantado, em um chalé de estilo europeu.

A casa, conhecida como A Encantada, abriga um pouco da vida e da história deste que foi um dos maiores inventores brasileiros.

Assim, quando for a Petrópolis, não deixe de conhecê-la, pois, além de história, A Encantada é cheia de curiosidades, como uma escada em que só se pode começar a subir com o pé direito... coisas de inventor...

Fonte: www.educacaopublica.rj.gov.br

Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu a 20 de julho de 1873 em Santa Luzia do Rio das Velhas, hoje cidade de Santos-Dumont, depois de ter sido denominada cidade de Palmira por dilatados anos. Era filho do engenheiro Henrique Dumont e de D. Francisca de Paula Santos. Faleceu em Guarujá - São Paulo - em 23 de julho de 1932.

De família abastada, o jovem Alberto iniciou os estudos no Brasil mas, ainda muito novo passou a estudar em Paris.

Recebeu a influência da leitura de alguns dos inúmeros romances de Júlio Verne, que empolgaram várias gerações de leitores.

Em Paris, fiel leitor do escritor francês, manifestou enorme interesse pela construção de balões. A 18 de setembro de 1898, fez subir ao espaço o primeiro de uma série desses engenhos.

Uma grande vitória foi conseguida em 12 de julho de 1901, quando, partindo de um ponto conseguiu retornar ao mesmo local da partida.

O fato teve grande repercussão e, por não ser francês, recusou Santos-Dumont a cruz da legião de Honra que lhe foi oferecida. No mês seguinte, o Aéro Clube da França concedeu-lhe uma medalha de ouro.

Satisfeito com os resultados conseguidos na dirigibilidade de seus balões, Santos-Dumont, em 19 de outubro de 1901, apresentou-se para disputar o prêmio Deutsch de la Meurthe, cujo itinerário consistia na circumnavegação da Torre Eiffel dentro do prazo de trinta minutos. Conseguiu realizar a façanha.

O prêmio de 100.000 francos foi dividido pelo vencedor entre os pobres de Paris e os mecânicos que com ele haviam trabalhado na construção dos aparelhos voadores.

Santos Dumont
Alberto Santos Dumont

No Segundo Congresso Científico Pan-americano, proferiu, a 4 de janeiro de 1916, uma conferência intitulada - "Como o aeroplano pode facilitar as relações entre as Américas".

Aos 59 anos de idade, suicidou-se Santos-Dumont, em 23 de julho de 1932, em Guarujá, São Paulo, profundamente traumatizado, ao que se presume, com o desenrolar do movimento revolucionário irrompido a 9 do referido mês, nos Estados de São Paulo e Mato Grosso.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Santos Dumont

Nascido e Criado no Brasil

Hoje, um monumento em Paris credita a Santos Dumont o primeiro voo registrado de aeroplano. Em toda a América do Sul ele é tido como o verdadeiro Pai da Aviação. Ao passo que este título pode ser contestável, Santos Dumont foi sem dúvida um dos mais dedicados dos pioneiros – o primeiro homem licenciado como piloto de balões, dirigíveis, biplanos e monoplanos. Entretanto seu nome parece ter sido excluído dos livros e anais históricos de todo o mundo.

Santos Dumont era um excêntrico e tímido inventor que arriscava regularmente a própria vida a fim de testar suas próprias criações – só para divulgar seus segredos em seguida.

Ele nunca se preocupou em patentear seus designs: o relógio de pulso, o dirigível, o hangar, os aeroplanos. Ele queria que suas criações se destinassem ao avanço da comunidade mundial, já que os mistérios que ele buscava desvendar eram compartilhados pela raça humana havia séculos.

Alberto Santos Dumont nasceu no estado brasileiro de Minas Gerais, em 20 de julho de 1873 - dia dos anos de seu pai. O aniversário comum talvez explique a forte ligação que se formou entre o engenheiro Henrique Dumont e seu último filho varão. Corajoso e empreendedor, Henrique Dumont voltou-se para o cultivo do café e transformou sua fazenda na mais moderna da América do Sul. Para transportar os grãos, teve que construir uma estrada de ferro particular, logo passando a ser conhecido como "O Rei do Café". Foi ali que Alberto passou a infância, observando nuvens, construindo pipas e balões de papel, e mergulhando na literatura fantástica de Jules Vernes, autor de livros como Cinco Semanas Num Balão e Da Terra à Lua.

Alberto aprendeu a lidar com a mecânica desde cedo: aos 12 anos dirigia as locomotivas do pai, além de fazer a manutenção das máquinas da fazenda. Em 1888, com 15 anos de idade, viu pela primeira vez a ascensão de um imenso balão cativo (preso ao chão). Começava a sua fascinação pela idéia da conquista do ar.

Quando Alberto tinha 17 anos, seu pai sofreu um grave acidente que o tornou hemiplégico. Henrique Dumont viu-se obrigado a vender a fazenda, indo buscar tratamento em Paris. Sentindo a fragilidade de sua saúde, decidiu emancipar o filho, delegando-lhe meios para que se sustentasse durante toda a vida.

Orientou-o a desenvolver suas habilidades: que estudasse matemática, física, eletricidade e mecânica - pois na mecânica se encontrava "o futuro da humanidade."

Em 1892, numa segunda viagem a Paris, o velho engenheiro passou mal e acabou por deixar Alberto sozinho na capital francesa.

Jovem, solteiro e independente, Alberto Santos Dumont faz de Paris a sua casa. Interessou-se pelos veículos movidos a petróleo - uma novidade na época. Mas não esqueceu a vontade latente de voar.

Pai da Aviação?

Para incentivar novos inventores, havia em julho de 1906 dois prêmios de aviação a se disputar: um de 1.500 francos, oferecido pelo Aeroclube de França ao primeiro aeroplano que, levantando-se por seus próprios meios, cobrisse um percurso de 100 metros; e outro - a Taça Archdeacon - de 3.000 francos, parao primeiro aeroplano que por si só voasse 25 metros. 

Sendo essencialmente um gênio improvisador, Santos Dumont não perdeu tempo em estudar o que se fizera antes dele no campo da aviação. Aprendeu primeiro a planar. Fabricou depois um aeroplano e prendeu-o a um dirigível para testá-lo nos ares. Chamou ao dirigível "no. 14", e ao aeroplano "14-bis." Com ele, se inscreveu para ambos os concursos.

Depois de alguns testes no campo de Bagatelle, Santos Dumont conseguiu realizar, em 23 de outubro de 1906, o primeiro voo mecânico do mundo devidamente homologado. Seu estranho aparelho, o 14-bis, alcançou a distância de 60 metros, a uma altura que variava entre 2 e 3 metros. O pequeno brasileiro aparecia mais uma vez nas primeiras páginas de jornais do mundo todo (inclusive o americano New York Herald), recebendo, perante uma enorme audiência, a Taça Archdeacon.

Em 12 de novembro de 1906, Santos Dumont voltou ao campo de Bagatelle, disposto a ganhar o segundo prêmio, pelo percurso de 100 metros. Não compareceu sozinho. Ali já estavam os (futuramente famosos) aviadores Blériot e Voisin. Santos Dumont cedeu-lhes a vez, mas a máquina de seus concorrentes espinoteou e partiu-se sem desgarrar do chão. Ao cair da tarde, Santos Dumont alçou voo em seu "14-bis", decolando do chão, percorrendo 220 metros de distância a 6 metros de altura, e aterrizando no espaço de 21 segundos.

Conquistou, assim, o prêmio do Aeroclube de França - que mandou construir no campo de Bagatelle um monumento registrando este feito histórico, onde se lê até hoje:

AQUI, NO DIA 12 DE NOVEMBRO DE 1906, SOB O CONTROLE DO AEROCLUBE DE FRANÇA, SANTOS DUMONT ESTABELECEU OS PRIMEIROS REGISTROS DE AVIAÇÃO DO MUNDO.

Glória Perdida

O simples fato de existir, em 1906, um prêmio de 3.000 francos instituído em Paris (capital do mundo naquela época) para um voo de 25 metros, mostra como nunca, até então, tinha-se havido notícia de que alguém houvesse voado em aeroplano motorizado. De fato, ninguém da classe científica, intelectual ou jornalística do mundo ouviu falar dos sucessos dos Orville e Wilbur Wright até dois anos mais tarde. Acredita-se que os irmãos Wright tenham voado na América do Norte entre 1903 a 1908. Escreveu o pioneiro Gabriel Voisin: "Em 13 de janeiro de 1908, [?] ninguém havia visto ainda os Wright voarem, e ninguém podia fornecer um documento, por mais pobre que fosse, sobre a forma, as dimensões, a natureza de seu aparelho. " Santos Dumont comentou a respeito: "Tais voos teriam tido lugar perto de Dayton, num campo ao longo de cujo limite passava um bonde. Não posso deixar de ficar profundamente espantado por este feito inexplicável, único, desconhecido: durante três anos e meio os Wright realizam inúmeros voos mecânicos e nenhum jornalista da tão perspicaz imprensa dos Estados Unidos se abalança a ir assisti-los, controlá-los, e aproveitar o assunto para a mais bela reportagem da época." 

Os próprios irmãos Wright declararam mais tarde que seus voos de 1903 ficaram desconhecidos porque, embora tivessem convidado diversas pessoas, cinco apenas se dispuseram a comparecer. Esta explicação é tida como satisfatória para os historiadores do mundo até os dias de hoje.

O feito inquestionável do inventor brasileiro terá sido talvez o pioneirismo da aviação como a conhecemos hoje - pois, enquanto todos os aparelhos dos irmãos Wright dependiam de uma catapulta para alçar voo, o 14-bis de Santos Dumont foi o primeiro a efetuar uma decolagem, por seus próprios meios, a partir do chão - critérios científicos estabelecidos e registrados pelo Aeroclube de França. Santos Dumont abria caminho para que outros aviadores da época criassem, com mais ou menos êxito, suas máquinas voadoras. Ele próprio coroou seus dez anos de invenções com o modelo Demoiselle, aviões pequenos e ágeis, de fabricação barata. Recusando-se a fabricá-los por encomenda, publicou seus desenhos para que o copiassem livremente (os atuais "ultraleves" são meras réplicas desta invenção). Seu ideal de tornar o voo acessível a todos estava realizado.

Em 1909, após 12 anos de trabalho ininterrupto, Santos Dumont resolveu parar de voar. O esforço intenso, os acidentes sofridos, as fortes emoções vividas ao longo desse tempo começavam a afetar sua saúde. Sentia-se cansado física e emocionalmente. Diz-se que envelheceu prematuramente. Acreditam alguns biógrafos que ele começava a sofrer de esclerose múltipla - cujos sintomas incluem a depressão.

Fugindo da primeira guerra mundial que se alastrava pela Europa, Santos Dumont partiu em viagem pelas Américas. Voltou enfim ao Brasil, onde, nos longos anos de exílio, tinha se tornado herói nacional. Mas deprimia-se profundamente com o uso de aviões em bombardeamentos na Europa. Sentia-se culpado pela guerra aérea. Recolheu-se, em 1918, na pequena cidade de Petrópolis, em casa projetada e construída por ele mesmo. Ali viveu retraído, saindo poucas vezes à cidade.

Terminada a guerra, passou a viver entre o Brasil e a Europa, mas o sentimento de culpa e angústia nunca mais o deixariam. Buscou isolamento em clínicas de repouso, para "tratar dos nervos", mas em 1931 foi finalmente trazido de volta ao Brasil, quando sua família descobriu seu estado de melancolia e abandono. No país que nunca deixou de amar (Santos Dumont brandiu a bandeira do Brasil em vários de seus voos), o "Pai da Aviação" viu sua invenção novamente usada numa guerra, desta vez de brasileiros contra brasileiros. E não resistiu.

Em 23 de julho de 1932, três dias após seu 59o aniversário, o inventor que um dia foi o centro das atenções de uma sociedade criativa e cintilante como a de Paris morreu em esquecimento num quarto de hotel no Brasil. O suicídio de Alberto Santos Dumont reverberou em noticiários do mundo inteiro, mas os ecos de suas realizações em vida não parecem ser mais ouvidos. Poucos sabem que uma cratera da lua tem o seu nome, e que para relembrar este pioneiro do voo basta se olhar para o céu.

Bibliografia: canal discovery

Fonte: ww.republicaweb.com.br

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