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Sócrates

Filosofo grego, Sócrates nasceu em Atenas no ano de 470 a.C. . De origem modesta, era filho de Sofronisco, escultor, e de Fenarete, parteira, com quem dizia Ter aprendido a arte de obstetra de pensamentos.

Era casado com Xantipa, cujo nome se tornou provérbio.

Abandonando a arte de seu pai dedicou-se inteiramente a missão de despertar e educar as consciências, tendo como influência a filosofia de Anaxágoras. Sempre entre jovens, sempre em discussões, especialmente com os sofistas, nada escreveu. Por isso, o seu pensamento tem que ser reconstituído sobre testemunhos, nem sempre concordes, de Xenofonte, de Platão e de Aristóteles.

Viveu sempre em Atenas, tendo participado das batalhas de Potidea (onde salvou a vida de Alcebíades) de Delion e de Anfipolis.

Em 399 a.C., a sua atividade e a sua vida foram finalizadas pela condenação à morte, sob a acusação de corromper os jovens contra a religião e as leis da pátria. Ao se dirigir aos atenienses que o julgavam, Sócrates disse que lhes era grato e que os amava, mas que obedeceria antes ao deus do que a eles, pois enquanto tivesse um sopro de vida, poderiam estar seguros de que não deixaria de filosofar, tendo como sua única preocupação andar pelas ruas, a fim de persuadir seus concidadãos, moços e velhos, a não se preocupar nem com o corpo nem com a fortuna, tão apaixonadamente quanto a alma, a fim de torná-la tão boa quanto possível.

Denunciado, então, como subversivo, foi condenado à morte ignominiosa, tendo de beber a cicuta na prisão de Atenas em fevereiro de 399 a.C. .

Segundo Sócrates, a Ciência fala de ser justo em relação ao cosmos, fala da modificação da alma, purificando o espírito em sua unidade e totalidade, o qual não é mais capaz de erro e de pecado.

CIÊNCIA = VIRTUDE = FELICIDADE

Esta é a equação Socrática, que quer dizer que o bem é igual ao útil. Ou seja, as pessoas fazem o bem por interesse próprio, porque é o que vai levá-las a felicidade. Ele achava que as pessoas deveriam agir corretamente, pois estando no caminho certo, a tendência será essa pessoa ser feliz. Mesmo assim, eventos externos podem modificar o resultado dos eventos.

Sócrates queria que as pessoas se desenvolvessem na Virtude. A virtude é um agir ótimo, é procurar fazer o bem, que é o correto, o ideal. Ser virtuoso é o máximo que se pode ser. O ato virtuoso depende do fim que se colocar para ele. As coisas são virtuosas a medida que elas fazem bem as coisas para as quais elas foram feitas. O caminho para a virtude não é só o intelecto, razão, é o conhecimento místico também. Para Platão, as principais virtudes são: força, coragem, justiça e piedade. A virtude abrange, também, criar riquezas.

A virtude da alma é a sabedoria, que é o que a aproxima de Deus.

A virtude da alma é a Sabedoria, que é o que a aproxima de Deus. A sabedoria tem haver com humildade intelectual e não com a quantidade de saber. O ignorante é arrogante porque pensa que sabe. Não descobrindo em si mesmo espécie alguma de sabedoria, onde quer que estivesse, interrogava seus interlocutores a respeito de coisas que, por hipótese, deveriam saber. Ao interrogá-los, verificou que não sabem o que julgam saber, e o que é mais grave, não sabem que não sabem. Assim, Sócrates se achava mais sábio porque pelo menos sabia que nada sabia, ao passo que as outras pessoas pensavam que sabiam. O importante para a sabedoria é o que você faz, não é o que você sabe. A sabedoria modifica o ser e purifica a alma de forma que seus objetivos fiquem mais fácil de serem atingidos.

Ou seja, o que há de comum entre todas as virtudes é a sabedoria, que, segundo Sócrates, é o poder da alma sobre o corpo, a temperança ou o domínio de si mesmo. Permitindo o domínio do corpo, a temperança permite que a alma realize as atividades que lhe são próprias, chegando a ciência do bem. Para fazer o bem, basta, portando, conhecê-lo. Todos os homens procuram a felicidade, quer dizer, o bem, e o vício não passa de ignorância, pois ninguém pode fazer o mal voluntariamente.

Para Sócrates, a filosofia vem de dentro para fora e sua função é despertar o conhecimento, ou seja, o Auto-conhecimento, pois a verdade está dentro de cada um. Para conhecer a si mesmo é preciso conhecer o outro. A alma do outro é como se fosse o espelho da própria alma. Por meio da comparação com o olho, Platão utiliza o método indireto da auto-observação (método da introspecção.

O “conhecer-te a ti mesmo”, que era, na inscrição de Delfos (onde Sócrates foi proclamado o mais sábio), uma advertência ao homem para que reconhecesse os limites da natureza humana, tem dois significados : Ter a consciência da condição humana, não tentar ser mais do que é para os homens serem, não tentar ser Deus, não ser arrogante, devendo os limites do homem serem respeitados para que se viva bem, ou seja, a consciência da seriedade e gravidade dos problemas, que impede toda presunção de fácil saber e se afirma como consciência inicial da própria ignorância; E, o conhecimento interior, para o grego, é conhecer o que permanece oculto, isto é, as coisas divinas eternas, o que as pessoas nem sabem que podem ser. Ou seja, é necessário conhecer o mundo para conhecer a si mesmo.

O conhecimento da própria ignorância não é a conclusão final do filosofar, mas o seu momento inicial e preparatório.

É preciso um caminho indireto, como a ironia (método de ensino de Sócrates), porque o caminho para o conhecimento interior é individual a cada um.

A Ironia possui duplo aspecto : a refutação e a maiêutica. Através da refutação, Sócrates faz uma cadeia de raciocínio para provar que a base do que o outro está pensando está errado. Levava ao ridículo homens considerados sábios. O emprego da refutação para libertação do espírito é de origem eleática. Sócrates tira-a de Zenão, que é o criador. Procurava na filosofia o melhor caminho da libertação das almas do erro, do pecado e da condenação ao ciclo de nascimento.

A refutação faz parte da maiêutica, que é a arte de Sócrates projetar idéias, fazer nascer a verdade. Através da maiêutica, Sócrates fingia ser capaz unicamente de interrogar, mas não de ensinar alguma coisa, mas levava o interlocutor, mediante uma série de perguntas habilmente formuladas, a tomar consciência da própria ignorância e a confessá-la. Reconhecido isto em relação ao que se julgava e presumia saber, procura-se extrair da sua alma o conceito que nela permanecia oculto, desenvolvendo seu próprio pensamento, ou seja, reencontrando, por si mesmos, conhecimentos que já possuíam sem o saber. O exemplo clássico da aplicação da maiêutica é encontrado no diálogo platônico intitulado Mênon, no qual Sócrates leva um escravo ignorante a descobrir e formular vários teoremas de geometria.

“A sabedoria plena é buscada através do auto-conhecimento,
que tem como método indireto a ironia.”

Fonte: oportaldosestudantes.com.br

Sócrates

470-399 a.C

São consideradas três fontes primárias acerca da biografia de Sócrates: os autores Xenofonte (Ditos e feitos memoráveis de Sócrates e Apologia de Sócrates), Aristófanes (As Nuvens) e Platão, em seus Diálogos. Não deixou nada escrito, e o retrato de sua pessoa diverge consideravelmente nos três autores.

Na comédia de Aristóteles, Sócrates aparece sem nenhum glamour de circuspecto filósofo. Já em Platão ele é eleito o pai da doutrina da Academia, tornando-se seu porta-voz e muitas vezes se afastando do Sócrates histórico. Os primeiros diálogos de Platão, ditos aporéticos, são considerados os documentos mais próximos do Sócrates histórico.

Era Ateniense, filho de uma parteira chamada Fenarete e de um escultor, chamado Sofronisco. Recebeu uma educação tradicional, estudando a obra de Homero (A Ilíada e A Odisséia, que contam, como vocês sabem, a história da guerra de Tróia entre gregos contra os troianos, e o retorno do herói Ulisses para sua terra natal . São de caráter épico. Muitos chegaram a duvidar da existência de Homero, ou disseram que ele seria só um coletor de contos do folclore popular, e não o legítimo autor.) Desde a juventude interessou-se pela filosofia, e conhecia o pensamento anterior e contemporâneo dos filósofos gregos. É lendário seu interesse pela conversa em locais públicos, fazia muitas andanças conversando nas praças, mercados e ginásios de sua cidade. Participou do movimento de renovação da cultura e foi um educador popular, já que não cobrava por suas preleções, como os sofistas.

Nunca trabalhou e só pensava no presente. Muitas vezes, só comia quando seus discípulos o convidavam para suas mesas. Sócrates é famoso por ter tido um soberbo auto-controle, não se deixando nem mesmo embriagar pelo vinho, como é contado no Banquete de Platão. Foi casado com Xantipa, de quem teve três filhos, mas na velhice não parava em casa. Quando jovem, participou, como soldado, de incursões militares como as de Potidéia, Delos e Anfipólis. Recebeu reconhecimento por alguns feitos de bravura, como quando salvou Xenofonte (ou segundo outras fontes Alcíbiades), tombado, com seu próprio corpo. De ínicio, interessava-se pelos ensinamentos dos filosófos da natureza, como Anaxágoras, mas depois revoltou-se contra eles, pois eles haviam sido filósofos físicos, que procuravam respostas nas causas exteriores e gerais da natureza.

Achava que existe algo mais digno para se estudar, a psyche, ou a mente do homem. Por isso sondou a alma humana, em questões como a da facilidade e da justiça dos atenienses. Esses lidavam com tanta facilidade com a vida e a morte, honra, patriotismo, moralidade. E em que se baseavam? E o que entendem de si próprios? Chegou assim numa reflexão sobre a alma, considerada superior ao corpo, imortal. Embora alguns autores o tenham associado aos sofistas, a imagem tradicional é a de ter sido seu notório adversário, por achar que a verdade é apenas uma, e condenar o relativismo e parte da retórica.

Os sofistas foram mestres da oratória, que vendiam para os cidadãos suas habilidades com o discurso, fundamental para a política. Assim, defendiam a opinião de quem lhes pagasse bem. Acreditavam que a verdade vêm do consenso entre os homens. Os principais foram Górgias, Protágoras e Hipías. Para eles a realidade sensível não é inteligível, a linguagem é arbitrária, as palavras traem os pensamentos. Como afirma a frase de Protágoras de Abdera, "o homem é a medida de todas as coisas, das que são, enquanto são, e das que não são, enquanto não são ". Por exemplo, o frio "real" não existe, o frio é frio apenas para quem o sente. E também não existiriam um sentimento natural de pudor. Os sofistas destruíram a fé que a juventude tinha nos deuses do Olimpo e no código moral que se baseava no medo da divindade.

Sócrates usava nas suas conversas com os cidadãos um método chamado maiêutica, que consiste em forçar o interlucutor a desenvolver seu pensamento sobre uma questão que ele pensa conhecer, e e evidenciar a contradição. A atividade maiêutica é comparada por Sócrates à profissão de sua mãe, mas ao invés de trazer à luz rebentos ele trazia à luz idéias que já existiam em seus interlocutores.

Tem uma frase famosa de Sócrates: "Só sei que nada sei". Sócrates fala disso na Apologia para mostrar que, por mais que investigasse as doutrinas e conversassem com os sábios, não havia encontrado ninguém que conseguisse participar da sua dialética sem cair em evidente erro de raciocínio. Por isso ele se mantinha um investigador desintessado e não afirmava possuir um saber, como os outros. Por reconhecer sua própria ignorância, a pitia do Oráculo de Delfos o reconheceu como o mais sábio dentre os homens, na ocasião da consulta de Querofonte, amigo de juventude de Sócrates. Já a frase "Conhece-te a ti mesmo" (pois conhecendo-te conhecerá todos os mistérios do universo), apesar de muitas vezes a ele atribuída, era um dos pilares da sabedoria lacedemônoca, sendo por isso inscrita no pórtico do Oráculo de Delfos.

O verdadeiro filósofo sabe que sabe muito pouco, e ele se autodenominava assim. O personagem Sócrates de Platão faz uma brilhante defesa da filosofia no diálogo Górgias. A palavra filosofia significa amizade ao saber. As etapas do saber seriam: ignorar sua ignorância, conhecer sua ignorância, ignorar seu saber e conhecer seu saber. As opiniões (doxa) não são verdades pois não resistem ao diálogo crítico. Conversar com Sócrates podia levar alguém a expor-se ao ridículo, e ser apanhado numa complexa linha de pensamento exposta através de palavras, ficar totalmente envolvido ou perplexo.

É no diálogo Teeteto de Platão que Sócrates compara sua atividade à de uma parteira (como sua mãe), que embora não desse a luz à um bebê, ajudava no parto. Ele diz que ajudava as pessoas a parirem suas próprias idéias. Diz que Atenas era uma égua preguiçosa, e ele um pequeno mosquito que lhe mordia os flancos para provar que estava viva. Achava que a principal tarefa da existência humana era aperfeiçoar seu espírito. Acreditava ouvir uma voz interior, de natureza divina (um daimon), que lhe apontava a verdade e como agir.

Sócrates foi convidado para o Senado dos quinhentos, e manifestou sua convicção de liberdade combatendo as medidas que considerava injustas. A democracia estava se implantando em Atenas, e Sócrates respondia qual era o melhor Estado, como poderia se salvá-lo.

Os homens mais sábios deviam governá-lo, pois eles podem controlar melhor seus impulsos violentos e anti-sociais. Assim, nos afastaríamos do comportamento de um animal. O Estado não confiava na habilidade e reverenciava mais o número do que o conhecimento. Portanto, Sócrates era aristocrático, pois há inteligência que baste para se resolver os assuntos do Estado.

A reação do partido democrático de Atenas não poderia ser outra. Em um juri de cinquenta pessoas, foi acusado, condenado por negar os deuses do Estado e por "perverter a juventude de Atenas". Muitos jovens seguiam Sócrates, e tornavam-se seus discípulos. Anito, um líder democrático, tinha um filho que se tornou discípulo de Sócrates, ria dos deuses do pai, voltava-se contra eles. Sócrates foi considerado, aos setenta anos, líder espiritual do partido revoltoso. A verdadeira causa da morte de Sócrates é política, ele ameaçava o partido democrático dominante. Foi condenado à morte, e teve de ingerir cicuta (uma plata venenosa). Podia ter fugido da prisão, ou pedido clemência, ou ter saído de Atenas, mas não quis. Quis cumprir as leis da cidade. Assim, se tornou o primeiro mártir da filosofia. Não deixou nenhuma obra escrita. Sua morte nos é contada por Platão, que foi um de seus discípulos, e fiz aqui um resumo:

"(...) Ele se levantou e se dirigiu ao banheiro com Críton, que nos pediu que esperássemos, e esperamos, conversando e pensando (...) na grandeza de nossa dor. Ele era como um pai do qual estávamos sendo privados, e estamos prestes a passar o resto da vida orfãos. (...) A hora do pôr do sol estava próxima, pois ele tinha passado um longo tempo no banheiro .(...) Pouco depois, o carcereiro entrou e se postou perto dele, dizendo:

-A ti, Sócrates, que reconheço ser o mais nobre, o mais delicado e o melhor de todos os que já vieram para cá, não irei atribuir sentimentos de raiva de outros homens(...) de fato, estou certo de que não ficarás zangado comigo, porque como sabes, são os outros , e não eu o culpado disso. E assim, eu te saúdo, e peço que suportes sem amargura aquilo que precisa ser feito, sabes qual é a minha missão - e caindo em prantos, voltou-se e retirou-se.

Sócrates olhou para ele e disse:

Retribuo tua saudação, e farei como pedes.- E então, voltando-se para nós disse:- Como é fascinante esse homem; desde que fui preso, ele tem vindo sempre me ver,e agora vede a generosidade com que lamenta a minha sorte. Mas devemos fazer o que ele diz; Críton, que tragam a taça, se o veneno estiver preparado.(...)

Críton, ao ouvir isso fez um sinal para o criado, o criado foi até lá dentro, onde se demorou algum tempo; depois voltou com o carceireiro trazendo a taça de veneno. Sócrates disse:

-Tu, meu bom amigo, que tem expêriencias nesses assuntos, irá me dizer como devo fazer.

O homem repondeu:

- Basta caminhar de um lado para outro, até que tuas pernas fiquem pesadas., depois deita-te e o veneno agirá.-Ao mesmo tempo estendeu a taça a Sócrates, (..) que segurou-a (...)

E então levando a taça aos lábios, bebeu rápida e decididamente o veneno.

Até aquele instante a maioria de nós conseguira segurar a dor; mas agora, vendo-o beber e vendo, também que ele tomara toda a bebida, não pudemos mais nos conter; apesar de meus esforços, lágrimas corriam aos borbotões. (...) Apolodoro, que estivera soluçando o tempo todo, irorrompeu num choro alto que transformou-nos a todos em covardes. (...)

E então, o próprio Sócrates apalpou as pernas e disse:

-Quando chegar ao coração, será o fim.- (...) e disse aquelas que seriam as suas últimas palavras:

- Críton, eu devo um galo a Esculápio, vais lembrar de pagar a dívida?

-A dívida será paga - disse Críton. (...)

Foi esse o fim de nosso amigo, a quem posso chamar sinceramente de o mais sábio, mais justo e melhor de todos que conheci. "

Fonte: www.consciencia.org

Sócrates

Sócrates
Sócrates

470 - 399 a.C.

Sócrates é talvez a personagem mais enigmática de toda a história da filosofia. Talvez pelo simples facto de não ter escrito nem uma linha. Apesar disso, pertence ao número de Filósofos que exercem maior influência no pensamento Europeu.

Mesmo quem não possui muitos conhecimentos de Filosofia, conhece certamente esta personagem e principalmente toda a tragédia da sua morte. Nesta página retratamos a vida de Sócrates no que diz respeito à sua educação, sua vida familiar, sua vida política, sua aparência, seu carácter, seu círculo de amigos e a relação que estabelecia com os seus discípulos. Há ainda uma referência e análise de uma célebre frase que Sócrates proferiu.

Biografia/Educação

Sócrates nasceu em Atenas, cidade da Grécia

Nasceu no demo de Álopécia, em 470( a.C), isto é no fim das guerras médicas pelas quais os Gregos puseram fim à hegemonia dos Persas no Mediterrâneo. A sua mãe, Fenarete, era parteira; o seu pai, Sofronisco, era escultor; por isso Sócrates dizia gracejando que descendia de Dédalo, o ancestral de todos os escultores.

Segundo uma tradição, Sócrates teria exercido primeiro a profissão do seu pai, ele teria sido mesmo um escultor de valor pois que se lhe atribuía o grupo das «Graças vestidas» que se encontrava defronte da Acrópole e que se podia ver ainda no século II.

Platão e Xenofonte eram formais: «Sócrates era muito pobre, aliás Aristófanes não teria deixado de nos falar de um Sócrates usuário se o mais pequeno facto lhe tivesse permitido dar qualquer crédito a esta afirmação.»

É possível que Sócrates tivesse recebido a educação tradicional que recebiam os jovens atenienses do seu tempo: ele teve que aprender a música, a ginástica e a gramática, isto é, o estudo da língua apoiado por comentários de textos.

Trabalho da Paideia

Estudando a obra de Homero (A Ilíada e A Odisséia, que contavam a história da guerra de Tróia, dos gregos contra os troianos, e do retorno do herói Ulisses para sua terra natal. São de carácter épico. Muitos chegaram a duvidar da existência de Homero, ou disseram que ele seria só um colector de contos do folclore popular, e não o legítimo autor.)

Trabalho de Homero

A esta educação que Sócrates recebeu dos seus mestres, é preciso acrescentar a que lhe pôde dar o século excepcionalmente brilhante que foi o século V que começa: Ésquilo morreu quando Sócrates tinha 14 anos, Sófocles e Eurípides eram uma dezena de anos mais velhos que Sócrates, numa palavra, nós estavamos no século dito de Péricles.

Imagem de Péricles
Imagem de Péricles, representado
com o capacete militar dos estrategos

Uma outra tradição, menos fantasista, é a que afirma que Sócrates seguiu as lições de Arquelau e as de Anaxágoras

Figura de Anaxagoras numa moeda
Figura de Anaxagoras numa moeda

Pretendeu-se que com Arquelau a especulação filosófica se tinha inflectido da física para a moral e que Sócrates não tinha feito senão apanhar o seguimento desta tradição, diz-se mesmo que Sócrates acompanhou Arquelau a Samos; mas também aí nos encontramos em face de afirmações discutíveis pois que, segundo Platão, Sócrates nunca saiu de Atenas, salvo para as expedições militares e uma vez para se deslocar aos jogos ístmicos. No que concerne Anaxágoras não é impossível que Sócrates, ainda novo, o tenha ouvido falar em Atenas, mas se se acreditar na autobiografia de Sócrates numa passagem célebre do Fédon, Sócrates não deve ter admirado durante muito tempo o pensamento deste filósofo:

«Um dia ouvi fazer uma leitura de um livro que era, dizia-se, de Anaxágoras, e onde estava contida esta linguagem: "Foi em definitivo o Espírito que tudo pôs em ordem, é ele que é causa de todas as coisas". Uma tal causa fez a minha alegria. [...] Pois bem! Adeus à maravilhosa esperança! Eu afastava-me dela perdidamente. Avançando com efeito na minha leitura, vejo um homem que não faz nada do Espírito, que não lhe imputa também nenhum papel nas causas particulares da ordem das coisas, que, pelo contrário, alega a este propósito acções do ar, do éter, da água, e uma quantidade de outras explicações desconcertantes.» ( in Jean Brun, página 29)

Para Sócrates, uma tal explicação era tão pobre como aquela que diria que se Sócrates estava sentado neste momento na prisão, era unicamente porque os seus ossos e os seus músculos permitiam, pelas suas articulações, que ele ocupasse neste lugar a posição sentada.

Entre os mestres em contacto com os quais Sócrates teria formado o seu pensamento, Máximo de Tiro cita duas mulheres: Aspásia de Mileto, uma cortesã, Diotima de Mantineia, uma sacerdotisa. Da primeira Platão fala no Menéxeno mas é evidente que Sócrates ironiza fazendo dela uma professora de eloquência, Xenofonte fala igualmente dela a propósito de Sócrates, e segundo Ésquino foi ela que teria ensinado a Sócrates a doutrina do amor que torna os homens melhores. Quanto a Diotima, ela é sobretudo conhecida pela célebre passagem do Banquete onde a sacerdotisa de Mantineia faz o relato do nascimento do Amor, alguns só viram nela uma personagem lendária, outros, como R. Godel vêem nela uma iniciada nos mistérios, que teria desempenhado um papel importante na formação intelectual de Sócrates.

Para terminar com este inventário das influências possíveis na educação e formação de Sócrates, diremos que, por muito que Sócrates tenha conhecido ou lido dos filósofos anteriores ou contemporâneos, não foi a partir do que predecessores lhe tenham podido legar que nós reencontraremos o sentido profundo da mensagem socrática, pois, como explicava Sócrates, o filósofo deve ser o próprio artesão da sua sabedoria (Xenofonte, Banquete).

Vida Familiar

Sobre a vida familiar de Sócrates possuímos alguns detalhes nem sempre concordantes, o que é certo é que Sócrates desposou Xantipa. Alguns autores pretendem que ele teria sido primeiro marido de Mirto, filha de ou neta de Aristides, o Justo, outros afirmam mesmo que ele teria sido simultaneamente o marido de Mirto e de Xantipa; sendo a monogamia uma instituição ateniense, pretendeu-se que Sócrates teria aproveitado um decreto excepcional que incitava os Atenienses à poligamia a fim de aumentar a taxa de natalidade de uma Atenas esgotada pela guerra e pela doença; na realidade parece mesmo que o decreto em questão reconhecia, em certas condições, o título de homens livres a filhos nascidos fora do casamento. O mau carácter de Xantipa era proverbial em toda a Antiguidade, ela deixou a reputação de uma mulher irascível. Xenofonte diz-nos que ela era a mais insuportável das mulheres passadas, presentes e vindouras e não faltam anedotas que no-la representam sempre a gritar, atirando um vaso de água à figura do seu marido ou virando a mesa ao contrário quando Sócrates convida um amigo para jantar. Sócrates teve a seu respeito uma atitude paciente e resignada e não viu provavelmente nela a ajuda que lhe era necessária para levar a bom termo o seu dever cívico de paternidade. Alcibíades espantava-se com a paciência de Sócrates perante esta esposa sempre ocupada em gritar:

«E tu, diz-lhe Sócrates, não suportas os gritos dos teus gansos? - Sim, responde Alcibíades, mas eles dão-me ovos e gansinhos. - Pois bem, replica Sócrates, Xantipa dá-me filhos.» Interrogado no sentido de se saber se o casamento era preferível ao celibato, Sócrates respondeu: «Qualquer que fosse o partido que escolhêsseis, vós arrepender-vos-íeis dele». ( in Jean Brun, página 31)

É conhecida a passagem do princípio do Fédon, em que Sócrates vê a sua mulher pela última vez. Rodeada dos discípulos Xantipa proferiu maldições e discursos absolutamente do género habitual nas mulheres, ela disse:

"Eis, Sócrates, a última vez que conversarão contigo os que te estão ligados, e tu com eles!" ( in Jean Brun, página 31)

Sócrates lançou um olhar para o lado de Críton: "Críton, diz ele, levem-na para casa!"( in Jean Brun, página 31) E enquanto que a levavam alguns dos homens de Críton, ela vociferava batendo-se no peito.»

Não é impossível, também, que a lenda tenha feito de Xantipa um carácter caricatural não sendo senão poucas relações com a verdade.

Sócrates teve três filhos, o mais velho Lâmprocles, Sofronisco e Menéxeno; segundo certas tradições, uns seriam de Mirto e os outros de Xantipa, mas nada permite pronunciar-se sobre este ponto com certeza.

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