Dia Nacional da Imigração Japonesa

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18 de Junho

Dia Nacional da Imigração Japonesa é celebrado em 18 de junho, marcando a chegada do navio Kasato Maru ao Porto de Santos em 1908, trazendo os primeiros 781 imigrantes. A data homenageia a contribuição nipônica na cultura, agricultura e desenvolvimento brasileiro, celebrando a maior comunidade de descendentes (nikkeis) fora do Japão.

A imigração japonesa fortaleceu as relações amistosas entre Brasil e Japão, sendo uma história de perseverança e integração.

Dia Nacional da Imigração JaponesaDia da Imigração Japonesa

Dia 26 de julho, a Lei n.º 11.142, que cria o Dia Nacional da Imigração Japonesa, a ser celebrado no dia 18 de junho, data da chegada do vapor japonês Kasato-Maru, que trouxe oficialmente os primeiros imigrantes nipônicos para o Brasil.

O ato foi assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro da Cultura interino, João Luiz Silva Ferreira.

O navio que aportou em 1908 nas Docas de Santos, em São Paulo, trazia 781 japoneses reunidos em aproximadamente 158 famílias. Essa foi a primeira leva de imigrantes nipônicos, dos cerca de 260 mil que vieram a dar entrada no país no início do Século XX.

Atualmente, já existe a quinta geração de descendentes, os gosseis, e a comunidade japonesa ultrapassa 1 milhão de habitantes. A maioria está concentrada no estado de São Paulo (70%). O Paraná abriga mais 12%, o Mato Grosso 2,5% e o Pará mais de 1%.

A história da imigração japonesa no Brasil foi retratada no cinema pela diretora Tizuka Yamasaki nos filmes Gaijin, Caminhos da Liberdade (Brasil, 1980) e Gaijin 2, Ama-me como Sou (Brasil, 2003), que levaram às telas a saga dos descendentes dos imigrantes japoneses no Brasil.

Um pouco da história dos japoneses

Com o final do Período Feudal no Japão, muitos ficaram sem trabalho. O governo decide incentivar a saída do país de seus cidadãos e cria a Companhia Imperial de Imigração. As relações diplomáticas entre o Brasil e Japão foram estabelecidas em 1895, data em que foi firmado o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação entre os dois países.

O Kasato-Maru chegou em 18 de maio de 1908 trazendo os primeiros japoneses para o Brasil, dando início a uma aventura em um país distante.

Os imigrantes trazidos pela Companhia Imperial de Imigração foram para as fazendas de café no interior do estado de São Paulo.

Vencidos os contratos de trabalho, grande parte dos trabalhadores mudou-se para o interior paulista ou para a região litorânea ao longo da estrada de ferro Santos-Juquiá. Outros se estabeleceram na periferia da capital.

Entre 1910 e 1914, chegaram do Japão cerca de 14.200 imigrantes e foram criadas dezenas de comunidades japonesas. O pico do fluxo de imigrantes acontece entre 1925 e 1935, quando mais de 140 mil vieram buscar uma nova vida por aqui.

A imigração foi interrompida por dez anos, com o advento da 2ª Guerra Mundial. Em 1959, os japoneses voltaram a se instalar no Brasil, mas em escala reduzida. Com a recuperação econômica do Japão, a imigração praticamente deixou de existir.

Como tudo começou

A história da imigração japonesa no país é cheia de obstáculos. Atraídos pelo sonho de uma vida melhor, esses imigrantes tiveram de aprender a conviver com uma cultura totalmente diferente da sua e superar várias dificuldades, sobretudo, o preconceito.

A vinda de imigrantes japoneses para o Brasil foi motivada por interesses dos dois países: o Brasil necessitava de mão-de-obra para trabalhar nas fazendas de café, principalmente em São Paulo e no norte do Paraná, e o Japão precisava aliviar a tensão social no país, causada por seu alto índice demográfico. Para conseguir isso, o governo japonês adotou uma política de emigração desde o princípio de sua modernização, iniciada na era Meiji (1868).

Apesar de não serem favoráveis à imigração, em 1906, os governos do Japão e do Estado de São Paulo levaram adiante esse processo.

Dia Nacional da Imigração JaponesaO vapor Kasato-Maru ancorado no porto de Santos

Os imigrantes deixaram o porto de Kobe em 28 de abril de 1908. Eles vieram a bordo do navio Kasato-Maru – cujo capitão era o inglês A. G. Stevens. O navio atracou no porto de Santos no dia 18 de junho de 1908. Dessa data até 1921, o estado de São Paulo e os fazendeiros de café subsidiaram as passagens dos imigrantes, que deveriam cumprir um contrato de dois a três anos trabalhando nas lavouras de café.

A bordo do Kasato-Maru estava um povo que trazia, além da bagagem, uma cultura milenar. Baseadas nos relatos de japoneses que haviam sido enviados ao Brasil antes do início da imigração, essas pessoas esperavam enriquecer em pouco tempo e voltar para sua pátria, já que as oportunidades oferecidas nas lavouras de café pareciam promissoras. Mas os imigrantes que desembarcaram no Porto de Santos naquela manhã de 1908 descobriram outra realidade; eles foram enviados para trabalhar nos cafezais paulistas, muitas vezes sem condições adequadas de higiene. Aos poucos, essas pessoas perceberam que somente com união conseguiriam conquistar sua independência.

Os japoneses então começaram a criar parcerias e cooperativas, a fim de defender seus interesses. Além disso, adquiriram pequenas terras, em que desenvolveram técnicas de produção agrícola.

Mais tarde…

A situação econômica do Japão piorou muito após o fim da Primeira Guerra Mundial, principalmente nas áreas rurais. Nos EUA, principal país procurado pelos imigrantes japoneses, o movimento contra a entrada dos orientais se intensificou e, em 1924, foi promulgada uma lei de imigração que proibia a entrada dos japoneses no país.

Dia Nacional da Imigração JaponesaImpossível melhorar de vida nas fazendas de café:
para os japoneses, a saída era tornarem-se proprietários

A partir de 1917, o governo japonês coordenou a fusão de diversas empresas particulares de emigração e fundou a estatal Kaigai Kôgyô Kabushiki Kaisha, que passou a subsidiar as passagens dos imigrantes. Por causa da impossibilidade de acesso dessas pessoas aos EUA, esses recursos passaram a ser destinados às viagens para o Brasil. Entre 1928 e 1935, ingressaram no país 108.258 japoneses, ou seja, 57% dos 190.000 que imigraram no período anterior à Segunda Guerra Mundial.

Mas também no Brasil começaram a surgir movimentos contrários à entrada de japoneses. Em 1922, foi criado um projeto de lei que proibia a entrada de negros no país e restringia a de orientais, mas essa lei não entrou em vigor. No entanto, em 1934, foi aprovada uma emenda constitucional que limitava a entrada de imigrantes estrangeiros para 2% do total de pessoas que ingressaram no país nos últimos 50 anos. Essa emenda foi incorporada à Constituição de 1934, ocasionando queda nos índices de imigração a partir de 1935.

Depois da Segunda Guerra Mundial, a imigração japonesa no Brasil esteve praticamente paralisada, atrapalhando a já difícil integração entre brasileiros e nipônicos. Vários decretos foram instituídos, proibindo o ensino da língua japonesa no país, e descendentes de japoneses foram obrigados a portar salvo-conduto para que pudessem transitar pelo país. Entre 1940 e 1950, apenas 1,5 mil japoneses imigraram para o território brasileiro.

Na época, os mais radicais diziam que a imigração japonesa integrava um plano do governo do Japão de “subjugar o mundo” por meio de agentes infiltrados em diversos países. E alguns jornais lamentavam a “invasão amarela” e os “males irreparáveis causados pela imigração japonesa”.

O fim da Segunda Guerra marcou o início da reconciliação entre brasileiros e japoneses, e o perfil do imigrante japonês se modificou. Os nikkeis, como são chamados os primeiros imigrantes que vieram ao Brasil, deixaram de ser mão-de-obra barata e, por exigência de acordos bilaterais, passaram a ter acesso às escolas.

A partir da década de 60, famílias japonesas começaram a administrar seus próprios negócios. Os homens trabalhavam como feirantes, quitandeiros e tintureiros, e as mulheres, como costureiras e em salões-de-beleza.

Dia Nacional da Imigração Japonesa“Agora vamos, levando a família, para a América do Sul” – convoca
o cartaz, de 1925, de uma companhia japonesa de imigração

Na década de 70, já não era tão estranha a convivência entre as culturas japonesa e brasileira, e o número de casamentos entre etnias diferentes aumentou no país. Nessa época, o Japão se recuperou da crise econômica e passou ocupar um papel de destaque no cenário mundial. Hoje, o Brasil abriga a maior população japonesa fora do Japão.

Fonte: Colégio São Francisco/www2.cultura.gov.br/www.aprendebrasil.com.br

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